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Feliz Natal! O Natal e a Eucaristia - S. Pedro Julião Eymard


S. Pedro Julião Eymard, nosso baluarte

Oh! Quão tocante é a Missa de meia-noite no mundo cristão! É o fato de Jesus renascer de um modo real sobre o altar, embora que num estado diferente, que imprime à nossa festa de Natal os seus encantos, a alegria aos nossos hinos, o transporte aos nossos corações.

A Eucaristia começa em Belém: aí está o Emanuel (Mt 1,23) que vem habitar no meio de seu povo; começa nesse dia a viver entre nós, e a Eucaristia perpetuará sua presença. Lá, o Verbo se fez carne; no Sacramento, faz-se o pão para nos dar Sua Carne sem que sintamos repugnância.

Em Belém, Jesus começa também a praticar as virtudes do estado sacramental. Oculta sua divindade para acostumar o homem a tratar com Deus e esconde sua glória divina a fim de chegar, gradativamente, a esconder mesmo a sua humanidade;  tolhe o seu poder pela fraqueza dos membros infantis: mais tarde há de torná-lo cativo sob as santas espécies.

Faz-se pobre, despoja-se de toda propriedade, ele que é o Criador e Soberano Senhor de todas as coisas. O presépio não Lhe pertence, foi-Lhe dado por esmola; vive, com sua Mãe, das ofertas dos pastores e dos presentes dos Magos. Mais tarde, na Eucaristia, há de pedir ao homem abrigo, matéria para o Sacramento, e vestes para o seu Sacerdote e o seu altar.

S. Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia

Sacerdotes - Alter Christus


Pe. Lidvino Santini S.J.

Cristo (...) é o único Sacerdote da Nova Aliança, cuja duração é eterna, infinita. Exerceu na cruz o ofício de sacerdote de modo visível e foi nela a vítima cruenta; nos nossos dias continua a exercer invisivelmente o mesmo ofício e a sacrificar-se, incruentamente, nos nossos altares. Para ser de algum modo visível, fá-lo mediante homens, que investe de seu poder sacerdotal, dizendo-lhes: "Fazei isto em memória de Mim"

Daqui provém toda a dignidade do sacerdócio na Igreja Católica. Daqui o apelidar-se o sacerdote católico de "alter Christus" - outro Cristo. - Daqui o atribuir-se ao sacerdote católico o que se atribui a Cristo, dizendo dele: "Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech" (Sl 109, 4).

E isto tudo diz do sacerdote católico, porque não é mero instrumento nas mãos de Cristo, como o é a pena com que escrevo, mas é algo mais.

Explico-me: O instrumento não merece louvor, honra e glória; pois quem tal tributaria a uma pena, embora concorra para produzir obra prima de literatura? É que a pena age segundo for movida pelo escritor, como causa sua principal; e tanto faz quanto direta e imediatamente é movida; nada mais e nada menos.

Não assim o sacerdote; é algo mais nas mãos de Cristo. O sacerdote é mais que instrumento, é mais que mera causa instrumental: é causa ministerial. A causa ministerial consiste em que ela subministra e prepara tudo o que o agente deve ter ou é conveniente que tenha para poder agir; porque assim o reclama, quer a disposição intrínseca da coisa, quer a disposição extrínseca e positiva do mandante.

A causa ministerial, portanto, deve ser dotada de inteligência e vontade; pode, por conseguinte, frustrar, até certo ponto, os intentos do que dela pretende valer-se, não mesmo excluído o próprio Deus. Pode tornar-se conseguintemente desmerecedora ou merecedora das suas obras, porque delas responsável.

Daqui a dignidade suma e a responsabilidade tremenda do sacerdote, vigário de Cristo.

Não é um mero instrumento nas mãos de Cristo-Sacerdote; mas é um meio ministerial. Deu-se a Jesus livremente de corpo e alma, para, por seu meio, exercer as funções sacerdotais e perpetuar em sua pessoa o sacerdócio visível cá no mundo.

Cristo-Sacerdote veria irremediavelmente frustrada a sua obra de redenção, no dia em que já não contasse com um homem-sacerdote; não porque não lhe fosse possível uma nova ordem de coisas na grande e maravilhosa economia da redenção do gênero humano, mas porque a suave providência divina assim dispôs.

Cristo, o Sumo Sacerdote, o Sacerdote principal, continuará a exercer seus atos sacerdotais na terra só na pessoa de seus vigários visíveis: os sacerdotes católicos legítimos.

Deus, na sua infinita Providência, vigiará e fará com que seu  divino Filho possa encontrar sempre, até a consumação dos séculos, homens dignos e fiéis que se prestem com júbilo e alvoroço como suas causas ministeriais, para que possa dispensar, por intermédio deles, os frutos inestimáveis do sacrifício da cruz, renovado de modo incruento no santo Sacrifício da Missa.

Ó Grande Pontífice! Ó Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, é então verdade que pusestes nestas criaturas, que se dizem homens, os vossos complacentes olhares?

"Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum." Como a Virgem Maria, dado o seu consentimento, se tornou co-redentora do gênero humano, assim estas criaturas dão o seu consentimento, e tornam-se sacerdotes vossos; antes tornam-se um outro vós, um "outro Cristo" - Alter Christus. - Cala-te, língua! Pára, pena! Porque é mais importante o silêncio e mais significativa a carta em branco!

Pe. Lidvino Sntini S.J., A Santa Missa na História e na Mística

Estranhices na "terra de zumbi"...


Estes dias aconteceram muitas coisas estranhas por aqui, desde um convite para fazer um retiro junto com a RCC até a entrada de membros do candomblé na Santa Missa, no dia 11 de Novembro, enquanto cantavam algo lá deles que eu não entendia. Detalhe: o padre também vestia uma túnica personalizada...rs

Bom.. Depois, com mais tempo, eu comento mais sobre estas coisas, sobretudo a respeito da profanação do Santo Sacrifício da Missa, a conivência de vários padres e a ideologia errada e perniciosa que há por trás.

Por ora, ficam os seguintes links como recomendação:

Belíssimo discurso do Santo Padre aos bispos brasileiros do Regional Norte II em visita "Ad limina Apostolorum" - 15 de abril de 2010
Dica para celebrações com inculturação

Cristo que vai morrer


Pe. Ronald Knox

"[A Eucaristia] é o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar através dos séculos, até o seu retorno, o sacrifício da cruz, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição" (Compêndio, n. 271).

Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que venha (1 COr 11, 26).

A teologia de São Paulo não chegou até nós sob a forma de instruções catequísticas cuidadosamente meditatas; brotou ao sabor das circunstâncias, por uma série de acidentes providenciais, em ocasiões em que o Apóstolo não pretendia falar de teologia, mas debruçar-se sobre necessidades práticas do momento. É a uma cidente providencial que devemos o seu maravilhoso capítulo sobre a Sagrada Eucaristia, base de tantas coisas que cremos e sabemos sobre o sacramento do altar. Tudo foi a propósito de certos abusos que tinham surgido no seio da Igreja de Corinto - uma cidde portuária de costumes fáceis - e que o Apóstolo tratou de corrigir.

Naqueles dias, os cristãos costumavam reunir-se para ter uma refeição que servia de prólogo à celebração dos mistérios divinos. A refeição devia ser em comum; todos os cristãos, tanto ricos como pobres, traziam o que tinham e dividiam-no com os seus irmãos. Mas em Corinto os mais ricos e de melhor posição tinham o costum de chegar antes que os outros e, em tão restrita e agradável companhia, saborear até esgotar as coisas boas que haviam trazido. Desse modo, a preparação para a missa convertera-se para esses poucos num banquete ruidoso, e São Paulo, ao chamá-los ao sentido da decência, indica entre outras coisas que isso não era próprio de uma ocasião que, em certo sentido, devia ser uma manifestação de luto: não se podia participar de uma celebração eucarística sem associá-la à comemoração de uma morte; estavam anunciando a morte de Cristo até que Ele viesse de novo.

"Até que venha"... Que perspectiva teria São Paulo diante dos olhos ao usar essas palavras? Penso que, se lho tivéssemos perguntado, teria dito que não podia passar muito tempo sem que o seu Mestre retornasse na sua glória. Em todos os pontos daquele mundo mediterrâneo que o Apóstolo conhecia, o Evangelho tinha-se desenvolvido da noite para o dia, como o grão de mostarda da parábola. Em toda parte, as defesas dos antigos deuses já cambaleavam, como acontecia em Corinto, e os gentios começavam a converter-se. Por sua vez, o povo judeu não podia resistir por muito mais tempo a aceitar o Evangelho, já que as promessas eram para eles, e fora por eles em primeiro lugar que Cristo tinha morrido. E quando - dentro de poucos anos, por que não? - judeus e gentios se sentassem à mesma mesa, os céus voltariam a abrir-se e Cristo vivo desceria para julgar o mundo que Cristo moribundo tinha resgatado.

Fosse essa ou não a sua impressão, por menos que imaginasse que havia ainda um longo panorama de História aguardando o homem, podemos esatr certos de uma coisa: de que o Espírito SAnto o fazia escrever essas palavras para consolo dos que vivemos tão longe no tempo e num mundo tão diferente. Até que o Senhor venha, passarão idades e idades, e a Igreja ainda sofrerá mil mortes enquanto anuncia, com uma espécie de confiança desesperada, a morte do Mestre que ainda não retornou.

Anunciou-a quando escravos e patrícios, fingindo pertencer a uma associação funerária, se reuniam pela calada da noite, entre túmulos e altares pagãos, nas longas galerias subterrâneas que correm misteriosamente sob a superfície dos subúrbios de Roma. Continuou a anunciá-la nos desvãos secretos de velhas mansões campestres, em lugares escondidos dos montes, quando os nossos pais foram perseguidos e os seus sacerdotes mortos por amor à missa e aos ritos antigos. Voltou a anunciá-la em campos de concentração e em prisões sujas, onde católicos deportados arranjavam maneira de conseguir o estritamente necessário para que se celebrasse um sacrifício válido. E cristo ainda não retornou.

Que significam as palavras de São Paulo quando diz que, ao participarmos do sacrificio eucarístico e comungarmos, anunciamos a morte do Senhor? Quando inclinamos a cabeça diante das relíquias de um mártir, de certo modo anunciamos a sua morte. Proclamamos que a morte desse homem foi mais preciosa que as mortes comuns, pois foi a prova suprema da sua lealdade e o seu título para merecer a glória do céu; os seus restos mortais são como que um troféu da sua vitória e não duvidamos de que, por Providência de Deus, possuem uma graça e uma influência que poderão servir-nos de ajuda nas nossas necessidades. O santo está vivo, mas no céu; tudo o que aqui nos resta são ossos de um corpo morto. Mas não importa, pois o que anunciamos é a sua morte, e é adequado que o façamos pondo-nos em contato com essa parte muda do seu ser que lembra a forma heróica como morreu.

É isto o que São Paulo quer dizer? Que na sagrada comunhão recebemos o corpo morto de Cristo? O católico que aceitasse semelhante conclusão estaria muito mal instruído. Porque, na comunhão, o que recebemos é precisamente o corpo ressuscitado, o corpo vivo de Cristo. Se o nosso coração arde no nosso peito quando voltamos da mesa da comunhão, é porque, da mesma forma que os dois discípulos no caminho de Emaús, demos hospitalidade a Cristo ressuscitado, ainda que escondido sob uma forma que não nos permite reconhecê-lo.
 
O corpo ressuscitado, que podia ignorar as leis da natureza, entrou em nós para nos infundir energia com o seu poder sobrenatural. O corpo ressuscitado, que subiu ao céu na presença dos Apóstolos, entrou em nós para plantar no nosso corpo a semente da imortalidade. Como podia ser o seu corpo morto? Esse não existe, nunca existiu, exceto durante o breve intervalo que decorreu entre a tarde da Sexta-Feira Santa e a manhã do Domingo de Páscoa. Quando veneramos as relíquias de um santo, vemo-lo nelas, mas morto. Quando veneramos Cristo no altar, está ali vivo, embora viva sem ser visto.

Como, pois, nos diz São Paulo que anunciamos a morte de Cristo quando comungamos? Não foi ele que escreveu: Cristo, agora que ressuscitou dentre os mortos, já não morre? (Rom 6,9). Não foi ele que escreveu: Muito embora tenhamos conhecido Cristo dessa maneira [segundo a carne, de um modo humano], agora já não o julgamos assim? (2 Cor 5,16). Por que nos diz então que, ao invés de dizer que anunciamos a vida de Cristo, a ressurreição de Cristo? Porque a Sagrada Eucaristia não consiste somente na consagração do pão e do vinho e na sua recepção pelos fiéis, mas é algo mais, é um sacrifício. E como sacrifício que é, exige de certo modo que a vítima se ofereça à morte, a fim de que essa morte seja aplicada às nossas necessidades. O que se anuncia nesses mistérios é Cristo que vai morrer, Cristo morrendo, não Cristo morto.

Cristo morrendo... Do ponto de vista histórico, Cristo só podia morrer uma vez; é próprio dos homens morrer uma só vez, e Ele era homem. Podemos dizer, se quisermos, que o Sacrifício da Missa é o eco, a onda, repetida dia após dia, século após século, do sacrifício que Ele fez uma vez e para sempre na cruz. Um eco, uma onda..., são metáforas talvez úteis e gratas, mas não passam de metáforas.

O sacrifício da Missa é um mistério cuja relação como sacrifício da cruz talvez seja o aspecto mais misterioso de todos, mas uma coisa é certa: a vítima que nele se apresenta ao Pai eterno para interceder por nós é Cristo moribundo. Foi nessa situação que Ele advogou e advoga pela nossa salvação, que Ele redimiu e redime os nossos pecados. Anunciamos essa morte na Missa, não como algo que se renova misticamente enquanto se pronunciam as palavras da consagração.

Desde o momento em que morreu no Calvário até o momento em que virá de novo na sua glória, Cristo moribundo atua continuamente, está continuamente disponível. É nessa situação à beira da morte que intercede por nós quando se oferece na Missa. E é nessa situação – ainda vivo – que vem a nós na sagrada comunhão. Isto é o meu corpo que será entregue por vós...; este é o cálice do meu sangue, [...] que será derramado por vós: assim disse aos Apóstolos quando a sua morte estava ainda no futuro, e assim nos diz agora que a sua morte está no passado.

Não é de estranhar que a Igreja, que anuncia a sua morte um dia após outro, tenha assimilado o seu caráter de vítima. O ciclo de vida que Cristo assumiu no corpo natural que tomou da Virgem, sofre-o de novo no seu corpo místico, que é a Igreja. São Paulo sabia-o desde o instante em que caiu ofuscado na estrada de Damasco e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? O Apóstolo alegrava-se com os seus próprios sofrimentos porque o ajudavam a suprir na sua carne o que falta às tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja (Col 1,24). Com que freqüência os homens nos dizem, num tom meio de compaixão, meio de desprezo, que pertencemos a uma religião moribunda! Aceitemos o símbolo, orgulhemo-nos da acusação, porque realmente pertencemos e sempre pertenceremos a uma religião moribunda: desde o primeiro momento em que nos refugiamos nas catacumbas até o fim dos tempos. É assim que prossegue a obra da salvação dos homens, e é por isso que a missão da Igreja é anunciar a morte do divino Mestre, até que venha de novo.

E como se aplica tudo isto a nós? Não há dúvida de que, quando vamos comungar, devemos pensar, entre outras coisas: “Isto é o seu corpo, que foi dado por mim; este é o seu sangue, que foi derramado por mim. Depois de todo este intervalo de tempo, Ele continua a vir a mim na condição de vítima. E quer imprimir um pouco dessa condição em mim: eu devo ser a cera e Ele o selo”. Não diz a Imitação de Cristo que cabe a todo o cristão levar uma vida moribunda? Talvez não esteja ao meu alcance penetrar muito profundamente nas disposições do meu Salvador crucificado, mas... o que podia, sim, era ser mais humilde quando fracasso, mais resignado quando as coisas não me correm bem, menos ansioso por traçar um gráfico dos meus progressos na virtude, mais disposto a deixar Cristo fazer em mim o que quiser, sem me dizer palavra.

Se eu pudesse morrer um pouco para o mundo, para os meus desejos, para mim mesmo! Se pudesse per paciente e esperar a vinda do Senhor, conformando-me, para anunciar a sua morte, com ir embora na sua companhia!

Pe. Ronaldo Knox, Reflexões Sobre a Eucaristia, São Paulo: Quadrante, 2005. Cap IV, pp. 32-38.

Quando assistires a Santa Missa


"Quando celebrares ou assistires à missa, terá de parecer-te algo tão grande, tão admirável e tão jubiloso como se, nesse mesmo dia, Cristo estivesse descendo ao seio da Virgem Maria e fazendo-se homem, ou deixando-se suspender da cruz para sofrer e morrer pela salvação da humanidade"

Imitação de Cristo, IV, 2, 6.

Pe. José Firmino Neto, de Ibateguara-AL, faz homilia em favor de Dilma

No dia de ontem, 13 de outubro de 2010, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ao acorrermos à Santa Missa, Sacrifício de Nosso Senhor, o então celebrante, o Pe. José Firmino Neto, na ocasião da homilia, passou a fazer, de modo mais ou menos explícito, campanha política em favor da atual candidata à presidência pelo Partido dos Trabalhadores, senhora Dilma Rousseff.

Numa extensa homilia, o padre iniciou fazendo referência ao fato de que Nossa Senhora Aparecida é negra e é mulher. Dito isto, passou estrategicamente a atacar o preconceito de pessoas que não confiam em mulheres para importantes funções, evocando o exemplo da primeira mulher votante no Brasil, há oitenta anos atrás. Criticando veementemente o que chamou de “analfabetismo político”, sugerindo, com fortes expressões, que tais indivíduos “vão para o inferno”, estendeu a sua indignação manifesta àqueles que, por “beatices”, com as quais, segundo o padre, os presentes deveriam ter cuidado, não confiassem em uma mulher para governar o Brasil. As mulheres, ressaltava o padre, já estão em condições de dirigir as coisas.

Neste contexto, enfatizou que os que afirmam que a senhora Dilma Rousseff, a quem chamou de “nossa candidata”, seja contrária à vida, o fazem por beatice. Ao lado de já tão expresso partidarismo sobre um altar católico, o referido sacerdote iniciou uma série de críticas ao candidato Serra, embora não o tenha citado nominalmente. Teceu, ainda, vários elogios ao governo atual, dizendo coisas como: “neste tempo o Brasil cresceu e deve continuar crescendo”; e ainda: “hoje já não se pode falar que existam miseráveis no Brasil. Há pobres, mas miseráveis não..."

A atitude do Pe. José Firmino Neto, da Paróquia de Ibateguara-AL, numa Santa Missa onde estava presente uma grande quantidade de pessoas, despertou a indignação de vários católicos, dentre eles, músicos, acólitos e a outros tantos dos que, da assembléia, assistiam a defesa enérgica do Partido dos Trabalhadores por este sacerdote.

Vez ou outra nos aparecem alguns sujeitos deste tipo que supõem, muito erradamente, a imbecilidade dos presentes. Tal imprudência, porém, lhe valerá uma carta enviada ao senhor bispo Antônio Muniz, responsável pela Arquidiocese de Maceió - AL, deixando-o a par destas aventuras partidárias do supracitado padre em plena Santa Missa. 

Pedimos a Nossa Senhora Aparecida, Mãe do Brasil, que livre esta Terra de Santa Cruz do flagelo do comunismo e de espetáculos infames como o é um sacerdote favorável aos inimigos da Santa Igreja.

Tende piedade de nós, ó Doce Virgem Maria...

Abaixo, o que o Pe. José Firmino chamou de "beatice":

São Paulo da Cruz e o Santo Sacrifício da Missa

Pio XII celebrando a Santa Missa

Imaginemos com que fé e amor subiria Paulo ao altar!

Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados.

Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.

Qual a fonte misteriosa e inesgotável dessas lágrimas? Ouçamo-lo em palestra com seus filhos:

“Acompanhai a Jesus em Sua Paixão e Morte, porque a missa é a renovação do Sacrifício da Cruz. Antes de celebrardes revesti-vos dos sofrimentos de Jesus Crucificado e levai ao altar as necessidades de todo o mundo” .

Quando celebrava, afigurava-se-lhe estar no Calvário, ao pé da Cruz, em companhia da Mãe das Dores e do Discípulo predileto, a contemplar Jesus em Suas penas. Essa a causa de tantas lágrimas, verdadeiro sangue da alma que, mesclado com o Sangue divino do Cordeiro, eram oferecidas ao Eterno Padre para aplacá-lO e atrair sobre os homens graças e benefícios.

Revestir-se de Jesus Crucificado antes do santo Sacrifício, Paulo o fazia diariamente, pois não subia ao altar sem macerar-se com disciplina terminada em agudas pontas, enquanto meditava a dolorosa Paixão do Senhor, unindo-se espiritual e corporalmente aos tormentos do seu Deus.

Terminada a santa missa, retirava-se a lugar solitário, entregando-se aos mais vivos sentimentos de gratidão e amor. E prescreveu nas santas Regras este método de preparação e ação de graças à santa missa.

Ao comentar as palavras do Evangelho COENACULUM STRATUM, dizia ser o cenáculo o coração do padre, cuja integridade deve ser defendida a todo custo, mantendo-se sempre acesas as lâmpadas da fé e da caridade. Comparava também o coração sacerdotal ao sepulcro de Nosso Senhor, sepulcro virgem, onde ninguém fora depositado. E acrescentava:

O coração do sacerdote deve ser puro e animado de viva fé, de grande esperança, de ardentíssima caridade e veemente desejo da glória de Deus e da salvação das almas” .

Zeloso da rigorosa observância das rubricas, corrigia as menores faltas. Velava outrossim pelo asseio das alfaias sagradas:

Tudo o que serve ao santo Sacrifício, dizia, deve ser limpo, sem a menor mancha ” .

Vez por outra mostrou Nosso Senhor com prodígios quão agradável Lhe era a missa celebrada pelo Seu fiel servo. Celebrava certo dia na capela do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Tinha como ajudante o ilustre personagem Domingos Constantini. Pouco antes da Consagração, envolveu-o tênue nuvem de incenso, embalsamando o santuário de perfume desconhecido, enquanto o santo se elevava a cerca de dois palmos acima do supedâneo. Terminada a Consagração, envolto sempre naquela misteriosa nuvem, alçou-se novamente ao ar, com os braços abertos. Dir-se-ia um Serafim em oração.

O piedoso Constantini de volta à casa, maravilhado, relatou o fato, glorificando a Deus, tão admirável nos Seus santos.

(O caçador de almas, São Paulo da Cruz, por Pe. Luís Teresa de Jesus Agonizante, edição de 1958)

Fonte e Grifos: A Grande Guerra

Missa dos Vaqueiros e Festa no Inferno

Alguns dias após a dita "Missa dos Vaqueiros", andei escutando comentários aqui e ali sobre o evento. Eu não quis saber dos pormenores, porque o pouco que soube já deu pra causar grande indignação na minha alma.

Primeiramente é preciso reconhecer que algo desta natureza não tem razão de ser propriamente religiosa. Digam o que disserem: não tem! Pode ser qualquer outra coisa: invenção disparatada, resgate cultural, politicagem, respeito humano, o que for.. Não é, sem dúvida, fruto do amor pelos vaqueiros e muito menos por Jesus.

Esqueceram, por acaso, do que está escrito: "de Deus não se zomba"? E o incrível é que tais missas profanadoras vão acontecendo em conjunto, em vários locais no mundo, o que denuncia uma aparente estratégia infernal, literalmente falando. Exagero meu? rs..

Dentre as pequenas coisas que eu soube: todas as músicas na referida missa foram cantadas no ritmo do forró. Inclusive o "Cordeiro de Deus" foi cantado na mesma melodia da "Asa Branca" de Luiz Gonzaga. Soube ainda que todas as canções foram meio que personalizadas, devendo conter a palavra "vaqueiros" na letra.

Ao término da missa, veio o momento, na verdade, mais esperado (na prática, o evento principal), que foi um show com vários grupos musicais que não faço questão de saber quais foram. Somente quero fazer notar que, no mesmo lugar em que se deu o sacrifício de Cristo, já tão profanado, fizeram-se presentes meninas seminuas que dançavam obscenamente ao som de músicas cujas letras não menos indignas eram arrotadas numa cacofonia infernal.

Qualquer pessoa de boa vontade e que se dê à mínima reflexão haverá de perceber a profunda inconveniência de uma coisa dessas. Um tal disparate clama aos céus e deve provocar a indignação de qualquer um que ame minimamente a Nosso Senhor. 

O infeliz evento se realizará, pretende-se, uma vez ao ano.. Isso se a Virgem Santíssima se mantiver sustentando o braço terrível do Seu Filho...

Não coloquei nem foto aí pra não dar náuseas.

Miserere Nobis...

Da inconveniêcia das palmas na Santa Missa

Dom Roberto Francisco

Primeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.

Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.

Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da Liturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão .... Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio , em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio".

Finalmente porque sendo a Liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-Ia a banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói

A Missa faz a cristandade, sociedade vivendo à sombra da Cruz


Mons. Marcel Lefebvre

É pois em torno do Sacrifício da Missa que se organiza a Igreja, Corpo Místico de Nosso Senhor. Em torno do Sacrifício da Missa viverá o sacerdote para edificar este corpo místico; pela pregação ele atrairá as almas para se purificarem nas águas do batismo e se tornarem dignas de participar do Sacrifício Eucarístico de Jesus, comunhão da divina Vítima e assim sempre se unir mais à Trindade Sata, inaugurando já aqui embaixo a vida celeste e eterna.

É da Cruz também que a graça do casament, recebida no Sacrifício da Missa, construirá a Cristandade ou o reino social de Jesus crucificado, na família e na sociedade. A Cristandade é a sociedade vivendo à sombra da Cruz, da Igreja paroquial em forma de Cruz, com a Cruz na torre, abrigando o altar do Calvário renovado constantemente, onde as almas nascem para a graça e se mantêm pelo ministério dos padres que são outros Cristos.

A Cristandade é o lugarejo, são as vilas, as cidades, o país que à imitação do Cristo na Cruz, cumprem a lei do amor sob a influência da vida cristã da graça. A Cristandade é o Reino de Jesus; as autoridades desta Cristandade se dizem "Tenentes de Jesus Cristo", encarregados de fazer aplicar sua lei, de proteger a fé em Jesus Cristo e de ajudar por todos os meios seu desenvolvimento, sempre de acordo com a Igreja.

Realmente pode-se dizer que todas as coisas boas da Cristandade vêm da Cruz de Jesus e de Jesus crucificado, é uma ressurreição da humanidade decaída, graças à virtude do sangue de Jesus Cristo.

Mons. Marcel Lefebvre, A Vida Espiritual Segundo São Tomás de Aquino, Cap VII, pg 76-77.

Sobre a dignidade dos vasos sagrados na Santa Missa


“Entre as coisas necessárias para a celebração da missa, honram-se especialmente os vasos sagrados e, entre eles, o cálice e a patena, onde se oferecem, consagram e consomem o vinho e o pão” (IGMR, 327)

“Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre, de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina Dos Sacramentos – Instrução Redemptionis Sacramentum, 117)

A dor de Jesus pelos destratos com a Eucaristia e a Santa Missa


Quero repetir-vos uma postagem já presente neste blog. Faço-o em virtude de considerar que, nestes dias que seguem, ela é particularmente adequada. Trata sobre a seriedade dos destratos com a Sagrada Eucaristia e com as profanações na Santa Missa. Diz como Jesus sofre com tudo isso... Mostra, enfim, em que se fundamenta a seriedade da Santa Igreja com a retidão e com o zelo na Liturgia...

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Lamentos de Jesus revelados a S. Pio de Pietrelcina escritos por este último ao seu diretor.

Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!

O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?

Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.

Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!

E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.

Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”

Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!

Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário

Esclarecimentos aos músicos sobre os preceitos litúrgicos e as inovações individuais na Liturgia


Neste último domingo, tivemos reunião para os músicos da paróquia. Na ocasião, eu entreguei três textos para a reflexão. Um tratava da Santa Missa como um todo no sentido de que não são lícitas as inovações que estão a fazer mundo afora. Havia no texto algumas expressões fortes para os que não estão habituados ao pulso firme da Igreja, como por exemplo: "Nem a comunidade nem o padre podem mexer na organização da Santa Missa". Os outros textos tratavam de momentos particulares, como o Ato Penitencial e o Glória. Seja como for, a cortada foi significativa.

Surgiram, naturalmente, algumas questões a respeito que foram devidamente esclarecidas, ainda que brevemente e somente até onde dava. Como dizia Nosso Senhor aos apóstolos: "Muitas coisas tenho ainda a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora". Também naquela ocasião, algumas pessoas não estavam preparadas para engolir coisa tão sólida... E as coisas se dão a partir de um processo mesmo.

No entanto, já no final da reunião, surgiram algumas perguntas curiosas, e é isto que quero partilhar com vocês. Naturalmente, foram feitas com muita ingenuidade, mas elas deixam transparecer qualquer tipo de obstinação no erro. Além disto, podem também representar as dúvidas de muita gente por aí. Foi mais ou menos o que segue: (As partes em negrito são as minhas falas)

Depois de tratar, por cima, a preocupação da Igreja com a retidão litúrgica, veio a pergunta:
- "Mas e onde fica o Espírito Santo nesta história"?

Como eu não entendesse direito do que se tratava, a pessoa esclareceu:

- "Com o Concílio Vaticano II surgiu a RCC... Neste tempo a Igreja estava meio... fria..."

- "Tava não, rapaz..."

- "Não, a Igreja não... os católicos.. E aí a RCC trouxe muita gente p'ra Igreja... Então, por que a Missa não pode ter o jeito dela quando ela anima"?

- "Olhe... se quisermos compreender bem isso tudo, esta onda de inovações e estes problemas, teríamos que voltar há muito tempo atrás. Já S. Pio X, no início do século passado, condenava vários movimentos que pretendiam ferir a Igreja. Então, esta apreciação sua aí precisa de mais base. Agora, onde que entra o Espírito Santo? Primeiro: Ele nunca esteve ausente da Igreja..."

- "Eu sei..."

- "Pois bem. Se disséssemos que Ele teria se ausentado, pecaríamos contra o dogma da indefectibilidade. Depois, a existência de santos em todas as épocas é prova de que Ele sempre esteve na Igreja. Com relação à Liturgia, o Espírito Santo atuou justamente inspirando o Magistério da Igreja na organização dos princípios litúrgicos. O Espírito Santo mesmo é quem construiu a ordem litúrgica. Ele é um Deus de ordem."

- "Certo... eu sei.. Mas, por exemplo, o Espírito Santo pode falar comigo também na minha oração. E aí?"

- "Pode, claro. Mas, seja lá o que Ele disser, nunca vai se opôr ao que diz a Santa Igreja! Por que? Porque o Espírito Santo não se contradiz. Aliás, este é o grande critério usado pelos santos! Não importa quão bela seja sua oração ou que você experimente nela; se é contrário ao que a Santa Igreja ensina, é certo que não vem de Deus..."

Disto se segue uma meia torcida nos lábios...

"E você dizer que é preciso haver inovações contra o que diz a Santa Igreja supõe uma certa desconfiança ao que a Igreja ensina!"

- "Não, não, eu não desconfio não da Igreja"

- "E então! Deus não pode inspirar a Igreja a uma coisa e inspirar individualmente alguém a outra. Deus não muda de opinião!"

**
Além destes temas, discutimos ainda a questão das palmas na Santa Missa, dos ritmos, etc.
A conversa era sempre entrecortada por uma expressão desta pessoa:
"Eu sei que você está certo..."

E aí está justamente o curioso. Por que, então, esta resistência? Reconheço, porém, que quem se endereça por esta via correta, há de ser bem espetado a fim de deixar seus excessos. E nem todo mundo está disposto a isto. Mas aí é que tá: quem não está disposto, que também não atrapalhe. Sempre se disse que o caminho era estreito e apertada a porta. Pois é.

Lutemos, meus caros, pois isto também é o bom combate da Fé.

Que S. Miguel nos auxilie.

Fábio.

Música Litúrgica, Universalidade x Regionalismo, Gravidade x Balanços Rítmicos


Li recentemente um artigo em PDF, de autoria da CNBB, sobre a música litúrgica que, para variar, vinha recheado de várias inverdades. Munido de afirmações contraditórias, provenientes da tentativa de conciliar o ensino tradicional da Igreja a este respeito - sobretudo tomando como referências o canto gregoriano e a polifonia - com as inovações pregadas por aquela má interpretação do último concílio, o artigo punha sua tônica na suposta necessidade da música litúrgica de, analogamente à Encarnação do Verbo, adaptar-se ao costume da comunidade em que se dá. Dizia que qualquer forma ou expressão musical pode ser usada para fins sagrados. Para não ser equívoco, transcrevo a expressão exata que vi lá: "toda linguagem musical é bem vinda, desde que seja expressão autêntica e genuína da assembléia". (Podem ler o artigo aqui: "canto e música na Liturgia pós vaticano II").

O texto argumentava ainda sobre o direito que a comunidade tem de cantar as músicas e falava ainda de um certo "balançar no mesmo rítmo" como referência à dança enquanto forma legítima de louvor a Deus. Tudo isto, obviamente, no contexto da Santa Missa.

Ao católico um pouco mais informado a este respeito, creio ser já suficiente notar a incongruência do discurso. Falarei brevemente a sobre o assunto...

O texto não é de todo ruim. E o problema é justamente este: por conter pontos positivos, corre-se o risco de um leitor mais crédulo generalizar tais pontos e tomar o todo por bom. Se a coisa fosse totalmente absurda, sequer haveria de ser lida, a não ser para divertimento.

Primeiramente, é totalmente falso admitir qualquer "linguagem musical" na Celebração da Santa Missa. Esta expressão globalizante, muito ao modo do discurso ideológico anti-exclusão, inclui, forçosamente, tanto as músicas dotadas de um senso artístico mais elevado, quanto as que ficam na mediocridade.  O problema é que as nivela e, como bem sabemos, termina-se por optar pelo mais fácil, sob pretexto de ser mais acessível. E isto sim é uma mudança radical na compreensão litúrgica! Em todos os tempos, a música que servia o Santo Sacrifício era, de todas, a mais nobre. Hoje, porém, sob o prexto da ideologia referida, coloca-se tudo, desde que seja "expressão" da comunidade.  Como sabemos, hoje costuma-se organizar celebrações para adeptos da cultura africana, para vaqueiros e, naturalmente, segundo o argumento proposto, estariam permitidas as expressões musicais que acompanham estas culturas. Neste sentido, há música pop, rock,  sertanejo, sambas e batuques. Que não inventem, pelo menos, de querer "converter" os funkeiros com este método. Que os céus não permitam!

Um dos critérios que a Santa Igreja pede esteja munida a música litúrgica é a Universalidade. O que é isso? Universal é aquilo que engloba a totalidade de um dado conjunto. Quando se pede que a música seja universal, isto significa que, independentemente do local ou cultura, os que a ouvirem não devem ter uma má impressão. O pressuposto disso é que, primeiramente, há algo que liga os homens, algo mais fundamental do que as contingências geográficas. E outra razão para tal, é que a música busca, primeiramente, a glória de Deus, e não meramente o entretenimento humano. Como se sabe, não podemos buscar esta glória de Deus de qualquer forma. Daí que, no referido artigo, fica uma contradição patente: como, por exemplo, defender o gregoriano e a polifonia como um referencial e, ao mesmo tempo, afirmar que qualquer forma musical é bem vinda e que a música deve adaptar-se aos lugares onde acontece?

Um obediente ingênuo cairia aí no regionalismo. Aqui no nordeste, por exemplo, lá estaria a cantar seus forrós em pleno Sacrifício de Cristo. E isto, infelizmente, é muito frequente. Mas está errado. A música litúrgica deve estar permeada do "sentir comum da Igreja" e isto não se faz a não ser que se mergulhe na riquíssima tradição litúrgica da Santa Igreja. A universalidade, portanto, faz referência à potência universal dos homens com relação ao catolicismo.

Outra coisa de falso que se diz, e que já foi excessivamente reforçado pelas autoridades em música litúrgica, embora solenemente ignorado pelos bagunceiros cebianos, é que a Santa Missa não é lugar, nem de bater palmas, nem muito menos de "se balançar no mesmo ritmo". E por que isto? Por que ela não é festa, é Sacrifício!

Espanta-me que um documento a respeito da música litúrgica não traga, sequer uma vez, uma definição da Santa Missa como sendo Sacrifício. Fala-se de "alegria escatológica", mas não de Sacrifício. Isto é estranho, sobretudo se consideramos que esta é a essência da Missa! Esta bagunça toda, meus caros, nos mostra que, por trás das inovações non sense, parece estar a descrença no realismo do Mistério.

A coisa toda é muito séria e certos pontos são mais complexos. O artigo referido, porém, parece brincar com certos conceitos. Banaliza tudo com a típica ambiguidade de sempre...

Que Deus nos ajude.

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Ah, tenho postado pouco porque estou preocupado com o jovem Vui Kong. Até sexta feira, estarei empenhado em recrutar assinaturas para tentar salvar o rapaz. Aproveito e refaço o meu apelo. Por favor, assinem e divulguem.

Fábio.

O descaso com a Santa Missa e a Eucaristia

Uma coisa que me preocupa não de hoje, e que se estende não sei por qual motivo, é a total negligência de padres e bispos no que se refere à recepção da Sagrada Comunhão por parte dos leigos. O negócio é seríssimo. Além do risco de profanação, que infelizmente é uma realidade muitíssimo frequente, há o perigo que tais comunhões profanas representam para as almas que as fazem.

Infelizmente, não se é mais dito que uma alma em pecado mortal não pode comungar. Aliás, muitos já nem sabem o que seja pecado mortal! E no momento de receber Nosso Senhor, lá se vai aquela fila extensa, provavelmente composta de inúmeros desavisados, que não vêem naquilo senão um ritual comum da Igreja Católica, uma mera refeição de um pãozinho branco e sem gosto, no máximo bento, que se é oferecido. Porque não advertem mais aos católicos que quem recebe indignamente o Corpo de Cristo come a própria condenação? Está-se a brincar com as almas?

Ainda ontem eu falava com uma colega; ela estava a divulgar uma tal de "Missa dos Vaqueiros". Fazia-o inocentemente, e como eu a questionasse, terminou por dizer: "se não fosse certo, não seria feito". Esta frase contém, implícita, a confiança natural que uma alma deve ter em um padre. Só que vivemos em tempos difíceis. Uma tal "missa dos vaqueiros", se se propõe em adaptar a Santa Missa aos modos e trejeitos desta classe de pessoas, se torna uma profanação e, como tal, oferece uma idéia errada do Santo Sacrifício de Cristo àquelas pessoas.

Lembremos o que Nosso Senhor nos diz no Evangelho: "Se alguém escandalizar um destes pequeninos, melhor seria que amarrasse uma pedra ao pescoço e se lançasse no rio". A promoção destes "eventos" non sense termina por corromper a Fé de muitos inocentes que, aos poucos, vão substituindo os últimos resquícios de uma visão correta pelas novidades e celebrações "da hora". De Sacrifício, a Missa torna-se mero divertimento. Que tipo de coisa é essa? Duvida alguém que tal empresa proceda do inferno? Alguém põe em questão que tal coisa se assemelha muito mais a uma troça demoníaca?

Estes tipos de deszelo se tornaram, infelizmente, muito frequentes, e os que se desgostam  disso são, simplesmente, perseguidos e difamados. De fundo, parece ficar estampado um terrível pressuposto: a descrença na Presença Real de Cristo, no caráter sacrifical da Santa Missa. É terrível...

Sem dúvida, por estes e outros abusos litúrgicos, provenientes das falsas interpretações do último Concílio, o Mistério da Iniquidade anda de vento em popa. A Missa é o Sol da Igreja. No entanto, há "católicos" que querem eclipsar este sol.

O lugar próprio do Gregoriano é a Liturgia


Desenterro uma entrevista antiga, de 2005, com o Monsenhor Valenti Miserachs Grau, então presidente do Pontifício Instituto de Música Sacra, onde ele defende o evidente: a necessidade de que o Canto Gregoriano volte a protagonizar a Liturgia e que o latim seja revalorizado. Abaixo, alguns excertos...

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"há uma opinião generalizada que coincide na necessidade de recuperar o latim e o canto gregoriano, que é o canto próprio da Igreja. O gregoriano foi abandonado e deixado em shows e Cd´s, quando seu lugar próprio era, é, a liturgia."

"Eu penso que os novos produtos musicais, na maioria dos casos, não souberam ou não puderam enraizar-se na irrenunciável tradição da Igreja, acarretando um empobrecimento geral. É incompreensível que especialmente nos países latinos se tenha deixado de lado o latim e o canto gregoriano nos últimos quarenta anos.

O latim e o canto gregoriano formam parte da tradição e foram amputados. É como cortar as raízes, agora que se fala tanto de raízes.

Esquecendo o gregoriano, criaram-se as condições para que proliferem novos produtos musicais que às vezes não têm a qualidade técnica suficiente. Se a têm, podem estar ao lado do gregoriano, por que não?"


Perguntado sobre o motivo pelo qual não se valoriza a capacidade dos fiéis de aprenderem melodias em latim, respondeu:

"Pensou-se que eram incapazes e isto é falso. As pessoas antes sabiam cantar em latim os cantos básicos, hoje parece que se fazem esforços para que desaprendam o que já sabiam. (...)

Ao povo, se convidado, é dada a partitura e é formado, portanto é totalmente capaz de seguir e cantar melodias gregorianas fáceis, ainda que seja a primeira vez que as ouve.

E assim como se aprende a cantar o repertório gregoriano, também se podem aprender os cantos nas línguas vivas, os que sejam dignos de estar ao lado do repertório gregoriano, claro está."


Interrogado sobre se se presta suficiente atenção à questão da música sacra na Igreja, respondeu:

"Não. Há tempo que se está insistindo neste ponto. Nosso instituto faz seu trabalho, mas é uma instituição acadêmica, não normativa, e não tem competências neste sentido. É necessária uma entidade vaticana que vele diretamente pela música sagrada, é uma necessidade.

João Paulo II recordou que o aspecto musical das celebrações litúrgicas não se pode deixar à improvisação ou ao livre arbítrio das pessoas, mas se deve confiar a uma direção concertada e ao respeito das normas. Esperam-se indicações autorizadas, e isto compete à Igreja de Roma, à Santa Sé."

Fonte: Zenit.

Santa Missa Tridentina ao Vivo


A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, da diocese de Venice, Florida, transmite, via internet, a Celebração da Santa Missa no rito extraordinário.

Segundo o horário local, há celebrações nos dias de:

Domingo: 8:30 e 10:30
Segunda a Sábado: 9:00
Terças e Sextas: 9:00 e 18:30

Qualquer coisa é só comparar o horário daqui com o de lá e fazer as contas... Olhem a hora no site.
Acessem aqui: Christ The King Catholic Church

Ah, e quem tem medo do inglês, lembre que a Missa Tridentina é em Latim. Pax.

Fábio.

Voltando do recesso - África sem "Missa Afro"

Bem.. Depois de umas poucas e curtas postagens neste pequeno recesso não previamente avisado, este blog volta à sua plena atividade, em total submissão a Nosso Senhor e à Sua Santa Igreja. Que a Virgem Maria, Mãe do Verbo Divino, esmagadora das heresias e dos erros, nos conduza sempre à defesa e à vivência da Verdade e nos torne menos indignos deste nome que testemunha a nossa vocação: "Anjos de Adoração".

Mais uma vez, agradeço vivamente as orações...

***

Comecemos, pois, defendendo o ponto mais alto da nossa Fé: o Santo Sacrifício da Missa. Desde que foi introduzido um negócio chamado "inculturação", simultaneamente encontrou-se um pretexto para as criatividades sem conta, para verdadeiras bizarrices, para a introdução de grandes inconveniências nisto que é a atualização do Calvário de Nosso Senhor. Uma destas inovações ilegítimas, mas que goza de certa proteção por causa de um discurso ideológico que entende a rejeição de qualquer alteridade como preconceito, é a chamada Missa Afro que visa entronizar elementos da cultura africana na celebração da Santa Missa.

Neste sentido, surgiu uma ótima postagem no Salvem a Liturgia sobre como seria a Santa Missa na África. Haveria lá toda esta profanação? Seria a África escrava de seus elementos culturais supersticiosos? Limpar a Liturgia daquilo que com ela não se coaduna seria realmente uma atitude racista? Reproduzo o post abaixo, juntamente com as fotos.

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Na África não tem Missa Afro…
Postado por Rafael Vitola Brodbeck

Pois é… Tanto se fala em colocar cultura afro na Missa romana por aqui, e, da África mesmo, a real, a de verdade, não a ideologicamente inventada, temos um belíssimo exemplo: Dom Gregory Ochiagha, Bispo Emérito de Orlu, Nigéria, celebrou seu Jubileu de Ouro com uma Solene Missa Pontifical na forma extraordinária.

Isso mesmo. Na África não tem Missa Afro. Na África tem Missa Tridentina!

Mas não diziam que o povo negro quer Missas com atabaques, falando “axé”, dançando no altar, com roupas extravagantes?

As fotos, que nos chegam via New Liturgical Movement, falam por si e nos dão esperança de que a liturgia será salva!

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Após a Comunhão. Inspirador!

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É... Parece que os africanos de bom senso respeitam a Liturgia. O zelo pela casa de Deus continua consumindo vários deles..

Eu tive a oportunidade de assistir uma palestra com o superior no Brasil desta Pastoral Afro, e só posso dizer que, embora mais comportado do que os que lhe são submissos, e dono também de uma certa eloquência ao falar, o seu discurso é, porém, muito apelativo, ideológico e problemático.

Sem falar que, objetivamente, muitas dessas pessoas, não obstante o posto eclesiástico que ocupam, aderem e defendem a um sem número de erros, muitos dos quais constam entre os condenados dogmaticamente em concílios passados...

Deus conduza os responsáveis pela Liturgia no Brasil. Se for pra seguir o exemplo destes africanos acima, eu não me importaria, e creio que Nosso Senhor o aceitaria de bom grado.

Fábio.

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