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Música, Liturgia, humildade e bom senso


A Liturgia no Santo Sacrifício da Missa, perpetuação do Calvário de Nosso Senhor, deve ser algo sublime, digna do momento e do lugar. Toda a Igreja, em todo o seu tempo de existência, sempre prezou muito pela beleza e dignidade da Liturgia, que é dirigida a Deus.

Não obstante assim seja, o que vemos hoje é um tal descaso que certas celebrações parecem ser animadas por artistas circenses ou por cantores pops. Há mesmo grupos que parecem surdos e parecem querer tomar o centro da Santa Celebração com instrumentos e microfones altíssimos e com músicas intermináveis, sem falar da total inconveniência destas com as partes da Santa Missa.

E, como se não bastasse isso, é comum que, mesmo em partes tão sublimes como o "Sanctus", a música seja encerrada com, nada mais nada menos, um solo distorcido de guitarra... E na hora da Elevação do Santíssimo Corpo e do Santíssimo Sangue de Nosso Senhor, de repente (Deus nos acuda) escutamos elevar-se também o inconveniente som dos instrumentos musicais. Ora, e virou o que?! É show mesmo? Eu diria que é amor-próprio-desesperado!

Percebemos aqui erros crassos (crassíssimos!!!). Primeiro, o que motiva toda esta palhaçada é a vaidade, o orgulho, o sentimento do estrelato. Depois, temos a total ignorância do que seja a Liturgia, sendo que tal atitude chega a ser uma profanação. Depois, consideramos a possibilidade de algum problema de audição. E, por fim, a total falta de bom senso.

Como dizia o Papa João Paulo II, ninguém deve buscar ser o protagonista do Santo Sacrifício e os cânticos devem ser ordenados e convenientes para o Santa Missa. Para isto nos diz Sua Santidade, parafraseando o Papa Paulo VI, que o modelo supremo da música litúrgia é o canto gregoriano. Este é, pois, o critério para a orientação do que seja conveniente ou não. Quanto mais a música se aproximar deste modelo, tanto mais é digna do Templo e, quanto mais dele se distancia, tanto mais é indigna.

Porém, a partir da idéia de "inculturação", distorcida ao bel prazer dos artistas, tem se incluído na Missa verdadeiras cacofonias, como a infame "dança do espetinho". Desconfio que, para estes e outros abusos, a MTV tem dado sua contribuição e os "artistas" católicos, impossibilitados de obter fãs naquelas proporções, se aproveitam da morte de Nosso Senhor para a sua própria auto-promoção.

Haverá, neste mundo ou no outro, maior contradição? O Deus humanado humilha-se na Cruz enquanto um "zé" se aproveita pra tentar construir a sua fama ou para arrancar aplausos do "público", distraindo-os mesmo do que acontece sobre o Altar? Até onde vai a vaidade humana?

Seria cômico se não fosse trágico: Deus se humilha e um "verme" como o homem quer se exaltar a partir da humilhação de Deus..

Enfim... estamos no fim do mundo. E, como dizia Deus Pai a Santa Catarina de Sena: "até os demônios sentem asco das almas que tratam a Eucaristia com desdém".

Miserere Nobis.

Fábio Luciano

Pe. Fábio de Melo...


Ontem, dia 04 de Junho de 2009, Pe. Fábio de Melo pediu desculpas por ter ido no programa Sílvio Santos, brincar de "quem quer dinheiro?". Mas, logo depois, voltou a falar suas heresias enfeitadas com mel... aff....

Que Deus ilumine o clero.

Combate! RCC X Tradicionais


Interessante que, visitando sites, blogs e outros espaços na net tenho constatado como a discussão a respeito da RCC tem se tornado cada vez mais frequente no meio católico. Há um tempo atrás, o que eu via era um número muito maior de pessoas convictas a respeito da catolicidade deste movimento. No entanto, agora eu presencio um embate ferrenho entre os que lhe são a favor e os que lhe são contra, incluindo-me eu também neste debate.

Mas, além dos argumentos de cada uma das partes, o simples fato da ocorrência assídua destas discussões fala de um possível incômodo, como que uma intuição quase generalizada de que algo não está certo. Recentemente, um bispo queniano proibiu as reuniões da Renovação Carismática em sua diocese. O grande motivo foi o de querer conhecer mais a fundo o movimento. Entusiastas do carismatismo ergueram-se afirmando que o bispo apenas quer conhecer melhor, e que a decisão é temporária. Mas o que vejo é que, se ele quer conhecer melhor, é porque, a princípio, algo não cheirou bem. Creio que esta atitude parte de uma certa desconfiança... Do contrário, o senhor bispo poderia aprofundar-se sobre as origens e princípios da RCC sem, necessariamente, vedar suas reuniões.

A discussão tem se acirrado e isto não é qualquer coisa. Muitos têm constatado, de fato, a total heterodoxia do movimento e, a partir de um zelo maior que tem inflamado o coração de muitos católicos, está havendo uma verdadeira batalha com o intuito de purificar o catolicismo daquilo que lhe seja estranho.

Além de toda a literatura medíocre, o carismatismo ainda atrai a si os olhares dos católicos pelo testemunho daqueles que lhe são seguidores e pelo conteúdo de suas pregações. Parece, de fato, outra igreja, pois vemos o Santo Padre pregar algo em Roma e, ao mesmo tempo, presenciamos uma outra natureza de discurso por parte dos "renovados". Claro que, a partir do momento em que se estabelece uma tensão como esta, faz-se necessário escolher a quem aderir.

Alguém já falou que "católico que não estuda, torna-se protestante, e protestante que estuda, volta correndo para a Igreja Católica". A frase parece ser meio fatalista, mas, à parte de seu exagero (somente na primeira parte), ela tem sua verdade. Aliás, eu creio que o mero bom senso e a correta observação das coisas permite uma atitude mais acertada. Porém, esta luta que se trava diante de nós, e na qual muitos estamos também como combatentes, se intensificou porque, talvez enjoados das sensações afetadas de uma pseudo-mística, vários católicos voltaram-se ao estudo daquilo que é verdadeiramente católico e daquilo que, no decorrer dos séculos, tenta se vincular à Igreja para legitimar a propagação de heresias.

Enfim, o próprio fato de a discussão estar tão presente já diz muito. Que Deus, a Suma Verdade, nos conduza para o bom combate e que Ele prevaleça sobre seus inimigos. É o que esperamos e pedimos pela intercessão da Virgem Santíssima Maria Imaculada.

Fábio Luciano

A Verdade cortante de Jesus


Quando se tratava de dar testemunho da verdade, Jesus não sabia tergiversar nem fraquejar por medo. Tinha um caráter de lutador. Não se esquece de quem é nem se deixa arrastar. A sua cólera é sempre a expressão da mais alta liberdade, a expressão de um homem que tem consciência de "não ter vindo ao mundo senão para dar testeminh da verdade" (Jo 18,37).

Jesus, tão inabalavelmente fiel à vontade de seu pai e a si mesmo, tão firme no seu "sim" e no seu "não", reagia com um vigor extraordinário contra tudo o que não fosse de Deus ou que fosse contra Deus, quer se tratasse de formulações teológicas torcidas, quer de ordens vindas das autoridades. E a história da sua vida mostrou, aliás, que em qualquer momento estava pronto a comprometer a sua própria vida e a morrer pela verdade, para apoiar a sua palavra forte e corajosa.

Visão clara e varonil na ação, lealdade impressionante, sinceridade áspera, numa palavra, caráter heróico da personalidade: é o que chama imediatamente a atenção do psicólogo que estuda a fisionomia humana de Jesus. Era também o que, já ao primeiro contato, predia a Ele os discípulos

A atitude decidida, cortante como aço, de todo o seu ser, exprime-se bem nas fórmulas e sentenças curtas e penetrantes que o Evangelho nos conservou. Foi nelas que, depois das parábolas, Jesus plasmou a sua vontade, completamente voltada para a inteireza, para a consequência prática, para a pureza interior. Por isso dão verdadeiramente a impressão de algo autêntico, original: "Se o teu olho te escandaliza, arranca-o!" (Mt 18,19), "Quem perder a sua alma, ganhá-la-á" (Mt 10,39); "Ninguém pode servir a dois senhores" (Lc 16,13).

Karl Adam, Jesus Cristo.

Ordenação episcopal de Mons. Henrique Soares da Costa

Convidamos a todos para a ordenação episcopal de Monsenhor Henrique Soares da Costa que acontecerá dia 19 de Junho próximo, às 17 horas, no Ginásio do SESI ao lado do Trapichão, na cidade de Maceió-AL.

Deo Gratia!

O que foi aquilo?!


Ontem, depois de ter assistido na casa de um amigo um filme duplo do grande São Francisco de Assis, fui pra casa e, entrando, minha tia estava assistindo, no Sbt, o programa Sílvio Santos. Qual não foi a minha surpresa (na verdade, acho que nem foi tão grande assim) quando vi que um dos participantes do programa era o Pe. Fabio de Melo. E o que ele estava fazendo? Cantando? Não. Pregando? Também não. O que, então? Estava em uma daquelas brincadeiras bestas onde os participantes vão ganhando dinheiro. Não vi o início... não sei se teve algo digno de um padre católico naquele programa (acho que não.....), mas o que vi foi, sinceramente, algo vergonhoso. Como um padre se deixa passar por aquilo? O que o Pe. Fábio de Melo pretende?Depois de ir na Hebe, Faustão, Jô Soares.... agora Silvio Santos, ganhando dinheiro dele como se fosse um qualquer? Desculpem-me os entusiastas do Pe. Fábio de Melo, mas ele tem agido como criança.

Neste ano sacerdotal, rezemos para que Deus nos dê padres santos e sérios!.

Fábio Luciano.

RCC: Espírito Santo como recompensa ao erro e à desobediência?


Sabemos que a Igreja é o sustentáculo da Verdade. Esta Verdade corresponde à idéia divina e se identifica com a Pessoa do Seu Verbo. Pela própria processão divina da geração do Verbo de Deus, a verdade somente pode ser uma e possui caráter absoluto. Sendo perfeita, esta Verdade é imutável, pois tudo quanto seja mutável, ou é perfectível (pode tornar-se perfeito, o que é incompatível com a idéia de algo já perfeito), ou é defectível (pode tornar-se menos perfeito). Nesta imutabilidade da Verdade é que se fundamenta o dogma também imutável e absoluto.

Os protestantes surgem precisamente num ato de protesto contra a verdade católica que, como vimos, é a única. Quando se protesta contra a verdade, incorre-se no erro e no engano. Não se opõe a verdade com a verdade, mas com a mentira. E aqui, nego também toda a possibilidade de o protestantismo ser procedente da vontade divina. Entendê-los como resultado do divino querer, como o afirmou em certa ocasião o pregador da casa pontifícia Raniero Cantalamessa, implica, ou em negar o caráter absoluto da Revelação, ou em conceber uma contradição na divindade. Ambas são posições heréticas.

Sendo que os protestantes não devem sua existência à vontade divina, mas, antes, têm sua origem justamente num movimento de apostasia, não há como admitir que deles pudesse surgir um fruto divino. Afirmar a manifestação protestante como algo divino seria, como o disse Sto Tomás, admitir que Deus assinaria o erro, o que, por certo, Ele não faz, mesmo porque o erro, como ausência de verdade, é totalmente incompatível com Deus, Suma Verdade.

Além, já, de toda esta problemática, a coisa piora se observarmos como o tal carismatismo adentrou em terreno católico. Isto se deu a partir de um ato de desobediência expressa ao Código de Direito Canônico da Igreja vigente na época. Observemos que as raízes nunca são boas. O Código de Direito Canônico de então proibia qualquer católico de frequentar reuniões e cultos protestantes. Não obstante, um grupo de pessoas ditas católicas, interessadas no fenômeno que viam acontecer com os membros de certas denominações, quiseram também partilhar daquela experiência, pelo que pediram a estas pessoas que lhes impusessem as mãos. Não é preciso fazer notar aqui, acredito, de um lado a ingenuidade em supor aprioristicamente que tais manifestações tinham sua origem na divindade, e, de outro, na irresponsabilidade de tal atitude. Isto prova que, no mínimo, qualquer ator os enganaria sem esforço.

E interessante que esta “comunhão” entre católicos e hereges permaneceu. As primeiras reuniões carismáticas eram, em geral, pandenominacionais e os católicos que partilhavam daquela forma de rezar eram conhecidos como neopentecostais católicos. Devemos notar que reuniões desta natureza não se fazem senão a partir de um total desprezo pela doutrina da Igreja, que sempre foi intransigente com o erro. A “novidade” (como se o embuste fosse novidade no mundo) tinha se tornado mais importante e questões doutrinárias eram agora secundárias. Enfim, agora todos falavam a mesma língua (desculpem-me o gracejo).

Tendo sua gênese no protestantismo, o movimento carismático segue com sua linha fortemente característica fiel às origens. Claro é, então, que, para a maioria, esta linha de simpatia com o protestantismo e o erro permanece. Veja-se, por exemplo, a declaração do Monsenhor Jonas Abib, um dos referenciais do carismatismo no Brasil, que afirmou categoricamente que os protestantes são lindos e santos, como se alguém pudesse ser santo seguindo o erro. A santidade, para este povo, parece ser qualquer coisa de exterior. Revelador, ainda, é a conversão a este movimento por parte do Frei Raniero Cantalamessa: ele se tornou carismático num encontro de várias denominações, que apenas tinham em comum o suposto “batismo no Espírito Santo”.

Pelas suas características de origem e pelos seus princípios, dos quais poderemos tratar em outra ocasião, claro está que o carismatismo viria a ser um movimento de massa. Deus, no entanto, tem buscado despertar a Sua Igreja sobre este perigo.

Que Deus nos abençoe e nos ensine a seguir pelos Seus caminhos sem nos desviarmos nem para a esquerda(TL) nem para a direita (pentecostalismo) (Pr 4,27).

Fábio Luciano

Anjos e demônios - testemunho de um padre que conversou com os produtores.


O Padre Bernard O'Connor, um sacerdote canadense e oficial da Congregação para as Igrejas Orientais da Santa Sé, estava em Roma o ano passado enquanto o diretor Ron Howard filmava a obra. O'Connor se encontrou duas vezes com o pessoal da mesma e conversou de maneira informal com 20 deles. Estava vestido casualmente de modo que ninguém se deu conta de que era um sacerdote. Falaram abertamente, pensando que era somente "um turista amistoso". O Padre escreveu um artigo sobre sua experiência na revista mensal, Inside the Vatican (Dentro do Vaticano). Um dos trabalhadores que disse ser um dos "encarregados" opinou assim: "a Igreja miserável está contra nós outra vez e nos está causando problemas". Logo, falando de seu amigo Dan Brown, acrescentou “como muitos de nós, ele com freqüência diz que faria algo para demolir esta detestável instituição, a Igreja Católica. E triunfaremos. Já verão”. Quando o Padre O'Connor lhe pediu que precisasse suas afirmações, o oficial de produção disse "ao final desta geração não existirá mais a Igreja Católica, ao menos não na Europa ocidental. E em realidade os meios merecem muito crédito por seu desaparecimento".

“Finalmente o público está entendendo nossa mensagem", disse logo. A mensagem está claramente definida: "a Igreja Católica tem que ser debilitada e eventualmente desaparecer da face da terra. É a primeira inimizade da humanidade. Sempre o foi". Este mesmo senhor lhe dá o crédito disto à "televisão, Hollywood, as indústrias da música e de vídeo, junto com cada um dos jornais que existem, pois todos dizem o mesmo". Este sujeito também mencionou o papel que algumas universidades jogaram para minar o catolicismo.

Fé e razão - relações mútuas


A Fé e a razão não podem nunca contradizer-se, porque têm a mesma origem: Deus que é a única Verdade.

Este princípio fundamental era comumente admitido por todos os filósofos da Idade Média; mas Santo Tomás soube, melhor que todos, mostrar em pormenor, o pleno acordo das doutrinas reveladas com a verdade natural. Esta harmonia tem por origem os bons serviços que, uma à outra, se prestam a fé e a razão.

I - A fé relativamente à razão tem um papel duplo:

a) Papel de curativo - Sendo uma virtude sobrenatural cuja sede própria é a inteligência, a fé é como a radiação especial da graça neste faculdade. Ora a graça não destrói a natureza, antes a perfaz: eis porque restabelece primeiro a razão em todo o seu poder nativo, curando as feridas da ignorância e do erro, causadas pelo pecado original. Indiretamente, acalmando a perturbação das paixões e afastando os preconceitos do orgulho, dá as disposições indispensáveis a encontrar a verdade, sobretudo nos problemas práticos. Mais diretamente, nas doutrinas que interessam a salvação e que são fundamentais em filosofia (Deus e a criação, a alma humana e o seu destino), a fé mostra de antemão, com infalível certeza, o fim a atingir pela demonstração racional, poupando-nos assim as hesitações e as tentativas onde facilmente se introduz o erro.

b) Papel sobre-elevador - A influência da fé é ainda mais profunda, tanto mais que numa vida cristã fervorosa, ela é acompanhada pelo exercício dos dons do Espírito Santo, de Ciência, de Inteligência, de Sabedoria, que firmam o olhar da alma na contemplação das mais altas verdades. Porque, conquanto a fé nos apresente mistérios, em si próprios inevidentes, é sobretudo uma luz sobre-eminente que, longe de esmagar a razão, a engrandece estendendo, por assim dizer, ao infinito, o seu poder de visão. Assim, estudando a Santíssima Trindade ou a Encarnação, os filósofos cristãos descobriram admiráveis precisões sobre o valor do nosso conhecimento, sobre a inteligência e seus atos, sobre as noções de pessoas, de relações, de natureza, etc.

II - A razão relativamente à fé tem, pelo seu lado, um papel triplo:

a) Papel apologético - A razão, para conduzir à fé, pode demonstrar no sentido estrito o que Santo Tomás chama os "preâmbulos da fé", isto é, as verdades fundamentais, como a existência de Deus e sobre tudo a possibilidade e o fato da Revelação: o que chamamos a "credibilidade" da Revelação. Estas provas coordenadas constituem a ciência apologética.

b) Papel teológico - A razão explica a fé; não já por provas demonstrativas, porque os mistérios escapam por definição a qualquer demonstração racional e não podem provar-se senão pela autoridade da Escritura devidamente sancionada pelos milagres e pelo ensino oficial dos Padres e da Igreja; - mas propõe as razões de conveniência para estes mistérios; ordena logicamente as diversas verdades reveladas e esclarece a sua significação por comparação com as teses da filosofia: são as conclusões assim deduzidas e integradas numa mesma construção lógica com os dogmas, que constituem a ciência teológica.

c) Papel polêmico - A razão defende a fé refutando todas as objeções que lhe fazem, mostrando a sua falsidade ou a sua ineficácia; de modo que o mistério, ainda que ficando em certo sentido "inconcebível" e acima da razão, não se acha nunca oposto à razão e nunca implica contradição.

É no exercício desta tripla função que Santo Tomás desenvolveu principalmente os recursos da sua poderosa inteligência escrevendo as duas Sumas e as suas numerosas obras teológicas.

F. J. Thonnard, Compêndio de História da Filosofia

S. Pe. Pio – exemplo de amor visceral por Jesus Eucaristia


“E como poderei viver, caro padre, sem me aproximar para receber Jesus, mesmo uma única manhã?”

“Mas o que mais me fere, padre, é pensar em Jesus Sacramentado. O coração se sente como que atraído por uma força superior, antes de unir-se a ele de manhã, no sacramento. Sinto tal fome e sede antes de recebê-lo, que pouco me falta para morrer de ansiedade. E precisamente porque não posso deixar de unir-me a ele, às vezes com febre sou obrigado a ir-me alimentar da sua carne.

E essa fome e essa sedev em vez de se satisfazerem, depois de eu o ter recebido no sacramento, aumentam ainda mais. Depois, quando já possuo esse sumo Bem, então sim o auge da doçura é realmente grande, e pouco falta para dizer a Jesus: basta! Quase não aguento mesmo mais! Quase esqueço que estou no mundo. A mente e o coração não desejam mais nada e às vezes, por muito tempo, mesmo voluntariamente, acontece-me de não desejar outras coisas.”

“Tenho perguntado às vezes se existem almas que não sentem queimar o peito com o fogo divino, especialmente quando se encontram diante dele no sacramento. A mim isso parece impossível, sobretudo no caso de um sacerdote, de um religioso. Talvez estas almas, que dizem não sentir esse fogo, não o notem por causa do seu coração maior. Só com esta benigna interpretação me associo a eles, para não tachá-los com a nota vergonhosa de mentirosos.”

“Teria muitas coisas para lhe dizer, mas a palavra me falta. Digo apenas que as batidas do coração, quando me encontro com Jesus sacramentado, são muito fortes. Às vezes parece que quer mesmo lançar-se do peito”.

“Fico profundamente comovido ao considerar as grandes coisas que o Senhor tem operado naquela alma grandemente privilegiada. Os perigos que rodeiam aquele tesouro de graças e de pureza evangélica são muitos, infelizmente! Portanto, o meio melhor e único para se conserver fiel a Deus, para ela, que está quase sempre em contato com gente sem fé e sem lei, sempre com blasfêmias nos lábios, e no coração o ódio para com Deus, é aproximar-se diariamente da mesa dos anjos, para receber Jesus.”

“O que seria dos homens se não tivessem Jesus entre eles?, mas, especialmente, o que seria de mim?!”

“Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas Igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar. Nunca se fala desse sacramento de amor, e mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!”

“O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos. Mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que… (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?”

Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos. Destes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros ainda retirando as sagradas vestes.

Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive nenhuma resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcabam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!

E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana. Mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros tornam opressiva minha agonia.

Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostra a tua carta ao padre provincial...”

Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado...”

S. Pe. Pio, Palavras de Luz

A dignidade sacerdotal - São Francisco de Assis

Rogo no Senhor a todos os meus irmãos que são, serão ou desejam tornar-se sacerdotes do Altíssimo que ao celebrar a Missa, façam-no com pureza. Que ofereçam puramente e com respeito o verdadeiro sacrifício do santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que o ofereçam com uma intenção santa e pura, nunca por motivo terreno, nem por temor ou consideração a qualquer pessoa, "como aquele que quer somente agradar aos homens" (Ef 6,6). Que toda a sua vontade, movida, antes, pela graça do onipotente, ordene-se apenas para Ele, o soberano Senhor! Só ele opera esse mistério como é do seu agrado.

Lembrai-vos, meus irmãos sacerdotes, do que está escrito na lei de Moisés: quem a transgredia, ainda que materialmente, era "condenado sem dó à morte" (Hb 10,28). Quando o homem, conforme diz o Apóstolo, não separando (1Cor 11,29) nem distinguindo o pão sagrade de Cristo dos outros alimentos, não discernindo o seu sacrifício das outras ações, come, sem estar em estado de graça, o pão celeste, despreza, profana e calca aos pés o Cordeiro de Deus. Quanto aos sacerdotes que não querem gravar essas verdades no coração, o Senhor os desprezará.

Considerai a vossa dignidade, irmãos sacerdotes. O Senhor vos honrou acima de todos, por causa desse mistério; vós também, mais que todos, honrai-o! É uma grande desgraça e lamentável fraqueza ocupar-vos de outra coisa no mundo, tendo Cristo assim presente!

Nós, que mais especialmente nos dedicamos ao ofício divino, devemos não apenas escutar e praticar o que Deus diz, mas deixar-nos também penetrar pela grandeza do nosso Criador e lhe sermos submissos, guardar com cuidado os vasos sagrados e os escritos litúrgicos que contêm as santas palavras.

São Francisco de Assis.

Honra ao Santíssimo Sacramento - São Francisco de Assis

Carta a todos os Clérigos, 1226.

Meditemos todos nós, sobre o grande pecado e a ignorância de que alguns são culpados, em relação ao santíssimo Corpo e ao santíssimo Sangue de Jesus Cristo Nosso Senhor, e em relação aos nomes e palavras sagradas pelas quais se realiza o sacrifício do seu Corpo. Sabemos, na verdade, que o Corpo só pode estar presente se tiver havido, antes, consagração pela palavra. Neste mundo, não vemos do Altíssimo nada corporal, a não ser seu Corpo e seu Sangue, os nomes e as palavras pelas quais fomos criados e remidos da morte para a vida.

Por conseguinte, todos os ministros de tão sacrossantos mistérios - principalmente os que os administram sem respeito - devem meditar sobre o mau estado de bom número de cálices, corporais e panos que servem ao sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Muitos deixam a Eucaristia abandonada, em lugares sujos. Na rua, levam-na sem respeito; recebem-na indignamente e a distribuem sem discernimento.

Os nomes e as palavras escritas do Senhor, são às vezes pisoteados. De fato, segundo 1Cor 2,14, "o homem com sua própria inteligência não percebe o que vem do Espírito de Deus".

Todas essas profanações não excitam a nossa piedade? No entanto, o Senhor é bom a ponto de se abandonar entre nossas mãos; nós o tocamos e nossos lábios o recebem todos os dias! Estaremos esquecendo que um dia seremos colocados entre suas mãos?

Devemos, pois emendar-nos logo e definitivamente de todas essas faltas. Portanto, onde quer que o Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo seja encontrado assim abandonado, que o tirem dali para colocá-lo em lugar dehonra e conservá-lo com grande respeito! Do mesmo modo, os nome s e palavras escritas do Senhor, espalhados por toda a parte em lugares inconvenientes, que sejam recolhidos e colocados em lugar decente!

Sabemos que estamos estritamente obrigados a observar essas regras, segundo os preceitos do Senhor e as leis da santa Mãe Igreja. Quem não o cumprir, lembre-se de que há de prestar contas no dia do juízo, perante Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Francisco de Assis

O vazio espiritual

Aprenda o espiritual a ficar em advertência amorosa na presença de Deus, com sossego do entendimento, mesmo quando não puder meditar e lhe pareça nada fazer. Assim, pouco a pouco e mui rapidamente se infundirá na sua alma celeste paz e tranquilidade. cheia de admiráveis e sublimes notícias de Deus, envoltas em amor divino. Não mais se preocupe em formar imaginações ou raciocínios, a fim de não inquietar o espírito, nem subtraí-lo àquela alegria e paz interior; pois todos esses meios só lhe causam desgosto e repugnância. E para banir o escrúpulo de que nada faz, advirta que não faz pouco em pacificar a alma, estabelecendo-a no seu repouso, sem agir e sem apetecer coisa alguma. É isto o que Nosso Senhor nos pede por Davi: "Cessai e vede que eu sou Deus" (Sl 45,11). Como se dissesse: Aprendei a estar vazios de todas as coisas, isto é, interior e exteriormente, e vereis como eu sou Deus.

São João da Cruz, Obras Completas.

Estranha entrevista do Pe. Fábio de Melo no Jô Soares


Ontem à noite, assisti a entrevista do Pe. Fábio de Melo no programa do Jô e, embora já esperasse algo dessa natureza, achei muito estranho. Primeiro que o Pe. Fábio, embora tenha ido mais comportado no que se refere às suas roupas, ainda não trajava nada específico de um sacerdote. Mas, no contexto, isto é o de menos.

Na entrevista, o Pe. Fábio pareceu querer ser mais amigável do que representante da Igreja. Claro... o Jô Soares goza de grande fama neste meio, de modo que se torna quase uma honra receber o convite para participar do seu programa. A intimidação que daí decorre é quase natural. Mas o Pe. Fábio, mesmo portando-se com todo o respeito que demonstra, poderia ter sido mais "católico" no sentido estrito do termo.

Primeiro que o Jô Soares costumava dar alfinetadas no padre a respeito da Igreja e, estranhamente, vi o padre mais concordar do que rebater. Claro que se percebe que ele tentava contornar a partir de uma explicação mais aceitável, creio que com dupla finalidade: demonstrar o porte refinado de um sacerdote e evitar discussões. Bem, isto foi uma impressão que tive.

Sobre o tema que rolou, o Pe. Fábio, com um estranho gracejo, começou dizendo que havia entrado no seminário, aos 16 anos, depois que viu a piscina do lugar. Que motivação mais estranha! Claro que, como eu disse, foi um gracejo... pelo menos, espera que tenha sido.. Sempre com sua conversa contra os rígidos discursos teológicos, afirmou que a teologia deve cumprir a função de ligar e não de dividir o que a tornaria diabólica. Parece que o Pe. Fábio esqueceu da grande divisão do trigo e do joio, ou das trevas e a luz que não se conciliam, ou talvez ele não conheça, por exemplo, a grande mística Santa Catarina de Sena que afirma que, entre a Verdade e o erro, devemos fazer, não simplesmente uma tênue linha divisória, mas cavar verdadeiros abismos. Mais estranho foi ele admitir que há dias em que não celebra, por causa das viagens... Embora tenha ficado aparente que tais dias são poucos, é estranho um sacerdote deixar de fazer, ao menos um dia, aquilo que é o grande sentido de sua vocação.

O Padre disse ainda da impossibilidade de um padre assumir sua vocação sem a experiência de ter amado muito, e isto ele falou no contexto humano da relação a dois, pois então dizia ter sido muito namorador na adolescência. Para tal afirmação, argumentou que o conhecimento do sacerdote não pode ser teórico, mas experiencial. Ora, considerando as implicâncias desta afirmação, as experiências, ainda que pecaminosas, seriam essenciais para a formação do sacerdote? E aqueles que trabalham com drogados e com outras pessoas problemáticas? Estranho...

Diante das questões do Jô Soares, Pe. Fábio de Melo parecia demonstrar ser diferente da maioria dos padres, isto é, parecia demontrar estar em posse de uma visão mais evoluída do sagrado e dos assuntos pertinentes a este campo. Isto, naturalmente, leva as pessoas a uma óbvia comparação. Se o Padre Fábio de Melo, com este porte, é representante da linha mais evoluída da Igreja e, como tal, ele não é tradicionalista, então, os que se mantêm fiéis ao ensino de sempre e dogmático da Igreja, são, naturalmente, inferiores e retrógrados. A Igreja, então, aparece, em sua forma conservadora, como antiquada e inadequada aos tempos atuais. Tudo isto, é claro, fica nas entrelinhas.

Outra coisa terrível é que o Jô emitiu sua opinião a respeito do matrimônio tal qual a Igreja o concebe. Dizia ele que acha ridículo que duas pessoas se unam apenas para procriar. E o Pe. Fábio, nos arrodeios "filosóficos" pincelou por cima a questão da união do casal, mas não disse claramente do duplo caráter, unitivo e procriativo, do matrimônio. Diante do discurso adocicado do entrevistador que afirmava ser o amor mais importante, Pe. Fábio não rebateu afirmando ser parte integrante do verdadeiro amor entre o casal, a abertura para a concepção dos filhos. O amor, enquanto tal, fundamenta-se em Deus e, por isto, realiza-se como efetivação da vontade divina. Para o Jô, o amor é uma simples atração física, não necessariamente heterossexual, puramente hedonista. E o Pe. Fábio ficava de risadinhas e citação de pensadores de não sei onde e de não sei quando...

O mais estranho, porém, de toda a entrevista, foi no que concerne à Santa Missa. Criticava o apresentador as cerimônias católicas da Santa Missa que, de tão solenes, impediam o público de se encantar. Dizia ele da necessidade do espetáculo "no bom sentido", e criticava ainda a "tristeza" de certos ambientes, quando, na verdade, a grande característica deveria ser a alegria.

Pe. Fábio de Melo, por sua vez, até bem criticou a "banalização" atual da liturgia e disse que gostava de evitar estas coisas, razão pela qual suas celebrações eram, geralmente, com pouca gente e em ambientes mais recolhidos. Bem.. estas tais celebrações eu nunca vi, e delas nada falo. Mas já o vi, em outras oportunidades, celebrar bem ao modo que lhe é característico, isto é, o de um artista que prende a atenção do público, como se fosse um protagonista da Liturgia.

Pe. Fábio, porém, defendeu a teoria de que a celebração da Santa Missa, nas suas origens, constituiu-se como um banquete. Ora, esta visão da Santa Missa quase como um refeitório que visa apenas à união dos cristãos é puramente luterana. E o ponto mais essencial da Santa Missa? A Santa Missa é o Sacrifíco de Cristo! Não se faz festa diante da cruz! Não se deve estar preocupad em satisfazer o público com novidadezinhas ou discursos romancizados quando estamos diante da Cruz! Eis aí o grande motivo da gravidade católica! Eis aí o grande motivo do grande inconveniente de estar ao risos ou às reboladas ou às palmas no Santo Sacrifício da Missa! É o Calvário perpetuado!

E, na sua reta compreensão, toda a Liturgia, embora não dispense a participação dos fiéis, é, antes de tudo, voltada para Deus. Daí ser totalmente ilícito satisfazer a sede de criatividade e invencionices de certos sensacionalistas que, de tudo, querem fazer ocasião de algazarra e de incovenientes novidades que em nada se coadunam com a verdadeira Fé Católica e com o espírito da Liturgia.

Respeito o Pe. Fábio de Melo, principalmente pelo seu sacerdócio. Mas que falta não faz um sacerdote que, seguindo a linha tradicional, arranque dos que estão ao seu lado o torpor em que vivem e os desperte para, como dizia Gustavo Corção, a terrível seriedade do cristianismo!
Fábio Luciano
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