
Interessante este nosso tempo. Que aventura tem sido ser católico! Estive observando algumas coisas e arrisquei uma comparação, horrível, mas acho que vale...
Eu gosto muito de desenhos japoneses, como está expresso no meu perfil. Isto desde a adolescência e, por várias vezes, neste tempo, no auge de algumas histórias, percebi em mim um desejo oculto, lá dentro, de que aquilo que eu assistia fosse uma realidade e que eu pudesse ser um personagem... he... Os que conhecem o gênero deste tipo de animação sabem que uma característica muito comum nestas estórias é a força que os personagens demonstram, motivados pelo amor a algo... Este amor, de fato, torna-se mais importante que a vida, de modo que os vemos, frequentemente, arriscando-se pelo objeto do seu amor, que pode ser uma pessoa, uma causa.
E como não sentir uma certa identificação? Também Sócrates, o grande filósofo, amava tanto a verdade que por ela deu a vida, e isto porque nem sequer conheceu ao Cristo, ou seja, não conhecia a Verdade como nós... E estes dias eu vinha considerando umas certas coisas. Percebi que, se fosse pra escolher, acho que os personagens de tais desenhos, se tivessem vida, é que optariam por viver a aventura que vivemos nós, cristãos, a aventura de amar a Deus. Um Naruto, um Lee, se existissem e compreendessem bem as coisas, ao invés de bons ninjas ou hokages, desejariam ser santos.
Percebi, enfim, que, além de ser muito mais emocionante a nossa aventura, muito mais densa, é ainda infinitamente verdadeira. A luta por Cristo é algo belíssimo e de uma realidade que abarca tudo quanto existe. De fato, podemos dizer que, estritamente, é a única coisa que importa. Talvez nós ainda não percebamos que belo é viver assim, mas não é verdade que está escrito: "nossa vida está escondida com Cristo em Deus"? Talvez desejássemos fundos musicais enquanto servimos a Deus, mas isto se deve ao hábito de assistir filmes e ao contato com esta cultura romântica e sensacionalista, que prioriza o foco nos sentidos antes que a verdade objetiva.
É preciso, pois, limpar os nossos olhos e aprender a ver com clareza o que verdadeiramente importa.
E como temos experimentado o combate contra nós! Parece que o mundo nos odeia! he... E constantemente, muito mais constantemente do que as missões ninjas da "Vila da Folha", nós temos que combater pelo Amado de nossas almas... e mais: em grande parte, nós somos os primeiros inimigos. Lembro-me da frase de uma música que expressa bem a nossa vocação: "o amor quando já crescido não pode ocioso ficar, nem o forte sem lutar por amor de seu querido"... E vejamos ainda o exemplo de S. Paulo: "Combati o bom combate". Eis o "ninjutsu" da alma, eis o bom combate, sempre motivado pelo amor a Cristo, Nosso Senhor...
Mesmo nos ambientes onde esperaríamos um refúgio contra as incídias diabólicas, somos tantas vezes atacados... Infelizmente, a concupiscência dos olhos tem encontrado ocasião até mesmo nas Igrejas... e a soberba da vida horrivelmente é o que tem motivado certos serviços litúrgicos. Cumpre-se a palavra divina: "cegos guiando cegos". Neste contexto, aqueles que se mantêm fiéis ao divino ensinamento da Santa Igreja, podem perfeitamente ser reconhecidos como as "ovelhas por entre os lobos"... Claro que tantas vezes temos sido também lobos, e disso nós mesmos sabemos... Me espantaria alguém que não reconhecesse isso, pois daria mostras de ainda não ter sequer iniciado um reto processo de conhecimento próprio. Porém, em meio a nossas misérias, usando diariamente das armas que temos à mão concedidas pelo divino Salvador, buscando ser fiéis ao que a Santa Igreja ensina, nos opomos, forçosamente, ao mundo, mesmo ao mundo que se instala em sólo católico, e sentimos então a tensão de sermos "inimigos do mundo" para sermos "amigos de Deus".
Enfim... a nossa aventura é singular e verdadeira. É a única... Naruto, Yuyu Hakusho, Shurato, Inuyasha, Saint Seya podem ser interessantes. Os "santos de atena (Cavaleiros do Zodíaco)" são personagens que, inegavelmente, se apresentam de forma virtuosa.. Mas tudo isto não chega sequer aos pés dos verdadeiros santos de Cristo.
Enfim... Espero que esta reflexão, se utilizando de uma comparação tão estranha e inadequada, possa fazer-nos perceber um pouquinho da beleza desta luta, desta aventura, deste amor que a tudo transcende..
Que Cristo, Nosso Senhor, nos ensine amar e, por isso, a combater. Nossa arma? Shurikens? Espadas? Bolas de fogo que saem das mãos? Não..... Nossa arma é a Santa Cruz, a mais forte e a mais bela de todas! Não nascemos em "Konoha".... infinitamente melhor: nascemos na Igreja Católica Apostólica Romana!
Fábio Luciano
Obs.: os que não conhecem o contexto dos animes não entenderão muita coisa...hehe... mas as comparações, creio, ajudarão.











