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Aproxima-se o Natal


Já sopram os ares da época mais doce do ano. Época que, embora repita-se ano após ano, refle um momento singular no tempo, de implicâncias eternas. Este evento foi, não só um divisor de águas, mas o divisor da história.

Na plenitude dos tempos, enviou Deus o Seu Filho Unigênito, ao seio de uma Virgem chamada Maria. O Incriado foi gerado no ventre de uma menina que disse sim a Deus e assumiu, então, a orfandade do mundo. A humanidade jazia nas trevas. A lei não justificava... Desde o pecado de Adão, a ligação entre Deus e os homens fora rompida. Todo acontecimento do Antigo Testamento é uma preparação para a vinda do Messias tão aguardado. São as prévias do grande esponsal. Para ser a mãe do Salvador, meninas da Judéia casam-se cedo. Aqui e ali levantam-se vozes proclamando serem o esperado. Algo muito precioso estava iminente. O Rei viria até nós... Preparemo-nos. Ele salvará os homens e estenderá o Seu reinado sobre a terra. Ele governará com cetro de ferro!

E, de fato, nasceu o divino infante. Do seio da Virgem Maria, rompeu o grito do Eterno, numa noite fria, na solidão de um estábulo. Nasceu em Belém, a Casa do Pão, Ele que será o Pão da Vida. Nasceu numa manjedoura, justamente onde se alimentam os animais, o boi e o burro que, conforme Isaías, conhecem o estábulo do seu Senhor. O Onipotente viria a nós como um indefeso e, quieto, repousava no colo ditoso de Maria Santíssima. Oh, que mistério! Diante disto, até os infernos se calaram. Oh espetáculo celeste: Deus fazer-se criancinha! E veio a nós, pobre, numa noite fria, sem um lugar pra ficar, na companhia de Sua Mãe, de Seu pai adotivo e dos animais que por alí habitavam. Deus nasceu... sem festa, sem alarde, na perfeita pobreza que lhe será característica por toda a vida e que Ele ensinará aos seus. O Amor, enfim, habitou entre nós, o Verbo, o Emanuel.

Dobrem-se diante dEle todos os reis da terra, assim como os pastores... os grandes e pequenos. Ofereçam ao Rei verdadeiro o melhor de si. Imitem-no resignado. Curvem-se diante de Sua Majestade, e O adorem. Desçam até as entranhas da terra, numa perfeita prostração e humilhação diante do Cristo, que humilhou-se até a nossa condição para nos elevar à Sua. Oh esponsal. Por amor, Deus toma a nossa semelhança, encarna-se, assume a nossa natureza, para que a união seja completa. E qual foi o motivo de tal ato divino? Na perfeita gratuidade, Deus o fez por amor. Quis tornar-se cativo de nosso coração, quis conquistar-nos de vez, quis chamar-nos à Sua intimidade.

Neste natal, me dê licença o Papai Noel (não precisa aparecer...), pois quero, neste silêncio, nesta quietude simplesmente fazer-Lhe companhia e contemplá-Lo nos braços da Virgem Mãe. Nada de algazarras, nada de barulhos ou distrações. A grande alegria dos homens surgiu, como estrela singular, rompeu as trevas e nos anunciou um novo dia, dia que não terá ocaso, pois Seu Reino durará para sempre. Deixem-me aqui, sozinho, com Ele. Quero imitá-Lo, no Seu silêncio, na Sua pobreza, na Sua solidão, no Seu amor.

Deixarei a casa da minha mãe e me unirei ao Amado. E seremos um só. Ele me introduzirá na Sua adega, e lá estarei, em perfeita alegria. Assim seja, amém.

Fábio Luciano

Quando nos falta amor.

Acordamos e o que priorizamos? Hoje é segunda, talvez tenhamos a mesma rotina, a semana começa e com elas as suas ocupações, as mesmas coisas, os mesmos rostos, as conversas análogas. Tudo igual e nos vem o ... tédio...

Tédio?? Poderá existir esta palavra no dicionário Cristão? Não vejo como. Disse alguém, o que é mais difícil a todos, mas é acessível, é fazer a mesma coisa várias vezes com o mesmo amor da primeira vez. E outro acrescenta: A Felicidade não está em uma vida cômoda, mas sim num coração enamorado. Para quem ama dizer "eu te amo" nunca cansa, nunca é velho, nunca será uma frase gasta e o sentido e o sentimento se preserva. Quando se ama tem-se o mesmo detalhe de carinho, repassa a mesma cena várias vezes em mente e rir-se e delicia-se das mesmas lembranças inúmeras vezes como se fosse algo novo, como se fosse a primeira vez.

Somos assim, enamorados do amor. Buscamos acima de tudo satisfazer o Amado, mesmo que seja para o nosso detrimento. E isso não nos custa, é suave a obediência, é amavel a Cruz, é doce... é Divino, é a bela lei do Amor. Entende-se expressões como esta de São João da Cruz: é preferível padecer pelo Amado a fazer milagres. Não desejamos nada, já o temos, O possuimos. Mas vocês poderão perguntar: Onde? Digo-vos, no mesmo lugar, na mesma ocupação, na mesma e insignificante atividade. No trabalho ordinário.

Tomas Merton começa seu livro Sementes de Contemplação dizendo que cada acontecimento, cada instante semeia qualquer coisa na alma. E isso é fácil aceitar como verdade visto que, em termos infinitamente menores, sabemos que tudo o que vemos, ouvimos e provamos fica arquivado definitivamente em nossa mente, mesmo que não tenhamos acesso. Se assim procede com o nosso corpo, porque não aconteceria com nossa Alma? Devemos, portanto, não fazermos as coisas de qualquer maneira, nem desperdiçar um milionéssimo do nosso preciosíssimo tempo, mas antes aproveitá-lo ao máximo para pôr algo Divino, algo de Cristo, semear suas palavras, oferecer-Lo nossas insignificantes atividades e colocar o máximo amor em cada gesto para que seja por Ele agradável oferenda ao Pai.

O tempo, precioso tempo. Diria que é a única coisa que nós é dado e é dado de modo igual a todos, aqui não há diferente etnia, classes ou raça. O tempo é dado de modo igual a todos e o que fazemos dele é o que definirá o que somos. Se plantamos nesse tempo amor a Deus, o colheremos certamente. Se o gastamos para o nosso benefício, isso nos será exigido. Se fazemos aquele, já somos felizes, se fazemos este não alcançaremos a Paz. O caminho do inferno já é um inferno e não existe felicidade fora do Doador da mesma... mas nada disso, este caminho, não nos é imposto, nos é oferecido e embora Ele nada precise de nós, e nós dele tudo precisamos, Ele nos oferece tudo sem resistência, e nos resistimos tudo e nada temos a oferecer.

Para estes que acham a vida um tédio digo apenas, estais a correr fora do caminho. Todo esta infelicidade é porque te falta o Amor.

Nossa Senhora que tudo fez perfeitamente, que punha infinito amor em cada atos seus, nos ensine a sermos seus imitadores para que possamos como ela dizer, com humildade, "o Senhor pôs os olhos em Vosso servos".

Claudemir Leandro

À espera de um milagre

Não irei apresentar, conforme vós leitores podereis pensar, uma resenha do filme de Steven King, este texto está voltado para aqueles que "crêem" porque viram um milagre ou aqueles que dizem que acreditariam se algum milagre acontecesse.Neste artigo salientarei a importância de não darmos créditos a determinados tipos de "milagres" e que nem sempre são apenas estes que indicam a Igreja verdadeira. Bem, vamos ao texto e ver o que posso transmitir a vós.

Geralmente sou abordado por um pastor Pentecostal me informando que deixou o Catolicismo porque não vê a atuação do Espírito Santo, porque não vê as curas como os primeiros cristãos faziam, porque não vê a efusão do Espírito, e porque a todos devem ser dados o direito de falar, visto que Cristo dá a todos o dom da palavra e da profecia, não apenas aos sacerdotes.

Primeiro é bom frisar que o Espírito Santo não se contradiz. Baseado nesta premissa Ele não pode confirmar, através destes "milagres", que distintas ceitas evangélicas estão certas (pois é fato que em diferentes seitas há estes fenômenos que eles denominam milagres). Isso fere a lógica humana, "pois dois contrários não pode subsistir ao mesmo tempo num só sujeito", ou seja, ou todas estão erradas ou apenas uma está certa. Qual? Tentaremos analisar isto.

A necessidade dos milagres.

Vemos ao longo do Antigo testamento as grandes manifestações de Deus era para fins específicos, Deus falava na linguagem da época e vemos a necessidade clara de tal intervenção, a citar: No primeiro livro dos Reis, cap 18, Elias mostrará que o Deus verdadeiro é aquele que responder pelo fogo, acendendo as lenhas que eles colocaram. Elias não mostra argumentos, para aquele povo o deus verdadeiro seria aquele que manifesta seu poder e esta era a forma que o Espírito escolheria para se manifestar, era necessário, e foi um fato extraordinário. Outra situação, quando Deus mostra os dois prodígios a Moisés, a sua vara transformará em cobra e sua mão ficará branca tão branca como a neve, Deus diz claramente que é para o povo crer, era necessário, era a linguagem da época e foi outro fato extraordinário.

Continuemos com o novo testamento, o dom de linguas era necessário para a expansão do evangelho, os pescadores não sabiam falar outros idiomas, como o evangelho poderia expandir se não houvesse quem o comunicasse? E o mesmo vemos quando o Mago Élimas fica cego (necessária para a conversão do procônsul), na morte de Ananias (necessária para mostrar que não se mente ao Espírito Santo), nos milagres de Cristo como: o cego de nascença (necessário para mostrar que o cegueira não era fruto do pecado e a manifestação da Divindade de Cristo), o paralítico cujo leito foi descido do telhado (mostrar que Cristo tem, por ser Deus, o poder de perdoar os pecados), a ressureição de Lázaro (mostrar que Cristo é Deus e tem poder sobre a morte). Portanto, escutemos o conselho de São Paulo, o Espírito Santo concede o dom segundo lhe apraz e o é extraordinário, não queiramos torná-lo ordinário e fazê-lo como nos apraz.

Dito isto, e se são os milagres que os pentecostalistas querem, faremos a seguinte análise.

Da hierarquia.

Primeiro vemos que São Paulo exorta a importância da hierarquia em 1 Coríntios 12, 28 - Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas. Se buscarmos viver esta sugestão paulina vinvenciariamos o Catolicismo, visto ser indiscutível nossa sucessão Apostólica e que segundo este a sucessão é mais importante que os milagres.

Da humildade e fé.

É sinal de humildade não buscar exibir os milagres que aconteçem na igreja e mais digno de fé é aquele que acredita sem ver do que aqueles que exigem presenciar os milagres, palavras do próprio Cristo a Tomé. Agora investigue vocês quem são estes que ficam gritando e exibindo seus dons de curas, pois já não compete a mim julgar apenas analisar os fatos.

Do rigor.

Há um rigor duríssimo, diversas pesquisas cientificas para poder a Igreja Católica afirmar que estamos sobre um fato cuja ciência não explica, pois foje da sua compreensão. Não é apenas uma curarzinha, uns gritinhos e uns pequenos "exorcismos" que não resiste sequer a parapsicologia que admitimos ser atuação do Espírito Santo.

Da grandiosidade.

Pensemos no milagre de Calanda. Não ouvi nenhuma outra história de alguem que, após ter tido aputada perna, teve a mesma milagrosamente restituida. E Lanciano, Loudes, Fátima, Guardalupe? Não são apenas um, mas milhares e grandiosos. Qual são mesmo estes que acontecem nas igrejas pentecostais? Se queres ver as verdadeiras manifestações visíves do Espírito Santo, basta usar o Google meu caro amigo (já que infelizmente não te contentas com os milagres que presenciamos no evangelho).

Do meio.

É sabido que Deus usa as pessoas como instrumento para manifestar estes acontecimentos, conforme descrevi anteriormente. Analisemos as virtudes e humildades dos santos católicos versus pastores atuais. Temos por um lado, Santo Antônio, São Pio, São Bento, etc... e o que vós tendes mesmo??? Conheces estes que citei? Milagres surpreendentes o Espírito Santo fez atraves deles quando estas pessoas viviam. Por mais que queiras, soberbo leitor, achar que vós pentencostais têm maior atuação do espírito, tua razão há de forçar-te a crer, através do fato, que vós estais enganados.

Mas com tudo isso, devemos evitar o "milagreirismo". Não queiras ficar como Herodes exigindo milagres que poderás ficar como ele sem resposta. Além disso hoje estes milagres já não são necessário para a nossa fé. A nossa Igreja já se encontra bem fundamentada pelos milhares de milagres que se encontram no Antigo e Novo testamento. É como nos diz Chesterton: O que Deus nos pede e quer são vidas milagrosas, cristãs, humildes, pacientes, caritativas, porque a vida perfeita de um cristão é um contínuo milagre sobre a terra.

Peçamos a Nossa Senhora, Virgem Poderosa, que nos ilumine e nos conceda a graça necessária para caminharmos milagrosamente humildes neste vale de lágrimas, cumprindo fielmente a vontade do Vosso amado Filho.

Claudemir Leandro

Lamentos de Jesus revelados a S. Pe. Pio

S. Pe. Pio

Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!
O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?

Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.

Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!

E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.

Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”

Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!

Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário

A visão nublada dos novos hereges


A Santa Igreja sempre reconheceu a necessidade de uma boa orientação para quem quer trilhar o caminho evangélico. Sabe ela da facilidade de cair em ilusões tão característica dos homens. Por isto, sempre mostrou a Verdade como algo que se deve conhecer, e não criar. A Verdade foi revelada, veio de Deus e, portanto, não é uma projeção do que se acha. Por isto mesmo, a Verdade é objetiva e una, porque corresponde a um Ser que existe realmente e que é Uno. Por isto também, a Verdade é imutável, visto que Deus também o é. Ela é conforme Deus, porque ela é Deus.

Visto que é preciso que o homem a conheça sem mancha, e visto estar ela acima da capacidade humana (é por isso que é Revelada), a Igreja deveria conservá-la pura, imutável, e ensiná-la aos homens. Dessa forma, ela seria exata, independentemente do contexto socio-histórico, pois, sendo atemporal, ela abarca toda a existência humana. É importante notar que o homem, em sua parte essencial, é sempre o mesmo. Em vista desta preservação da Verdade Imutável, a Igreja existe como hierarquia, e não como democracia. Nesta última, a maioria decide; na hierarquia, o critério se dá pela autoridade. A Igreja recebeu a autoridade do próprio Cristo, ao mesmo tempo que recebeu também a promessa da infalibilidade.

Com base nisso, era preciso que o fiel se submetesse ao ensino da Mãe Igreja, infalível, depositária da Verdade Revelada, e dela aprendesse a perfeição da doutrina cristã que representa o perfeito conhecimento de Deus e do mundo. Esse conhecimento seria, então, objetivo, pois corresponderia ao objeto do conhecimento, isto é, à Verdade, que existe por si só. Esta Verdade, uma vez que o homem a conhecesse e nela cresse, seria a luz, através da qual todas as demais coisas assumiriam sua real forma. Deus, em Seu Filho, dá significado a todas as coisas. Ele é como o sol, que é difícil enxergar diretamente, mas que, por meio de sua luz, permite a visão dos objetos. Assim é Deus que, uma vez que seja infinitamente superior à nossa capacidade, nos fornece a Sua luz que vem dar sentido e significação verdadeira a tudo. Disto nos falou Nosso Senhor: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Sabendo do perigo que o fiel correria ao buscar produzir sua própria verdade, S. Pedro, o primeiro Papa, escreve: “A escritura não está aberta à livre interpretação”. Com esta proibição acatada, não só a Verdade não seria distorcida, como também a alma do fiel não correria risco. Os que insistiam em crer de uma forma diferente, distorciam a fé e se enveredavam por falsos caminhos. Estes era chamados de hereges que significa alguém que decidiu seguir um caminho próprio. Esta posição seria muito perigosa porque além de corromper a alma do fiel, distanciando-O da Verdade objetiva, era também potencialmente um risco para outras almas que, uma vez movidas por seus desejos de novidades, e cegas pelas paixões, poderiam também perder-se. Pelo amor à Verdade e às almas, a Igreja sempre foi muito rígida neste sentido.

Contudo, com Lutero, a hierarquia da Igreja é desacreditada. Além de criticar costumes de alguns eclesiásticos, este herege ainda decide meter-se em assuntos teológicos, onde a Igreja tem o dom da infalibilidade. Contrariando a ordem de Pedro, Lutero estabelece uma nova forma de ler a Bíblia: o Livre Exame. Segundo ele, não mais o Espírito Santo iluminaria a Igreja que interpretaria as escrituras e ensinaria aos fiéis, mas, agora, cada um, ao ler a Sagrada Escritura, seria diretamente auxiliado pelo Espírito Santo. Com isto, Lutero faz de cada fiel Papa, pois lhe deu a autoridade de interpretar aquilo que só a Igreja tem. Esta nova prática da religião tem implicâncias muito vastas. Primeiro, porque faz questionar a necessidade de uma igreja, visto que o Espírito Santo se comunicaria de forma direta com o fiel. Segundo, as possíveis interpretações, provindas dos mais diversos tipos, seriam vários tipos de verdade,Sendo, muitas vezes, opostas umas às outras. Com isto estabelece-se forçosamente, ou o relativismo, ou a negação da verdade, ou, desconsiderando a oposição entre as muitas teorias, a visão de que uma seria complemetar da outra. O absoluto se desfaz. A verdade, antes crida como algo exterior, passa a ser produto do interior. O conhecimento passa a ser subjetivo, criado pelo homem que, com essa atitude, faz-se Deus, pois só Deus criou o mundo segundo o Seu pensamento.

A partir do livre exame da Escritura de Lutero, desastroso por sinal, vai surgir também o Livre Exame da realidade, que se tornará como que o absoluto do subjetivismo, produzindo o relativismo, o agnosticismo e o ateísmo, além de atacar os fundamentos da sociedade cristã. O mundo passará a ser mera criação do homem. Frases tipo “cada um tem a sua verdade” vão ser disseminadas num contexto de tolerância e, consequentemente, de negação de qualquer posição absoluta. A Igreja, como detentora desta posição, será odiada e criticada. Jamais abrirá mão de ser quem é... por isso mesmo, verá se cumprir a profecia de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou primeiro” e “muitos vos perseguirão”. Não obstante as várias seitas surgidas da desobediência e cegueira de Lutero e seus discípulos, atualmente têm surgido, mesmo no seio Igreja Católica, heresias que insistem manter o qualificativo de católicas. Isto caracteriza uma nova forma de heresia, mais velada e, por isso, de certa forma, mais perigosa. Segundo o Papa Bento XVI, enquanto ainda cardeal, a heresia que agora será tratada é algo novo na história, pois não assume característica de nenhum tipo anterior; por isso mesmo a dificuldade de identificá-la como tal.

Trato agora de uma heresia que tem, particularmente, me despertado repugnância: A chamada TL (Teologia da Libertação) bem como suas ramificações. Embora tenha nascido em berço católico, de católico mesmo ela só tem o nome. E não se trata bem de um nascimento, mas antes, de uma transmutação, um mascaramento. Ela não surge da reflexão da doutrina perfeita da Igreja, mas como um enxertamento da doutrina marxista, dentro do meio cristão. Vale lembrar que o marxismo é totalmente anti-cristão, chegando mesmo o Papa Pio XII a dizer que o socialismo e o cristianismo são inconciliáveis. Disse ainda que não se pode ser um e outro ao mesmo tempo. Daí se deduzir que a TL, marxismo mascarado de religião, não é católica. E, especificamente sobre a TL, ela foi condenada pela Igreja a partir da carta “eu vos explico a Teologia da Libertação” de Bento XVI, enquanto ainda Cardeal. Mas, dito isto, passemos às suas considerações práticas.

Assim como o materialismo surge como uma inversão de uma filosofia, a saber, o idealismo de Hegel, passando pelo materialismo de Feuerbach, caracterizando-se por um desprezo pela metafísica e uma depreciação da teoria, supervalorizando a práxis, assim também a TL, correspondendo à sua forma original, vai inverter a visão católica, menosprezando a espiritualidade e a oração, e pondo seu foco justamente na práxis, isto é, na ação social. E o que tem de cristão nisso? Nada. Mas, para enganar, ela se reveste de um cuidado pelos pobres. Assim, o foco da TL, rindo-se dos que cuidam da oração, seria a luta social pelos pobres. Nisto está justamente o perigo. Bento XVI explica que quando um erro encerra uma partícula de verdade, ele se torna nocivo, e tanto mais nocivo, quanto maior for esta verdade. Ora, o cuidado com os pobres é autenticamente cristão. Mas, utilizando-se disto, como lobo em pele de cordeiro, a TL aproveita para distorcer a doutrina cristã, invertendo mesmo a hierarquia de seus valores. Lembremos que também Judas Iscariotes, pra encobrir a sua avareza, fingia ter cuidado com os pobres. E dele, Jesus falou que seria melhor que nem tivesse nascido. Este lamento de Nosso Senhor seria sumamente verdadeiro também com relação à TL. E ainda, por usar dos pequeninos, os pobres, seria melhor que a TL amarrasse uma pedra ao pescoço e se lançasse no mar. Isto falo com relação ao movimento e, não necessariamente, com relação aos integrantes, visto a verdade ser intolerante com o erro, mas caridosa com os homens.

A TL, subertendo os valores cristãos, primeiro descentraliza-o da oração e o desfoca para a prática. Segundo, distorce esta mesma prática, aplicando-lhe os moldes socialistas e anti-cristãos. Terceiro, assume como referencial, não os santos e doutores da Igreja, mas os militantes do partido Comunista e os terroristas coloridos pela mídia, entre eles, o assassino Che Guevara.

Tal movimento, tão mascarado, assume uma aparência de objetividade, visto que põe toda a sua força na ação e na luta. Aos olhos humanos, parece que fazem mais do que os que rezam. Do ponto de vista materialista sim, embora, mesmo assim, estes resultados não sejam positivos. Interessante que, focando a prática social e menosprezando a espiritualidade, eles destroem, não só a matéria, mas a própria fé dos seus adeptos e das suas vítimas. Em suma, é um horror. Eles fazem aquilo que Sto Tomás ensina ser muito mais grave do que roubar dinheiro: corromper a Fé. Já tive a oportunidade de escrever algo sobre a prevalência da oração sobre a prática na Igreja, mas me utilizarei de mais esta, embora o faça de forma mais resumida.

Há uma hierarquia de valores na Igreja. Isto se dá, também, porque existe uma visão verdadeira do mundo, porque parte de uma verdade objetiva. A luz que emana desta verdade, como já foi escrito, é o que dá significado real às coisas. O metafísico prevalece sobre o físico, o espiritual sobre o material, o eterno sobre o temporal, a contemplação sobre a ação. A Igreja sempre ensinou que a prioridade seria a vivência da Fé a partir da oração. O cultivo da vida do espírito é que possibilitaria a mudança exterior, entendida, em seu sentido autêntico, como consequência e reflexo da transformação interior. Esta seria a base, o pilar. A oração seria, então, aquilo que daria significado e eficácia à ação.

Do ponto de vista puramente materialista, é preciso ter-se o próprio indivíduo como termo e força primeira da ação, o que caracteriza pura vaidade e nenhum conhecimento de si mesmo. No autêntico cristianismo, assumindo seu real lugar, a prática evangélica assume eficácia real porque não se fudamenta na própria pessoa, mas em Deus. Esta é a única forma de amar verdadeiramente, pois, quando o amor não vem de Deus, não é amor, mas apenas pura vaidade e orgulho. Se o amor não nasce do contato com Deus, do trato de amizade com o Cristo, a ação torna-se meramente ostensiva, distorcendo antes que consertando, atrapalhando antes que sendo útil. No entanto, é preciso ter olhos claros para ver isso. Se um vício atrai outro vício, assim como uma virtude atrai outra virtude, uma cegueira (a de querer ser útil por si mesmo) atrai outra cegueira (a de não perceber o próprio fracasso). É, por isso, necessário limpar os olhos e aprender a amar direito. E isto só se faz com a oração em primeiro lugar.

S. José Maria Escrivá escreve: “Em primeiro lugar, oração; em segundo lugar, expiação; em terceiro, muito em terceiro lugar, ação. S. João da Cruz escreve: “Deus espera de ti o mínimo de submissão e humildade, do que todas estas obras que pensas prestar-lhe”. Sta Teresa D’Ávila escreve: “A oração é a vida da alma”. O Beato Charles de Faucaul diz: “A oração é a respiração da alma”. Jesus, no início de Sua pregação, adverte: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Tudo isto, e muitas outras passagens do Evangelho e de tantos outros santos e doutores, sempre mostram a precedência da oração em relação à ação. É a atitude da mulher que gastou de seu precioso perfume nos pés do Cristo. Censurada por Judas, que era corrupto, foi elogiada pelo Salvador, e o perfume encheu toda a casa, porque foi gasto com o Cristo. Ademais, é preciso amar a Deus sobre todas as coisas; por isso, também, é preciso orar constantemente, como nos ordena Jesus. E não há amor sem oração.

Os que consideram que a simples ação resume a totalidade do Evangelho são tolos que vêem, justamente, a parte menor e menos essencial. Alguns ousam falar de mística social. Ora, que bagatela! Se todo o mal vem do coração, assim também todo o bem. Portanto, é do interior que surgem as ações. Se o espírito não ama, não trata com Deus, não é purificado, então a ação exterior será igualmente suja, corrompida, desprovida de verdade e profundidade.

A TL, em si mesma, já pretende esconder seu rabo luciferino. E, transmutando-se, assume de novo novas formas, como se pusesse novos véus de mentira; mas tais véus são sempre transparentes e o mau odor se faz sentir de longe por quem quer que queira observar. Movimentos sociais, na Igreja, são autênticos quando sustentados pela oração. Mas, infelizmente, há movimentos que estão se pervertendo com o mesmo ideal vaidoso e anti-evangélico da TL. Por trás de lemas tais como “luta, resistência, ternura...” vão se cegando, vão se levando ao abismo. São como cegos que guiam cegos e cairão todos no mesmo buraco. Estranhamente, encontram espaço no seio da Igreja, embora ninguém a fira tanto. Se voltam contra ela, permanecendo nela. Geralmente são grupos que querem assumir ideais modernistas, que querem a liberdade sexual, que querem a libertação dos “tabus”, o sexo livre. São pessoas para as quais, praticamente, já não existe pecado; o único pecado seria a “exploração” dos oprimidos pelos proprietários e donos dos meios de produção. Ora, se querem ser marxistas, vão para o PT, o PSOL, o PSTU... mas, infelizmente, a maioria já está lá. Querem permanecer na Igreja porque dão a parecer que mantêm um ideal religioso, mas, na verdade o que pretendem, é que em seio católico as suas opiniões tenham mais autonomia e mais liberdade, porque transvestidas de seriedade. S. Paulo os chamaria, sem medo, de inimigos da cruz, porque o são. Não entendem nada. Pensam não só como os homens, mas como os piores homens, afoitos, inclinados à baderna, permitindo a plena liberdade e satisfação de suas paixões.

Tudo isto é uma pena. Fere, machuca, faz sangrar a Igreja, Esposa Imaculada do Cordeiro. Mancha a sua belíssima Face. Estes inimigos traem Jesus com um beijo, enquanto o açoitam as costas. Querem questionar e contestar a Bíblia, não observam os dogmas. Se tornaram todos discípulos do Livre Exame de Lutero. E, se um livre exame medíocre já seria horrível; estes, ao estarem cegos, e fazerem o tal livre exame, tornam-se risonhos e ridículos, porque suas conclusões são miseráveis.

Deus nos diz: “permanecei na minha doutrina”, “não te desvies para a esquerda ou para a direita”, “se me amardes, fareis o que vos digo”. Por fim, Sto Afonso escreve: “Quem não reza, se condena”.

Sejamos fiés à Santa Igreja, sem medo do seus inimigos, os de fora ou os de dentro, mas sejamos soldados que defendem a Verdade divina, imutável e eterna, com amor. Conheçamos a Igreja, pratiquemos os seus ensinamentos, leiamos os escritos dos doutores, dos santos, dos papas, de todo o Magistério, a sua filosofia, a sua teologia, a sua mística. E, antes de tudo, rezemos e adoremos ao Cristo, na vivência dos Sacramentos. Cabe aqui o lema dos estudantes, quado S. João da Cruz tornou-se reitor de uma universidade. Conta-se que a maioria dos estudantes, dedicava-se bem aos estudos e eram, a maioria, bons místicos. O lema observado era: “homens de oração e homens de estudo; antes, porém, homens de oração”.

Fábio Luciano

Sacramento da Eucaristia


Seguindo com a explanação dos Sacramentos, ouso escrever algo sobre o maior deles; na verdade, todos os demais Sacramentos convergem para ele, de tal forma que se costuma dizer que ele seja O Sacramento. Se, enfim, todos eles têm como fim a Deus, isto é, são meios para Deus, o de que agora tratamos não é apenas meio, mas o próprio fim. Falamos de um Sacramento que é Deus. Deus Sacramento, a Eucaristia.

Antes, é importante notar que este é um dos pontos que diferem a Santa Igreja Católica de todas as demais denominações religiosas. É mesmo um ponto de contradição para a tão almejada união dos credos. De fato, Nosso Senhor, ao expor a necessidade de recebermos tal sacramento, foi abandonado pela multidão, restando-lhe apenas os amigos mais íntimos. Isto acontece ainda hoje. São tão poucos que permanecem fiel a tão augusto mistério.
Sendo Deus, logicamente, deve ser o centro das nossas vidas. A Eucaristia é, como dizia S. Pe. Pio, o Sol da Igreja. Ele chega mesmo a afirmar que seria mais fácil a terra viver sem o sol do que sem a Eucaristia. Alegorias à parte, creio firmemente que a sentença também seja uma verdade literal. Pois bem. Daí podemos também concluir que a Santa Missa deve ser, então, o centro de nossa espiritualidade, da nossa vida, e do nosso dia. A partir dela, se presta o maior culto de adoração possível a Deus, e é por meio dela que vem a nós Jesus, pelas mãos do sacerdote ordenado.

Primeiramente, vejamos algumas considerações que podem esclarecer um pouco este mistério. Vimos, pela explicação sobre os Sacramentos em geral e também, na que trata do batismo, que todos eles foram instituídos pelo próprio Cristo, e o poder de exercê-los foi conferido à Igreja (Cf Mt 16,19). No Sacramento da Eucaristia, Jesus o institui na quinta feira santa, um dia antes de Sua morte. Reunido com os seus discípulos, é também a noite da instituição do sacerdócio. Transubstanciando o pão e o vinho em Sua carne e Seu sangue, os oferece como comida e bebida, conforme já o tinha dito: “Minha carne é verdadeira comida e Meu sangue é verdadeira bebida”(Jo 6,55). Após a celebração da primeira Santa Missa, ordena aos Apóstolos: “Fazei isto é memória de Mim”(Luc 22,19). É importante dizer que a Santa Missa (mais adiante, discorreremos mais especificamente sobre ela como um todo) acontece de forma atemporal, isto é, não se limita a uma cronologia. Não existem, por exemplo, duas Santas Missas. É sempre uma só, a mesma, porque é sempre o Sacrifício Redentor de Cristo, que aconteceu uma vez por todas. Sempre se dá uma atualização, fora do tempo cronológico, onde dizemos que habita o tempo Kairos, o tempo de Deus. Mas, este acontecimento está também relacionado com a ordem dada por Cristo aos Apóstolos para a celebrarem em “memória” dEle. Há aqui um perigo de mal interpretação, segundo a qual, a Santa Missa seria apenas um memorial, no sentido de lembrança do que já aconteceu. Não é assim. O termo que Cristo usou foi “anamnesis” que seria melhor traduzido como “tornar presente”. E é justamente isto: a Santa Missa torna presente o Sacrifício de Cristo, assim como também a Sua Ressurreição. É na Santa Missa que a Eucaristia vem a nós, também como cumprimento da promessa de Jesus: “Eis que estarei todos os dias convosco até o fim do mundo”(Mt 28,20).

É difícil tratar de um tema tão profundo. Ele está intimamente ligado com dois outros temas, profundíssimos: a Santa Missa, e a Paixão que, embora estejam abraçados a ponto de serem a mesma coisa, podem ser tratados de forma específica. Mas, tentemos tatear passos neste mistério abismal...

Na Antiga Lei, os judeus costumavam fazer sacrifícios. Estes já eram uma prefiguração do único Sacrifício de Cristo. Após matar cordeiros (Jesus é o Cordeiro de Deus), eles o assavam (Eucaristia – Santo Agostinho diz que é o Pão assado no fogo do Espírito Santo) e o comiam (prefiguração da Comunhão). A hora do Sacrifício dos animais era às três horas da tarde (hora da Morte de Jesus). O Sacrifício dos cordeiros era expiatório; o cordeiro era morto em lugar dos habitantes da região por causa dos seus pecados. O ritual era feito anualmente, pelo sumo-sacerdote. Tudo isto é prelúdio da Nova Aliança, onde Cristo assume o lugar do Sumo-Sacerdote: “Suas vestes eram tecidas de alto a baixo em peça única, sem costura” (Jo 19,23). O próprio Cristo oferecia a Vítima, e Ele mesmo era a Vítima. O sacrifício que antes tinha um limite tanto geográrico, como temporal, em Cristo assume valor eterno. Por isto, é dito Nova e Eterna Aliança (Cf Hb 12,24 – 13,20).

Os remidos por Cristo passam a ser Seu Corpo Místico, sendo Ele mesmo a cabeça, e nós, seus membros. Estes renascidos, nova humanidade, unidos numa só Fé, num só Batismo e numa só Igreja, precisarão alimentar-se do Corpo do Cordeiro. Esta é a ordem dada por Cristo: “Se não comerdes carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6,53) ou “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”(Jo 6,54). Sendo o próprio Deus, não simbolicamente, mas de fato, não devemos fazer da Eucaristia uma simples devoção, ou ter para com ela uma espécie de veneração; não. Devemos, ao invés, prostrarmo-nos diante dela como sendo o próprio Deus, porque o é. Devemos arder de amor ou, como dizia Elias, nos devorarmos de amor pelo Cristo Eucarístico, e adorá-lo com toda a força de nossa alma, numa Fé pura e livre que, uma vez livre das prisões dos sentidos, erga-se rapidamente e sem erro a estas realidades altíssimas. Eis o pão seco dos fortes, como o expressou Edith Stein. Como Elias que após comer o pão misterioso teve forças para andar vários dias (I Re19,5-8), assim também, neste exílio é nossa necessidade alimentarmo-nos deste Pão que é Deus. Assim como Tobias declarava que seu alimento era um pão e um vinho desconhecidos (Tb 12,19), assim também, o alimento de nossa alma, se possível diário, deve ser a Eucaristia. Eis a comida dos amantes do Amado. É a partir da vivência dos Sacramentos e da constância no Mistério da Eucaristia que somos, aos poucos, divinizados, isto é, transformados nEle, no Cristo, formados segundo a semelhança do Homem perfeito, o Novo Adão, que é Jesus. Isto Ele mesmo disse a Sto Agostinho: “Quando me comungas, não és tu que me transformas em ti, como acontece com os outros alimentos; mas Eu te transformo em Mim”. E, como dizia S. João da Cruz, o amor é maior onde há maior semelhança. Devemos ainda considerar que é atitude de profundo amor que o Cristo queira permanecer entre nós. Outrora, escondia de nós Sua forma divina; hoje esconde-nos, até mesmo, Sua forma humana, como nos ensina Sto Tomás de Aquino. Se antes fora um radical rebaixamento, assumindo a nossa pobre natureza, agora, assume então a forma de coisa, rebaixa-se a um estado tão vizinho do nada, como o explica Sta Tereza, para estar perto de nós. Como não arder de amor por Ele? Que insensibilidade é esta que faz alguém perder a Santa Missa por motivo fútil? Eis o ensinamento de Deus Pai a Santa Catarina de Sena: “aos que tratam a Eucaristia com deszelo, até os demônios sente asco dessas almas”.

Terminando este muito simples apanhado de algumas questões, evidenciamos que é preciso confessar-se regularmente. Mais adiante trataremos deste Sacramento. Não deve aproximar-se do banquete eucarístico, se o fiél estiver em pecado grave. Do contrário, estaria praticando sacrilégio e, ainda, comendo a própria condenação, como ensina S. Paulo. Afinal, ter a consciência de que não se está em condições de recebê-Lo é também um ato de Fé. Isto, porém, não é desculpa para faltar à Santa Missa e, também, não se deve passar tempo sem confessar-se. O ideal é que este Sacramento da Penitência seja buscado sempre que houver necessidade, pois ele destrói os vícios e robustece a vontade de perfeição em nós.

Acima de tudo, é preciso amar a Deus e adorá-lo com toda potência de nossa alma. E, enfim, terminando, ponho aqui o que disse S. Pe. Pio quando lhe perguntaram como alguém deve assistir à Santa Missa. Eis a resposta: “como a assistiram Nossa Senhora e o Apóstolo João aos pés da Cruz”.

A todos a paz.

Fábio Luciano

Algumas considerações sobre o materialismo


Durante toda a história do cristianismo, víamos pessoas que proclamavam, desprovidas de medo e munidas de amor, com imensa alegria o fato de serem cristãs. Que graça, que alegria! O tempo do erro passara. O Cristo, de fato, tinha vindo à nossa humilde convivência; dignara-se ensinar-nos a perfeição da Verdade. Instruíra-nos sobre a forma de agradar a Deus, convencera-nos sobre a vaidade que é viver para as coisas mundanas, instituíra a Sua Igreja em nosso meio e se mantivera, fisicamente, unido a nós, em Seu Corpo e Sangue, em todas as Igrejas do mundo. Preparava-nos assim a alma e a morada celeste, onde, enfim, se daria a plenitude da felicidade e do amor, a perfeita comunhão de um Deus que deu Sua vida por amor com a alma, resgatada e inflamada no mesmo amor, a ponto de, amante e amado, constituírem um só, como o fazem o esposo e a esposa ao se tornarem uma só carne.

A barbárie havia passado, e com ela toda a mentira. A ordem foi dada: Ide e ensinai. Eis a reta hierarquia das coisas. As perguntas fundamentais do ser humano foram respondidas. Cabia-nos, enfim, lutar contra as más tendências que permaneciam na tentativa de nos distrair desta sublime verdade.

No entanto, hoje em dia, como naquele tempo dos judeus, os homens rejeitaram a luz. Escolheram as trevas, se ocultaram em cavernas tenebrosas e, como disse o Apóstolo, escolheram fábulas e criaram falsos mestres ao invés de aderirem à Verdade revelada. Rejeitaram o Verbo de Deus. Entre suas fantasias e contos de comadres que, impressionantemente, encaixam-se umas às outras, como se fossem resultado de uma conspiração underground contra a Verdade, está a famosa doutrina materialista, antiga na verdade, mas que ganhou nova força nestes tempos, devido ao alastramento da doutrina socialista pelo mundo. Por amor à verdade, discorramos então sobre alguns pontos desta teoria que, não obstante sua fragilidade infantil, tem ganho muitos adeptos que, lamentavelmente, têm correspondido à infeliz subdoutrina, tornando-se também eles infantis na maneira de ver o mundo. As contradições são muitas, a começar pelo reducionismo econômico, segundo o qual, a força determinante para toda mudança na humanidade, seria a questão econômica. Descarte-se então toda outra motivação humana. O amor, por exemplo, segundo o socialismo não move nada. Dessa forma, o ideal deles de liberdade seria apenas motivado pelo interesse econômico. Hehe... Muitos que geralmente aderem a este sistema não refletem sobre as implicâncias de sua crença. É lamentável. Mas, sem nos determos nesta questão, passemos a uma rápida análise de alguns princípios da teoria.

Primeiramente, é importante ressaltar que o materialismo observa, como os demais sistemas, o princípio de causalidade. Causa e efeito são admitidos e cridos. Neste sentido, a causa dos problemas sociais seria a propriedade privada. A causa da desigualdade seria a existência de classes. A causa da emancipação seria a revolução. É interessante isto, mas se torna ainda mais interessante se a gente questionar o materialismo sobre a causa primeira das coisas. Todas as coisas são causadas por algo anterior. Na filosofia tomista, se diz que um ser em potência só pode ser posto em ato, por um ser em ato. Ora, mas o materialismo, negando o espírito e qualquer transcendência, teria, ou de negar a causa primeira, num processo retroativo infinito (ilógico), ou de escolher como causa primeira uma matéria. Mas, então, esta matéria incriada, seria uma espécie de ser transcendente. Isto seria uma coisa muito estranha. Segundo o princípio da causa primeira, o materialismo não se explica.

De outra forma, poderíamos notar que ao observar o princípio da causalidade, o materialismo, negando o espírito, torna-se mecânico, isto é, toda a transformação, não havendo uma vontade pessoal que nela aja, torna-se meramente determinista. Daí surgem novos problemas:
Primeiro, como explicar que as coisas se transformem? Para tal, deveríamos conceber uma espécie de dinamismo inerente às partículas da matéria. Só isto explicaria a sua diversidade. Muito estranho...
Segundo, como explicar que as coisas materiais se organizem de forma tão ordenada? Isto não supõe a existência de uma inteligência que as ordene? Seria uma tendência natural da matéria em ordenar-se? Ora, e por que, então, não saem computadores, carros, televisores do lixão? Por que as coisas não se concertam por si só?
Em terceiro lugar, se o materialismo é forçosamente determinista; isto implica que as coisas seguem um curso mecânico. Tudo já está determinado. Como, então, falar de liberdade? Como prometer a emancipação da sociedade? Se alguém é determinista, então não tem sequer a liberdade de tomar um sorvete ou de dizer um bom dia porque, se o disser, somente o fez por já estar determinado. Determinismo e liberdade são antagônicos, são opostos.

Resumindo então estas questões, teríamos que o materialismo é inconsistente, entre outros motivos, porque:

1 – Não explica a causa primeira
2 – Não explica porque as coisas se transformam
3 – Não explica porque as coisas estão dispostas em perfeita ordem
4 – Observa o determinismo, que se opõe ao conceito de liberdade, que ele promete.

Estas são apenas algumas questões, vistas muito rapidamente, sobre alguns princípios do materialismo. Ele não se sustenta. Mas, infelizmente, pelo seu caráter de revolução e baderna, tem conseguido muitos adeptos e, mais infelizmente ainda, suas ramificações tem se infiltrado em meios católicos.

Que Nossa Senhora nos proteja deste mal, e rogue a Deus para que nos conserve fiéis à sua Santa e Perfeita Verdade.

Fábio Luciano

A intolerância religiosa


Partes do sermão do Cardeal Pie, pregado na Catedral de Chartres em 1841

Nosso século clama: “tolerância, tolerância”. Tem-se como certo que um padre deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus irmãos, não há nada que valha mais que a franqueza e eu aqui estou para vos dizer,, sem disfarce que no mundo inteiro só existe uma sociedade que possui a verdade e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante.

Faz parte da essência de toda verdade não tolerar o princípio que a contradiz. A afirmação de uma coisa exclui a negação dessa mesma coisa,, assim como a luz exclui as trevas. Onde nada é certo, onde nada é definido, pode-se partilhar os sentimentos, podem variar as opiniões. Mas logo que a verdade se apresenta com as características certas que a distinguem, por isso mesmo que é verdade, ela é positiva, ela é necessária e por consequência ela é una e intolerante: in necessaris unitas. Condenar a verdade à tolerância é condená-la ao suicídio. A afirmação se aniquila se ela duvida de si mesma, e ela duvida de si mesma se ela admite com indiferença que se ponha a seu lado a sua própria negação. Para a verdade, a intolerância é o instinto de conservação, é o exercício legítimo do direito de propriedade.

Assim, meus irmãos, pela própria necessidade das coisas,, a intolerância está em toda parte porque em toda parte existe o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, a ordem e a desordem. Quem há de mais intolerante do que esta proposição: 2 e 2 fazem 4? Se vierdes me dizer que 2 e 2 fazem 3 ou fazem 5, eu vos respondo que 2 e 2 fazem 4...Nada é tão exclusivo quanto a unidade. Ora, ouvi a palavra de São Paulo: “unus Dominus, una fides, unum baptisma”. Há no céu, um só Senhor: unus Dominus. Esse Deus, cuja unidade é seu grande atributo, deu à terra um só símbolo, uma só doutrina, uma só fé: una fides. E esta fé, esta doutrina, Ele confiou-as a uma só sociedade visível, uma só Igreja cujos filhos são, todos, marcados com o mesmo selo e regenerados pela mesma graça: unum baptisma. Assim, a unidade divina que esplende por todos os séculos na glória de Deus, produziu-se sobre a terra pela unidade do dogma evangélico cujo depósito foi confiado por Nosso Senhor Jesus Cristo à unidade hierárquica do sacerdócio: um Deus, uma fé,uma Igreja: unus Dominus,una fides, unum baptisma.

Um pastor inglês teve a coragem de escrever um livro sobre a tolerância de Jesus Cristo e o filósofo de Genebra (Rousseau) disse, falando do Salvador dos homens. “Não vejo que meu divino Mestre tenha formulado sutilezas sobre o dogma”. Bem verdadeiro, meus irmãos. Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma, mas trouxe aos homens a verdade e disse: se alguém não for batizado na água e no Espírito Santo; se alguém recusa-se a comer a minha carne e a beber o meu sangue, não terá parte em meu reino. Confesso que nisso não há sutilezas, há intolerência, há exclusão, a mais positiva, a mais franca. . E mais, Jesus Cristo enviou seus Apóstolos para pregar a todas as nações, isto é, derrubar todas as religiões existentes para estabelecer em toda a terra a única religião cristã e substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico. E prevendo os movimentos e as divisões que esta doutrina vai incitar sobre a terra, Ele não se deteve e declarou que tinha vindo para trazer não a paz, mas a espada e acender a guerra não somente entre os povos, mas no seio de uma mesma família e separar, pelo menos quanto às convicções, a esposa fiel do esposo incrédulo, o genro cristão do sogro idólatra. A afirmação é verdadeira e o filósofo tem razão: Jesus Cristo não formulou sutilezas sobre o dogma.

Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos Apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para com os outros, eram todos demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses e o setudo de sua mitologia se complica na mesma proporção que o da sua geografia.

Quando aparece o cristianismo, não foi repelido subitamente. O paganismo perguntou se, ao invés de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu solo. (...) Mas a palavra do profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, de ordinário sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros serem colocados ao lado deles, com a chegada do Deus dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranquila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados. E logo, quando se percebeu que esse Deus novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando viu-se que os cristãos, dos quais se havia admitido o culto, não queriam admitir o culto da nação; em uma palavra, quando constatou-se o espírito intolerante da fé cristã, é aí que então começou a perseguição.

Ouvi como os historiadores do tempo justificam as torturas dos cristãos. Eles não falam mal de sua religião, de seu Deus, de seu Cristo, de suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles os censuram somente por não poderem suportar outra religião que não seja a deles.

Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo, e, como se dizia, o humor insociável de sua teologia. Se só se tratasse de um Deus a mais, não teria havido reclamações; mas era um Deus incompatível, que expulsava todos os outros: eis porque a perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi uma obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é outra que a história dessa intolerância. O que são os mártires? Intolerantes em matéria de fé, que preferem os suplícios a professarem o erro. O que são os símbolos? São fórmulas de intolerância, que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. O que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade de fé. Porque os concílios? Para freiar os desvios de pensamentos, condenar as falsas interpretações do dogma; anatematizar as proposições contrárias à fé.

Nós somos então tolerantes, exclusivos em matéria de doutrina; nós dissto fazemos profissão; nos orgulhamos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a verdade, pois que a verdade é uma, e consequentemente intolerante. Filha do céu, a religião cristã, descendo sobre a terra, apresentou os títulos de sua origem; ela ofereceu ao exame da razão fatos incontestáveis, e que provam irrefutavelmente sua divindade. Ora, se ela vem de Deus, se Jesus Cristo, seu autor, pode dizer: Eu sou a Verdade: Ego sum Veritas, é necessário por uma consequência inevitável, que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta verdade tal qual a recebeu do céu; é necessário que ela repila, que ela exclua tudo o que é contrário a esta verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar à Igreja Católica sua intolerância dogmática, sua afirmação absoluta em matéria de doutrina é dirigir-lhe uma recriminação muito honrável. É recriminar à sentinela ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar à esposa ser muito dedicada e exclusiva.

Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que elas se equivalem a todas, se todas são verdadeiras é porque todas são falsas, se todos os deuses se toleram, é porque não há Deus. E se se pode aí chegar, não sobra mais nenhuma moral incômoda. Quantas consciências estariam tranquilas, no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas suas rivais!

Procurais a verdade sobre a terra? Procurai a Igreja intolerante. Todos os erros podem se fazer concessões mútuas; eles são parentes próximos, pois que têm um pai comum: vos ex patre diabolo estis. A verdade, filha do céu, é a única que não capitula.

Vós, pois, que quereis julgar esta grande causa, tomai para isto a sabedoria de Salomão. Entre essas diferentes sociedades para as quais a verdade é um objeto de litígio, como era aquela criança entre as duas mães, quereis saber a quem adjudicá-la. Pedi que vos dêem uma espada, fingi cortar, e examinai as caras que farão os pretendentes. Haverá vários que se resignarão, que se contentarão da parte que vão ter. Dizei logo: essas não são as mães! Há uma cara, ao contrário, que se recusará a toda composição, que dirá: a verdade me pertence e eu devo conservá-la inteira, eu jamais tolerarei que ela seja diminuída, partida. Dizei: esta aqui é a verdadeira mãe!

Sim, Santa Igreja Católica, vós tendes a verdade, porque vós tendes a unidade, e porque vós sois intolerante, não deixais decompor esta unidade.

Cardeal Pie

As vaidades do mundo versus a vida ordinária dos cristãos


Hoje em dia, a maior parte das pessoas repudiam a simplicidade, o cotidiano mantido, a fidelidade à rotina. Numa total inversão de valores, fizeram a infeliz e falsa descobertade que a vida posta sob holofotes e pesadas caixas de som, de onde saem, quando não músicas pornográficas, ao menos sons ensurdecedores de um romantismo enjoado hollywoodiano, é mais agradável. O show da ostentação tem lançado sua névoa sobre os ingênuos indivíduos de nossa triste sociedade, que têm se deixado seduzir da maneira mais tosca. A total ignorância de si mesmo vem acompanhada pela sede desenfreada de pura ostentação. E dá-lhe orkut, e dá-lhe msn.. não, não é para discutir ou ler temas interessantes, mas para partilhar fotos, propostas nojentas, interesses torpes, vaidades e vaidades. E vem o Big Brother, já não sei quantos, onde a tortura televisiva se universaliza, onde o paladar visual (?), sob duras penas, rebaixa-se à mediocridade... E, enquanto isso, os dias comuns são, à toda força, camuflados e escondidos. Querem ser artistas, querem fazer filmes... ah, mas não têm competência. Ora, não tem problema, faz filme pornô, ou então vai dançar funk (que é quase a mesma coisa). E a maior parte dos que decidem mergulhar em tanta miséria, seguem feito zumbis na onda do besteirol. Mas, é importante dizer que estas atitudes forçadas não trazem nada de bom. Os sorrisos são puramente encenados. As tristezas, puramente camufladas. E no fim, se convencem de que a vida é assim mesmo. Ora, não é isto já um ensaio para a tristeza eterna? Esta, porém, sem disfarces.

O especial, mesmo quando sadio, só existe se tiver por base o ordinário. Não há feriado, sem dias comuns. Não há data comemorativa, sem que haja momentos simples. No fim, e muitos estão vendados para ver isto, o ordinário é, talvez, muito mais verdadeiro e consistente do que o extraordinário. Vários indivíduos vivem atrás da fugacidade das sensações baixas, e desprezam o verdadeiro tesouro, escondido no normal. Todo este jugo do sensacional funciona, somente, como forma de distração do essencial e verdadeiro. Ora, mas esta distração não acontece apenas com os mundanos das baladas e festas de funk e outras porcarias. Infelizmente, está também nos mundanos católicos. Pessoas que vivem por momentos, arrastões, retiros emocionalmente promissores, arrepios, lágrimas forçadas, caretas, dancinhas, rebolados... Tudo isso somente serve como uma forma de distração do verdadeiro, escondido justamente no compromisso diário. É comum que ao terminar um “retiro” destes, ou mesmo um show, os seus espectadores perguntem, ao se entreolharem: “quando vai ter outro?”. E não conseguem ver que o verdadeiro, o especial, o essencial de suas vidas acontece, justamente, todo dia. Ora, mas isto não interessa. Por que será? Porque aquelas festas, aqueles momentos nunca foram amor. Foram sempre buscas da própria sensualidade, que acaba cegando sempre mais. São apenas os subvalores mundanos trazidos a solos católicos. Não estou aqui criticando os eventos em si (se bem que alguns, sinceramente, são tudo, menos católicos... inclua-se nesta lixeira, por exemplo, a infeliz cristoteca e os tristes arrastões), mas, antes, a atitude dos que ali se fazem presentes, em busca de mais divertimento irracional, de mais sensacionalismo forte, de mais, quem sabe até, uma amizade colorida promissora ou, mesmo, Deus nos livre, de uma “ficada”.

Mas existem, claro, e graças a Deus, os que se preservam destas loucuras. São, justamente, os considerados loucos. E, de fato, a ordem destes é para que sejam, não DDDs (que tosco!), mas adeptos da loucura da Cruz! São pessoas simples, que cultivam o essencial, que limpam os olhos no trato de intimidade com Deus. Sabem ver o momento presente, enxergar a riqueza escondida no ordinário. Enquanto tantos vivem à espera da noite que será palco das maiores porquices (sem querer ofender os porcos...), os verdadeiros cristãos sabem reconhecer a beleza de uma árvore balançando, de uma leve lufada de vento no rosto, de uma nuvem graciosa no céu, de um momento simples e puro de silêncio, de um olhar de caridade cristã. Não que eles vivam procurando estas coisas, como se fossem sentimentalistas... Não, querem somente a Deus, em tudo. Justamente por isto, têm os olhos limpos para contemplarem, sem apegos, com gratuidade, os fenômenos que refletem a bondade, o amor, a beleza e a sabedoria dAquele que aprenderam e aprendem a amar. Os simples, os que vivem o rotineiro, os que cultivam a oração diária, os que foram à Santa Missa ontem, vão hoje, irão amanhã, e depois, e depois, e depois, têm uma alegria imensa e sóbria e um coração que é todo amor e graditão. Eis a figura odiada e repudiada pelo mundo de hoje. Nestes católicos se cumpre o que S. Francisco dizia: “o Cristão não consegue esconder a sua felicidade de ter descoberto tão grande tesouro”. Ele descobriu justamente porque é escondido, revelado aos humildes, aos sóbrios. São estes que dia a dia carregam a sua cruz, que sabem negar-se uma satisfação egoísta e forçar-se até a violência para um bem ou uma virtude que não tenha tanto gosto, do ponto de vista dos sentidos. Eles sabem que a ordem das coisas é diferente da que o mundo observa. O que menos é saboroso, em termos de virtude, é justamente o mais valioso. Os mundanos trocaram a noite pelo dia, vivem como morcegos, de cabeça para baixo, olhando tudo invertidamente. É deles que o profeta falou: “ai daqueles que à luz chamam trevas, e às trevas, luz”.

Enfim, que bom ser ordinário. Que bom ser evitado e olhado meio que de lado. Que bom ser visto como alienado, porque não se vive mergulhado no mesmo poço de enxofre e porque se persegue um bem eterno, e não temporário e fútil. Estranho seria se fôssemos elogiados por quem Nosso Senhor define como cães e porcos. Que bom ser cristão, mas não cristão morninho ou tolerante, mas cristão absoluto, que só conhece uma voz. Que bom ter no coração o zelo violento de querer agradar somente a Deus e, aos homens, fazer o bem, como muito bem o expressou S. Pe. Pio. Que bom sofrer por Deus, estar ao pé da Sua Cruz, experimentar a Sua solidão por Lhe amar e por proclamar e, sobretudo, viver a Sua Verdade no meio de uma sociedade perversa e maliciosa.

Fábio Luciano

Salve Theotokos!!!

Adversus Haereses



Reproduced by courtesy of the University Librarian and Director, The John Rylands University Library, The University of Manchester

A oração "Sub tuum praesidium"- À vossa proteção, é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Encontrada num fragmento de papiro, em 1927, no Egito, remonta ao século III. (VER DOCUMENTO ACIMA) Tem uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (“Estamos na provação” e “Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos que traduzindo do grego para o português significa :Mãe de Deus, este título é o mais importante e belo da Virgem Santíssima.Já no século II era dirigido a Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso em 431. O texto primitivo do qual derivam as diversas variações litúrgicas (copta, grega, ambrosiana e romana) é o seguinte: “Sob a asa da vossa misericórdia nós nos refugiamos, Theotókos; não recuse os nossos pedidos na necessidade e salva-nos do perigo: somente pura, somente bendita” .

Oração: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus.Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém

Disponível em:

http://advhaereses.blogspot.com/

Sacramento da Fé - Batismo

Márcio Batista

Gostaria de iniciar fazendo um apelo: por favor, deixem o pré-conceito e abram as mentes e corações. Caso contrário, não há orador e nem oratória suficientes no mundo que os convença da beleza dos sacramentos.

Depois de termos aberto os olhos da fé, vamos reiniciar esclarecendo o que é sacramento. O que é o sacramento?

- Sacramento é um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Jesus Cristo para santificar as nossas almas.

Imediatamente conseguimos distinguir três palavras chaves nesta definição de sacramento:
Sinal sensível: significa que através de símbolos materiais é nos manifestada a graça invisível de Deus;

Instituído por Jesus Cristo: Significa que foi Jesus Cristo que criou esse rito, utilizando-se da sua natureza divina, i.e, Ele o criou como Deus que Ele é;

Da graça: Significa que durante a realização desse rito o Espírito de Deus vem até nós e nos preenche, mesmo que não o percebamos com nossos sentidos.

Passemos agora a distinguir os sacramentos da igreja:
Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia;
Sacramentos de Cura: Confissão e Unção dos Enfermos;
Sacramentos de serviço da comunhão e de missão: Matrimônio e Ordem.

Ao todo temos sete sacramentos, todos deixados para nos auxiliar em cada fase de nossas vidas. Hoje vamos nos restringir apenas ao batismo. O batismo, como um sacramento que é, nos foi dado pelo próprio Jesus Cristo, que também o viveu como narra São Mateus no capítulo 3 versículo 13:
“Da Galiléia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele”.

Continuando a leitura do versículo seguinte vemos que Jesus foi batizado por João com água do Jordão, primeira condição de um sacramento é o símbolo material, e logo em seguida repousou sobre Ele o Espírito de Deus, terceira condição do sacramento. Algum leitor desavisado poderia questionar neste momento o seguinte: Isso caracteriza a instituição do batismo por Jesus?

A questão é razoável, para aqueles que só acreditam no que viram e no que está no papel. Contudo, para nosso auxílio, Jesus Cristo neste caso não quis deixar margem de dúvida, visto que esse sacramento é importantíssimo. Vamos então a Mateus capítulo 28 versículo 18:
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; BATIZAI-AS em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Neste momento, com esse mandatum de Jesus fica bem claro que o batismo é um sacramento. Estando claro isso em nossos corações e mentes, passamos a nos questionar: qual significado tem o batismo afinal de contas? Deixemos o Apóstolo das gentes responder:
“... sepultados com Ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos... nós também vivamos uma vida nova” (Rom 6, 3-4)
ou
“Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gal 3, 27).

Traduzindo em linguagem popular: Através da imersão na água, o batizado morre para o pecado e renasce para a vida nova que é Jesus. Para continuarmos, dilatemos ainda mais os nossos corações e percebamos a beleza deste sacramento.

Relembremos primeiro que Jesus Cristo na oração do Pai Nosso nos revela que Deus é Pai. Segundo: algum tempos antes desta revelação – que é uma revelação, pois com nossa razão não conseguiríamos concluir isso - o anjo Gabriel ao anunciar o nascimento de Jesus a Maria diz o seguinte:
“Eis que conceberás e darás à luz um filho,...Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo...” (Lc 1,31-32).

Sendo assim, vemos que Deus é Pai e Filho. Não esqueçamos que Deus é Amor (1Jo 8), i.e, o Espírito Santo naturalmente aparece como o Amor que existe entre o Pai e o Filho. Percebam agora a sutileza que a tempos bate em nossa porta e que não queremos a ver: temos um Pai, um Filho e Amor entre Eles. Qual instituição humana tem essas característica? Somente a família. Que maravilha, que beleza. A Trindade Santíssima é uma família completa, tem tudo que uma família precisa ter.

Por que estou ressaltando isso? Lembram da questão: O que significa o batismo? Na segunda resposta que descrevi acima Paulo nos diz que: vos revestistes de Cristo. Logo o batismo nos introduziu nesta família, claro que como filhos adotivos de Deus Pai, mas ainda assim filhos. Alegremo-nos, agora fazemos parte da família divina, a família de Deus. Que notícia!!!.

Antes de finalizar, gostaria de esclarecer uma coisa a mais: Qualquer pessoa, não batizada, pode e deve ser batizada, desde que expresse desejo sincero, no caso de adulto, e no caso de criança os seus pais expressem esse desejo sincero. Neste momento se você é evangélico com certeza não concordou. Porém já paramos para pensar por que nossos pais no alfabetizaram em língua portuguesa e não em inglês, que é a língua mais influente da atualidade?Sendo assim, finalizo pedindo o auxílio de Nossa Senhora, Spens Nostra, que consiga de Jesus Cristo a graça de dilatarmos mais e mais nossos corações e assim possamos apreciar retamente a beleza de sermos da família de Deus.
Márcio Batista

Sobre trevas e luz


É… Hoje em dia, com o pseudo-progresso que a sociedade diz ter alcançado, não são poucos os que, considerando a religião mais como um estorvo à evolução dos espíritos do que como caráter essencial de sua constituição e vocação, desejam fadá-la ao passado, ao tempo “da ignorância”, à época medieval, ao tempo da escravidão. Creem estes tolinhos que com o Renascimento, deu-se início o movimento de libertação da humanidade do julgo das trevas da Idade Média, onde a Igreja era o centro das vidas humanas. Entenderam que o antropocentrismo ao invés do teocentrismo era a solução para a emancipação da humanidade. Alguns, mesmo, ousam dizer que o pecado de Adão foi o primeiro grande passo para a independência.... Mas... que independência?.... E como se acreditassem em Adão...

Vivemos num tempo de ignorância extrema. É risonha esta troca que fazem: A Idade Média, tempo luminoso de Fé e progresso é tida como a “Época das Trevas”, enquanto o tempo atual, marcado pelas sombras de um subjetivismo, de um relativismo nojento, é tido como o “Tempo da Luz”. Ora, não são os morcegos os que vêem na escuridão e se ofuscam na luz do dia? Estes mesmos animais são os que dormem de cabeça para baixo, tendo assim, uma visão invertida das coisas. Destes “morcegos” humanos nos advertiu o profeta: “ai daqueles que à luz chamam trevas, e que às trevas chamam luz” (Is 5, 20). É deplorável, mesmo, a baixeza destes que se proclamam os libertadores do povo, ou daqueles que afirmam ter se desfeito dos “tabus” que aprisionavam os homens. É cômico notar que nunca fazem reflexão profunda das coisas, ficam na mediocridade, presos ao mais superficial fenômeno captado pelos seus cegos olhos. Não vêem a trave na própria retina e, por esta janela da alma, deixaram passar tanta escuridão que, sequer, dão conta dela. São facilmente enganados. Tudo o que surja como revolução e dogma científico oposto à Fé é acatado, pois geralmente são apenas vaidade e orgulho condensados com boa dose de crueldade.

De Deus querem se desfazer. Querem acabar com Aquele que os trouxe à existência. Ora, existiria contradição maior que esta? Um homem tentando destruir o seu próprio princípio fundante, na grande ilusão de favorecer sua própria felicidade? São imitadores, marionetes dos que se mostram como grandes. São cultuadores de falsos deuses, idólatras que, forçosamente, são mordidos pela serpente venenosa do pecado. Enquanto não deixarem de visar as coisas rasteiras, como fazem as galinhas, e não olharem ao alto, para Aquele que foi erguido no madeiro, a serpente os levará à morte, e a uma morte muito mais tenebrosa que a morte corporal, a morte da alma. Querem brincar com o Juíz, diante do qual, o mais justo dos homens tem motivo suficiente para tremer. Querem pisar no Sangue derramado em favor dos homens, querem ignorar a aflição do Cristo no Getsêmani... Querem abolir Deus da história, e instaurar de vez, no terreno da própria existência, o reino do outro, que, uma vez expulso da presença de Deus, não se contentou em ir sozinho.

Como são tolos estes morcegos... como são repugnantes, como se tornaram feios e dignos de repulsa. Mas, estes que agora sorriem, afundados já em tantas trevas, incomodados com a Luz dAquele que é a própria Luz refletida através dos Seus servos e amigos no mundo; estes que jazem na mentira, espetados pelos que proclamam a Verdade, se se mantiverem ainda sob o julgo do inferno, não tarde, gritarão às montanhas para que caiam sobre si, numa tentativa desesperada de se ocultar dos olhos dAquele que a tudo vê.

Meu Deus, não permita que eu seja destes, mas que daqueles que brilharão como o sol, no alvorecer da nova vida. Livra-me, Senhor, desde já de toda verdadeira escravidão, que é a do pecado, livra-me das trevas do inferno, incidi Tua Luz em minha alma e escreve a Tua Verdade na minha mente e no meu coração. Ensina-me, Senhor, a participar nesta vida de tua solidão e das tuas dores. Faz-me amar, vence os meus vícios, arranca-me a raiz imunda do amor próprio, e conforma-me contigo, oh Amor Meu...

Sim, Senhor, Tu és a Luz dos meus olhos. Oh, e se o que entra pelos olhos é a Vossa Luz, quão grande será a Luz desta alma... Dá-me esta honra, Senhor, para Vossa maior Glória, para Vosso maior Amor.

Crux in Corde, Corde in Crux

Fábio Luciano Silvério da Silva

A Cruz não é opção, é missão.

Claudemir Leandro


Como estamos a véspera da Exaltação da Santa Cruz venho convidar a refletirmos sobre este mistério o qual segundo as palavras de São Paulo é "escândalo para os judeus e loucura para os pagãos."

Primeira reflexão: Como devemos ver a Cruz?

Recordemos Mateus 16, 21-27. Nesta passagem encontramos elementos riquíssimos que ajudarão a compreendermos este belo mistério. Observemos que Pedro, que antes havia professado de forma tão clara a Divindade de Cristo, logo ao vê-Lo descrevendo seus futuros padecimentos interpela-O com aquelas palavras: Que Deus não te permita isso, Senhor.

Vemos aqui duas posturas. A visão sobrenatural, visão divina - És o Cristo, o Filho de Deus Vivo - e a humana - Isto não te acontecerá. Esta última postura leva a Pedro receber resposta muito dura - Afasta-te, Satanás!

Facilmente vemos uma analogia com a tentação do deserto, quando Cristo expele o próprio Satanás, pois o evangelista usa palavras semelhantes. O que nos leva a cogitar quão duras são as palavras de Cristo a quem ver a Cruz com este olhar humano. Devemos então buscarmos ver a Cruz com este olhar sobrenatural, divino, que assim como foi querido por Deus Pai que seu Filho a vivesse, também quer que nós a vivamos, como vemos nas palavras Deste - Se alguém quer me seguir, renuncie a sim mesmo, tome a sua Cruz e me siga.

Segunda reflexão: A Cruz é necessária?

O foi para Cristo conforme Ele mesmo afirma no caminho de Emaús (Lc 24, 26), além disso no que descrevemos acima já mostra a sua necessidade. E só para fortalecer o argumento usamos as palavras de Paulo (At 14,22) - é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações. E ao lermos o evangelho vemos uma promessa de Cristo instigante: Ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos (...) por causa de mim (...) que não receba, já neste século, cem vezes mais (...), com perseguições. (Mc 10, 29-30).

Ultima reflexão: Quais os benefícios da Cruz?

Já vimos que os sofrimentos, perseguições, tribulações virão certamente e devemos, a exemplo de Cristo, amá-las. Mas a natureza humana, a carne, tem repulsa a eles. É neste ponto que saliento, pois, que esta é uma doutrina difícil de entendimento até para muitos que se dizem católicos e, ainda hoje, escandaliza bastante.

Mas não vos entristeceis, pois são grandes as recompensas e o prêmio é a Vida Eterna. Eis alguns benefícios conforme podemos encontrar no ensinamento da Santa Igreja: A justificação, ou seja, torna-nos conformes à justiça de Deus, que nos faz interiormente justos pelo poder da sua misericórdia. Reconcilia-nos com Deus. Configura-nos com Ele e a Ele nos une na Sua Paixão redentora.

Além disso, não nos esqueçamos que a Eucaristia, o mais augusto dos sacramentos pois nele recebemos o Doador dos sacramentos, só nos foi possível através da bendita Cruz, e é por definição o próprio sacrifício do Corpo e Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar pelos séculos, até seu retorno, o sacrifío da Cruz.

Não é por menos que a Igreja canta: O crux, ave, spes unica - Salve, ó Cruz, única esperança.

Peçamos a Nossa Senhora das Dores, esta Mãe amável que soube estar tão fielmente aos pés do seu Filho na cruz, que nos conceda a força de não nos afastarmos deste Cristo Crucificado e que saibamos aceitar todas as tribulações e sofrimentos que venham acometer-nos.

Nossa Senhora das Dores - rogai por nós.

Claudemir Leandro

Meus colegas de faculdade...

Felipe Camarão

Depois de um penoso ano de cursinho, no qual todo vestibulando é obrigado, de bom ou mau grado, a engolir as abobrinhas servidas por professores marxistóides, recheadas de pornografia e anti-clericalismo, tive a feliz alegria de ingressar na Universidade. Ah!... Universidade!... O sonho de todo estudante desejoso de aumentar seus conhecimentos, de ampliar seus "horizontes interpretativos", como se costuma dizer! Que esperar de uma Universidade, senão um ambiente propício ao desenvolvimento intelectual, a um sadio enriquecimento cultural e a um profundo amadurecimento pessoal, que prepare os jovens para a vida adulta? Pois é, eram essas as esperanças que depositava na Universidade. Entusiasmava-me a alegria de conviver em um bem selecionado círculo de pessoas que, como eu, passaram pela peneira do vestibular. Que alegria! Que realização! Acreditava eu piamente que agora iria poder me livrar das baixíssimas conversas que se travavam no cursinho que me isolavam. Agora, estava num ambiente bem melhor, com pessoas de nível, pensava eu com ar de superioridade!... Pois bem, chegaram os dias de aula. Depois de todas as formalidades e apresentações da primeira semana e de alguns dias para conseguir destrinchar o confuso horário da minha turma (o que me valeu algumas aulas perdidas) encontrei por fim a minha classe. Qual não foi minha surpresa – e porque não alegria?! – ao saber que no meu curso havia várias pessoas que já estavam na segunda faculdade. "Pessoas realmente dedicadas ao estudo e à vida intelectual”, pensei eu. Definitivamente, seria aquele um ambiente no qual eu poderia "enriquecer minha personalidade", onde eu teria a oportunidade de "quebrar muitos paradigmas", como me garantira o coordenador do curso. Dentre os "eremitas" do estudo universitário, que bravamente lutavam pelo segundo diploma, se encontravam advogados, engenheiros, químicos, psicólogos, historiadores e até mesmo – ora quem diria? – um filósofo, como ele mesmo se autodenominara. Minha sala era, então, um ambiente "multi-cultural", como afirmou uma moiçola, que estranhamente ostentava um pedaço de ferro atravessado no nariz, objeto que mais tarde eu descobri ser um tal de "piercing". (Bem que minha boa e setuagenária avó me advertira que eu iria me deparar com coisas estranhas na cidade grande (...Mas na Universidade!...). Foram-se então passando os dias, e eu fui conhecendo meus colegas de classe. Tive logo um susto bem grande quando um dos primeiros rapazes com quem falei, doutorando em Química, se declarou "bruxo", quando lhe perguntei qual era a sua religião. Ora, essa estória de bruxaria até então me parecia superstição e ignorância. Nunca imaginei encontrar ninguém com esse estranho perfil no culto e iluminado ambiente universitário. Era bem verdade que, no cursinho, me ensinaram que os bruxos não eram tão maus assim, que maus mesmo eram os padres que, durante a terrível Idade Média – triste época onde não se podiam quebrar os "paradigmas" de uma sociedade retrógrada e onde o "multi-culturalismo" era rejeitado –, queimavam esses pobres coitados. Mas... Na Universidade moderna, onde reina a ciência e impera a técnica, alguém se declarar bruxo? E mesmo sendo esse alguém doutorando em Química? Estranho. Muito estranho esse meu primeiro contato na faculdade. Mas, "as coisas haveriam de melhorar", pensava eu, sempre otimista. Alguns dias depois desse inusitado fato, conheci outro amigo. Dessa vez o sujeito era historiador. Durante as aulas de Economia percebi uma ligeira inclinação marxista no rapaz, e lhe fui perguntar se ele o era de fato. Ele me respondeu que "sim, mas não um marxista fanático". O rapaz tinha a mente aberta e dizia-se um "marxista pós-moderno", que defendia que ninguém tinha ainda entendido Marx, o qual jamais havia postulado um reles materialismo grosseiro, onde o fator econômico seria determinante das relações humanas. A revolução se daria mesmo "pela educação e pelo respeito à diversidade", garantiu meu interlocutor. Para compreender melhor do que tratava aquela teoria, perguntei-lhe quais eram seus "gurus" intelectuais. "Nietzsche e Foucault", respondeu-me ele imediatamente, e acrescentando, depois de uma breve pausa, que ainda não os havia lido... Achei esquisito que alguém tomasse por guia intelectual um sujeito doido como Nietzsche, mas o que me surpreendeu deveras foi que alguém se declarasse discípulo de alguém que nunca lera... Neste mesmo dia tive a oportunidade de, na volta para casa, num apertado vagão de metrô – um dos símbolos do progresso da técnica que traria felicidade aos homens – conversar com uma moça que cursava psicologia em outra universidade. Ele falava de Freud e Jung, e dizia que, embora não concordasse com eles, era fato cientificamente indiscutível que a psicanálise funcionava na maioria das análises comportamentais. Diante dos meus protestos de que a teoria do Freud era imoral e absurda, a moça dizia que não gostava muito da idéia de que todos sofremos com o complexo de Édipo, mas que não tínhamos como negar que de fato as coisas ocorriam daquela maneira... Eu fiquei intrigado e perguntei como ela podia reconhecer que uma coisa era verdadeira e, ao mesmo tempo, discordar dela. Perguntei ainda se não haveria a possibilidade de os psicanalistas forçarem os dados da realidade, afim de adequá-la às suas teorias. Ela então me respondeu solenemente: "não podemos questionar a autoridade da comunidade científica". Nesse momento tive que descer o trem, pois havia chegado minha estação. E desci do trem com alivio: era absurdo demais para aturar. Depois dessas experiências um tanto frustrantes das primeiras semanas, recuei um pouco no meu ímpeto de desbravar as inteligências universitárias, cujas amizades sempre desejei compartilhar. Passei a observei melhor a minha classe e vi que o nível das conversas não era muito melhor do que as do cursinho. O burburinho da classe girava em torno das "baladas" semanais promovidas pelos veteranos e pelos campeonatos de futebol, sempre passando, para minha indignação, por piadas de baixíssimo nível. O tempo continuou passando e meu entusiasmo com o mundo universitário foi arrefecendo. Eis que um dia soube, por acaso, que tínhamos também um "filósofo" em nossa classe. Essa informação foi como uma re-injeção de ânimo em minha esperança universitária. Logo que vi nosso filósofo, corri para conversar sobre sua formação na área. Eu, que de uns tempos para cá passei a me interessar razoavelmente por filosofia, mormente a filosofia de Aristóteles e São Tomás de Aquino, esperava poder aumentar os conhecimentos que havia conseguido com meus parcos estudos. Ao conversar com meu novo amigo filósofo, lhe perguntei quais eram seus autores preferidos, o que ele havia estudado, etc. Ele me falou que não se prendia a autores, que buscava ter "uma visão mais panorâmica da filosofia". Acrescentou, porém, que recentemente estava estudando Descartes. Ora, eu havia aprendido, em alguns manuais de tomismo, que Descartes marcava uma ruptura com a filosofia perene e, por isto, sempre lhe tive muita reserva. Perguntei ao filósofo se ele não achava estranha a epistemologia cartesiana, que negava a autoridade dos sentidos como ponte entre a inteligência e o mundo exterior. Ele então me disse que, no começo, achou as idéias cartesianas "meio loucas", mas que tudo era "uma questão de interpretação". Adiantou-se em afirmar que, ao negar que o sentidos sejam meios seguros de conhecimento, Descartes não negava a existência do mundo extra-mental, como alguns idealistas delirantes. Disse meu amigo filósofo que o que mais o havia impressionado em Descartes era – pasmem! – o fato de que ele havia conseguido "provar a existência do outro". Essa descoberta -- dizia-me o filósofo -- "era muito importante em política", pois, sendo a existência do outro provada, "não poderíamos mais tratá-lo como objeto, e sim com sujeito". Essa seria uma descoberta "sem dúvida genial", garantiu meu filósofo. Eu, que conheço pouca ou nada de filosofia, protestei, afirmando que, segundo Aristóteles, a existência do outro e dos objetos da percepção sensível não poderia jamais ser provada, já que se tratava de uma evidência. "A evidência se constata, não se prova. Só os loucos tentam provar a evidência", sustentei eu, repetindo o que me ensinou o estagirita. Meu colega continuou afirmando, sem levar muito em conta a opinião de Aristóteles, que "mesmo assim, a posição cartesiana é válida, dada sua importância política". Eu tentei replicar, tentando fazê-lo ver quão absurda é a teoria de que é necessária uma prova de que o outro existe. Ele, dando mostras que não se interessava muito por polêmicas, terminou a conversa com uma frase solene: "no fim, tudo se resume a uma questão interpretativa, onde todos as posições têm seu valor"... E assim terminou – frustradamente – minha epopéia universitária em busca de conversas intelectualmente proveitosas. Tive a infeliz oportunidade de perceber que o homem moderno vive na mais absurda "alienação", a alienação do bom senso, e defende as teorias mais gagás, sem nenhuma relação com a realidade. Logo me veio à cabeça às palavras do Papa, que tanto tem criticado essa cruel "ditadura do relativismo", onde cada um cria sua verdade, de acordo com seus critérios, resumindo todo conhecimento a uma questão de vontade. A ditadura do relativismo, no fundo, é uma negação da razão, uma negação da possibilidade do homem conhecer as coisas objetivamente. O mais engraçado é que, justamente, o mundo moderno se pretende um iluminado filho do racionalismo, uma reação ao obscurantismo medieval, quando reinava o fundamentalismo e a ignorância... Quanto aos meus colegas, apesar da flagrante – e hilariante – superficialidade intelectual, pude ver claramente que eles se julgavam o supra-sumo da intelectualidade brasileira... ...O triste, para o país, é que eles parecem que o são...
Nossa Senhora Aparecida tenha pena do Brasil.


Felipe Camarão - "Meus colegas de faculdade..." MONTFORT Associação Culturalhttp://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=cronicas&artigo=colegas_faculdade&lang=bra Online, 19/09/2008 às 11:27h

S. Pe. Pio chorando durante a Santa Missa

S. Pe. Pio chora enquanto celebra, devido à profunda meditação da Paixão de Nosso Senhor...
Sem comentários...

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