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Muitíssimo Obrigado, Papa Bento XVI


Neste último dia do Reinado de Sua Santidade, Bento XVI, nós do Grupo de Resgate Anjos de Adoração queremos expressar a nossa profunda gratidão por tê-lo tido como nosso Pastor. Bento XVI em tudo foi um grande mestre. Iniciou seu pontificado pedindo orações para não fugir diante dos lobos, nos ensinando deste modo a humildade e absoluta necessidade que temos de Deus e, ao mesmo tempo, a coragem de arriscar a própria vida por amor a Deus e à Igreja. Agora, no término do seu serviço enquanto Supremo Pastor da Igreja Universal, mais uma vez nos dá um sumo exemplo de humildade. A humildade esteve no início e no fim do seu Papado. Entendemos assim que a coragem verdadeira surge daí: da humildade. Esta verdade é a mesma que é expressa por São Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece" Nesta afirmação estão magistralmente sintetizadas as virtudes da humildade e da coragem, virtudes que permearam e brilharam na vida do nosso amado Bento XVI. 

E, agora, mais uma vez, ele nos dá uma lição: não vos apegueis ao que de humano divisais em mim. Tende Fé, pois a Igreja é de Nosso Senhor. Atitude muito semelhante é a do próprio Cristo quando, às vésperas de sua Ascensão, falou aos seus apóstolos, pesarosos pela iminente ida de Jesus para o Pai: "Convém a vós que eu vá, para que vos venha o Santo Espírito". É a mesma atitude aqui: "Convém a vós que eu me recolha, para que o leme da Igreja seja assumido por alguém de mais vigor do que eu."

E, por fim, a lição mais profunda que alguém nos poderia ensinar foi-nos igualmente transmitida por Bento XVI. Do mesmo modo que aquela mulher quebrou o nardo caríssimo aos pés de Nosso Senhor e fez com que o perfume enchesse toda a casa, provocando o louvor do próprio Cristo, que sobre ela disse: "onde quer que o Evangelho seja pregado, isto será contado em sua memória", assim também, Bento XVI nos deixa depois de ter gasto, 'desperdiçado', derramado totalmente este nardo preciosíssimo da sua vida e hoje, profundamente gratos, sabemos que este perfume do seu profundo amor a Jesus e à Igreja encheu toda a casa. Sentimo-lo e podemos firmemente dizer: é o bom odor de Cristo que somente pode ser exalado por uma vida profundamente transfigurada por Ele.

Humildade, Coragem, Fé, Amor profundo à Igreja e a Nosso Senhor.

Obrigado, Bento XVI. Em qualquer lugar por onde a Igreja se estenda, este teu amor e serviço será lembrado, porque foi digníssimo! 

E a Deus, agradecemos do mais íntimo da nossa alma por este inestimável presente: o Papa Bento XVI


Bento XVI e o jornalismo arregão

Por Sílvio Medeiros

Já foi dito por muitos católicos que acompanhar a cobertura desta renúncia papal e do próximo conclave por determinada imprensa era um tipo excelso de sacrifício. Não é de se admirar. Já teve jornal de primeira linha divulgando desde que a renúncia criava um precedente para se acabar com a infalibilidade papal - oi? - até que o momento era uma deixa para um Concílio Vaticano III. Mas até aí, sejamos tolerantes, opiniões jogadas ao vento, aceitas por qualquer papel.

O nível geral, no entanto, desceu drasticamente na última sexta feira, dia 15, quando a Folha de São Paulo divulgou o artigo de Barbara Gancia sobre o tema em questão.

Muito diferente dos outros textos, em que opiniões e especulações - por mais mirabolantes que fossem - eram colocadas em pauta com um mínimo de fundamento e seriedade, esse artigo chocou pelo seu caráter estrito de folhetim, propaganda e ataque pessoal. Dá para ver o veneno contido por entre a tipografia. Ao que tudo indica, a idéia era mesmo debochar, invocar ar de superioridade e capitalizar.

O artigo se intitula "Bento XVI, o Arregão". O escopo do artigo versa que Bento XVI se acovardou diante dos desafios da Igreja, que sua renúncia foi um sinal de "derrotismo", "frouxidão", e que este sai "de cena mordido", incapaz de imitar a Cristo. Começa criticando o fato do papa ter renunciando em latim - não ficou claro qual seria a sugestão para se falar diante de cardeais do mundo inteiro que falam em comum, o latim - depois entra nos clichês sobre pedofilia e encerra de forma épica qualificando João Paulo II de misógino. Mas a idéia toda do artigo é a exploração do próprio título, sendo o conteúdo conseguinte apenas desculpa para se divulgar o rótulo e ridicularizar. Bento XVI, seria então arregão.

Quando Joseph Ratzinger fez exatos 75 anos, confessou num seminário em Roma que estava muito cansado e doente. Era diabético, hipertenso, já tinha sofrido AVC e pedido dispensa 3 vezes do seu cargo a João Paulo II, sendo as 3 vezes negada. Já usava marca-passo há algum tempo. Dois anos depois, quando João Paulo II morre e seu sonho de voltar para a Alemanha lecionar finalmente surge no horizonte, os cardeais votam em maioria pela eleição de Ratzinger. Ele poderia ter dito não. Além de todo o vasto campo de trabalho que o cargo de chefe de estado exige - precisando receber Presidentes, Primeiros-Ministros, Diplomatas, etc - Ratzinger ainda teria que zelar pelo rebanho de 1 bilhão de fiéis no mundo. Que empreendimento humano pede tanto a uma pessoa idosa, com saúde delicada? Nenhum. Como dito, ele poderia ter recusado. A história nos mostra no entanto, que ele disse sim.

Mas para Barbara Gancia, Bento XVI não passa de um arregão.

A Igreja Católica tem 4 mil bispos no mundo, sendo que como Papa, Bento XVI precisaria gastar tempo individualmente com cada um deles e periodicamente. Some a estes, outros 180 núncios apostólicos espalhados em quase todos os países. Como Papa, Bento XVI precisaria escrever cartas, encíclicas, constituições e exortações apostólicas, homilias, discursos, preparar catequeses e audiências semanais. Como Papa, Bento XVI precisaria viajar, e muito. Como Papa, Bento XVI precisaria governar o Estado do Vaticano e a Cúria Romana. Como Papa, Bento XVI precisaria rezar, e as vezes, até dormir. Como sabemos, ele disse sim para tudo isso.

Mas para Barbara Gancia, Bento XVI não passa de um arregão.

Em apenas oito anos e já com idade avançada e saúde frágil, Bento XVI fez pelo menos 28 viagens fora da Itália, sendo algumas delas extremamente pesadas. Em 2005, jovens do mundo todo foram escutar o Papa professor em Colônia. Em 2006 foi a vez de se encontrar com as famílias, em Valência. Em 2007 celebrou a canonização do nosso primeiro santo. Em 2008 visitou o "Ground Zero", em New York, e rezou pelas vítimas do terrorismo além de se encontrar com as vítimas dos injustificáveis abusos sexuais. Em 2009 rezou no muro das lamentações, na Terra Santa e nos anos seguintes ainda visitaria Portugal, Reino Unido, Chipre, Croácia, Madri, Alemanha, Benim, México, Cuba…até para o Líbano o Papa viajaria, no meio de tumultos, tiros, e convulsões civis…e em cada viagem, quilos de papéis com discursos, protocolos com autoridades locais, eclesiásticas, além das atividades espirituais próprias para com cada comunidade.

Mas como sabemos, para Barbara Gancia, Bento XVI não passa de um arregão.

De 2005 a 2012, Bento XVI nos deixou ao menos 279 cartas, 139 cartas apostólicas, 117 constituições apostólicas, 18 motu proprio, 4 exortações apostólicas, 3 encíclicas, 3 extensos livros narrando a sua biografia de Jesus Cristo, além de milhares (sim, milhares) de discursos e homilias. Os números são quase miraculosos, não fossem o rigor e a disciplina germânica que sempre marcaram a atividade de Joseph Ratzinger (doutor em 7 universidades), aquele mesmo que 8 anos antes já havia pedido 3 vezes por dispensa.

É, mas para Barbara Gancia, Bento XVI não passa de um arregão.

O código de direito canônico prevê a renúncia de todos os cargos eclesiásticos, inclusivo de um Papa. Não é um fato comum que um Papa renuncie, mas é um fato normal, ou seja, dentro da normalidade da Igreja. Bento XVI já havia emitido sua opinião em entrevista a Peter Seewald: se um Papa não consegue mais assumir os seus encargos, não apenas teria o direito de renunciar mas poderia até mesmo ter o dever de fazê-lo. O mesmo Seewald revelou nesse sábado, dia 16, que Bento XVI estava "esgotado há muito tempo", e que este ouvira do Papa um comovente "sou um homem idoso, as forças me abandonaram, acho que basta o que fiz até agora". Seewald ainda confidenciou que o último livro do Papa fora escrito "com suas últimas forças".

Bem, você já sabe o que a Barbara Gancia pensa de Bento XVI: arregão.

Nos dias seguintes a renúncia, autoridades do mundo todo vieram se manifestar em consideração a Bento XVI. O presidente da Itália disse que se tratava de um ato "de grande coragem e generosidade". Barack Obama disse que seu "apreço e orações" estavam com o papa. A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que aquela era uma "decisão difícil que deve ser respeitada". David Cameron, primeiro-ministro britânico, disse que Bento XVI foi um papa que fez todos se sentarem e pensarem e que "fará falta como um líder espiritual de milhões de pessoas". "Eu acredito que ele merece muito crédito para o avanço das relações inter-religiosas em todo o mundo e entre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo”, afirmou o rabino chefe israelense, Yona Metzger.

Ao contrário dessas pessoas, Barbara Gancia considera Bento XVI um arregão.

Peço desculpas pela insistência em reafirmar a opinião da jornalista tantas vezes. Era apenas para deixar claro que Barbara Garcia teve uma grande chance de escrever com seriedade, com decoro e honestidade. Deixou de lado a ética e optou pelo deboche, pela injúria pura e simples. Neste artigo, Barbara desistiu de fazer jornalismo, ou em outras palavras, Barbara decidiu arregar.

Publicado no jornal Gazeta do Povo.

Silvio Medeiros, publicitário, foi vencedor por 4 quatro vezes do Festival de Cannes.

Pe. Paulo Ricardo - A Renúncia de Bento XVI

Nossa recomendação de leitura para a Quaresma


Olá, caríssimos. Queremos fazer, também esse ano, a nossa recomendação de leitura para que possamos passar a quaresma de um modo mais espiritual. Claro que somente a leitura não é suficiente, mas tampouco ela é dispensável para quem sabe ler. Outra coisa: não citamos a Sagrada Escritura aqui nas recomendações porque julgamos que ela já deve estar pressuposta na vida do católico, sobretudo nestes tempos fortes.

Pois bem.. Como todos os anos, também neste queremos recomendar a leitura do "Caminho dos Ascetas - Iniciação à Vida Espiritual". 

Depois, sugerimos a leitura deste grande clássico da vida espiritual, recomendado também por uma infinidade de santos: o "Imitação de Cristo".

E, por fim, a fim de que façamos as Vias Sacras de maneira legitimamente devota, disponibilizamos para download o livreto "Via Crucis", com meditações de São Josemaria Escrivá.

Boa leitura e santa Quaresma!

A vida espiritual deve estar fundada na realidade - O obstáculo da inércia espiritual


Thomas Merton

Outro obstáculo. E talvez seja ele mais comum. Trata-se da inércia espiritual, da confusão interior, da frieza, da falta de confiança. Pode esse ser o caso dos que, depois de haverem iniciado bem, experimentam o inevitável “tombo” que surge quando a vida de meditação começa a tornar-se séria. Aquilo que no princípio parecia fácil e agradável, de repente mostra-se totalmente impossível. A mente não funciona. Não se consegue concentrar em coisa alguma. A imaginação e as emoções vagueiam. Por vezes disparam. A esta altura talvez, no meio de uma oração cheia de aridez, desolação e repugnância, inconscientes fantasias podem apoderar-se de quem medita. Podem ser desagradáveis e mesmo assustadoras. Com mais frequência, nossa vida interior torna-se simplesmente um deserto destituído de qualquer interesse. 

Isso pode, sem dúvida, ser explicado como provação passageira (a “noite dos sentidos”), mas devemos enfrentar o fato de que é, muitas vezes, coisa mais séria. Pode ser o resultado de um ponto de partida errado no qual surgiu uma ruptura entre a “vida interior” e os demais setores de nossa existência. Nesse caso, a suposta “vida interior” pode nada mais ser do que uma corajosa e absurda tentativa para evadir-se inteiramente da realidade. Sob pretexto de que aquilo que se acha “no interior” é, de fato, real, espiritual, sobrenatural, etc... cultiva-se a negligência e o desprezo pelo que é “exterior” como sendo mundano, sensual, material e oposto à graça. Isto é má teologia e mau ascetismo. É, de fato, mau sob todos os aspectos, pois, em lugar de aceitar a realidade tal como é, nós a rejeitamos para explorar algum domínio perfeito de ideais abstratos que, concretamente, não possuem realidade alguma. Muitas vezes, a inércia e a repugnância que caracterizam a chamada “vida espiritual” de muitos cristãos poderiam, talvez, ser curadas com um simples respeito pelas realidades concretas da vida cotidiana, pela natureza, pelo corpo, pelo trabalho que executamos, pelos nossos amigos, nosso ambiente, etc. 

Um falso sobrenaturalismo que imagina ser o “sobrenatural” uma espécie de região platônica de essências abstratas totalmente separadas e opostas do mundo concreto da natureza não oferece verdadeira base para uma autêntica vida de meditação e oração. A meditação não tem sentido nem é real se não está em raizada na vida. Sem essas raízes, nada pode produzir senão ressequidos frutos que geram repugnância, acedia e até mórbida e degenerada introversão, masoquismo, dolorismo, negação.

Thomas Merton, Poesia e Contemplação

Não há "truques" na vida espiritual e seremos sempre principiantes nela


Thomas Merton

A boa utilização do esforço é determinada pelas indicações da vontade de Deus e sua graça. Quando se está simplesmente obedecendo a Deus, um pequeno esforço basta para fazer muito caminho. Quando, em realidade, se está resistindo a Ele (embora declarando não ter outra intenção senão realizar Sua vontade), esforço algum, por maior que seja, pode produzir bom resultado. Pelo contrário, a teimosa capacidade de continuar a resistir a Deus apesar de indicações sempre mais nítidas de sua vontade, é sinal de que se está em grande perigo espiritual. Com frequência, a pessoa interessada é incapaz de percebê-lo por si mesma. Essa é mais uma razão por que um guia ou pai espiritual pode ser realmente necessário. 

Este trabalho do pai espiritual não consiste tanto em ensinar um método secreto e infalível para atingir experiências esotéricas, mas em mostrar-nos como reconhecer a graça de Deus e sua vontade, como ser humildes e pacientes, como desenvolver nossa visão interior em relação a nossas próprias dificuldades e como remover os principais obstáculos que nos impedem de sermos pessoas de oração. 

Esses obstáculos podem ter raízes profundas em nosso caráter e, em realidade, podemos afinal ficar sabendo que uma vida inteira mal será suficiente para removê-los. Por exemplo, muitas pessoas que têm alguns dons naturais e um pouco de engenho têm tendência a imaginar que soa capazes de aprender facilmente, por sua própria esperteza, a dominar os métodos – poder-se-ia dizer, os “truques” – da vida espiritual. A dificuldade, porém, está no fato de que, na vida espiritual, não existem “truques” nem atalhos. Os que imaginam poder descobrir “passes” especiais e pô-los em prática por si mesmos, geralmente desconhecem ou não fazem caso da vontade de Deus e de sua graça. São autoconfiantes e até autocomplacentes. Resolvem alcançar isto ou aquilo e tentam escrever seu próprio itinerário na vida contemplativa. Podem mesmo parecer ter algum êxito, até certo ponto. Porém, alguns sistemas de espiritualidade – notavelmente o budismo zen – colocam grande ênfase num estilo de direção muito severa, “nada de tolices”, que resolve em pouco tempo esse tipo de autoconfiança. Não se pode nem mesmo começar a fazer frente às verdadeiras dificuldades da vida de oração e meditação se não se está primeiro perfeitamente satisfeito em ser um principiante e experimentar que se é realmente alguém que sabe pouco ou nada, tendo necessidade premente de aprender mesmo aquilo que é mais rudimentar. Os que pensam “saber” desde o início, jamais chegam, de fato, a saber alguma coisa. 

As pessoas que tentam orar e meditar acima do seu próprio nível, que se mostram demasiadamente desejosas de alcançar o que creem ser “um elevado grau de oração”, afastam-se da verdade e da realidade. Ao observarem-se a si próprias e ao tentarem convencer-se de seus progressos, tornam-se prisioneiras de si mesmas. Quando então percebem que a graça delas se afasta, permanecem presas em seu próprio vazio, na inutilidade de seus esforços e ficam desamparadas. A acedia substitui o entusiasmo do orgulho e da vaidade espiritual. Um longo tirocínio no caminho da humildade e da compunção, eis o remédio! 

Não queremos ser principiantes. Mas fiquemos convencidos do fato de que jamais seremos outra coisa a não ser principiantes a vida inteira!

Thomas Merton, Poesia e Contemplação

Sta Teresa D'Avila - Algumas frases


"O amor de Deus não consiste em lágrimas, nem tampouco nestes gostos e ternuras que geralmente desejamos e com os quais nos consolamos, mas em servir a Deus com justiça, fortaleza de ânimo e humildade."

"Cumpra-se em mim de todas as maneiras vossa vontade e praza a vossa majestade que algo de tanto preço como vosso amor não seja dado a gente que vos sirva só para ter consolações." 

"Pelo mesmo caminho que Cristo trilhou hão de ir os que o seguem, se não quiserem perder-se." 


"Não queira saber das humildades – sobre as quais pretendo falar – de certas pessoas que imaginam ser virtude não compreender que o Senhor as favorece. Convençamo-nos, bem a fundo, de que Deus nos concede seus dons sem nenhum merecimento nosso – pois assim é realmente, - e demos graças a Sua Majestade. Se não reconhecermos o que ele nos dá, nunca nos sentiremos estimulados a amá-lo. 

É coisa muito certa: quanto mais nos vemos enriquecidos, sabendo que por nós mesmos somos pobres, tanto mais proveito tiramos desse conhecimento, inclusive maior humildade. O resto é acovardar o ânimo, pois começando o Senhor a comunicar-lhe seus tesouros, a alma, julgando-se incapaz de grandes bens, retrai-se com medo de vanglória. Tenhamos fé: Aquele que dá os bens, dará também graça para que, no momento em que o demônio principiar a tentar-nos sobre este ponto, logo entendamos e tenhamos força para resistir. Digo isto, bem entendido, dos que andam com retidão diante de Deus, pretendendo agradar a ele só e não aos homens."

Sta Teresa D'Avila, Livro da Vida

Vortex sobre a Renúncia de Bento XVI

As palavras emocionadas de Bertone ao Papa

Zenit – Ao final da liturgia da Quarta-feira de Cinza, na Basílica de São Pedro, presidida por Bento XVI, o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Santo Padre.



Beatíssimo Padre:

Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito não somente a Igreja, mas todo o mundo, soube da notícia de Sua decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro.

Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.

Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse ato, revelando aquela pureza de ânimo, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.

Santo Padre, poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, o senhor nos deu uma lição especial, disse que sendo cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja se renova sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que o senhor, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.

A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde nós queremos agradecer o Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afeto, comoção e admiração: obrigado por ter-nos dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!

Palestra de Dom Valério sobre o Papa e a Juventude, no retiro do TLC



Encerrando este encontro com os cardeais, o Papa surpreendeu a todos com um discurso em latim dizendo: "eu não consigo mais dar conta do peso que caiu por cima de mim durante este tempo para dar à Igreja tudo o que a Igreja precisa com o serviço de Papa. E então, diante do desafio e o encargo que me foi dado, para o bem da Igreja, eu renuncio."

Já alguns dias atrás, o Papa disse assim: "Ou comigo ou com outro, a JMJ Rio 2013 acontecerá". Mas, agora que aconteceu isso, provavelmente ele tinha em mente esta notícia e será com outro papa, porque ele já se pronunciou. E então, eu que conheço um pouco - não sou companheiro direto, mas acompanhei um certo percurso desse papa - devo dizer que nós temos um papa grande; provavelmente, dele se falará por séculos que virão, do jeito que hoje, por exemplo, se continua falando de Sto Agostinho, de Santo tomás de Aquino, como os grandes mestres da Igreja. O papa Bento XVI iguala esses grandes mestres. Ele não é só mestre. Eu aqui gostaria de entrar num assunto angustiante.. Não se escandalizem das palavras que vou dizer, mas entendam a grandeza que é pertencer à Santa Igreja.

Eu defino esse papa mártir. Todo mundo sabe que os mártires são aqueles que, na Igreja, se mantiveram tão fiéis a tal ponto de dar a vida. Pois bem, mesmo que este papa não tenha derramado o sangue, mas derramou sua vida. Eu acredito que ele não tem mais nada como fibra física que o sustente. Ele gastou tudo, se gastou, se doou, não segurou pra si nada. Está, vamos dizer, respirando. Mas ele viveu estes anos como papa com uma doação total de si a Jesus Cristo e à Igreja. Pra ele, essa doação se parece e é um martírio. É como se ele derramasse seu próprio sangue, porque se pode ser mártir mesmo com a vida íntegra...

Quando ele assumiu a Igreja, disse de forma antecipada que lobos ferozes estavam atacando a Igreja. Então, ele pedia orações para enfrentar e não fugir. Eu estou convencido de que a nossa sociedade, que está violentamente caindo no precipício do abandono da Fé, do abandono de Jesus Cristo, do abandono da Igreja...; está acontecendo isso porque há lobos ferozes querendo derrubar a Igreja. Este papa lutou com a Doutrina, com os gestos muito firmes, mesmo sendo uma pessoa muito meiga. Quem, por acaso, como eu que tive a oportunidade de conversar pessoalmente, ele é de uma doçura que você fica encantado. Mas é também uma pessoa bem decidida, e então voltando a esta declaração: rezem por mim para que eu nao fuja diante dos lobos. Nós, olhando estes anos de 2005 até hoje, devemos dizer: a partir dos padres e dos bispos, o Papa sofreu o que o diabo amassou. Vivemos estes tempos últimos com rebeldias muito sérias; desobediências da parte de certos padres que abandonando a fidelidade a Jesus, ao Evangelho, ao Ministério, começaram a descambar por caminhos os mais horríveis. E estas coisas que estou dizendo, acredito que vocês deveriam, bem ou mal, interpretar, porque a sujeira da Igreja ficou exposta a pública vergonha, e esta sujeira dentro da Igreja. Os padres estão como que atordoados...; eu acho que Satanás está avançando terrivelmente, querendo derrubar a Igreja. Mas nós sabemos que Nosso Senhor venceu. Nós sentimos o sofrimento do Santo Padre, o Papa, mas contemporaneamente nós proclamamos na nossa Fé a certeza de que as portas do inferno não prevalecerão. Mas é claro que no momento do sofrimento, vai sofrer. Mesmo sabendo que a vitória não é da mão dos inimigos; a vitória é de Nosso Senhor. 

Durante estes anos do Papa Bento fez uma limpeza radical na Igreja. O mundo, vamos dizer, mundano, diante da ação firme deste papa, não gostou. E o atacou. Dos Papas destes últimos tempos, o mais martirizado pela mídia, pelos poderes hostis, foi este papa que se manteve sempre firme, de cabeça erguida. Mas, vocês imaginem: o mundo em cima, chicoteando e o papa firme. Mas é claro: é feito de carne e osso. Então o sentimento de constrangimento, de sofrimento, de se ver como que rejeitado não é o mais feliz nem psicologicamente confortável. Mas ele se manteve firme. Diante dos lobos, ele não fugiu. Cumpriu com a promessa. E então, estava tocando em primeiro lugar, na desobediência dos padres e, em parte, dos bispos. mas vamos ver: e os leigos, e o mundo? O mundo (...) não engoliu este Papa. Mas também há leigos dentro da Igreja - não precisa olhar fora - que não entenderam que este Papa chamava todos para serem fiéis a Jesus Cristo, fiéis ao Evangelho, fiéis à Igreja, e os adultos parecem descambar para uma outra época que poderíamos definir de 'um novo paganismo', como se a humanidade voltasse para trás, para o estado dos pagãos, os tempos pré-cristãos. Hoje nós vivemos em governos que propõem leis contrárias à lei de Deus - uma rebeldia contra Deus que nunca se viu. Há uma conspiração do mundo pagão contra a Igreja, contra Jesus Cristo. E o Papa que representa a união de toos os discípulos de Jesus, é claro que foi o alvo de todos os ataques. E então, os leigos critãos ficaram muito aquém do que era de se esperar. Adultos, que agora são pais, mães, avós, políticos, abandonaram a Fe Cristã. Acharam que seguir Jesus Cristo era uma coisa que não interessava mais. Um intelectual, que eu conheci, uma vez disse: "eu sou cristão, mas não acredito em Deus." Assim é o tempo nosso. O homem pode até dizer: sou cristão, mas a minha fé é insignificante, eu to perdido, não acredito como deve ser. Não é por acaso que o Papa Bento XVI proclamou o ano da Fé como um chamado urgentíssimo para que todos os cristãos se voltem para Jesus Cristo, façam um retorno à Igreja. Mas, recentemente, o Papa falou aos jovens e é sobre isso que quero dizer alguma coisa: eu fiz toda essa conversa para chegar a este ponto. O Papa falou aos jovens. Claro que quando ele falou - é recente - tinha em mente o gesto que ele levou a cabo hoje com a declaração que fez. Quase um testamento. Ele disse assim: o futuro da sociedade e o futuro da Igreja está nos jovens. Porque ele vendo este cenário assustador da rebeldia da sociedade nos adultos, ele está vendo que os jovens [são a esperança].

Eu digo a vocês que o santo padre, o Papa, tem esta confiança: a esperança do mundo, do futuro, tanto da sociedade civil e da Igreja, como sociedade religiosa, está na mão dos jovens. E então, por isso também ele pensou que precisava de um papa jovem. 

Vocês, por favor, tomem consciência dessa palavra: a Igreja está nas suas mãos, e também a sociedade. A Igreja aposta em cada um de vocês. Naquela oportunidade em que o Papa falou, acrescentou esta outra palavra: não se deixem levar pela paralisação da vida juvenil. Os adultos querem jovens banalizados, alienados, jovens que não tenham uma personalidade, jovens que obedecem a comando de outros, e não jovens de convicção. A palavra que o Papa usou é "banalização da juventude" que está acontecendo hoje e, fatalmente - e não digo por culpa do jovem que, sendo jovem, não tem experiência de astuciosidade acumulada dos anos vividos e que, então, é muito fácil induzir a seguir qualquer caminho, o mais leviano possível, porque, sob a aparência de euforia, de alegria, de não sei o quê, se veicula venenos mortais para os jovens de hoje. A paralisação é vender barata uma alegria que não é tal. O jovem hoje é banalizado quando é empurrado goela abaixo a fazer o que todos fazem, aquela macaquice de qualquer jeito, porque é assim que é a felicidade hoje. Será que é assim mesmo? Hoje a banalidade - quando se diz a banalidade, se pode dizer também o vazio da vida, um viver, assim, estúpido, alienado, viver assim sem saber por que, sem saber o que está fazendo... O que a sociedade apresenta como modelo de banalidade é aquela famigerada transmissão do big brother - ali é a banalização da vida do jovem, de jovens perdidos, alienados, que não sabem o que fazer da vida. Por isso, o Papa deixou essa palavra de apelo firme e forte: jovens, não cedam à mentira, ao engano da banalização da vida.

Dom Valério, Transcrição de Palestra feita no Retiro do TLC da Diocese de Penedo-AL, 2013.

Bento XVI - A Humildade que Calou o Mundo



Somente agora vim ter oportunidade de postar algo relacionado à renúncia do nosso amado Papa Bento XVI. Ainda estou me inteirando do que já se escreveu, das críticas que se fizeram, etc. Mas, de antemão, posso dizer que recebi a notícia com bastante tristeza. E fiquei receoso sobre o que seria da Santa Igreja nestes tempos tão difíceis. Penso que isso foi uma preocupação de qualquer católico. Bento XVI parecia ter sido escolhido a dedo por Deus para os tempos difíceis que vivemos. E, de fato, ele o foi. O que nos resta, agora, é ter Fé e esperar que Deus escolha novamente a dedo o futuro Papa da Santa Igreja. No mais, rezemos pelo tão querido Bento XVI.. Que Deus o abençoe muitíssimo. 

Santidade, nós te amamos.

Espiritualidade no Carnaval - Prof. Felipe Aquino

Sta Teresa D'Avila sobre a oração mental - "Não se prive de tanto bem"


Muitos santos e bons escritores já têm falado no grande bem que se encontra no exercício da oração, digo da oração mental. Glória a Deus por esse benefício! Se não o tivessem feito, jamais me atreveria sobre tal assunto. Embora eu seja pouco humilde, contudo, minha soberba não chega a tanto. Posso dizer apenas o que sei por experiência, isto é: quem começou a se entregar à oração, não a deixe, por mais pecados que faça. Com ela terá meios de se recuperar, ao passo que sem ela será muito mais difícil.

A ninguém tente o demônio como a mim, fazendo abandonar a oração sob pretexto de humildade. É certo que as palavras do Senhor não podem faltar, se nos arrependemos sinceramente com propósito de não o ofender mais. Ele nos acolhe com a mesma amizade, e faz as graças que antes concedia, e às vezes muito mais, se o arrependimento tal merece. A quem ainda não começou, rogo, por amor do Senhor, que não se prive de tanto bem.

Não há que temer aqui, senão que esperar. Suponhamos que não progrida nem se esforce por adquirir a perfeição necessária para merecer as delícias e consolações que o Senhor dá aos perfeitos, pelo menos irá aprendendo o caminho para o céu. Se perseverar neste santo exercício, espero tudo da misericórdia de Deus, sabendo que ninguém o tomou por amigo sem ser amplamente recompensado. A meu ver, a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com ele.

Talvez ainda não o ameis, porque para ser verdadeiro o amor e duradoura a amizade, os gênios devem combinar. Sendo a sua condição tão diferente da vossa, não podeis resolver-vos a amá-lo tanto. A do Senhor - já se sabe - é de não incorrer em falta, ser perfeito, enquanto nós, por natureza, somos viciosos, sensuais e ingratos. Contudo, considerando o muito que ele vos ama, e o quanto importa sua amizade, suportai o constrangimento de permanecer muito tempo com quem é tão diferente de vós.

Oh! bondade infinita de meu Deus! Desta sorte parece-me estar vendo a vós e a mim! Oh! delícia dos anjos! Quando isto vejo, quisera desfazer-me toda em vosso amor! Como é certo que tolerais a quem não vos quer tolerar junto de si! Que bom amigo sois, Senhor meu! Como tendes paciência acariciando a alma, à espera de que se amolde à vossa condição. Até que o consigais, vós suportais a sua! Levais em conta, meu Senhor, o breve instante em que ela procura amar-vos, e por um vislumbre de arrependimento de sua parte olvidais quanto vos tem ofendido.

Isso claramente vi por mim. Não entendo, Criador meu, o motivo pelo qual o mundo todo não procura chegar-se a vós para travar particular amizade. Até os que são maus e não têm vossa condição, deviam aproximar-se de vós para que os façais bons.

Assim acontecerá se consentirem que, ao menos duas horas cada dia, vós estejais em sua companhia, muito embora não fiquem em vossa companhia, mas agitados com mil preocupações, cuidados e pensamentos do mundo, como eu fazia. Na verdade, devem fazer esforço para estar em tão boa convivência. Nos princípios, e mesmo depois, algumas vezes, é só o que conseguem. Em recompensa, vós impedis os demônios de atacá-los, ao passo que aumentais a força da alma de modo a vencer o inimigo. Sim, vida de todas as vidas! Dos que se fiam de vós e vos querem por amigo, a nenhum matais, antes lhes sustentais o corpo com melhor saúde e dais vida à alma

Sta Teresa D'Avila, Livro da Vida
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