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Sobre o controle dos nascimentos - mais Pio XII


O senhor fez todas as coisas da terra para o homem; e o próprio homem, no que concerne ao seu ser e a sua essência, foi criado por Deus, não por outra criatura, embora em seu operar, tenha obrigações para com a comunidade. Ora, “homem” é já também a criança, até a que ainda não nasceu, no mesmo grau e pelo mesmo título que a sua própria mãe.

Além disso, cada ser humano, também a criança, no seio materno, tem o direito à vida, direito que imediatamente vem de Deus e não dos progenitores, nem de qualquer sociedade ou autoridade humana. Portanto não há nenhum homem, nenhuma autoridade humana, nenhuma ciência, nenhuma “indicação” médica, eugênica, social, econômica, moral que possam eximir ou dar um válido título jurídico para uma direta e deliberada disposição sobre uma vida humana inocente, quer dizer, uma disposição que mira a sua destruição, seja como escopo, seja como meio para outro escopo, que talvez em si não é ilícito. Assim, por exemplo, salvar a vida da mãe é nobilíssimo fim; mas a morte direta da criança como meio a tal fim, não é lícita. A direta destruição da assim chamada “vida sem valor” nascida ou ainda não nascida, praticada poucos anos faz, em elevado número, não pode ser de modo algum justificada. Por isto quando esta prática teve princípio, a Igreja declarou formalmente ser contrária ao direito natural divino positivo, e portanto ilícita; matar, ainda que por ordem da autoridade pública, aqueles que, embora inocentes, todavia por taras físicas e psíquicas não eram úteis à nação, mas pelo contrário tornavam-se para ela um peso. A vida de um inocente é intangível, e qualquer direito, atentado ou agressão contra ela é violação de uma das leis fundamentais, sem as quais não é possível uma segura convivência humana.

Também as dores que, depois da culpa original, a mãe deve sofrer para dar à luz seu filho, não fazem senão apertar ainda mais o vínculo que os une; ela o ama tanto mais quanto mais lhe custou em dores. Isto exprimiu com comovente e profunda simplicidade Aquele que plasmou o coração das mães: “A mulher, quando dá à luz, está em dores, porque chegou a sua hora; mas quando já deu à luz o menino, não se recorda mais das angústias, pela alegria que tem, pois nasceu um homem no mundo”. Ademais o Espírito Santo, pela pena do Apóstolo S. Paulo, mostra ainda a grandeza e a alegria da maternidade; Deus dá às mães as crianças, mas, mesmo dando-lhes, as faz cooperar efetivamente no desabrochar da flor, cujo germe colocara em suas vísceras, e esta cooperação torna-se uma vida que é a sua eterna salvação: “Salvar-se-á a mulher pela geração dos filhos”.

Nosso predecessor Pio XI, de feliz memória, em sua Encíclica “Casti Conubi” do dia 31 de dezembro de 1930, proclamou de novo solenemente a lei fundamental do ato e das relações conjugais: que cada atentado dos cônjuges no cumprimento do ato conjugal e no desenvolvimento de suas conseqüências naturais, atentado tendo por escopo privá-lo da força que lhe é inerente e de impedir a procriação de uma nova vida, é imoral; e que nenhuma “indicação” ou necessidade pode mudar uma ação intrinsecamente imoral em um ato moral e lícito.

Esta prescrição está em pleno vigor hoje como ontem, e tal será também amanhã e sempre, porque não é um simples preceito do direito humano, mas a expressão de uma lei natural e divina.

Seria muito mais do que uma simples falta de presteza no serviço da vida, se o atentado do homem não atingisse apenas um ato singular, mas o próprio organismo com o escopo de privá-lo, por meio da esterilização, das faculdades de procriar uma nova vida.

A esterilização direta – isto é, aquela que mira, como meio e como escopo, tornar impossível a procriação - é uma grave violação da lei moral, e é portanto ilícita. Também a autoridade pública não tem direito algum, sob pretexto de qualquer “indicação” de permitir, e muito menos de prescrevê-la ou de a fazer executar com dano dos inocentes. Este princípio encontra-se já enunciado na Encíclica supramencionada de Pio XI sobre o matrimônio. Por isto, quando, desde um decênio, a esterilização começou a ser sempre mais aplicada, a Santa Sé sente-se na necessidade de declarar expressa e publicamente que a esterilização direta, seja perpétua ou temporária, seja do homem ou da mulher, é ilícita, em virtude da lei natural, a qual a própria Igreja, como sabeis, não tem o poder de dispensar.

Apresenta-se além disto hoje em dia o grave problema, se e quanto o dever de pronta disposição a serviço da maternidade é conciliável com o cada vez mais difundido recurso aos tempos da esterilidade natural (assim chamados agenesíacos na mulher) o que representa clara atitude de vontade, contrária àquela disposição.

Ocorre antes de tudo considerar duas hipóteses. Se a atuação de tal teoria não quer significar outra coisa senão que os cônjuges podem fazer uso de seus direitos matrimoniais também nos dias de esterilidade natural, nada há a se opor; com isto, realmente, eles não impedem nem prejudicam de modo algum a consumação do ato natural e suas ulteriores naturais conseqüências. Exatamente nisto a aplicação da teoria da qual falamos distingue-se essencialmente do abuso já assinalado, que consiste na perversão do próprio ato. Se, pelo contrário, vai-se mais longe, permitindo o ato conjugal exclusivamente naqueles dias, então a conduta dos esposos deve ser examinada mais atentamente.

E aqui de novo duas hipóteses se apresentam à nossa reflexão. Se já na conclusão do matrimônio ao menos um dos cônjuges tivesse tido a intenção de restringir ao tempo de esterilidade o próprio direito matrimonial, e não somente seu uso, de modo que nos outros dias o outro cônjuge não tivesse nem mesmo o direito de requerer o ato, isto implicaria um defeito essencial do consenso matrimonial, que levaria consigo a invalidade do matrimônio, porque o direito derivante do contrato matrimonial é um direito permanente, ininterrupto, e não intermitente, de cada um dos cônjuges com relação ao outro.

Se pelo contrário aquela limitação do ato aos dias de natural esterilidade refere-se não a um direito propriamente dito, mas só ao uso do direito, a validade do matrimônio permanece fora de discussão; todavia a liceidade moral de tal conduta dos cônjuges seria para se afirmar ou se negar, conforme a intenção de observar constantemente aqueles tempos é baseada, ou não, sobre motivos morais suficientes e seguros. Só o fato de que cônjuges não ofendem a natureza do ato e estão até prontos a aceitar e educar o filho, que não obstante suas precauções, viesse à luz, não bastaria por si só para garantir a retidão da intenção e a moralidade irretorquível dos próprios motivos.

A razão é que o matrimônio obriga a um estado de vida, que assim como confere certos direitos, também impõe o cumprimento de uma obra positiva, a respeito do próprio estado. Em tal caso pode-se aplicar o princípio geral de que uma prestação positiva pode ser omitida, se graves motivos, independentes da boa vontade daqueles que a ela são obrigados, mostram que aquela prestação é inoportuna, e provam que não a pode justamente exigir do referente, que neste caso é o gênero humano. O contrato matrimonial, que confere aos esposos o direito de satisfazer as inclinações da natureza, constitui os esposos em um estado de vida, estado matrimonial. Ora os cônjuges, que fazem dele uso como o ato específico do seu estado, a natureza e o Criador impõem uma função de prover à conservação do gênero humano. É esta prestação característica, que faz o valor próprio dos seus estados, o bem da prole. O indivíduo e a sociedade, o povo do Estado, a própria Igreja, dependem para suas existências, na ordem por Deus estabelecida, do matrimônio fecundo. Portanto abraçar o estado matrimonial, usar continuamente a faculdade a ele própria e nele somente lícita, e de outra parte, subtrair-se sempre e deliberadamente sem um grave motivo, ao seu primário dever, seria um pecado contra o próprio sentido da vida conjugal.

Desta prestação positiva, obrigatória, podem eximir até por longo tempo, antes pela inteira duração do matrimônio, sérios motivos, como aqueles que existem não raramente na chamada “indicação médica”, eugênica e social. Disto se segue que a observância dos tempos infecundos pode ser lícita sob o aspecto moral; e nas condições mencionadas é realmente tal. Se porém não existem, segundo um juízo racional e justo, semelhantes graves razões pessoais ou derivantes das circunstâncias exteriores, a vontade de evitar habitualmente a fecundidade de suas uniões embora continuando a satisfazer plenamente às suas sensualidades, não pode derivar senão de uma falsa consideração da vida e de motivos estranhos às retas normas éticas.

Diante de casos assaz delicados, nos quais não se pode exigir que corram o risco da maternidade, que precisa ser absolutamente evitada, e quando de outra parte, a observância dos períodos agenesíacos, ou não dá suficiente segurança, ou deve ser afastada por outros motivos, toda manobra preventiva e todo direito atentado à vida e ao desenvolvimento do germe está em consciência proibido e excluído, e uma só via permanece aberta, aquela da abstinência de toda atuação completa da faculdade natural.

Mas, observar-se-á que semelhante abstinência é impossível, que tal heroísmo é irrealizável. Esta objeção hoje ouvi-la-eis, e ireis lê-la em toda parte, até de quem, por dever e por competência, deveria estar capacitado para julgar diversamente.

E costuma-se aduzir como prova o seguinte argumento: “ninguém está obrigado ao impossível, e nenhum legislador racional presume-se que queira obrigar com sua lei também ao impossível. Ora para os cônjuges a abstinência com longa duração é impossível. Portanto não estão obrigados à abstinência; a lei divina não pode ter este sentido”.

Assim da premissa parcialmente verdadeira, deduz-se uma conclusão falsa. Para convencer-se disto, basta inverter-se os termos do argumento: - Deus não obriga ao impossível. Mas Deus obriga os cônjuges à abstinência se a sua união não pode ser completa segundo as normas da natureza. Portanto, nestes casos, a abstinência é possível. Temos a confirmação de tal argumento na doutrina do Concílio de Trento, o qual, no capítulo sobre a observância, necessária e possível, dos mandamentos ensina, referindo-se a um passo de Sto. Agostinho: “Deus não manda coisas impossíveis, mas enquanto manda, avisa, para fazer o que podes, e pedir aquilo que não podes, e ajuda a fim de que possas”.

Discurso às obstretizes, 29 de outubro, 1951.

CHININGO, Michael. Pio XII e os problemas do mundo moderno. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1961.

Necessidade da mortificação para a perfeição - Adolph Tanquerey


A - Esta necessidade promana da natureza da perfeição que, como acima dissemos, consiste no amor de Deus até o sacrifício e imolação de nós mesmos, de tal sorte que, segundo a Imitação, a medida do nosso progresso espiritual depende da violência que a nós mesmos nos fazemos. Bastará, pois, recordar sumariamente alguns motivos que poderão influir sobre a nossa vontade, para a ajudar a cumprir este dever. Esses motivos tiram-se da parte de Deus, de Jesus Cristo, e da nossa santificação pessoal.

Da parte de Deus

O fim da mortificação, como dissemos, é unir-nos a Deus. Ora, é impossível conseguir essa união, se nos desprendermos do amor desordenado das criaturas.

B – No dia do nosso batismo, firmou-se entre Deus e nós um verdadeiro contrato. a) Do seu lado, purificou-nos Deus da mácula original e adotou-nos por filhos, comunicou-nos uma participação da sua vida e empenhou-se a dar-nos todas as graças necessárias para a conservar e acrescentar. E bem sabemos nós com que liberalidade cumpriu Deus as suas promessas. b) Do nosso lado, comprometemo-nos a viver como verdadeiros filhos de Deus, a aproximar-nos da perfeição do nosso Pai celeste, cultivando essa vida sobrenatural. Ora, tudo isso é impossível sem a prática da mortificação. Porquanto, duma parte, o Espírito Santo, que nos foi dado no batismo, “nos leva a buscar o desprezo, a pobreza, os sofrimentos, e por outra, a nossa carne deseja a honra, o prazer, as riquezas”. Há, pois, em nós um conflito, uma luta incessante; nem podemos ser fiéis a Deus, sem renunciarmos ao amor desordenado da honra, do prazer e das riquezas. É por isso que o sacerdote, ao administrar-nos o batismo, traça duas cruzes sobre nós, uma sobre o coração, para imprimir em nós o amor da cruz, outra sobre os ombros, para nos dar a força de a levar. Faltaríamos, pois, às promessas do nosso batismo, se não carregássemos com a nossa cruz, combatendo o desejo da honra com a humildade, o amor do prazer com a mortificação, a sede das riquezas com a pobreza.

Da parte de Jesus Cristo

A) Somos-lhe incorporados pelo batismo, e, como tais, devemos receber dele o movimento e as inspirações, e, por conseguinte, conformar-nos com Ele. Ora, como diz a Imitação, a sua vida inteira não foi senão um longo martírio:“Tota vita Christi crux fuit et martyrium”. A nossa, por conseguinte, não pode ser vida de prazer e honras, senão vida mortificada. É afinal o que nos diz claramente o nosso divino Chefe: “Si quisvult post me venire, abneget semetipsum, et tollat crucem suam quotidie et sequatur me” (Lc IX, 23). Pois, se há alguém que deva seguir a Jesus, é seguramente aquele que tende à perfeição. Ora, como seguir a Jesus que, desde a entrada no mundo abraçou a cruz, que toda a sua vida suspirou pelo sofrimento e humilhação, que desposou a pobreza no presépio e a teve por companheira até o Calvário, se amamos o prazer, as honras, as riquezas, se não levamos a nossa cruz de cada dia, a que o próprio Deus nos escolhe e envia? É uma vergonha, exclama S. Bernardo, que, debaixo duma cabeça coroada de espinhos, sejamos membros delicados, com temor dos menores sofrimentos “pudeat sub spinato capite membrum fieri delicatum”. Para sermos, pois, conformes a Jesus Cristo e nos aproximarmos da sua perfeição, é necessário levar a nossa cruz com Ele.

B) A) Se aspiramos ao apostolado, aí temos novo motivo para crucificar a carne: Foi pela cruz que Jesus Cristo salvou o mundo; será, pois, pela cruz que havemos de colaborar com Ele na salvação de nossos irmãos, e o nosso zelo será tanto mais fecundo quanto maior for a parte que tivermos nos sofrimentos do Salvador. Era este, seguramente, o motivo que animava S. Paulo, quando completava em sua carne a paixão do divino Mestre, a fim de obter graças para a Igreja. É isto que sustentou no passado e sustenta ainda no presente tantas almas que se oferecem como vítimas, para ser Deus glorificado e as almas salvas. É áspero, em dúvida, o sofrimento; mas, ao contemplarmos Jesus caminhando diante de nós com a cruz aos ombros, para nos salvar a nós e aos nossos irmãos, ao vermos a sua agoniam, a sua condenação injustíssima, a flagelação, a coroação de espinhos, a crucifixão, ao ouvirmos as mofas, os insultos, as calúnias, que Ele aceita em silêncio, como ousaremos queixar-nos? Ainda não chegamos a derramar o sangue: “nondum usque ad sanguinem restitistis” (Hebr. XII,4). E se estimamos no seu justo valor a nossa alma e a de nossos irmãos, não valerá a pena suportar alguns sofrimentos passageiros por uma glória que jamais findará, e para cooperar com Cristo Senhor Nosso na salvação dessas almas, pelas quais Ele derramou, até a última gota, o seu sangue?

Estes motivos, por mais elevados que sejam, são compreendidos por algumas almas generosas, logo desde o começo da sua conversão; propor-lhos, é adiantar a obra da sua purificação e santificação.

Da parte da nossa santificação

A) Necessitamos de assegurar a perseverança; ora, a mortificação é, sem dúvida alguma, um dos melhores meios de preservação do pecado. O que nos faz sucumbir à tentação é o amor do prazer ou o horror da pena, da luta, horror difficultatis, labor certaminis. Ora, a mortificação combate esta dupla tendência, que em realidade é uma só. Desquitando-nos de alguns prazeres legítimos, a mortificação arma-nos a vontade contra os prazeres ilícitos, tornando-nos fácil a vitória sobre a sensualidade e o amor próprio, “agendo contra suam propriam sensualitatem et contra suum amorem carnalem et mundanum”, como diz com razão S. Inácio. Se, pelo contrário, capitulamos diante do prazer, concedendo-nos todas as alegrias permitidas, como saberemos resistir no momento em que a sensualidade, ávida de novos gozos, perigosos ou ilícitos, se sente como arrastada pelo hábito de ceder às suas exigências? A ladeira é tão escorregadia, em matéria de sensualidade , sobretudo é tal a fascinação da vertigem, que não há nada mais fácil que resvalar ao abismo. Até mesmo tratando-se de orgulho, o declive é mais rápido que se imagina: mente-se, por exemplo, em matéria leve, para dar uma desculpa e evitar assim uma humilhação; e depois, no sagrado tribunal, corre-se perigo de faltar à sinceridade por medo duma confissão humilhante. A própria segurança exige, pois, a luta contra o amor próprio tanto como contra a sensualidade e a cobiça.

B) Não basta evitar o pecado; é mister avançar na perfeição. Ora, qual é ainda aqui o grandíssimo obstáculo, senão o amor do prazer e o horror da cruz? Quantos desejariam ser melhores, tender à santidade, se não fosse o temor do esforço necessário para adiantar e das provações que Deus envia aos seus melhores amigos? É necessário, pois, recordar-lhes o que S. Paulo tantas vezes repetia aos primeiros cristãos, a saber, que a vida é um combate, que devemos ter vergonha de ser menos corajosos que os que lutam por uma recompensa terrestre, e, para se prepararem para a vitória, se privam de muitos prazeres lícitos e se impõem duros e penosos exercícios, e tudo isso por uma coroa perecedora, enquanto a coroa, que nos está prometida, é imortal. Temos medo do sofrimento; mas já refletimos nas terríveis penas do Purgatório que teremos de padecer durante longos anos, se quisermos viver na imortificação e conceder-nos todos os prazeres que nos lisonjeiam? Quanto mais prudentes não são os homens do século?! Quantos se não impõem ásperos trabalhos, e quantas vezes se não sujeitam a passos humilhantes, para ganharem um pouco de dinheiro e assegurarem uma aposentação honrosa! E nós não havíamos de nos dar à mortificação, para assegurar uma aposentação eterna na cidade do céu? É isto razoável?

É, pois, necessário convencermo-nos de que não há perfeição nem virtude possível sem mortificação. Como ser casto, sem mortificar essa sensualidade que nos inclina tão fortemente aos prazeres perigosos e perversos? Como guardar a temperança, senão reprimindo a gula? Como praticar a pobreza ou até mesmo a justiça, sem combater a cobiça? Como ser humilde, manso e caritativo, sem dominar essas paixões de orgulho, de cólera, de inveja e de ciúme que dormitam no fundo de todo o coração humano? Não há uma só virtude que, no estado de natureza decaída, se possa praticar muito tempo sem esforço, sem luta e, por conseguinte, sem mortificação. Pode-se, pois, dizer com M. Tronson, que, “assim como a imortificação é a origem dos vícios e a causa de todos os males, assim a mortificação é o fundamento das virtudes e a fonte de todos os bens”.

C) Pode-se até acrescentar que a mortificação, apesar de todas as privações e sofrimentos que impõe, é, ainda mesmo neste mundo, a fonte dos maiores bens, e que, afinal, os cristãos mortificados são em geral mais felizes que os mundanos que se entregam a todos os prazeres. É o que ensina o próprio Cristo Senhor Nosso, ao dizer-nos que os que deixam tudo, para o seguirem, recebem em retorno cento por um ainda mesmo nesta vida. S. Paulo não se exprime diversamente, quando, depois de haver falado da modéstia, isto é, da moderação em todas as coisas, acrescenta que quem a pratica goza daquela paz verdadeira que supera toda a consolação. Oh! Quanto não teve ele que sofrer! As provações terríveis, por que houve de passar na pregação do Evangelho, bem como na luta contra si mesmo, descreve-no-las ele longamente; mas acrescenta que abunda e superabunda de alegria no meio das suas tribulações: “superabundo Gaudio in omni tribulatione nostra” (II Cor. VII, 4)


TANQUEREY, Adolph. Compêndio de Teologia Ascética e Mística. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1955 [1924].

Todos os negacionismos, incluindo o aborto


"Além disso, sou daqueles que pedem que sejamos vigilantes em denunciar claramente todos os negacionismos: o do holocausto certamente, mas também o dos gulags soviéticos com os quais pudemos ser cúmplices por aproximações no mínimo imprudentes com o Partido comunista ou seus derivados sindicais nos anos 70, mas ainda o das 220.000 crianças massacradas no seio de suas mães: as gerações futuras não estarão no direito de nos acusar o nosso silêncio?"

Monsenhor Marc Aillet, bispo de Bayonne.

A Santa Missa e seus frutos - Papa Pio XII


Os homens que se aplicam seriamente em penetrar o sentido e o alcance do Sacrifício da Missa, não podem deixar de avivar neles mesmos o espírito de domínio de si, de mortificação, de subordinação das coisas terrenas às celestes, de absoluta obediência à vontade e à lei de Deus, especialmente se vós tiverdes o cuidado de inculcar neles tais sentimentos. É esta uma necessidade da hora presente, não menos do que o renovado zelo pela oração, pois que hoje muitos - entre os quais é doloroso ver também não poucos católicos - vivem como se o fim de tudo fosse formar-se um paraíso sobre a terra, sem pensamento algum para o além, para a eternidade.

A tendência natural d homem caído para as coisas terrenas, a sua incapacidade de compreender as coisas do Espírito de Deus é infelizmente favorecida em nossos dias pela cumplicidade de tudo quanto o circunda. Muitas vezes Deus não é negado, nem injuriado, nem blasfemado; Ele é como que um grande ausente. A propaganda para uma vida terrestre sem Deus é aberta, sedutora, contínua. Com razão observou-se que geralmente, mesmo nos filmes indicados como moralmente irrepreensíveis, os homens vivem e morrem como se não existisse Deus, nem a Redenção, nem a Igreja. Nós não queremos aqui colocar em discussão as intenções; não é porém verdade que as consequências destas representações cinematográficas neutras, já se estenderam e aprofundaram? Adiciona-se ainda a isto a nefasta propaganda deliberadamente dirigida para a formação da família, da sociedade, do próprio Estado, sem Deus. É uma torrente cujas águas lodacentas tentam penetrar até no campo católico. Quantos já foram contaminados! Com a própria boca, eles se professam ainda católicos, mas não percebem que suas condutas desmentem com os fatos aquela profissão de fé.

Não há portanto mais tempo para se perder, para fazer parar com todas as forças este deslize de nossas próprias fileiras na irreligiosidade e para acordar o espírito de oração e de penitência. A pregação das primeiras e principais verdades de fé e dos fins últimos, não somente nada perderam de sua oportunidade em nosso tempo, mas, antes, tornam-se mais que nunca necessárias e urgentes. Também a pregação sobre o inferno é atual. Sem dúvida, semelhante argumento deve ser tratado com dignidade e sabedoria. Mas quanto à substância mesma desta verdade a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sagrado dever de anunciar, de ensinar sem qualquer atenuante, como Cristo a revelou, e não há nenhuma condição de tempo que possa fazer diminuir o rigor desta obrigação. Ela atinge e liga em consciência todo sacerdote a cujo ministério ordinário e extraordinário foi confiada a cura de doutrinar, admoestar e guiar os fiéis. É verdade que o desejo do céu é um motivo em si mesmo mais perfeito do que o temor das penas eternas; mas disto não se deduz que ele seja para todos os homens também o motivo mais eficaz para mantê-los distantes do pecado e convertê-los a Deus.

Meditai as palavras que o Senhor, na vigília de sua Paixão, dirigiu ao Apóstolo Pedro. "Eis que Satanás procura joeirar-te como o grão de trigo"; palavras de um impressionante significado no momento em que vivemos. Valem não somente para os pastores, mas também para toda a grei. Nas formidáveis controvérsias religiosas, das quais somos testemunhas, não se pode contar senão com fiéis que oram e se esforçam, mesmo a preço de grandes renúncias, por conformar suas vidas à lei de Deus. Todos os demais, na ordem espiritual - e disto se trata - oferecem-se indefesamente aos golpes do inimigo.

Um efeito da missa para os homens, efeito salutar não só para eles pessoalmente, mas também para as famílias, será que fecharão os olhos e o coração a tudo o que na imprensa, nos filmes, nos espetáculos, ofende o pudor e viola a lei mora. Onde, realmente, senão aqui, deverá verdadeiramente operar o espírito de penitência e de abnegação em união com Cristo?

Quando se pensa, de uma parte, nas nauseantes cruezas e coisas impuras, colocadas em amostra nos jornais, nas revistas, nas telas, nas cenas, e de outra parte, as inconcebíveis aberrações dos progenitores que vão com seus filhos deleitarem-se com semelhantes horrores, o rubor sobe à face, rubor de vergonha e de desprezo. A luta contra aquela peste, especialmente assinalando-lhe as manifestações às autoridades públicas, conseguiu já confortante resultado, e Nós nutrimos esperanças que ela será sempre mais eficaz e benéfica.

Nós esperamos da comum assistência dos homens à santa missa também outro fruto de capital importância: queremos aludir ao espírito de docilidade e de plena adesão ao Romano Pontífice, e de fraterna e estreita união entre os fiéis, toda vez que se trata de defender a causa da Igreja.

A causa da Igreja! Seus inimigos desencadearam contra Ela uma violenta campanha de palavras e escritos. Para eles todos os argumentos, também os mais absurdos, são bons, se servem para o fim a que tendem, e este fim é o de desagregar a unidade e a cooperação dos católicos, de abalar a confiança para com o Vigário de Cristo, para com os bispos e o clero. A arma preferida por eles é a calúnia, porque sabem muito bem que nunca ela é totalmente inofensiva, mas inocula nos espíritos a dúvida, a suspeita, a crítica, e nos corações um desafeto, que por vezes chega até o ódio. Assim a obediência e a concórdia são expostas ao perigo de se tornarem pouco e pouco corruptas e de serem destruídas. Relede a palavra de Cristo sobre o "pai da mentira": o mesmo vale para esta campanha de calúnias.

Bem outros frutos podem ainda recolher-se da Missa para os homens. Nós não mencionamos senão alguns entre os que pareciam mais corresponder à necessidade da hora e melhor servir à preparação interna dos fiéis.

SS Papa Pio XII - Discurso aos Párocos e Pregadores Quaresmalistas, 23 de março, 1949.

A Paz é fruto da Justiça
A Justiça é fruto da Ordem.
A Ordem surge do respeito pelas desigualdades acidentais, em oposição ao igualitarismo estagnante e mutilador.
Fábio Luciano

Diminuir, pela esmola, o fardo das riquezas - Sto Agostinho


Talvez me respondais: Eu sou rico, e ele pobre. Ides marchar juntos, sim ou não? Dizer eu sou rico, e ele pobre, não é afirmar que eu estou carregado, e ele sem fardo algum? Eu sou rico, e ele pobre. Lembrai-vos de vosso fardo, e transmiti o peso que vos esmaga.

O que mais me impressiona é o estar vós encadeado a vosso fardo, não podendo por isso estender a mão. Estais sobrecarregados, ligados, de que pois vos orgulhais? Por que vos derramais em elogios? Parti as correntes, aliviai o fardo. Passando-o ao companheiro de viagem, vós o ajudais e vos aliviais. Enquanto derramais elogios pomposos a vosso fardo, Jesus Cristo pede-vos a esmola, e nada recebe, e para melhor disfarçar a crueza da recusa, invocais a ternura paternal e dizeis: Não o devo entesourar para meus filhos? Apresento-vos Jesus Cristo, opondes-me vossos filhos. A vossos olhos, é justo que possais contemplar vossos filhos em abundância luxuriante, e vosso Senhor na miséria? “O que fazeis ao menor de meus irmãos, é a mim que o fazeis.” Nunca pesastes nem lestes essas palavras? Eis aqui o homem derrotado, e vós me enumerais vossos filhos? Que seja, enumerai-mos, mas a esse número acrescentai mais um, vosso Senhor. Se tendes um, acrescente o segundo; se tendes dois, o terceiro; se tendes três, o quarto. Sei que nada disso vos apraz. É desse modo que amais vosso próximo, até torná-lo partícipe de vossa perdição.

Como vos dizer ainda de que modo amais o próximo? Homem avarento, que palavra comove vossa orelha? Vós não afirmaríeis a vosso filho, irmão ou pai, que aqui a felicidade é ser rico? Mais ricos sejais, maiores serão aos olhos dos homens. Fazei de um tudo e amontoai tesouros. Eis o que murmurais à orelha do próximo; não fora isso, todavia, o escutado, nem o aprendido na morada da disciplina.

Sto Agostinho, Sobre a disciplina cristã.

Quaresma - Tempo de união com Deus


O Grupo de Resgate Anjos de Adoração deseja a todos os seus membros, amigos e leitores deste espaço uma santa quaresma. Queremos, neste ensejo, falar um pouco sobre um tempo tão sugestivo em que a Santa Mãe Igreja nos coloca. Em épocas de tanta resistência contra as coisas do espírito, num mundo cada vez mais secularizado que tende a reputar os valores católicos tradicionais ao campo do desnecessário, do ultrapassado, do moralismo estéril, somos chamados a reavivar a chama do amor de Deus em nossa alma e, como católicos, cruzados destes tempos, aproveitarmos desta santa quaresma para estreitar nossos laços com Deus, para a santificação de nossas almas e para a conversão dos pecadores.

Já não é comum ouvirmos termos como “mortificação” e “penitência” senão nas páginas de autores antigos ou em tempos litúrgicos específicos. Pois bem, justamente estes costumes que foram por muitos deixados de lado, devem ser reassumidos por nós, pois são verdadeira fonte de tesouro espiritual e maturidade cristã. Na quaresma, revivemos simbolicamente o jejum de Cristo no deserto. Naquela ocasião, é o próprio Espírito Santo que O dirige até lá (Cf Mt 4,1). Num ambiente rigoroso, Jesus prepara-se para o combate, para o desempenho de Sua missão. É lá, lugar que a Tradição cristã reconhece como o terreno do combate por excelência, que o Espírito Santo leva aqueles que desejam unir-se a Deus. Para tal, é preciso purificar-se ou, como escreveu S. Paulo, “crucificar nossas paixões e concupiscências” (Gal 5,24).

O deserto é ainda o lugar onde a criança, exposta às condições menos favoráveis aos sentidos, torna-se homem maduro e senhor de si. É só pelo deserto que surge um gigante como Sto Antão. E é no deserto que Deus faz o esponsal com a alma, unindo-a a Si mesmo: “levarei a alma ao deserto, e lá a desposarei” (Os 2,16 – Cf Jr 2,2). Quando enfim, se dá a união do Amado com a alma, ambos serão um só. Tal é a condição dos homens do deserto, cuja luta e santidade foram simbolizadas por João Batista, que mortificava os seus sentidos alimentando-se de gafanhoto e mel silvestre (Mt 3,4). São homens experimentados no combate, descritos nos Cânticos dos cânticos como aqueles que caminham na noite da Fé e portam sempre as suas armas, isto é, a Santa Cruz (Cf Ct 3, 6-8).

Nestes dias, toda a Santa Igreja, Corpo Místico de Cristo, do qual fazemos parte, é conduzida pelo Santo Espírito ao deserto da quaresma para, num processo de purificação, poder entrar nos aposentos do Amado (Ct 2,4), poder partilhar da intimidade do Esposo. É um tempo de sobriedade, de gravidade, de seriedade, de prática das virtudes e de mortificação dos sentidos. É ocasião oportuníssima para a morte do homem velho e o surgimento do homem novo (Cl 3,9-10), para a mortificação do homem animal e ascenção do homem espiritual.

Pela ação da Graça em nós, somos chamados a viver como Filhos de Deus, uma vez que estejamos libertos da escravidão dos sentidos. Somente então poderemos participar da Ceia de Nosso Senhor, das núpcias do Cordeiro, só então estaremos trajando as roupas de festa (Mt 22, 11-13). Tal contraste entre o homem animal e o espiritual, entre o apegado aos prazeres dos sentidos e o livre de tal escravidão é figurado no Evangelho quando Nosso Senhor conversa com a cananéia e lhe diz: “não convém dar aos cães o pão dos filhos”(Mt 15,26). Os cães são aqueles que comem as migalhas que caem da mesa do seu dono, enquanto que aos filhos é dado participar do puro banquete do Senhor.

A quaresma é tempo para nos tornarmos Filhos de Deus. Uma vez que já o somos pelo Batismo, sejamos também pela semelhança. Desprezando as migalhas, isto é, os baixos prazeres que nos prendem ao chão, elevemo-nos ao gosto das coisas celestes, do alimento puro, do santo maná oferecido aos filhos que estão no deserto como provisão para que mantenham-se a caminho da terra prometida (Cf Ex 16,35). É o pão desconhecido oferecido a Elias, que lhe deu forças para caminhar justamente por quarenta dias, rumo ao encontro com Deus (Cf Irs 19 5-8). Nosso maná é o próprio Cristo (Panis Angelicus).

Na quaresma a Igreja nos propõe particularmente três práticas: o jejum, a esmola e a oração. Se observarmos bem, ambas formam uma harmonia perfeita e representam um movimento da alma totalmente oposto àquele que nos leva ao pecado. Geralmente, uma atitude pecaminosa consiste na satisfação de uma vontade viciada ao prazer. Neste sentido, Sta Catarina de Sena afirma ser a vontade humana “a fonte e a origem de todo o mal”. Bem neste contexto, surge o “ódio à própria vida” ensinado por Jesus como condição para a Salvação. Este “ódio” consiste naquilo que os Padres do Deserto chamam de “perseguição de si mesmo”, isto é, renúncia constante dos próprios desejos.

Tal doutrina está presente na grande maioria dos santos da Igreja e a sua prática rigorosa, não apenas incluindo as vontades pecaminosas, mas também a negação das demais, é o meio para se entrar, seguindo a espiritualidade sanjoanista (de São João da Cruz) na “Noite dos Sentidos”. Mas não nos atenhamos, a princípio, a tamanho rigor. A “noite dos sentidos” não pode ser regra de quaresma para todos os fiéis. Kkk... Poderíamos, ao invés, talvez falar de “tarde dos sentidos”... kk...

Dissemos que a satisfação da vontade viciada é o que caracteriza, geralmente, o pecado. Se assim é, o oposto, ou seja, a negação de tais vontades deveria nos levar à virtude. E isto realmente acontece. Quando a Igreja nos propõe os três exercícios citados, ela pretende justamente educar a nossa vontade, dando-nos práticas acessíveis de virtude. Se fazemos jejum, estamos negando-nos a vontade natural de comer mais. Esta mortificação, talvez a princípio despercebida em suas relações, interfere na disciplina do fiel em vários aspectos, inclusive no que concerne à própria sensualidade. Aquele que se nega o alimento se educa para se negar outras coisas que não convenham.

Quando damos esmola, praticamos a virtude teologal da caridade, que nos mobiliza o desapego e a pobreza. É, de fato, uma estratégia de mestre, e a Igreja é justamente isso: mestra, pois o divino Senhor, chamando-nos amigos, e tendo a Igreja por sua esposa, revelou-lhe tudo. Em sentido estrito, a caridade exige-nos centrar o nosso afeto em Deus, retirando-o das demais criaturas. Esta atitude é favorecida pelo exercício do desapego de algo que oferecemos a outrem. Quando damos esmolas, estamos afirmando que o nosso amor a Deus e aos irmãos é maior do que o nosso amor a nós mesmos, pois nos despojamos de um objeto que nos pertence, praticando assim, simultaneamente, um ato de amor, de pobreza e de liberdade. Fazer isto é golpear fortemente a ilusão e o egoísmo, sendo que este último é o principal impedimento para a alegria espiritual.

A oração, enfim, é o movimento de todo aquele que deseja elevar-se a Deus seriamente. Não existe santidade sem oração. Dizia Sta Teresa D’Ávila que “o caminho verdadeiro para Deus é a oração. Se vos ensinarem outro, enganam-vos”. Estas palavras não são de qualquer um, mas de uma doutora da Igreja, Mestra deste sumo exercício. Acontece que, às vezes, pela correria da vida e pela inércia do costume, estamos afastados desta prática. Se isso acontece, encontramos justamente neste tempo que a Santa Igreja nos chama à intimidade com Deus, a ocasião propícia para o cultivo deste santo exercício. Devemos passar tempo com Deus e com aquilo que Lhe diz respeito. Além da oração pessoal e de todas as práticas devocionais (que são, não só importantes, mas necessárias), devemos, antes de tudo, participar do Santíssimo Sacrifício da Missa, onde entramos em máxima intimidade com o Amado. É então que a nossa oração se torna mais eficaz e é onde glorificamos com mais perfeição a Deus Nosso Senhor.

Bem. Creio já ter escrito muito. Fica aqui a nossa recomendação e intenção para esta quaresma. Que a Graça de Deus, incidindo sobre nós, nos conceda o dom da Santidade. Nestes tempos tenebrosos, sejamos os luzeiros que o Apóstolo falou, levando a Luz de Cristo no meio de uma sociedade perversa e maliciosa (Fl 2,15).

A todos os que necessitarem, recorram ao Sacramento da Reconciliação.
“Em nome de Cristo, vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2Cor 5,20b)

Que a Virgem Santíssima, Auxílio dos Cristãos, Estrela da Manhã, nos auxilie e nos conduza, qual a estrela de Belém, à presença do seu benditíssimo Filho.

Crux In Corde, Corde in Crux

Fábio Luciano

Carnaval - Perdição das almas


"Santo Agostinho chamava os divertimentos carnavalescos de sacramentos do demônio, porque, em vez de nos fazerem amigos de Deus, eles nos fazem amigos do demônio; em vez de nos darem a graça, dão-nos a desgraça; em vez de nos abrirem a porta do paraíso, escancaram a porta do inferno." (Cf. COLOMBO,Giovanni. Pensamentos sobre os Evangelhos e sobre as festas do Senhor e dos santos. Edições paulinas, 1960, p. 316)

“Como podem chamar-se divertimentos as bebedeiras, as noitadas, os bailes, e todas as variadas desonestidades com e sem máscara? “Não divertimentos – clama S. João Crisóstomo- mas sim pecados e delitos.”

Bem dizia os Padres antigos quando dissera que a barafunda do carnaval é uma invenção do diabo. E muitos dos que se chafurdam dentro dela são cristãos que, na prática ao menos, querem desbatizar-se. Quando eles foram levados à pia sagrada, o ministro de Deus lhes disse: “Renuncias ao demônio e às suas pompas?” “Renuncio”, foi respondido.

Mas eis que nestes dias muitíssimos católicos arrancam do seu coração as renúncias, se esquecem do batismo, e, tornados pagãos, lançam-se no culto dos sentidos e nas pompas demoníacas. Há alguns que argumentam assim: “Não acho nada de mal ir a certos bailes dançantes, aos bailes de máscaras....” Pobre gente!

Mister se faz dizer que ela perdeu o senso do bem e do mal.
(De spect., c. 26; Cfr. Adaptado de: COLOMBO,Giovanni. Pensamentos sobre os Evangelhos e sobre as festas do Senhor e dos santos. Edições paulinas, 1960, p. 315-316)

Fonte: Imagem e Texto: http://www.advhaereses.blogspot.com/

200 anos de Charles Darwin - "Grandis Coisa"



Estamos assistindo a comemoração do aniversário de 200 anos de Charles Darwin, o homem que fez questão de mostrar que somos simples animais, sem outra qualquer distinção das demais criaturas, a não ser pelo nosso estágio mais avançado de evolução; ele que virou sinônimo de autoridade científica utilizando-se de um dogma, totalmente indemonstrável; neste tempo onde a comunidade "intelectual" moderna se exacerba na celebração de um de seus gurus, acho oportuno levar aos leitores deste humilde blog o texto (muitos talvez já o conheçam) do argentino de Córdoba, Raul Leguizamon sobre esta temática.

Como o texto é um tanto extenso (embora muito cômico), disponibilizo o link que lhe dá acesso. A todos, boa leitura. A Teoria da Evolução contra a ciência e a Fé (O conto do macaco)

Fábio Luciano
Fonte da imagem: www.lepanto.com.br

Anjos de Adoração indicado para receber o "Blog de Ouro"

Fiquei muito feliz por ter, o blog Anjos de Adoração, sido indicado para receber o “blog de ouro” que é um selo de reconhecimento entre blogs pelo trabalho diário. Recebi-o do amigo Cadu do blog Dominus Vobiscum, a quem agradeço a indicação.

Segundo as regras, é preciso indicar mais 10 blogs para receberem este selo e postar um comentário nos blogs escolhidos avisando da premiação.

Quero, de antemão, dizer que passei horas escolhendo, pois existem muitos blogs bons. Mas como só podem ser 10, listo abaixo os escolhidos.

Adversus Haereses

Fidei Depositum

Mentiras em sites religiosos

Holy Cards For Your Inspiration

Reconquista

Grupo de Estudo Veritas

Filmes Religiosos


Enfim, existem muitos de nível excelente. Mas os indicados acima realmente merecem a escolha.
Fábio Luciano.

Laércio Oliveira, da Canção Nova, repete teoria herética de Joaquim de Fiori

Não quero chamar a atenção para a pessoa do Laércio Oliveira, para a Canção Nova ou para a RCC. Mas quero aproveitar este ensejo para comentar sobre uma doutrina herética que circula por aí e que, em especial, é defendida por membros da chamada Renovação Carismática Católica, tendo sido, porém, já condenada pela Igreja.

Trata-se de uma concepção segundo a qual a história seria dividida em três perídos, cada um caracterizado pela ênfase em uma das pessoas da SS. Trindade. Dessa forma, teríamos o tempo do Pai no Antigo Testamento; o tempo do filho, a partir de Jesus e, por fim, o tempo do Espírito Santo, que marcaria os últimos dias.

Esta teoria tem origem no monge cisterciense Joaquim de Fiori, do sec XII, que fora muito conhecido pelos seus trabalhos de exegese. Ele havia escrito também uma obra onde assumia concepções heréticas sobre a SS. Trindade. No entanto, o seu erro maior foi no que concerne a esta divisão do tempo. Isto deu margem a inúmeras heresias de cunho milenarista, sendo a sua própria teoria formalmente condenada pela Igreja.

Agora analisemos o que disse o Laércio Oliveira, nesta sexta feira (13 de fevereiro de 2009) no programa "A Bíblia no meu dia a dia". Foi mais ou menos o seguinte: “estamos vivendo o final dos tempos. Vivemos no Antigo Testamento, o tempo do Pai. Depois, vivemos o tempo do Filho. Agora estamos vivendo o tempo do Espírito Santo”.

É a mesma teoria e eu, particularmente, já a ouvi de outros carismáticos, antes mesmo de saber do que se tratava. Nessa ocasião, fora dito, em se tratando do tempo presente, que “os holofotes estão agora no Espírito Santo”.

Existem inúmeros estudos sobre as influências de Joaquim de Fiori em vários erros heréticos. Há mesmo quem diga que toda visão mileranista tem sua origem neste monge.

Fica, pois, esclarecido que tal concepção não corresponde ao que ensina a Santa Igreja e que adotá-la é aderir a uma heresia formalmente condenada.

Não se pode separar dessa forma as pessoas da SS. Trindade. Além disso, na heresia em questão, a segunda fase, a do Cristo, coincidiria com o reinado da Igreja enquanto instituição e hierarquia. Já na fase terceira, do Espírito Santo ou do amor, ela já não seria necessária como estrutura hierárquica, pois o Espírito Santo uniria os filhos de Deus de uma forma totalmente espiritual, no sentido de tornar desnecessárias as práticas externas definidas litúrgica e doutrinariamente. Seria, inclusive, a união das religiões, ideal mais semelhante ao da maçonaria, que só poderia ser estabelecido em face de um extremo relativismo e indiferença religiosas, o que é totalmente anti-evangélico.

Enfim, se trata de uma teoria que, embora, para alguns, possa parecer interessante, é, no entanto, veneno disfarçado a fim de ensinar o erro distorcendo a verdade.

Que a alegria do Senhor seja nossa força
Que toda as gerações proclamem bem-aventurada à Virgem Santíssima, Mãe do Verbo Eterno.

Fábio Luciano Silvério da Silva

Cristão, sê o que és

Como podemos ver em nossas paróquias, os cristãos estão esquecendo o sentido de "ser cristão"; mergulhados em uma sociedade profundamente hedonista, buscamos somente o que nos agrada e nos compraz. "Devemos nos amar primeiro, depois amar o próximo!". Caríssimos filhos de Deus, isto nem é conversa de cristãos, mas sim de hereges; o nosso prazer deve ser agradar a Deus, mesmo em detrimento de nossa própria vontade. O Cristão deve odiar-se!! Estamos tão mascarados que nem notamos a profundidade do poço em que nos "enterramos".

Hoje em dia, quando um cristão está sentindo um pouquinho de aridez diz logo que está precisando de um retiro. Precisamos é ter vergonha na cara e buscar nos convertermos e amar verdadeiramente a Jesus. Pois com Jesus tudo é bom, e um profundo adorador transforma, como dizia o salmista, o deserto numa fonte borbulhante, sabe que, com Ele, mesmo as trevas não são trevas, mergulha na vontade de Deus e do íntimo do coração a ela canta "vontade de Deus! És meu paraíso". Não devemos somente buscar retiros, pois da forma como um retiro feito em tempo devido pode edificar a alma do homem, este mesmo pode "infantilizar" a alma, fazendo-a não desejar provar alimento sólido, se acostumar em ter sempre alguém para levar comida em sua boca.

Recomendo que vá participar de uma cerimônia batismal, e lembre sua vocação, seu chamado à vida em Cristo. Enxertado no corpo místico de Cristo Jesus, o batizado é um só com Cristo; a seiva da vida de Cristo percorre também seu corpo. Mergulhado na água do batismo morres para o mundo e possuis agora uma vida nova em Cristo; não mais deves mergulhar na lama do pecado. Os Santos Óleos do Crisma e do Batismo fazem agora do filho de Deus participante do sacerdócio Real de Cristo, ungido para pregar, trabalhar, viver o Cristo. O sal onde por ele a Igreja diz "Sê bem vindo filho de Deus à tua nova vida", também fala "Tu és sal da terra, dá sabor a este mundo insosso e sem vida". Eis a Luz de Cristo que na Santa vigília Pascal foi acesa, simbolizando a ressurreição do Primogênito dentre os mortos; agora está nas tuas mãos, na tua vida, na tua cera, para que brilhe a Luz de Cristo neste mundo de trevas, e ela irá te guiar até o reencontro com o Amado.

Renuncia ao pecado, ao diabo autor da discórdia. Sê bem firme abraçando e professando com amor a tua Fé, recebe a benção de Deus, toma nas tuas as mãos virginais da Santíssima Grande Mãe de Deus e agora tua Mãe, sê consagrado a ela, e assim ela rogará ao seu Filho em toda tua vida.

Vê!? Tens o dom sublime de ser chamado filho de Deus. Não se perca pelo caminho por causa de criancices. Cristo disse a seu discípulos que permitissem que as crianças chegassem até Ele, e disse que delas é o Reino dos Céus, pois a espiritualidade de infância ou infantil é puramente madura e provada, nunca trata o Amado com mediocridade. Como exemplo podemos citar Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, mística de trevas, profundamente desprendida dos caprichos do mundo, e mergulhada na misericórdia de Deus.

Busquemos abraçar a Cruz, e que nesta Santa Quaresma possamos nos deixar ser conduzidos por Cristo ao deserto, e que com Ele possamos batalhar. Busquemos jejuar e nos mortificar, não como um sacrifício, mas sim como uma prova de Amor, e assim sairão do deserto homens e mulheres maduros, prontos para enfrentar o mundo, o diabo e a si mesmos.

Cristãos! Sejamos o que nós somos.

Paz e Bem

Breno Kennedy

Comunhão: na boca ou na mão?

Muitos dos casos de profanações que acontecem hoje se devem, a princípio, a uma má compreensão do que seja a Eucaristia. De fato, nas catequeses e homilias esta temática tem lamentavelmente diminuído. Muita gente se ocupa em dar palestras sociais e em falar de fraternidade ou de igualdade; tudo isto em detrimento da reta doutrina católica tal qual é. Mas este artigo não se reserva a criticar o assunto mais freqüente nos espaços destinados à formação dos cristãos, embora a crítica já tenha sido feita. O foco, porém, a que me proponho é sobre o modo de como receber a Santíssima Comunhão.

Uma nova teologia tem surgido, e pretende fazer significar que a Santa Missa consiste numa reunião fraterna acompanhada de uma refeição. Enfatiza-se muito isto: “a refeição eucarística”, e quase não mais se usa o termo “Sacrifício da Missa”. Uma mudança de compreensão do que acontece no Altar leva, logicamente, a uma mudança de atitude. Certa faculdade de teologia de Estrasburgo, chovendo heresia, chegou a dizer que a presença de Cristo na Santa Missa era da mesma natureza que a presença de um morto num baile que lhe faz memória, ou seja, era apenas uma presença simbólica. Quero deixar bem claro que nem Lutero chegou a tal pretensão e disparate. E, se as pessoas passam a ver na Eucaristia um pão comum que apenas relembra o Cristo, pra que o cuidado excessivo e o máximo respeito?

E aí entramos na forma de como recebemos a Cristo. É verdade que a Santa Igreja, hoje, permite que recebamos de joelhos ou em pé, na mão ou diretamente na boca. Com relação à posição corporal, podemos ver logo que a posição mais digna para receber Nosso Senhor seria de joelhos. Isto é óbvio, e podemos sim recebê-Lo assim, segundo a permissão do Padre. Mas, neste ponto, entra uma outra questão. Por vezes esta atitude pode se tornar inconveniente, como quando há o risco de alguém atrás tropeçar nas pertas do comungante; principalmente se for uma pessoa de mais idade. Então, convém observar bem estas circunstâncias. Mas os que quiserem receber de joelhos, devem receber o Corpo de Nosso Senhor diretamente na boca.

A outra forma possível é recebê-Lo de pé, e esta posição permite receber ao Cristo na mão ou na boca. E aqui, deixo a minha recomendação: deve-se, muito preferencialmente, recebê-Lo diretamente na boca. Isto evita inconvenientes e profanações. A comunhão na mão corre o risco de deixar fragmentos da Hóstia Consagrada na mão, e tais fragmentos, independentemente do seu tamanho, são o próprio Cristo, não apenas uma parte dEle, mas Ele todo. Derrubar tais pedaços é, então, uma atitude que jamais se deve fazer e contra a qual se deve ter o máximo cuidado. A este respeito, S. Cirilo de Jerusalém expressa que “seria melhor perder um dos teus membros, do que um só fragmento do Corpo de Cristo”. Por isto, aqueles que comungam na mão, uma vez que levem a Santíssima Eucaristia à boca, procurem minuciosamente para ver se não ficou nenhum fragmento do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor em sua mão ou no dedo com que O levou à boca. Além disso, existe a posição correta de se comungar nas mãos: depois de fazer a devida reverência (sempre antes da comunhão em qualquer posição), põe-se a mão esquerda estendida sobre a direita, como que fazendo um trono para o Rei dos reis; uma vez recebido o Cristo e dito “Amém”, pega-se o Seu Santíssimo Corpo com a mão direita e, com todo cuidado, ainda na frente do Sacerdote ou ministro, se leva-O à boca, observando depois as mãos minuciosamente.

Porém, uma forma muito mais simples e isenta de perigos é recebê-Lo diretamente na boca; eu diria ainda, mais digna. Evita-se desta forma tocar com as mãos o Santo dos Santos e, assim, não se corre o risco de deixar fragmentos nelas. Em verdade, a comunhão na mão só foi permitida depois do Concílio Vaticano II, assim também como o serviço dos Ministros extraordinários da Comunhão. A Eucaristia só podia ser tocada pelo padre. Percebemos um pouco melhor a seriedade desta questão, se considerarmos que Sta Teresinha, mulher de santidade profunda, embora tivesse o desejo de tocá-Lo, não o fazia porque não tinha nascido homem, e, portanto, não era padre. Vejamos ainda o que diz o doutor da Igreja Santo Tomás de Aquino: “Por respeito para com este Sacramento, nada Lhe toca, a não ser o que é Consagrado”

Evite o católico comungar de qualquer forma, como se fosse uma comida qualquer, e sem antes ter adorado à Santíssima Vítima do Altar pois, na Santa Missa, participamos do Calvário de Nosso Senhor, e comemos a Sua Carne e o Seu Sangue, não simbolicamente, mas literalmente. Nos alimentamos da carne humana de um Deus. Cuidemos, portanto, para não profanarmos o Corpo de Nosso Grande Deus e Senhor Jesus Cristo.

Neste sentido, mais uma vez deixamos a recomendação: dêem preferência à comunhão diretamente na boca, como sinal de respeito e zelo pelo Santíssimo Sacramento.

Em tudo, seja Deus glorificado.

Fábio Luciano Silvério da Silva

Assista ao vídeo abaixo sobre este tema.


Polêmica sobre a revogação das excomunhões de quatro bispos da FSSPX


Temos assistido a recente polêmica sobre o Papa e o levantamento das excomunhões de quatro bispos da FSSPX. A mídia, como sempre, trata de oferecer aos desavisados uma versão distorcida da história, manipulando opiniões para que, como no tempo de Jesus, a massa se decida por Barrabás.

Quero, nesta ocasião, expor rapidamente o contexto desta situação e, depois, fazer algumas considerações a respeito. Quero indicar também que este assunto está sendo intensamente tratado por outros sites, blogs e demais espaços da internet. A repercussão desembocou também na rede Globo e saiu ainda numa reportagem da Revista Veja, já famosa por suas “pérolas”. Bem, isto o que eu soube. Mas seríamos justos afirmando que o caso teve repercussão mundial.

Bem. Mas o que acontece? Tratemos do início.

Em 1988, dois bispos, D. Marcel Lefebvre e D. Antônio de Castro Mayer, solicitaram de Roma a permissão para sagrar bispos a quatro sacerdotes, devido à necessidade. Tais pretendentes ao bispado foram recomendados como pessoas experimentadas e muito aptas para o serviço. A permissão, porém, não veio. Diante de tal negação, os dois bispos acima mencionados insistiram e sagraram aos quatro bispos. Esta atitude de expressa desobediência fez com que incorressem, os bispos sagrados e os sagradores, em excomunhão latae sententiae, isto é, automática, segundo o Código de Direito Canônico. O então Papa João Paulo II Magno, de saudosa memória, tinha manifestado que esta atitude fora claramente cismática. Seja como for, os bispos em questão, pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X – FSSPX sustentavam, a partir de estudos canônicos, a nulidade das excomunhões, apelando para o argumento da necessidade.

De forma geral, o que caracteriza os membros pertencentes a esta Fraternidade é uma intensa guarda da Tradição Católica sem inovações. Eles posicionam-se diretamente contra o Concílio Vaticano II, que acusam de ser ambíguo, e contra todos os seus frutos. A discussão gravita em torno de temas doutrinais e é justamente a mudança no campo da doutrina que, segundo eles, constitui a causa do caos teológico e litúrgico pelo qual passa a Santa Igreja nestes tempos, o que vai se refletir diretamente na conduta dos filhos da Igreja..

Bem. Recentemente, Sua Santidade Bento XVI, num gesto de paternal caridade e misericórdia, e dentro de um ambiente de já inúmeros diálogos, revogou as excomunhões dos bispos em questão. Interessante que a revogação foi a resposta a um pedido da própria FSSPX. Mas este pedido fora uma recomendação do próprio Bento XVI. E, como dizia já um membro da FSSPX, Sua Santidade não solicitaria tal pedido se não tivesse a intenção de concedê-lo. O importante é que esta graça veio... E aquilo que já era esperado em terreno eclesiástico, isto é, a polêmica por parte de membros modernistas e inimigos da tradição, irradiou-se também extra-eclesia. Mas... Por quê? Que interesse teria o mundo secular e ateu por estas questões teológicas e eclesiásticas?

Nenhum, na verdade. Ao contrário, o mundo das massas populares tem um interesse muito claro de oposição à Santa Igreja. E ao perceber uma chance, ainda que pequena, simplesmente a agarra, mesmo que para isto tenha de fazer as associações mais mesquinhas e usar das mentiras mais lavadas. Qual, então, a causa da polêmica?

Um dos quatro bispos cuja excomunhão foi revogada, Dom Williamson, defende uma tese curiosa: ele nega que tenha havido o holocausto judeu. Bem, particularmente não sei como ele defende esta visão, mas a mídia caiu em cima associando esta posição particular de Dom Williamson à atitude do Papa. Apressaram-se os manipuladores de opinião em mostrar a posição deste bispo como uma posição nazista e ainda quiseram fazer do papa um cúmplice que estaria a aprovar a teoria de Dom Williamson.

Mas, convém aqui saber separar:

1 - A revogação das excomunhões pertence a um contexto eclesiástico envolvendo questões em terreno canônico.
2 - A negação do holocausto (negacionismo) é uma posição pessoal de Dom Williamson.

Além do mais, quando a polêmica estorou, ela surpreendeu tanto ao Papa como ao bispo re-incomungado. O Santo Padre afirmou que pessoalmente não sabia da posição negacionista do bispo da FSSPX. Já este afirmou estar surpreso pelo alcance de suas palavras.

O próprio Dom Williamson, logo após o levantamento das excomunhões, pediu perdão ao Papa, reconhendo que o tinha feito passar por dificuldades desnecessárias. Recentemente ele foi advertido a retratar-se publicamente. A isto respondeu calmamente, dizendo que irá procurar as comprovações históricas sobre o assunto tratado, e que isto durará um tempo. Se ficar convencido de seu erro, se retratará.

Ademais, eu soube que ele foi proibido de falar publicamente sobre política e história.

Bem. Esta é a questão. Sei que este texto já vai um tanto extenso, mas gostaria de comentar algumas coisas.

Primeiramente, a posição de Dom Williamson é curiosa. Vemo-lo totalmente disposto a discutir a questão no campo dos argumentos, enquanto que foi só levantar uma suspeita sobre a veracidade do holocausto para, com isto, incomodar o mundo, o que torna toda esta situação, no mínimo, suspeita. E isto se torna ainda mais suspeito se considerarmos que hoje em dia é comum que muitas pessoas cultivem dogmas científicos, históricos, etc. Veja-se, por exemplo, o caso do evolucionismo, totalmente insustentável. Mas hoje isto virou sinônimo de autoridade incontestável. Veja ainda a posição do ateísmo, como se fosse algo dignamente racional. Obervemos os mitos criados a partir de distorções da Santa Inquisição e das Cruzadas. Veja o caso do Galileu. Tudo isto, ensinado de forma deturpada, criando erros que são sustentados por livrecos e professores faltos de sinceridade intelectual. Não quero aqui sugerir que Dom Williamson esteja certo... ao contrário, penso que ele não está (embora eu não tenha condição nenhuma para negar ou afirmar algo neste campo); mas creio que a questão deve ser vista de uma forma mais séria.

Depois, vejamos a grande movimentação que isto causou em solo católico. Parece que até um padre abandonou a Igreja depois da revogação das excomunhões. Há bispos que se apressam em dizer que Sua Santidade agiu de forma muito errada; há outros que solicitaram a re-excomuhão de Dom Williamson; um outro enraivou-se dizendo que não há lugar para ele na Igreja Católica; um outro ainda afirmou que alguém que defenda uma tal posição não pode ser reintegrado no Magistério da Igreja.

Tudo isto não deixa de ser muito revelador, visto que a grande crítica que sempre se ergueu contra a FSSPX consistia em acusá-la de desobediência e cisma. Agora, porém, diante da decisão do Santo Padre, são muitos os que erram justamente neste ponto, recusando-se em acatar a decisão do Sucessor de Pedro.

Isto se deve ao incômodo que sentem certos membros da Igreja, acostumados às inovações cômodas da modernidade em campo doutrinal e herdeiros da falsa hermenêutica do Concílio Vaticano II, condenada por Bento XVI. Sua Santidade, pois, como o Cristo, é hoje por muitos abandonado, mas segue firme na defesa da Fé e da Tradição. É ele eminente exemplo do que Cristo diz: “Eis que vos envio qual cordeiros no meio de lobos”, e é justamente esta a petição que ele faz aos fiéis depois que é eleito para a Cadeira de S. Pedro: “Rezai por mim, para que eu não fuja, por medo, diante dos lobos”

Outra questão que eu gostaria de levantar: atentemos sobre a política de Bento XVI na Igreja. Ele é um grande defensor da Tradição. Há quem queira negar, mas Sua Santidade, graças a Deus, deve sim intentar conduzir a Santa Igreja de volta à Sua Tradição Única e Autêntica, combatendo os erros e maus costumes que assolam hoje a Esposa de Cristo. E para defender esta posição, provas e exemplos não faltam. Basta que observemos as suas attitudes: liberação da Santa Missa no Rito Tridentino a partir do Motu Próprio; Revogação das excomunhões da FSSPX; fundação do Instituto Bom Pastor (IBP) para a crítica e reta hermenêutica do Vaticano II, organização cujo rito ordinário da Santa Missa é o tridentino; uso de vários instrumentos da Missa de Pio V em suas celebrações; comunhões de joelhos e sempre na boca; posicionamentos corajosos sobre inúmeros temas: Islamismo, relativismo, homossexualismo…, seguindo sempre a linha da Tradição, atraindo o ódio de muitos, cumprindo em si mesmo o que profetizou o Cristo: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a Mim antes que a vós”.

Recentemente, Bento XVI sagrou bispo a um sacerdote austríaco, Mons. Gerhard Wagner, e o enviou à cidade de Linz, na Áustria. Este padre, tratado pelo pecho de “ultra-conservador” pelos que não lhe são simpáticos, tem causado furor no local, muito conhecido pela grande degradação moral e pelo clero super-modernista. A decisão de Bento XVI, sem nem mesmo consultar o clero local, dá mostras de sua visão acerca dos erros dos liberais católicos que, direta ou indiretamente, se insurgem contra o Supremo Pontífice da Igreja.

A este respeito, dentro desta polêmica atual, falou o próprio Dom Willamson:

“Sou apenas o instrumento” com o qual alguns querem “agir contra o Papa”. “Visivelmente, o catolicismo de esquerda ainda não perdoou o fato de Ratzinger ter se tornado Papa”.

Os lobos uivam, mas Bento XVI manté-se firme na luta em defesa da Fé.

Que Deus abençoe o Papa e lhe conceda força e coragem nestes tempos tenebrosos. Que a Virgem Santíssima seja o seu conforto e sua perseverança no trabalho de restauração da Igreja e da Liturgia.

E nós, de nossa parte, sejamos sempre fiéis às decisões do Sumo Pontífice que, iluminado pelo Espírito Santo, rema contra a correnteza, conduzindo a Barca de Cristo, fora da qual não há Salvação.

Rezemos pelo Santo Padre, o Papa; sejamos fiéis à Santa Igreja e lutemos, também, com a força que nos é concedida, em favor da Verdade e da Fé, vivendo santamente e aborrecendo o mal e a mentira com o Bem e a Verdade.
Que a Santa Cruz seja nossa arma.
Que Cristo seja glorificado eternamente.
Que a Verdade seja defendida e amada.

Salve a Santa Igreja Católica, detentora da Verdade, Esposa sem mácula do Cordeiro, via única de Salvação.

Salve o Sumo Pontífice Bento XVI, doce sombra de Cristo na terra.

Fábio Luciano Silvério da Silva


Zveiter assume TJ do Rio e manda retirar crucifixos

Luiz Zveiter, o novo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, já chegou ao tribunal fazendo barulho, como era esperado. Mal tomou posse e já determinou a retirada dos crucifixos espalhados pela corte e desativou a capela. Zveiter, que é judeu, quer fornecer um espaço para cultos que atenda a todas as religiões. A primeira determinação do novo presidente já agradou, pelo menos, a um desembargador evangélico da corte, que ficou ressentido por o tribunal não oferecer espaços para cultos da sua religião.

Zveiter assumiu o TJ fluminense nesta terça-feira (3/2). Foi eleito com 97 dos votos contra 72 do desembargador Paulo Ventura em dezembro de 2008. A cerimônia de posse foi prestigiada pelos presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e do Superior Tribunal de Justiça, ministro Cesar Asfor Rocha, além do corregedor-geral de Justiça, Gilson Dipp, e outras autoridades do Judiciário, Executivo e Legislativo. Na ocasião, foi firmado um convênio de cooperação entre o tribunal e Conselho Nacional de Justiça para o processo de informatização das Varas de Execuções Penais. (...)

Luiz Zveiter nasceu em Niterói (RJ), onde mora atualmente. Tem 53 anos e quatro filhos. Formou-se em Direito na Universidade Gama Filho em 1980. Entrou no Tribunal de Justiça do Rio em 1995 pelo quinto constitucional. Antes de ocupar o cargo de corregedor, era presidente da 6ª Câmara Cível do Tribunal. O desembargador é filho do ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça Waldemar Zveiter. Ao falar da família, durante o discurso, Zveiter se emocionou.

O Past Grão-Mestre Luiz Zveiter foi o Desembargador eleito para assumir a Presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Luiz Zveiter foi Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro por dois mandatos e seu pai, Ministro Waldemar Zveiter é o atual Grão-Mestre e ocupa a função pela terceira vez.

Fonte: http://fratresinunum.wordpress.com/

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