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O zelo pelo sagrado


Dia a dia, estamos observando como se alastram a indiferença e o desprezo pelo sagrado. O agnosticismo prático tem se instalado e muitas vezes, vemos seus efeitos em pleno sólo católico. Na Santa Míssa, Sacrifício de Cristo, onde deveríamos tremer de respeito, o que testemunhamos? Todo tipo de tolerância no sentido de distorcer o caráter da Santíssima Celebração e pouca ou nenhuma disciplina por parte dos participantes. Fico intrigado em ver como podem alguns demonstrar, em outras ocasiões, serem tão devotos e, em plena Santa Missa, mostrarem um tal tipo de desprezo pelo que acontece sobre o Altar.

Esta falta de zelo que, infelizmente, torna-se cada vez mais freqüente, tem vários motivos, dentre os quais, gostaríamos de citar alguns. Primeiramente, a formação doutrinária de nossas catequeses, turmas de crismas e até a que é própria da família tem sido “água com açúcar”. A famigerada Heresia da Libertação tem tomado todo o espaço nestes ambientes onde, por vezes, só se ensina o erro. O desprezo se revela na própria terminologia com que se referem àquilo que é realmente católico, como no uso pejorativo da expressão “sacramentalista” ou da palavra “encapados” pra designar os que supostamente se escondem por trás de uma capa de devoção. Observamos que o respeito pelo sagrado não só não faz parte destes ambientes, mas também que eles atacam toda sombra de reta devoção. Portanto, poderíamos apontar como um dos grandes motivos deste agnosticismo prático, a ignorância, por parte da maioria dos católicos de hoje, do que seja a Santa Missa, do que nela acontece, enfim, do real sentido do catolicismo.

Um outro aspecto fundamental para compreendermos este triste fato é a falta de disciplina característica da contemporaneidade. Basta ligar a TV ou passar 15 minutos conversando com um adolescente apontado na multidão (é claro que existem exceções) pra se perceber a mediocridade das ideologias do mundo de hoje que voam por aí nas ondas do rádio, da televisão, da internet. O ensinamento de S. Paulo aplica-se a nossos dias: “nossos inimigos estão espalhados nos ares”. Não se cultiva mais no mundo secular o costume do sacrifício, da disciplina, do domínio de si, da maturidade. E isto, com certeza, reflete-se na forma como as pessoas tratam o sagrado. Mesmo por parte de muitos católicos, quase não há aquele espírito de guerra contra o mundo, seguindo as palavras de Cristo: “se fordes amigos do mundo, sereis inimigos de Deus”. Ao contrário, o que existe é uma tosca tentativa de reconciliar realidades totalmente opostas, uma sede por servir a dois senhores. Tanto é que, hoje em dia, as nossas celebrações dominicais viraram desfiles de moda, ou depósito de lanches infantis, ou pontos de encontro, ou rotinas supersticiosas... Querem levar o profano para dentro do Sagrado, mas “de Deus não se zomba”.

Jovens e adultos alheios a qualquer prática de disciplina interior, que não conhecem  sequer os rudimentos da Fé, que não sabem silenciar, mas antes, creem que a oração consiste em falar sem parar ou em fazer qualquer barulho diante do Santíssimo Sacramento; que fazem tudo no “automático”, sem pôr o coração no Altar, sem prostrar a alma, sem devorar-se de amor como Elias, sem retirar as sandálias dos pés como Moisés. E depois estes mesmos vêm criticar os “carolas” e vêm falar de um Evangelho puramente social... Não que nos incomodemos com as críticas – elas nos honram – mas é triste ver que estas pessoas, adeptos da TL e de outras porcarias que vendem por aí, do Evangelho não viram sequer a sombra.

Qualquer um que seja católico deve ter a vida centrada no Sagrado, o dia centrado na Santa Missa, comunhão diária se possível, tendo em vista que faltar ao Santíssimo Sacrifício de Cristo por motivo injusto, um dia que seja, é uma atitude de profundo desprezo pelo Senhor.

Deve ter vida sacramental, vida de oração, deve lutar contra as próprias inclinações à vaidade, ao orgulho, à sensualidade... Deve “crucificar o corpo com suas paixões e concupiscências” e aprender a estar morto para o mundo, e ter o mundo morto para si. O Evangelho é a via mais estreita de todas e a única que conduz a Cristo, e deve ser vivido com rigor. Ou é assim, ou não é. Todo o bem social será reflexo deste algo interior, e não de doutrinas marxistas transmutadas de católicas. “Amar a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro mandamento; se este não for cumprido, o segundo também não existe. Enfim, amar ao próximo não é algo puramente exterior, tanto que alguém pode demonstrar amar, sem que isto não passe de teatro. A coisa ou vem de dentro, da vida cultivada em intimidade como Nosso Senhor ou vem do inferno. Que Cristo nos ensine a tratar com respeito tudo quanto Lhe diz respeito. Que o amor a Cristo possa modelar toda a nossa vida, afim de que toda ela possa ser um grande suspiro de amor pelo belo Esposo de nossas almas.

Fábio Luciano

Abraça Jesus crucificado, amante e amado


“Querida irmã em Jesus. Eu, Catarina, serva dos servos de Jesus, escrevo-te no seu precioso sangue, desejosa que te alimentes do amor de Deus e que dele te nutras, como do seio de uma doce mãe. Ninguém, de facto, pode viver sem este leite!

Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus:
“Deus é amor; quem permanece no amor habita em Deus e Deus habita nele”.
Vivendo em Deus, por conseguinte, não se pode ter amargura alguma porque Deus é delícia, doçura e alegria infinita!

É esta a razão pela qual os amigos de Deus são sempre felizes! Mesmo se doentes, necessitados, aflitos, atribulados, perseguidos, nós estamos alegres.
Mesmo quando todas as línguas caluniosas nos metessem em má luz, não nos preocuparemos, mas nos alegraremos com tudo porque vivemos em Deus, nosso repouso, e saboreamos o leite do seu amor. Como a criança suga o leite do seio da mãe assim nós, inamorados de Deus, atingimos o amor de Jesus Crucificado, seguindo sempre as suas pegadas e caminhando com ele pelo caminho das humilhações, das penas e das injúrias.
Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz.
Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o seu amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar sangue de todas as partes do seu corpo!
Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!
Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.
Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!
Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!
Permanece no doce amor de Deus.

Doce Jesus, amor Jesus.“ Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

Padre e matemático ganha prêmio por mostrar matematicamente que Deus existe


O professor e padre polonês Michael Heller, de 72 anos, ganhou um prêmio de aproximadamente R$ 2,9 milhões por formular evidências circunstanciais da existência de Deus. Seu trabalho está relacionado à teoria da criação do universo e abrange áreas do conhecimento como física, matemática, cosmologia e mecânica quântica.

“A jornada de Heller por um entendimento profundo resultou em avanços pioneiros nos conceitos religiosos, assim como expandiu os horizontes da ciência”, afirmou John Templeton, presidente da Fundação John Templeton, que organiza premiações sobre o tema há 35 anos.Heller discorda da teoria newtoniana da criação, que é contra a idéia de um espaço e um tempo absolutos e da energia criadora vinda de Deus. De acordo com o jornal inglês “Times”, ele sugere que os teólogos deveriam voltar à antiga doutrina da criação do universo, que afirma que tudo foi feito fora das conceituações de tempo e espaço.

Intelectuais poloneses comemoraram a consagração de Heller.
Ele rejeita a idéia de que religião e ciência são contraditórias. "Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus.”

O dinheiro do prêmio será revertido para uma academia de pesquisa em ciência e teologia, o novo Centro Copernicus.

Pax Domini

Elogio do Comum

Não haveria solenidades ou celebrações se não houvesse um tempo "ordinário". O próprio conceito de uma celebração, e isto também se dá na ordem profana e em todas as culturas, é o de ser algo que nos faz sair provisoriamente do comum, do ordinário.

Assim, no início do Evangelho, vemos Jesus participar com seus discípulos das núpcias às quais se achava presente também sua mãe, Maria. Parece que se divertiram bastante com a festa, ao ponto de ter acabado o vinho. (O uso de vinho de outra forma de álcool, em quase todas as culturas, fazia parte da festa. Tomados com moderação, as bebidas alcoólicas liberam as pessoas de defesas que, na vida de todos os dias, constituem barreiras entre elas e as impedem com freqüência de viver bem as relações humanas).

Portanto, não se pode - nem se deve- estar em festa todos os dias. Isto foi o erro de uma determinada época - ou ao menos foi uma ingenuidade - de certos grupos carismáticos de considerar que quanto mais uma oração transborda de entusiasmo e de barulho, mais ela é verdadeira. Há uma forma de entusiasmo litúrgico que se pode viver numa reunião de oração de fim de semana ou num grande congresso, mas que não se pode viver todos os dias sem se expor rapidamente ao esgotamento emocional total. É preciso sempre voltar ao tempo ordinário.

Assim, mesmo se vivemos todos os dias com pessoas que estimamos e que amamos, não fazemos festas todos os dias. Celebramos estas festas quando há um aniversário mais importante, como por exemplo, bodas de prata, um jubileu, 80 anos, etc. Estas celebrações nos ajudam mais a tomar consciência do que estas pessoas são para nós na vida comum de todos os dias.

É deste tempo ordinário que desejo sublinhar tanto a importância quanto a beleza. Há uns 15 anos, Raimondo Panikkar publicou um livro em inglês chamado "Blessed Simplicity", que foi traduzido nestes últimos anos com o título em francês "Elogio do simples". Gostaria portanto de denominar minha conversa desta manhã de "Elogio do ordinário ou do comum". Há algo de comum entre os dois títulos.

A vida monástica é caracterizada pela simplicidade - a simplicidade de coração, à qual a Escritura opõe a "duplicidade do coração". O coração simples é aquele que vai direto a Deus, que só tem um amor, uma preocupação, um objetivo. O monge, o lhidaya na tradição siríaca em particular, é o "simples" por definição. Ele se deixa cada vez menos distrair em seu caminho para o alvo pelas distrações ao longo da rota, a "fascinação das bagatelas" (fascinatio nugacitatis) de que falavam os autores cistercienses da Idade Média, usando uma expressão de Sabedoria 4,12.

Há uma dimensão contemplativa tão grande, e talvez mesmo ainda maior, como eu penso, na liturgia do Tempo Comum que nos grandes ciclos de festas, quer do Natal, quer de Páscoa. Durante estes grandes ciclos, que são muito belos, lembramos dos acontecimentos mais importantes da vida do Cristo e do Mistério da Nossa Salvação. Cantamos estes mistérios e exultamos com eles. Concentramo-nos em tal ou qual aspecto. Mas no Tempo Comum, não nos deixamos fascinar por um determinado aspecto. Refletimos não sobre tal dimensão do mistério da salvação. Está-se simplesmente presente, dia após dia ao Mistério tomado em todo seu conjunto (Um dos princípios básicos da reforma do calendário litúrgico do Concílio foi reduzir consideravelmente o número de festas e de solenidades, que tinham se multiplicado ao longo dos séculos, para dar toda sua importância ao "tempo comum").

Numa leitura que fizemos recentemente em comunidade, o Cardeal Martini descrevia Maria em Caná como uma contemplativa, explicando que a pessoa contemplativa é aquela que não se deixa tomar totalmente por alguma tarefa particular, mas que tem uma visão de conjunto, que vê ao mesmo tempo todos os elementos de uma situação, sabendo relativizá-los.

Numa situação como a atual tragédia de Kosovo, cada um dos especialistas implicados é obnubilado pelo aspecto de que é responsável. Os militares estão preocupados pelos problemas estratégicos e as questões técnicas, por exemplo, o desafio que constitui a missão de destruir locais considerados militares no seio da população civil tentando limitar as perdas de vida humanas entre os civis, qualificados pudicamente (ou cinicamente) de "efeitos colaterais". Os políticos são cativados pela missão que se lhes dá de impedir a limpeza étnica dos Kosovars. Também existem aqueles que planificam os novos equilíbrios geopolíticos do pós-guerra. Só as pessoas comuns, que precisamente não estão diretamente implicadas, podem lançar uma visão de conjunto sobre a situação toda, e não podem impedir serem massacrados pela evidência que toda esta violência de uma parte e de outra, é demencial. Diante do desencadeamento das forças do mal, o contemplativo só pode dizer a Jesus, como Maria, "eles não têm vinho", falta a todos o vinho da amizade, o desejo da fraternidade, do perdão e da reconciliação. Escutemos o que Jesus fará.

Depois do ciclo festivo, voltamos então ao Tempo Comum, cuja monotonia nos permite tomar consciência de nossos limites, de nossas obrigações, de nossas provações. No adjetivo "comum", há também uma noção de ordem, de disciplina - como a disciplina do atleta que refaz sem cessar os mesmos exercícios ou o artista que tem de desenvolver e dominar técnicas que lhe tornem possível ser criativo. Assim, a monotonia dos dias comuns, ordinários, onde refazemos sem cessar a mesma coisa, nos faz comungar com o Ser num nível mais profundo talvez que todas nossas celebrações mais brilhantes.

Há heroísmo na fidelidade ao ordinarío, o herói não é aquele que faz coisas extraordinárias, mas aquele que continua a fazer fielmente as coisas ordinárias mesmo quando as circunstâncias mudaram radicalmente. No final de "La Peste" de Camus, há uma nota interessante (que cito de memória, pois li o livro há muito tempo). A cena se situa no momento em que a epidemia é vencida e se abrem as portas da cidade. O doutor Roux, que serviu os doentes generosamente durante todo este longo período recusa-se a ser considerado como um herói. Para ele, não fez mais do que o ordinário, o comum. É também comum para o médico curar, diz ele, assim como para o professor ensinar, quaisquer que sejam as circunstâncias onde se ache.

Um belo exemplo disto são nossos Sete Irmãos de Atlas (celebramos seu terceiro aniversário de morte no dia 21 de maio). O que lhes permitiu fazer um caminho comunitário tão admirável durante os três últimos anos de suas vidas em Tibhirine, foi que eles continuaram a levar sua vida comum. A despeito de uma situação que se tornava cada vez mais trágica em torno deles, continuaram a seguir o ritmo ordinário, comum da vida cisterciense, feito da oração comum, do trabalho e da lectio. Também mantiveram relações ordinárias e comuns com seus vizinhos. Dois acontecimentos me parecem ilustrações muito claras desta atitude, que é verdadeiramente o que podemos denominar "a simplicidade do coração". Depois da primeira visita dos "Irmãos da Montanha" na noite de Natal de 1993, uma visita em que estavam bem conscientes que tinham escapado de uma morte violenta, todos eles foram simplesmente à igreja, na hora prevista, para celebrar as Vigílias de Natal. O segundo acontecimento é o da noite em que foram levados. Quando o Pe. Amadée e o Pe. Jean-Pierre, os dois que não foram levados, se deram conta que os outros irmãos tinham sido presos, e que a linha telefônica tinha sido cortada e que eles não podiam sequer prevenir a polícia antes que o dia amanhecesse , foram simplesmente à Igreja celebrar o ofício.

Nesta fidelidade ao comum, ao ordinário, há tanto heroísmo quanto aceitação da morte. É esta fidelidade que nos é pedida todos os dias.

© Abadia de Scourmont, 1999.Traduziu: Cecilia Fridman, Rio Negro, PR, Brasil para o Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, 1999.

A Eucaristia, a multiplicação dos pães e o maná do deserto

Pe. Ronald knox

É impossível lermos o relato do milagre pelo qual o Senhor multiplicou cinco pães para dar alimento a cinco mil pessoas sem que nos lembremos do Santíssimo Sacramento. Mas é conveniente que pensemos de modo preciso na relação que existe entre o milagre e o sacramento.

Encontraremos na atualidade críticos racionalistas que, no seu afã de desacreditar todo o elemento sobrenatural dos Evangelhos, nos dirão que o episódio dos cinco mil é nem mais nem menos que a história de um sacramento que foi falsamente representado como milagre. “O Senhor – dir-nos-ão – levou consigo cinco mil fiéis e iniciou-os no mistério de um alimento de sacrifício, dividindo cinco pães entre eles de uma maneira simbólica. Depois teria surgido a história - naturalmente, errada – de que os minúsculos pedaços de pão que aqueles comungantes receberam tinham sido dotados da eficácia sobrenatural de lhes satisfazer a fome corporal”.

Ora bem, a idéia de que o alimento dos cinco mil foi um sacramento e não um milagre, é duplamente falsa. O acontecimento relatado por todos os evangelistas, incluído S. João, põem em destaque fundamentalmente o elemento milagroso. De outro modo, é difícil compreender por que se nos fala dos doze cestos de comida que sobraram. E, ao mesmo tempo, nenhum evangelista sugere que o alimento em questão tivesse caráter sacramental. Todos eles dão por assente que a finalidade primária do milagre foi a de satisfazer uma necessidade física comum. Foi um milagre e não um sacramento, e, no entanto, foi um milagre que tinha em vista preparar o caminho para um sacramento e fazer com que a doutrina sacramental fosse mais facilmente acolhida pela nossa débil fé.

Mas esse milagre teve, além disso, outro aspecto instrutivo: sublinhou as coincidências e as diferenças entre a antiga aliança feita por Deus com os judeus, e a nova aliança , que entrou em vigor com a Igreja cristã. Sob a antiga lei, Deus escolheu para si uma assembléia – ou Igreja, a palavra é a mesma – para que fosse o seu povo escolhido. Conduziu-o durante longos anos através do deserto até que chegou a Canaã, a terra prometida. Sob a nova lei, escolheu para si uma assembléia ou Igreja e prometeu conduzi-la através do deserto deste mundo transitório até chegar ao repouso que preparou para os seus membros na vida futura. O seu antigo povo, o judeu, orecusava de alimento material para a sua peregrinação material pelo deserto (cfr. Êx 16, 31-35), e, por isso, Deus deu-lhes o maná do céu. O seu novo povo, a Igreja cristã, precisaria de alimento espiritual para a sua peregrinação espiritual. Por isso, deu-lhes o Pão do céu, que é o seu próprio corpo.

O milagre dos cinco mil é, por conseguinte, uma fase intermediária entre o presente do maná do deserto e o da própria carne e sangue do Senhor na Sagrada Eucaristia. Teve por fim corrigir as idéias que os discípulos judeus pudessem formar sobre o que deviam esperar quando rezavam pedindo alimento do céu. Como tipo mais perfeito do Santíssimo Sacramento, a multiplicaçao dos pães para os cinco mil serve de analogia e de contraste com o dom do maná aos israelitas. Vou mencionar três aspectos que põem de relevo a analogia e outros três em que se destaca o contraste.

Em primeiro lugar, a analogia. O maná foi concedido para ser alimento no deserto a cada dia. A provisão de maná nunca faltou durante quarenta dias, mas tinha de ser recolhida diariamente. Não se podia guardá-la para o dia seguinte. Do mesmo modo, Cristo dá aos seus discípulos unicamente o necessário para se alimentarem no deserto próximo do mar da Galiléia. Não levam nada para suas casas.

Assim também a Sagrada Eucaristia é o pão diário da nossa peregrinação. Quando atravessarmos as portas da morte e alcançarmos, pela misericórdia de Deus, a terra da nossa esperança, já não precisaremos de sinais nem de sacramentos: no céu, não é necessária a comunhão. Mas, até que chegue esse momento, a Sagrada Eucaristia poderá ser para nós – deverá ser – o alimento diário que renove em nós, dia após dia, a imagem da caridade do Senhor. A ração alimentícia para a caminhada de cada jornada: isso é o que a sagrada comunhão deve ser.
Continuando, convém observar, no relato do milagre, as palavras “todos comeram”. Foi o mesmo alimento para todos os discípulos do Senhor, um alimento comum a todos, e, opor conseguinte, participar dele foi um sinal de afiliação. Sob a lei antiga, a participação no maná era um laço que unia aqueles peregrinos do deserto: Todos comiam – diz São Paulo – o mesmo alimento espiritual (I Cor 10, 3).

Também para nós, cristãos, a Sagrada Eucaristia é um laço que testemunha e, ao mesmo tempo, promove a nossa unidade cristã. Assim como a baguete de pão procede de muitos grãos diferentes, assim nós, indivíduos diferentes uns dos outros, nos convertemos num só corpo quando recebemos a sagrada comunhão e nos incorporamos a Cristo. O fato de participarmos do altar único é a prova, o penhor, o laço da nossa afiliação cristã.

Os filhos de Israel no deserto não recolhiam todos a mesma quantidade de maná, mas cada qual conforme as necessidades da sua família: um recohia mais, outro menos, mas não tinha mais quem tinha recolhido mais, nem menos quem tinha recolhido menos (cfr. Êx 16, 18). Sob a direção divina, cada um satisfazia as suas necessidades na medida exata do que precisava.

A mesma coisa acontece, sem dúvida, com o alimento espiritual que procede da Sagrada Eucaristia. A mesma hóstia consagrada que um cristão mediano como nós recebe na sua vigília diária, mas dela não tira energias para creser em piedade, basta para inspirar a um santo um nível mais alto de oração incessante e de heróicas mortificações. Deus concede a sua graça numa medida mais ampla quando encontra vasos vazios para recebê-la. Na multiplicação dos pães, diz o Evangelho que todos comeram e ficaram saciados, mas cada um se saciou de acordo com a fome que tinha: o mesmo acontece, dia após dia, diante do altar da comunhão.

A ração diária para a caminhada diária, o laço de companheirismo, a suficiência proporcional às necessidades de cada qual: tais foram as características do maná no deserto, tais foram também as do pão milagrosamente multiplicado, e tais são as do dom que recebemos na sagrada comunhão. Vejamos agora os elementos contrastantes.

Os israelitas no deserto encontravam o maná não longe das suas tendas, mas mesmo assim tinham de sair do acampamento e recolhê-lo por esforço próprio. A os Apóstolos também quiseram tratar do mesmo modo a multidão – que cada um se arranjasse: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e povoados próximos e procurem alimento e hospedagem. Mas o Senhor não o consentiu: Dai-lhes vós de comer (Lc 9,12).

Prefigurava, sem dúvida, a administração do seu grande sacramento. Sob a nova lei, com efeito, a graça vem à nossa própria porta. Meçamos o trabalho que nos custa frequentar o sacramento do altar em comparação com o valor desse dom e a generosidade com que nos é concedido, e vejamos se não é caso para nos sentirmos envergonhados da nossa tacanhice: Eu sou o Senhor, teu Deus (...): abre tua boca e eu a encherei (Sal 83,11).

Existe outra grande direfença. Sob a antiga lei, o homem não podia fazer nada por si mesmo. Tinha qde ser um simples prisioneiro da bondade divina. Mas, segundo a nova lei, o homem restaurado pela graça goza do privilégio de oferecer alguma coisa a Deus, além de receber os seus dons. Dai-lhes vós de comer. É verdade que o que podemos fazer é infinitamente pequeno: como poderá um homem conseguir pão aqui no deserto da nossa vida? Mas é alguma coisa: quantos pães tendes?

É muito pouco o que podemos fazer, mas é alguma coisa, e Deus condescende em pedir-nos esse pouco. Só cinco pães, armazenados por uma mãe previdente na mochila de um colegial, mas essa foi a ajuda humana que Deus pediu para dar de comer aos cinco mil. No sacramento da sua carne e do seu sangue, o Senhor pede-nos também que dmeos alguma coisa, alguma coisa que represente o pão e o vinho que vão ser a matéria do sacrifício, mas temos de contribuir com esse nada para o seu banquete. A Sagrada Eucaristia não tem por fim criar boas disposições em nós, como acontece com o batismo, mas propriamente transformar e multiplicar a nossa fé vacilante e a nossa tíbia caridade. De onde tiraremos isso que nos pede, de onde? Pois bem, do pouco que tenhamos. Ele fará o resto.

E, por último, existe outro contraste: sob a nova aliança, o milagre não se limita à satisfação estrita da nossas necessidades. A graça vai muito além dessa medida. O maná, se os filhos de Israel não o utilizavam, derretia-se sob o sol do meio-dia. Não assim na Galiléia: Recolhei os restos para que não se percam. Assim o fizeram, e encheram doze cestos com os pães que sobraram.

E o mesmo acontece no sacramento da Sagrada Eucaristia, muito embora o simples fato de o Senhor se dar a nós em alimento já supere de longe os outros milagres. Ele duplica a sua generosidade ao permanecer conosco para ser adorado no ostensório ou no tabernáculo: não se conforma com satisfazer a nossa fome, mas cumula-nos de mimo cada vez que dirigimos as nossas orações ao sacrário, onde estão recolhidas as sobras da sua graça. Ó benfeitor principesco, cujas sobras são por si sós uma colheita!

Que Ele possa – depois de nos sustentar tão misericordiosamente nesta vida com esse alimento celestial que é o seu corpo despedaçado e o seu sangue derramado por nós – levar-nos com segurança à sua terra de promissão, onde já não o veremos sob os véus sacramentais, mas face a face, e nos saciaremos com a abundância da sua casa para sempre.

Pe. Ronald Knox, Reflexões sobre a Eucaristia

Entregar-se - Sta Tereza Courdec

Imagem de Sta Catarina de Sena


“Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, ENTREGAR-SE sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se me agraciar com uma visão toda particular.

Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também surpreendia-me muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em conseqüência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas.

Eis a resposta que julgo ter ouvido: - O Sacrifício é sem dúvida suficiente por si mesmo e o Sangue de Jesus Cristo mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus.Mas que significa ENTREGAR-SE? Percebo toda a extensão desta expressão “ENTREGAR-SE”, porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.ENTREGAR-SE é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus. ENTREGAR-SE, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o EU a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.ENTREGAR-SE é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.

É preciso acrescentar que “ENTREGAR-SE” significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.Mas, talvez se acredita que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: “Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda”. E tudo será dito.Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se que SE ENTREGOU.

Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube ENTREGAR-SE. Experimentem e vereis que lá é que se acha a felicidade procurada em vão alhures.A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos”.

Sta. Tereza Couderc

Fonte: http://www.voltaparacasa.com.br/

Ditadura do relativismo


Somos chamados a atingir (a plenitude do Cristo) para sermos realmente adultos na fé. Não devemos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. E em que é que consiste ser crianças na fé? Responde São Paulo: significa ser batidos pelas ondas e levados ao sabor de qualquer vento de doutrina... (Ef 4, 14). Uma descrição muito atual! Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi não raro agitada por estas ondas – lançada dum extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até ao ponto de chegar à libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante.

Todos os dias nascem novas seitas e cumpre-se assim o que São Paulo disse sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é freqüentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio “eu” e os seus apetites.

Nós, pelo contrário, temos um outro critério: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É Ele a medida do verdadeiro humanismo. Não é “adulta” uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é antes uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. É essa amizade que se abre a tudo aquilo que é bom e que nos dá o critério para discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso, entre engano e verdade.

Devemos amadurecer essa fé adulta. A essa fé devemos guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé – e somente a fé – que cria unidade e se realiza na caridade. Em contraste com as contínuas peripécias daqueles que são como crianças batidas pelas ondas, São Paulo oferece-nos a este propósito uma bela palavra: praticar a verdade na caridade, como fórmula fundamental da existência cristã. Em Cristo, verdade e caridade coincidem. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, assim também na nossa vida, verdade e caridade se fundem. A caridade sem a verdade seria cega; a verdade sem a caridade seria como um címbalo que tine (1 Cor 13, 1).

Cardeal Joseph Ratzinger
Parte do texto da homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, pronunciada na Missa Pro Eligendo Pontífice, celebrada no dia 18 de abril de 2005.

Fonte: www.quadrante.com.br

Votos de Feliz Natal


Meus queridos amigos, quero aproveitar também este espaço para expressar meus sinceros desejos de um santo e feliz natal a todos os amigos e leitores deste humilde blog.

Que neste tempo tão profundo, a nossa alma possa imitar os pastores e os reis magos que, prostrando-se, adoraram o menino Deus, o Verbo Eterno que se havia encarnado.

Que a nossa alegria seja santa e pura, e que nesta santa ocasião, nós não nos dispersemos, mas permaneçamos na doce e suave contemplação do terno e divino infante que dorme no colo da Virgem. Lembremos que hoje é o Seu aniversário. Para ele, o melhor presente: o nosso coração vazio dos desejos mundanos e movido somente por amor e gratidão a um Deus que visita a nossa miséria e faz-se um de nós para nos resgatar e unir-nos a Ele.

A Jesus Cristo, glória eterna! Que todo joelho se dobre, que toda língua professe, que todo coração se renda, que toda alma adore o menino Deus, Jesus Cristo, o Amor feito carne.

E que, enfim, a nossa alma seja também um presépio, onde Sua Majestade se digne limpar e habitar. Mas, para tal, sejamos pobres, pobres de espírito, como era pobre a gruta onde quis nascer nosso divino Salvador.

Oh Pobreza, esposa de Francisco, sede também a minha para que, ornado de vossa beleza, eu possa atrair os divinos olhares de meu eterno Mestre, por quem morro de amor! Amém!

Virgem Santíssima, ensina-me teu segredo... e recebe também, Santíssima Pastora, o meu profundo amor, Senhora Minha e Dona de todo o meu ser. Amém!
Fábio Luciano

O Natal do católico


Dom Lourenço Fleichman OSB

Para nós, católicos, que procuramos viver neste mundo sem desmerecer o nome de Cristo, que procuramos guardar um mínimo de coerência e de fidelidade, quando não um sincero desejo de santidade, chegamos neste final de 2008 a mais um Natal. Para eles não.

Nós, católicos, que, ao levantar pela manhã, dobramos os joelhos e piedosamente fazemos o Sinal da Cruz e a oração da manhã; que durante o dia, entre conduções e cachações, tentamos rezar uma dezena do Terço ou, quem sabe, o Terço inteiro; nós que, ao regressar ao lar, antes de deitar, agradecemos por termos sobrevivido, por termos correspondido a alguma graça, e mesmo amado, de amor canhestro e sem jeito, nesses dias de Natal poderemos cantar com júbilo nosso Adeste Fidelis e nossa felicidade será pura e verdadeira. A deles não!

Para nós é mais um Natal, sempre novo porque a graça é a única novidade neste mundo; para eles tudo é velho, pior! velhaco, corrompido, ultrapassado, pois não há nada de novo sob o sol. Por que festejam, então? Porque trocam presentes, se não buscam a santidade, se não rezam, se não crêem nesta Criança, nesse Deus, "que hoje nasceu para nós"? Ah!, se ao menos eles fossem coerentes com sua soberba, se soubessem rechaçar de todo o Cristo, não tentando desejar uma Felicidade que não lhes pertence e que, no fundo, desprezam. Permitam-me dizer: eu odeio a tal Solidariedade. Nada mais falso do que a falsa bondade dessa gente que sai por aí dando abraços em todos que encontram, os mesmos que na véspera desprezavam e de quem se riam. Que paz é essa? Que mundo é esse?

Esse mundo ainda treme de um estremecimento profundo. Seus alicerces ainda vibram enquanto telhas e janelas racham em pedaços; esse mundo ainda teme ver desabar toda a sua estrutura. Evacuar! é o grito que seguram na garganta e que deverá ser gritado quando a coisa toda desabar. "E não ficará pedra sobre pedra". O problema é que o mundo não é um edifício. O mundo globalizado que sonhou com o governo mundial, que pregou a religião única da Liberdade Religiosa a todo preço, criou essa situação: evacuar para onde? O que acontece com as pessoas quando, presas no alto de um edifício que desaba ou pega fogo, não encontram mais saída? Num ato de desespero, de medo, de terror, lançam-se no abismo porque têm medo de sofrer. Assim acontecerá com esses homens das finanças, com os governantes falsos de um mundo de mentirinha. Porém, eles não têm para onde correr. Descobriram a grande mentira. O mundo financeiro já ruiu, e os governantes foram obrigados a mexer suas peças no tabuleiro, mudar sua estratégia e fingir que oferecem muita segurança às empresas quebradas e aos cidadãos assustados. Parece fácil e parece um alívio: alguns bilhões disso para você, outros bilhões daquilo para o outro... e não esqueçam de produzir novelas para as 6, para as 7, para as 8 horas, porque o povo tem direito a se divertir. E no meio do caminho, tem o Natal, para aliviar todas as tensões. Ora, creio que a tsunami de 2008 é bem pior do que a do Natal de 2004. Naquela, morreram alguns milhares e partiram para o juizo diante de Deus. Nessa, é toda a humanidade que se atola na mentira para esconder a sem vergonhice e a falsa moral dos grandes desse mundo. Você acredita em Barack Obama? Você acredita no livre mercado da China, ou na "conversão" de Cuba? Pois continuem, sigam em frente. Não há Natal para vocês, pois o que vocês festejam é falso como o mundo em que vivemos.

Só existe um Natal verdadeiro, mas este está escondido aos olhos do mundo. Só existe o Natal onde a fé nos transporta, nos ilumina a inteligência e nos revela um mundo maravilhoso que só podemos conhecer em Deus. E este mundo da fé, este mundo do Paraíso, existe de verdade, existe de modo mais verdadeiro do que o dinheiro que você usa e o crédito que eles lhe dão a peso de ouro e que lhe dá a ilusão de que você sobrevive. O mundo da fé é a única realidade que ainda subsiste e é por isso que só os católicos podem viver o Natal. A diferença entre a felicidade mundana e a felicidade católica é que a primeira só existe por três coisas: dinheiro, prazeres e liberdades totais. Já a verdadeira felicidade prescinde do dinheiro, dando ao pobre a capacidade de se alegrar, apesar do pouco. Ela despreza os prazeres sensuais da gula, do álcool ou da carne; ao contrário, ela clama os católicos a se privarem dessas coisas para melhor se prepararem para o Natal. E, por fim, a felicidade cristã torna ridícula a falsa liberdade desse mundo nos fazendo dobrar os joelhos diante de uma Criança, de um Deus Menino, deitado numa manjedoura, "porque não tinha lugar para eles na estalagem".

É por isso que eu queria dizer para vocês, quer sejam meus paroquianos ou leitores e amigos que nos lêem aqui, preparem-se neste Natal para uma festa sobrenatural, para as alegrias vividas na fé, no conhecimento das realidades misteriosas e fantásticas que Deus nos reserva lá no céu e das quais Ele vai nos falando aqui na terra, em cada festa litúrgica, em cada Natal. Abram seus missais e leiam estas missas com suas antífonas, seus textos maravilhosos que nos ensinam tanto, que nos fazem conhecer Jesus como ele é, como ele vive hoje no céu. Na sua segunda vinda Ele virá nas nuvens (eu creio, porque assim está escrito). Caberá, então, reconhecermos este Rosto adorável que um dia vimos no sorriso de uma Criança, nas nossas orações diante do Presépio.

Dom Lourenço Fleichman OSB
Fonte: www.permanencia.org.br

Salve Virgem Mãe de Deus!!!


"Aqueles que dizem ter a Deus por Pai, e não têm Maria por Mãe, na verdade têm por pai o próprio demônio"
S. Luís Maria Grignion de Montfort

Proibição da palavra "Natal" em Oxford

Autoridade vaticana rechaça energicamente proibição do "Christmas" em OxfordROMA, 04/11/2008 (ACI).- O Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi, deplorou a decisão da prefeitura da cidade inglesa de Oxford de proibir a palavra "Christmas" (Natal) das celebrações de fim de ano, e descreveu a medida como "sintoma do ateísmo e indiferença religiosa que hoje se promove".

Conforme informa L'Osservatore Romano, o Arcebispo assinalou que "o que se busca com esta iniciativa em Oxford não é tanto estabelecer um diálogo de modo que não existam prevaricações, senão extingui-lo até o ponto de restringir toda identidade própria, toda história que está nas bases e não estabelecer um verdadeiro diálogo"."

O verdadeiro diálogo –precisou– se constrói através da identidade. Então neste caso, não é somente uma excentricidade, mas uma negação consciente, não sei até que ponto, de uma grandeza que está nos alicerces".

Deste modo manifestou que "enquanto no passado quando se combatia a presença dos símbolos religiosos, se fazia com argumentações, ou com o desejo de opor um sistema alternativo, agora em vez disso se realiza esta avançada de negação como uma especiaria de névoa, quer introduzir um componente sem consistência que é a característica da secularização atual", em referência ao título que as autoridades deram às celebrações de fim de ano: "Festival das luzes de inverno".

Depois de afirmar que com esta decisão "Deus é negado, ignorado totalmente e o esforço pastoral deve ser agora mais complexo", Dom Ravasi denunciou esta medida como "uma sorte de 'jogo da sociedade' incolor, inodora, insípida" que gera "maior ateísmo, mas com a indiferença religiosa talvez impede ao homem interrogar-se, como fazem todas as grandes religiões, sobre temas fundamentais, temas básicos que são disolvidos ao interior de uma atmosfera assim de inconsistente".

De outro lado, o jornal inglês The Telegraph recolheu as declarações do Bispo de Portsmouth, Dom Roger Francis Crispin Hollis, quem assinalou que esta decisão "ofende à comunidade cristã da cidade (Oxford), não faz nada por promover a harmonia racial e, em nome da inclusão, exclui as tradições de uma significativa população da cidade. Deploro esta decisão e espero que o conselho o volte a pensar".

Por sua parte, Sabir Hussain Mirza, Chefe do Conselho Muçulmano de Oxford, expressou estar "muito zangado por isso. Os cristãos, muçulmanos e outras religiões esperamos todos a chegada do Natal"

De maneira similar se expressou o rabino Eli Bracknell, quem indicou que "é importante manter o Natal tradicional britânico. Algo que afete a cultura tradicional e o Cristianismo no Reino Unido não é positivo para a identidade britânica".

A idéia de renomear o Natal como "Festival das luzes de inverno" proveio da organização "Oxford Inspire" (Oxford Inspira), que são os encarregados deste evento.

Fonte: http://www.cleofas.com.br/

Natal sem Fome


Colabore com o projeto Natal sem Fome, doando alimentos não perecíveis para as famílias carentes.


Entregue na Igreja Matriz de Santa Maria Madalena, União dos Palmares - AL.
Agradecemos a sua ajuda. Deus o abençoe e retribua, Amém.
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