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Prêmio Imprensa Maria Mariá - Agradecimentos

Bom, quero, enfim, agradecer direito pelo fato de termos ganho o Prêmio Imprensa Maria Mariá. A cerimônia de entrega aconteceu ontem, com uma estrutura que estava bem além do esperado.


Como nas minhas palavras de ontem, na hora do recebimento do Troféu Imprensa, quero agradecer, antes de tudo, a Nosso Senhor que é a razão deste nosso trabalho de apostolado. Ele, que é o autor da nossa existência e de tudo quanto de bom podemos ter, é ainda Aquele que nos inspira e motiva a alimentar frequentemente este blog. Tudo o que, ao contrário, não puder ser visto, neste espaço, como um suspiro de amor pelo Verbo divino, que seja tido como irrelevante e digno de desprezo.

Em seguida, quero agradecer ao Clesivaldo Mizael, que foi quem concebeu por primeiro toda a idéia do evento. Realmente, repito uma terceira vez, uma idéia muito feliz e que vem valorizar o nosso esforço e empenho, enquanto blogueiros e difusores de saberes. Além do seu mérito de idealizador do Prêmio, merece ainda dignos elogios pela belíssima organização, não só da noite de ontem, objeto maior das nossas expectativas e, naturalmente, termo de todo este processo, mas também pelo trabalho no percurso destes, se não me engano, três meses.

Eu, na hora do recebimento do Troféu Imprensa Maria Mariá
Este foi um evento que, sem dúvida, extrapolou o âmbito municipal, tendo sido repercutido a nível estadual - talvez até nacional - e fazendo com que a cidade de União dos Palmares, mais uma vez, apareça neste cenário mais amplo como um centro irradiador de cultura e conhecimento. Nossa cidade já é bastante conhecida tanto pela sua história, pelos seus negros, pelas suas lutas, pela Serra da Barriga, como pelos seus poetas e escritores, como Jorge de Lima, Maria Mariá, dentre outros tantos nomes que honram este lugar. Mas é também um expoente a nível nacional pelo seu potencial matemático e pelo seu altíssimo nível artístico. E agora, novamente, União se faz ver a partir do trabalho de homens, mulheres, meninos e meninas que, com seus blogs e sites, tratando de política, religião, poesia, história, se destacam como seres pensantes, formadores de opinião e protagonistas destes diversos discursos.


Antes de ir ao evento, eu ficava pensando nisso tudo. E fiz uma interessante analogia desta nossa cidade, localizada no interior de Alagoas, um estado conhecido pelo seu alto nível de analfabetismo e violência e que tende a ser visto, de modo muito frequente, e sob lentes preconceituosas, como um lugar de gente atrasada. De fato, a educação no Estado não é mesmo das melhores. Mas eu lembrava que, há dois mil anos, algo semelhante foi dito de uma cidadezinha na Galiléia, chamada Nazaré: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" E, no entanto, foi lá onde viveu a Virgem Maria e Nosso Senhor Jesus Cristo nos seus primeiros trinta anos. Se alguém, hoje, perguntar ironicamente: "Pode vir alguma coisa de União?", dentre outras coisas, poderemos apresentar-lhes a nossa história, os nossos músicos, os nossos poetas, intelectuais e, por que não, os nossos blogueiros.

A fotógrafa do GRAA, a Rafaely, tava tão emocionada que a foto saiu  assim.
Voltando ao evento, agradeço também a todos os demais concorrentes das diversas categorias. Aquilo que eu dizia ontem, na minha curta fala, de que eu me senti honrado de fazer parte desta festa, não foi mera demagogia. De fato, fiquei muito feliz em estar concorrendo com tanta gente boa e inteligente. Algum tempo atrás, uns amigos nos acusavam, a nós católicos, de uma certa subestimação dos demais, como se os víssemos de cima para baixo. Isto absolutamente não é verdade. De fato, como católicos, sustentamos a idéia da vocação universal dos homens à religião cristã. Isto significa dizer que, em nosso discurso, todos os que não têm um catolicismo prático andam como que fora dos trilhos. Mas isto não significa, de modo algum, que nos sintamos superiores; diríamos que nos sabemos mais felizes, talvez. Portanto, a honra da qual eu afirmei estar animado pelo evento de ontem foi muito verdadeira. Alguns outros, ainda, nos criticam porque não participamos de certos outros acontecimentos, e isto lhes parece reafirmar o nosso senso de superioridade ou, também, a nossa alienação. Se não participamos de certas coisas, isto pode ser por falta de tempo - o que é muito comum - ou, ainda, por não partilharmos de certas ideologias, muito frequentes como pano de fundo de certas mobilizações. Mas isto, mais uma vez, não faz que nós, Anjos de Adoração, cultivemos qualquer sentimento de sobrestimação de nós mesmos. Eu, particularmente, posso me dizer fã de certos personagens deste nosso meio cultural, e ficaria imensamente feliz de partilhar um trabalho contínuo com estes. Portanto, quero realmente elogiar - de coração, Deus o sabe - a todos os que fizeram parte desta festa belíssima, e dizer, mais uma vez, que nos sentimos honrados, compreendendo que o nosso trabalho - do GRAA - é, ainda, modesto, reconhecendo, ao mesmo tempo, o empenho e o valor de todos estes que concorreram ao prêmio. Todos nós, participantes, podemos nos dizer vencedores, pois este evento deu-nos visibiliade, e é isto, talvez, o que precisamos para que a eficácia do que fazemos se estenda mais e mais.

Percebam o nosso talento para fotografias. Não é fácil dar esse efeito levemente embaçado...

Quero, também, agradecer aos nosso votantes. É claro que, sem vocês, o blog não teria vencido. Eu não me envergonho, de nenhum modo, de ter feito campanha. Fiz mesmo! E isto, penso, demonstrou também como valorizei todo este trabalho. E quero agradecer, imensamente, aos que escolheram o nosso blog. Mesmo aquelas pessoas de tão longe. Este prêmio é, também, para todos vocês. Isto nos estimula a, dentro deste serviço primeiro a Nosso Senhor, querer melhorar a qualidade do que fazemos para que, também vocês, possam se beneficiar. Como já sabem, a nossa proposta com este blog pode ser resumida em dois pontos: a glória de Deus e a salvação das almas. Ambas enveredam pela defesa sistemática da Santa Igreja, tão difamada hoje em dia, tão caluniada por quem não se deu ao esforço de fazer mais do que assistir o Super Pop ou frequentar aulas de cursinho pré-vestibular. É por isto que fazemos circular textos, sejam espirituais - que é a nossa tônica, pois somos um grupo contemplativo - sejam filosóficos, teológicos, históricos, poéticos, e até, vez ou outra, jornalísticos. Então, mais uma vez, obrigado. Deus os abençoe profusamente e que tudo isto sirva para Sua maior glória e para a promoção da Sua Igreja, a Católica Apostólica Romana - dizemos sem medo e sem escrúpulos. Somos inimigos do falso irenismo, aquela falsa paz e concórdia que se adquire em detrimento da clareza com a verdade.

Agradecemos, ainda, aos que compuseram o Juri Acadêmico e que, após diligente exame dos blogs, premiaram também este nosso sítio virtual. A partir desta premiação, estarei mais atento e cuidadoso com estas questões de layout. Eu mesmo considero meio excessivo a quantidade de informações que ponho na lateral. E foi, sobretudo, a notícia de que seria avaliado também neste aspecto, que me fez pensar nestes pontos. Mas, muito obrigado pela vossa escolha que nos concedeu o Selo Imprensa da Liberdade. Que Deus os abençoe e que a Virgem Maria os conduza e os converta ^^.

E agradeço, por fim, ao Grupo de Resgate Anjos de Adoração que, de modo algum, é feito só por mim. Como os amigos podem ver, sou eu quem faz a imensa maioria das postagens; quase a totalidade delas. Mas, de nenhum modo esgoto o grupo. Hoje somos nove integrantes e é por eu estar com eles, meus amigos irmãos, íntimos de combates, conhecedores de minhas mazelas e virtudes, com quem posso contar a toda hora e com quem aprendo tanto; é por estar entre eles que posso vir aqui e estudar, e ler, e escrever, e transcrever, e parodiar, e ironizar e falar bobices, às vezes. Eu posso dizer que tudo o que sou, devo à Santa Igreja. E, dentro disto, estes meus irmãos de caminhada têm um papel fundamental. A gente se empurra, a gente se levanta, a gente se abraça, a gente se compreende, a gente se corrige, a gente se ensina. Portanto, estes prêmios que recebemos vão para todos os que fazem o grupo. Obrigado por me permitirem cuidar deste espaço. É uma alegria poder estar entre vocês. Que Deus nos conduza à santidade.

Enfim, termino dizendo que fiquei imensamente feliz pela premiação e entendendo que este evento foi, sobretudo, uma valorização do nosso trabalho enquanto blogueiros palmarinos, uma confraternização entre os diversos sujeitos difusores do saber nestas bandas interioranas de Alagoas; em suma, uma união, como o sugere o nome da nossa cidade, entre estes que são, como já dizia alguém, não o futuro, mas o presente do Brasil.

Nesta foto, eu em um êxtase após a treva divina de Pseudo Dionísio Areopagita
ter se fundido com a Lumen Gloriae num movimento retilíneo uniforme na vertical
disparado pelo mindinho da mão direita do corpo glorioso de Jesus que repousava no centro do 3º céu


Que Deus nos abençoe e que a Virgem nos guarde.

Pax.

Fábio.

Devemos ser cristãos antes que católicos?


Ontem, no encerramento dos festejos de Santa Maria Madalena, uma banda musical que todos juram ser católica, já no desfecho da procissão, arriscou soltar uma flatulência teológica: "e não esqueçam que nós devemos, antes de ser católicos, ser primeiro cristãos". É interessante como sempre estou sem estilingue nessas situações. Seria uma conspiração do outro mundo? rs.. Acho que deve ser porque eu não tenho um.

Agora, detalhe: ao lado do nosso relinchador estava simplesmente um padre, e de braços dados com esse representante da teologia moderna! Por isso eu defendo que, além da formação teológica e filosófica - que, sejamos sinceros, não vai bem - os seminários deveriam formar em defesa pessoal! Deveriam aprender arte marcial tradicional pois, também aqui, o tradicional é melhor. rs...

No entanto, de nada serviria estar fisicamente preparado para golpes eficientes se, filosófica e teologicamente, os sacerdotes não percebem o problema da afirmação do rapaz. E também por isto, ninguém ao redor parecia incomodar-se com aquele ensinamento típico de quem não teve os rudimentos da catequese. Ao contrário, uma senhora, algum tempo depois, reforçou a mesma coisa que o rapaz tinha dito. E, neste contexto, a gente fica se perguntando sobre a compreensão que a maioria dos assim chamados católicos têm da própria Fé. Se ao menos parassem de ler os gibis dos favos, dos chalitas, dos curys, dos boffs, dos helders, dos bettos, etc, etc...

Eu sei que pode parecer um tanto forte, mas não tenho medo de afirmar tranquilamente que, enquanto um sujeito assim sustenta uma posição tão descabida, está simplesmente impedido de saber o que seja a santidade e de alcançá-la. Ora, se é fato que ele, não somente é católico, mas existe precisamente para ser santo - é este o motivo pelo qual Deus o sustenta nesta vida - então podemos compreender como uma crença assim romântica, bem ao gosto de todo mundo - sobretudo do diabo -, bem relativista e aparentemente cordial torna-se o impedimento da sua realização como ser humano. E isto é sério! Bem mais do que parece.

Charmar-me-ão dramático! Rs... Por muito menos, S. João da Cruz usa termos como "impedimento total" para a união com Deus. Mas, a fim de evitar que os leitores mais "tolerantes" rasguem suas vestes diante desta página virtual, expliquemos o que se dá nesta proposição disparatada do rapaz que, sinceramente, ainda não é católico. Lembremos que o dom da Fé, que é Virtude Teologal e não mero assentimento à versão pessoal da vizinha, perde-se com qualquer explícita negação de um ponto essencial da Doutrina. E é o caso. Vamos lá.

Catolicidade e Cristianismo não são coisas diversas, mas uma e a mesma realidade. Ser católico é ser cristão e - pasmem - vice versa. S. Paulo refere-se, nas suas cartas, a "uma só Fé, um só batismo e um só Senhor". Disto se segue que, para tal, uma só Igreja é legítima. A diversidade de seitas produz uma diversidade de credos, de batismos e de senhores - ainda que estas construções mantenham um só nome comum - e isto, creio, é evidente. Portanto, distancia-se totalmente do ensino de S. Paulo. Os católicos, nos inícios da Igreja, eram designados pelo nome genérico de cristandade. Os protestantes - ô tempo bom - não existiam e os hereges eram combatidos com rigor. Este combate teológico ganhava legitimidade porque, então, a Verdade, ela mesma, se tinha feito Carne, habitado entre nós e nos comunicado a Sua vida. Defendê-la e ensiná-la, portanto, era um imperativo: "Ide e ensinai".

Então nós temos, neste contexto, a Verdade e as doutrinas que divergem dela. Estas doutrinas podem ser entendidas como precursoras da Verdade ou como impedimentos para ela. De um modo ou de outro, a Verdade deve substituir-lhes, assumindo e promovendo, claro, aquilo que, nestes corpos doutrinais alternativos, não lhe fosse oposto e até lhe facilitasse na sistematização do seu discurso. Tal é, por exemplo, a relação entre a Fé cristã e a Filosofia grega.

É evidente que a verdade deve gozar de superioridade. Igualá-la ao erro é desrespeitá-la. A verdade é, por natureza, exclusiva. O nosso século, no entanto, se auto-proclamando o século do diálogo, tende a relativizar tudo, sob o pretexto de não desagradar as partes. Mas, ora! Que tipo de sinceridade é esta? É claro que, num tal ambiente ideológico, a verdade não respira e torna-se, pelas implicâncias de sua própria natureza, algo que se deve evitar, que se deve negar. O relativismo é o desrespeito para com a verdade. E relativismo, no âmbito religioso, significa pôr em pé de igualdade todas as propostas doutrinais, por mais diversas e até contraditórias que sejam. Um sujeito que aceite aderir a esta sopa não pode querer receber o qualificativo de cristão de forma justa, pois Jesus, Ele mesmo, nos disse: "Eu sou a Verdade". O que há nesta curta afirmação de não entendível?

O protestantismo surge como negação de verdades católicas, e, para a Igreja Católica, suas verdades não são produto de um mero esforço humano, uma construção puramente cultural e, por isso, contingente. Não. Para a Igreja, sua doutrina é revelada, isto é, foi-nos dada por Deus e, disto se segue que seja perfeita e, por isso, imutável. Alguém pode não querer aderir a isto, mas então não se afirme católico, oras! A Igreja não obriga ninguém a sê-lo. No entanto, os que são, ao menos façam o mínimo esforço para saber o que Ela diz a respeito de si mesma.

Ora, se a Igreja crê que a sua doutrina é perfeita e diz a verdade infalivelmente, então, tudo o que dela se afaste implica em erro. Alguém poderá reclamar da suposta pretensão dos católicos de possuírem a verdade. Mas não nos poderá chamar incorentes porque agimos assim. Incoerência é a desse rapaz que vomita besteiras sem a mínima dimensão do que está dizendo e pretendendo-se, com esse discursozinho, ser um representante do verdadeiro catolicismo, visto que tais clichês pretendem ser reprimendas para os ditos "católicos obscuros", quadrados, medievais, etc. Percebe-se, desse modo, que o aparente discurso da tolerância universal é tolerância somente com o erro e, de outro lado, intolerância pura e simples com a verdade.

Estar com Cristo é estar com a Igreja Católica, e foi o que Ele mesmo disse: "Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita". Lutero, portanto, rejeitou a Nosso Senhor, e com ele todos os que se inspiraram na sua desobediência mal travestida de devoção. Ser plenamente cristão identifica-se, então, com ser católico e ser católico identifica-se com ser cristão. Isso é catolicismo. Se alguém quiser defender coisa diversa, que o faça, mas não se pretenda católico depois disso.

Sem a Verdade, não haverá vida espiritual. Sem o dom da Fé, íntegra e pura, não haverá Esperança teologal e nem Caridade, o que é terrível. E, sem a Caridade, como nos diz S. Paulo, tudo é nada. É possível desenvover virtudes morais, ainda que fora dos limites católicos, pois todos partilhamos de uma mesma natureza humana que traz, escrita em si, a Lei Natural que nos orienta, a grosso modo, sobre o que seja uma conduta correta.

Só que isto está anos luz abaixo do que seja a santidade propriamente dita. E sem entender o que seja a Igreja, sem corrigir este conceito disparatado, este rapaz não chegará lá. A santidade só é possível na Verdade. Alguém poderá dizer: "mas Deus pode, levando-lhe em consideração a inocência, conduzir-lhe." Pode, claro. Mas, se tal acontecer - o que geralmente se dá de forma ordinária, isto é, por uma  real formação doutrinal e não por um "êxtase" numa reunião carismática -, com certeza, no meio do processo, o rapaz terá de corrigir a sua visão sobre a Igreja. E isso é regra! Ninguém vai a Deus pela mentira.

E quem ama a Igreja não pode deixar de sentir uma tristeza quando, no meio de um evento assim católico, estas discrepâncias surgem e são acolhidas como produto sublime da Fé. Sinto muito, mas em vários meios católicos a formação catequética tornou-se o que de menos importa. Seguindo a linha individualista protestante, cada um tem acolhido as verdades que lhe soam bem, que lhe agradam pessoalmente e é geralmente esta sopa disforme que nos é mostrada - seja na TV, seja em passeatas, retiros, etc - sob o nome de catolicismo.

Que a Virgem Santíssima socorra a Igreja de Seu Filho.

Fábio

À minha cara amiga, Laninha


"No entanto, uma só coisa é necessária; 
Maria escolheu a melhor parte, 
e esta não lhe será tirada" (Lc 10,42)

Hoje, dia 01 de fevereiro de 2011, dia da apresentação do Senhor, uma cara amiga, a Eliane - a quem chamo de Laninha e que, vez ou outra, comenta neste blog - está indo fazer experiência numa congregação de religiosas contemplativas, irá fazer a sua apresentação ao Senhor. E quero aproveitar o ensejo, para escrever-lhe um pequeno artigo e dizer-lhe que eu partilho da sua alegria.

Laninha sempre foi uma pessoa de quem eu sabia da existência e só. Eu sempre a via, mas não a distinguia de outras mil. É como diz a raposinha ao Pequeno Príncipe: se não me cativares, serás como outros tantos. Certa vez, porém, a vi segurando uma revista que trazia estampada na capa a foto de Dom Helder Câmara, expoente da Teologia da Libertação, pelo que a Laninha, se não me fez perder o interesse de vez, surgiu à minha vista como uma oportunidade de labor missionário, rsrs...

Nessa época, ela esteve nos ajudando intensamente na organização do Musical da Paixão que fizemos no ano de 2010. Este tempo precioso foi suficiente para que nos conhecêssemos um pouco melhor e fui notando que ela era um tipo de pessoa que eu apreciava. Depois do musical, organizei o grupo de estudos sobre religião, filosofia... e fiz questão de lhe convidar. Nessas formações, ela era o que eu chamava de "fidelíssima" e assistia as exposições com muito interesse. Foi aí que tivemos ocasião de conversar mais tranquilamente, sem os aperreios dos ensaios teatrais. Fui descobrindo em Laninha uma pessoa bem mais madura do que eu supunha; bem mais séria, bem mais dócil ao mistério. Nos tornamos amigos...

Eu sabia, ou pelo menos supunha, que seria muito fácil que nos tornássemos daquelas pessoas que conversam bastante, que vivem a trocar idéias, a sorrir juntas e sabia também que ela intentava seguir a vida religiosa. Isto foi suficiente para que eu evitasse uma aproximação maior. A partida é bem mais fácil quando o apego não se construiu. E esta isenção do apego ajuda a manter a pureza do afeto. Que nos diga a grande Teresa D'Avila, por quem partilhamos um interesse comum.

Enfim, hoje chegou o grande dia e, embora um pouco remexido por dentro - se bem que eu não dê a perceber...rs, afinal eu sou um bom ator... rsrs - me alegro pela sua coragem, pela doação da sua vida, por saber que ela deixa um rasto de luz pelo seu exemplo, abandono e disposição em seguir a voz de Cristo Nosso Senhor.

Não sei se faço bem denunciar um pouco da minha alma nesta postagem. Mas meu intento aqui é tão somente dizer que aprendi a amar essa menina, embora eu fizesse questão de não demonstrar. Aprendi a respeitá-la muito e tive, discreta e sutilmente, profundas lições com o seu convívio.

Deus a abençoe, minha cara. Não perca o foco: estás rumando ao mosteiro para ser santa, não para outra coisa. O teu amor por Jesus deve agora se tornar um grande incêndio, em comparação ao qual o meu, que sou um simples leigo, apareça apenas como um pedacinho de gelo, como diz Deus Pai a Santa Catarina nos seus Diálogos. Ame a Nosso Senhor com violência, pois, conforme Ele disse, são os violentos que alcançam o Reino; são os violentos que quebram o frasco de perfume caríssimo sobre os pés do divino Mestre. O perfume caríssimo é a tua vida, toda ela. Se o fizerdes, o perfume encherá toda a casa e aproveitará a Deus, à Igreja e até a mim, este pobre pecador inveterado que sou. Violência, mas Paz que é o traço dos contemplativos.

E se ainda posso dar algum conselho, o faço: não descuide da doutrina, não descuide da Liturgia, não ceda às novidades, seja obediente aos superiores e arranque da tua alma todo e qualquer resquício de amor próprio.

Enfim, que a Virgem Santíssima te ensine a ser uma santa contemplativa. Lembre-se de mim vez em quando e reze pela minha pobre alma.

Deus a abençoe e guarde. Sei que é, a princípio, só uma experiência de três meses que antecede a entrada definitiva. Mas, ainda assim, seja desde já uma monja de Nosso Senhor. Quanto a mim, perdoe-me qualquer coisa.

Deixo um trecho de uma das minhas poesias favoritas, de Sta Teresinha, e que bem expressa a beleza da sua vocação:

"Ao ver-vos, meu Jesus, deixar da mãe os braços, e com seu terno auxílio
Tatear vacilando uns mal seguros passos em nosso pobre exílio,
Quisera desfolhar amor pelo caminho, a mais purpúrea rosa,
Pra que esse pé gentil pousasse de mansinho sobre uma flor mimosa.

Assim desfolhadinha a rosa é imagem bela, oh meu divino Infante,
Dum pobre coração que vitimar-se anela para Vós a cada instante.
A rosa, em se desfolhar, pra sempre renuncia à vida, a quanto amava.
Como ela, a Vós, meu Deus, em venturoso dia se entrega a humilde escrava.

A rosa em seu fulgor tem culto e luzimento, às festas dá seu brilho.
A rosa desfolhada, essa levou-a o vento; ninguém lhe rouba trilho...
Jesus, sacrifiquei por vosso amor, gozosa, o meu futuro, a vida.
Aos olhos dos mortais deve esconder-se a rosa pra sempre emurchecida.

Hei de morrer por Vós! De gozo em si não cabe minha alma ardente em chama.
Então, Jesus, verei se quanto pode e sabe, meu coração Vos ama.
E assim quero viver a vossos pés sem brilho, presa em divinos laços.
Pudesse eu abrandar no doloroso trilho vossos últimos passos"

Abraço e saudades.

Fábio.

Precisamos de bons padres - Sobre a Santa Missa de ontem


Estamos, aqui em União dos Palmares, vivenciando a novena de Santa Maria Madalena, padroeira da cidade. Como já é de conhecimento geral, a cada dia há a celebração da Santa Missa e vários são os padres convidados. É uma festa bastante tradicional; dizem que uma das mais tradicionais do país. O termo "tradicional" aqui não se refere, de modo nenhum, ao modo como correntemente o usamos neste blog. Aqui ele quer apenas significar que se trata de uma festa bastante conhecida e que já acontece há vários anos.

Pois bem. Ontem, 28 de janeiro, dia de Sto Tomás de Aquino, fomos visitados pelo Pe. Nilton, de Santana do Mundaú, um já conhecido nosso. Claro que a Missa é sempre a Missa, mas se torna mais fácil aceder ao Mistério quando um padre respira e transpira devoção e amor. Isto é complicado de se dizer porque, assim como uma pessoa é distinta da outra, os padres são sempre diversos e não podemos cair num critério de julgamento superficial, medindo as coisas pela aparência. Em verdade, para Nosso Senhor, a aparência é o que menos importa, se bem que, em se tratando de Liturgia, a sobriedade e rigor nos gestos, palavras e modo de se comportar no altar são, sim, necessários e demonstram uma vigilância interior.

Com relação ao Pe. Nilton, como eu disse, nós já o conhecemos. E ontem ele nos alegrou ainda mais. Além da sua sempre tão manifesta devoção, ele nos brindou com uma brilhante e profunda homilia. Falou de Sto Tomás, de Sta Maria Madalena e, além disto, despejou uma série de verdades que a nossa comunidade precisava e precisa ouvir. Não contive o riso... Dentre outras coisas, disse-nos ele: "um cristão de verdade e, desculpem-me o termo, um cristão de vergonha não pode viver comodamente!"

Além destas espetadas, falou-nos da perseguição aos católicos, perseguição velada, nas novelas, nos comentários em programas de rádio, nos gracejos com jovens que vão à igreja e instigou-nos à perseverança. Alguém que me esteja lendo pode pensar: tudo bem, e o que tem de mais nisso?

Ah, caríssimos.. Isso é um oásis. Na verdade, o padre agiu como um padre, um orientador, um mestre... e isso é raro. Não que os padres não orientem. Mas falta clareza, falta firmeza... E a coisa foi de tal forma que, terminada a Santa Missa, muitos se mostravam encantados, como se um pouco saciados de uma intensa sede, como se vislumbrassem algumas gotas de uma fonte sem fim. Muitos acorreram a ele parabenizando-o por simplesmente fazer o que foi ordenado para fazer.

E, a par desta alegria, como é triste ver que estas coisas têm se tornado cada vez mais escassas. Amo os padres daqui. Mas é tão bom quando alguém nos descobre, por pouco que seja, algo daquele tesouro escondido; quando alguém nos faz respirar o terno ar daquelas paragens simplesmente por olhar de um modo mais doce para o Santíssimo Corpo do Senhor, por dizer com amor as orações eucarísticas, fazendo-nos intuir algo do mistério que ele, o sacerdote, traz na alma.

Por isto, meus irmãos, rezemos mesmo pelos padres. Nós precisamos deles. Peçamos que Nosso Senhor nos envie sacerdotes santos, corajosos, dispostos aos martírios desta vida. Que eles tenham a ousadia de, sendo cordeiros entre lobos, manterem-se cordeiros.

Salve Maria Santíssima

Fábio

Pe. José Firmino Neto, de Ibateguara-AL, faz homilia em favor de Dilma

No dia de ontem, 13 de outubro de 2010, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ao acorrermos à Santa Missa, Sacrifício de Nosso Senhor, o então celebrante, o Pe. José Firmino Neto, na ocasião da homilia, passou a fazer, de modo mais ou menos explícito, campanha política em favor da atual candidata à presidência pelo Partido dos Trabalhadores, senhora Dilma Rousseff.

Numa extensa homilia, o padre iniciou fazendo referência ao fato de que Nossa Senhora Aparecida é negra e é mulher. Dito isto, passou estrategicamente a atacar o preconceito de pessoas que não confiam em mulheres para importantes funções, evocando o exemplo da primeira mulher votante no Brasil, há oitenta anos atrás. Criticando veementemente o que chamou de “analfabetismo político”, sugerindo, com fortes expressões, que tais indivíduos “vão para o inferno”, estendeu a sua indignação manifesta àqueles que, por “beatices”, com as quais, segundo o padre, os presentes deveriam ter cuidado, não confiassem em uma mulher para governar o Brasil. As mulheres, ressaltava o padre, já estão em condições de dirigir as coisas.

Neste contexto, enfatizou que os que afirmam que a senhora Dilma Rousseff, a quem chamou de “nossa candidata”, seja contrária à vida, o fazem por beatice. Ao lado de já tão expresso partidarismo sobre um altar católico, o referido sacerdote iniciou uma série de críticas ao candidato Serra, embora não o tenha citado nominalmente. Teceu, ainda, vários elogios ao governo atual, dizendo coisas como: “neste tempo o Brasil cresceu e deve continuar crescendo”; e ainda: “hoje já não se pode falar que existam miseráveis no Brasil. Há pobres, mas miseráveis não..."

A atitude do Pe. José Firmino Neto, da Paróquia de Ibateguara-AL, numa Santa Missa onde estava presente uma grande quantidade de pessoas, despertou a indignação de vários católicos, dentre eles, músicos, acólitos e a outros tantos dos que, da assembléia, assistiam a defesa enérgica do Partido dos Trabalhadores por este sacerdote.

Vez ou outra nos aparecem alguns sujeitos deste tipo que supõem, muito erradamente, a imbecilidade dos presentes. Tal imprudência, porém, lhe valerá uma carta enviada ao senhor bispo Antônio Muniz, responsável pela Arquidiocese de Maceió - AL, deixando-o a par destas aventuras partidárias do supracitado padre em plena Santa Missa. 

Pedimos a Nossa Senhora Aparecida, Mãe do Brasil, que livre esta Terra de Santa Cruz do flagelo do comunismo e de espetáculos infames como o é um sacerdote favorável aos inimigos da Santa Igreja.

Tende piedade de nós, ó Doce Virgem Maria...

Abaixo, o que o Pe. José Firmino chamou de "beatice":

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA / Novo Membro

 É com grande felicidade que comunico a entrada de mais um membro no Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA. Trata-se da senhorita Priscila Morais a quem, com grande alegria, recebemos neste bom combate da Fé, nesta busca pela aventura da Santidade e defesa da Santa Igreja.

Priscila, seja muito bem vinda...
Que Jesus Eucarístico, a partir de então, seja a tua alegria.

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

Esclarecimentos aos músicos sobre os preceitos litúrgicos e as inovações individuais na Liturgia


Neste último domingo, tivemos reunião para os músicos da paróquia. Na ocasião, eu entreguei três textos para a reflexão. Um tratava da Santa Missa como um todo no sentido de que não são lícitas as inovações que estão a fazer mundo afora. Havia no texto algumas expressões fortes para os que não estão habituados ao pulso firme da Igreja, como por exemplo: "Nem a comunidade nem o padre podem mexer na organização da Santa Missa". Os outros textos tratavam de momentos particulares, como o Ato Penitencial e o Glória. Seja como for, a cortada foi significativa.

Surgiram, naturalmente, algumas questões a respeito que foram devidamente esclarecidas, ainda que brevemente e somente até onde dava. Como dizia Nosso Senhor aos apóstolos: "Muitas coisas tenho ainda a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora". Também naquela ocasião, algumas pessoas não estavam preparadas para engolir coisa tão sólida... E as coisas se dão a partir de um processo mesmo.

No entanto, já no final da reunião, surgiram algumas perguntas curiosas, e é isto que quero partilhar com vocês. Naturalmente, foram feitas com muita ingenuidade, mas elas deixam transparecer qualquer tipo de obstinação no erro. Além disto, podem também representar as dúvidas de muita gente por aí. Foi mais ou menos o que segue: (As partes em negrito são as minhas falas)

Depois de tratar, por cima, a preocupação da Igreja com a retidão litúrgica, veio a pergunta:
- "Mas e onde fica o Espírito Santo nesta história"?

Como eu não entendesse direito do que se tratava, a pessoa esclareceu:

- "Com o Concílio Vaticano II surgiu a RCC... Neste tempo a Igreja estava meio... fria..."

- "Tava não, rapaz..."

- "Não, a Igreja não... os católicos.. E aí a RCC trouxe muita gente p'ra Igreja... Então, por que a Missa não pode ter o jeito dela quando ela anima"?

- "Olhe... se quisermos compreender bem isso tudo, esta onda de inovações e estes problemas, teríamos que voltar há muito tempo atrás. Já S. Pio X, no início do século passado, condenava vários movimentos que pretendiam ferir a Igreja. Então, esta apreciação sua aí precisa de mais base. Agora, onde que entra o Espírito Santo? Primeiro: Ele nunca esteve ausente da Igreja..."

- "Eu sei..."

- "Pois bem. Se disséssemos que Ele teria se ausentado, pecaríamos contra o dogma da indefectibilidade. Depois, a existência de santos em todas as épocas é prova de que Ele sempre esteve na Igreja. Com relação à Liturgia, o Espírito Santo atuou justamente inspirando o Magistério da Igreja na organização dos princípios litúrgicos. O Espírito Santo mesmo é quem construiu a ordem litúrgica. Ele é um Deus de ordem."

- "Certo... eu sei.. Mas, por exemplo, o Espírito Santo pode falar comigo também na minha oração. E aí?"

- "Pode, claro. Mas, seja lá o que Ele disser, nunca vai se opôr ao que diz a Santa Igreja! Por que? Porque o Espírito Santo não se contradiz. Aliás, este é o grande critério usado pelos santos! Não importa quão bela seja sua oração ou que você experimente nela; se é contrário ao que a Santa Igreja ensina, é certo que não vem de Deus..."

Disto se segue uma meia torcida nos lábios...

"E você dizer que é preciso haver inovações contra o que diz a Santa Igreja supõe uma certa desconfiança ao que a Igreja ensina!"

- "Não, não, eu não desconfio não da Igreja"

- "E então! Deus não pode inspirar a Igreja a uma coisa e inspirar individualmente alguém a outra. Deus não muda de opinião!"

**
Além destes temas, discutimos ainda a questão das palmas na Santa Missa, dos ritmos, etc.
A conversa era sempre entrecortada por uma expressão desta pessoa:
"Eu sei que você está certo..."

E aí está justamente o curioso. Por que, então, esta resistência? Reconheço, porém, que quem se endereça por esta via correta, há de ser bem espetado a fim de deixar seus excessos. E nem todo mundo está disposto a isto. Mas aí é que tá: quem não está disposto, que também não atrapalhe. Sempre se disse que o caminho era estreito e apertada a porta. Pois é.

Lutemos, meus caros, pois isto também é o bom combate da Fé.

Que S. Miguel nos auxilie.

Fábio.

Paróquia de Santa Maria Madalena, União dos Palmares - 175 anos.



CONVITE

         A Arquidiocese de Maceió, juntamente com os Missionários da Sagrada Família, tem a honra de convidar V. Sª. e digníssima família, a participarem da Solene Concelebração Eucarística, por ocasião do dia litúrgico de nossa Excelsa Padroeira, rendendo graças a Deus, pelos 175 anos da fundação da Paróquia de Santa Maria Madalena.
Dia: 22 de julho de 2010
Local: Igreja Matriz de Santa Maria Madalena – Praça Basiliano Sarmento – Centro – União dos Palmares/AL
Horário: 10h
15h – Carreata da esperança em solidariedade às pessoas atingidas pela enchente

Pe. Iranjunio MSF.
Pároco.
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