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II Campanha Nacional de Consagração à Virgem Maria


Pessoal, quero também divulgar esta II Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria que está sendo promovida pelo site Consagra-te. 

Esta consagração, que segue o método de S. Luís Maria Grignion de Montfort, é muitíssimo recomendada, e é explicada de modo profundo no livro "O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem". Eu pediria enfaticamente que os católicos que ainda não conhecem esta obra, conseguissem este livro e fizessem dele uma leitura meditada. Ainda que não quisessem consagrar-se, aprofundariam o conhecimento - o que é fundamental - sobre o papel da Virgem Maria, teriam refutadas as suas possíveis objeções, estariam vacinados contra os erros protestantes e corrigiriam a sua devoção à Mãe de Deus. As consequências disso tudo na vida espiritual são enormes.

Eu fiz a minha consagração por este método neste ano, precisamente no dia 25 de março, dia da Encarnação do Senhor, que é uma das devoções centrais dos consagrados. Fomos três os que fizemos no Anjos de Adoração. Ao que tudo indica, logo logo haverá um quarto membro nosso que fará também. Enfim... aproveitemos esta graça divina, esse vento do Espírito que tem feito divulgar um tão precioso método de santificação.

Eu gostaria muitíssimo que aqui, em União dos Palmares, houvesse mais pessoas, tipo um grupo, que quisessem iniciar este processo de leitura, preparação e consagração. Mas por estas bandas as coisas são difíceis. As pessoas não estão nem aí para nada. No entanto, os amigos que lêem os blogs católicos e que já conhecem algo da preciosidade do catolicismo, não hesitem, não adiem. No entanto, não se precipitem. Não se deve fazer a consagração sem ter lido meditadamente o livro. Fica, então, a recomendação. Que a Virgem Maria reine sobre nós e nos conduza à santidade.

Ad Iesum Per Mariam.

Totus Tuus...

Fábio.

08 de Setembro - Nascimento da Virgem Santíssima


Hoje, dia 08 de setembro, celebramos o dia mil vezes feliz do nascimento da Virgem Maria, aquela que viria a ser a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, a Mãe de Deus.


Como católicos, é importante que conheçamos algumas verdades fundamentais sobre a Virgem Maria. Primeiramente, que a devoção a ela não é algo facultativo, isto é, não é opcional. Para todo legítimo católico, a devoção à Mãe de Deus é uma necessidade. Neste sentido, diz S. João Damasceno: "Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar."

A Virgem Maria foi naturalmente escolhida por Deus e por Ele revestida de todas as virtudes. Ela não é deusa, mas foi eleita pelo próprio Deus para colaborar intimamente na Sua obra de Salvação. Para tal, Deus a fez sem mancha, isto é, isenta de todo pecado. Imaculada desde a concepção, Maria irradiou pureza e amor a Deus por toda a vida. Na sua alma, sequer se insinuou algum movimento de revolta. Sua Fé, perfeitíssima, superou a de Abraão. Veio Maria ao mundo para desfazer o nó da antiga Eva. Enquanto esta, pela sua desobediência, deu ao mundo o fruto da morte e da corrupção, Maria daria aos homens o fruto da vida, Jesus Cristo, Senhor nosso.

Maria não teve qualquer doença e, uma vez chegado o momento de dar à luz, Ela não sentiu as dores do parto, pois estas coisas eram consequências do pecado original, do qual ela fora preservada desde o início. Toda a Sua vida foi um contínuo "faça-se" a Deus, uma submissão perfeita e amorosa que elevava-se como perfume suavíssimo ao céu, contrastando absolutamente com a rebelião dos infernos.

Neste dia, nasce Aquela que, segundo fora prenunciado, esmagará a cabeça da antiga serpente. A Mãe dos Filhos de Deus, a Rainha do céu e da terra, Aquela que gerou no seu ventre o Verbo incriado, a bendita Mulher que trouxe a vida aos filhos de Adão. Amemos esta bendita Rainha e façamo-la amada. Demos a conhecer os seus encantos e consagremo-nos totalmente aos seus cuidados.

Ad Iesum Per Mariam

Oração de Dante à Virgem Santíssima


Virgem Mãe, filha de Teu Filho, humilde e superior a toda criatura, termo prefixado dos desígnios eternos, graças à Redenção; por ti se enobreceu tanto a natureza humana que o Criador não desdenhou tomar a forma de criatura. Em teu seio aviventou-se o amor que ardendo pela eternidade fez germinar esta flor e o Paraíso inteiro! No Céu, és a meridiana luz da humanidade! Senhora, és tão grande, tanto podes, que pedir graças ao Céu, sem teu auxílio, é o mesmo que desejar voar sem dispor de asas! Tua benignidade não socorre unicamente a quem ora, pedindo; mas antes, vezes sem conta, antecipa pedido e a prece! Em ti misericórdia, em ti piedade, em ti munificência estão somadas a tanta bondade quanto possa existir, junta, em todas as criaturas.

Dante Alighieri, Paraíso, Canto XXXIII.

Hino à Virgem Santíssima - Dia de Nossa Senhora do Carmo


Ave, reergues o gênero humano!
Ave, ruína total dos demônios!
Ave, esmagaste a potência enganosa!
Ave, que o logro dos ídolos mostras!

Ave, ó mar que afogou o faraó demoníaco!
Ave, rochedo a saciar os sedentos de vida!
Ave, coluna de fogo a guiar os errantes!
Ave, és abrigo do mundo mais amplo que as nuvens!

Ave, o maná verdadeiro nos destes!
Ave, nos serves delícias sagradas!
Ave, ó terra por Deus prometida!
Ave, ó fonte do mel e do leite!

Ave, Virgem e Esposa!
Ave, Virgem e Esposa!

Hino Akatistos

I "Consagra-te" com o Pe. Paulo Ricardo


Neste encontro, que acontecerá em Várzea Grande-MT (ao lado de Cuiabá), o Pe. Paulo Ricardo estará pregando sobre a "Consagração Total à Santíssima Virgem" tal como nos propõe S. Luís Maria Grignion de Montfort no seu Tratado da Verdadeira Devoção.

Para maiores informações clique aqui.

31 de Maio, Coroação da Virgem Santíssima


"Ser pobre é assenhorar-se", escrevia Sta Teresa D'Avila, revelando, nesta frase, que havia compreendido intimamente a natureza daquele tesouro escondido que Cristo veio trazer aos seus. Tal é o segredo, também, da Virgem Santíssima, aprofundado a um nível que absolutamente nos escapa, e do qual só podemos falar de modo muito distante. É na sua perfeita pobreza, na sua abismal humildade, que ela, encantando o olhar divino, é elevada acima de toda criatura. "Olhou para a pequenez de Sua serva.. De hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada".

Maria ama com perfeição e este amor perfeito lhe conduz a um abandono perfeito. "Que Ele cresça e eu diminua", diz S. João Batista, consumido de zelo, como novo Elias, pelo Adorável Cordeiro. Maria toma esta mesma resolução, própria dos verdadeiros amantes do Cristo. Não cessará de passar despercebida, de ocultar-se, de silenciar e observar uma imaculada discrição. Nosso Senhor, o único que sondava até o fundo a humildade da Santíssima Virgem e a perfeição das suas virtudes, colaborará com ela, a fim de elevá-la mais tarde, a alturas vertiginosas e inimagináveis aos homens. Maria aprenderá o desapego perfeito: "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?", "Minha mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade do meu Pai" e "Mulher, eis aí o teu filho..." A perfeição do amor entrega e se entrega. Jesus cuidava para que a Virgem mantivesse suas mãos vazias, como pobre. E ela, por toda a sua vida, mantém uma perfeita fidelidade que supera a de Abraão e que se vislumbra no seu contínuo "faça-se".

O que é um pobre? É alguém que só se dá e que nada reclama para si. "Minha alegria é fazer a vondade do meu Pai", dirá Jesus, o pobre perfeito. "Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo o teu querer", dirá a Virgem Pobre. Oh, que espetáculo de perfeição! Que pobreza perfeita! "Bem aventurados os pobres, porque verão a Deus". Se ser pobre possibilita a visão de Deus, o quanto Maria não terá conhecido este tesouro escondido que é a Divindade? Conviveu com Ele doces anos numa casa pobre em Nazaré. Conhecia-O profundamente, mais do que qualquer outro. E, ainda assim, ei-la discreta, silenciosa, distante dos sucessos públicos, presente no silêncio da Cruz.

"O Meu Pai me ama porque dou a minha vida..." dirá Jesus. Maria, por sua vez, foi só abandono em Deus. Faça-se! Faça-se! Mesmo na dor, faça-se! "O reino dos céus é tomado à força e são os violentos que o conquistam!" Faça-se! E a espada violenta transpassou-lhe o coração. Faça-se...

Pela sua perfeita humildade, aprouve a Deus elevá-la acima dos homens e dos anjos. E Maria, a humilde serva, foi constituída Senhora, Rainha e Soberana do Céu e da Terra. Ei-la coroada de majestade e esplendor, com vestes esplendentes de ouro e de ofir. "Ser pobre é assenhorar-se"... Aquela que soube desapegar-se e que nada reclamou para si foi agora elevada às alturas. 

Jesus não havia se aproveitado de Sua igualdade com Deus, aniquilando-se a Si mesmo, diz S. Paulo. Maria, também, sendo Mãe de Deus, não se utilizou de tamanha dignidade e, como Seu Filho, aniquilou-se. Foi, portanto, conduzida aos Céus e a ela, a mais perfeita das criaturas, foi dada a dignidade de Rainha e a missão de ser mãe e senhora dos homens. Neste dia 31 de maio, dia da Coroação, tenhamos tudo isto em vista, para que compreendamos que a dignidade de nossa querida Mãe extrapola toda definição, assim como foi além de todo conceito a profundidade do Seu amor.

Ad Iesum Per Mariam

Fábio.

Mary's Song - Beautiful...



Meu amor por Mamãe tem crescido a passos largos, graças a Deus.
Estes dias me vi profundamente agradecido pela grande honra de ser consagrado a ela a partir da escravidão de amor. Que todas as gerações bendigam esta que é como uma encarnação da ternura.

O nome de Maria...


A Virgem, cheia de graça, ultrapassou os Anjos, por sua plenitude de graça. E por isto é chamada Maria, que quer dizer, "iluminada interiormente", donde se aplica a Maria o que disse Isaías: (58,11) O Senhor encherá tua alma de esplendores. Também quer dizer: "Iluminadora dos outros", em todo o universo; por isso, Maria é comparada, com razão, ao sol e à lua.

(...) O Anjo reverenciou a Bem-Aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, assim, ela mesma como Soberana. O nome de Maria, em siríaco, significa soberana, o que lhe convém perfeitamente.

A Virgem ultrapassou os anjos em pureza. Não só possuía em si mesma a pureza, como procurava a pureza para os outros. Ela foi puríssima de toda culpa, pois foi preservada do pecado original e não cometeu nenhum pecado mortal ou venial, como foi livre de toda pena.

(...) A Virgem foi isenta de toda maldição e bendita entre as mulheres. Ela é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso. Também lhe convém, assim, o nome de Maria, que quer dizer "Estrela do mar". Assim como os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, assim, por Maria, são os cristãos conduzidos à Glória.

Sto Tomás de Aquino, O Pai Nosso e a Ave Maria

Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor, Rainha do meu coração...



Ave, Maria, Filha de Deus Pai. Ave, Maria, Mãe de Deus Filho. Ave Maria, Esposa do Espírito Santo. Ave, Maria, templo da Santíssima Trindade. Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor, Rainha do meu coração. Mãe, vida, doçura e esperança minha mui querida, meu coração e minha alma. Sou todo vosso, e tudo que possuo é vosso, ó Virgem sobre todos bendita. Esteja, pois, em mim vossa alma, para engrandecer o Senhor, esteja em mim vosso espírito, para rejubilar em Deus. Colocai-vos, ó Virgem fiel, como selo sobre meu coração, para que, em vós e por vós, seja eu achado fiel a Deus. Concedei, ó Mãe de misericórdia, que me encontre no número dos que amais, ensinais, guiais, sustentais e protegeis como filhos. Fazei que, por vosso amor, despreze todas as consolações da terra e aspire só às celestes; até que, para a glória do Pai, Jesus Cristo, vosso Filho, seja formado em mim, pelo Espírito Santo, vosso Esposo fidelíssimo, e por vós, sua Esposa mui fiel. Assim seja.

Oração de encerramento da Coroa da SS. Virgem, Tratado da Verdadeira Devoção

Maio, mês dedicado a Maria Santíssima


Adentramos, já, no mês de maio, que é consagrado a Mamãe e, por isso, é tão terno. Ando bastante ocupado, mas teria de escrever algo para esta minha Soberana, e aqui o faço com muito gosto.

A Virgem Maria é, como escrevia o Thomas Merton, de algum modo ainda mais obscura que o próprio Cristo, pois este nos falou, de Si, coisas várias. Ela, porém, manteve-se em silêncio. O que dela sabemos nos vem pela Igreja e pelos seus eminentes santos e doutores que nos testemunham a grandeza singular desta digna Mãe de Deus. Alguns destes santos tiveram a honra de conhecê-la ainda em vida, seja porque os primeiros eram do seu tempo, seja porque ela se dignou aparecer a outros tantos.

No entanto, parece haver algo que poderíamos chamar de característico dela: é a sua ternura, a sua doçura. Recentemente, quando um rapaz me perguntava qual a diferença, na vida espiritual, entre o antes e o depois da consagração a ela pelo método de S. Luís Maria, eu só sabia responder evocando a sua suavidade, uma terna facilitação dos meios, uma presença, de fato, doce e muito particular. E isto porque tenho sido ainda um filho rebelde, o que, sem dúvida, me limita a sutileza de notar esta sua presença.

Maria Santíssima é a obra-prima da criação. Foi ela quem Deus escolheu para gerar, cuidar e consolar o amado Jesus. É a que mais conheceu e amou a Deus, dentre todas as criaturas. Contam alguns santos que os anjos, seres perfeitos que amam profundamente a Deus, se tivessem descido em Nazaré, poderiam aprender dela o que significa amar a Nosso Senhor. A sua grandeza, misteriosamente ocultada no seu escondimento e no seu silêncio, na sua profunda humildade, é bem pouco conhecida. S. Luís Maria diz que nem os anjos a conhecem de todo. E, no entanto, este céu particular de Deus que, tendo-se feito homem, repousava em seu seio, foi dado aos homens, para seu consolo, para sua formação e para que fossem nela gerados para a eternidade.

O Apóstolo João, o único dentre os doze que estava aos pés da cruz e que somente lá chegara porque era acompanhado por esta amável Princesa, conta como, depois de a ter recebido como Mãe, a levou a sua casa, isto é, passou a conviver com ela. Naquele bendito momento, Nosso Senhor doava aos homens o que de mais belo possuía, depois do Seu sagrado convívio com o Pai e o Santo Espírito. E, então, ela tornou-se nossa mãe, aquela que gera todos os filhos de Deus.

Nós só saberemos o que isto significa depois da nossa morte, se alcançarmos a bem aventurança. Mas, desde já, nós devemos estreitar os nossos laços com ela, porque este é um grandiosíssimo presente de Deus para nós. Dizia S. Rafael Arnaiz que, quanto mais amava Maria, mais conhecia e amava o Seu Filho. Em verdade, é por ela que nós nos achegamos a Jesus, assim como foi por ela que Jesus veio a nós. E que alegria, que delícias, que ternura e felicidade não encontraremos na intimidade com esta bondosa mãe, ainda tão desconhecida...

Deus enamorou-se dela. Aprendamos, pois, com ela, o gosto de Deus. Se o fizermos, teremos descoberto a nossa mais profunda identidade.

Que neste mês de Maio, Maria seja nossa constante companhia. Permitamos que ela conduza os nossos passos, os nossos pensamentos e os nossos afetos; deixemos que ela nos torne todo agradáveis a Deus e contemplemos nela a obra prima do amor divino.

Virgem Santíssima, perdoai a ignorância de tantos homens e mulheres que, na sua soberba, decidiram não ouvir a voz do teu Filho por meio de Sua Igreja e, consequentemente, não te conhecem e não te amam. Sabendo do vosso amor maternal pelos homens, vos suplicamos intercedais por estes filhos rebeldes para que, como o filho pródigo, acertem voltar ao lar do adorável Pai.

Quanto a nós, que já caminhamos em união convosco e labutamos ainda neste exílio, dá-nos, por vossa intercessão e mediação materna, a perseverança no bom combate da fé e a pureza das intenções para que, terminado este curso, possamos gozar, em vossa companhia, da adorável presença da Trindade Santa por toda a eternidade. Amém.

Bendita seja a grande Mãe de Deus! Salve Maria Santíssima!

Ad Iesum Per Mariam

Fábio.

Petição de um novo ano mariano em 2012-2013


Caríssimos, em 2012 fará 25 anos desde o último ano mariano, proclamado por João Paulo II. Além disto, o clássico Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de S. Luís Maria Grignion de Montfort, completará seus 300 anos. 

Por estes e outros motivos, deu-se início a uma campanha de petição ao Santo Padre Bento XVI para que institua 2012-2013 como um novo Ano Mariano, tempo propício para dar ênfase ao papel singularíssimo de Nossa Senhora e também para a divulgação do referido Tratado e, consequentemente, da Consagração que ele recomenda.

Por isto, nós pedimos aos leitores e amigos: assinem a petição. Agradecemos.

Poesia sobre a Encarnação do Verbo - S. João da Cruz


Já que o tempo era chegado em que fazer-se devia
o resgate da esposa que em duro jugo servia,
debaixo daquela lei que Moisés dado lhe havia,
o Pai com amor terno desta menria dizia:
- Já vês, Filho, que tua esposa à tua imagem feito havia,
e no que a ti se parece contigo coincidia;
mas é diferente na carne, que em teu simples ser não havia
pois nos amores perfeitos esta lei se requeria,
que se torne semelhante o amante a quem queria
porque a maior semelhança mais deleite caberia;
o qual, por certo, em tua esposa grandemente cresceria
se te visse semelhante na carne que possuía.

Minha vontade é a tua - o Filho lhe respondia -
e a glória que eu tenho é tua vontade ser minha;
e a mim me agrada, Pai, o que tua Alteza dizia,
porque por esta maneira tua bondade se veria;
ver-se-á teu gran poder, justiça e sabedoria;
irei a dizê-lo ao mundo e notícia lhe daria
de tua beleza e doçura, de tua soberania.

Irei buscar minha esposa e sobre mim tomaria
suas fadigas e dores em que tanto padecia;
e para que tenha vida, eu por ela morreria,
e tirando-a das profundas, a ti a devolveria.

Então chamou-se um arcanjo que S. Gabriel se dizia,
enviou-o a uma donzela que se chamava Maria,
de cujo consentimento o mistério dependia;
na qual a santa Trindade de carne ao Verbo vestia;
e embora dos três a obra somente num se fazia;
ficou o Verbo encarnado nas entranhas de Maria.
E o que então só tinha Pai, já Mãe também teria,
embora não como outra que de varão concebia,
porque das entranhas dela sua carne recebia;
pelo qual Filho de Deus e do Homem se dizia.

Quando foi chegado o tempo em que de nascer havia,
assim como o desposado, do seu tálamo saía
abraçado a sua esposa, que em seus braços a trazia;
ao qual a bendita Mãe em um presépio poria
entre pobres animais que então por ali havia.
Os homens davam cantares, os anjos a melodia,
festejando o desposório que entre aqueles dois havia.
Deus, porém, no presépio ali chorava e gemia;
eram jóias que a esposa ao desposório trazia;
e a Mãe se assombrava da troca que ali se via:
o pranto do homem em Deus, e no homem a alegria;
coisas que num e no outro tão diferente ser soía.

S. João da Cruz, Romantes Trinitários e Cristológicos, Toledo, Cárcere - 1578.

25 de março - Anunciação do Senhor, Encarnação do Verbo e Consagração à Virgem Santíssima


"Vedes com que simplicidade? - "Ecce ancilla!..." - E o Verbo se fez carne. - Assim agiram os santos: sem espetáculo. Se houve, foi apesar deles. (...) Ó Mãe, Mãe!  Com essa tua palavra - "fiat" - nos tornaste irmãos de Deus e herdeiros da sua glória. - Bendita sejas! (S. Josemaria Escrivá, Caminho)

Hoje, dia 25 de março de 2011, é um grande dia para nós, cristãos, e, de um modo bastante particular, também para mim.

Como se sabe, hoje nós celebramos a Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria e, partir do seu consentimento ao plano divino, a Encarnação do Verbo ao seio bendito desta que se proclamou ser a humilde serva.

Dia feliz, porque é o início da reconciliação de Deus com os homens! Deus veio habitar entre nós, primeiramente no seio daquela que será como o seu "paraíso particular", segundo a expressão de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Neste abismal ato da Encarnação, em que o Filho de Deus assume a nossa pobre condição de homens, com exceção do pecado, reside, já, todo o segredo íntimo da vida de Nosso Senhor, que é, em última instância, uma perfeita submissão à vontade do Pai. Habitando no seio virginal da Virgem Maria, Nosso Senhor em tudo se lhe torna submisso e, mesmo depois de ter nascido, não obstante fosse Deus verdadeiro, Soberano e Onipotente, permaneceu submisso a ela, imitando o seu "faça-se", que repetirá na sua angústia.

Bendito mistério! Deus vem partilhar da dor humana para que o homem participe da alegria divina. Verdadeiro esponsal entre a terra e o céu, consumado na Cruz, a nova árvore da vida, prefigurado no batismo do Senhor pelo abrir dos céus, mas já iniciado efetivamente neste mistério da Encarnação.

Contemplar Jesus residindo em Maria é grandioso. E eis aí o segredo: se o nosso perfeito e adorável modelo é o próprio Cristo, devemos imitar-lhe a submissão a esta bondosa Mãe. É Maria quem forma os filhos de Deus. Foi por ela que nos veio o fruto divino, anunciado por Gabriel, em oposição a Eva que, tentada pelo anjo soberbo, ofereceu à humanidade o fruto da perdição.

A santidade, portanto, consistirá em imitar a Cristo submisso. Deixemos que Nossa Mãe, assim como ensinou Jesus a andar, a falar, a ler as escrituras, etc., ensine-nos, também, para que cheguemos à plenitude da idade perfeita de Nosso Senhor. A Virgem Santíssima, não obstante o seu silêncio e escondimento, foi elevada por Deus a grandes alturas. Deus assim o quis, para nossa felicidade!

E eis, agora, Maria, diante do anjo, totalmente ciosa de sua pureza e plenamente submissa ao projeto divino, que, por ora, não entende perfeitamente. Mas, à semelhança de Abraão, ainda que sem ver, ela aceita e se abandona. Eis, caríssimos, o traço comum de todos os amigos de Deus. Que Maria, verdadeira Mãe de Deus, nos ensine.

E hoje é, ainda, o dia em que eu me consagrarei, juntamente com mais dois amigos, à Virgem Santíssima pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Dia feliz! Mil vezes feliz! Neste dia veio a nós o Novo Adão, Aquele que tudo recriou. Também para nós, hoje é início de uma nova vida.  E isto é particularmente significativo para mim que, a princípio, não era muito devoto de Maria. Mas Deus varreu meus escrúpulos. Ser devoto e íntimo da Mãe de Deus - coisa não apenas recomendável, mas necessária - é como ter acesso a um constante bálsamo de ternura. A Santíssima Virgem, agora o sei um pouco, é mui doce.

Que a Soberana Senhora providencie para que esta nova vida possa ser agradável aos olhos divinos. Que ela nos ensine o segredo da sua humildade e do seu abandono, para que também nós, seus filhos, possamos com ela dizer:

"Olhou para a pequenez de seus escravos... Por isso nossa alma exulta n'Ele, nosso Salvador"

Bendito seja Deus por nos conceder esta honra.
Bendito seja Deus pelo mistério da sua Encarnação.
Bendito seja Deus pela Virgem Santíssima.
Bendito seja Deus por Si mesmo.

Salve Maria Santíssima

Fábio.

**

Sugiro, para o dia de hoje, esta breve, singela e profunda oração.

Feliz Comunicado


O Grupo de Resgate Anjos de Adoração quer comunicar aos amigos, leitores do blog e demais simpatizantes uma grande alegria e uma grande honra. Nesta sexta feira próxima, dia 25 de Março, Encarnação do Senhor, três membros do GRAA se consagrarão a Nossa Senhora pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Segue o nome dos futuros escravos da Soberana:

Breno Kennedy
Fábio Luciano
Rafaely Alencar

A consagração se dará logo após a Santa Missa celebrada pelo Pe. Nilton, às 19h, no convento das Irmãs da Fraternidade O Caminho, em Maceió-AL. Estamos muito felizes por esta grande honra que Deus nos concede, e pedimos aos que nos lêem as suas bondosas orações.


Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

Resposta II - Comunhão e Intercessão dos Santos e a Virgem Santíssima


Este é outro ponto em que se torna patente a desonestidade do rapaz. Reproduzindo no seu blog uma resposta minha à sua pergunta, ele fez questão de pôr lá apenas uns pedacinhos... rs. Desafiou-me a mostrar pelo menos uma passagem da Sagrada Escritura em que a intercessão de Maria é demonstrada. Eu citei as bodas de Caná, mas ele fez que não viu.. rsrs..Nesta passagem, Jesus efetivamente realiza seu primeiro milagre pela interseção de Maria.

Como eu ainda demonstrasse outras alusões da Sagrada Escritura sobre a Virgem Santíssima, já que não eram termos explícitos - não continham o nome da Virgem Santíssima, nem seu endereço ou CPF; enfim, não tinha um desenho seu lá - , o rapaz deduziu que era uma 'forçação de barra'. rsrs...

Interessante. Seguindo a lógica protestante, na Sagrada Escritura não diz que a Virgem Maria tenha morrido. Donde se deduz que ela não morreu. rsrs.. Aceite as consequências do seu método, rapaz...


No entanto, a interseção, não somente da Virgem Santíssima, mas dos santos em geral, é facilmente provada, mesmo que pelas sagradas escrituras. Vamos lá.

Eita, que eu morri...
A dificuldade reside na crença errada de alguns deles de que os mortos ficam dormindo. Não haveria imortalidade da alma. Aquele que passasse pela experiência da morte ficaria num estado de inconsciência até a vinda definitiva de Jesus, onde Nosso Senhor ressuscitará os mortos. No entanto, leiamos o que diz S. Paulo:

"Porque o viver pra mim é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se o viver no corpo é útil para meu trabalho, não sei o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor; mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós..." (Fl 1,21-24).


Vejam só, que curioso! Morrer, para Paulo, era imensamente melhor. E, por quê? Para estar com Cristo. Portanto, se as Sagradas Escrituras dizem a verdade, então aqueles que morrem em Deus vão para Deus, e não ficam dormindo. Esta imortalidade da alma é algo ainda provado do ponto de vista filosófico. Mas, daqui pra esse pessoal condenar a filosofia é um pulo, já vi. Então, limito-me a provar pela Sagrada Escritura.

Jesus ainda diz em Mateus: "não temam aqueles que podem podem matar o corpo, mas nada podem fazer à alma; temam, antes, Àquele que pode mandar o corpo e a alma para o inferno. (Mt 10,28)

Muito interessante é, ainda, a promessa que Jesus faz ao ladrão: "ainda hoje estarás comigo no Paraíso". Fica, pois, provado pela Escritura que aqueles que morrem na amizade divina vão para Deus.

Pois bem. Qual, pois, a dificuldade de que alguém que está mais perto de Deus interceda por aqueles que ainda labutam neste exílio? Se, como Paulo diz, aquele que vive na amizade divina, ao passar pela morte, vai a Deus, por que não poderia pedir pelos demais?

E temos razão de admitir que, uma vez em Deus, o amor da pessoa é muito mais perfeito, pelo que, com muito maior motivo, convém admitir que poderá pedir a Deus pelos vivos. Porém, para os protestantes, isto parece ser contraditório com a única mediação de Cristo. Eu, particularmente, gostaria de saber como eles interpretam esta declaração claríssima de Paulo sobre a subida da alma a Deus.

Resolvamos, então, quase desenhando, o que os protestontos não entendem. E quanto mais avançamos na argumentação, mais vamos percebendo que eles não entendem nada.

Vamos lá. De fato, a Sagrada Escritura fala da única mediação de Cristo. Sem Cristo, ninguém vai ao Pai. Foi pelo Seu Sangue que fomos reconciliados com Deus. Estas novas relações entre o Céu e os homens já são prefiguradas no batismo do Senhor onde os “céus se abrem” e Deus diz: “este é o meu filho dileto; ouvi-o”. Dizendo isto, Deus Pai como que ensinava aos homens o modo de agradá-Lo, isto é, o modo de se tornarem, também eles, diletos. Na morte do Senhor, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo. Este véu era o que separava o Santo dos Santos, a Quem só o sumo-sacerdote tinha acesso, dos demais homens. Pela morte de Cristo, todos nós adquirimos acesso à graça divina.

Portanto, não há competidores para Cristo. Não há rivais. Não há vias alternativas. Não se vai a Deus por Buda, ou por Maomé ou por Lutero.  No entanto, esta falta de competidores não implica em falta de contribuidores. Imaginemos uma grande casa com uma única porta. Esta porta única é o Cristo.  Uma vez, porém, que adentramos neste local, notamos que a única porta de entrada não contradiz a existência de outras portas internas que com ela não competem.

A única mediação de Cristo põe todos os filhos de Deus em comunhão. É a comunhão dos santos. Fazem parte dessa comunhão os filhos de Deus no céu, os que estão no Purgatório e os que ainda estão na terra. Eles formam o corpo místico de Cristo que é a Igreja. O vínculo que os une como seiva de vida comunicada a todos é a caridade. Eles se amam. Daí que, faz parte do amor desejar o bem do outro e contribuir tanto quanto seja possível para a efetivação deste bem. É por isto que rezamos pelo sufrágio das almas no Purgatório, isto é, intercedemos por elas. Também intercedemos uns pelos outros os vivos, e isto sem qualquer contradição com a mediação única de Cristo. Ao contrário, esta mediação única é o que permite toda esta nova dinâmica espiritual. Assim também os bem-aventurados podem pedir por nós.

E isto nada tem a ver com o espiritismo, em que as pessoas consultam os mortos. Deus abomina estas coisas. Quando pedimos a um santo que interceda por nós, cremos que é Deus quem o faz conhecer o nosso pedido. É em Deus que o santo toma conhecimento disto e pede por nós.

Depois, os próprios anjos, que os protestantes aceitam, ao obedecer as ordens de Deus em nosso favor, desempenham sim uma espécie de mediação. Acontece que esta mediação, assim como a dos santos, se dá por dentro da mediação única do Cristo e como que a enfatiza. Não é contraditório. Acontece que este povo faz força pra não ceder. É orgulho inveterado; só isso.

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E a Virgem Maria nesta história toda? Há uma passagem muito esclarecedora de S. Paulo em que ele diz: “quando ainda éramos inimigos, Deus nos amou”. Por causa do pecado de Adão, os homens se tornaram inimigos de Deus. E toda a história da Salvação, que se dá por iniciativa divina, é produto do amor de Deus.

No entanto, ainda antes de Nosso Senhor ter nascido e morrido por nós, antes de ter nos reconciliado com o Pai, o Altíssimo se encantou por uma criatura: Maria. Ora, isto é bíblico. Basta lermos com atenção, ao invés de fazer uma leitura dinâmica como parece ser o caso das poucas passagens que esse povo lê, e notaremos já nas palavras do anjo Gabriel coisas muito interessantes.


“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Encontraste graça diante de Deus. O santo que nascer de ti será chamado Filho do Altíssimo”

Este “cheia de graça” vem do grego “Kecharitomene” que significa plena da graça antes, durante e depois. E isto antes da efetivação da redenção. Dá pra começar a ter uma idéia de quem foi Maria?

E, enquanto os homens ainda são inimigos de Deus, o Senhor é com Maria, como disse o Anjo. “O Senhor é contigo”. Ela achou graça diante de Deus. Era bela, pura e realizava a prefiguração da Escritura: “Que o Rei se encante com a vossa beleza”. Maria encantou a Deus.

Por fim, para completar a sua total oposição à antiga serpente, de quem ela esmaga a cabeça, enquanto o demônio revoltou-se contra Deus, Maria se submeteu de todo: “eis aqui a escrava. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” Ela é a perfeitamente disponível a Deus. Aquilo que Jesus dirá aos doze anos: “devo ocupar-me das coisas do meu Pai” será vivido por Maria desde o início. Poucos refletem sobre a coragem heróica de Maria em ter decidido colaborar com o projeto divino, ela que era somente uma adolescente, vivia em um contexto social cujas regras eram severíssimas e era noiva de um homem justo. Maria, no entanto, não pesa as conseqüências. Simplesmente aceita, na esteira do pai da Fé, Abraão.

Tão logo sabe da gravidez de sua prima Isabel, lá vai Maria em viagem a fim de ajudar-lhe durantes os meses restantes até o nascimento de João Batista.

Quando Maria chega na casa de Isabel e lhe cumprimenta, a criança santa no seu ventre salta e Isabel, cheia do Espírito Santo, declara: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”

“Bendita és entre as mulheres”. Quando lemos esta saudação contrastando com a triste atitude de Eva, Maria surge como figura singularíssima. Pela atitude de Eva, adentrou no mundo o pecado e a morte. Ela, ao comer daquele fruto proibido, o ofereceu a Adão e, disto, o pecado passou para a humanidade. Com Maria se dá algo totalmente oposto. Ela é feliz entre as mulheres porque não partilha da sua culpa e, além disto, é por meio dela que virá a Salvação. Se Eva deu ao mundo o fruto proibido, Maria dá ao mundo o fruto bendito que é Deus. Se foi Lúcifer, o anjo caído, quem convenceu Eva a rebelar-se contra Deus, foi Gabriel, o anjo do Senhor, quem anunciou a Maria a Encarnação do Verbo divino. Ela é feliz, porque desata o nó feito por Eva. De todas as mulheres, é ela a mais feliz, pois Deus achou graça nela e veio habitar em seu seio.

“Bendito é o fruto do seu ventre”. Esta saudação de Isabel ganha uma grande profundidade quando lemos o que diz Nosso Senhor: “conhece-se a árvore pelo seu fruto”. Ora, Cristo é o fruto de Maria. Quem, pois, será Maria? Rsrs...

Isabel chama ainda Maria de “Mãe do meu Senhor” e, detalhe, ela falava sob inspiração do Espírito Santo. Digamos de novo: Deus faz tudo com ordem. A criação e tudo quanto existe o testemunha. Para a encarnação do Verbo, convinha uma criatura de máxima dignidade. Para que o Filho de Deus pudesse ser cuidado, educado, ensinado, seria necessário uma pessoa de alta grandeza. E Jesus foi obediente a Maria, como o testemunha o evangelista Lucas: “Ele lhe era submisso”. E, no entanto, Maria adquire esta grandeza pela sua intimidade com Deus, tanto que podemos ver, nela e em Jesus, um traço muito comum: Jesus, sendo Deus, mostrava-se pequeno. Maria, sendo aquela que encantou a Deus, ocultava-se e silenciava.

Depois de tudo isto, notamos o seguinte: a Sagrada Escritura não é explícita em tudo. Não adianta protestante querer defender leitura dinâmica da Bíblia e compreensão simplista das coisas, o cristianismo é muito mais profundo.

Bom. Se uma alma santa vai para Deus, quanto mais a Mãe de Deus? Ela foi elevada ao Céu de corpo e alma, e isto nos veio pela tradição, pois, para nós católicos, este é um outro fundamento de autoridade – e já mostramos como a Sola Scriptura é irracional. No entanto, mesmo que tal não tivesse ocorrido, Maria estaria com Deus, e gozaria, sem dúvida, de uma dignidade singular, de onde poderia, obviamente, interceder pelos homens. Mas Maria foi sim assunta aos céus de corpo e alma e, então, coroada como Rainha Soberana porque Deus assim o quis na sua Justiça.


 No entanto, ainda que se pense muito a respeito destas coisas, a idéia que surgir da dignidade de Maria estará, ainda, muito aquém de quem ela é.

Fábio.

O amor perfeito da Virgem Santíssima


 Sto Afonso

Como águia real, estava sempre com os olhos postos no divino sol, de maneira tal, diz São Pedro Damião, que as atividades na vida não lhe impediam o amor, nem o amor lhe obstaculizava as atividades. Assim é que Maria esteve figurada no altar da propiciação em que nunca se apagava o fogo nem de noite nem de dia.

Nem mesmo o sono impedia Maria de amar a Deus. E se semelhante privilégio se concedeu a nossos primeiros pais no estado de inocência, como afirma Santo Agostinho, dizendo que tão felizes eram quando dormiam como quando estavam despertos, não se pode negar que semelhante privilégio o teve também a Mãe de Deus, como o reconhecem entre outros São Bernardino e Santo Ambrósio, que deixou escrito falando de Maria: Quando descansava seu corpo, estava vigilante sua alma, verificando-se nela o que diz o Sábio: "não se apaga pela noite sua lâmpada" (Pr 31,18). E assim é, porque enquanto seu corpo sagrado tomava o necessário descanso, sua alma, diz São Bernardino, livremente tendia a Deus, e assim era mais perfeita contemplativa do que haviam sido os demais quando estavam despertos. De modo que bem podia dizer com a Esposa: "Eu dormia, mas meu coração velava" (Ct 5,2). Era, como diz Suarez, tão feliz dormindo quanto velando.

Em suma, afirma São Bernardino que Maria, enquanto viveu na terra, constantemente esteve amando a Deus. E diz que ela não fez senão o que a divina sabedoria lhe mostrou que era o mais agradável a Deus, e que o amou tanto quanto entendeu que devia ser amado por ela. De maneira que, fala Santo Alberto Magno, bem pode-se dizer que Maria esteve tão plena de santa caridade que é impossível imaginar algo melhor nesta terra. Cremos, sem medo de ser desmedidos, que a Santíssima Virgem, pela concepção do Filho de Deus, recebeu tal infusão de caridade quanto podia receber uma criatura na terra. Pelo que diz São Tomás de Vilanova que a Virgem com sua ardente caridade foi tão bela e de tal maneira enamorou a seu Deus, que Ele, prendado de seu amor, baixou a seu seio para fazer-se homem. Esta Virgem com sua formosura atraiu a Deus desde o céu e preso por seu amor ficou atado com os laços de nossa humanidade. Por isto exclama São Bernardino:  eis aqui uma donzela que com sua virtude feriu e roubou o coração de Deus.

Sto Afonso de Ligório, As Glórias de Maria

O imenso valor da Ave Maria, a saudação angélica


Almas predestinadas, escravas de Jesus em Maria, aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis.

A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é, como dizem os santos, o inimigo do demônio, pondo-o logo em fuga, e o martelo que o esmaga; a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de santos ilustres.

Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu: "Qui seminat in benedictionibus, de benedicionibus et metet" (2 Cor 9,6).

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

A Virgem Santíssima nos últimos tempos


S. Luís Maria Grignion de Montfort

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e em graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja Católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que lutarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer. (...) Deus deu a Maria tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios que infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos. O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade.

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (Leitura Obrigatória)
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