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Léon Bloy


Se Deus existe...

Deus existe ou Deus não existe. Se se lhe concede a existência, é preciso concedê-la efetiva, supondo uma infinita continuidade da Criação, o que implica a onipotência absoluta no conhecido e no desconhecido, no visível e no invisível. Se o Ato criador se interrompesse, no mesmo instante o mais duro granito e todos os metais se reduziriam a poeira, e essa própria poeira não subsistiria. Não haveria mais nada. A natureza inteira se dissolveria no ininteligível vazio. Se esse postulado não for admitido, é-se forçosamente um ateu ou um imbecil, o que é, aliás, equivalente, do pondo de vista estético.

O verdadeiro bem aos outros

Falais em melhorar a condição dos que sofrem. Como podeis acreditar nessa possibilidade, se não tendes em vista senão o bem-estar material? E sois forçados a só ter isto em vista, posto que não tendes absolutamente nada a dar a suas almas. Ninguém fez tanto por eles, materialmente, quanto os homens de grande fé que a Igreja chama os Santos. Mas os santos sabiam que o corpo humano não é senão a aparência do homem e trabalhavam sobretudo por suas almas, as quais não morrem. Sabiam, também, que o Sofrimento é bom, sobrenaturalmente, para todos. E que o homem que não sofre ou não quer sofrer, é um filho deserdado do Filho de Deus que esposou a Dor, pois somente aquele que aceita sofrer, pode entrever o preço de sua alma.

O Ato único

Então Deus, que conhece a miséria de suas criaturas, confere misteriosamente a alguns que escolheu por testemunhos a suprema graça de um desprezo sem limites, no qual não subsiste nada mais senão Ele mesmo em suas Três Pessoas inefáveis e nos milagres de seus Santos. Quando o padre eleva o cálice para receber o Sangue do Cristo, pode-se imaginar o enorme silêncio de toda a terra que o adorador supõe cheia de pavor em presença do Ato indizível que torna semelhantes a nada todos os outros atos, logo assimiláveis a vãs gesticuçações em trevas. A mais hedionda e a mais cruel das injustiças, a opressão dos fracos, a perseguição dos cativos, o próprio sacrilégio e o consecutivo desencadeamento das luxúrias infernais, todas essas coisas, nesse momento, parecem não mais existir, não mais ter sentido em comparação com o Ato Único. O que subsiste é, somente, o apetite dos sofrimentos e a efusão das magníficas lágrimas do grande Amor, antegoso de beatitude para os alunos do Espírito Santo que estabeleceram sua morada no tabernáculo do Desprezo real por todas as aparências deste mundo.

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Deus vos quer santo. Não digo virtuoso, nem honrado, o que basta aos burgueses. Mas, SANTO. E, a isso saberá vos obrigar, nem que seja à custa de terríveis dores.


Octávio Faria, Léon Bloy.

Delicadeza cristã - S. João da Cruz

Quando virmos em nossa Ordem perdida a delicadeza, que faz parte da polidez cristã e monástica, e que, em seu lugar, reine a agressividade e a ferocidade nos superiores, vício esse próprio de bárbaros, devíamos deplorá-la como acabada. Porque quem jamais viu as virtudes e as coisas de Deus serem impostas a pauladas e com grosseria? "A todas as ovelhas tratais, com violência e dureza" (Ez 34,4).

Quando os religiosos são formados sob a ação desses rigores, tão desarrazoados, vêm a ficar pusilânimes para empreender coisas grandes na virtude, como se tivessem sido criados entre feras, segundo diz Santo Tomás no vigésimo opúsculo De regimine principis, cap. 3: "Naturale est enim ut homines sub timore nutriti in servilem degenerent animum et pusillanimes fiant ad omne virile opus et strenuum".

São João da Cruz, Escritos Espirituais, Ditames do Espírito.

GRAUS DE PERFEIÇÃO - S. JOÃO DA CRUZ


1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.
12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procure sempre confessar-se cm profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.
15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.
16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.
17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplático dos homens.

S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais

Entrevista com o Pe. Paulo Ricardo


Ontem, dia 02 de julho, no programa "Escola da Fé" dirigido pelo Prof. Felipe Aquino no canal Canção Nova, o Pe. Paulo Ricardo se pronunciou, dentre outros assuntos, a respeito de filosofias contrárias à religião, como o agnosticismo, o deísmo, o racionalismo, bem como outras erroneamente vinculadas à religião, como o fideísmo e o biblicismo (o Sola Scriptura de Lutero), tudo isto em referência à encíclica Fides et Ratio de João Paulo II, em 14 de setembro de 1988.

Com clareza singular, Pe. Paulo Ricardo demonstrava a incompatibilidade destes doutrinas com a visão católica, denunciando tendências racionalistas dentro da teologia, as quais chamou de "epidemias". Frizou ainda a necessidade de uma leitura bíblica que, embora amadureça o seu caráter literal, se ordene ao espiritual, como significado último e profundo da proposta bíblica.

Tratou ainda dos movimentos revolucionários que, à força de sua ideologia, projetam mundos ilusórios, arvorando-se em criadores a despeito da divindade, almejando claramente se substituírem a ela. Neste sentido, citou Nietzsche, que afirmou a inexistência "dos deuses" porque simplesmente, na ocasião de suas existências, ele não suportaria não ser um. Pe. Paulo Ricardo disse, então, que é esta a intenção dos tais revolucionários.

Sobre a discussão contra estes por parte dos católicos, Pe. Paulo Ricardo sustentou uma posição muito semelhante à do filósofo Olavo de Carvalho, segundo a qual pode se tornar perda de tempo discutir argumentos com as pessoas que se denominam revolucionários. Se lhes é mostrado um argumento superior, eles evadem afirmando que a razão também não é algo assim tão seguro. Frizou que muitos destes que se consideram racionalistas hoje, amanhã estão acreditando nos poderes dos cristais. Terminou por chamá-los de "safados", dizendo que o que se deve fazer é desmascará-los, denunciar-lhes a desonestidade intelectual.

Pe. Paulo Ricardo tratou ainda de outros assuntos, sempre dono de particular clareza. Além de sua manifesta inteligência e fidelidade à doutrina da Igreja (que inevitavelmente nos faz compará-lo à fraqueza doutrinária do Pe. Fábio de Melo, cujo programa teria início logo depois do término do "Escola da Fé"), o padre ainda se faz notar pelo porte e pelas roupas que usa, dignas de um sacerdote. Enfim, ver um padre assim desperta um santo orgulho, uma alegria de saber que há ainda, como dizia o Pe. Antônio Vieira, quem se ponha, nesta terra, contra o inferno e a favor do Céu.

Fábio Luciano

Os três tipos de infidelidade

Por Carlos de Laet

Segundo os melhores tratadistas, a infidelidade, isto é, a falta de fé, pode ser de três modos - negativa, privativa e positiva ou contrária. Esta é a dos que, tendo abraçado a religião verdadeira, depois a rejeitam total ou parcialmente, o que constitui gravíssimo pecado. Infidelidade privativa é a dos que, tendo ouvido falar da verdadeira religião ao menos in confuso, não procuram instruir-se a respeito dela, e por isto já é pecaminosa. Quanto à primeira, a negativa é a dos que nunca ouviram falar da fé; e, como é involuntária, não se constitui pecado, sendo aliás pena do pecado original.

Indiferentismo religioso

Fonte: Permanência

Audiência geral do Papa Bento XVI: dever dos padres são Evangelho e Sacramentos, não mudar o mundo.


Papa: padres, “Primeiro dever não é a construção da justiça social”

CIDADE DO VATICANO – O Concílio Vaticano II teria alimentado confusão em parte da Igreja quanto ao papel dos padres. É o que afirmou o Papa durante o curso da audiência geral de hoje. “Alguns – disse Bento XVI - pensaram que o principal dever fosse o de construir, antes de tudo, a justiça social”. Essência mesma do sacerdócio, reiterou o Pontífice, são, pelo contrário, o anúncio do Evangelho e a Eucaristia. (Agr)

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Fonte: http://www.fratresinunum.com/

Intolerância Dogmática


Carlos de Laet

Senhores, a intolerância dogmática contra os erros é um dos caracteres lógicos da posse da verdade. Eu sei que os três ângulos de um triângulo retilíneo valem em soma dois ângulos retos, 180 graus, e sobre isto não posso fazer a menor concessão a quem quer que seja. Ao melhor dos meus amigos, ou sob ameaça de morte, não posso tolerar que à dita soma se tire ou se acrescente um segundo de arco. Argüir, portanto, de intolerância a Igreja Católica neste pnto é reconhcer-lhe um dos caracteres da sua verdade. E para que não o diga eu desajudado de qualquer autoridade, permitireis que a propósito disto eu me socorra, não a um doutor da Igreja, porém ao insuspeito campeão da liberdade de consciência, Júlio Simon:

"A intolerância religiiosa assim entendida (diz ele) é a condição indispensável da unidade e da estabilidade da fé e a consequência natural do dogma da revelação. Não se pode exprobrar a uma Igreja o crer na verdade de seus próprio dogmas e excluir do seu seio os dissidentes. Excluindo-os, ela nada mais faz do que registrar estado em que se acham aqueles espíritos, porque ninguém pode pertencer a uma Igreja cujas crenças repudia.

(...) Uma Igreja (conclui Julio Simon) está, pois, no seu direito, quando aos seus fiéis impõe a obrigação de crer em tudo que ela ensina, isto é, quando em si mesma pratica a intolerância religiosa; então não mais faz do que obedecer ao seu princípio, que é o princípio da autoridade. É para ela uma questão de vida ou de morte: nem pode em si mesma introduzir o princípio de livre exame sem que cesse de ser uma religião"

A tolerância política ou civil não é o que entre nós existe, nem se deve confundir com o indiferentismo. O Estado que reconhece uma religião (como outrora sucedia entre nós) pode, por motivos de ordem pública, tolerar os cultos dissidentes, comprometendo-se a não incomodar os que os professam; mas disto vai grande distância a não reconhecer religião alguma e a proibir no pacto fundamental qualquer aliança entre a religião e o Estado.

Quanto à tolerância para com os que erram, escusado é dizer que ela decorre da mesma natureza do cristianismo. Jesus Cristo, o divino modelo, orava na Cruz pelos seus perseguidores. S. Agostinho preceituava a morte dos erros e o amor dos que erram: Diligite homines, interficite errores. S. Bernardo queria que se conquistassem os hereges com argumentos e não com a espada: Haeretici capiantur non armis, sed argumentis.

Carlos de Laet, Indiferentismo Religioso.

Fonte: Permanência.

Viva ao Papa!!!!

"Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18)
"Apascenta as minhas ovelhas" (Cf Jo 21,15-17)

A camisinha dos religiosos...



Sydney Silveira

"Use camisinha em toda relação sexual: seja ela vaginal, anal ou oral", diz um documento da Pastoral da Aids (presente em 118 dioceses do Brasil!!!), de acordo com a ampla reportagem publicada hoje no jornal O Globo, sob o título Pastorais desafiam Igreja e defendem camisinha.

Em meio a inúmeras atribuições de trabalho neste momento, e, portanto, sem tempo para tratar amiúde sobre este, para muitos, espinhoso tema, digo que não há como não levantar as mãos para o céu, clamando: Veni, Domine Iesus. A sensação é de derrota acachapante e irreversível, se abordamos a crise da Igreja (gritante, em nosso país!) do ponto de vista meramente humano. Padres e freiras sem autoridade magisterial, e, o que é pior, sem a mais elementar formação teológica, dogmática, filosófica e, por extensão, moral falam, publicamente, sobre temas acerca dos quais, noutros tempos, não abririam a boca: primeiramente, porque a hierarquia eclesiástica agiria com mão férra, mandando-os calar-se de imediato, e, em caso de recusa, informando que, por seu ato, eles se enquadraram na pena de excomunhão latae sententiae, da qual só se salvariam pela renúncia pública aos erros propagados, acompanhada de um pedido formal de desculpas; depois, porque os "ingnorantes" no passado não davam pitaco e nem tinham voz, mormente em questões dogmáticas relativas aos costumes e à fé. Esses padres e freiras sem batina e sem hábito da reportagem d'O Globo - a qual pode ser parcialmente lida aqui - emporcalham a história da Igreja e o seu Magistério, além de jogar no esgoto o sangue de mártires que deram a vida para defender heroicamente a própria castidade, como Santa Maria Goretti e Santa Inês.

Fonte: http://www.istoecatolico.com.br/index.php/Tomismo/Prof.-Sydney-Silveira/A-camisinha-dos-religiosos.html

26 de Junho - Dia de S. Josemaria Escrivá de Balaguer



"Nossa Mãe (A Igreja) é santa, porque nasceu pura e continuará sem mácula pela eternidade. Se em certas ocasiões não sabemos descobrir seu rosto formoso, limpemos nós os nossos olhos; se notamos que sua voz não nos agrada, tiremos de nossos ouvidos a dureza que nos impede de ouvir, em seu tom, os assobios do Pastor amoroso. Nossa Mãe é santa, com a santidade de Cristo, a que está unida no corpo - que somos todos nós - e no espírito, que é o Espírito Santo, assentado também no coração de cada um de nós, se nos conservamos na graça de Deus"

S. José Maria Escrivá, Amar a Igreja.

O que será que é isso?


Recentemente, surgem cada vez mais notícias a respeito de políticas anti-católicas de certos eclesiásticos e de pastorais que deveriam seguir as determinações da Santa Igreja. Eu, particularmente, fico pasmo com certos acontecimentos.

Recentemente, fiquei sabendo que faz parte da linha de ação da chamada "Pastoral da Aids" distribuir camisinhas; esta atitude, além de vir de uma pastoral que se diz católica (embora contrarie frontalmente o ensino da Igreja) e contar em sua direção com a presença de padres e freiras, parece ainda ser defendida ou, no mínimo, não-condenada por certos bispos no Brasil.

E isto porque é sabido que a Igreja é infalível em assuntos concernentes à moral. Como a CNBB pode permitir coisas desta natureza? A resposta a esta pergunta é, no entanto, muito dolorida.

Agora, porém, o bispo emérito da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, Dom Lelis Lara, de dentro de uma loja maçônica, defendeu uma possível união entre católicos e maçônicos, sugeriu uma suposta mudança na posição da Igreja após o Concílio Vaticano II e afirmou a cristandade de, ao menos, parte da maçonaria. Claro que isto tem grande repercussão. Dessa forma, não se concebe que os demais bispos do Brasil nada saibam. E, se sabem, por que não fazem nada? Seria, ao invés, consenso entre eles?

Abaixo, disponibilizo a Declaração Sobre a Maçonaria emitida pelo então prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, nosso atual Papa.


CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ



DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA



Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canónico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.



Esta Sagrada CongregaçAo quer responder que tal circunstância é devida a um critério redaccional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.



Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.



Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p. 240-241).



O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.



Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de Novembro de 1983.



Joseph Card. RATZINGER
Prefeito



Fr. Jérôme Hamer, O.P.
Secretário


Diante de tudo isto, parece assumir novo significado a declaração do Papa Paulo VI, segundo o qual a fumaça de satanás teria entrado na Igreja...

Miserere Nobis.

Fábio Luciano

Fonte da declaração:

Ver também:


Fotos da Ordenação episcopal de Dom Henrique Soares



A IDADE MÉDIA

Carlos de Laet

A Idade Média! “Época de trevas, caos em que se imergiram as luzes da antiga civilização, pulverizada pelo formidável embate dos Bárbaros...” Com estas e outras declamações parece-nos estar ouvindo algum pedante que só tenha aprendido da história o que rezam os manuais franceses, e que da tomada da Bastilha faça datar a carta de alforria do gênero humano.

Por muito em verdade vos dizemos que pela Idade Média professamos sempre a maior veneração, nela saudando uma das mais férteis e gloriosas quadras do espírito humano.

Se na Idade Média definitivamente se afundou o gênio antigo, foi para abrir lugar às civilizações oriundas do Evangelho e que tinham de alagar o mundo, não para destruí-lo qual novo dilúvio, mas para impregná-lo de futurosas colheitas, como no vale egípcio as inundações do rio benfazejo.

Se a Idade Média foi nalgum momento um caos, confessai ao menos que sobre aquela escuridão pairava o espírito de Deus, a cuja voz não tardou o abismo a estremecer banhado de luz...

Percorramos em brevíssima sinopse as diversas províncias do saber humano, e em todas elas veremos como brilhou o inculcado período das trevas.

Na filosofia brevemente haveremos de aludir a Santo Agostinho, qualificado por Villemain como um dos gênios mais vastos e prontos de que se gloria a humanidade; Escoto Erígena, continuador do neoplatonismo eclético de Alexandria, preparador do realismo escolástico, engenho transviado nos devaneios do panteísmo, mas certamente poderoso engenho e talvez inspirador das atrevidas imaginações de Espinosa; Santo Anselmo, que antes de Bacon proclamou a aliança necessária entre a fé e a razão; Roscelino, seu adversário, e que até à heresia foi arrastado pelo calor na defesa das doutrinas nominalistas; Abelardo, mais célebre pelas suas românticas aventuras do que pelo valor dialético que dele fez um dos primeiros professores da Europa; S. Bernardo, seu infatigável antagonista e de Pedro de Bruys e de Arnaldo de Bréscia, campeão da tolerância em prol dos Judeus perseguidos e que preencheu a vida impugnando cismas, reconciliando príncipes e consolando povos; S. Tomás de Aquino, o Anjo da Escola, cujas obras, no dizer de Cousin, são um dos maiores monumentos erguidos pela humana inteligência, e no concílio de Trento figuraram entre os livros dignos de consulta logo após as Sagradas Escrituras... Para que mais nomes depois destes?

Mais tarde, porém, ainda dentro do período medieval, vemos na Itália Dante precedido por seu mestre Brunetto Latini; e Petrarca, ainda medievo, posto que já tomado pelo movimento da Renascença: Dante e Petrarca, isto é, o poema épico e a composição lírica em suas mais arrojadas e formosas construções.

Que diremos então da poesia onde exclusivamente se fazia sentir a inspiração cristã? Dos cânticos de Giovani Mariconi, mais conhecido por S. Francisco de Assis, do Stabat Mater de Jacopone de Todi, ou do Dies Irae de Thomaz Celano, obras primas entre as que mais o são, eternos acentos de piedade ou inextinguíveis gritos de dor, que vão atravessando os séculos e constantemente repetidos pela devoção?

Se das letras nos trasladarmos ao domínio das ciências, a começar pela jurisprudência, haveremos de reconhecer, com Muratori e Savigni, a permanência do direito romano, que, à sombra das instituições eclesiásticas, subsistiu em toda a Europa Medieval de par com as bárbaras leis dos vencedores; e posteriormente assistiremos, na cultíssima Bolonha, e sob o influxo do letrado Irnério, à renovação dos estudos jurídicos e à formação daquela erudita escola que principiou por Acúrsio, o Ídolo dos jurisconsulos, para terminar em Bartolo, hoje esquecido, mas que por muitos anos teve após si e suas glosas a longuíssima cauda dos Bartolistas. Em o nosso século das luzes muito pasma que por mulheres estejam sendo cultivados o direito ou a medicina; e todavia, durante a escuridão medieval, Novella, filha de Giovanni d’Andréa, professor bolonhês, substituía o pai na sua cátedra magistral da Universidade, e ali professava o direito, mal escondida por uma cortina que, di-lo ingênuo cronista, tinha por objeto impedir que a gentileza da preletora absorvesse a atenção dos estudantes.

Em Salermo um refugiado, o monge cartaginês Constantino, vertia os autores de medicina gregos e árabes, e assim preparava o florescimento da escola cuja popularidade ainda subsiste, perpetuada por célebre coleção de preceitos sanitários. E aí também com os homens emulavam as damas, de uma das quais guardou a memória Orderico Vital, assegurando que com ela dificilmente competiam os esculápios do seu tempo.

Nem somente na Itália. Na península irmã, a ibérica, que arraigado preconceito nos mostra civilizada pela invasão maometana, está hoje provado que muito ao contrário foram os invadidos que poliram os invasores. A cultura hispano-muçulmana, como poderá o douto catedrático granadense Eguillaz e Yanguas, baseando-se nos estudos de Xavier Simonet e outros, não foi obra dos árabes, mas dos renegados cristãos, judeus e mozarabes que foram primeiro os validos e logo os diretores intelectuais dos emires e califas, a quem forneceram a flor dos poetas, retóricos e historiadores. E que copiosa e esplêndida florescência, essa desabrochada no generoso terreno de Espanha! No palácio de Hescham, o 2º. Ommiada, incompleto catálogo mencionava quarenta e quatro mil volumes. O autor de um dicionário biográfico do XIII século cita mil e duzentos historiadores, cada qual em sua especialidade. Gramática, poesia, eloqüência, política, direito, teologia, ciências naturais – tudo figura nos mil e oitocentos manuscritos da época, ainda hoje conservados na biblioteca do Escorial e insignificantes restos da enorme coleção estragada pelo incêndio de 1672. Eis o obscurantismo da Idade Média na atrasadíssima península espanhola!

Um lance de olhos às belas-artes. Na pintura é Fra Angélico ou Giovanni da Fiosole, rejeitando o arcebispado de Florença, para fazer da pintura uma suprema elevação a Deus, e realizando na miniatura como nas grandes composições o ideal da beleza cristã; São Humberto e sobretudo João Van Eick, criando a pintura a óleo, e cultivando com igual excelência o retrato, a história, a paisagem, os animais e as flores; é, finalmente, Masaccio, o sublime extravagente, em cujos quadros aprenderam Rafael e Miguel Ângelo.

Foi durante a Idade Média que se cobriu a Europa dessas magníficas igrejas, que ainda hoje são o orgulho de tantas cidades: Nossa Senhora de Paris, Santa Gudula de Bruxelas, as catedrais de Burgos, de Toledo, de Estrasburgo, onde em 1277 o arquiteto Erwin atirava a cento e quarenta e dois metros de altura a soberba flecha do edifício; e a Batalha, esse edifício de pedra entoado sobre a vitória de Aljubarrota...

Em 1378 Schwartz revoluciona a arte da guerra, ou inventando a pólvora, como querem alguns, ou ensinando aos Venezianos a aumentar o cumprimento dos canhões; Flávio Gioja descobre ou divulga a bússola e assim depara seguro guia para longínquas viagens; Gutemberg, Faust e Schoeffer operam a transição da gravura de letras para a imprensa de caracteres móveis e espalham pelo mundo os conhecimentos arquivados nos pergaminhos dos eruditos... Que movimento e que luz no malsinado período das trevas!

Se o Renascimento se inicia com as prodigiosas descobertas de Vasco da Gama e de Colomo, não esqueçamos que já em 148 o sumo pontífice Nicolau V, pela bula Ex injuncto, que figurou na exposição histórico-européia de 1892, fitava os olhos de sua evangélica solicitude nas terras glaciais da Groelândia e aos bispos de Skalholt e de Hola assinalava a existência de povos pagãos e propínquos àquelas regiões. A América, pela Groelândia conhecida em 986, pela Terra Nova percorrida no ano 1000 e ainda pelo VInland que provavelmente corresponde ao atual estado de Massachussets – a América, dizíamos, é também uma conquista da barbarias medieval.

À Idade Média pertence ainda aquela pensativa e simpática figura de Henrique o Navegador, sobre cujas instruções, de 1419 a 1447, se foram descobrindo Madeira, os Açores, o Cabo Bojador e o Verde, e que em 1438 lançava na escola de Sagresos fundamentos do poderio marítimo português...

Isto pelo caminho do Oceano, pois que por terra e muito antes já Marco Polo atravessava toda a Ásia, desde a Marmênia até ao Japão; Rubruquis, enviado por Luís IX para catequizar a Tartária, esclarecia a Europa sobre os costumes dos Mongóis; e Plano Carpino atingia em suas pregações o coração da Tartária, passando além do Kithai ou Kashgar.

Quanto aos progressos da liberdade política, um só reparo e por satisfeitos os danos. Leia-se a Magna Carta, pedra angular do direito constitucional inglês: “Nenhum homem livre seja capturado ou metido na cadeia, ou desapossado, ou desterrado, ou de qualquer modo seja privado de qualquer propriedade sua, ou da sua liberdade ou de seus livres hábitos; nem contra ele iremos, nem o faremos prender, se não pelo julgamento legal dos seus pares, ou segundo a lei do país”. Acordava-se nisto em 1215; e preciso é que decorram quase cinco séculos para chegarmos à lei dos suspeitos da Revolução Francesa...

Eis o que dói a Idade Média, tão increpada de obscurantismo, como que para expiar perante o livre pensamento moderno o crime de sua fé cristã, sob cujo amparo realizou tantos e tais cometimentos...

Fonte: Permanência.

19 de Junho de 2009 - Dia do Sagrado Coração de Jesus

Coração amabilíssimo de Jesus, sede a nossa alegria.
Imprime em nós a ferida deliciosa do teu amor, a chaga suavíssima da qual partilham todos os teus amantes.
És o nosso único tesouro, pelo qual abandonamos o mundo e suas pardas atrações.
Oh Jesus, tu és a nossa vida e o nosso amor.

Pregar o que convém, não o que agrada aos ouvintes - Belíssimo texto!


Pe. Antônio Vieira

Dir-me-eis o que a mim me dizem, e já o tenho experimentado que, se pregamos assim, os ouvintes zombam de nós e não gostam de ouvir. Oh, boa razão para um servo de Jesus Cristo! Embora zombem e não gostem, façamos nós o nosso ofício! A doutrina de que eles zombam, a doutrina que eles desestimam, essa é a que lhes devemos pregar e por isso mesmo, por ser a mais proveitosa e de que mais têm mister.

(...) Por que não comeu o diabo o trigo que caiu entre os espinhos, ou o trigo que caiu nas pedras, mas o trigo que caiu no caminho? Porque o trigo que caiu no caminho conculcatum est ab hominibus, pisaram-no os homens; e a doutrina que os homens pisam, a doutrina que os homens desprezam, essa é a que o diabo teme.

Esses outros conceitos, esses outros pensamentos, essas outras sutilezas que os homens estimam e prezam, essas não as teme o diabo nem se acautela delas, porque sabe que não são essas as pregações que lhe hão de tirar as almas das unhas. Mas aquela doutrina que (...) nos põe em caminho e em via da nossa salvação (que é a que os homens pisam e a que os homens desprezam), essa é a que o demônio receia e dela se acautela, essa é a que procura comer e tirar do mundo; e por isso mesmo essa é a que deviam pregar os pregadores e a que deviam buscar os ouvintes.

Mas se eles não o fizerem assim e zombarem de nós, zombemos nós tanto das suas zombarias como dos seus aplausos. Per infamiam et bonam famam, diz São Paulo: o pregador há de saber pregar com fama e sem fama. Mais diz o Apóstolo: há de pregar com fama e com infâmia. Pregar o pregador para ser afamado, isso é mundo; mas ser infamado e pregar o que convém, ainda que com descrédito da sua fama, isso é ser pregador de Jesus Cristo.

Gostarem ou não gostarem os ouvintes! Oh, que advertência tão digna! Que médico há que repare no gosto do enfermo quando trata de lhe dar saúde? Sarem e não gostem; salvem-se e amarguem-se, que para isso somos médicos das almas. Quais vos parece que são as pedras sobre as quais caiu parte do trigo do Evangelho? Explicando Cristo a parábola, diz que as pedras são aqueles que ouvem a pregação com gosto: Hi sunt qui cum gaudio suscipiunt verbum. Então será bom que os ouvintes gostem e ao cabo fiquem pedras?! Não gostem e abrandem-se; não gostem e quebrem-se; não gostem e frutifiquem. Este é o modo com que frutificou o trigo que caiu na boa terra: Et fructum afferunt in patientia, conclui Cristo.

De maneira que o frutificar não se junta com o gostar, mas com o padecer; frutifiquemos nós, e tenham eles paciência. A pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena. Quando o ouvinte a cada palavra do pregador treme; quando cada palavra do pregador torce o coração do ouvinte; quando o ouvinte vai do sermão para casa confuso e atônito, sem saber parte de si, entao é a preparação qual convém, então se pode esperar que faça fruto: Et fructum afferunt in patientia.

Enfim, para que os pregadores saibam como hão de pregar e os ouvintes a quem hão de ouvir, acabo com um exemplo do nosso Reino, e quase dos nossos tempos. Pregavam em Coimbra dois famosos pregadores, ambos bem conhecidos pelos seus escritos; não os nomeio porque os hei de desigualar. Altercou-se entre alguns doutores da Universidade qual dos dois fosse maior pregador; e como não há juízo sem inclinação, uns diziam este, outros, aquele. Mas um lente, que entre os mais tinha maior autoridade, concluiu desta maneira: "Entre dois sujeitos tão grandes, não me atrevo a interpor juízo; só direi uma diferença, que sempre experimento: quando ouço um, saio do sermão muito contente do pregador; quando ouço outro, saio muito descontente de mim". (...)

Semeadores do Evangelho, eis o que devemos pretender nos nossos sermões: não que os homens saiam contentes de nós, mas que saiam muito descontentes de si; não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhes pareçam mal os seus costumes, as suas vidas, os seus passatempos, as suas ambições e, enfim, todos os seus pecados. Contanto que se descontentem de si, descontentem-se embora de nós: Si hominibus placerem, Christus servus non essem, dizia o maior de todos os pregadores, São Paulo: "Se eu contentasse os homens, não seria serv de Cristo". Oh, contentemos a Deus, e acabemos de não fazer caso dos homens! Reparemos que nesta mesma Igreja há tribunas mais altas que as que vemos: Spetaculum facti sumus Deo, angelis et hominibus (feitos espetáculo para Deus, os anjos e os homens). Acima das tribunas dos reis, estão as tribunas dos anjos, está a tribuna e o tribunal de Deus, que nos ouve e nos há de julgar. Que contas há de um pregador prestar a Deus no dia do Juízo? O ouvinte dirá: Não mo disseram. Mas o pregador? Vae mihi, quia tacui: Ai de mim, que não disse o que convinha!" Não seja mais assim, por amor de Deus e de nós.

(...) Preguemos e armemo-nos todos contra os pecados, contra as soberbas, contra os ódios, contra as ambições, contra as invejas, contra as cobiças, contra as sensualidades. Veja o Céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a Palavra de Deus, e saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto: Et fecit fructum centuplum.

Padre Antônio Vieira, Páginas Espirituais.
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