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Pérolas da TL - Parte I



Aproveitando que estou meio que em "férias extraordinárias", tenho lido um livro sobre a Teologia da Libertação e quero pôr, aqui, algumas pérolas que vou encontrando no folhear das páginas. Claro que não as ponho todas, mas vou fazendo um modesto apanhado destes erros travestidos de um romantismo barato. Fazendo este amontoado neste espaço, espero poder contribuir para que os leitores se convençam, de todo, que a TL é uma deturpação do catolicismo, um reducionismo da religião e uma instrumentalização do cristianismo para fins ideológicos de esquerda. Eu gostaria muito de comentar uma a uma as citações abaixo, mas, ao menos por ora, limito-me a transcrevê-las e apenas destacar algumas expressões, para não ficar um negócio muito extenso. Quaisquer dúvidas, xingamentos ou pedidos de socorro, deixem comentários.

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"Quando dizemos Igreja dos pobres, devemos fazê-lo com uma alegria imensa. Primeiro, com a alegria de saber que é uma dimensão evangélica; segundo, para dizer que aqueles queridos de Deus, aqueles com os quais jesus mais se identificou, estão hoje ativos, presentes na Igreja: querem participar das decisões, das deliberações, nos movimentos eclesiais; querem também participar na escolha daqueles que devem dirigir a Igreja."

João Batista Libâneo
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"(...) o povo torna-se povo de Deus quando escolhe Deus, e mais, quando se sente escolhido por Deus e assume o projeto de Deus na história. Não é que Deus tenha um projeto para cada pessoa (é lógico que cada pessoa é única, é amada por Deus), mas a pessoa está dentro da família humana, está dentro de um povo e esse povo tem uma missão histórica."

L. Boff
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"Essa porta (O CVII) é que permitiu o refletir, o viver, o acercar-se não ao mundo dos ricos, mas ao mundo dos pobres. Daí surgiram as CEBs, todo esse movimento diferente de uma Igreja nova que, na realidade, é a Igreja mais primitiva, mais evangélica, mais das origens. Nasce do Vaticano II, mais relido e vivido a partir da América Latina"

V. Codina
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"De certo modo deveria ser uma tautologia (o termo Igreja dos pobres), porque a Igreja - por sua natureza, por sua formação e origens - nasce do meio dos pobres. Só que, depois de uma trajetória de mais de dois mil anos, teve tantas aventuras que ficou de certo modo monopolizada, dominada, manipulada por todas as formas de dominação, de direção, deixando de ser dos pobres. Nesse sentido, a Igreja dos pobres atualmente é como que uma utopia, uma aspiração, um desejo, embora haja também subjacente, oculta, escondida, uma Igreja dos pobres que é diferente. Os pobres que têm toda uma herança cristã, no fundo não confiam nunca plenamente nos padres, nos bispos e religiosos. É verdade que há alguns ingênuos, mas de modo geral não confiam plenamente. Não vão competir, nem discutir ou brigar, pois sabem muito bem que perdem. Qualquer discussão vão perder. Mas ficam com a sua consciência e ficam se olhando. Sabem bem que existe a religião do padre e a sua religião, a Igreja do padre e a sua Igreja."

J. Comblin
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"A Igreja dos pobres é sobretudo a comunidade eclesial constituída por uma grande rede de comunidades de base. Comunidades onde os pobres têm o privilégio, o lugar central. As CEBs seriam o tecido vivo, a carne e o sangue dessa nova Igreja. Porém, a Igreja dos pobres não é só constituída pelas CEBs, como se pensa. As CEBs são o eixo dessa Igreja dos pobres. Junto com as CEBs, em torno desse eixo que elas constituem, a Igreja dos pobres integra também a Igreja institucional renovada com todas as suas instâncias ministeriais (bispos novos, seminaristas novos, freiras novas, teólogos novos, cúrias diocesanas novas, movimentos religiosos renovados, etc.)"

C. Boff
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"Toda a tradição da Igreja ocidental esqueceu o Espírito Santo! Não formalmente, pois continuou-se cantando no credo: "creio no Espírito Santo...". Mas, praticamente sem consciência, dentro de um esquema rigidamente autoritário, em que tudo vem de cima para baixo e o povo mantém-se puramente receptivo. Como dizia Pio X, o papel dos leigos é obedecer. Se o papel dos leigos é somente obedecer, receber, então não há lugar e espaço para o Espírito Santo. Na prática, inclusive, ele está reservado para a hierarquia. É aquele que justamente aconselha a hierarquia e lhe dá poder e força. E isto é uma inversão completa de toda  revelação bíblica.

J. Comblin
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"Para a Teologia da Libertação a preocupação central é o Reino de Deus, que é algo absoluto na história. (...) A Igreja é algo relativo e a realidade do Reino de Deus, tal como vai aparecendo, como se vai construindo nos processos populares de libertação, é o que dá sentido à Igreja. Para nós, a Igreja é algo relativo. É importante porque sem a Igreja não seríamos capazes de descobrir a presença do Reino de Deus nos processos revolucionários, nos processos de libertação. A Igreja é necessária, mas relativa."

P. Richard
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"Na Igreja de hoje o leigo não tem muito lugar, embora seja 99% da Igreja. Ele está na margem da Igreja. O ideal é chegarmos a uma Igreja comunidade, de irmãos e irmãs, fraternos, igualitários, onde as pessoas ocupem distintos lugares, distintas funções. Em que não se falasse mais de leigos contrapostos a clérigos, mas de cristãos, homens e mulheres, com distintas tarefas, onde tanto conta o violeiro como o padre que anima a comunidade; tanto um coordenador de comunidade, que é ao mesmo tempo líder sindical, como um bispo; onde todos se sentissem bem na comunidade, com uma vocação secular, dentro do mundo."

L. Boff
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"Até agora, a reflexão sobre Maria tem sido feita por homens. Não que a gente veja nisso algo de ruim, má fé, etc. Não é isso. Mas, realmente, os homens é que pensaram, falaram, refletiram sobre essa mulher, criatura humana, criatura de Deus, que foi Maria de Nazaré. Consequentemente, a visão que se tem de Maria tem sido até agora uma visão masculina, marcada pela projeção do ideal do feminino que o homem faz. Nesse sentido, tem havido - acredito que até involuntariamente - uma espécie de domesticação da mulher por parte da mariologia. Ou seja, a mulher cristã tem Maria como modelo e, portanto, deve imitar Maria, uma mulher que era apresentada como muito difícil de ser imitada: virgem e mãe que sempre diz sim, toda aquela coisa clássica, passiva, submissa. A mulher cristã que começou a tomar consciência de seu papel de ser pensante e desejante, começou a rejeitar isso."

M. Clara


TEIXEIRA, Faustino Luiz Couto (Org.). Teologia da Libertação: Novos Desafios. São Paulo: Ed. Paulinas, 1991. pp. 21-50

O logro da Teologia da Libertação


"Só quem nunca frequentou os espaços da pastoral popular pensa que ela é apenas lugar de reflexão política e de crítica social. É verdade que em alguns lugares a discussão ofuscou a celebração e a comunidade de fé correu o risco de reduzir-se a um grupo ideológico. Mas, uma vez mais, a dimensão religiosa do povo tende a emergir as virtudes teologais que estão nos corações, e a recuperar a densidade da relação com Deus. Há enorme criatividade nas celebrações litúrgicas e, principalmente, no escutar a palavra de Deus. Todos estes anos viram o crescimento dos círculos bíblicos, que trazem permanentemente o sinal e o chamado do Deus da vida".

Luiz Alberto Gómes de Souza, Teologia da Libertação: Novos Desafios, Prólogo. São Paulo: Ed. Paulinas, 1991. Pg. 8

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É curiosa essa afirmação que vai acima. Eu já frequentei, não exatamente uma reunião específica da TL, mas já fui a eventos que eram conduzidos por adeptos desta corrente ideológica e sei bem como que é. De fato, o norte das discussões é sempre a dimensão social. Esta é como a pedra base sobre a qual tudo o mais será construído e reduzido. As passagens da Sagrada Escritura funcionam, neste contexto, apenas como instrumentos que, por via da analogia, servirão para dar autoridade ao discurso pseudo-cristão. Toda a História da Salvação é lida sob a lente da luta de classes fazendo com que Jesus e os profetas se convertam, por fim, em meros revolucionários.

Afirmar que "a dimensão religiosa do povo tende a emergir as virtudes teologais que estão nos corações" é dizer coisa com coisa. Primeiro, que as virtudes teologais não têm sua origem "nos corações". Elas são dons de Deus e podem ser facilmente perdidas. Não basta um movimento religioso que mobilize sujeitos inocentes e cultores de uma "mística popular" para que as virtudes teologais venham a emergir. Isso é um naturalismo barato próprio de quem não tem idéia do que seja o catolicismo. Ao contrário, é preciso possuir uma fé verdadeira e completa, tal qual a Igreja a ensina, sem inovações ou novidades, para que a Fé, como virtude teologal, se estabeleça na alma. E é Deus quem a dá. Para tanto, é mister submeter a inteligência e a vontade à doutrina tradicional da Igreja. A Esperança, como virtude teologal, tem seu fundamento na Fé. Portanto, se não há Fé Teologal, não há Esperança. Por fim, a Caridade é a mais fácil de se perder. Basta não ir à Santa Missa num domingo por um motivo banal e já era. Muitos destes adeptos de uma "religião popular" faltam as Missas dominicais para participar de celebrações festivas nas periferias ou em sítios. Não venham, portanto, dizer que há virtude teologal nisso aí. E isso é só um exemplo dentre tantos outros que poderiam ser citados.

Por fim, se não há a Graça, não há "densidade da relação com Deus". A gente vai percebendo que, nesse ambiente revolucionário pseudo-devoto, há sempre um reducionismo da religião, a adesão a um certo imanentismo do sagrado. A espiritualidade se reduz, pra esse povo, aos meros sentimentos dos presentes, às intuições provindas dos mil símbolos que utilizam; enfim, a mística é esgotada pelo subjetivo. Neste contexto, a presença objetiva de Nosso Senhor é dispensável. Importa apenas que Ele sirva de inspiração revolucionária, numa leitura forçada da Escritura. Mas isso não é catolicismo, oras. Isto é, como dizia Sta Teresa, abobamento.

Dizer que "há muita criatividade nas celebrações litúrgicas" não é fazer nenhum elogio, mas apenas constatar definitivamente o quão distante da Igreja andam essas reuniões pseudo-católicas. Na verdade, as celebrações litúrgicas não precisam de muita criatividade, mas do acatamento e do senso do mistério, do respeito. Ao invés da auto-promoção da invencionice, requer-se a renúncia de si mesmo diante do Sacrifício do Senhor, o silêncio, a gravidade, a seriedade, a integridade de alma. Uma celebração que traz a grande criatividade dos presentes torna-se uma celebração muito ordinária, reduzida à medida humana e que, como bem dizia Bento XVI, configura-se como um grito no escuro. Na Celebração Católica, ao contrário, é Deus quem determina o que acontece e a celebração tem o jeito d'Ele. É por isso que ela nos santifica, porque é como uma "invasão" do Sagrado no nosso cotidiano. 

É preciso ganhar um senso agudo de que sozinhos não podemos nada. Não adianta fazer mil invenções com o nosso gosto. Será só barulho, como diz S. Paulo. Abrir-se a Deus é saber que Ele nos ultrapassa e aprender a respeitar aquilo que Ele determinou; reconhecer que a Liturgia tem uma natureza própria e que isto demanda obediência. Para tal, não convém criatividade e invencionice, mas tão somente acatamento e respeito. E quem pensa que esta segunda atitude provoca na alma um desgosto, uma tristeza, está enganado. Ao contrário, é quando nos abandonamos em Deus, fazendo a Sua vontade, que a alegria que não tem fim pode reluzir na alma. "Que a minha alegria esteja em vós e que a vossa alegria seja plena", disse Ele aos Apóstolos. E lembremos que esta é a alegria de uma vida cujo único intento era fazer a vontade do Pai. É quando descobrimos ser esta Vontade algo que está além da nossa que, renunciando a nós mesmos, nos abrimos à profundidade do Mistério que nos ultrapassa.

O contrário, porém, isto é, a livre manipulação da celebração, o fechamento em nosso próprio limite, não faz mais do que causar uma espécie de frustração que só é agravada pelo auto-esforço do sujeito de disfarçar a absoluta fatuidade do que se construiu. Muito barulho, muitos sorrisos, mas, no fim, um nada. Não há nisso verdadeira conversão. O fim deste percurso é a mediocridade ou o abandono total da religião. 

Com relação aos sujeitos que promovem estes tipos de criatividade e que, em simultâneo, se negam a obedecer as determinações da Igreja, Nosso Senhor bem lhes poderia dizer: "Vós nem entrais no Céu, nem deixais que os outros entrem, porque ludibriais os inocentes. Com esses cultos à vossa medida e segundo o vosso gosto e vossas paixões, causais nas almas dos pequenos a falsa suposição de que isto os dispensa da vida sacramental. Vós demonstrais querer saciar-lhes a sede quando, na verdade, ofereceis veneno para que bebam e morram."

A "criatividade na escuta da Palavra de Deus" nessas reuniões da TL é obviamente importante para que se possa interpretar a Escritura de modo diverso do que ensina a Santa Igreja. É preciso, mesmo, ser muito criativo para fazer de Jesus um precursor de Marx e reduzir o Seu projeto a uma luta contra as estruturas econômico-sociais. Em toda essa conversa, vê-se a total abstração da Graça, dos Sacramentos, do Transcendente, etc.

A Teologia da Libertação, sob as máscaras de um cuidado zeloso pelos pobres e marginalizados, esconde uma face perversa, avessa a Deus e à Religião; uma ideologia que pretende fazer que o homem acredite que o céu a que é chamado é aqui e agora, devendo ele, portanto, militar em prol da "sagrada revolução". O pior é que muitos destes pobres terminam comportando-se como típicos esquerdistas ao mesmo tempo em que levam na alma a certeza de que se tornaram católicos exemplares. 

O grande ponto que se deve considerar é que todos estes pressupostos marxistas apenas encontram espaço na alma quando esta ignora a doutrina da Igreja. "Meu povo se perde por falta de conhecimento", diz Nosso Senhor no livro de Oséias. Portanto, para combatermos este erro pernicioso, cumpre formar bem os cristãos. Mostremos, caríssimos, os problemas desses discursos e lutemos para que todas as pessoas, inclusive os pobres e marginalizados, tenham contato com a legítima luz católica. Como dizia Sto Tomás, a Fé é mais importante que a vida, pois ela nos livra da segunda morte. Lutar para que a Fé seja conhecida sem erro é, portanto, o maior ato de caridade que podemos fazer pelos homens. É a partir de uma Fé correta e íntegra que as intervenções, inclusive sociais, ganharão legitimidade e, de fato, promoverão a pessoa humana, sem reduzi-la.

Que Nosso Senhor, Deus verdadeiro, nos ensine. Que a Virgem Santíssima esmague os erros que se insinuam na Igreja de Seu Filho. Que Deus nos guarde a todos.

Fábio

A TL levanta a cabeça peçonhenta


A Teologia da Libertação (TL) parece que tem vivido uma espécie de ascensão. Não que tivesse abandonado o campo de atuação, mas parecia ter se revestido de uma espécie de discrição - estratégica, claro -, embora não tenha logrado ocultar sua perniciosa presença aos olhos dos atentos. O negócio é que a TL foca as massas que, verdade seja dita, é constituída de incautos, como ovelhas indefesas diante destes sofismas filosóficos e teológicos. Os pastores, em grande parte, capitularam da Fé e passaram a labutar ao lado dos inimigos. Neste terreno, é muito fácil tornar-se lobo também.

No último folheto litúrgico da Paulus, aquele que a gente usa na Santa Missa, o Pe. J.B. Libâneo nos saudou, de novo, com a cantilena marxista, só que de um modo menos tímido. O nome de Boff até apareceu no texto como um representante do que este padre sem siso chama de "teólogos sérios". O artigo ainda elogiava safadamente a secularização em oposição à fé tradicional e cantava loas aos militantes ateus em sua heróica dedicação por uma sociedade "mais justa". Leia sobre isso aqui e aqui. Mas que porcaria, Pe. Libâneo! Só não lhe digo umas boas porque o senhor, a contragosto, é padre. Mas o senhor merecia uns bons gritos, no mínimo! E, como bem detalha o Frei Rojão, o texto traz no roda-pé a aprovação da CNBB, que estou quase a chamar "CNB do B", como já o fazem alguns.

Além disto, o Brasil, em outubro de 2012, sediará um Congresso Internacional sobre a Teologia da Libertação, e que contará com presenças ilustres como o já supra-citado ex-frei Boff, o Pe. Gutierrez e outros gurus da esquerda [anti]católica. O evento pretenderá celebrar os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 40 anos do livro "Teologia da Libertação. Perspectivas" do Pe. Gutierrez.  Leia aqui.

Com este contexto, não espantaria se o mundo acabasse mesmo no ano que vem. ^^

Já não me espanta mais que a CNBB viva a promover esses eventos. Mas é importante que os fiéis entendam que a CNBB realmente - e demorei pra me convencer disso - luta, conscientemente, CONTRA a Fé Católica, perseverando obstinadamente numa insubmissão ao Papa, numa revolta mesmo, reduzindo toda a Fé Católica a um instrumental a ser usado em prol dos pressupostos socialistas. E isto quando a Igreja já se pronunciou diversas vezes contra a Teologia da Libertação. Ou seja! Não é ignorância da CNBB e desses outros! É rebeldia pura e simples! É o "non serviam" da antiga serpente e a que esse povo anda, já, tão habituado. 

A minha dúvida é saber porque o Papa não condena, de vez e dogmaticamente, esse erro infernal. Alguns vão dizer que isto contraria o modo do CVII, mas afirmá-lo é contrapor este concílio a toda a história da Igreja. Se há, de fato, uma hermenêutica da continuidade, nada impediria de levantar uma anátema neste caso, pois é muito conhecido o prejuízo que este erro luciferino - a TL - tem causado, já há longo tempo, na Igreja.

Alguns dizem que o agonizante, próximo à morte, costuma ter uma súbita melhora, como se a saúde o visitasse uma última vez. Me agradaria se esse fosse o caso dessa heresia. Que a Virgem Santíssima se encarregue de esmagar de vez esse mal.

Que São Miguel Arcanjo combata por nós.

Fábio

Recomendação - Download de Livros


Pessoal, passo aqui para deixar uma veemente recomendação: o blog do professor Angueth, já há algum tempo, disponibilizou os links de download de vários livros e artigos que são essenciais aos católicos. Lembro-lhes que um dos aspectos responsáveis pela crise dos nosso tempos é a falta de conhecimento e de preparo intelectual. Sendo assim, boas leituras são imprescindíveis. Baixem os livros, leiam-nos e depois juntem-se a este bom combate da Fé. Que a Virgem Santíssima esteja conosco. Para ir à pagina, cliquem aqui. Pax.

Exemplo do Zelo pelo Sagrado da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo eleito de Campo Grande, celebra missa no IV Encontro de Jornalistas da CNBB, realizado no último mês de março. Detalhe para o sacrário no meio do horrendo altar.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande, celebra missa no IV Encontro de Jornalistas da CNBB, realizado no último mês de março. Detalhe para o pobre sacrário no meio do horrendo altar.

Teólogos da Libertação ilustrados


Venho recomendar um texto hilário do já conhecido Frei Rojão! Desta vez, ele expressa de modo muito vivo a metodologia dos teoloucos da libertação e a recente afirmação dessa turma de que o teólogo não precisa ter formação acadêmica, rsrs... Para ler o artigo, clique na imagem acima, onde podemos ver uma destas célebres reuniões entre TListas. Boa leitura e boas risadas, rsrs...

Fizestes da Minha casa um covil de ladrões...


"A minha casa é uma casa de orações, mas vós fizestes dela um covil de ladrões."

Esta é a frase que Jesus diz aos fariseus e aos que usavam o Templo como lugar de comércio, pervertendo o sentido original da casa de Deus e causando uma inversão na hierarquia dos valores. Jesus, movido de zelo, derruba as barracas e expulsa os vendilhões. Ele é Deus e, como tal, tem o direito de fazê-lo. Vem purificar o culto, as intenções para com Deus, nos ensinar como Deus quer ser servido e reafirmar o primado do amor a Ele.

É próprio da virtude da justiça repôr em ordem aquilo que foi bagunçado. No templo, em Jerusalém, as pessoas perdiam de vista a primazia do sagrado em virtude do faturamento e comercialização dos materiais de culto. Se o templo era um lugar de sacrifícios, nada mais oposto que a instrumentalização do divino em função da auto-promoção. Quando se faz isto, causa-se uma desordem e naturalmente atenta-se contra a virtude da justiça, cujo imperativo é amar a Deus sobre todas as coisas e, portanto, fazer tudo gravitar em torno dEle.

No templo, porém, parecia haver qualquer distração, como se o comércio assumisse um valor em si. Certos aspectos culturais eram legítimos, como, por exemplo, a venda de animais para o sacrifício ou a troca das moedas romanas que ostentavam a face de César. No entanto, o fim primordial para o qual convergem todas essas práticas parecia ter sumido do horizonte, e o templo surgia no coração daqueles sujeitos como uma oportunidade sobretudo rentável. Tinha-se, então, o primado dos próprios interesses, a idolatria de si mesmo, a exclusão do verdadeiro espírito de sacrifício, a extinção da devoção, e tudo isso em pleno Templo como a afrontar a dignidade de Deus, de Quem, no entanto, não se deve zombar.

Depois da intervenção enérgica de Nosso Senhor, os apóstolos se lembram das palavras da Escritura: "O zelo por tua casa me consome". Era por zelo e, portanto, por amor que Jesus os acusava de erro e os chamava ao amor primeiro, à prevalência da oração, à devoção autêntica, ao verdadeiro louvor que somente poderia ser dado pelos que se faziam como crianças, isto é, pequenos diante de Deus.

Eu penso que chegamos, hoje, a um estado de coisas muito mais grave do que o que havia no templo de Jerusalém. E, considerando que atualmente fazemos parte da Igreja fundada por Aquele que purificou o Templo, o descaso que somos obrigados a contemplar na Sua casa ganha, agora, uma dimensão ainda mais absurda. Aquela idolatria ou aquele desprezo pelo Dono da Casa em função dos próprios interesses é uma irrazoável usurpação e o temos visto, hoje, no descaso com a Liturgia, no barulho das igrejas, nas músicas ideológicas, na adesão a uma religião naturalista e anti-metafísica, no abandono das promessas de Cristo pelos devaneios de Marx, no primado da ação sobre a contemplação, na invenção de um culto ao modo humano em detrimento daquilo que é dado por Deus e independe aos diferentes contextos, sendo, portanto, universal.

"A minha casa é uma casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões". Ladrões porque roubam aquilo que é direito de Deus! Ladrões porque usam da religião para frontalmente contrariar aquilo que o fundador do Catolicismo instituiu. Ladrões porque dificultam, a partir de um poder paralelo - como o denunciava o valente Pe. Paulo Ricardo - que se ponha ordem ao caos, que a verdadeira suprema autoridade da Igreja exerça sem impedimentos aquilo que lhe convém por direito, que as almas sejam bem orientadas, que Nosso Senhor, enfim, reine absoluto na nossa sociedade. Usurpação é roubo...

Precisamos redescobrir que a casa de Deus não é uma boate, não é uma casa de shows onde nos encontramos para dançar e jogar conversa fora. A casa de Deus é, sempre e em todo momento, um lugar de oração, de respeito, de silêncio e de sacrifício. É o monte santo do Senhor e, como tal, nos separa, por força, da baixeza do mundo; é o lugar onde não podemos entrar sem retirar as sandálias; é onde absolutamente não nos é dado ser protagonistas, sendo, como diz Jacó, a terrível casa de Deus, onde Ele, de fato, habita. Precisamos redescobrir que, sendo Monte Santo, a Igreja é o verdadeiro Monte Calvário, onde ocorre o Sacrifício do Senhor. Subir neste monte é, portanto, imitar o Seu sacrifício, pondo o interesse de Deus em primeiro plano e lhe respeitando o posto de Verdadeiro Rei, diante do qual assumimos a nossa verdadeira natureza, somos libertados do erro e da mentira, e somos apresentados, enfim, à alegria da Sua Presença e da Sua visão. O Monte Santo, onde nos encontramos com Ele, é o lugar em que O devemos imitar, abandonando-nos ao Seu amor.

Purifiquemos a casa de Deus. E se não o podemos fazer efetivamente nos templos físicos, não sejamos nós participantes das algazarras e das troças que estes ladrões promovem contra o Sagrado. A casa de Deus é um lugar de oração e, portanto, de silêncio e profundo respeito. Que o zelo pela casa do Senhor também nos consuma.

Deus seja louvado.

Ad Iesum Per Mariam

Fábio.

O Poder Paralelo dentro da Igreja - Pe. Paulo Ricardo

Eu vi que vários blogs divulgaram esse video, mas eu ainda não o tinha visto.
Ponho-o, então, aqui também. Importante para entender muita coisa. Pe. Paulo Ricardo tem feito um bem enorme. Que Deus o fortaleça e o mantenha fiel.

O padre não é assistente social; está muito acima disso...


Joseph Ratzinger

Aí está um paralítico, pedindo esmola diante da chamada Porta Formosa do Templo de Jerusalém. Pede dinheiro para poder garantir o seu sustento, uma vez que não é capaz de construir por si mesmo a sua vida. Pede dinheiro como um sucedâneo da liberdade que lhe falta, como um sucedâneo da vida que lhe é negada. E então aparecem João e Pedro. Como são pobres daquilo que o mendigo lhes pede: "não tenho ouro nem prata"! Em contrapartida, como são ricos daquilo em que o paralítico não pensa e não ousa pedir, mas que é o mais importante: "Mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!" (At 3,6)

Ao invés do sucedâneo, o paralítico recebe o impensado, o inesperado, aquilo que não ousava pedir. Recebe o que realmente importa: a própria vida. Recebe-se a si mesmo. A partir desse momento, pode erguer-se sobre os próprios pés, pode seguir o seu caminho, pode saltar - como diz o texto da Sagrada Escritura -, o que é um sinal de liberdade. E pode entrar no Templo, o que significa dizer "sim" ao Deus Criador, inserir-se no coro que entoa o "sim" da Criação inteira, tornar-se um "sim" a si mesmo e ao seu Criador.

"Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!" Nesta palavras, descreve-se de maneira válida para todos os tempos o conteúdo do ministério sacerdotal. Nem ouro nem prata: a nossa missão não é a transformação material do mundo. Numa época em que experimentamos tão a fundo a penúria material, a fome de tantos milhões de pessoas, numa época em que só parece contar o que é quantificável - ou seja, aquilo que se pode medir, calcular e tomar nas mãos como "fato" -, sentimo-nos imensamente pobres. E é compreensível que sintamos uma e outra vez a tentação de não ficar só em palavras - ao menos aparentemente -, palavras que parecem tão pequenas e tão impotentes diante das verdadeiras necessidades do mundo. Não, essa tentação de converter também o sacerdócio em assistência social e ação política, a fim de termos enfim algo de tangível e efetivo para oferecer, tem de ser vencida.

Aos poucos, temos começado a perceber que os homens não sentem fome apenas de pão e de dinheiro, mas que efetivamente sentem fome de palavras - dessas palavras em que lhes damos um pouco de nós mesmos, em que lhes damos amor. No fundo, é sobretudo de amor que vive todo o homem. Começamos a compreender que pecamos se não lhes damos esse dom, se o ocultamos envergonhados. E começamos igualmente a tomar consciência de que mesmo os milhões de pessoas que efetivamente passam fome neste mundo não se podem sentir satisfeitos, e na verdade nem ao menos são tratados de maneira justa, se apenas lhes damos um pouco de dinheiro para o pão. Também eles - e sobretudo eles - sentem fome de algo mais, fome de palavras, fome de receber as atenções do nosso amor.

Mais ainda: as nossas palavras, a nossa atenção, que pouco são! Não bastarão nunca! Temos que dar mais, e é nisso que consiste a grandeza do ministério sacerdotal. Temos que dar aquilo que o homem não procurava, que muitas vezes nem ao menos conhece, e no entanto constitui a sua autêntica necessidade. Por isso, não temos o direito de regular a nossa oferta pela procura: se o fizéssemos, privaríamos o ser humano do mais essencial, levá-lo=íamos a resignar-se com os sucedâneos e afastá-lo-íamos daquilo que importa e que é capaz de devolvê-lo a si mesmo. Temos que dar o nome de Jesus Cristo. É por esse Nome que a humanidade procura com tanta fome, mesmo que não o saiba, no meio das suas revoltas por causa das privações deste mundo. Ele é o dom que pode dar ao homem a sua liberdade, a liberdade de andar com os seus próprios pés, de caminhar, saltar e entrar no Templo do Senhor para tornar-se louvor, para dizer "sim" ao Criador, que em todas as angústias deste mundo continua a ser o nosso Salvador e nos quer incorporar ao seu "Sim".

Dar aos homens o nome de Jesus Cristo: este é o conteúdo permanente do ministério sacerdotal. Sempre me comovo quando, ao distribuir a comunhão, posso e devo dizer: O Corpo de Cristo - quando dou aos homens algo que é infinitamente mais do que tudo o que sou e tenho; quando lhes dou muito mais do que seria capaz de lhes dar apenas como ser humano; quando posso pôr o próprio Deus vivo nos seus corações.

Da mesma forma, é inaudito poder dizer-lhes no Sacramento da Penitência: Eu te absolvo. A ti, não ao elemento de uma coletividade anônima qualquer em que todos dizem: "Sim, é verdade, todos nós somos pecadores", e "Bem, no fim Deus terá piedade de nós", quando na verdade - como diz um poeta moderno - "não conseguimos deixar de ruminar o nosso passado mal digerido". Não, nada de coletividades em que, em última análise, eu, com o meu passado de culpas e misérias, não me sinto diretamente interpelado. Eu te absolvo.

Um amigo contou-me de um sacerdote, prisioneiro de guerra dos russos, a quem um clérigo não-católico procurou com o pedido de que o confessasse. O sacerdote perguntou-lhe: "Mas por que o senhor recorre a mim?" E a resposta foi: "Porque não quero conselhos, mas a absolvição". Isso é o que significa dar o nome de Jesus, dar o próprio Jesus, e dizer: "Estás livre. A tua culpa já não conta, foi-te tirado o peso do teu passado. Podes levantar-te, andar por ti mesmo, caminhar para Deus, saltar e louvar".

E inaudito é também podermos conferir na hora da morte a unção para a ressurreiçãoressurreição é o único remédio verdadeiro para a morte, de forma que até nessa hora em que ocorre a máxima paralisia neste mundo possamos dizer: "Levanta-te! Porque hás de erguer-te e retomar o teu caminho, e olhar o teu Deus nos olhos e louvá-lo. e já ninguém poderá roubar-te a tua liberdade".

Dar aos homens o nome de Jesus. Isto pressupõe, no entanto, que nós mesmos estejamos nesse Nome, que ele tenha sido invocado sobre nós. E aqui se revela o mistério mais profundo do sacerdócio: ninguém pode pronunciar por si mesmo o nome de Jesus; só Ele é que nos pode dar a autoridade necessária para fazê-lo.

Ao chamar o Profeta Jeremias, Deus disse-lhe: "Pus as minhas palavras na tua boca" (Jer 1,9). É justamente o que diz a cada um de vós [ordenandos] nesta hora: "Ponho as minhas palavras na tua boca". A partir de agora, podes e deves pronunciar as palavras dEle. Poderás dizer: Isto é o meu Corpo! Este é o meu sangue! E poderás dizer: Eu te absolvo. Com o teu eu? Não, porque nenhum homem pode dar-te poder para tanto. E também nenhuma comunidade, porque são palavras pessoais, exclusivas, de Cristo. É somente no Sacramento, no poder sacramental que o Senhor mesmo confere, que isso se pode dar, e é só assim que o seu Nome pode continuar a estar presente neste mundo.

"Ponho as minhas palavras na tua boca": em última análise, isso é também o que nos torna livres. Não precisamos reinventar nós a Igreja, a sua eficácia não depende da nossa eficácia, da nossa piedade, da nossa limitada capacidade de amar. "Ponho as minhas palavras na tua boca". Por isso, Deus aceitou que Jeremias tentasse contradizê-lo, afirmando: "Ah, Senhor, eu não sei falar, ainda sou criança (Jer 1,6). Quantas vezes não teimaremos dessa forma com o Senhor, embora a sua resposta permaneça sempre a mesma: "Mas se não és tu quem fala! Ponho as minhas palavras na tua boca". Assim serás livre e poderás falar, anunciar o Nome de Jesus, com toda a paz. É precisamente por falarmos no seu Nome que podemos ter essa grande serenidade interior, essa paz e essa liberdade sem as quais semelhante ministério seria insustentável. O que não significa, evidentemente, que possamos por assim dizer permanecer alheios ao que dizemos, como simples alto-falantes indiferentes. O sentido do nosso ministério só se realiza plenamente quando realmente começamos a pensar por nós mesmos os pensamentos de Cristo e assim a participar das suas palavras.

Com isto chegamos ao que nos diz o Evangelho de hoje. Há nele duas frases de Jesus relacionadas entre si: "Simão, filho de João, amas-me?" e "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21,15-17). Segundo estas palavras admiráveis do Senhor, amar e apascentar são a mesma coisa. Porque o "apascentar" - isto é, cuidar do bem das almas - só se realiza por meio do "amar", por um amar com o amor de Jesus Cristo. A eficácia dos Sacramentos não depende de nós e a Palavra não deixa de ser verdadeira mesmo quando nos acusa (e muitas vezes essas realidades hão de servir-nos de consolo). Mas só poderemos ser pastores de almas se apascentarmos, isto é, se nos tornarmos homens que amam, que amam com Cristo. Temos, pois, de voltar-nos para Ele: "Senhor, Tu que queres que eu fale por ti: dá-me esse Nome! Dá-me ao teu Nome, e dá-me o teu Nome!"

(...) Apascentar significa amar. Cuidar das almas significa amar com o amor de Jesus Cristo, o que por sua vez significa amá-lO e ser amado por Ele. Porque é assim que Ele nos apascenta.

Este amor a Jesus Cristo nada tem de adocicado, barato ou cômodo. Afinal, é este amor que nos conduz, como diz o Evangelho, ao cumprimento destas outras palavras: "outro te cingirá e te levará pra onde não queres ir" (Jo 21,18). Precisamos encontrar a amizade com Jesus, ouvir e reconhecer o pulsar do coração divino na Sagrada Escritura, para que, quando Ele nos cingir e nos levar para onde não queiramos ir, continuemos a reconhecer nEle o Amigo, o Coração de Deus, e saibamos que, por mais que nos custe, Ele está a conduzir-nos para o amor, a salvação e a liberdade.

Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger por ocasião de uma ordenação sacerdotal na cadetral de Nossa Senhora de Freising, 27.06.1981.

CF 2011 X Quaresma


A Campanha da Fraternidade deste ano, mais uma vez estrategicamente posta em simultâneo com a Quaresma pela sempre tão conveniente CNBB, traz o tema: "Fraternidade e Vida do Planeta"; e o lema: "a criação geme em dores de parto".

Acredito que basta ir a uma Via Sacra onde se sigam as indicações da cartilhazinha organizada pela CNBB para perceber que ali algo não vai bem. E quero, com esta postagem, falar um pouco sobre esta campanha - bem ou má intencionada - de avacalhação de uma quaresma verdadeiramente católica.

Primeiramente, para compreender o que é a quaresma, nós temos que adentrar em todo o mistério da humanidade decaída e, depois, redimida pela Cruz do Senhor. Nós vivemos um paradoxo: ao mesmo tempo em que gozamos dos efeitos da redenção operada por Cristo no Calvário, ainda mantemos em nós aquelas inclinações às formas variadas de egoísmo e que são, segundo uma expressão comum, a cicatriz do pecado original. Temos, pela Graça, a vida eterna começada, mas, conforme nos diz S. Paulo, guardamos este tesouro em vasos de barro. Para que ele não se perca, é preciso vigiar e combater os inimigos que nos tentam arrebatar esse bem. A Igreja nos ensina que são três os inimigos contra os quais devemos pugnar: o demônio, o mundo e nós mesmos.

A ida ao deserto, que é o que fazemos misticamente na Quaresma, visa retirar de nós os excessos, estes excedentes que nos distraem da nossa meta. É um lugar de combate em que, auxiliados pela graça, aprendemos a manejar a arma da cruz e estreitamos os nossos laços com Deus. Este combate se fará pela oração, pela ascese (jejum, abstinência e mortificações) e pela caridade com os irmãos, com particular ênfase na prática da esmola.

A quaresma, então, é o tempo da Igreja em que, despojados de tudo quanto nos possa distrair, voltamos os nossos olhos ao Cristo, unimo-nos aos Seus sofrimentos e passamos, misticamente, pela Sua morte para participarmos, igualmente, da alegria da Sua ressurreição na Páscoa. A Igreja, como mestra, nos orienta sobre os passos que devemos dar para lograr êxito nesta santa empresa. Este ano, particularmente, Sua Santidade frisa a importância das promessas batismais e pede que a quaresma seja, para nós, um tempo de reafirmá-las e de buscar uma coerência de vida ainda maior com estas promessas.

No Brasil, no entanto, por causa da CF, fala-se muito pouco e muito genericamente do real sentido da quaresma. As vias sacras, que deveriam ser profundas meditações dos mistérios da Paixão, instrumentalizam estes mistérios para servirem de analogias às questões ecológicas. A ambiguidade das orações e das jaculatórias é gritante. Mal se fala da penitência e do jejum. Aliás, este último, quando mencionado, perde a sua dimensão pessoal e se converte em estratégia de fazer sobrar comida no intuito de partilhá-la com os indigentes. Não que isto não seja importante; claro que é, é fundamental. Mas o jejum não tem uma dimensão somente social. O que parece é que, por trás de tudo, permanece aquela perniciosa ideologia que, à força da ambiguidade, vai se perpetuando*.

E, nestes comentários e preces, sempre há uma identificação muito fácil dos poderosos e dos ricos com a causa do mal. São vistos como a personificação do demônio, o que é, no mínimo, muito precipitado. Mesmo os termos usados nas orações e petições já denunciam a ideologia esquerdista. As lentes de interpretação do mundo são de antemão viciadas. A coisa parece evidente, e, no entanto, prossegue sem fim.

Não fosse já um mal distrair a atenção dos católicos dos assuntos espirituais para uma ecologia de matiz comunista, a CF prossegue promovendo inúmeros erros teológicos, além de passar como verdade uma teoria que já foi repetidas vezes provada ser falsa: a do aquecimento global.

O planeta terra é tomado como a obra prima da criação, o que é falso! A obra prima é o ser humano, constituído, inclusive, senhor da criação. Se há excessos na relação do homem com o mundo, é outra história. Isto, porém, não é suficiente para alterar a ordem das coisas.

Depois, a corrupção do mundo é vista sob um aspecto naturalista, como se a causa fosse a exploração humana da natureza, quando, na verdade, sabemos que tudo é consequência do pecado, do mistério da iniquidade que adentrou no mundo e o pôs sob o império do maligno (1Jo 5,19). E, se há já um equívoco sobre a gênese e a natureza deste sofrimento da criação, a coisa piora quando percebemos que, por estas campanhas ecológicas, a esperança de redenção é posta no próprio agir do homem. No fundo, a coisa se assemelha a uma espécie de ateísmo prático. Deus seria somente o conscientizador, o orientador. Mas caberia ao homem a efetivação desta libertação, entendida como cessação da exploração ambiental.

Estamos aí diante de uma teologia totalmente equivocada e, com certeza, não-católica. Perdeu-se de vista a natureza e o sentido da quaresma. Depois, não é de espantar que tão poucas sejam as conversões, tão grande seja a mediocridade e tão mínima seja a alegria que a Páscoa desperta nas almas dos fiéis. É que eles simplesmente já não sabem o que comemorar. Aprenderam que o drama era puramente natural e social. De repente, a Igreja celebra a ressurreição de Cristo enquanto os problemas sociais permanecem. Não é de estranhar a confusão e a pouca motivação.

"Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e tudo mais vos será acrescentado." Quando damos prioridade ao terreno, e não ao espiritual, nós invertemos a hierarquia, isto é, objetivamente causamos uma desordem e nenhum bem efetivo pode vir daí. Pretender salvar o mundo pelas próprias forças é condená-lo de vez, porque é cair numa ingenuidade que não convém. "Sede prudentes", dizia Nosso Senhor, como quem diz: "sede mais espertos". Quando, porém, damos prioridade a Deus e permitimos que toda a transformação venha dEle, deixando que esta transformação ou conversão se dê primeiramente em nós, então caem as escamas das ideologias, e, animados pela verdade, aprendemos o modo mais eficiente de causar, também, uma real mudança social, segundo os princípios objetivos do bem.

Para melhor explicar isto, transcrevo uma parte de uma homilia do então Cardeal Ratzinger - a mesma que pus num dos posts precedentes sobre S. José. Escreve ele:

"Hoje não nos agrada que nos falem do céu, porque achamos que isso poderia afastar-nos dos nossos deveres terrenos, alienar-nos do mundo. Pensamos que devemos não só transformar a terra num paraíso, manter os nossos olhos cravados nela, mas até dedicar-lhe por inteiro o nosso coração e as nossas mãos. Mas é precisamente ao fazê-lo que destruímos a Criação. Pois os anseios do homem, por assim dizer a seta dos seus anelos, apontam para o infinito. E continua a ser verdade, hoje mais do que nunca, que nada senão Deus é capaz de saciar o homem. Fomos criados de tal maneira que todas as coisas finitas são insuficientes, que precisamos sempre de mais: de um Amor infinito, de uma Beleza e Verdade ilimitadas.

Este desejo não pode ser sufocado em nós, mas podemos perder de vista a meta. E então procuramos extrair o infinito, a plenitude infinita do finito. Queremos um céu na terra, esperamos e exigimos tudo dela, desta vida e desta sociedade. E na medida em que queremos extrair o infinito do finito, destroçamos a terra e tornamos impossível a convivência numa sociedade ordenada, porque os outros nos parecem obstáculos ou ameaças, já que tiram da vida e do mundo um pedaço que no fundo queremos para nós mesmos.

Só quando aprendermos a olhar novamente também para o céu é que a terra voltará a iluminar-se. Só quando revivermos em nós toda a grandeza da esperança numa vida eterna com Deus, quando voltarmos a ser peregrinos rumo à eternidade e não nos agarrarmos a esta terra, só então a nossa esperança voltará a brilhar também neste mundo e lhe comunicará a esperança e a paz."

Joseph Ratzinger, Homilia sobre São José.

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Enfim, o que concluímos disto? Primeiro: que a CF e todo este movimento de teor naturalista se fundamentam num tremendo reducionismo do ser humano. Segundo: Que ele nubla a nossa condição de exilados. Terceiro: que pretendendo fazer da terra o céu, ele exige dela mais do que pode dar e, daí, termina por agravar a exploração que intenta combater.

Tudo isto é muito grave, mas há particularmente uma passagem do Evangelho que eu considero que deveria fazer tremer os defensores e promotores da CF: "se alguém escandalizar um só desses pequeninos, melhor seria se amarrasse uma pedra ao pescoço e se lançasse no lago" (Mc 9,2). É com tristeza, porém, que vemos que os desviados são muito mais que um. Comunidades inteiras de desavisados e  de pessoas totalmente crédulas, inocentes que consideram a CNBB a voz infalível da Igreja, seguem repetindo os slogans marxistas e assimilando os seus falsos pressupostos.

Para terminar, esclareço que não defendo a abstenção dos movimentos sociais. Não, de forma alguma. Deve haver, inclusive, grupos que ponham um particular acento neste aspecto. Mas tal deve ser feito fora da quaresma e sempre dentro de uma teologia verdadeiramente católica, seguindo os princípios da Doutrina Social da Igreja, e sem reducionismos e ambiguidades.

Rezemos pela Igreja.

Fábio
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*Como se sabe, o marxismo não é simpático à prática da esmola. Mas ela acaba se tornando instrumento didático, enquanto pode ser incentivada como um modo de devolver ao pobre aquilo que lhe foi tirado. Por trás disto, há a concepção falsa de que a apropriação de algo implica sempre num roubo. A caridade, então, seria devolver o objeto deste roubo. Deste modo, segue, sob aparência cristã, a promoção da ideologia que prega contra o direito de propriedade.

O amor a Deus e o amor ao próximo



Dietrich Von Hildebrand

A fim de ressaltar o interesse genuíno que devemos ter pelo próximo como pessoa individual, interpretam eles [os progressistas]: “O que fizestes ao menor de meus irmãos, a mim o fizestes”, como significando que o único caminho para encontrar a Cristo é o nosso próximo. O amor, que é uma resposta ao próprio Cristo, ao único infinitamente santo, à Epifania de Deus, é substituído pelo amor ao próximo. Resulta daí que o amor de Deus é relegado a segundo plano, se é que não desaparece de todo. É claro que essa interpretação introduz o erro mais extremo, pois ignora o primeiro mandamento, amar a Deus e, afinal de contas, a este cabe a primazia. Se é errado restringir o amor exclusivamente a Deus e negar o real amor ao próximo, muito pior ainda será excluir o amor direto a Deus.

Ademais, a declaração de Cristo de que O encontramos em cada próximo, perde por completo seu significado, se não entendermos que, com essas palavras, Cristo nos torna possível o amor ao próximo, mesmo que não tenhamos nenhuma razão para amá-lo pelo seu caráter. O fato de encontrarmos Cristo em cada próximo põe em relevo que todo homem é precioso, criado que é à semelhança de Deus. Isso, porém, claramente pressupõe, como base do amor ao próximo, o amor direto ao próprio Cristo, que em Sua Sagrada Humanidade é infinitamente amável.

A caridade é impossível sem o amor direto a Deus, em e através de Cristo, sem a relação Eu-Tu, de comunhão com Cristo. Não se poderá insistir nunca bastante sobre isso. Somente nesta relação Eu-Tu com Jesus Cristo pode, em nossas almas, nascer a caridade. Nos santos manifesta-se isto plenamente. Do momento em que acreditamos que o amor do próximo é o único caminho para o amor de Deus, substituímos a caridade em toda gloriosa e sublime santidade, por mero amor filantrópico ao próximo, que, de fato, mal se pode chamar de amor, e sim apenas de pálida benevolência.

Seria igualmente perverso alegar que o versículo de São João – “Aquele que diz “eu amo a Deus” e odeia seu irmão é um mentiroso” – significa que se ama a Deus simplesmente pelo fato de amar ao próximo.

A verdade é que o amor ao próximo é, no caso, um teste do nosso verdadeiro amor a Deus, em Cristo e através dEle. Implica tal teste duas verdades: primeiramente, que o amor do próximo é uma conseqüência do amor a Deus; segundo, que o amor ao próximo se fundamenta do amor a Cristo e, assim, necessariamente o pressupõe.

Dietrich Von Hildebrand, Cavalo de Tróia na Cidade de Deus.

O pragmatismo no cotidiano eclesial



Joseph Ratzinger

Juntamente a essas soluções radicais e ao grande pragmatismo da Teologia da Libertação, existe também o pragmatismo cinza do cotidiano eclesial, em que tudo parece ser correto, mas a fé vai-se consumindo e acaba se afundando na mesquinhez. Penso em dois fenômenos que observo com preocupação. Em primeiro lugar, vai-se impondo, em graus de intensidade variáveis, a tentativa de estender o princípio da maioria à fé e à moral, ou seja, o projeto de “democratizar” decididamente a Igreja.

Essa tentativa se expressa da seguinte maneira: o que não parece evidente à maioria, não se pode impor como obrigatório. Mas, de que maioria se trata? Não haverá amanhã outra, diferente da de hoje? Uma fé que nós mesmos podemos estabelecer não é fé. E não existe nenhuma razão para deixar que uma minoria permita que a sua fé lhe seja prescrita por uma maioria. A fé, e a sua práxis, ou nos vem do Senhor por meio da Igreja e seus ministérios sacramentais ou não existe. Na maioria dos casos, o afastamento da fé acontece por lhes parecer que, se pudesse ser fixada por qualquer instância, a fé equivaleria a uma espécie de programa de partido: quem estivesse com o poder, determinaria o que se deve crer. Por isso, o que interessa hoje é chegar a possuir poder na Igreja. Dito de outra maneira mais lógica e evidente: o que interessa mesmo é não crer.

O outro ponto para o qual quero chamar a atenção diz respeito à liturgia. As diversas fases da reforma litúrgica levaram à opinião de que a liturgia poderia ser mudada à vontade. Se houvesse algo imutável, quando muito seriam as palavras da consagração, tudo o mais podendo ser feito de outro modo. O pensamento que então se segue é lógico: se uma autoridade central pode fazê-lo, por que não a local? E se a instância local pode, porque não a paróquia? Afinal, é ela que deveria se expressar e reencontrar na liturgia. Depois das tendências racionalistas e puritanas dos anos 1970, e também dos 1980, estamos cansados de uma liturgia de palavras e desejamos uma liturgia mais vivencial, que rapidamente se aproxima das tendências da Nova Era: procura-se a embriaguez e o êxtase, não a racionabilis oblatio (o culto divino conforme a razão e o logos), de que fala Paulo e a liturgia romana (Rom 12, 1).

(...) Pede-se vigilância para que não se substitua, furtivamente, o Evangelho por outra coisa diferente daquilo que nos foi entregue pelo Senhor. Pedras em lugar de pão.

Joseph Ratzinger, Fé, Verdade e Tolerância, 2ª Parte, Capítulo I, pp. 122-123.

Ódio às falsas doutrinas (Padre Faber)


"A deslealdade suprema para com Deus é a heresia.

É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus reprova neste mundo enfermo.

No entanto, quão pouco entendemos de sua odiosidade excessiva!

É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.

Porém, como somos quase indiferentes a ela!

Nós a fitamos e permanecemos calmos.

Encostamos nela e não trememos.

Misturamo-nos com seus fautores e não temos medo.

Nós a vemos tocar as coisas santas e não percebemos o sacrilégio.

Inalamos seu odor e não mostramos qualquer sinal de detestação ou desgosto.

Alguns de nós afetamos ter sua amizade; e alguns até buscam atenuar as culpas dela.

Nós não amamos a Deus o bastante para termos raiva pela glória d'Ele.

Não amamos os homens o bastante para sermos caridosamente sinceros pelas almas deles.

Tendo perdido o tato, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de armar tenda no meio dessa praga odienta, em tranqüilidade imperturbável, reconciliados com sua repulsividade, e não sem declarações em que nos gabamos de admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatias tolerantes [por seus fautores].

Por que estamos tão, tão abaixo dos santos antigos, e mesmo dos apóstolos modernos destes últimos tempos, na abundância de nossas conversões?

Porque não temos a antiga firmeza!

Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho gênio eclesiástico.

Nossa caridade é insincera, pois não é severa; e não é persuasiva, pois é insincera.

Carecemos de devoção pela verdade como verdade, como verdade de Deus.

Nosso zelo pelas almas é débil, pois não temos zelo pela honra de Deus.

Agimos como se Deus ficasse lisonjeado com conversões, ao invés de serem almas que tremem, resgatadas por um excesso de misericórdia.

Dizemos aos homens meia-verdade, a metade que calha melhor à nossa própria pusilanimidade e aos preconceitos deles; e depois nos admiramos de tão poucos se converterem, e que, desses poucos, tantos apostatem.

Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos de que nossa meia-verdade não teve tanto sucesso quanto a verdade inteira de Deus.

Onde não há ódio à heresia, não há santidade.

Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de justa indignação."

(Pe. Frederick William FABER [1814-1863], The Precious Blood, or: The Price of Our Salvation [O Preciosíssimo Sangue, ou: o Preço de Nossa Salvação], 1860, pp. 314-316, tradução de Felipe Coelho). 

Fonte: Luz e Calor.

Breves recomendações de posts...

Ainda nas proximidades do último 7 de setembro, dia em que uma fumaça estranha que circulou por certas partes do Brasil, fumaça que, embora saibamos de onde vem, insiste em associar-se às coisas católicas, destaco dois posts:

1- A nota de agradecimento de D. Aldo Paggoto aos que apoiaram a sua atitude de manter-se católico e desaprovar o famoso evento do Grito dos Excluídos, bem como ser contra o plebiscito pelo limite da propriedade da terra. Leiam aqui.

2- O hilário Frei Rojão faz também um breve comentário sobre o Grito. Leiam aqui.

Campanha de Oração pela Salvação do Brasil


Disponibilizado pelo blog En Garde:
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A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.

Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Imaculado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.

Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!

1000 Ave-Maria's pelo Brasil!

Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: "Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!"

Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria's, cada um, pelo nosso país!

Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.

Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que "a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La".

Rezemos, pois!

Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV's, rádios, Blogs, jornais, revistas... tudo!

A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!

Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!

Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: "No fim, meu Imaculado Coração triunfará!"

Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!

Grito dos Excluídos em Recife


Para quem ainda duvida da natureza deste evento e teima em dizer que as oposições que certos católicos fazemos a estas iniciativas são cisma nossa, veja o post do Jorge Ferraz que presenciou o evento apoiado pela CNBB e registrou várias imagens que falam por si.

Acima, uma das fotos tiradas pelo Jorge.

A tragédia do comunismo - Pe. Leonel Franca


Depois de ter presenciado algo do “Grito dos Excluídos”, evento que sempre nos prova a infinita paciência divina, creio ser conveniente transcrever algo a respeito do pano de fundo que motiva estas manifestações sociais supostamente católicas. Abaixo, um texto muito esclarecedor do grande Pe. Leonel Franca, uma verdadeira sumidade na Filosofia do nosso país e grande defensor da Fé Católica.

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Da sistematização marxista não há só uma peça que tenha resistido vitoriosamente à análise científica. As suas principais doutrinas – postulados filosóficos e teorias econômico-sociais – estão hoje cientificamente superadas. Não suportaram o exame da crítica e o confronto dos fatos. Sobrevivem, porém, popularmente, com uma força de expansão formidanda. O partido comunista que se encarna, por uma conjunção acidental de circunstâncias favoráveis, empolgou o poder na grande e misteriosa e enigmática Rússia. Mobilizou os seus inesgotáveis recursos econômicos, galvanizou o messianismo secular do seu povo e pôs este imenso poder a serviço da mais hábil, mais tenaz e mais tecnicamente organizada das propagandas imperialistas. Destarte, o que há 30 anos, como doutrina era um sistema historicamente classificado, como força política era uma inexistência ou uma insignificância, assumiu, em nossos dias, o vulto da maior ameaça à civilização humana.
 
O comunismo, de fato, não é apenas um sistema econômico, é uma filosofia integral da vida. Não aspira apenas a reformas da estrutura social, baseadas numa redistribuição mais eqüitativa dos bens materiais, reclama o monopólio incontrastável das almas. Pretende implantar a ditadura do proletariado e a ditadura das consciências. Uma religião às avessas. Seu dogma: o materialismo histórico. Sua ética: nova hierarquia de valores aferidos pelo imperativo condicional da vitória do partido. Seu ideal messiânico que eletriza as massas numa grande esperança escatológica: conquista emancipadora da humanidade. Nunca um totalitarismo estadeou pretensões tão radicais.

Na propaganda deste programa, os postulados metafísicos, que já não se discutem, ficam em planos mais afastados da perspectiva. Concentrando as atenções imediatas, figuram a exploração hábil de ressentimentos históricos das classes sofredoras, as críticas contundentes das injustiças e desumanidades do capitalismo, a pintura risonha da sociedade futura, colorida com um otimismo ingênuo e sereno em contraste com o pessimismo azedo que projeta as suas negruras sobre todo o passado histórico do homem alienado e decaído. Assim se hipnotizam as massas. Assim se cria a mística do comunismo, e se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia atéia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo este patrimônio de riquezas humanas, que só têm valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção da vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas.

Eis a grande tragédia do comunismo: a mobilização das melhores energias humanas para a construção de um porvir que será o maior desastre e a decepção total da humanidade.

Este mundo que a revolução marxista prepara para a felicidade do homem será um mundo sem Deus. Um mundo em que se verificará o que Chesterton chamou “anomalia suprema dos tempos anormais, a derradeira negação que, para além de todos os dogmas, fulmina a crença mais necessária à alma: a de que existe uma razão das coisas”. A inteligência já não poderá encontrar respostas às interrogações supremas sem as quais não lhe é possível viver. À vontade, com a negação do Infinito Bem, faltará a mola insubstituível do seu dinamismo metafísico. A consciência, reduzida a reflexo de condições sociais, perderá a sua dignidade de norma racional de ação. Os supremos valores da ordem ideal – a Verdade, o Amor e a Beleza – sem o único fundamento ontológico que lhes assegura realidade e vida, eclipsam-se numa noite sem esperanças. A morte impossível de Deus precipitaria a existência universal na negação eterna do nada. Não podemos prever o caos em que se desconjuntaria uma estrutura social em que fosse possível a extinção de Deus nas consciências humanas.

Ateísmo e materialismo são solidários no sistema de Marx. Este mundo que se pretende elevar sobre tantas ruínas será ainda o mais inumano dos mundos. O problema central em qualquer estruturação da sociedade, o problema da pessoa foi, pelo marxismo, não só preterido, nos aspectos que lhe são próprios, mas de todo em todo falseado na natureza dos seus dados fundamentais.

No homem não se viu senão a atividade econômica, característica de sua essência e plasma de sua sociabilidade. Os domínios mais nobres de sua vida individual e social – a cultura, o direito, a moral, a religião – foram anexados ao primado da economia. Onde convinha libertar o homem da hegemonia crescente e humilhante das forças de produção, consumou-se, como definitiva e ideal, a sua ditadura incontrastável. O homem já não deve dominar e disciplinar as relações econômicas para dirigi-las aos fins superiores da realização plena de sua personalidade, curva resignado o colo à tirania do seu jugo. A escravização ao econômico em vez de emancipação do econômico consuma a alienação irreparável e desumanizante.

Com esta inversão de valores desnatura-se e avilta-se a dignidade do trabalho. O esforço humano já não tem outra razão de ser senão aperfeiçoar a matéria e criar utilidades. O trabalho é isto, mas não é só isto. O que o constitui uma atividade especificamente humana, é, antes de tudo, ser uma obra viva interior das almas [que] sobrelevam em qualidade as riquezas materiais que multiplica. Trabalhando, o homem desenvolve harmoniosamente as suas mais nobres faculdades, colabora com a realização dos planos divinos da criação e procura transfigurar este mundo, de que foi constituído senhor, numa habitação em que possa desenvolver as suas energias e realizar a nobreza de seus destinos.

No horizonte das esperanças humanas o comunismo acena com felicidades sonhadas de um paraíso perdido. Mas são estreitos estes horizontes e falazes estas promessas. No indefinido em que se perde o olhar perscrutador do futuro, não se distingue senão riqueza e mais riqueza, conforto e mais conforto. Uma cúpula de chumbo, imensa e pesada, cinzenta e fria, não permite que se elevem as vistas acima dos bens materiais. O surto para o infinito, que constitui a essência mesma da personalidade, estará para sempre condenado a cair sobre si mesmo, no tantalismo de um desespero mortal. O homem transformar-se-á num animal de vista baixa: a terra estreitará para sempre o horizonte de suas perspectivas: o vôo de suas aspirações como o termo de suas atividades. Quando o trabalho se degrada à simples força criadora de valores econômicos, o homem, preso à matéria, verá alienado o melhor e mais nobre de sua natureza.

E esta alienação vai ainda mais longe. Quando se desconhece a dignidade do espírito, o homem já não tem um destino próprio, essência da personalidade. Decai à categoria de coisa ou do instrumento a serviço da sociedade. Na fórmula de Marx, o ser humano “na realidade, é o conjunto das relações sociais”. Os vínculos que, num dado momento histórico, o ligam ao meio, definem-lhe a natureza e esgotam-lhe a razão de ser. Já não há em cada homem uma vocação original que importa respeitar, uma fonte de direitos que não podem ser postergados, uma autonomia de atividades realizadoras de uma finalidade moral, indeclinável. Cerceiam-se assim, pela raiz, todas as liberdades humanas. O indivíduo é sacrificado à comunidade, o cidadão ao Estado, que lhe impõe o mais absoluto conformismo de idéias, de vontades e de sentimentos. Compreende-se que Marx ridiculariza: “o inevitável estado-maior das liberdades de 1848: liberdade pessoal, liberdade de imprensa, de palavra, de associação, de reunião, de ensino, de cultos, etc.” Compreende-se que seja imolada a geração presente à felicidade quimérica do futuro. O homem, totalmente alienado de sua excelência natural, não passa de joguete sem dignidade nas mãos dos que encarnam a falsidade de uma ideologia na tirania de uma ditadura.

A grande tarefa da hora presente é dissociar do marxismo a obra imensa da elevação das classes operárias à participação mais eqüitativa em todas as riquezas da cultura. Ele não é nem pode ser o agente das transformações sociais por que suspiramos.

A tentativa comunista, se realizada, comprometeria a civilização e mergulharia o homem, para sempre transviado dos seus destinos, na desgraça de uma catástrofe irreparável.

Não é possível combater a Deus sem ferir o homem de morte.

Ateísmo militante, humanismo inumano.

Pe. Leonel Franca, Ateísmo Militante.
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