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A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


Os que quiserem se consagrar à Virgem Santíssima pelo Método de S. Luís Maria Grignion de Montfort devem primeiramente ler a obra deste santo entitulada O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Nele, o leitor há de entender a seriedade da consagração, o papel fundamental e necessário que a devoção a Nossa Senhora tem na vida cristã autêntica e a sua particular importância nos últimos tempos. Neste livro, o leitor poderá ainda corrigir a sua devoção à Virgem e ter respondidas possíveis objeções feitas a esta prática, já que vivemos num mundo impregnado de protestantismo. Já no final do livro, o santo ensina o modo de se preparar para a consagração, que é de 33 dias, e as obrigações diárias dos que se consagraram, chamados agora de Escravos Perpétuos de Jesus por Maria.


Exemplos de alguns santos que foram escravos de Maria por este método: São João Maria Vianney (Cura D'ars), São João Bosco, São Domingos Sávio, Sta Teresinha de Lisieux, Santa Gema Galgani, S. Pio de Pietrelcina, S. Pio X, Sto Antônio de Santana Galvão e ainda o bem-aventurado Papa João Paulo II.

Importa, ainda, saber que esta devoção não foi inventada por S. Luís Maria Grignion de Montfort. Na verdade, ela remonta aos primeiros séculos do cristianismo, mas foi a partir deste santo que ela se tornou mais conhecida e ganhou uma exposição mais sistemática.

Lema dos Consagrados: 
Totus tuus, Mariae, et omnia mea tua sunt 
Sou todo teu, Maria, e tudo quanto tenho vos pertence.

Recomendamos comprar o livro. Mas ele também pode ser baixado clicando na figura acima. Salve Maria Santíssima!

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA
"Gira o mundo, mas a cruz permanece firme" (Lema dos monges Cartuxos)
"Quem quiser seguir a Cristo, não o busque sem a cruz" (S. João da Cruz)



Na Santa Missa nós tocamos em Jesus, comemos a Sua Carne e bebemos o Seu Sangue...

Quem tudo perde, ganha a alegria

Nada mais tenho; por isso tenho alegria...
Nada mais que pese em meus bolsos e me prenda à terra,
Nada mais que, prendendo-me ao solo, me impeça de saltar até as estrelas.
Sou livre como água que corre e o vento que passa.
Quem perde tudo, ganha ainda; e quem perde a si mesmo, encontra a alegria.
Nada mais tenho; identifico-me, por isso, com a alegria...

Perdi todo o musgo que se agarrava à minha identidade, e minha própria identidade.
Já não sou eu mesmo, pois sou Cristo!
Mas sendo Cristo, sou a Alegria.
Minha alegria é para Deus e eu sou para Deus.
Minha alegria é ligada a Deus e eu estou unido a Deus.
Minha alegria e eu pertencemos a Deus.
Ninguém me tirará.
Se queres arrebatar minha alegria, vem tomá-la das mãos de Deus!

Pe. Joseph Folliet (1903-1972), fundador dos "Companheiros de Francisco"

A alma de Cristo na Eucaristia


A alma e a divindade de Jesus não estão simplesmente em segundo plano, de maneira latente, inerte e mais ou menos abstrata. Neste sacramento do seu amor, Cristo está presente com todas as suas potências e capacidades dispostas a agir e operar com todas as ações e ‘paixões’ (no sentido metafísico) que pertencem à sua vida glorificada, no céu. Há somente uma exceção a assinalar. Desde que o Corpo de Jesus não está em relação com a realidade material por contato de dimensões quantitativas, neste Sacramento Ele não exerce suas faculdades sensitivas, pelo menos de um modo natural. Não nos vê com os olhos corporais. Mas, afinal, não necessita faze-lo, pois que a visão divina que possui, ilumina-lhe a mente com um conhecimento de todos nós muito mais profundo e íntimo do que possamos imaginar.

No tabernáculo, Cristo nos vê e nos conhece de maneira muito mais nítida do que nos vemos a nós mesmos. O conhecimento que de nós existe no Cristo sacramentado, que recebemos na comunhão, é um conhecimento que Ele já possui das próprias profundezas do nosso ser. Portanto, Jesus no SS. Sacramento não nos perscruta examinando-nos friamente como se fôssemos objetos, seres dele muito remotos, conservando ainda alguns traços enigmáticos. Conhece-ns em Si mesmo, como seus ‘outro eu’. Conhece-nos subjetivamente como se fôssemos uma extensão – o que de fato somos – da sua própria Pessoa. Esse conhecimento por identidade é o que vem, não apenas da ciência, mas do amor. A psicologia moderna forjou a palavra ‘empatia’. É o conhecimento que se tem de outro ‘por dentro’, por uma simpatia que se projeta e vive as experiências desse outro tais quais se lhe apresentam. Mas essa empatia humana é, ainda, algo de incerto e remoto que não consegue vencer a distância que existe entre dois espíritos distintos. A ‘empatia’ de que somos alvo por parte de Cristo, com a qual Ele nos compreende, procede das profundezas do nosso próprio ser e é tão profunda que, se quisermos saber a verdade a nosso respeito, temos de procurá-la nEle no momento da santa comunhão. Pois Cristo é o nosso mais profundo e íntimo ‘ser’, nosso ser mais alto, nosso novo ser como filhos de Deus. É isso que significa para nós dizer com S. Paulo: “viver para mim é Cristo” (Filip 1, 21). A paz que desabrocha nas profundezas de nossa alma, o silêncio espiritual, o repouso, a segurança e a certeza que recebemos na comunhão com a consciência da presença dEle é um sinal de que abrimos a porta que dá acesso ao santuário íntimo do nosso ser, o lugar secreto onde nos unimos a Deus. É este o ‘aposento’ no qual devemos entrar quando oramos ao Pai em segredo (Mt 6, 6). Na verdade, só aquele que nos ensinou que esse é o lugar onde devemos nos retirar pra orar é quem no-lo pode abrir.

Aos olhos humanos, o Cristo no SS. Sacramento pode parecer inerte e passivo. Contudo, é Ele quem nos chama à comunhão pela ação das inspirações interiores e secretas, porque sabe que precisamos desse alimento místico. Quando recebemos a sagrada hóstia é não só porque temos o desejo de receber a Cristo, mas também, e sobretudo, porque Ele, neste Sacramento, deseja dar-se a nós. Nas palavras de Santo Ambrósio: “vieste ao altar? É o Senhor Jesus que te chama...dizendo-te ‘Deixai-o beijar com um beijo de sua boca’”... Ele te vê livre de pecados, pois foram apagados. Portanto, julga-te digno dos sacramentos celestes e por isso te convida ao banquete celestial.

A caridade de Cristo que lhe impulsiona a vontade, oculta na santa Eucaristia, é o mesmo infinito amor que tem por todos os homens e que os atrai pela graça do Espírito Santo, à união com o Pai no Filho. Esse amor, dizemo-lo mais uma vez, não é apenas caridade universal que abraça a todos, sem exceção, mas atinge igualmente a cada um no inescrutável ocultamento da sua própria e singular individualidade. Assim como Cristo me amou e se entregou por mim (Gál 2, 20), assim, também Ele me ama e vem a mim no SS. Sacramento. Quando se vê unido a mim na comunhão, de modo algum se admira de saber que sou um pecador. Já o sabia; e me amou tal qual sou. Vem a mim porque é sempre o amigo, o refúgio e o Salvador dos pecadores. De minha parte, devo fazer todo o possível para corresponder ao seu amor, mesmo se não sou digno desse amor. E o melhor modo de a Ele corresponder é crer na sua inexprimível realidade e agir de acordo com minha crença.

Neste Sacramento, o Amor de Cristo aumenta a nossa capacidade de receber a graça e nos move a produzir atos de uma caridade mais fervorosa e espiritual. É por uma moção da vontade de Cristo que recebemos o Espírito Santo que, como diz Scheeben, é o fogo espiritual que prorrompe, com ímpeto, do Cordeiro imolado, na Eucaristia. Temos aqui alguns textos em que esse grande teólogo do Séc XIX nos dá a própria medula da doutrina dos santos padres.

“No estado glorioso em que se acha, o Corpo de Cristo é, por assim dizer, o trigo que vive pelo poder do Espírito Santo; na Eucaristia é o pão cozido pelo fogo do Espírito Santo, por onde esse divino Espírito confere a vida a outros. A Carne de Cristo dá vida... pelo Espírito, energia divina que nela reside. “A carne do Senhor é espírito vivificante”, diz stº Atanásio...”porque foi concebido por Espírito Vivificador. Aquilo que nasce do Espírito é espírito...” Ora, o Cordeiro de Deus, imolado desde o princípio do mundo ante os olhos de Deus, se deve manter diante de Deus como eterno holocausto ardendo no fogo do Espírito.”

A vontade humana de Cristo, Salvador do mundo, perfeitamente unido para sempre à vontade de Deus Pai neste sacrifício, produz cada movimento pelo qual o Espírito Santo procede no íntimo de nossos corações atraindo-nos à união com o Logos. Por sua vez, o Espírito desperta em nosso coração uma profunda e mística correspondência à ação do Verbo Encarnado que recebemos na comunhão. O Espírito Santo nos revela a realidade da presença de Cristo e a imensidão do Seu amor por nós. O Espírito Santo abre o ouvido secreto, íntimo, do nosso espírito de maneira que possamos distinguir os puros acentos da voz de Cristo, o Homem Deus, que fala no interior de nossas almas, que uniu tão intimamente à Sua. E, por nossa correspondência a essa moção do Espírito de Deus enviado aos nossos corações pela ação do amor pessoal de Cristo por nós, unimos plenamente a nossa vontade à dEle, nosso coração ao Seu Sagrado Coração e nos tornamos ‘um espírito’ com Ele, conforme a palavra de S. Paulo: “Aquele que está unido ao Senhor é um espírito com Ele” (1 Cor 6, 17). O Pai, então, ao nos contemplar não vê senão a Cristo, Seu Filho muito amado no qual põe as Suas complacências.

Thomas Merton, O Pão Vivo.

Católicos no mundo contemporâneo

Já não é estranho para aqueles que assumem um catolicismo integral e real que sejam vistos, nos dias de hoje, como retrógrados e quase extraterrestres. Desde os tempos de Jesus, os cristãos não eram muito estimados. Ninguém permanecia indiferente ao próprio Cristo, ou o amavam, ou o odiavam. Enfim, hoje vivenciamos um tempo difícil onde a convicção da nossa Fé tem de ser firme. A onda do laicismo, que mais tende à anti-religião, não consiste apenas num evento natural que aconteceu e aí está. Há toda uma intenção de pessoas em abolir qualquer que seja a visão espiritual das consciências. Querem matar Deus de novo, mas agora nos corações dos cristãos, como escreveu alguém. E o processo de tentativa já se acha bem adiantado, pois Nietzsche já proclamava a morte de Deus. Ora, eu escrevi “tentativa” porque nunca virá a termo esta proposta luciferina. No entanto, muitos católicos têm cedido às visões toscas que se tem difundido contra a Igreja e contra a religião. Utilizando-se de uma historicidade adulterada, muitos tentam fomentar no coração dos católicos uma certa descrença pela sua Igreja, pelos seus dogmas, pela sua doutrina, pela sua origem e, até mesmo, pela dignidade do seu fundador. Presenciamos, aqui e ali, católicos que assim se dizem, mas que não aceitam isto ou aquilo que a Igreja propõe, que não apreciam Sua Santidade o Papa, que discordam neste ou naquele ponto da doutrina da Igreja. É triste ver que a fé destas pessoas nunca se fortaleceu e que preferem acreditar em teorias fajutas à força de manipulações de fatos históricos que não aconteceram como se contam, de teorias sofistas que visam apenas a destruição da religião porque tem se oposto a um suposto progresso da humanidade. Não é à toa que a Sagrada Escritura diz: “maldito o homem que confia em outro homem”. O resultado desta negação de Deus e de aparente independência do homem como senhor de si mesmo, não tem resultado na prometida felicidade. A relativização dos valores, encarados hoje como tabus puramente culturais, tem dado ao homem uma ilusão de libertação, mas... pura ilusão que não se sustenta senão à constante afirmação de sua mentira por parte do homem, enquanto, na verdade, este tende a se perder num redemoinho de ficções. É irônico ver que, o tempo progride, mas o homem destes tempos parece querer a barbárie. Sim, se está provado que o homem é um animal somente, como o disse Darwin, que não há nada além desta existência, como o afirmou Sartre, que o homem deve satisfazer seus desejos sem escrúpulos, como disse Freud, e que Deus morreu, como escreveu Nietzsche, então, que sentido tem em ser virtuoso, seguir uma instituição puramente cultural que se baseia em valores ultrapassados e cujo autor, embora se declarasse Deus, estava enganado ou mentiu? Esta é a lógica que querem impor aos católicos e a toda civilização com o objetivo de extirpar do mundo a crença em Deus. E, embora não venham a obter o sucesso absoluto desta ridícula empresa, têm feito muitos males a muitos católicos e cristãos em geral, cujos fundamentos não se tornaram firmes.

Os antigos filósofos, os pré-socráticos, embora tão distantes de nós por viverem em tempos tão antigos, apreciavam profundamente a vida de virtude. Faziam-se pobres, renunciavam ter famílias, fascinavam-se pela castidade, eram íntegros, verdadeiros, justos e todas estas virtudes faziam parte de sua educação para os novos filósofos. Não se concebia que um filósofo não fosse virtuoso. Havia um destaque intenso neste sentido. E nós, aparentemente mais evoluídos, desprezamos a virtude como algo qualquer. Claro, numa sociedade hedonista, onde só vale a competição, a vitória sobre o outro, a mentira, a satisfação dos desejos mais torpes, o consumismo, o imediatismo, a comodidade, a posse de bens materiais. Creio que se os antigos filósofos pudessem observar o futuro e nos vissem, se envergonhariam do rumo que a humanidade tomaria em dados dias. Em lembrar que Sócrates deu sua vida por aquilo que acreditava. O mundo de hoje não cultiva verdades e valores que sejam mais valiosos que a vida, e, se alguém o faz, é tido como retrógrado e alienado. Lembro-me também da frase de D. Estêvão Bettencourt: "se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria a Cristo".

Hoje, nós como católicos devemos ser fiéis à Santa e Infalível Igreja Católica. A nossa grande necessidade hoje consiste em dois sentidos: 1º sermos pessoas sérias de espiritualidade profunda, ou, como disse Pe. Roberto Lettieri, homens e mulheres de mistério. 2º sermos apologéticos de respeito, isto é, estarmos em condições de defender a Igreja onde quer que for. Para isto é necessário que nos lancemos ao estudo de sua história, que a conheçamos como realmente aconteceu, que conheçamos a pureza de sua doutrina e que evitemos erros heréticos que são comuns hoje, como por exemplo, a teologia da libertação que, de teologia, só tem o nome. Os cristãos convictos nos tempos atuais incomodam a muitos e serão perseguidos e criticados. Mas devemos permanecer fiéis e seguros. Isto se dá porque a nossa atitude de Fé firme em Deus, denuncia a fragilidade de valores dos inimigos da religião. Devemos conhecer a Deus verdadeiramente, sem invenções, sem caricaturas, mas conhecê-lo como Ele é. Para que não nos enganemos, devemos procurá-lo na Igreja e não fora dela. O Esposo é fiel à sua Esposa. Uma vez escutei de uma pregadora católica mais ou menos o seguinte: "para cada tipo de pessoa, uma igreja diferente". Nada mais errado. Jesus é um só. Devemos amar os nossos irmãos e, como Paulo escreveu, "pregarmos oportuna e inoportunamente". Claro que muitas vezes seremos convidados a pregar num estilo franciscano: "anunciai o Evangelho a todos; se preciso for, use as palavras". Apenas a nossa atitude silenciosa muitas vezes poderá ser mais eficaz do que nossas palavras. Devemos, enfim, crer que a Igreja é Mestra em Fé e Moral. Devemos seguí-la, obedecê-la e, se por acaso ela proclamar algo que a princípio não concordarmos, façamos o doce exercício de nos resignarmos e nos submetermos à voz daquela que sabemos ser a depositária dos tesouros de Cristo. Se uma criança acha que não deve escovar os dentes, mas o pai afirma que deve, quem está certo? É preciso submissão, obediência. Alguns dos inimigos da religião chamarão isto de "dominação de massas"; nós, no entanto, chamamos de amor. Ser católico requer seriedade. Jesus mesmo disse: "Quem não está comigo, está contra mim". Estejamos com Cristo.

Pregações Pe. Roberto Lettieri


Baixe pregações do Pe. Roberto Lettieri visitando o link abixo:

Toca de Assis - Fiel Pelicano

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Fonte: www.veritatis.com.br

As inspirações do Espírito Santo

… as inspirações do Espírito Santo pelos Sete Dons, não são, geralmente, dramáticas e espetaculares nem por seu objetivo nem por seu modo de atividade. Depois de ler as vidas dos santos e as experiências dos místicos, algumas pessoas ficam convencidas de que a vida mística deve ser algo de uma ópera wagneriana. Coisas tremendas acontecem todo o tempo. Cada nova moção do Espírito é anunciada por trovões e faíscas. Os céus se abrem e a alma evola-se do corpo numa explosão de supra-terrena e resplandecente luz. Aí ela encontra Deus face a face, no meio de um grande turnverein de santos e anjos de trombeta, a voar e a cantar. Há, então, uma eloqüente troca de impressões entre Deus e a alma, num dueto que durará no mínimo sete horas, pois sete é um número místico. Tudo isso pontilhado por terremotos, eclipses do sol e da lua, e explosão de bombas supersubstanciais. Eventualmente, depois de um curto ensaio musical do Fil do Mundo e do Último Juízo, a alma volta a si para descobrir que está rodeado de irmãos cheios de admiração, inclusive um ou dois a tomarem suas notas na previsão de algum futuro processo de canonização.

É, em geral, certo dizer que o ruído e agitação na vida interior são sinais de inspirações saídas de nossas emoções ou de algum espírito que é tudo que quiserem, menos o Espírito Santo. As inspirações do Espírito Santo são quietas, porque Deus fala nas profundezas silenciosas do espírito. Sua voz traz a paz. Ela não levanta excitações, mas as aplaca, pois elas pertencem à incerteza, ao passo que a voz de Deus é certeza. Se Ele nos move à ação, avançamos com uma força pacífica. Na maioria das vezes, suas inspirações nos ensinam a ficar quietos. Mostram-nos o vazio e a confusão de projetos que pensávamos ter feito para a glória de Deus. salva-nos dos impulsos que nos lançariam em rude competição com os outros homens. Livra-nos da ambição. É mais fácil reconhecer o Espírito Santo na obediência e na humildade que Ele inspira. Não o conhece ainda aquele que não saboreou a tranqüilidade que acompanha a renúncia da nossa própria vontade, do nosso prazer, dos nossos interesses, sem glórias, nem notícias, nem aprovação, atenta ao interesse de outra pessoa. As inspirações do Espírito Santo não são grandiosas. São simples. Movem-nos a procurar a Deus em trabalhos que são difíceis sem ser espetaculares. Levam-nos por caminhos que são felizes por ser obscuros. “Ele é o Espírito da Verdade”. (Jo. 14,16), e “a verdade vos libertará”. Suas inspirações fazem-nos puros. Livram-nos da grosseria e da limitação.

E à luz do Espírito Santo podemos ser ao mesmo tempo felizes e tristes. Felizes por causa da verdade de Deus, tristes por causa do que fomos. Felizes também pelo que sabemos que seremos. Achamos força e humildade, desenvoltura e cautela, unidas sob esta luz que nos enchendo de um amor miraculoso, nos ensina o caminho do conhecimento nas trevas.

Ainda uma coisa: a luz do Espírito Santo não nos deixa complacentes conosco mas com Deus só. E se nela não ficamos descontentes conosco, é pela profunda união que ela nos comunica... A luz do Espírito Santo não se confunde com a admiração em que se tem o Fariseu que ama a sua própria imagem.

Thomas Merton, Ascensão para a Verdade, 1958. Ed. Itatiaia, p. 134-136.
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