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Ex campeão do aborto se converte após sonho com Santo Tomás
Madrid, Espanha, (CNA) -. O jornal espanhol “La Razón” publicou um artigo sobre a conversão ao movimento pró-vida de um ex-”campeão do aborto.” Stojan Adasevic, que realizou 48,000 abortos, às vezes chegando ao número de até 35 abortos por dia, é agora o mais importante líder pró-vida na Sérvia, após 26 anos como o médico mais renomado do aborto no país.
Segundo Adasevic “Os manuais de medicina do regime Comunista diziam que o aborto era apenas a remoção de uma mancha de tecido”, e “a chegada dos aparelhos de ultra-som que permitiam a visão da vida fetal chegaram apenas depois dos anos 80, mas mesmo depois eles se recusaram a mudar aquela opinião histórica. Contudo, eu comecei a ter pesadelos”.
Ao descrever sua conversão histórica,o artigo relata o sonho de Adasevic:
“Sonhei com um belo campo cheio de crianças e jovens que estavam brincando e rindo, de 4 a 24 anos de idade, mas que fugiam de mim com medo. Foi então quando um homem vestido com um hábito preto e branco começou a olhar pra mim, em silêncio. Este sonho foi se repetindo a cada noite, ao que eu acordava suando frio. Uma noite, eu perguntei ao homem de preto e branco quem ele era. “Meu nome é Tomás de Aquino”.
Adasevic, educado em escolas comunistas, nunca tinha ouvido falar do santo e gênio Dominicano. “Eu não reconheci o nome”.
“Por que você não me pergunta quem são essas crianças?”, questionou o santo a Adasevic em seu sonho.
“Eles são aqueles que você matou com seus abortamentos”, São Tomás afirmou a ele.
“Então Adasevic acordou impressionado e decidiu não realizar abortos nunca mais”.
“Naquele mesmo dia um primo veio até o hospital com sua namorada, grávida de 4 meses, que gostaria de realizar nela o seu nono aborto – um hábito bem frequente nos países do bloco soviético. O médico concordou. Ao invés de remover o feto pedaço por pedaço, ele decidiu desmontá-lo e removê-lo como uma massa única. Contudo, no momento em que o feto foi totalmente destruído e retirado, seu coração pequeno ainda batia. Adasevic percebeu isso, e se deu conta de que tinha acabado de matar um ser humano”.
Após essa experiência, Adasevic “disse ao hospital que ele deixaria de fazer abortos. Nunca antes um médico na Iugoslávia comunista havia se recusado a fazer abortos. Então eles cortaram seu salário pela metade, demitiram sua filha de seu emprego, e impediram seu filho de ingressar na universidade”.
Depois de anos de pressão e sofrimento, e quase a ponto de voltar ao antigo hábito de fazer abortos, ele teve um outro sonho com Santo Tomás.
“Você é um bom amigo, não desista”, lhe disse o homem de preto e branco. Adasevic buscou se envolver com o movimento pró-vida e por fim acabou conseguindo o feito de exibir na TV da Iugoslávia o filme “O Grito Silencioso” do Dr. Bernard Nathanson, duas vezes.
Adasevic já contou a sua história em diversos jornais e revistas do leste europeu. Ele voltou a fé ortodoxa, que viveu durante sua infância, voltou sua atenção aos escritos de São Tomás de Aquino.
“Influenciado por Aristóteles,e devido o pouco conhecimento científico da época, Tomás chegou a acreditar que a vida humana começava quarenta dias após a fertilização”, escreveu Adasevic em um artigo. O jornal La Razon comentou que Adasevic “sugere que talvez o santo lhe apareceu em sonho porque queria fazer as pazes para esse equívoco.” Hoje o médico sérvio continua a lutar pela vida dos nascituros.
Fonte: ocampones.com
Festa de Cristo Rei
Ontem iniciei a escrever este artigo, mas não pude concluí-lo, pois tive de me ausentar para resolver algumas coisas. Mas, enfim, disponibilizo-o hoje. Pax.
***
Ao falarmos de Cristo Rei, por estarmos já tão habituados à expressão, é muito fácil que ela se nos passe como um título dentre tantos outros sem que nos apercebamos do seu significado profundo. Além disto, por vivermos numa espécie de demagogia, forma deturpada da democracia - mas que vai tomando ares de totalitarismo disfarçado -, a idéia de um Rei nos aparece como algo totalmente estranho. Alguns associam de tal modo a Monarquia com a Tirania que a estranheza por chamar Jesus de Rei parece ser como que recalcada, impedindo desse modo uma reflexão mais séria a este respeito.
Jesus é Rei, ou seja, o Seu modo de governo é uma Monarquia, o que já nos deveria ser o suficiente para nos fazer entender a bondade intrínseca ao Império. Ao reconhecermos a realeza de Jesus sobre o universo, estamos a dizer que Ele é senhor absoluto de tudo quanto existe. Logo, não há lugares, dimensões, aspectos do mundo e da vida que sejam absolutamente autônomos, isto é, que possam esquivar-se do domínio d'Ele. Jesus é o criador de tudo quanto há e, além de ter criado, Ele sustenta na existência todas as coisas, de modo que se por acaso Ele cedesse aos nossos caprichos e retirasse a sua atividade de certas áreas da existência humana, essas mesmas áreas cessariam no mesmo instante de existir.
Hoje advoga-se que a religião deve restringir-se a foro íntimo e que não deve se meter em política, em ciência, etc. Pois bem. Ao dizê-lo, essas pessoas estão a negar que Nosso Senhor seja Rei do universo. E, além disso, se Ele por acaso "se retirasse" de tais campos, no mesmo instante eles deixariam de fazer sentido, pois o Cristo é o próprio Lógos, isto é, é o sentido de tudo quanto existe.
Se Jesus é Rei do universo, toda essa militância por retirá-lo da sociedade não faz o mínimo sentido. Ele possui autoridade sobre tudo e sobre todos. Portanto, a sua vontade deveria ser observada e obedecida em todo o seu Reino. Porém, quando caminhava conosco em Seu corpo mortal, Ele chegou a dizer que esse mundo estava sob o maligno. Há um princípio de revolta no universo que peleja contra Ele e, na medida em que o faz, instaura a falsidade e a mentira no mundo. Cristo é a própria verdade. Isto significa que tudo quanto se insurja contra Ele só pode ser falso. Cristo é o próprio bem. Isto significa que tudo quanto pretenda opôr-se a Ele será necessariamente ruim. Se Deus criou todas as coisas que existem a partir da Sua vontade, qualquer princípio que atente contra esta vontade é um princípio de não-existência, de frustração do ser, de negação e destruição. De fato, é este o intento do demônio que não veio senão para roubar, matar e destruir. E fazemos o papel deste quando, no auge da nossa insignificância, defendemos a autonomia seja da política, ou da ciência, ou do direito, etc. Divorciando de Deus certos aspectos da vida humana, nós estamos, na mesma medida, enxertando nesta vida camadas de mentira, de irrealidade, de inexistência e de frustração. Uma pessoa que se rebela contra a vontade divina contraria o seu próprio ser, impedindo-se a obtenção de uma unidade interior. Rebela-se, portanto, contra si mesmo. Querendo arbitrar sobre uma realidade já dada, ele opta por uma reinterpretação do que já existe, e forçosamente cairá em mentiras e falsidades. Rebelando-se contra Deus, se rebelará contra a raiz do seu próprio ser, e é importante frisar que o mundo não reconhecerá este nosso falso senhorio, de modo que não é pela projeção de nossa mentira no mundo que o mundo passará a ser como o pensamos. Não é por supor que a satisfação egoísta dos nossos desejos nos trará a felicidade que isso irá ocorrer. Na verdade, quando nos esquivamos à vontade divina, o nosso próprio ser mais profundo se nega a aderir a essa nossa disparatada empresa, pois há em nós um algo que é profundamente verdadeiro e que, ainda que não o alcancemos e nem o percebamos, está lá, intocado e totalmente à prova de quaisquer dissimulações e tentativas de manipulação.
Celebrar, pois, a festa de Cristo Rei é celebrar o fato de que Jesus tem um domínio absoluto sobre tudo e de que a Sua vontade é a condição do bem e da verdade. Por isso Nosso Senhor nos ensinava a pedir: "seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu", pois a vontade divina, se realizada plenamente, significará a realização mais profunda e mais perfeita da felicidade humana e o bem de todas as criaturas.
Porém, fomos feitos criaturas livres e, logo, podemos aceitar ou negar esta vontade. A verdade é que, por mais que a queiramos fazer, há em nós ondas de revolta contra esta vontade. Nosso egocentrismo nos põe em luta contra Deus. Sempre que pecamos estamos justamente a gritar, com os nossos atos, que Deus não reina sobre nós e que não queremos este reinado. E é por isso que o pecado é uma fonte de inferno para nós. Ele é a perpetuação do fracasso na nossa vida e continuamente nos ameaça com a possibilidade de uma frustração eterna. Por isso, se quisermos agir como servos de Cristo Rei, é preciso que nós movamos uma contínua e diligente luta contra os focos de revolta dentro de nós. Identificar tais focos e lutar estratégica e inteligentemente para vencê-los deve ser o grande trabalho dos cristãos, pois, conforme diz a Escritura, "é uma luta a vida do homem sobre a terra", e, por sua vez, diz São Paulo: "Os que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com suas paixões e concupiscências". São precisamente estas paixões e concupiscências que movem guerra contra Deus.
Quando falamos de reino, naturalmente pensamos em uma organização social, e não estamos errados em fazê-lo. Mas, lembremos que a sociedade se constitui de indivíduos e que os atos destes têm origem no seu interior, como disse Jesus. Portanto, o Reino de Cristo começa na consciência humana. Uma consciência que assente a Ele inteiramente e, nesse assentimento, torna-se livre, pois é a Verdade que liberta, e não o erro. Quando supomos erroneamente que seremos livres quando dermos azo à nossa revolta, estamos fazendo justamente o contrário: optando por prendermo-nos no irreal, e o irreal não liberta. Isso deveria também ser uma lição para os que pensam que a santidade se faz a partir de altas imaginações. Não. A santidade é precisamente um estado de extrema fidelidade à realidade. E a realidade é justamente esta: tudo quanto existe inclui-se dentro do reinado de Cristo; até mesmo o inferno, onde Ele reina por Sua justiça.
Que nós, os cristãos, como súditos de tão Suma Majestade, possamos dedicar a nossa vida a servi-lo e a estender o seu Reino nas consciências. Deste modo, participaremos também do seu Reinado, pois, como diz a Santa Igreja, "servir a Deus é reinar".
A Ele, supremo Rei absoluto de tudo quanto existe, glória e honra eternos! A Ele, amor infinito e gratidão plena. Viva Cristo Rei!
Quando falamos de reino, naturalmente pensamos em uma organização social, e não estamos errados em fazê-lo. Mas, lembremos que a sociedade se constitui de indivíduos e que os atos destes têm origem no seu interior, como disse Jesus. Portanto, o Reino de Cristo começa na consciência humana. Uma consciência que assente a Ele inteiramente e, nesse assentimento, torna-se livre, pois é a Verdade que liberta, e não o erro. Quando supomos erroneamente que seremos livres quando dermos azo à nossa revolta, estamos fazendo justamente o contrário: optando por prendermo-nos no irreal, e o irreal não liberta. Isso deveria também ser uma lição para os que pensam que a santidade se faz a partir de altas imaginações. Não. A santidade é precisamente um estado de extrema fidelidade à realidade. E a realidade é justamente esta: tudo quanto existe inclui-se dentro do reinado de Cristo; até mesmo o inferno, onde Ele reina por Sua justiça.
Que nós, os cristãos, como súditos de tão Suma Majestade, possamos dedicar a nossa vida a servi-lo e a estender o seu Reino nas consciências. Deste modo, participaremos também do seu Reinado, pois, como diz a Santa Igreja, "servir a Deus é reinar".
A Ele, supremo Rei absoluto de tudo quanto existe, glória e honra eternos! A Ele, amor infinito e gratidão plena. Viva Cristo Rei!
Contemplação e Marxismo
Deve ficar claro que o contemplativo e o marxista nada têm em comum. Eles não pensam do mesmo modo, nem mesmo enxergam as mesmas coisas. Para ser marxista, é necessário reprimir todo e qualquer "interesse" interior e pessoal pela realização espiritual e perder-se inteiramente no mistério coletivo da revolução. A contemplação só pode interessar a um marxista se o pegar na ressaca, depois de perder a graça dialética, em um momento em que sua fome interior acidentalmente exija reconhecimento.
(...) Há no marxismo uma quantidade suficiente de falso misticismo e pseudo-religião para seduzir quem quer que sinta necessidade de um substituto para a religião espiritual. Não há dúvida de que a exigência de "fé" e auto-sacrifício feita pelo marxismo é uma realidade muito mais humana e muito mais sólida que o irresponsável pseudocristianismo que ainda floresce em certas sociedades inteiramente devotadas a valores seculares. Existe algum perigo espiritual no marxismo e na pseudocontemplação que sua visão de mundo implica. Esse perigo reside no apelo misteriosamente religioso que este oferece àqueles que não têm mais estômago para as formas vazias de religião popular, nas quais o conceito de "deus" morreu de cansaço.
Thomas Merton. A experiência interior. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p.153-154.
Sócrates solta a real sobre Marx e o Comunismo
SÓCRATES: Foste também, muito simples e literalmente, um mentiroso.
MARX: Prova-o! Com informações específicas e com dados de meus escritos públicos, por favor.
SÓCRATES: Isso é tão fácil que uma criança poderia fazê-lo. E aquela citação famosa e influente de Gladstone, a qual citaste deliberadamente, de forma equivocada e torceste a fim de que dissesse o oposto exato daquilo que realmente dizia? Insististe em colocá-la em todas as edições de O Capital e te recusaste a corrigi-la ou a omiti-la, mesmo após teu erro ter sido exposto e refutado. Defendeste-a com infinitos oceanos de ofuscação por todo o resto de tua vida. Além disso, mudaste deliberadamente as palavras de Adam Smith e seu sentido quando o citaste. E ainda chamaste a ti mesmo de cientista?
Também desprezaste o proletariado real e, no entanto, chamaste a ti mesmo de proletário. Tu e os teus amigos vieram da próspera classe média, da burguesia; entretanto, trovejaste contra tudo o que era burguês, como fosses contra o próprio inferno. "Burguês" foi teu palavrão mais ubíquo e venenoso.
Alegaste ter pena dos pobres trabalhadores industriais e afirmaste ser o único especialista que poderia ajudá-los; porém, nunca em tua vida colocaste os pés em uma fábrica.
Exaltaste o trabalho e ralhaste contra o ócio; contudo, nunca trabalhaste, exceto escrevendo. Foste ocioso e desprezaste teu único parente que fora trabalhador, bem sucedido e sábio com relação ao estado de coisas no capitalismo, teu tio Lion Philips, o fundador da Companhia Elétrica Philips. Foste mais hostil àqueles de teus amigos que tinham alguma experiência de trabalho e odiaste os trabalhadores calmos, disciplinados e habilidosos que conheceste na Inglaterra e na Alemanha: eles eram por demais razoáveis, por demais realistas, por demais práticos para as tuas visões de danação e destruição. Quando fundaste a Liga Comunista, removeste dela todos os membros da classe trabalhadora, pois eras pura e simplesmente um esnobe.
Foste completamente impiedoso e venenoso contra qualquer um que preferisse a paz à guerra, a moderação ao extremismo, ou as etapas graduais à violência repentina - como Weitling, por exemplo. Foste, pura e simplesmente, um hipócrita completo e consumado.
MARX: E daí se fui? Meu caráter individual não importa; eu fui o instrumento da história na realização de grandes feitos. Não posso contestar nenhuma das coisas que dizes, por causa do terrível caráter veraz deste lugar. Mas convoco-te a contar toda a verdade não apenas acerca de mim, mas acerca do comunismo - não por ideologia, moralidade ou qualquer outra mera idéia, como tentaste fazer em nossas discussões, mas pela história, que é factual. Soltaste insinuações e detalhes esparsos de teu conhecimento sobre a história de meu mundo após minha morte; pois dá-nos toda a verdade, por favor.
SÓCRATES: Fico muito contente que desejas isso e contente em responder-te. Eis aqui o que a história fez de tua filosofia - não, não usarei essa palavra preciosa, pois ela significa "amor à verdade"; eis aqui o que a história fez de tua ideologia.
O capitalismo burguês não morreu e nem se enfraqueceu, mas cresceu em tamanho, popularidade, e em sua habilidade de satisfazer as necessidades humanas. Ele cresceu de modo contínuo, com apenas alguns contratempos, interrupções e depressões. Perto da virada do milênio, 150 anos após tua época, o capitalismo era o único sistema econômico bem sucedido da terra e não apresentava quaisquer sinais de decomposição ou revolução. Com efeito, as pessoas gostavam dele; fazia um maior número de pessoas mais próspero e mais contente que as demais alternativas.
Por outro lado, o socialismo e comunismo foram fracassos econômicos espetaculares por quase toda parte. O comunismo somente chegou ao poder por meio de mentiras, de assassinatos e de terror. Ele dominou meio mundo por boa parte do século vinte - e, então, simplesmente morreu. Nem uma só gota de sangue fora derramada; morreu simplesmente porque, após setenta anos em vigência, ninguém mais o queria ou acreditava nele.
O comunismo não libertou o proletariado, mas o escravizou, tanto econômica quanto politicamente. Povos inteiros foram massacrados por ele; algo mais que cem milhões de pessoas foram mortas em seu nome. Um ditador comunista, na China, matou cinquenta milhões de inimigos políticos. Um outro, no Camboja, assassinou um terço de toda a população de seu país. Ainda um terceiro, na Rússia, maquinou a fome em massa de milhões de pessoas e estabeleceu uma rede enorme de polícia secreta e campos de concentração por todo o seu país. Onde quer que o comunismo tenha tomado o poder, ele reinava pelo terror. A tua ideologia é diretamente responsável pelo maior sofrimento, derramamento de sangue e tirania na história do mundo.
A tua política brotara da Revolução Francesa, especialmente em seu fanatismo "tudo ou nada" e em seu uso do mais puro terror. Os teus discípulos instituíram o Reino do Terror dos jacobinos em escala global, por três gerações.
Um homem cuja alma, face e movimentos lembravam sinistramente os teus chegou ao poder na Alemanha, em grande parte porque o povo alemão temia e odiava o comunismo a tal ponto que se voltou para esse homem, o qual prometera destruir o comunismo. O sistema dele se chamava "Nacional Socialismo", mas as semelhanças desse sistema com o teu ultrapassavam em muito as diferenças. Esse homem quase destruiu o mundo; ele foi provavelmente o homem mais odiado na história.
Se tivesses alcançado o poder que desejavas, talvez tu o terias superado. No entanto, as estranhas misericórdias da providência te conferiram os dons imerecidos da fraqueza e do fracasso.
A "originalidade" de Marx
SÓCRATES: Elogiarei tua retórica. Tua peroração final realmente reverbera, sabias?
MARX: Eu sei.
SÓCRATES: Muito embora nenhuma outra revolução, partido ou líder tenha prestado a ela a mais mínima atenção em 1848, o "ano das revoluções" ao longo de toda a Europa.
MARX: Eu era original demais para eles.
SÓCRATES: As tuas melhores frases não eram nada originais; com efeito, foram todas plagiadas. Roubaste "os operários não têm pátria" de Marat, assim como "os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias". Roubaste "a religião é o ópio do povo" de Heine, "proletários de todos os países, uni-vos!" de Schapper, "a ditadura do proletariado" de Blanqui e "de cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo suas necessidades" de Louis Blanc. És um grande propagandista apenas porque és um grande ladrão.
"Sócrates" e "Marx" discutem sobre a tese comunista de abolição da família
SÓCRATES: Chegamos agora ao teu próximo ponto, o clamor comunista pela abolição da família. Aqui, mais do que nunca, creio que a compreensão - mais que a discussão - é suficiente, que a simples percepção de que falas com seriedade e que queres dizer aquilo que dizes será suficiente para a grande maioria das pessoas, especialmente para aquelas a quem apelas: o proletariado, os pobres.
Talvez eu devesse começar elogiando-te por tua consistência lógica, pois percebes que a família, a religião e um "eu", ou uma alma, e também aquilo que chamas de senso burguês de individualidade vigoram ou fenecem juntos.
Tua resposta à objeção de que o comunismo abole a família começa pela asserção de que "a família atual, a família burguesa [...] baseia-se no capital, no ganho individual". Portanto, crês que ela desaparecerá uma vez que sua causa houver desaparecido. Estou certo?
MARX: Sim.
SÓCRATES: E sua causa é - o capital!
MARX: Sim, é.
SÓCRATES: Acreditas realmente no que escreveste, que, para o marido burguês, "sua mulher nada mais é que um instrumento de produção"?
MARX: Eu teria escrito isso se não acreditasse no que digo?
SÓCRATES: Não sei; terias?
MARX: Digamos apenas que aquilo que eu escrevi, eu escrevi.
SÓCRATES: Dize-me, formulaste os princípios do comunismo antes ou depois que conheceste a mulher com quem te casaste?
MARX: Depois.
SÓCRATES: Então, antes disso, não eras um comunista.
MARX: Verdade.
SÓCRATES: E em que tipo de sociedade cresceste? Uma sociedade feudal?
MARX: Em uma sociedade burguesa.
SÓCRATES: Logo, eras um dos membros da burguesia, então?
MARX: Sim.
SÓCRATES: Assim, como burguês, quando pediste tua mulher em casamento, disseste algo como isto? - "Ó Jenny, consentes em seu meu instrumento de produção?"
MARX: Sarcasmo não é lógica, Sócrates.
SÓCRATES: Respondes à minha questão?
MARX: Meu argumento é simplesmente que a família burguesa se baseia na opressão.
SÓCRATES: De mulheres ou crianças?
MARX: De ambos.
SÓCRATES: E a tua própria experiência confirma esse juízo?
MARX: Sim, eu cresci em uma família opressiva.
SÓCRATES: E tu, por tua vez, oprimiste a tua mulher e teus filhos? Como fazem todos os pais burgueses, de acordo com tua própria teoria?
MARX: Injusto, injusto!
SÓCRATES: Mas, se Jenny estivesse aqui, tenho certeza de que confirmaria tua teoria, assim como o fariam o "Mosquinha" (Apelido do filho de Marx, Edgar) e Franziska. No entanto, eles também já seguiram adiante, e Freddy não virá antes de muitos anos.
MARX: Como sabes acerca de Henry Frederick?
SÓCRATES: Engels, antes de sua morte em 1895, contou a Tussy (apelido da filha de Marx, Eleanor) que Freddy era teu filho bastardo.
MARX: Então Eleanor sabe? Engels contou à minha Eleanor? Traidor! Mas como podes saber do futuro?
SÓCRATES: Aqui, todo tempo é presente.
MARX: Isso é simplesmente intolerável. Não hei de suportá-lo! Quem quer que esteja por trás de ti, tua imitação de Sócrates, hei de aniquilar-te e a eles também!
SÓCRATES: Agora pareces exatamente com o homem descrito pelo irmão de Bruno Bauer: "Estourando de fúria, cerra-se o punho maligno, e o homem urra interminavelmente, como se dez mil demônios estivessem a puxá-lo pelos cabelos." Ou, melhor ainda, tu te pareces com a descrição que Karl Heinzen fez de ti: "um cruzamento entre um gato e um símio [...] a cuspir jatos de fogo cruel". Ou Lassalle...
MARX: Lassalle era um tolo completo. Deves primeiro ouvir minha descrição dele e, sob essa luz, avaliar a descrição que ele fez de mim.
SÓCRATES: Se insistes. Em uma carta a Engels (30 de julho de 1862), descreveste teu amigo, o primeiro grande líder trabalhista alemão, como "o Preto Judeu" e "um judeu ensebado que se disfarça sob brilhantina e jóias baratas. Como o formato de sua cabeça [...] indica, ele descende dos pretos que se juntaram à fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou sua avó paterna tenham cruzado com um negro)".
MARX: Onde queres chegar?
SÓCRATES: Quero dizer apenas que teus leitores poderão decidir por si mesmos se és aquele homem em quem podem confiar pra substituir a instituição da família por um suplente radicalmente novo, de tua própria criação.
MARX: Eu hei de abolir a exploração das crianças por seus pais!
SÓCRATES: Farias isso, de fato - e o farias pela abolição das crianças e dos pais! É como abolir uma doença pela abolição de todos aqueles que sofrem dela. Devo admitir que isso realmente parece ser cem por cento efetivo. Mas a um custo de cem por cento. De acordo com a tua economia, pois, essa é uma boa relação custo-benefício?
MARX: Sim, é! Pois que o Estado será a família universal, o pai universal e a criança universal, já que o Estado será as pessoas e as pessoas serão o Estado.
SÓCRATES: Entendo: com a abolição da propriedade privada, vem a abolição da família privada, já que mulheres e filhos nada mais são que propriedades.
MARX: No capitalismo, sim.
SÓCRATES: E a própria privacidade desaparecerá quando sua causa econômica, a propriedade privada, for abolida.
MARX: Sua forma burguesa, sim. A forma comunista será totalmente diferente.
SÓCRATES: Teus contemporâneos já sabem, em função de seu presente e de sua experiência, qual é a forma burguesa da privacidade. Porém, nada podem saber da forma comunista ainda, não até que ela se torne presente e deixe de ser futuro. Até que isso ocorra, essa forma não é um dado de experiência, mas uma mera "idéia" - categoria da qual pareces escarnecer, embora dependas aqui da idéia para mudar a realidade. E certamente o futuro, em si mesmo, é apenas uma idéia no tempo presente, enquanto o presente e o passado são, ambos, dados e fatos reais, das formas mais concretas, materiais e científicas possíveis. Entretanto, destruiriras o presente e o passado em prol de teu sonho de futuro. Creio que és precisamente o idealista que criticas!
MARX: Por um momento, pensei que tu me compreendias.
SÓCRATES: Acho que te entendo até bem demais.
KREEFT, Peter. Sócrates encontra Marx. São Paulo: Vide Editorial. 2012. p.135-139
KREEFT, Peter. Sócrates encontra Marx. São Paulo: Vide Editorial. 2012. p.135-139
"Sócrates" mostra a "Marx" a contradição lógica do evolucionismo ateu
MARX: Darwin e eu, juntos, eliminamos Deus: ele da natureza, eu da história. Sabes que até enviei uma cópia de meu livro a Darwin?
SÓCRATES: Sim. Sei também que ele nunca te respondeu.
MARX: Sabes de muitas coisas.
SÓCRATES: Sei também por que ele nunca te respondeu.
MARX: Como sabes isso?
SÓCRATES: Eu dialoguei com ele.
MARX: Oh.
SÓCRATES: Gostarias de saber o que ele pensava a respeito do teu livro?
MARX: Isso não tem importância.
SÓCRATES: E o que tu pensas de seu livro? Aceitas sua teoria da evolução?
MARX: Sim, aceito.
SÓCRATES: Assim, dizes que, anteriormente, não existia vida, mas, então, muitos séculos mais tarde, havia; dizes também que, antes, existia apenas vida subumana e, então, séculos mais tarde, havia vida humana.
MARX: Sim. A vida evoluiu por seleção natural. Pode-se até ver analogias entre a seleção natural e a dialética histórica...
SÓCRATES: Eu percebo isso. Mas, penso, também vejo uma outra coisa. Por favor, pondera acerca destas três coisas nas quais dizes acreditar. Primeiro, acreditas na evolução. Segundo, não crês que haja um Deus - um Criador, uma Causa Primeira ou uma Mente Arquiteta - por trás da evolução. Terceiro, acreditas no princípio científico da causalidade, ou seja, crês que os efeitos não podem exceder suas causas, que nada vem à existência sem uma causa adequada - em verdade, tu mesmo dirias, sem uma causa necessária ou determinista. Acreditas nessas três coisas?
MARX: Sim.
SÓCRATES: Pois vês algum problema nisso tudo?
MARX: Estou um passo à tua frente, Sócrates. Dirás que há uma contradição lógica em se aceitar todas essas três idéias, pois se os efeitos não podem exceder suas causas, então o vivente não pode ser causado pelo não-vivente, as formas superiores de vida não podem ser causadas apenas pelas inferiores e tampouco a inteligência pode ser causada por algo ininteligente ou os planos, os projetos e a ordem pelo puro acaso, a menos que essas causas inferiores sejam só instrumentos de uma causa divina superior. Dirás, então, que devo desistir ou da teoria da evolução, ou de meu ateísmo, admitindo assim um Deus que a explique.
SÓCRATES: Mas que maneira formidavelmente clara de se equacionar o problema! Tens uma solução igualmente clara?
MARX: Sim, tenho. A existência de um Deus sabotaria por completo todo o meu materialismo científico, portanto meu ateísmo não é discutível, e a mesma razão justifica minha crença na evolução: essa é a única alternativa ao desígnio divino que explica a existência de ordem na natureza. A teoria da evolução é o trunfo da ciência em sua batalha contínua contra a religião e a superstição. Logo, se há de fato uma tensão lógica entre essas três idéias, temos de modificar o princípio mais geral e abstrato dos três, o princípio da causalidade, ou então teremos de alterar um princípio ainda mais geral e abstrato, o qual acolheremos caso haja o mais mínimo problema na aceitação simultânea dessas três idéias: isto é, o princípio lógico da não-contradição. Talvez as contradições lógicas sejam o veículo pelo qual a história se move; talvez tenhamos de aprender a aceitar as tensões lógicas, em vez de evitá-las.
SÓCRATES: Que interessante! Em nome da ciência, modificarias um ou mesmo dois de seus princípios mais fundamentais, o princípio da causalidade e a lei da não contradição lógica. Podes me dizer o nome de um só cientista bem sucedido e reconhecido, em toda a história, que tenha feito isso?
MARX: Penso ser o primeiro.
SÓCRATES: No entanto, há muitos cientistas que rejeitam o teu ateísmo.
MARX: Sim...
SÓCRATES: E há também alguns que rejeitam a seleção natural.
MARX: Talvez. Mas ambos os tipos são assaz tolos.
SÓCRATES: Quiçá. Porém, eles são cientistas. Não diria a maioria deles que negas dois dos princípios mais inquestionáveis da ciência em favor de duas das mais questionáveis teorias científicas?
MARX: Não, a menos que fossem loucos. Mas eu não ligo para o que dizem; eu vi algo na história que eles não viram.
KREEFT, Petter. Sócrates encontra Marx. São Paulo: Vide Editorial. 2012. p.73-75
Desabafo de um padre sobre missas
Pe. Luís Fernando
Sou padre há quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em
vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no
meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança na roça e ia
com minha família à missa uma vez por mês eu sabia que naquela hóstia
tinha Jesus. Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me
perseguinar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo
meio estranho porque não entendia a missa, mas, sentava no primeiro
banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do
sermão. Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui
pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A missa pela qual eu
sempre nutri o maior religioso respeito
virou palco
virou show
virou passeata
virou passarela
virou camarim de estrela
virou sambódromo
virou terreiro
virou tudo e suportou tudo
menos ser de fato, missa.
Já vi tanto desleixo... alfaias puídas, vasos sagrados zinabrados,
hóstias consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio
de uma reforma de Igreja com hóstias consagradas dentro, consagração de
vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um
exército de MESC para consumi-las porque o padre não poderia fazê-lo sem
ficar bêbado e outros tantos abusos. Quando veio a Redemptionis
Sacramentum e a Ecclesia de Eucharistia veio uma lufada de ar fresco e
os rebeldes da Teologia da Libertação, da Rede Celebra e das CEB`s
reagiram vorazmente. O site do mosteiro da Paz que hospedava uma carta
de Reginaldo Velloso eivada de críticas às necessárias mudanças na
liturgia e catalizadora desta mentalidade saiu do ar, mas, encontrei-a
no site da Montfort disponível aqui.
Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a
reinterpretação que a missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio
Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir:
"ah o jeito do outro padre é diferente". Isto denota uma personalização
que a missa não comporta. A missa nunca foi a missa do padre, mas a
missa da Igreja!
Esta mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer
celebrar a missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de
retrógrado. O respeito às normas litúrgicas são sinônimo de opressão. A
missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia
da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL... a missa se
transformou...
virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema
contra a Igreja
contra os padres
contra a fé católica de sempre
contra a liturgia de sempre.
Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão,
pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de
cheiro na missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram
mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. Para
essa CORJA a missa já deixou há muito tempo de ser o sacrifício
redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para
comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o
que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem. Lembro-me
de um professor contando todo garboso que certa feita utilizou-se de
uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao
povo - aos seus moldes é claro - porque para ele aquela hóstia era pobre
de significado.
Aquela hóstia pobre...
tão pobre quanto o cocho de Belém,
tão pobre quanto a cama em Nazaré,
tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum,
tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia,
tão pobre quanto o coração do Filho de Deus,
ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo
porque Ele se fez pobre!
Sua pobreza não comporta reduções
tampouco acréscimos desnecessários.
Ele é aquele que é e nada mais,
mas, só para quem tem fé!
Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça.
Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a missa da Igreja, a
missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às
nossas mentes e corações! Ele ele toque as vidas, inclusive as nossas.
Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa
Liturgia seja feita Por [causa de] Cristo, Com Cristo e em Cristo a[o]
Pai na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito
teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.
Fonte: Blog do Padre Luís Fernando
Autoridade vaticana: A teologia da libertação não faz falta para cuidar dos pobres
ROMA, 26 Ago. 13 / 01:30 pm (ACI/EWTN Noticias).-
O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, o leigo
Guzmán Carriquiry, afirmou que "não faz falta uma teologia da
libertação" para cuidar dos pobres, basta viver o Evangelho, "o abraço
da caridade, o testemunho comovido de si".
O leigo uruguaio fez esta afirmação durante um encontro convocado
pelo movimento Comunhão e Libertação na cidade de Rímini, ao norte da
Itália, no último dia 21 de agosto, onde também disse que a Igreja precisa "libertar" a fé de "incrustações mundanas" para torna-la novamente atrativa.
"Certamente já seus predecessores iniciaram um progressivo desmantelamento da sujeira real da cúria. João Paulo II preferia estar pelas ruas do mundo que no Vaticano. E Bento XVI
disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a
divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora Francisco
realiza o que seu predecessor pediu tantas vezes... e muito mais. Tudo
isto faz parte da 'revolução evangélica' que marca uma profunda mudança
do modo mesmo de ser Papa", afirmou.
Nesse sentido, destacou a continuidade entre Bento XVI e Francisco.
Concluiu propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do
pontificado do Papa Francisco, das "pérolas" de suas homilias
cotidianas, de sua catequese e do "sair missionário" para compartilhar a
luz da fé ad gentes.
Fonte: ACI Digital
Proibição de crucifixos nas escolas e o excesso de "dialoguismo" da Igreja
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| O excesso de simpatia da Igreja: um motor do secularismo? |
Dom Luigi Negri, bispo de San Marino-Montefeltro, qualificou a sentença [tomada pelo Tribunal de Estrasburgo de proibição dos crucifixos nas salas de aula da Itália] como "objetivamente um gesto de rejeição ao Crucificado", afirmando o que muitos de nós pensamos: que o excesso de irenismo e de aberturismo do mundo católico tem como resultado, por parte do laicismo radical e anti-cristão, o desprezo.
O Bispo Negri, exortando sua diocese ao desagravo, disse:
"A decisão tomada pela corte de Direitos Humanos de Estrasburgo era largamente previsível e, em certos aspectos, esperada. Nestas instituições está se catalisando de forma substancial o pior laicismo, com uma conotação objetivamente anti-católica e que tende a eliminar, até com violência, a presença cristã da vida em sociedade e, além disso, os símbolos desta presença. Outros já apontaram, sobretudo a Conferência Episcopal Italiana, a mesquinhez cultural desta decisão, a miopia, como disse a Santa Sé, mas eu creio que é correto dizer que se trata de uma vontade subversiva em relação à presença cristã, conduzida com uma ferocidade só comparável à aparente objetividade ou neutralidade das instituições do direito. No entanto, é também correto - como faziam nossos antepassados, e nós amiúde esquecemos esta lição - que nos perguntemos se nós, como povo cristão - e, quisera dizer, como eclesiásticos -, não temos alguma responsabilidade para com esta situação. É sempre correto fazer uma leitura em profundidade sobre se não corremos o risco, de algum modo, de ser cúmplices.A questão de Estrasburgo, em sua brutalidade, é também uma consequência da abordagem demasiado conciliadora que atravessa o mundo católico há décadas, pelo que a principal preocupação não é a nossa identidade, mas o diálogo a todo o custo, a concordar com as posições mais distantes. Este respeito pela diversidade de posições culturais e religiosas, apoiada na idéia de uma equivalência substancial entre as várias posições e religiões, é que faz o catolicismo perder sua especificidade absoluta. Um irenismo, um aberturismo, uma disposição de diálogo a todo custo, que é compensada da única maneira que o poder humano sempre recompensa estas atitudes desordenadas de compromisso: com desprezo e violência.É necessário renovar a consciência da própria identidade, da própria especificidade como acontecimento humano e cristão diante de qualquer outra posição, e nos prepararmos para viver o diálogo com todas as outras posições, não sobre a base de uma desmobilização da própria identidade, mas como expressão última, crítica, intensa, de nossa identidade.Em última análise, será prova significativa, uma prova que pode ser formativa, uma prova pela qual - como muitas vezes nos lembra a tradição dos grandes Padres da Igreja - Deus continua educando seu povo. Mas é necessário que o juízo seja claro e não se detenha em reações emocionais, para que se compreenda com profundidade a tarefa que temos diante de nós: recuperar nossa identidade eclesial e comprometer-nos com o testemunho diante do mundo."
Deus espera de nós um testemunho de fé íntegra e não um dialoguismo que, da perda da identidade católica, se transforme facilmente em apostasia.
Pe. Juan Claudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal. Campinas-SP: Ecclesiae, 2012. p.142-144
Servo de Deus Jerôme Lejeune, a defesa da vida e a falácia do "mal menor".
Por último, ainda que sem esgotar a intervenção de João Paulo II de fevereiro de 2000, quero ressaltar que ao referir-se à mentalidade renunciatória diante das leis iníquas o Santo Padre afirma: "A consciência civil e moral não pode aceitar esta falsa inevitabilidade, do mesmo modo que não aceita a idéia da inevitabilidade das guerras ou dos extermínios inter-étnicos."
A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence - a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Esta atitude nos fará cair na opção do mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.
Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jerôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a "trissomia do 21", e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial de Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.
Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o malminorismo que infectou os católicos na França; estes supunham que cedendo no aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isso e, mais ainda, longe de frear males maiores o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total desse crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.
Também em 1970, participou de uma reunião na OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial de Saúde, que disse: "eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte." Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo: "Hoje eu joguei fora o Prêmio Nobel". Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim mais poder influir.
João Paulo II, em uma carta ao Cardeal Jean-Marie Lustinger, então arcebispo de Paris, por ocasião da morte de Lejeune, disse:
"Como cientista e biólogo era um apaixonado pela vida. Ele se tornou o maior defensor da vida, especialmente a vida dos nascituros, tão ameaçada na sociedade contemporânea, de modo que se pode pensar que seja uma ameaça programada. Lejeune assumiu plenamente a particular responsabilidade do cientista, disposto a ser um sinal de contradição, ignorando a pressão da sociedade permissiva e do ostracismo do qual era vítima."
Mons. Sanahuja. Poder Global e Religião Universal. Campinas SP: Ecclesiae, 2012.
"Interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano."
"Para a eficácia do testemunho cristão, especialmente nestes tempos delicados e controversos, é importante fazer um grande esforço para explicar adequadamente os motivos da posição da Igreja, sublinhando, sobretudo, que não se trata de impor aos não crentes uma perspectiva de fé, mas de interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano."
João Paulo II, Carta Apostólica Novo Millenio ineunte, n. 51, 6 de janeiro de 2001.
"Dado que a fé no Criador é uma parte essencial do Credo cristão, a Igreja não pode e não deve limitar-se a transmitir aos seus fiéis apenas a mensagem da salvação. Ela tem uma responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também em público. E, fazendo isto, deve defender não só a terra, a água e o ar como dons da criação que pertencem a todos. Deve proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem, entendida no sentido justo. Quando a Igreja fala da natureza do ser humano como homem e mulher e pede que se respeite esta ordem da criação, não está expondo uma metafísica superada. Trata-se aqui, de fato, da fé no Criador e da escuta da linguagem da criação, cujo desprezo seria uma autodestruição do homem e, portanto, uma destruição da própria obra de Deus.
O que com frequência é expresso e entendido com a palavra 'gender' [gênero] resulta, em definitivo, na auto-emancipação do homem da criação e do Criador. O homem pretende fazer-se sozinho e dispor sempre e exclusivamente sozinho o que lhe diz respeito. Porém, desta forma, vive contra a verdade, vive contra o Espírito criador. As florestas tropicais merecem, sim, a nossa proteção, mas não a merece menos o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não significa contradição da nossa liberdade, mas a sua condição. Grandes teólogos da Escolástica qualificaram o matrimônio, ou seja, o vínculo para toda a vida entre homem e mulher, como sacramnto da criação que o próprio Criador instituiu e que Cristo - sem modificar a mensagem da criação - depois acolheu na história da salvação como sacramento da nova aliança. Pertence ao anúncio que a Igreja deve levar o testemunho a favor do Espírito criador presente na natureza em seu conjunto e, de modo especial, na natureza do homem, criado à imagem de Deus. A partir desta perspectiva deve ser lida a Encíclica Humanae Vitae: a intenção do Papa Paulo VI era defender o amor contra a sexualidade como consumo; o futuro, contra a pretensão exclusiva do presente; e a natureza do homem, contra a sua manipulação."
Bento XVI, Discurso aos membros da Cúria Romana, 22-12-08.
"O caráter típico desta nova antropologia, concebida como fundamento da Nova Ordem Mundial, manifesta-se, sobretudo, na imagem da mulher na ideologia do "Women's Powerment" [empoderamento da Mulher] proposta por Pequim. O objetivo em vista é a autorrealização da mulher, que encontra os seus principais obstáculos na família e na maternidade. Assim, a mulher deve ser libertada, sobretudo do que a caracteriza e lhe dá nada mais que a sua especificidade: esta é chamada a desaparecer diante de uma "Gender equity and equality" [eqüidade e igualdade de gênero], diante de um ser humano indistinto e uniforme, em cuja vida a sexualidade não tem outro sentido senão o de uma droga voluptuosa, a qual se pode usar sem critério algum."
Ratzinger, J. Prefácio ao livro de Schooyans, M., O Evangelho perante a Desordem Mundial, Ed. Fayard, Paris, 1997.
SANAHUJA, Juan Claudio. Poder Global e Religião Universal. São Paulo: Ecclesiae, 2012. p. 41-43.
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