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A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


Os que quiserem se consagrar à Virgem Santíssima pelo Método de S. Luís Maria Grignion de Montfort devem primeiramente ler a obra deste santo entitulada O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Nele, o leitor há de entender a seriedade da consagração, o papel fundamental e necessário que a devoção a Nossa Senhora tem na vida cristã autêntica e a sua particular importância nos últimos tempos. Neste livro, o leitor poderá ainda corrigir a sua devoção à Virgem e ter respondidas possíveis objeções feitas a esta prática, já que vivemos num mundo impregnado de protestantismo. Já no final do livro, o santo ensina o modo de se preparar para a consagração, que é de 33 dias, e as obrigações diárias dos que se consagraram, chamados agora de Escravos Perpétuos de Jesus por Maria.


Exemplos de alguns santos que foram escravos de Maria por este método: São João Maria Vianney (Cura D'ars), São João Bosco, São Domingos Sávio, Sta Teresinha de Lisieux, Santa Gema Galgani, S. Pio de Pietrelcina, S. Pio X, Sto Antônio de Santana Galvão e ainda o bem-aventurado Papa João Paulo II.

Importa, ainda, saber que esta devoção não foi inventada por S. Luís Maria Grignion de Montfort. Na verdade, ela remonta aos primeiros séculos do cristianismo, mas foi a partir deste santo que ela se tornou mais conhecida e ganhou uma exposição mais sistemática.

Lema dos Consagrados: 
Totus tuus, Mariae, et omnia mea tua sunt 
Sou todo teu, Maria, e tudo quanto tenho vos pertence.

Recomendamos comprar o livro. Mas ele também pode ser baixado clicando na figura acima. Salve Maria Santíssima!

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA
"Gira o mundo, mas a cruz permanece firme" (Lema dos monges Cartuxos)
"Quem quiser seguir a Cristo, não o busque sem a cruz" (S. João da Cruz)



Na Santa Missa nós tocamos em Jesus, comemos a Sua Carne e bebemos o Seu Sangue...

Quem tudo perde, ganha a alegria

Nada mais tenho; por isso tenho alegria...
Nada mais que pese em meus bolsos e me prenda à terra,
Nada mais que, prendendo-me ao solo, me impeça de saltar até as estrelas.
Sou livre como água que corre e o vento que passa.
Quem perde tudo, ganha ainda; e quem perde a si mesmo, encontra a alegria.
Nada mais tenho; identifico-me, por isso, com a alegria...

Perdi todo o musgo que se agarrava à minha identidade, e minha própria identidade.
Já não sou eu mesmo, pois sou Cristo!
Mas sendo Cristo, sou a Alegria.
Minha alegria é para Deus e eu sou para Deus.
Minha alegria é ligada a Deus e eu estou unido a Deus.
Minha alegria e eu pertencemos a Deus.
Ninguém me tirará.
Se queres arrebatar minha alegria, vem tomá-la das mãos de Deus!

Pe. Joseph Folliet (1903-1972), fundador dos "Companheiros de Francisco"

A alma de Cristo na Eucaristia


A alma e a divindade de Jesus não estão simplesmente em segundo plano, de maneira latente, inerte e mais ou menos abstrata. Neste sacramento do seu amor, Cristo está presente com todas as suas potências e capacidades dispostas a agir e operar com todas as ações e ‘paixões’ (no sentido metafísico) que pertencem à sua vida glorificada, no céu. Há somente uma exceção a assinalar. Desde que o Corpo de Jesus não está em relação com a realidade material por contato de dimensões quantitativas, neste Sacramento Ele não exerce suas faculdades sensitivas, pelo menos de um modo natural. Não nos vê com os olhos corporais. Mas, afinal, não necessita faze-lo, pois que a visão divina que possui, ilumina-lhe a mente com um conhecimento de todos nós muito mais profundo e íntimo do que possamos imaginar.

No tabernáculo, Cristo nos vê e nos conhece de maneira muito mais nítida do que nos vemos a nós mesmos. O conhecimento que de nós existe no Cristo sacramentado, que recebemos na comunhão, é um conhecimento que Ele já possui das próprias profundezas do nosso ser. Portanto, Jesus no SS. Sacramento não nos perscruta examinando-nos friamente como se fôssemos objetos, seres dele muito remotos, conservando ainda alguns traços enigmáticos. Conhece-ns em Si mesmo, como seus ‘outro eu’. Conhece-nos subjetivamente como se fôssemos uma extensão – o que de fato somos – da sua própria Pessoa. Esse conhecimento por identidade é o que vem, não apenas da ciência, mas do amor. A psicologia moderna forjou a palavra ‘empatia’. É o conhecimento que se tem de outro ‘por dentro’, por uma simpatia que se projeta e vive as experiências desse outro tais quais se lhe apresentam. Mas essa empatia humana é, ainda, algo de incerto e remoto que não consegue vencer a distância que existe entre dois espíritos distintos. A ‘empatia’ de que somos alvo por parte de Cristo, com a qual Ele nos compreende, procede das profundezas do nosso próprio ser e é tão profunda que, se quisermos saber a verdade a nosso respeito, temos de procurá-la nEle no momento da santa comunhão. Pois Cristo é o nosso mais profundo e íntimo ‘ser’, nosso ser mais alto, nosso novo ser como filhos de Deus. É isso que significa para nós dizer com S. Paulo: “viver para mim é Cristo” (Filip 1, 21). A paz que desabrocha nas profundezas de nossa alma, o silêncio espiritual, o repouso, a segurança e a certeza que recebemos na comunhão com a consciência da presença dEle é um sinal de que abrimos a porta que dá acesso ao santuário íntimo do nosso ser, o lugar secreto onde nos unimos a Deus. É este o ‘aposento’ no qual devemos entrar quando oramos ao Pai em segredo (Mt 6, 6). Na verdade, só aquele que nos ensinou que esse é o lugar onde devemos nos retirar pra orar é quem no-lo pode abrir.

Aos olhos humanos, o Cristo no SS. Sacramento pode parecer inerte e passivo. Contudo, é Ele quem nos chama à comunhão pela ação das inspirações interiores e secretas, porque sabe que precisamos desse alimento místico. Quando recebemos a sagrada hóstia é não só porque temos o desejo de receber a Cristo, mas também, e sobretudo, porque Ele, neste Sacramento, deseja dar-se a nós. Nas palavras de Santo Ambrósio: “vieste ao altar? É o Senhor Jesus que te chama...dizendo-te ‘Deixai-o beijar com um beijo de sua boca’”... Ele te vê livre de pecados, pois foram apagados. Portanto, julga-te digno dos sacramentos celestes e por isso te convida ao banquete celestial.

A caridade de Cristo que lhe impulsiona a vontade, oculta na santa Eucaristia, é o mesmo infinito amor que tem por todos os homens e que os atrai pela graça do Espírito Santo, à união com o Pai no Filho. Esse amor, dizemo-lo mais uma vez, não é apenas caridade universal que abraça a todos, sem exceção, mas atinge igualmente a cada um no inescrutável ocultamento da sua própria e singular individualidade. Assim como Cristo me amou e se entregou por mim (Gál 2, 20), assim, também Ele me ama e vem a mim no SS. Sacramento. Quando se vê unido a mim na comunhão, de modo algum se admira de saber que sou um pecador. Já o sabia; e me amou tal qual sou. Vem a mim porque é sempre o amigo, o refúgio e o Salvador dos pecadores. De minha parte, devo fazer todo o possível para corresponder ao seu amor, mesmo se não sou digno desse amor. E o melhor modo de a Ele corresponder é crer na sua inexprimível realidade e agir de acordo com minha crença.

Neste Sacramento, o Amor de Cristo aumenta a nossa capacidade de receber a graça e nos move a produzir atos de uma caridade mais fervorosa e espiritual. É por uma moção da vontade de Cristo que recebemos o Espírito Santo que, como diz Scheeben, é o fogo espiritual que prorrompe, com ímpeto, do Cordeiro imolado, na Eucaristia. Temos aqui alguns textos em que esse grande teólogo do Séc XIX nos dá a própria medula da doutrina dos santos padres.

“No estado glorioso em que se acha, o Corpo de Cristo é, por assim dizer, o trigo que vive pelo poder do Espírito Santo; na Eucaristia é o pão cozido pelo fogo do Espírito Santo, por onde esse divino Espírito confere a vida a outros. A Carne de Cristo dá vida... pelo Espírito, energia divina que nela reside. “A carne do Senhor é espírito vivificante”, diz stº Atanásio...”porque foi concebido por Espírito Vivificador. Aquilo que nasce do Espírito é espírito...” Ora, o Cordeiro de Deus, imolado desde o princípio do mundo ante os olhos de Deus, se deve manter diante de Deus como eterno holocausto ardendo no fogo do Espírito.”

A vontade humana de Cristo, Salvador do mundo, perfeitamente unido para sempre à vontade de Deus Pai neste sacrifício, produz cada movimento pelo qual o Espírito Santo procede no íntimo de nossos corações atraindo-nos à união com o Logos. Por sua vez, o Espírito desperta em nosso coração uma profunda e mística correspondência à ação do Verbo Encarnado que recebemos na comunhão. O Espírito Santo nos revela a realidade da presença de Cristo e a imensidão do Seu amor por nós. O Espírito Santo abre o ouvido secreto, íntimo, do nosso espírito de maneira que possamos distinguir os puros acentos da voz de Cristo, o Homem Deus, que fala no interior de nossas almas, que uniu tão intimamente à Sua. E, por nossa correspondência a essa moção do Espírito de Deus enviado aos nossos corações pela ação do amor pessoal de Cristo por nós, unimos plenamente a nossa vontade à dEle, nosso coração ao Seu Sagrado Coração e nos tornamos ‘um espírito’ com Ele, conforme a palavra de S. Paulo: “Aquele que está unido ao Senhor é um espírito com Ele” (1 Cor 6, 17). O Pai, então, ao nos contemplar não vê senão a Cristo, Seu Filho muito amado no qual põe as Suas complacências.

Thomas Merton, O Pão Vivo.

Católicos no mundo contemporâneo

Já não é estranho para aqueles que assumem um catolicismo integral e real que sejam vistos, nos dias de hoje, como retrógrados e quase extraterrestres. Desde os tempos de Jesus, os cristãos não eram muito estimados. Ninguém permanecia indiferente ao próprio Cristo, ou o amavam, ou o odiavam. Enfim, hoje vivenciamos um tempo difícil onde a convicção da nossa Fé tem de ser firme. A onda do laicismo, que mais tende à anti-religião, não consiste apenas num evento natural que aconteceu e aí está. Há toda uma intenção de pessoas em abolir qualquer que seja a visão espiritual das consciências. Querem matar Deus de novo, mas agora nos corações dos cristãos, como escreveu alguém. E o processo de tentativa já se acha bem adiantado, pois Nietzsche já proclamava a morte de Deus. Ora, eu escrevi “tentativa” porque nunca virá a termo esta proposta luciferina. No entanto, muitos católicos têm cedido às visões toscas que se tem difundido contra a Igreja e contra a religião. Utilizando-se de uma historicidade adulterada, muitos tentam fomentar no coração dos católicos uma certa descrença pela sua Igreja, pelos seus dogmas, pela sua doutrina, pela sua origem e, até mesmo, pela dignidade do seu fundador. Presenciamos, aqui e ali, católicos que assim se dizem, mas que não aceitam isto ou aquilo que a Igreja propõe, que não apreciam Sua Santidade o Papa, que discordam neste ou naquele ponto da doutrina da Igreja. É triste ver que a fé destas pessoas nunca se fortaleceu e que preferem acreditar em teorias fajutas à força de manipulações de fatos históricos que não aconteceram como se contam, de teorias sofistas que visam apenas a destruição da religião porque tem se oposto a um suposto progresso da humanidade. Não é à toa que a Sagrada Escritura diz: “maldito o homem que confia em outro homem”. O resultado desta negação de Deus e de aparente independência do homem como senhor de si mesmo, não tem resultado na prometida felicidade. A relativização dos valores, encarados hoje como tabus puramente culturais, tem dado ao homem uma ilusão de libertação, mas... pura ilusão que não se sustenta senão à constante afirmação de sua mentira por parte do homem, enquanto, na verdade, este tende a se perder num redemoinho de ficções. É irônico ver que, o tempo progride, mas o homem destes tempos parece querer a barbárie. Sim, se está provado que o homem é um animal somente, como o disse Darwin, que não há nada além desta existência, como o afirmou Sartre, que o homem deve satisfazer seus desejos sem escrúpulos, como disse Freud, e que Deus morreu, como escreveu Nietzsche, então, que sentido tem em ser virtuoso, seguir uma instituição puramente cultural que se baseia em valores ultrapassados e cujo autor, embora se declarasse Deus, estava enganado ou mentiu? Esta é a lógica que querem impor aos católicos e a toda civilização com o objetivo de extirpar do mundo a crença em Deus. E, embora não venham a obter o sucesso absoluto desta ridícula empresa, têm feito muitos males a muitos católicos e cristãos em geral, cujos fundamentos não se tornaram firmes.

Os antigos filósofos, os pré-socráticos, embora tão distantes de nós por viverem em tempos tão antigos, apreciavam profundamente a vida de virtude. Faziam-se pobres, renunciavam ter famílias, fascinavam-se pela castidade, eram íntegros, verdadeiros, justos e todas estas virtudes faziam parte de sua educação para os novos filósofos. Não se concebia que um filósofo não fosse virtuoso. Havia um destaque intenso neste sentido. E nós, aparentemente mais evoluídos, desprezamos a virtude como algo qualquer. Claro, numa sociedade hedonista, onde só vale a competição, a vitória sobre o outro, a mentira, a satisfação dos desejos mais torpes, o consumismo, o imediatismo, a comodidade, a posse de bens materiais. Creio que se os antigos filósofos pudessem observar o futuro e nos vissem, se envergonhariam do rumo que a humanidade tomaria em dados dias. Em lembrar que Sócrates deu sua vida por aquilo que acreditava. O mundo de hoje não cultiva verdades e valores que sejam mais valiosos que a vida, e, se alguém o faz, é tido como retrógrado e alienado. Lembro-me também da frase de D. Estêvão Bettencourt: "se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria a Cristo".

Hoje, nós como católicos devemos ser fiéis à Santa e Infalível Igreja Católica. A nossa grande necessidade hoje consiste em dois sentidos: 1º sermos pessoas sérias de espiritualidade profunda, ou, como disse Pe. Roberto Lettieri, homens e mulheres de mistério. 2º sermos apologéticos de respeito, isto é, estarmos em condições de defender a Igreja onde quer que for. Para isto é necessário que nos lancemos ao estudo de sua história, que a conheçamos como realmente aconteceu, que conheçamos a pureza de sua doutrina e que evitemos erros heréticos que são comuns hoje, como por exemplo, a teologia da libertação que, de teologia, só tem o nome. Os cristãos convictos nos tempos atuais incomodam a muitos e serão perseguidos e criticados. Mas devemos permanecer fiéis e seguros. Isto se dá porque a nossa atitude de Fé firme em Deus, denuncia a fragilidade de valores dos inimigos da religião. Devemos conhecer a Deus verdadeiramente, sem invenções, sem caricaturas, mas conhecê-lo como Ele é. Para que não nos enganemos, devemos procurá-lo na Igreja e não fora dela. O Esposo é fiel à sua Esposa. Uma vez escutei de uma pregadora católica mais ou menos o seguinte: "para cada tipo de pessoa, uma igreja diferente". Nada mais errado. Jesus é um só. Devemos amar os nossos irmãos e, como Paulo escreveu, "pregarmos oportuna e inoportunamente". Claro que muitas vezes seremos convidados a pregar num estilo franciscano: "anunciai o Evangelho a todos; se preciso for, use as palavras". Apenas a nossa atitude silenciosa muitas vezes poderá ser mais eficaz do que nossas palavras. Devemos, enfim, crer que a Igreja é Mestra em Fé e Moral. Devemos seguí-la, obedecê-la e, se por acaso ela proclamar algo que a princípio não concordarmos, façamos o doce exercício de nos resignarmos e nos submetermos à voz daquela que sabemos ser a depositária dos tesouros de Cristo. Se uma criança acha que não deve escovar os dentes, mas o pai afirma que deve, quem está certo? É preciso submissão, obediência. Alguns dos inimigos da religião chamarão isto de "dominação de massas"; nós, no entanto, chamamos de amor. Ser católico requer seriedade. Jesus mesmo disse: "Quem não está comigo, está contra mim". Estejamos com Cristo.

Pregações Pe. Roberto Lettieri


Baixe pregações do Pe. Roberto Lettieri visitando o link abixo:

Toca de Assis - Fiel Pelicano

Charge...


Fonte: www.veritatis.com.br

As inspirações do Espírito Santo

… as inspirações do Espírito Santo pelos Sete Dons, não são, geralmente, dramáticas e espetaculares nem por seu objetivo nem por seu modo de atividade. Depois de ler as vidas dos santos e as experiências dos místicos, algumas pessoas ficam convencidas de que a vida mística deve ser algo de uma ópera wagneriana. Coisas tremendas acontecem todo o tempo. Cada nova moção do Espírito é anunciada por trovões e faíscas. Os céus se abrem e a alma evola-se do corpo numa explosão de supra-terrena e resplandecente luz. Aí ela encontra Deus face a face, no meio de um grande turnverein de santos e anjos de trombeta, a voar e a cantar. Há, então, uma eloqüente troca de impressões entre Deus e a alma, num dueto que durará no mínimo sete horas, pois sete é um número místico. Tudo isso pontilhado por terremotos, eclipses do sol e da lua, e explosão de bombas supersubstanciais. Eventualmente, depois de um curto ensaio musical do Fil do Mundo e do Último Juízo, a alma volta a si para descobrir que está rodeado de irmãos cheios de admiração, inclusive um ou dois a tomarem suas notas na previsão de algum futuro processo de canonização.

É, em geral, certo dizer que o ruído e agitação na vida interior são sinais de inspirações saídas de nossas emoções ou de algum espírito que é tudo que quiserem, menos o Espírito Santo. As inspirações do Espírito Santo são quietas, porque Deus fala nas profundezas silenciosas do espírito. Sua voz traz a paz. Ela não levanta excitações, mas as aplaca, pois elas pertencem à incerteza, ao passo que a voz de Deus é certeza. Se Ele nos move à ação, avançamos com uma força pacífica. Na maioria das vezes, suas inspirações nos ensinam a ficar quietos. Mostram-nos o vazio e a confusão de projetos que pensávamos ter feito para a glória de Deus. salva-nos dos impulsos que nos lançariam em rude competição com os outros homens. Livra-nos da ambição. É mais fácil reconhecer o Espírito Santo na obediência e na humildade que Ele inspira. Não o conhece ainda aquele que não saboreou a tranqüilidade que acompanha a renúncia da nossa própria vontade, do nosso prazer, dos nossos interesses, sem glórias, nem notícias, nem aprovação, atenta ao interesse de outra pessoa. As inspirações do Espírito Santo não são grandiosas. São simples. Movem-nos a procurar a Deus em trabalhos que são difíceis sem ser espetaculares. Levam-nos por caminhos que são felizes por ser obscuros. “Ele é o Espírito da Verdade”. (Jo. 14,16), e “a verdade vos libertará”. Suas inspirações fazem-nos puros. Livram-nos da grosseria e da limitação.

E à luz do Espírito Santo podemos ser ao mesmo tempo felizes e tristes. Felizes por causa da verdade de Deus, tristes por causa do que fomos. Felizes também pelo que sabemos que seremos. Achamos força e humildade, desenvoltura e cautela, unidas sob esta luz que nos enchendo de um amor miraculoso, nos ensina o caminho do conhecimento nas trevas.

Ainda uma coisa: a luz do Espírito Santo não nos deixa complacentes conosco mas com Deus só. E se nela não ficamos descontentes conosco, é pela profunda união que ela nos comunica... A luz do Espírito Santo não se confunde com a admiração em que se tem o Fariseu que ama a sua própria imagem.

Thomas Merton, Ascensão para a Verdade, 1958. Ed. Itatiaia, p. 134-136.

Charge


Cristianismo puramente social?

Hoje em dia, mesmo dentro de alguns grupos religiosos e católicos, as pessoas têm assumido uma perspectiva de virtude que mais se assemelha a rebelião, revolução social, termos que já embora não muito nobres, mascaram, na verdade, a prática vaidosa do barulho e da pouca visão religiosa, pra não dizer anti-religiosa. Muitos consideram que seja totalmente cristão agir socialmente e somente socialmente. Tendem a resumir todo o cristianismo a uma espécie de melhoria social, desprezando todo o caráter espiritual, e, por isso mesmo, essencial da Igreja. Nunca comentam trechos evangélicos que se levantem contra esta heresia, mas, na medida do possível, mal interpretam outros tentando fundamentar as suas ideologias. Não conseguem compreender um cristianismo que tenha como base o sobrenatural. Acham que isto é alienação, que mais vale pôr-se em ação e rumar para a transformação social. Pura vaidade. Já dizia o monge Thomas Merton que somente agir pode ser uma espécie de covardia. Estas pessoas são míopes, pois só vêem segundo as fronteiras limitadas de seus horizontes pessoais; têm ainda a visão obscurecida pelo imediatismo e pelo orgulho, disfarçado de virtude. O que diriam da vida monástica, por exemplo? Frei Inácio Larranaga escreve que os monges têm uma vida socialmente inútil, e, por isso mesmo, chama de “a eficácia da ineficácia”, elogiando os monges por sua grandíssima importância na Igreja, em suas celas e em sua discrição. O próprio João Paulo II afirma que a vida contemplativa é o coração da Igreja. A ação cristã só tem eficácia e verdade quando fundamentada na oração. Esta é a reta doutrina da Igreja. É isto o que Jesus ensina ao dizer que Maria escolhera a melhor parte, permanecendo a Seus pés enquanto sua irmã Marta cuidava das coisas de casa. Claro, não se trata de dizer que não seja útil nem necessária a ação social, mas é preciso colocá-la em seu devido lugar e não como sendo a fonte de onde surge o cristianismo. Este erro foi cometido por Judas, que ao entregar Jesus para que fosse interrogado esperava que Ele mostrasse Sua sabedoria e Seu poder, convencendo os fariseus e ocasionando toda uma revolução na hierarquia e na sociedade judaicas. Porém, aquele que foi qualificado como traidor, não havia compreendido bem as coisas. O Reino de Cristo não é deste mundo. Pedro correu um risco de também entender mal as coisas e advertiu a Jesus para que não voltasse a Jerusalém, onde queriam matá-lo. Ora, para Pedro e para tantos, não haveria utilidade nenhuma na morte de Jesus, mas justamente queriam que Ele assumisse o poder, pois essa era a ideologia reinante na época, a do messianisno político, segundo o qual o Reino de Deus seria instaurado à força, e não pelo amor e obediência a Deus. No entanto, Jesus diz a Pedro: “afasta-te de mim Satanás, teus pensamentos não se Deus, mas dos homens”. E justamente na cruz houve a redenção da humanidade. A submissão de Jesus foi infinitamente mais eficaz do qualquer outro projeto de cunho social poderia fazer. Cristo nos ensina a enxergar como Ele e não cair na tentação de parar na aparência sensível. A oração é a vida da alma, afirmava Stª Teresa D’Ávila. A chamada Teologia da Libertação é uma heresia que distorce os valores cristãos e que tem corrompido a muitos. Àqueles que se interessam pelas questões sociais, a Igreja oferece a “Doutrina Social da Igreja”, cujo valor da ação social é colocado em lugar correto, submetido à questão espiritual. Reduzindo a espiritualidade a uma coisa puramente humana e de atuação política, menosprezamos muitos grandes homens que se dedicaram à vida de oração e solidão. Da mesma forma, condenamos o convite do próprio Cristo que a tantos chamou à vida solitária. O verdadeiro cristianismo surge no interior do homem e reflete-se em seus atos. A questão puramente exterior perpetua o farisaísmo e tem eficácia ilusória. Cristo criticou muito este tipo de “religião”. É Ele quem nos ensina: “Orai constantemente e nunca deixai de o fazer”. O próprio Judas que, como vimos, não compreendeu o que Jesus pregara, criticou a mulher que derramara um perfume caro na cabeça de Jesus. Dizia o traidor: “não seria melhor vender este perfume e dar o dinheiro aos pobres?”. E Jesus, cujo olhar vai muito mais além e vê naquele ato uma pura e profunda demonstração de amor, diz: “Em todo lugar em que o Evangelho for pregado, este ato será conhecido”. O que vale é o amor. É claro que a questão social pode e deve ser ato de amor. Mas o reto amor cristão (e o único) surge no interior do homem e é cultivado numa relação de intimidade com Deus. Qualquer amor que seja diferente deste é apenas aparência. Cristo nos ensinou que a corrupção nasce no interior do homem; assim também é o amor é gerado dentro, na alma do cristão, numa profunda intimidade com o Verbo de Deus. Não faltam pessoas que poderiam percorrer o mundo movidos apenas por vaidade. Não faltam os que possam praticar a virtude visando o elogio. Estes atos, embora possam ser muito aplaudidos e reconhecidos, na verdade nada valem. Destes que assim agem, Jesus fala: “já receberam a sua recompensa”. Importa então assumir a proposta verdadeiramente cristã, de obediência e submissão à Santa Igreja, que nos ensina a viver de forma agradável a Deus. Buscar a reta orientação, a clara visão do que seja a santidade, e não apenas uma virtude de aparência que nada mais busca além de uma comodidade social e de uma satisfação da própria vaidade em acreditar puramente em si mesmo. Reconhecemos a verdadeira humildade cristã no ato do precursor: “é necessário que Ele cresça e que eu diminua”. Se não é assim, é vaidade. S. Paulo escreve: “se faço tudo e não tenho amor, eu não faço nada”. E não há amores, mas apenas um amor, que vem de Deus.

Que enfim, os verdadeiros católicos, à correspondência de sua vocação, se se interessam às questões sociais, a elas se dediquem, mas agindo corretamente, nunca depreciando ou negligenciando o caráter essencialmente espiritual da verdade cristã. É importante agir, praticar a caridade com o próximo, mas sabendo que só seremos verdadeiros se conhecemos a Deus, porque Deus é amor.

Fábio Luciano Silvério da Silva

Solidão

Uma solidão material, um silêncio exterior e um verdadeiro recolhimento são uma necessidade moral seja para quem for que deseje levar uma vida contemplativa, mas, como tudo na criação, são apenas meios e não um fim, e, se não compreendermos qual o fim, utilizaremos mal os meios.

Devemos, portanto, lembrar-nos de que procuramos a solidão com o objetivo de, nela, aumentar o nosso amor por Deus e o nosso amor pelos outros homens. Não vamos para o deserto com o intuito de fugir dos homens mas para aprender como encontrá-los: não os deixamos para cessar de manter quaisquer relações com eles, mas para encontrarmos a maneira de lhes fazer todo o bem possível. Mas, isto mesmo, é ainda um objetivo secundário. O fim único, que abrange todos os outros, é o amor de Deus.

A verdadeira solidão não é qualquer coisa exterior a vós, não é a ausência de gente e de ruído em torno de vós: é um abismo a abrir-se no centro da vossa própria alma. E esse abismo de solidão interior é criado por uma fome que nenhuma coisa criada pode satisfazer.

O caminho único para encontrar a solidão é a fome, a sede, a tristeza, a pobreza e o desejo, e o homem que pôde achá-la está tão vazio como se a morte o tivesse esvaziado. Ultrapassou todos os horizontes. Já não lhe resta qualquer caminho por onde possa enveredar. Ela é uma zona cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma. Não é viajando que a encontrareis, mas permanecendo imóvel.

No entanto, é em tal solidão que as mais fecundas atividades têm seu começo. É aí que conhecereis a ação sem movimento, o esforço que é profundo repouso, a visão nas trevas, e, para mais além de qualquer desejo, uma plenitude cujos limites se estendem até o infinito.
Embora, na verdade, tal solidão esteja em toda a parte, há um processo de a encontrar que, dalgum modo, se relaciona com certas condições materiais e topográficas, com o afastamento das cidades e aglomerados humanos.

Deveria existir, ao menos, um quarto ou qualquer recanto onde ninguém vos descobrisse, perturbasse ou se apercebesse de vós. Deveríeis ter a possibilidade de vos desligar do mundo, de vos libertar, desatando todos os engenhosos fios, todos os elos sutis que, pela vista, pelo ouvido, pelo pensamento, vos prendem a outras presenças humanas. Uma vez encontrado tal lugar, contentai-vos com ele e não vos inquieteis se qualquer boa razão dele vos afasta. Amai-o, regressai a ele logo que puderdes e não vos apresseis demasiado a trocá-lo por outro.

Dissemos que a solidão, importante para uma vida contemplativa, é, acima de tudo, algo de interior e espiritual. Admitimos ser possível viver em profunda e pacífica solidão interior no meio do mundo e do seu tumulto. Mas, sob o ponto de vista religioso, esta verdade é, por vezes, mal interpretada. Há homens devotados a Deus cujas vidas estão cheias de agitação e que não têm realmente o desejo de estar a sós. Admitem que a solidão exterior é boa, teoricamente, mas insistem em que muito melhor é salvaguardar a solidão interior, enquanto se vive no mundo. Praticamente, as suas vidas são devoradas por atividades e sufocadas por quaisquer prisões. A solidão interior, é para eles, impossível. Temem-na. Fazem quanto podem para lhe fugir. Pior ainda: esforçam-se por arrastar os outros para atividades tão contínuas e absorventes como as suas. São grandes promotores de tarefas inúteis. Gostam de organizar reuniões, banquetes, discussões públicas e conferências. Imprimem circulares, escrevem cartas, conversam, horas, ao telefone, com o intuito de juntar umas cem pessoas em ampla sala cujo ar todos encherão de fumo de tabaco, no meio do enorme barulho, berrando uns com os outros, aplaudindo com palmas, até que, por fim, retiram para casa, estonteados, a bater pancadinhas nas constas uns dos outros, convictos de que todos realizaram grandes coisas no sentido de dilatar o Reino de Deus.

Nunca encontrareis solidão interior sem que façais qualquer esforço consciente para vos libertar dos desejos, preocupações e interesses de uma existência temporal e mundanal.

Fazei quanto puderdes para evitar os divertimentos, a ruidosa agitação e o que interessa aos negócios dos homens. Conservai-vos tão longe quanto possível donde eles se juntam para se ludibriarem e insultarem, para se explorarem, rirem uns dos outros, zombarem uns dos outros, sob falsas manifestações de amizade. Ponde de parte a leitura dos seus jornais, a não ser que sejais realmente obrigados a inteirar-vos do que se passa. Os jornais são penitência e não recreio. Regozijai-vos, se puderdes manter-vos fora do alcance dos seus aparelhos de rádio. Não vos interesseis por suas etéreas canções ou por suas intoleráveis preocupações sobre o aspecto e saúde corporal.

Não fumeis os seus cigarros, não bebais das suas drogas, não compartilheis das suas inquietações acerca do que se há de comer. Não compliqueis a vossa vida contemplado as gravuras das suas revistas ilustradas. Conservai os vossos olhos puros e os vossos ouvidos tranqüilos e o vosso espírito sereno. Respirai o ar de Deus. Trabalhai, se puderdes, sob o Seu céu.

Se no entanto, tiverdes de viver numa cidade e de trabalhar entre máquinas, viajar no metropolitano e comer num lugar onde a rádio vos ensurdeça com notícias adulteradas, onde o alimento vos arruíne a saúde, e onde a maneira de sentir dos que vos cercam vos envenene o coração com o veneno do tédio, não vos perturbeis mas aceitai tudo como o amor de Deus e como uma semente de solidão depositada na vossa alma. Alegrai-vos com tal sofrimento, porque vos manterá ansiosos pela próxima oportunidade de lhe fugir e estar a sós, no tonificante silêncio do recolhimento e na imperturbável presença de Deus.

Mas, mesmo assim, lembrai-vos de que, se apenas procurais evadir-vos do mundo e dele afastar-vos só porque é (como tem de ser) infinitamente desagradável, não achareis paz e não achareis solidão. Se só procurais a solidão por ela ser o que preferis, nunca vos libertareis do mundo e do seu egoísmo; não alcançareis nunca a liberdade interior que vos manterá realmente sós.

Thomas Merton, Sementes de Contemplação, 1956, p.79-85

Uma história que não é contada - Igreja na Idade Média

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de Civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização.”

(Dr. Thomas Wood, PhD de Harvard-EUA)

Uma história que não é contada, Prof. Felipe Aquino, 2008.

Igreja e Idade Média

"O século XIII, vértice da sociedade medieval, é um dos pontos mais altos e luminosos da história do Ocidente ou mesmo da humanidade. Em poucos decênios, tivemos Giotto, Dante, Tomás de Aquino, mil catedrais...

Eis um breve e incompleto elenco das invenções tecnológicas (obras, quase todas, de monges beneditinos) do homem medieval, que, como diz a lenda, vivia na ignorância e na penitência, apenas à espera do fim do mundo: o moinho de água, a serra hidráulica, a pólvora preta, o relógio mecânico, o arado, a relha, o timão, a roda, o jugo para o cavalo, o canal com reclusas e portas, a canga múltipla para os bois, a máquina para enovelar a seda, o guindaste, a dobadoura, o tear; o cabrestante complexo, a bússola magnética, os óculos. Acrescentemos a imprensa, o ferro fundido, a técnica de refinação, a utilização do carvão fóssil, a química dos ácidos e das bases, etc. Esse impulso ao conhecimento científico e tecnológico continuou nos séculos seguintes: no início do século XVII a Europa contava 108 Universidades, enquanto no resto do mundo não havia uma só... isto põe um problema para o historiador. Por que é que o desenvolvimento ocorreu somente em área cristã, e não fora desta? Por que, hoje ainda, entre os dez países mais evoluidos e ricos do mundo, nove são de tradição cristã? Não há outra explicação senão a que já expus em livros dedicados à questão: há na mensagem cristã alguma coisa que leva os gérmens do desenvolvimento e do progresso. A antropologia da Bíblia exalta o homem e o põe no centro do universo. Além disto, pregando igualdade, ela cria uma sociedade livre, sem barreiras sacrais ou de castas; não há, pois, como se surpreender se, alimentado por tal mensagem, o homem europeu conquistou o mundo... Por que as suas naves lhe permitiam dominar os mares? Por que ele, e ele só, sentiu a necessidade de expandir-se sobre a terra inteira, enquanto a África, a Ásia, a América pré-colombiana permaneciam imóveis nos seus confins? Sem esta nossa maravilhosa Europa, o mundo, como o conhecemos, não existiria. Mas não existiria nem mesmo esta Europa recoberta de glórias, sem as suas raízes cristãs e sem os seus monges".

Prof. Léo Moulin, que foi por cinqüenta anos docente da Universidade Maçônica de Bruxelas, Universidade fundada para fazer frente à Católica de Louvam. Filho de família agnóstica, anticlerical, voltada para o Socialismo, Moulin falou como agnóstico, respondendo ao jornalista italiano Vittorio Messori, que o entrevistou.

Disponível em http://www.presbiteros.com.br/ Idade Média Sim ou Não
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