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Perigo que nasce das evasões e subterfúgios usados pelo amor próprio


Por exemplo, a oração mental se vicia pelo excessivo desejo de consolações sensíveis, pela gula espiritual, pelo sentimentalismo. O sentimentalismo é, na sensibilidade, uma afetação de amor de Deus e do próximo que não existe suficientemente na vontade espiritual. Então, a alma procura a si mesma mais que a Deus. Donde, para tirar a alma desta imperfeição, Deus purifica a alma pela aridez da sensibilidade.

Se, verdadeiramente, a alma nesta aridez não é suficientemente generosa, cai na preguiça espiritual, na tepidez e não mais tende suficientemente à perfeição.

Igualmente, pelo amor desordenado de si mesmo se vicia o labor intelectual ou apostólico, pois nele buscamos satisfação pessoal, buscamos o louvor, mais do que Deus ou a salvação das almas. Assim, o pregador pode tornar-se estéril «como um bronze que soa ou um címbalo que tine». A alma se retarda, não é mais iniciante, não avança ao estado dos aproveitados, permanece uma alma retardada, como um menino que, por não crescer, não permanece menino, nem se faz adolescente ou um adulto normal, mas um homúnculo deforme. Ocorre algo similar na ordem espiritual e isto provém do amor próprio desordenado, do qual nasce a esterilidade da vida.

Pe. Garrigou Lagrange

Fonte: Permanência

A legítima conversão Católica em contraste com o engano luterano e o naturalismo rasteiro - A dimensão da vida da Graça


Pe. Garrigou Lagrange

A conversão faz passar a alma do estado de pecado mortal ou da dissipação e da indiferença com relação a Deus, ao estado de graça, no qual ela já ama a Deus mais do que a si e acima de tudo, pelo menos com um amor de estima, senão ainda com um amor verdadeiramente generoso e vitorioso sobre todo egoísmo.

O primeiro estado era um estado de morte espiritual, no qual, mais ou menos conscientemente, o pecador refere tudo a si, querendo fazer-se centro de tudo e ficando escravo de tudo: de suas paixões, do espírito do mundo e do espírito do mal.

O segundo estado é um estado de vida, no qual começamos seriamente a superar a nós mesmos, a referir tudo a Deus, amado por nós mais do que a nós mesmos. É a entrada no reino de Deus, onde a alma dócil começa a reinar com Ele sobre as paixões, sobre o espírito do mundo e sobre o espírito do mal.

Compreende-se então que Santo Tomás tenha escrito: "O bem da graça de um só homem é maior que o bem natural de todo o universo" (I-II, q. 113, a.9. ad 2m): O menor grau de graça santificante que houver em uma alma, por exemplo na de uma criança depois de batizada, vale mais que o bem natural de todo o universo. Esta graça única vale mais do que todas as naturezas criadas tomadas em conjunto, incluindo as naturezas angélicas, pois os anjos necessitaram não de redenção, mas do dom gratuito da graça, para tenderem à bem-aventurança sobrenatural à qual Deus os chamara. Santo Agostinho diz que Deus, criando a natureza angélica, deu-lhes o dom da graça: "Ao mesmo tempo que lhes criava a natureza lhes dava a graça" e sustenta que "a justificação do ímpio é coisa maior do que a criação do céu e da terra", até maior que a criação das naturezas angélicas.

Santo Tomás acrescenta: "A justificação de um pecador é proporcionalmente mais preciosa do que a glorificação de um justo, pois o dom da graça supera mais o estado do ímpio, que era digno de castigo, do que o dom da glória o estado do justo que, pelo fato de sua justificação, é digno deste dom". Há muito maior distância entre a natureza do homem e até a do anjo mais elevado e a graça, do que entre a graça e a glória. A mais alta natureza criada não é absolutamente o germe da graça, enquanto que a graça é justamente o germe da vida eterna, semen gloriae. Passa-se, pois, no confessionário, no momento da absolvição do pecador, algo maior proporcialmente do que a entrada de um justo na glória.

Tal a doutrina que Pascal exprime dizendo, em uma das mais belas páginas de Pensées, que neste ponto resume o ensinamento de Santo Agostinho e de Santo Tomás: "A distância infinita entre os corpos e os espíritos retrata a distância infinitamente superior entre os espíritos e a caridade, porque é sobrenatural. Todos os corpos, o firmamento, as estrelas, a terra e os seus reinos, não valem o menor dos espíritos, pois o espírito conhece tudo isto e a si mesmo, ao passo que os corpos nada conhecem. Todos os corpos reunidos, e todos os espíritos em conjunto e todas as suas produções não valem o menor movimento de caridade, que está numa ordem infinitamente mais elevada. De todos os corpos juntos ninguém alcançará um pensamento, por menor que seja, pois isto é impossível por ser de outra ordem. De todos os corpos e espíritos conjuntamente não seria possível conseguir um movimento de verdadeira caridade, pois isto é impossível, dado que de outra ordem, de uma ordem sobrenatural".

Vê-se daí como foi grande o erro de Lutero sobre a justificação, querendo explicá-la não pela infusão da graça e da caridade que redime os pecados, mas apenas pela fé em Cristo, sem as obras, sem o amor, isto é, pela simples imputação exterior dos méritos de Cristo, imputação que cobriria os pecados sem apagá-los, deixando assim o pecador na sua mancha e corrupção. Deste modo, a vontade não seria regenerada pelo amor sobrenatural de Deus e das almas em Deus. A fé nos méritos de Cristo e a imputação exterior de sua justiça manifestamente não bastam para que o pecador seja justificado ou convertido; é necessário ainda que queira observar os preceitos, sobretudo os dois grandes preceitos do amor a Deus e ao próximo. "Se alguém me ama, guardará minha palavra e meu Pai o amará e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23). "Quem permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele" (1 Jo 4,16).

Estamos aqui em um plano muito superior ao da honestidade natural, e esta também não pode ser realizada sem a graça, necessária ao homem decaído a fim de amar eficazmente, e mais do que a si mesmo, o Soberano Bem, Deus autor de nossa natureza. Nossa razão, por suas próprias forças, concebe facilmente que devemos amar assim o Autor de nossa natureza, mas nossa vontade, no estado de decadência, não pode chegar até aí. Com mais forte razão ela não pode, apenas por suas forças naturais, amar a Deus, Autor da graça, visto como este amor é de ordem essencialmente sobrenatural, tanto para os anjos quanto para nós. Vemos, assim, qual é a elevação da vida sobrenatural que recebemos no batismo, e por conseguinte, qual deve ser nossa vida interior.

Pe. Réginald Garrigou-Lagrange, As Três Vias e as Três Conversões

A Vida Interior é o Único Necessário


Pe. Garrigou Lagrange

A vida interior é para cada um de nós o único necessário. Ela deveria desenvolver-se constantemente em nossa alma, muito mais do que aquilo que chamamos de vida intelectual, científica, artística ou literária. Ela é a vida profunda da alma, do homem inteiro e não apenas de uma ou outra de suas faculdades. A própria intelectualidade ganharia muito se, em lugar de querer suplantar a espiritualidade, reconhecesse sua necessidade, sua grandeza e se beneficiasse da sua influência, que é a das virtudes teologais e dos dons do Espírito Santo. Como é grave e profundo este assunto, que é expresso por estas duas palavras: Intelectualidade e Espiritualidade! Também é bastante evidente que sem uma vida interior séria não há como manter-se uma influência social verdadeiramente profunda e durável.

A urgência premente de nos lembrarmos do único necessário se faz sentir particularmente neste tempo de mal-estar e de confusão geral em que tantos homens, e até povos, perdendo de vista nosso verdadeiro fim último, colocam-no nos bens terrenos, esquecendo o quanto estes diferem dos bens espirituais e eternos.

No entanto, é claro, como disse Santo Agostinho: "que estes mesmos bens materiais, ao contrário dos bens espirituais, não podem ao mesmo tempo pertencer integralmente a muitos". A mesma casa, o mesmo terreno, não podem simultaneamente pertencer de modo integral a muitos homens, nem o mesmo território a muitos povos. Daí vem o terrível conflito de interesses, quando se põe febrilmente o próprio fim último nestes bens inferiores.

Ao contrário, Santo Agostinho se compraz em insistir que os mesmos bens espirituais podem pertencer simultânea e integralmente a todos e a cada um, sem que ninguém perturbe a paz a outrem. Até, a todos e a cada um, sem que ninguém perturbe a paz a outrem. Até, por sinal, nós os possuiremos tanto melhor quanto mais numerosos formos em gozar deles conjuntamente. Podemos, pois, deste modo gozar todos simultaneamente, sem de modo algum nos prejudicarmos uns aos outros, a mesma verdade, a mesma virtude, o mesmo Deus. Estes bens espirituais são bastante ricos e universais para pertencerem ao mesmo tempo a todos e para satisfazerem a cada um de nós. Mais ainda, não possuímos plenamente uma verdade, se não a ensinarmos a outros, se não os fizermos participar de nossa contemplação.

Não amamos realmente uma virtude se não a quisermos ver amada pelos outros. Não amamos sinceramente a Deus se não o quisermos fazer amado. Enquanto se perde o dinheiro que se dá ou que se gasta, não se perde a Deus dando-o aos outros, antes ficamos possuindo-o melhor. Nós o perderíamos se, pelo contrário, por ressentimento permitíssemos que sequer uma alma ficasse sem Ele; se quiséssemos excluir uma alma do nosso amor, mesmo aquela que nos perseguisse e caluniasse.

Há nesta verdade simplíssima e altíssima, tão querida de Santo Agostinho, uma grande luz. Se os bens materiais dividem os homens, principalmente quando são procurados por si mesmos, os bens espirituais unem os homens com uma profundidade que só cresce na medida em que amamos tais bens.

Este grande princípio é um daqueles que fazem melhor sentir a necessidade da vida interior. Contém virtualmente a solução da questão social e da crise econômica mundial que grassa em nossos dias. É ele expresso com simplicidade no Evangelho: "Procurai primeiro o reino de Deus e tudo o mais vos será dado em acréscimo" (Mt 6,33; Lc 12,31). O mundo está agonizante justamente por esquecer esta verdade fundamental que é, no entanto, elementar para qualquer cristão.

As verdades mais profundas e vitais são, de fato, precisamente verdades elementares longamente meditadas, aprofundadas e assim tornadas para nós verdades de vida, isto é, objeto de nossa contemplação habitual.

O Senhor mostra aos homens, na hora presente, como eles se enganam querendo passar sem Ele, pondo o próprio fim último no gozo terrestre, invertendo a escala de valores ou, como se dizia outrora, a subordinação dos fins. Querem então produzir o máximo possível na ordem material do prazer. Pensam compensar assim, pelo número, a pobreza dos bens terrestres. Constroem máquinas cada vez mais aperfeiçoadas para sempre produzirem mais e melhor, tirando assim o maior proveito. Eis o fim último deles. O que se segue disto? Esta superprodução não pode ser escoada. Torna-se inútil e nos conduz ao desemprego atual, em que o operário sem trabalho está na indigência, enquanto outros morrem de indigestão. Dizem que é uma crise, mas na realidade é mais do que uma crise, é um estado geral que deveria ser revelador se tivéssemos olhos para ver, como diz o Evangelho. Puseram o fim último da atividade humana onde ele não está, não em Deus, mas nos prazeres terrestres.

Querem encontrar a felicidade na abundância dos bens materiais, que são incapazes de dá-la. Longe de unir os homens, estes bens os dividem, e isto tanto mais quanto estes são procurados como fim último e mais encarniçadamente. A distribuição ou a socialização de tais bens nunca será remédio suficiente e dará felicidade, enquanto tais bens terrestres conservarem sua natureza e a alma humana, que os supera, conservar também a sua. Daí a necessidade, para cada um de nós, de pensar no único necessário e de pedir ao Senhor pessoas santas que não vivam senão com este pensamento e que sejam grandes animadoras, das quais tem o mundo tanta necessidade. Nos períodos mais perturbados, como na época dos Albigenses e mais tarde, na eclosão do Protestantismo, o Senhor enviou uma plêiade de santos. A necessidade deles não é menos sentida nos tempos atuais.

Pe. Réginald Garrigou-Lagrange, As Três Vias e As Três Conversões

Os bens espirituais unem os homens


Pe. Reginald Garrigou Lagrange

A urgência premente de nos lembrarmos do único necessário se faz sentir particularmente neste tempo de mal-estar e de confusão geral em que tantos homens, e até povos, perdendo de vista nosso verdadeiro fim último, colocam-no nos bens terrenos, esquecendo o quanto estes diferem dos bens espirituais e eternos.

No entanto, é claro, como disse Santo Agostinho: "que estes mesmos bens materiais, ao contrário dos bens espirituais, não podem ao mesmo tempo pertencer integralmente a muitos".

A mesma casa, o mesmo terreno, não podem simultaneamente pertencer de modo integral a muitos homens, nem o mesmo território a muitos povos. Daí vem o terrível conflito de interesses, quando se põe febrilmente o próprio fim último nestes bens inferiores.

Ao contrário, Santo Agostinho se compraz em insistir que os mesmos bens espirituais podem pertencer simultânea e integralmente a todos e a cada um, sem que ninguém perturbe a paz a outrem. Até, por sinal, nós os possuiremos tanto melhor quanto mais numerosos formos em gozar deles conjuntamente. Podemos, pois, deste modo, gozar todos simultaneamente, sem de modo algum nos prejudicarmos uns aos outros, a mesma verdade, a mesma virtude, o mesmo Deus. Estes bens espirituais são bastante riccos e universais para pertencerem ao mesmo tempo a todos e para satisfazerem a cada um de nós. Mais ainda, não possuímos plenamente uma verdade, se não a ensinarmos a outros, se não os fizermos participar de nossa contemplação. Não amamos realmente uma virtude se não a quisermos ver amada pelos outros. Não amamos sinceramente a Deus se não o quisermos fazer amado. Enquanto se perde o dinheiro que se dá ou que se gasta, não se perde a Deus dando-os aos outros, antes ficamos possuindo-o melhor. Nós o perderíamos se, pelo contrário, por ressentimento permitíssemos que sequer uma alma ficasse sem Ele; se quiséssemos excluir uma alma do nosso amor, mesmo aquela que nos perseguisse e caluniasse.

Há nesta verdade simplíssima e altíssima, tão querida de Santo Agostinho, uma grande luz. Se os bens materiais dividem os homens, principalmente quando são procurados por si mesmos, os bens espirituais unem os homens com uma profundidade que só cresce na medida em que amamos tais bens.

Pe. Réginald Garrigou Lagrange, As Três Vias e as Três Conversões.
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