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A mártir mais jovem a ser beatificada pelo Papa na Coreia


***A notícia já é antiga, mas achei valer muito a pena de ser divulgada neste espaço. Que o exemplo dessa pequena nos inspire a fidelidade a Nosso Senhor.***
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NO SÁBADO, 16 de agosto (2014), por ocasião de sua primeira viagem à Ásia, especificamente à Coreia do Sul, o Papa Francisco beatificará 124 mártires daquele país, entre os quais se encontra o caso muito especial de uma pequena menina, porém verdadeira gigante da fé, assassinada friamente pelo ódio a Jesus Cristo à sua Igreja, antes de completar os 12 anos de idade.

Anastasia Yi Bong-geum nasceu em 1827, filha de Paul Yi Seong-sam e Anastasia Kim Jo-i, que nesse período viviam sua fé na clandestinidade, porque sofriam a perseguição Jeonghae.

Educada pela mãe, desde pequena sabia cumprir bem seus deveres religiosos e manifestava grande fé e amor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Com dez anos de idade, aprendeu as orações da manhã e da tarde, assim como o Catecismo da Igreja Católica. Conheceu um sacerdote missionário que se hospedou em sua casa; este, impressionado pela ardente devoção da menina, permitiu-lhe receber a Primeira Comunhão, mesmo sendo ainda tão jovem. 

A fé e as virtudes cresciam em Anastasia, dia a dia. Quando do início da perseguição Gihae, em 1839, ela fugiu com sua mãe para a casa de Protase Hong Jae-yeong. Ali, foi presa pela polícia e levada a Jeonju, onde enfrentou, sem vacilar, o seu martírio.

A menina foi logo interrogada pelo chefe policial, que lhe exigia informações sobre o padre missionário, ao que ela respondeu que era muito pequena para saber de tais coisas. Não satisfeito, o policial lhe disse que, se ela falasse contra Deus, e renegasse a fé cristã, ele lhe pouparia a vida. Anastasia então respondeu-lhe admiravelmente: “Não sabia como adorar o SENHOR até que cheguei ao uso da razão, aos meus sete anos. Eu era muito jovem para ler livros. Mas dos sete anos até agora, adorei o SENHOR. Portanto, não posso trai-lo nem pensar mal dEle, mesmo se tiver que morrer mil vezes!”...

Em princípio, Anastasia foi levada à prisão sem ser torturada, porque era apenas uma frágil menina. Sua mãe fingiu duvidar de sua firmeza e lhe disse que certamente trairia Jesus: "Você não tem coragem para enfrentar a tortura”. Ao ouvir isso, a pequena mais uma vez deu prova de sua firmeza de caráter e, certamente, da assistência divina que recebia. Respondendo que jamais trairia o Cristo, prometendo à sua mãe manter-se fiel ao ensinamento da Igreja, não importando o tipo de tortura que tivesse que sofrer.

O chefe policial e os guardas prisionais insistiram muito com Anastasia para que ela cooperasse e assim salvasse sua vida, porque ela era "ainda tão jovem e uma linda garota", mas ela não cedeu. Jogada na prisão, em tão tenra idade, foi ameaçada muitas vezes, mas não sucumbiu à intensa pressão psicológica. Ao dar-se conta de que a menina realmente não ia ceder, finalmente a autoridade policial ordenou que ela fosse torturada...

Mas os sofrimentos da santa criança não pararam aí. Além de ser torturada, Anastasia foi forçada a assistir o martírio de sua mãe. E mesmo depois, como órfã, continuou a se manter firme em sua adesão ao Evangelho, prosseguindo assim até o final de sua curta vida. O chefe policial, quando ela não tinha ainda completado 12 anos de idade, ordenou que fosse enforcada na prisão, no dia 5 ou 6 de dezembro de 1839.

Fonte: O Fiel Católico

A Igreja Católica seria a Prostituta do Apocalipse? - Parte 1


O livro do Apocalipse, que comumente é entendido como referindo-se ao final dos tempos e que tem fecundado o imaginário das pessoas desde que foi escrito, fala, dentre outras coisas, de uma "Prostituta", a quem chama de "Babilônia, a Grande."

Desde então, muitas pessoas têm se questionado sobre a quem João estaria se referindo. Os primeiros cristãos tendiam a identificá-la com a Roma Pagã. Depois, muitos foram também os que a associaram a Jerusalém. Contudo, depois da Reforma Protestante, não faltaram os que viram nela a Igreja Católica. Este artigo tem o intuito de analisar esta última alternativa e ver se ela tem mesmo fundamento.

Antes de começarmos, demos uma olhada no que diz exatamente João a este respeito:

"Veio, então, um dos sete Anjos que tinham as sete taças e falou comigo: 'Vem, e eu te mostrarei a condenação da grande meretriz, que se assenta à beira das muitas águas, com a qual se contaminaram os reis da terra. Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho da sua luxúria. Transportou-me, então, em espírito ao deserto. Eu vi uma mulher assentada em cima de uma fera escarlate, cheia de nomes blasfematórios, com sete cabeças e dez chifres. A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Tinha na mão uma taça de ouro, cheia de abominação e de imundície de sua prostituição. Na sua fronte estava escrito um nome simbólico: 'Babilônia, a Grande, a mãe da prostituição e das abominações da terra.' Vi que a mulher estava ébria do sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-e de espanto.
Mas o anjo me disse: 'Por que te admiras? Eu mesmo te vou dizer o simbolismo da mulher e da Fera de sete cabeças e dez chifres que a carrega. (...) Aqui se requer uma inteligência penetrante. As sete cabeças são sete montanhas sobre as quais se assenta a mulher. São também sete reis: cinco já caíram, um subsiste, o outro ainda não veio; e quando vier, deve permanecer pouco tempo. Quanto à Fera que era e já não é, ela mesma é um oitavo (rei). Todavia, é um dos sete e caminha para a perdição. Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas que receberão por um momento poder real com a Fera. (...)
O anjo me disse: "As águas que viste, à beira das quais a Prostituta se assenta, são povos e multidões, nações e línguas. Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo. (...) A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra.

Depois disso, vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a terra foi iluminada por sua glória. Clamou em alta voz, dizendo: 'Caiu, caiu Babilônia, a Grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis, porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria, pecaram com ela os reis da terra e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso do seu luxo.

Ouvi outra voz do céu e que dizia: 'Meu povo, sai de seu meio para que não participes de seus pecados e não tenhas parte nas suas pragas, porque seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das suas injustiças. Faze com ela o que fez (contigo), e retribui-lhe o dobro de seus malefícios; na taça que ela deu de beber, dá-lhe o dobro. Na mesma proporção em que fez ostentação de luxo, dá-lhe em tormentos e prantos. Pois ela disse no seu coração: estou no trono como rainha, e não viúva, e nunca conhecerei o luto. Por isso, num só dia virão sobre ela as pragas: morte, pranto, fome. Ela será consumida pelo fogo, porque forte é o Senhor que a condenou.

Hão de chorar e lamentar-se por sua casa os reis da terra que com ela se contaminaram e pecaram, quando avistarem a fumaça do seu incêndio. Parados ao longe, de medo de seus tormentos, eles dirão: 'Ai, ai da grande cidade, Babilônia, cidade poderosa! Bastou um momento para tua execução!'

Também os negociantes da terra choram e se lamentam a seu respeito, porque já não há ninguém que lhes compre os carregamentos: carregamento de ouro e prata, pedras preciosas e pérolas, linho e púrpura, seda e escarlate, bem como de toda espécie de madeira odorífera, objetos de marfim e madeira preciosa; de bronze, ferro e mármore; de cinamomo e essência; de aromas, mirra e incenso; de vinho e óleo, de farinha e trigo, de animais de carga, ovelhas, cavalos e carros, escravos e outros homens. Eis que o bom tempo de tuas paixões animalescas se escoou. Toda a magnificência e todo o brilho se apagaram, e jamais serão reencontrados. Os mercadores destas coisas, que delas se enriqueceram, pararão ao longe, de medo de seus tormentos, e hão de chorar e lamentar-se, dizendo: 'Ai, ai da grande cidade, que se revestia de linho, púrpura e escarlate, toda ornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Num só momento toda essa riqueza foi devastada!'

Todos os pilotos e todos os navegantes, os marinheiros e todos os que trabalhavam no mar paravam ao longe e exclamavam, ao ver a fumaça do incêndio: 'Que havia de comparável a essa grande cidade?' E lançavam pó sobre as cabeças, chorando e lamentando-se com estas palavras: 'Ai, ai da grande cidade, de cuja opulência se enriqueceram todos os que tinham navios no mar. Bastou um momento para ser arrasada!' Exulta sobre ela, ó céu; e também vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus julgou contra ela a vossa causa.

Então um anjo poderoso tomou uma pedra do tamanho de uma grande mó de moinho e lançou-a no mar, dizendo: 'Com tal ímpeto será precipitada Babilônia, a grande cidade, e jamais será encontrada. Já não se ouvirá mais em ti o som dos citaristas, dos cantores, dos tocadores de flauta, de trombetas. Nem se encontrará em ti artífice algum de qualquer espécie. Não se ouvirá mais em ti o ruído do moinho, não brilhará mais em ti a luz de lâmpada, não se ouvirá mais em ti a voz do esposo e da esposa; porque teus mercadores eram senhores do mundo, e todas as nações foram seduzidas por teus malefícios. Foi em ti que se encontrou o sangue dos profetas e dos santos, como também de todos aqueles que foram imolados da terra;

Depois disso, ouvi no céu como que um imenso coro que cantava: 'Aleluia! A nosso Deus a salvação, a glória e o poder, porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos.." (Apo 17-19,4)
A citação é um tanto longa, mas é necessária para que peguemos todas as referências a esta entidade. Então resumamos as suas características básicas:

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- É chamada de Grande Meretriz ou Prostituta;
- É chamada de Grande Cidade;
- Se assenta à beira de muitas águas que contaminaram os reis da terra;
- Inebriou os habitantes da terra com o vinho de sua luxúria;
- Está sentada sobre uma fera escarlate, com sete cabeças e dez chifres;
- Está vestida de púrpura e escarlate;
- Está adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas;
- Carrega uma taça de ouro, cheia de abominações e imundícias de sua prostituição;
- Tem escrito na testa o nome de Babilônia, a Grande, mãe das prostituições e abominações da terra;
- Estava ébria com o sangue dos mártires de Jesus;
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O anjo então adverte João de que para compreender o que foi dito, é necessário ter uma inteligência penetrante, o que significa: ninguém queira tratar esses assuntos com vulgaridade e grosseria. Ele passa então a explicar os símbolos:

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- Sete cabeças - Sete montanhas - sete reis
- Dos sete reis - Cinco já caíram, um subsiste, outro ainda não veio; quando vier, fica por pouco tempo;
- O oitavo rei é a Fera; mas é também um dos sete;
- Dez chifres - dez reis que ainda não receberam o reino, mas receberão por um momento poder real com a Fera, o oitavo rei;
- Águas sobre as quais se assenta a Prostituta - povos e multidões, nações e línguas;
- Os dez chifres e a fera odiarão a Prostituta;
- A mulher ou Prostituta - Grande Cidade, a que reina sobre os reis da terra.
- Todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria;
- Os reis da terra pecaram com ela;
- Os marcadores se enriqueceram com o excesso do seu luxo;
- A prostituta se dizia rainha, e não viúva;
- Será consumida pelo fogo;
- Hão de chorar por sua causa os reis e negociantes da terra;
- Ela tinha paixões animalescas;
- Nela se encontrou o sangue dos profetas e dos santos;
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Eis aí as características básicas desse ser. Vejamos a quem isso tudo se aplica.

Dissemos das três possibilidades: Roma Pagã, Roma Papal e Jerusalém. Como o propósito deste texto é analisar primeiramente se isso tudo se enquadra na Igreja Católica, comecemos por aqui.

Antes, porém, digamos de uma estratagema comum usado pelos acusadores da Igreja: eles consideram-na uma continuação do Império Romano. Assim, todas as referências do texto que digam respeito inequivocamente à Roma Pagã, eles entenderão como uma confirmação de que se refere à Roma Papal. Veremos também se há, de fato, uma continuidade entre os dois.

A primeira dificuldade aqui é que, mesmo sabendo que o sentido todo é simbólico, conforme o próprio anjo diz, os acusadores da Igreja se valem de uma leitura literal de várias figuras, como, por exemplo, do cálice dourado, das cores púrpura e escarlate, da riqueza, e alguns outros ainda da Prostituição.


É A IGREJA CATÓLICA A PROSTITUTA?



Entendamos, pra começar, o que é esta prostituição de que se fala. Não se trata de impureza sexual, mas de contaminação com o paganismo ou com doutrinas estranhas à estabelecida por Deus. Deus, na Sua relação com Israel, se compara sempre com um esposo a quem Israel, em voltar-se para os ídolos, trata com infidelidade. Por causa disso, Ele sempre acusa Jerusalém de ser uma prostituta (Cf. Jer 13,27).

Isso não é ponto polêmico, pois todo o protestantismo que acusa a Igreja de ser esta entidade aceita esta interpretação. Em seguida, eles costumam atacar a Igreja dizendo que ela se corrompeu com o Império Romano, tornando-se idólatra e ensinando esta idolatria ao mundo. Nisto consistiria a sua prostituição. Mas será que tal se dá?

Quando foi que a Igreja deixou de ter uma relação conflituosa com o Império Romano? Isto ocorre no século IV, quando Constantino fez cessar a perseguição aos cristãos, em 313 d.C. O motivo foi o seguinte: indo para uma guerra contra o seu rival Maxêncio, ele teria visto um sinal no céu: uma Cruz e a inscrição latina "in hoc signo vinces", que significa: "com este sinal, vencerás". De fato, ele vence a batalha, e, por isso, dá aos cristãos, que eram perseguidos desde o primeiro século, liberdade de culto. Porém, somente com o imperador Teodósio I, o cristianismo se tornará a religião oficial do Império, com o Edito de Tessalônica, em 380 d.C.

É importante destacar o seguinte: no século IV, o cristianismo já estava distribuído no mundo todo. Uma grande novidade em termos doutrinais levantaria uma imensa resistência geral. É conveniente relatar também que, por causa de uma matança em Tessalônica a mando de Teodósio, o bispo de Milão - na época, chamada Mediolano -, Santo Ambrósio, o excomungou e escarneceu em público, proibindo-lhe entrada na igreja, ao que Teodósio necessitou fazer longa penitência a fim de poder reaver seu direito como cristão. Vejamos o que diz disso o historiador do Séc. V, Teodoreto de Cirro:


“Tessalônia é uma cidade grande e populosa na província da Macedônia. Por causa da revolta que aconteceu lá, o Imperador [Teodósio] irou-se sobremodo e satisfez seu desejo por vingança desembainhando a espada de maneira injusta e tirânica contra todos – inocentes e culpados. É dito que sete mil pereceram sem qualquer base legal ou sentença judicial, mas que foram todos cortados como espigas de trigo no tempo da colheita.
Quando Ambrósio ouviu falar desta deplorável catástrofe, saiu para se encontrar com o Imperador que, em seu retorno a Milão, desejou, como de costume, entrar na santa igreja. Mas Ambrósio proibiu sua entrada dizendo: ‘Parece que tu não percebes, ó Imperador, o tamanho da tua culpa por um tão grande massacre. Agora que tua fúria foi apaziguada, não vês o tamanho do teu crime? Não se deslumbre com o esplendor da púrpura que tu vestes para que não te esqueças da fraqueza do corpo que ela cobre. Teus súditos, ó Imperador, são da mesma natureza que tu és. E não somente isto. Também são servos como tu és, pois só há um único Senhor e Governador sobre todos, Aquele que é o Criador de todas as criaturas, tanto do príncipe quanto do povo. Como ousas tu olhar para o templo d’Aquele que é o Senhor de todos? Como podes tu erguer as mãos para orar estando mergulhado no sangue de um massacre tão injusto? Vá embora em vez de se tornar ainda mais culpado por um segundo crime’.
O Imperador, que havia sido criado no conhecimento das Sagradas Escrituras e conhecia bem a distinção entre o poder eclesiástico e o poder temporal, se submeteu à censura e, com muitas lágrimas e gemidos, voltou ao seu palácio. O Imperador se trancou em seu palácio e chorou muito. Depois de diversas tentativas sem sucesso de apaziguar Ambrósio, o próprio Teodósio finalmente se encontrou com Ambrósio em particular e implorou por misericórdia dizendo: ‘Eu imploro que, em consideração à misericórdia de Nosso Senhor em comum, me libertes destas cadeias e que não feches a porta que é aberta pelo Senhor para todos que verdadeiramente se arrependem’. Ambrósio estipulou que o Imperador provasse seu arrependimento revogando diversos decretos injustos e especialmente ‘que quando uma sentença de morte ou proscrição fosse assinada contra alguém, deveria haver um espaço de trinta dias antes da execução e, durante esse tempo, o caso deve ser trazido a ti. Isso lhe dará tempo para se acalmar, para que possas pensar sobre o caso com justiça’. O Imperador deu ouvidos ao seu conselho e achou excelente. Ele imediatamente ordenou que a lei fosse elaborada e ele mesmo assinou o documento. Ambrósio, então, o readmitiu a comunhão.

O Imperador, que estava cheio de fé, agora tomou coragem de entrar na santa igreja, na qual ele não orou de pé ou ajoelhado, mas lançou-se ao chão. Ele puxava os cabelos, batia na testa e chorava muito enquanto implorava pelo perdão de Deus. Ambrósio restaurou seu favor, mas o proibiu de entrar no gradil de comunhão, ordenando que seu diácono lhe dissesse: ‘somente os presbíteros, ó Imperador, tem permissão para ultrapassar o gradil de comunhão. Se retire, então, e fique com os outros leigos. A púrpura faz o Imperador, mas não os presbíteros…” Teodósio humildemente obedeceu e elogiou Ambrósio dizendo: “Ambrósio somente merece o título de ‘bispo’“. (História Eclesiástica, V.17-18, Disponível Aqui)

Não contrasta a alegada submissão da Igreja ao Império Romano com o fato aí descrito? Só por este acontecido, largamente reconhecido, pode-se objetar qualquer tipo de suposta subserviência que a Igreja teria tido ao Império. E não convém pensar, também, que Ambrósio fosse o único bispo honesto. Pelo contrário, basta um pouquinho de esforço para perceber que todo o clero cristão dessa época era de uma santidade eminente.

Depois, se de fato a Igreja se prostituiu com o Império Romano, e se isto só é possível de ter ocorrido no século IV, basta fazer-se um estudo sobre o que cria a Igreja durante os quatro primeiros séculos. Ver-se-á, então, que, longe de diferir, a Igreja já era basicamente a mesma que é hoje, com bispos, dioceses, padres, e suas crenças fundamentais.: divindade de Jesus, Ss Trindade, observância do Domingo, culto aos santos e mártires, culto especial à Virgem Maria, prática da confissão auricular, batismo de crianças, imagens, Santa Missa, etc. Nada falta! É absurdo, portanto, falar de prostituição da Igreja com o Império Romano. Veja ainda o que diz Jonathan Edwards:

“Deus agora se manifestou para executar juízos terríveis sobre seus inimigos. Os registros históricos fornecem relatos surpreendentes do quão terrível foi fim de imperadores, príncipes, generais e capitães pagãos, que se empenhavam na perseguição de cristãos; morrendo miseravelmente, um após o outro, sofrendo estranhos tormentos do corpo, horrores na consciência, com a mão de Deus visivelmente pesando contra eles. O paganismo foi, em grande medida, abolido por todo o Império Romano… A Igreja Cristã foi conduzida a um estado de grande paz e prosperidade…. Satanás, o príncipe das trevas, o rei e deus dos pagãos estava sendo derrubado. O leão que ruge foi conquistado pelo Cordeiro de Deus, no mais forte domínio que ele já teve… (...) O Evangelho prevalecendo da maneira que fez contra uma oposição tão forte demonstra claramente a mão de Deus. O governo romano que, com tanta violência, trabalhou para impedir o sucesso do Evangelho e para destruir a Igreja de Cristo, foi o Império mais potente que já havia aparecido no mundo; e não somente isso, mas também pareciam ter a Igreja nas mãos. Os cristãos que estavam sob seu domínio nunca pegaram nas armas para se defender, se armaram unicamente com a paciência e armas espirituais. Ainda assim, essa grande potencia não podia conquistá-los, mas o Cristianismo é que prevaleceu. O Império Romano havia dominado muitos reinos poderosos; eles dominaram a monarquia Grega, apesar desta ter resistido ao máximo. Mas não foram capazes de conquistar a Igreja em suas mãos. Pelo contrário, a Igreja triunfou e prevaleceu”. (A History of the Work of Redemption, “The Success of Redemption from the Destruction of Jerusalem, to the Time of Constantine”, Disponível aqui.)

Não há, portanto, NENHUMA evidência de "prostituição" doutrinal da Igreja com Roma. Como se vê, muito pelo contrário.


Usa-se também a referência "está vestida de púrpura e escarlate" para indicar a cor das vestes litúrgicas dos bispos e cardeais. 

Porém, as cores "púrpura" e "escarlate" não indicam cores literais, mas significados simbólicos. Elas contrastam com as "vestes brancas", que simbolizam pureza. Vejamos:

Apo 3,5 - "O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante do meu Pai e dos seus anjos."

Apo 3,18 - "Aconselho-te que compres ouro provado ao fogo, para ficares rico; roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez";

Apo 7,9 - "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão."

Apo 3,4 - "Todavia, não contaminaram suas vestes; andarão comigo vestidas de branco, porque o merecem."

Dn 7,9 - "Continuei a olhar, até o momento em que foram colocados os tronos e um ancião chegou e se sentou. Brancas como a neve eram suas vestes."

Agora contrastemos isso com este texto:

"Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! (Isa 1,18)

Aqui as cores claramente simbolizam o pecado e a pureza. O vermelho e o escarlate, cores gritantes, contrastam com a placidez do branco. É óbvio que literalmente Deus não tem vestes.

Assim, as cores vermelho e púrpura das vestes da Prostituta simbolizam a intensidade da sua prostituição e do seu pecado. Mas será que isto pode mesmo simbolizar a Igreja?  Obviamente, como é feita de homens, estes pecam. Assim como os 12 apóstolos pecavam. Mas não há possibilidade de falar que a Igreja enquanto tal, isto é, em virtude de sua essência, foi promovedora de pecados escarlates. De fato, houve papas bons e maus, assim como clérigos bons e maus. Alguns foram bastante pecadores, mas isso nunca foi uma regra na Igreja, de modo que não há homogeneidade no mal. Os pecados que se deram não se destacaram tanto quanto se quer fazer pensar, nem foram promovidos pela Igreja de modo proposital. E aqui há que se perguntar: a que se referem os acusadores? Provavelmente, citarão certas imoralidades perpetradas inclusive por Sumos Pontífices. No entanto, nunca poderão fazer disso uma regra, senão circunstâncias muito pontuais. Não é, porém, o que ocorre com a Prostituta do Apocalipse. E o que dizer dessa vista grossa suspeita para a imensa quantidade de santos, cujas vidas se elevaram a alturas tão vertiginosas que os líderes protestantes sequer conseguem acompanhar com os olhos?

Depois, há que se dizer que o "roxo" e o "vermelho" não são as cores principais do clero católico. Todos os padres vestem preto, se estão de batina, ou branco e outras cores, quando estão celebrando. Os bispos e cardeais, quando celebram, variam as cores a depender do tempo litúrgico. Elas podem ser o roxo (celebrações penitenciais, quaresma, finados, advento), o vermelho (memória dos mártires, Pentecostes), o branco (festas em geral), o azul (celebrações marianas) ou o verde (tempo comum). Sem celebrar, usam vestes pretas, e faixas roxas (bispos) e vermelhas (cardeais), ou murças roxas (bispos) ou vermelhas (cardeais). 

Cardeais com túnicas e murças vermelhas

Bispos e cardeais com batinas pretas e faixas e solidéus roxos (bispos) e vermelhos (cardeais)
Padre com batina, veste ordinária

Casulas usadas apenas para celebrações


O roxo sempre representa sobriedade, penitência, conversão. O vermelho, por sua vez, indica o sangue dos mártires, o de Cristo e também a disposição em dar o próprio sangue. Já a cor das vestes papais é toda branca. É óbvio que se João quisesse referir-se à Igreja, teria variado bastante nas cores, referindo-se principalmente ao branco e ao preto, ou teria principalmente mencionado a cor do Papa, o branco. Como vimos, porém, o branco é a cor dos remidos.

Por fim, em se tratando de vestes literais, é fato que Deus mesmo ordenou que, nas cerimônias litúrgicas de Israel, as vestes sacerdotais fossem roxo e escarlate (Ex 28,4-8, 15, 33; 39,1-8, 24, 29).

Próximo ponto.


"Nela se encontrou o sangue dos profetas e dos santos".

Geralmente, quando se trata disso, o imaginário protestante é imediatamente levado às cenas da Inquisição, o que não deixa de ser interessante, tendo em vista a total ignorância no assunto por parte da extrema maioria deles. Os que, ao invés, se detêm em estudar um pouco que seja este tema, rapidinho abandonam tais devaneios.



Dentre os hereges condenados pela Inquisição, se encontravam principalmente os cátaros, uma variante do maniqueísmo. Mas também havia outras correntes, como os huguenotes, na França, e os albigenses, bastante semelhantes aos primeiros, nos países baixos, Alemanha, Lombardia e sobretudo na França.

Vamos ver quem eram cada um desses? Depois, vocês mesmos me dirão se eles podem ser chamados de santos.

Cátaros e Albigenses são basicamente os mesmos. A denominação distinta dependia dos lugares. Foi basicamente por causa deles que o Tribunal da Inquisição começou a "trabalhar". No que criam? Dissemos que era uma variante do maniqueísmo. Comecemos então definindo o que é o maniqueísmo: tipo de gnosticismo que afirma existirem dois princípios substanciais: o bem e o mal. Esses dois princípios são duas divindades, uma boa e outra má. A divindade boa criou o mundo dos espíritos. A divindade má criou o mundo material e aprisionou o espírito humano dentro de um corpo físico. Conclusão: a matéria é má e é preciso redescobrir o meio de despertar a nossa verdadeira natureza, a centelha divina que está presa dentro do invólucro corporal. Para isto, é preciso conhecer um segredo oculto: a gnose. Este segredo nos foi dado por Jesus, que havia ensinado como fazer para adquirir a liberação.

Jesus, porém, não foi verdadeiro homem, pois ser homem é ser material. Logo, não é verdade que ele se encarnou. Tampouco morreu, nem ressuscitou, pois todas essas coisas promovem a matéria. Vão observando quem são os pretensos santos. Para eles, o Deus do Antigo Testamento é o Deus mau, Satanás. O Deus do Novo Testamento é que é bom.

Em termos práticos, isso fazia com que eles condenassem as relações sexuais, que identificavam com o Pecado Original, e sobretudo o casamento, que era como uma legitimação das torpezas e imoralidades. Consideravam que as mulheres grávidas eram tipos de possessas, pois carregavam o mal na barriga, e chegavam a assassiná-las. Pregavam o suicídio por inanição, numa prática chamada endura, e que impunham até às crianças. Há uma fonte que afirma que os cátaros morreram mais disso do que por qualquer iniciativa da Inquisição. Além disso, invadiam e incendiavam propriedades. Como eram geralmente identificados como religiosos, a Igreja era chamada para intervir e evitar a justiça com as próprias mãos por parte dos civis. Foi numa dessas ocasiões que o Papa Inocêncio III enviou o seu delegado, Pierre de Castelnau, para pregar no sul da França. Na volta, porém, ele foi assassinado por quem? Pelos cátaros. Este incidente motivou a chamada Cruzada dos Albigenses. As idéias cátaras estavam se espalhando de modo terrivelmente rápido, urgindo uma intervenção. Historiadores insuspeitos, como o protestante Henry C. Lea, afirmam que, se nada fosse feito, eles teriam levado a civilização ocidental a um colapso. Santos Cátaros? Só numa cabeça doente.

E os huguenotes? Seriam coisa boa? Seriam santos? Vejamos.

A seita começou em Paris, e foi exterminada na Noite de São Bartolomeu que, ao contrário do que se diz, não teve nenhum tipo de participação da Igreja, conforme você pode ver nesta série de artigos a respeito:


Mas, ainda assim, vejamos quem eram os tais.

Os huguenotes defendiam o Calvinismo e viviam do calor provocado pela revolta de Lutero. Sobre aqueles dias, escreve o historiador francês Jorge Gandy:


"O calvinismo envolvia a França numa rede de conspirações. Em 1562, seus partidários sublevaram-se, ao mandado de seus chefes, com uma simultaneidade assustadora. Em 1567, pôde-se verificar juntamente o alcance e a rapidez de suas manobras. Neste ano, as ruas de Nimes foram ensanguentadas por uma das mais odiosas São Bartolomeus protestantes, a qual se chamou a Miguelada, efetuada pelos huguenotes, de sangue frio, de caso pensado, sem provocação da parte dos católicos, a 30 de setembro, no dia seguinte à festa de São Miguel. Trezentos cadáveres foram precipitados num grande poço, no pátio do palácio episcopal. Contra este fato, os protestantes organizaram a conspiração do silêncio. Contudo, o nefando crime é confessado por alguns deles. Além disso, a Miguelada não foi um fato isolado, mas o efeito de uma conspiração tramada contra a França." (Revue des questions historiques, 1866, t. I. - J.-J. Fauriel, Essai sur les événements qui ont précédé la Saint-Barthélemy (thèse))


Carlos Buet, por sua vez, comenta:

"As catedrais, as igrejas, os conventos, as capelas e até as bibliotecas e os hospitais são destruídos, saqueados, roubados, profanados. Como os bárbaros, os protestantes apoderam-se de todas as riquezas do culto, quebram as estátuas, dilaceram as pinturas... Pelas mãos deles, os bispos, os sacerdotes, os frades de qualquer ordem são mortos, insultados ou expulsos. As populações, fiéis ao culto de seus pais, são submetidas aos mais cruéis tratamentos. Só na Beauce, os calvinistas triunfantes destruíram trezentas igrejas. Em toda a França, contam-se cento e cinquenta catedrais ou abadias completamente arruinadas" (François_de Guise)

Os hereges não queriam apenas um lugar ao sol, como se costuma dizer. Pelo contrário, eles atacavam de armas na mão. Pouco se fala das Inquisições Protestantes, essas sim, uma cena dramática de carnificina e ódio. Não à toa a Igreja, por vezes, tinha de intervir com o braço secular. Mas falaremos disso mais adiante.

E o que dizer dos famosos reformadores mortos pela Inquisição?

John Huss, Zwinglio, Lutero, Wycliffe?

Comecemos por este último? Bom, é breve: Wycliffe morreu de morte natural. Próximo.

Lutero? Suicida. Próximo.

Zwinglio? Convocou uma luta armada na Suiça e morreu em combate.

Vamos então a John Huss. Esse de fato morreu na Inquisição. Observemos em quais circunstâncias.




Jan Husinecký, ou o seu correspondente latino, Johannes de Hussinetz., foi o fundador dos hussitas, e defendia as idéias de Wycliffe. Dentre as bandeiras propagadas pelo sr. Huss, estavam:

a) Negação das indulgências;

b Negação do purgatório;

c) Negação do papado; 

d) Negação da realidade da transubstanciação, professando a novidade luterana da empanação;

e) Dizia que os fiéis não estavam submissos à autoridade civil a menos que estas estivessem em estado de graça. 

Além disso tudo, ele era visto como um líder boêmio contra os interesses do rei, de modo que as suas posições tinham fortes repercussões políticas. A época também é particularmente caótica, e conhecida como o Grande Cisma do Ocidente: havia três pretensos papas, todos falsos: João XXIII, Bento XIII e Gregório XII, cada um apoiado por sua própria região e grupos de poder. O Concílio de Constança teve seu início durante esse processo complicado, e, a partir de um sistema de votações, foi destituindo um a um os supostos pontífices, chegando, depois, a estabelecer um novo Papa: Martinho V, que restaurou a unidade da Igreja. No meio dessa briga político-religiosa, a negação da autoridade papal afirmada por Huss tinha fortes ecos políticos. João XXIII chegou a excomungá-lo, mas sem incluir nisso sanções civis, como que a adverti-lo para que ficasse quieto. Mas nada feito. Huss apareceu no concílio a fim de defender suas teses, sob um salvo conduto do Imperador, que, no entanto, não o evitou de ser considerado herege e de ser preso. Diz-se que o Impeador, sob a alegada afirmação de que não queria se opor à Igreja, achou nisso um conveniente para cessar a voz de um seu perseguidor político. Por dois meses e meio fizeram um exame geral dos escritos de Huss, durante os quais ele continuou a pregar e escrever sob prisão domiciliar no Castelo de Gottlieben.

A 6 de Julho de 1415, John Huss, depois de se ter negado a renunciar aos próprios erros, aceitou a pena civil da execução na fogueira.

Há que se dizer que o Papa Martinho V só foi eleito dois anos depois. Ou seja: John Huss morreu no cume da confusão. Portanto, não se deve dizer que este foi um evento típico na Igreja.

Mas reflitamos um pouco no significado da Heresia.

O termo, do grego Haeresis, faz referência ao ato de escolher, num corpo de doutrinas, aquelas às quais se vai aderir, estabelecendo a consciência individual como autoridade máxima em religião, atitude que é a raiz do subjetivismo e individualismo moderno.

Na Idade Média, a Heresia não era apenas um pecado moral individual, mas era considerado crime civil - algo que pode ser comparado, na indignação que despertava no povo, ao atual crime de pedofilia - e, além disso, era tido como crime de lesa majestade, isto é, contra o Rei, Deus. Toda a sociedade medieval era teocêntrica. Uma heresia implicava em turvar a revelação que Deus havia feito de si mesmo. Isto provocava de um lado uma ofensa a Ele, e de outro expunha as almas à condenação eterna. A heresia era dita matar a alma. Como o homem medieval tinha, sobretudo, o ideal da salvação, os hereges lhes apareciam como inimigos-mor do povo e de Deus. Frequentes eram as execuções levadas a termo pelos próprios civis, e, se a Igreja intervinha, frequentemente ela minorava o rigor com que os hereges eram tratados, inclusive poupando-os da morte na imensa maioria das vezes. O Rei Luís VII, da França, em 1162, ainda antes da Inquisição, mas já numa situação insuportável por conta dos hereges, escreve ao Papa Alexandre III: 

"Vossa sabedoria preste atenção toda particular a esta peste e a suprima antes que se possa agravar. Eu vos suplico pela honra da Fé cristã, dai nesta causa toda a liberdade ao Arcebispo (de Reims), êle destruirá aqueles que assim se levantam contra Deus, sua severidade justa será louvada por todos os que, nesse país, estão animados de genuína piedade. Se Vós agirdes de outro modo, os murmúrios não se aquietarão e desencadeareis contra a Igreja Romana as veementes censuras da opinião." (Dictionnaire de Théologie Catholique, Paris, 1923)

Somente quase cem anos depois é que a Inquisição entrará em cena. Ela era vista, pelos criminosos em geral, como um tribunal justo, ao ponto de vários deles, presos por crimes civis, inventarem logo em seguida um crime de heresia para que pudessem ser transferidos e julgados pela Inquisição. Isso ocorreu, por exemplo, com os Templários, na França, mas o seu pedido foi indeferido. Além disso, a Inquisição deixava à disposição dos acusados um advogado de defesa, era feita uma profunda investigação sobre os fundamentos da acusação; se o acusador fosse provado ser falso, ele era quem pagava a sanção. Se em qualquer fase do processo o réu se arrependia dos seus delitos, os confessava e renunciava as suas posições, ele era perdoado e escapava da pena capital. A Inquisição representou ainda um grande avanço nos sentido humanitário. Todos os tribunais civis do mundo faziam amplo uso da tortura. A Igreja quase a excluiu de vez. Permitia que fosse aplicada apenas uma vez, sem derramamento de sangue e na presença de um médico, e a confissão sob tortura só era válida se confirmada posteriormente, sem tortura. Em 200 anos, a tortura foi aplicada apenas 3 vezes. As prisões da Inquisição eram muito mais dignas do que as civis. As punições mais comuns eram penitências pessoais - como os "autos da fé" - peregrinações, expropriação de algum pertence, etc. Dentre as poucas execuções penais, várias delas eram apenas simbólicas, com bonecos sendo queimados.

O crime de heresia, como contaminava socialmente - a exemplo dos cátaros -, e expunha muitas almas ao perigo do erro e da apostasia, ameaçando-lhes do inferno - que, no imaginário medieval, era muito real, e certos estavam eles - exigia que a Igreja, ciosa dos seus filhos, agisse como mãe detendo o perigo. A morte física não é o maior perigo a não ser para uma sociedade materialista, como a nossa. Este materialismo instaura necessariamente a covardia, o interesse, o egoísmo, e a ditadura dos prazeres, que é o que vivemos. A consequência é uma redução drástica do alcance da consciência e a vedação, total ou parcial, do senso da transcendência. O bom senso, porém, não está no lado de cá, mas no de lá. Os protestantes que acusam a Igreja, como são supostamente dotados desse senso do sagrado, fariam bem de refletir um pouco sobre essas coisas.

E nos contentamos apenas a afirmá-las, sem entrar em maiores detalhes, porque o artigo não é sobre o assunto. Mas disponibilizamos os seguintes textos a respeito:


Os Arquivos da Inqusição, que contêm a maior quantidade de fontes primárias, foram abertos oficialmente em 1998, pelo Papa João Paulo II, o que inspirou um Simpósio Internacional de Historiadores sobre a Inquisição, presidido por Rino Cammilleri, escritor e jornalista italiano, que, depois, escreveu o livro "A verdadeira história da Inquisição".




Rino, nesta obra, escreve: "Em 50 000 processos inquisitoriais uma ínfima parte levaram à condenação à morte, e dessas só uma pequena minoria produziu efetivamente execuções".

Ele diz ainda que em Toulouse, onde a Inquisição ocorreu de modo mais forte, "houve apenas 1% de sentenças à morte".

Ou seja, longe de ser o que dizem os devaneios da Renascença, escritos por mentirosos confessos, como Diderot, Voltaire et caterva, e que são não obstante assumidos hoje como as mais confiáveis testemunhas por livros do MEC e protestantes incautos, a Inquisição foi um tribunal justo. Excessos existiram cá e lá, pois, na inexistência de telefones, internet e estradas, era complicado que Roma desse conta de inspecionar todos os lugares de uma vez. Às vezes uma determinação papal demorava um ou dois anos para chegar num dado vilarejo. Clérigos aqui e ali não raro se corrompiam por interesses políticos, e essas coisas de fato influenciavam no andamento de alguns processos. Contudo, isso nunca foi uma lei. O senso moral, tanto dos padres quanto dos fiéis, levado a alturas singulares pela educação cristã, não permitia que tal se desse. É de uma ingenuidade desonesta afirmar que os homens medievais eram todos tolos. Qualquer historiador especialista haverá de afastar de uma vez para sempre a cômica e ridícula pecha de "idade das trevas".

Diga-se, por fim, mais duas coisas. A Inquisição é mais conhecida, nos seus excessos violentos, pelo que se deu na Espanha, com Torquemada. Ocorre, porém, o seguinte: a Inquisição Espanhola não foi um tribunal da Inquisição Eclesiástica, mas do poder régio. Inclusive os inquisidores de lá, de novo movidos por interesses políticos, foram diversas vezes ameaçados de excomunhão pela Igreja. E, ainda assim, a violência ventilada pelos inimigos da Igreja está longe de ser verdadeira. Um estatístico afirmou que as bicicletas infantis são 14 vezes mais letais do que a Inquisição Espanhola, isto é, ocorrem 14 vezes mais acidentes letais com crianças por causa das bicicletas infantis do que réus que eram condenados à pena capital pela Inquisição Espanhola.

Rino, na obra supracitada, esclarece: "As fontes históricas demonstram muito claramente que a inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura 'relativamente pouco frequente e geralmente moderado.'"

A outra coisa é: a Revolução Francesa matou mais pessoas em uma só semana do que todos os mil anos de Inquisição, e isto também é facilmente comprovado. No entanto, quais são os valores que norteiam a vida contemporânea? Exatamente aqueles da Revolução Francesa, elencados por Roberpierre: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade - ou a Morte." Idéias profundamente ideológicas que escondem, sob o verniz arco-íris, o vermelho vivo do sangue e o negro profundo do inferno.

Como se viu, os "santos" mortos pela Inquisição não eram tão santos assim, nem a Inquisição pode ser acusada de "derramar o sangue dos santos", como se vivesse a matar gente. Convido o amigo leitor, católico, protestante, agnóstico ou ateu, a nos trazer nomes específicos de supostos santos que teriam morrido pelas mãos da Inquisição. A Prostituta do Apocalipse está bêbada com o sangue deles, o que indica que têm de ser muitíssimos. Pois bem, tragam-nos dados e nomes. Fazer uma alegação dessas baseados em nada, ou melhor, em mentiras - que são menos que nada - da Renascença e do Iluminismo, inimigos que são da religião, é desonestidade, levantamento de falso testemunho e prestação de serviço à mentira. Não se pode pretender que a leitura correta do apocalipse deva se fundamentar nestas lorotas. Afinal, o anjo disse que, para entender os símbolos, é necessário uma inteligência penetrante, e não um caráter flatulante.

Fábio.

Jovem católico é agredido na PUC por defender a posição católica!


Num seminário promovido pela PUC para promover a Reforma Política do PT, o palestrante, Daniel Seidel, que conseguiu a façanha de ser ao mesmo tempo representante do PT e secretário da CNBB, em partes do seu discurso defendia claramente a Revolução e afirmava que o que se espera não será conseguido a partir de reformas. Neste momento, um rapaz católico, depois de pedir a palavra, questionou como é que uma bancada de excomungados pode discursar numa instituição católica e, ao mesmo tempo, pretender representar esta mesma Igreja. Para respaldar sua crítica, ele mostrou o Decreto contra o Comunismo, de autoria de Pio XII, de 1949, que excomunga os católicos que promovam de alguma forma o ideal comunista. Depois disso, vieram reprimi-lo e a coisa desandou, como se pode ver no vídeo.

Para fazer uma rápida apreciação, nos sentimos maximamente representados pelo jovem que teve a coragem de enfrentar, praticamente só, aquele povo. É verdade que depois alguns simpatizantes - provavelmente seus amigos - se manifestaram, no meio da confusão. 

Mas em segundo lugar, é de uma vergonha imensurável que a CNBB coloque um petista pregador da revolução como sua representante numa instituição católica. É deplorável. A CNBB já passou dos limites há muito. Chego até certo asco dessa conferência. Ela não é católica. 

Por que o católico não pode votar no PT? Ou vote e ganhe de brinde duas excomunhões.


Estamos numa época intensa de disputa eleitoral. O país todo veste suas camisas, faz seus apelos; debates vivos surgem aqui e ali. No entanto, dado o atual estado de coisas, o católico só pode ter uma opção: não votar no PT.

Tenho visto amigos em dúvida. Outros declaram abertamente adesão ao Partido dos Trabalhadores. Até padres revelam intenção de votar na senhora Dilma. E, não obstante, há sérios impedimentos que vedam ao católico esta possibilidade. Entendamos quais são eles:

Primeiramente, o PT é um partido abortista. Isso se vê de vários modos. Mas, apenas para ficar em um ou outro, voltemos ao ocorrido em 2009, quando o PT puniu dois dos seus deputados - Luiz Bassuma e Henrique Afonso - pelo crime nefando de se declararem contrários à descriminalização do aborto. Veja aqui.

Isso está de acordo com o Estatuto do PT, onde se esclarece que um integrante do partido deve estar "previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato", e, ainda, que um candidato que desobedecer alguma dessas normas ou resoluções "será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato" (Estatuto do PT, art. 140, §1 e 2Leia o Estatuto na íntegra aqui. O citado está na página 34.

Dentre as resoluções que vinculam obrigatoriamente os candidatos do Partido, há uma, aprovada no 3º Congresso do PT, ocorrido em agosto e setembro de 2007, onde se propugna a "defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à [sic] todos os casos no serviço público" dando às mulheres o direito de "assim optarem", tornando o aborto factível a partir de uma simples deliberação. As resoluções deste Congresso podem ser vistas aqui, sendo que o referido se encontra na página 82.

Além disso, é digno de nota o lamento feito pelo PT pelo fato de, já no corrente ano, terem-se elegido muitos parlamentares conservadores, aos quais o PT chama de "extrema-direita" - tudo o que não concorde com eles é extrema-direita. E o grande motivo disso é que tal estrutura "jurássica" do Congresso dificultará discussões sobre as uniões homoafetivas, a legalização da maconha, e o aborto. Veja aqui.

Se se quiser, ainda, comprovar a sanha abortista e imoral desse partido, com o qual um católico não pode, em situação alguma, coadunar, leia-se o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o PNHD-3, defendido pelo PT, onde, dentre outras coisas, se diz:

- "Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde" e, mais abaixo, "recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto; (Diretriz 9, Objetivo Estratégico III, letra G)

- "Implementar mecanismos de monitoramento dos serviços de atendimento ao aborto legalmente autorizado, garantindo seu cumprimento e facilidade de acesso." (Diretriz 17, Objetivo Estratégico II, letra G)

Leia o PNHD-3 na íntegra aqui.

Veja ainda aqui o Dr. Yves Gandra falando a respeito desse Plano, já antecipando um pouco o segundo motivo pelo qual um católico não pode votar no PT: a tentativa de comunistizar o Brasil.



O aborto é um crime absurdo onde se mata o infante indefeso que está sendo gestado. Essas políticas de descriminalização tentam realizar uma revolução semântica em termos como "direitos reprodutivos", "violência sexual" ou "planejamento familiar", a fim de que tais expressões, ao mesmo tempo em que se isentam de causar reações adversas nas pessoas, incluam realidades como o suposto direito ao aborto. O Pe. Sanahuja explica: "mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma estratégia para que a reengenharia social seja aceita por todos, sem protestar." E ainda: 


"Estamos em meio a uma batalha da qual uma das frentes mais importantes é a semântica. Por exemplo, temos visto que o termo paternidade responsável, na boca de um político, segundo os códigos universalizados pelas Nações Unidas, não terá o mesmo significado contido nos documentos da Igreja. No linguajar de alguns parlamentares poderia significar, segundo as circunstâncias, desde a distribuição maciça de contraceptivos até mesmo a intenção oculta de promover o aborto. O mesmo se poderia dizer da expressão violência contra a mulher ou mesmo do termo tortura, palavras que o comum das pessoas nem imagina que possam esconder uma referência ao suposto direito ao aborto e outras aberrações." (Mons. Claudio Sanahuja, Poder global e religião universal, São Paulo, Ecclesiae, 2012. p.15.)

Bento XVI, por sua vez, se pronunciou numa Audiência Geral, nos seguintes termos:

"Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI, Audiência Geral, 07-10-09)

Um católico não pode defender isso sob pena de excomunhão. De todos os direitos possíveis ao ser humano, o mais importante deles é o direito à vida, sem o qual todos os demais não têm sentido algum e o qual todos estes outros direitos pressupõem necessariamente. Defender a vida desde a sua concepção até o seu fim natural é um dever inescusável de todo católico.

A CNBB inclusive escreveu um texto aos católicos, fazendo uma busca retroativa dos passos do PT e da ex-candidata Marina Silva em favor da prática deste crime que clama aos céus. O texto conclui citando o bispo de Guarulhos, Dom Edmilson Amador Caetano, que, no final do seu artigo "Fé e Política", escreve: "se um candidato…escolheu um partido que tem posições contrárias à defesa da vida, desde a sua concepção até à morte natural, e vincula e obriga os seus membros a esta posição, seria imoral para o cristão fazer tal opção política.” Recomendamos vivamente a leitura deste texto, que pode ser lido aqui.

Leia ainda o pronunciamento do Papa Bento XVI, em 2010, onde, dentre outras coisas, ele diz:

"Quando (...) os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas. (...) Seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural. Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro (...)? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto (...), o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases. Portanto, caros irmãos (...), ao defender a vida, não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo." (Discurso aos bispos do Regional Nordeste V, em visita Ad Limina.)
Veja o discurso inteiro aqui.

Votar em um partido que defende e promove a prática do aborto significa tornar-se cúmplice moral de tal crime. Portanto, pune-se o católico que o fizer com a excomunhão automática, chamada Latae Sententiae, porque há como uma excomunhão latente no próprio ato de promoção do aborto. Assim, ainda que ninguém o saiba nem o declare, a excomunhão ocorre.

Assista ao Pe. Paulo Ricardo explicando isso:



A outra razão para que o católico não possa votar no PT é que ele integra o Foro de São Paulo. Este Foro, desconhecido pela maioria das pessoas, é uma organização supranacional, fundada em 1990, por Lula e Fidel - Cruz Credo! - e que tem por objetivo a instauração de um governo socialista em toda a América Latina.

Se alguém quiser observar por si mesmo como o PT faz parte do Foro, veja aqui.

Chamo a atenção, ainda, para os seguintes vídeos:





E aí, ganham sentido todos esses namoricos que o governo brasileiro tem com Cuba, Venezuela, Argentina, etc., e o próprio fato de o PNDH-3, que o PT quer implantar no Brasil, ser tão semelhante ao modelo venezuelano. Esses atos nada mais são senão um esforço de integração dos governos socialistas para que se acelere o processo de comunização do Brasil.

Sobre os gastos com o Porto de Mariel, em Cuba, assista:



Veja ainda esses vídeos




No que se refere ao Socialismo, a Igreja também é tão oposta que chega a declarar, também, excomungado quem de algum modo o promove. Leia o Decreto contra o Comunismo, datado de 1949, escrito pelo Papa Pio XII, aqui. Este Decreto não passa a excomungar o católico a partir de então. Pelo contrário, ele apenas positiva o que já era, desde há muito, a posição da Igreja. Já Pio XI, em 1931, na Quadragesimo Anno, uma Encíclica que celebrava os quarenta anos da grande Rerum Novarum, explicitava: "Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios : ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista." Quanto aos católicos que passavam a defender o Socialismo, escreve o Papa: "Nós com paterna solicitude ansiosamente vamos considerando e indagando como foi possível que chegassem a tal aberração", e ainda:
"Porém nem a injúria Nos ofende, nem a magna desalenta o Nosso coração paterno a ponto de repelirmos para longe de Nós estes filhos tristemente enganados e saídos do caminho da verdade e da salvação; ao contrário com toda a possível solicitude os convidamos, a que voltem ao seio da Santa Madre Igreja. Oxalá que dêem ouvidos à Nossa voz! Oxalá que voltem à casa paterna donde saíram e aí permaneçam na seu posto, nas fileiras daqueles que, fieis às directivas promulgadas por Leão XIII e por Nós hoje solenemente renovadas, procuram reformar a sociedade segundo o espírito da Igreja, fazendo reflorescer a justiça e a caridade sociais."

Leia-a inteira aqui.

Portanto, há pelo menos duas excomunhões escondidas no voto ao PT, e isso deveria ser para o católico um motivo mais que suficiente para que ele entendesse que há razões graves para não fazê-lo. Um católico que faz tal escolha declara, através de sua livre atitude, que não se importa e não defende a moral da Igreja em pontos gravíssimos, tais como são a defesa da vida desde a concepção e a discordância intrínseca a quaisquer formas de socialismo, um regime que, no decorrer da história, foi o responsável por não menos que cem milhões de mortos. Desse modo, por sua própria escolha, exclui-se da comunhão católica.

Fábio.

Em busca da Prostituta da Babilônia


Alguns anti-católicos clamam que a Igreja Católica é a prostituta da Babilônia de Apocalipse 17 e 18. Dave Hunt, em seu livro de 1994, Uma mulher monta a besta, apresenta nove argumentos tentando provar isso. Sua afirmação é um sumário útil daqueles geralmente usados por fundamentalistas, e um exame deles mostra por que eles não funcionam.

#1: Sete Colinas

Hunt argumenta que a Prostituta "é uma cidade construída em sete colinas", que ele identifica como os sete colinas da Roma antiga. Este argumento é baseado em Apocalipse 17,9, que afirma que a mulher senta sobre sete montanhas.

A palavra grega nessa passagem é horos. Das sessenta e cinco ocorrências dessa palavra no Novo Testamento, somente três são proferidas como "colinas" pela Versão King James. As restantes sessenta e duas são traduzidas como "montanha" ou "montes". As Bíblias modernas têm proporções similares. Se a passagem afirma que a prostituta se senta sobre "sete montanhas", isto poderia referir-se a qualquer coisa. Montanhas são símbolos bíblicos comuns, muitas vezes simbolizando reinos inteiros. (Cf. Sl 68,15; Dn 2,35; Am 4,1; 6,1; Ab 8,21) As sete montanhas da Prostituta poderiam ser reinos sobre os quais ela reina, ou sete reinos com os quais ela tem algo em comum.

O número sete pode ser simbólico também, pois isto muitas vezes representa completude na Bíblia. Se é assim, as sete montanhas poderiam significar que a Prostituta reina sobre todos os reinos da terra.

Mesmo se nós aceitarmos que a palavra horos poderia ser traduzida literalmente como "colinas" nesta passagem, isto ainda não nos aproxima de Roma. Outras cidades são conhecidas por terem sido construídas sobre sete colinas também.

Mesmo se nós concedermos que a referência é a Roma, de que Roma nós estamos falando - a pagã ou a cristã? Como nós veremos, a Roma pagã, antiga, se ajusta a todos os critérios de busca tão bem, ou até melhor, do que Roma durante os séculos cristãos.

Agora, façamos a distinção entre Roma e a Cidade do Vaticano - a cidade onde a Igreja Católica está sediada - e o clamor dos caçadores se torna menos plausível. A Cidade do Vaticano não está construída em sete colinas, mas apenas em uma: a Colina Vaticano, que não é das sete sobre as quais a antiga cidade de Roma foi construída. Aquelas colunas estão no lado leste do rio Tibre; a Coluna Vaticano está a oeste.

#2 - "Babilônia" - O que há em um nome?

Hunt nota que a Prostituta será uma cidade "conhecida como Babilônia." Isto é baseado em Apocalipse 17,5, que diz que seu nome é "Babilônia, a Grande."

A frase "Babilônia, a Grande" (em grego: Babulon a megala) ocorre cinco vezes em Apocalipse (14,8; 16,19; 17,5; 18,2, e 18,21). Luz é posta no seu significado quando se nota que Babilônia é referida como "a grande cidade" sete vezes no livro. (16,19; 17,18; 18,10, 16, 18, 19, 21) Além dessas, há só uma referência a "a grande cidade". Essa passagem é 11,8, que afirma que os corpos das duas testemunhas de Deus "irão jazer na rua da grande cidade, que é simbolicamente chamada Sodoma e Egito, onde o seu Senhor foi crucificado."

"A grande cidade" é simbolicamente chamada Sodoma, uma referência a Jerusalém, simbolicamente chamada "Sodoma" no Antigo Testamento (cf. Is 1,10; Ez 16,1-3; 46-56). Nós também sabemos que Jerusalém é a "grande cidade" de Apocalipse 11,8 porque o verso diz que foi "onde o Senhor foi crucificado."

O Apocalipse consistentemente fala como se houvesse somente uma "grande cidade" ("A grande cidade"), sugerindo que a grande cidade de 11,8 é a mesma que a grande cidade mencionada nos outros sete textos - Babilônia. Evidência adicional para a identidade das duas é o fato de que ambas são simbolicamente nomeados depois dos grandes inimigos da fé do Antigo Testamento: Sodoma, Egito e Babilônia.

Isto sugere que Babilônia, a grande, pode ser Jerusalém, não Roma. Muitos comentadores protestantes e católicos têm adotado esta interpretação. De outro lado, os Pais da Igreja Primitiva se referem muitas vezes a Roma como "Babilônia", mas muitas referências foram à Roma pagã, que martirizou cristãos.

#3 Comete fornicação

Hunt nos conta, "A mulher é chamada uma 'prostituta' (versículo 1), com quem os reis da terra 'têm cometido fornicação' (versículo 2). Contra somente duas cidades tal acusação poderia ser feita: Jerusalém e Roma."

Aqui Hunt admite que os profetas muitas vezes se referiram a Jerusalém como uma prostituta espiritual, sugerindo que a Prostituta poderia ser a apóstata Jerusalém. A Roma pagã, antiga, também se encaixa na descrição, pois, desde que havia o culto de adoração ao imperador, ela também cometeu fornicação espiritual com "os reis da terra" (aquelas nações que ela conquistou).

Para identificar a Prostituta como a Cidade do Vaticano, Hunts interpreta a fornicação como alegadas "alianças profanas" forjadas entre a Cidade do Vaticano e outras nações, mas ele falha em citar alguma razão pela qual as relações diplomáticas do Vaticano com outras nações são "profanas".

Ele também confunde a Cidade do Vaticano com a cidade de Roma, e ele neglicencia o fato de que a Roma pagã teve "alianças profanas" com os reinos que ela governou (profanas porque elas foram construídas sobre paganismo e adoração ao imperador).

#4 Vestida de vermelho e roxo

Hunt afirma, "Ela [a Prostituta] está vestida em "púrpura e escarlate"(versículo 4), as cores do clero católico. Ele então cita a Enciclopédia Católica para mostrar que bispos vestem certas vestimentas púrpuras e cardeais vestem certas vestimentas vermelhas.

Hunt ignora o óbvio significado simbólico das cores - púrpura para realeza e vermelho para o sangue dos mártires cristãos. Ao invés, ele está de repente literal na sua interpretação. Ele entendeu bem o suficiente que a mulher simboliza uma cidade e que a fornicação simboliza algo mais que o sexo literal, mas agora ele quer atribuir às cores um literal, terreno cumprimento em umas poucas roupas de certo clero católico.

Roxo e vermelho não são as cores dominantes das roupas do clero católico. O branco que é. Todos os padres vestem branco (incluindo bispos e cardeais quando eles estão celebrando a Missa) - mesmo o Papa se veste assim.

O roxo e o escarlate da Prostituta são contrastados como  branco da Nova Jerusalém, a Noiva de Cristo (Ap 19,8). Este é um problema para Hunt por três razões: (a) nós já notamos que a cor dominante das vestimentas do clero católico é branco, que o identificaria como Nova Jerusalém se a cor for tomada literalmente; (b) a roupa da Noiva possui uma interpretação simbólica ("a justiça dos santos;" 19,8); implicando que a roupa da Prostituta deveria também possuir um significado simbólico; e (c) a identificação da Noiva como Nova Jerusalém (Ap 3,12; 21,2, 10) sugere que a Prostituta pode ser a velha (apóstata) Jerusalém - um contraste usado em outros lugares na Escritura (Gal 4,25-26).

Hunt ignora o significado litúrgico do roxo e vermelho no simbolismo católico. Roxo simboliza arrependimento, e vermelho honra o sangue de Cristo e os mártires cristãos.

É apropriado para o clero católico vestir roxo e escarlate, isto não por outra razão, mas porque elas são cores litúrgicas da verdadeira religião desde o antigo Israel.

Hunts esquece de lembrar aos seus leitores que Deus ordenou que fio e lã escarlates fossem usados nas cerimônias litúrgicas (Lv 14,4, 6, 49-52; Nm 19,6), e que Deus ordenou que as vestes dos sacerdotes sejam feitas com fio roxo e escarlate (Ex 28,4-8, 15, 33; 39,1-8, 24, 29).

#5 Possui grande riqueza

Huns afirma, "A Incrível riqueza [da Prostituta] prendeu o olhar de João. Ela estava enfeitada com ouro e pedras e pérolas preciosas...' (Ap 17,4)." O problema é que, independentemente do que foi no passado, o Vaticano moderno não é fantasticamente rico. De fato, ele tem tido um orçamento deficiente na maioria dos anos recentes e tem um orçamento anual somente acerca do tamanho da Arquidiocese de Chicago. Além disso, riqueza esteve muito mais em caráter com a Roma pagã ou apostasia de Jerusalém, ambos centros econômicos chave.

#6 Uma taça dourada

Hunt afirma que a Prostituta "tem 'uma taça [cálice] dourada na sua mão, cheio de abominações e imundícia de sua fornicação.'" Esta é outra referência a Ap 17,4. Então ele afirma que a "Igreja é conhecida por seus muitos milhares de cálices dourados ao redor do mundo."

Para fazer o cálice dourado da Prostituta sugerir o cálice Eucarístico, Hunts insere a palavra "cálice" entre colchetes, embora a palavra grega aqui é a palavra comum para "taça" (potarion), que aparece trinta e três vezes no Novo Testamento e é sempre traduzido por "taça".

Ele ignora o fato de que o cálice católico é usado na celebração da Ceia do Senhor - um ritual ordenado por Cristo (Lc 22,19-20; 1Cor 11,24-25); ele ignora o fato de que a maioria dos cálices católicos eucarísticos em uso não são feitos de ouro, mas de outros materiais, como bronze, prata, vidro, e mesmo argila [aqui, achamos por bem esclarecer que, embora existam cálices desses últimos materiais que ele cita, eles não estão de acordo com as regras litúrgicas que prescrevem que o material usado nas celebrações litúrgicas deve ser nobre e seguro, portanto, nem argila nem vidro]; ele ignora o fato de que o ouro dos vasos e utensílios litúrgicos tem sido parte da verdadeira religião desde o antigo Israel - de novo sob a ordem de Deus (Ex. 28,38-40; 37,23-24; Nm 31,50-51; 2Cr 24,14); e ele de novo usa uma interpretação literal, de acordo com a qual o cálice da Prostituta não é um simples símbolo aplicado à cidade de Roma, mas uma coleção de muitos cálices literais usadas nas cidades ao redor do mundo. Mas o Apocalipse nos diz que isso é o cálice da ira de Deus que é dado à Prostituta (Ap 14,10; Cf. Ap 18,6). Isso não tem nada a ver com os cálices eucarísticos.

#7 A Mãe das Meretrizes

Agora o argumento mais hilário de Hunts: "A atenção de João é dirigida para a inscrição na testa da mulher: 'A MÃE DAS MERETRIZES E ABOMINAÇÕES DA TERRA' (versículo 5, (ênfase de Hunt)). Infelizmente, a Igreja Católica Romana se encaixa nessa descrição tão precisamente quanto ela se encaixa nas outras. Muito disso é devido à doutrina antibíblica do celibato sacerdotal," que tem "feito pecadores do clero e meretrizes de fora coabitarem secretamente."

Celibato sacerdotal não é uma doutrina, mas uma disciplina - uma disciplina no rito latino da Igreja - e mesmo este rito não foi sempre obrigatório. Esta disciplina pode dificilmente ser não bíblica, desde que Hunt mesmo diz, "O grande apóstolo Paulo foi um celibatário e recomendou essa vida para outros que quisessem devotar-se totalmente a servir a Cristo."

Hunt cambaleado de novo para uma absurda interpretação literal. Ele deveria interpretar a prostituição das filhas da Prostituta  do mesmo modo que a da mãe, que é o motivo pelo qual ela é chamada de sua mãe, em primeiro lugar. Isto seria fornicação política ou espiritual ou a perseguição dos mártires cristãos. (cf. 17,2,6; 18,6) Ao invés disso, Hunt dá a interpretação das filhas como literal, prostitutas terrenas cometendo literal, terrena fornicação.

Se Hunt não tivesse uma fixação na versão King James, ele notaria outro ponto que identifica as filhas da prostituição com a mãe delas: A mesma palavra grega (porna) é usada para mãe e filhas. A versão King James traduz esta palavra como "prostituta" toda vez que ela se refere à mãe, mas usa "meretriz" quando se refere às filhas. Traduções modernas apresentam isso consistentemente. João vê a "grande meretriz" (17,1, 15, 16; 19,2) que é "a mãe das meretrizes". (17,5) A prostituição das filhas deve ser a mesma que as da mãe, que Hunt admite que não é sexo literal!

#8 Derrama o Sangue dos Santos

Hunt afirma, "João depois mostra que a mulher está bêbada - não com álcool mas com o sangue dos santos, que com o sangue dos mártires de Jesus... [cf. versículo 6]." Ele depois lança acusações de brutalidade e assassinato pelas Inquisições, supondo conversões forçadas de nações, e até o holocausto nazista!

Esta seção do livro abunda em erros históricos, dentre os quais está a sua implicação de que a Igreja aprovou conversões forçadas de nações. A Igreja enfaticamente não faz isso. Ela tem condenado conversões forçadas desde o terceiro século (antes mesmo de que isso fosse sequer possível), e tem formalmente as condenado em repetidas ocasiões, como no Catecismo da Igreja Católica (CIC 160, 1738, 1782, 2106-7).

Mas a Roma pagã e a apóstata Jerusalém se encaixam na descrição de uma cidade bêbada com o sangue dos santos e mártires de Jesus. E desde que eles foram notórios perseguidores de cristãos, o público original teria automaticamente pensado em uma dessas duas como a cidade que persegue cristãos, não nem sonhada Roma cristã que estava séculos à frente.

#9 Reina sobre os Reis

Para seu último argumento, Hunt afirma, "Finalmente, o anjo revela que a mulher 'é essa grande cidade, que reina sobre os reis da terra" (versículo 8) Há tal cidade? Sim, e de novo somente uma: a Cidade do Vaticano."

Isso é uma piada. A Cidade do Vaticano não tem nenhum poder sobre as nações; ela certamente não reina sobre eles. De fato, a própria existência do Vaticano tem sido ameaçada nos dois séculos passados pelo nacionalismo italiano.

Hunt apela para o poder que os papas uma vez tiveram sobre as regras políticas cristãs (esquecendo o fato de que foi sempre uma autoridade limitada, pela própria admissão dos papas), mas nas época não havia nenhuma Cidade do Vaticano. O Vaticano só se tornou uma cidade separada em 1929, quando a Santa Sé e a Itália assinaram o Tratado de Latrão. 

Hunt parece entender que esta passagem está falando sobre a Cidade do Vaticano, uma vez que a moderna cidade de Roma é somente a menor força política. Se o reino é literal, político, então a Roma pagã preenche os requisitos de um modo muito melhor do que a Roma cristã jamais o fez.

Tradução Minha.

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