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Só quem ama compreende.


Os seres humanos se sentem sós, abandonados em sua auto-afirmação, enquanto não encontrarem um eco, aceitação e confirmação de fora. A tendência de união encontrada em todo o universo, na vida humana apresenta-se em escala e graduação ascendentes, conforme os níveis de vida. No nível biológico, no "sexo", há apenas abraços, contato epidérmico, tentativa de penetração que, de maneira nenhuma, por mais repetidos que sejam, podem saciar o desejo de plena união. No nível emocional, na "paixão", no "Eros" atinge-se certo paralelismo, sintonização de vibrações psíquicas, projeção recíproca de emoções pessoais no parceiro. Um jogo a dois, mas que não é nem de longe verdadeira união. É no nível da vida consciente e livre, no nível pessoal, que se realiza verdadeira união.

O verdadeiro amor é amor-amizade. É união entre duas personalidades. É conhecimento, reconhecimento de um Eu para com outro Eu diferente, que se deve aceitar na realidade própria e inconfundível; mas não como lâmpada excitadora de sonhos e excitações; nem como manequim a vestir a esplêndida roupagem de nossa imaginação.

É significativo como a Escritura designa a união amorosa conjugal: "Adão conheceu sua mulher e ela o concebeu" (Gen 4,1). Não podemos conhecer uma pessoa como os demais objetos que nos rodeiam. A nossa inteligência é um receptáculo de capacidade elástica quase ilimitada: nele podemos receber o mundo todo, dando-lhe assim nova existência. Conhecer alguma coisa é dar-lhe existência reflexa dentro de nós. É uma espécie de nova criação. Quanto mais coisas conhecemos, mais se alargam os nossos horizontes, nosso mundo interior. A todos objetos podemos dar assim nova existência "subjetiva" dentro de nós. Menos a outras pessoas. Nenhuma pessoa é simples"objeto"; é sempre "sujeito", indivíduo: um mundo inteiro, fechado e inacessível a estudo "objetivo". Por mais que observemos e analisemos uma pessoa, não a "compreendemos", não a apreendemos completamente, transferindo-a para nosso mundo interior. A chave única que dá acesso ao "jardim fechado" do Eu diferente é o amor. Só quem ama, compreende.

Mas amar significa antes de tudo: sair do "jardim fechado" do próprio Eu. É abrir-se para encontrar porta aberta. Aí está a razão porque se ama tão pouco nesse mundo. Há uma dolorosa dissonância no homem. De um lado, aspira ardentemente à união que rompa o isolamento. Do outro, receia essa mesma união como ameaça à sua personalidade. Efeito ainda do pecado original. Tendo rompido o homem a união e harmonia com Deus, perdeu também a capacidade de estabelecer, com naturalidade e espontaneidade, relações mútuas, união harmoniosa. Sente-se por demais exposto, vulnerável, inseguro, ameaçado no seu valor pessoal. Mas amar é sempre abrir-se. E abrir-se é arriscar-se. O medo inibe. O egoísmo procura antes de tudo segurança. Mas, quando prevalece o instinto de segurança, nunca se chegará a amar. E sem amor não se encontra a plenitude da vida. A eterna desconfiança, o eterno medo tranca o homem dentro de si mesmo e fá-lo murchar, estiolar, atrofiar-se. Querendo salvar-se, tudo perde. Quem amar a sua vida (a sua segurança pessoal) acima de tudo, perdê-la-á; mas quem a perder (quem se ariscar, se abrir para o Tu), ganhá-la-á. Isso vale tanto para o amor humano, como para o divino. É preciso abrir a porta, senão a vida estancará no isolamento. A união é transfusão de novo sangue. Só nela se encontra sentido e felicidade. Nisso há evidentemente risco. Quem se abre, expõe-se ao perigo de ser invadido e explorado. Mas, antes a possibilidade de uma exploração, que a certeza de estiolamento.

Frei Valfredo Tepe OFM. O sentido da vida. Ascese cristã e psicologia dinâmica. 3ª ed. Bahia: Mensageiro da Fé, 1960. p. 230-232.

Dia do amigo


Já escrevi outras vezes sobre esse tema - aqui e aqui - e sempre há o que fica por dizer. A linguagem possui, de fato, um limite. É bobice reduzir a realidade àquilo que dela podemos expressar. O inefável é muito mais substancial do que o dito. Falar sobre algo é sempre limitar este algo; enquadrá-lo em representações pessoais. Por mais que a linguagem transcenda a esfera do estritamente subjetivo - e é por isso que nos entendemos -, o seu uso não se dá sem acentos e ênfases pessoais. Cada um de nós lê a palavra "amizade" com uma carga afetiva absolutamente única.

Ainda assim, é possível, como já dito, sair desse solipsismo e comunicar algo do que temos na alma. E é por isso que sempre me arrisco a escrever alguma coisa sobre a amizade. 

Bem, mas o que é ser amigo? É ser uma alma em dois corpos, é desejar o bem para o outro, etc. Sim, é isso tudo, e só por aí dá pra perceber como a amizade não tem nada de vulgar. É coisa rara. Se eu olho para outra pessoa e a trato como a minha alma em outro corpo, não há dificuldade de amá-la tanto quanto a mim mesmo. Este é o preceito evangélico. Se fôssemos amigos de todos, seríamos santos. Porém, a amizade é um algo bem mais restrito. A própria Escritura nos aconselha a escolher com muito cuidado aqueles a quem chamaremos por este título.

Desejar o bem do outro é, como eu já falei várias vezes, desejar principalmente o Sumo Bem, que é Deus. Uma amizade que seja claramente antiteísta não é amizade. É algo usurpador. Um bem que contrarie o bem maior não é um bem, mas um mal, assim como a um roubo, embora seja a aquisição de bens, não chamamos de bem e sim de mal. O mal é o "bem" que nos rouba o Bem. Ser amigo é desejar o Bem do outro. Mas, além do bem absoluto, a amizade também deseja outros bens: o físico, o da sua convivência e o da partilha de suas alegrias e tristezas. É tudo muito bonito, embora difícil de se achar. Mas, penso eu, existe ainda algo mais perfeito a se falar sobre a amizade.

Quando Jesus chamou aos seus apóstolos de amigos, ele elevou para sempre e ao infinito a dignidade da amizade. E, em seguida, recomendou: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei". A pergunta é: como é que Jesus nos amou?

"Ao extremo", diz São João. Amou-nos entregando a Sua vida por nós. Como, pois, deveríamos amar os nossos amigos? Ao ponto de entregar-lhes a própria vida, se preciso fosse. É algo que é prometido mais facilmente por Eros. Porém, Eros é passageiro e inconstante. Quando, ao contrário, isto é dito com segurança por um amigo, temos um tipo de amor muitíssimo raro. E eu penso que esta disposição, acompanhada das anteriormente referidas, é que coroa a amizade e nos faz amar aos outros assim como Jesus nos amou. Essas frases, porém, não são capazes de comunicar a realidade que elas referem. Somente um amigo pode experimentar, no íntimo da alma, se já possui esta disposição ou não. A amizade é um tesouro, é um grande presente de Deus, porque tendo como termo esta disposição, ela nos arranca de nós mesmos, e a nossa salvação está toda nisso: em sair do nosso ego. Todo tipo de amor respira melhor à medida com que morre o nosso falso eu. E a amizade, sendo vida, o exige conforme se aperfeiçoa.

Que Jesus conceda a todos os meus amigos o bem que não lhes posso fazer. E que Ele imprima em todas as nossas almas esta disposição tão bela que sempre animou a Sua: "Ninguém tem maior amor do que Aquele que dá a vida pelos Seus amigos."

Sejamos, sobretudo, amigos de Nosso Senhor. Esta amizade é a condição de possibilidade de todas as outras. Feliz dia do Amigo!

Meu Niver - Gratidão


E chegou isto que eu chamo de “meu dia”, o dia em que eu nasci. É interessante como os dias anteriores já me deixam um tanto comovido. Eu fico com um senso de gratidão. Os budistas dizem que o mundo é sempre tal qual o nosso espírito. Embora isto não possa ser entendido na sua literalidade, como alguns o pretendem, ele expressa uma verdade: o nosso modo de olhar para o mundo nos permite ver certas cores. Isso o dizia o próprio Paulo ao escrever que tudo é puro para os que são puros. Eis, pois, que, nesta época, o meu coração cheio de gratidão julga ver no mundo um colorido muito peculiar.

Este ano foi particularmente pródigo na demonstração dos afetos dos meus amigos. Talvez eu pareça insensível a tudo isso; não sei a cara que faço quando sou o alvo desses carinhos. Todos veem que eu sorrio, mas não sei se o julgam tratar-se somente de educação. Na verdade, a repercussão que tudo isto tem dentro de mim é bem maior, como seria de se esperar de um  sujeito com temperamento melancólico sanguíneo. Porém, se foi um tempo de particulares atenções e delicadezas dos amigos, também foi um ano bastante difícil. A idade de vinte e sete anos, da qual saio hoje, é conhecidamente uma idade de tensões e dificuldades. Se estas são importantes para preparar o caráter do homem que está, aí, em formação, eu também fico feliz de avançar para uma nova idade, rs.. Houve e há muita dor, muita saudade, muita falta. Um senso muito agudo de que o curso da vida não segue todas as nossas determinações. A vida nos ensina duramente. Há dores afogadas aqui dentro e que permanecem muito vivas. Mas nada disso impede o senso de gratidão.

Quero, portanto, agradecer primeiramente a Deus que, além de me dar a vida – e de um modo bastante imprevisível -, ainda me concedeu, de ontem pra hoje, a graça da confissão e de tê-lo recebido na Comunhão. Esse foi, de longe, o melhor presente que eu recebi. Que Ele me dê a graça de permanecer fiel mesmo quando as demonstrações exteriores de afeto não forem tão pródigas. Mas quero agradecer também à minha família, à minha tia, ao meu irmão, que me expressaram seu carinho, e também aos demais que, talvez por timidez – o que eu compreendo muito bem – se reservaram a desejar anonimamente o meu bem. É suficiente.

Agradeço também, de forma muito carinhosa – e nem o sei expressar devidamente –, aos meus amigos; a estes que me cercaram, desde a manhã, com suas atenções e seus sorrisos. Tudo isso me surge como um prelúdio do céu. Eu sinceramente os amo. Que bom é poder viver tudo isso. Obrigado, meu Deus, por eles também.

Enfim, em todos os aniversários, gosto de relembrar que, enquanto ele significa mais um ano em que estou por aqui, também representa um ano a menos em que estou por aqui. Em outros termos: se ele marca a distância temporal da minha estadia neste mundo, ele também se refere àquele outro nascimento, mais real, para uma outra vida, também mais real, comparada à qual isto aqui é só um sonho. Então, se o aniversário é a celebração da presença neste mundo, também é ênfase de que tal presença é, ainda, espera. Esta alegria de agora é só um pardo aviso da outra. Se o aniversário, hoje, tende a passar, aquela outra vida será continuamente celebrada e não cederá lugar às tristezas. Será a contínua festa de aniversário; a festa que nunca acaba e que, de algum modo, nunca se torna rotina. Se os presentes recebidos agora são quase imprevisíveis e deles só temos certeza uma vez que os abrimos, o presente recebido lá – o nome que ninguém conhece a não ser quem o recebe – está seguro contra qualquer previsão. O olho não viu, o ouvido não ouviu, a mente não imaginou o que Deus tem preparado para os que O amam. Por isso, mais que tudo, peço a graça de poder amá-Lo, aqui, acima de todas as coisas. E não o peço apenas por interesse. Quero amá-Lo por Ele mesmo. A grande alegria do céu é a posse de Deus.

Enfim, termino com uma frase de Sta Clara de Assis, dita exatamente antes de ela morrer, e que sempre uso por estas datas: "Mil graças, meu Senhor, por me teres criado..."

E como o niver é meu, vamo de música


Dia dos Namorados


Estou, já, atrasado, mas não queria deixar passar essa data. Ontem comemoramos o dia dos namorados e eu gostaria de tecer alguns comentários a respeito.

O que é namorar? O modo como a palavra é escrita parece sugerir que seu significado é estar “em amor” com. Poderíamos ainda brincar e dizer que a pretensão última do namorar está já expressa na terminação do termo: “morar”. O namoro se ordena ao casamento e, portanto, ao ato de morar junto.

Nessa nossa divertida e descuidada análise do nome, já tocamos em pontos fundamentais para compreendermos a ideia do namoro. Aprofundemo-los.

Namorar é estar em amor com, dissemos. Mas o que é amar? Amar é um ato da vontade que deseja, além da proximidade particular de alguém, também o seu bem em todos os aspectos. Porém, tal ato da vontade pede um outro que lhe seja anterior: um ato de conhecimento. É preciso conhecer a pessoa antes de amá-la.

E como podemos conhecer a pessoa? Precisamos, para isso, submeter à nossa inteligência algumas das suas características. Mas isso tudo só se faz depois de algumas impressões, pré-racionais, que obtemos quando entramos em contato com a pessoa e que despertam em nós simpatia ou antipatia. Se for simpatia, aquilo nos abre uma via pela qual poderemos chegar a conhecê-la e, então, teremos como analisar outras características suas e notar se a tal pessoa merece ser amada por nós. Notemos, contudo, que a simpatia ou antipatia inicial se dá de modo pré-racional e às vezes se mantém de modo irracional. Em muitos casos, o que irá determinar a nossa relação com a pessoa, por mais racionais que sejamos, é o modo como nos sentimos ao lado dela. Algumas mulheres terão a experiência de, racionalmente, saber que um dado homem não vale muito a pena e, não obstante, desejá-lo veementemente. Todavia, isso não deve nos dispensar da análise das características mais profundas da pessoa, pois uma relação sólida não se estabelece em cima de impulsos irracionais. Não podemos agir neste terreno de modo inconsequente.

Estes traços dos quais deveremos ter conhecimento a fim de que a nossa vontade possa amar – a vontade deve ser guiada pela inteligência, não pela sensibilidade – não podem se restringir à mera estética, isto é, aos aspectos físicos. Falando de modo mais claro: o determinante para um namoro não deve ser o quanto uma pessoa é “gostosa”. Obviamente, isto tem sua importância, mas está longe de ser o fator mais essencial. Em alguns casos, até, este é um ponto que pode ser dispensado. Há heróis neste quesito...

Mas é preciso se deter principalmente na interioridade da pessoa, no modo particular da sua personalidade, nos seus valores, nos seus projetos e ideais. Se vemos que nela prevalecem certos traços que a fazem digna de ser amada, e se ela, por sua vez, nos corresponde, então já temos o necessário para que se inicie a fase de maior intimidade – mas, ainda, intermediária - que caracteriza o namoro. Aqui se pensa estarem liberadas quase todas as práticas do casamento. Mas isto é falso em absoluto. O namoro deve ser um tempo de carinho e de conhecimento: o carinho se expressa pelo cuidado e respeito, e o conhecimento aí referido não tem por objeto a textura do corpo da outra, principalmente a de certos vértices, nem se a outra pessoa possui uma capacidade respiratória maior que a sua ou se possui uma língua muito flexível. A rigor, o namoro não é tempo de nada disso. Deve ser, antes, uma fase de sondagem da alma do outro. Portanto, é importante ter toda uma atenção com os modos de expressão dos carinhos que, por mais bem intencionados que sejam, podem ter a faculdade de acender certos fogos que darão muito custo para apagar. E ninguém pense ser santo ou ingênuo o suficiente para não cair nestas situações. Este tipo de má ingenuidade será perdida de um jeito ou de outro. É sempre bom relembrar o verdadeiríssimo adágio: “em termos de castidade, não há fortes; há prudentes!”. Use, portanto, este tempo rico para expressar seu carinho de um modo correto e sóbrio e para conhecer interiormente – espiritualmente, não fisicamente – a outra pessoa.

Namorar visa morar junto. Se o amor é uma fase intermediária, como dizíamos, então ele se ordena a um termo ou fim que é o casamento. Qualquer meio que não visa a um fim não é meio coisíssima nenhuma. Todas as vezes que fazemos de um meio um fim, nós distorcemos o meio, que perde, então, a sua legítima dignidade e se torna num certo tipo de fetiche. Alguém que pensa em namorar apenas por namorar age como alguém que pega uma colher sem nenhuma referência ao ato de alimentar-se. Porém, a razão de ser da colher é servir de meio para que o alimento seja posto na boca. Se queremos a colher pela colher, alguma coisa está errada. 

O namoro se ordena ao casamento, e se isto não precisa ser intensamente discutido no início do envolvimento, para que a coisa não fique pesada e não perca o frescor agradável que é típico dessa fase, o matrimônio, porém, não deve sair do horizonte das partes. Por isso, namorar é o mesmo que dizer: “passemos este tempo para que eu comprove se você será a pessoa com quem me unirei por toda a vida diante de Deus”. Vê-se, desse modo, como é, mesmo, uma fase de se conhecer o outro. Nesta fase, o casal também será chamado a aprender a conviver com as arestas da pessoa, com certos modos que lhe serão desconfortáveis, ao mesmo tempo em que terá de aprender a rebaixar seu orgulho e ceder em algumas coisas. Os dois deverão aprender a entrar num consenso. Também acontecerá de um ou outro chegarem a ter contato com outras pessoas que despertarão um tipo de simpatia muito similar ao que lhe despertou, no início, esta pessoa com quem ele namora. Se tal acontecer, será a ocasião de começarem a aprender o que significa a fidelidade – conceito fundamental no casamento e que exige uma fortaleza interior que só se dá numa pessoa experimentada – e de como é importante saber negar a si mesmo de modo, inclusive, enérgico. Todas estas dificuldades visam preparar a têmpera do jovem casal para, futuramente, unirem-se diante de Deus e assumirem a responsabilidade de formarem uma família incluindo, é lógico, a disposição de ter os filhos que Deus lhes conceder.

Este é um outro tema no qual eu não entrarei agora. Porém, é importante que o namoro seja visto como algo saudável e cuja natureza é totalmente distinta do que se tem apresentado, hoje, no mundo. Um namoro bem vivido amadurece os namorados, os vai libertando gradativamente de seus egoísmos mais arraigados e preparando-os para uma relação de amor que, idealmente, deverá ser o meio de salvação pelo qual Deus os unirá consigo. Não excluamos Deus de nenhum dos estágios disso tudo. Sem ele, todo o edifício desanda. Que não seja necessário que alguém constate isso empiricamente. Leia esse texto e acredite. Resgatemos a beleza do relacionamento correto e que a Virgem Maria, namorada e esposa de São José, nos conduza.

A amizade...


Eu não poderia deixar passar este dia sem escrever algo a respeito dos meus amigos. Embora este assunto seja de caráter mais pessoal - e textos assim eu os escrevo no Amor e Pobreza - quero, contudo, colocá-lo aqui, lugar onde considero ser o trabalho um tanto mais sério, para mostrar que a amizade, para mim, ocupa lugar de honra.

O que são os amigos? Quando nascemos, somos primeiramente entregues aos cuidados dos nossos pais e, cercados por um ambiente de amor, vamos nos adaptando e acostumando com estes que aprenderemos chamar de pai e mãe. Nem sempre isto ocorre do modo como deveria, mas, ainda assim, haverá alguém que assuma a responsabilidade pela criação do pequeno. Às vezes, o infante também se relacionará com um irmãozinho, e é nesta relação que o primeiro germe da amizade surge. Um pouco mais adiante, é comum que a criança inicie um certo convívio com outras crianças da família ou de amigos dos pais e este será o primeiro contato com uma pessoa diferente, que não partilha dos mesmos laços sanguíneos, não divide sempre os mesmos espaços e age de um modo que ela ainda não conhece. Além disto, talvez o pequeno se afeiçoe particularmente por este sujeito de fora, fascinante porque diferente do convívio que tem desde o nascimento.

Mas é na escola que as relações da pessoinha se alastram e ela se verá exposta, agora, numa grande rede de estranhos, e submetida aos cuidados de adultos que nunca viu. É quase como um segundo parto. Um mundo totalmente diferente é apresentado à criança e, mais terrível, ela terá de o enfrentar sozinha. Olha ao lado, e a ninguém vê que lhe seja familiar. O que deve fazer? Não se sabe bem... O que é fato é que as crianças se sentirão mais ou menos ameaçadas. Hoje isto parece ser um tanto menos intenso que antigamente, quando as crianças eram mais tímidas. 

Porém, é neste desconforto, nesta falta da segurança familiar, que a criança terá ocasião de desenvolver-se imensamente. E isto é tão precioso que é comum que o sujeito lembre com imensa doçura destes dias de sua infância. Quantos de nós não gostaria de voltar atrás e visitar, pelo menos mais uma vez, aqueles dias em que levávamos à escola as nossas lancheiras, em que as cores dos brinquedos e o som do ambiente tanto nos impressionavam, em que fizemos os nossos primeiros amigos? É como ir a Nárnia pela primeira vez...

Sim, os primeiros amigos geralmente são feitos nesta Nárnia chamada escola. Amigos que partilham das primeiras aventuras. Até hoje eu lembro de certos sonhos que tive com os amigos daquela época. Que felicidade a de estar juntos: de jogar bola, de brincar de se esconder, de polícia e ladrão, de amarelinha, etc... - brincadeiras tão boas e sadias, mas que hoje foram quase que de todo deixadas de lado. - E quando eu descobri a existência do video game? Uauuu!!!! Desenhinhos que eu podia controlar! Que respondiam aos meus movimentos! Que sonho! Que felicidade! E tudo isto eu conheci por intermédio dos meus amigos. 

Sim, meus amigos me apresentaram, também, algumas vezes, coisas que não eram boas, mas que eu tinha de conhecer, de um modo ou de outro. Isto serviu para despertar as primeiras preocupações morais e fazer florescer o senso de responsabilidade. E quando uns de nós ficávamos intrigados, sempre por besteira, depois de algum tempo tínhamos de fazer um dolorido exercício: o de vencer o orgulho e reatar a amizade... Os dois geralmente queriam, mas um deles tinha de tomar a iniciativa e isto era particularmente nocivo ao ego gigante de crianças. E já que ambos sabiam disso, ninguém comentava quem havia sido o primeiro. Importava que alguém o tinha feito e a amizade seguia. Na minha experiência particular, a gente conseguia isso chamando o outro pra jogar video game. Se o outro aceitasse, tínhamos o nosso amigo de volta.

De lá pra cá, alguns amigos se afastaram... outros se foram embora.. alguns até já não estão mais entre nós. Mas outros tantos tantos vieram.. e conforme a gente vai amadurecendo, os amigos vão ocupando um lugar cada vez mais sério na nossa vida. Quando entrei na Igreja, era mais uma vez um outro mundo completamente diferente e que eu devia desbravar. Agradava-me ver a amizade dos outros e eu desejava intimamente poder ser incluído naquilo. De início, eu não me fazia notar em nada. Nunca fui bonito como outros rapazes, e minha extrema timidez me deixava no grau zero da ousadia. Insegurança era o que me definia e eu ficava lisonjeado por qualquer manifestação de simpatia alheia. Então, a meu ver, amizade não era tanto algo a que eu tinha direito, mas era sobretudo algo que os outros, num exercício pleno de bondade, talvez me concedessem. Desse modo, eu era muito condescendente com o que diziam e falavam, ainda que aquilo me incomodasse de algum modo. Desenvolvi muitos respeitos humanos por ser tão passivo e, até hoje, luto muito por deixá-los. Mas o que importa é que eu realmente fiz amigos.

Observando bem, os amigos estão em toda a nossa vida. Eles são uma espécie de garantia dos sorrisos da alma. Eles nos consolam nos momentos duros, e forçam o nosso amor quando tendemos ao egoísmo. Nos orientam quando não sabemos o que fazer, e nos preludiam docemente o Céu. Sim; somente quem experimentou a graça de uma amizade gratuita, sem interesse, sem intenções dúbias, pode entender do que eu estou falando. Quem, ao contrário, apenas conhece este jogo medíocre de interesses que perpassa a nossa sociedade em grande parte, haverá de considerar isso tudo muito romântico. De minha parte, estou muito convencido de que Deus pôs os amigos no mundo para que, de algum modo, O pudessem representar e ajudar a desenvolver algo de bondade em nós, pois estamos no mundo para aprender a ser bons, e para isso é preciso amar. Os amigos nos forçam a amar.

Porém, ser amigo é algo mais do que falar. É algo da alma. Por ser um mistério bonito, muitos desejam poder possuí-lo pelo mero exercício da palavra. Mas isto não é suficiente. Um amigo de verdade morre, mas não trai. Acontece que grande parte das nossas amizades ainda está atravessada de interesses, e é mantida como um modo de evidenciar o nosso ego e de se obter o que buscamos. São estas coisas que asfixiam a amizade. São como que um punhado de terra somado ao lugar onde, antes, seria preciso cavar para encontrar este tesouro escondido.

Enfim, a amizade, por ser prelúdio e abertura para Deus, somente pode se dar perfeitamente em Deus. A amizade, fazendo que amemos algo fora de nós, é, pela própria natureza, transcendente. Se desenvolve quando esquecemos as nossas seguranças e abandonamos o nosso conforto - como na escola. E tem a aptidão de dilatar e amadurecer a nossa alma à medida em que ela mesma cresce, pois a única coisa que nos apequena nesta vida é o egoísmo. Acabo de ler: "Amigo de verdade é aquele que vira Super Saiajyn quando você morre". É justamente isto! É o amor a algo fora de nós que nos faz crescer. E é Deus quem nos ensina este mistério. São Paulo nos dá uma cartilha de como fazer: "considerai os interesses uns dos outros maiores do que os próprios". E o próprio Deus nos chama de amigos ao esquecer-se de Si mesmo e entregar a própria vida por nós. 

Hoje em dia, eu posso dizer que possuo amigos. Não são muitos, obviamente. Tantos são apenas conhecidos e bons colegas. Outros, sequer são colegas. Mas alguns, embora poucos, são amigos. E são estes amigos que me fazem sentir um gostinho do céu. São estes amigos que atiçam em mim a sede do infinito e me fazem desejar alcançar um dia as eternas paragens a fim de com eles conviver pela eternidade. São estes amigos que me fazem vislumbrar algo do que seja Deus. São estes amigos que me forçam a querer ser melhor, que me exigem fidelidade, que me atravessam a alma quando me deixam, e que me fazem sorrir sem querer quando aparecem.

A transcendência da amizade permite que ela continue ainda quando não há proximidade física, pois a amizade é da alma e esta não está submetida às leis do espaço. A todos os meus amigos, pois... aos de perto e aos de longe, quero agradecer-lhes e dizer que, mesmo das trevas do meu egoísmo, eu consigo ver esses pontinhos de luz que são vocês e que me forçam para fora dessa minha redoma. Agradeço a Deus pela graça de tê-los e somente desejo que a nossa amizade se estenda pela eternidade. Meus amigos, eu os amo.


Catolicismo, a Religião da Verdade


"De modo nenhum, considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o serviço que recebi do Senhor, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus. Hoje dou testemunho diante de todos vós: eu não sou responsável se algum de vós se perder, pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito”. 
(At 20, 24;26, 1ª Leitura de Hoje)
***

"Aquele que não progride, regride", é o que aprendemos na mais básica aula de catecismo. Na verdade, não seria preciso passar por uma aula para percebê-lo. Cada um, observando a si mesmo, notará que é muito mais fácil aderir a um vício ou permanecer num ócio covarde do que comprometer-se. Mesmo que pretendamos nos abster, permanecendo numa utópica neutralidade, a nossa inclinação natural nos faz trair o bem, de modo que, para sermos fiéis a Deus ou aos nossos próprios ideais, é preciso um esforço ativo. A virtude exige trabalho.

Como se vê, a máxima com que iniciei este post não é uma afirmação apriorística; muito pelo contrário, ela se fundamenta na realidade. E assim é com tudo o que a Igreja diz, ainda que certos âmbitos da realidade estejam além do que podemos imediatamente constatar.

No entanto, hoje nós vivemos a situação curiosa de "católicos" que relativizam o ensino da Igreja, e, sob um manto de "tolerância" ou de "fraternidade", passam a abrir mão de qualquer coisa de definitivo, como se fosse mais virtuoso ter esse caráter fluido que aceita tudo e que não condena nada. Mas a verdadeira tolerância não é isso; a verdadeira caridade não é isso; a verdadeira misericórdia não é isso.

Sua Santidade Bento XVI já escrevia com profunda clareza:

"Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor, numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente". (Caritas in Veritate, n.3)

O cristianismo naturalmente é a religião da Verdade, pois o Cristo disse de Si mesmo: "Eu sou a Verdade". Para um cristão, algo que cause bem estar mas que seja falso, não tem valor nenhum. Seria uma espécie de droga que tira o senso da realidade para produzir uma "felicidade" falsa. Tal espécie de sedativo impede que o cristão, tendo contato com o que seja real, venha a experimentar aquela alegria que, fundada na verdade, superabunda tudo. "Que minha alegria esteja em vós e que vossa alegria seja plena", dizia Jesus. S. João da Cruz, falando dessa alegria fundada na verdade, e não na imaginação humana, dizia que um só toque dela já paga todo o sofrimento da vida.

O grande ponto, então, é saber qual seja a verdade.

Estes últimos dias eu tenho tratado bastante do protestantismo, que é, obviamente, falso. Algumas pessoas inclusive se indispõem comigo. Outras não se incomodam. Algumas pensam que eu sou intolerante, embora minha intolerância se restrinja às idéias equivocadas do protestantismo. Essas mesmas pessoas, porém, acreditando-se tolerantes, deixam de me tolerar enquanto pessoa e abrem mão da minha amizade, como se fosse a coisa mais sem valor do mundo. 

Se para ser amigo de alguém, for preciso ser falso, tal amizade pode ser dispensada. Certa vez, criticaram a Aristóteles pelo fato de se opor a seu professor e amigo, Platão, ao que ele respondeu: "sou mais amigo da Verdade". E considerando que, para o cristão, a verdade é uma Pessoa, com muito mais razão eu posso e devo dizer a mesma coisa. Uma amizade sincera não se fundamenta no erro nem na mentira. Pois bem! Uma amizade que não suporte a verdade não é digna desse nome. Nunca exigi que alguém fosse católico para ser meu amigo; o que espero é que esse alguém aceite o fato de eu sê-lo com tudo o que isso implica. Esse negócio de fingir para manter o conforto é um modo de prostituição da própria alma. Não quero isso. A amizade que é reduzida a mera formalidade e que tem como valor único e último o de "ser absolutamente agradável" sem apreço pela verdade torna-se antes um caricato ofensivo e ridículo.

Mas, continuemos.

Eu penso que todos os cristãos deveríamos nos interessar profundamente por este assunto. Aliás, qualquer pessoa sincera deveria fazê-lo, pois é de crucial importância saber se há, de fato, uma verdade e, havendo, qual seja ela. 

Nós vivemos num tempo subjetivista em que vale mais sentir ou achar alguma coisa do que aprender, de fato. As pessoas preferem construir a própria verdade; uma religião que lhes agrade a sensibilidade, um Deus que se assemelhe às próprias suposições. Bêbadas de tal soberba e pretensão - ao mesmo tempo em que se acham humildes -, terminam acreditando que as religiões nada mais do que esse mesmo fenômeno de construção subjetiva, só que feito por um coletividade. As religiões seriam somente organizações mais ou menos sistemáticas e meramente culturais. Isto explicaria, talvez, as tensões entre costumes conservadores e o mundo moderno, que os considera totalmente anacrônicos. É com base nisso ainda que a gente tem de assistir a certas manifestações enérgicas contra a inaceitável pretensão do catolicismo de se dizer a verdade absoluta sobre a realidade.

Muita gente começa a pensar a respeito das religiões tendo esse pressuposto: elas são apenas uma tentativa humana de dar conta da dimensão do sagrado. Com tal simplismo, não espanta realmente que cheguem a conclusões relativistas. Porém, como o ser humano tem fome de absoluto, então o relativismo tornar-se-á a nova verdade absoluta: "não há verdades absoluta. Eis a única verdade absoluta". Quando chega a esta afirmação - o esvaziamento da verdade -, o sujeito só poderá estabelecer como critério válido de uma religião o fato de ela confortar, ou de ser poética, ou bonita, ou estimular o comportamento ético, etc. Mas tudo isso é muitíssimo (e bota "íssimo" nisso) secundário. Quem reduz a religião a essas questões está vendo somente uma sombra muito fraca do que ela é, de fato!

Como eu falava no início, as afirmações do catolicismo se baseiam na realidade. Se o catolicismo faz feliz, é porque esta é uma propriedade inerente à Verdade. E se ele pretende dizer a Verdade, isto implica na renúncia em inventar ou criar alguma verdade própria. Uma pessoa que faça da religião um manual de auto-ajuda e que para isto romanceie tudo sem se importar se o objeto de sua crença, de fato, corresponde à verdade,  não está a viver nenhuma religião, a não ser a da auto-ludibriação e adoração de si mesma.

Para conhecer, de fato, alguma coisa, a primeira atitude a se tomar é a de aceitar que a coisa seja tal qual é, isto é: eu não vou projetar o que eu quero que ela seja. Primeiro, eu tenho de respeitá-la e submeter-me à sua realidade. A grande força da inteligência está em submeter-se ao que é real. Se ela, ao contrário, cria uma verdade própria, não chegará a conhecer a coisa tal qual é. Daí que a humildade deve ser o grande pressuposto da inteligência. Sta Teresa D'Avila diz que a humildade é a verdade; poderíamos dizer também que a humildade vê a verdade. Porém, para conseguir isto, o nosso conceito de humildade também deve ser verdadeiro. De nada adianta eu pensar que ser humilde é ser um mole que aceita tudo e não afirma nada. Isso não é humildade; é bobice e romantismo.

"Essa falsa humildade é comodismo; assim, tão "humildezinho", vais abrindo mão de direitos... que são deveres" S. Josemaria Escrivá, Caminho, 603.

Como que a Igreja pode se dizer a detentora da Verdade? Primeira coisa: não raciocinemos partindo da quarta ou da quinta parte. Vejamos os pressupostos. O que é uma religião? É uma tentativa de se religar com Deus. Por que se religar? Porque nós perdemos, há muito tempo, a ligação que tínhamos. Pronto: estamos a falar do Pecado Original. Todas as antigas grandes religiões partilham da mesma intuição: fizemos alguma besteira monumental no início que nos colocou em maus lençóis com Deus. Desde então, os homens tentaram remediar isto. Porém, a solução estava muito acima da mera capacidade humana. É por isso que Deus prometeu, desde o Gênesis, que iria enviar alguém capaz de fazer isso. E, de fato, enviou. Quem foi? Jesus.

Pois bem. Jesus vem ao mundo, não para que os homens aprendam a ser educadinhos e respeitem toda teoria, discurso e movimento religioso. Não. Jesus mesmo responde para que veio: "Eu vim para dar testemunho da Verdade. Para isso nasci e vim ao mundo". Logo, um Jesus que não se importe com a verdade, mas que queira somente o conforto e o bem estar dos homens é um Jesus inexistente, uma invenção romântica da modernidade. Seguir uma figura assim é fabricar um ídolo; é idolatria. É preciso respeitar Nosso Senhor tal qual Ele é. E se alguém tem de mudar seus conceitos, somos nós, não Ele.

Pois bem. Jesus diz ainda: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará". Logo, a única coisa capaz de libertar o ser humano não é o auto-engano de uma religiãozinha politicamente correta e simpática com todo tipo de discurso. Somente a verdade é capaz de libertar o ser humano. Qual seria, então, a verdade? É o que dizíamos acima: a verdade é uma pessoa - Jesus Cristo.

"Tudo bem que Cristo seja a verdade... Porém, daí a afirmar que o catolicismo é a Verdade é um salto e tanto, né não?"

Né não! Penso que a argumentação seguinte já é bem conhecida, mas a façamos de novo, e de modo resumido: Jesus fundou uma Igreja; isto é fato. Qual é essa Igreja? É a Igreja Católica que existe desde os Apóstolos, com Pedro à frente. Qual a dificuldade de se entender isso?

Jesus, ao fundar Sua Igreja, lhe fez duas promessas: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" e ainda "Eu estarei convosco até o fim do mundo". O que se deduz disso? É fácil:

1- A Igreja nunca se corromperia.
2- Ela perduraria até o fim dos tempos.

Porém, é também notório que os homens são sujeitos difíceis e tenderiam a distorcer a verdade, aqui e ali. Só que, se Jesus se fez homem para que conhecêssemos a verdade, é claro que Ele não deixaria que a verdade se pervertesse. Logo, ele institui a hierarquia da Igreja, à qual Ele diz: "Ide e ensinai" e promete a assistência do Espírito Santo para preservar de erro esta mesma hierarquia. A Verdade católica, portanto, não é mera construção cultural, mas é fruto do próprio Deus que se revelou e falou a nós.

Ainda assim, alguns sujeitos tentaram corromper esta verdade. Os Apóstolos, desde o início, advertiram para que a Fé fosse conservada integramente contra os "falsos profetas" e as "fábulas" contadas por eles. 


"Virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas." (II Tm 4,3-4)

Já no primeiro século, por exemplo, aparece a seita dos docetas que afirmavam que Jesus Cristo não se tinha feito homem, mas apenas tinha assumido a aparência de homem. Motivo: um Deus não podia se rebaixar a tal ponto. E o que foi que a Igreja fez? Achou engraçadinha a afirmação? Não! O Apóstolo João, ao escrever seu Evangelho, já estava a combater esse erro. Foi justamente para atacar essa mentira que ele escreveu bem no início do seu livro: "O Verbo se fez carne", isto é, "não era mera aparência; Ele realmente se revestiu da nossa natureza". Logo, esse negócio de tolerar as invenções bonitinhas dos outros não se faz senão quando não se ama a Verdade. A Igreja, porém, tem o dever, dado pelo próprio Cristo, de conservar esta verdade intacta. Desrespeitar esse caráter da pureza da Fé é ser infiel ao próprio Cristo, de modo que ninguém ama a Jesus senão Lhe leva a sério.

"Um homem, um... cavalheiro transigente tornaria a condenar Jesus à morte."
"A transigência é sinal certo de não se possuir a verdade. - Quando um homem transige em coisas de ideal, de honra ou de Fé, esse homem é um homem... sem ideal, sem honra e sem Fé.
Aquele homem de Deus, curtido na luta, argumentava assim: - Não transijo? Mas é claro! Porque estou persuadido da verdade do meu ideal. Pelo contrário, você é muito transigente... Parece-lhe que dois e dois sejam três e meio? - Não?... Nem por amizade cede em tão pouca coisa? - É que pela primeira vez se persuadiu de ter a verdade... e passou-se para o meu partido!"
S. Josemaria Escrivá, Caminho, 393-395.


Como já dizia o escritor Scott Hahn - antes fervoroso protestante e grande estudioso da Bíblia que se converteu ao estudar seriamente -, o credo que rezamos na Santa Missa, tão despreocupadamente, é, na verdade, um grande drama: por aquelas verdades de Fé, muitíssimos cristãos morreram para não as transigir. Hoje em dia, porém, a tolerância doutrinal que alguns católicos demonstram é, antes, uma vergonha se comparada à valentia e à Fé daqueles outros. Isto porque eles levavam a sério a Fé. Nesse nosso tempo, o martírio é receber a pecha de fundamentalista, bitolado e outras menos honrosas. Os outros, os "tolerantes", além de não complicarem a vida e não se importarem com nada, ainda são elogiados e tidos como os verdadeiros seguidores do Senhor. Ora, vá! Jesus foi para a Cruz justamente por não tolerar essas coisas. Os primeiros cristãos foram perseguidos e mortos, não por adorarem a Jesus, mas por dizerem que Ele era a única verdade.

A Igreja, então, é no mundo aquela que resguarda a verdade. E é só ter um pouco de disposição para ver que ela é praticamente a única que luta continuamente para que algo de dignidade ainda persevere no mundo. O protestantismo, ao contrário, surge dos disparates de Lutero que, além de ser um blasfemo que chamava Jesus de fornicador, dentre outras sandices, era ainda um beberrão, imoral e suicida. Sinceramente, supor que um sujeito assim poderia criar algo que preste, convenhamos, é meio irreal; é entrar no mundo dos teletubies ou andar na nuvenzinha cor de rosa dos ursinhos carinhosos. Não se está a afirmar aqui que não existam protestantes sinceros e morais. Está-se aqui a falar do protestantismo em si; não das pessoas que lá estão. Há gente boa lá, assim como há gente safada no catolicismo, oras. Porém, o catolicismo tem natureza sobrenatural e é realmente capaz de perdoar pecados e produzir a Graça na alma. O protestantismo, não; ele somente pode ser eficaz enquanto código de ética ou estimulador de virtudes morais. Porém, nele o sujeito fica limitado aos seus próprios esforços que, conforme vimos acima, não são suficientes para elevá-lo à ordem sobrenatural.

Percebamos, portanto, que o fato de a Igreja Católica ser a única e professar a verdade é algo real! Ou se leva a sério isso, ou não se crê em Jesus Cristo. A minha dica pra muita gente nem seria a de estudar a história da Igreja ou os fatos dos primeiros séculos. Eu recomendaria tão somente ler atentamente os Evangelhos para notar que Jesus não era um abobado sorridente a brincar de ciranda com os Apóstolos. Era e é um Sujeito muito sério. Não foi à toa que Ele veio; não quis apenas ser um exemplo. Ele veio para o Sacrifício e, com isso, conquistou-nos algo que absolutamente não poderíamos conseguir sozinhos. Para ter acesso a este algo, cumpre ser batizado e receber, pelos Sacramentos da Igreja, a comunhão com Ele. A única forma de isentar-se desta obrigação é se a pessoa estiver no estado de "Ignorância Invencível" que, porém, já é assunto para um outro artigo.

Católicos que se tornam Protestantes

Aceite Gessus

Eu costumo sempre tratar com protestantes. Alguns são meus amigos. Não tenho nenhum problema em discutir sobre religião, e até gosto de fazê-lo. Vez ou outra estamos nós a nos interrogarmos, se bem que outros preferem não se expor e permanecer numa espécie de zona de conforto, onde a gente tem que manter, sobretudo, o bem estar, e o mero respeito humano. Eu penso que esta atitude é, por si mesma, anticristã. Nosso Senhor não hesitou em tratar da verdade, com quem quer que fosse. Não penso que alguém que não se interesse pela verdade pode se pretender seguidor de Jesus. É claro que isto não implica que devamos ficar nos espetando nem contaminando nosso convívio com indiretas e ataques. Como diz S. Josemaria Escrivá, o amor à verdade passa bem longe do destempero. Mas é muito possível cultivar uma amizade sincera com um sujeito, mesmo sabendo que este sujeito pensa que estou numa religião equivocada e ainda que ele também saiba que eu o considero, tecnicamente, um herege. Não acredito que, para bem convivermos, necessitemos aprender a ser falsos e dissimular o que cremos. Isto não seria amizade. Aliás, não teria valor algum.

Pois bem. Ocorre, porém, que vez ou outra se dão umas mudanças de religião; com mais frequência, pessoas que eram católicas tornam-se protestantes. E às vezes são pessoas do nosso convívio. Aconteceu, e faz pouco tempo, que dois amigos nossos, muito próximos do Anjos de Adoração, que já caminhavam conosco um bom tempo, e até fizeram retiros conosco, terminaram abandonando a barca de Pedro e se indo se refugiar em outro ambiente qualquer, onde se sentiram bem. A coisa, porém, não pára aí. Não sei direito pelo que é que eles passam lá, mas assim que um católico vai para o lado protestante, parece que todas as formações bíblicas que ele teve antes, toda a catequese católica, todas as questões da apologética que se trabalhou, tudo isso perde o valor. O sujeito do qual antes se pensava entender alguma coisa de catolicismo, já agora começa, muito pouco tempo de sua "conversão", a levantar as já clássicas e tão pueris objeções protestantes contra o catolicismo. Antes de tratar de algumas dessas questões, quero observar um pouco mais esse fenômeno no mínimo curioso.

Qualquer um que conheça a Igreja Católica minimamente perceberá que ela, como diz o Pe. Paulo Ricardo, é um colosso de teologia, de santidade e que é uma Igreja muito séria. Verá como a alta hierarquia da Igreja é bem formada. Verá, pelo menos de relance, como a teologia é ampla e rica e profunda. Porém, esses outros, duas ou três semanas depois de terem deixado o convívio da Igreja de Cristo, de repente aparecem chieos de empáfia e ironia, demonstrando uma ignorância crassa e quase absoluta sobre tudo o que é o catolicismo, supondo que a Igreja deve ser qualquer coisa bestinha e idiota e que, por terem escutado dois ou três sermões de um auto-denominado pastor protestante, esses neófitos filhos de Lutero já podem, agora, refutá-la inteiramente, demoli-la de alto a baixo. Eles passam a se ver como instrumentos da justiça divina a profetizar contra as idolatrias do catolicismo romano, "fundado por Constantino" e não sei mais quantas baboseiras que fazem corar até o inferno. Quando o sujeito era católico, não se preocupava em estudar as questões da Fé, quase não lia, não se enamorava pela Igreja. Agora, porém, duas semanas depois, a pessoa aparece transfigurada e transformada numa espécie de "teólogo de elite", entendedor sutil e agudo de toda a história da Igreja e de toda a teologia dogmática, moral, ascética e mística. E alguns católicos ainda dizem que no protestantismo não há milagres...

Prossigamos, então.

Já ontem, uma dessas pessoas recém "convertidas", uma grande amiga e pessoa muito querida, me fez várias perguntas a respeito da Igreja; eram temas que eu supunha já serem entendidos por ela. Me surpreendi ao ver que não. E me surpreendi também por ver o tipo de ludibriação de que esses inocentes são vítimas nesses templos protestantes. É mentira e mais mentira. E o "fiel", crente na palavra do "pastô", engole o conto. Vai-me parecendo que esse negócio de "pastô" anda muito próximo do político. Será por isso que se vestem parecido?

Eu quero, antes de adentrar propriamente no teor dos pontos doutrinais, dizer o seguinte: a religião é o que há de mais importante na vida, porque ela nos mostra como conviver com Deus. Ora, é importante reconhecer qual seja a religião verdadeira e qual a falsa, pois se o sujeito segue um negócio falso, terminará que ele não se relacionará com Deus propriamente, mas com uma invenção humana a que se acostumou chamar pelo nome de Deus; uma usurpação. Então, é preciso conhecer a verdade. Jesus veio justamente para isso: "para dar testemunho da verdade" (Jo 18,37). Infelizmente, não podemos acreditar no primeiro sujeito que aparece gritando numa esquina, numa padaria abandonada onde, agora, ele jura fazer milagres. Há muita gente "esperta" no mundo, e há também muita gente ingênua.

É preciso ser maximamente sincero. E isto significa que, tendo alguma dúvida, o sujeito deve procurar saná-la, obviamente. A melhor forma de conhecer a Igreja Católica não é frequentando cultos e ouvindo as baboseiras que lá se contam; ao contrário, é perguntando à Igreja mesma, é lendo a Sua doutrina, é estudando a Sua história. Essa questão, por exemplo, das imagens, que é clássica: se um ex-católico acha que a Igreja adora imagens, o que é que custa perguntar sobre isso à própria Igreja? Porque, convenhamos: se a Igreja fosse assim tão errada e corrompida em pontos tão básicos, seria preciso dizer que os católicos são todos uns imbecis por ainda ficarem nela. Mas é claro que as coisas não são assim tão simples! Não banalizem a discussão! Se se afirmam sinceros, mostrem isso e pesquisem direito. Vejam outras fontes além dos ensinamentos torcidos dos seus "pastores"!

Quero, ainda, abordar outro fato comum nesse meio. Muita gente deixa a Igreja por causa de amizades protestantes, ou por causa de familiares, namorados, etc., que costumam fazer pressão e, no fim das contas, a outra pessoa termina pensando que "tanto faz, tanto fez", e que, na verdade, não deve ser tão grave assim se tornar um protestante, etc.

Segundo esse raciocínio, a religião deve ser algo de muito insignificante, reduzido somente ao nível da conveniência. Mas, ao contrário, como eu já dizia acima, ela é o que há de mais importante. Jesus é um Deus extremamente exigente e ciumento. O que ele exige é nada mais nada menos do que o amor a Ele sobre todas as coisas. A Escritura fala de um sujeito que, querendo segui-lo, pediu para despedir-se, antes, dos pais, pelo que Jesus o criticou, dizendo que aquele que hesita não é digno d'Ele. (Lc 9,62) Consideremos que os pais são, naturalmente, muito importantes, muito mais do que um namorado ou namorada, mas Jesus exige que o que quer segui-lo saiba amar a Deus bem acima de qualquer outro, mesmo acima dos pais. Em outra passagem, o rapaz pede para ir enterrar o pai, ao que Jesus responde: "Deixa que os mortos enterrem seus mortos" (Lc 9,60). Enfim, Ele chega a dizer: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim" (Mt 10,37). Se devemos amar a Jesus acima dos pais, será que merecem alguma atenção as conveniências sociais, os coleguismos, as amizades, as conversinhas, o namorado ou namorada, etc? Parece-me que as pessoas não têm a dimensão de quão sério é isso tudo. Ainda que um sujeito tivesse dez anos de namoro e, de repente, visse esse seu relacionamento ameaçado justamente por esta tensão de religiões, ele deveria preferir a Deus e à Igreja que já tem mais de 2000 anos de uma verdadeira história de ardente amor por Deus.

Jesus, na verdade, já sabia que esses assuntos dividiriam os homens, mas ele também queria isso, pois é preciso decidir-se por Ele. "Não penseis que vim trazer a paz; vim trazer a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa." (Mt 10,34-35).

Se os cristãos cedessem toda vez que são pressionados de algum lado, será que teríamos tantos mártires na Igreja? Será que teríamos tantos santos? E Nosso Senhor, será que teria morrido? Não entrou para a história a covardia de Pedro, que negou Jesus para "evitar incômodos"? Mas Pedro soube reconhecer a burrada que tinha feito, e em seguida chorou amargamente. Penso que essa deva ser a atitude. Refletir sobre tudo isso, compreender tudo isso e chorar amargamente.

"Pois vosso amor me é mais precioso que a vida" (Sl 62,4)

Enfim, essa introdução já vai longa. Responderei às perguntas doutrinais no próximo artigo e o farei com firmeza. Preparem os cintos, pois estou zeloso dessa luta. Mexeram com os meus; agora, aguentem a sova. Se quiserem, podem chamar "pastô", "bispo" ou até o Chapolim Colorado, exegeta do mesmo naipe desses outros. Estou disposto ao confronto, embora já suponha que isso ficará por isso mesmo. Se bem que, se tal acontecer, pelo menos estará exposto o espírito desse povo e qual a parte que estava interessada na verdade.

Que a Virgem Santíssima, cujo dia celebramos hoje, nos conduza nesta luta. Pax.

Fábio.

Fim de ano e o costume de Indispor-se com os outros


No Natal e Fim de Ano, mesmo para quem não é cristão, parece haver qualquer coisa de terno a invadir o mundo. Quem ficar sóbrio há de perceber.

E um dos temas mais frequentes que nessa época surgem nas conversações é o da reconciliação, do perdão e da paz que muitos tentam evocar e até supersticiosamente produzir pelo simples fato de vestir branco.

Pois bem. Acontece que nós vivemos numa sociedade que é profundamente egocêntrica. Não é de nenhum modo difícil encontrarmos livros e teorias que, não obstante sejam as mais variadas, trazem o traço comum de estarem fundamentadas sobre o umbigo dos seus autores. Basta acompanhar minimamente as intensas manifestações nas redes sociais para toparmos com todo tipo de filosofia pessoal onde o sujeito se coloca como o centro do universo, o ser mais importante de todos, como se todos os demais indivíduos estivessem contra ele e fosse seu dever defender-se e auto-promover-se. Temos, então, uma sociedade formada por pessoas preocupadas antes de tudo consigo mesmas.

Num ambiente assim, surge um costume a meu ver profundamente infantil e que consiste em facilmente se indispor com outras pessoas. Qualquer discordância ou qualquer atrito resulta em intriga e aquela amizade, talvez já de longa data, desfaz-se por capricho, por vaidade, por um ego ferido que, para restabelecer-se, recorre ao término da relação. Isto é muito revelador... A amizade, em todos os tempos, sempre foi muito exaltada e tida como algo de grande valor. "Encontrar um amigo é encontrar um tesouro", dizemos. No entanto, ela costuma ser abandonada por motivos fúteis. Tal fenômeno é sintomático da mediocridade que invadiu as almas e que termina por banalizar tudo. Os amigos são mantidos somente enquanto nos proporcionam prazer e bem-estar. Tão logo nos espetem, acabarão por ser abandonados. Uma sociedade assim, obviamente, não terá da amizade qualquer dimensão.

É mais ou menos o que aconteceu com a alegria. Hoje ela se encontra profundamente escassa. É difícil vê-la por aí, pois, em seu lugar, os homens puseram o prazer e este manipulado de todas as formas para que possa ser prolongado e intensificado. Deste modo, as pessoas perderam o senso da alegria gratuita. E, para disfarçar a angústia e a tristeza, recorrem novamente a altas doses de prazer. Os vícios não são outra coisa. Thomas Merton escreve a este respeito: "se não sabes a diferença entre prazer e alegria, sequer começaste a viver".

Pois bem. E falamos em reconciliação no fim do ano. Difícil, não? Talvez o que precisemos seja mudar a nossa compreensão sobre a natureza da amizade. Para isto, temos de abandonar esta imatura e torpe "filosofia do ego". Nós precisamos descobrir urgentemente que não somos o que de mais importante há no universo. Uma ofensa contra nós não é um sacrilégio. Por diversas vezes estaremos errados e um amigo que se preze será sincero em nos mostrar o nosso erro, se necessário.  Nós não devemos abandonar esses tesouros. Não importa o quanto nosso ego reclame; mandemos ele - o ego - plantar batatas. O que importa é a verdade e o bem.

Se amarmos a verdade e o bem, poderemos construir relações sólidas e duradouras, pois a verdade e o bem são universais, isto é, existem em todo lugar e a todo o tempo; são absolutamente estáveis. Poderemos intervir na vida de nosso amigo ou permitir-lhe intervir na nossa sem que isto resulte em briga. Digo e repito: esse costume de ficar intrigado é um negócio infantil. Nós, humanos, somos sujeitos difíceis e muitos de nós somos cheios de frescuras. Mas as frescuras não somos nós; nós não somos o nosso capricho. A amizade tem de ter um fundamento mais profundo do que a epiderme das vaidades e da imagem. Se cultivarmos uma amizade tendo isto em vista, é óbvio que não abriremos mão dela na primeira incompreensão.

Se nos dizemos cristãos, então, esta obrigação se avoluma. Cristo morreu por nós quando ainda éramos seus inimigos e perdoou a enormidade dos nossos crimes. Se não perdoamos a outra pessoa e dela guardamos mágoa, ainda quando nos dá mostras de arrependimento embora não tenha tido a coragem de desculpar-se claramente, é sinal de que pouco conhecemos a nossa própria miséria. Nós somos muito tolerantes conosco mesmos. E, no entanto, nos dizemos cristãos e seguidores do Cristo. Rezamos diariamente o "perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos ofende", e escutamos com relativa frequência o que disse Nosso Senhor: "antes de levar as tuas oferendas, reconcilia-te com teu irmão".

Nem é preciso repetir esses conselhos de Jesus. Todos nós provavelmente já os conhecemos. O que, no entanto, nos impede de ver é o nosso orgulho. Eis aí o nosso inimigo, a trave no nosso olho. Detectado o alvo que precisamos combater, mãos à obra. Não é o outro que eu devo pisar, mas o meu próprio egoísmo, a minha própria soberba. Ser cristão é assumir a disposição de colocar-se em último lugar e de oferecer a outra face, de abrir mão das próprias vontades e caprichos, de crucificar-se, como dizia S. Paulo, com as próprias paixões e concupiscências.

Para terminar, eu quero contar um breve acontecido que se deu num dos primeiros conventos do Carmelo Descalço, onde residiam S. João da Cruz e um outro irmão já de idade. Indo visitar o mosteiro, Sta Teresa D'Avila avistou ao longe este outro irmão a varrer a frente do convento com uma vassourinha bem humilde. Aproximando-se do tal monge idoso, a santa perguntou: "Oh irmão, onde está a vossa honra?", ao que ele respondeu: "Maldito o dia em que a tive".

Pensemos nisto. Este tipo de "honra", referente à preocupação que temos com a nossa imagem, em não passar por baixo, é o que nos tem afastado por vezes de um bem mais profundo; é o que nos tem tirado talvez pessoas amadas do nosso convívio.

Bem, isto tudo se aplica quando somos nós os ofendidos. Diferente é o caso quando o ofendido é Deus. Nestas situações e em caso de obstinação, por vezes o afastamento será legítimo.

O orgulho tem me tirado
O que o amor me tinha deixado
Vou aprender ao meu ego abaixar
Pra que a alma se possa elevar
Só saberei o que é ter Jesus Cristo
Se compreender o que é ser um amigo.

Fábio

Santa Missa no Rito Extraordinário pela Fraternidade O Caminho

Nós, Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA, temos, já, uma boa relação de amizade com estes irmãos que têm se destacado, há um bom tempo, pelo zelo e rigor litúrgico com que celebram a Santa Missa. Falo da Fraternidade O Caminho, composta de religiosos consagrados de espiritualidade franciscana e alguns irmãos terceiros. Quero aqui disponibilizar estas realmente belíssimas imagens da Fraternidade celebrando a Santa Missa no rito tridentino. Vi no excelente Salvem a Liturgia.

Missa Tridentina 10 anos 039 Missa Tridentina 10 anos 068 Missa Tridentina 10 anos 074 Missa Tridentina 10 anos 090 Missa Tridentina 10 anos 100 Missa Tridentina 10 anos 102 Missa Tridentina 10 anos 115 Missa Tridentina 10 anos 128 Missa Tridentina 10 anos 129 Missa Tridentina 10 anos 133 Missa Tridentina 10 anos 142  Missa Tridentina 10 anos 147 Missa Tridentina 10 anos 162 Missa Tridentina 10 anos 181 Missa Tridentina 10 anos 190

Reconhecimento Canônico da Fraternidade O Caminho


É com imensa alegria que comunicamos que no dia 31 de julho de 2001, às 10h em Franca (Interior de SP), a Fraternidade “O Caminho” será reconhecida como Associação Privada de Fiéis. O reconhecimento será dado por Sua Excelência Reverendíssima Dom Pedro Luiz Stringhinni, Bispo da Diocese de Franca, que presidirá a Santa Missa em ação de graças.

Local: Centro de Evangelização Cenáculo

Av. Dom Pedro I, 1040, Jd. Petrâglia, Franca – SP

A Fraternidade tem se destacado pela correta doutrina litúrgica e pela zelosa prática na celebração da Santa Missa.

Visita do GRAA aos TLCistas de Taquarana

Nos últimos dias 29 e 30 de maio de 2011 (sábado e domingo), o Grupo de Resgate Anjos de Adoração, representado por dois de seus membros (Fábio Luciano e Rafaely Alencar) viajaram à cidade de Taquarana, estado de Alagoas, diocese de Penedo, a convite de um grupo de TLCistas.

Foi a primeira vez que estivemos nesta cidade. Na verdade, o Breno Kennedy, um dos nossos e, em todo caso, o mais famoso da turma (¬¬!) já tinha contato com este grupo de TLC. Aliás, ele mora na mesma casa que o Victor (ver foto abaixo), ou melhor, eles partilham do mesmo quarto numa residência universitária.

Bom! Convite feito, lá fomos nós. Taquarana é uma cidade do interior em que faz bastante frio, embora eles achem que não... rs. Mas é bastante bonita, aconchegante, calma, tem muito verde, várias pracinhas muito jeitosas, um padre que é um santo, e uma juventude que tem um potencial gigante!

Queremos reafirmar aqui que nos sentimos honrados pelo convite que foi feito e agradecemos por toda a acolhida que recebemos. De fato, além de ser uma missão, foi muito agradável. Há tempo que eu não me divertia tanto! rsrs...

Nós, do GRAA, pedimos a Nosso Senhor que abençoe profusamente este grupo e que a Virgem Santíssima os conduza aos cumes da santidade.

Abaixo, vão algumas fotos do lugar (clique para ampliar). Pax.

Igreja de Santa Cruz em Taquarana

Palestra no sábado à noite

TLCistas de Taquarana e Anadia

Violeiros

Turma boa!

Victor, em cuja casa ficamos hospedados.

Igreja de Taquarana de dia

Início do encontro no Domingo

Finalzinho

Casa do Victor, seus pais e demais amigos.
E para terminar:

Medjugorje? Não, não.. Somente uma foto mal tirada  ^.^
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