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Que bela notícia! Papa Bento XVI gravará Cd.

Papa Bento 16 lançará disco, diz gravadora da BBC Brasil

Um disco com a voz do papa Bento 16 será lançado será lançado no final do ano, segundo anúncio feito pela gravadora Geffen UK/Universal.

No disco, chamado inicialmente de "Alma Mater" ("mãe que alimenta" em latim), o pontífice gravará mensagens e cantará músicas em latim, italiano, espanhol, francês, alemão e português.

Segundo a gravadora, esta será a primeira vez que Bento 16 grava um disco, que está sendo lançado com a benção do papa.

A gravação será lançada no dia 30 de novembro e a Geffen UK aposta que ele terá boas vendas na véspera do Natal.

Voz "incrível"

O disco trará a Ladainha Lauretana, cantos marianos e oito melodias clássicas. O papa recitará passagens da Bíblia e orações acompanhado do coral da Filarmônica de Roma, conduzida por Pablo Colino, maestro emérito da Basílica de São Pedro.

A britânica Royal Philharmonic Orchestra gravará as composições clássicas nos estúdios Abbey Road, em Londres.

A gravadora e o Vaticano não divulgaram os valores envolvidos no lançamento do disco, mas, foi anunciado que os lucros do álbum serão doados para projetos de educação musical para crianças carentes pelo mundo.

O presidente da gravadora Geffen UK, Colin Barlow, disse que a voz do papa é "incrível".

"Nós estamos felizes que o papa Bento 16 mostrou apreciação e deu sua benção especial a esse projeto", disse Barlow. Mais detalhes do disco serão anunciados em setembro, em um lançamento oficial do projeto no Vaticano.

Fonte: Folha Online

Articulação mundial contra o Papa


Tão logo o Papa Bento XVI anunciou a reintegração da Igreja tradicionalista na ordem pós-conciliar – o que de si já é uma ironia, pois a novidade não pode reintegrar em si a tradição, e sim ao contrário –, desencadeou-se contra ele uma das mais maliciosas campanhas de ódio já vistas na mídia mundial.

Três episódios marcaram os seus pontos altos.

Primeiro veio o bispo Williamson – um factóide na mais plena acepção do termo. Até a véspera, ninguém o conhecia. Quando o descobriram entre os milhares de sacerdotes e fiéis beneficiados pela suspensão de uma pena eclesiástica coletiva, saiu do anonimato e tornou-se repentinamente um perigo para a espécie humana, por ter emitido numa igreja de bairro, ante umas poucas dezenas de fiéis se tanto, uma opinião antijudaica. Por toda parte ergueram-se gritos de escândalo, significativamente voltados não contra o bispo, mas contra o Papa. Como se a revogação do castigo não viesse do simples reconhecimento de um erro judicial velho de quatro décadas, e sim do endosso papal às convicções pessoais do bispo – até então ignoradas não só do Vaticano, mas do mundo – sobre matéria alheia ao seu sacerdócio, à fé católica, às razões da penalidade e às da respectiva suspensão. Forçando a inculpação por osmose até o último limite do artificialismo, lançava-se sobre toda a Igreja tradicionalista e, de quebra, sobre o Papa que a acolhera de volta, a vaga mas por isso mesmo envolvente suspeita de anti-semitismo. Não por coincidência, entre os mais inflamados denunciantes encontravam-se aqueles que tanto mais se esforçam para proteger os judeus contra perigos inexistentes quanto mais se devotam a entregá-los, inermes, nas mãos de seus inimigos armados.

Depois, veio o episódio das camisinhas. Não há como medir os gritos de horror, as lágrimas de escândalo, as gesticulações frenéticas de abalo moral com que a grande mídia reagiu à declaração blasfema de que esses sacrossantos dispositivos não protegem eficazmente contra a Aids. Na verdade, não protegem nada. Edward C. Green, diretor do Projeto de Pesquisas sobre Prevenção da Aids no Harvard Center for Population and Development Studies, informa que a revisão mundial dos resultados obtidos nos últimos 25 não mostra o menor sinal de que as camisinhas impeçam a contaminação. O único método que funciona, diz Green, é a redução drástica do número de parceiros sexuais. Uganda, que por esse método e com forte base religiosa reduziu os casos de Aids em 70 por cento, é o único – repito: o único – caso de sucesso espetacular já obtido contra essa doença. Mas que importam esses dados? A camisinha não vale pela eficácia, ó materialistas prosaicos. Ela é um símbolo, a condensação elástica dos mais belos sonhos da utopia pansexualista, onde as criancinhas praticarão sexo grupal nas escolas, sob a orientação de professores carinhosos até demais (sem pedofilia, é claro), e nas praças os casais gays darão lições de sodomia teórica e prática, para encanto geral do público civil, militar e eclesiástico. De que vale a verdade, de que valem as estatísticas, de que valem as vidas dos ugandenses, diante de imagens tão radiosas da civilização pós-cristã que a ONU, o Lucis Trust, a mídia bilionária e todos os pseudo-intelectuais do mundo almejam para a humanidade? É em defesa desses altos valores que se ergueram gritos de revolta contra o Papa, esse estraga-prazeres, esse iconoclasta sacrílego.

Por fim, veio o documentário da BBC, onde o ex-cardeal Ratzinger é acusado de proteger padres pedófilos, determinando que fossem removidos de paróquia em vez de punidos. É claro que a coisa já estava pronta fazia tempo, aguardando a oportunidade política, que veio com os esforços de Bento XVI para restaurar a unidade da Igreja, algo que os apóstolos da nova civilização temem como à peste. A BBC, outrora uma estação respeitável, tornou-se uma central de propaganda esquerdista tão fanática e desavergonhada que o que quer que venha dela deve ser recebido a cusparadas, mas em todo caso vale lembrar que um padre formalmente condenado na justiça por pedofilia não tem como ser removido de paróquia, pois já está removido para a cadeia. Restam os padres meramente acusados, sem provas judiciais válidas. A mídia quer que a Igreja os castigue assim mesmo, a priori, à primeira palavra que se publique contra os desgraçados. O cardeal Ratzinger é acusado, no fim das contas, de não ter feito isso. É preciso toda a técnica cinematográfica da BBC para dar a impressão de que se trata de coisa imoral, até mesmo vagamente criminosa. Mas, nesses casos, a realidade não importa nada. A impressão é tudo.

Destaco esses três episódios só como amostras, no meio de um bombardeio multilateral, incessante e crescente, no qual só a estupidez voluntária pode enxergar uma simples confluência de casualidades, sem nenhuma coordenação ou planejamento.

Olavo de Carvalho

Fonte

Pe. Pio converte um materialista militante


O Padre Pio sabe falar aos intelectuais; os filósofos modernos não lhe metem medo! Num monge, tão humilde, eis um aspecto pouco banal. Muitas vezes no confessionário afronta objeções, tira obstáculos, liquida controvérsias. Os seus carismas não são contrários à inteligência. Longe de ser feudo de devotos, como queriam fazer-nos acreditar, São Giovanni Rotondo vê afluir de todos os lados, universitários, artistas, escritores, filósofos, intelectuais, ávidos de conhecerem as coisas da fé.

Um deles, Feruccio Caponetti, materialista militante, distintíssimo, escreveu: "No monte Gargano encontrei um Mestre. Acolheu-me com alegria, escutou com um sorriso as minhas dúvidas e dificuldades; depois, em palavras muito simples, mas orientadas por insondável profundidade de pensamento, demoliu uma a uma todas as objeções que me formigavam a cabeça , eliminou um a um todos os meus argumentos, pôs-me a alma bem nua, e, mostrando-me os ensinamentos do Senhor, abriu-me os olhos do espírito. Vi a luz. Tocou-me o coração, e pude dizer: EU CREIO".

Estas poucas linhas, cheias de emoção, mostram maravilhosamente a passagem para a luz no drama do descrente. O Padre Pio não evita as dificuldades com habilidades carismáticas. Se, por fim, faz entender ao intelectual revoltado que lê na sua consciência, é com admirável paciência e extrema cortesia que examina de frente os pobres obstáculos que lhe bloqueiam a inteligência. Se não fosse assim, seria ele recebido, como é, nos meios intelectuais? Foi a um universitário, contudo, que disse um dia: "Nos livros procuramos Deus. Na oração encontramo-lo".

Fonte

O modismo de um falso tradicionalismo

Tempos atrás, com a ascensão dos grupos pentecostais, várias pessoas passaram a utilizar crucifixos nos pescoços e a pendurar terços nos bolsos como que para identificar a que grupo pertenciam. Tornou-se moda ostentar os objetos sagrados, muitas vezes, sem nem saber o real significado do que se portava. Foi nesta época ainda que alguns passaram a banalizar certas orações tradicionais, como, por exemplo, a oração de exorcismo de S. Bento, que se viu, de uma hora pra outra, sendo usada com fins, por vezes, sensacionalistas.

Passado também certo tempo, corremos o risco de desbancar num outro modismo: o falso tradicionalismo.

É muito interessante notar que, no decorrer dos séculos, os combatentes de determinada heresia, por vezes, exageravam tanto na defesa de um aspecto contrário que terminavam por criar, eles também, uma outra heresia. Esta dinâmica do erro, porém, sempre tem algo em comum: a atitude de fiar-se demasiado na própria opinião e fazer-se o critério da verdade.

O autêntico tradicionalismo é uma posição de fidelidade a Deus e à Sua Igreja, motivada, antes de tudo, pelo amor... um amor, por vezes violento, semelhante ao de Elias que se dizia "devorado de zelo pelo Senhor" e um amor que se manifesta como fidelidade ao "Deus ciumento". Como forma de expressão, este amor se dá por uma série de atitudes exteriores que nada mais são do que consequências da chama que arde no interior. Mas, à semelhança dos fariseus, é bem possível que se tente imitar este aspecto puramente estético, ao mesmo tempo em que se cultive intenções diversas. Apressar-se sobre as intenções de alguém é algo complicado de se fazer e, mesmo, ilícito. Nisto consiste o julgamento que Nosso Senhor proíbe. Por este motivo, este artigo não visa acusar ninguém em particular, mas apenas despertar para o risco de, na atitude de dizer-se tradicional, permitir-se a mescla de intenções não tão tradicionais assim.

Algo que os santos e todos os verdadeiros católicos sempre prezaram, e pelo que devemos também cuidar, é a chamada "pureza de intenção". Todo trabalho de legítimo apostolado deve ser um fiel cumprimento do primeiro mandamento. Se não for pelo amor a Ele, todo tempo que investirmos em nossos projetos será agitação infértil e barulho inútil. Acontece que, algumas vezes, podemos querer nos apoiar em Deus apenas para construir determinada imagem a nosso respeito. Tantos há que ganharam respeito na defesa da Fé. Isso é ótimo, claro... mas não é este tipo de prêmio o que deve motivar um "amigo da cruz". O oposto também pode ocorrer: utilizarmos do sagrado somente para fazer inimigos e externar nossa agressividade, pensando ser isto, a garantia do incômodo causado, prova de legitimidade do espírito cristão. Há ainda o risco de sermos guiados pelo torpe motivo de querer corresponder às expectativas de algum outro tradicionalista ao qual respeitamos e de quem a opinião a nosso respeito muito nos interessa. Se assim agimos, estamos desfocando a motivação correta. Estamos buscando servir, não a Deus, que aparece apenas como ilustração, mas a este outro a quem nos preocupamos em agradar. Isto pode acontecer de forma muito mais frequente do que imaginamos...

Nesta época em que vemos o belo esforço de muitos filhos da Igreja em protegê-la contra os erros, há sim o risco de que alguém, mal interpretando as coisas, procure imitar somente o aspecto exterior, o fenômeno do combate, sem armar-se, contudo, da lente interior, do amor que deve ser como que o combustível da nossa alma. Estas pessoas má-orientadas geralmente tendem a dizer-se fiéis à Igreja e a afirmarem-se capazes das maiores heroicidades pela Fé, mas, diante de um pequeno ponto em que descobrem um desacordo entre o que realmente a Igreja ensina e o que, até então, defendiam, o orgulho entra em cena na forma de obstinação ao erro. Ora, mas não era amor à Igreja que se dizia? Por que não acatar, então, o que ela diz e renunciar a comodidade da própria opinião? Torna-se, dessa forma, manifesta a caricatura que se mantinha e a infantilidade que a sustentava.

Devemos, pois, meus irmãos, cuidar para que isto não se encontre na nossa alma, compreendendo que, por vezes, o nosso amor próprio disfarça-se de todo tipo de virtude. E não nos enganemos: é bem possível manter toda uma vida permeada de aparentes austeridades, quando o que nos move é somente o egoísmo e a soberba. Contemplemos a cruz de Nosso Senhor, e aprendamos o que é ser pobre, humilde e o que significa amar. Como dizia Sta Catarina de Sena, que ao contemplar a humildade e humilhação do Crucificado, nós nos envergonhemos da nossa vaidade.

Que Nosso Senhor nos ensine a caminhar direito e que a chama que arde em nós seja a da Caridade, que extirpa todo o vício. Que a Virgem Maria nos ensine a ser pobres. Somente assim, compreendendo o nosso nada, a infinita pequenez do nosso ser, poderemos, enfim, pretender ser úteis a Nosso Amado Deus.

Corde in Crux, Crux in Corde

Fábio Luciano

O respeito devido aos sacerdotes


Deus Pai a Santa Catarina de Sena

Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o meu Filho abriu-as com a chave do seu sangue. Ao sofrer a paixão e morte, ele destruiu vossa morte e vos lavou no sangue. Sim, foram seu sangue e sua morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao apóstolo Pedro e a seus sucessores, os que vieram e que virão depois dele até o dia do juízo final. Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do sangue de Cristo e dos sacramentos. Já disse que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por alguém que o administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os sacramentos da santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

Santa Catarina de Sena, O Diálogo

Muito estranho... Pe. Joãozinho e a Eucaristia


Este texto que segue abaixo foi vinculado a vários sites e blogs. Como podem ver, eu não o retirei, mas, por justiça, após a leitura dele, peço que leia este aqui, no qual me retrato pelo erro de ter me referido, na ocasião, à Santa Missa como celebração antropofágica. Boa leitura.

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Ontem à noite, 27 de julho, assisti a reapresentação da entrevista entre o Pe. Fábio e o Pe. Joãozinho, onde o primeiro tentava se esclarecer a respeito da recente polêmica por causa de declarações num de seus livros abordando a temática da Eucaristia e da Ressurreição. O padre comentou também sobre a sua resposta à carta de um blogueiro, o Gustavo, onde diz que o "dogma evolui".

Porém, agora quero me ater a uma questão levantada no programa, em que o próprio Pe. Joãozinho afirmou coisas estranhas a meu ver. Tratando da Eucaristia, e criticando uma posição "materialista" que consistia em focar-se no aspecto material do Corpo do Senhor, o padre falou que, mesmo depois da transubstanciação, continua existindo vinho. É como se o sangue ficasse presente no vinho. Ora, mas isto é doutrina luterana, a chamada empanação.

O sacerdote dehoniano argumentava que o que acontece na Santa Missa é a transubstanciação e não transmaterialização.

Esclareçamos algumas coisas. O que defendia a doutrina da empanação de Lutero? O protagonista da "revolução" protestante defendia que, na Eucaristia, Cristo estava presente juntamente com a substância do pão. Isto se assemelha muito à posição que o padre defendeu. Mas continuemos... Pouca gente sabe, mas o grande motivo da condenação de Galileu se deu por motivos teológicos. Este cientista, metido a metafísico e meio místico, andou elaborando uma teoria, segundo a qual, os acidentes de determinado ser, seriam eles mesmos, compostos de substância. Com isto, Galileu simplesmente negou a possibilidade de separação entre substância e acidente. Ok.. Mas e o que isto tem com a Eucaristia? Tudo.

Antes, porém, tratemos ainda de outra breve questão. O que faz com que uma coisa seja o que é, é a sua substância. Se mudamos somente os acidentes de algo, este não deixa de ser o que é. Quando Juliana corta o cabelo, faz as unhas, troca de roupa, bronzeia-se na praia, etc... não deixa de ser Juliana. A mudança de acidentes não implica que se deixe de ser quem é. No entanto, quando mudamos a substância de algo, mesmo que permaneçam os acidentes, aquele algo já não é o mesmo ser. O que se dá na Santa Missa é, justamente, a mudança da substância do pão para a substância da Carne de Nosso Senhor. Portanto, de forma alguma pode-se dizer que, após a consagração, ainda há pão. Daí ser errado dizer que "a carne do Senhor está presente no pão", pois já não há mais pão, nem vinho.

Voltemos à doutrina de Galileu e sua relação com a Eucaristia. Na transubstanciação, a substância é mudada, mas permanecem os acidentes. Dizemos que o Corpo do Senhor e o Sangue do Senhor estão "sob as espécies do pão e do vinho". Com "espécies" quer-se dizer "acidentes" ou "aparências". Estes acidentes, embora permaneçam para nos exercitar a Fé, NÃO são compostos da substância do pão. A afirmação de Galileu mexia, portanto, no "Mistério da Fé", que a Igreja guarda com máximo zelo, sendo mesmo o centro e ápice da vida cristã.

Agora, porém, Pe. Joãozinho, conhecido por sua erudição, aparenta defender que, mesmo após a consagração, permanece a matéria do pão e do vinho. Se, por matéria, ele quiser dizer "acidente", tudo bem. Mas que se explique. Depois, (se eu estiver errado, alguém me corrija), a celebração eucarística é sim antropofágica, pois o que comemos é, de fato, a carne de um homem, embora seja Deus. Não é simbolismo, é literalmente carne e literamente comida (Jo 6,55).

Por fim, uma questão interessante: Pe. Joãozinho afirmou, como prova de que o sangue consagrado permanecia, de alguma forma, vinho, que se alguém bebesse uma grande quantidade do Sangue do Senhor, viria a ficar alcoolizado. Reconheço que este terreno central da Fé é muito complexo e transcende infinitamente a nossa possibilidade de compreensão, sendo por sua própria natureza, inesgotável mistério. Porém, arrisco-me a fazer a seguinte observação: Dentro os acidentes que permanecem após a consagração do pão e do vinho, estão a cor, o tamanho, o cheiro, o gosto. Já o dizia Santo Tomás em um de seus belos poemas. Pois bem. A possibilidade do Sangue do Senhor provocar o efeito próprio da substância do vinho não seria, também, outro caráter acidental? Creio que sim, pois não há mais vinho.

Fábio Luciano

Caso Medjugorje - Frade "criador" das aparições é reduzido a estado laical por Bento XVI

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Comentários meus à resposta do Pe. Fábio de Melo - Final


“Deus conhece a vida que tenho, e conhece também minha dedicação aos seus projetos. Se você gosta de quantificar o que faz, este não é o meu caso. Eu sou filho do Novo Testamento. Jesus é o Senhor da minha vida. Com Ele eu aprendi que a salvação não está na obrigação dos ritos, mas na qualidade do coração que temos”

Pe. Fábio, no trecho acima, parece fazer uma radical oposição entre “quantidade” e “qualidade”. É bem verdade que, por vezes, as vemos dissociadas, de modo que uma não implica necessariamente a outra na mesma medida. Mas não é verdade que esta “independência” ocorra sempre nem que seja total. Entre qualidade e quantidade, é óbvio que a primeira é mais importante, mas, em determinados campos, a primeira exige a segunda.

No discurso falacioso de Pe. Fábio, há uma tentativa de evadir à questão levantada pelo Gustavo, autor da carta que lhe foi enviada. Sabemos da grande estima que a Igreja tem pelo costume da Missa diária, da Confissão freqüente. Há institutos religiosos que confessam-se todas as semanas; Sta Catarina de Sena confessava-se todos os dias. Ao sacerdote de Cristo, cabe o dever de celebrar o Sacrifício do Senhor diariamente. Este argumento do Pe. Fábio, segundo o qual uma atitude que “quantifique” certo costume perca, por isto, o seu caráter qualitativo é falso. É claro que, visto ser o aspecto qualitativo mais importante, o quantitativo deve lhe servir e a ele se ordenar. Uma inversão desta hierarquia comprometeria a vida da Fé. Isto se deu, particularmente, em certos ambientes judeus no tempo de Jesus, onde os costumes religiosos haviam se tornado como que mecânicos. Compreendendo isto de forma correta, vê-se como a qualidade não pode dispensar te todo a quantidade. De fato, se um padre viesse a celebrar a Santa Missa de forma irregular, uma vez por semana ou por mês, sustentando o discurso de que, pra ele, o que importa é a qualidade, veria esta mesma qualidade perder-se. Como bem o escreveu o Célebre Adolph Tanquerey, na vida da Graça, quando não se progride, se regride. Isto se explica porque ainda trazemos em nós a cicatriz do pecado original, a inclinação à satisfação de nossas paixões. Portanto, não pôr-se em combate cultivando intimidade freqüente com Nosso Senhor, mas, ao contrário, somente abeirar-se dos Sagrados Mistérios quando se sentir com o coração emocionalmente disposto (como fazem os românticos que não têm idéia do que seja vida espiritual), significa pedir para ser derrotado.

Como dizia S. João da Cruz (de quem já deu pra perceber que sou bastante devoto), quando uma brasa se afasta do fogo, ela acaba mais fria do que quente. Assim também acontece com quem adere a um discurso que despreza a assiduidade das obrigações religiosas em prol de uma suposta qualidade (confortável isso, não?).

Ser Filho do Novo testamento significa compreender que o aspecto quantitativo deve ordenar-se ao qualitativo. Os judeus celebravam a Páscoa uma vez por ano, e Jesus também observou este costume. O domingo, dia do Senhor, somente é reconhecido como tal dentro de um discurso que quantifica os dias da semana, reconhecendo-o como “primeiro dia”. Também a Igreja celebra seus tempos litúrgicos utilizando-se da “contagem” dos dias. Celebramos o Natal do Senhor no 25º dia do 12º mês do ano.

Pe. Fábio aparenta estar totalmente isento do critério quantitativo na sua vida. Mas será? É bem possível que nisto ele não ponha sua atenção, mas isto não significa que ele também não “quantifique”. Isto ele faz quando obedece a agenda de seus shows, quando aparece semanalmente, em determinado dia e em determinado horário, para apresentar seu programa na Tv CN. Portanto, o discurso acima parece ser mais uma evasiva diante da lembrança do seu dever que admitiu não cumprir às vezes.

Em seguida, o Gustavo pediu explicações ao Padre por ter dito que, para ser um Sacerdote, é preciso ter amado; esta expressão foi posta num contexto onde se falava de experiência sexual. Padre Fábio, com sua resposta, só piorou a situação. Ei-la:“Digo baseado no fato de ser padre, conviver com padres, morar em seminários desde os 16 anos de idade, ser diretor espiritual de inúmeros seminaristas, padres e freiras. Digo isso porque vivo os bastidores da Igreja. Sou amigo pessoal de muitos bispos, religiosos, diretores de seminários. Tenho 38 anos e sou profundamente interessado pela vida sacerdotal. A minha experiência, e a de tantos que passaram pela minha vida, mostraram-me que o celibato é ESCOLHA. Para haver escolha é preciso que haja possibilidades. Quanto à felicidade de seu pároco, sobre ela não posso dizer, pois não o conheço. Minha fala é fruto do que a vida me mostrou, e só.”

Nesta resposta, o padre pareceu ser particularmente irresponsável. Parece obstinado em distorcer o ensino da Igreja, preferindo a sua frágil experiência. Se nem um padre pode viver o celibato, então este é impossível! Eis a implicância prática do que ele afirma. Além disso, o padre não deveria se fundamentar no que “a vida lhe mostrou” somente, mas, antes, no que ensina a Igreja e no testemunho de muitos dos seus filhos que viveram perfeitamente a castidade e o celibato. O padre virou empirista, agora? Uma coisa é fazer a experiência da miséria humana, outra é duvidar de que é possível “fazer-se eunuco pelo Reino de Deus”(Mt 19,12) mesmo sem ter feito a experiência sexual. Muito estranho isso... estranhíssimo.

“Talvez eu não tenha conseguido revelar a você a sacralidade que move os meus objetivos.”

Justamente, padre... Foi isso mesmo.

“Talvez você esteja elevado demais em sua vida espiritual, e necessite de padres mais espiritualizados, menos humanos.”

Ser espiritualizado não significa ser menos humano. Uma coisa não é oposta à outra. Afinal, somos homens, o que significa que somos seres espirituais. Fundamento básico da Antropologia Teológica, padre.. lembra? E nesta visão de “humano” como oposto ao “espiritual”, parece que o senhor chama de humano o que é pecaminoso e rasteiro. Quanto mais distante da perfeição, mais humano para o senhor? Que não seja por isso, então, que o senhor se diz “humano demais”!

“Conheci a Deus através do amor ágape. Fiquei fascinado quando me ensinaram que Deus é um pai amoroso que não despreza os filhos que tem, mesmo quando não correspondem ao que Ele espera.”

Mas vamos explicar bem, padre. Que Deus é amor e misericórdia, sem dúvida. Que nos acolhe sem merecermos, sem dúvida. “se levardes em conta as nossas transgressões, quem haveria de subsistir?”(Sl 129,3). Agora, isto não significa permissividade. “De Deus não se zomba” (Gl 6,7)!

Passar a mão sempre é mais fácil do que ter que dizer a verdade que, por vezes, é dura. Interessante que, como frutos deste discurso excessivamente adocicado, vemos os fãs e admiradores do padre usar da mais pura grosseria contra os que não lhe são simpáticos no intuito de defendê-lo. Eles nem tocam nos argumentos, partindo logo para ofensas pessoais. Esses são os frutos reais de evangelização? Eu acredito que o padre tem ajudado várias pessoas, ou, como ele mesmo diz, “tem se ocupado das dores” de muita gente. Mas isto não o isenta de ser fiel à doutrina da Igreja. Ao contrário, o senhor ajudará muito mais servindo à verdade.

“O banquete em sua casa está sempre posto, pronto para receber o filho que tem fome.”

É, mas ao que não quis se vestir conforme a festa, isto é, ao que não vestiu a doutrina da verdade, o mesmo Senhor mandou pôr pra fora (Mt 22,11-13).

“Quanto à minha dignidade sacerdotal, esta eu costumo preservar através das minhas atitudes. Minha roupa de padre não me garante muita coisa. O sacerdócio que o povo espera de mim não está no hábito que ostento, mas na sinceridade que preciso ter diante do meu compromisso assumido. Zelo para que Deus não seja transformado numa caricatura qualquer.”

É o mesmo discurso da “qualidade e quantidade”. Não é porque a dignidade não está somente na roupa de padre, que o senhor pode dispensá-la. Se for assim, despense o sapato, não use escova de dentes, não penteie o cabelo... Sua dignidade sacerdotal não está também nessas coisas, mesmo assim, o senhor não as dispensa.

E a sinceridade que o senhor precisa ter diante do compromisso assumido inclui, sim, a veste sacerdotal e a obrigação de portar-se como padre, seja no que faz, seja no que veste. O senhor zela para que Deus não seja transformado numa caricatura. Reze também pra que Ele não seja visto com uma face que não tem, como o mostram os liberais e modernistas.

“Frei Beto é um homem fabuloso”. Como disse alguém, deve ser porque defende fábulas (2Tm 4,4; 1Tm 4,7).

Por fim, Pe. Fábio de Melo diz o seguinte: “Todos nós estamos desejosos de acertar”

Deveríamos, então, seguir as determinações e o ensino da Igreja, pois ela sabe distinguir o certo e o errado, pois este poder lhe foi dado pelo próprio Senhor. Não obedecer-lhe significa, forçosamente, errar.

No mais, embora a carta tenha uma série de questões estranhas, Pe. Fábio de Melo escreveu também coisas interessantes, como quando antepõe o amor ao combate e quando fala da possibilidade de discordar sem ofender.

É possível que, dentre as questões abordadas por mim, haja alguma em que eu não tenha percebido o que o padre realmente queria dizer. Enfim, escrevi estas linhas para que, os que lêem este humilde espaço, possam se inteirar melhor do que a Igreja ensina, e se há, não apenas nestes textos, mas em qualquer outro, qualquer ensinamento heterodoxo, que seja imediatamente desconsiderado.

Sei que o Pe. Fábio não chegará a ler estes pontos. Mas, mesmo assim, eu, como filho da Igreja, o peço a sua bênção.

Fábio Luciano.

Comentários meus à resposta do Pe. Fábio de Melo II


Continuando...

"O mito não é uma mentira, mas também não precisa ser verdade (...) O importante é a fé que ele sugere. O importante é reconhecer que ele está a serviço de uma verdade superior, porque não cabe no tempo (...). O mesmo não se dá com as nossas convicções religiosas?"

Para Pe. Fábio, nossas convicções religiosas são como o mito que sempre simboliza algo diferente de si mesmo. Uma das regras fundamentais do que chamam "semiologia" é compreender que o símbolo não fala de si mesmo. No entanto, nossas convicções religiosas não se assemelham ao mito. Quando dizemos, por exemplo, que Maria Santíssima é perpetuamente Virgem, isto não é simbólico. Claro que a circunstância literal de uma dada característica, a pobreza da Virgem, por exemplo, pode elevar-se tao nível de simbólico, como quando dizemos que ela teve um coração pobre, ou um espírito pobre, mas esta possibilidade não exclui o aspecto literal. Há passagens na bíblia que são dotadas somente de sentido simbólico, mas generalizar as verdades da Fé a este nível, na expressão usada pelo padre, "é, no mínimo, irresponsável", forma "mais doce" de dizer que é herético. Quando reputamos as nossas "convicções religiosas" a um nível puramente simbólico, afirmamos forçosamente a total flexibilidade destas mesmas convicções. O que é meramente simbólico pode ser substituído, pois o essencial não é o símbolo, mas aquilo que ele simboliza.

Podemos abordar a questão, também, de uma outra forma: Conforme vimos com a teologia negativa, todo conceito se utiliza de fórmulas, que são símbolos. Assim, o conjunto de letras "S" "A" "L" "V" "A" "Ç" "Ã" "O" simboliza uma idéia. Esta mesma idéia pode ser representada por outros símbolos, como a palavra "REDENÇÃO", por exemplo. Quando lemos tais termos, não nos atemos à existência imediata das letras, mas àquilo que elas simbolizam. Neste sentido, toda a linguagem verbal é simbólica. Porém, não acredito que foi neste sentido que Pe. Fábio quis se expressar.

Uma última possibilidade de interpretação do que ele disse acima, seria a de que, como o mito, as nossas convicções religiosas não cabem no tempo. Se for assim, é verdade.

Quanto à questão da "cristificação do universo", acredito que isto pode ser usado de forma ortodoxa, ou não. O termo, tirado da filosofia de Chardin, parece evocar, a princípio, uma idéia panteísta, que tenderia a ver o Cristo como imanente às criaturas. E isto é herético.

Na forma ortodoxa, no entanto, o termo refere-se ao que os orientais chamam de "deificação", ou o que, mais comumente, chamamos de santificação. Assim como, pelo pecado de Adão, a terra foi maldita (Gn 3,17) e, desde então, ela espera a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8,22), assim também ela viria a sofrer as consequências da santificação dos homens. Isto seria o processo de cristificação. Entendendo desta forma, como Pe. Fábio parece fazer, eu, particularmente, não vejo problemas.

Há, porém, uma possível problemática sobre aquela questão da crítica à "pregação desencarnada". O padre lembra o pressuposto da Antropologia Teológica, segundo o qual, o homem é um composto de corpo e alma, o que é corretíssimo. Mas, a partir do momento em que se sabe disso, não se deve estabelecer uma igualdade de valor, mas dispor este composto segunto uma correta hierarquia. Da mesma forma que uma "pregação desencarnada" seria errada, assim como o fizeram os hereges cátaros, também uma outra que igualasse em valor corpo e alma seria igualmente funesta. De fato, como o físico se submete e ordena-se ao espiritual, assim também o corpo submete-se e ordena-se à alma. Esta é mais excelente, embora não se deva negar o valor daquele. Portanto, o dever prioritário da Igreja é, sim, o de salvar almas. É isto o que diz Nosso Senhor: "Não temais os que matam o corpo; temais, antes, Aquele que pode mandar o corpo e a alma para o inferno" (Mt 10,28). Neste ponto, Pe. Fábio parece conceber uma igualdade de valor entre corpo e alma, o que é estranho a um católico... que diria, então, a um sacerdote.

Depois, Pe. Fábio fala da expressão "Povo de Deus" como superação conceitual à expressão "Barca de Pedro", incluindo aí o tema do ecumenismo. Obviamente, a primeira expressão é mais abrangente, visto que a "barca" tem limites muito bem definidos. Para defender esta abrangência (o que é uma atitude bem mais confortável), o padre evoca o significado etimológico do termo "católico" que significa "universal".

Façamos alguns questionamentos sobre isso: não seria mais próximo de uma proposta "universal" uma atitude que fosse ecumênica? E o que se entende por ecumenismo? Seria uma inclusão irrefletida de toda diferença doutrinal dentro do conjunto do "povo de Deus"? Se se entender dessa forma, temos aí um total descompromisso e desrespeito com a Verdade. Esclareçamos, portanto, algumas coisas.

Há, hoje, dentro da Igreja, uma visão falsa que tenta se estabelecer: a de que todos os homens se salvarão. Para isto, usa-se de uma errada interpretação da misericórdia divina, que chega às raias de entender como crueldade o atributo da Justiça de Deus. Certos românticos acreditam que Deus não enviaria ninguém para o inferno.. e de onde tiram isto? Não é da Tradição nem das Escrituras, que dizem justamente o contrário. Se está garantida a Salvação de todos, o que fazemos nós defendendo o rigor de práticas religiosas? Tudo fica flutuante, visto que o fim a que se ordenam já está garantido. Seria como um atleta da corrida São Silvestre que, tendo garantido o seu troféu, correria apenas por capricho. Seria ainda a implicância prática da crença luterana, a Sola Gratia, segundo a qual não importa o que façamos, o esforço humano de nada vale.
Esse reconhecimento nos leva a questionar se a doutrina protestante não adentrou sorrateiramente em certos ambientes eclesiais, difundindo suas inverdades heréticas.

A busca por abranger sem limites e sobre todo critério doutrinal, as vias da salvação, como se o caminho não fosse estreito (Mt 7,13), se funda neste falso pressuposto de que todos os homens se salvarão. Será que não é baseado nisto que a Igreja Católica no Brasil reluta em corrigir a fórmula da Consagração do Sangue do Senhor, que diz "por muitos" ao invés de "por todos"?

Se, porém, tal pressuposto é errado, em que sentido se pode falar de universal? Respondo: no sentido de que a Igreja deve evangelizar e converter os homens de todos os lugares. "Ide e ensinai", "Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer, será condenado". Estas determinações são categóricas e nada se encontra de tolerância nelas. A conversão se dá pela adesão à Fé da Igreja, aceitando-se a sua doutrina sem concessões. A Igreja é universal porque o mundo deveria ser católico.

E a questão ecumênica? Há muitos que falam disso de forma desonesta, como se ela fosse uma atitude de respeito ao erro; bem... pelo menos não deveria ser entendida assim. O ecumenismo, na sua correta compreensão, é a aproximação da Igreja aos que dela não fazem parte a fim de, no processo de diálogo, convertê-los à verdadeira religião pela exposição clara da Verdade. Como dizia S. Francisco de Assis, "quando a bandeira da Verdade se ergue, todas as demais têm que descer", ou mesmo como dizia o Cristo: "Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado" (Mt 21,44), dando com isto a entender que o erro não tem como resistir diante da Verdade.
Sem, porém, esta intenção da exposição da verdade e da conversão dos não católicos, não há ecumenismo. Este só se dá se se aceita a superioridade da doutrina católica.

"Acenar com carinho e respeito os que estão em barcas diferentes", se for aceno dotado de caridade, consistirá numa chamada para a única barca verdadeira. Não há notícias de outros barcos que tenham resistido ao dilúvio, a não ser o de Noé. Hoje, também, a única barca na qual há Salvação é a barca de Pedro, onde o Senhor mesmo está presente. Chamar os outros para saírem de suas frágeis barcas é uma atitude de amor. Contentar-se em deixá-los lá, é respeito humano. Entre estes dois, amor e respeito humano, há um abismo enorme.

Depois eu termino...

Fábio.

Ótimo texto - Gustavo Corção

Tenho me ocupado um pouco de Freud, estes dias... Ainda agora estive lendo o ótimo texto do Gustavo Corção que fala sobre o "processo de sublimação" da teoria freudiana e mostra-lhe o erro patente com relação às suas causas e à forma como o processo se dá.

Àqueles que se interessam pelo tema, e que ainda não conheçam, recomendo

Um aspecto do freudismo

Alguns comentários meus à resposta do Pe. Fábio.


Como disse que poderia vir a fazer, rabisquei algumas coisas sobre certas questões que me pareceram estranhas na resposta do Pe. Fábio. Adianto que, dentre as partes escolhidas, há a possibilidade de algum equívoco de minha parte com respeito às implicâncias daquilo que ele afirmou. Mesmo assim, como costuma dizer a Teresa (Magdália), espero dar o meu (humilde) contributo. .. Vamos lá.

Começando, Pe. Fábio diz o seguinte:

"A plenitude da Revelação é Cristo, mas esta plenitude não significa esgotamento da Verdade".

Me corrijam se eu estiver errado, mas... como pode o Cristo ser a plenitude e, ao mesmo tempo, haver algo a mais? Não é o Cristo a própria Verdade? Como que Ele não "esgota" a Verdade? Que verdade haveria além do Cristo? Sabemos que Cristo é Deus e que tudo quanto é dotado de natureza nos veio dEle. "Por ELe tudo foi feito, e sem Ele nada do que foi feito se fez". O próprio Cristo disse: "Revelei-vos tudo quanto ouvi de meu Pai". Bem... talvez Pe. Fábio estivesse se referindo à compreensão que da Verdade Imutável teria a Igreja no decorrer dos séculos. Esta compreensão, claro, sofreria um processo de maturação. Neste sentido, diz Nosso Senhor: "Muitas coisas tenho ainda a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora", e mais tarde, "Vos mandarei o Paráclito; Ele vos ensinará tudo sobre o Pai". O verbo em destaque está no futuro, e nos mostra que o próprio Deus seguiria formando Sua Igreja. No entanto, isto não significa uma complementação na Revelação. S. Paulo escreve o seguinte: "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas" (Hb 1,1-2). O fato de ter se revelado, antes, de múltiplas formas e em diversas ocasiões, se deve ao caráter imperfeito daquelas "semi-revelações". No entanto, por seu Verbo, revelou-nos tudo. E isto é de tal modo verdadeiro que S. João da Cruz explica ser uma ofensa ao Verbo que o cristão deseje novidades ou revelações particulares paralelas à Revelação do Filho de Deus. Desejar novidades é supor que a Revelação do Cristo foi incompleta. No Cristo encontramos tudo; e este "tudo" transcende infinitamente as nossas maiores expectativas. Portanto, a Revelação se deu completamente em Jesus. O que Cristo fará, no decorrer dos séculos, não consistirá em outras Revelações, visto que a substância toda estava posta, ou, como prefere o doutor místico, estavam assentadas todas as bases da Fé. Cristo, então, conduzirá a sua Esposa a uma compreensão sempre mais profunda e madura a respeito daquilo que Ele ja havia Revelado.

Uma terceira forma de compreensão da afirmação do Pe. Fábio poderia referir-se àquilo que não nos foi revelado e que permanece para nós Mistério até o dia em que estaremos com Ele e não precisaremos perguntar mais nada (Jo 16,23). De certos pormenores, porém, não podemos falar como revelados. Deles temos a notícia suficiente para nos afastar do erro. Sabemos que a Vida Eterna, por exemplo, consiste em conhecer a Deus face a face (Jo 17,3), mas não sabemos, de fato, o que isto signifique substancialmente. Em todo caso, não creio que Pe. Fábio de Melo se referiu a este último aspecto.

"A teologia está a caminho. A grandeza da Revelação não cabe nos documentos que temos, nem tampouco na Teologia que já sistematizamos. O dogma evolui, pois a verdade é santa".

Vamos por parte. Pe. Fábio concebe uma teologia perfectível e, portanto, imperfeita. E isto deve ser bem compreendido. De fato, no decorrer dos séculos, a teologia se sistematizou, de uma forma processual; mas entenda-se aqui a teologia como sistema referente à Verdade Imutável. Este processo não significa uma mudança ao acaso. Se assim fosse, as heresias não seriam chamadas heresias, seriam apenas teologias gozando da sua possibilidade de serem diferentes. Mas não é assim. Como o objeto da Teologia é imutável e absoluto, pois é Deus, a reta teologia sofre o processo de aperfeiçoamento na medida em que se aproxima da divindade. Acredito termos em Sto Tomás de Aquino o auge do esforço teológico.

Outra coisa... Sabemos, conforme nos ensina a Teologia Apofática, que a Teologia não pretende encerrar o conhecimento de Deus. Concebendo-O como "Supra-conceitual", qualquer imagem ou fórmula que a Ele se refira de forma estrita é reconhecida como "inadequada". Nossos conceitos relacionam-se a Deus apenas de forma análoga. Assim, quando dizemos que Deus é bom, tal conceito não é falso, mas o termo "bom" e a idéia que dele fazemos ainda não "tocam" a bondade de Deus, que transcende o significado exprimível por este conceito. Enquanto estas fórmulas nos apresentam algo sobre Deus, ao mesmo tempo, limitam-nos ao limite do seu significado, sendo que a substância a que o termo se refere o transcende infinitamente. Thomas Merton refere-se a isso como "crise da teologia", e marca o ponto onde, abandonando os conceitos (mas levados a este ponto por esses mesmos conceitos) mergulhamos na obscuridade, nas "trevas", onde nos encontramos com Deus de forma mais direta, como o fazia Moisés ao entrar "na nuvem". Isto está na tradição da teologia negativa, com um S. João da Cruz, um Pseudo-Dionísio Areopagita, um S. Gregório de Nissa. Neste contexto, pode-se falar de uma "imperfeição" da Teologia. Mas é a observância de uma correta Teologia Positiva que nos permite chegar ao ponto onde, adentrando naquela obscuridade da Fé, é possível transcender o nível das relações por analogia e encontrar-se com Deus de forma mais direta, passando, como bem o expressa S. João da Cruz, da noticia à substância, isto é, ao objeto referido pelo conceito. Porém, dentro destes limites conceituais, a teologia positiva é perfeita, e haure sua perfeição da sua correspondência ao objeto a que se refere, Deus.

Pe. Fábio não parece seguir esta linha. Ao contrário, ele parece compreender a teologia como criação meramente humana, sujeita a inexatidões. Levada ao extremo, esta proposta de leitura pode chegar à destruição da própria teologia, fazendo crer que se pode prescindir da total observância do que ela prescreve. A teologia seria muito mais um retrato da limitação humana do que correspondência à verdade divina.

Não sei se é realmente assim que entende o pe. Fábio de Melo, mas convém dizer que, a uma teologia compreendida dessa forma, não convém chamar Revelação, atitude que parte do Ser que se revela, mas deve chamar-se "invenção", "verdade" criada pelo sujeito cognoscente na sua tentativa "humana demais" de sistematizar a Fé.

A grande "bola-fora", porém, chegando a ser heresia desvelada, é a afirmação de que o dogma evolui. Ora, isto é frontalmente contrário ao ensino da Igreja. Dessa forma, o Pe. nega a imutabilidade e, por isso, o caráter absoluto do dogma. Isto também seria criação humana? Interessante que o Pe. Fábio, logo adiante, falará da autoridade da Igreja como critério de uma interpretação da Verdade.

Convém, aqui, separar duas coisas: uma é dizer que a compreensão da Verdade pode se tornar mais perfeita, o que é verdade; outra, porém, é dizer que a própria Verdade evolui, o que é falso.

"Mas nós também reconhecemos a Sua (do Cristo) presença, indícios do sagrado, em outras religiões. Como reconhecemos? Através dos frutos que produzem."

Este é um critério bastante frágil se mal compreendido. Quando se fala disto, geralmente se assume uma perspectiva fenomenológica, isto é, do fenômeno, aquilo que aparece. Quando se põe a atenção num aspecto do efeito, é muito fácil se enganar. É por este motivo que a maioria dos desavisados a respeito da Fé consideram, por exemplo, que Chico Xavier só fez o bem, ou que os espíritas são cheios de caridade, etc... Mas está claro que esses "fenômenos" não dão prova da bondade de suas ações. Se assim fosse, qualquer ator poderia ser santo, e os fariseus não teriam sido criticados por Jesus. Falei acima de "aspecto" do efeito, porque o próprio efeito, considerado na sua totalidade, não se reduz ao que se vê imediatamente, mas completa-se por uma série de outros fatores. Por isso, Nosso Senhor nos disse: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 17,20).

No entanto, esta perspectiva mais completa não parece ser observada pelo Pe. Fábio, que se limita ao fenômeno, visto que concebe como bons os frutos de outras religiões. Importante esclarecer: não nego a existência de gente boa e sincera em outras religiões, mas tal bondade e sinceridade não são frutos provindos das heresias, mas sim da possibilidade da bondade moral intrínseca ao ser humano. Outra coisa, porém, é a bondade espiritual, possível somente pela infusão da Graça e vivência das virtudes teologais.

"(...) Nos abrimos com humildade para compreender que outras religiões também vivem e perseguem os rastros do sagrado, e que mesmo oculto, lá o Cristo já está sendo vivido."


O que é viver o Cristo para Pe. Fábio? Seria somente um conjunto de comportamentos meramente exteriores? Mas não é Pe. Fábio que critica a atitude de "ver somente a margem"? E a questão espiritual? As virtudes teologais? Os sacramentos? E a submissão à verdade? Tudo isto é renunciável? Seriam apenas caprichos dispensáveis da Igreja? Pe. Fábio parece se assemelhar ao herege Pelágio que defendia a possibilidade da total configuração ao Cristo pelo mero esforço humano. Neste entendimento, a infusão da Graça não seria necessária..
Como viver o Cristo na mentira, Ele que disse "Eu sou a Verdade"? A menos que se aceite que os protestantes também também vivem a Verdade... Mas a Verdade não é una? E é próprio da verdade não aceitar coexistência com o erro. Como, pois, pode a verdade opor-se a si mesma, visto que os protestantes opõem-se à Igreja Católica?
Se, porém, se aceita que os protestantes seguem uma falsa doutrina, como se supor que se vive o Cristo seguindo uma mentira? Por acaso chega-se a um determinado lugar, trilhando caminho que não leve a este lugar? As únicas exceções que poderiamos supor aqui, seriam os que se encontram no estado de "ignorância invencível". Mas, nem podemos incluir neste estado toda uma seita, nem supor que os que vivem neste estado estejam "vivendo o Cristo".

"O primeiro homem criado não pode ter tido a experiência que a sagrada escritura relata. Ou você pode desconsiderar todos os conhecimentos a respeito da origem do ser humano?"

Bem.. uma coisa é dizer que a experiência de Adão "pode não" ter sido da forma descrita, o que muita gente sustenta. Outra, muito diferente, é dizer que "não pode" ter sido conforme o relatado. Parece que, quando Pe. Fábio fala da possível independência entre um significado simbólico e um evento literal, na verdade pretende defender a sua completa dissociação e, mesmo, impossibilidade de coexistência. Pode ser que eu esteja forçando um pouco as coisas, mas tal afirmação do Pe. Fábio é muito estranha. Com que autoridade Pe. Fábio de Melo diz que a experiência do primeiro homem "não pode" ter sido como descrita? Tento responder: com a autoridade que ele julgar haver na teoria (que alguns chamam de pseudo-científica) da evolução. Eu, particularmente, não acredito na tal teoria, e minha descrença não é a priori, pois conheço alguns textos bem convincentes a respeito da posição que sustento. Sei, porém, que a questão é bem complexa, de modo que há vários católicos que sustentam a tese do evolucionismo. Mas a teoria é apenas isso: uma tese, que muitos dizem ser, antes, uma posição da qual se parte, e não uma conclusão a que se chega. Pe. Fábio, no entanto, parece querer adaptar a Escritura à sua certeza infundada no "conto do macaco". Ademais, o livro do Gêneses também não oferece o conhecimento a respeito das origens do ser humano? É só a "ciência" que tem o conhecimento?

"A Fé não é um conjunto de certezas (...) Não temos prova concretas para muitos aspectos da fé que professamos. Se as tivéssemos não precisaríamos ter fé. Acreditamos no que não vemos."

Na primeira frase, Pe. Fábio viajou na maionese... Quem quiser achar que ele se expressou mal, ache. Mas a frase não diz isso. O Apóstolo Paulo diz o seguinte a respeito da Fé: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê". Portanto, a Fé é sim uma certeza. Se alguém me perguntar se eu tenho certeza do Céu, que direi? Que não tenho pq não há provas materiais da sua existência? Este positivismo é herético. Nem tudo pode se submeter a um tubo de ensaio. Aliás, a maior parte... Não ter provas "concretas" não significa não ter certeza...

Bem... Depois eu continuo...

Pax.

Fábio Luciano



Respondida a carta enviada ao Pe. Fábio por ocasião da sua estranha entrevista no programa do Jô na Rede Globo


A resposta à carta, encontra-se aqui, e eu gostaria de dizer umas mínimas coisas, ao menos por enquanto.

A princípio, como o Everth, considero que a atitude do padre em responder as questões que lhe foram apresentadas foi atitude digna de alguém que se sente responsável por aquilo que diz. Além deste aspecto positivo, reconheço ainda o tom sempre respeitoso do reverendo padre que, como disse um amigo meu, mostrou-se ser "de bom caráter". Dito isto, forçoso é reconhecer que o que deixa a desejar é a sua formação teológica. Pode parecer pretensioso falar assim... eu que nao sou teólogo..rs.. Quando critico o Pe. Fábio lá em casa, minha tia sempre me diz: "ele estudou mais que você".. Sem dúvida, é verdade.. Mas quando nos referimos com segurança sobre o erro de certas declarações, não fundamentamos a crítica como uma posição pessoal, mas como algo que se assenta no Magistério Infalível da Igreja. Até uma criança é capaz reputar como errada a afirmação de que dois mais dois é cinco. E isto ela faz fundamentando-se numa verdade objetiva, e não nela mesma. Conhecendo a doutrina da Igreja, é possível refutar erros, por mais alegóricos que eles se apresentem.

Embora sempre se mostrando dono de uma bela retórica, o conteúdo, porém, daquilo que o padre diz, ainda que embelezado pelo seu "jeito de falar", não parece ter tanta consistência, pelo que ele passa a defender doutrinas totalmente heterodoxas. Antes, porém, de tratar do que escreveu este sacerdote, convém deixar claro que o que deve motivar estas discussões não é a sede sensacionalista por polemizar, mas sim o zelo e o amor pelo que defende a Santa Igreja. É pela tensão que se estabelece entre o ensino da Igreja e o que defende Pe. Fábio, que devemos optar pela posição da primeira, considerando que, não fazê-lo, é faltar com a Verdade, o que significa opôr-se ao Cristo que disse "Ego sum Veritas" (Eu sou a Verdade).

Bem... Por agora nada escrevo sobre este texto cheio de estranhices e erros.. Mas, é possível que eu venha a rabiscar algo. Se o fizer, postarei neste espaço.

A todos a paz.

Fábio Luciano.

Aos meus amigos


Neste dia dos amigos, 20 de julho, gostaria de escrever umas linhas a estes que são grandes dádivas do Criador para nós, "consolinhos" que o Amado nos concede neste exílio.

Em verdade, a Sagrada Escritura já nos avisa que quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro (Eclo 6,14) e que a bondade de um amigo consola a alma (Pr 27,9). Diante desta realidade vivenciada, só posso agradecer ao Criador por me conceder a graça de tê-los e agradecer também a estes "anjos" pela paciência em me suportar e aceitar.

Tudo o que posso desejar para vós é a conversão total da vossa alma, esperando que Nosso Senhor lhes dê a graça de um amor violentamente devotado somente a Ele, que a Cruz seja a vossa insígnia, que a Virgem Mãe de Deus seja vossa mãe e companheira e que ela vos ensine a seguir os santos passos do Verbo encarnado.

Pronto. Que mais posso desejar-vos? Tudo mais é supérfluo diante disto.

Termino dizendo, enfim, que os amo.

A todos vocês dedico a música abaixo. Que Deus vos guarde.


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