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Inquisição II - A Inquisição na França



      I.                   Resumo histórico
II.                Apreciações

I.       A Inquisição foi instituída na França nos princípios do século XIII. Apresenta-se menos como a obra da Igreja, do que do tempo e das necessidades da época. Houve um como período preparatório de setenta anos (1160-1229) durante o qual a idéia de um tribunal se elaborava, no meio-dia da França, para reprimir as desordens das seitas heréticas. De 1229 a 1350 vemos que está em pleno exercício.

As províncias meridionais sofriam grandemente das perturbações causadas pela heresia dos Albigenses. Esta seita não atacava somente os dogmas católicos, ressuscitando os antigos erros dos maniqueus; mas perturbava toda a ordem social, saqueando e assolando, cometendo toda a sorte de exações e violência, a tal ponto que Filipe Augusto teve que organizar uma cruzada contra ela, depois do assassinato do legado do Papa, Pedro de Castelnau (1208), crime de que foi acusado o conde de Tolosa, Raimundo VI.

À voz do Papa Inocêncio III, todos os senhores do Norte alistaram-se e precipitaram-se sobre o Meio-Dia, sob comando de Simão de Montfort. A luta foi terrível; a cidade de Béziers foi tomada e destruída e todos os habitantes foram mortos. Depois de uma paz humilhante, Raimundo pegou de novo em armas e foi vencido em Muret (1213); mas o Languedoc e a Provença sublevaram-se a favor do filho dele, e a guerra acabou só em 1229, debaixo da menoridade de são Luiz.

A seita, vencida pelas armas, nem por isso deixou de prosseguir nas suas devastações e nos seus ataques contra a Igreja e as coisas santas. Para acabar com essas desordens, alguns tribunais da Inquisição foram estabelecidos especialmente em Albi, Carcassone e Tolosa. De seu modo de funcionar e suas sentenças ficam documentos felizmente recolhidos, que permitem determinar nitidamente a verdade. (1)

A Inquisição, na França, apresenta-se com o duplo caráter de ser ordenada pelos concílios e exercida pelos bispos: é uma Inquisição episcopal.

Desde 1163, o concílio de Tours, presidido por Alexandre III em pessoa, tratando da questão dos Albigenses, reconheceu a necessidade de reprimi-los com penas temporais, e pediu aos príncipes que prendessem os hereges notórios e os castigassem com a confiscação dos bens.

O concílio de Latrão, dezesseis anos mais tarde, editou que os príncipes tinham o direito de submeter os hereges à servidão. Em 1883, o de Verona ordenou a busca dos hereges pelo bispo diocesano, e os oficiais da autoridade civil tiveram que comprometer-se a observar também este decreto. É debaixo desta forma que começou a Inquisição episcopal em Tolosa, em 1229, regulamentada por um concílio cujos cânones tornavam definitivo e regular o tribunal encarregado de procurar e reprimir os hereges.

Em 1233, as funções inquisitoriais passaram aos Dominicanos, cujo santo fundador fora um dos primeiros assessores do tribunal de Tolosa e empregara contra os hereges a brandura, a persuasão e a oração, muito mais do que a repressão coercitiva.

A persuasão, as penas salutares e medicinais foram os meios sempre aconselhados pela Igreja, especialmente recomendados por Inocêncio IV, e devemos acrescentar, geralmente aplicados pela Inquisição na França.

A isenção da pena de morte, da prisão perpétua, do exílio, da confiscação dos bens, era garantida ao acusado que se apresentava no prazo fixado, chamado tempo de graça (Concílio de Béziers, 1246).

As penas ordinariamente infligidas eram: a pena cominatória da excomunhão; as penas menores, consistindo em obras pias, esmolas e romarias; as penas infamantes: a flagelação, a cruz ou qualquer outro emblema, que o herege era obrigado a trazer sobre a roupa; e enfim as penas maiores, a confiscação dos bens, a prisão, a morte pela fogueira. Destas últimas os casos foram raríssimos. (2)

Depois da extinção da heresia dos Albigenses, a Inquisição na França aparece apenas em dois processos: o dos Templários em Sens, debaixo de Filipe o Belo, e o de Joana d’Arc, em Ruão, em 1431.

II.    Foi a Inquisição, na França, isenta de qualquer exprobação de intolerância, severidade, fanatismo? – Pretendê-lo seria, sem dúvida, desconhecer a natureza humana, raras vezes isenta de abuso e paixão, quando se trata de combater o erro complicado de revolta e de ataque à paz social.

Falando da cruzada contra os Albigenses, um judicioso escritor do século XVIII, Bergier, escrevia: “Sabemos que, logo que se puxa da espada, julga-se com direito a tudo, que um ato de crueldade torna-se um motivo para represálias sangrentas. – É o que se viu em nossas guerras civis do século XVI: certamente os homens não foram mais moderados no século XIII. Não pretendemos nem tampouco sustentar que é louvável ou permitido perseguir a ferro e fogo hereges cuja doutrina em nada lesa a ordem e a tranqüilidade públicas, e cujo procedimento é aliás pacífico; a questão é de saber se os Albigenses estavam neste caso.”

Ora, segundo todos os dados históricos, parece inegável que os Albigenses espalhavam, em todo o meio dia da França, o incêndio, o saque, o homicídio, ao mesmo tempo que a heresia e o insulto às coisas mais sagradas. A ordem pública, na idade média, era a ordem social cristã. A Igreja e o Estado tinham o direito e o dever de o defender contra a desordem e o crime.

Houve penas aflitivas, castigos, sem dúvida, represálias. Será isso uma razão suficiente para afirmar, como um fato averiguado, “a horrível história da Inquisição dominicana que cobriu de fogueiras o meio-dia da França”? – Tal não é o parecer de historiadores que não se podem contudo acoimar de clericalismo, nem tampouco de sentimento cristão.

“Os Albigenses, diz Michelet, não eram sectários isolados, mas uma igreja inteira, que se formara contra a Igreja. Em toda a parte onde eram senhores, destruíam e queimavam as cruzes, as imagens e as relíquias dos santos e maltratavam o clero”. (3)

A república cristã, portanto, defendia-se contra a heresia, e defendia-se com as armas que a lei lhe dava naquela época. Não era somente a Igreja, era o Estado cristão que vingava o ultraje feito à ordem social, e antes de aparecer nos estatutos da Inquisição, as penalidades contra os hereges obstinados e perigosos estavam exaradas nas ordenanças do imperador Frederico II da Alemanha, assim como, mais tarde, nas de Fernando da Espanha.

Um historiador protestante da América proclama isso num livro recente (4): “A Inquisição não foi uma organização arbitrariamente concebida e imposta ao mundo cristão pela ambição e pelo fanatismo da Igreja. Foi antes o produto de uma evolução natural, poder-se-ia quase dizer necessária, das diversas forças em ação no século XIII.” E em outro lugar, acrescenta:Os inquisidores preocupavam-se muito mais em converter do que em fazer vítimas... Estou convencido de que o número de vítimas que pereceram nas fogueiras é muito menor do que se julga ordinariamente. Entre os modos de repressão empregados em conseqüência das sentenças inquisitoriais, a fogueira foi relativamente o menos usado.”

Segundo o mesmo autor, Bernardo de Caux, que exercia a Inquisição no país de Tolosa, nos meados do século XVI, e foi alcunhado o martelo dos hereges, não entregou um só deles ao braço secular. Bernardo de Guy, de 1308 a 1323, no espaço de quinze anos, pronunciou 637 condenações, das quais só quarenta a penas capitais. A respeito dos oitenta hereges que o conde Raimundo de Tolosa mandou queimar perto de Agen, em 1248, Léa se apressa em dizer que “se aqueles desventurados tivessem sido julgados pela inquisição, nenhum deles teria sido condenado à fogueira” (5)

É à luz da verdade imparcial e leal que convém estudar e julgar este lado, muitas vezes falseado, da história francesa. Não é necessário carregá-la com as cores rubras da lenda. É bastante que tenhamos que lamentar os excessos da Inquisição sem de propósito enegrecer o quadro. Concluamos lealmente que se a Igreja e os príncipes tiveram razão em defender a verdade e a ordem social, não o tiveram em exceder na repressão.

(1)   Sobre a Inquisição no Sul da França, consultar o estudo feito em 1880, pelo senhor Molinier, sobre as Sources de son histoire; em 1881, pelo padre Douais (mais tarde, bispo de Beauvais) sobre o mesmo assunto. – L. Tanon, Histoire des tribunaux de l’Inquisition en France (1893), estudo principalmente jurídico.
(2)   Manuscrito do Clermont-Ferrand, nº 136 da biblioteca da cidade.
(3)   Michelet, Histoire de France.
(4)   Henrique-Carlos Léa, Histoire de l’Inquisition au moyen age, tradução de Salomon Reinach, t. I. Origem e autos da Inquisição 91900) – O espírito desta obra é profundamente sectário e hostil à Igreja Católica. Nela contudo encontram-se muitas vezes páginas imparciais. (Études religieuses, nº de 5 de fevereiro de 1901.)
(5)   Citações feitas na câmara dos deputados na França pelo padre Gayraud, sessão de 24 de janeiro de 1901.

Pe. Cauly, Curso de Instrução Religiosa, Apologética Cristã, Tomo IV, pp. 372-377.

Inquisição I - A Inquisição Eclesiástica



Inicio aqui uma série de artigos sobre a Inquisição, visto ser este um tema polêmico, distorcido sem fim e instrumentalizado como meio de difamação da Santa Igreja. Como é coisa muito falada, a grande maioria das pessoas – inclusive dos católicos - , por causa de uma ingênua credulidade, isentam-se de querer aprofundar-se no que dizem as verdadeiras fontes históricas. Muitos há, ainda, que resistem a uma sincera conversão por coisas do tipo. Retiremos, portanto, a pedra de impedimento.

Os artigos a seguir são de autoria do Pe. Cauly. Alguns objetarão que se trata da “versão” de um padre. No entanto, ainda assim eu desafio os questionadores à leitura, pois este padre recorre às fontes e demonstra, no confronto das versões históricas, uma sinceridade cristalina, não temendo admitir certos pontos dignos de censura. Ao leitor, pedimos o esforço de uma leitura sóbria, isenta de paixões. Depois, ele deverá sentir-se à vontade para fazer suas averiguações desde que, advertimos, se busquem fontes sinceras e autores sérios, não necessariamente católicos, claro. Os itálicos são do original. Os negritos, meus. Boa leitura.

***
A Inquisição – Parte I

Como prova da intolerância da Igreja, invoca-se muitas vezes a Inquisição. Entre todas as acusações amontoadas pelos autores protestantes, pelo filósofos ímpios do século XVIII, e pelos inimigos do catolicismo do século XIX, não há talvez nenhuma que fosse tão propagada e arraigada nos espíritos como a de uma pretensa Inquisição, monumento histórico de violências e de crueldades praticadas pela Igreja católica para violentar as consciências.

A dar fé nos romancistas e em certos historiadores em que o espírito de partido abafa a sinceridade, a Igreja se teria encarregado de fornecer vítimas aos carrascos; para elas, teria inventado indizíveis torturas; teria assistido aos autos de fé, e acrescentado às últimas dores dos supliciados a ironia de seus salmos.

Que se deve pensar dessas graves acusações dirigidas contra a Igreja? São suficientemente provadas? São realmente da responsabilidade da Igreja Católica? Importa desenredar o erro da verdade, e, para fazê-lo com ordem, diremos:

1º o que é a Inquisição Eclesiástica, e qual é o seu papel;
2º falaremos da Inquisição na França;
3º daremos a conhecer a Inquisição Espanhola;
4º examinaremos o valor das censuras que se dirigem contra esta, dizendo qual é a parte que cabe à Igreja.

Inquisição Eclesiástica

I.                   Origem e instituição deste tribunal
II.                Seu fim e sua história.

I.       Chama-se Inquisição romana ou eclesiástica um tribunal estabelecido em Roma para conhecer especialmente do crime de heresia e pronunciar sobre a culpabilidade dos acusados. Este tribunal, chamado do Santo Ofício, remonta ao Concílio de Verona (1184). No ano de 1204, o papa Honório III aprovou-o e dele se serviu no fim de reprimir os Albigenses e Valdenses. O concílio de Latrão, em 1215, e o de Tolosa, em 1229, fizeram da Inquisição um tribunal permanente, mas que só foi definitivamente constituído em 1233, pelo papa Gregório IX na sua bula Ille humani generis. Em 1255, na conferência de Melun, o rei de França, são Luiz, deu-lhe uma sanção temporal.

A Inquisição primitiva, confiada à ordem de São Domingos, devia efetuar a obra da conversão dos hereges pela oração, pela paciência e pela instrução. Mas estes meios, tornando-se muitas vezes improfícuos pela má fé e pelo espírito de revolta dos sectários, o poder civil e o poder eclesiástico igualmente ameaçados, uniram-se contra o inimigo comum; o poder eclesiástico prestava seu concurso para verificar o crime, e o poder civil encarregava-se dos culpados e aplicava o castigo.

A Inquisição, sucessivamente estabelecida no Languedoc, na Provença, na Lombardia, em 1224; em seguida na Catalunha, no Aragão, na Toscana, o foi no ano de 1289, em Veneza, onde veio a ser uma instituição política desde 1254.

Com a mesma qualificação, aparece na Espanha em 1481, pela iniciativa de Izabel e de Fernando, e em 1506 em Portugal, às instâncias reiteradas de D. João III.

II.    O tribunal da Inquisição Romana ou Eclesiástica, limitando-se a pronunciar sobre o fato da heresia, do mesmo modo que os tribunais ordinários pronunciam sobre a realidade de um crime qualquer, foi, no ponto de vista do direito, uma instituição justa e sábia, em harmonia com os princípios que então regiam as sociedades cristãs. Com efeito, uma das principais obrigações dos papas e dos bispos é manter a integridade da fé católica, em virtude da autoridade de que são revestidos por Cristo. Ora, o cumprimento deste dever os obriga, por uma parte, a verificar os erros e, por outra, impedir a propagação deles, quer por via de persuasão e brandura, quer, se for preciso, por meio dos castigos [o leitor não associe de imediato estes castigos à tortura]. Ora, tal é o fim da Inquisição eclesiástica. Criando esta instituição, a Igreja usava de seu direito, assim como o faz notar o sábio cardeal Hergenroether: “perante os perigos a que as seitas expunham a ordem civil assim como a ordem eclesiástica, perante a anarquia e a imoralidade que elas semeavam por todos os lados, a sociedade cristã tinha que valer-se dos meios mais extremos para se livrar daquela peste moral, preservar do contágio a parte sã do povo, amputar os membros mortos e gangrenados” (1)

Em relação aos fatos, foi um tribunal de reconciliação antes do que de severidade. Nenhum tribunal se houve com mais benignidade. Temos como prova disso o célebre processo dos Templários de França; esses acusados pediram expressamente que fossem julgados pela Inquisição, “porque sabiam muito bem, dizem os historiadores, que se alcançassem tais juízes, não podiam mais ser condenados à morte”. Filipe o Belo indeferiu o pedido.

“O tribunal da Inquisição, diz Cesar Cantú, pode ser considerado como um verdadeiro progresso, porque se substituía às matanças mais ou menos gerais e aos tribunais sem direito de graça, inexoravelmente aferrados ao texto da lei, tais como os que estavam instituídos pelos decretos imperiais. Este tribunal admoestava por duas vezes antes de empreender qualquer devassa e ordenava a prisão só dos hereges obstinados e dos relapsos; aceitava o arrependimento e contentava-se com castigos morais, o que lhe permitiu salvar muitas pessoas que os tribunais ordinários teriam condenado. (2)

É verdade que, segundo as decisões de Inocêncio IV, em 1252, a tortura devia ser empregada nos tribunais da Inquisição, como o era nos tribunais seculares da Europa. Esta censura, pois, não pôde ser particular à Inquisição romana; e é certo que as disposições mais minuciosas foram aliás estatuídas pelos papas, para impedir os abusos de força.

Fora dessa censura geral, ninguém pode pôr na conta da Inquisição uma só condenação capital historicamente provada. Sim, sem dúvida, por mais de uma vez deu seu parecer a respeito do crime de heresia, e então, segundo a legislação civil da época, aplicavam-se ao criminoso as leis que estatuíam a este respeito. Mas com que misericordiosa indulgência a Igreja tratava o culpado, procurando inspirar-lhe o arrependimento para poder conceder-lhe o perdão!

Tudo quanto os inimigos da Igreja romana puderam respigar contra ela, resume-se no processo de Galileu, e em dois ou três fatos falsamente atribuídos à Inquisição romana. Mas nem a execução de João Huss e de Jerônimo de Praga, depois do concílio de Constança, em 1415 e 1416, nem a de Jerônimo Savonarola, em 1498, podem ser imputadas à Inquisição romana. A história imparcial e verídica deixa todas as responsabilidades, para as primeiras ao imperador Sigismundo e à obstinação desses dois hereges, e foi às paixões políticas que agitavam Florença que Savonarola deveu principalmente o seu suplício, aliás ordenado pela autoridade civil.

Em 1600, Giordano Bruno, reconhecido como herege e obstinado pelo Santo Ofício, foi entregue ao tribunal secular do governador de Roma. As leis castigavam seu crime com a morte, e o culpado devia ser queimado vivo. Contudo, não é certo que a condenação tenha sido executada de outro modo que em efígie. (3)

Os que estudaram um pouquinho de direito e de história da Igreja, conhecem este axioma da Religião católica: a Igreja aborrece o sangue! Sabem que é proibido a um sacerdote de ser cirurgião, porque não deve derramar o sangue, nem para curar. Sabem que o sacerdote nunca ergueu cadafalso, e que, em todos os pontos do globo, não derramou outro sangue senão o próprio, como nota de Maistre.

“A Igreja, diz por sua vez Pascal, aborrece tanto o sangue, que julga ainda incapazes do ministério dos seus altares os que teriam assistido a uma condenação à morte”.

É pois com razão que pôde concluir de Maistre:

“A Inquisição, por sua natureza, é boa, branda e conservadora: é o caráter indelével de qualquer instituição eclesiástica; vós o vedes em Roma e haveis de encontrá-lo por toda a parte em que a Igreja exercer a autoridade. Mas se o poder civil, adotando esta instituição, julga oportuno, para a própria segurança, torná-la mais severa, a Igreja disto não responde mais” (4)

(1)   Hergenroether, Histoire de l’Église, t. IV, p. 247.
(2)   Histoire Universelle, t. XI, cap. VI.
(3)   Revue des questions historiques, Julho de 1887. Estudo de H. de l’Épinois sobre Giordano Bruno. – Desdouits, professor de filosofia no Lyceu de Versalhes, sustentou a negativa num importante trabalho.
(4)   1ª Carta a um fidalgo russo sobre a Inquisição.

Pe. Cauly, Curso de Instrução Religiosa, Apologética Cristã, Tomo IV, pp. 367-372.

A Prostituta do Apocalipse - A Igreja?

Assistam até o final. Na primeira parte, alguns protestontos ficam dando uma aula de tontice. Somente depois é que o negócio é desmentido e explicado. Protestantes, larguem de mentiras! Se convertam.

Recomendação - Download de Livros


Pessoal, passo aqui para deixar uma veemente recomendação: o blog do professor Angueth, já há algum tempo, disponibilizou os links de download de vários livros e artigos que são essenciais aos católicos. Lembro-lhes que um dos aspectos responsáveis pela crise dos nosso tempos é a falta de conhecimento e de preparo intelectual. Sendo assim, boas leituras são imprescindíveis. Baixem os livros, leiam-nos e depois juntem-se a este bom combate da Fé. Que a Virgem Santíssima esteja conosco. Para ir à pagina, cliquem aqui. Pax.

Livro para baixar: Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes


Nota do blogue [A Grande Guerra]: Segue mais um livro do Padre Júlio Maria de Lombaerde,Luz nas Trevas ou Respostas irrefutáveis às objeções protestantes, agradeço ao blogue Leituras Católicas pela digitalização dessa obra.

Divulguem!

Saudações,
A grande guerra
(Clique no título acima para baixá-lo)

ou
Respostas irrefutáveis às objeções protestantes
pelo
Padre Júlio Maria de Lombaerde S.D.N
1955

Carta do Exmo. Sr. D. Carloto Távora ao autor

Meu caro Padre Júlio Maria. Em resposta à carta de S. Revma., pedindo-me oImprimatur de seu novo livro: “Respostas irrefutáveis às objeções protestantes”, mando-lhe, com a licença pedida, meus sinceros parabéns pela feliz idéia de reunir em volume uma série de polêmicas já publicadas em O Lutador. Estasrespostas têm sido muito apreciadas pelos católicos e pelos protestantes, e conheço de perto o bem que elas têm feito, e as conversões que têm operado. Estas respostas são, de fato, irrefutáveis, porque são todas tiradas da sagrada escritura; e negá-las seria negar a própria Bíblia. O fundo de sua argumentação é doutrinal, substancial, como a forma é alerta, e de uma sinceridade comunicativa. Tenho a certeza que as suas polêmicas continuarão a fazer o bem às almas: aos católicos, dando-lhes armas sólidas para combaterem a impiedade e o erro; aos protestantes, mostrando-lhes o sentido exato da Bíblia, os erros da interpretação individual e a segurança da interpretação eclesiástica. Peço ao bom Deus abençoar o seu zelo de apóstolo do bem e da verdade.

Sou com toda estima de V.Rema. humilde servo,
† Carloto, bispo de Caratinga.

Refutação Protestante III - Resposta a uma pergunta sobre a Imortalidade da Alma


Moisés envolto em glória aí é o melhor.. kkkk


Sobre o post a respeito da mediação entre Deus e os homens, um anônimo me questionou o seguinte:

"No seu texto o Senhor diz:

"eu gostaria de afirmar que também os protestantes utilizam de mediadores. (....) é a que se faz a partir dos "pastores" de suas denominações. Ora, se não houvesse, estritamente, mediação, tampouco um pastor seria requerido"

" os "crentes" amam pedir que ele (O Pastor da Congregação) reze por eles."

Eis aí uma diferença escandalosa entre os Evangélicos e Católicos.

Nenhum evangélico nega a possibilidade de um crente interceder por outro. Agora se o Pastor da congregação ou algum irmão morrer eles não ficam orando:"Pastor Fulano, Rogai por nós que recorremos a vós". "Irmão ABC, rogai por nós pecadores, agora e na hora de minha morte"Isso porque eles acreditam que: "os vivos sabem que morrerão, mas OS MORTOS NADA SABEM". Eles NÃO ACREDITAM que os mortos podem escutar orações e interceder junto à Yeshua Ha Mashiach. Já a crença CATÓLICA E ESPÍRITA acredita que a alma dos mortos podem escutar as orações e nos ajudar. - Os católicos acreditam que as almas escutam orações através da comunhão dos santos (Almas que estão na gloria, no purgatorio e os vivos que estão em estado de graça santificante se unem por um laço de caridade que não se rompe com a morte).- os espiritas também acreditam que a alma dos que morreram podem escutar nossas orações e nos ajudar com noticias do mundo dos mortos. Tipo o Gasparzinho ( o Fantasminha Camarada kkk)Como leitor do seu blog eu achei esse seu texto incompleto e incapaz de fazer qualquer evangélico entrar numa crise com relação à fé. Pelo que eu conheço das duas doutrinas todo a diferença entre Católicos e Evangélicos está no fato PÓS-MORTE. Enquanto a igreja romana acredita que as almas dos que morreram podem escutar as orações dos vivos os Evangélicos creem que OS MORTOS NADA SABEM A RESPEITO DOS VIVOS.

Obs: não professo nenhuma religião pois no meio de tantas verdades doutrinárias irrefutáveis é impossível saber quem diz a verdade. Apenas gosto de ler e ver videos a respeito sobre o que acontece ao homem depois da morte. 

A melhor explicação que obtive até agora foi desse video:


**

Caro anônimo,

Primeiramente, eu gostaria de dizer que apreciei a sua pergunta, pois ela trata de um tema sobre o qual eu ia escrever posteriormente. Eu havia pensado nele quando escrevi o artigo sobre a mediação, mas não quis entrar nele  naquela ocasião para não me estender demasiado. Que bom poder antecipá-lo agora.

Depois, você me chama de "o Senhor", rsrs... eu sei que foi engano, mas ficou engraçado rsrs

Sobre o que eu tinha mencionado a respeito de um protestante entrar em crise com a sua fé, eu me referia, não somente a este ponto das mediações, mas também ao outro, que escrevi depois, que consiste numa crítica à Sola Scriptura. Ambos são bases do protestantismo e, combinados, creio poderem já causar bastante mal estar num protestante sincero.

Mas vamos a esta tua questão de agora.

Você faz uns certos gracejos mas, no geral, me aponta que a problemática está no Pós-Morte. Para os católicos, a alma é imortal. Para os protestantes - não todos - nada resta do homem depois da morte. Por fim, você me apresenta dois vídeos aos quais fiz, novamente, questão de assistir. Irei comentá-los já já. Antes, porém, eu pediria que, ou você ou outros, optassem por me enviar os argumentos por escrito, pois alguns desses videos são longos e é uma coisa meio cansativa. Outro rapaz me enviou um documentário inteiro dividido em oito partes. Nem sempre eu terei tempo para assistir esses videos. Mas dessa vez, eu vi.

Bom. Para começar a te responder a questão, primeiramente quero dizer que, embora você não tenha uma religião definida, você mostra assumir certos pressupostos protestantes, como a premissa falsa de que tudo estaria na Bíblia. Como demonstrei no post anterior, a simples crença na autenticidade da Bíblia supõe necessariamente a crença na autoridade que formou a lista dos livros canônicos. Ora, se uma coisa supõe necessariamente a outra, não há que se eleger uma e excluir absolutamente a outra. Fazê-lo seria incorrer numa contradição lógica. É óbvio que a verdade já não estaria aí.

Se podemos recorrer a fontes extra-bíblicas, a coisa ficaria melhor demonstrada. Saiba, caro anônimo, que a imortalidade da alma pode ser demonstrada pela própria Filosofia.

Ainda se utilizando de argumentos extra-bíblicos, eu pego um ponto levantado no primeiro video que você me envia, e que pareceu-me tratado de modo muito vulgar. Um dos rabinos (se for assim que se chama...) mencionou a questão das experiências de quase morte e, na descrição do fenômeno, ele foi extremamente simplista. Se aquilo pretende ser um negócio sério, deveria tratar com maior seriedade os que lhes acompanham os programas. Nestas experiências, que o rapaz lá reduz a meros sonhos, a coisa é bem mais complexa do que o que é dito. Se fosse somente um sonho, este poderia tratar de qualquer coisa no universo, e não necessariamente de pessoas que já morreram. Depois, considerando as possibilidades dentro deste pequeno recorte de que aquilo seria um mero sonho sobre a outra vida, nós nos depararíamos com visões, não somente de mortos, mas de alienígenas, de cometas, e de coisas semelhantes, a depender da pessoa. No entanto, se você for pesquisar isso aí, verá que a coisa apresenta uma uniformidade bem maior. Depois, em vários desses casos - que são muitíssimos - a pessoa em questão, quando "volta", começa a descrever coisas que aconteceram em outras salas, ou na rua, simultaneamente à sua "quase morte" e que podem ser facilmente comprovadas. Isso, obviamente, não pode ser tido como mero sonho. Enfim, o negócio é complexo e eu não pretendo encerrar o assunto, até porque minha leitura sobre isso é pouca; mas eu posso assegurar que aquilo que se dizia no primeiro video se assemelha a conversa de menino; é coisa típica de quem apela.

Além deste, grande parte dos outros pontos discutidos aí são também levantados no outro video. Vejamos alguns.

Uma coisa interessante é que, toda vez que a mulher lá lê alguma passagem que contenha a palavra "inferno", ela assume o papel de limite hermenêutico, afirmando que esse termo quer significar a sepultura. Na prática, é como se, quando uma pessoa fosse ler aquelas passagens, tivesse de apelar para algo extra-bíblico, uma suposta autoridade que afirmou que inferno e sepultura, na linguagem bíblica, são sinônimos. Ela simplesmente demonstra sem perceber a necessidade de uma autoridade para que se interprete a bíblica de modo correto. E como eles abriram mão das legítimas autoridades, adquiriram o hábito de se auto-erigirem em tais. "Cegos guiando cegos" (Cf Lc 6,39)

Toda vez que os protestantes tratam sobre este assunto, a gente percebe que há um excesso de passagens provindas do Eclesiastes, e explico o porquê. Quem se detiver a ler o livro de Eclesiastes verá uma crítica profunda à vaidade do mundo e a afirmação veemente da efemeridade das coisas. O autor deste livro busca, então, inculcar esta verdade: tudo passa. Essa é a ênfase que ele dá. Ricardo de S. Victor, num dos seus comentários ao Cântico dos Cânticos faz uma interessantíssima observação: há uma gradação de livros. Temos, antes, o livro dos Provérbios que começa a nos despertar para a prática do bem e a renúncia do mal, o que nos eleva. Depois, com o livro do Eclesiastes, aprendemos o desapego do que passa. Por fim, agindo de modo moralmente correto e desapegados do mundo, estamos aptos para entrar no convívio amoroso com o Esposo, de que trata o livro dos Cânticos, posterior ao de Eclesiastes. É por isso, rapaz, que se estudam os estilos literários e os contextos históricos: para que, de suposições não se façam certezas, como no caso dessa senhora do video. É natural, portanto, que o livro do Eclesiastes reafirme, diversas vezes, essa mesma idéia.

Em segundo lugar, a revelação de Deus ao mundo foi progressiva. Paulo mesmo afirma isto: "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas." (Hb 1,1-2). Nem sempre, portanto, houve total clareza a respeito das coisas, rapaz. E o autor do Eclesiastes, não obstante afirme diversas vezes que o homem volta ao pó e que nada resta e não sei que mais, ele também diz não saber de certeza: "Quem sabe se o alento de vida dos humanos ascende ao alto e se o alento de vida da fera desce à terra?" (Ecle 3,21). Agora, é muito interessante ver que todos esses que negam a imortalidade da alma, escolhem sempre certos trechos e ignoram de todo vários outros a fim de enganar os incautos. Você, caro anônimo, considera isso sincero?

Sobre o termo morte, é evidente que muitas vezes, na Sagrada Escritura, ela se refere ao inferno, e não precisamente à morte física. Jesus afirma isso, demonstrando, além dos diversos sentidos da palavra morte, também a independência que a alma tem do corpo. Vejamos:

"Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer. Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este." (Lc 12,4-5)

O que notamos aqui? Primeiro, que Jesus aconselha a não ter medo de quem pode matar o corpo e fazer só isso. Oras, mas segundo o argumento da mulher do video, só há essa morte e, depois disso, nada mais há. No entanto, Jesus diz que é possível fazer algo mais depois de matar. E ele diz o que é: "lançar no inferno". Será que "inferno" aqui significa realmente sepultura? Se fosse, qualquer assassino teria o poder de mandar ao inferno, rsrs... É óbvio que Jesus fala de algo pós-morte.

E Ele ainda se refere ao inferno em vários momentos:

"O Demônio, sedutor delas, foi lançado num lago de fogo e de enxofre, onde já estavam a Fera e o falso profeta, e onde serão atormentados, dia e noite, pelos séculos dos séculos." (Ap 20,10) Veja que eles não serão simplesmente destruídos, mas atormentados dia e noite.

Em várias outras passagens, Jesus fala do fogo inextinguível (Cf Mt 25,41 e Mc 9,43-44) e dos excluídos que serão lançados onde haverá choro e ranger de dentes (Cf Mt 13,42; 22,13; 24,51; Lc 13,28). Ora, só chora e range os dentes quem está vivo, rapaz.

Vamos a outras evidências de que a alma sobrevive à morte do corpo.

Na Transfiguração do Senhor, os Apóstolos vêem Elias e Moisés com Jesus. Mas eles haviam morrido... ou não? E, no entanto, eles aparecem, ao ponto de Pedro dizer, motivado mais pelo medo, que era bom estar ali, pois então poderia fazer três tendas. (Cf Mc 9,2-5). Dizer que isso foi uma visão do futuro que os Apóstolos tiveram é só mais uma evasiva. Além disto, quando surge a voz divina, ela se pronuncia no tempo presente: "Este é o meu Filho Amado; ouvi-o". Se se tratasse do futuro, no céu, essa ordem seria desnecessária.

Vamos a outra. Na morte do Senhor, após a declaração de Fé de um dos ladrões que morriam com Ele, Jesus lhe promete: "ainda hoje estarás comigo no Paraíso". Contra isso, até hoje eu só vi dois argumentos. O primeiro, totalmente sem cabimento, diz que o ladrão não podia ir naquele dia pelo simples fato de não ter morrido na mesma sexta (???!!!). Para defender esta idéia estapafúrdia, esses "inteligentes" citavam a Bíblia, onde se lê que, por ser perto de um Sábado particularmente solene, os soldados lhes quebraram os joelhos e, depois, lhes tiraram da cruz. Acontece que eles não foram tirados vivos, como pretendem esses senhores que vi. O fato de quebrar os joelhos era justamente para acelerar a morte, pois o joelho é o principal ponto de apoio de um crucificado. Sem ter onde se apoiar, ele morria rapidamente, asfixiado. 

A segunda tentativa de fuga é dizer que, no original grego, não há pontuação, pelo que Jesus teria dito algo assim: "Eu te afirmo hoje estarás comigo no Paraíso". Segundo estes intérpretes "muito sinceros", a forma correta de entender seria: "Eu te afirmo hoje, estarás comigo no Paraíso". Fica claro que a virgulazinha ali é o que há no mundo de mais arbitrário! Além disto, é claro que Jesus tinha de dizer naquele dia, pois Ele ia morrer. Isso era óbvio. Do contrário, o ladrão poderia até brincar: "pensei que ia me dizer amanhã...". Não. Obviamente, Jesus diz que, ainda naquele dia, o ladrão estaria no Paraíso. Além de tudo, era muito doloroso falar alguma coisa na Cruz. É claro que Jesus não ia pôr um "hoje" apenas para fins retóricos. 

Mas, no caso de ainda ficar alguma dúvida, vejamos o que Paulo pensa da morte:

"Pois para mim a vida é Cristo e a morte um lucro. Porém, se o viver na carne significa para mim trabalho fecundo, não sei o que escolher... Sinto-me premiado dos dois lados: por um lado, desejo partir e estar com Cristo, o que, certamente, é muito melhor; mas, por outro lado, ficar na carne é mais necessário para vós" (Fl 1,21-24).

Aqui está um trecho inequívoco. Penso que ele é suficiente para derrubar toda e qualquer objeção protestante. Paulo está dizendo que é preferível morrer. E para quê? Para acampar na sepultura? Não! Para tirar uma soneca daquelas? Não. O mesmo Paulo responde: "para estar com Cristo". Mais claro que isso nem o sol.

Em outro trecho, Paulo ainda faz referência à independência entre a alma e o corpo: 

"Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe." (II Cor 12,2) Paulo não sabe se essa experiência foi no corpo ou não. Mas, pelo simples fato de estar em dúvida, vê-se que ele considera possível que a alma saia do corpo. Óbvio e evidente.

Bom. Penso que fica, então, mostrado que, a partir da Sagrada Escritura, a imortalidade da alma é perfeitamente fundamentada. E, se como Paulo diz, aquele que morre na amizade de Nosso Senhor vai para junto d'Ele, qual a dificuldade de que interceda pelos que ainda vivem no exílio? NENHUMA!

Esclareçamos ainda uma coisa: o rapaz anônimo, creio que por desinformação, parece assemelhar catolicismo e espiritismo. Mas não tem nada a ver. Esclareço sucintamente.

Segundo a Fé Católica, uma alma que morre não fica a acompanhar os passos ou os acontecimentos dos seus. Confesso que já vi alguns católicos se equivocarem nesse ponto, mas não é esta a doutrina católica. Sobre isso, há um livro de Sto Agostinho, entitulado "O Cuidado Devido aos Mortos" em que ele o demonstra.

Se um santo, portanto, pode interceder por nós, ele só o faz porque o próprio Deus lhe permite conhecer a nossa necessidade ou a nossa intenção. Não quer dizer que a própria alma pode ficar transitando por aí, como o fazem os desocupados mortos espíritas.

Pois bem. Espero que tenha ficado claro. Quaisquer dúvidas, pode perguntar.

Por fim, repito uma passagem citada pela mulher do video e que se aplica a todos os protestantes:

"Errais não conhecendo as Escrituras" (Mt 22,29) 

E como, sendo católico, eu não estou preso estritamente à Escritura, acrescento um de minha autoria e junto com outro de Nosso Senhor:

"Errais distorcendo as Escrituras e enganando os incautos, pois, quem enganar um só desses pequeninos, deturpando-lhes a Fé, melhor seria que amarrasse uma pedra ao pescoço e se lançasse no rio"

Salve Maria Santíssima

Fábio.

Refutação Protestante II - O erro da Sola Scriptura

Fim do mundo em Maio de 2011... Eu fui!

Os protestantes afirmam que a única regra de fé válida é a Sagrada Escritura - Sola Scriptura. No entanto, este princípio vai remontar a Lutero, o que significa que ele tem por fonte um sujeito que só depois 1.500 anos d.C. é que vai inventar essa conversa. A Sola Scriptura é, portanto, evidentemente extra-bíblica. E, conforme poderemos ver, não só extra, mas anti-bíblica. Em suma, este princípio é absolutamente contraditório e o que espanta é que ainda encontre adeptos; é de se esperar que os propagadores dessa idéia sejam leitores assíduos e profundos da Sagrada Escritura, já que ela seria a única regra de Fé. Porém, como que estes supostos leitores tão atentos não percebem que a Bíblia faz referência, inúmeras vezes, a fontes exteriores a ela mesma? Tudo isto nos leva à conclusão de que, não obstante a afetada defesa da Bíblia, os protestantes parecem não ter nenhuma diligência especial para com ela. Como se pode levar a sério alguém que defende ser a Escritura o único modo pelo qual Deus nos fala e, ao mesmo tempo, não se motiva a conhecê-la direito?

Mas, em que será que se baseiam os protestantes para defender a Sola Scriptura? Ponho abaixo alguns trechos que eles crêem fundamentar o disparate e, entre parênteses, comento rapidamente.

Gal 1,8 - "Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema." (Obviamente, Paulo não condena, de modo algum, a recorrência a fontes extra-bíblicas. O Evangelho a que ele se refere é a Boa Nova trazida por Jesus e não necessariamente aquilo que foi escrito. Aliás, no seu tempo, sequer os Evangelhos circulavam ainda. Paulo é o mesmo que diz que a Fé vem pelo ouvir (Rom 10,17), referindo-se claramente à comunicação oral do Evangelho. Mais à frente, veremos que Paulo comenta as duas formas de adesão à verdade: por escrito e de modo oral,  sendo este último a Tradição da Igreja.)

Ap 22,18-19 - "Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro; e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro" (O Apóstolo João aqui se refere às palavras do livro do Apocalipse... nada a respeito da Sola Scriptura. Aliás, João escreveu em símbolos o que, naturalmente, requeria uma interpretação autêntica, coisa muito diversa do livre exame onde cada um inventa - confortável isso - como quer entender. Como hoje se sabe, o Apocalipse, além dos acontecimentos futuros, refere-se à Liturgia, realidade que nos antecipa o Céu. Os protestantes,  no entanto, reduziram, acresceram e mudaram a Liturgia católica. Portanto, a eles se aplica a predição deste livro)

Jesus em conversa com os judeus em Jo 5,39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (De novo, nada de "Só a Escritura". Jesus apenas está criticando os judeus que, não obstante examinassem as escrituras, não percebiam que elas testemunhavam a respeito d'Ele. Aliás, é a mesma coisa com os protestantes que dizem tanto ler a Bíblia e não notam nela que Pedro recebeu as chaves do Reino, nem que Jesus deu a Sua carne e o Seu sangue como comida e bebida, nem que Ele fundou a Sua Igreja e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, nem que Ele disse aos Apóstolos: "quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita", e assim terminam caindo nessa rejeição do Cristo porque rejeição da Sua Igreja)

Hb 4,12 - “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Aqui, o Apóstolo não se refere, precisamente, à Escritura, mas muito mais ao Verbo de Deus, também chamado Palavra de Deus, o Logos encarnado. E isto se torna evidente, se observamos o versículo seguinte: "Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." Paulo está, claro, se referindo a Jesus, a Quem devemos prestar contas. Portanto, nada de sola scriptura aqui também.)

2 Tim 3,14-17 - "Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e plenamente preparado para toda boa obra” (Interessante que, quando Paulo escreve "permaneça nas coisas que aprendeu", ele se refere ao que disse antes: "te aplicaste a seguir-me de perto na minha doutrina" (vers. 10). Os protestantes poderiam dizer: "que absurdo! não devemos seguir a doutrina de Paulo, mas a de Cristo!" Não é isso que eles dizem com relação aos nossos santos e àquilo que o Espírito Santo inspirou à Santa Igreja? Mas continuemos nesta passagem. Vimos que Paulo recomenda permanecer naquilo que Timóteo aprendeu, não somente com relação às "sagradas letras" mas, também, a partir da própria vida de Paulo, conforme ele vai relatando as suas provações e perseguições. Portanto, Paulo faz referência à Escritura, claro, mas também àquilo que Timóteo aprendeu do convívio com ele. De nenhum modo Paulo diz: "atém-te somente à Escritura". Ao contrário, ele diz para ater-se às escrituras e ao que Timóteo tinha aprendido da doutrina de Paulo. Com relação a dizer que a Escritura é útil para ensinar, para tornar sábio, para repreender, isso é evidente. Se bem que Paulo deixa claro: "mediante a Fé", isto é, por meio da Fé. Significa que a Escritura contribui para esta Fé, mas ela não encerra esta Fé.)

Mt 5,13 - "E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?" (Eu fico espantado com a falta de honestidade destes protestantes. Jesus, nessa passagem, está a conversar com os fariseus e aponta um erro deles que funcionava como uma estratégia para se livrar de uma obrigação. Não tem nada a ver com a condenação da tradição em geral. Pegar este trecho, e usar para provar que toda e qualquer tradição é errada, é o cúmulo da cafajestagem).

Bom. Há ainda argumentos semelhantes mas igualmente incapazes de provar o valor da Sola Scriptura. Vamos, agora, a outras passagens bíblicas que justamente indicam que a Escritura não é a regra ÚNICA de Fé. E vejam que, para demonstrar isso, utilizaremos da própria Bíblia.

Os Evangelistas utilizavam fontes extra-bíblicas. Em Mt 2,23, lemos: "e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno." Acontece, porém, que não há no Antigo Testamento nenhum lugar onde se diga que Jesus seria chamado Nazareno. Obviamente, se quisermos assegurar a sinceridade do Apóstolo, teremos de admitir que ele retirou isto de alguma coisa alternativa à Escritura.

Já em At 20,35, Lucas escreveu: "Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!" Mais uma vez, em nenhum Evangelho se lê essa afirmação de Jesus. Será que Lucas teria inventado? Rsrs... Sua fonte é, de novo, extra-bíblica.

Em Judas 1,9, encontramos o seguinte: "Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda!" Novamente, não há qualquer referência a isso no Antigo Testamento.

Em Judas 1,14, outra passagem curiosa: "Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos" Mas Henoc não é aquele que foi arrebatado? Ele não era profeta e também não escreveu nada, rs. De novo, fonte alternativa. 

Vamos, então, a referências ainda mais claras de que nem tudo está dito na Bíblia.

Em Jo 6, 12-13, lemos: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." Como bem se vê, Jesus faz aqui referência a um futuro em que o Espírito Santo ensinaria a verdade à Igreja. Haverá, portanto, uma continuidade da inspiração da Igreja. E isto fica claro neste trecho.

Em Atos 1,3, vê-se o seguinte: "Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus." Lucas não relata o que exatamente Jesus tenha dito, mas deve-se realmente supor que pelo fato de não estarem escritos, estes relatos de Jesus ressuscitado são sem importância? É claro que não! Certamente, aquilo que Nosso Senhor lhes disse passou para outros a partir da tradição oral.

E pra dar o último golpe no já defunto da Sola Scriptura:

II Tes 2,15 - "Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas oralmente ou por escrito." Conservai as tradições... as tradições... oralmente ou por escrito... oralmente... ou... ou...

Sola Scriptura Fail!



Como vimos, os Apóstolos nunca pretenderam que a Sagrada Escritura fosse, ela somente, a regra de Fé. Ela é também, mas não somente. Vimos também que os próprios escritores sagrados utilizavam-se de fontes outras que não estritamente a bíblica. E isto só é possível se eles consideram válida a tradição, desde que esta legítima.

Podemos refutar ainda a Sola Scriptura considerando que, sendo a Sagrada Escritura inspirada por Deus e, portanto, isenta de erro e, de outro lado, sendo ela escrita com linguagem humana e, portanto, provida de diferentes estilos, naturalmente permite interpretações diversas. Ora, esta diversidade pode resultar, obviamente, numa interpretação equivocada. Disto se percebe a necessidade de um limite hermenêutico que impeça as interpretações falsas. Este limite somente pode ser algo de exterior à própria escritura, donde a Sola Scriptura mais uma vez é tida como falsa.

A própria formação do cânon bíblico faz referência a uma anterioridade, isto é, às pessoas que selecionaram a lista dos livros inspirados. Ora, a crença na Bíblia supõe necessariamente o reconhecimento destas outras autoridades. Foi a Igreja Católica quem formou todo o cânon do Novo Testamento. Portanto, reconhecer o Novo Testamento como autenticamente inspirado por Deus supõe, no mesmo ato, reconhecer a autoridade da Igreja que o formou.

A Sola Scriptura conduz, fatalmente, ao Livre Exame. Ora, isto é condenado pela Escritura. Lemos S. Pedro advertindo sobre este perigo em pelo menos duas passagens:

"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal." (II Pe 1,20) Nessa onda de interpretação pessoal, que começou com Lutero, há hoje quem defenda o espiritismo com base nos Evangelhos e, até, o tal "evangelho gay". Dignos filhos do devasso pai da reforma.

Nesta outra, Pedro faz uma referência às cartas de Paulo e menciona os protestantes. Vejam só:

"Nelas [as cartas paulinas] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras." (II Pe 3,16) É nisso aí que leva o tal livre exame. Pedro quer dizer, então, que há um sentido verdadeiro, o que é óbvio. No entanto, é possível, pela leitura individual das cartas de Paulo, deturpá-las e fazê-lo também com as demais Escrituras. Disto surge, evidentemente, a necessidade de uma autoridade que resguarde o seu sentido autêntico!

Observemos ainda um outro trecho onde assistimos, de novo, o Livre Exame e, portanto, a Sola Scriptura, serem condenados.

"Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta. Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar. Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías. O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro. Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele." (At 8,26-31)"

Ó eunuco que, mesmo antes de ser batizado, mostrava ter maior bom senso que os protestantes! O eunuco sabia que a pessoa aprendia o verdadeiro sentido da Escritura ao ser ensinado. Por isso a ordem aos Apóstolos: "Ide e ensinai" e não "ide e imprimi Bíblias". Os protestantes, no entanto, elevam a própria imaginação ao status de Espírito Santo e criam as mais ridículas interpretações e falsarias. 

Vemos, então, que a Sola Scriptura não se sustenta de nenhuma forma. Ainda muita coisa poderia ser dita, mas penso que neste artigo, já um tanto extenso, a coisa ficou demonstrada. Objeções, críticas ou acréscimos, postem nos comentários ou mandem-me um e-mail.

Salve Maria!

Fábio

Refutação de erro protestante - Mediação entre Deus e os homens


"Eu sou a Verdade" (Jo 14,6), diz Jesus, numa passagem que todos, cristãos ou não, conhecemos. Jesus é Deus e, naturalmente, é uma Pessoa. Eu quero nesta postagem voltar-me aos amigos protestantes que, na sua tentativa de aderir a Nosso Senhor, pecam, muitas vezes, por falta de sinceridade. Refiro-me, por ora, a dois temas muito específicos que geram, entre nós, discordâncias. E penso que, uma vez esclarecidos estes pontos - não que não haja outros - um protestante sincero deveria, pelo menos, entrar numa crise com relação à sua fé. E por que escrevo? Será que tenho a esperança de trazer algum à verdadeira Fé? Bem... não me desfaço totalmente da idéia, mas a minha curta experiência com esse tipo de assunto me leva a inclinar-me mais à descrença de que isto aconteça. Seja como for, creio que não haja objeções sérias para os argumentos que vão abaixo. E os que, sinceramente, estão em dúvida quanto a qual tipo de cristianismo seguirão, eu digo: sigam o de verdade.

Os dois assuntos a que me propus tratar, por ora, são o da mediação entre Deus e os homens e, depois, o da Sola Scriptura. Terei o cuidado de pôr as referências bíblicas, coisa que não faço em geral, para facilitar o processo de adesão e aumentar a credibilidade. Vamos lá.

Pra coisa também ficar mais didática e menos extensa, divido os assuntos em duas partes. Nesta primeira, trato sobre a idéia de mediação entre Deus e os homens.

Os protestantes, naturalmente, partem de uma assertiva bíblica que diz: "Há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem, que se deu em resgate por todos" (1 Tim 2,5-6). Ao lerem isto, eles afirmarão que os católicos, ao assumirem mediadores outros, como os santos e a Virgem Santíssima, assumem conduta anti-bíblica. Vejamos.

Primeiramente, a frase fala da necessidade de uma mediação entre as partes. Estas partes são, obviamente, Deus e os homens. Estes últimos foram criados em graça e, portanto, unidos a Deus. No entanto, como todos sabemos, os nossos primeiros pais pecaram, pelo que aquela união se desfez. Desde então, estabeleceu-se a necessidade de um mediador que já é previso no que se chama proto-evangelho, onde se lê: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3,15) Esta descendência da mulher será Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria e descrito por João como "a Luz do mundo que, vindo ao mundo, ilumina todo homem" (Jo 1,9). Aqui está manifesta, pela expressão "todo homem" a completa abrangência da obra redentora de Jesus. Isto também afirma a sua exclusividade. Não há outros redentores ou mediadores. Quem quiser ir ao Pai, deve ir por Cristo (Jo 14,6). Isso é expressamente ensinado pelo catolicismo. Portanto, não há nada de anti-bíblico na Santa Igreja. Aliás, se foi a Igreja quem formou o cânon bíblico, é claro que tal disparidade não iria se dar. No entanto, como veremos mais à frente, o protestantismo, este sim, é anti-bíblico.

Mas, então, onde entram os santos nessa história? A partir do momento em que Nosso Senhor realiza o Seu Sacrifício, todos aqueles que se colocam sob o influxo da Sua graça, são perdoados dos seus pecados e auxiliados, de modo real, por Deus. É só então que se torna possível o imperativo de Cristo: "Sede santos porque Vosso Pai celeste é santo" (Mt 5,48). Paulo expressa a mesma coisa: a lei trouxe, consigo, o pecado. Mas é a graça que, superabundando o pecado, nos permite viver conformes a Deus (Cf Rom 8,3). A partir desta adesão a Cristo, nós somos, ainda segundo S. Paulo, batizados na Sua morte (Rom 6,3), isto é, participamos daquilo que exclusivamente ocorreu a Cristo. E como podemos participar daquilo que é exclusivamente de outro? Sendo um com este outro. O batismo  nos incorpora no Corpo Místico de Cristo (I Cor 12,27). É a partir daqui, a partir do momento em que somos incorporados no Cristo, que passamos a viver a chamada Comunhão dos Santos, um tipo de mediação segunda e inter-influência que só se concebe como que por dentro e a partir da única mediação de Cristo. É desse modo que Jesus, sendo a Luz do mundo, pode dizer aos Apóstolos: "Vós sois a Luz do mundo" (Mt 5,14), quando, na verdade, os Apóstolos eram luzes segundas que apenas iluminavam em função da Luz primeira que é o Cristo. Do mesmo modo S. Paulo vai dizer aos seus discípulos: "Sede meus imitadores" (I Cor 11,1), pois Paulo imitava a Cristo. Paulo tornava-se, desse modo, um mediador pois punha em relação os seus discípulos com Cristo a partir da sua pessoa. Não há nada de errado nisso. Seria, porém, estranha e falsa uma mediação alternativa à de Cristo, que se desse por fora da d'Ele, como quando alguém diz que pode obter salvação a partir de Maomé, ou a partir de Buda, etc. As mediações católicas, no entanto, todas elas referem-se ao Cristo e só são possíveis a partir d'Ele, pois todos os católicos formam, com Cristo, um só corpo. Se todos os batizados participamos do Corpo de Cristo, os sacerdotes ordenados, isto é, os padres, participam do Seu único sacerdócio.

Aliás, é por isso que Cristo diz aos Apóstolos: "Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita" (Lc 10,16) e, quando Paulo está a perseguir a Igreja, Nosso Senhor lhe pergunta: "Saulo, por que Me persegues?" (At 9,4).

Penso que fica, desse modo, esclarecida esta questão da mediação. Porém, antes de passar ao outro ponto, eu gostaria de afirmar que também os protestantes utilizam de mediadores. A sagrada escritura, por exemplo, é uma mediação. Recentemente eu falei isso a um rapaz protestante e ele me disse que a Bíblia não é mediação, pois é a voz de Deus, o Verbo. Ora, romantismo à parte, o que esse rapaz faz é uma identificação da bíblia com Deus. Eu não creio ser conveniente adorar a Bíblia, pois Deus não é um livro; como eu escrevi no início, Deus é uma Pessoa. Não quero diminuir o valor da Sagrada Escritura, obviamente, mas ela não é Deus; ela provém de Deus, isto sim. Mas, se não é Deus, e está entre Deus e os homens, é claro que ela é uma mediação, porque está "no meio" das duas partes, contribuindo para a sua comunhão.

Outro tipo de mediação dos protestantes é a que se faz a partir dos "pastores" de suas denominações. Ora, se não houvesse, estritamente, mediação, tampouco um pastor seria requerido. O cristão haveria de ser o mais individualista dos homens, pois aderir a um pastor seria cometer pecado contra a bíblia que supostamente condena outras formas de mediação além do Cristo estritamente. E o pastor é, claramente, um mediador - ou tenta sê-lo - entre alguns inocentes e Deus. Aliás, este mediador é também intercessor, pois os "crentes" amam pedir que ele reze por eles. Se, no entanto, não há que recorrer a mediadores e, portanto, não se pode encontrar mestres, professores ou condutores, tampouco seria possível a fé, pois Paulo diz que a Fé vem pelo ouvir (Rom 10,17) e não creio ser muito comum ouvir Deus falando diretamente do céu. Depois, se não há pregadores - e, portanto, mediadores - não há discípulos, pois, "como haverão de crer se não houver quem pregue?" (Rom 10,14). As mediações segundas, desde que em Cristo, são, portanto, totalmente aceitáveis e também os protestantes aderem a elas.

Creio que este ponto fica esclarecido. Dúvidas, correções ou objeções, sejam feitas nos comentários. No próximo post, falarei da Sola Scriptura, outro devaneio dos filhos de Lutero.

Salve Maria Santíssima!

Fábio.


Dom de Línguas - Eu Pergunto e os Caríssimos Pe. Marcelo Tenório e Prof. Eder Silva Respondem



Antes de pôr a resposta abaixo, gostaria de agradecer profundamente a boa vontade dos caríssimos Pe. Marcelo Tenório e do Prof. Eder Silva em responderem prontamente a questão que eu havia levantado sobre o Dom de Línguas descrito por S. Paulo no primeiro livro de Coríntios. Agradeço a ambos e, ao reverendo Pe. Marcelo, sigo rogando a sua bênção. Que Deus os abençoe.

Recomendo a todos a leitura. Salve Maria!

**
Caríssimo Sr. Fábio

Salve Maria!

Li atento seu comentário da matéria "RCC - Origem e Catolicidade". Não tenho o hábito de responder comentários das postagens, por questão de tempo e de proposta mesmo do nosso blog. Todavia suas considerações foram importantes e uma reflexão sobre as mesmas a partir da doutrina da Igreja, segundo Santo Tomás de Aquino, seria de grande valor, visto que Sua Doutrina é a Doutrina Perfeita, canonizada pela Santa Religião.

O Prof. Eder Silva quis discorrer sobre o assunto e julgo sua colocação perfeita e cabível para a questão em foco. Abaixo está o seu comentário e depois a doutrina da Igreja comentada pelo Prof. Eder, assim, os leitores terão uma visão melhor e geral do assunto.

Concluíndo, deixo aqui as belas palavras de Pio XI:

" A TODOS QUANTOS AGORA SENTEM SEDE DE VERDADE, DIZEMO-LHES:   IDE A TOMÁS DE AQUINO."

Com minha bênção,

Pe. Marcélo Tenorio

_________________________

Caríssimo Pe. Marcelo, sua bênção.

De fato, a RCC tem origem protestante e a mantém naquilo que a caracteriza. Tenho, por vezes, conversado com alguns carismáticos, a fim de esclarecer-lhes sobre isto.

Porém, hoje estive lendo um texto do saudoso Prof. Orlando Fedeli

(http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20040812202727&lang=bra), em que ele responde a uma dúvida sobre a dita oração em línguas. E, depois de terminá-lo, vi que algumas questões levantadas pelo rapaz que o indagou não foram respondidas.

Primeiro, o texto enviado pelo rapaz faz uma aproximação da oração em línguas com a tradição apofática da Igreja, que é uma tradição autêntica. Claro que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas objetar-lhe a validade afirmando que em referir-se a algo supra-conceitual está-se a renegar a Fé é faltar com a sinceridade, pelo menos no caso do Professor Orlando que, creio eu, conhecia bem essa tradição da Teologia Negativa.

Mas as questões mesmo que me ficaram foram outras.

Sempre que eu li a respeito, vi que a Igreja considerava o verdadeiro carisma das línguas como um dom dado aos primeiros de falar verdadeiramente outras línguas, mantendo portanto a inteligibilidade, e que a finalidade deste dom era facilitar a difusão do Evangelho em diversos povos.

Quando Paulo diz, porém, que aquele que fala em línguas fala misteriosamente a Deus sem que ninguém o entenda, vi argumentos que diziam que este tipo de linguagem é semelhante, por exemplo, à dos Cânticos dos Cânticos em que se entendem os símbolos mas não se apreende o simbolizado, precisando, para tal, do dom de interpretação, que Paulo cita.

Pois bem. No entanto, na assertiva do rapaz me ficaram umas dúvidas e que ponho logo a seguir:

1- Os carismas autênticos foram sempre dons extraordinários, isto é, não comuns. No entanto, Paulo parece desejar, com relação ao "dom de línguas", que todos o tenham:

"desejo que todos faleis em línguas" (1Cor 14,4-5)

2- Dizíamos que a oração em línguas nada mais era que falar outra língua realmente existente, como quando um italiano fala japonês. Se assim é, a linguagem mantém seu caráter inteligível. No entanto, Paulo parece fazer uma distinção entre a linguagem e o entendimento: ""Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento (1Cor 14,15)" e "Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1Cor 14,14)

Por fim, padre, se o senhor tiver tempo de me esclarecer estes pontos, eu gostaria ainda de saber o que se quer dizer precisamente na expressão "gemidos inefáveis". Li há algum tempo que isso poderia se referir, de novo, à tradição apofática caracterizando talvez o silêncio, uma vez que o inefável é o que não pode ser dito.

Desde já, fico grato.

A sua bênção.

Fábio.

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Caríssimo Padre Marcelo Tenório,

Salve Maria!

Diante das colocações do sr. Fábio, resolvi fazer um comentário não a critério de solução, mas apenas de complemento, visto que o senhor discorreu impecavelmente sobre a questão dos misteriosos “gemidos” carismáticos.

Permita-me iniciar minha exposição.

Quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás.

A explicação do Aquinate sobre o dom de línguas dissolve as dúvidas e estabelece as bases para distinguir o verdadeiro fenômeno sobrenatural da glossolalia dos pseudo-carismas, vulgarizados nos círculos delirantes da Renovação Carismática.

Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu:

“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178).

Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo.

O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da

Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Entretanto, como observa o Aquinate, os Coríntios desvirtuaram o verdadeiro sentido desse dom:

“Porém, os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, prefeririam esse dom ao dom da profecia. E aqui, por ‘falar em línguas o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la; esse tal fala em línguas. E também é falar em línguas o falar de visões tão somente, sem explicá-las, de modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178-179).

Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos:

1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria.

2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos.

Essa doutrina é confirmada pelo Aquinate:

“Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173).

Por sua clareza inconfundível, a primeira forma de falar em línguas dispensa comentários, visto que consiste em falar, miraculosamente, uma língua existente sem nunca tê-la estudado.

Consideremos, portanto, o segundo modo, que consiste numa simples predicação com linguagem pouco clara, como acontece quando se fala sobre símbolos ou visões em forma de parábolas.

Esclarece São Tomás:

“[...] se se fala em línguas, ou seja, sobre visões, sonhos [...] (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

Continua:

[lhes falarei] “‘Em línguas estranhas’, isto é, lhes falarei obscura e em forma de parábolas [...] por figuras e com lábios [...]” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 200).

Segundo a doutrina puríssima de Santo Tomás, quem usa de símbolos nos exercícios espirituais, lucra o mérito da prática de um ato de piedade. Mas, se compreende racionalmente os símbolos que profere durante a ação, lucra, além do mérito da boa obra, o fruto da compreensão intelectual de uma verdade espiritual.

Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam.

Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão.

Em seus comentários sobre o versículo em que São Paulo adverte para que, durante o culto público, não se fale em línguas mais que dois ou três, São Tomás ensina que a leitura da Epístola e do Evangelho na Missa, são formas de falar em línguas que a Igreja manteve do período apostólico, fato diametralmente oposto ao que ocorre nas histerias pentecostais.

Eis as palavras do Aquinate:

“É de notar-se que este costume até agora [...] se conserva na Igreja. Por que as leituras, epístola e evangelho temos em lugar das línguas, e por isso na missa falam dois [...] as coisas que pertencem aos dom de línguas, isto é, a Epístola e o Evangelho” (comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos.

Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja, não há como admitir a confusão desordenada de sons, freqüentes nos cultos pentecostais da Renovação Carismática. Ao contrário, quem examina os escritos dos pais da Igreja sobre o assunto, é levado a concluir que os fenômenos de línguas que ocorrem na RCC são de origem diabólica, e não divina, como se pensa e defende.

E para respaldar essa afirmação, confirmamo-la com os próprios dizeres dos padres da Igreja.

No século II da era cristã, Santo Irineu condenou um herege chamado Marcos que profetizava sob influência demoníaca, seduzindo mulheres que, de modo semelhante ao que ocorre nas reuniões pentecostais, passavam a emitir sons confusos:

“Então, ela, de maneira vã, imobilizada e exaltada por estas palavras e grandemente excitadas [...] seu coração começa a bater violentamente, alcança o requisito, cai em audácia futilidade, tanto quanto pronuncia algo sem sentido, assim como lhe ocorre” (Contra Heresias I, XIII, 3).

Fenômeno semelhante aconteceu com o herético Montano, conforme relata Eusébio:

“Ficou fora de si e [começou] a estar repentinamente em uma sorte de frenesi e êxtase, ele delirava e começava a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando de um modo contrário ao costume constante da Igreja [...] E ele, excitado ao falar de duas mulheres, encheu-as com o falso espírito, tanto que elas falaram “extensa, irracional e estranhamente, como a pessoa já mencionada” (História da Igreja V, XVI: 8,9).

No século III, Orígenes denunciou um tal Celso, que pronunciava sons incompreensíveis:

“A estas promessas, são acrescentadas palavras estranhas, fanáticas e completamente ininteligíveis, das quais nenhuma pessoa racional poderia encontrar o significado, porque elas são tão obscuras, que não têm um significado em seu todo” (Contra Celso, VII:9).

Nota-se, portanto, que a confusão sonora nos ambientes carismáticos se identifica com esses fenômenos denunciados como falsos ou diabólicos pelos pais da Igreja.

Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc.

Esse sempre foi o ensino da Igreja iluminada pela luz infalível do Espírito Santo.

Para encerrar essa questão, sem desprezar as objeções correlatas, respondemos a indagação do consulente Fábio que recorda as palavras de São Paulo, cujo teor parece contrariar a idéia de que o dom das línguas é um carisma extraordinário, isto é, concedido apenas a alguns.

Orientando os Coríntios, o Apóstolo expressa seu desejo: “Desejo que todos faleis em línguas”. (I Cor, XIV, 5).

Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, ensina que o falar em línguas não se manifesta em todos os cristãos:

“Todos os dons divinos não podem existir em todos os homens, cada um recebe de acordo com a sua capacidade” (Do Espírito Santo II, XVIII, 149).

É compreensível que, em vista da necessidade da propagação da fé a todos os povos, São Paulo manifeste o desejo de que todos tenham o dom de línguas. Mas o Apóstolo sabe que a cada um é dado um dom particular.

Sobre seu estado celibatário, São Paulo diz: “Quisera que todos os homens fossem como eu” (I Cor, VII, 7). Entretanto, imediatamente pondera: “[...] mas cada um recebe de Deus o seu dom particular, um, deste modo; outro, daquele modo".

E esse mesmo princípio pode ser aplicado ao dom das línguas, que se tornava cada vez mais incomum, conforme se difundia a fé entre os povos.

Para não estender demasiadamente esta carta que já vai longe, indico uma resposta dada pelo professor Orlando Fedeli sobre o significado da expresão “gemidos inefáveis”, objeto da dúvida do sr. Fábio.

Noutra oportunidade poderia transcrever as explicações dos doutores sobre esses “gemidos” que, por serem inefaveis e provenientes da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, são inaudiveis e inatingiveis pela razão humana

Ademais, ousar dizer que os “grunhidos” carismáticos são gemigos inefáveis do Espírito Santo é, além de absurdo, uma blasfêmia contra a Sabedoria de Deus. Claro, supondo que um carismático já tenha “ouvido” os gemidos do Espírito Santo para identificá-lo com o gemido confuso dos carismáticos.

Espero que o assunto tenha sido exposto com a devida clareza.

Rogando vossa benção, Padre, despeço-me,

in Corde Jesu, semper

Eder Silva.

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