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João Paulo II, uma mulher e muitas cartas


A história de Wanda Poltawska, "irmãzinha" de Karol Wojtyla

Por Renzo Allegri

ROMA, sexta-feira, 12 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Seu nome circula pelos jornais do mundo inteiro já há algumas semanas. Ela se chama Wanda Poltawska, é polonesa, tem 88 anos e é médica psiquiatra. A razão deste interesse repentino da imprensa está no fato de que Poltawska publicou muitas das cartas que recebeu de João Paulo II.

E, como era previsível, alguns meios de comunicação quiseram tornar um escândalo as cartas de João Paulo II a uma mulher.

As cartas, publicadas em um livro recentemente lançado na Polônia, fazem parte de uma intensa correspondência trocada entre Poltawska e Wojtyla ao longo de 55 anos. Os dois se conheceram imediatamente depois da 2ª Guerra Mundial, tornaram-se amigos e colaboraram juntos em numerosas iniciativas.

Primeiro em Cracóvia, nas atividades culturais e sociais da diocese, sobretudo para os problemas da família; e, após a eleição de Karol Wojtyla como pontífice, em Roma, onde Poltawska se converteu em membro do Conselho Pontifício para a Família, consultora do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde e membro da Academia Pontifícia para a Vida.

Uma atividade intensa, uma amizade transparente, que todos conheciam. Uma amizade que teve extraordinária visibilidade em 1984, quando se soube que Poltawska havia sido objeto de um milagre por intercessão do Padre Pio, por meio da solicitação de Karol Wojtyla.

A história se remonta a 1962. Portadora de um tumor, Wanda estava a ponto de morrer. Os médicos não lhe deram esperanças; queriam de qualquer forma tentar uma operação. Wojtyla, jovem bispo, encontrava-se em Roma para o Concílio. Foi informado e escreveu imediatamente uma carta ao Padre Pio, pedindo-lhe que rezasse por aquela mulher. A carta é de 17 de novembro de 1962. Foi entregue ao Padre Pio através de Angelo Battisti, que era administrador da Casa Alívio do Sofrimento. O Padre Pio pediu a Battisti que lesse a carta para ele. Ao acabar, disse, "Angelo, a isso não se pode dizer que não".

Battisti, que conhecia bem os carismas do Padre Pio, voltou a Roma surpreso e continuava se perguntando o porquê daquela frase: "A isso não se pode dizer que não". Onze dias depois, no dia 28 de novembro, ele foi encarregado de levar uma nova carta ao Padre Pio. Nesta, o bispo polonês agradecia ao sacerdote por suas orações, porque "a mulher que tinha o tumor foi curada de repente, antes de entrar na sala de cirurgia". Um verdadeiro e chamativo milagre, portanto, testificado pelos médicos.

Conheço bem este assunto porque fui eu quem o deu a conhecer pela primeira vez em 1984, em uma biografia do Padre Pio que escrevi para Mondadori (Itália). As cartas de Wojtyla me foram entregues por Angelo Battisti, que havia me contado também o detalhe do comentário incrível do Padre Pio: "A isso não se pode dizer que não". Assim que meu livro saiu, estas cartas foram reproduzidas pela imprensa do mundo todo e, portanto, desde então, a amizade entre Karol Wojtyla e Wanda Poltawska era conhecida. Logo depois houve muitos outros artigos sobre o tema, meus e de outros colegas, e se publicaram numerosas e belíssimas fotografias, que agora vários jornais reproduzem. Nada de novo, portanto. Uma grande amizade, uma extraordinária colaboração que não se interromperam com a eleição de Wojtyla ao trono pontifício.

A publicação das cartas, no entanto, provoca feridas. E também preocupação, sobretudo no mundo eclesiástico. O cardeal da Cracóvia, em uma entrevista realizada em meio à polêmica, recriminou a Dra. Poltawska, dizendo que deveria ficar calada. Mas, examinando a situação com mente fria, chega-se a dar a razão à Dra. Poltawska. Ela fez bem em publicar estas cartas. Sua amizade era conhecida. Muitos conheciam esta correspondência. Na Congregação para a Causas dos Santos, queriam aquelas cartas. Mas não se sabe como as julgariam. E seu juízo teria permanecido secreto, sepultado nos arquivos daqueles palácios infranqueáveis. A Dra. Poltawska preferiu a luz do sol. Precisamente porque não há nada a esconder. Pelo contrário, são cartas belíssimas, de uma riqueza espiritual e humana comovente. Demonstram, como se ainda houvesse necessidade, a grandeza descomedida do coração de Karol Wojtyla, o imenso amor que tinha naquele seu coração, "imenso", precisamente porque "amava" com o amor de Deus.

Nos vários artigos publicados nestes dias, fala-se das cartas do Papa à Dra. Poltawska, mas ninguém se dedica a explicar quem é esta mulher e por que foi tão amiga de Karol Wojtyla.

Ao começar a 2ª Guerra Mundial em 1939, Wanda Poltawska era uma jovem estudante universitária. Tinha 18 anos. Assistia aos círculos de estudantes católicos. E quando os nazistas invadiram a Polônia, como tantos outros de seus conterrâneos, começou a fazer parte da Resistência Partisana, para defender a pátria. Mas foi descoberta, arrestada, conduzida à Alemanha e passou 5 anos em um campo de concentração.

Ao voltar para casa, retomou seus estudos, formou-se em Medicina e se especializou em Psiquiatria. Pessoa reservada, nunca falava de tudo o que havia sofrido. Ela quis, no entanto, transcrever em um caderno o que recordava para que não se perdesse. E só no começo da década de 80, deixou-se convencer por uma amiga e publicou aquelas suas memórias em um livrinho, intitulado "Ravensbruck. Tenho medo dos meus sonhos". Eu o conheci em 1996, através do professor Adolfo Turano, microbiólogo, que o estava traduzindo para publicá-lo também na Itália. Conservo ainda o manuscrito que ele me deu. Depois, o professor morreu prematuramente, mas sei que o livro foi publicado na Itália no ano passado.

É um documento emocionante. Desvela detalhes horríveis, alguns inéditos, sobre a crueldade dos verdugos nazistas. Poltawska conta a própria história de jovem prisioneira que vive um drama espantoso, mas a conta com uma comovente e maravilhosa participação no sofrimento dos demais. Poltawska não se limita a contar, naquelas páginas, os próprios padecimentos, sua ansiedade, seu sofrimento. Ela vê a si mesma e a todas as companheiras com o mesmo interesse. E este é um dado para ter bem presente, porque demonstra que os sofrimentos inumanos padecidos não apagaram jamais em seu coração a bondade, a dignidade humana, a solidariedade. Nos campos de concentração alemães estava o inferno, estendeu-se o "mal personificado", mas entre as vítimas inocentes houve luminosos e incríveis exemplos de bem, de altruísmo heroico.

"Uma tarde –escreve Wanda Poltawska no início de seu livro de memórias (cito da tradução que o professor Turano me deu)– estudava em casa quando na entrada uma voz masculina, em polonês, ressoou estranha e agressiva: 'Quem de vocês é Wanda?'. E assim começou. Saí... e voltei só agora, após cinco anos de campo de concentração".

A jovem, primeiro foi levada ao comando da Gestapo, em Cracóvia, e submetida a um interrogatório que durou alguns dias. Foi espancada violentamente, com socos no rosto e no estômago, e ameaçada sob a mira de um revólver.

Foi logo fechada em uma cela lotada de prisioneiros. "Na prisão, havia piolhos, pulgas, sujeira, não tinha água e brotou tifo. De noite, às vezes, de repente, acendiam as luzes, fazendo-nos permanecer firmes, começavam a chamar alguns de nós. Depois, na cela, já não se dormia, rezava-se por aquelas que tinham saído. E pouco depois, sob nossas janelas, ouvíamos os disparos da execução".

Após quase sete meses, as prisioneiras foram transportadas em um trem de mercadorias para a Alemanha, ao campo de Ravensbruck, onde os médicos alemães faziam experimentos com cobaias humanas. "Estávamos destinadas a morrer. Nossas vigilantes nos espancavam até o sangue. Fomos nuas, nos deram vestidos de listras, rasparam nosso cabelo; queriam destruir nossa personalidade".

Começaram então os trabalhos pesados, pesadíssimos. "Carregávamos uma quantidade desmedida de peso em nossos ombros... Recordo ter levado sobre meus ombros 80 quilos de cimento subindo escadas estreitas até o teto de uma casa de dois andares: sentia-me morrer, mas não podia deixar cair o peso porque atrás vinha outra prisioneira e a teria matado... Tínhamos de cimentar as áreas. As guardas gritavam ameaçadoras a qualquer sinal de descanso. As mãos sangravam".

"Voltávamos do trabalho com as mãos inchadas, os ossos quebrados. Deitávamos e após uma hora soava a sirene para revista. Voltávamos ao dormitório e, após outra hora, mais uma revista. Não se conseguia pregar os olhos. O cansaço era enorme. Às vezes, durante a revista, se dormia em pé, com os olhos abertos, e alguma caía. Era erguida a golpes. A fome era mais forte que o desejo de dormir. Estávamos magras como esqueletos. Nem sequer a vista das mulheres nuas, na fila para o banho, terrivelmente fracas, causava mal-estar. Olhávamos com indiferença nossa magreza, assim como para a possibilidade da morte. Pela fome nos convertíamos em ladras, brigávamos por migalhas".

E logo, em um certo momento, houve o chamado de um grupo que foi levado ao pavilhão da enfermaria, entre elas também Wanda. São lavadas, uma enfermeira as depila, lhes aplicam injeções que fazem perder a consciência. Quando as moças despertam, encontram as pernas engessadas. Que aconteceu? Não sabem. São devolvidas ao dormitório em cadeiras de rodas. Na cama, durante a noite, quando termina o efeito dos soníferos, começam dores terríveis.

Começa assim o martírio. Aquelas meninas convertem-se em cobaias humanas para atrozes experimentos médicos. As operações nas pernas acontecem em períodos fixos. As feridas praticadas são tratadas com medicamentos especiais que produzem infecções, gangrenas. Naquele estado, as vítimas são abandonadas sozinhas nos dormitórios, sem nenhuma assistência. Wanda, ainda não podendo manter-se em pé, deixa-se cair na cama e, agarrando-se às camas das companheiras, chega àquelas que sofrem mais para levar consolo, lava os rostos febris com panos úmidos, conforta quem está agonizando. De dia chegam os médicos, observam as feridas, e ordenam outros experimentos. A cada pouco, uma menina morre.

O desespero das sobreviventes é indizível. Mas Wanda, inclusive naquela situação terrível, consegue manter seu equilíbrio cristão. "Não tinha ódio e nem sequer agora tenho. Que via naqueles alemães? Olhava-os e buscava neles as pessoas".

Esta, em uma rápida síntese, é a inacreditável e horrível experiência que Wanda Poltawska fez, dos 18 aos 23 anos, no campo de concentração de Ravensbruck. Uma experiência capaz de destruir qualquer equilíbrio psíquico. Wanda sobreviveu física e psiquicamente àqueles horrores graças a sua fé. E também graças à ajuda de um jovem sacerdote, Karol Wojtyla, que conheceu ao retornar a casa. Àquele sacerdote confiou seus dramas espantosos e ele pôde "compreender", porque também ele, nos anos de guerra, fora martirizado por grandes dores pessoais que o conduziram à vocação sacerdotal. E nasceu assim uma amizade, alimentada pelo resto da vida, cheia de atividades e de iniciativas para promover os valores que brotaram daqueles longos sofrimentos.

Enviado por Claudemir Leandro

A renúncia de si mesmo e a purificação do coração


Tito Colliander

Desarmado, fraco e desprovido de poderes, empreende a mais difícil das tarefas: vencer teus próprios desejos egoístas. É exatamente isso a "perseguição de si mesmo" de que depente, finalmente, o resultado do teu combate; pois, enquanto tua vontade egoísta dominar, não poderás dizer ao Senhor com coração puro: "Que seja feita a tua vontade." Se não te podes desfazer da tua própria grandeza, não poderás abrir-te à verdadeira grandeza. Se te agarras à própria liberdade, não poderás tomar parte na verdadeira liberdade, que é o reino de uma única vontade.

O mais profundo segredo dos santos é este: não procures a liberdade, e a liberdade te será dada. A terra não produzirá senão cardos e espinhos, diz a Escritura. É com o suor do seu rosto, com muito sofrimento, que o homem devem cultivá-la. Esta terra é o homem mesmo, na sua própria natureza. Os santos Padres aconselham a começar pelas coisas pequenas; pois, como diz Santo Efrém, o Sírio, como poderias apagar um grande incêndio antes de aprender a abafar um fogo de pequenas proporções? Se queres ser capaz de resistir a uma paixão violenta - dizem os santos Padres, abate os pequenos desejos. Não creias que se possa separá-los uns dos outros: eles se prendem como os elos de uma corrente, com as malhas de uma rede. Por isso,  de nada serve atacar os vícios principais e os maus hábitos que te opõem forte resistência, se ao mesmo tempo não te esforças por vencer as pequenas fraquezas "inocentes": pequenas gulas, tentação de falar, curiosidade, hábito de se meter nos assuntos dos outros.

Todos os nossos desejos, de fato, grandes ou pequenos, têm o mesmo fundamento: o nosso hábito constante de satisfazer apenas a nossa própria vontade. É, portanto, a vontade própria que deve ser condenada à morte. Desde o pecado original, nossa vontade está exclusivamente a serviço do nosso próprio "eu". Assim, o objetivo do combate é a morte da vontade própria. É preciso começar sem demora, e prosseguir na luta sem descanso.

Tens vontade de fazer uma pergunta? Não a faça. Tens a tentação de olhar pela janela? Não olhes! Tens desejo de visitar alguém? Fica em casa. Isso é perseguir a si mesmo. Através desse meio, com a ajuda de Deus, faz-se calar a voz ruidosa da própria vontade.

Talvez te perguntes se isso é realmente necessário. Os santos Pares respondem com outra pergunta: Crês mesmo que seja possível encher um vaso com água pura, sem despejar primeiro a água suja que nele se encontra? Ou gostarias de receber um hóspede amado, num quarto abarrotado com toda espécie de velharias e de objetos postos de lado? Não. "Todo o que tem esperança de ver o Senhor tal como ele é, purifica-se a si mesmo", diz o apóstolo São João (1Jo 3:3).

Purifiquemos, pois, o nosso coração! Joguemos fora todas as velharias empoeiradas que aí se acumulam; lavemos o chão com escova, limpemos os vidros e abramos as janelas, para que o ar e a luz entrem no quarto, onde queremos fazer um santuário para o Senhor. troquemos enfim de roupa, para que o nosso velho cheiro de bolor já não fique em nós, e para que não sejamos lençados fora (Cf Lc 13:28). Eis o nosso labor de cada dia e de cada instante. Fazendo isso, estaremos apenas cumprindo o que o Senhor nos ordenou por seu santo apóstolo Tiago: "... santificai os vosso corações" (Tg 4:8).

Pede-nos o apóstolo Paulo: "... Purifiquemo-nos de toda mancha da carne e do espírito" (2Cor 7:1). Diz o Cristo: "Com efeito, é de dentro do coração dos homens que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, inveja, difamação, arrogância, insensatez. Todas estas coisas más saem de dentro do homem, e são elas que o tornam impuro" (Mc 7:21-23). Por isso, ele exorta assim os fariseus: "... limpa primeiro o interior do copo para que também o exterior fique limpo!" (Mt 23:26). Pondo em prática esse preceito de começar pelo interior, devemos ter presente em nosso espírito que não é, de modo algum, por nós mesmos, que purificamos o nosso coração. Não é para a satisfação pessoal que limpamos e polimos o quarto de hóspedes, mas sim para que o nosso hóspede se sinta bem. Nós nos perguntamos: "Será que vai achá-lo a seu gosto? Irá ficar?" Todo o nosso pensamento é para ele. Depois nos retiramos, ficamos em segundo plano, sem esperar resposta.

Como explica Nicétas Stéthatos, existem para o homem três estados: o homem carnal, que quer viver para o próprio prazer, mesmo em detrimento dos outros; o homem natural, que deseja agradar ao mesmo tempo a si mesmo e aos outros; o homem espiritual, que quer agradar só a Deus ainda que sejaem detrimento de si próprio. O primeiro está abaixo da natureza; o segundo está conforme à natureza; o terceiro está acima da natureza: é a vida no Cristo.

O homem espiritual pensa espiritualmente; sua esperança é ouvir um dia os anjos se alegrarem "... por um só pecador que se converte" (Lc 15:10), um pecador que não é outro senão ele mesmo. Que sejam esses os teus sentimentos; trabalha animado por essa esperança, pois o Senhor nos deu este preceito: "... deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 6:33).

Não te concedas repouso algum, nenhuma trégua, até que tenhas condenado à morte essa parte de ti mesmo que provém da natureza carnal. toma a resolução de descobrir em ti toda manifestação do homem animal, e de persegui-lo implacavelmente. "Pois a carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias à carne" (Gl 5:17). Mas se temes tornar-te justo a teus próprios olhos, trabalhando para a tua salvação; se temes ser vencido pelo orgulho espiritual, examina-te a ti mesmo, e diz que aquele que teme tornar-se justo a seus próprios olhos, é cego, porque não vê que ele é justo a seus próprios olhos.

Tito Colliander, Caminho dos Ascetas - Iniciação à vida espiritual.

A idéia de universidade

Por Otto Maria Carpeaux

Por toda parte, as universidades são doentes, senão moribundas, e isto é grande coisa. Os iniciados bem sabem que não é esta uma questão para os pedagogos especializados. Das universidades depende a vida espiritual das nações. O fim das universidades seria um fim definitivo. O abismo entre o progresso material e a cultura espiritual aumenta de dia para dia, e as armas desse progresso nas mãos dos bárbaros é fato que clama aos céus. Os edifícios das universidades resistem ainda, e neles trabalha‑se muito, demais, às vezes, mas o edifício do espírito, esta catedral invisível, está ameaçado de cair em ruínas. Em tempos mais felizes a sueca Ellen Key dizia com sutileza: “Cultura é o que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos.” E, deste modo, somos riquíssimos de saber e mendigos de cultura. Hoje em dia Herbert George Wells pode dizer: “We are entered in a race between education and catastrophe”. “Entramos numa corrida entre educação e catástrofe.” Aí está a questão da Universidade.O utilitarismo é o inimigo mortal da Universidade.


Mas o que quer dizer “prático”, “útil”? A resposta não é tão simples. Por felicidade os poderosos deste mundo introduziram um novo ponto de vista, ao qual julgo que devemos algumas perspectivas novas.

Para a mentalidade média do nosso tempo a utilidade das ciências é determinada segundo as aplicações práticas: a física e a química, que nos forneceram a luz elétrica e os gases asfixiantes, são as ciências úteis; a história e a filosofia, que não nos fornecem nada, são ciências “inúteis”.

Sabemos que a Universidade, Universitas Litterarum, é uma criação da Idade Média. [Onde estão] as “velhas” ciências, as Litterae, que na Idade Média já eram conhecidas, e que formam a verdadeira alma da Universidade? Foram justamente estas Litterae que formaram os caracteres das nações; e aquele que desejar transformar uma nação deverá transformá-las integralmente.

A história das universidades é a história espiritual das nações. A França medieval é a Sorbonne, cujo enfraquecimento coincide com a fundação renascentista do Collège de France, e cujo prolongamento moderno é a Ecole Normale Supérieure. A Inglaterra, mais conservadora, é sempre Oxford e Cambridge. A Alemanha luterana é Wittemberg e Iena; a Alemanha moderna é Bonn e Berlim. As velhas universidades são de utilidade muito reduzida. Elas não fornecem homens práticos; formam o tipo ideal da nação: o lettré, o gentleman, o Gebildeter. Elas formam os homens que substituem, nos tempos modernos, o clero das universidades medievais. Elas formam os clercs.

As universidades americanas têm a mesma origem. As velhas universidades da América Latina — Lima, México, Bogotá, Córdova — são fundações da Coroa de Espanha; mas foram, desde o início, confiadas aos frades, e já a primeira cédula de fundação, a ordem real do imperador Carlos V, de 21 de setembro de 1551, dá claramente a entender o sentimento da responsabilidade perante o espírito, o espírito desinteressado da Universidade medieval: “Para servir a Deus, Nosso Senhor, e ao bem público de nossos reinos, convém que nossos vassalos, súditos e naturais tenham Universidades e Estudos Gerais em que sejam instruídos e titulados em todas as ciências e faculdades, e pelo muito amor e vontade que temos de honrar e favorecer aos de Nossas Índias, e desterrar deles as trevas da ignorância, criamos, fundamos e constituímos na cidade de Lima dos reinos do Peru, e na cidade de México da Nova Espanha, Universidades e Estudos Gerais”. Nada mais eloquente, admirável, do que semelhantes termos haverem sido empregados quando os puritanos fundaram, em 1636, a primeira universidade da América inglesa, a de Harvard: “After God had carried us safe to New England, and we builded our houses and settled the Civil Government; one of the next things we looked after was to advance Learning and perpetuate it to Posterity, dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust” (New England’s First Fruits, 1643). (“Depois que Deus nos tinha seguramente conduzido à Nova‑Inglaterra, e que construímos as nossas casas e estabelecemos um governo civil, uma das nossas primeiras ocupações foi estimular o ensino e perpertuá‑lo para a posteridade, com receio de deixar às igrejas um clero iletrado quando os nossos clérigos atuais jazerem em pó.”


O que resta destas Universitates Litterarum? O nome. Já não formam lettrés, nem gentlemen, nem Gebildeter; formam médicos, advogados, professores. As universidades tornaram‑se lugares de investigações científicas; e é um romantismo utilitário que vem muni‑las das asas do progresso. Não há mais “clercs”, só há estudantes.

Queixam‑se de que as universidades já não fornecem elites. Sim, mas em compensação fornecem verdadeiras massas, porque as ciências modernas e suas investigações têm menos necessidade de cérebros que de batalhões de estudantes; e para isto elas satisfazem. A inteligência que é precisa para estudar uma profissão, mesmo acadêmica, não é tão grande como os leigos imaginam. Há vários séculos um sábio inglês, o cônego dr. Copleston, fellow do Ariel College, em Oxford, predizia: “Ainda que a ciência seja favorecida por essas concentrações de inteligência a seu serviço, os homens que se encerram nas especializações têm a inteligência em regresso” (citado pelo cardeal Newman, The idea of a university, p. 72). É o regredir de uma elite à condição de massa ornada de títulos acadêmicos.

É preciso que se digam, aqui, algumas verdades muito impopulares e muito desagradáveis. Existe Inteligência e existem “intelectuais”. Intelectuais são os médicos, os advogados, os funcionários superiores de toda espécie, os especialistas científicos de toda sorte. Mas deve‑se dizer que somente uma parte desses “intelectuais” pertence à Inteligência, que é, por seu lado, o resto dos “clercs”, da elite de outrora. Sejamos sinceros: podemos ser bom médico, bom advogado, bom professor, e ter o espírito preso aos limites da profissão; e sabemos que o grau acadêmico nem sequer é sempre a garantia de boas qualidades profissionais. Mas ele confere sempre uma autoridade social. José Ortega y Gasset caracterizou essa nova espécie de intelectuais, violentamente, mas sinceramente: “Nuevo bárbaro, retrasado com respecto a su época, arcaico y primitivo en comparación con la terrible actualidad de sus problemas. Este nuevo bárbaro es principalmente el profesional más sabio que nunca, pero más inculto también — el ingeniero, el médico, el abogado, el científico” (Misión de la Universidad, Obras, p. 1289).

É o fato central da nossa época: as classes médias, mesmo antes de serem proletarizadas, mesmo justamente para evitar a ameaça da proletarização, transformam‑se em massas proletárias. E esta proletarização interior é um fenômeno da educação. Chama‑se “classes médias” o problema central da nossa época.

O problema capital do nosso tempo, o problema da elite, é, no fim das contas, um problema de pedagogia humanística. Existe mesmo, hoje, política que consiste na exterminação das elites pelas armas dos especialistas. E foi bem preparada: da diminuição das lições latinas, existe apenas um passo para a destruição dos livros e dos museus.

O resultado mais frequente da moderna educação universitária é um decidido adeus aos livros. Mais tarde, combaterão as “línguas mortas” na escola. Enfim, declararão inútil todo o ensino secundário, com as suas ideias vagas e inúteis duma “cultura geral”; talvez toquem, com isso, no ponto nevrálgico da discussão. Todo o problema espiritual dos nossos dias é, pois, um problema de falta de educação humanística, um problema pedagógico; e todo o problema pedagógico dos nossos dias é um problema da escola específica das classes médias, da escola secundária.

Segundo o regime escolar vigente em todos os países, sem exceção, a Universidade dedica‑se ao ensino profissional superior, enquanto a “cultura geral” fica reservada ao ensino secundário, aos ginásios e aos liceus. Quer dizer: o ensino da cultura geral limita‑se aos jovens de dez a dezoito anos. Depois, a “cultura” termina, e a medicina e a jurisprudência começam, sem nenhuma “cultura geral”. Os conhecimentos do ensino secundário empalidecem, naturalmente, com o tempo; mas ainda há coisa pior: todo esse ensino de “cultura geral” é feito ao alcance de jovens de dez a dezoito anos: a história, a filosofia, a literatura, amoldadas ad usum Delphini, e forçosamente puerilizadas. E aí fica. Nunca mais o jovem médico ou engenheiro ouve falar em história, filosofia, literatura, exceto pela imprensa ou pelo rádio, que se colocam ao alcance do espírito das grandes massas, pueris por natureza. Resultado: um espírito artificialmente preservado no estado pueril com uma formação profissional superposta. Conheço bem as numerosas exceções que felizmente existem. Mas, em geral, estas massas graduadas se distinguem dos iletrados somente por uma autoridade profissional que as torna menos úteis que perigosas. Ainda uma vez cito Ortega y Gasset: “La peculiarísima brutalidad y la agresiva estupidez con que se comporta un hombre, cuando sabe mucho de una cosa y ignora de raiz todas las demás” (o. c., p. 1291). Eles, porém, os iletrados, têm sempre razão, porque são muitos e ocupam um lugar de elite, esse “proletariado intelectual”, sem dinheiro ou com ele, isso não importa. Julgam tudo, e tudo deles depende. Leem os livros e decidem sobre os sucessos de livraria, criticam os quadros e as exposições, aplaudem e vaiam no teatro e nos concertos, dirigem as correntes das ideias políticas, e tudo isto com a autoridade que o grau acadêmico lhes confere. Em suma, desempenham o papel de elite. São os nouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos; e nós sofremos as consequências, amargamente, cruelmente.

Uma coisa fica, porém: a Universidade é uma criação da Idade Média. Todas as universidades medievais são, por princípio, instituições “clericais”: elas formam os “clercs”. O restabelecimento das universidades “clericais” é uma restauração de tradições.

Quatro ou cinco faculdades reunidas não constituem ainda uma universidade. Elas não criam esta “convivence of sciences, which forms a philosophical habit of mind”, de que fala o cardeal Newman. Não se trata destas ciências ou daquelas profissões. Trata‑se do espírito comum que as anima, do espírito filosófico, antiutilitário, desinteressado, que as nossas universidades perderam, e que é a própria ideia de Universidade. Derrubemos, pois, este estado de coisas. É ao ensino secundário que cabe o preparo do ensino profissional, dispensado nos hospitais e na magistratura. Em conclusão, é à Universidade que incumbe a formação do espírito da “clericatura”.

Voltemos aos estudantes: o seu utilitarismo, mais perigoso que o das ciências, perdurará enquanto a frequência das universidades for a chave para as posições de mando na sociedade. Verdadeiramente, o oposto deste utilitarismo é o desinteresse, no qual Newman via o espírito e a ideia de universidade, o espírito do clero universitário medieval que se sentia independente do mundo e somente responsável perante Deus. Sem tais padres o altar fica vazio e o culto abandonado. Poderia chegar o dia em que ninguém compreenderia mais as fórmulas nem os poemas, em que os quadros de Rembrandt seriam pedaços de tela e as partituras de Beethoven farrapos de papel; dia da barbárie, em que a história humana transformar‑se‑ia, pela sucessão de desgraças, num formigueiro mal organizado. E este dia talvez já esteja mais próximo do que realmente pensamos. “Somos a última reserva, fiquemos conscientes disto.” — dizia Hugo Ball. Fiquemos conscientes, “dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust”.

Texto enviado por Claudemir Leandro

11 de Junho de 2009 - Festa de Corpus Christi

"Isto é o Meu Corpo"

"Senhor, eu creio, adoro, espero e amo-Vos;
Peço-vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam"

"Minha Carne é verdadeiramente uma comida e Meu Sangue é verdadeiramente uma bebida."
"Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a vida eterna."

"Felizes os convidados para a Ceia do Senhor!"

Exemplo da grande retórica abortista!

Vejam que argumentos! Que objetividade! Que clareza na sua retórica!



Fonte: http://deuslovult.org/

Acerca da Santíssima Trindade


S. João da Cruz, Toledo, cárcere - 1578

Sobre o Evangelho "In Principio Erat Verbum".

No princípio morava
o Verbo, e em Deus vivia,
nele sua felicidade
infinita possuía.

O mesmo Verbo Deus era,
e o princípio se dizia.
Ele morava no princípio
e princípio não havia.

Ele era o mesmo princípio
por isso dele carecia.
O Verbo se chama Filho,
pois do princípio nascia.

Ele sempre o concebeu,
e sempre o conceberia.
Dá-lhe sempre sua substância
e sempre a conservaria.

E assim a glória do Filho
é a que no Pai havia;
e toda a glória do Pai
no seu FIlho a possuía.

Como amado no amante
Um no outro residia,
e esse amor que os une,
no mesmo coincidia

com o de um e com o de outro
em igualdade e valia.
Três pessoas e um amado
entre todos três havia;

e um amor em todas elas
e um só amante as fazia,
e o amante é o amado
em que cada qual vivia;

que o ser que os três possuem,
cada qual o possuía,
e cada qual deles ama
à que este ser recebia.

Este ser é cada uma,
e este só as unia
num inefável abraço
que se dizer não podia
pelo qual era infinito
o amor que os unia,

porque o mesmo amor três tem,
e sua essência se dizia:
que o amor quanto mais uno,
tanto mais amor fazia.

São João da Cruz, Romances Trinitários e Cristológicos.

Elevação à Santíssima Trindade

Beata Elisabete da Trindade (21 de novembro de 1904)

Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor; quisera ser uma esposa para vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos revestir-me de vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em vós e ficar sob vossa grande luz; ó meu astro Amado, fascinai-me a fim de que não me seja possível sair de vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de amor, “vinde a mim” para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu Mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com vossa sombra vendo nela só o Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vá qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.

A intolerância dos "tolerantes" defensores de heresias


Fiquei muito feliz quando, hoje, visitando alguns espaços virtuais e fazendo minhas pesquisas rotineiras, encontrei um blog que continha um texto de minha autoria. O tal texto tratava da entrevista do Pe. Fábio de Melo no programa do Jô onde eu aponto, à luz do Magistério da Santa Igreja, as incompatibilidades de muitas de suas afirmações com a Tradição Bimilenar Católica.

Eu já havia visitado o blog há algum tempo e, desde aquela ocasião, estranhava-me o fato de ser um rapaz de 14 anos, o Everth Queiroz, quem o organizava, não pelo fato da idade em si, mas pela sua notável inteligência, tão precoce e incomum, considerando a maioria dos adolescentes de hoje em dia que se deixam ensinar pelos meios midiáticos e por telenovelas de cunho medíocre como a infame Malhação. Meu elogio ao rapaz é muito sincero e independe de ter usado um texto meu ou não. A princípio, notei que defende a Ortodoxia da Igreja e isto é muito bom. Visitarei o blog em questão com mais frequência.

Uma coisa, porém, me estranhou, embora em nada tenha tirado a paz da minha alma. Parece mesmo que andei incomodando a muita gente.. hehe... Mas isto em nada me espanta, afinal, "eu não seria servo de Cristo se quisesse agradar aos homens" (Gal 1,10). O que me estranhou foi que lá, nos comentários a respeito do que escrevi, vi verdadeiras pérolas. Uma que me fez gargalhar foi a que estabelecia uma identificação entre o amor próprio e o seguimento de Deus. Dizia mais ou menos o seguinte: "depois do Pe. Fábio, voltei a me amar, ou seja, a seguir a Deus". Aqui, o autor deste comentário declara que seguir a Deus é se amar... é quase uma declaração a respeito da própria divindade... kk... embora, eu saiba.. não foi essa a sua intenção. Mas que foi engraçado, foi..

Fui acusado ainda de ser invejoso, maldoso e coisas desta natureza. Mas.. interessante que, na minha postagem, cuidei para não emitir opinião a respeito das intenções do padre, enquanto que, nestes comentáros, a grande maioria se autorizava a conhecer-me as intenções... A burrice e suas contradições! Não tenho respeitos humanos e nem sou destes românticos que deixam um amigo morrer pra não lhe incomodar. A verdade deve ser dita! É isto o que Nosso Senhor nos ordena: "Ide e ensinai".

Outra coisa que me chamou a atenção foi a notável visão evolucionista da Fé. Meus caros, a Fé não evolui, pelo simples fato de que foi ensinada pelo Deus que se fez carne! Ela não é fruto de invenções nem está sujeita a esta dita evolução, como querem fazer crer alguns. A Verdade ensinada é o próprio Cristo. Supor que deva mudar é negar que a Verdade seja perfeita e absoluta. Quando se nega isto, definitavamente, já não se é católico.

Vi que muitos me consideravam um orgulhoso que acusa os outros e que se considera melhor e tal.... Não me considero melhor, por mais que isto pareça demagogia, mas tenho certa consciência dos bens que me foram concedidos, assim também como da profundidade e negrura de minhas misérias. Porém, com todas as forças de minha alma desejo amar a Nosso Senhor e corresponder-Lhe o amoroso chamado que me fez de ser um filho de Sua Santa Igreja. Por isto mesmo, defendo-a. E aqui, pensem um pouco: soberba e vaidade existem quando se defende uma característica própria, exagerando-a. Ao contrário, o que faço aqui não é defender opinião minha, mas a doutrina da Igreja que muitos, sob o nome de amor, insistem em distorcer mediante um relativismo medíocre, um subjetivismo enjoado e romântico sem qualquer profundidade. Realmente, os inimigos da Igreja estão fadados ao ridículo, e isso diga-se dos seus inimigos externos tanto quanto dos internos que a ferem por dentro.

O que mais me incomodou, porém, foi a compreensão que se tem da Santa Missa. Muitos negam-lhe claramente o caráter de Sacrifício, e lhe concebem, antes de tudo, como uma festa ou um banquete. Lembro aqui, aos leitores deste blog, o que já foi expresso pelo Concílio de Trento, dogmático, segundo o qual qualquer um que negue o caráter sacrifical da Santa Missa deve ser excomungado. Dentre os comentadores do texto em questão, teve um até que fez uma troncha alusão a Abraão e a seu filho. Reconheceu que, uma vez que seu filho foi salvo do martírio, um cordeiro foi imolado em seu lugar. Aí eu pergunto: Quem será que o cordeiro em questão prefigurava? Claro que era o Cristo, o Cordeiro de Deus que se imolou por nós. Pensemos então se, mesmo a Abraão, seria conveniente imolar o cordeiro aos pulos e às reboladas...

Já pensou os Apóstolos, na Ceia do Senhor, distraindo-se e brincando de roda, justamente naquele momento em que Nosso Amado Deus nos diz: "Fiquem comigo, a minha alma está triste até a morte"?. E aí dizem: "ah, mas Deus ressuscitou!". Claro que sim.. Mas o Ressuscitado e o Crucificado são um só e na Santa Missa acontece, efetivamente, o Sacrifício de Nosso Senhor e malditos os que o profanam!

"Quem quiser seguir a Cristo, não O busque sem a cruz"
é o que ensina S. João da Cruz, doutor da Igreja, e é o que ensina a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Recomendo aos leitores que, porventura, queiram compreender algo mais sobre a seriedade da Santíssima Celebração, que leiam estas declarações do Pe. Pio e, sobre a imutabilidade e intolerância doutrinal que sempre marcou os verdadeiros católicos, leiam este excelente sermão do Cardeal Pie de 1841.

Enfim, peço que a Virgem Maria interceda pela Igreja e aos cegos ilumine, retirando-lhes as escamas que lhes pesam sobre os olhos e os libertando deste miserável relativismo e do falaz evolucionismo que reina em nossos tempos.

Enfim, peço que os que discordam do que foi escrito, antes de se entregarem como vítimas irracionais de suas raivinhas, façam o exercício da reflexão antes de qualquer resposta ou comentário.

E que Deus os abençoe.
Fábio Luciano

Música, Liturgia, humildade e bom senso


A Liturgia no Santo Sacrifício da Missa, perpetuação do Calvário de Nosso Senhor, deve ser algo sublime, digna do momento e do lugar. Toda a Igreja, em todo o seu tempo de existência, sempre prezou muito pela beleza e dignidade da Liturgia, que é dirigida a Deus.

Não obstante assim seja, o que vemos hoje é um tal descaso que certas celebrações parecem ser animadas por artistas circenses ou por cantores pops. Há mesmo grupos que parecem surdos e parecem querer tomar o centro da Santa Celebração com instrumentos e microfones altíssimos e com músicas intermináveis, sem falar da total inconveniência destas com as partes da Santa Missa.

E, como se não bastasse isso, é comum que, mesmo em partes tão sublimes como o "Sanctus", a música seja encerrada com, nada mais nada menos, um solo distorcido de guitarra... E na hora da Elevação do Santíssimo Corpo e do Santíssimo Sangue de Nosso Senhor, de repente (Deus nos acuda) escutamos elevar-se também o inconveniente som dos instrumentos musicais. Ora, e virou o que?! É show mesmo? Eu diria que é amor-próprio-desesperado!

Percebemos aqui erros crassos (crassíssimos!!!). Primeiro, o que motiva toda esta palhaçada é a vaidade, o orgulho, o sentimento do estrelato. Depois, temos a total ignorância do que seja a Liturgia, sendo que tal atitude chega a ser uma profanação. Depois, consideramos a possibilidade de algum problema de audição. E, por fim, a total falta de bom senso.

Como dizia o Papa João Paulo II, ninguém deve buscar ser o protagonista do Santo Sacrifício e os cânticos devem ser ordenados e convenientes para o Santa Missa. Para isto nos diz Sua Santidade, parafraseando o Papa Paulo VI, que o modelo supremo da música litúrgia é o canto gregoriano. Este é, pois, o critério para a orientação do que seja conveniente ou não. Quanto mais a música se aproximar deste modelo, tanto mais é digna do Templo e, quanto mais dele se distancia, tanto mais é indigna.

Porém, a partir da idéia de "inculturação", distorcida ao bel prazer dos artistas, tem se incluído na Missa verdadeiras cacofonias, como a infame "dança do espetinho". Desconfio que, para estes e outros abusos, a MTV tem dado sua contribuição e os "artistas" católicos, impossibilitados de obter fãs naquelas proporções, se aproveitam da morte de Nosso Senhor para a sua própria auto-promoção.

Haverá, neste mundo ou no outro, maior contradição? O Deus humanado humilha-se na Cruz enquanto um "zé" se aproveita pra tentar construir a sua fama ou para arrancar aplausos do "público", distraindo-os mesmo do que acontece sobre o Altar? Até onde vai a vaidade humana?

Seria cômico se não fosse trágico: Deus se humilha e um "verme" como o homem quer se exaltar a partir da humilhação de Deus..

Enfim... estamos no fim do mundo. E, como dizia Deus Pai a Santa Catarina de Sena: "até os demônios sentem asco das almas que tratam a Eucaristia com desdém".

Miserere Nobis.

Fábio Luciano

Pe. Fábio de Melo...


Ontem, dia 04 de Junho de 2009, Pe. Fábio de Melo pediu desculpas por ter ido no programa Sílvio Santos, brincar de "quem quer dinheiro?". Mas, logo depois, voltou a falar suas heresias enfeitadas com mel... aff....

Que Deus ilumine o clero.

Combate! RCC X Tradicionais


Interessante que, visitando sites, blogs e outros espaços na net tenho constatado como a discussão a respeito da RCC tem se tornado cada vez mais frequente no meio católico. Há um tempo atrás, o que eu via era um número muito maior de pessoas convictas a respeito da catolicidade deste movimento. No entanto, agora eu presencio um embate ferrenho entre os que lhe são a favor e os que lhe são contra, incluindo-me eu também neste debate.

Mas, além dos argumentos de cada uma das partes, o simples fato da ocorrência assídua destas discussões fala de um possível incômodo, como que uma intuição quase generalizada de que algo não está certo. Recentemente, um bispo queniano proibiu as reuniões da Renovação Carismática em sua diocese. O grande motivo foi o de querer conhecer mais a fundo o movimento. Entusiastas do carismatismo ergueram-se afirmando que o bispo apenas quer conhecer melhor, e que a decisão é temporária. Mas o que vejo é que, se ele quer conhecer melhor, é porque, a princípio, algo não cheirou bem. Creio que esta atitude parte de uma certa desconfiança... Do contrário, o senhor bispo poderia aprofundar-se sobre as origens e princípios da RCC sem, necessariamente, vedar suas reuniões.

A discussão tem se acirrado e isto não é qualquer coisa. Muitos têm constatado, de fato, a total heterodoxia do movimento e, a partir de um zelo maior que tem inflamado o coração de muitos católicos, está havendo uma verdadeira batalha com o intuito de purificar o catolicismo daquilo que lhe seja estranho.

Além de toda a literatura medíocre, o carismatismo ainda atrai a si os olhares dos católicos pelo testemunho daqueles que lhe são seguidores e pelo conteúdo de suas pregações. Parece, de fato, outra igreja, pois vemos o Santo Padre pregar algo em Roma e, ao mesmo tempo, presenciamos uma outra natureza de discurso por parte dos "renovados". Claro que, a partir do momento em que se estabelece uma tensão como esta, faz-se necessário escolher a quem aderir.

Alguém já falou que "católico que não estuda, torna-se protestante, e protestante que estuda, volta correndo para a Igreja Católica". A frase parece ser meio fatalista, mas, à parte de seu exagero (somente na primeira parte), ela tem sua verdade. Aliás, eu creio que o mero bom senso e a correta observação das coisas permite uma atitude mais acertada. Porém, esta luta que se trava diante de nós, e na qual muitos estamos também como combatentes, se intensificou porque, talvez enjoados das sensações afetadas de uma pseudo-mística, vários católicos voltaram-se ao estudo daquilo que é verdadeiramente católico e daquilo que, no decorrer dos séculos, tenta se vincular à Igreja para legitimar a propagação de heresias.

Enfim, o próprio fato de a discussão estar tão presente já diz muito. Que Deus, a Suma Verdade, nos conduza para o bom combate e que Ele prevaleça sobre seus inimigos. É o que esperamos e pedimos pela intercessão da Virgem Santíssima Maria Imaculada.

Fábio Luciano

A Verdade cortante de Jesus


Quando se tratava de dar testemunho da verdade, Jesus não sabia tergiversar nem fraquejar por medo. Tinha um caráter de lutador. Não se esquece de quem é nem se deixa arrastar. A sua cólera é sempre a expressão da mais alta liberdade, a expressão de um homem que tem consciência de "não ter vindo ao mundo senão para dar testeminh da verdade" (Jo 18,37).

Jesus, tão inabalavelmente fiel à vontade de seu pai e a si mesmo, tão firme no seu "sim" e no seu "não", reagia com um vigor extraordinário contra tudo o que não fosse de Deus ou que fosse contra Deus, quer se tratasse de formulações teológicas torcidas, quer de ordens vindas das autoridades. E a história da sua vida mostrou, aliás, que em qualquer momento estava pronto a comprometer a sua própria vida e a morrer pela verdade, para apoiar a sua palavra forte e corajosa.

Visão clara e varonil na ação, lealdade impressionante, sinceridade áspera, numa palavra, caráter heróico da personalidade: é o que chama imediatamente a atenção do psicólogo que estuda a fisionomia humana de Jesus. Era também o que, já ao primeiro contato, predia a Ele os discípulos

A atitude decidida, cortante como aço, de todo o seu ser, exprime-se bem nas fórmulas e sentenças curtas e penetrantes que o Evangelho nos conservou. Foi nelas que, depois das parábolas, Jesus plasmou a sua vontade, completamente voltada para a inteireza, para a consequência prática, para a pureza interior. Por isso dão verdadeiramente a impressão de algo autêntico, original: "Se o teu olho te escandaliza, arranca-o!" (Mt 18,19), "Quem perder a sua alma, ganhá-la-á" (Mt 10,39); "Ninguém pode servir a dois senhores" (Lc 16,13).

Karl Adam, Jesus Cristo.

Ordenação episcopal de Mons. Henrique Soares da Costa

Convidamos a todos para a ordenação episcopal de Monsenhor Henrique Soares da Costa que acontecerá dia 19 de Junho próximo, às 17 horas, no Ginásio do SESI ao lado do Trapichão, na cidade de Maceió-AL.

Deo Gratia!

O que foi aquilo?!


Ontem, depois de ter assistido na casa de um amigo um filme duplo do grande São Francisco de Assis, fui pra casa e, entrando, minha tia estava assistindo, no Sbt, o programa Sílvio Santos. Qual não foi a minha surpresa (na verdade, acho que nem foi tão grande assim) quando vi que um dos participantes do programa era o Pe. Fabio de Melo. E o que ele estava fazendo? Cantando? Não. Pregando? Também não. O que, então? Estava em uma daquelas brincadeiras bestas onde os participantes vão ganhando dinheiro. Não vi o início... não sei se teve algo digno de um padre católico naquele programa (acho que não.....), mas o que vi foi, sinceramente, algo vergonhoso. Como um padre se deixa passar por aquilo? O que o Pe. Fábio de Melo pretende?Depois de ir na Hebe, Faustão, Jô Soares.... agora Silvio Santos, ganhando dinheiro dele como se fosse um qualquer? Desculpem-me os entusiastas do Pe. Fábio de Melo, mas ele tem agido como criança.

Neste ano sacerdotal, rezemos para que Deus nos dê padres santos e sérios!.

Fábio Luciano.

RCC: Espírito Santo como recompensa ao erro e à desobediência?


Sabemos que a Igreja é o sustentáculo da Verdade. Esta Verdade corresponde à idéia divina e se identifica com a Pessoa do Seu Verbo. Pela própria processão divina da geração do Verbo de Deus, a verdade somente pode ser uma e possui caráter absoluto. Sendo perfeita, esta Verdade é imutável, pois tudo quanto seja mutável, ou é perfectível (pode tornar-se perfeito, o que é incompatível com a idéia de algo já perfeito), ou é defectível (pode tornar-se menos perfeito). Nesta imutabilidade da Verdade é que se fundamenta o dogma também imutável e absoluto.

Os protestantes surgem precisamente num ato de protesto contra a verdade católica que, como vimos, é a única. Quando se protesta contra a verdade, incorre-se no erro e no engano. Não se opõe a verdade com a verdade, mas com a mentira. E aqui, nego também toda a possibilidade de o protestantismo ser procedente da vontade divina. Entendê-los como resultado do divino querer, como o afirmou em certa ocasião o pregador da casa pontifícia Raniero Cantalamessa, implica, ou em negar o caráter absoluto da Revelação, ou em conceber uma contradição na divindade. Ambas são posições heréticas.

Sendo que os protestantes não devem sua existência à vontade divina, mas, antes, têm sua origem justamente num movimento de apostasia, não há como admitir que deles pudesse surgir um fruto divino. Afirmar a manifestação protestante como algo divino seria, como o disse Sto Tomás, admitir que Deus assinaria o erro, o que, por certo, Ele não faz, mesmo porque o erro, como ausência de verdade, é totalmente incompatível com Deus, Suma Verdade.

Além, já, de toda esta problemática, a coisa piora se observarmos como o tal carismatismo adentrou em terreno católico. Isto se deu a partir de um ato de desobediência expressa ao Código de Direito Canônico da Igreja vigente na época. Observemos que as raízes nunca são boas. O Código de Direito Canônico de então proibia qualquer católico de frequentar reuniões e cultos protestantes. Não obstante, um grupo de pessoas ditas católicas, interessadas no fenômeno que viam acontecer com os membros de certas denominações, quiseram também partilhar daquela experiência, pelo que pediram a estas pessoas que lhes impusessem as mãos. Não é preciso fazer notar aqui, acredito, de um lado a ingenuidade em supor aprioristicamente que tais manifestações tinham sua origem na divindade, e, de outro, na irresponsabilidade de tal atitude. Isto prova que, no mínimo, qualquer ator os enganaria sem esforço.

E interessante que esta “comunhão” entre católicos e hereges permaneceu. As primeiras reuniões carismáticas eram, em geral, pandenominacionais e os católicos que partilhavam daquela forma de rezar eram conhecidos como neopentecostais católicos. Devemos notar que reuniões desta natureza não se fazem senão a partir de um total desprezo pela doutrina da Igreja, que sempre foi intransigente com o erro. A “novidade” (como se o embuste fosse novidade no mundo) tinha se tornado mais importante e questões doutrinárias eram agora secundárias. Enfim, agora todos falavam a mesma língua (desculpem-me o gracejo).

Tendo sua gênese no protestantismo, o movimento carismático segue com sua linha fortemente característica fiel às origens. Claro é, então, que, para a maioria, esta linha de simpatia com o protestantismo e o erro permanece. Veja-se, por exemplo, a declaração do Monsenhor Jonas Abib, um dos referenciais do carismatismo no Brasil, que afirmou categoricamente que os protestantes são lindos e santos, como se alguém pudesse ser santo seguindo o erro. A santidade, para este povo, parece ser qualquer coisa de exterior. Revelador, ainda, é a conversão a este movimento por parte do Frei Raniero Cantalamessa: ele se tornou carismático num encontro de várias denominações, que apenas tinham em comum o suposto “batismo no Espírito Santo”.

Pelas suas características de origem e pelos seus princípios, dos quais poderemos tratar em outra ocasião, claro está que o carismatismo viria a ser um movimento de massa. Deus, no entanto, tem buscado despertar a Sua Igreja sobre este perigo.

Que Deus nos abençoe e nos ensine a seguir pelos Seus caminhos sem nos desviarmos nem para a esquerda(TL) nem para a direita (pentecostalismo) (Pr 4,27).

Fábio Luciano
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