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Umas Poucas Pérolas do "Perdei Almas"
Não foi necessário mais que umas poucas leituras para já recolher algumas das pérolas que vão abaixo. Logo após os trechos, vão pequenos comentários meus em itálico. Divirtam-se.
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"Já aprendi a ser louco convosco! Mas é gostosa esta loucura: a cada passo dado, filhos são arremessados aos braços do Pai! Continuai sendo loucos! Amém!"
São Miguel!
hehe.. "São Miguel" depois do Rock in Rio... só se for...
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"Muito obrigado.
Foi um dia muito proveitoso: o Purgatório está vazio!
Lembrai-vos de que, no Céu, são milhões os que vos amam e vos protegem, gratos que estão, por causa de vosso amor. Muito obrigado.
“São Miguel”
Uau! O Purgatório esvaziou! E isso só por causa do trabalho do Salvai Almas. Percebem as proporções disso? rsrs
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"Por causa de vosso amor e a presença deste filhinho Sacerdote, o Pai concede mais três dias para que o Purgatório permaneça vazio."
"Maria Mãe do Universo"
Rsrs.. Quer dizer que quem morrer nessa época com pecados veniais não vai ao Purgatório? Vai direto para o Céu? Sei, sei...
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"Nós, os três Arcanjos, fizemos questão de vos acompanhar neste Cemitério e Daniel, não em espírito, mas com seu corpo!"
"Algum dos três arcanjos"
Nem a Virgem Maria foi visitada pelos três.. No entanto, Heckert e seus comparsas são "os caras"
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"Jamais deveis ter medo, pois, para vós e para todos os participantes deste Movimento, Deus tem preparado apenas Graças e Alegrias! Portanto, deveis seguir este caminho com amor e divulgá-lo sem medo de represálias. O mundo vos agradecerá! O Céu vos agradecerá!
… Não sois pequenos diante de Deus! Amém?"
"Maria Mãe do Universo"
"As "represálias" provavelmente se referem ao juízo da Igreja. Se for isso, Nossa Senhora recomenda desconsiderar o que a Igreja disser. A Igreja é, daí, naturalizada, como se fosse formada por um bando de tolinhos que não sabem o que estão fazendo... E, depois, o "mundo" agradecerá ao Cláudio. Na verdade, parece que o Cláudio queria ser o Michael Jackson e não conseguiu...
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"Filhinhos amados: todo o vosso amor, toda a vossa dedicação durante tantos dias de profundas orações fizeram, por alguns instantes, parar o Céu! Mas não só isso: fizeram emocionar o Céu! Por que tudo aqui gerava o amor! Aqui, o amor imperou durante toda a semana!"
"Maria Mãe do Universo"
O Céu Parou! kkkk Por causa do Cláudio e seus amiguinhos teletubbies, tudo no céu gerava o amor! Pera.. Mas o céu não é, já, a morada celeste cuja "atmosfera" é profundo amor porque visão de Deus face a face? Como que, por causa do Cláudio, o céu "parou" e tudo lá "passou" a gerar amor? E ainda: lá no céu, o amor imperou toda a semana! rsrsrs E depois, parou de imperar? Oh God!
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"O Reino está realmente próximo, mas só o Pai sabe a hora… a ninguém foi revelado a hora exata. Observa os profetas. Dizem isto u aquilo, fazendo acreditar que o tempo é agora, que o Pai deu o prazo, que Deus disse o dia… mas eles mesmos fazem planos para o futuro! Ora, se soubessem a hora exata por que fariam planos? A hora pertence ao Pai e Ele não dirá absolutamente nada a ninguém! Contudo, envia sinais, que já são vistos, para que os filhos da luz estejam preparados! … Também os filhos das trevas poderão converter-se, mas para eles, os sinais são camuflados, pois o Pai não permite que vejam os sinais, apesar dos olhos, ou que escutem, apesar dos ouvidos! A salvação pertence a todos, mas a hora da purificação ainda não chegou…. mas chegará…. e só o Pai sabe o exato momento!"
"Jesus"
Interessante isso aqui. O Movimento Salvai Almas pretende saber o dia e a hora. Porém, Jesus aparece aí - provavelmente é uma mensagem antiga - dizendo que só o Pai sabe e que "Ele não dirá absolutamente nada a ninguém". Porém, parece que depois Ele mudou de idéia. Deus, agora, passa por mudanças, é mutável...
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"Deus criou a vida, e a cada ser deu as fórmulas para o bom viver, tanto na procriação, quanto para o controle dela: Tudo natural, sem intervenção humana!"
"Jesus"
kkkk.. Agora Jesus é a favor do controle de natalidade, desde que seja "tudo natural" kk "Qué qué isso?!"
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"Na verdade, Eu vos escolhi porque pude confiar em vós: percebi que tendes muito amor a dar, muitos exemplos, muita sabedoria e muita determinação.
Vos escolhi porque preciso de braços fortes e corações santos para conduzir o meu rebanho, minha Igreja… Na verdade, Eu a conduzo… Mas quem me escuta?
Vós sois então, os escolhidos para serdes a minha voz!"
"Jesus"
kkk. Jesus até queria conduzir alguém, mas ninguém escutou. O Cláudio foi o único, é o salvador da humanidade, é a voz de Jesus no mundo. Pera.. e a Igreja? A Igreja vai ser conduzida pelo Cláudio também. Veja lá: "Vos escolhi porque preciso de braços fortes e corações santos para conduzir o meu rebanho, minha Igreja." Mas menino! O Cláudio vai ser Papa? Ou Jesus decidiu ser revolucionário mesmo? É a revolução do proletariado! Ou melhor, a revolução das profetadas! É capaz de o Marcos Tadeu querer uma parte aí também, rsrs. Oh God!
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"Amor não é propriamente caridade!
Caridade se faz também a qualquer momento, em qualquer lugar, a quaisquer pessoas… Caridade se pratica principalmente para as pessoas ou entidades que solicitam favores ou auxílios.
A caridade é praticada entre os cristãos ou gentios; filhos ou não filhos de Deus…
Amor, no entanto, só os Filhos de Deus praticam…
Porque Amor é Deus! Porque Deus é Amor!"
"Jesus"
hehehe.. Jesus desconhecendo aí os termos da Teologia, hehehe. Na verdade, ó bando de manés, a Caridade é a virtude teologal que justamente só os que estão em graça possuem. Leiam S. Paulo: "a caridade é a maior virtude e sem ela nada vale". Que negócio mal feito.. Jesus diz que os "filhos das trevas" geralmente são mais inteligentes. Esses aí, porém, não foram muito bem escolhidos não, rsrs..
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"O inimigo então não vos derrubará, pois o alicerce de uma Igreja não sucumbirá aos ataques do inferno… Sois guardiões dos alicerces…por força de Deus! Amém!"
"Jesus"
Cláudio Heckert e seus comparsas são, agora, os guardiões dos alicerces da Igreja. Mas, como, se não sabem sequer questões básicas de Doutrina? E como, se querem se esquivar do juízo da Igreja? Na verdade, o que esse povo parece estar querendo é fama, é um mundo de admiradores, um mundo que os agradeça, e a sua soberba é tamanha que o planeta terra não lhes basta; também todas as almas dos que estão no céu, incluindo os anjos, a Virgem e o próprio Deus têm de se juntar ao grupo dos que gritarão: "Cláudio, lindo, gostoso, você salvou o mundo!" Porém, o que o Cláudio merecia era topar com um profeta de verdade, daqueles tipo Elias, que lhe ensinasse, depois de umas boas tabicadas de ramo de goiabeira, que de Deus não se zomba.
Ainda sobre o Movimento Salvai Almas e demais "Heckertianos"
Este é um assunto do qual tenho tratado, já, diversas vezes. E o faço por estar absolutamente convencido da falsidade do fenômeno e do seu caráter herético. Minha intenção com estes textos é dar a conhecer a enganação dos difusores dessas mensagens - muitos o fazem inocentemente - e advertir sobre o perigo que consiste em dar-lhes crédito.
Aos que não sabem do que estou tratando, explico por alto. Ao lado das aparições autênticas da Virgem Maria, surgiram, aqui e acolá, outros supostos videntes da Mãe de Deus. Parece que foi percebido que esse tipo de coisa atrai muita gente e que torna o tal receptor das mensagens um objeto particular de atenção.
Em geral, as aparições da Virgem Santíssima eram muito pontuais e traziam mensagens importantes. Não era à toa ou por qualquer coisa que ela vinha falar aos homens. No entanto, algumas outras supostas comunicações sobrenaturais parecem sugerir que Aquela que, na terra, distinguiu-se por seu silêncio e discrição, quis compensar esse tempo falando, agora, pelos cotovelos. É o caso, por exemplo, de Medjugorje. E, porta aberta ao sensacionalismo, nada impediria ao orgulho humano o aproveitamento desta via. É o que tem acontecido.
Só que, dentre estes protagonistas de falsarias, há um em particular, chamado Cláudio Heckert que, no auge da sua soberba, acredita ser um digiescolhido para levar ao mundo algo que nem a Igreja está capaz de avaliar. Ou seja, o seu ministério é algo que nem o Papa nem o Magistério como um todo podem entender ou julgar. O Cláudio e os que lhe acompanham em procissão dizem todo tipo de disparates. Por exemplo, lê-se em alguns dos sites coligados ao movimento "Salvai Almas" que certa vez, arrebatado ao Céu, o Cláudio assistiu o julgamento particular de uma senhora. Na ocasião, ele era o único humano ainda vivo presente no além a assistir o evento. Não me espantaria se, no final, ele dissesse que ficou responsável por dar a sentença.
Porém, o mais estranho do Cláudio - sim, há coisas ainda mais estranhas do que esse caso - é que ele diz saber o dia e a hora da vinda de Jesus, o dia da vinda do anti-Cristo e o processo pormenorizado dos acontecimentos até lá, não lhe escapando sequer os mapas precisos da geografia modificada do planeta depois de certas colisões de grandes corpos celestes contra a Terra. Além disso, eles possuem uma prática heterodoxíssima e de cunho espírita que consiste em visitar cemitérios para rezar às almas do Purgatório a fim de que sejam salvas ali, naquele momento - Poxa, Cláudio! Como a humanidade aguentou antes de você vir ao mundo?
Segundo eles, ainda, dentre as almas dos falecidos, há algumas que, mesmo estando em pecado mortal, seguiriam para um lugar alternativo chamado "Grande Purgatório" - que é diferente do Purgatório que todos já conhecemos e tal - onde, depois de expiar, seriam, enfim, admitidas no convívio dos santos. Até chegar aí, o Cláudio já contrariou meio mundo de pontos da doutrina católica e só não vê quem a desconhece de todo ou quem é obstinado no erro.
Muito interessante, ainda, é o fato de que Nossa Senhora, não se contentando em aparecer inúmeras vezes e falar as maiores bobagens, queira ainda escrever um livro com dedicatória e tudo. Sinceramente, é o cúmulo do absurdo. Mas parece que o ser humano tem uma alta capacidade de ser enganado. Enfim, quero adverti-los mais uma vez: tenham cuidado com esse povo. Para garantir a difusão das suas mentiras, eles ameaçam de condenação eterna os que não colaborarem. Dêem-lhes uma boa banana!
Uma coisa que me deixou positivamente surpreso foi que o Pe. Tenório recentemente soube dessa papagaiada e não tardou em desmascarar esse bando de desocupados. Sugiro veementemente a leitura dos dois artigos disponibilizados no site do padre, que estão muito bem fundamentados na doutrina da Igreja e onde ele deixa evidente que todo esse movimento nada tem de católico.
Leiam esse: Sobre "O Movimento Salvai Almas"
Não deixem de lê-los, principalmente os que acreditam nas supostas mensagens. E, por favor, sejam humildes.
Fábio.
Respondendo a mais um erro protestante: a "Sola Gratia" reduzida ao "Sola Pó"
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| Perfeita a definição.. É uma boa vida... rsrs |
Um rapaz - penso que seja rapaz, rs - anônimo me pede para dissertar sobre um tema que, entre outros, faz divergirem profundamente católicos e "evangélicos". Trata-se do princípio Luterano chamado "Sola Gratia", isto é, "somente a Graça" e que é apenas mais um dos tantos equívocos protestantes. Esse erro, porém, soa mais como uma ludibriação proposital, pois, neste caso, a afirmação protestante é tão obviamente falsa que surpreende que eles não se toquem disso. Pelo menos os "pastores" deveriam perceber o problema da sua argumentação.
Mas, vejamos. No texto que o anônimo me passa, proveniente de algum site "evangélico", lê-se o seguinte:
"OBRAS MERITÓRIAS, ESFORÇO HUMANO, RELIGIOSIDADE, LEGALISMO, ATIVISMO IGREJEIRO, SÃO TÃO LIXO E TÃO ABOMINÁVEIS A DEUS, QUANTO QUALQUER OUTRO PECADO QUE OFENDE E AFASTA DE SUA GRAÇA E DE SUA SANTIDADE.
Não vou transcrever o texto todo por ser relativamente extenso e por conter idéias que reproduzem o que a frase acima já diz de modo claro. Sem querer também discutir certos erros históricos, sobretudo ligados às práticas católicas medievais, vou me ater a este tema especificamente. Os que quiserem ler o texto inteiro, só têm que ir aos comentários aqui.
Bom. A teoria luterana da Sola Gratia diz que o indivíduo é salvo só pela graça, sem qualquer contribuição do seu mérito pessoal. Portanto, qualquer coisa que o sujeito faça ou o tanto que se esforce não significam nada, não colaboram em nada para a sua santificação e para a aquisição da Salvação. Como o próprio nome diz, é de graça. Esta teoria, a princípio aparentemente lógica, se baseia tanto em uma interpretação errada de um trecho da escritura, como na própria teologia problemática e pessoal de Lutero.
Vamos ao trecho bíblico:
"Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das vossas obras, para que ninguém se glorie." (Ef 2,8-9)
É importante notar que essa frase é de São Paulo. Usaremos o mesmo Apóstolo posteriormente, para mostrar que ele não tinha qualquer conluio, nem de longe, com o devasso do Lutero.
Vamos à teologia do bebum. Lutero dizia que, quando Deus perdoa os nossos pecados, Ele não os apaga, mas apenas os encobre com o Seu manto. Portanto, não haveria, segundo ele, como o homem deixar o pecado; era impossível. Daí que Deus, querendo salvar o homem, não podia pedir-lhe o impossível, mas apenas esconder a sua mancha como que por baixo da Sua graça. Perceba a total independência entre o perdão de Deus e a necessidade de uma coerência de vida. Lutero foi o pai dessa teologia cômoda, pois ele mesmo foi um pecador inveterado. Se formos olhar certas frases do pai do protestantismo, veremos algumas pérolas do tipo: "Crê firmemente e peca muito" (veja outras "máximas" semelhantes aqui). Mas quem não vê que isto é um sofisma barato? É a mesma lógica que Lúcifer usou quando foi tentar Jesus: "Se és o Filho de Deus, se crês mesmo nisso, lança-Te daqui de cima". Se Lutero mostrava a sua plena confiança na misericórdia de Deus a partir de uma vida de pecado, porque ele não mostrava também a sua fé "inabalável" saltando dos abismos? Talvez ele tenha tentado fazer isso uma vez... quando se suicidou...
Dada uma olhadela na doutrina que subjaz ao princípio da Sola Gratia, expliquemos, então, o sentido da afirmação paulina e, depois, o reafirmemos com outros trechos da escritura.
Primeiramente, cumpre dizer que tampouco a Igreja Católica defende que a Salvação se adquire pelas obras. Se fosse assim, Nosso Senhor não precisaria ter vindo à terra e morrido em nosso lugar. É claro que, se o próprio Deus veio e fez isto por nós, é porque a aquisição da Salvação estava fora do nosso alcance. No entanto, Jesus no-la concede a partir do Seu Sacrifício na Cruz. A Igreja ensina que, por mais que alguém faça no nível natural, por mais que trabalhe, ele jamais pode elevar-se, por si mesmo, à ordem da Graça. Sobre este assunto, recomendo a leitura deste artigo. Portanto, não é meramente pelo esforço humano que se adquire a Salvação.
Quanto à vida da Graça, nós a podemos ter desde esta vida e, se a possuímos, adquirimos como que um germe de vida eterna.
Só que a aquisição da Graça não nos dispensa, de modo algum, do esforço pessoal, pois ela não anula a nossa natureza; antes tende a aperfeiçoá-la. É como um instrumento musical. Uma música bem tocada, uma obra do Mozart, deve-se primeiramente ao talento de quem a executa. No entanto, para tal, requer-se que o piano esteja afinado. Os esforços pessoais que fazemos são uma colaboração com a vida da Graça, uma busca de fazer que a nossa vida esteja em conformidade com Deus, como que "afinada". Nós todos conhecemos as inclinações egoístas e sensuais que possuímos. É a Graça de Deus que nos dá forças para vencer este combate. É como alguém que, tendo caído num buraco e constatado que lhe era impossível sair pelas próprias forças, recebesse os instrumentos para tal e o aviso: "pode sair, é de graça". Ora, o que este sujeito faria? Ficaria de pernas para o ar? Claro que não! Usaria os instrumentos que recebeu e sairia. Mas isto demandaria, obviamente, esforços pessoais para que o sujeito correspondesse àquilo que lhe foi dado. O contrário, o não esforçar-se, seria antes um desprezo pela Graça.
Tomemos outro exemplo. Se, por acaso, algum banco aí começasse a distribuir dinheiro, dizendo: "venham, é de graça". Segundo a lógica protestante, seria suficiente ficar em casa assistindo o Faustão para garantir a sua parte. No entanto, voltando ao mundo real e à lógica das coisas, a gente sabe que, até chegar a conseguir uma pequena parte, teríamos de enfrentar filas, exercitar a paciência, ficar bastante tempo em pé, passar por uma ou outra situação constrangedora, etc. Ora, mas não era de graça? Sim, mas isto não nos libera do nosso esforço pessoal.
Quem de nós, por exemplo, dirá que a chuva é uma coisa que se paga? Eu, particularmente, gostava muito de ficar no quintal de casa quando chovia torrencialmente. Sempre gostei de climas nublados, de trovões e essas coisas - embora também goste de dias limpos e ensolarados.. Eu adoro a Primavera (eu não cometi idolatria aqui... é só uma forma de dizer, rs). Voltando à chuva, sabemos que ela é de graça. No entanto, não nos molharemos se ficarmos quietos, parados no nosso quarto. É preciso sair de casa e ficar num lugar descoberto. Acontece que este esforço pessoal não contradisse em nada a gratuidade da chuva! Tá claro?
Vimos acima que essa "teologia da preguiça sagrada" que é a Sola Gratia repousa sobre o erro de que não é possível que abandonemos o pecado, mas apenas que o ocultemos sob a capa da graça. rsrs.. No entanto, toda a escritura testemunha justamente o contrário, isto é, que o perdão de Deus é eficaz, retirando da alma a mancha do pecado. Vejamos:
"Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa bondade; segundo a vossa grande misericórdia, apagai minhas iniquidades. Lavai-me e eu serei mais branco do que a neve... Apagai todas as minhas iniquidades. Criai em mim, ó Deus, um coração que seja puro e renovai dentro de mim um espírito firme. Não me rejeiteis para longe de vossa face; não me retireis vosso espírito santo. Devolvei-me a alegria de vossa salvação e sustentai-me com um espírito de boa vontade" (Sl 3,15)
"Sou eu, eu só que apago tuas prevaricações, ó Israel, pelo meu amor" (Is 43,25)
"Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29)
"O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado" (Jo 1,7)
"Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes há de possuir o Reino de Deus. [Interessante, parece até que Paulo tava falando de Lutero.. rs] Ao menos alguns de vós têm sido isso. Mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus." (I Cor 6,9-11)
Portanto, caríssimos, a vida espiritual não é um faz de conta, como pensava Lutero, não é um colocar por debaixo do pano as imundices; a vida em Deus é real. Deus é a Verdade e aquele que O segue deve conformar-se com a verdade. Como nossa inclinação, por causa da Queda, é ao erro, é preciso combater contra nós mesmos a fim de que Graça de Deus adquira liberdade e fluidez em nós.
Temos, então, uma "mística do faz de conta" nos protestantes, e, ao contrário, uma "mística da Verdade" com os católicos. Perceberam o que está por trás desse negócio de "Sola Gratia"? Isso é uma esquiva de toda e qualquer responsabilidade. E, enquanto Lutero afirma esses e outros disparates, o Apóstolo João não esconde a verdade rigorosa: "Aquele que afirma permanecer nEle, deve viver como Ele viveu" (1 Jo 2,6) E eu vos garanto que Nosso Senhor não teve vida fácil. Ao contrário, Ele sempre dizia de Si mesmo: "Minha alegria é fazer a vontade dAquele que me enviou" e isso era de tal modo radical que Jesus ainda afirmava: "as raposas tem seus covis e os pássaros tem seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça".
Nem sinal da safadeza luterana.
Retomemos, então, o trecho bíblico que parece fundamentar o erro protestante:
"Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das vossas obras, para que ninguém se glorie." (Ef 2,8-9)"
"É gratuitamente" significa que não foi por nosso merecimento. De fato, Jesus vem a nós e nos redime por pura Misericórdia. Não era algo que Ele nos devesse. E não tínhamos nenhuma condição de pagar. Todos os sacrifícios de toda a terra desde o início do mundo sequer sonhavam em ser suficientes para redimir um único homem. Isto estava infinitamente além do nosso alcance. Portanto, foi gratuitamente que Nosso Senhor nos redimiu na Cruz; por pura bondade.
"Fostes salvos" não significa que temos, desde já, garantida a nossa salvação eterna. Os que aderem a Cristo são salvos, desde já, da morte da alma, da escravidão do pecado, pois Deus infunde, a partir do batismo e dos Sacramentos, a Sua Graça na alma, o que consiste como numa vida eterna começada. É como um ramo seco que milagrosamente retoma contato com a árvore e passar a receber novamente a seiva que lhe garante a vida. No entanto, podemos perder esta vida e retornar à morte. O "fostes salvos" não indica, portanto, a aquisição final da Salvação. E isto é lógico.
Se observarmos, por exemplo, a ordem de Jesus: "Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito", o que Jesus nos pede extrapola infinitamente qualquer condição natural nossa. Como igualaremos o Pai em perfeição, se nem sequer sonhamos em alcançar os anjos? Só é possível a partir de uma coisa: a participação na vida íntima de Deus! E tal se dá quando recebemos a infusão da Graça na alma. "Quem crer em mim, do seu interior manarão rios de água viva". É esta Graça que purifica o fundo da alma e sobrenaturaliza as nossas ações. E, aí, a gente começa a entender melhor o "fostes salvos". Em outra passagem, diz Jesus: "Quem crer em mim, tem a vida eterna" (Jo 3,36). Notem o verbo no presente. Essa outra é ainda mais clara: "Quem come minha carne e e bebe meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,55). Notem que o sujeito já tem a vida eterna, porém será ressuscitado no futuro. Pra terminar esse tópico e passarmos para o próximo, vejamos essa: "Em verdade, em verdade vos digo: quem guardar minha palavra jamais verá a morte" (Jo 8,51) O "jamais verá a morte" significa que, desde o momento em que se tem a Graça, o sujeito passou da morte para a vida. É o que os doutores da Igreja chamam semen gloriae, ou germe de vida eterna.
Porém, estariam os Apóstolos ou os discípulos de Jesus seguros de sua salvação eterna? Vejamos...
"Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros." (I Cor 9,27)
Esse trecho é perfeito porque vemos um Paulo que parece bastante católico e medieval. Ele castigava o corpo.. Oh!!!! Protestantes em coro: ooohhhhh!!! Detalhe: é o mesmo que escreveu o "fostes salvos gratuitamente", rsrs.. E o que se nota, também, é que Paulo tem medo de não ganhar a salvação: "de medo de vir eu mesmo a ser excluído". Portanto, será que Paulo se considerava infalivelmente salvo? rsrs. É claro que não.
E Nosso Senhor também corta as asinhas de quem afirma tal coisa:
"Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt 10,22). rsrs.. Só quem perseverar até o fim. E vejam que o "será" agora está no futuro. Portanto, este tipo de salvação - que é diferente da primeira, no sentido de ser a sua consumação - só saberemos se a teremos no futuro. Ninguém pode dizê-lo desde já.
E, sinceramente, isso é o que há no mundo de mais lógico. Todos nós sabemos que nós somos livres e, como seres livres, podemos aceitar ou rejeitar o favor divino. Ora, se alguém adere a Cristo um dia, pode renegá-lo no outro. Vejamos o exemplo de Judas. É por isto que temos, de fato, de lutar contra nós mesmos, a fim de que o nosso ser vá se conformando com Nosso Senhor. É o que fazia S. Paulo quando se castigava e punha o próprio corpo em servidão. Sinceramente, nada mais lógico.
No restante do trecho no qual os protestantes se apoiam, lemos: "Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das vossas obras, para que ninguém se glorie."
Só que ninguém está dizendo que a salvação é nosso mérito ou provém das nossas obras. Nenhum católico jamais disse tal disparate. O que dizemos claramente é que a nossa natureza tem inclinações perversas e que, para seguir a Jesus, é preciso contrariá-la, domá-la, mortificá-la como o fizeram todos os Apóstolos e todos os Santos. Não é para que "compremos" a Salvação, mas para vencer as nossas más inclinações e ter uma decisão radical por Nosso Senhor. É o que S. Paulo recomenda aqui:
“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gal 5,24)
Isso é claríssimo! Protestantes, vão ler a bíblia...
E não é outra coisa o que Jesus quer dizer aos que desejam segui-lo:
"Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga" (Mt 16,24)
Veja agora essa: "Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva para a vida, e poucos são os que acertam com ela" (Mt 7,13-144) Ora, mas não era de graça? Sim, continua sendo, mas você tem de se virar e se esforçar para encontrar. A porta está aberta, mas para chegar até lá você vai ter que mexer as perninhas... Sugiro que comece assim: volte para a Igreja, se confesse com um Padre e passe a estudar a Doutrina Católica e a frequentar assiduamente os Sacramentos.
E mais essa, uma das minhas favoritas: "O reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mt 11:12) Mais claro, nem o sol.
As obras não são uma barganha com Deus, mas apenas a comprovação de que o nosso amor a Deus não é o "faz de conta" de Lutero, mas é verdade, com implicâncias reais na nossa vida, com amor a Deus acima de nós mesmos, com negação de nós mesmos, com o abraçar da Cruz. É o que Jesus dizia:
"Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama" (Jo 14,21).
Portanto, o amor implica em assumir, em encarnar o que Jesus ensinou e isso não apenas em teoria, mas na prática, com a vida, de modo visceral. Assim como Ele assumiu a nossa natureza, é preciso que nós assumamos em nós os Seus preceitos divinos e o Seu modo de viver. É o que diz, ainda, São Paulo:
"E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (IICor 5:15)" Convenhamos que viver para Ele e não para nós mesmos não significa dar-se a uma vida pecaminosa, como o fez Lutero, mas, antes, batalhar contra nós mesmos a fim de que, colaborando com a graça de Deus, alcancemos a santidade.
E, só mais uma prova cabal de que é pelas obras, sobretudo, que provamos a nossa fidelidade:
“Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.” (Mt 16,27)
Esse foi o Fatality de Jesus em Lutero... Protestantes, "peçam pra sair!" do erro de vocês e venham ao catolicismo, receber a vida da graça na alma e ter um legítimo e verdadeiro início da vida eterna! Depois não digam que eu não chamei...
Mas, continuemos... Leiamos somente mais alguns trechos em que a Sagrada Escritura nos mostra como os Apóstolos consideravam essencial o esforço por tornar-se apto para a Salvação dada por Deus.
"Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja" (Cor 1,24)
"De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? (...) Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá:"Tu tens fé, e eu tenho as obras." Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem (...) Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg 2,14-26) - Lutero detestava essa passagem, rsrs..E os protestantes fazem malabarismos para não aceitarem o óbvio.
Pra terminar, pois eu mesmo já estou com dó, ponho só mais uma do mesmo S. Paulo, o que escreveu o trecho em que baseiam os defensores da Sola Gratia. Finalizo este artigo convencido de que a "Sola Gratia", depois deste combo de trechos da escritura, se tornou, agora, o "Sola Pó".
"Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível" (I Cor 9,24-25)
Portanto, a Graça de Deus de modo nenhum contraria ou dispensa do esforço pessoal. Antes, o motiva e o aperfeiçoa.
Salve Maria Santíssima
Fábio.
Pe. Libânio, o "Ateólogo" e seus Caminhos da Existência
Há poucos dias atrás, nós líamos, com desgosto, um texto de autoria do "ateólogo da libertação da carochinha" Pe. J. B. Libâneo que, disponibilizado pelo folheto litúrgico da Paulus, nos brindava cafajestemente com os clichês de um marxismo pseudo-beatificado. Na verdade, sendo patente a contradição de um materialismo espiritual, este padre ia tecendo, no seu artigo ordinário, não sutis elogios aos tais benfeitores ateus. E toda essa brincadeira de mau gosto, essa troça dos infernos, trazia a bênção de aprovação de uma entidade que merecia ganhar o prêmio nobel da tosquice, e cuja existência pode ser concebida como um cavalo de tróia a reunir inimigos disfarçados no interior da Santa Igreja, a CNBB.
Neste último domingo, porém, vimos que o Pe. Libâneo, inspirado por não sei que forças misteriosas, conseguiu o improvável fato de superar-se. O novo texto de sua autoria conclui aquilo que o de antes tinha sugerido. O ateísmo, nesta última ocasião, é defendido não apenas como uma via alternativa legítima, mas, ainda, como o único caminho adequado à nossa contemporaneidade. Ele passa a constituir a única escolha sincera frente à alienação israelita de se ater sempre a um passado onde se crê que Deus lhe tenha falado.
Também "desaloja a esperança", suposta fonte de infelicidade, talvez característica de cristãos simplistas que, ainda supostamente, se furtam da densidade do presente. Tudo isto é feito pela via ateísta em prol da valorização do aqui e agora, do Carpe Diem. Além de toda a falácia deste discurso, como bem o mostrou o Jorge Ferraz, mostrando como não há essa sabedoria popular totalmente alheia a qualquer religiosidade nem tampouco esta fuga do presente no cristianismo, cumpriria perguntarmos ao referido padre se ele é ateu, ou se é apenas um adepto prático desta fantasiosa teoria que ele expõe com tanta simpatia. Libânio faz papel vergonhoso de um jeito ou de outro.
Mas, passemos a limpo, enfim, algumas expressões que ele derrama na sua apologia da inutilidade prática de Deus.
"Importa amar somente o que existe hoje, sem olhar com saudosismo por um passado que já não existe".
Quando Libânio expõe e elogia tal atitude, o que ele faz, na verdade, é pregar a infidelidade a qualquer valor, e reduzir o real ao estreito limite da nossa experiência imediata. Para ele, talvez sejam muito tolos aqueles exilados que, diante da proposta de cantarem, em outras terras, as músicas com que se alegravam em Sião, respondiam: "Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão. Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!" (Sl 136)
Para este padre, talvez fosse legítimo esquecer-se de Deus e traí-Lo com os atrativos imediatos. Mas, quem não perceberá que isto é precisamente o extremo oposto do Evangelho? Libânio discursa contra a fidelidade, que é sempre amor constante a algo e que, no contexto cristão, remete a Outro que está para além do tempo. Pobre Libânio... Vejamos se isto não se insere perfeitamente na "semiótica dos afetos" de Nietzsche. Segundo esta teoria, os diferentes sujeitos esconderiam seus interesses íntimos sob a capa de uma moral específica. Pode ser o caso, mas não ouso afirmá-lo.
O que será que este jesuíta míope - para ser generoso - diria ao ouvir a repreensão de Nosso Senhor: ""Ai de vós que rides", esquecendo-se de quem sois e de onde sois, traindo a vossa Pátria"? Por certo, este padre reclamaria ao escutar algo desse tipo: "Agora estais tristes (...) Mas, depois, o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria". Dirá Libâneo que essa esperança é alienante? Talvez ele ainda rasgaria as vestes ao escutar o Cristo dizer o que segue: "o meu Reino não é deste mundo". Mas, ainda que o Libâneo esperneasse e se revoltasse espasmodicamente na sua tosca afetação e no seu tolo romantismo, ele, por certo, terminaria por escutar a grave reprimenda de Jesus: "Teus pensamentos não vêm de Deus..." e, se Jesus estivesse bem humorado, completaria: "aliás, que porcaria é essa, Libânio?".
"Claro que nem tudo no presente merece ser vivido. Recorremos então à experiência e à ciência, que nos oferecem luzes para entender o que está a acontecer, e a discernirmos o que fazer".
Já dizia alguém que, quando nos falta Deus como absoluto, nós passamos a incensar um falso absoluto. Neste caso, recorreu-se à experiência e à ciência. Mas, quem recorre à experiência, recorre, por força, ao passado, a uma espécie de tradição. Portanto, parece que não é qualquer passado que devemos recusar, mas somente o passado religioso. Objetar-se-á que, no caso da experiência, a história surge como um instrumental para a leitura e interpretação do presente. No entanto, para Israel, a lembrança da Aliança servia-lhes também para ressignificar o presente, isto é, lhe dar um sentido específico que, por sua vez, fundamentava neles a esperança da futura libertação. Porém, a diferença mais significativa para Libânio parece estar no fato de que, enquanto os ateus se atêm absolutamente ao processo histórico, o cristão volta ao seu olhar para Aquele que está além da história e que de lá pode intervir no nosso meio. Ser cristão é ter uma abertura ao transcendente. Eis o que ele acusa de alienação. Ao contrário, ele parece defender que deveríamos esperar toda e qualquer redenção como proveniente de nós mesmos, do próprio processo histórico, numa fátua auto-suficiência que tem sido, durante toda a história, o grande motivo do mal no mundo. Pobre Libânio...
"Desalojemos a esperança, como fonte de infelicidade. Ela adia para amanhã um prazer a ser vivido hoje. Posterga o bem porque não pode realizá-lo ou desconhece a história a vir. Pura ilusão. Então nos resta somente o presente conhecido, no qual escolhemos o que nos traz felicidade."
Se não temos esperança, esquecendo, para isto, o futuro, desistimos do céu e de Deus. Relativizamos a Cruz do Senhor e O negamos de modo muito mais radical do que ousou fazer o temeroso Pedro, naquela sombria noite. Na verdade, a esperança é a resposta coerente à fé. Esta nos diz que estamos exilados e, por isso, elevamos os nossos olhares à espera dAquele que virá. Tudo isto lança luz sobre o agora e lhe dá verdadeiro sentido, assim como é pela luz do sol que, embora exterior à Terra, distinguimos visivelmente os objetos. É, pois, pela fé e pela esperança que fundamentamos a nossa fidelidade. Um marido que abandona a esperança de encontrar sua mulher à noite, após sair do trabalho, e se apega, ao contrário, às possibilidades de adquirir prazer no seu absoluto presente, não será fiel. Libânio está recomendando a traição e o egoísmo cru. Em última instância, está a pedir que o homem se dê a todo e qualquer prazer que lhe apareça à frente.
Chamando o objeto da esperança cristã de ilusão, este padre se comporta como um pobre materialista ateu. Ao dizer que é no presente que escolhemos o que nos traz felicidade, ele recomenda-nos ceder a todos tipos de pecados e vícios, num "livre exame" do bem. Na verdade, é para o egoísta que só importa o prazer imediato; ele perde de vista o contexto, visando somente o que pode, no momento presente, lhe proporcionar gozo, não importando se isto fere algum valor. O egoísta, então, desconhece a idéia do sacrifício e da mortificação. Ele não sabe esperar e, portanto, é marionete de seus desejos, mesmo os mais baixos. A história humana o demonstra à exaustão.
Além de todo este problema, dizer que somos nós que escolhemos o que nos traz felicidade, nos faz excluir, nesta afirmação teletubiana, a existência objetiva do bem, da verdade e da beleza; sumimos com a essência humana, com a sua vocação dada por Deus e desembocamos num subjetivismo e utilitarismo mesquinhos. Pobre Libânio...
"A liberdade humana percebe, dentro da história e nunca fora dela, um excesso que nos impele para a frente."
Destaco a expressão "dentro da história e nunca fora dela". Há aí como uma expulsão de toda e qualquer transcendência; um grito revoltado de "nós nos bastamos!". Juro que deu uma vontade de dizer, agora: "Vade retro" por vislumbrar, por trás da sentença, uma sombra suspeita.
Ainda que ele diga que há valores que nós não inventamos, fazer estes valores descenderem daqui mesmo é reduzi-los, forçosamente, a alguma coisa cultural, consensual, despojando-os do seu fundamento ontológico que, naturalmente, se encontra para além do tempo.
"Não faz falta nenhuma transcendência além da história".
Libânio, por certo, não leu Sartre. Ali está exposto, de um modo visceral, o absurdo de uma existência que, ausentada do seu Criador, perde a sua razão de ser, carecendo de qualquer finalidade. Fechar-se na história, recusando toda a parte do real que está para além dela, é asfixiar-se espiritualmente, é tornar-se míope, é renunciar à altíssima dignidade da alma humana que descende do alto e cuja natureza é, no dizer de Dom Estêvão Bettencourt, essencialmente um clamor a Deus.
"A civilização ocidental, ao longo dos séculos, está a preparar tal caminho. Cabe-nos trilhá-lo".
Só posso dizer a este sacerdote Jesuíta: "É uma pena.. mas vá só."
***
Alguém poderá dizer que nesta série "Caminhos da Existência", o Pe. Libânio apenas pretende expor diversos modos de se viver, alternativos àquele propriamente cristão. Ainda que fosse o caso, o folheto litúrgico da Santa Missa não é o lugar. O modo como o referido sacerdote elogiou este caminho - que é evidentemente falso -, sem criticá-lo ou fazer-lhe ressalvas - o que seria o mínimo - também denota simpatia com a causa. Além disto, como expoente da Teologia da Libertação, a suspeita de que o padre sinceramente acredite em tudo quanto elogiou e recomendou - notemos o "cabe-nos trilhá-lo" - se torna muito fundamentada.
Por fim, não posso deixar de notar o que vai no rodapé do folheto: "Texto litúrgico (rsrs) publicado com a autorização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)". Como não sou o Olavo de Carvalho, expresso com moderação a minha indignação, e termino por aqui. Que Deus nos acuda.
Fábio.
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Fábio Graa
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Pérolas da TL II
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| Expoente da TL em momento de "Síntese Mística do Universo" |
Pessoal, ponho mais algumas pérolas dos teóricos da Teologia da Libertação. Dessa vez, não resisti e pus, em azul, pequeníssimos comentários entre parênteses no meio das citações. Esse povo é muito estranho, rs...
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"Esta questão da espiritualidade é de fato muito polêmica, porque tem uma tradição na Igreja segundo a qual espiritualidade é cuidar do céu e a melhor maneira de hoje, no mundo, se descuidar dos problemas da vida. Essa era uma tradição, infelizmente, quase vigente na Igreja Católica e em outras Igrejas cristãs. Ora, a Teologia da Libertação é uma teologia que cuida da vida. É uma teologia prática, que surge da prática e vai para a prática: a prática libertadora, a comunhão com a vida do oprimido, o resgate de todos os valores da vida e da terra. Então, como é que vai se preocupar com uma história que é meio do céu, abstrata, de uma coisa muito individualista, de oração e de contemplação de Deus?" (É.. como, né? Se o céu não existe...)
M. Barros
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"Em última instância, o projeto de uma nova sociedade justa e igualitária terá que necessariamente se desembocar na questão da mística. Por isso é que - um pouco brincando, ms também bastante sério - eu costumo dizer que no futuro da América Latina, o homem e a mulher novos serão filhos do casamento de Santa Tereza D'Avila e Ernesto Che Guevara." (credo!)
F. Betto.
***
"Os processos de libertação necessitam de uma práxis popular, sindical, etc. Necessitam de uma teoria social, política e teológica. Mas nós, seres humanos, necessitamos também de espírito, que não é o mesmo que a prática, a teoria. O que quero dizer com espírito? Pode-se teoricamente fazer uma revolução por amor ou por protagonismo. Pode-se lutar pelo bem do outro ou pelo bem de mim mesmo. Isso eu chamo espírito: por que fazemos as coisas, de que modo as fazemos. Isso eu chamo espiritualidade."
J. Sobrino
***
"A grandeza do ser humano é poder se interiorizar. Unir o universo inteiro dentro de si (Ele é um Cavaleiro do Zodíaco, só pode...), fazer aí uma síntese e entregá-la em forma de amor e amizade ao outro, em forma de doação a Deus. Quando uma pessoa faz isso - pode ser um soviético como Gorbatchev que também fala de espiritualidade, como pode ser um cristão -, aí se realiza esse fenômeno extraordinário que só é possível entre os humanos: a espiritualidade. É o entrar dentro de si, sintetizar todo o universo (Vai Seya!), para fazê-lo doação ao outro. Para mim, quem consegue fazer isso vive o dom maior do espírito (O meteoro de Pegasus), que é a capacidade de ser livre, e sempre livre para os outros."
L. Boff
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"Os nossos companheiros de luta têm uma espiritualidade profundíssima (Pense!), uma vivência de fé permanente que os leva até ao martírio. A dificuldade, porém, está em explicitar isso. Eles têm a espiritualidade, mas não convivem muito bem com as expressões dessa espiritualidade. Por que não convivem? Por vários motivos. A espiritualidade assumiu durante os séculos formas e expressões que são alienadas, que são opressoras (¬¬), de um caráter muito marcado por uma filosofia dualista (a luta de classes não é dualista nadinha...). Isto faz com que o pessoal não se encontre à vontade com tal espiritualidade."
M. Barros
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"Você imagina o seguinte: o pessoal estava acostumado antigamente a um tipo de celebração muito legalista, muito baseada no folheto ou nas formas litúrgicas antigas. De repente, entram em contato com uma visão de fé mais histórica, da fé como expressão da vida, etc. Qual é a consequência disso? Eles querem de tal maneira integrar essa vitalidade, essa experiência das comunidades na liturgia, que esta fica sendo uma expressão intelectual grande da luta, um encontro comunitário muito importante onde há muita reflexão libertadora, mas que de vez em quando perde esse elemento de gratuidade, da expressão da fé mais afetiva."
M. Barros
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"As nossas liturgias, as liturgias populares nas CEBs têm uma dimensão muito orante, muito cantante, na medida em que as pessoas se sentem ali unidas na fraternidade, se sentem juntas, emuladas, apoiadas nos seus engajamentos. porém, há muitas vezes o risco da liturgia cair num discurso racional, dela se transformar quase que numa espécie de reunião política onde sempre se martela a questão da opressão, da miséria, da libertação, sem dar espaço a toda essa dimensão da gratuidade que a vida litúrgica, que a mística supõe. Creio que é preciso trabalhar mais aprofundadamente a questão da liturgia (rs... só pode ser piada), de modo que ela seja o grande espaço da alegria, da gratuidade e da comunhão. Eu sou muito mais por uma liturgia festa que por uma liturgia reunião. Acho que temos o momento de fazer reunião, mas devemos criar a vinculação de tal maneira que o espaço da festa esteja muito presente na experiência litúrgica."
F. Betto
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"A espiritualidade se revoluciona no momento em que a Igreja toda se coloca na escola dos pobres e os pobres como mestres de vida espiritual (não necessariamente.. esse romantismo barato é que dista da realidade.. Será que eu deveria trocar S. João da Cruz por Seu Lunga?). Porque se tem alguém que sente Deus como uma questão vital, substancial, é o pobre. (...) Então, nós devemos nos colocar na escola deles, essa é a tradição dos grandes mestres espirituais (de quais?). Nós descobrimos, assim, que Deus é libertador, justiça, revolução, que Deus quer uma sociedade nova, uma Igreja nova, enfim, que Deus quer o Reino de Deus nessa terra. (não há dúvidas que Deus quer que o mundo seja mais justo, mas o que fazer com a afirmação "O meu Reino não é deste mundo", oh néscios?)"
C. Boff
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"Quem conhece a América Latina por dentro, a caminhada das CEBs, e o movimento da Teologia da Libertação acompanhando essa caminhada e dela se alimentando, sabe que muito mais importante que os livros dos teólogos, muito mais importantes que as obras - que aliás o povo não chega a ler - é essa maravilhosa produção de novos cantos, nova poesia, etc." (Ou seja, não importa que corresponda à verdade, desde que seja produto dos pobres... Isso aí, além de relativismo tosco, é preconceito e uma clara oposição entre classes bem ao modo tradicional marxista)
H. Assmann
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"A fé é outra coisa. Nasce quando você, com o seu olhar de alegria e de sofrimento, de esperança e vontade de viver, olha para os meus olhos e nossos olhares constroem algo em comum e começamos a olhar em direção ao horizonte (quase chorei...). Como dizia João Guimarães Rosa, "nada devora tanto como o horizonte"! De repente, nós temos um horizonte de caminhada, algo que vale a pena. É assim que, inesperadamente, nós acreditamos em algo (na mula sem cabeça, vale?). O que é ter fé? Não é recitar o credo. Crer não é um blá, blá, blá de palavras. (blá blá blá é esse papo mole de se olhar e ver o horizonte e crer em algo. Vai te danar!) Crer é ter existencialmente dentro, não certezas matemáticas, calculadas, mas aquela outra certeza de que VALE A PENA! Descobrir que isso tem um sentido. E isso só se descobre coletivamente."
H. Assmann
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"Assim como é um ativismo absurdo pensar que a teoria não faz falta para resolver os problemas graves, parece-me que, na perspectiva cristã, é um absurdo pensar que não nos temos que confrontar com o mistério de Deus, porque se realmente confrontar-se com o mistério de Deus não ajuda para resolver os problemas graves, eis que então Deus não serve!" (Utilitarismo discreto, o seu... e falaram tanto de gratuidade... zé mané)
J. Sobrino
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"Na Teologia da Libertação o nexo corporal começa na nossa reflexão sobre a fome, sobre as necessidades básicas, mas não termina aí, porque tem que chegar à explosão da alegria de viver. A espiritualidade tem muito a ver com o corpo, até com as relações espontâneas, eróticas. Vamos erotizar o mundo! (só podia ser coisa do "Assman", o homem bunda) Vamos devolver a este mundo a espontaneidade da fraternura, da ternura fraternal!"
H. Assmann
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"A espiritualidade hoje é algo que está sendo muito refletido pelos teólogos da libertação. E realmente está se trazendo perspectivas novas e bastante libertadoras, mas acho que esta vertente do feminino é de fato riquíssima, embora não tenha sido ainda explorada e refletida (Isso parece brincadeira.. aff). É um papel da mulher, justamente, refletir sobre isso. Porque a mulher tem uma maneira própria de viver a espiritualidade, como igualmente de fazer teologia, de viver a fé, de se situar dentro do conjunto do revelado e da revelação. A mulher é alguém que não faz separações estanques como o homem." (aff... ¬¬')
M. Clara
***
"Eu tenho uma intuição: os que são contra a Teologia da Libertação temem mais uma teologia da libertação que insiste na prática da libertação, inclusive da revolução, e fala em nome de Deus, do que se somente falasse da revolução. Porque, se imperasse o segundo caso, poderiam dizer: são sociólogos, revolucionários, marxistas e, claramente podem ser condenados; mas se alguém faz isso, se está inserido em processos de libertação e fala de Deus e o faz em nome de Deus, isso os incomoda muito mais, porque então não têm que atacar somente a Teologia da Libertação, mas também a Deus! (kkkkkk.. isso foi muito engraçado rsrs... Imagina a Igreja com medo de condenar os hereges só porque eles falavam de Deus, rsrs.. Azuado..) Para mim, é esse o problema que pode existir no Vaticano (Pense!). Eu disse uma vez que a Igreja não tem medo do marxismo, porque o marxismo é uma coisa criada, de seres humanos, está de igual para igual com a Igreja (kk.. muito hilário esse cara; ainda acham que isso é católico? Herege de meia tigela!); mas a Igreja, sim, tem medo de Deus, porque não pode dizer: "de você eu não vou me aproximar". (A TL se tornou, então, a suma representante da divindade na terra. Ora, vão flatular infinitamente...)
J. Sobrino (Sem Noção)
TEIXEIRA, Faustino Luiz Couto (Org.). Teologia da Libertação: Novos Desafios. São Paulo: Ed. Paulinas, 1991. pp. 51-87
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Pérolas da TL - Parte I
Aproveitando que estou meio que em "férias extraordinárias", tenho lido um livro sobre a Teologia da Libertação e quero pôr, aqui, algumas pérolas que vou encontrando no folhear das páginas. Claro que não as ponho todas, mas vou fazendo um modesto apanhado destes erros travestidos de um romantismo barato. Fazendo este amontoado neste espaço, espero poder contribuir para que os leitores se convençam, de todo, que a TL é uma deturpação do catolicismo, um reducionismo da religião e uma instrumentalização do cristianismo para fins ideológicos de esquerda. Eu gostaria muito de comentar uma a uma as citações abaixo, mas, ao menos por ora, limito-me a transcrevê-las e apenas destacar algumas expressões, para não ficar um negócio muito extenso. Quaisquer dúvidas, xingamentos ou pedidos de socorro, deixem comentários.
***
"Quando dizemos Igreja dos pobres, devemos fazê-lo com uma alegria imensa. Primeiro, com a alegria de saber que é uma dimensão evangélica; segundo, para dizer que aqueles queridos de Deus, aqueles com os quais jesus mais se identificou, estão hoje ativos, presentes na Igreja: querem participar das decisões, das deliberações, nos movimentos eclesiais; querem também participar na escolha daqueles que devem dirigir a Igreja."
João Batista Libâneo
***
"(...) o povo torna-se povo de Deus quando escolhe Deus, e mais, quando se sente escolhido por Deus e assume o projeto de Deus na história. Não é que Deus tenha um projeto para cada pessoa (é lógico que cada pessoa é única, é amada por Deus), mas a pessoa está dentro da família humana, está dentro de um povo e esse povo tem uma missão histórica."
L. Boff
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"Essa porta (O CVII) é que permitiu o refletir, o viver, o acercar-se não ao mundo dos ricos, mas ao mundo dos pobres. Daí surgiram as CEBs, todo esse movimento diferente de uma Igreja nova que, na realidade, é a Igreja mais primitiva, mais evangélica, mais das origens. Nasce do Vaticano II, mais relido e vivido a partir da América Latina"
V. Codina
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"De certo modo deveria ser uma tautologia (o termo Igreja dos pobres), porque a Igreja - por sua natureza, por sua formação e origens - nasce do meio dos pobres. Só que, depois de uma trajetória de mais de dois mil anos, teve tantas aventuras que ficou de certo modo monopolizada, dominada, manipulada por todas as formas de dominação, de direção, deixando de ser dos pobres. Nesse sentido, a Igreja dos pobres atualmente é como que uma utopia, uma aspiração, um desejo, embora haja também subjacente, oculta, escondida, uma Igreja dos pobres que é diferente. Os pobres que têm toda uma herança cristã, no fundo não confiam nunca plenamente nos padres, nos bispos e religiosos. É verdade que há alguns ingênuos, mas de modo geral não confiam plenamente. Não vão competir, nem discutir ou brigar, pois sabem muito bem que perdem. Qualquer discussão vão perder. Mas ficam com a sua consciência e ficam se olhando. Sabem bem que existe a religião do padre e a sua religião, a Igreja do padre e a sua Igreja."
***
"A Igreja dos pobres é sobretudo a comunidade eclesial constituída por uma grande rede de comunidades de base. Comunidades onde os pobres têm o privilégio, o lugar central. As CEBs seriam o tecido vivo, a carne e o sangue dessa nova Igreja. Porém, a Igreja dos pobres não é só constituída pelas CEBs, como se pensa. As CEBs são o eixo dessa Igreja dos pobres. Junto com as CEBs, em torno desse eixo que elas constituem, a Igreja dos pobres integra também a Igreja institucional renovada com todas as suas instâncias ministeriais (bispos novos, seminaristas novos, freiras novas, teólogos novos, cúrias diocesanas novas, movimentos religiosos renovados, etc.)"
***
"Toda a tradição da Igreja ocidental esqueceu o Espírito Santo! Não formalmente, pois continuou-se cantando no credo: "creio no Espírito Santo...". Mas, praticamente sem consciência, dentro de um esquema rigidamente autoritário, em que tudo vem de cima para baixo e o povo mantém-se puramente receptivo. Como dizia Pio X, o papel dos leigos é obedecer. Se o papel dos leigos é somente obedecer, receber, então não há lugar e espaço para o Espírito Santo. Na prática, inclusive, ele está reservado para a hierarquia. É aquele que justamente aconselha a hierarquia e lhe dá poder e força. E isto é uma inversão completa de toda revelação bíblica.
***
"Para a Teologia da Libertação a preocupação central é o Reino de Deus, que é algo absoluto na história. (...) A Igreja é algo relativo e a realidade do Reino de Deus, tal como vai aparecendo, como se vai construindo nos processos populares de libertação, é o que dá sentido à Igreja. Para nós, a Igreja é algo relativo. É importante porque sem a Igreja não seríamos capazes de descobrir a presença do Reino de Deus nos processos revolucionários, nos processos de libertação. A Igreja é necessária, mas relativa."
P. Richard
***
"Na Igreja de hoje o leigo não tem muito lugar, embora seja 99% da Igreja. Ele está na margem da Igreja. O ideal é chegarmos a uma Igreja comunidade, de irmãos e irmãs, fraternos, igualitários, onde as pessoas ocupem distintos lugares, distintas funções. Em que não se falasse mais de leigos contrapostos a clérigos, mas de cristãos, homens e mulheres, com distintas tarefas, onde tanto conta o violeiro como o padre que anima a comunidade; tanto um coordenador de comunidade, que é ao mesmo tempo líder sindical, como um bispo; onde todos se sentissem bem na comunidade, com uma vocação secular, dentro do mundo."
L. Boff
***
"Até agora, a reflexão sobre Maria tem sido feita por homens. Não que a gente veja nisso algo de ruim, má fé, etc. Não é isso. Mas, realmente, os homens é que pensaram, falaram, refletiram sobre essa mulher, criatura humana, criatura de Deus, que foi Maria de Nazaré. Consequentemente, a visão que se tem de Maria tem sido até agora uma visão masculina, marcada pela projeção do ideal do feminino que o homem faz. Nesse sentido, tem havido - acredito que até involuntariamente - uma espécie de domesticação da mulher por parte da mariologia. Ou seja, a mulher cristã tem Maria como modelo e, portanto, deve imitar Maria, uma mulher que era apresentada como muito difícil de ser imitada: virgem e mãe que sempre diz sim, toda aquela coisa clássica, passiva, submissa. A mulher cristã que começou a tomar consciência de seu papel de ser pensante e desejante, começou a rejeitar isso."
M. Clara
TEIXEIRA, Faustino Luiz Couto (Org.). Teologia da Libertação: Novos Desafios. São Paulo: Ed. Paulinas, 1991. pp. 21-50
A Prostituta do Apocalipse - A Igreja?
Assistam até o final. Na primeira parte, alguns protestontos ficam dando uma aula de tontice. Somente depois é que o negócio é desmentido e explicado. Protestantes, larguem de mentiras! Se convertam.
Refutação Protestante II - O erro da Sola Scriptura
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| Fim do mundo em Maio de 2011... Eu fui! |
Os protestantes afirmam que a única regra de fé válida é a Sagrada Escritura - Sola Scriptura. No entanto, este princípio vai remontar a Lutero, o que significa que ele tem por fonte um sujeito que só depois 1.500 anos d.C. é que vai inventar essa conversa. A Sola Scriptura é, portanto, evidentemente extra-bíblica. E, conforme poderemos ver, não só extra, mas anti-bíblica. Em suma, este princípio é absolutamente contraditório e o que espanta é que ainda encontre adeptos; é de se esperar que os propagadores dessa idéia sejam leitores assíduos e profundos da Sagrada Escritura, já que ela seria a única regra de Fé. Porém, como que estes supostos leitores tão atentos não percebem que a Bíblia faz referência, inúmeras vezes, a fontes exteriores a ela mesma? Tudo isto nos leva à conclusão de que, não obstante a afetada defesa da Bíblia, os protestantes parecem não ter nenhuma diligência especial para com ela. Como se pode levar a sério alguém que defende ser a Escritura o único modo pelo qual Deus nos fala e, ao mesmo tempo, não se motiva a conhecê-la direito?
Mas, em que será que se baseiam os protestantes para defender a Sola Scriptura? Ponho abaixo alguns trechos que eles crêem fundamentar o disparate e, entre parênteses, comento rapidamente.
Gal 1,8 - "Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema." (Obviamente, Paulo não condena, de modo algum, a recorrência a fontes extra-bíblicas. O Evangelho a que ele se refere é a Boa Nova trazida por Jesus e não necessariamente só aquilo que foi escrito. Aliás, no seu tempo, sequer os Evangelhos circulavam ainda. Paulo é o mesmo que diz que a Fé vem pelo ouvir (Rom 10,17), referindo-se claramente à comunicação oral do Evangelho. Mais à frente, veremos que Paulo comenta as duas formas de adesão à verdade: por escrito e de modo oral, sendo este último a Tradição da Igreja.)
Ap 22,18-19 - "Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro; e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro" (O Apóstolo João aqui se refere às palavras do livro do Apocalipse... nada a respeito da Sola Scriptura. Aliás, João escreveu em símbolos o que, naturalmente, requeria uma interpretação autêntica, coisa muito diversa do livre exame onde cada um inventa - confortável isso - como quer entender. Como hoje se sabe, o Apocalipse, além dos acontecimentos futuros, refere-se à Liturgia, realidade que nos antecipa o Céu. Os protestantes, no entanto, reduziram, acresceram e mudaram a Liturgia católica. Portanto, a eles se aplica a predição deste livro)
Jesus em conversa com os judeus em Jo 5,39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (De novo, nada de "Só a Escritura". Jesus apenas está criticando os judeus que, não obstante examinassem as escrituras, não percebiam que elas testemunhavam a respeito d'Ele. Aliás, é a mesma coisa com os protestantes que dizem tanto ler a Bíblia e não notam nela que Pedro recebeu as chaves do Reino, nem que Jesus deu a Sua carne e o Seu sangue como comida e bebida, nem que Ele fundou a Sua Igreja e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, nem que Ele disse aos Apóstolos: "quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita", e assim terminam caindo nessa rejeição do Cristo porque rejeição da Sua Igreja)
Hb 4,12 - “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Aqui, o Apóstolo não se refere, precisamente, à Escritura, mas muito mais ao Verbo de Deus, também chamado Palavra de Deus, o Logos encarnado. E isto se torna evidente, se observamos o versículo seguinte: "Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." Paulo está, claro, se referindo a Jesus, a Quem devemos prestar contas. Portanto, nada de sola scriptura aqui também.)
2 Tim 3,14-17 - "Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e plenamente preparado para toda boa obra” (Interessante que, quando Paulo escreve "permaneça nas coisas que aprendeu", ele se refere ao que disse antes: "te aplicaste a seguir-me de perto na minha doutrina" (vers. 10). Os protestantes poderiam dizer: "que absurdo! não devemos seguir a doutrina de Paulo, mas a de Cristo!" Não é isso que eles dizem com relação aos nossos santos e àquilo que o Espírito Santo inspirou à Santa Igreja? Mas continuemos nesta passagem. Vimos que Paulo recomenda permanecer naquilo que Timóteo aprendeu, não somente com relação às "sagradas letras" mas, também, a partir da própria vida de Paulo, conforme ele vai relatando as suas provações e perseguições. Portanto, Paulo faz referência à Escritura, claro, mas também àquilo que Timóteo aprendeu do convívio com ele. De nenhum modo Paulo diz: "atém-te somente à Escritura". Ao contrário, ele diz para ater-se às escrituras e ao que Timóteo tinha aprendido da doutrina de Paulo. Com relação a dizer que a Escritura é útil para ensinar, para tornar sábio, para repreender, isso é evidente. Se bem que Paulo deixa claro: "mediante a Fé", isto é, por meio da Fé. Significa que a Escritura contribui para esta Fé, mas ela não encerra esta Fé.)
Mt 5,13 - "E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?" (Eu fico espantado com a falta de honestidade destes protestantes. Jesus, nessa passagem, está a conversar com os fariseus e aponta um erro deles que funcionava como uma estratégia para se livrar de uma obrigação. Não tem nada a ver com a condenação da tradição em geral. Pegar este trecho, e usar para provar que toda e qualquer tradição é errada, é o cúmulo da cafajestagem).
Bom. Há ainda argumentos semelhantes mas igualmente incapazes de provar o valor da Sola Scriptura. Vamos, agora, a outras passagens bíblicas que justamente indicam que a Escritura não é a regra ÚNICA de Fé. E vejam que, para demonstrar isso, utilizaremos da própria Bíblia.
Os Evangelistas utilizavam fontes extra-bíblicas. Em Mt 2,23, lemos: "e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno." Acontece, porém, que não há no Antigo Testamento nenhum lugar onde se diga que Jesus seria chamado Nazareno. Obviamente, se quisermos assegurar a sinceridade do Apóstolo, teremos de admitir que ele retirou isto de alguma coisa alternativa à Escritura.
Já em At 20,35, Lucas escreveu: "Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!" Mais uma vez, em nenhum Evangelho se lê essa afirmação de Jesus. Será que Lucas teria inventado? Rsrs... Sua fonte é, de novo, extra-bíblica.
Em Judas 1,9, encontramos o seguinte: "Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda!" Novamente, não há qualquer referência a isso no Antigo Testamento.
Em Judas 1,14, outra passagem curiosa: "Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos" Mas Henoc não é aquele que foi arrebatado? Ele não era profeta e também não escreveu nada, rs. De novo, fonte alternativa.
Vamos, então, a referências ainda mais claras de que nem tudo está dito na Bíblia.
Em Jo 6, 12-13, lemos: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." Como bem se vê, Jesus faz aqui referência a um futuro em que o Espírito Santo ensinaria a verdade à Igreja. Haverá, portanto, uma continuidade da inspiração da Igreja. E isto fica claro neste trecho.
Em Atos 1,3, vê-se o seguinte: "Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus." Lucas não relata o que exatamente Jesus tenha dito, mas deve-se realmente supor que pelo fato de não estarem escritos, estes relatos de Jesus ressuscitado são sem importância? É claro que não! Certamente, aquilo que Nosso Senhor lhes disse passou para outros a partir da tradição oral.
E pra dar o último golpe no já defunto da Sola Scriptura:
II Tes 2,15 - "Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas oralmente ou por escrito." Conservai as tradições... as tradições... oralmente ou por escrito... oralmente... ou... ou...
Sola Scriptura Fail!
Como vimos, os Apóstolos nunca pretenderam que a Sagrada Escritura fosse, ela somente, a regra de Fé. Ela é também, mas não somente. Vimos também que os próprios escritores sagrados utilizavam-se de fontes outras que não estritamente a bíblica. E isto só é possível se eles consideram válida a tradição, desde que esta legítima.
Podemos refutar ainda a Sola Scriptura considerando que, sendo a Sagrada Escritura inspirada por Deus e, portanto, isenta de erro e, de outro lado, sendo ela escrita com linguagem humana e, portanto, provida de diferentes estilos, naturalmente permite interpretações diversas. Ora, esta diversidade pode resultar, obviamente, numa interpretação equivocada. Disto se percebe a necessidade de um limite hermenêutico que impeça as interpretações falsas. Este limite somente pode ser algo de exterior à própria escritura, donde a Sola Scriptura mais uma vez é tida como falsa.
A própria formação do cânon bíblico faz referência a uma anterioridade, isto é, às pessoas que selecionaram a lista dos livros inspirados. Ora, a crença na Bíblia supõe necessariamente o reconhecimento destas outras autoridades. Foi a Igreja Católica quem formou todo o cânon do Novo Testamento. Portanto, reconhecer o Novo Testamento como autenticamente inspirado por Deus supõe, no mesmo ato, reconhecer a autoridade da Igreja que o formou.
A Sola Scriptura conduz, fatalmente, ao Livre Exame. Ora, isto é condenado pela Escritura. Lemos S. Pedro advertindo sobre este perigo em pelo menos duas passagens:
"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal." (II Pe 1,20) Nessa onda de interpretação pessoal, que começou com Lutero, há hoje quem defenda o espiritismo com base nos Evangelhos e, até, o tal "evangelho gay". Dignos filhos do devasso pai da reforma.
Nesta outra, Pedro faz uma referência às cartas de Paulo e menciona os protestantes. Vejam só:
"Nelas [as cartas paulinas] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras." (II Pe 3,16) É nisso aí que leva o tal livre exame. Pedro quer dizer, então, que há um sentido verdadeiro, o que é óbvio. No entanto, é possível, pela leitura individual das cartas de Paulo, deturpá-las e fazê-lo também com as demais Escrituras. Disto surge, evidentemente, a necessidade de uma autoridade que resguarde o seu sentido autêntico!
Observemos ainda um outro trecho onde assistimos, de novo, o Livre Exame e, portanto, a Sola Scriptura, serem condenados.
"Um anjo do Senhor dirigiu-se a Filipe e disse: Levanta-te e vai para o sul, em direção do caminho que desce de Jerusalém a Gaza, a Deserta. Filipe levantou-se e partiu. Ora, um etíope, eunuco, ministro da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, tinha ido a Jerusalém para adorar. Voltava sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías. O Espírito disse a Filipe: Aproxima-te para bem perto deste carro. Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele." (At 8,26-31)"
Ó eunuco que, mesmo antes de ser batizado, mostrava ter maior bom senso que os protestantes! O eunuco sabia que a pessoa aprendia o verdadeiro sentido da Escritura ao ser ensinado. Por isso a ordem aos Apóstolos: "Ide e ensinai" e não "ide e imprimi Bíblias". Os protestantes, no entanto, elevam a própria imaginação ao status de Espírito Santo e criam as mais ridículas interpretações e falsarias.
Ó eunuco que, mesmo antes de ser batizado, mostrava ter maior bom senso que os protestantes! O eunuco sabia que a pessoa aprendia o verdadeiro sentido da Escritura ao ser ensinado. Por isso a ordem aos Apóstolos: "Ide e ensinai" e não "ide e imprimi Bíblias". Os protestantes, no entanto, elevam a própria imaginação ao status de Espírito Santo e criam as mais ridículas interpretações e falsarias.
Vemos, então, que a Sola Scriptura não se sustenta de nenhuma forma. Ainda muita coisa poderia ser dita, mas penso que neste artigo, já um tanto extenso, a coisa ficou demonstrada. Objeções, críticas ou acréscimos, postem nos comentários ou mandem-me um e-mail.
Salve Maria!
Fábio
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