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Papa São Gregório Magno, doutor da Igreja, fala sobre os carismas

“Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados” (São Marcos, XVI,16).

Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?

Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las.

Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22).
 
Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?

A Santa Igreja, faz todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que crêem, e proibem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?

Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa que falar em línguas novas?

Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.

Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.
 
Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?

Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.

Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.

Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade.Eles não criam a santidade.

Os milagres espirituais agem na alma.Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.

Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.

É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas:

“Muitos me dirão, naquele dia: “Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios? E Eu lhes direi:”Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (São mateus VII, 22-23).

Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos,, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens”(São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).

Fonte: Montfort 

Ai de vós os que rides

Bento XVI

Devemos ainda formular duas perguntas que pertencem à compreensão de todo o conjunto. Em S. Lucas, seguem-se às quarto bem-aventuranças por ele transmitidas quatro maldições: “Ai de vós ricos... Ai de vós, os que agora estais saciados... Ai de vós, os que agora rides… Ai de vós quando todos vos louvam…” (Lc 6,24-26). Estas palavras nos assustam. O que é que devemos reter daqui?

Em primeiro lugar devemos verificar que Jesus segue aqui o esquema que encontramos em Jeremias, capítulo 17, e no salmo I: à descrição do caminho correto que conduz o homem à salvação é contraposto um quadro que desmascara as falsas promessas e ofertas e que deve impedir o homem de percorrer o caminho que terminaria num precipício mortal. O mesmo havemos de encontrar na parábola do libertino rico e do Lázaro pobre.

Quem compreendeu corretamente o itinerário da esperança, quer encontramos nas bem-aventuranças, reconhece aqui simplesmente as atitudes contrárias, que fixam o homem nas aparências, na provisoriedade, na perda da sua elevação e profundidade e, assim, na perda de Deus, e portanto o pervertem. Deste modo se torna compreensível a autêntica intenção deste quadro de advertência: as maldições não são condenações; não são uma expressão de ódio ou de inveja ou de hostilidade. Não se trata de condenação, mas sim de aviso que quer salvar.

Mas agora se levanta a questão fundamental: está certa esta direção que o Senhor nos mostra nas bem-aventuranças e nas opostas maldições? É realmente mau ser rico, estar saciado, rir, ser louvado? Friedrich Nietzsche fez incidir a sua severa crítica ao cristianismo precisamente neste ponto. Não é a doutrina cristã que deve ser criticada: é a moral do cristianismo que deve ser desmascarada como o “pecado capital contra a vida”. Em com a “moral do cristianismo” ele entende precisamente a direção que o Sermão da Montanha nos indica.

“Qual foi sobre a terra até agora o maior pecado?” Não foi a palavra daquele que disse ‘Ai de vós os que aqui rides’?”. E às promessas de Cristo ele contrapõe: não queremos nenhum reino dos céus. “Nós somos homens, e por isso queremos o reino da terra”.

A visão do Sermão da Montanha aparece como uma religião do ressentimento, como inveja dos covardes e dos incapazes, que não cresceram para a vida e que então, com as bem-aventuranças, querem tirar vingança da sua desistência e do insulto dos fortes, dos que são bem-sucedidos na vida, dos felizes. Ao vasto olhar de Jesus é contraposto um suculento aquém – saborear até a exaustão a vontade, o mundo e as ofertas da vida, procurar o céu aqui e em nada se deixar inibir por nenhum escrúpulo.

Muito disto passou para a consciência moderna e determina amplamente o sentimento da vida hoje. Ora, o Sermão da Montanha formula a questão acerca da opção fundamental cristã, e como filhos deste tempo sentimos a interior resistência contra esta opção – mesmo se, no entanto, nos toca a estima dos humildes, dos misericordiosos, dos construtores da paz, dos homens puros. Depois das experiências dos regimes totalitários, depois do modo brutal como pisaram nos homens, escarneceram, escravizaram, esmagaram os fracos, compreendemos melhor os que têm fome e sede de justiça; descobrimos de novo os que choram e o seu direito à consolação. Perante o abuso do poder econômico, perante a crueldade de um capitalismo que degrada o homem a simples mercadoria, descobrimos também os perigos da riqueza e compreendemos o que Jesus queria dizer com o aviso acerca da riqueza, acerca do ídolo Mamom que estraga o homem, que mantém grande parte do mundo na sua cruel corda de estrangulamento. Sim, as bem-aventuranças opõem-se ao nosso espontâneo sentimento de ser, à nossa fome e sede de viver. Elas exigem “conversão” – uma mudança interior da direção espontânea, para a qual gostaríamos de ir. Mas nesta mudança se manifesta o que é puro e mais elevado, o nosso ser ordena-se corretamente.

O mundo grego, cujo gusto pela vida aparece tão admiravelmente nos poemas homéricos, tinha a este respeito uma consciência profunda, ao dizer que o autêntico pecado do homem, o seu perigo mais profundo, é a hybris, o arrogante autodomínio, no qual o homem a si mesmo se eleva a divindade, quer ser ele mesmo o próprio Deus, para possuir totalmente a vida e esgotar tudo o que a vida sempre tem para lhe oferecer. Esta consciência – de que a verdadeira ameaça do homem radica na autoglorificação triunfante, que num primeiro momento aparece tão evidente no Sermão da Montanha – é levada, a partir da figura de Cristo, a toda a sua profundidade.

Bento XVI, Jesus de Nazaré.

Comentários meus à postagem acima

Haveria muito o que dizer a respeito do texto de sua santidade. Uma análise mais aprofundada, porém, eu deixo para os mais preparados. Gostaria, tão somente, de focar-me em um aspecto do texto, que foi justamente o que me motivou a postá-lo.

Muito se tem falado de alienação. No discurso ideológico, é um dos termos mais usados, servindo tanto de ataque como de evasiva. A grosso modo, penso que o termo quer significar uma maneira errada de ver as coisas. A própria etimologia do termo sugere um “alien”, um estranho ao contexto atual. Mas esta forma errada de ver só tem sentido quando em relação com a correta forma de interpretação da realidade. Para que se alcance esta última, é necessário aderir a alguma autoridade que afirme que as coisas são como são. A miséria metafísica do movimento esquerdista deveria ser suficiente para convencer qualquer um a não se apoiar numa teoria que, embora se pretenda cosmologia, ignora e proíbe a discussão das causas primeiras.

Bem... Como católicos, cremos que o natural se ordena ao supranatural. As coisas neste mundo são efêmeras e corruptíveis, razão pela qual devemos dedicar o nosso coração a um tesouro de outras terras, onde os ladrões não roubam e a traça não corroe. Estamos a caminho, e a Igreja nos ensina a “passar pelas coisas que passam e abraçar as que não passam”. Esta é a verdadeira doutrina cristã. Seguidor de Cristo é o que ancora sua vida na eternidade e vive, desde já, desta esperança. É isto o que ensinam os santos. Sta Teresa D’Avila compara esta vida a uma má noite numa má pousada. S. João da Cruz escreve que o que move a alma no deserto é somente a sede. S. Francisco de Assis, pelo seu desprezo radical pelos bens passageiros, nos dá prova de que já viva à sombra das colinas celestes. Todos estes santos foram pobres, à semelhança de Nosso Senhor. E é neste contexto de pobreza que devemos entender as condenações às quais se refere Sua Santidade no texto acima. É a pobreza que nos mantém de mãos vazias, e isto nos garante a leveza do caminhar. É ainda parte do significado da tradição do deserto, onde Nosso Senhor conduz a alma e lá, purificando-a, retirando-lhe os excessos, tornando-a pobre, une-se a ela (Os 2,16).

Se este é o fim do homem, a sua perfeita realização, nada mais natural que o Amor encarnado tenha condenado um tipo de felicidade que tem a realidade natural por fim. Esta atitude naturalista é o que deveria ser considerado verdadeira alienação, pois ignora o homem no seu princípio e no seu termo. Uma alegria assim, puramente momentânea, surge como perigo de distração. De fato, nós somos exilados, como o ensina Sto Agostinho. E qual a condição dos exilados? É a alegria acomodada? Não, é a solidão, é a saudade, ou como dizia o escrito Léon Bloy, é a melancolia. Não quero condenar as alegrias naturais que, dependendo da ocasião, são boas, mas quero situá-las dentro de um contexto mais abrangente, que transcenda à imediatez do agora. Quando alguém ama a Deus, busca situar suas alegrias e tristezes dentro deste amor. É algo estranho que um exilado se alegre no exílio. Tal alegria só seria legítima se fosse causada pela esperança de voltar ao lar. Nós, cristãos, temos tal esperança, e é nela que deve se fundamentar a nossa alegria neste desterro.

Deserdar seria uma traição, e muitos dos prazeres desta vida podem ser tentações para que traiamos a nossa Pátria. Seria uma atitude de consequências eternas. Nada mais natural, repito, que Cristo, por amar-nos, advirta-nos, aos gritos, desse perigo. Além do que, seria ridículo apegar-nos a uma pousada ou a quaisquer dos seus objetos, quando nela só passaremos uma noite. Infeliz do homem que desaprendeu a olhar as alturas e que, por contentar-se com as migalhas que caem da mesa, está impossibilitado de experimentar o maná reservado aos filhos (Mt 15,27). Que fidelidade o daqueles exilados de Sião que, ao receberem o convite de cantar, respondem que, no exílio, não convém distraír-se (Sl 136,6) ou ainda a daquela mulher que jura máxima fidelidade a sua ama (Rt 1,17). Quem dera todos os cristãos fossem os que se sabem exilados e guardassem tal fidelidade! Quem dera não se distraíssem nem agissem como pagãos (Mt 6,32), quem dera todos tivessem a coragem de morrer por amor, e de preferir fazer-se em pedaços, como dizia S. João da Cruz, a pecar gravemente.

Como estes alieandos, incapazes de um olhar mais profundo acerca de si mesmos e de toda a realidade, podem compreender um S. Francisco de Assis, um S. Bento José Labré, ou qualquer outro a quem Nosso Senhor elevou à imitação da Sua vida? Simplesmente não podem, senão pela conversão. Ai dos que riem! Ai dos que estão satisfeitos! Ai dos que não têm saudades, nem sofrem por amor.

“Quem nunca provou amarguras
No humano vale da dor
Nada sabe de doçuras
Desconhece o que é o amor
Amarguras são o manto dos que amam com ardor”

Estrofe composta por uma irmã carmelita que levou S. João da Cruz ao êxtase.

Fábio Luciano

Hino Akatistos em Honra da Santíssima Mãe de Deus - Partes


Ave, por ti resplandece a alegria!
Ave, por ti maldição toda cessa!
Ave, reergues o Adão decaído!
Ave, tu estancas as lágrimas de Eva!

Ave, mistério que excede o intelecto dos homens!
Ave, insondável abismo aos olhares dos anjos!
Ave, porque és o trono do Reino soberano!
Ave, porque tu governas quem tudo governa!

Ave, ó estrela que o sol anuncia!
Ave, em teu seio é que Deus se fez carne!
Ave, por quem a criação se renova!
Ave, o Criador fez-se em ti criancinha!

Ave, mistério, vontade inefável!
Ave, ó fé maturada em silêncio!
Ave, prelúdio dos fastos de Cristo!
Ave, sumário do Santo Evangelho!

Ave, ó escada sublime por quem Deus nos veio!
Ave, ó ponto que os homens ao céu encaminha!
Ave, dos anjos tu és maravilha gloriosa!
Ave, do diabo derrota total, contundente!

Ave, que a luz por mistério geraste!
Ave, que o 'Modo' a ninguém ensinaste!
Ave, transcendes a ciência dos sábios!
Ave, iluminas a todos os crentes!

Ave, ó ramo de planta incorrupta!
Ave, do fruto Imortal a colheita!
Ave, cultora do Mestre dos homens!
Ave, ó Mãe de quem deu-nos a vida!

Ave, ó campo feraz que produz muitos frutos!
Ave, ó mesa bem farta em perdões abundantes!
Ave, tu fazes florir as planícies celestes!
Ave, a nós todos preparas um porto seguro!

Ave, ó Incenso das preces aceitas!
Ave, purificação do universo!
Ave, bondade de Deus pelos homens!
Ave, ante Deus dos mortais és audácia!

Ave, ó Mãe do Pastor e Cordeiro!
Ave, és aprisco da mística ovelha!
Ave, preservas do oculto inimigo!
Ave, ó chave das portas celestes!

Ave, por ti congratula-se o céu com a terra!
Ave, por ti terra e céus em uníssono cantam!
Ave, do apóstolo boca jamais silenciosa!
Ave, Invencível coragem dos mártires!

Ave, da fé inabalável baluarte!
Ave, da graça fulgente estandarte!
Ave, por ti o inferno foi espoliado!
Ave, nos tens revestido de glória!

Ave, que a estrela perene geraste!
Ave, és aurora do Místico dia!
Ave, que a forka do engano extinguiste!
Ave, os mistérios de Deus iluminas!

Ave, o tirano inimigo dos homens destronas!
Ave, que o Cristo mostraste Senhor nosso amigo!
Ave, resgatas do culto selvagem aos deuses!
Ave, teus filhos libertas do ataque do inferno!

Ave, que o culto do fogo extinguiste!
Ave, que aplacas o fogo dos vícios!
Ave, que educas o crente a ser casto!
Ave, Alegria de todos os povos!

Ave, reergues o gênero humano!
Ave, ruína total dos demônios!
Ave, esmagaste a potência enganosa!
Ave, que o logro dos ídolos mostras!

Ave, ó flor da total virgindade!
Ave, protótipo da castidade!
Ave, da ressurreição claro emblema!
Ave, que a vida dos anjos revelas!

Ave, frutífera planta, alimento dos crentes!
Ave, ó árvore umbrosa que abrigas a muitos!
Ave, teu seio carrega o mentor dos errantes!
Ave, que à luz deste o Libertador dos cativos!

Ave, que o justo juíz nos abranas!
Ave, perdão do relapso e contrito!
Ave, coragem dos desesperados!
Ave, és amor que preenche os desejos!

Ave, morada do Deus Infinito!
Ave, ó porta do Augusto Mistério!
Ave, mensagem que inquieta os descrentes!
Ave, ufania segura dos crentes!

Ave, veículo santo do Altíssimo Filho!
Ave, mansão gloriosa do Verbo encarnado!
Ave, de Virgem e Mãe as grandezas reúnes!
Ave, os contrários a um fim tão igual consorcias!

Ave, o pecado de Adão dissolveste!
Ave, por ti foi o céu reaberto!
Ave, ó chave do reino de Cristo!
Ave, esperança dos bens sempiternos!

Ave, sacrário da ciência divina!
Ave, tesouro da fiel providência!
Ave, os sapientes afirmas ignaros!
Ave, os loquazes revelas vazios!

Ave, convences de inane a astuciosa palavra!
Ave, que tornas sem nexo os criadores dos mitos!
Ave, os astutos sofismas dos gregos desfazes!
Ave, replenas as redes dos bons pescadores!

Ave, nos livras da imensa ignorância!
Ave, iluminas inúmeras mentes!
Ave, batel dos que querem salvar-se!
Ave, ó porto dos nautas da vida!

Ave, pilar da integral virgindade1
Ave, ó porta de quem quer salvar-se!
Ave, ó mestra das coisas sagradas!
Ave, doadora da graça divina!

Ave, tu dás vida nova aos nascidos na culpa!
Ave, estrutura das mentes que estavam dispersas!
Ave, tu expulsas aqueles que a mente corrompem!
Ave, ó Mãe de Jesus, semeador de almas castas!

Ave, ó tálamo em núpcias virgíneas!
Ave, que os crentes com Deus concilias!
Ave, ideal pedagoga das virgens!
Ave, que os santos recobres de bênçãos!

Ave, do místico sol o lampejo!
Ave, ó astro de flama perene!
Ave, clarão que iluminas as almas!
Ave, trovão a assustar o inimigo!

Ave, tu fazes luzir esplendor fulgurante!
Ave, transbordas o rio com mil afluentes!
Ave, figura das águas do santo batismo!
Ave, tu lavas as manchas de nossos pecados!

Ave, lavacro que iliba consciência!
Ave, ó taça que infunde alegria!
Ave, ó perfume de Cristo recentes!
Ave, ó vida do sacro banquete!

Ave, ó casa de Deus e do Verbo!
Ave, ó santa mais santa que os santos!
Ave, no espírito arca dourada!
Ave, infinito tesouro de vida!

Ave, precioso diadema dos reis piedosos!
Ave, louvor glorioso dos pios sacerdotes!
Ave, ó torre inconcussa da Igreja de Cristo!
Ave, tu és baluarte invencível do império!

Ave, os troféus são por ti conquistados!
Ave, por ti o inimigo é vencido!
Ave, remédio do corpo doente!
Ave, tu és salvação de minh'alma!

Ave, Virgem e Esposa!
Ave, Virgem e Esposa!

Hino Akatistos em Honra da Santíssima Mãe de Deus

16 de Julho - Dia de Nossa Senhora do Carmo



FLOR DO CARMELO (FLOS CARMELI)

Flor do Carmelo
Vinha florígera,
Celeste velo,
Virgem frutífera,
és singular.

Doce e bendita,
ó Mãe puríssima,
aos carmelitas,
sê tu propícia,
Estrela do mar.

Raiz de Jessé,
de brotos floridos,
queiras, feliz,
ao céu dos séculos
nos elevar.

Entre os abrolhos,
viçoso lírio,
guarda de escolhos,
o frágil ânimo,
Mãe tutelar.

Forte armadura
Frente o adversário,
Na guerra dura,
o escapulário
vem nos guardar.

Nas incertezas,
conselho sábio;
nas asperezas,
consolo sólido
queira nos dar.

Mãe de doçura
do Carmo régio
sê a ventura
que o povo, em júbilo,
faz exultar.

Do paraíso,
és chave, és pórtico;
prudente guia,
a nós, de glória,
vem coroar. Amém.

Flor do Carmelo, Em oração com Maria, Mãe do Carmelo.

Aos amigos e leitores

Caros amigos e leitores do blog, quero comunicar que, recentemente, fui escolhido para ser o Coordenador Paroquial da Música Litúrgica. Sei que tal notícia não precisa ser notificada num blog, e que isto também não interessa a muita gente. Também não o faço com objetivos outros, senão para pedir a vossa bondosa oração.

Tenho acompanhado um pouco o caos litúrgico que assola a Santa Igreja, particularmente a do Brasil. Também aqui, na paróquia da qual faço parte, é possível reconhecer, num relance, os funestos efeitos de uma teologia estranha e herética que tentam inculcar nos católicos de hoje, particularmente a respeito do Santo Sacrifício da Missa.

Reconheço que o trabalho será um tanto difícil e, ciente de minha indignidade e fraqueza, peço encarecidamente a todos os amigos e leitores suas sinceras orações. Tenho a real intenção de ajudar a melhorar, de tornar a liturgia, ao menos aqui, um pouco mais digna de Nosso Senhor. Compreendendo que a maior necessidade se dá no âmbito espiritual, (embora a catequese seja uma das grandes linhas de ação que pretendo seguir) deixo aos amigos esta tarefa de, vez por outra, ao lembrarem de mim ou do blog, confiarem-me ao coração de Nosso Senhor e de Sua Santíssima Mãe, para que eu possa corresponder às expectativas do Amado Deus.

A todos a paz.
Fábio Luciano

Esclarecimento

Quero pedir desculpas pelo tempo que passei sem postar. Isto aconteceu devido a problemas aqui com o PC. Mas agora, retornemos...

A intolerância dogmática - Gustavo Corção


Uma coisa lhes digo. Se me viessem oferecer, anos atrás, quando eu procurava a notícia de Deus, uma religião em cujo credo eu pudesse escolher os artigos de minha simpatia, e em cujos livros santos pudesse dar a interpretação que bem entendesse, eu recusaria indignado tal religião e tal Deus sem exigências de verdade. Meus antigos professores de geometria ou de física eram maiores do que esse deus da tolerância dogmática, pois haviam ensinado que a verdade da geometria ou da física não dependem de minha interpretação e sim da natureza dos corpos e das definições das figuras. E se me oferecessem uma religião em cujo culto se pudesse tirar, acrescentar ou modificar, eu a recusaria enfadado, porque esse culto seria inferior a uma partida de futebol onde as regras são regras.

Ninguém me obrigou a aceitar o cristianismo. Eu também não posso obrigar ninguém a correr atrás de Jesus Crucificado e a entrar nesse jogo de amor e justiça cujas regras nos foram dadas por Deus e por sua Igreja. Admito que alguém não queira sequer examinar essa doutrina e experimentar esse jogo, alegando, por exemplo, que tudo isso foi inventado pelos papas. No momento em que encontrei o Fato, a coisa católica eu tive pelo menos uma grande tranquilidade: essa religião tinha uma imensa vantagem: não fora inventada por mim. Mais tarde, vi que também não fora inventada pelos papas, e então a idéia de origem divina se impôs e me forçou a dobrar o joelho endurecido.

Torno a dizer: eu poderia ter recusado em bloco o Símbolo dos Apóstolos; mas nunca me passou pela idéia a estupidez de aceitá-lo em parte. Bem sabia que se fizesse tal discriminação seria eu o fundador dessa variante cristã. Com material cristão eu estaria fabricando uma seita e um deus de minha invenção. Felizmente nunca me ocorreu essa cômica idéia; e continuo a admirar-me que ela possa ocorrer a alguém. O protestantismo consiste precisamente nisto. À Igreja Católica, única, global, maciça, os protestantes opõem mais de mil glosas que apareceram ao sabor da livre interpretação e do relativismo dogmático. E essa multiplicação de seitas, em confronto com a unidade católica, é a prova da decomposição de um corpo sem alma.

(...) Querem transigir? Por que não começam pelo futebol? Por que não praticam a livre interpretação dos sinais de tráfego? Por que não toleram, antes dessa amálgama de religiões, a amálgama das relações conjugais, trocando maridos e esposas? Vamos, vamos transigir? Sendo professor, pouco me importará que o aluno aproveite ou não; pouco me interessará, ao examiná-lo, que ele conheça ou não a matéria. Admitamos que ele é protestante em geometria e espírita em química. Sendo médico, não irei zangar-me com a enfermeira por causa de uma troca de injeções. Sendo engenheiro, transigirei com os fornecedores que roubam nas medidas e nas especificações. Por que deverei ser zeloso nos negócios doshomens se sou tolerante nas coisas de Deus? Vamos transigir em tudo se podemos transigir em religião.

(...) Dirijo-me aos católicos liberais, e digo-lhes que a sua transigência doutrinária prova simplesmente que, para eles, a Religião é a coisa menos importante do mundo. Ora, o catecismo nos ensina, ao contrário, que a Religião é infinitamente mais importante do que o mais alto dos negócios humanos. Nós outros que em tempo e contratempo procuramos ser fiéis à doutrina, e que levamos a sério a nossa religião, seremos necessariamente intolerantes. E seremos lógicos, porque uma religião-sem-importância é um absurdo impensável.

Na verdade, a inconsistência moral do catolicismo complacente se explica por uma espantosa subversão: o que se procura nesse tipo de religião é um deus vantajoso, um deus que nos sirva, que acorra aos nossos caprichos. Ora, mal ou bem, às vezes indignamente, nós outros professamos uma religião e procuramos um Deus como os magos de Belém: para adorá-lo e para servi-lo. Não podemos, por isso, parar nas esquinas mais próximas, para oferecer nosso incenso aos ídolos mais acessíveis, porque o nosso Deus é um Deus de absoluta intransigência que disse: "Eu sou aquele que sou"; e logo acrescentou: "Não terás outros deuses diante de minha face".

Nosso Deus quer ser amado sem erro de pessoa. Quer ser louvado e adorado como Ele próprio, pela santa humanidade de seu Filho, nos ensinou. Quer ser seguido. Quer ser ouvido e obedecido: "O meu discípulo é aquele que ouve e guarda os meus preceitos".

Gustavo Corção, Pode-se transigir em religião?

Fonte: Permanência

Léon Bloy


Se Deus existe...

Deus existe ou Deus não existe. Se se lhe concede a existência, é preciso concedê-la efetiva, supondo uma infinita continuidade da Criação, o que implica a onipotência absoluta no conhecido e no desconhecido, no visível e no invisível. Se o Ato criador se interrompesse, no mesmo instante o mais duro granito e todos os metais se reduziriam a poeira, e essa própria poeira não subsistiria. Não haveria mais nada. A natureza inteira se dissolveria no ininteligível vazio. Se esse postulado não for admitido, é-se forçosamente um ateu ou um imbecil, o que é, aliás, equivalente, do pondo de vista estético.

O verdadeiro bem aos outros

Falais em melhorar a condição dos que sofrem. Como podeis acreditar nessa possibilidade, se não tendes em vista senão o bem-estar material? E sois forçados a só ter isto em vista, posto que não tendes absolutamente nada a dar a suas almas. Ninguém fez tanto por eles, materialmente, quanto os homens de grande fé que a Igreja chama os Santos. Mas os santos sabiam que o corpo humano não é senão a aparência do homem e trabalhavam sobretudo por suas almas, as quais não morrem. Sabiam, também, que o Sofrimento é bom, sobrenaturalmente, para todos. E que o homem que não sofre ou não quer sofrer, é um filho deserdado do Filho de Deus que esposou a Dor, pois somente aquele que aceita sofrer, pode entrever o preço de sua alma.

O Ato único

Então Deus, que conhece a miséria de suas criaturas, confere misteriosamente a alguns que escolheu por testemunhos a suprema graça de um desprezo sem limites, no qual não subsiste nada mais senão Ele mesmo em suas Três Pessoas inefáveis e nos milagres de seus Santos. Quando o padre eleva o cálice para receber o Sangue do Cristo, pode-se imaginar o enorme silêncio de toda a terra que o adorador supõe cheia de pavor em presença do Ato indizível que torna semelhantes a nada todos os outros atos, logo assimiláveis a vãs gesticuçações em trevas. A mais hedionda e a mais cruel das injustiças, a opressão dos fracos, a perseguição dos cativos, o próprio sacrilégio e o consecutivo desencadeamento das luxúrias infernais, todas essas coisas, nesse momento, parecem não mais existir, não mais ter sentido em comparação com o Ato Único. O que subsiste é, somente, o apetite dos sofrimentos e a efusão das magníficas lágrimas do grande Amor, antegoso de beatitude para os alunos do Espírito Santo que estabeleceram sua morada no tabernáculo do Desprezo real por todas as aparências deste mundo.

..............

Deus vos quer santo. Não digo virtuoso, nem honrado, o que basta aos burgueses. Mas, SANTO. E, a isso saberá vos obrigar, nem que seja à custa de terríveis dores.


Octávio Faria, Léon Bloy.

Delicadeza cristã - S. João da Cruz

Quando virmos em nossa Ordem perdida a delicadeza, que faz parte da polidez cristã e monástica, e que, em seu lugar, reine a agressividade e a ferocidade nos superiores, vício esse próprio de bárbaros, devíamos deplorá-la como acabada. Porque quem jamais viu as virtudes e as coisas de Deus serem impostas a pauladas e com grosseria? "A todas as ovelhas tratais, com violência e dureza" (Ez 34,4).

Quando os religiosos são formados sob a ação desses rigores, tão desarrazoados, vêm a ficar pusilânimes para empreender coisas grandes na virtude, como se tivessem sido criados entre feras, segundo diz Santo Tomás no vigésimo opúsculo De regimine principis, cap. 3: "Naturale est enim ut homines sub timore nutriti in servilem degenerent animum et pusillanimes fiant ad omne virile opus et strenuum".

São João da Cruz, Escritos Espirituais, Ditames do Espírito.

GRAUS DE PERFEIÇÃO - S. JOÃO DA CRUZ


1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.
12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procure sempre confessar-se cm profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.
15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.
16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.
17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplático dos homens.

S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais

Entrevista com o Pe. Paulo Ricardo


Ontem, dia 02 de julho, no programa "Escola da Fé" dirigido pelo Prof. Felipe Aquino no canal Canção Nova, o Pe. Paulo Ricardo se pronunciou, dentre outros assuntos, a respeito de filosofias contrárias à religião, como o agnosticismo, o deísmo, o racionalismo, bem como outras erroneamente vinculadas à religião, como o fideísmo e o biblicismo (o Sola Scriptura de Lutero), tudo isto em referência à encíclica Fides et Ratio de João Paulo II, em 14 de setembro de 1988.

Com clareza singular, Pe. Paulo Ricardo demonstrava a incompatibilidade destes doutrinas com a visão católica, denunciando tendências racionalistas dentro da teologia, as quais chamou de "epidemias". Frizou ainda a necessidade de uma leitura bíblica que, embora amadureça o seu caráter literal, se ordene ao espiritual, como significado último e profundo da proposta bíblica.

Tratou ainda dos movimentos revolucionários que, à força de sua ideologia, projetam mundos ilusórios, arvorando-se em criadores a despeito da divindade, almejando claramente se substituírem a ela. Neste sentido, citou Nietzsche, que afirmou a inexistência "dos deuses" porque simplesmente, na ocasião de suas existências, ele não suportaria não ser um. Pe. Paulo Ricardo disse, então, que é esta a intenção dos tais revolucionários.

Sobre a discussão contra estes por parte dos católicos, Pe. Paulo Ricardo sustentou uma posição muito semelhante à do filósofo Olavo de Carvalho, segundo a qual pode se tornar perda de tempo discutir argumentos com as pessoas que se denominam revolucionários. Se lhes é mostrado um argumento superior, eles evadem afirmando que a razão também não é algo assim tão seguro. Frizou que muitos destes que se consideram racionalistas hoje, amanhã estão acreditando nos poderes dos cristais. Terminou por chamá-los de "safados", dizendo que o que se deve fazer é desmascará-los, denunciar-lhes a desonestidade intelectual.

Pe. Paulo Ricardo tratou ainda de outros assuntos, sempre dono de particular clareza. Além de sua manifesta inteligência e fidelidade à doutrina da Igreja (que inevitavelmente nos faz compará-lo à fraqueza doutrinária do Pe. Fábio de Melo, cujo programa teria início logo depois do término do "Escola da Fé"), o padre ainda se faz notar pelo porte e pelas roupas que usa, dignas de um sacerdote. Enfim, ver um padre assim desperta um santo orgulho, uma alegria de saber que há ainda, como dizia o Pe. Antônio Vieira, quem se ponha, nesta terra, contra o inferno e a favor do Céu.

Fábio Luciano

Os três tipos de infidelidade

Por Carlos de Laet

Segundo os melhores tratadistas, a infidelidade, isto é, a falta de fé, pode ser de três modos - negativa, privativa e positiva ou contrária. Esta é a dos que, tendo abraçado a religião verdadeira, depois a rejeitam total ou parcialmente, o que constitui gravíssimo pecado. Infidelidade privativa é a dos que, tendo ouvido falar da verdadeira religião ao menos in confuso, não procuram instruir-se a respeito dela, e por isto já é pecaminosa. Quanto à primeira, a negativa é a dos que nunca ouviram falar da fé; e, como é involuntária, não se constitui pecado, sendo aliás pena do pecado original.

Indiferentismo religioso

Fonte: Permanência

Audiência geral do Papa Bento XVI: dever dos padres são Evangelho e Sacramentos, não mudar o mundo.


Papa: padres, “Primeiro dever não é a construção da justiça social”

CIDADE DO VATICANO – O Concílio Vaticano II teria alimentado confusão em parte da Igreja quanto ao papel dos padres. É o que afirmou o Papa durante o curso da audiência geral de hoje. “Alguns – disse Bento XVI - pensaram que o principal dever fosse o de construir, antes de tudo, a justiça social”. Essência mesma do sacerdócio, reiterou o Pontífice, são, pelo contrário, o anúncio do Evangelho e a Eucaristia. (Agr)

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Intolerância Dogmática


Carlos de Laet

Senhores, a intolerância dogmática contra os erros é um dos caracteres lógicos da posse da verdade. Eu sei que os três ângulos de um triângulo retilíneo valem em soma dois ângulos retos, 180 graus, e sobre isto não posso fazer a menor concessão a quem quer que seja. Ao melhor dos meus amigos, ou sob ameaça de morte, não posso tolerar que à dita soma se tire ou se acrescente um segundo de arco. Argüir, portanto, de intolerância a Igreja Católica neste pnto é reconhcer-lhe um dos caracteres da sua verdade. E para que não o diga eu desajudado de qualquer autoridade, permitireis que a propósito disto eu me socorra, não a um doutor da Igreja, porém ao insuspeito campeão da liberdade de consciência, Júlio Simon:

"A intolerância religiiosa assim entendida (diz ele) é a condição indispensável da unidade e da estabilidade da fé e a consequência natural do dogma da revelação. Não se pode exprobrar a uma Igreja o crer na verdade de seus próprio dogmas e excluir do seu seio os dissidentes. Excluindo-os, ela nada mais faz do que registrar estado em que se acham aqueles espíritos, porque ninguém pode pertencer a uma Igreja cujas crenças repudia.

(...) Uma Igreja (conclui Julio Simon) está, pois, no seu direito, quando aos seus fiéis impõe a obrigação de crer em tudo que ela ensina, isto é, quando em si mesma pratica a intolerância religiosa; então não mais faz do que obedecer ao seu princípio, que é o princípio da autoridade. É para ela uma questão de vida ou de morte: nem pode em si mesma introduzir o princípio de livre exame sem que cesse de ser uma religião"

A tolerância política ou civil não é o que entre nós existe, nem se deve confundir com o indiferentismo. O Estado que reconhece uma religião (como outrora sucedia entre nós) pode, por motivos de ordem pública, tolerar os cultos dissidentes, comprometendo-se a não incomodar os que os professam; mas disto vai grande distância a não reconhecer religião alguma e a proibir no pacto fundamental qualquer aliança entre a religião e o Estado.

Quanto à tolerância para com os que erram, escusado é dizer que ela decorre da mesma natureza do cristianismo. Jesus Cristo, o divino modelo, orava na Cruz pelos seus perseguidores. S. Agostinho preceituava a morte dos erros e o amor dos que erram: Diligite homines, interficite errores. S. Bernardo queria que se conquistassem os hereges com argumentos e não com a espada: Haeretici capiantur non armis, sed argumentis.

Carlos de Laet, Indiferentismo Religioso.

Fonte: Permanência.
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