Tradutor / Translator


English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

A Santidade da Virgem Maria - Thomas Merton


Tudo o que se tem escrito sobre a Virgem Mãe de Deus prova-me que a sua santidade é a mais oculta de todas. O que cada qual procura dizer a respeito dela informa-nos, geralmente, melhor, sobre o comentador do que sobre Nossa Senhora. Na verdade, visto que Deus tão pouco nos revelou a seu respeito, os homens, que nada sabem da Virgem nem do que ela foi, mais não fazem que revelar-se a si próprios, tentando acrescentar algo ao que disse.

E tudo o que dela sabemos só torna mais misterioso o verdadeiro caráter e a verdadeira qualidade da sua santidade. Cremos que, excluindo a santidade de Deus, a sua foi a mais perfeita. Mas a santidade de Deus é toda obscuridade para o nosso espírito. No entanto, a da Virgem Santa é, dalgum modo, mais impenetrável ainda do que a de Deus, porque Ele, ao menos, disse-nos de Si Próprio alguma coisa objetivamente válida quando traduzida em linguagem humana, ao passo que, de quanto a Nossa Senhora respeita, pouco de importante nos disse, e mesmo desse pouco não podemos alcançar a inteira significação. Porque tudo quanto nos disse acerca da alma de Sua Mãe resume-se ao seguinte: essa alma estava absolutamente cheia da mais perfeita santidade das criaturas. Mas não temos qualquer meio seguro de saber o que isso pormenorizadamente significa. Portanto, a outra coisa certa que acerca dela sabemos é que a sua santidade está extremamente oculta.

E, no entanto, se também eu estiver oculto em Deus, onde ela está oculta, posso descobrí-la. Partilhar a sua humildade, o seu mistério e a sua pobreza, a sua discrição e a sua solidão é o melhor meio de a conhecer, mas conhecê-la assim é conhecer a verdadeira sabedoria.

Na Pessoa real, viva, humana, que é a Virgem Mãe de Cristo, encontra-se toda a pobreza e toda a sabedoria de todos os santos. É através dela que a santidade os alcança e é nela que reside. A santidade de todos os santos é uma participação na santidade de Maria, porque Deus, segundo a ordem que estabeleceu, quer que todas as graças cheguem aos homens por intermédio de Maria.

É esta a razão por que amá-la e conhecê-la é descobrir o verdadeiro significado de todas as coisas e ter acesso a toda a sabedoria. Sem ela, o conhecimento de Cristo é meramente especulativo. Mas, nela, a especulação torna-se experiência, porque toda a humildade e pobreza, sem as quais Cristo não pode ser conhecido, são bens da Virgem Maria. A sua santidade é o silêncio em que só Cristo pode ser ouvido, e a voz de Deus torna-se experiência, para nós, graças à contemplação da Virgem.

A inanidade, a solidão interior e a paz, indispensáveis para que possamos estar cheios de Deus, só a ela pertencem. Se conseguimos alguma vez esvaziar-nos a nós próprios do reino do mundo e das nossas próprioas paixões, é porque ela chegou junto de nós e nos permitiu partilhar da sua santidade e da sua obscuridade.

Só ela, de todos os santos, é, em tudo, incomparável. Possui a santidade de todos eles, e no entanto, não se assemelha a nenhum. E, apesar de tudo, podemos exprimir o desejo de ser como ela. Tal semelhança não é só qualquer coisa para desejar: - é a única digna do nosso desejo; mas a razão disto é ser ela quem, de todas as criaturas, mais perfeitamente alcançou aquela semelhança com Deus que, em grau variável, Deus quis encontrar em todos nós.

É necessário, sem dúvida, falar dos seus privilégios como se fossem algo de compreensível através da linguagem humana, algo com possibilidade de se mediro por qualquer escala humana. É perfeitamente justo falar dela como de uma Rainha e de comportar-vos como se soubésseis o que significa ter ela um trono acima de todos os anjos. Mas isto não deveria fazer alguém olvidar que o seu mais alto privilégio é a sua pobreza e a sua maior glória, a modéstia suprema, e que a fonte de todo o seu poder provém de ela ser como que nada na presença de Cristo, de Deus.

É por ela ser, de todos os santos, o mais perfeitamente pobre e obscuro, o único a não ter nada a que se esforce por chamar seu, que pode mais completamente comunicar a quantos existem a graça de Deus, infinitamente misericordioso. E nós possuí-Lo-emos mais verdadeiramente quanto nos despojarmos de tudo e nos tornarmos tão pobres e obscuros como ela, assemelhando-nos a Ele por nos assemelharmos a ela. E toda a nossa santidade depende da sua vontade e do que lhe aprouver. Aqueles com quem deseja partilhar a alegria da sua própria pobreza e simplicidade, aqueles a quem quer tão obscuros quanto ela é obscura, esses é que se tornam os mais santos aos olhos de Deus.

Prodigiosa graça e grande privilégio é, portanto, uma pessoa, quando vive no mundo em que temos de viver, perder, de súbito, o interessa pelas coisas que absorvem o mundo e descobrir, na sua própria alma, um apetite de pobreza e solidão. E o mais precioso de todos os dons da natureza ou da graça é o desejo de nos ocultarmos e de desaparecermos da vista dos outros homens, de sermos contados como nada pelo mundo, de nos despojarmos da estima que nutrimos por nós próprios e de nos dissolvermos no nada, na imensa pobreza que é adoração de Deus.

Esta renúncia absoluta a qualquer bem humano, esta pobreza, esta obscuridade, contém, em si, oculto, o segredo de toda a alegria, porque está cheia de Deus. Procurar tal renúncia é a verdadeira devoção à Mãe de Deus. Encontrá-la é encontrar a Mãe de Deus. E permanecer oculto na sua profundidade é estar cheio de Deus, como ela está cheia d'Ele, e partilhar a sua missão de O trazer a todos os homens.

Todas as gerações devem, portanto, chamar-lhe santa, porque todas receberam, por seu intermédio, a parte de vida e de alegria sobrenaturais que lhes é concedida. E é necessáro que o mundo lhe seja reconhecido, que os poetas cantem a grande obra de Deus nela e que sejam edificadas catedrais sob a sua invocação. Na verdade, se não se reconhecer Nossa Senhora como a Mãe de Deus, a Rainha de todos os santos e anjos e a esperança do mundo, a fé em Deus não será completa.

Como poderíamos pedir-lhe tudo que nos manda esperar, se não conhecêssemos, pela contemplação da santidade da Imaculada Virgem, quão grandes coisas Ele tem o poder de realizar na alma dos homens?

E, assim, quanto mais estamos ocultos nas profundezas onde permanece o segredo da Virgem Maria, tanto mais queremos louvar o seu nome no mundo e, nelam glorificar o Deus que dela fez Seu radioso tabernáculo. Mas não confiaremos por completo no nosso próprio mérito ao querer encontrar palavras com que a louvemos: mesmo que pudéssemos cantá-la como o fizeram Dante ou São Bernardo, ainda teríamos pouco a dizer a seu respeito, em comparação com a IGreja, que, só ela, sabe como louvá-la condignamente e ousa aplicar-lhe as inspiradas palavras com que Deus manifesta a Sua própria sabedoria. Assim, encontramo-la vivendo no meio da Sagrada Escritura, e, se não a encontrarmos, a ela, oculta também em toda a parte e em todas as promessas que, na Escritura, dizem respeito a seu Filho, não compreenderemos integralmente a vida que está na Escritura.

É ela que, nestes derradeiros dias, está destinada, por delegação de Deus, a manifestar o poder que, graças à sua pobreza, Ele lhe concedeu, e a salvar os últimos homens que vivem nas ruínas do calcinado mundo. Mas se a última idade do mundo deve ser, pela maldade dos homens, provavelmente a mais terrível, será também, para o eleito e pela clemência da Virgem Santa, a mais triunfal e a mais cheia de alegria.

Thomas Merton

Aí galera, vai ter formação...


Dando prosseguimento à escola de formação GRAA, o Grupo de Resgate Anjos de Adoração estará organizando momentos de formação sobre a Santa Igreja e sua Santa doutrina, como também tratará de alguns aspectos históricos e filosóficos pertinentes à Igreja Católica.

Os interessados em tais formações deverão tratar com um dos membros do grupo para saber o horário e o local das formações...

"Conhecereis a Verdade e ela vos libertará" (Jo, 8-32)

Pax et bonum.

Fábio Luciano.

Retornando...

Depois de um tempo dodói, estoy voltando.... Pax.

Santidade...


Adentramos no mês de maio, mês de Maria, nossa Santíssima Mãe, iniciando com o dia de S. José, este homem silencioso, discreto, aparentemente comum. Nossa sociedade romântica e sensacionalista repara pouco em homens como José; vive ela distraída pelo que move os sentidos e tem o seu critério de beleza na satisfação da própria sensualidade. Não é à toa que vivemos num tempo de profunda irreligiosidade e apelo erótico, de constante ruído sonoro, de pouca interioridade e de materialismo frenético. S. José, com certeza, não poderia ser uma figura muito apreciada pelas massas de nossa era.

Como católicos, devemos reafirmar nossa atitude de inimizade com os sub-valores que por aí são como que impostos. É sempre atual a famosa luta da cidade de Deus contra a cidade dos homens, e nunca é demais frizar este aspecto, pois constantemente o mundo pretende tornar-nos Judas, traidores de Cristo e, infelizmente, a muitos tem conseguido transformar em apóstatas. O combate é, pois, inerente à própria vocação do cristão, embora muitos, numa interpretação subjetiva e errônea, façam da luta o principal motivo de seus "apostolados", desvinculando-a do amor, tornando-se esses mesmos, dessa forma, o epicentro de sua própria religião, numa atitude essencialmente semelhante à dos inimigos que combatem.

São José é para nós eminente modelo de santidade, e nos mostra que esta não se dá a partir de êxtases e rodopios, caretas e quedas, gritos e grunhidos ininteligíveis providos de uma falsa mística, mas antes, de uma firme e perseverante decisão pelo Cristo, num sempre atual amor por Ele e por Sua vontade. É, de fato, uma negação de nós mesmos, na mesma medida em que é o investimento pela própria realização da nossa vida; dizia Thomas MErton que o caminho para a vida é uma espécie de morte, e o mesmo confirma S. João da Cruz ao advertir-nos que a santidade não consiste em recreações, mas numa viva morte de cruz. Estranhos ao mundo moderno, é neste caminho que somos felizes, é aí que se torna pura e real a nossa alegria. A cruz é loucura e escândalo para os mundanos, mas, para os cristãos, é sabedoria divina, jeito de viver e amar e certeza do encontro com o Amado; é um caminho cuja alegria está, não só no seu termo (onde, de fato, se realiza num eterno êxtase de amor), mas que se faz presente desde já, na vida eterna começada.

Um problema se faz presente. Os vícios e as ilusões da vida mundana podem ser trasladados para a vida espiritual. E assim, não é difícil encontrar pessoas que cultivam uma vida cristã marcada pelo desejo secreto de honrarias, de grandes experiências, enfim, da auto-promoção - típicas transmutações do amor próprio. Também para os que nisso caem, S. José só pode parecer estranho e, não só ele, mas também Maria e o próprio Jesus, antes de sua vida pública.

Mas, o que será que esse povo (a Sagrada Família) fazia antes dos milagres e das demonstrações poderosas do Cristo? Há, realmente, um contraste entre a vida pública de Jesus e a vida escondida em Nazaré? É muito fácil que alguém se erga juiz dessas coisas e afirme a total diferença entre as duas realidades. Assim fizeram os gnósticos dos livros apócrifos que, considerando inaceitável uma vida ordinário do Cristo, lhe atribuíram desde a infância os mais variados milagres. De fato, muitos hoje vêem ainda dessa forma; a estes, Nosso Senhor se dirige, como a Pedro: "pensas como os homens, não como Deus" e, ainda, "estas coisas são reveladas aos humildes e escondidas aos soberbos". Acontece também que, mesmo que aceitemos o simples, o cotidiano na vida cristã, não são raras as vezes em que cultivamos uma preferência pelos grandes eventos, pelas grandes aclamações, pelo reconhecimento e até, Deus nos livre, pela fama.

Os que cultivam um cristianismo meramente exterior ainda não compreendem, sequer minimamente, a riqueza a que foram chamados. Mesmo quando falamos da importância da humildade, é fácil cultivarmos uma intenção soberba na nossa alma que anseia pela admiração dos demais. E tais coisas, se queremos ser perfeitos (e devemos!) devem ser combatidas. Aqui, cabe que compreendamos bem: o fato de sermos admirados ou elogiados não é um mal em si, mas o fato de desejarmos estas coisas sim, pois assim colaboramos com a vaidade, filha da soberba que se move em nós, e nos comportamos como ignorantes da nossa condição miserável, ao mesmo tempo que usurpamos a glória que só a Deus é devida, desejando-a para nós, furtando-nos de amar a Cristo sobre todas as coisas.

De todas estas virtudes, da maturidade de conhecer a pequenez humana, S. José é exemplo perfeito. No seu silêncio, no seu cotidiano, na sua pobreza, na sua obediência ao plano divino, na obscuridade da Fé que, então, era ainda mais densa, S. José nos ensina como ser cristãos, não de momentos e de palmas, não de afetações e barulhos, mas de amor, de silêncio, de vida comum e íntegra, de perfeição nas pequenas coisas, de justiça no trato com os demais, de responsabilidade pelas próprias obrigações, de oração constante, de mortificação, de entrega, de Fé.

Este pai tão nobre nos mostra que o que importa para Deus é o amor, o amor cultivado, no esquecimento das próprias vontades para a realização da Vontade de quem se ama. Não há verdadeiro cristianismo sem esta luta em favor do Amado, sem esta negação de si mesmo, sem este cultivo da intimidade com Deus, sem silêncio, sem mortificação, sem obediência. E, diante de tudo isto, se assumimos retamente a nossa vocação, é claro que não seremos apreciados pelas massas, é claro que o mundo nos combaterá, mas é claro também que, no íntimo de alguns corações, na alma de quem nem imaginamos, o fogo que arde no nosso coração acenderá outras chamas, de modo que, então, tal amor por um Deus Crucificado abrase o mundo. Só então se consumará a vontade do Cristo: "eu vim pôr fogo à terra, e como desejo que esteja aceso".

Fábio Luciano

Parabéns ao Pe. Francisco


Nós do Grupo de Resgate Anjos de Adoração queremos parabenizar o Pe. Francisco, vigário da Paróquia de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares-AL, pela atitude corajosa que tomou, recentemente, em favor da vida e da dignidade humanas. O caso foi o seguinte: uma mulher, de nome Lúcia, estando grávida de alto risco, foi aconselhada pelos médicos a tirar o bebê. O Pe. Francisco, porém, interveio e se responsabilizou pela vida de ambos, mãe e filho. Graças a Deus, a criança nasceu e os dois passam bem. O nome do menino é Vinícius.

Deus o abençoe, Pe. Francisco, pela coragem e pelo amor e que sua atitude sirva de exemplo para todos.

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

QUANDO SE PENSA... Hugo Wast


Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote;

quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem São Miguel, nem São Gabriel, nem São Rafael, nem um dos principais daqueles que venceram Lúcifer pode fazer o que faz um sacerdote;

quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, realizou um milagre maior que a Criação do universo com todos os seus esplendores, ou seja, o de converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo, e que este portento, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia o sacerdote;

quando se pensa em outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e o que liga no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante desliga Deus;

quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, um banqueiro, um médico, que um professor, porque ele pode substituir a todos e nenhum deles pode substituí-lo;

quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e não é nem um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas o próprio Cristo que está ali repetindo o maior milagre de Deus;

quando se pensa tudo isto...

compreende-se o afã que, em tempos antigos, cada família ansiava para que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia nas suas leis;

compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

compreende-se que um seminário ou um noviciado é mais que uma igreja, uma escola e um hospital;

compreende-se que dar para custear os estudos dum jovem seminarista ou noviço é aplanar o caminho pelo qual chegará ao altar um homem que durante meia hora cada dia será muito mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será o próprio Cristo, sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

Hugo Wast

(Sim Sim Não Não, no. 64 - abril de 1998)


"Se se compreendesse o valor de uma Santa Missa, se andaria até o fim do mundo para assistir a ela"
-- Santa Maria Madalena Postel

A venerável Grande Mãe de Deus


Sem dúvida não podemos negar que só há um Deus e um Mediador, Jesus Cristo, como vemos em “1TIM II, 5”. Mas graças à sapiência e bondade divina, foi-nos concedida a graça de possuirmos intercessores e modelos, pessoas simples, pecadoras, frágeis como nós: são os Santos, os escolhidos de Deus, que não pela força de seus músculos, nem por mérito algum, mas sim por pura graça divina e entrega das próprias vontades, reproduziram em si mesmos as perfeições divinas e as virtudes de Nosso Senhor, fazendo parte do seu corpo místico e se interessando por nós que somos seus irmãos. Honrá-los nos faz honrar o próprio Deus neles, já que são um reflexo de suas perfeições; em última análise, invocá-los, é dirigir a Deus nossas invocações, pois é nEle que eles estão. Imitar as suas virtudes é imitar ao próprio Jesus Cristo, já que eles mesmos não foram santos senão na medida em que reproduziram as virtudes do divino Senhor, da divina Norma, do perfeito e íntegro Modelo.

E esta devoção não obscurece ao divino Redentor, mas antes confirma e imprime em nossas almas a Gloriosa Onipotência da Santíssima Trindade que, sendo Santíssima, santifica tudo o que atrai para si e tudo mergulha em sua Glória (kavot).

Em meio aos santos a Grande Mãe de Deus ocupa um lugar à parte; no meio dos simples homens e mulheres pecadores encontramos uma simples mulher Imaculada. Seu papel depende da sua estreita união com Jesus ou, em outros termos, do dogma da maternidade divina.

É no dia da encarnação que Maria Santíssima é constituída Mãe de Jesus, Mãe dum filho-Deus, Mãe do Verbo, Mãe de Deus. Se bem notarmos, no diálogo entre o anjo e a virgem, o anjo não a anuncia mãe de Jesus somente enquanto pessoa privada, mas enquanto é Salvador e Redentor. Pois o anjo não fala somente das grandezas pessoais de Jesus, mas o afirma Salvador, Messias esperado, Rei eterno da humanidade regenerada, cuja maternidade se propõe a Maria Santíssima. Toda a obra redentora está suspensa no Fiat da Virgem. Por seu magníficat podemos notar a sua intimidade com as sagradas escrituras, com a tradição e assim com a santa promessa feita por Deus ao seu povo Israel.

A Virgem sabe o que Deus a propõe; mesmo sendo uma criança, consente no que Deus lhe pede, sem restrição nem condição. O seu Fiat responde a amplidão das promessas divinas, estende-se a toda a obra redentora. É assim, pois, a Mãe do Redentor, ela é profecia e, como tal, associada à obra do Redentor, possui na ordem da reparação o lugar que Eva teve na ordem da nossa ruína espiritual.

Maria Santíssima terá com as três pessoas da Santíssima Trindade as relações mais íntimas: será a Filha muito amada do Pai, e sua associada na obra da Encarnação; a Mãe do Filho, com direito a seu respeito, ao seu Amor, e até mesmo, na terra, à sua obediência, pela parte que terá em seu mistérios; é uma parte considerada “secundária”, mas real: será a sua fiel colaboradora na obra da salvação e santificação dos homens; será, enfim, o “templo vivo”, o “santuário privilegiado” do Espírito Santo, e, numa acepção analógica, a sua “Esposa”, neste sentido que, com Ele e em dependência dEle, trabalhará em regenerar almas para Deus.

Breno Kennedy

Purificação: a "noite dos sentidos"


Cabe aos principiantes combaterem as desordens da concupiscência. Quatro são as pedras de tropeço postas no caminho do principiante que busca a continência.

Em primeiro lugar se lhe opõe o próprio corpo, pelos vícios da gula e da luxúria, que devem ser combatidos com o jejum, a vigília, os exercícios físicos, banho frio, etc.

Em segundo lugar, se lhe opõe a própria alma, mediante a imaginação e os pensamentos lascivos, que devem ser combatidos com o próprio pensamento absorto nos mistérios divinos (meditação e contemplação); a oração - pois o louvor divino freia os impulsos intempestivos da imaginação; jaculatórias; o estudo da Sagrada Escritura; a leitura espiritual; o estudo e a pesquisa visando o bem comum; os bons pensamentos, relacionados sempre que possível à família, ao trabalho, aos amigos; o próprio trabalho para evitar a ociosidade e a preguiça, que são portas de entrada de muitas outras tentações e, também, com a aceitação de alguns sofrimentos, não os que procuramos, mas sobretudo, aqueles que ns chegam sem a nossadeliberação.

Em terceiro lugar, se lhe opõem também as coisas que os rodeiam, muitas delas indignas em si mesmas, as quais se devem combater com a guarda da vista e de todos os demais sentidos, evitando prudentemente seu contato.

Em quarto lugar, as pessoas com quem tratamos, as quais, por seus atos ou comportamento, impedem de modo direto ou indireto o progresso na vida de perfeição, por meio de conversas , atitudes, vestimenta, tentações que devem ser combatidas com a solidão, modéstia, boa conversa, desviando um mau assunto para um bom, etc.

São muitas as fontes interiores e exteriores de que o cristão dispõe para alcançar a santidade do espírito mediante a purificação do corpo. São fontes interiores as graças sacramentais, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo que atuam intimamente na vida do espírito, sobre o intelecto, vontade e liberdade, fazendo a Trindade Santa habitá-lo, convertendo-o para Deus, aflorando e fazendo crescer a caridade. Os méritos de Cristo conquistados na cruz, meiante o amor do Espírito e a "onipotência suplicante" da Santíssima Virgem Maria, bem como a intercessão dos Santos Anjos e a dos Bem-Aventurados, são fontes eficacíssimas de santidade para o homem. Nem mesmo os santos homens com os quais uma pessoa convive deixam de prestar inestimável auxílio para a sua alma convertida que se aproxima cada vez mais do mistério da salvação. As fontes exteriores, que decorrem da influência das interiores, são também muitas, mas especialmente duas importam para os iniciantes: a leitura e a direção espirituais.

A oração é, sem dúvida, o alimento que nutre e fortaliece o espírito no início da vida interior, porque é efetivamente o começo de uma inimidade do espírito humano, em sua ascensão e aplicação, nas coisas de Deus. A oração é a moção da graça no espírito e a primeira e mais importante expressão do início de uma vida de perfeição. Ela é efetivo sinal da eficácia da graça que, como fonte interior, move a alma em direção ao bem perfeito que é a caridade. Munido de graças, o espírito, em oração humilde e atenta, causa sempre de novo e cada vez mais intensamente a livre conversão do espírito para as coisas divinas e a aversão às coisas contrárias a Deus.

A oração do espírito se estende à oração da carne com a mortificação. Este sacrifício de abrir mão livremente da posse ou uso de algns bens lícitos, em razão de um aperfeiçoamento da vontade, constitui uma verdadeira forma de oração dos sentidos. Esta oração da carne é a que mais adequadamente educa e disciplina o corpo contra o pecado, porque se vale dos mesmos instrumentos do corpo. Mas tanto a oração do espírito quanto a mortificação (que é a oração da carne), que coopera na superação daqueles quatro impedimentos para que o principiante progrida na vida de perfeição, só são possíveis ao homem em razão da presença da luz divina na alma. Sem esta luz, a alma age segundo a lei da concupiscência e se orienta, não pela luz da razão ou da graça, mas pelo brilho natural das coisas exteriores.

FAITANIN, Paulo. O único necessário: a perfeição da vida espiritual segundo Santo Tomás de Aquino. Cadernos da Aquinate, n.4, Niterói: Instituto Aquinate, 2008, p.18-19.

A aventura de sermos católicos


Interessante este nosso tempo. Que aventura tem sido ser católico! Estive observando algumas coisas e arrisquei uma comparação, horrível, mas acho que vale...

Eu gosto muito de desenhos japoneses, como está expresso no meu perfil. Isto desde a adolescência e, por várias vezes, neste tempo, no auge de algumas histórias, percebi em mim um desejo oculto, lá dentro, de que aquilo que eu assistia fosse uma realidade e que eu pudesse ser um personagem... he... Os que conhecem o gênero deste tipo de animação sabem que uma característica muito comum nestas estórias é a força que os personagens demonstram, motivados pelo amor a algo... Este amor, de fato, torna-se mais importante que a vida, de modo que os vemos, frequentemente, arriscando-se pelo objeto do seu amor, que pode ser uma pessoa, uma causa.

E como não sentir uma certa identificação? Também Sócrates, o grande filósofo, amava tanto a verdade que por ela deu a vida, e isto porque nem sequer conheceu ao Cristo, ou seja, não conhecia a Verdade como nós... E estes dias eu vinha considerando umas certas coisas. Percebi que, se fosse pra escolher, acho que os personagens de tais desenhos, se tivessem vida, é que optariam por viver a aventura que vivemos nós, cristãos, a aventura de amar a Deus. Um Naruto, um Lee, se existissem e compreendessem bem as coisas, ao invés de bons ninjas ou hokages, desejariam ser santos.

Percebi, enfim, que, além de ser muito mais emocionante a nossa aventura, muito mais densa, é ainda infinitamente verdadeira. A luta por Cristo é algo belíssimo e de uma realidade que abarca tudo quanto existe. De fato, podemos dizer que, estritamente, é a única coisa que importa. Talvez nós ainda não percebamos que belo é viver assim, mas não é verdade que está escrito: "nossa vida está escondida com Cristo em Deus"? Talvez desejássemos fundos musicais enquanto servimos a Deus, mas isto se deve ao hábito de assistir filmes e ao contato com esta cultura romântica e sensacionalista, que prioriza o foco nos sentidos antes que a verdade objetiva.

É preciso, pois, limpar os nossos olhos e aprender a ver com clareza o que verdadeiramente importa.

E como temos experimentado o combate contra nós! Parece que o mundo nos odeia! he... E constantemente, muito mais constantemente do que as missões ninjas da "Vila da Folha", nós temos que combater pelo Amado de nossas almas... e mais: em grande parte, nós somos os primeiros inimigos. Lembro-me da frase de uma música que expressa bem a nossa vocação: "o amor quando já crescido não pode ocioso ficar, nem o forte sem lutar por amor de seu querido"... E vejamos ainda o exemplo de S. Paulo: "Combati o bom combate". Eis o "ninjutsu" da alma, eis o bom combate, sempre motivado pelo amor a Cristo, Nosso Senhor...

Mesmo nos ambientes onde esperaríamos um refúgio contra as incídias diabólicas, somos tantas vezes atacados... Infelizmente, a concupiscência dos olhos tem encontrado ocasião até mesmo nas Igrejas... e a soberba da vida horrivelmente é o que tem motivado certos serviços litúrgicos. Cumpre-se a palavra divina: "cegos guiando cegos". Neste contexto, aqueles que se mantêm fiéis ao divino ensinamento da Santa Igreja, podem perfeitamente ser reconhecidos como as "ovelhas por entre os lobos"... Claro que tantas vezes temos sido também lobos, e disso nós mesmos sabemos... Me espantaria alguém que não reconhecesse isso, pois daria mostras de ainda não ter sequer iniciado um reto processo de conhecimento próprio. Porém, em meio a nossas misérias, usando diariamente das armas que temos à mão concedidas pelo divino Salvador, buscando ser fiéis ao que a Santa Igreja ensina, nos opomos, forçosamente, ao mundo, mesmo ao mundo que se instala em sólo católico, e sentimos então a tensão de sermos "inimigos do mundo" para sermos "amigos de Deus".

Enfim... a nossa aventura é singular e verdadeira. É a única... Naruto, Yuyu Hakusho, Shurato, Inuyasha, Saint Seya podem ser interessantes. Os "santos de atena (Cavaleiros do Zodíaco)" são personagens que, inegavelmente, se apresentam de forma virtuosa.. Mas tudo isto não chega sequer aos pés dos verdadeiros santos de Cristo.

Enfim... Espero que esta reflexão, se utilizando de uma comparação tão estranha e inadequada, possa fazer-nos perceber um pouquinho da beleza desta luta, desta aventura, deste amor que a tudo transcende..

Que Cristo, Nosso Senhor, nos ensine amar e, por isso, a combater. Nossa arma? Shurikens? Espadas? Bolas de fogo que saem das mãos? Não..... Nossa arma é a Santa Cruz, a mais forte e a mais bela de todas! Não nascemos em "Konoha".... infinitamente melhor: nascemos na Igreja Católica Apostólica Romana!

Fábio Luciano

Obs.: os que não conhecem o contexto dos animes não entenderão muita coisa...hehe... mas as comparações, creio, ajudarão.

As grandes heresias - Hillaire Belloc


Chegamos ao grande momento.

A Fé está agora na presença não de uma heresia particular como no passado – o arianismo, o maniqueísmo, dos albigenses, dos maometanos – nem está na presença de algum tipo de heresia generalizada, como ocorreu quando enfrentou a revolução protestante trezentos a quatrocentos anos atrás. O inimigo que a Fé tem de enfrentar agora, e que pode ser chamado de “O Ataque Moderno”, é um assalto indiscriminado aos fundamentos da Fé, à própria existência da Fé. E o inimigo que agora avança contra nós está cada vez mais consciente do fato de que não pode haver qualquer neutralidade. As forças que agora se opõem à Fé têm o propósito de destruí-la. A batalha é doravante travada em uma linha definida de clivagem, envolvendo a sobrevivência ou a destruição da Igreja Católica. E toda – não uma parte – de sua filosofia.

Sabemos, evidentemente, que a Igreja Católica não pode ser destruída. Porém, o que não sabemos é a extensão da área em que sobreviverá, seu poder de reviver ou o poder do inimigo de fazê-la recuar cada vez mais para suas últimas defesas, até que possa parecer que o anti-Cristo chegou, e a batalha final está para ser decidida. Esse é o momento da luta diante do mundo.

Para muitos que não nutrem simpatias pelo Catolicismo, que herdaram a velha animosidade protestante contra a Igreja (embora o protestantismo doutrinário esteja agora morto) e que pensam que qualquer ataque à Igreja tenha de ser de uma forma ou de outra uma boa coisa, a luta já se mostra como um ataque vindouro ou atual contra o que chamam “Cristianismo”.

Encontramos pessoas dizendo a todo momento que o movimento bolchevista, por exemplo, é “definitivamente anti-cristão” – “oposto a qualquer forma de cristianismo” – e que tem de ser “resistido por todos os cristãos, independentemente da Igreja particular a que se pertença”, e assim por diante.

Discursos e escritos desse tipo são fúteis, porque não significam nada de definido. Não há essa coisa de uma religião chamada de “Cristianismo” – nunca houve essa religião.

Há, e sempre houve, a Igreja e várias heresias resultantes de uma rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por homens que ainda desejam manter o restante de seu ensinamento e moral. Mas nunca houve nem pode haver ou haverá uma religião cristã genérica, professada por homens que aceitem todos algumas importantes doutrinas centrais, embora concordando em diferir acerca de outras. Sempre houve, desde o início, e sempre haverá a Igreja e heresias várias destinadas a perecer ou, como a dos maometanos, crescer como uma religião separada. De um Cristianismo comum nunca houve e nunca poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante, por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se alegremente cristão, embora negue a Encarnação.

Não! A disputa é entre a Igreja e a anti-Igreja, a Igreja de Deus e o anti-Deus, a Igreja de Cristo e o anti-Cristo.

A verdade fica tão óbvia a cada dia que, em alguns anos, será universalmente aceita. Não classifico o ataque moderno de “anti-Cristo”, embora, no meu coração, acredite que seja o termo verdadeiro para ele: não, não o nomeio assim, porque pareceria exagerado no momento. Mas o nome não importa. Quer chamemos de “O Ataque Moderno, quer de “anti-Cristo”, é tudo a mesma coisa. Há uma questão clara agora entre a manutenção da moral, tradição e autoridade católicas, de um lado, e o esforço ativo de destruí-las, de outro. O ataque moderno não nos tolerará. E tentará nos destruir. Também não podemos tolerá-lo. Temos de tentar destruí-lo como o inimigo totalmente equipado e ardente da Verdade pela qual os homens vivem. O duelo é até a morte.

Às vezes, alguns chamam o ataque moderno de “um retorno ao paganismo”. Essa definição é verdadeira se quisermos dizer por paganismo uma negação da verdade católica. Se quisermos dizer por paganismo uma negação da Encarnação, da imortalidade humana, da unidade e personalidade de Deus, da responsabilidade direta do homem perante Deus e de todo o corpo de pensamento, sentimento, doutrina e cultura que se resume na palavra “Católico”, então, e apenas nesse sentido, o ataque moderno é um retorno ao paganismo.

Porém, há mais de um paganismo. Houve um paganismo de onde todos viemos: o paganismo nobre e civilizado da Grécia e de Roma. Houve o paganismo bárbaro das tribos selvagens germânicas, eslavas e outras. Há o paganismo degenerado da África, o paganismo alienado e desesperador da Ásia. Agora, como de todos esses foi possível trazer homens para a Igreja universal, qualquer novo paganismo que rejeite a Igreja conhecida seria certamente muito diferente dos paganismos para os quais a Igreja era ou é desconhecida.

Um homem subindo um monte pode estar no mesmo nível que outro descendo, mas estão voltados para caminhos diferentes e têm diferentes destinos. Nosso mundo, saindo do antigo paganismo da Grécia e de Roma para a consumação da Cristandade e de uma civilização Católica da qual todos provimos, é a própria negação do mesmo mundo que deixa a luz de sua religião ancestral e desliza para o escuro.

Considerando isso, vamos examinar o Ataque Moderno – o avanço anti-Cristão – e distinguir sua natureza especial.

Verificamos, para começar, que é ao mesmo tempo materialista e supersticioso.
Há aqui uma contradição da razão, mas a fase moderna, o avanço anti-Cristão, abandonou a razão. Preocupa-se com a destruição da Igreja Católica e da civilização proveniente dela. Não está preocupada com contradições aparentes em seu próprio corpo, contanto que a aliança geral seja para acabar com tudo pelo que temos até agora vivido. O ataque moderno é materialista, porque, em sua filosofia, considera apenas causas materiais. É supersticioso apenas como um subproduto de seu estado mental. Alimenta em sua superfície os caprichos tolos do espiritualismo, o disparate vulgar da “Ciência Cristã”, e sabe Deus quantas outras fantasias. Mas essas tolices são produzidas não por uma fome de religião, mas pela mesma raiz que tornou o mundo materialista: por uma incapacidade de entender a verdade primeira de que a fé está na raiz do conhecimento, por pensar que nenhuma verdade é apreensível, exceto através de experiência direta.

Assim, o espiritualista se gaba de suas manifestações demonstráveis, e seus vários rivais, de suas claras provas diretas. Mas todos concordam que a Revelação deva ser negada. Foi bem notado que nada é mais marcante do que a maneira pela qual todas as práticas quase religiosas modernas concordam com isso: que a Revelação deva ser negada.

Podemos inferir, então, que o novo avanço contra a Igreja – que talvez se mostre o avanço final contra a Igreja, que é, de qualquer maneira, o único inimigo moderno de importância – é fundamentalmente materialista. É materialista em sua leitura da história e, acima de tudo, em suas propostas de reforma social.

Por ser ateísta, é característico da onda que avança que repudie a razão humana. Essa atitude mais uma vez poderia parecer uma contradição em termos, pois, se você nega o valor da razão humana, se você diz que não podemos, por nossa razão, chegar a qualquer verdade, então, nem mesmo a afirmação acima feita pode ser verdade. Nada pode ser verdade, e nada vale ser dito. Mas o grande Ataque Moderno (que é mais do que uma heresia) é indiferente à auto-contradição. Simplesmente afirma. Avança como um animal, dependendo apenas da força. De fato, pode-se notar, de passagem, que isso bem pode ser a causa de sua derrota final, pois, até agora, a razão sempre sobrepujou seus oponentes, e o homem é o mestre da besta pela razão.

De qualquer forma, temos o Ataque Moderno em seu caráter principal, materialista e ateísta, e, por ser ateísta, é necessariamente indiferente à razão. Porque Deus é a Verdade.

Mas há (como os maiores dos gregos antigos descobriram) uma certa Trindade indissolúvel de Verdade, Beleza e Bondade. Não se pode negar ou atacar uma dessas três sem, ao mesmo tempo, negar ou atacar ambas as outras. Conseqüentemente, com o avanço desse novo e terrível inimigo contra a Fé e toda a civilização que a Fé produz, vem não apenas um desprezo pela beleza, mas um ódio a ela, e, colado em seus calcanhares, aparece um desprezo e um ódio à virtude.

Ascese e beleza divina em nós


"Se o coração de um homem foi purificado de toda propensão carnal e de toda insubordinação, tal homem verá em sua própria beleza a natureza Divina... Isto está por certo ao nosso alcance; tendes dentro de vós mesmos o paradigma pelo qual aprendeis o Divino. Pois o que vos criou, ao mesmo tempo vos dotou com esta qualidade maravilhosa. Aí imprimiu Deus a semelhança das glórias de sua própria natureza assim como quem molda da cera a escultura. Todavia o mal que foi derramado na natureza, esta natureza que traz a imagem divina, tornou inútil para vós este feito maravilhoso que sob máscaras vis se oculta. Se, portanto, purificais vossa vida da imundície, que tal qual emplastro se vos apega ao corpo, a beleza divina em vós outra vez fulgirá".

São Gregório de Nissa

1 ano do blog Anjos de Adoração

Nesta Semana Santa, na quarta feira de trevas, o blog Anjos de Adoração completou um ano de existência.

Queremos, por isto, agradecer a Deus que nos permite este apostolado e, aos amigos e leitores do blog, também agradecemos a atenção.

Que Deus siga nos abençoando e nos conduzindo no amor à Verdade e à defesa de Sua Santa Igreja, para o bem das almas e maior honra de nosso Grande Deus e Senhor Jesus Cristo.

Que a Virgem Santíssima, Mãe do Verbo Eterno, nos conduza pelas santas vias do Seu Filho e nos ensine o jeito certo de tornar nossa vida agradável aos Seus olhos, afim de que exalemos o bom odor de Cristo.

A Deus eterno, amor eterno. Salve Maria Santíssima, Mãe da Igreja, por meio da qual nos vêm todas as graças celestes.

"Que todos os anjos O adorem" (Hb 1,6)

Fábio Luciano


Foto de um retiro nosso feito ano passado.

À esquerda, em pé, nosso pároco, Pe. Iranjunio.

A conversão de "Barrabás" do filme "A Paixão de Cristo"

Pedro Sarubbi, em entrevista, conta como foi sua conversão depois de atuar no filme "A Paixão de Cristo", dirigido por Mel Gibson.







"Ressuscitou conforme havia dito" Aleluia!!!

"Este é o dia que o Senhor fez para nós... Alegremo-nos e nele exultemos!"
Feliz Páscoa a todos!

O nascimento da nova criação (Rm 8,22) - São Gregório de Nissa

Eis chegado o reino da vida e derrubado o poder da morte. Um outro nascimento apareceu, tal como uma nova vida, uma outra maneira de ser, uma transformação da nossa própria natureza. Esse nascimento não é obra «nem do desejo do homem, nem do desejo da carne, mas de Deus» (Jo, 1,13). Eis o dia que fez o Senhor (Sl 117,24). Dia bem diferente dos do início, pois nesse dia Deus fez um céu novo e uma terra nova, como diz o profeta (Is 65, 17). Qual céu? O firmamento da fé em Cristo. Qual terra? O coração bom, como diz o Senhor, a terra que se impregna da chuva que desce sobre ela, a terra que faz crescer colheitas abundantes (Lc 8,15). Nesta criação, o sol é a vida pura; as estrelas são as virtudes; o ar é uma conduta límpida; o mar é a riqueza da profundidade do conhecimento e da sabedoria; a erva e a folhagem são a boa doutrina e os ensinamentos divinos de que se alimenta o rebanho, quer dizer, o povo de Deus; as árvores com fruto são a prática dos Mandamentos. Nesse dia é criado o homem verdadeiro, aquele que é feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27).

Não é todo um mundo que inaugura para ti «este dia que fez o Senhor»? O maior privilégio deste dia de graça é que destruiu a morte e deu vida ao primogênito dos mortos... Que bela e boa notícia! Aquele que por nós se tornou como nós, para fazer de nós seus irmãos, conduz a sua própria humanidade para o Pai a fim de levar consigo todos os da sua raça.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...