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Projeto de transcrições do Castelo Interior de Sta Teresa D'Avila no Amor e Pobreza


Pessoal, nestas férias, um dos livros que escolhi para ler direito é o Castelo Interior ou Sete Moradas de Sta Teresa D'Avila, Doutora da Igreja e Mestra de Oração e que deveria constar como leitura obrigatória para os católicos. Neste tempo em que eu o estiver lendo, irei fazendo algumas transcrições no meu outro blog, o Amor e Pobreza, que é algo mais pessoal e com uma temática um pouco mais abrangente, se bem que ainda prevaleçam bastante os assuntos que dizem respeito à religião. Este livro a que me refiro pode ser facilmente encontrado na net e baixado (se procurar e não encontrar, me peça). No entanto, caso alguém tenha interesse de ficar acompanhando estas certas transcrições que farei, é só ir lá. Fiquem à vontade para ir, ou para não ir, rs... 

Quero esclarecer que não pretendo transcrever o livro inteiro, rs. Mas apenas certos trechos que eu, segundo critérios meus, claro, considere conveniente pôr lá. É um assunto que muito me interessa e com o qual tenho estado frequentemente em contato. Fica, então, o convite. O Amor e Pobreza é um blog menos formal e onde posto com menos frequência, o que pode mudar um pouco nestas férias, rs... Se, por acaso, eu considerar que é conveniente fazer alguma transcrição para este blog também - como já fiz com a postagem antes dessa - eu farei.

Enfim... aviso dado, convite feito. Independente de irem lá ou não, leiam Sta Teresa. Tenho certeza que ela ajudará a muitos e tirará um sem número de equívocos e frescuras pretensamente espirituais. Pax.

Fábio.

É preciso sair da miséria da nossa terra e pôr os olhos em Cristo


"Assim como dizíamos dos que estão em pecado mortal quão negras e de mau odor são seus cursos de água, assim aqui (ainda que não são como aqueles, Deus nos livre, que isto é só comparação), metidos sempre na miséria da nossa terra, nunca o curso sairá do lodo de temores, de pusilanimidade e covardia: de olhar a se me olham, se me não olham; se indo por este caminho, me sucederá mal; se ousarei começar aquela obra, se será soberba; se é bom que uma pessoa tão miserável trate de coisa tão alta como a oração; se me hão-de ter por melhor não indo pelo caminho de toda a gente; que não são bons os extremos, mesmo em virtude; que, como sou tão pecadora, será cair de mais alto; não irei talvez por diante e farei dano aos bons; uma como eu não precisa de singularidades.

Oh! Valha-me Deus, filhas, quantas almas deve o demônio ter feito perder por este meio! Tudo isto lhes parece humildade e outras muitas coisas que pudera dizer, vem de nunca acabarmos de nos entender; rende-se o próprio conhecimento, e, se nunca saímos de nós mesmos, não me espanto, que isto e mais se possa temer. Por isso digo, filhas, que ponhamos os olhos em Cristo, nosso Bem, e ali aprenderemos a verdadeira humildade, e em seus santos, e enobrecer-se-á o entendimento - como disse -, e não ficará o próprio conhecimento rasteiro e covarde. (...) Terríveis são os ardis e manhas do demônio para que as almas não se conheçam a si mesmas nem entendam Seus caminhos.

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

É uma estupidez ignorar a beleza da alma e deter-se somente no corpo


"Não é pequena lástima e confusão que, por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância, minhas filhas, que perguntassem a alguém quem era e não se conhecesse, nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra? Pois, se isto seria grande estupidez, sem comparação é maior a que há em nós quando não procuramos saber que coisa somos e só nos detemos nestes corpos; e assim, só a vulto sabemos que temos alma, porque o ouvimos e porque no-lo diz a fé. Mas, que bens pode haver nesta alma ou quem está dentro dela, ou o seu grande valor, poucas vezes o consideramos; e assim se tem em tão pouco procurar com todo o cuidado conservar sua formosura. Tudo se nos vai na grosseria do engaste ou cerca deste castelo; que são estes corpos."

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

Duas recomendações

Passando rapidinho pra deixar duas recomendações aos queridos leitores:

1- O excelente artigo do excelente Prof. Angueth: "Arcebispo de Maringá se desculpa por Brasil ser católico: vamos ajudá-lo" - leiam-no.

2- A aula sobre as Moradas do Castelo Interior de Sta Teresa D'Avila. Eu ainda não tive tempo de assistir, mas, o simples fato de tratar do assunto já nos autoriza, creio, a supor que será uma ótima aula. O tema é baseado, como dissemos, nos escritos de uma Santa que é doutora da Igreja e Mestra de oração. Assistam. Excelente para aprofundar o conhecimento sobre a autêntica vida espiritual e sobre a natureza humana de um modo geral. Disponível aqui.

Ad Iesum Per Mariam

Fábio

"O pão nosso de cada dia nos dai hoje" - Sta Teresa D'Avila sobre a Eucaristia


Vendo o bom Jesus que seu auxílio nos era muitíssimo necessário, buscou um meio admirável por onde nos mostrasse o seu excessivo amor por nós. Em seu próprio nome e no de seus irmãos, fez esta petição: O pão nosso de cada dia nos dai hoje, Senhor.

Por amor de Deus, compreendamos bem o que nosso bom Mestre pede. Para nós é questão vital não passarmos por alto sobre este ponto. Convencei-vos de que destes pouquíssimo e haveis de receber imenso tesouro.

Tenho para mim, salvo melhor parecer, que o bom Jesus, considerando o que havia prometido por nós, viu o quanto nos importava cumprir esta sua palavra. Por outro lado, percebeu as grandes dificuldades que nisto teríamos de superar, por sermos tão vis e inclinados a coisas da terra e termos tão pouco amor e coragem.

Para despertar-nos ele quis então que víssemos quanto nos amava. Isto não uma vez, mas, todos os dias. Resolveu então ficar para sempre conosco.

Sendo coisa de tal gravidade e de tanta importância, quis o bom Jesus que essa graça nos fosse concedida pela mão do eterno Pai. Ele sabia muito bem que seu Pai não deixaria de confirmar e aprovar no céu o que ele fizesse na terra. O pai e o Filho entre si são ambos uma só e mesma coisa. A vontade de um é a vontade do outro. Contudo era tão profunda a humildade do Filho que, por assim dizer, quis primeiro pedir licença a seu Pai, embora soubesse que era o objeto do seu amor e de sua complacência.

Entendeu perfeitamente que nesta súplica pedia mais do que em todas as outras, porque antevia a morte que o esperava e as desonras e afrontas que havia de padecer.

Que pai haveria, Senhor, que, tendo-nos dado seu filho - e que Filho! - e vendo o estado em que o pusemos, consentiria em deixá-lo entre nós e padecer de novo cada dia? Por certo nenhum, Senhor, senão o vosso Pai, e bem sabeis a quem pedis! Valha-me Deus! que grande amor o do Filho, e que grande amor o do Pai!

Todavia já não me admiro tanto do bom jesus. Tendo dito: faça-se a vossa vontade, e não sendo como nós, havia de cumprir a palavra de modo digno de quem é, com a perfeição de um Deus. Sabia que devia amar-nos como a si mesmo para cumprir a vontade de seu Pai. Assim andava buscando um meio, para cumprir este mandamento com a maior perfeição, embora muito à sua custa.

Porém, vós, Pai Eterno, como consentistes? Por que motivo quereis ver vosso Filho cada dia em mãos tão indignas como as nossas? Por uma vez que assim quisestes e consentistes a seu pedido, bem vistes o estado em que o deixaram.

Como pode vossa piedade presenciar diariamente - sim, diariamente - as injúrias que lhe fazem? E quantas não se devem hoje assacar a este santíssimo Sacramento! Em quantas mãos inimigas não o vê o Pai! Quantos desacatos por parte desses hereges!

Ó eterno Senhor! Como admitis tal petição? Por que dais vosso consentimento? Não vos guieis pelo amor de vosso Filho! A troco de realizar plenamente vossa vontade e de nos fazer benefícios, ele se deixará despedaçar cada dia.

Toca a vós, Senhor meu, providenciar o que é justo. A vosso Filho nada parece demasiado. Por que razão todo o nosso bem há de ser à sua custa? A tudo cala, não sabe falar por si, senão só por nós - não haverá quem fale em defesa desse amantíssimo Cordeiro?

Tenho reparado que só nesta petição, ele duplica as palavras. Primeiro diz e pede que nos seja dado este pão cada dia, e depois torna a dizer: Nos dai hoje, Senhor.

Apela para seu Pai, como a dizer-lhe que é nosso, já nos pertence porque o deu uma vez para morrer por nós. Não o torne a levar até o fim do mundo. Deixe-o para nos servir cada dia.

Não há escravo que de boa vontade confesse que o é: e eis que o bom Jesus parece gloriar-se de o ser. Isto nos enterneça o coração, e nos mova a amar sempre mais o vosso Esposo.

Ó eterno Pai! Por certo, bem meritória é esta humildade! Com que tesouro compraremos vosso Filho! Já sabemos que foi vendido por trinta dinheiros, mas, para comprá-lo não há preço que baste! Nesta oração faz-se uma só coisa conosco pela participação da nossa natureza. Como senhor e árbitro de sua vontade, faz ver a seu Pai que sendo ele dono da sua própria vontade, quer dar-se a nós. Assim diz: o pão nosso.

Não faz diferença alguma entre ele mesmo e nós. Entretanto diariamente nós o fazemos em demasia para não nos darmos cada dia por Sua Majestade.

Sta Teresa D'Avila, Caminho de Perfeição, VIII Parte.

Sta Teresa D'Avila sobre a oração e os temores incutidos pelo demônio


Crede-me, não vos deixeis enganar quando vos indicarem outro caminho. Só há um caminho: o da oração.

Se alguém vos disser que é exercício perigoso, considerai a esse tal como o próprio perigo e fugi dele. Não esqueçais desta minha recomendação, que talvez vos seja útil. Perigo é não ter humildade e todas as outras virtudes. Mas dizer que o caminho da oração é caminho perigoso?! Deus tal não o permita!

O demônio inventa e espalha esses temores e, sendo tão manhoso, consegue fazer cair algumas pessoas que pareciam ter oração.

E que cegueira vai pelo mundo! Não vêem milhares de almas caídas em heresias e males funestos, vivendo dissipadas sem ter oração! Se, dentre todas essas, o demônio, para realizar melhor seus planos, derrubou algumas pessoas dadas à oração, incutiu também temores acerca do exercício das virtudes.

Quem lhe der ouvidos e se apartar amedrontado, tenha cuidado! Foge do bem para se livrar do mal. Nunca vi tão maligna invenção! Bem mostra ser arte diabólica.

Ó Senhor meu! Levantai-vos em vossa defesa! Vede que interpretam erradamente vossas palavras. Não permitais semelhantes fraquezas em vossos servos.

A par disto há um grande bem: é que sempre achareis algumas pessoas que vos ajudem. Iluminado por Sua Majestade acerca do caminho certo a seguir, o verdadeiro servo de Deus tem esta propriedade: no meio de todos os temores, crescem-lhe mais intensos os desejos de não parar.

Entende claramente de que lado o acomete o demônio, furta o corpo e quebra-lhe a cabeça. O demônio sente mais essa derrota do que se alegra com todos os prazeres proporcionados por outras almas.

Quando esse inimigo, em tempos de alvoroço, semeia a cizânia, parece levar a todos atrás de si. Cega-os quase completamente com pretexto de bom zelo.

Mas de repente suscita Deus a um só que a todos abre os olhos e brada: "Cuidado! Alguém espalhou uma névoa para vos desnortear". Que grandeza de Deus! Um só homem que diga a verdade - ou dois - muitas vezes pode mais que uma grande multidão. Animado de coragem divina, a pouco e pouco reconduz os transviados ao caminho reto. Se os profanos apregoam perigos na oração, o servo de Deus procura dar a entender, mais pelas obras que pelas palavras, quanto ela é excelente.

Se alegam não ser bom amiudar as comunhões, ele as faz mais frequentes. Havendo um ou dois que sem temor seguem o mais perfeito, logo o Senhor recupera aos poucos o terreno perdido.

Por conseguinte, irmã[o]s, nada de temores. Nunca façais caso da opinião alheia. Olhai que não estamos em tempo de se dar crédito a todos, mas só aos que realmente se conformam à vida de Cristo.

Procurai a limpeza de consciência e humildade, desprezo de todas as coisas do mundo e fé inabalável no que ensina a santa Madre Igreja.

Ficai seguros de estar no bom caminho. Deixai-vos de temores, repito, onde não há que recear.

Sta Teresa de Jesus, Caminho de Perfeição, Cap. XXI, pp.128-129.

Santa Teresa D'Avila e as modernices "espirituais"

Santa Teresa e São Pedro de Alcântara

Hoje, dia 15 de outubro, é dia de Santa Teresa D'Avila e quero chamar a atenção para uma coisinha...

Muitos católicos, hoje em dia, conhecem estes santos só de nome. Contudo, no fundo, eles - os santos - permanecem personagens desconhecidas, talvez estranhos por pertencerem a um contexto cultural tão diverso. Mas é impressionante como muita gente, sem ter lido sequer uma linha do que escreveram, já pensam conhecê-los a partir de uma lente das próprias "experiências" ou das próprias suposições sobre Deus.

Um exemplo: já vi mais de uma vez pessoas de espiritualidade carismática supondo conhecer bem a santa que celebramos hoje, acreditando partilhar com ela algumas "experiências" supranaturais. Aliás, Santa Teresa se tornou, não raro, instrumento de comprovação de teorias pentecostais. Nada mais falso...

Outros devocionismos, muito mais românticos que católicos, reduzem a santa (e qualquer santo) a uma mulher boazinha, bem educada e que tratava a todos com respeito, e não sei quê. E nesta inocente projeção, acreditam já conhecer o que foi a sua vida, embora dela não tenham lido sequer uma página.

Muito disso se deve, primeiramente, à grande ignorância em matéria espiritual que assola o mundo. Não é verdade que as pessoas se tornaram incrédulas; o que acontece é que, hoje em dia, elas se dão a qualquer misticismo ou teoria romântica sem o mínimo critério. Já não têm qualquer idéia do que seja a santidade, e isto tem sido provocado propositadamente por quem, ao invés de fazer conhecer estes tesouros da fé, os mutilam em função de suas ideologiazinhas mais politicamente corretas e adequadas ao tempo atual.

Resultado? Um monte de criancinhas brincando de fé e chamando de santidade o que pouco se eleva no âmbito moral. Enganam-vos, meus caros. É triste dizer isto, mas é o que fazem... Nunca como hoje o termo "tesouro escondido" teve um significado tão particular... De fato, escondem...

Há tantos livros que por aí circulam, sob o título de lcatólicos, e que não falam senão "baboseira teológica". Há muita gente que, por exemplo, ao ler Augusto Cury e o seu "Segredos do Pai Nosso" acredita ter compreendido a oração do Senhor a fundo. Outros que lêem certos livros pentecostais pensam ter descoberto o segredo da "invocação do Espírito Santo", quase como um Aladin que encontra sua lâmpada mágica e que, a partir de agora, terá seus desejos realizados, por mais vaiodosos que sejam.

Há ainda aqueles tipos que fazem uma "releitura" (importante este termo...) da vida espiritual de alguém, mostrando como, antes de tudo, o sujeito era um revolucionário revoltado contra o sistema e que sua mística era uma espécie de rebelião contra a hierarquia.

Todos vomitadores de balelas! Como já dizia alguém, quando forem ler um livro de espiritualidade, leiam de um autor cujo nome comece com a letra "s". Por exemplo: Santo Inácio, São Francisco de Sales, Santa Teresa D'Avila, São João da Cruz, São Paulo da Cruz, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santo Ambrósio, São Gregório de Nissa, Santa Catarina de Sena, Santo Efrém, São João Clímaco, S. Gregório Nanzianzeno, São João Maria Vianney, S. Bento, S. Bernardo de Claraval, etc...

Aí sim, caríssimos, vocês terão alimento sólido que só vos fará bem. Estas outras leituras, erradas em muitos pontos, só vos colocará na alma pressupostos e conceitos falsos dos quais, depois, será preciso livrar-se. Digo-o por experiência própria, eu que carreguei, por um bom tempo, a sombra dos malditos sofismas freudianos, e tive que fazer uma boa limpeza com relação ao conceito que tinha do Espírito Santo, proveniente dos meus tempos de carismático. Isso além de outros "quês", aqui e ali, dos quais é preciso purificar-se com água limpa, água boa que só pode provir de Deus e de quem, de fato, O conheça.

Hoje é dia de Santa Teresa D'Avila, grande mística, doutora da Igreja, mestra de oração, mulher meio bruta, sem qualquer respeito humano; santa muito séria e apaixonada por Nosso Senhor; mulher cujo coração literalmente chagou-se de tanto amar. Um dos expoentes da poesia cristã; escritora eloqüente, profundamente respeitada por escritores de alto nível, e, de outro lado, solenentemente ignorada por certos católicos tolinhos que querem inventar o próprio conceito de santidade.

Peçamos que Santa Teresa nos ensine o que, de fato, é seguir a Nosso Senhor. Que ela nos ajude a deixar nossos medos e a correr para os braços de Quem, pacientemente, nos espera. Que ela nos ajude a compreender que somos d'Ele, como ela mesma escreveu:

"Vossa sou, pois me criastes; vossa, pois me redimistes; vossa porque me atraístes; vossa, pois me suportastes..."

Santa Teresa D'Avila, Queridíssima Mãe das almas carmelitas, rogai por nós. Ensine-nos que a Deus se vai, antes amando que falando. Intercedei por nós a Nosso Senhor.

Fábio.

Sta Teresa D'Avila sobre os luteranos


"Nesta ocasião, tive notícias dos prejuízos e estragos que faziam os luteranos na França, e o quanto ia crescendo esta desventurada seita.

Deu-me grande aflição, e, como se pudesse ou valesse alguma coisa, chorava com o Senhor, suplicando-lhe para remediar tanto mal. Parecia-me que mil vidas daria eu para a salvação de uma só alma das muitas que ali se perdiam"

Sta Teresa D'Avila, Caminho de Perfeição.

***

E depois, ainda há quem hipocritamente diga: "muito mais importante é o que nos une...", e isto quase ao mesmo tempo em que repetem mecanicamente e sem atentar no significado das palavras: "A Santa Missa é o ápice da Igreja". Ora, está aí uma contradição patente: como que a Santa Missa, sendo o ápice, é menor do que "o que nos une"? E o que dizer da devoção a Nossa Senhora, que é outro fator que nos separa?

Fica evidente a apostasia prática, a traição mesmo de quem, em vistas de um caricato da caridade, adota aquilo que o Papa Pio XII chamava de "falso irenismo" que menos não é que o sincretismo, produto do relativismo doutrinal.

Eis, no entanto, aí em cima, a fala de uma verdadeira católica que, com santa objetividade e movida de zelo pelas almas (verdadeira caridade), declara sem hesitar que naquela "desventurada seita" se perdiam muitas almas. O mesmo se diga das demais heresias, chamadas falsamente de igrejas, que hoje pululam em tudo que é canto.

Que Deus os faça compreender que uma mulher que pretende ser a outra que não a esposa, não se pode arvorar o título de santa...

Fábio

Sta Teresa D'Avila fala sobre o pecado mortal


Antes de passar adiante, quero dizer-vos que considereis o que será ver este castelo tão resplandecente e formoso (que é a alma), esta pérola oriental, esta árvore de vida que está plantada nas mesmas águas vivas da Vida, que é Deus, quando cai em pecado mortal. Não há trevas mais tenebrosas, nem coisa tão escura e negra que ela o não esteja muito mais. Basta saber que, estando até o mesmo Sol, que lhe dava tanto resplendor e formosura no centro de sua alma, todavia é como se ali não estivesse, para participar d'Ele, apesar de ser tão capaz de gozar de Sua Majestade, como o cristão o é para nele resplandecer o sol. Nenhuma coisa lhe aproveita; e daqui vem que todas as boas obras que fizer, estando assim em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar glória; porque, não procedendo daquele princípio que é Deus, do qual vem que a nossa virtude é virtude, e apartando-nos d'Ele, não pode a obra ser agradável a Seus olhos; porque, enfim, o intento de quem faz um pecado mortal, não é contentar a Deus, senão dar prazer ao demônio o qual, como é as mesmas trevas, assim a pobre alma fica feita uma mesma treva.

Eu sei de uma pessoa a quem Nosso Senhor quis mostrar como ficava uma alma quando pecava mortalmente. Diz aquela pessoa que lhe parece que, se o entendessem, não seria possível que alguém pecasse, ainda que se pusesse nos maiores trabalhos que se possam pensar para fugir das ocasiões. E assim, deu-lhe um grande desejo de que todos o entendessem. Assim volo dê a vós, filhas, de rogar a Deus pelos que estão neste estado, todos feitos uma escuridão, e tais são suas obras; porque, assim como duma fonte muito clara, claros são os arroiozitos que dela manam, assim é uma alma que está em graça, pois daqui lhe vem serem suas obras tão agradáveis aos olhos de Deus e dos homens, porque procedem desta fonte de vida, onde a alma está como uma árvore plantada; nem ela teria frescura e fruto, se não lhe viesse dali; é isto que a sustenta e faz com que não seque, e que dê bom fruto. Assim a alma que, por sua culpa se aparta desta fonte e se transplanta a outra de uma negríssima água e de muito mau odor, tudo o que dela sai é a mesma desventura e sujidade.

É de considerar aqui que a fonte e aquele Sol resplandecente que está no centro da alma, não perde seu resplendor e formosura, que está sempre dentro dela, e não há coisa que lhe possa tirar a sua formosura. Mas, se sobre um cristão que está ao sol, se pusesse um pano muito negro, claro está que, embora o sol dê nele, a sua claridade não fará o seu efeito no cristal.

Ó almas remidas pelo Sangue de Jesus Cristo! Entendei-vos e tende dó de vós mesmas! Como é possível que, entendendo isto, não procureis tirar este pez deste cristal? Olhai que, se a vida se vos acaba, jamais tornareis a gozar desta luz. Ó Jesus! O que é ver uma alma apartada dela! Como ficam os pobres aposentos do castelo! Que perturbados andam os sentidos, que é a gente que vive neles! E as potências, que são os alcaides, mordomos e mestres-salas, com que cegueira, com que mau governo! Enfim, como onde está plantada a árvore é o demônio, que fruto pode dar?

Ouvi uma vez a um homem espiritual, que não se espantava do que fazia quem está em pecado mortal, mas sim do que não fazia. Deus, por Sua misericórdia, nos livre de tão grande mal, que não há outra coisa, enquanto vivemos, que mereça este nome de mal, senão esta; pois acarreta males eternos para sempre. É disto, filhas, que devemos andar temerosas e o que temos de pedir a Deus em nossas orações; porque, se Ele não guarda a cidade, em vão trabalharemos, pois somos a própria vaidade.

Dizia aquela pessoa que tinha aproveitado duas coisas da mercê que Deus lhe fez: uma, um temor grandíssimo de O ofender, e assim sempre Lhe andava suplicando que não a deixasse cair, vendo tão terríveis danos; a segunda, um espelho para a humildade, vendo que, coisa boa que façamos, não tem seu princípio em nós mesmos, mas naquela fonte onde está plantada esta árvore das nossas almas, e neste Sol que dá calor às nossas obras. Disse que se lhe representou isto tão calr que, em fazendo alguma coisa boa ou vendo-a fazer, acudia ao seu princípio e entendia como, sem esta ajuda, não podíamos nada; e daqui lhe procedia ir logo a louvar a Deus, e, habitualmente, não se lembrava de si em coisa boa que fizesse.

Santa Teresa D'Avila, Mística e Doutora da Igreja, Castelo Interior.
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