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Vida de Jesus Cristo vira Mangá Japonês




Novidade! Já há muito tempos os famosos desenhos japoneses, tanto os animes como os mangás, têm ganho cada vez mais espaço, não apenas entre os adolescentes, mas mesmo entre adultos. Donos de uma particular dinamicidade e singular atratividade, esta arte japonesa tem simplesmente conquistado o mundo, a ponto de clássicos como, por exemplo, a Turma da Mônica, terem aderido ao estilo.

Recentemente, uma associação japonesa cujo intento é a divulgação do Evangelho, a New Life League japan, publicou em mangá (HQ japonês) a história de Jesus, sob o título de “Messiah”. A novidade tem por objetivo a evangelização principalmente dos jovens. O novo projeto tem encontrado uma ótima recepção e, embora existam críticos no que se refere à mudança do uso formal de certas expressões bíblicas, parece que o sentido geral, principalmente com relação às palavras de Jesus, permanece fiel às sagradas escrituras. Além da nova forma de exposição, no rodapé do mangá existem indicações sobre as passagens bíblicas correspondentes.

Abaixo, mais algumas informações que estão disponíveis em: http://www.jpjesus.com/loja/index.php?p=product&id=68&parent=0

Enquanto outros mangás cristãos são produzidos por ocidentais, o atual projeto foi totalmente concebido por roteiristas e desenhistas japoneses. Mesmo assim, a publicação foi lançada primeiramente no mercado americano (no início de setembro de 2007) e depois apresentada ao público japonês no final do mesmo mês.

O primeiro título lançado, de um total de cinco obras do projeto, se chama 'Manga Messiah' e aborda as primeiras histórias do Novo Testamento. Os próximos lançamentos serão 'Manga Mutiny', 'Manga Melech' e 'Manga Messengers', que tratarão do Velho Testamento, e o 'Manga Metamorphosis', que abordará a continuação cronológica de 'Manga Messiah'.

Segundo os planos iniciais da New Life League Japan, o “Manga Bible” seria um projeto de publicação exclusiva para jovens cristãos japoneses; no entanto, o objetivo agora é atingir o maior número de pessoas possível no mundo, afirmou Roald Lidal, diretor geral da empresa japonesa. “Nossas metas originais foram expandidas e agora queremos aproveitar a popularidade do gênero mangá para alcançar a juventude mundial com a palavra de Deus”, explica. Lidal está confiando nesta publicação porque “acredita que, atualmente, os jovens pensam muito em questões como qual o significado da vida e para onde irão após morrerem”. Dessa forma, os mangás poderiam dar essas respostas por meio de um conteúdo que eles possam ler e compreender.

Um fato interessante é que 40 mil cópias do título, disponível primeiramente em inglês, foram distribuídas gratuitamente em Uganda, ação que recebeu grandes elogios do ministro da Ética e Integração do país africano. E não pára por aí: Manga Messiah já está sendo traduzido para diversas outras línguas como chinês, russo, espanhol e até mesmo o português.

Principais Recursos:
> Inclui um mapa da Galiléia, Samaria e Judéia, destacando locais importantes da narrativa bíblica contida no mangá
> Inclui uma descrição ilustrada dos personagens chaves da história bíblica apresentada
> Inclui uma descrição ilustrada dos doze apóstolos
> Apresenta o Evangelho de uma forma especial em mangá. Um modo criativo de apresentar a Bíblia para qualquer pessoa.

Mais informações no site: http://www.nextmanga.com/

O Santo Sacrifício da Missa


948. Cân. 1. Se alguém disser que na Missa não se oferece a Deus verdadeiro e próprio sacrifício, ou que oferecer-se Cristo não é mais que dar-se-nos em alimentoseja excomungado (Concílio de Trento)

Missa Show, Missa Carismática, Missa de cura e libertação, Missa dos romeiros, Missa do vaqueiro... Tudo, menos a reta compreensão do que deve ser a Santa Missa: a Renovação incruenta do Sacrifício do Senhor.

Palmas, danças, mãos ao ar, abraços, pulos, mais palmas, mais danças nos ofertórios, nenhuma reverência, nenhuma genuflexão, nenhum silêncio, nenhuma gravidade. Total desrespeito às fórmulas litúrgicas, costas ao Altar, festival de idéias políticas, muitas vezes totalmente opostas ao que ensina a Santa Igreja, músicas inconvenientes, instrumentos que quase não param durante a Santíssima Celebração, nenhum zelo ao receber Nosso Senhor na comunhão, compreensão da Santa Missa como se fosse uma reunião fraterna ou uma refeição qualquer entre conhecidos. E, por isto, vamos gritar! Vamos pular! Chama logo o cantor sertanejo!

Meu Deus... Misericórdia.

Una-me à Tua angústia, Senhor... e à Tua indignação. Tu, que a S. Pe. Pio testemunhavas os teus sofrimentos por estes descasos com o Teu Sacrifício e com o Teu Corpo e Sangue, chamando os sacerdotes que promoviam tais práticas com o duro e sofrido nome de “carniceiros”.

Meu Deus. Caberia aqui aquilo que Tu pediste ao Pai: “perdoai-lhes, pois eles não sabem o que fazem”?. Talvez a alguns, mas não a todos... e, sinceramente, sinto-me invadido por uma sede de justiça, da Tua justiça. Ao ver-vos assim, Senhor, tão submetido a destratos e sacrilégios, quero unir-me a Ti, na Tua dor, na Tua angústia. Quero estar contigo...

A Santa Missa não deve ser como essas apresentações indecorosas que se costumam fazer, nem esses shows ou sessões psicológicas nem deve se assemelhar em nada com estas reuniões protestantes promissoras de milagres e sinais. Não é lugar para pulos ou para gritos, nem para fazer vento com as mãos nem para esperar ver anjos... A Santa Missa é o Calvário do Senhor, onde se deve estar com o máximo respeito, em profundo recolhimento diante do Mistério da Redenção que se atualiza frente a nós.

Se a nós não cabe exigir ou determinar ao sacerdote o modo como celebre a Santa Missa, de nossa parte, ao menos, ajamos como convém. Recuso-me a estes gestos frívolos que antes dispersam que elevam e que muitas vezes tomam emprestado a própria sensualidade humana para se promoverem. Quero portar-me na Santa Missa como se estivesse diante da Cruz do meu Senhor, porque, de fato, é lá que o Mistério me leva e é lá, juntamente com a Virgem Santíssima e o Discípulo Amado que eu, devorado de amor, adorarei com toda a minha alma a Vítima do Eterno Sacrifício Redentor que se oferece ao Pai para a Salvação do mundo.

“Estou devorado de zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida.” (IRs 19,10)

"Podemos dizer que a Missa é "o altar em que temos o poder de comer" (Heb13); "o trono em que está o Cordeiro de pé e, ao mesmo tempo, imolado" (Apc 5), e que, nos nossos altares, continua o verdadeiro sacrifício instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo."
Catecismo da Santa Missa.
Fábio Luciano

Para entender a Idade Média


Gilbert Keith Chesterton

E por que homens que não conhecem a História... pensam que a conhecem?

É inteiramente razoável que os homens prósperos do nosso tempo não saibam História. Se a conhecessem, teriam de conhecer a história muito pouco edificante de como se tornaram prósperos...É inteiramente razoável, digo, que não saibam História: mas por que raios pensam que sabem? Aqui está uma opinião, tomada a esmo do livro de um dos mais cultos dentre os nossos jovens críticos, obra muito bem escrita e inteiramente digna de confiança – quando trata do seu próprio tema, que é um tema moderno. Diz esse escritor: “Na Idade Média, houve pouco ou nenhum avanço social ou político” até a Reforma e a Renascença.Ora, eu poderia igualmente bem afirmar que, no século XIX, houve pouco avanço na ciência e na técnica até a vinda de William Morris (1), e depois justificar essa afirmação dizendo que não tenho nenhum interesse pessoal por teares a vapor ou águas-vivas – o que certamente é o caso. Porque isto é tudo o que o escritor realmente quis dizer: que não tem nenhum interesse pessoal por arautos ou abades mitrados. Tudo isso está muito bem; mas por que, ao escrever sobre coisas que não existiam na Idade Média, esse autor sente a necessidade de dogmatizar sobre um assunto de que evidentemente nunca ouviu falar? E sobre o qual, apesar de tudo, talvez ainda se pudesse contar uma História muito interessante?

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(1) William Morris (1834-1896): Artista e escritor inglês, contribuiu com grande sucesso para a valorização e o aprimoramento das mais variadas formas de arte (desde a decoração até a arquitetura e a iluminura), chegando mesmo a fundar empresas bem-sucedidas nesse ramo (entre elas, a tipografia Kelmscott Press, em 1890). Ao fim da vida, deixou de lado os seus êxitos artísticos e empresariais para dedicar-se a difusão de idéias socialistas.
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Pouco antes da conquista pelos normandos (2), países como o nosso apresentavam um feudalismo ainda incipiente e completamente pulverizado, sulcado por contínuas ondas de bárbaros, bárbaros que nunca tinham montado um cavalo. Praticamente não havia casa de pedra ou de tijolo na Inglaterra; quase não havia estradas, apenas sendas batidas; praticamente não havia lei, apenas costumes locais. Essa era a Idade das Trevas, da qual surgiria a Idade Média.

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(2) A conquista da Inglaterra pelos normandos comandados por Guilherme o conquistador ocorreu no ano de 1066.
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Mas tomemos agora a Baixa Idade Média, duzentos anos depois da conquista normanda e praticamente outro tanto antes do início da Reforma. As grandes cidades surgiram; os cidadãos são privilegiados e importantes; os trabalhadores organizaram-se em Corporações de Ofício livres e responsáveis; os Parlamentos são poderosos e litigam com os próprios reis; a escravidão desapareceu quase por completo; abriram-se as grandes Universidades, que ministram esse programa de ensino tão admirado por Huxley (3); repúblicas tão orgulhosas e patrióticas como as dos antigos pagãos erguem-se como estátuas de mármore ao longo da costa mediterrânea; e por todo o norte os homens construíram igrejas tão grandiosas que os homens talvez nunca mais as igualem. E isso – que, na sua maior parte, foi realizado mais propriamente não em dois, mas em um século –, é a isso é o que o nosso crítico chama “pouco ou nenhum avanço social ou político”. Praticamente não há instituição moderna importante que tenha influenciado a sua vida – da escola em que estudou ao Parlamento que o governa –, que não teve os seus principais avanços na Idade Média.

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(3) Thomas Henry Huxley (1825-1895): biólogo inglês, amigo de Charles Darwin e um dos maiores defensores e divulgadores da teoria evolucionista, o que fez especialmente através do seu livro Man´s Place in Nature (“O lugar do homem na natureza”, 1863), em que pela primeira vez os princípios do evolucionismo são aplicados ao homem.
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Se alguém pensa que escrevo isso por pedantismo, espero poder mostrar-lhe em um momento que tenho um objetivo mais humilde e mais prático. Quero considerar a natureza da ignorância, e começo por dizer que, em qualquer sentido escolar e acadêmico, sou eu mesmo muito ignorante. Assim como dizemos de um homem como Lord Brougham (4) que tinha um grande conhecimento geral, eu diria que tenho uma grande ignorância geral.

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(4) Henry Peter, Lord Brougham (1778-1868): político britânico nascido em Edimburgo. Suas numerosas obras, às vezes contraditórias entre si, cobriram quase todos os ramos do conhecimento da época, tendo ele escrito sobre Filosofia, Teologia, Economia e até Matemática. Destacou-se também por ter fundado revistas e sociedades de difusão do conhecimento e por ter realizado reformas no Parlamento britânico.
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Só que este é exatamente o ponto a que pretendia chegar. É um conhecimento geral e uma ignorância geral: sei pouco de História, mas sei um pouco de quase toda a História. Não sei muito, digamos, sobre Martinho Lutero e sua Reforma, mas sei que ela fez uma diferença enorme; ora, não saber que o rápido progresso dos séculos XII e XIII fez uma diferença enorme é pelo menos tão extraordinário como nunca ter ouvido falar de Martinho Lutero. Também não estou muito bem informado sobre os budistas, mas sei que se interessam por filosofia; não saber que os budistas se interessam por filosofia, acredite em mim, seria tão chocante como não saber que os medievais se interessavam pela experimentação e pelo progresso políticos.

Da mesma forma, não sei muito sobre Frederico o Grande. Na minha infância, a enorme coleção de volumes de Carlyle sobre o assunto inspirava-me medo: parecia haver tantas coisas a conhecer! No entanto, apesar desses receios, eu seria perfeitamente capaz de adivinhar, com uma razoável probabilidade de acerto, o tipo de assunto que esses volumes continham. Por exemplo, eu arriscaria (penso que não incorretamente) que os volumes deviam conter a palavra “Prússia” em um ou mais lugares; que, de tempos a tempos, se falaria de guerra; que se faria alguma menção de tratados e fronteiras; que a palavra “Silésia” poderia ser encontrada caso se procurasse diligentemente, bem como os nomes de Maria Teresa e Voltaire; que em algum lugar de todos aqueles volumes, o seu grande autor diria se Frederico o Grande tivera um pai, se chegara a casar-se, se possuíra grandes amigos, se tivera algum hobby ou aficção literária de qualquer tipo, se havia morrido no campo de batalha ou na cama, e assim por diante. Se eu tivesse reunido coragem suficiente para abrir um daqueles volumes, provavelmente teria encontrado alguma coisa, ao menos nessas linhas gerais.

Agora, troque a imagem; imagine o jornalista ou homem de letras comum, jovem e bem educado, recém-saído de uma escola pública ou faculdade, parado diante de uma coleção ainda maior de livros ainda maiores das bibliotecas da Idade Média – digamos, todos os volumes de São Tomás de Aquino. Digo-lhe que, de nove casos em dez, aquele jovem bem-educado não tem a menor noção do que iria encontrar naqueles volumes encadernados em couro. Pensa que irá encontrar discussões sobre as capacidades dos anjos de se equilibrarem sobre pontas de agulhas, e talvez o fizesse. Mas afirmo que ele não pensa – nem de longe – que irá encontrar um professor universitário a discutir quase todas as coisas que Herbert Spencer discutiu: política, sociologia, formas de governo, monarquia, liberdade, anarquia, propriedade privada, comunismo, e todas as variadas idéias que, no nosso tempo, se dedicam a brigar em nome do futuro “socialismo”.

Igualmente, não sei muito sobre Maomé ou o maometanismo. Não levo o Alcorão para ler na cama toda noite. Mas, se em determinada noite o fizesse, há pelo menos um sentido em que sei o que não encontrarei nele. Suponho que a obra não transbordará de fortes encorajamentos ao culto dos ídolos; que não se cantarão ali em alta voz os louvores do politeísmo; que o caráter de Maomé não será submetido a nada que se parece com o ódio e o ridículo; e que a grande doutrina moderna da irrelevância da religião não será enfatizada sem necessidade.

Mas troque novamente a imagem, e imagine o homem moderno (o pobre homem moderno) que tivesse levado um volume de teologia medieval para a cama. Ele esperaria encontrar ali um pessimismo que não há, um fatalismo que não há, um amor à barbárie que não há, um desprezo pela razão que não há.

Aliás, seria na verdade muito bom que fizesse a experiência. Far-lhe-á bem de uma forma ou de outra: ou o fará dormir – ou o fará acordar.
Gilbert Keith Chesterton

Escola de Formação GRAA


Estamos iniciando mais um projeto do grupo Anjos de Adoração. É a Escola de Formação GRAA.
Para tal, dispomos de um crescente acervo de livros, com temas de espiritualidade e doutrina, e cds com palestras, ambos para locação.

Também fazemos pregações e damos palestras sobre temas variados, gravitando entre Filosofia, Sociedade, Igreja, Infância e Adolescência, afetividade, Teologia e Espiritualidade.

Dentro de nossa disponibilidade, aceitamos convites para ministrar retiros, shows musicais e aceitamos contribuições para o aumento do nosso acervo de materiais.

Para entrar em contato conosco, mande-nos um e-mail pelo endereço anjosdeadoracao@yahoo.com.br

A volta da beleza à liturgia - João Paulo II

CIDADE DO VATICANO - O Papa João Paulo II pediu que os católicos redescubram a beleza da liturgia e das orações. Em sua audiência pública de quarta-feira, ele disse que os cristãos deveriam fazer um exame de consciência para trazer de volta à liturgia a beleza da música e dos cânticos, purificando o culto do que chamou de formas desalinhadas e de músicas inadequadas.

- É preciso rezar a Deus não só com fórmulas teologicamente exatas, mas também de maneira bela e digna - disse o Pontífice às milhares de pessoas que assistiram ontem à audiência no Vaticano. - Na oração, elevamo-nos à luz divina e experimentamos a descida de Deus para escutar-nos, encontrar-nos e salvar-nos.

O Papa disse ainda que era necessário purificar os cultos da falta de estilo, de formas descuidadas de expressão, de músicas com poucos acordes e textos não compatíveis com a grandeza do ato celebrado. (...)

Disponível em
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=igreja20030227_1.&lang=bra

Procissão da bandeira, uma lição


Ontem, dia 23 de janeiro, tivemos em nossa cidade de União dos Palmares, a tradicional procissão da bandeira que antecede os festejos de Sta Maria Madalena, nossa padroeira. E, enquanto eu acompanhava no meio da multidão, refletia no significado simbólico desta prática, mais antiga que os próprios evangelhos.

De fato, estávamos nós caminhando, seguindo a mesma direção em que ia Sta Maria Madalena, representada pela bandeira. E pensava que é justamente isto o que fazem os santos; pela força do seu exemplo de amor a Cristo, conseguem reunir grande número de almas e conduzi-las pelos caminhos que trilharam, isto é, pelas vias da santidade. Interessante ainda é que, na procissão que findará os festejos, existem várias charolas, cada uma representando um determinado santo, e concentrando ao redor de si os devotos que a ele se identificam, prosseguem a jornada; notável é que, embora sejam tantos, com características tão distintas, todos se unem numa só, que é o amor ao Cristo e a santidade cultivada e, dessa forma, todos os devotos, cada qual acompanhando uma charola em particular, rumam na mesma direção para a Matriz, onde está o Santíssimo Sacramento, Jesus Cristo, nosso Senhor. Os santos realmente têm o poder concedido por Deus de motivar as pessoas para seguirem a via estreita que leva a Cristo.

Pensando ainda na origem das procissões, que remonta ao Antigo Testamento, quando a multidão levava e seguia a Arca da Aliança, onde Deus habitava, e com ela percorria grandes distâncias, eu lembrava que, no Novo Testamento, este título de Arca da Nova Aliança se deve excepcionalmente à Santíssima Virgem que levou em seu seio, literalmente, o Verbo encarnado. Mas percebia também que assim como toda vida cristã deve ser uma imitação da vida do Cristo, assim também deve se tornar uma imitação da vida de Maria; dessa forma, há um maravilhoso acontecimento: os santos são aqueles que geram Jesus na alma e, dessa forma, também se tornam, de certa forma, arcas de Deus. Dentro desta analogia, a procissão toma ainda mais sentido.

Além disso, o próprio percurso é uma metáfora da vida humana. A dada altura, eu tomei um pequeno atalho, meio que me esquivando do caminho ordinário e querendo facilitar as coisas, e depois fiquei a pensar como muitas pessoas têm a tentação de buscar atalhos na vida para a felicidade a partir de uma proposta de vida mais fácil; veja-se, por exemplo, os templos protestantes com suas metodologias cômicas e seus caricatos de sacramentos; como tantos aderem simplesmente por considerar que a via católica é um tanto isenta desses sensacionalismos. Querem a via mais fácil e terminam por perder o mérito da jornada mantida a passo firme e constante. Percebia eu ainda que, no decorrer do caminho, várias atrações se mantinham paradas ao lado, de modo que, manter-se andando era forçosamente passar por elas sem lhes dar valor. Estas atrações (brinquedos, sorvetes) eram mais atrativas para as crianças de modo que se sentiam tentadas a parar. Na vida há muitas distrações, e quanto mais se é infantil na Fé, mas se sofre a influência delas, cujo único objetivo é fazer o fiel renunciar o passo e abandonar a jornada.

Porém, mantivemo-nos caminhando e, realmente, a viagem me parecia um tanto cansativa e maçante. Esta impressão, no entanto, não me fazia sequer pensar em parar o percurso e eu prosseguia. Mas, decidido a seguir assim até o fim, como alguém que vive na gratuidade do amor por Cristo, eis que encontro no caminho uma amiga e, em pouco tempo, começamos a tratar de assuntos nobres e comuns a ambos. Num piscar de olhos, estávamos já na praça para o hasteamento da bandeira e pudemos, tranquilamente, vê-la ser elevada aos ares e, lá de cima, tornar-se um símbolo de persistência, de renúncia, de santidade, de amor.
E agora eu percebo: como é bom ter amigos e como é verdade que juntos somos mais fortes.
Que Deus nos conceda sempre a graça de ter amigos dignos deste nome, sinceros, verdadeiros e que, acima de tudo, sejam estes aqueles que possam, com o seu amor a Cristo, cativar ainda mais a nossa alma em amor ardente por Aquele que nos amou primeiro e que nos convida às alegrias do Seu Reino.

Bem... A lição pra mim foi muito válida. E que ela seja para nós.
A todos a paz.
Fábio Luciano

A covardia é um pecado

Pe. Leonardo Castellani S.J.

Coisa incrível: há uma tempestade tal no Mar de Tiberíades, que as ondas invadem a barca dos pescadores; e Jesus Cristo dorme. Fingiria dormir, como dizem alguns, para "provar seus discípulos"? Não, dorme, com a cabeça apoiada em um banco. Essa maneira de experimentar os outros com coisas fingidas é uma palhaçada inventada por algum mal mestre de noviços: a única coisa que prova verdadeiramente é a vida, a verdade, a realidade; não as ficções. Tampouco é verdade que Deus tenha proibido a Eva o Fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal para prová-la; proibiu-o porque, simplesmente, este fruto não lhe convinha, nem a ela nem a ninguém. Deus não faz tolices, mas há gente inclinada a atribuir-Lhe as tolices próprias. Deus fez o homem a sua imagem e semelhança; mas o homem retribuiu; porque, quantas vezes o homem não refez a Deus à sua imagem e semelhança!

Jesus Cristo é notável: dorme de dia, no meio de uma tormenta; e de noite deixa a cama e sobe até uma colina, para rezar até a madrugada. Não o despertam o bramir do vento, o golpe da água, os gritos dos marinheiros mas, à noite, o desperta um gemido ou uma mulher com hemorragia que lhe toca o vestido. Dona Madalena, minha avó, dizia: "Jesus Cristo é bom, não digo nada, mas, quem O pode entender?" Só uma criança ou uma animal podem dormir nestas condições em que os três Evangelistas dizem que Cristo realmente "dormia"; e também um homem que esteja tão cansado como um animal e que tenha uma natureza tão sã como a de um menino. Sabemos que muitos homens de natureza privilegiadamente robusta podiam dormir quando quisessem; como Napoleão I, por exemplo, do qual se conta que podia fazer isto: dormir quando lhe parecia bem, sobretudo nos sermões; e foi preciso despertá-lo na manhã da batalha de Austerlitz. Ao contrário, Napoleão III, seu sobrinho, não pregou os olhos na noite do golpe de Estado de 1851 e se levantou três vezes para ver se tinha dormido a sentinela. Isso porque Napoleão I foi um herói; mas, Napoleão III, uma imitação de herói: um palhaço.

Bom, o fato é que Cristo dormia, e seus discípulos o despertaram dizendo algo que varia nos três Evangelistas; mas, na realidade, devem ter gritado não três, mas umas doze coisas diferentes pelo menos; que se resumem nesta: "vamos morrer!" Não vos importais se "vamos morrer"? que traz São Lucas como resumo de toda a gritaria. O que disse São Mateus, que estava ali, foi isto: "Senhor, ajuda-nos, que perecemos". Cada um disse o melhor que soube, e isto é tudo. O que lhes disse Cristo — nisto concordam os três relatos — foi, "covardes". A Vulgata latina traduz "Modicae fidei", ou seja, "homens de pouca fé"; mas Cristo, em grego ou aramaico, lhes disse: "covardes". Um homem que grita quando entra água em sua barca em uma tempestade do Mar da Galiléia, que são breves mas violentas; supondo até que tenha gritado um pouco demais, é covarde? Para mim, não é covarde. Mas para Jesus Cristo, é covarde. E Jesus Cristo não gosta de covardes.

A Igreja ("a barca de Pedro", como é chamada) teve muitas tempestades e há de ter ainda outra que está profetizada, na qual as ondas entrarão a bordo e parecerá realmente que os poucos que estão dentro, morrem. Cristo parece ter conservado seu costume juvenil de dormir nestes casos; e também sua idiossincrasia de não amar a covardia. A covardia é pecado? Sim; e, em alguns casos, muito grave. Os Apóstolos tinham uma maneira de pregar que, se me deixassem, eu não usaria outra: trata-se de fazer uma lista de pecados grandes, recitá-la e depois dizer: "Nenhum destes entrará no Reino dos Céus. Basta" Assim, São Paulo disse: "Não vos enganeis, irmãos; que nem os idólatras, nem os ladrões, nem os adúlteros, nem os avarentos, nem os efeminados nem... e assim continua... entrarão no Reino dos Céus". Hoje em diz deveria pregar-se assim, de modo simples... é nossa opinião. Pois bem, São João, no Apokalypsis, que é uma profecia sobre os últimos tempos, acrescenta à lista de pecados outros dois que não estão em São Paulo: "os mentirosos e os covardes". O qual parece indicar que, nos últimos tempos, haverá um grande esforço de mentira e de covardia. Que Deus nos encontre confessados.

A covardia em um cristão é um pecado sério, porque sinal de pouca fé em Cristo ("covardes e homens de pouca fé") que provou ser um homem "a quem o mar e os ventos obedecem" — como disse o Evangelho de hoje — ao lado de quem, portanto, ter medo não é coisa bonita; nem mesmo lícita. Júlio César, em uma ocasião parecida, não permitiu a seus companheiros que se assustassem. "Que temeis?" Levais César a sua boa estrela", lhes disse. Por mais forte razão Cristo, que é criador das estrelas. O que governa o mundo são as idéias e as mulheres, disse alguém. As idéias, não duvido. As mulheres, teria de se provar. Que sucederia se, na Argentina, surgisse uma S. Teresa de Jesus, que persuadisse a todas as mulheres deste propósito: "Não me casarei com nenhum homem que seja covarde!" Creio que cairia a tirania atual, e que não subiria ao poder mais nenhum tirano.

Pe. Leonardo Castellani S.J.

Fonte: www.permanencia.org.br

A VOCAÇÃO NOS É DADA PELA BONDADE DE DEUS ! - Sto. Agostinho


Desde toda eternidade, o maior desejo do coração de Deus é estar próximo ao homem. De unir o seu Divino coração ao de seus filhos.
A isto damos o nome de Vocação: Deus chama-nos!

O chamado de Deus, (Vocação) na vida do homem é a plena realização, quando esse chamado é correspondido.

A Igreja é como um jardim; diversas em rosas e flores, cada qual com sua cor e perfume. Nenhuma é melhor, todas se completam para enfeitar o jardim onde o Senhor repousará... Assim são os carismas que Deus distribui á sua Santa Igreja.
Cada vocação é pessoal e única. Deus vai se revelando à alma à medida que ela vai se despojando de si mesma. Usando as mesmas palavras do Profeta Jeremias: " Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir." Jr.20,7

...Depois de uma breve pausa...

Através de um anjo que surgiu na minha vida, Deus deu-me uma missão de escrever sobre vocação. Daí pensei em que palavras usar. E como é difícil...
Então, resolvi partilhar um pouco de minha própria experiência daquilo que sei um pouco, por graça de Deus.

Como já vimos, vocação é um chamado de Deus, e Ele me chamou, me escolheu para Si, ainda no ventre de minha mãe.

Os anos foram passando, mas o primeiro chamado de Deus já estava gravado. Mesmo eu querendo disfarçar; Mas no meu coração, havia uma Voz que não se cansava...
Depois de ter buscado em tantas coisas, o meu pobre coração ainda permanecia inquieto. Lembro-me das palavras de Santo Agostinho: "Fizestes-nos para Vós, e nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Vós."

Ah! Senhor, mas logo eu? Uma alma cheia de inconstâncias, apegos, vontades próprias; uma alma tão pobre, tão miserável, tão pecadora???
Sim!!! Deus estava e continua me chamando... Por quê? Porque Ele me ama!!!!

Hoje não tenho outro desejo; quero dar-me ao Senhor. Ser a Sua pequena esposa. Pôr meus olhos n'Ele. Estar com Ele. Abrandar as Chagas de seu Coração.
Mas, nem sempre é assim. Quantas quedas, desânimos, vontade de desistir de tudo. E Ele sempre ali; ou melhor, aqui bem dentro de minha alma, com Paciência, me lapidando aos poucos. Me ensinando o Caminho da Cruz!

Para fortalecer-nos em nossa caminhada e ensinar-nos com seus exemplos, quantos santos de Deus!!! Quantas vidas, que deram testemunhos de seu Amor.
Quero destacar dois: A Virgem Maria e São José. Que exemplos de Castidade, Pobreza e Obediência!!!

Que a Virgem Maria nos ensine a dar o nosso Sim e São José nos ensine sua profunda humildade, em deixar-nos ser moldados em suas Divinas Mãos.

Meus Caros, é Deus que nos Chama!!!
Meu Coração se enche de alegria em escrever-lhes isso... Deus nos chama!!!!
Louvo ao Senhor, por minha vocação, não somente minha. Louvo por tudo que Ele realizou e ainda vai realizar em minha Vida. Por Ele ter sido tão Paciente comigo, (que sou uma cabeça dura). Por me ensinar a amar meus irmãos, com amor Carítas. Amor de doação.

Espero de coração que cada um corresponda à sua vocação (Vida consagrada, leigos, Matrimonio...) e que deixem-se ser seduzidos por Deus, por Nosso Primeiro Amor!!!

Obrigado Senhor, por não ter desistido de mim!


Verdade e ordem


Porque a Luz verdadeira veio ao mundo e os homens rejeitaram-na. Rejeitaram-na por orgulho e porque tinham o coração de ferro. A luz é a verdade, e a verdade só é verdade quando vem do amor. Pois o amor não mente, não engana. Enganar é uma forma de crueldade. O mentiroso, antes de ser mentiroso, teve de ser mau. Mas o homem verdadeiro, para ser verdadeiro, teve, primeiro, de ser bom, já que sem bondade não há verdade. E ninguém no mundo foi tão bom como Jesus. De mim, vos digo que creio na divindade de Jesus pela verdade que nos disse e creio na Sua verdade, principalmente pelo bem que nos fez e continua a fazer-nos por todo o sempre.
A verdade é uma forma de amor. O Cristo é Deus revelando-se em amor. Só ele nos oferece o segredo da Ordem Divina, como fundamento da ordem humana. E a ordem humana que pretender erigir-se ponto Deus de lado será a ordem precária, a ordem da desordem, qualquer coisa como a disciplina das quadrilhas de bandidos onde o terror pelos mais fortes é o estatuto degradante da manutenção da comunidade.

Sendo o Cristo a própria verdade, tudo quanto nos disse é verdadeiro. E sendo verdadeiro tudo o que nos disse, temos de tomar como fundamento da nossa fé todas as suas palavras, nos discursos que fez e nas mais diversas circunstâncias de sua vida. Entre estas estão as que disse a Simão Pedro, não uma só vez, mas repetidas vezes, fazendo-o chefe da cristandade de todos os tempos, assim como as que pronunciou instituindo o sacerdócio cristão, determinando a missão e as tarefas de seus ministros e fundando a sua Igreja.
É portanto, a Igreja – por tudo quanto Jesus ensinou e determinou – a depositária e fonte de toda a verdade que fluiu da palavra do Redentor. Segue-se que nenhuma ordem duradoura pode instituir-se e manter-se, quer em nossa vida particular, ou familiar, quer na vida social, nacional ou internacional, se a Igreja de Jesus Cristo não for, para isso, ouvida, acatada e respeitada.

Plínio Salgado, Primeio Cristo.

O zelo pelo sagrado


Dia a dia, estamos observando como se alastram a indiferença e o desprezo pelo sagrado. O agnosticismo prático tem se instalado e muitas vezes, vemos seus efeitos em pleno sólo católico. Na Santa Míssa, Sacrifício de Cristo, onde deveríamos tremer de respeito, o que testemunhamos? Todo tipo de tolerância no sentido de distorcer o caráter da Santíssima Celebração e pouca ou nenhuma disciplina por parte dos participantes. Fico intrigado em ver como podem alguns demonstrar, em outras ocasiões, serem tão devotos e, em plena Santa Missa, mostrarem um tal tipo de desprezo pelo que acontece sobre o Altar.

Esta falta de zelo que, infelizmente, torna-se cada vez mais freqüente, tem vários motivos, dentre os quais, gostaríamos de citar alguns. Primeiramente, a formação doutrinária de nossas catequeses, turmas de crismas e até a que é própria da família tem sido “água com açúcar”. A famigerada Heresia da Libertação tem tomado todo o espaço nestes ambientes onde, por vezes, só se ensina o erro. O desprezo se revela na própria terminologia com que se referem àquilo que é realmente católico, como no uso pejorativo da expressão “sacramentalista” ou da palavra “encapados” pra designar os que supostamente se escondem por trás de uma capa de devoção. Observamos que o respeito pelo sagrado não só não faz parte destes ambientes, mas também que eles atacam toda sombra de reta devoção. Portanto, poderíamos apontar como um dos grandes motivos deste agnosticismo prático, a ignorância, por parte da maioria dos católicos de hoje, do que seja a Santa Missa, do que nela acontece, enfim, do real sentido do catolicismo.

Um outro aspecto fundamental para compreendermos este triste fato é a falta de disciplina característica da contemporaneidade. Basta ligar a TV ou passar 15 minutos conversando com um adolescente apontado na multidão (é claro que existem exceções) pra se perceber a mediocridade das ideologias do mundo de hoje que voam por aí nas ondas do rádio, da televisão, da internet. O ensinamento de S. Paulo aplica-se a nossos dias: “nossos inimigos estão espalhados nos ares”. Não se cultiva mais no mundo secular o costume do sacrifício, da disciplina, do domínio de si, da maturidade. E isto, com certeza, reflete-se na forma como as pessoas tratam o sagrado. Mesmo por parte de muitos católicos, quase não há aquele espírito de guerra contra o mundo, seguindo as palavras de Cristo: “se fordes amigos do mundo, sereis inimigos de Deus”. Ao contrário, o que existe é uma tosca tentativa de reconciliar realidades totalmente opostas, uma sede por servir a dois senhores. Tanto é que, hoje em dia, as nossas celebrações dominicais viraram desfiles de moda, ou depósito de lanches infantis, ou pontos de encontro, ou rotinas supersticiosas... Querem levar o profano para dentro do Sagrado, mas “de Deus não se zomba”.

Jovens e adultos alheios a qualquer prática de disciplina interior, que não conhecem  sequer os rudimentos da Fé, que não sabem silenciar, mas antes, creem que a oração consiste em falar sem parar ou em fazer qualquer barulho diante do Santíssimo Sacramento; que fazem tudo no “automático”, sem pôr o coração no Altar, sem prostrar a alma, sem devorar-se de amor como Elias, sem retirar as sandálias dos pés como Moisés. E depois estes mesmos vêm criticar os “carolas” e vêm falar de um Evangelho puramente social... Não que nos incomodemos com as críticas – elas nos honram – mas é triste ver que estas pessoas, adeptos da TL e de outras porcarias que vendem por aí, do Evangelho não viram sequer a sombra.

Qualquer um que seja católico deve ter a vida centrada no Sagrado, o dia centrado na Santa Missa, comunhão diária se possível, tendo em vista que faltar ao Santíssimo Sacrifício de Cristo por motivo injusto, um dia que seja, é uma atitude de profundo desprezo pelo Senhor.

Deve ter vida sacramental, vida de oração, deve lutar contra as próprias inclinações à vaidade, ao orgulho, à sensualidade... Deve “crucificar o corpo com suas paixões e concupiscências” e aprender a estar morto para o mundo, e ter o mundo morto para si. O Evangelho é a via mais estreita de todas e a única que conduz a Cristo, e deve ser vivido com rigor. Ou é assim, ou não é. Todo o bem social será reflexo deste algo interior, e não de doutrinas marxistas transmutadas de católicas. “Amar a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro mandamento; se este não for cumprido, o segundo também não existe. Enfim, amar ao próximo não é algo puramente exterior, tanto que alguém pode demonstrar amar, sem que isto não passe de teatro. A coisa ou vem de dentro, da vida cultivada em intimidade como Nosso Senhor ou vem do inferno. Que Cristo nos ensine a tratar com respeito tudo quanto Lhe diz respeito. Que o amor a Cristo possa modelar toda a nossa vida, afim de que toda ela possa ser um grande suspiro de amor pelo belo Esposo de nossas almas.

Fábio Luciano

Abraça Jesus crucificado, amante e amado


“Querida irmã em Jesus. Eu, Catarina, serva dos servos de Jesus, escrevo-te no seu precioso sangue, desejosa que te alimentes do amor de Deus e que dele te nutras, como do seio de uma doce mãe. Ninguém, de facto, pode viver sem este leite!

Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus:
“Deus é amor; quem permanece no amor habita em Deus e Deus habita nele”.
Vivendo em Deus, por conseguinte, não se pode ter amargura alguma porque Deus é delícia, doçura e alegria infinita!

É esta a razão pela qual os amigos de Deus são sempre felizes! Mesmo se doentes, necessitados, aflitos, atribulados, perseguidos, nós estamos alegres.
Mesmo quando todas as línguas caluniosas nos metessem em má luz, não nos preocuparemos, mas nos alegraremos com tudo porque vivemos em Deus, nosso repouso, e saboreamos o leite do seu amor. Como a criança suga o leite do seio da mãe assim nós, inamorados de Deus, atingimos o amor de Jesus Crucificado, seguindo sempre as suas pegadas e caminhando com ele pelo caminho das humilhações, das penas e das injúrias.
Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz.
Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o seu amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar sangue de todas as partes do seu corpo!
Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!
Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.
Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!
Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!
Permanece no doce amor de Deus.

Doce Jesus, amor Jesus.“ Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

Padre e matemático ganha prêmio por mostrar matematicamente que Deus existe


O professor e padre polonês Michael Heller, de 72 anos, ganhou um prêmio de aproximadamente R$ 2,9 milhões por formular evidências circunstanciais da existência de Deus. Seu trabalho está relacionado à teoria da criação do universo e abrange áreas do conhecimento como física, matemática, cosmologia e mecânica quântica.

“A jornada de Heller por um entendimento profundo resultou em avanços pioneiros nos conceitos religiosos, assim como expandiu os horizontes da ciência”, afirmou John Templeton, presidente da Fundação John Templeton, que organiza premiações sobre o tema há 35 anos.Heller discorda da teoria newtoniana da criação, que é contra a idéia de um espaço e um tempo absolutos e da energia criadora vinda de Deus. De acordo com o jornal inglês “Times”, ele sugere que os teólogos deveriam voltar à antiga doutrina da criação do universo, que afirma que tudo foi feito fora das conceituações de tempo e espaço.

Intelectuais poloneses comemoraram a consagração de Heller.
Ele rejeita a idéia de que religião e ciência são contraditórias. "Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus.”

O dinheiro do prêmio será revertido para uma academia de pesquisa em ciência e teologia, o novo Centro Copernicus.

Pax Domini

Elogio do Comum

Não haveria solenidades ou celebrações se não houvesse um tempo "ordinário". O próprio conceito de uma celebração, e isto também se dá na ordem profana e em todas as culturas, é o de ser algo que nos faz sair provisoriamente do comum, do ordinário.

Assim, no início do Evangelho, vemos Jesus participar com seus discípulos das núpcias às quais se achava presente também sua mãe, Maria. Parece que se divertiram bastante com a festa, ao ponto de ter acabado o vinho. (O uso de vinho de outra forma de álcool, em quase todas as culturas, fazia parte da festa. Tomados com moderação, as bebidas alcoólicas liberam as pessoas de defesas que, na vida de todos os dias, constituem barreiras entre elas e as impedem com freqüência de viver bem as relações humanas).

Portanto, não se pode - nem se deve- estar em festa todos os dias. Isto foi o erro de uma determinada época - ou ao menos foi uma ingenuidade - de certos grupos carismáticos de considerar que quanto mais uma oração transborda de entusiasmo e de barulho, mais ela é verdadeira. Há uma forma de entusiasmo litúrgico que se pode viver numa reunião de oração de fim de semana ou num grande congresso, mas que não se pode viver todos os dias sem se expor rapidamente ao esgotamento emocional total. É preciso sempre voltar ao tempo ordinário.

Assim, mesmo se vivemos todos os dias com pessoas que estimamos e que amamos, não fazemos festas todos os dias. Celebramos estas festas quando há um aniversário mais importante, como por exemplo, bodas de prata, um jubileu, 80 anos, etc. Estas celebrações nos ajudam mais a tomar consciência do que estas pessoas são para nós na vida comum de todos os dias.

É deste tempo ordinário que desejo sublinhar tanto a importância quanto a beleza. Há uns 15 anos, Raimondo Panikkar publicou um livro em inglês chamado "Blessed Simplicity", que foi traduzido nestes últimos anos com o título em francês "Elogio do simples". Gostaria portanto de denominar minha conversa desta manhã de "Elogio do ordinário ou do comum". Há algo de comum entre os dois títulos.

A vida monástica é caracterizada pela simplicidade - a simplicidade de coração, à qual a Escritura opõe a "duplicidade do coração". O coração simples é aquele que vai direto a Deus, que só tem um amor, uma preocupação, um objetivo. O monge, o lhidaya na tradição siríaca em particular, é o "simples" por definição. Ele se deixa cada vez menos distrair em seu caminho para o alvo pelas distrações ao longo da rota, a "fascinação das bagatelas" (fascinatio nugacitatis) de que falavam os autores cistercienses da Idade Média, usando uma expressão de Sabedoria 4,12.

Há uma dimensão contemplativa tão grande, e talvez mesmo ainda maior, como eu penso, na liturgia do Tempo Comum que nos grandes ciclos de festas, quer do Natal, quer de Páscoa. Durante estes grandes ciclos, que são muito belos, lembramos dos acontecimentos mais importantes da vida do Cristo e do Mistério da Nossa Salvação. Cantamos estes mistérios e exultamos com eles. Concentramo-nos em tal ou qual aspecto. Mas no Tempo Comum, não nos deixamos fascinar por um determinado aspecto. Refletimos não sobre tal dimensão do mistério da salvação. Está-se simplesmente presente, dia após dia ao Mistério tomado em todo seu conjunto (Um dos princípios básicos da reforma do calendário litúrgico do Concílio foi reduzir consideravelmente o número de festas e de solenidades, que tinham se multiplicado ao longo dos séculos, para dar toda sua importância ao "tempo comum").

Numa leitura que fizemos recentemente em comunidade, o Cardeal Martini descrevia Maria em Caná como uma contemplativa, explicando que a pessoa contemplativa é aquela que não se deixa tomar totalmente por alguma tarefa particular, mas que tem uma visão de conjunto, que vê ao mesmo tempo todos os elementos de uma situação, sabendo relativizá-los.

Numa situação como a atual tragédia de Kosovo, cada um dos especialistas implicados é obnubilado pelo aspecto de que é responsável. Os militares estão preocupados pelos problemas estratégicos e as questões técnicas, por exemplo, o desafio que constitui a missão de destruir locais considerados militares no seio da população civil tentando limitar as perdas de vida humanas entre os civis, qualificados pudicamente (ou cinicamente) de "efeitos colaterais". Os políticos são cativados pela missão que se lhes dá de impedir a limpeza étnica dos Kosovars. Também existem aqueles que planificam os novos equilíbrios geopolíticos do pós-guerra. Só as pessoas comuns, que precisamente não estão diretamente implicadas, podem lançar uma visão de conjunto sobre a situação toda, e não podem impedir serem massacrados pela evidência que toda esta violência de uma parte e de outra, é demencial. Diante do desencadeamento das forças do mal, o contemplativo só pode dizer a Jesus, como Maria, "eles não têm vinho", falta a todos o vinho da amizade, o desejo da fraternidade, do perdão e da reconciliação. Escutemos o que Jesus fará.

Depois do ciclo festivo, voltamos então ao Tempo Comum, cuja monotonia nos permite tomar consciência de nossos limites, de nossas obrigações, de nossas provações. No adjetivo "comum", há também uma noção de ordem, de disciplina - como a disciplina do atleta que refaz sem cessar os mesmos exercícios ou o artista que tem de desenvolver e dominar técnicas que lhe tornem possível ser criativo. Assim, a monotonia dos dias comuns, ordinários, onde refazemos sem cessar a mesma coisa, nos faz comungar com o Ser num nível mais profundo talvez que todas nossas celebrações mais brilhantes.

Há heroísmo na fidelidade ao ordinarío, o herói não é aquele que faz coisas extraordinárias, mas aquele que continua a fazer fielmente as coisas ordinárias mesmo quando as circunstâncias mudaram radicalmente. No final de "La Peste" de Camus, há uma nota interessante (que cito de memória, pois li o livro há muito tempo). A cena se situa no momento em que a epidemia é vencida e se abrem as portas da cidade. O doutor Roux, que serviu os doentes generosamente durante todo este longo período recusa-se a ser considerado como um herói. Para ele, não fez mais do que o ordinário, o comum. É também comum para o médico curar, diz ele, assim como para o professor ensinar, quaisquer que sejam as circunstâncias onde se ache.

Um belo exemplo disto são nossos Sete Irmãos de Atlas (celebramos seu terceiro aniversário de morte no dia 21 de maio). O que lhes permitiu fazer um caminho comunitário tão admirável durante os três últimos anos de suas vidas em Tibhirine, foi que eles continuaram a levar sua vida comum. A despeito de uma situação que se tornava cada vez mais trágica em torno deles, continuaram a seguir o ritmo ordinário, comum da vida cisterciense, feito da oração comum, do trabalho e da lectio. Também mantiveram relações ordinárias e comuns com seus vizinhos. Dois acontecimentos me parecem ilustrações muito claras desta atitude, que é verdadeiramente o que podemos denominar "a simplicidade do coração". Depois da primeira visita dos "Irmãos da Montanha" na noite de Natal de 1993, uma visita em que estavam bem conscientes que tinham escapado de uma morte violenta, todos eles foram simplesmente à igreja, na hora prevista, para celebrar as Vigílias de Natal. O segundo acontecimento é o da noite em que foram levados. Quando o Pe. Amadée e o Pe. Jean-Pierre, os dois que não foram levados, se deram conta que os outros irmãos tinham sido presos, e que a linha telefônica tinha sido cortada e que eles não podiam sequer prevenir a polícia antes que o dia amanhecesse , foram simplesmente à Igreja celebrar o ofício.

Nesta fidelidade ao comum, ao ordinário, há tanto heroísmo quanto aceitação da morte. É esta fidelidade que nos é pedida todos os dias.

© Abadia de Scourmont, 1999.Traduziu: Cecilia Fridman, Rio Negro, PR, Brasil para o Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, 1999.

A Eucaristia, a multiplicação dos pães e o maná do deserto

Pe. Ronald knox

É impossível lermos o relato do milagre pelo qual o Senhor multiplicou cinco pães para dar alimento a cinco mil pessoas sem que nos lembremos do Santíssimo Sacramento. Mas é conveniente que pensemos de modo preciso na relação que existe entre o milagre e o sacramento.

Encontraremos na atualidade críticos racionalistas que, no seu afã de desacreditar todo o elemento sobrenatural dos Evangelhos, nos dirão que o episódio dos cinco mil é nem mais nem menos que a história de um sacramento que foi falsamente representado como milagre. “O Senhor – dir-nos-ão – levou consigo cinco mil fiéis e iniciou-os no mistério de um alimento de sacrifício, dividindo cinco pães entre eles de uma maneira simbólica. Depois teria surgido a história - naturalmente, errada – de que os minúsculos pedaços de pão que aqueles comungantes receberam tinham sido dotados da eficácia sobrenatural de lhes satisfazer a fome corporal”.

Ora bem, a idéia de que o alimento dos cinco mil foi um sacramento e não um milagre, é duplamente falsa. O acontecimento relatado por todos os evangelistas, incluído S. João, põem em destaque fundamentalmente o elemento milagroso. De outro modo, é difícil compreender por que se nos fala dos doze cestos de comida que sobraram. E, ao mesmo tempo, nenhum evangelista sugere que o alimento em questão tivesse caráter sacramental. Todos eles dão por assente que a finalidade primária do milagre foi a de satisfazer uma necessidade física comum. Foi um milagre e não um sacramento, e, no entanto, foi um milagre que tinha em vista preparar o caminho para um sacramento e fazer com que a doutrina sacramental fosse mais facilmente acolhida pela nossa débil fé.

Mas esse milagre teve, além disso, outro aspecto instrutivo: sublinhou as coincidências e as diferenças entre a antiga aliança feita por Deus com os judeus, e a nova aliança , que entrou em vigor com a Igreja cristã. Sob a antiga lei, Deus escolheu para si uma assembléia – ou Igreja, a palavra é a mesma – para que fosse o seu povo escolhido. Conduziu-o durante longos anos através do deserto até que chegou a Canaã, a terra prometida. Sob a nova lei, escolheu para si uma assembléia ou Igreja e prometeu conduzi-la através do deserto deste mundo transitório até chegar ao repouso que preparou para os seus membros na vida futura. O seu antigo povo, o judeu, orecusava de alimento material para a sua peregrinação material pelo deserto (cfr. Êx 16, 31-35), e, por isso, Deus deu-lhes o maná do céu. O seu novo povo, a Igreja cristã, precisaria de alimento espiritual para a sua peregrinação espiritual. Por isso, deu-lhes o Pão do céu, que é o seu próprio corpo.

O milagre dos cinco mil é, por conseguinte, uma fase intermediária entre o presente do maná do deserto e o da própria carne e sangue do Senhor na Sagrada Eucaristia. Teve por fim corrigir as idéias que os discípulos judeus pudessem formar sobre o que deviam esperar quando rezavam pedindo alimento do céu. Como tipo mais perfeito do Santíssimo Sacramento, a multiplicaçao dos pães para os cinco mil serve de analogia e de contraste com o dom do maná aos israelitas. Vou mencionar três aspectos que põem de relevo a analogia e outros três em que se destaca o contraste.

Em primeiro lugar, a analogia. O maná foi concedido para ser alimento no deserto a cada dia. A provisão de maná nunca faltou durante quarenta dias, mas tinha de ser recolhida diariamente. Não se podia guardá-la para o dia seguinte. Do mesmo modo, Cristo dá aos seus discípulos unicamente o necessário para se alimentarem no deserto próximo do mar da Galiléia. Não levam nada para suas casas.

Assim também a Sagrada Eucaristia é o pão diário da nossa peregrinação. Quando atravessarmos as portas da morte e alcançarmos, pela misericórdia de Deus, a terra da nossa esperança, já não precisaremos de sinais nem de sacramentos: no céu, não é necessária a comunhão. Mas, até que chegue esse momento, a Sagrada Eucaristia poderá ser para nós – deverá ser – o alimento diário que renove em nós, dia após dia, a imagem da caridade do Senhor. A ração alimentícia para a caminhada de cada jornada: isso é o que a sagrada comunhão deve ser.
Continuando, convém observar, no relato do milagre, as palavras “todos comeram”. Foi o mesmo alimento para todos os discípulos do Senhor, um alimento comum a todos, e, opor conseguinte, participar dele foi um sinal de afiliação. Sob a lei antiga, a participação no maná era um laço que unia aqueles peregrinos do deserto: Todos comiam – diz São Paulo – o mesmo alimento espiritual (I Cor 10, 3).

Também para nós, cristãos, a Sagrada Eucaristia é um laço que testemunha e, ao mesmo tempo, promove a nossa unidade cristã. Assim como a baguete de pão procede de muitos grãos diferentes, assim nós, indivíduos diferentes uns dos outros, nos convertemos num só corpo quando recebemos a sagrada comunhão e nos incorporamos a Cristo. O fato de participarmos do altar único é a prova, o penhor, o laço da nossa afiliação cristã.

Os filhos de Israel no deserto não recolhiam todos a mesma quantidade de maná, mas cada qual conforme as necessidades da sua família: um recohia mais, outro menos, mas não tinha mais quem tinha recolhido mais, nem menos quem tinha recolhido menos (cfr. Êx 16, 18). Sob a direção divina, cada um satisfazia as suas necessidades na medida exata do que precisava.

A mesma coisa acontece, sem dúvida, com o alimento espiritual que procede da Sagrada Eucaristia. A mesma hóstia consagrada que um cristão mediano como nós recebe na sua vigília diária, mas dela não tira energias para creser em piedade, basta para inspirar a um santo um nível mais alto de oração incessante e de heróicas mortificações. Deus concede a sua graça numa medida mais ampla quando encontra vasos vazios para recebê-la. Na multiplicação dos pães, diz o Evangelho que todos comeram e ficaram saciados, mas cada um se saciou de acordo com a fome que tinha: o mesmo acontece, dia após dia, diante do altar da comunhão.

A ração diária para a caminhada diária, o laço de companheirismo, a suficiência proporcional às necessidades de cada qual: tais foram as características do maná no deserto, tais foram também as do pão milagrosamente multiplicado, e tais são as do dom que recebemos na sagrada comunhão. Vejamos agora os elementos contrastantes.

Os israelitas no deserto encontravam o maná não longe das suas tendas, mas mesmo assim tinham de sair do acampamento e recolhê-lo por esforço próprio. A os Apóstolos também quiseram tratar do mesmo modo a multidão – que cada um se arranjasse: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e povoados próximos e procurem alimento e hospedagem. Mas o Senhor não o consentiu: Dai-lhes vós de comer (Lc 9,12).

Prefigurava, sem dúvida, a administração do seu grande sacramento. Sob a nova lei, com efeito, a graça vem à nossa própria porta. Meçamos o trabalho que nos custa frequentar o sacramento do altar em comparação com o valor desse dom e a generosidade com que nos é concedido, e vejamos se não é caso para nos sentirmos envergonhados da nossa tacanhice: Eu sou o Senhor, teu Deus (...): abre tua boca e eu a encherei (Sal 83,11).

Existe outra grande direfença. Sob a antiga lei, o homem não podia fazer nada por si mesmo. Tinha qde ser um simples prisioneiro da bondade divina. Mas, segundo a nova lei, o homem restaurado pela graça goza do privilégio de oferecer alguma coisa a Deus, além de receber os seus dons. Dai-lhes vós de comer. É verdade que o que podemos fazer é infinitamente pequeno: como poderá um homem conseguir pão aqui no deserto da nossa vida? Mas é alguma coisa: quantos pães tendes?

É muito pouco o que podemos fazer, mas é alguma coisa, e Deus condescende em pedir-nos esse pouco. Só cinco pães, armazenados por uma mãe previdente na mochila de um colegial, mas essa foi a ajuda humana que Deus pediu para dar de comer aos cinco mil. No sacramento da sua carne e do seu sangue, o Senhor pede-nos também que dmeos alguma coisa, alguma coisa que represente o pão e o vinho que vão ser a matéria do sacrifício, mas temos de contribuir com esse nada para o seu banquete. A Sagrada Eucaristia não tem por fim criar boas disposições em nós, como acontece com o batismo, mas propriamente transformar e multiplicar a nossa fé vacilante e a nossa tíbia caridade. De onde tiraremos isso que nos pede, de onde? Pois bem, do pouco que tenhamos. Ele fará o resto.

E, por último, existe outro contraste: sob a nova aliança, o milagre não se limita à satisfação estrita da nossas necessidades. A graça vai muito além dessa medida. O maná, se os filhos de Israel não o utilizavam, derretia-se sob o sol do meio-dia. Não assim na Galiléia: Recolhei os restos para que não se percam. Assim o fizeram, e encheram doze cestos com os pães que sobraram.

E o mesmo acontece no sacramento da Sagrada Eucaristia, muito embora o simples fato de o Senhor se dar a nós em alimento já supere de longe os outros milagres. Ele duplica a sua generosidade ao permanecer conosco para ser adorado no ostensório ou no tabernáculo: não se conforma com satisfazer a nossa fome, mas cumula-nos de mimo cada vez que dirigimos as nossas orações ao sacrário, onde estão recolhidas as sobras da sua graça. Ó benfeitor principesco, cujas sobras são por si sós uma colheita!

Que Ele possa – depois de nos sustentar tão misericordiosamente nesta vida com esse alimento celestial que é o seu corpo despedaçado e o seu sangue derramado por nós – levar-nos com segurança à sua terra de promissão, onde já não o veremos sob os véus sacramentais, mas face a face, e nos saciaremos com a abundância da sua casa para sempre.

Pe. Ronald Knox, Reflexões sobre a Eucaristia
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