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A má formação dos filhos e a má conduta dos pais


"Porque de tal maneira se espalhou por toda parte entre os que se dizem cristãos esse péssimo costume, como se fosse lei, confirmada e preceituada por todos, que procuram educar seus filhos desde o berço com muita moleza e dissolução. Apenas nascidas, antes de começarem a falar e a balbuciar, as criancinhas aprendem, por gestos e palavras, coisas vergonhosas e verdadeiramente abomináveis. Quando se desprendem do peito de suas mães, são obrigadas não só a falar mas também a fazer coisas dissolutas e lascivas. Nenhum deles se atreve a comportar-se honestamente, forçado pelo temor da idade, para não se submeter a uma disciplina severa. Bem disse o velho poeta: "Porque crescemos no meio das depravações de nossos pais, desde a infância acompanham-nos todos os males.

Isso é bem verdade, porque tanto mais perniciosas são para os filhos as condescendências dos pais quanto maior a facilidade que encontram. E quando crescerem um pouco mais e forem por si mesmos, vão cair em coisas cada vez piores. De raiz prejudicada cresce árvore estragada, e o que já foi torcido uma vez dificilmente poderá ser endireitado. Quando chegarem à adolescência, que poderão ser esses jovens? Então, no turbilhão de toda sorte de prazeres, sendo-lhes permitido fazerem tudo que quiserem, entregar-se-ão de uma vez aos vícios. Assim, escravos voluntários do pecado, entregam seu corpo como instrumento do mal. Sem nada conservar da religiosidade cristã em sua vida e em seus costumes, defendem-se apenas com o nome de cristãos. Esses infelizes muitas vezes até fingem ter feito coisas piores do que de fato fizeram, para não passarem por mais vis na medida em que forem mais inocentes."

Tomás de Celano, Primeira Vida de São Francisco

Imaturidade - Gustavo Corção


"Numa reunião de pais de família, uma pergunta é lançada à madre superiora:

"- Então a Sra. acha que não devemos obrigar os filhos a ir à missa?

"Houve um silêncio. Um suspense. E então a madre, com voz clara e resoluta, respondeu:

"- Não. A missa não deve ser imposta às crianças como um castigo, do qual não se pode escapar. A criança deve ser despertada para o significado e a beleza desse encontro semanal com o Cristo. Os pais devem dar o exemplo e mostrar à criança que ela é livre de fazer a escolha...

"E aí está. Tudo isto que pareceu muito bonito a vários pais de família é simplesmente monstruoso.

"Em primeiro lugar obrigação não é castigo. Em segundo lugar, a educação consiste essencialmente em preparo e em indicar aos educandos as suas obrigações e os seus deveres para com Deus, consigo mesmos e com o próximo. E educação católica consiste essencialmente em preparar a alma do educando para o cumprimento da vontade de Deus, expressa nos mandamentos.

"Todos nós sabemos há mais de dez mil anos, para o que concerne a lei natural, e há quase dois mil anos, para a lei revelada, que essa tarefa tem de ser feita com amor, dedicação incansável, alternativas de persuasão e severidade, e, sobretudo, sabemos que o desnível da autoridade paterna se atenua com o crescimento dos filhos. Ninguém pensará em obrigar um filho de 48 anos a cumprir o preceito dominical; mas também nenhum pai cristão de bom senso deverá consentir que um filho de 7 anos não vá à missa porque não quer. Diremos até que é bom, vez por outra, algum atrito, para lembrar à criança que há uma obrigação a cumprir em relação a Deus, e que nessa matéria ela tem de obedecer como o pai e a mãe obedecem. Chamo a atenção do leitor para um aspecto muito curioso da resposta daquela madre. Na religião nova ou na nova filosofia de vida que ela prega, os pais devem... os pais devem... mas os filhos não devem nem aprendem a dever. Observem especialmente esta passagem: “Os pais devem dar o exemplo e mostrar à criança que ela é livre de fazer a escolha...”. Do lado dos pais o dever, do lado dos filhos a liberdade, a livre opção. (Devemos aqui fazer uma distinção que certamente não ocorreu à freira: livre escolha, toda alma racional possui, se se trata de liberdade interior de autodeterminação da vontade; mas livre escolha dos atos exteriores, no sentido de liberdade, de independência, ou de não-obrigação, esta só temos em termos muito relativos já que todos nossos atos são polarizados no universo moral!)

"E aí está um exemplo típico do mundo em que vivemos: um colégio católico, de longa tradição, em cinco anos se transforma num “André Maurois”. Não ensinam os deveres e não se entende bem como será que o jovem descobrirá sozinho o dia e a hora em que deixa de ser um imaturo que só age em função do agrado, para ser um responsável."

(Editorial da revista Permanência n° 7, abril de 1969, Ano II)

Fonte: Permanência

Novo blog sobre Ensino Católico Tradicional


Pessoal, belíssima iniciativa essa de organizar um blog sobre o verdadeiro Ensino Tradicional Católico. Sugiro que o visitem e acompanhem as postagens. Começar a discutir este assunto e estudar meios de propor uma educação alternativa à que tem sido massivamente implantada no Brasil é algo absolutamente necessário e em caráter de urgência. 

Sugiro também a página sobre Ensino Tradicional no Facebook.

O HOMESCHOOLING está liberado no Brasil!



Explico. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais devidamente ratificados pelo Congresso Nacional têm statussupralegal. Isso quer dizer que esses tratados são hierarquicamente inferiores à Constituição (lei positiva máxima), mas superiores às demais leis. Ora, o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que é uma lei ordinária, diz: “Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (art. 55). Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), que são tratados internacionais ratificados pelo Brasil, dizem o contrário e, portanto, prevalecem: “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos” (artigo 26.3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos); "Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções." (Artigo 12.4 da Convenção Americana dos Direitos Humanos).

Ambos os textos são claríssimos. Repito: esses tratados são hierarquicamente superiores ao ECA e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Com efeito, não só o ECA e a LDB, mas qualquer outra lei que impeça o homeschooling perde a eficácia, pois os tratados mencionados têm status supralegal. Portanto, juridicamente, não há nada que proíba os pais de adotar o homeschooling para os filhos. E mais: outro direito que se depreende das aludidas normas é o de rejeitar qualquer conteúdo ministrado nas escolas regulares que seja considerado impróprio pelos pais, como o famigerado kit gay, por exemplo.

Vimos que não há qualquer óbice jurídico ao homeschooling no Brasil. Sendo assim, os pais poderiam adotar o método da educação em casa desde já, sem que para isso fosse necessária qualquer mudança legislativa. Porém, a coisa é um pouco mais complicada. O problema, quase sempre, é fazer valer esse direito dos pais. Os diplomas internacionais citados, plenamente válidos e eficazes no Brasil, são ignorados até pelos juízes, que continuam a usar o ECA para forçar a matrícula das crianças. Os empecilhos são muito mais políticos, culturais e ideológicos do que jurídicos. Mas creio que nem tudo está perdido. Cabe aos pais zelosos recorrer aos tribunais contra a tirania. Quanto mais processos houver, quanto mais o tema for ventilado na imprensa, na internet e nas esquinas, maior a chance de obter resultados favoráveis. Trata-se de uma guerra cultural a ser travada, com boas possibilidades de vitória. Afinal, não deve ser difícil compreender que a educação é assunto da família e da sociedade, não de burocratas do estado.
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Educação Tradicional, com "método do Séc. XIX", fica em primeiro lugar no ENEM

Colégio São Bento

Concordo totalmente com os tradicionais e "arcaicos" e "medievais" e "obscuros" e "patriarcais" e "reacionários" e "segregados" e "homogêneos" métodos do Colégio São Bento, localizado no centro do Rio de Janeiro, e que ficou em primeiro lugar, este ano, no Exame Nacional do Ensino Médio. Leia aqui.

O povo hoje pensa que a Educação é lugar pra ficar testando teoriazinha de meia tigela... Vejam aí, o exemplo. É só observar: de um lado, a modinha de uma educação moderninha, promotora de umas ideologiazinhas de fresco, que só tem feito que os alunos saiam cada vez mais despreparados. De outro lado, a educação tradicional de um São Bento que é expoente em todo o país. Contra fatos, não há argumentos. E quem usar de bom senso, terá de admitir. 

Professores, vós criticais tão facilmente os métodos tradicionais, mas engolis com toda facilidade essas teoriazinhas de esquerda, crentes de que estão salvando a educação. Abram os olhos, cambada!

Devemos sondar a fundo os verdadeiros valores em jogo


"Há ainda, finalmente, uma terceira espécie de homens levianos: é a dos que, embora dotados de uma aspiração moral consciente, não se dão ao incômodo de sondar a fundo o que é que verdadeiramente está em causa em cada uma de suas decisões: o que diz a opinião pública, o que lhes recomenda um conhecido, o que pelo costume se lhes afigura correto - é quanto basta para os levar a tomar posição num assunto. Não compreendem que a gravidade da questão de saber se damos ou não aos valores uma resposta adequada, exige absolutamente, antes da decisão, um efetivo esclarecimento sobre os verdadeiros fundamentos dos valores em jogo. A despeito da sua boa vontade, afirmam e negam antes de terem realmente escutado a voz dos valores"

Dietrich Von Hildebrand, Atitudes Éticas Fundamentais, Senso de Responsabilidade.

***

O trecho acima tem implicâncias profundas. Se o leitor, por acaso, passou-lhe simplesmente a vista, eu recomendo que volte a lê-lo atentamente, pois muita gente, hoje, é cativa dessa "irresponsabilidade". Recomendo, ainda, a leitura deste livro, que pode ser baixado aqui.

Recomendação e Download de Livro sobre o Tomismo


Ando meio adoentado e por isso reduzi um pouco o ritmo das postagens. Mas, jajá eu fico bom, e vou pondo outras coisas por aqui. Passo tão somente para fazer uma recomendação e disponibilizar o link de uma obra importante. 

Como é bem conhecido, Pio XI, certa vez, escreveu o seguinte: "A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: ide a Tomás de Aquino". Os grandes apologistas, isto é, defensores da Fé Católica, seguem esta linha. A Filosofia tomista é importantíssima, não só para compreender melhor a doutrina católica e defendê-la, mas para aperfeiçoar a inteligência como um todo, perceber mais facilmente os problemas de outras filosofias e, enfim, para reconhecer a verdade onde quer que ela se dê.

Há quem pense que os católicos têm uma sobre-estima com Sto Tomás, uma espécie de admiração exagerada e forçada. Contra essa crítica, não é preciso resposta alguma, além da escreveu Pio XI: "Ide a Tomás". Quem a ele se dirigir, haverá de ver a sua evidente superioridade e total singularidade. Eu sou um peixinho muito pequeno, ainda, nesse mundo, mas faço faculdade de Filosofia e já entendo um pouco a diferença monumental entre o Tomismo e outras correntes filosóficas, sobretudo as modernas.

Bem, meu intuito aqui é recomendar o estudo do Tomismo aos que não o conhecem ou que apenas começam a se debruçar sobre ele. Há inúmeros sites e blogs que trazem, na estrutura dos seus textos, os traços dessa Filosofia. No entanto, para possibilitar um começo mais sistemático, deixo o link de um trabalho de introdução ao pensamento de Sto Tomás - O nome da obra é "Iniciação à Filosofia de Tomás de Aquino" do H. D. Gardeil, que é dividido em quatro partes: Introdução Geral e Lógica, Cosmologia, Psicologia e Metafísica. Cada parte dessas é um livro. Abaixo, vão os quatro. 

Termino, enfim, recomendando que não se importem tanto em terminar a leitura, mas em entendê-la. Embora sejam livros de introdução, isso não quer dizer que sua linguagem seja simples, rs... Bem, façam o download e peçam a Deus a graça de estudá-los seriamente. Cliquem na figura abaixo. Abraço.


Livro para baixar: Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes


Nota do blogue [A Grande Guerra]: Segue mais um livro do Padre Júlio Maria de Lombaerde,Luz nas Trevas ou Respostas irrefutáveis às objeções protestantes, agradeço ao blogue Leituras Católicas pela digitalização dessa obra.

Divulguem!

Saudações,
A grande guerra
(Clique no título acima para baixá-lo)

ou
Respostas irrefutáveis às objeções protestantes
pelo
Padre Júlio Maria de Lombaerde S.D.N
1955

Carta do Exmo. Sr. D. Carloto Távora ao autor

Meu caro Padre Júlio Maria. Em resposta à carta de S. Revma., pedindo-me oImprimatur de seu novo livro: “Respostas irrefutáveis às objeções protestantes”, mando-lhe, com a licença pedida, meus sinceros parabéns pela feliz idéia de reunir em volume uma série de polêmicas já publicadas em O Lutador. Estasrespostas têm sido muito apreciadas pelos católicos e pelos protestantes, e conheço de perto o bem que elas têm feito, e as conversões que têm operado. Estas respostas são, de fato, irrefutáveis, porque são todas tiradas da sagrada escritura; e negá-las seria negar a própria Bíblia. O fundo de sua argumentação é doutrinal, substancial, como a forma é alerta, e de uma sinceridade comunicativa. Tenho a certeza que as suas polêmicas continuarão a fazer o bem às almas: aos católicos, dando-lhes armas sólidas para combaterem a impiedade e o erro; aos protestantes, mostrando-lhes o sentido exato da Bíblia, os erros da interpretação individual e a segurança da interpretação eclesiástica. Peço ao bom Deus abençoar o seu zelo de apóstolo do bem e da verdade.

Sou com toda estima de V.Rema. humilde servo,
† Carloto, bispo de Caratinga.

O combate pela Pureza


Forçosa é a guerra à tirania das nossas paixões, em nossa peregrinação pela terra. É lei tanto de ordem e de subordinação laboriosa, como também de harmonia e de unidade, de liberdade e de paz.

As aparências austeras da obrigação ocultam, porém, sua encantadora e sublime beleza a uma mocidade que, loucamente pródiga de si, sacrifica ao prazer sua integridade moral, e que não hesita arruinar em outros o que ela não soube respeitar em si mesma.

Uma depravação mais consciente e mais requintada na malícia, acrescenta a calúnia à tentação: a lei da castidade é impossível. É, se quiserem, o patrimônio de seres fracos.

- Fraco -, o homem que nutre ambições celestiais; forte, o incapaz de uma coragem que o levanta acima do sensualismo animal?

- Fraco -, o que disputa às inteligências puras o prêmio da nobreza; forte, o que se avilta?

- Fraco -, o magnânimo que por amor de Deus e dos seus semelhantes de esquece de si; forte, o egoísta que só se preocupa de vis prazeres?

- Fraco -, o cavalheiro do direito; forte, o escravo de desejos desordenados?

- Fraco -, aqueles cujas energias vitais enriquecerão a sociedade dos homens; forte, o esgotado, o gasto pelo vício?

- Fraco -, o homem que sabe guardar os seus sagrados juramentos; forte, o cínico ou hipócrita que viola seus compromissos?

- Fraco -, o vitorioso; forte, o vencido?

E contudo, por toda a parte, encontra aplausos a absurda calúnia. Os preconceitos do mundo a embalam; médicos, em nome de uma suposta ciência, corroboram-na com seus maus conselhos; uma vasta e poderosa imprensa a difunde e patrocina; e um código de uma certa moral, em voga, formula para o homem, para a mulher, para o celibatário, para o esposo, para o nacional e para o estrangeiro, regras que são outros tantos desafios à honestidade.

Diante dessa insolência, a virtude, tímida e retraída, resigna-se por vezes a envergonhar-se e até mesmo a capitular!

É mister, pois, despertar a estima pela pureza.

É necessário excitar e estimular o brio em quem a possui.

Convém igualmente, já que a conservamos em fragilíssimo vaso, ensinar a arte de a defender e de preservá-la de choques fatais.

E como o homem é curável, e como um triunfo pode vingar cabalmente uma derrota, é necessário reanimar a coragem dos abatidos e hesitantes e incitar à desforra os irresolutos e humilhados.

Prefácio do livro A Grande Guerra, do Pe. J. Hoornaert, S.J.

Modéstia no falar




"Primeiramente, a matéria das nossas palavras há de ser plana,onde não ache tropeços à consciência, e limpa, onde não haja sombras e manchas contra a pureza do coração. Ó grande engano o nosso! Nós não queremos falar coisas boas, e queremos falar bem?" (O valor do silêncio, Pe. Manuel Bernardes)

"Se lhe apresentassem na sua mesa o pão ou qualquer outro manjar, em um prato ou vaso que houvesse servido em coisas que não são para nomear, quanto se indignaria contra o seu criado, por esta grosseria e desatenção. E quem duvida que muito mais repreensível é que a língua de um fiel, que serve de patena ao verdadeiro corpo de Cristo quando comunga, sirva de instrumento a palavras torpes e indecentes?

Quem usa de semelhante linguagem, por mais que se desculpe, dizendo que lhe não entra da boca para dentro, e que é só para rir e passar o tempo, dá claro indício de que o seu interior está corrupto. Porque oráculo é de Cristo Senhor nosso que a boca fala conforme o de que abunda o coração: Ex abundantia enim cordis os loquitur; e outra vez disse: Que do coração saem os maus pensamentos; e claro é que o que vem à língua primeiro esteve no pensamento; e ainda Sêneca assentou que o modo com que cada um fala é o translado ou cópia do seu espírito: Imago mentis sermo est; qualis vir, talis oratio... Logo, quem é acostumado a falar descomposturas, com que verdade afirma que lhe não entram no coração?

Escreve Estrabão que há na Índia um gênero de serpentes com asas como de pergaminho, que, voando de noite, sacodem uns pingos de suor tão pestífero que onde caem causam corrupção.Tais me parecem os que entre conversação soltam palavras e chistes descompostos; que são estes senão pingos de suor asquerosíssimo, que onde caem geram maus pensamentos e corrompem os costumes dos ouvintes? E se estes são gentes de tenra idade, a corrupção é mais pronta e mais certa, porque meninos são tábuas rasas onde o bem e o mal se pintam facilmente; pelo que mais respeito se deve ter a um menino, para não falar ruins palavras em sua presença, do que a homens de cãs veneráveis, porque estes sabem conhecer e reprovar o mal e aqueles não; neste caso ficará quem falou mal temeroso de achar repreensão, naquele outro ficará contente de achar imitadores. (Tratado da Castidade, Pe. Manuel Bernardes)




O católico raivoso



Frederico de Castro

Beati mites, quoniam ipsi possidebunt terram.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

 Há certa tendência nas pessoas que se descobrem no erro: após viverem tanto tempo em determinado erro, conscientizam-se dele, e não obstante tendem a incorrer em um erro oposto ao primeiro.
Exemplificamos: uma pessoa que tenha vivido anos de romântico carismatismo “católico”, meloso, pacifista, melindrado, “politicamente correto”, pode cair no erro oposto e passar a ignorar não raras vezes a caridade, tornando-se um justiceiro; um explosivo guerreador por tudo pode por vezes incorrer no pecado mortal de ira, conforme a situação particular que se viva.
Pois bem, é preciso entender que a tradição do catolicismo não pode servir de abrigo para um comportamento que poderíamos denominar “catolicismo raivoso”. Sim: infelizmente, a pretexto de seguirem a tradição do catolicismo, muitas pessoas estão na verdade dando vazão a paixões muito inferiores. Com isso denigrem o próprio ser católico, que deve ser manso: 

“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.”

É bem certo que muito disso deriva do temperamento próprio da juventude. Não se trata de regra, mas não se pode negar que seja um fato mais comum que o jovem, sobretudo o jovem rapaz, tenha um comportamento mais explosivo e contundente, como que necessitado de afirmar a própria virilidade; isso se dá especialmente no período que vai dos 16 anos até cerca de 25 anos. Há moças que, por uma razão ou por outra, também apresentam esse tipo de comportamento mais sanguíneo; mas o comum é observar-se nos rapazes.
O fato é que sobretudo nessa idade não é raro confundir tal necessidade com o zelo pela verdade, a defesa da fé e a não adesão a humanos respeitos, deixando-se de lado, assim, as virtudes da tolerância e da paciência.
Ora, tal comportamento nefasto se tem difundido, e com isso, como se não bastasse a presença do católico liberaloide – uma espécie de bobo alegre pacifista e melindrado –, surge seu oposto: o católico raivoso, que por seu lado é irritadiço, “machão” e por vezes “nazistoide”.
Se somos pobres pecadores, cuidemos também de nosso comportamento, para não sermos motivo de escândalo que afaste outras pessoas do caminho da conversão.

Sobre Dignidade da Família e a Iniciação Sexual - Muito Atual


Pio XII

Repetidas vezes, e a propósito de diversos problemas, insistimos sobre a santidade da família, sobre seus direitos, finalidades, como célula fundamental da sociedade humana. Por isto sua vida, sua saúde, seu vigor, sua atividade, asseguram, na ordem, a vida, a saúde, o vigor, a atividade de toda a sociedade. Da existência, da dignidade, da função social que lhe advém de Deus, a família deve responder ao próprio Deus. Seus direitos, seus privilégios são inalienáveis, intangíveis; ela tem o dever, antes de tudo, diante de Deus, e em segundo lugar diante da sociedade, de defender, reivindicar, promover, efetivamente estes direitos e privilégios, não somente em própria vantagem, mas para a glória de Deus, para o bem da coletividade.

Para o cristão está vigente uma regra que lhe consente fixar com certeza a extensão dos direitos e dos deveres da família na comunidade do Estado. Ela é assim concebida: a família não é para a sociedade; mas a sociedade é que é para a família. A família é a célula fundamental, o elemento que constitui a comunidade estatal, já que, para usar a expressão mesma de Nosso predecessor Pio XI, de feliz memória, “a cidade é tal qual a fazem as famílias e os homens de que é formada, como o corpo é formado pelos membros.” Em virtude, por assim dizer, do instinto de conservação, o Estado deveria portanto cumprir o que, essencialmente e segundo o desígnio de Deus Criador e Salvador, é seu primeiro dever: garantir, de modo absoluto os valores que asseguram à família ordem, dignidade humana, saúde, felicidade. Estes valores que são os elementos mesmo do bem comum, não poderão jamais ser sacrificados àquilo que aparentemente poderia ser o bem comum. Indicamos, a título de exemplo, alguns que ameaçam muito hoje: a indissolubilidade do matrimônio; a proteção da vida antes do nascimento; (...) o direito dos progenitores sobre os filhos, no que diz respeito ao Estado; a plena liberdade para os progenitores de educar os filhos na verdadeira fé, e portanto, o direito dos progenitores católicos à escola católica; condições de vida pública tal que a família e sobretudo a juventude tenham a certeza moral de não provir delas a corrupção.

(...) Mas quanto aos direitos essenciais da família, os verdadeiros fiéis da Igreja empenhar-se-ão até o fim para sustentá-los. Poderá acontecer que, aqui ou ali, sobre algum ponto sejam constrangidos a ceder diante da superioridade de forças políticas, mas neste caso não se capitula, suporta-se. Além do mais, em casos semelhantes, é preciso que a doutrina seja salva, que todos os meios eficazes sejam colocados em prática para chegar gradualmente ao fim a que se não renunciou.

Entre estes meios eficazes, se não também imediatos, um dos mais potentes é a união dos pais de família, firmes nas próprias convicções e unidos na mesma vontade.

Outro meio que não ficará jamais estéril ainda antes de obter o resultado desejado e que, em falta ou na espera do sucesso que se continua a perseguir, traz sempre os frutos, é o cuidado, nesta coalizão de pais e de família, de empenhar-se em iluminar a opinião pública, de persuadi-la a pouco e pouco, de favorecer o triunfo da verdade e da justiça. Nenhum esforço para agir sobre ela deve ser descurado ou negligenciado.

Há um campo no qual esta educação, esta sã orientação da opinião pública se impõe com trágica urgência. Em tal setor ela foi pervertida por uma propaganda que não hesitaria chamar funesta, porque embora visando atingir os católicos, os que a exercitam não percebem que inconscientemente estão sendo enganados pelo espírito do mal.

Queremos referir-nos a escritos, livros e artigos concernentes à iniciação sexual, que hoje obtêm muitas vezes enormes sucessos de venda e inundam todo o mundo, invadindo a infância, submergindo a nova geração, perturbando os noivos e os jovens esposos.

Com toda a gravidade, atenção e dignidade que o argumento comporta, a Igreja tratou o problema de uma instrução em tal matéria, qual aconselham ou exigem seja o desenvolvimento físico e psíquico normal do adolescente, sejam os casos específicos nas diversas condições individuais. A Igreja com justo direito pode declarar que, no mais profundo respeito para a santidade do matrimônio, em teoria e na prática, deixou livres os esposos naquilo que o impulso de uma natureza sã e honesta, sem causar ofensa ao Criador, consente.

Fica-se aterrorizado diante do intolerável descaramento de tal literatura: ao passo que, diante do segredo da intimidade conjugal, até o paganismo parecia parar com respeito, hoje se assiste à violação do mistério e ele é oferecido como espetáculo sensual e vívido ao grande público e até à juventude. É de se perguntar se permanece ainda suficientemente nítido o limite entre esta iniciação e a imprensa ou ilustração erótica e obscena, que deliberadamente se propõe a corromper ou aproveitar vergonhosamente, por vis interesses, os mais baixos instintos da natureza decaída.

Não basta. Tal propaganda ameaça também o povo católico com dúplice flagelo, para não usar uma expressão mais forte. Antes de tudo, exagera além da medida a importância e o significado, na vida, do elemento sexual. 

(...) Em segundo lugar esta, assim chamada, literatura não parece ter em consideração alguma a experiência geral de ontem, de hoje e de sempre, fundamentada sobre a própria natureza, que atesta que na educação moral nem a iniciação, nem a instrução, de per si, trazem alguma vantagem; que ela é gravemente danosa e prejudicial quando não está solidamente sustentada por uma constante disciplina, por um vigoroso domínio de si, pelo recurso sobretudo às forças sobrenaturais da oração e dos sacramentos. Todos os educadores católicos dignos deste nome e da própria missão bem conhecem o concurso preponderante das energias sobrenaturais na santificação do homem, as quais ajudam o adulto, solteiro ou casado.

(...) Pais de família, uni-vos – bem entendido, sob a orientação de vossos bispos -; chamai em vosso auxílio todas as mulheres e mães católicas, para combaterem unidos, sem incertezas e respeito humano, para fazer dique e destruir estes movimentos, qualquer que sejam o nome ou a autoridade de que se cobrem ou da qual tenham sido revestidos.

Pio XII, Discurso aos pais de família franceses

Pio XII sobre a Educação - Muito conveniente para o nosso tempo...

O que estão querendo fazer com as nossas crianças?

Nosso espírito vê as inumeráveis fileiras de adolescentes, que como botões se abrem às primeiras luzes da aurora. Prodigioso e encantador é este pulular de juventude em uma geração que pareceu condenada a desaparecer; juventude nova, fremente em sua pujança e em seu vigor, olhos fixos no futuro, e com incoercível impulso para metas mais elevadas, resolvida a melhorar o passado, a assegurar conquistas mais sólidas e de maior vulto no caminho do homem sobre a terra. Desta irrefreável e perene corrente para a perfeição humana, dirigida e guiada pela Divina Providência, os educadores são os orientadores e os responsáveis mais diretos, à mesma Providência associados, para dela realizar os desígnios. Deles depende em grande parte se a corrente da civilização avança ou vai para trás, se reforça seu ímpeto ou languesce na inércia, se vai direta para a foz, ou, pelo contrário, se deleita, ainda que momentaneamente, em vãos acessórios, ou pior ainda, em meandros malsãos e pantanosos.

(...) Não é talvez esta Nossa Sé principalmente uma Cátedra? Não é nosso primeiro encargo o Magistério? Não deu o divino Mestre e Fundador da Igreja a Pedro e aos Apóstolos o fundamental preceito: ensinai, preparai discípulos? Nós nos sentimos educadores de almas, e de fato o somos; a Igreja é sublime escola, e não em um grau secundário de importância, pois que boa parte do ofício sacerdotal consiste em ensinar e educar. Nem podia ser diversamente em a nova ordem instaurada por Cristo, que se fundamenta totalmente sobre as relações de paternidade de Deus, da qual deriva toda outra paternidade no céu, e sobre a terra, e da qual, em Cristo e por Cristo promana a Nossa paternidade para com todas as almas. Ora quem é pai, é por isto mesmo educador, porque, como luminosamente explica o Doutor Angélico, o primordial direito pedagógico, não se apóia sobre outro título senão o da paternidade.

Imensa é a responsabilidade da qual participam, ao mesmo tempo, embora em grau diverso, mas não em campo totalmente separado; a responsabilidade das almas, da civilização, do aperfeiçoamento e da felicidade do homem sobre a terra e nos céus.

Se, neste momento, trouxemos o discurso sobre um terreno mais vasto, qual o da educação, fizemo-lo pensando que já se pode dizer superada, ao menos em linha de máxima, a errônea doutrina que separava a formação da inteligência da do coração. Devemos antes deplorar que nos últimos anos fossem ultrapassados os limites do justo em interpretar as normas que identificam o que ensina o educador, escola e vida. Reconhecido à escola o potente valor formativo das consciências, alguns estados, regimes e movimentos políticos aí descobriram um dos meios mais eficazes de ganhar para suas causas aquelas multidões de adeptos, de que têm necessidade para fazer triunfar determinadas concepções de vida. Com uma tática tão astuta quanto insincera, e por escopos em contraste com os próprios fins naturais da educação, alguns destes movimentos do passado e do presente século pretenderam subtrair a escola à égide das instituições que tinham, além do estado, um primordial direito - a família e a Igreja - e tentaram ou tentam apossar-se delas exclusivamente, impondo um monopólio, que é gravemente lesivo a uma das fundamentais liberdades humanas.

Mas esta Sé de Pedro, escolta vigil do bem das almas e do verdadeiro progresso, como não abdicou jamais no passado este essencial direito, admiravalmente e em todos os tempos exercitado mediante suas instituições, que foram as únicas a se dedicarem a isto, assim não abdicará no futuro, nem por esperanças de vantagens terrenas, nem por temor de perseguições. Ela não consentirá jamais que sejam destituídas do efetivo exercício de seus nativos direitos nem a Igreja, que o tem por mandamento divino, nem a família que o reivindica por natural justiça. Os fiéis de todo o mundo são testemunhos da firmeza desta Sé Apostólica em propugnar a liberdade da escola em muitos países, em diversas circunstâncias e para muitos homens. Pela escola, bem como pelo culto e pela santidade do matrimônio, Ela não hesitou em enfrentar as dificuldades e perigos, com a tranquila consciência de quem serve uma causa justa, santa, querida por Deus, e com a certeza de prestar um serviço inestimável à própria sociedade civil.

Se é ótima regra entesourar sistemas e métodos corroborados pela experiência, ocorre avaliar com todo cuidado, antes de aceitá-las, as teorias e os usos das modernas escolas pedagógicas.

(...) A escola não pode ser comparada a um laboratório químico, onde o risco de desperdiçar substâncias mais ou menos custosas é compensado pela probabilidade de uma descoberta; na escola para cada alma entra em jogo a salvação ou a ruína. As inovações, portanto, que se julgarão oportunas, dirão respeito à escolha de meios e orientações pedagógicas secundárias, permanecendo inabaláveis o fim e os meios substanciais, que serão sempre os mesmos, como sempre idêntico é o fim último da educação, o seu sujeito, o seu principal autor e inspirador, que é Deus Nosso Senhor.

O educador que se inspira na paternidade, cujo escopo é gerar seres semelhantes a si, o que ensina, não somente com os preceitos, mas também com o exemplo, formará os alunos para a vida. Em caso contrário, sua obra será, para dizer com Sto Agostinho, "bazar de palavras" e não modeladora de almas.

(...) Educadores de hoje, que do passado tiraram normas seguras, que ideais para os homens deveis preparar, visando o futuro? Encontrá-los-eis fundamentalmente delineados no cristão perfeito. E dizendo perfeito cristão, entendemos aludir aos cristãos de hoje, homem de seu tempo, conhecedor e cultor de todos os progressos trazidos pela ciência e pela técnica, cidadão não estranho à vida que se desenvolve hoje, em sua terra. O mundo não se arrependerá, se um número sempre maior de tais cristãos entrar em todos os graus da vida pública e privada. Cabe, em grande escala aos que ensinam predispor a esta benéfica imissão, orientando os espíritos dos discípulos a descobrirem as inexauríveis energias do cristianismo na obra de melhoramento e de renovação dos povos.

O nosso tempo quer que a mente dos alunos seja endereçada para um sentido de justiça mais efetiva, sacudindo suas inatas tendências de se considerarem eles uma casta privilegiada e de temerem o trabalho e dele se esquivarem. Sintam-se e sejam de fato trabalhadores já hoje, no cumprimento perfeito dos deveres escolares, como deverão ser amanhã nos cargos dirigentes da sociedade. (...) Habituem-se portanto estes ao severo de trabalhar o intelecto, e do trabalho aprenderão a suportar a dureza e a necessidade, para que somente assim possam gozar os direitos da vida associada, com o mesmo título que os trabalhadores braçais. (...) Abra-se à nova juventude a respiração da catolicidade, e sinta-se o fascínio daquela caridade universal que abraça todos os povos no único Senhor; a consciência da própria personalidade, e portanto do maior tesouro da liberdade, a sã crítica; e ao mesmo tempo o sentido da humildade cristã, da justa sujeição, à lei e aos deveres de solidariedade. Religiosos, honestos, cultos, abertos e operosos - queríamos que assim os jovens saíssem das escolas.

Pio XII e os Problemas do Mundo Moderno, Discurso de 4 de setembro de 1949, grifos meus.

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O que Pio XII diria se visse a situação calamitosa a que chegou a educação no Brasil? O que se nota, hoje, é uma total e estratégica negação de todos os valores presentes no texto acima. Que Deus tenha piedade de nós.

Aos Estudantes


Pio XII

Estudai a Verdade

Vossas inteligências juvenis desabrocham para a vida, ansiosas por conhecer, e a natureza está aberta diante de vós com suas maravilhas e seus mistérios; os problemas da existência, os atos humanos, vossas aspirações, o fim a ser alcançado, os caminhos a percorrer, os meios a serem usados: tudo é uma interrogação; tudo exige clareza luminosa e precisão na resposta. Estudai, portanto. Aplicai-vos, custe o esforço que custar, e não descuideis de coisa alguma...

Ser indolente e preguiçoso significaria atraiçoar-vos a vós mesmos e renunciar ao desenvolvimento completo e harmonioso de vossa pessoa. Frustraríeis ainda as esperanças de vossos pais, que, para manter-vos nos estudos, fizeram, quem sabe, pesados sacrifícios e arrostaram renúncias; privaríeis a pátria e o mundo do número necessário de homens capazes, homens de ciência, cultores das artes, técnicos da política, da economia, do direito.

Estudai Seriamente

Para este fim, antes de tudo, evitai avaliar a importância do estudo pelo critério da utilidade imediata. O que a vida vos reserva, não o sabeis ainda; nem sabeis bem para onde se dirigirá efetivamente vossa carreira. É bem sabido ser prescrita aos futuros capitães de mar e aos oficiais das naves de guerra a manobra de navios a vela. Ninguém imaginaria, à primeira vista, que isso pudesse ser necessário à solução dos complicados problemas técnicos concernentes à rota de um transatlântico e o tiro de um couraçado. Perguntai, porém, aos peritos porque, então, os futuros navegantes devem aprender a manobra das velas e nela aperfeiçoar-se, e responderão que assim mais facilmente os marinheiros adquirem aquele sexto sentido chamado "senso marítimo".

A aplicação ao vosso caso parece-nos natural e fácil. Cada vez que pegardes num livro, principiardes uma aula, prestardes um exame, não deveis perguntar-vos: Para que me serve isto? Nunca digais: Eu serei engenheiro; para que me serve a Filosofia? Eu serei advogado; para que me serve a Física? Eu serei médico; para que me serve o estudo da Arte? A verdade é que algumas noções e conhecimentos, certos hábitos cognoscitivos e uma certa ordem mental, o senso da medida e da harmonia intelectual; em suma, a maior vastidão e profundidade das bases ajudam sempre na vida e muitas vezes auxiliam de modo imprevisto e inesperado: isto vale geralmente para duas matérias, o Latim e a História.

Para estudar seriamente é preciso não pensar ser o número dos conhecimentos o elemento fundamental para construir o edifício de vossa cultura. Não temos necessidade de muitas coisas, mas todo o necessário e conveniente, bem apreendido, compreendido com justeza, intensamente aprofundado. Deve-se, pois, evitar obrigar-vos a um esforço quase sobre-humano e a percorrer afanosamente tudo o que o saber acumulou sobre as cátedras e tenta levar até aos bancos dos alunos. Isto é ainda mais verdade se se trata de estudos excessivos puramente mnemônicos - bem diversos do estudo sério e jubiloso da verdadeira e profunda formação cultural - e pelos quais a escola se arrisca a transformar-se em um drama que entristece os pais e irrita os alunos.

Contudo, há ainda um terceiro defeito, contra o qual é preciso que os alunos se acautelem com o auxílio dos mestres conscienciosos e a ajuda daqueles que se encarregam de preparar os programas. Quem conhece os problemas da escola sabe que nada é tão nocivo quanto um acervo de noções acumuladas confusa e desordenadamente, que não se harmonizam nem se integram, mas, ao contrário, várias vezes se chocam ou mesmo se anulam reciprocamente. Acontece não raro que o ensino e o estudo das matérias científicas se desenvolvem, abstraindo inteiramente a consideração da necessidade de uma completa formação da inteligência. Esta deve alcançar uma capacidade sempre maior de síntese e a profundeza da pesquisa por meio de sério estudo filosófico. Ciência e Filosofia, portanto, devem integrar-se mutuamente, encontrando-se ali onde o estudo trata das mais íntimas e profundas estruturas da matéria e onde deve originar-se ou descobrir-se a mais ampla e elevada harmonia.

Acontece, além disso, que o ensino e o estudo da Religião sejam descuidados por alguns alunos ou considerados com suspeita e desconfiança por certos professores de outras matérias, que talvez não poupem zombarias e insinuações. E como outrora se recorria às certezas e às luzes da Ciência para ridicularizar as dúvidas e as sombras da Filosofia, agora se compara a "racionalidade" de certas noções filosóficas com o "caráter insustentável" dos mistérios. Todos podem imaginar o caos decorrente de semelhante método de ensino e de estudo. Sabem-no em demasia vossas mentes jovens, frágeis e mal preparadas.

Resultados bem diferentes seriam obtidos se o ensino de todas as matérias fosse perfeitamente ordenado e orgânico. De fato, o "corpus doctrinae" obedece, de modo semelhante, às leis de qualquer corpo vivo. Ele cresce pelo efeito no desenvolvimento interior de seus membros, que, por sua vez, encontram no todo o alimento para a própria vida. O empobrecimento interior de alguns membros ou seu crescimento desordenado provocam no resto do "corpus" perda de vitalidade, debilidade, e, como consequência, ineficácia de ação. Outro tanto sucede com os ramos do saber humano. Um crescimento desordenado não seria vantagem para o conjunto cultural, assim como também seria prejudicial a falta de distinção entre o fundamental ou principal e o acessório.

Conseguir-se-á a desejada unidade orgânica da cultura quando até o "corpus doctrinae" tiver como cabeça Cristo. "Eu sou... a Verdade", exclamou Ele um dia (Jo 14,6). Quando estudardes a natureza, lembrai-vos de que "tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada se fez do que existe" (Jo 1,3).

Quando aprenderdes História, não vos esqueçais de que não é simples relação de fatos mais ou menos sanguinolentos ou edificantes, porque nela, facilmente visível, há uma arquitetura que merece ser estudada e aprofundada à luz da universal providência divina e da inegável liberdade de ação humana. Em particular notai com que olhos bem diferentes consideraríeis os acontecimentos dos dois milênios, se partindo daqueles que foram os primeiros albores da Igreja, vos demorásseis nas grandes e insuperadas sínteses antigas e medievais, refletindo sobre dolorosas apostasias, mas sobretudo sobre as grandes conquistas modernas, e prestando atenção, cheios de confiança, nos muitos sinais de renascimento e de ressurgimento.

Mas para que esta cultura orgânica seja possível, é necessário que vosso estudo seja completo.

Primeiro na ordem do imediato apresenta-se a vós o mundo natural que impressiona vossos sentidos e move vossa curiosidade. É necessário que a natureza com suas belezas e seu fascínio atraia ainda poderosamente a juventude da geração moderna. Estendei vosso olhar até às secretas profundezas das nebulosas e a enorme quantidade das estrelas dispersas no universo imenso; parai a contemplar as maravilhas do vosso planeta, palácio real do homem; penetrai até às estruturas mais profundas do átomo e de seu núcleo. Para ler neste livro estupendo, suas soluções, suas hipóteses, seus mistérios próprios. Enquanto os pequenos presunçosos ficam satisfeitos com as poucas noções aprendidas, percebereis que irá sempre aumentando a desproporção entre o que sabeis e o que desejais conhecer. Se vossos mestres souberem dirigir-vos nesta leitura, neste estudo, ficareis pasmados com a facilidade com que se descobre em cada criatura o Criador, que por este conhecimento é glorificado e retribuir-vos-á enchendo vosso coração de felicidade.

Das ciências experimentais passai para a verdade da Filosofia, fundamento de todo saber. bem sabemos que muitas vezes, vezes demais, este estudo tão nobre e necessário se reduz a um relatório opressivo de erros provenientes de espírito perturbados e de corações desordenados. Tal estudo é certamente nocivo aos alunos, como prova a queixa cada vez mais forte e aflita da parte de pais justamente preocupados com a doutrina dos filhos. Por que se deve chamar "mestre" a quem semeia névoas de ceticismo nas mentes indefesas dos jovens? Nós não o sabemos compreender. A liberdade do intelecto consiste na possibilidade de penetrar sempre mais profundamente esta ou aquela verdade, de considerar um aspecto em lugar de outro, de formar sínteses e deduções de maior ou menor amplidão. É, portanto, uma liberdade totalmente positiva e tanto maior quanto mais iluminada e protegida contra o erro.

Será necessário, também, é claro, conhecer a história do pensamento filosófico, mas a insistência deverá ser maior sobre o estudo da realidade em todos os seus elementos e em todos os seus aspectos. Cada um deverá ser capaz de responder com precisão e clareza às perguntas que inevitavelmente vos fareis a vós mesmos ou que outros possam fazer-vos: que é, geralmente falando, a realidade? Que é, em particular, o mundo? Que valor tem o conhecimento humano?  Existe Deus? Qual a Sua natureza, e quais os Seus atributos? Que relações existem entre Ele e os homens? Qual é o sentido da vida? E da morte? Qual a natureza da alegria e a função do prazer? Que critérios devem reger as sociedades humanas, a familiar e a civil?

Para adequada resposta a tais perguntas, necessário se faz percorrer à Filosofia Perene, que, no curso dos séculos, extraordinários espíritos elaboraram e nada perdeu de seu valor objetivo e de sua eficácia didática; tanto mais quanto os desenvolvimentos dos conhecimentos científicos não se acham em oposição às teses certas desta filosofia.

Da Filosofia passai para a Ciência cujos conhecimentos derivam das doutrinas da Fé, dadas por divina revelação. Todos os cristãos, porém mais essencialmente os que se dedicam ao estudo, deveriam possuir, tanto quanto possível, uma instrução religiosa profunda e orgânica. Seriam, com efeito, perigoso desenvolver todos os outros conhecimentos e deixar o patrimônio religioso sem nada mudar, como nos temos da mais tenra infância. Necessariamente incompleto e superficial, este se veria sufocado ou talvez destruído pela cultura arreligiosa e pelas experiências da vida adulta, como o atesta tanta fé naufragada pelas dúvidas conservadas na sombra, por problemas que ficaram sem solução. Assim como é preciso que seja racional o fundamento da vossa fé, assim se torna indispensável um estudo suficiente da Apologética; e depois devereis saborear as belezas do Dogma e as harmonias da Moral; por fim, bem podereis lançar vosso olhar para além dos caminhos da Ascese cristã, mais alto, mais alto, até às alturas da Mística. Oh! Se o cristianismo aparecesse diante de vós em toda a sua grandeza e em todo o seu esplendor!

Fazei com que a verdade, conhecida e possuída, se torne norma de vida e de ação. Por ela, libertai-vos das paixões e preconceitos. Por ela, crescei no Cristo. Veritatem... facientes in caritate, crescamus in illo por omnia qui est caput, Christus (Ef 4,15).

Corre pelo mundo uma voz de renascimento, um grito de despertar: será o despertar cristão. Vós quereis uma construção nova sobre as ruínas acumuladas por aqueles que preferem o erro à verdade. O mundo deverá ser reconstruído em Jesus.

Quem se põe a imaginar insubsistentes decadências e a prever impossíveis ocasos para a Igreja, olhe para trás, para a história; reflita sobre o presente e preveja - porque não é impossível - o futuro. Lembre-se do que aconteceu a quem tentou destruir a Esposa de Cristo, veja o que está acontecendo a quem se obstina no insensato intento. Quem se levanta contra a Igreja quebrar-se-á sobre a pedra na qual Cristo, seu divino Fundador, quis edificá-la.

Jovens! Quereis cooperar no gigantesco empreendimento da reconstrução? A vitória será de Cristo. Quereis combater com Ele? Sofrer com Ele? Não sejais então juventude mole e fraca. Sede, ao contrário, juventude inflamada, juventude ardente. Acendei e propagai o fogo que Jesus veio trazer ao mundo!

Pio XII e os Problemas do Mundo Moderno, Aos estudantes dos cursos secundários de Roma, 24 de março de 1957, 

Via da Infância, Seriedade no Estudo e Santidade a partir das honradas tarefas cotidianas


S. Josemaria Escrivá

A vida de oração e de penitência, e a consideração da nossa filiação divina, transformam-nos em cristãos profundamente piedoso, como crianças diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos, e, para que o filho possa confiar-se aos braços de seu pai, deve ser e sentir-se pequeno, necessitado. Tenho meditado com frequência nesta vida de infância espiritual, que não se contrapõe à fortaleza porque exige uma vontade enérgica, uma maturidade bem temperada, um caráter firme e aberto.

Piedosos, pois, como meninos; mas não ignorantes, porque cada um deve esforçar-se, na medida das suas possibilidades, por estudar a fé com seriedade e espírito científico; e tudo isso é teologia. Piedade de meninos, portanto, mas doutrina segura de teólogos.

O empenho por adquirir esta ciência teológica - a boa e firma doutrina cristã - deve-se em primeiro lugar ao desejo de conhecer e amar a Deus. Ao mesmo tempo, é consequência natural da preocupação geral da alma fiel por descobrir o significado mais profundo deste mundo, que é obra do Criador. Com períodica monotonia, há quem procure ressuscitar uma suposta incompatibilidade entre a fé e a ciência, entre a inteligência humana e a Revelação divina. Essa incompatibilidade apenas pode surgir, e só aparentemente, quando não se entendem os dados reais do problema.

Se o mundo saiu das mãos de Deus, se Ele criou o homem à sua imagem e semelhança e lhe deu uma chispa da sua luz, o trabalho da inteligência - mesmo que seja um trabalho duro - deve desentranhar o sentido divino que já naturalmente têm todas as coisas; e à luz da fé, percebemos também o seu sentido sobrenatural, que procede da nossa elevação à ordem da graça. Não podemos admitir o medo à ciência, porque qualquer trabalho, se for verdadeiramente científico, conduz à verdade. E Cristo disse: Ego sum veritas, Eu sou a verdade.

O cristão deve ter fome de saber. Desde o cultivo dos saberes mais abstratos até às habilidades do artesão, tudo pode e deve levar a Deus. Porque não há tarefa humana que não seja santificável, que não seja motivo para a nossa própria santificação e oportunidade para colaborarmos com Deus na santificação dos quenos rodeiam. A luz dos seguidores de Jesus Cristo não deve ficar no fundo do vale, mas no cume da montanha, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5,16).

Trabalhar assim é oração. Estudar assim é oração. Pesquisar assim é oração. Não saímos nunca do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar o trato contínuo com Ele, da manhã até à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração; e todo o trabalho que for oração, é apostolado.  Desse modo, a alma se robustece numa unidade de vida simples e forte.

S. Josemaria Escrivá de Balaguer, É Cristo que Passa.

Parabéns a todos os estudantes!


Hoje é dia dos estudantes e gostaria de felicitar a este grupo que, na verdade, nos inclui a todos, pois todos estamos constantemente aprendendo. Esta abertura ao aprendizado, convicção socrática de que sabemos que não sabemos muito, é uma atitude que nos impele ao crescimento intelectual, pois nos vacina contra a soberba, e nos injeta humildade.

Lembremos, meus caros, que, como dizia Sto Tomás, estudamos para conhecer a verdade, e não somente o que pensaram os outros homens. Não estudamos para aderir a teorias rebuscadas e falsas, mas para aprender o que é correto. E este aprendizado deve contribuir para o fim último de nossas vidas, que é a nossa beatitude em Deus.

E por falar de humildade, hoje também é dia de Santa Clara que, como diz uma bela canção, foi clara de nome e de coração. E isto me faz lembrar uma expressão comumente usada pelo saudoso professor Orlando Fedeli, retirada da Divina Comédia de Dante: "com olhos claros e afeto puro". Nós, estudantes, precisamos ter os olhos claros para enxergar a verdade e o afeto puro para abraçá-la. Sta Clara destacou-se, sobretudo, pela sua adesão àquela que Francisco chamava "Senhora Pobreza". Se a soberba nos afasta radicalmente de Deus, a pobreza nos atrai irresistivelmente a Ele, que é a Suma Verdade. Daí que a pobreza dispõe a alma humana à união com a Verdade, pois os pobres são aqueles que contemplam a Deus, e são os que têm os olhos claros e o afeto puro.

Que Deus nos conceda sempre um amor apaixonado pela verdade, e uma profunda humildade para bem servi-Lo e para bem estudar.

A todos estes que labutam em busca da verdade, feliz dia dos estudantes. Que a Virgem Santíssima, que guardou a própria Verdade em Seu seio, nos ensine também a fazê-lo.

Pax.

Fábio.

Concílio Dogmático de Trento - agora disponível, na íntegra, pela Net


Fiquei a saber agora, pelo Angueth, e divulgo a felicíssima notícia de que os documentos do Concílio Dogmático de Trento, na íntegra, podem ser acessados e lidos. E é muito importante que o sejam. Dizia Nosso Senhor que a Verdade liberta. Pois bem. Aí ela é dita de forma inequívoca; tal leitura poderá servir como remédio e antídoto contra os erros que hoje transitam livremente, até pelos meios eclesiásticos.

A leitura é meio cansativa, já que o livro foi digitalizado. Mas vale muito a pena. Quem dispuser de tempo, mãos à obra e boa leitura. Para acessar, cliquem aqui.

Sobre a Liberdade de Ensino - Mons. Marcel Lefebvre


Farei-lhes admirar as moles e açucaradas virtudes liberais, superando-se uma à outra em hipocrisia: falta de senso, covardia e traição dão-se as mãos para cantar em coro, como nas ruas de Paris em junho de 1984, o "Cântico da Escola Livre":

"Liberdade, liberdade, tu és a única verdade".

O que falando claramente, significa: "não vos pedimos mais que a liberdade, um pouquinho de liberdade para nossas escolas; assim nada teremos a censurar à liberdade de ensino laica e obrigatória, à liberdade do quase monopólio da escola marxista e freudiana. Continuai tranqüilamente a arrancar Jesus Cristo das almas, denegrindo a pátria, manchando nosso passado no espírito e no coração de 80% das crianças; por nossa parte cantaremos glórias aos méritos da tolerância e do pluralismo, denunciaremos os erros do fanatismo e a superstição; em resumo, faremos apreciadores dos encantos da liberdade, aos 20% que nos restam".

Deixo agora aos papas a responsabilidade de nos mostrar a falsidade desta nova liberdade e a armadilha que ela constitui para a verdadeira defesa do ensino católico. Inicialmente vejamos a sua falsidade:

"Quanto ao que se chama liberdade de ensino, não se deve julgar de outra maneira: não há dúvida de que somente a verdade deve ser dada às almas porque nela se encontra o bem das naturezas inteligentes, seu fim e perfeição; de modo que o ensinamento só pode ter por objeto as coisas verdadeiras, e isso tanto para os instruídos como para os ignorantes, para dirigir uns ao conhecimento da verdade e conservá-la nos outros. É, portanto sem dúvida dever dos que ensinam, livrar as inteligências do erro e fechar o caminho que conduz a opiniões enganosas. Por aí se vê quando repugna à razão esta liberdade de que tratamos e como nasceu para perverter radicalmente os entendimentos ao pretender ser lícito ensinar tudo segundo seus caprichos; licença esta que a autoridade nunca pode conceder ao público, sem infringir seus deveres. Principalmente porque a autoridade do professor tem grande influência sobre os ouvintes e é muito raro o aluno poder julgar, por si mesmo, se é ou não verdade o que explica o professor. Portanto, é necessário que esta liberdade não saia de certos limites para ser honesta, para que não suceda impunemente que a faculdade de ensinar se transforme em instrumento de corrupção" (Leão XIII, "Libertas" PIN. 209/10; e "E giunto" PIN. 240.).

Guardemos pois estas palavras do papa: o poder civil não pode dar nas escolas chamadas públicas o direito de ensinar Marx e Freud, ou o que é pior, dar licença de ensinar que todas as opiniões e doutinas têm igual valor, que nenhuma pode reivindicar a verdade para si, que todas  devem tolerar-se mutuamente; isto constitui a pior das corrupções do espírito: o relativismo.

Do Liberalismo à Apostasia, Mons. Marcel Lefebvre, Capítulo XII.
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