
Renunciar a si mesmo
Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. No evangelho deste domingo escutamos Jesus, que diz: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.
O que significa «renunciar a si mesmo»? E mais, por que se deve negar a si mesmo? Conhecemos a indignação que suscitava no filósofo Nietzsche esta exigência do Evangelho. Começo respondendo com um exemplo. Durante a perseguição nazista, muitos trens carregados de judeus partiam de todas as partes da Europa para os campos de extermínio. Eram convencidos de embarcar por falsas promessas de serem levados para lugares melhores para o seu bem, enquanto que, ao contrário, eram levados para a destruição. Às vezes, acontecia que em alguma parada do comboio, alguém que sabia a verdade gritava às escondidas para os passageiros: Desçam, fujam. E alguns conseguiam.
O exemplo é um pouco forte, mas expressa algo sobre nossa situação. O trem da vida no qual viajamos vai para a morte. Sobre isso, ao menos, não há dúvida. Nosso eu natural, sendo mortal, está destinado a termianr. O que o Evangelho nos propõe quando nos exorta a renunciar a nós mesmos e a descer deste trem é subir no outro que conduz à vida. O trem que conduz à vida é a fé n'Ele, que disse: «Que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá».
Paulo havia realizado este «transbordar», e o descreve assim: «Já não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim». Se assumimos o eu de Cristo, convertemo-nos em imortais, porque ele, ressuscitado da morte, não morre mais. Isso é o que significa as palavras que escutamos: «Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á». Portanto, está claro que negar-se a si mesmo não é uma operação autolesionadora e renunciadora, mas o golpe de audácia mais inteligente que podemos realizar na vida.
Mas devemos fazer imediatamente uma precisão: Jesus não nos pede para renegar o «que somos», mas «aquilo no que nos convertemos». Nós somos imagem de Deus, somos, portanto, algo «muito bom», como disse Deus mesmo no momento de criar o homem e a mulher. O que temos que renegar não é o que Deus fez, mas o que nós fizemos, usando mal nossa liberdade. Em outras palavras, as tendências más, o pecado, todas essas coisas que são como incrustações posteriores superpostas ao original.
Há alguns anos, descobriram-se no fundo do mar, no mar Jônico, duas massas informes que tinham uma ligeira semelhança com corpos humanos e que estavam recobertas de incrustrações marinhas. Foram levadas à superfície e limpas pacientemente. Hoje são os famosos «Bronzes de Riace» (estátuas gregas de grande beleza, que representam dois homens, e que estão datadas no século V antes de Cristo, N. do T.) custodiados no museu de Reggio Calábria, e estão entre as esculturas mais admiradas da antiguidade.
São exemplos que nos ajudam a entender o aspecto positivo que há na proposta do Evangelho. Nós nos parecemos, no espírito, a essas estátuas antes de sua restauração. A bela imagem de Deus que deveríamos ser está recoberta de sete estratos que são os sete pecados capitais. Talvez seja conveniente trazê-los à memória: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. São Paulo chama esta imagem desfigurada de «imagem terrestre», em oposição à «imagem celeste», que é a semelhante a Cristo.
«Renunciar a si mesmo» não é portanto uma operação para a morte, mas para a vida, para a beleza e para a alegria. Consiste também em aprender a linguagem do verdadeiro amor. Imagine, dizia um grande filósofo do século passado, Kierkegaard, uma situação puramente humana. Dois jovens se amam. Mas pertencem a dois povos diversos e falam duas línguas completamente distintas. Se seu amor quer sobreviver e crescer, é necessário que um dos dois aprenda o idioma do outro. Caso contrário, não poderão comunicar-se e seu amor não durará.Assim, comentava, sucede entre Deus e nós. Nós falamos a linguagem da carne, ele o do espírito; nós o do egoísmo, ele o do amor. Renunciar a si mesmo é aprender a língua de Deus para poder comunicar-nos com ele, mas é também aprender a língua que nos permite comunicar-nos entre nós. Não somos capazes de dizer «sim» ao outro, começando pelo próprio cônjuge, se não somos capazes de dizer «não» a nós mesmos. No âmbito do matrimônio, muitos problemas e fracassos do casal dependem de que o homem nunca se preocupou em aprender o modo de expressar o amor à mulher, e a mulher o do homem. Também quando fala de renunciar a si mesmo, o Evangelho, como pode ser visto, está muito menos afastado da vida do que as pessoas acreditam.
Meditação sobre a passagem evangélica do XXII domingo do tempo comum
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 29 de agosto de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pregador da Casa Pontifícia, à liturgia do próximo domingo.
XXII Domingo do Tempo Comum
Jeremias 20, 7-9; Romanos 12, 1-2; Mateus 16, 21-27
Enviado por Márcio Batista
Vida Sacramental
Estaremos disponibilizando aos leitores, que ainda são poucos, algumas formações sobre os Sacramentos e a sua vivência constante. Atualmente, ao nosso derredor, podemos assistir a triste banalização da vida sacramental no cultivo de uma falsa mística onde os Sacramentos são meros complementares, onde já não importa a pertença à Santa Religião Católica, mas o critério para saber se o “cristão” é realmente válido tem sido apenas a questão das “experiências” sensíveis. Vivemos num tempo de calamidades litúrgicas, e, não raro, encontramos estes defensores de inovações, as mais ridículas, por aí... É, meu caro.. estão soltos e ensinando o que não sabem... cegos que guiam cegos: ambos cairão no mesmo buraco.
Por isso, é sempre benéfico expor o que a Santa Doutrina ensina sobre os Sacramentos e sua indispensável importância na vida cristã... viram o termo que usei? Indispensável... justamente isto. Não é mero capricho ou mero complementar, é necessidade para o autêntico cristão.
O termo sacramento vem do grego Myisterium que, mais tarde dará origem, tanto ao termo “sacramento” quanto a “mistério”. Percebemos, então, por essas derivações que é próprio dos Sacramentos terem o caráter do mistério. O que caracteriza este mistério não é a impossibilidade de se conhecê-lo, mas justamente o fato de ser inesgotável, de não se encerrar... é preciso reconhecer que, embora seja muito profundo o que se pode saber, é sempre maior o que falta conhecer. Ou, na linguagem sanjoanista, tratamos então das notícias de tais verdades, enquanto a substância deles permanece oculta. A Igreja diz que, aquilo que então era manifesto e visível na vida humana do Cristo, após Sua ressurreição e ascensão, dá-se a partir do mistério, de forma velada, onde devemos ir por Fé. Diz ainda que os Sacramentos são sinais visíveis de graças invisíveis. Sobre esta necessidade de se ir por Fé, S. Paulo nos dá o conceito exato do que é esta virtude teologal: “É o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê” (Heb 11). Podemos traçar um paralelo entre esta passagem e a advertência que Nosso Senhor faz a S. Tomé: “Felizes os que crêem sem ter visto”. Em toda a doutrina e em toda a escritura sempre veremos uma exaltação à Fé. Abraão é chamado o “pai da Fé” porque tendo ouvido de Deus a ordem de sair de sua casa e a promessa da terra prometida, sem exigir nenhuma evidência do cumprimento da promessa divina, lançou-se na viagem. O crer antecede a experiência sensível e mesmo a compreensão. Neste sentido também nos diz S. Paulo: “Crede e compreenderás”. O caso do “sem ter visto” estende-se a toda e qualquer evidência sobre o objeto a ser acreditado. Os sacramentos, por tanto, devem ser cridos, sem exigir-lhes comprovações. Para confirmar-lhes a autenticidade, é bastante a autoridade da Igreja conferida pelo próprio Senhor.
Mas, qual a função dos Sacramentos? Por que são indispensáveis? É possível ser cristão sem observá-los? A resposta, de antemão, damos: é não! O fato de serem indispensáveis, indica que são irrenunciáveis. Ou se os observa, ou não se é cristão. Mas, então, expliquemos um pouco algumas coisas...
Assim como Adão pecou e, por Adão, todos pecaram, assim também a Redenção deveria ser universal. Nosso Senhor, morrendo na cruz, redime a humanidade e o faz de forma atemporal, isto é, aproveitam dos efeitos da Paixão do Senhor os que viviam então contemporâneos ao fato histórico, os homens do passado e, também, todas as gerações futuras. Com relação a estas, se faria a exigência de que, para serem de fato favorecidas pelos méritos de Cristo, se incorporassem na Igreja que Ele mesmo fundou, no Seu corpo místico. Essa tal Igreja é a Igreja Católica que vem desde os Apóstolos. Em verdade, esta Igreja surge, mesmo, aos pés da Cruz, do lado de Cristo, o Novo Adão adormecido. É a Nova Eva, assim como a primeira Eva surgiu do lado do primeiro Adão entregue ao sono. Cristo, no sono da morte, inicia a Igreja ao derramar, do seu lado aberto, Sangue e Água, os símbolos da Igreja: o Sangue é a Eucaristia, o próprio Cristo, vértice e fonte de toda prática religiosa autêntica. A água é o Batismo, pelo qual somos inseridos neste Corpo Místico de Cristo e recebemos a vida da Graça. Os Sacramentos, pois, pela própria vontade e instituição de Cristo, são sinais pelos quais vêm a nós os efeitos da Redenção. É por eles, como que por portas, que nos expomos aos raios salvíficos do Sol da Salvação. Estes sacramentos, pois, estão validamente na Igreja, que foi a quem Jesus deu autoridade para ministrá-los. Funcionam, então, como pontes, ligações estabelecidas entre os homens e Deus.
Esta autoridade, de forma absurda, é negada pelos protestantes à força de omissões que fazem dos textos sagrados. Mas, convém saber que ela se fundamenta nas palavras do próprio Jesus. Por exemplo, Jesus diz a Pedro e aos Apóstolos (hierarquia da Igreja e não a qualquer um): “A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados. A quem os retiverdes, serão retidos”, “Dou-vos o poder de ligarem e desligarem, unirem e desunirem. O que vocês ligarem na terra será ligado no Céu, e o que vocês desligarem na terra, será desligado no Céu”. Por fim, Nosso Senhor ainda diz à Sua Igreja: “Quem vos ouve, a Mim ouve. Quem vos rejeita, a Mim rejeita”. Prova disto, é quando fala a S. Paulo, no episódio de sua conversão: “Saulo, por que me persegues?”
Cristo identifica-se com Sua Igreja bendita, Sua esposa, a quem tanto ama e por quem deu Sua vida. Portanto, aqui compreendemos bem três verdades: que os sacramentos foram instituídos pelo próprio Jesus, que a autoridade para ministrá-los foi dado somente à Igreja Católica e que é por eles que vêm a nós os efeitos redentores da Paixão. No entanto, veremos que em um deles, embora seja bem recomendável, não se torna estritamente necessário que se dê por um representante da Igreja... Mais à frente trataremos desta questão.
Importa saber que para estarmos em comunhão com Cristo é preciso ter vida sacramental, isto é, freqüência nos Sacramentos....
Bem, como introdução acho que já está bom. Cabe-nos, então, tão logo quanto pudermos, expor de forma clara e objetiva quantos e quais são os Sacramentos e as características particulares e essenciais de cada um, bem como as associações que se dão entre alguns deles.
Até a próxima oportunidade.
Que Deus os abençoe, em Maria.
Fábio Luciano Silvério da Silva
Contra a falsa noção de ecumenismo
Hoje em dia, tempo de relativismo, onde o termo “ecumenismo” tem sido solto por aí, muitas vezes com uma conotação que ele não tem, muitos têm se dado a reconsiderações sobre o papel da Igreja Católica. Parece que, enfim, a partir do Concílio Vaticano II, por uma falsa hermenêutica (interpretação) já condenada por Bento XVI, há quem esteja interessado em espalhar uma falsa noção de ecumenismo, que mais se identificaria com o sincretismo, filho do relativismo e do indiferentismo religioso, reinantes no mundo contemporâneo. E ainda dizem que a chamada Idade Média é que era a Idade “das trevas”. Mas, vamos ver o que a Igreja diz sobre este tema...
Primeiro, não se pode falar em ecumenismo com religiões não cristãs. Neste caso, temos um diálogo inter-religioso. Nestas relações com movimentos religiosos diferentes, cristãos ou não, a Igreja tem duas políticas de ação: a chamada comunicatio in spiritualibus e a Comunicatio in Sacris. Na primeira, há uma comunhão de oração, de espiritualidade. Esta é utilizada com mais freqüência. Com relação à segunda, há já uma unidade de celebração, e os critérios para tal são muito mais estritos, satisfazendo-os apenas algumas Igrejas Ortodoxas de legítima sucessão apostólica e uso dos sacramentos.
Em se tratando puramente de Ecumenismo, podemos apenas atribuir o reto uso deste prática entre a Igreja e outros movimentos que se professem cristãos. Mas, eis aí justamente a questão. Muitos têm mal interpretado esta relação como se houvesse uma “igualdade” entre as duas interpretações das coisas sagradas. Mais uma vez, esta “igualdade luterana” tem se infiltrado sorrateiramente nos ambientes, mesmo cristãos, e espalhado seus venenos. Não é assim. Não se trata da falsa noção de que o ecumenismo serve para uma possível evolução das visões acerca de Deus. Isto implicaria uma teoria já condenada pelo Papa Bento XVI segundo a qual nenhum sistema ou filosofia poderia afirmar-se capaz de dar conta de toda a realidade, sendo assim, dotada apenas de uma visão parcial. Dentro desta perspectiva, diferentes interpretações seriam, então, complementares. Cristo, desse modo, completaria aquilo que fora iniciado por Buda, por Krishna, etc., ou mesmo, uma Igreja se focaria num aspecto do Cristo, enquanto outra se debruçaria sobre um outro, fazendo assim com que tal união “ecumêmica” as fizesse evoluir. Ora, tudo isto é contrário à Fé e nada disso se inclui na proposta católica de ecumenismo. Algo que evolui é porque nunca foi perfeito. A reta noção de ecumenismo inclui, necessariamente, dois aspectos comumente desconsiderados:
Que não haja um tal indiferentismo entre a Igreja Católica e os demais sistemas. Ter este indiferentismo seria pecar contra a Fé, negar a realidade objetiva e apelar, mais uma vez, para o subjetivismo, onde a opinião pessoal teria precedência de valor em relação à realidade exterior. Isto é heresia, e não corresponde com o próprio conceito de Verdade, que é única e absoluta. Já vimos que não convém considerar que, uma vez que exista este real, cada sistema religioso lhe abarcaria uma parte. O dado revelado o foi de forma absoluta. Jesus é a total verdade sobre o Pai: “ninguém conhece o Pai senão o Filho”. Cristo é a Verdade que deu-se totalmente. Não há outras além dEle. E é óbvio que, existindo de fato, não lhe correspondem as inúmeras interpretações, muitas delas opostas, sobre uma mesma realidade objetiva. Cristo é um só e, como católicos, devemos crer que a plenitude da Revelação está somente na Igreja Católica, fundada por Ele mesmo. Qualquer um, então, que deseje fazer um diálogo ecumênico, de acordo com o que ensina a Santa Igreja, jamais deve vestir-se desta indiferença com relação à Verdade. Deve saber, de antemão, que dispõe de doutrina plena, de Verdade irrefutável, de Revelação Infalível.
O diálogo ecumênico jamais acontece, legitimamente, sem que haja a exposição da Verdade, isto é, da interpretação católica, munida da autoridade do próprio Cristo, seu Esposo. Sabendo que todos os homens são ordenados para a Verdade, para o Bem e para a Beleza, a exposição da doutrina católica, luminosa em si, perfeita, belíssima e sumamente verdadeira, pois ensinada por um Deus, despertará, se mostrada em sua autenticidade, a concordância do ouvinte. Sempre consideramos que a Santa Igreja satisfaz os mais profundos anseios do homem. Ela é de fato a Cidade de Deus, querida e fundada por Seu Filho. Aqueles que lhe resistem faltam com a sinceridade ou não abrem os olhos o bastante para verem.
Enfim, o ecumenismo não tem nada a ver com esta troca religiosa que muitos pregam hoje em dia. O ex frei Leonardo Boff, em um artigo seu, parabeniza um grupo de freiras que, tendo estabelecido morada numa tribo indígena, após 50 anos, não converteram sequer um índio. Afirma ele que isto é que é respeito pela cultura e que é, de fato, o Evangelho. Mas não foi isto o que Nosso Senhor nos ordenou: “Ide e ensinai a toda criatura e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. As irmãs, agindo da forma como agiram, pecam gravemente contra a Fé, negam o batismo para os índios, sem o qual não podem adquirir a vida da graça. Igualam a sua fé com a crença pagã dos nativos e, então, no final de tudo, ainda acreditam serem boas cristãs por isso... é lamentável. Vários papas e doutores, entre eles Sto Agostinho, já haviam criticado essa falsa noção de liberdade que mais corresponde à “liberdade de condenação”, totalmente oposta à proposta do Evangelho.
Que nós não caiamos neste erro de relativizar as coisas. Em verdade, o mundo atual gosta de fazer isto, de misturar tudo, de criar inovações e novidades. Mas Nosso Senhor, seriamente, nos ordena: “não vos conformeis com este mundo”.
Fábio Luciano
Sobre o desenvolvimento do cânon
De vez em quando, temos visto alguns hereges protestantes insistirem em ofender a Santa Igreja em alguns pontos estratégicos onde, sabendo repeti-los, não resistem, porém, a uma argumentação mais séria. São, por vezes, opiniões gratuitas, descontextualizadas, movidas tão somente de ódio e malícia, sem qualquer objetividade. Uma destas questões trata sobre a lista dos livros canônicos, onde afirmam que a Igreja fez acréscimos, introduzindo no conjunto dos livros inspirados, outros contendo doutrinas contraditórias com a ensinada por Nosso Senhor. Nada disso, porém, corresponde à verdade e importa que tratemos, de forma clara, sobre a origem desta escolha, sobre o critério utilizado para reconhecer a canonicidade dos livros contidos na Bíblia.
Antes, porém, convém refletirmos sobre alguns aspectos da Igreja e da Verdade revelada. Primeiramente, católicos e protestantes estão em consenso sobre o evento da Revelação. Realmente, Deus revelou-se ao mundo por meio de Seu Filho Jesus Cristo. Ora, Deus é absoluto e uno. Consequentemente, a Verdade é também una e absoluta, ela é exterior ao homem, ela é dada ao homem. Não é assim, porém, que entendem os protestantes que, liderados por Lutero na Reforma Protestante, passaram a defender o valor do “Livre Exame”, isto é, retiraram toda a objetividade da religião e passaram a tratar-lhe apenas de forma subjetiva. Segundo Lutero, ao ler a Bíblia, cada fiel teria a inspiração direta do Espírito Santo. Em consequência, sua interpretação seria infalivelmente a certa. A verdade de Lutero é puramente subjetiva. Isto, porém, tem conseqüências desastrosas: primeiro, tira toda a objetividade das coisas. Segundo, mostra que não há verdade, pois, se há duas interpretações diferentes válidas, então haverão mil interpretações diferentes válidas, sem falar que muitas delas serão contraditórias. Ora, o Espírito Santo é um e não se opõe a si mesmo ou, como dizia Jesus, um reino não pode se dividir contra si mesmo. Em terceiro lugar, ao retirar qualquer autoridade exterior ao próprio homem, Lutero faz do homem o próprio verbo, pois, então, o pensamento do homem seria precedente à realidade ou, antes, criaria a realidade. Esta seria a conseqüência da sua interpretação. Mas, em toda a história, a única pessoa que ao pensar cria o mundo é o Verbo de Deus. Quanto ao homem, Sto Tomás de Aquino qualificava como pensamento verdadeiro aquele que corresponde ao objeto do conhecimento, isto é, ao real. Neste sentido, se fala de visão objetiva. Vemos, então, que o “achismo” de Lutero é responsável, enfim, pelo grande número de igrejolas que nascem aqui e acolá por pessoas que, em sua vaidade, acham que são o verbo de Deus. No fim, percebemos como isto tudo é ridículo.
Se Deus revelou-se (o que é fato), logicamente cuidaria para que a Revelação permanecesse íntegra, e assim o fez. Cristo, Verbo de Deus, funda Sua Igreja e confia Sua Verdade, que é Ele mesmo, aos Apóstolos e à Igreja que cuidaria de transmitir esta Verdade a todo o mundoaos apSua Igreja e confia Sua Verdadeçolverdadeiro aquele que corresponde ao objeto do conhecimento, segundo a própria ordem de Jesus: "Ide e anunciai a todos os povos"... "Quem vos ouve, a mim ouve. Quem vos rejeita, a mim rejeita". "Batizai a todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", "Eis que esto convosco até o confim dos tempos". Primeiro, será que Deus esperaria 1.500 anos para dar a reta interpretação da Sua Verdade? Se assim fosse, Ele teria encarnado justamente neste tempo. Segundo, devemos reconhecer a autoridade do Cristo dada à Sua única Igreja: "dou-vos o poder de ligarem e desligarem, unirem e desunirem. O que vocês ligarem na terra, será ligado nos Céus. O que desligarem na terra, será desligado nos Céus". Também é oposto à Verdade a suposição de que a Igreja teria se corrompido depois de algum tempo, pois o próprio Cristo prometeu: "as portas do inferno não prevalecerão contra a minha Igreja" e, como já foi expresso, "eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos". Há ainda outra promessa de Jesus com relação ao Espírito Santo, que seguiria formando a Igreja: "Enviarei a vós o Paráclito e Ele vos recordará tudo quanto vos ensinei" e "muitas coisas tenho ainda a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora", donde deduz-se que Cristo permaneceria guiando e conduzindo a Sua Igreja. Dizer que ela se corrompeu é dizer que Jesus mentiu, o que é ilógico. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo e, em virtude dEle, ela é perfeita. É também a Sua amada Esposa, com quem se faz uma só carne, conforme o próprio Cristo diz a S. Paulo que, então, a perseguia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Eis a profunda identificação de Cristo com Sua Esposa, a Igreja. É logicamente absurdo supor que Cristo seria infiel à Sua esposa. Por aí, compreende-se o pecado gravíssimo em que estão submersos estes hereges conhecidos como protestantes. Daí, com a autoridade dada pelo próprio Cristo, a Igreja poder proclamar infalivelmente, no IV Concílio de Latrão: "Não há Salvação fora da Igreja". É esta é a única via construída por Cristo para a Salvação do homem. E é nela que estão os Sacramentos, que trazem a nós os efeitos da Paixão de Nosso Senhor. Dito isto, passemos ao caso dos cânones da Bíblia.
Embora esta questão inclua os dois Testamentos, ela é mais complexa com relação ao Antigo. De fato, existiram dois cânones: o de Alexandria, também conhecido como "Versão dos Setenta" (Septuaginto) que é o verdadeiro e sempre foi usado pela Igreja, desde o tempo dos Apóstolos. E há também o da Palestina, em hebraico, assumido somente pelos fariseus. Eles foram escolhidos em reuniões onde os participantes julgavam criteriosamente quais os livros que deveriam compor a Sagrada Escritura. No primeiro caso, a tradução era grega, do séc. III a.C., e setenta e dois sábios judeus haviam se reunido em Alexandria, no Egito, por causa da diáspora. Os Apóstolos se utilizavam desta Bíblia e, das referências feitas ao Antigo Testamento pelo Novo, trezentas citações reafirmam o uso da Bíblia dos setenta.
O Cânon da Palestina aconteceu em virtude de uma reunião ocorrida em, mais ou menos, 100 d.C., na cidade de Jâmnia, e os critérios para a escolha dos livros canônicos era os seguintes: o livro que fosse escrito fora de Israel já era excluído da relação. Também não podia conter textos em aramaico ou em grego, somente em hebraico. Enfim, não podia ter sido escrito após a época de Esdras (458-428 a.C.). Vê-se que eram critérios densamente nacionalistas. Os livros existentes no cânon dos setenta e excluídos do de Jâmnia são chamados de deuterocanônicos e são, basicamente, sete: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, I e II Macabeus, e algumas partes gregas de Ester e Daniel.
Vê-se, por isto, que a escolha do primeiro cânon, isto é, o de Alexandria, era o usado por Nosso Senhor e os Apóstolos e é também o mais antigo, enquanto o da Palestina, sendo mais recente, assumia como critérios para a validade dos livros, o simples nacionalismo. Assim sendo, não há lógica dizer que os católicos, que mantêm o primeiro cânon, fizeram algum acréscimo mas, antes, que os reformadores, seguindo então o cânon de Jâmnia, REDUZIRAM a lista de livros canônicos. Aliás, isto já não deve surpreender-nos, pois vimos como os protestantes, crendo estarem auxiliados diretamente pelo Espírito Santo, têm feito coisas ridículas em toda a história de seu triste movimento.
Com relação ao Novo Testamento, a coisa simplifica um pouco. É sabido que houveram muitos escritos e que, diante da novidade cristã, muitos se entusiasmavam em escrever algo. No entanto, muitos destes escritos, provindos de pouca compreensão da Fé, continham heresias, algumas bem absurdas. Além dos livros escritos pelos Apóstolos, estes sim confiáveis, outras pessoas, de diferentes comunidades também dedicavam-se a escrever. E era comum que, para certificar-se de que alguém iria ler aquilo, os escritores usassem nomes de pessoas conhecidas do Cristianismo. Neste sentido há, por exemplo, o Apocalipse de S. Pedro, o Evangelho de Sta Maria Madalena, o Evangelho de Tomé, entre outros. Os Apóstolos, bem instruídos com relação à doutrina de Nosso Senhor, assumiram como critério para a validade de tais livros justamente a integridade da doutrina.
Temos que compreender que, antes do surgimento da bíblia do Novo Testamento, a Igreja já transmitia as verdades da Fé pela Tradição, uma das fontes de Revelação que a Igreja Católica observa. É por isto que o Apóstolo diz que a Fé vem pelo ouvir. Demorou-se muitos anos até que se compusesse os livros do Novo Testamento, e, até lá, a evangelização era feita pela voz. A Bíblia neo-testamentária só foi possível por causa da tradição. Foi ela que manteve a integridade da doutrina ensinada por Nosso Senhor. Interessante que os protestantes negam a Tradição, mas usam do livro dos Atos que é já o início da Tradição da Igreja. Se, como vimos, Nosso Senhor iria continuar a formar Sua Igreja, é óbvio que nem tudo estaria na Bíblia e que, aliás, a Bíblia seria filha da Igreja e não mãe dela. Foi a Igreja que formou os livros canônicos do Novo Testamento. Os demais eram chamados de apócrifos e, até hoje, gravitam por aí, fazendo muito uso deles os movimentos de cunho gnóstico, na tentativa de fundamentar seus disparates. Dentre estes apócrifos, havia alguns que mostravam um Jesus excêntrico que nunca piscava os olhos, ou que não deixava marcas no chão quando andava, ou que não precisava trocar de roupa porque esta crescia com Ele, ou que não precisava se alimentar. É também dos apócrifos esta teoria, mais ou menos disseminada entre nós, de supostos milagres feitos por Jesus em Sua infância. De fato, tais escritores não compreendendo a vocação de vida ordinária de Jesus, não podiam conceber que Deus feito homem pudesse viver de forma comum a Sua infância. Seria um absurdo se tais livros entrassem no conjunto da Bíblia, pois, se Cristo deve ser o nosso modelo, imaginem só pessoas por aí esforçando-se para nunca piscarem os olhos, ou então, nos confessionários, admitindo tristemente que tinham caído na tentação de trocar de roupa... É absurdo.
Enfim, acho que ficou claro essa questão. Os católicos, diante destas investidas protestantes, não devem temer e nem ficar contrariados. Estão na Igreja certa. Revistam-se do escudo da Fé para apagar os dardos inflamados do inimigo e munam-se do estudo da Santa Igreja para estarem prontos para responderem a razão de nossa Fé. Em especial nestes dias, onde as trevas avançam, faz-se necessário que sejamos luzeiros no meio de uma sociedade perversa e maliciosa que tende a se incomodar com aqueles que professam a Verdade única e absoluta, ou seja, nós, cristãos Católicos Apostólicos Romanos.
“Homens de estudo e homens de oração... mas antes, homens de oração”.
Fábio Luciano Silvério da Silva
A leitura da Bíblia
Ninguém pode servir a dois senhores
Aquele que cultiva a virtude deve ser um homem simples e firme, que saiba como produzir os frutos da piedade, que jamais tome os caminhos do mal e não afaste da sua fé o discernimento da piedade. Ele deve ser simples e reto e desconhecer as paixões contrárias ao seu caminhar, pois não poderia caber a mesma retribuição à esposa e àquela que se entrega à prostituição.
Disse o bem-aventurado Moisés:"Não trabalharás com o teu arado atrelando nele animais diferentes, como o boi e o asno, mas colherás a tua colheita colocando sob a canga animais da mesma espécie; não tecerás uma veste com dois tipos diversos de fio, lã e linho conjuntamente; não semeares na mesma terra dois tipos diferentes de grãos, um após o outro, no mesmo ano. Não acasalarás dois animais de diferentes espécies, mas o farás com os da mesma espécie'' ( Dt 22,10; Lv 19,19 ).
Que significam tais enigmas para o santo? Que não se deve semear na mesma alma o vício e a virtude nem dividir a própria vida entre os opostos, cultivando, ao mesmo tempo, o trigo e os espinhos. Não é justo que a esposa de Cristo cometa adultério com os inimigos de Cristo; ela não pode conceber a luz em seu seio e dar à luz as trevas ( 2 Cor 6,14 ).
Não é natural que essas coisas caminhem juntas, como não o é a virtude caminhar com o vício. Que amizade poderia haver entre a moderação e a intemperança? Que acordo entre a justiça e a injustiça? Que sociedade entre a luz e as trevas? ( 2 Cor 6,14 ), Uma cederia lugar à outra e quem ficaria para a batalha?
É necessário, pois, que o sábio agricultor espalhe as águas puras de sua vida sem mistura de qualquer lodo ( 1 Cor 3,6 ); ele deve conhecer somente as colheitas de Deus e nelas trabalhar com perseverança durante toda a sua vida. Então, mesmo que venha a aparecer algum pensamento estranho, encoberto pelos frutos da virtude, Aquele que tudo vê observará os teus trabalhos ( Mt 11,26 ) e, rapidamente, por seu próprio poder, arrancará a raiz desses maus pensamentos, falsos e ocultos, antes que ela germine. Porque, se alguém persevera nos trabalhos da virtude, a graça do Espírito Santo o acompanhará e destruirá logo as sementes do vicio. É impossível àquele que permanece sempre com Deus vir a perder a esperança ou cair no abandono.
São Gregório de Nissa
Disse o bem-aventurado Moisés:"Não trabalharás com o teu arado atrelando nele animais diferentes, como o boi e o asno, mas colherás a tua colheita colocando sob a canga animais da mesma espécie; não tecerás uma veste com dois tipos diversos de fio, lã e linho conjuntamente; não semeares na mesma terra dois tipos diferentes de grãos, um após o outro, no mesmo ano. Não acasalarás dois animais de diferentes espécies, mas o farás com os da mesma espécie'' ( Dt 22,10; Lv 19,19 ).
Que significam tais enigmas para o santo? Que não se deve semear na mesma alma o vício e a virtude nem dividir a própria vida entre os opostos, cultivando, ao mesmo tempo, o trigo e os espinhos. Não é justo que a esposa de Cristo cometa adultério com os inimigos de Cristo; ela não pode conceber a luz em seu seio e dar à luz as trevas ( 2 Cor 6,14 ).
Não é natural que essas coisas caminhem juntas, como não o é a virtude caminhar com o vício. Que amizade poderia haver entre a moderação e a intemperança? Que acordo entre a justiça e a injustiça? Que sociedade entre a luz e as trevas? ( 2 Cor 6,14 ), Uma cederia lugar à outra e quem ficaria para a batalha?
É necessário, pois, que o sábio agricultor espalhe as águas puras de sua vida sem mistura de qualquer lodo ( 1 Cor 3,6 ); ele deve conhecer somente as colheitas de Deus e nelas trabalhar com perseverança durante toda a sua vida. Então, mesmo que venha a aparecer algum pensamento estranho, encoberto pelos frutos da virtude, Aquele que tudo vê observará os teus trabalhos ( Mt 11,26 ) e, rapidamente, por seu próprio poder, arrancará a raiz desses maus pensamentos, falsos e ocultos, antes que ela germine. Porque, se alguém persevera nos trabalhos da virtude, a graça do Espírito Santo o acompanhará e destruirá logo as sementes do vicio. É impossível àquele que permanece sempre com Deus vir a perder a esperança ou cair no abandono.
São Gregório de Nissa
Vida cotidiana

Estava lendo esta semana uns textos e deparei-me com o seguinte parágrafo:
“Quando descobris que alguma coisa vos foi de proveito, procurais atrair outros. Tendes, pois, que desejar que haja outros que vos acompanhem pelos caminhos do Senhor. Se ides ao foro ou às termas, e deparais com alguém desocupado, vós o convidais a acompanhar-vos. Aplicai ao campo espiritual este costume terreno e, quando fordes a Deus, não façais sozinho”(São Gregório Magno).
Assim me senti incentivado a falar de Cristo Nosso Senhor mesmo que apenas algumas linhas. Desde já peço ao Divino Espírito Santo que direcione os parágrafos que se seguem.
“Quando descobris que alguma coisa vos foi de proveito, procurais atrair outros. Tendes, pois, que desejar que haja outros que vos acompanhem pelos caminhos do Senhor. Se ides ao foro ou às termas, e deparais com alguém desocupado, vós o convidais a acompanhar-vos. Aplicai ao campo espiritual este costume terreno e, quando fordes a Deus, não façais sozinho”(São Gregório Magno).
Assim me senti incentivado a falar de Cristo Nosso Senhor mesmo que apenas algumas linhas. Desde já peço ao Divino Espírito Santo que direcione os parágrafos que se seguem.
Comecemos relembrando um mandatum (mandato) de Nosso Senhor Jesus Cristo:
“... sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48). O que Jesus quis dizer com isso? Essa é uma pergunta razoável, então pra esclarecer um pouquinho mais vejamos o que nos diz São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Tess 4,3 ).
Em resumo, o que Deus nos pede é simplesmente que sejamos santos. Tenho a certeza que muitas pessoas dizem que isso não é para elas e outras dizem que isso é impossível em uma sociedade hedonista como a nossa. Novamente vamos buscar força nas palavras de Jesus: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo16, 33).
Gostaria de salientar, na verdade gostaria de marcar a fogo em vossas memórias que o mandato que Cristo dá não é apenas para os Bispo, ou os Presbíteros ou mesmo as freiras. É para todos, PARA TODOS! É para o leiteiro, o açougueiro, o pedreiro, o professor, o bancário, o empresário, o comerciante, o faxineiro, o zelador, o estudante, para a dona de casa, enfim, para todos SEM EXCEÇÃO.
Gostaria que ao aproximarmo-nos do Cristo Crucificado, O escutássemos a nos convidar a sermos cristãos verdadeiros, autênticos e canonizáveis. Em outras palavras, Ele nos convida a abraçar amorosamente a nossa cruz de cada dia e segui-Lo. Tenho certeza que algumas pessoas já perceberam que tudo o que digo é a forma mais racional de se aproximar de Cristo, mas, ainda assim, se perguntam: o que devo fazer? Poderia falar de vários caminhos que nos aproximam de Deus, porém eu só quero dá uma pincelada sobre a vida comum no meio do mundo.
A maioria de nós não terá que dar a vida por sua fé (martírio), talvez também não tenhamos a oportunidade de sermos como São Vicente de Paulo ou Madre Teresa de Calcutá, mas com certeza teremos que nos vencer diariamente nas pequenas coisas, teremos que enfrentar aquelas batalhas como: lavar os pratos, fazer o exercício de matemática, comprar o pão na hora do jantar, não assistir aquela novela sem valores, ser atencioso com aquela vizinha irritante, tolerar as broncas do patrão mandão, ou ainda depois daquele dia de trabalho estafante dá um pouco de atenção para os filhos. Enfim, milhões de coisinhas do nosso dia que são quase um martírio para nós.
Então se amamos verdadeiramente a Cristo, não só com sentimentos, pois esses às vezes nos enganam, mas com nossa vontade e inteligência, buscaremos nos corrigir e aperfeiçoar-nos para Cristo assim como faz um rapaz que deixa toda a desordem de sua vida quando encontra aquela moça linda por quem seu coração bate mais forte. Logo para sermos mais perfeitos em nossos trabalhos, em nossas relações familiares e estudos devemos fazer tudo por amor a Cristo, nos unindo com Ele em seus sofrimentos na cruz, isto é, “... [colocando] amor onde não há amor, para tirar amor” (São João da Cruz). Assim fica a exortação do Apóstolo dos Gentios a nos despojarmos de nós mesmos para seguir a vontade de Cristo.
Enfim, finalizo com um pedido a Nossa Senhora para que nos guie pelos caminhos de seu Filho e a sermos fiéis e dedicados a tudo que Ele nos ensinou.
22 de Agosto de 2008.
Márcio B.
Não foi para rir que eu te amei

No quarto dia da semana santa, encontrava-me em profunda meditação sobre a morte do Filho de Deus, e meditava com dor.
Então foram ditas à minha alma estas palavras: “não foi para rir que eu te amei”.
Essas palavras desferiram-me na alma um golpe mortal. Eu as sentia em sua verdade radical: não, não, ele não me tinha amado para rir, mas com um amor incrivelmente sério, verdadeiro, profundo, perfeito.
E vieram outras palavras que aumentaram meu sofrimento: “não foi para rir que eu te amei; não foi por imitação que me fiz teu servo; não foi de longe que me comuniquei contigo”.
Quanto a mim, foi o contrário em tudo: meu amor não passou de brincadeira, mentira, afetação. Na verdade, nunca quis aproximar-me de vós.
E como eu estivesse surpresa com estas palavras: “não foi de longe que me comuniquei contigo”, ele acrescentou outras: “Tenho mais intimidade contigo que tu mesma”.
E enfim: “Se alguém quisesse falar comigo, conversaríamos os dois com imensas alegrias”.
Então foram ditas à minha alma estas palavras: “não foi para rir que eu te amei”.
Essas palavras desferiram-me na alma um golpe mortal. Eu as sentia em sua verdade radical: não, não, ele não me tinha amado para rir, mas com um amor incrivelmente sério, verdadeiro, profundo, perfeito.
E vieram outras palavras que aumentaram meu sofrimento: “não foi para rir que eu te amei; não foi por imitação que me fiz teu servo; não foi de longe que me comuniquei contigo”.
Quanto a mim, foi o contrário em tudo: meu amor não passou de brincadeira, mentira, afetação. Na verdade, nunca quis aproximar-me de vós.
E como eu estivesse surpresa com estas palavras: “não foi de longe que me comuniquei contigo”, ele acrescentou outras: “Tenho mais intimidade contigo que tu mesma”.
E enfim: “Se alguém quisesse falar comigo, conversaríamos os dois com imensas alegrias”.
Visão de Santa Ângela de Foligno
Introdução à encíclica contra o comunismo

1. A promessa dum Redentor divino ilumina a primeira página da história da humanidade; e assim a firmíssima esperança de melhores dias, assim como suavizou a dor causada pela perda do paraíso de delícias, assim foi acompanhando os homens através do seu caminho de amarguras e inquietações, até que enfim, quando chegou a plenitude do tempo, o nosso Salvador, vindo à terra, cumulou as ânsias dessa tão longa expectação da humanidade e inaugurou para todos os povos uma nova civilização cristã, que vence e quase imensamente supera a que algumas nações mais privilegiadas atingiram, à custa dos maiores esforços e trabalhos.
2. Depois da miserável queda de Adão, como conseqüência dessa mácula hereditária, começou a travar-se o duro combate da virtude contra os estímulos dos vícios; e jamais cessou aquele antigo e astuto tentador de enganar a sociedade com promessas falazes. É por isso que, pelos séculos afora, as perturbações se têm sucedido umas às outras até à revolução dos nossos dias, a qual ou já surge furiosa ou pavorosamente ameaçada atear-se em todo o universo e parece ultrapassar em violência e amplitude todas as perseguições que a Igreja tem padecido; a tal ponto que povos inteiros correm perigo de recair em barbárie, muito mais horrorosa do que aquela em que jazia a maior parte do mundo antes da vinda do divino Redentor.
3. Vós, sem dúvida, Veneráveis Irmãos, já percebestes de que perigo ameaçador falamos: é do comunismo, denominado bolchevista e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã.
Introdução da Carta Encíclica Divini Redemptoris, de Sua Santidade Pio XI.
Namoro
O namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para o matrimônio.
No matrimônio homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na geração de novas vidas humanas.
Mas antes de doar os corpos é preciso doar as almas. No namoro os jovens procuram conhecer, não o corpo do outro, mas sua alma.
Os namorados não podem ter relações sexuais, pois o corpo do outro ainda não lhes pertence. Unir-se ao corpo alheio antes do casamento (fornicação) é um pecado contra a justiça, algo como um roubo.
E como nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Cor 6,19) a profanação de nosso corpo é algo semelhante a um sacrilégio.
"Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá . Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós" (1Cor 3,16-17).
Porém não é apenas a fornicação que é pecado, mas também tudo o que provoca desejo da fornicação, como abraços e beijos que, muitíssimo mais que constituírem expressões de afeto, despertam, alimentam e exacerbam o desejo físico.
Aliás, é possível profanar o templo do nosso corpo até por um pensamento: "Todo aquele que olha para uma mulher com mau desejo já cometeu adultério com ela em seu coração" (Mt 5,28).
Durante o namoro deve-se evitar o contato físico desnecessário. O contato entre os corpos (beijos e abraços), além de causar o desejo de fornicação , obscurece a razão. O próprio beijo na boca ou de novela já constitui uma entrega física, que, se acidentalmente pode não se consumar, no entanto a prepara ou apressa. Vale aqui lembrar a advertência de Cristo: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito é pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26,41).
O prazer da excitação dos sentidos, além disso, torna os jovens incapazes de perceber a beleza da alma do outro. O namoro assim deixa de ser uma ocasião de amar para ser uma ocasião de egoísmo a dois, cada um desejando sugar do outro o máximo de prazer.
Como Namorar
Sendo o namoro o encontro de dois templos sagrados que desejam conhecer-se e amar-se interiormente, os namorados deveriam agir à semelhança de um rito litúrgico:
rezar antes e depois do namoro;
namorar apenas em lugar visível, para evitar ocasião de pecar. Nada há para esconder;
durante o namoro evitar ir além de conversar e dar as mãos;
ter sempre em mente : "Eu estou diante de um templo sagrado. Ai de mim se eu profanar este templo até por um pensamento".
ter sempre em mente : "Eu estou diante de um templo sagrado. Ai de mim se eu profanar este templo até por um pensamento".
E se o outro não aceitar namorar cristãmente?
É preciso renunciar ao namorado (à namorada).
"Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim. E aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10,37).
E Jesus poderia acrescentar :
"Aquele que ama o namorado ou a namorada mais do que a mim não é digno de mim".
Para conservar a graça que Cristo nos conquistou com o preço de seu sangue, devemos renunciar até à própria vida .
Mas há um consolo. Se outro não aceitar namorar senão através de beijos e abraços escandalosos, na verdade ele não ama você, mas deseja gozar do prazer que você pode oferecer. O verdadeiro amor sabe esperar.
É preciso ser diferente de todo o mundo?
Sim. O cristão deve ser sal da terra (Mt 5,13), luz do mundo (Mt 5,14), fermento na massa (Mt 13,33).
"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito" (Rm 12,2)
A alegria da pureza
Aquele que procura o prazer, encontra o prazer. Mas depois vem o vazio, o remorso de consciência e a tristeza.
Aquele que se abstém do prazer por amor encontra a alegria . Os puros de coração são capazes desde já de conhecer as coisas de Deus muito melhor do que os outros. A pureza se expressa no olhar. Ao olharmos para os olhos de uma pessoa pura, vemos algo de Deus em sua alma.
Se os que buscam o prazer na impureza conhecessem a alegria da pureza, desejariam ser puros mesmo que fosse por egoísmo. A alegria da pureza está acima do prazer da impureza assim como o céu está acima da terra. Experimente e diga-me se não é assim.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Oração para antes do namoro
Senhor,Estou aqui diante de um templo santo onde vós habitais. Amo-vos presente neste templo e prefiro morrer a profanar este santuário mesmo por um pensamento.Fazei que com este namoro eu aprenda a amar a vós presente no outro e assim descubra se foi este (esta) quem escolhestes para estar ao meu lado por toda a minha vida.São Rafael Arcanjo, que conduzistes Tobias a Sara e lhes ensinastes a pureza do coração, fazei-nos namorar de tal modo que os anjos possam estar presentes e glorificar a Deus conosco .Virgem puríssima, dai-nos a pureza do vosso Imaculado Coração.
Depois do namoro
Convém fazer um exame de consciência:"Estou agora amando a Deus mais do que antes?"
(Com aprovação eclesiástica)
Disponível em
http://www.providaanapolis.org.br/namoro.htm
Que coisa, não?
Ai, Deus do Céu. A que estado chegamos, e para onde vamos? Muitos se erguem contra a Perfeita Doutrina Católica à força de falsas doutrinas sofísticas. Oh, funesta ocupação, a de doutrinar os homens ao ateísmo e seus equivalentes. Lembro-me das palavras de Jesus, como se estivesse a dizer hoje: “até quando terei que suportar-vos?”
Seria cômico se não fosse triste, ver a obstinação de universitários e professores da academia na tentativa, cega, de propor soluções para o mundo desvinculadas de Deus e, ainda, que neguem o princípio fundante da criação. Oh, que perda de tempo... Mas, hei-los! Seguem convencidos que são os novos “budas”, de que têm a missão salvífica de livrar o mundo do mito de Deus, assim como os gregos que, a partir da filosofia, do Logos, abandonaram os seus mitos. Mas, bem aventurado o Apóstolo João, que já chega destroçando estes sofismas ao escrever: “No princípio era o Logos... e o Logos se fez carne e habitou entre nós”. E é justamente isto! O Logos, assim como no episódio dos filósofos gregos, destrói a mentira, desfaz as ilusões e nos dá acesso à Verdade! Não, mas os nossos colegas “filósofos” não conseguem perceber estas prefigurações, estas simbologias... A metafísica, dizem, já não dá conta das questões atuais, é preciso evocar Marx, o novo messias dos jovens acadêmicos. “Não sigam a Jesus! O verdadeiro messias é Marx, e Che é seu profeta”. É hilário. Infeliz pretensão humana. Diante destas questões e ao ver a insistência de Deus pela Salvação da humanidade, somos impelidos a perguntar, como o salmista: “que é o homem, Senhor, para dele te lembrares?”
Mas não, não querem aceitar a Verdade revelada: “Ele veio para os seus, mas os seus não O reconheceram”. Já não aceitam que haja uma verdade, não conseguem conceber que uma forma de consideração do real que se afirme universal e absoluta. Por que será que há este medo? Por que tanta relativização? Ah, isto é resultado da evolução do conhecimento! Será? Ou será que é resultado de uma intensa doutrinação às avessas estendida de forma velada? Será mesmo que a proposta cristã já não satisfaz o homem contemporâneo? Ou, se satisfaz, será que realmente poderia ser falsa? Ah, mas o dogmatismo, afirmam como se soubessem o que é um dogma, é inimigo da verdade, pois esta é fruto da investigação! Haha.... talvez a frase ficasse melhor se dita assim: “o conhecimento da verdade é fruto da investigação”. A verdade existe mesmo se ninguém quiser conhecê-la. É que o subjetivismo chegou ao extremo... Ora, é lógico que por mais que eu ignore alguma coisa, ela pode existir. Nunca fui em Plutão e, certamente, nunca irei... mas daí afirmar que Plutão, em realidade, não existe não tem lógica. Pois bem. A Verdade existe por si só, é preexistente e absoluta. As coisas só podem ser descobertas se já existem, senão, só podem ser inventadas. E é justamente isto o que estes pseudo-filósofos querem: inventar verdadezinhas. Isto é mais cômodo, visto que assim cada um pode ser fiel a seus desejos mais baixos, à sua fraqueza moral. Mas a moral é cultural, insistem, na esperança de que ela “evolua”, abolindo os “tabus” e permitindo a civilização do hedonismo. Para este fim, inúmeros meios não faltam. A idéia de uma Verdade absoluta indica dever de conformidade, mortificação de tendências contrárias a ela e, o que é mais assustador pra eles, que as teorias opostas a tal Verdade sejam, forçosamente, erradas.
Acham que é uma pretensão sem medida que a Igreja afirme, hoje em dia, ser a detentora da Verdade. Isto fere-lhes a vaidade, ameaça-lhes os sonhos, faz parecerem ridículos com suas doutrinazinhas pessoais. É como se vislumbrassem, sofridamente, a própria insignificância diante da proposta benfazeja e rigorosa do Cristo. Não podem comparar-se. Para isto, negam a divindade. Interessante que, recentemente, muitos têm se dado ao trabalho (cômico) de provar que Jesus nunca existiu historicamente. Depois de um punhado de fantasias sobre supostos casamentos, filhos, túmulos, irmãos, etc... agora eles vêm com essa. Eita que medo do Cristo! Parecem aqueles personagens do apocalipse pedindo, no fim dos tempos, para que as pedras caiam sobre si a fim de esconderem-se embaixo delas.
Muitos dos inimigos da religião buscam pôr sobre os ombros a capa da sinceridade. E dá-lhe sofistas! Libertar o homem de sua escravidão da divindade, de sua invenção tão antiga, torna-se uma missão. E eles não podem criar essas historinhas se não pegam como modelo a própria visão messiânica de libertação. Mas ficam tão engraçados... viram caricaturas ridículas de profetas.... palhaçadas sistematizadas é o que escrevem. E aí vão seus seguidores, repetindo, a torto e a torto, seus slogans. Só falta dizerem no final: “oráculo do papagaio”. Enquanto isto, a Verdade segue com toda a sua força.
Pobres vítimas destas vítimas do próprio orgulho... Como será que um mentiroso pode se defender? Das duas uma: ou afirma que está falando a verdade (daí os inúmeros “profetas” criadores de religião) ou então nega que haja uma verdade, para se garantir o direito de ser mais um que proclama abobrinhas. Simples estratégia... Que coisa... parece que cada vez mais o crédito deles decresce. Aliás, nunca houve nenhum, não é? Somente aparentemente.
Tratemos, um pouco, sobre esta questão da investigação... vimos que a Verdade existe por si só. E, de tal modo ela é suprema, como dizia o salmista: “tal ciência é grandiosa, não alcanço de tão alta”, que foi preciso que houvesse a Revelação para que nós a conhecêssemos perfeitamente. Ela se revelou, se deu a conhecer. Esta verdade não é fruto de uma subjetivação, mas ela é em si, ou melhor, ela simplesmente é: “Eu sou”. Isto não quer dizer, no entanto, que não devamos fazer nada. É preciso sim estudá-la. De fato, toda a Revelação já foi dada, mas devemos nos debruçar sobre ela para que alcancemos sempre profundidades maiores, visto ela ser inesgotável. E, justamente tal Verdade é o que enriquece o ser humano e lhe tira o véu do engano dos olhos. É assim que a Igreja, incorporando a filosofia grega, a purifica e eleva. É assim que Santo Tomás, ao cristianizar Aristóteles, ensina na Suma Teológica que a Teologia cumpre perfeitamente as exigências para ser chamada de ciência. Daí, se nos aprofundarmos na Escolástica, nos escritos dos Santos Padres, perceberemos sempre uma possante vontade investigativa. Não como Descartes, que não acreditava em algo antes de analisá-lo. O cristão, por dispor de uma Verdade revelada pelo próprio Deus, a estuda porque crê, sua fé não depende dos alcances do seu entendimento com relação ao mistério, e é anterior à investigação. Ela é a priori, como escreveu o Apóstolo: “crede e compreenderás”. Mas, casos não faltam de pessoas alheias à Verdade que, dotadas de sinceridade, passaram a crer firmemente em Deus, mesmo por força das evidências. Acredito eu que, por exemplo, quem se debruçar nas cinco vias de Sto Tomás de Aquino, ainda que sem fé, chegará a crer na divindade, mesmo que, então, esta não se identifique totalmente com o Deus pregado pela Igreja Católica. Mas, prosseguindo seus estudos, chegará lá, será acolhido no seio da Igreja e, então, poderá mergulhar de forma mais efetiva na infinita riqueza da qual a Igreja é a única dispensadora. Aqueles que, porém, se lançam ao feliz estudo das verdades da Fé, devem compreender que elas lhe ultrapassam infinitamente. A Teologia é então benéfica enquanto não assume a pretensão de poder encerrar o conhecimento sobre Deus. Ela deve reconhecer seus limites. É a partir daí, desta incapacidade de avançar determinadas alturas, que surge a chamada Teologia Apofática, assunto que não devemos tratar aqui. Mas... com tudo isto, percebemos que os mais alheiozinhos à Verdade e que lhe temem terrivelmente são, justamente, os que a acusam a Religião sem se dar ao trabalho de conhecê-la e, ouso dizer sem medo, que a acusam por não conhecê-la. De outro modo, teríamos de atribuir uma grande má intenção a estes críticos, o que infelizmente existe muitas vezes. Estas coisas, ditas assim, escandalizam alguns, mas eu não estou nem aí...
Verdade sem Deus não há. Conhecer esta Verdade sem a Igreja é ilusão...
O relativismo me xingaria. O subjetivismo me julgaria. E, enquanto isto, eu assobio tranquilamente...
Fábio Luciano
Seria cômico se não fosse triste, ver a obstinação de universitários e professores da academia na tentativa, cega, de propor soluções para o mundo desvinculadas de Deus e, ainda, que neguem o princípio fundante da criação. Oh, que perda de tempo... Mas, hei-los! Seguem convencidos que são os novos “budas”, de que têm a missão salvífica de livrar o mundo do mito de Deus, assim como os gregos que, a partir da filosofia, do Logos, abandonaram os seus mitos. Mas, bem aventurado o Apóstolo João, que já chega destroçando estes sofismas ao escrever: “No princípio era o Logos... e o Logos se fez carne e habitou entre nós”. E é justamente isto! O Logos, assim como no episódio dos filósofos gregos, destrói a mentira, desfaz as ilusões e nos dá acesso à Verdade! Não, mas os nossos colegas “filósofos” não conseguem perceber estas prefigurações, estas simbologias... A metafísica, dizem, já não dá conta das questões atuais, é preciso evocar Marx, o novo messias dos jovens acadêmicos. “Não sigam a Jesus! O verdadeiro messias é Marx, e Che é seu profeta”. É hilário. Infeliz pretensão humana. Diante destas questões e ao ver a insistência de Deus pela Salvação da humanidade, somos impelidos a perguntar, como o salmista: “que é o homem, Senhor, para dele te lembrares?”
Mas não, não querem aceitar a Verdade revelada: “Ele veio para os seus, mas os seus não O reconheceram”. Já não aceitam que haja uma verdade, não conseguem conceber que uma forma de consideração do real que se afirme universal e absoluta. Por que será que há este medo? Por que tanta relativização? Ah, isto é resultado da evolução do conhecimento! Será? Ou será que é resultado de uma intensa doutrinação às avessas estendida de forma velada? Será mesmo que a proposta cristã já não satisfaz o homem contemporâneo? Ou, se satisfaz, será que realmente poderia ser falsa? Ah, mas o dogmatismo, afirmam como se soubessem o que é um dogma, é inimigo da verdade, pois esta é fruto da investigação! Haha.... talvez a frase ficasse melhor se dita assim: “o conhecimento da verdade é fruto da investigação”. A verdade existe mesmo se ninguém quiser conhecê-la. É que o subjetivismo chegou ao extremo... Ora, é lógico que por mais que eu ignore alguma coisa, ela pode existir. Nunca fui em Plutão e, certamente, nunca irei... mas daí afirmar que Plutão, em realidade, não existe não tem lógica. Pois bem. A Verdade existe por si só, é preexistente e absoluta. As coisas só podem ser descobertas se já existem, senão, só podem ser inventadas. E é justamente isto o que estes pseudo-filósofos querem: inventar verdadezinhas. Isto é mais cômodo, visto que assim cada um pode ser fiel a seus desejos mais baixos, à sua fraqueza moral. Mas a moral é cultural, insistem, na esperança de que ela “evolua”, abolindo os “tabus” e permitindo a civilização do hedonismo. Para este fim, inúmeros meios não faltam. A idéia de uma Verdade absoluta indica dever de conformidade, mortificação de tendências contrárias a ela e, o que é mais assustador pra eles, que as teorias opostas a tal Verdade sejam, forçosamente, erradas.
Acham que é uma pretensão sem medida que a Igreja afirme, hoje em dia, ser a detentora da Verdade. Isto fere-lhes a vaidade, ameaça-lhes os sonhos, faz parecerem ridículos com suas doutrinazinhas pessoais. É como se vislumbrassem, sofridamente, a própria insignificância diante da proposta benfazeja e rigorosa do Cristo. Não podem comparar-se. Para isto, negam a divindade. Interessante que, recentemente, muitos têm se dado ao trabalho (cômico) de provar que Jesus nunca existiu historicamente. Depois de um punhado de fantasias sobre supostos casamentos, filhos, túmulos, irmãos, etc... agora eles vêm com essa. Eita que medo do Cristo! Parecem aqueles personagens do apocalipse pedindo, no fim dos tempos, para que as pedras caiam sobre si a fim de esconderem-se embaixo delas.
Muitos dos inimigos da religião buscam pôr sobre os ombros a capa da sinceridade. E dá-lhe sofistas! Libertar o homem de sua escravidão da divindade, de sua invenção tão antiga, torna-se uma missão. E eles não podem criar essas historinhas se não pegam como modelo a própria visão messiânica de libertação. Mas ficam tão engraçados... viram caricaturas ridículas de profetas.... palhaçadas sistematizadas é o que escrevem. E aí vão seus seguidores, repetindo, a torto e a torto, seus slogans. Só falta dizerem no final: “oráculo do papagaio”. Enquanto isto, a Verdade segue com toda a sua força.
Pobres vítimas destas vítimas do próprio orgulho... Como será que um mentiroso pode se defender? Das duas uma: ou afirma que está falando a verdade (daí os inúmeros “profetas” criadores de religião) ou então nega que haja uma verdade, para se garantir o direito de ser mais um que proclama abobrinhas. Simples estratégia... Que coisa... parece que cada vez mais o crédito deles decresce. Aliás, nunca houve nenhum, não é? Somente aparentemente.
Tratemos, um pouco, sobre esta questão da investigação... vimos que a Verdade existe por si só. E, de tal modo ela é suprema, como dizia o salmista: “tal ciência é grandiosa, não alcanço de tão alta”, que foi preciso que houvesse a Revelação para que nós a conhecêssemos perfeitamente. Ela se revelou, se deu a conhecer. Esta verdade não é fruto de uma subjetivação, mas ela é em si, ou melhor, ela simplesmente é: “Eu sou”. Isto não quer dizer, no entanto, que não devamos fazer nada. É preciso sim estudá-la. De fato, toda a Revelação já foi dada, mas devemos nos debruçar sobre ela para que alcancemos sempre profundidades maiores, visto ela ser inesgotável. E, justamente tal Verdade é o que enriquece o ser humano e lhe tira o véu do engano dos olhos. É assim que a Igreja, incorporando a filosofia grega, a purifica e eleva. É assim que Santo Tomás, ao cristianizar Aristóteles, ensina na Suma Teológica que a Teologia cumpre perfeitamente as exigências para ser chamada de ciência. Daí, se nos aprofundarmos na Escolástica, nos escritos dos Santos Padres, perceberemos sempre uma possante vontade investigativa. Não como Descartes, que não acreditava em algo antes de analisá-lo. O cristão, por dispor de uma Verdade revelada pelo próprio Deus, a estuda porque crê, sua fé não depende dos alcances do seu entendimento com relação ao mistério, e é anterior à investigação. Ela é a priori, como escreveu o Apóstolo: “crede e compreenderás”. Mas, casos não faltam de pessoas alheias à Verdade que, dotadas de sinceridade, passaram a crer firmemente em Deus, mesmo por força das evidências. Acredito eu que, por exemplo, quem se debruçar nas cinco vias de Sto Tomás de Aquino, ainda que sem fé, chegará a crer na divindade, mesmo que, então, esta não se identifique totalmente com o Deus pregado pela Igreja Católica. Mas, prosseguindo seus estudos, chegará lá, será acolhido no seio da Igreja e, então, poderá mergulhar de forma mais efetiva na infinita riqueza da qual a Igreja é a única dispensadora. Aqueles que, porém, se lançam ao feliz estudo das verdades da Fé, devem compreender que elas lhe ultrapassam infinitamente. A Teologia é então benéfica enquanto não assume a pretensão de poder encerrar o conhecimento sobre Deus. Ela deve reconhecer seus limites. É a partir daí, desta incapacidade de avançar determinadas alturas, que surge a chamada Teologia Apofática, assunto que não devemos tratar aqui. Mas... com tudo isto, percebemos que os mais alheiozinhos à Verdade e que lhe temem terrivelmente são, justamente, os que a acusam a Religião sem se dar ao trabalho de conhecê-la e, ouso dizer sem medo, que a acusam por não conhecê-la. De outro modo, teríamos de atribuir uma grande má intenção a estes críticos, o que infelizmente existe muitas vezes. Estas coisas, ditas assim, escandalizam alguns, mas eu não estou nem aí...
Verdade sem Deus não há. Conhecer esta Verdade sem a Igreja é ilusão...
O relativismo me xingaria. O subjetivismo me julgaria. E, enquanto isto, eu assobio tranquilamente...
Fábio Luciano
São Tarcísio e a Eucaristia
Um jovenzinho de doze anos, daqueles que servem ao Altar, esteve disposto a dar a vida por Cristo. Fazendo-se voluntário para levar o Santíssimo aos encarcerados cristãos, que seriam martirizados no dia seguinte, Tarcísio preferiu morrer a deixar que profanassem o Corpo do Senhor. Levava os Santos Mistérios numa caixinha de prata, encostada ao peito, e seguia com passo firme e decidido. Interrompido em seu caminho, permaneceu resoluto e não entregou a Eucaristia aos profanadores sendo, por isto, agredido e apedrejado. Morreu, então, como mártir, por amor à Fé, por amor ao Cristo, para não deixar que desonrassem o Corpo de seu Amado.
Tarcísio cumpre perfeitamente o Evangelho de Nosso Senhor, pois está escrito: “quem ama cumpriu toda a lei” e “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. Este jovenzinho, de doze anos, lembra aquele outro, Domingos Sávio, que morreu com quinze, mas que, mais ou menos com a mesma idade de Tarcísio, assumiu como regra de sua vida o severo voto de “antes morrer que pecar”. E foi isto o que Tarcísio fez. Observando estas atitudes de profunda maturidade destes jovens, somos impelidos a ver nestes episódios o cumprimento das palavras do Senhor: “Estas coisas são reveladas aos pequenos e escondidas aos sábios” e ainda “deixai vir a mim as criancinhas”.
São Tarcísio, hoje, vem fazer-nos um grande apelo: o de não profanarmos o Corpo e o Sangue de Cristo e de defendermos a Sua honra com a nossa vida. Pede-nos para que nós mesmos não sejamos a causa de tanto sofrimento e humilhação para o Senhor. Nos escritos de S. Pe. Pio, numa de suas visões, Jesus aparece desfigurado e, diante da indiferença, da falta de fé e do desprezo pelo Santíssimo Sacramento, principalmente por parte de alguns padres, Ele afirma que sua agonia no Ghetsêmani se estenderá até o fim do mundo. De fato, quantas profanações, quantos desrespeitos, falta de zelo, falta de amor, indiferenças, falta de fé... Quantos maus tratos ao Amado de nossas almas. Conversas na Santa Missa, chicletes, roupas escandalosas, desobediência, desatenção, desprezo, desamor.
É urgente que se erga novamente nos corações, em especial dos jovens, um ardente amor pelo Corpo e o Sangue de Cristo. Zelo semelhante àquele do qual estava animado Elias ao dizer: “estou devorado de amor pelo Senhor Deus dos Exércitos”. Amor que ao escutar a sofrida pergunta de Jesus: “também vós quereis me abandonar?”, responda, como Pedro: “a quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna”. É preciso que tenhamos corações eucarísticos, que sejamos homens e mulheres de vida centrada na Eucaristia, de assiduidade no Santo Sacrifício da Missa, e de respeito no trato com o sagrado. Como Moisés que precisou retirar as Sandálias na montanha santa, precisamos também despojar nosso coração e o oferecer, tal qual é, a Nosso Senhor.
Que São Tarcísio, assim como S. Domingos Sávio, e tantos outros que deram a vida por amor do Cristo, possam interceder por nós, a fim de que também nestes tempos existam jovens que ardam de amor pelo Cordeiro, que se prostrem diante do Seu Sacrifício, que comam a Sua Carne e bebam o Seu Sangue. Que a graça de Deus, vinda pelas mãos da Mãe do Verbo, possa nos dar corações humildes e simples, que honrem a Deus, que se consumam diante do Altar, que consolem a Jesus, que desagravem o seu Sacratíssimo Coração e que vivam deste Mistério. Que a Santa Missa seja o centro da nossa vida, que a Carne e o Sangue do Senhor sejam nosso alimento por excelência. Eis o Pão dos Fortes! Quem não O comer, não terá a vida.
Fábio Luciano
Conhece-te a ti mesmo em Deus

A expressão conhece-te a ti mesmo do Oráculo de Delphos, comumente atribuída a Sócrates, recebe uma grande importância e significação dentro do campo cristão. Os mestres do espírito sempre recomendaram largamente a prática deste mandamento. É a maiêutica cristã, presente em Santa Catarina de Sena, onde o “conhece-te a ti mesmo” vem sempre acompanhado do “em Deus”, sem o qual, o projeto se tornaria, enfim, impossível. Vejamos...
O Papa Bento XVI, num de seus discursos, afirmou que o que norteia a verdadeira compreensão do mundo e de todas as coisas é Deus. Sem Ele, o mundo e a realidade seriam um enigma indecifrável, exposto a toda e qualquer interpretação subjetiva e tendenciosa. Mas, se cremos que há uma verdade sobre as coisas, cremos também que há um caminho para se chegar até ela. Não podemos supor que para chegar numa determinada cidade, podemos trilhar por qualquer via que se nos apresente. Para um dado fim, um meio correspondente. Para se matar a fome, não se espera que alguém faça jejum ou vá correr numa pista. O meio correspondente para este fim seria o de se alimentar. Para alcançarmos a verdade, importa retirarmos todo o erro, e reconhecermos o que é real. Como nos diz S. Gregório de Nissa, o conhecimento da Verdade exige de nós, não somente reconhecer o certo, mas também, identificar o erro, mesmo que este venha mesclado de verdade. Pois bem, para fugirmos do subjetivismo, temos que afirmar uma realidade objetiva, que existe independentemente se alguém a encontra ou não. Eu não posso negar que exista uma plantinha no fundo de um rio só porque eu nunca a encontrei ou vi. Crendo ou não crendo, a plantinha está lá. Deus é o que sustenta o mundo e nEle se encerra o segredo de todas as coisas. Isto nos diz o Apóstolo S. João ao escrever: “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Por Ele tudo foi feito, e sem Ele, nada do que foi feito se fez”. E, se tudo recebe sua real significação à luz da divindade, diferentes não somos nós, pois João também diz: “E o Verbo era a luz dos homens”, sem falar que o “tudo” logicamente nos inclui.
Pois bem. Em toda a história do espírito, homens e mulheres reconheceram a necessidade (e não capricho) do conhecimento de si mesmo, mas tal conhecimento se torna impossível e viciado sem Deus. Deus nos formou, nos modelou, nos chamou à existência e nos sustenta nela. Desprezar este aspecto do papel fundamental da divindade na existência humana é uma mutilação formidável, sem falar que, sem Deus, não nos resta nada. Triste e ridícula a pretensão de quem se lança a interpretar as coisas, a partir de uma negligência do aspecto espiritual do ser humano. Estes são os “idiotas” que, uma vez que consideram somente aquilo que experimentam sensivelmente aqui, e não buscam suas bases ou seu termo, isto é, estão sempre no mesmo (idios – daí o “idiota”) superficial e aparente, caem no engano de si próprios e se distanciam de qualquer possibilidade de reto julgamento das coisas.
Deus diz a Santa Catarina de Sena para que nunca abandone a “Cela do auto-conhecimento”. São Francisco de Assis, durante uma de suas experiência, foi espionado por um irmão que o via repetir: “quem és Tu? Quem sou eu?”. Ao ser interrogado sobre o significado de tais palavras, afirmou que, naquele momento, estava recebendo dois lumes de contemplação: uma relacionada a Deus e sua Bondade Infinita, outra sobre ele mesmo e sua grande miséria. Todos os demais místicos (não preciso nem falar de S. João da Cruz, acredito, pra que não me achem tendencioso) afirmam a importância do auto-conhecimento. Durante a escada de ascensão até a união com Deus, a alma deverá passar pela experiência de se reconhecer como de fato é e perceber a própria pecaminosidade. Diante desta consideração real das coisas, aprenderá a ser humilde e não confiar em si mesma. E é justamente isto que ensina Sta Teresa D’Ávila, dizendo que a humildade é a verdade, porque ela nos permite ver quem somos realmente. Do perfeito conhecimento de si mesmo, provém uma virtude admirável: o perfeito desprezo de si mesmo. O verdadeiro e profundo amor a Deus não se dá sem este componente. É importante ressaltar que, juntamente com o conhecimento de si mesmo, Deus vai dando também o conhecimento dEle. Do primeiro provém o desprezo de si, e do segundo, o perfeito amor a Deus. Ainda, pelo desprezo de si mesmo, a alma, fazendo-se guerra, domar-se-á, tornando-se senhora de si. Este é o modelo de uma alma madura, que não cede às inclinações sensíveis das paixões, fazendo delas pouco caso. E, enfim, dona de si mesmo, poderá dar-se totalmente a quem ama.
Para que o conhecimento de si possa acontecer, convém dedicar-se a este fim, a partir da proximidade com Aquele que conhece-nos mais do que nós mesmos. Isto quer dizer que, para saber quem realmente somos, devemos nos procurar em Deus. Se assim não fazemos, corremos o risco de nos tornarmos pessoas diferentes do que somos, pessoas que nunca foram criadas por Deus e que, tornando-se inexistentes e estranhas a Deus, terão de ouvir, no último dia, um doloroso “não vos conheço”. Neste sentido, não tenho medo de duvidar da eficácia de certas espiritualidades puramente exteriores, seja no caráter social, seja no das “experiências sensíveis”. Embora de campos opostos, seguem a mesma orientação, a saber, a falta total de orientação. A grande diferença de espiritualidades é válida e querida por Deus, mas exige, se for autêntica, a plena identificação nos traços essenciais, e o conhecimento de si mesmo, acompanhado do desprezo de si mesmo, está em todas elas. O amor próprio sempre foi inimigo dos santos e dos cristãos. De onde, pois, surge esta história contemporânea de que uma pessoa tem que se amar? Será que veio realmente de Deus? Quais os frutos disso? Teria Deus mudado? Mas S. Paulo nos diz que Deus nunca muda, verdade reafirmada por Sta Teresa. O Apóstolo também nos adverte: “se alguém, mesmo que seja um anjo, vos anunciar um Evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema”. Prefiro ficar com os Apóstolos, com os doutores e místicos e com os ensinamentos reais da Santa Igreja, do que com uma “espiritualidade da moda”, tão comum hoje em dia. Que, enfim, Deus nos ensine a amá-lo com verdade, sem fingimentos... Mas, como saber se realmente amamos a Deus, sem interesses? Conhece-te a ti mesmo, e só então, poderás ser sincero. Esta é a via. Mas, se queres enveredar por aí, prepara-te para não te apreciares e, portanto, prepara-te para ser livre.
Fábio Luciano
NÃO PERSEGUIR OS SACERDOTES
“Deus Pai a Santa Catarina de Sena”
“Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus Cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da Santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmo, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!
“Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: “Não toqueis nos meus Cristos” (Sl 105, 15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da Santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmo, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos”!
Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Não ofendo a santa Igreja nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores”! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o sangue do meu Filho e não os pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que têm pelo sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos meus ministros não coloca em mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. Mas quando o respeito se fundamenta em mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse, a grandeza da eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-me ofendido.
São muitas as razões que fazem desta ofensa a mais grave. Vou lembrar apenas três. A primeira, é porque os perseguidores agem contra mim em tudo o que fazem em oposição aos meus ministros. A segunda, é porque desobedecem àquela ordem pela qual proibi que meus sacerdotes fossem tocados. Ao persegui-los, os homens desprezam a riqueza do sangue de Cristo recebida no batismo. Desrespeitando o sangue de Jesus e perseguindo os ministros, rebelam-se e tornam-se membros apodrecidos, separados da hierarquia eclesiástica. Caso venham a morrer obstinados em tal revolta e desrespeito, irão para a condenação eterna. Se reconhecerem a própria culpa na última hora, humilhando-se e desejando a reconciliação, mesmo que não o consigam fazer exteriormente, serão perdoados. Mas não devem esperar pelo momento da morte, pois será incerto o próprio arrependimento. A terceira razão, pelo qual este pecado é o mais grave, está no seguinte: é falta maldosa e deliberada. Os perseguidores têm consciência de que o não devem cometer, sabem que vão pecar; cometem um ato de orgulho, em que não entram atrações sensíveis, muito pelo contrário. Tais pecadores arriscam a alma e o corpo: a alma, privando-se da graça, muitas vezes em meio a remorsos da consciência; o corpo, gastando seus bens a serviço do diabo e indo morrer como animais.”
Trecho do livro “O Diálogo” - Santa Catarina de Sena
Assinar:
Postagens (Atom)
