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Oração para amar mais a Virgem Maria


Direi com São Boaventura: Ó Senhora, que com o amor e os favores que aos vossos servos demonstrais, arrebatais os seus corações, arrebatai-vos também o meu miserável coração, que deseja muito amar-vos. Vós, minha mãe, com a vossa beleza enamorastes um Deus e O arrastastes do céu ao vosso seio; ora, viverei eu sem amar-vos? Não; digo-vos com outro filho amante vosso, João Berchmans, da Companhia de Jesus: jamais descansarei enquanto não estiver certo de ter obtido o amor, mas um amor constante e tenro, para vós, mãe minha que com tanta ternura me amastes, mesmo quando eu vos era ingrato. E o que seria agora de mim, se vós, ó Maria, não me houvésseis amado e obtido para mim tantas misericórdias? Se, pois, me amastes tanto quando eu não vos amava, quanto mais devo esperar da vossa bondade agora que vos amo? Eu vos amo, ó minha mãe, e queria um coração que os amasse no lugar de todos aqueles infelizes que não vos amam. Queria uma língua capaz de louvar-vos no lugar de mil línguas, a fim de fazer a todos conhecer vossa grandeza, a vossa santidade, a vossa misericórdia, e o amor com que amais os que vos amam. Tivesse eu riquezas, empregá-las-ia todas em vossa honra. Tivesse eu súditos, torná-los-ia todos vossos amantes. Daria enfim por vós e pela glória vossa a própria vida, se fosse necessário.

Amo-vos, pois, ó minha mãe, mas ao mesmo tempo temo que vos não ame; pois ouço falar que o amor torna similares os amantes aos amados: o amor ou encontra semelhantes, ou os faz. Logo se eu me vejo assim de vós dessemelhante, é sinal de que não vos amo. Vós assim tão humilde, eu assim tão soberbo! Vós assim tão santa, eu assim tão iníquo! Mas isto é o que haveis de fazer, ó Maria: já que me amais, tornai-me semelhante a vós. Já tendes vós pleno poder de mudar os corações; tomai-vos portanto o meu e mudai-o. Fazei ver ao mundo quanto podeis em favor daqueles que amais. Fazei-me santo, fazei-me um digno filho vosso. Assim espero, assim seja.

Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria

A Virgem Santíssima, esperança dos pecadores


Narra-se na vida da irmã Catarina de S. Agostinho que no lugar onde estava essa serva do Senhor havia uma senhora chamada Maria, que na juventude fora pecadora e, chegada à velhice, seguia obstinadamente sendo perversa, a tal ponto que escorraçada pelos cidadãos e confinada a viver numa gruta fora do seu vilarejo, ali meio apodrecida, abandonada por todos e sem sacramentos, foi por isso sepultada no campo como um animal. E a irmã Catarina, que costumava com grande afeto encomendar a Deus todas as almas daqueles que faziam a travessia à outra vida, depois de saber da morte desgraçada dessa pobre velha, não pensou em orar por ela, julgando-a, como a julgavam todos, como condenada.

Passados quatro anos, eis que um dia se apresentou diante dela uma alma do purgatório, que assim lhe disse: "Irmã Catarina, que má sorte é esta minha? Tu encomendas a Deus as almas de todos que morrem, e apenas da minha alma não tiveste piedade?"; "E quem sois vós?", disse a serva de Deus. "Eu", respondeu "sou aquela pobre Maria que morreu na gruta". "Mas como, estás salva?", replicou a irmã Catarina. "Sim, estou salva", disse, "por misericórdia da Virgem Maria". "Mas como?". Quando me vi próxima de morrer, vendo-me tão cheia de pecados e por todos abandonada, voltei-me à Mãe de Deus, e lhe disse: 'Senhora, vós sois o refúgio dos abandonados; eis que nesta altura estou eu por todos abandonada; sois vós a minha única esperança vós apenas podeis ajudar-me,tende piedade de mim'. A Santa Virgem obteve para mim um ato de contrição, morri, e fui salva; e ela, a minha Rainha, ainda obteve para mim a graça de que minha pena fosse abreviada, fazendo-me sofrer intensamente aquilo que haveria de purgar por muitos anos mais; necessitam-se de apenas algumas missas para livrar-me do purgatório. Rogo-te que as faças rezar que eu te prometo que sempre rogarei a Deus e a Maria por ti".

A irmã Catarina imediatamente lhe fez celebrar as missas; e eis que novamente lhe apareceu aquela alma, dentro de poucos dias, mais luminosa que o sol, e lhe disse: "Agradeço-te, Catarina: eis que já me vou ao paraíso para catar as misericórdias do meu Deus e rogar por ti".

Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria.

Homilia de Santo Efrém sobre o Natal


Hoje, Maria, ao levar a divindade, se tornou para nós céu; e Cristo, sem deixar a glória paterna, se encerrou nos apertados limites do ventre materno, para exalçar os homens à dignidade mais elevada. Escolheu só esta Virgem, dentre todas as virgens, para instrumento de nossa salvação.

Nela se realizaram todos os vaticínios de todos os justos e profetas. Dela própria saiu aquele esplendidíssimo astro sob cuja guia o povo que andava em trevas viu grande luz. (Is 9,2)

De diversos nomes pode ser Maria acertadamente designada. E, com efeito, é ela o templo do filho de Deus que dela saiu de modo diverso do que entrou, pois no ventre entrara sem corpo e dele saíra revestido de nossa humanidade.

É ela o místico novo céu (Ap 21,1) em quem habitou, como em sua sede, o Rei dos reis, e donde baixou à terra, levando diante de si forma e semelhança terrenas. É ela a videira de frutificação de suave odor (Ecle 24,23), cujo fruto, embora diferente da natureza da árvore, dela devia ter tomado algo semelhante.

É ela a fonte que brota (Joel 3,18) da casa do Senhor da qual jorraram para os sedentos águas vivas que matarão a sede para sempre (Jo 4,13) de todo aquele que apenas com os lábios as tiver provado.

Erra, portanto, caríssimos, quem julga poder comparar-se o dia de hoje de reparação ao da criação! E, de fato, no princípio, a terra foi criada; hoje, foi renovada. No início, dado o crime de Adão, foi maldita por causa da obra dele (Gn 3,17); hoje, porém, a paz e a segurança lhe foi restituída. No início, pelo delito dos  primeiros pais, a morte passou a todos os homens (Rm 5,12); hoje, no entanto, por Maria, passamos da morte à vida (1Jo 3,14) No início, a serpente penetrou nos ouvidos de Eva, donde o veneno infeccionou todo o corpo: hoje, Maria deu ouvidos à afirmação da felicidade perpétua. O que, portanto, fora de morte passou a ser, ao mesmo tempo, instrumento de vida.

Aquele cujo trono assenta sobre os querubins (Sl 98,1) ei-lo sentado nos braços de uma mulher; aquele que o mundo todo não encerra, só Maria o abraça; aquele que os tronos e as dominações reverenciam, a donzela acaricia; aquele cuja sede se acha nos séculos dos séculos (Sl 44,7), eis que se senta nos joelhos virginais; a terra é escabelo de seus pés, tocando-a com as plantas dos pés infantis.

Ó feliz e afortunado Adão, que, ao nascer o Senhor, recobrou a honra e o esplendor perdidos! Felicíssimos mortais que, vasos de ira para a morte (Rm 9,22) lhe deram o revestimento da própria argila! Redirei felicíssimos aqueles a quem foi dado ver o fogo de nossos corações envolto em seus paninhos!

Tamanhas coisas fez Deus para corrigir a estultície de um só homem! Visto que o servo caíra pela própria soberba, o Senhor o levantara em sua humildade.

Demos, pois, irmãos caríssimos, graças a Deus Pai que, para remir servos, entregou o próprio Filho. Exaltemos igualmente a Jesus com os máximos louvores, pois curou com tanta felicidade as feridas dos homens. E, por fim, veneremos piamente o Espírito de ambos, que nos foi dado (Rm 5,5) para que tenhamos a vida e a tenhamos em abundância. (Jo 10,10)

Santo Efrém, Doutor da Igreja. Sermão III de diversis.

A mártir mais jovem a ser beatificada pelo Papa na Coreia


***A notícia já é antiga, mas achei valer muito a pena de ser divulgada neste espaço. Que o exemplo dessa pequena nos inspire a fidelidade a Nosso Senhor.***
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NO SÁBADO, 16 de agosto (2014), por ocasião de sua primeira viagem à Ásia, especificamente à Coreia do Sul, o Papa Francisco beatificará 124 mártires daquele país, entre os quais se encontra o caso muito especial de uma pequena menina, porém verdadeira gigante da fé, assassinada friamente pelo ódio a Jesus Cristo à sua Igreja, antes de completar os 12 anos de idade.

Anastasia Yi Bong-geum nasceu em 1827, filha de Paul Yi Seong-sam e Anastasia Kim Jo-i, que nesse período viviam sua fé na clandestinidade, porque sofriam a perseguição Jeonghae.

Educada pela mãe, desde pequena sabia cumprir bem seus deveres religiosos e manifestava grande fé e amor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Com dez anos de idade, aprendeu as orações da manhã e da tarde, assim como o Catecismo da Igreja Católica. Conheceu um sacerdote missionário que se hospedou em sua casa; este, impressionado pela ardente devoção da menina, permitiu-lhe receber a Primeira Comunhão, mesmo sendo ainda tão jovem. 

A fé e as virtudes cresciam em Anastasia, dia a dia. Quando do início da perseguição Gihae, em 1839, ela fugiu com sua mãe para a casa de Protase Hong Jae-yeong. Ali, foi presa pela polícia e levada a Jeonju, onde enfrentou, sem vacilar, o seu martírio.

A menina foi logo interrogada pelo chefe policial, que lhe exigia informações sobre o padre missionário, ao que ela respondeu que era muito pequena para saber de tais coisas. Não satisfeito, o policial lhe disse que, se ela falasse contra Deus, e renegasse a fé cristã, ele lhe pouparia a vida. Anastasia então respondeu-lhe admiravelmente: “Não sabia como adorar o SENHOR até que cheguei ao uso da razão, aos meus sete anos. Eu era muito jovem para ler livros. Mas dos sete anos até agora, adorei o SENHOR. Portanto, não posso trai-lo nem pensar mal dEle, mesmo se tiver que morrer mil vezes!”...

Em princípio, Anastasia foi levada à prisão sem ser torturada, porque era apenas uma frágil menina. Sua mãe fingiu duvidar de sua firmeza e lhe disse que certamente trairia Jesus: "Você não tem coragem para enfrentar a tortura”. Ao ouvir isso, a pequena mais uma vez deu prova de sua firmeza de caráter e, certamente, da assistência divina que recebia. Respondendo que jamais trairia o Cristo, prometendo à sua mãe manter-se fiel ao ensinamento da Igreja, não importando o tipo de tortura que tivesse que sofrer.

O chefe policial e os guardas prisionais insistiram muito com Anastasia para que ela cooperasse e assim salvasse sua vida, porque ela era "ainda tão jovem e uma linda garota", mas ela não cedeu. Jogada na prisão, em tão tenra idade, foi ameaçada muitas vezes, mas não sucumbiu à intensa pressão psicológica. Ao dar-se conta de que a menina realmente não ia ceder, finalmente a autoridade policial ordenou que ela fosse torturada...

Mas os sofrimentos da santa criança não pararam aí. Além de ser torturada, Anastasia foi forçada a assistir o martírio de sua mãe. E mesmo depois, como órfã, continuou a se manter firme em sua adesão ao Evangelho, prosseguindo assim até o final de sua curta vida. O chefe policial, quando ela não tinha ainda completado 12 anos de idade, ordenou que fosse enforcada na prisão, no dia 5 ou 6 de dezembro de 1839.

Fonte: O Fiel Católico

Sto Agostinho e a Continência


"Eu julgava que a continência dependia de minhas próprias forças... forças que eu não conhecia em mim. E eu era tão insensato que não sabia que ninguém pode ser continente, se vós não lho concedeis. E sem dúvida mo teríeis concedido, se com meus gemidos interiores vos ferisse os ouvidos e, com firme fé, depusesse em vós minha preocupação."

Sto Agostinho, Conf., 6,1, 20.

Ressuscitou como disse! Aleluia! Bendita seja Sua ressurreição!


Ó Filho, descido do céu para visitar servos que vinham arrastando suas doenças! Muitos médicos vieram, trabalharam, cansaram-se, curaram pouco, deixaram muito.

Aquele que é o Criador fez-se criança; aquele que é o santo veio ao batismo; aquele que é o Filho vivo experimentou a morte e ressuscitou glorioso do sepulcro. Bendita seja sua ressurreição!

O Verbo saiu do Pai e revestiu corpo em outras entranhas; passou de um seio a outro; encheram-se com ele castas entranhas. Bendito seja o que habitou entre nós!

Desceu do alto como Senhor e das entranhas saiu como escravo; no inferno, a morte curvou-se perante ele, e, na ressurreição, a vida o adorou. Bendito o seu triunfo!

Entrou pelo ouvido (Anunciação) e habitou nas entranhas. Revestiu corpo, baixou e salvou-nos; abriu o inferno, baixou e nos congregou; abriu o céu, subiu e nos elevou para lá. Bendito aquele que o enviou!

Maria carregou-o como criança; o sacerdote carregou-o como oblação; a cruz carregou-o como vítima; os céus carregaram-no como Deus. Glória a seu Pai!

De Deus lhe veio a divindade; dos mortais, a humanidade; de Melquisedeque, o sacerdócio; e de Davi, a realiza. Bendita seja esta união!

Estava entre os convidados no banquete; nas tentações, está entre os jejuadores; na agonia, estava entre os que velam; no templo, entre os que ensinam. Bendita sua doutrina!

Seu nascimento é para nós purificação; seu batismo, propiciação; sua morte, vida; e sua ascensão nos vem a ser exaltação. Quão digno de nossos louvores!

Os lobos arrebatadores o temeram transformado em homem; rasgaram-lhe as vestes; mas, sem querer, revelaram-lhe a glória; o esplendor raiou-lhe da vestimenta. Bendito seja o Filho vivo que, neste dia, ressurgiu do sepulcro por seu grande poder e chamou novamente à vida os mortos, despertou os que dormiam e alegrou a Igreja! Bendita seja sua ressurreição! Glória a Ele!

Neste dia, o filhote do leão rugiu no inferno; tremeu a morte; acordaram os mortos; ergueram-se os que dormiam, deram louvores com vozes novas. Bendita seja sua ressurreição!

Neste dia, os anjos proclamaram aos mortais a nova mensagem do Filho primogênito sobre a ressurreição. Anunciaram à Igreja que ele havia ressuscitado do sepulcro. Bendito seja seu louvor!

Sto Efrém

Também os membros, para participarem da Glória, devem participar da Paixão - São Leão Magno


A fé verdadeira tem esta virtude de não faltar espiritualmente nas coisas em que a presença corporal não é possível; e, quer o coração crente regresse ao passado, quer se volte para o futuro, o conhecimento da verdade não sofre demoras de tempo. Portanto, temos presente aos nossos sentidos a imagem das coisas realizadas para nossa salvação; e tudo quanto comoveu então os ânimos dos discípulos também afeta nossos sentimentos. Devemos esforçar-nos, diletíssimos, com grande empenho da alma e do corpo, por manter-nos inseparavelmente concordes neste mistério; pois, se é falta gravíssima desprezar a festa pascal, mais perigoso seria realmente unir-se às assembléias religiosas, mas não participar da Paixão do Senhor, Com efeito, se o Senhor disse: Quem não toma sua cruz e não me segue não é digno de mim (Mt 10,38), e o Apóstolo: Se com ele sofrermos, com ele havemos de reinar (Rm 8,17; II Tim 2,12), quem é que honra verdadeiramente a Cristo padecente, morto e ressuscitado, senão quem com ele sofre, morre e ressurge?

Sem dúvida, isto já começou, em todos os fiéis da Igreja, no mistério do batismo, em que a destruição do pecado é a vida do regenerado, e a tríplice imersão figura o estado de morte do Senhor durante três dias, de modo que, removido o aterro da sepultura, a água batismal devolve novos os mesmos corpos que a fonte recebeu velhos. Mas é necessário cumprir na prática, apesar de tudo, o que foi celebrado no sacramento e, para os nascidos do Espírito Santo, enquanto sobrar algo do corpo mortal, não há modo de vida sem carregar a cruz. Portanto, estabeleça-se o cristão onde o Cristo o levou consigo e dirija todos seus passos para o lugar onde sabe que foi salvo o gênero humano.

Com efeito, a Paixão do Senhor se estende até o fim do mundo; e assim como é a ele que, na pessoa dos santos, honramos e amamos, e, nos pobres, alimentamos e vestimos; assim, em todos quantos suportam contrariedades pela justiça, é ele que sofre; ou acaso se deve estimar que, difundida a fé pelo mundo e escasseando o número dos ímpios, acabaram todas as perseguições e todas as campanhas que se assanharam contra os santos mártires? Mas diversa é a experiência dos fiéis servidores de Deus e diversa, também, a doutrina do Apóstolo, que diz: Todos quantos querem viver piamente no Cristo Jesus serão perseguidos. (II Tim 3,12) Não podem ter paz com este mundo, se não forem amigos do mundo; e nunca há comunhão entre a iniquidade e a justiça; nenhuma concórdia da mentira com a verdade; nenhum acordo das trevas com a luz.

Portanto, diletíssimos, a Páscoa santa é celebrada condignamente nos membros santos do corpo de Cristo e nada falta aos triunfos que a Paixão do Salvador alcançou; pois, para os que, a exemplo do Apóstolo, castigam o próprio corpo e o reduzem à servidão (ICor 9,27), os mesmos adversários são esmagados pela mesma força, e agora o mundo é vencido por Cristo.

Sermão LXX de S. Leão Magno

É tempo de chorar...


Foi escarnecido, de fato, quando pendia do madeiro; (...) ou será, por acaso, que até hoje não é escarnecido e ainda cabe indignar-nos contra os judeus, que zombavam dele agonizante, não como triunfador? E quem é que ainda zomba de Cristo? Prouvesse a Deus que fosse um só, que fossem dois, que se pudessem contar! Toda a palha de sua eira escarnece dele e o trigo geme por ser escarnecido seu Senhor. Sobre isto quero gemer convosco, pois é tempo de chorar.

Celebra-se a Paixão do Senhor; é tempo de gemer, de chorar, de confessar os pecados e de suplicar. E quem de nós é digno de verter lágrimas na medida de tamanha dor? Mas, que diz precisamente o profeta? Quem dará que minha cabeça se transforme em água, e meus olhos, em fonte de lágrimas? (Jer 9,1) Realmente, ainda que houvesse em nossos olhos uma fonte de lágrimas, nem esta bastaria.

Vede quanta coisa padeceu! E qual é o resultado? Eis que nossos pais esperaram e foram arrancados (Sl 21,5) da terra do Egito. E como eu disse, tantos invocaram a Deus, e, imediatamente na hora, sem esperar a vida futura, logo foram libertados! O próprio Jó foi entregue ao demônio que o pedira, e apodrecia carcomido de vermes; entretanto, ainda nesta vida, recobrou a saúde, recebeu em dobro o que perdera. Ao passo que o Senhor foi flagelado e ninguém lhe acudiu; foi desfigurado pelos escarros e ninguém lhe acudiu; deram-lhe bofetadas e ninguém lhe acudiu; foi levantado sobre o madeiro e ninguém o tirou daí: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? (Mt 27,46) Não lhe acodem. Por que, meus irmãos? Por quê? A troco de que padeceu tanto? Tudo quanto padeceu é o preço de nossa redenção.

Sto Agostinho, Narração II sobre o Salmo XXI.

Diante de ti pende o Salvador na cruz...


Diante de ti pende o Salvador na cruz, porque se tornou obediente e assim foi até a morte de cruz. Ele veio a esse mundo não para fazer a sua vontade, mas a vontade do Pai... Teu salvador pende frente a ti na cruz, nu e entregue porque escolheu a pobreza. Quem quiser segui-lo tem que abandonar todos os bens terrenos... Teu salvador pende diante de ti com coração aberto. Derramou o sangue de seu coração para conquistar teu coração. Queres segui-lo na pureza santa, então teu coração deve estar purificado de todo desejo terreno: Jesus crucificado, o único objeto de teu anelo, de teu desejo, de teus pensamentos...

É o coração amoroso de teu redentor que te convida para segui-lo, exigindo tua obediência, porque a vontade humana é cega e fraca. Ela não consegue encontrar o caminho enquanto não entregar-se totalmente à vontade de Deus. Exige a pobreza, porque as mãos devem estar vazias dos bens terrenos, para receber os bens celestes. Exige a castidade, porque é só pela desvinculação do coração de todo amor terreno que ele se torna livre para o amor de Deus. Os braços do crucificado estão estendidos para atrair-te ao seu coração. Ele quer tua vida, para doar-te a sua. Ave crux, spes unica

O mundo está em chamas, o incêndio pode atingir também nossa casa. Mais alto, acima das chamas, alcança a cruz e elas não a podem consumir. É o caminho que vai da Terra ao céu. Quem a abraça crendo, amando, esperando, a esse a cruz carrega para o seio da Trindade. O mundo está em chamas. Impinge-te apagá-las? Olhe para a cruz. Do coração aberto jorra o sangue do redentor, isso extingue as chamas do inferno, torna teu coração livre, capaz de cumprir fielmente teus votos, então a inundação do amor divino se derrama em teu coração até inundá-lo e torná-lo fecundo até os confins da Terra... 

Em todos os lugares de miséria podes estar na força da cruz; onde quer que seja o amor misericordioso te sustenta, o amor que vem do coração de Deus; onde quer que seja, ele lança seu sangue precioso - amainando, curando, redimindo.

Edith Stein, Teu coração deseja mais.

Participar dos Sofrimentos de Cristo - Caminho de união com Deus


O peso da cruz, que o Cristo carregou sobre si, é a degeneração da natureza humana com todas as consequências do pecado e do sofrimento, com o que se abateu a humanidade decaída. Retirar esse peso do mundo é o sentido da via crucis. O retorno da humanidade liberta para o coração do Pai Celeste, a adoção como filhos é um livre presente da graça, do amor misericordioso, mas não pode acontecer a custo da santidade e justiça divina.

Toda a soma de falhas humanas, desde a queda originária até o dia do juízo final, deve ser extirpada pela proporção correspondente de atos de expiação.

A via crucis é essa expiação. As três quedas sob o peso da cruz correspondem à tripla queda da humanidade: o primeiro pecado original, a rejeição do redentor por seu povo eleito, a decadência daqueles que trazem o nome de cristãos. O Salvador não está sozinho na via crucis e ao seu redor não há apenas inimigos, que o oprimem, mas também pessoas que lhe dão apoio: como protótipo originário dos seguidores da cruz, em todos os tempos, a Mãe de Deus; como tipologia daqueles que aceitam em si o sofrimento que lhes é imposto e experimentam sua bênção na medida em que o carregam, temos Simão Cirineu; como representante dos que amam, que são impingidos a servir o Senhor, temos Verônica. Cada um que, no decorrer dos tempos, carrega com paciência um destino pesado, pensando no Salvador sofredor, ou que assume sobre si voluntariamente ações de expiação, extinguiu com isso algo do violento peso da culpa que pesa sobre a humanidade e ajudou o Senhor a carregar seu peso; mais que isso: Cristo, o cabeça, faz expiações nos membros de seu corpo místico que se colocam à disposição dele de corpo e alma para sua obra da redenção. Podemos admitir que a visão dos fiéis que o seguiriam em seu caminho de sofrimento confortou o Salvador na noite em que passou no Monte das Oliveiras, e a força desses que carregam a cruz veio em seu auxílio em todas as quedas.

Os justos da Velha Aliança são os que o acompanham no trecho de caminho entre a primeira e a segunda queda. Os discípulos e as discípulas que se juntaram a Ele durante sua vida terrena são os que auxiliaram no segundo trecho do caminho. Os que amam a cruz que Ele convocou e convoca novamente na história turbulenta da Igreja militante são os companheiros da aliança no fim dos tempos.

Também nós somos convocados para isso. Não se trata, portanto, de uma recordação piedosa das dores do Senhor, quando alguém deseja sofrer, mas voluntariamente a expiação é aquilo que liga verdadeira e realmente, de maneira profunda, com o Senhor. Surge por um lado da ligação já existente com Cristo, isso porque o homem natural foge do sofrimento.

Desejar sofrimentos é algo que só pode alguém a quem se lhe abriu o olhar do espírito para os nexos sobrenaturais do acontecer no mundo; mas isso só é possível acontecer em pessoas onde vive o Espírito de Cristo, que, como membros, recebem do cabeça sua vida - sua força, seu Espírito e sua orientação.

Por outro lado, as ações de expiação ligam ao Cristo de maneira mais íntima, assim como toda e qualquer comunidade vai tornando-se sempre mais íntima com o trabalho conjunto em uma obra, e como os membros de um corpo em sua confluência orgânica vão tornando-se cada vez mais fortemente uma unidade. E uma vez que o ser um com o Cristo representa nossa bem-aventurança e o avanço do tornar-se um com Ele, vai constituindo nossa ventura sobre a terra, por isso a via crucis de modo algum está em contraposição com a feliz filiação divina. Ajudar a carregar a cruz de Cristo traz uma pura e intensa alegria, e aqueles que têm o direito e o podem fazer, os edificadores do Reino de Deus, são os mais autênticos filhos de Deus. E assim, a predileção pela via crucis de modo algum significa esquecer que a Sexta-feira da Paixão já se passou e que a obra da redenção está completa. Só os redimidos, só os filhos da graça que podem carregar a cruz de Cristo. É só a partir da unificação com a cabeça divina que o sofrimento humano recebe força expiatória. Sofrer e ser feliz no sofrimento, estar de pé sobre a terra, caminhar por entre os caminhos sujos e tortuosos desse mundo, no entanto reinar juntos com Cristo à direita do Pai, rir e chorar junto com os filhos desse mundo e cantar louvores a Deus sem parar, junto com os coros dos anjos, isso é a vida do cristão até que irrompa a manhã da eternidade.

Edith Stein, Teu coração deseja mais.

Novo Doutor da Igreja - São Gregório de Narek



Francisco confirmou o título ao santo durante audiência com o prefeito da Congregação das Causas dos Santos
Da Redação, com Agência Ecclesia
O Papa Francisco vai proclamar como Doutor da Igreja São Gregório de Narek, místico armênio do fim do primeiro milênio conhecido por sua escrita e doutrina. A informação foi dada nesta, segunda-feira, 23, pelo Vaticano, após o encontro entre o Papa e o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, no sábado, 21.
Nascido em uma família de escritores, São Gregório de Narek (950-1005) é considerado o primeiro grande poeta armênio e um grande marco na literatura e reflexão cristã. Ele é autor, entre outras obras, do “Livro das Lamentações”, hoje traduzido em diversas línguas.
Por meio deste livro, o monge quis deixar às pessoas uma autêntica enciclopédia de oração, composta por 95 trechos, que deixam transparecer todo o potencial do autor em transformar emoções como o sofrimento ou a humildade em ofertas a Deus.
Para São Gregório de Narek, o principal objetivo da vida era a proximidade com Deus, pois só assim a humanidade poderia viver uma vida verdadeiramente plena. Uma aproximação que era possível não pelo conhecimento, mas sim através das emoções, defendia o místico.
Doutor da Igreja é um título concedido a um cristão – homem ou mulher – que se distinguiu por notório saber teológico em qualquer época da história. Os doutores da Igreja recebem tal título tendo em vista sua santidade, ortodoxia à fé e saber teológico, atestado por vários escritos.
Fonte: CN

Pe. Pio e a Confissão





Autor: Dom Dimond, OSB
Tradução: Carlos Wolkartt

“Tens cantado um hino a Satanás, enquanto
Jesus, em Seu amor ardente, deslocou a cabeça por ti”

João XX, 21-23: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

No Evangelho de João, vemos o poder de perdoar os pecados sendo conferido por Jesus Cristo sobre os Apóstolos. O poder de perdoar os pecados conferido sobre os sacerdotes validamente ordenados por um bispo seria um papel proeminente na vida e nos milagres de Padre Pio. De 1918 a 1923, Padre Pio ouvia confissões de quinze a dezenove horas, todos os dias. Nos anos 1940 e 1950, geralmente ouvia confissões por menos tempo diário, entre cinco a oito horas.

Cada confissão que Padre Pio ouvia durava, em média, somente três minutos – exceto em casos extraordinários. Segundo um cálculo, Padre Pio ouviu um total de aproximadamente cinco milhões de confissões (ou seja, mais de quinze milhões de minutos, ou mais de duzentas e cinquenta mil horas de confissão).

Tantas pessoas queriam que Padre Pio ouvisse suas confissões que geralmente tinham que esperar duas ou três semanas até terem oportunidade. O número de pessoas chegou a ser tão grande que foi necessário abrir um gabinete para distribuir bilhetes. Os bilhetes eram numerados; indicavam o lugar na fila do confessionário de Padre Pio. Este sistema de numeração foi implementado em janeiro de 1950, quando Padre Pio tinha 62 anos. Também foi instituída uma regra que limitava o tempo (em dias) entre uma confissão e outra, para cada penitente. Não era permitido confessar-se com Padre Pio mais de uma vez a cada oito dias.

Um homem de Pádua, que tinha ido se confessar ao Padre Pio, tentou fazer outra confissão entre os oito dias de espera. Para burlar o período de espera, mentiu acerca do número de dias que havia passado desde sua última confissão. Quando entrou no confessionário, Padre Pio lhe expulsou e lhe acusou brutalmente de mentiroso. Depois de ser expulso, o homem disse, em lágrimas: “Tenho dito muitas mentiras ao longo de minha vida, e pensava que poderia enganar a Padre Pio também”. Porém, Padre Pio tinha um conhecimento sobrenatural de seu ato.

Padre Pio exigia que toda a confissão fosse uma verdadeira conversão. Não tolerava a falta de franqueza na explicação dos pecados. Era muito duro com os que se desculpavam, falavam sem sinceridade, ou não tinham uma firme determinação em mudar. Exigia integral franqueza e honestidade do penitente. Também exigia uma verdadeira e sincera dor no coração, e uma firmeza absoluta nas decisões para o futuro.

Muitos dos penitentes de Padre Pio fizeram a declaração assombrosa de que, quando estiveram em seu confessionário, experimentaram a imponente impressão de estarem ante a cátedra do juízo de Deus.

Se o penitente não fosse verdadeiro, ou simplesmente lesse a lista de seus pecados sem o firme propósito de mudança, Padre Pio quase sempre gritava “fora!”. Muitas pessoas diziam que Padre Pio era bruto e severo, e que às vezes batia o painel do confessionário no rosto do penitente. Frequentemente, Padre Pio denunciava um penitente com uma frase dolorosa.

Um homem que
foi expulso do confessionário por Padre Pio disse: “Que tipo de monge canalha é este? Não me deu tempo para dizer uma só palavra, e imediatamente me chamou de porco velho e me ordenou sair!”. Outra pessoa disse a este homem que Padre Pio provavelmente teve boas razões para chamar-lhe de porco velho e tratar-lhe desta maneira. “Não me ocorre por que”, disse o homem que havia sido expulso do confessionário; e então, depois de uma pausa, o homem disse: “talvez seja porque tenho uma relação íntima com uma mulher que não é minha esposa”.

Padre Pio também expulsava certos sacerdotes e bispos de seu confessionário. Certa vez Padre Pio disse a um sacerdote: “Se você soubesse que coisa tremenda é sentar-se no tribunal do confessionário! Estamos administrando o Sangue de Cristo. Devemos ter cuidado para não lançarmos este tesouro por todas as partes por sermos demasiados indulgentes ou negligentes”.

Outro homem foi confessar-se ao Padre Pio para lhe provar. Queria ver se Padre Pio podia dar-se conta de que estava mentindo. O homem disse ao frade que não estava ali para confessar os pecados, mas para pedir orações por um familiar. Isto não era verdade, e Padre Pio soube imediatamente. Padre Pio lhe golpeou no rosto e lhe mandou para fora do confessionário.

Uma mulher que chegava de uma longa viagem para ver Padre Pio lhe disse em confissão: “Padre Pio, faz quatro anos que perdi meu esposo, e não tenho ido à igreja desde então”. Padre Pio respondeu: “Porque perdeste teu esposo, também perdeste Deus? Fora! Fora!”, enquanto fechava rapidamente a janela do confessionário.

Pouco depois deste acontecimento, a mesma mulher recuperou sua fé, atribuindo isto à maneira em que Padre Pio lhe tratou – provavelmente reconhecendo como ela havia posto seu apego a seu esposo acima de Deus.

Andre Mandato falou sobre o momento em que foi se confessar ao Padre Pio: “Eu ia à igreja todos os domingos, porém não tinha nenhuma crença forte na confissão. Confessava-me pouquíssimas vezes, e nunca era totalmente sincero. Comecei a crer na confissão somente depois que fui a Padre Pio. A primeira vez que me confessei a ele, ouvi de sua boca os pecados que eu havia cometido”.

Katharina Tangari descreveu como era se confessar ao Padre Pio:

“… Padre Pio primeiramente questiona quanto tempo se passou desde nossa última confissão. Esta primeira pergunta estabelece um contato entre Padre Pio e o penitente; de repente parece que Padre Pio sabe tudo sobre nós. Se nossas forem pouco claras e inexatas, ele as corrige; temos a sensação de que… seu olho pode ver nossa alma como verdadeiramente ela é ante Deus”.

Padre Pio comentou sobre a quantidade de confissões que ouvia, e como era capaz de fazê-lo: “Houve períodos que ouvi confissões sem interrupção por dezoito horas seguidas. Não tenho nenhum momento para mim mesmo. Mas Deus me oferece suporte com eficácia em meu ministério. Sinto a força para renunciar a tudo, contanto que as almas regressem a Jesus e amem a Jesus”.

Juan McCaffery foi se confessar ao Padre Pio, e escreveu sua experiência extraordinária. McCaffery queria que Padre Pio rezasse por alguns de seus amigos. Ele recorda: “Bem, durante uma pausa, comecei a dizer ‘E então, Padre…’; mas ele me interrompeu com um sorriso e disse: ‘Sim, recorda-te de teus amigos também!’”.

Uma mulher chamada Nerina Noe foi a Padre Pio confessar-se. Ela lhe disse que estava pensando em deixar de fumar; não previa a brusca repreensão que Padre Pio lhe daria: “Mulheres que fumam cigarros são repugnantes”.

Frederick Abresch foi um desses penitentes que haviam sido convertidos depois de irem a Padre Pio para se confessarem. Aqui estão algumas coisas que ele descreveu sobre a incrível história de sua conversão:

“Em novembro de 1928, quando fui ver Padre Pio pela primeira vez, havia passado poucos anos desde minha mudança de protestante a católico, que se deu por conveniência social. Eu não tinha fé, ou ao menos entendo agora que simplesmente me iludia de tê-la. Tendo sido criado em uma família muito anticatólica e imbuída de preconceitos contra dogmas a tal grau que uma instrução rápida não poderia eliminar, eu estava sempre ávido de coisas secretas e misteriosas.

“Encontrei um amigo que me apresentou os mistérios do espiritismo. Logo, porém, cansei dessas mensagens inconclusivas de ultratumba; eu estava com fervor no campo do ocultismo, da magia de todos os tipos, etc. Então me encontrei com um homem que declarou, com um ar de mistério, que estava em posse da única verdade: ‘teosofia’. Em seguida me tornei seu discípulo, e comecei a acumular livros com títulos tentadores e atraentes na minha mesa de cabeceira. Com segurança em mim mesmo e cheio de vaidade, usava palavras como Reencarnação, Logos, Brahma, Maia, ansiosamente esperando alguma realidade grande e nova que aconteceria.

“Não sei por que (creio que era antes de tudo para agradar minha esposa), mas de vez em quando continuava recebendo os santos Sacramentos. Este era o estado de minha alma quando, pela primeira vez, ouvi falar de um Padre Capuchino, do qual me descreveram como um crucifixo vivo, realizando milagres contínuos.

“Crescendo em curiosidade, decidi ir e ver com meus próprios olhos. Pus-me de joelhos no confessionário da sacristia [e disse a Padre Pio que] considerava a confissão uma boa instituição social e instrutiva, mas que não cria na divindade do Sacramento em absoluto. O Padre, contudo, disse com expressão de grande dor: ‘Heresia! Então todas as tuas Comunhões foram sacrílegas… tens que fazer uma confissão geral. Examina tua consciência e recorda a última vez que fizeste uma boa confissão. Jesus tem sido mais misericordioso contigo que com Judas’.

“Então, olhando por cima de minha cabeça com olhos severos, ele disse: ‘Louvados sejam Jesus e Maria!’, e se foi à igreja para ouvir as confissões das mulheres, enquanto eu fiquei na sacristia, comovido e afetado profundamente. Minha cabeça estava girando e não conseguia me concentrar. Todavia, ouvia em minhas orelhas: ‘Recorda a última vez que fizeste uma boa confissão!’. Com dificuldade, tomei a seguinte decisão: Diria a Padre Pio que havia sido um protestante, e que mesmo após a abjuração, fui rebatizado (condicionalmente), e todos os pecados da minha vida passada foram apagados em virtude do santo Batismo, no entanto, para minha tranquilidade queria começar a confissão desde a minha infância.

“Quando o Padre voltou ao confessionário da sacristia, repetiu a pergunta: ‘Pois, quando foi a última vez que fizeste uma boa confissão?’. Respondi: ‘Padre, quando estava…’. Porém, nesse ponto o Padre me interrompeu, dizendo: ‘Fizeste uma boa confissão pela última vez quando estavas regressando de tua lua de mel; deixemos todos os demais, e comecemos a partir daí!’.

“Permaneci boquiaberto, abalado com uma letargia, e entendi que havia tocado o sobrenatural. O Padre, entretanto, não me deu tempo para refletir. Demonstrando seu conhecimento do meu passado inteiro, e na forma de perguntas, enumerou todas as minhas faltas com precisão e claridade… Depois que o Padre havia trazido à luz todos os meus pecados mortais, com palavras impressionantes me fez compreender a gravidade destas faltas, acrescentando em um tom de voz inesquecível: ‘Tens cantado um hino a Satanás, enquanto Jesus em Seu amor ardente deslocou a cabeça por ti’. Então ele deu minha penitência e me absolveu… Creio não somente nos dogmas da Igreja Católica, mas também na menor de suas cerimônias… para quitar esta fé, deve-se quitar também minha vida”.

José Greco, agora um grande devoto de Padre Pio, teve um sonho no qual se encontrou com o frade em uma estrada e lhe pediu para salvar seu pai enfermo. O pai de José de repente se recuperou depois do sonho. Para agradecer a Padre Pio, José decidiu viajar e vê-lo cara a cara. Depois de esperar quatro dias, José conseguiu ir a Padre Pio para a confissão. Ele descreveu o encontro:

“Em verdade, quando Padre Pio me viu, disse: ‘Pois então, teu pai está bem’. Fiquei atormentado, em razão de nunca haver visitado São Giovanni Rotondo antes. Nunca havia ido a essa parte do mundo, nem conhecia nada ali. E, no entanto, suscitou em minha mente uma pergunta, e questionei-lhe: ‘Foi você, foi você?’. E ele respondeu: ‘No sonho, no sonho…’. Daí comecei a tremer, porque em verdade estava morrendo de medo. Disse: ‘Sim Padre, no sonho, Padre’. Disse-lhe meus pecados, e antes de me dar a absolvição, ele me disse: ‘No entanto, sabes de algo a mais [que não mencionaste na confissão]?’. Disse: ‘Bem Padre, não consigo recordar nada mais’. Padre Pio então começou a descrever um evento com uma moça, quando eu estava no exército. Então me lembrei de tudo. Queria que a terra se abrisse e me engolisse, de tanta vergonha que me consumia. Então disse a Padre Pio: ‘Sim Padre, estou recordando tudo e tenho medo de ter esquecido de dizer em confissão, estou muito envergonhado’. ‘Pois, disse ele, tens carregado este pecado contigo desde 1941, e o lugar foi Blackburn, para dizer a verdade’. Então me levantei para sair, ao que Padre Pio disse: ‘Há algo mais que esqueceste?’, sorrindo levemente. Disse-lhe: ‘Não Padre, de verdade não há mais nada que posso recordar’. Pensei que era sobre algum outro pecado. E ele disse: ‘Veja em teu bolso’. Então saquei minhas contas do rosário [do meu bolso], as dei a ele, que as abençoou e as me deu de volta. E isso foi tudo”.

Um homem disse a Padre Pio em confissão: “Tenho muito apego aos meus pecados; eles são como que necessários para minha vida. Ajude-me a encontrar um remédio”. Padre Pio lhe deu uma oração a São Miguel Arcanjo, e lhe ordenou dizê-la todos os dias por quatro meses.

Padre Nello Castello, um sacerdote de Pádua, Itália, que havia ido confessar-se a Padre Pio centenas de vezes, recordou suas incríveis experiências:

“Fui confessar-me com Padre Pio pelo menos cem vezes. Recordo-me da primeira vez, em que suas palavras, ao mesmo tempo, me assustaram e me iluminaram. Os conselhos que ele me deu refletiam um conhecimento exato de toda a minha vida passada e futura. Às vezes, ele me surpreendia com sugestões não relacionadas com os pecados confessados, e os acontecimentos que se sucederam deixaram claro que seus conselhos haviam sido proféticos. Em uma confissão, em 1957, Padre Pio falou cinco vezes com insistência sobre o mesmo assunto, usando palavras diferentes, e me recordando de um defeito horrível de impaciência. Além disso, me esclareceu sobre as causas fundamentais que provocavam a impaciência. Descreveu-me o comportamento que deveria seguir para evitar a impaciência no futuro. Isto ocorreu sem que eu houvesse dito uma só palavra sobre o problema. No entanto, ele conhecia meus problemas melhor que eu e me aconselhava em como concertá-los”.

Entre os que iam ver Padre Pio, existiam incrédulos declarados. Alguns foram vê-lo por curiosidade, outros para insultarem a Padre Pio e a Deus.

Dois franco-mações, que eram implacavelmente opostos a Deus e à Igreja Católica, decidiram fazer confissões fingidas a Padre Pio de pecados que simplesmente inventaram. O propósito era profanar o Sacramento da Penitência. Estes homens foram a Padre Pio em dias diferentes. Quando eles começaram a confessar seus pecados inventados, Padre Pio lhes interrompeu, dizendo que sabia o que estavam fazendo, e começou a contar cada um de seus pecados reais, informando-lhes o dia, o lugar e como os cometeram. Os dois homens eram tão abrumados que poucos dias depois, se arrependeram de suas vidas pecaminosas e se converteram.

Um comunista incrédulo também foi a Padre Pio para se confessar. Naquele tempo, não havia abandonado suas crenças malvadas. Padre Pio lhe perseguiu fora do confessionário, dizendo: “Que fazes ante o tribunal de Deus se não credes? Fora! Vai-te! És comunista!”.

No confessionário, Padre Pio dizia coisas como:

“Por que vendeste tua alma ao Diabo?… Que irresponsável!… Estás no caminho do Inferno!… Homem negligente, ide primeiro arrepender-se, e então voltes aqui”.

Uma pessoa durante a confissão pôs em dúvida a existência do Inferno. Padre Pio respondeu: “Você acreditará quando chegar lá”.

Padre Pio considerava a ida frequente à confissão algo necessário para o crescimento na vida espiritual. Ele se confessava ao menos uma vez por semana, e não deixava que seus filhos espirituais ficassem sem confissão por mais de dez dias.

Uma vez foi perguntado a Padre Pio: “Confessamos tudo que pudemos recordar ou conhecer, porém é possível que Deus veja outras coisas que não pudemos lembrar?”. Ele respondeu: “Se pusemos [em nossa confissão] toda a nossa boa vontade e se tivemos a intenção de confessar [todos os pecados mortais]… tudo que pudemos recordar ou conhecer – a misericórdia de Deus é tão grande que Ele incluirá e apagará também o que não pudemos recordar ou conhecer”.

Por esta razão, deve ser dito ao final de uma confissão: “… e confesso todos os pecados que tenho esquecidos e não mencionei nesta confissão”.
Artigo Original: Christi Fidei
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