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Jornada Mundial da Juventude - Vou ou não vou?!


Ontem eu tive a graça de conhecer um grupo de uns doze canadenses - dentre eles um padre - que passou por aqui com o propósito de ir à JMJ. Estavam na Santa Missa conosco e depois, num modesto 'comes e bebes', assistiram algumas apresentações culturais e cantaram para nós as músicas "How great thou art" e "Hail Holy Queen". Pessoas muito agradáveis.

A noite passou rápida. Conversar com nativos é fantástico. Quase um brinquedo. Sim, podem me chamar de matuto, rs.. Para mim, foi como se fosse uma prévia muitíssimo longínqua da JMJ. Foi como um sentir ligeiramente o perfume da Jornada. Mas a coisa passou e voltamos às nossas casas. E daí começou um certo drama interior.. Assim como no mito de Parsifal, quando o Rei experimenta o sabor de um peixe e desde então fica ferido pela queimadura, aquele sabor apenas insinuado da JMJ me pôs inquieto. Acompanhem os meus questionamentos:

- A Jornada Mundial da Juventude, esse ano, acontece no Brasil. Quando ocorrerá aqui de novo? Ninguém sabe se ou quando isso se dará.
- Pessoas de outros países vêm para o Brasil, para a Jornada. 
- E eu, que sou daqui, não vou. Pelo amor de Deus, isso tem alguma lógica?

E então dei início à minha apelação: será que ninguém ajudaria um pobretão a ir pra JMJ? Olha que quando chegar o fim do mundo, Nosso Senhor vos dirá: "Eu quis ir à JMJ no Brasil e vós não me ajudastes!" (!!) Que terrível..

Enfim.. Só sei que, depois de um tempo de choramingo, uma alma caridosa me apareceu com a possibilidade de me bancar as passagens. Calma que é só possibilidade, rs. Mas, vejam só a diferença: o que antes era apenas o esperneio de um grilo tentando voar mas sabendo que o céu não lhe pertence, agora parecia ser só uma questão de aceitar asas e arriscar-se às dificuldades do primeiro vôo. "Vôo" aqui pode ser entendido literalmente.. rs

Com isto surgem outras dificuldades: eu sou muito sensível ao frio e não tenho colchonetes ou sacos de dormir. Costumava adoecer fácil por aqui, que o clima é ameno. Acabei de saber que no Rio virá uma frente fria das maiores dos últimos dez anos! Sim, eu estou me informando de tudo.. Depois, é uma semana meio que decisiva na faculdade. Ir talvez signifique perder provas, trabalhos, o que pode me custar os seis meses de estudo. Bem.. Continuemos.

Outro ponto é que o meu senso de direção é mais caótico do que o do Zoro, do One Piece. Me perco fácil. E seria a primeira vez em que eu pisaria no Rio. Mas isso se resolve fácil. Se eu achei quem estivesse disposto a me ajudar com as passagens, não creio que seja difícil encontrar quem me busque no aeroporto e caminhe comigo pelas ruas sem soltar a minha mão mesmo que caiam meteoros ou apareçam dinossauros.

"Como diabos alguém pode se perder num caminho reto?
Nem você pode ter um senso de direção tão ruim!"

Enfim.. Pensando nas dificuldades que pus, talvez elas não sejam muito grandes. E a oportunidade é única. Também nunca voei, mas seria baitolagem recuar por causa disso. Na verdade, a idéia nem me assusta. A hesitação se dá mais pelo que já ouvi das sensações da primeira experiência.

Agora, vamos aos benefícios:

Eu vou ver o Papa! Ehhhhh!!!

A experiência de estar com tanta gente católica é uma coisa maravilhosa! Nós, que vivemos exilados, quando nos encontramos em tão grande quantidade, nos sentimos como que numa prévia do céu. Seria imenso fazer parte disso tudo.

É possível também que eu venha a me encontrar com o superior geral do Opus Dei, Don Javier Echevarría, amigo pessoal de São José Maria Escrivá.

Sem falar no tanto de amigos virtuais que poderei conhecer pessoalmente, se eu for! Enfim...

Falemos agora sobre algumas das críticas que se têm levantado contra a JMJ. Tudo o que porei aqui são posições minhas, tão somente.

Primeiramente, sobre a presença de artistas seculares, como o Luan Santana, a Fafá de Belém, etc. Eu sou um dos que discordam do deliberado, mas não caio nos extremos de pensar que somente isto seria suficiente para "estragar" a Jornada. O tanto de artistas legitimamente católicos que haverá lá é imenso! Depois, há duas posições que eu considero ingênuas: a primeira, é a de sacralizar tudo e qualquer coisa que os dirigentes façam. É óbvio que isso é um non sense. Por mais que seja um evento católico, os responsáveis são humanos e muitas vezes movidos por um suposto bom senso humano, isto é, passível de erros. O outro erro que eu vejo, não obstante pareça diferir abismalmente do anterior, é a extrema fé no critério pessoal, como se a Jornada tivesse de ser uma concretização daquilo que nós supomos que ela deva ser. É, de novo, uma sacralização da opinião individual. Divinizamos certos recortes que nós mesmos fazemos e aplicamos aquilo à totalidade como se fosse o próprio juízo divino. É exatamente o que Lutero fez. Por mais que se diga estar, aí, ancorado na Tradição Católica e não sei quê, a verdade é que costuma-se focar apenas em certos aspectos desta tradição como meio de reforçar a crítica à JMJ em si. 

Então, saibamos o seguinte: a JMJ, sendo um movimento da Igreja, transcende meras organizações e decisões humanas. Não identifiquemos o evento com o complexo de deliberações. Isto significa que, por mais que uma coisa ou outra não se dêem da melhor forma - como essa idéia de jerico -, existe uma substância espiritual que nem por isso se ausentará do evento. 

Mas há, ainda, um terceiro tipo de ingenuidade e que, a meu ver, parece só poder ser adotado por quem já possui qualquer espécie de antipatia a priori pelo evento: é o argumento de que nem todo mundo que vai pra Jornada vai pra rezar e estar em comunhão com a Igreja. Mas isto é óbvio! Pensou-se o quê? Que a Jornada seria um modo de prévia imaculada do céu? É óbvio que haverá imprudências, non senses, intenções torcidas, etc, etc.. Ainda estamos vivendo neste vale de lágrimas e a concupiscência ainda corre nas veias dos homens. Mas acredito que a JMJ será como um oásis. Também é verdade que será uma oportunidade de mostrar a este mundo secularizado a força do catolicismo e propôr, mais uma vez, a conversão das almas.

Enfim.. Tenho até de noite pra decidir. Que o bom Deus me ajude e que a Virgem Maria me conduza nisso tudo. Rezem por mim.

À boa alma que me doou o dinheiro das passagens, não tenho nem o que dizer.. Deus a recompensará.

Fábio Silvério

"Interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano."


"Para a eficácia do testemunho cristão, especialmente nestes tempos delicados e controversos, é importante fazer um grande esforço para explicar adequadamente os motivos da posição da Igreja, sublinhando, sobretudo, que não se trata de impor aos não crentes uma perspectiva de fé, mas de interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano." 

João Paulo II, Carta Apostólica Novo Millenio ineunte, n. 51, 6 de janeiro de 2001.

"Dado que a fé no Criador é uma parte essencial do Credo cristão, a Igreja não pode e não deve limitar-se a transmitir aos seus fiéis apenas a mensagem da salvação. Ela tem uma responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também em público. E, fazendo isto, deve defender não só a terra, a água e o ar como dons da criação que pertencem a todos. Deve proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem, entendida no sentido justo. Quando a Igreja fala da natureza do ser humano como homem e mulher e pede que se respeite esta ordem da criação, não está expondo uma metafísica superada. Trata-se aqui, de fato, da fé no Criador e da escuta da linguagem da criação, cujo desprezo seria uma autodestruição do homem e, portanto, uma destruição da própria obra de Deus.

O que com frequência é expresso e entendido com a palavra 'gender' [gênero] resulta, em definitivo, na auto-emancipação do homem da criação e do Criador. O homem pretende fazer-se sozinho e dispor sempre e exclusivamente sozinho o que lhe diz respeito. Porém, desta forma, vive contra a verdade, vive contra o Espírito criador. As florestas tropicais merecem, sim, a nossa proteção, mas não a merece menos o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não significa contradição da nossa liberdade, mas a sua condição. Grandes teólogos da Escolástica qualificaram o matrimônio, ou seja, o vínculo para toda a vida entre homem e mulher, como sacramnto da criação que o próprio Criador instituiu e que Cristo - sem modificar a mensagem da criação - depois acolheu na história da salvação como sacramento da nova aliança. Pertence ao anúncio que a Igreja deve levar o testemunho a favor do Espírito criador presente na natureza em seu conjunto e, de modo especial, na natureza do homem, criado à imagem de Deus. A partir desta perspectiva deve ser lida a Encíclica Humanae Vitae: a intenção do Papa Paulo VI era defender o amor contra a sexualidade como consumo; o futuro, contra a pretensão exclusiva do presente; e a natureza do homem, contra a sua manipulação."

Bento XVI, Discurso aos membros da Cúria Romana, 22-12-08.

"O caráter típico desta nova antropologia, concebida como fundamento da Nova Ordem Mundial, manifesta-se, sobretudo, na imagem da mulher na ideologia do "Women's Powerment" [empoderamento da Mulher] proposta por Pequim. O objetivo em vista é a autorrealização da mulher, que encontra os seus principais obstáculos na família e na maternidade. Assim, a mulher deve ser libertada, sobretudo do que a caracteriza e lhe dá nada mais que a sua especificidade: esta é chamada a desaparecer diante de uma "Gender equity and equality" [eqüidade e igualdade de gênero], diante de um ser humano indistinto e uniforme, em cuja vida a sexualidade não tem outro sentido senão o de uma droga voluptuosa, a qual se pode usar sem critério algum."

Ratzinger, J. Prefácio ao livro de Schooyans, M., O Evangelho perante a Desordem Mundial, Ed. Fayard, Paris, 1997.

SANAHUJA, Juan Claudio. Poder Global e Religião Universal. São Paulo: Ecclesiae, 2012. p. 41-43.

Template do Blog


Pessoal, estou fazendo algumas pesquisas sobre templates. Fui fazer alguns testes e, depois, o antigo template do blog deu um tipo de erro, de modo que não pude pô-lo de volta. Provavelmente o template vai mudar mesmo, o que não significa que vá ficar exatamente este que agora está. Em todo caso, não estranhem. O blog está passando por mudanças. Pax.

O paradigma da reinterpretação dos direitos humanos


As Nações Unidas, suas agências, comitês de monitoramento dos tratados de direitos humanos e os comitês de especialistas impuseram a idéia - que está a serviço da reengenharia social da Nova Ordem Mundial - de que os direitos humanos são evolutivos; isto é, a partir de uma hermenêutica ideologizada pode-se dar origem a uma infinidade de pseudodireitos a serviço das políticas do projeto de domínio mundial. Citemos três exemplos:

a) O Comitê de monitoramento da Convenção Internacional para a Eliminação de toda as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW, 1979), em sua Recomendação Geral número 25 (2004)1, define essa Convenção, e por extensão todas as convenções de direitos humanos, como um instrumento dinâmico sujeito a acréscimos progressivos. Por exemplo, a Convenção pede em três de seus artigos que os programas de planejamento familiar tenham subsídios (artigos 10, 12 e 14). Posteriormente, o Comitê interpretou que essa expressão inclui a contracepção, a esterilização e o aborto. Portanto, o que se entendia por planejamento familiar em 1979 mudou de significado. Ao mesmo tempo, nas Recomendações Gerais do Comitê, quando se fala de direitos da mulher, implicitamente se incluem os chamados direitos sexuais e reprodutivos, a saúde reprodutiva, a liberdade ou a autonomia reprodutiva.

Para maior confusão, o termo saúde sexual relaciona-se com a homossexualidade sob os eufemismos de livre orientação sexual, orientação sexual e gênero, identidade de gênero adotada ou autopercebida, exigindo que sejam reconhecidos seus direitos sociais e jurídicos. Nada disso era previsível em dezembro de 1979, quando a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou o texto da Convenção Internacional contra toda forma de Discriminação da Mulher.

b) O Comitê de monitoramento do Tratado Internacional contra a Tortura interpreta as leis ou as atitudes familiares que impeçam o aborto como tortura psicológica contra a mulher: "as mulheres estão em risco de tortura ou maus tratos, que incluem a privação da liberdade, a privação de tratamentos médicos, especialmente daqueles que envolvem suas decisões reprodutivas e a violência exercida privadamente em sua comunidade e em seus lares." Nada mais longe da letra e do espírito do tratado que essa interpretação.

O Comitê contra a Tortura aplicou esta interpretação em maio de 2009, julgando que a proibição do aborto terapêutico na Nicarágua violava o tratado. E declarou em seu relatório sobre a nação centro-americana, que a proibição do aborto para as vítimas de agressões sexuais significa "uma constante exposição às violações cometidas contra elas" e supõe "um grave estresse traumático com o risco de padecimento de prolongados problemas psicológicos, tais como ansiedade e depressão."2

Assim se entende como, na linguagem imposta pelas Nações Unidas, as palavras violência contra a mulher são um novo eufemismo para justificar a despenalização ou liberalização do aborto. Para se ter um quadro completo de até onde chegou a vontade de penalizar qualquer limitação à chamada liberdade reprodutiva, acrescentemos que o sistema de direitos humanos da ONU entende por ingerência de terceiros não apenas as leis que penalizam o aborto mas também qualquer oposição que venha do âmbito religioso ou familiar, incluída a vontade do cônjuge, se esta é contrária ao aborto, ou, tratando-se de uma menor de idade, a vontade dos pais, tida como injusta ingerência.


c) Em julho de 2009, o Comitê de Monitoramento do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais publicou a Observação Geral nº 20.3 Tendo por base que "o crescimento econômico por si mesmo não levou a um desenvolvimento sustentável, e que existem pessoas e grupos de pessoas que continuam enfrentando desigualdades socioeconômicas, frequentemente como consequência de arraigados padrões históricos e de formas contemporâneas de discriminação", inclui entre estas a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero: "Em 'qualquer outra condição social', tal como se recolhe no artigo 2.2 do Pacto, é incluída a orientação sexual. Os Estados-Partes devem garantir que as preferências sexuais de uma pessoa não constituam um obstáculo para o gozo dos direitos que o Pacto reconhece, como, por exemplo, os efeitos de aceder à pensão de viuvez. A identidade de gênero também é proibida como motivo de discriminação. Por exemplo, os transgêneros, os transexuais ou os intersexo são vítimas frequentes de graves violações dos direitos humanos, como o assédio nas escolas ou no ambiente de trabalho.3"

Insistimos que não se trata aqui de evitar a discriminação injusta, mas de forçar a aceitação social e jurídica da homossexualidade dando ensejo a inumeráveis abusos e a uma verdadeira subversão da ordem social natural. Como se isso fosse pouco, a Observação Geral remete, para as definições de orientação sexual e identidade de gênero, aos ilegítimos Principios de Yogyakarta, dos quais falaremos mais adiante.

Estes exemplos bastam para ilustrar a importância de conhecer a linguagem usada pelos organismos da ONU que, por outro lado, está em permanente evolução. Creio não ser vão o trabalho de estudar detidamente cada uma das observações e recomendações dos Comitês do sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas, sobretudo na hora de julgar os textos e analisar os termos dos projetos de lei que são propostos nos parlamentos nacionais.

Estamos em meio a uma batalha da qual uma das frentes mais importantes é a semântica. Por exemplo, temos visto que o termo paternidade responsável, na boca de um político, segundo os códigos universalizados pelas Nações Unidas, não terá o mesmo significado contido nos documentos da Igreja. No linguajar de alguns parlamentes poderia significar, segundo as circunstâncias, desde a distribuição maciça de contraceptivos até mesmo a intenção oculta de promover o aborto. O mesmo se poderia dizer da expressão violência contra a mulher ou mesmo do termo tortura, palavra que o comum das pessoas nem imagina que possam esconder uma referência ao suposto direito ao aborto e outras aberrações.

Mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma artimanha para que a reengenharia social seja aceita por todos sem protestos. Devemos nos perguntar, frente à linguagem usada nos parlamentos, nas campanhas políticas e nos meios de comunicação: O que querem dizer? O que engloba cada um dos termos? O que significam realmente as palavras? Esse foi o motivo pelo qual o Pontifício Conselho para a Família editou o Lexicon de termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, ao qual, a cada edição, outras entradas são acrescentadas, já que o significado da linguagem internacional muda continuamente.

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1- Recomendações, Observações e Comentários gerais dos tratados de direitos humanos são a interpretação autêntica que os Comitês de monitoramento ou vigilância dos tratados internacionais do sistema de direitos humanos da ONU fazem. Estas reinterpretações são as que os Comitês exigem que os estados adotem em sua legislação interna.

2- "O Comitê insta o Estado-Parte a rever sua legislação sobre o aborto, como recomendado pelo Conselho de Direitos Humanos, Comitê sobre a Eliminação de Discriminação contra a Mulher e Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais", diz o relatório, e indica concretamente à Nicarágua estudar "a possibilidade de prever exceções à proibição geral do aborto para os casos de aborto terapêutico e de gravidezes resultantes de estupro ou de incesto (...) a fim de cumprir, desse modo, as diretivas da Organização Mundial da Saúde".

3- O texto remete a Observações Gerais n. 14 e 15 do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, acrescentando, por assim dizer, mais reinterpretações jurisprudenciais a favor da subversão da ordem natural."

Mons. Sanahuja, Poder Global e Religião Mundial

Mal, dor, sofrimento - Nenhum Deus?

Estratégias para mascarar o chamado "imperalismo demográfico" ou "contraceptivo" americano sobre alguns países


Antes de continuar, acho necessário fazer referência ao Relatório Kissinger (1974), que surge em consequência do fracasso obtido na Conferência de População de Bucareste (1974) de tentar impor ao mundo os projetos de controle de natalidade dos Estados Unidos. Neste documento, além de estar relacionada uma série de medidas demográficas para diminuir a natalidade em diversos países (por exemplo, Brasil, México, Índia, Paquistão, etc.), estão enunciadas três políticas às quais - em minha opinião - deve-se prestar maior atenção que aos objetivos concretos das políticas de população mundial.

Antes ainda da Conferência de População de Bucareste, mas sobretudo depois, a acusação mais grave que os países de Terceiro Mundo fizeram aos Estados Unidos foi a de "imperialismo demográfico" ou "imperialismo contraceptivo". Para neutralizar estas acusações, o Relatório Kissinger estabelece três objetivos estratégicos:

a) Ordena à diplomacia norte-americana disfarçar as políticas de controle de natalidade sob a aparência de direitos humanos. Para evitar as acusações de imperialismo demográfico, as políticas de controle de natalidade devem ser apresentadas como direitos do indivíduo ou do casal. Encontramos aqui uma das raízes do novo paradigma dos direitos humanos.
b) Estabelece como política global que os padrões culturais dos povos, entre os quais se incluem as crenças religiosas, que tornam inviáveis as políticas de controle de natalidade, devem ser alterados. Está aqui a origem dos novos paradigmas éticos ou tentativas de criar uma religião universal.
c) Por outro lado, decide-se que os encarregados de implantar essas políticas devem ser os próprios políticos nascidos nos países menos desenvolvidos, previamente reeducados nos países do Norte, nas Universidades do Estados Unidos e da Grã-Bretanha, sob a aparente boa intenção de capacitá-los para que melhorem e assegurem a qualidade de vida dos povos. Deste modo, a ingerência dos países centrais ficará dissimulada e seus interesses ultramarinos serão preservados, isto é, será assegurada uma grande provisão de recursos naturais; devem ser os próprios políticos locais, portanto, a entregar a soberania jurídica e até territorial de suas nações.

Mons. Sanahuja, Poder Global e Religião Universal.

Onde Deus é excluído


"Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria"

Card. Joseph Ratzinger

Congresso aprova lei que, na prática, legaliza o aborto no Brasil - Urgente



Site Pe. Paulo Ricardo

O QUE DIZ O PROJETO APROVADO

O título do projeto afirma que trata do atendimento às pessoas que sofreram violência sexual. O texto do projeto evita propositalmente mencionar a palavra aborto, embora seja disto que o projeto trate. A palavra aborto foi cuidadosamente omitida e o projeto foi tramitado em um regime de urgência conscientemente planejado para que os parlamentares, inclusive os que são totalmente contrários ao aborto, não pudessem perceber o verdadeiro alcance da proposta senão depois de definitivamente aprovado.

O artigo primeiro afirma que os hospitais, - todos os hospitais, sem que aí seja feita nenhuma distinção -, "DEVEM OFERECER ATENDIMENTO EMERGENCIAL E INTEGRAL DECORRENTES DE VIOLÊNCIA SEXUAL, E O ENCAMINHAMENTO, SE FOR O CASO, AOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL".

Atendimento emergencial significa o atendimento que deve ser realizado imediatamente após o pedido, não podendo ser agendado para uma data posterior. O atendimento integral significa que nenhum aspecto pode ser omitido, o que por conseguinte subentende que se a vítima de violência sexual estiver grávida, deverá ser encaminhada aos serviços de aborto. Os serviços de assistência social aos quais a vítima deve ser encaminhada, que não eram mencionados no projeto original, são justamente os serviços que encaminharão as vítimas aos serviços de aborto ditos legais.

Portanto, uma vez o projeto sancionado em lei, todos os hospitais do Brasil, independentemente de se tratarem de hospitais religiosos ou contrários ao aborto, serão obrigados a encaminhar as vítimas de violência à prática do aborto. O projeto não contempla a possibilidade da objeção de consciência.

Na sua versão original, o artigo terceiro do projeto afirmava que o atendimento deveria ser imediato e obrigatório a todos os hospitais integrantes da rede do SUS que tivessem Pronto Socorro e Serviço de Ginecologia, mas a emenda do dia 5 de março de 2013 riscou a cláusula do "PRONTO SOCORRO E SERVIÇO DE GINECOLOGIA", deixando claro que qualquer hospital, por menor que seja, não poderá deixar de encaminhar as vítimas de violência, se estiverem grávidas, aos serviços de aborto. O artigo primeiro sequer restringe os hospitais aos integrantes da rede do SUS.

O artigo segundo define que, para efeitos desta lei, "VIOLÊNCIA SEXUAL É QUALQUER FORMA DE ATIVIDADE SEXUAL NÃO CONSENTIDA".

A expressão "TRATAMENTO DO IMPACTO DA AGRESSÃO SOFRIDA", constante do artigo primeiro do texto original, foi suprimida e substituída por "AGRAVOS DECORRENTES DE VIOLÊNCIA SEXUAL", para deixar claro que a violência sexual não necessita ser configurada por uma agressão comprovável em um exame de corpo de delito. Uma vez que o projeto não especifica nenhum procedimento para provar que uma atividade sexual não tenha sido consentida, e o consentimento é uma disposição interna da vítima, bastará a afirmação da vítima de que ela não consentiu na relação sexual para que ela seja considerada, para efeitos legais, vítima de violência e, se ela estiver grávida, possa exigir um aborto ou o encaminhamento para o aborto por parte de qualquer hospital.

As normas técnicas do Ministério da Saúde publicadas durante o governo Lula afirmam que as vítimas de estupro não necessitam apresentar provas ou boletins de ocorrência para pedirem um aborto dos hospitais credenciados. Basta apenas a palavra da mulher, e os médicos terão obrigação de aceitá-la, a menos que possam provar o contrário, o que usualmente não acontece. Mas pelo menos a mulher deveria afirmar que havia sido estuprada. Agora não será mais necessário afirmar um estupro para obter um aborto. Bastará afirmar que o ato sexual não havia sido consentido, o que nunca será possível provar que tenha sido inverídico.

A técnica de ampliar o significado das exceções para os casos de aborto até torná-las tão amplas que na prática possam abranger todos os casos é recomendada pelos principais manuais das fundações internacionais que orientam as ONGs por elas financiadas. Com isto elas pretendem chegar, gradualmente, através de sucessivas regulamentações legais, até a completa legalização do aborto. É este o propósito do PLC 03/2013. Um dos mais famosos manuais sentido é o manual"INCREMENTANDO O ACESSO AO ABORTO SEGURO - ESTRATÉGIAS DE AÇÃO", publicado internacionalmente pela International Women Health Coalition (IWHC). Foi a equipe do IWHC, que redigiu este manual, a mesma que inventou, no final dos anos 80, o conceito de "DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS", que em seguida, em 1990, passou a ser utilizado pela Fundação Ford, através da qual passou para a ONU em 1994, durante a Conferência de População do Cairo. A fundadora do IWHC foi condecorada, em 2012, pela ONU, com o Population Award, justamente por ter desenvolvido, pela primeira vez, em 1987, o conceito de "SAÚDE REPRODUTIVA".

[American Reproductive Health Pioneer Win 2012 United Nations Population Award:http://unfpa.org/public/home/news/pid/10237]

Nas páginas 8 e 9 do manual "Incrementando o Acesso ao Aborto Seguro - Estratégias de Ação", que menciona várias vezes o exemplo do Brasil, a IWHC comenta:


"Assegurar ao máximo a prestação de serviços previstos pelas leis existentes que permitem o aborto em certas circunstâncias possibilita abrir o caminho para um acesso cada vez mais amplo. Deste modo os provedores de aborto poderão fazer uso de uma definição mais ampla do que constitui um perigo para a vida da mulher e também poderão considerar o estupro conjugal como uma razão justificável para interromper uma gravidez dentro da exceção referente ao estupro. Desde o início dos anos 90 profissionais e ativistas de várias cidades do Brasil estão trabalhando com o sistema de saúde para ampliar o conhecimento das leis e mudar o currículo das faculdades de medicina".


É exatamente isto o que está sendo feito aqui pelo PLC 03/2013 que acaba de ser aprovado pelo Senado. É a virtual legalização do aborto, que bastará ser sucessivamente regulamentada por leis posteriores para poder transformar-se na completa legalização do aborto, com a aprovação unânime de todos os parlamentares, inclusive os que mais ferrenhamente defendem a vida.

Para não deixar dúvidas sobre o que está sendo legislado, o PLC 03/2013 acrescenta, no artigo 3, que o "ATENDIMENTO IMEDIATO E OBRIGATÓRIO EM TODOS OS HOSPITAIS" compreende os serviços listados em sete incisos, o último dos quais foi acrescentado na versão de 5 de março de 2013 e não constava no texo original:


"O FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES ÀS VÍTIMAS SOBRE OS DIREITOS LEGAIS E SOBRE TODOS OS SERVIÇOS SANITÁRIOS DISPONÍVEIS".

É evidente aqui que o projeto está se referindo ao aborto. Apesar de que apenas afirme que trata-se de um fornecimento de informações, não se deve esquecer que o artigo primeiro estabelece ser obrigatório, quando for o caso, o encaminhamento aos serviços de assistência social. Isto significa que todos os hospitais, inclusive os religiosos, estão obrigados a encaminhar qualquer mulher grávida, que alegue ter tido uma relação sexual não consentida, a um serviço de aborto supostamente legal. Mais adiante será muito mais fácil aprovar novas leis, que regulamentem a que hoje está sendo aprovada, para que exijam mais explicitamente o cumprimento do dever hoje, ainda que em linhas gerais, claramente estabelecido.

O inciso quarto do artigo terceiro lista, ainda, como obrigação de todos os hospitais, em casos de relação sexual não consentida, "A PROFILAXIA DA GRAVIDEZ". Note que a lei não especifica o que deve ser entendido como "PROFILAXIA DA GRAVIDEZ". O termo aparentemente é novo e recém inventado especialmente para este projeto de lei. Terá, portanto, mais adiante, que ser regulamentado ou interpretado, pelo legislativo ou pelo judiciário, quando surgirem as primeiras dúvidas sobre o seu significado. Hoje ninguém sabe o que isto poderá significar amanhã. Os senhores parlamentares foram propositalmente enganados para assinarem um cheque em branco.

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Leia a matéria toda no site do Pe. Paulo Ricardo.

Cartas de um diabo a seu aprendiz - C.S. Lewis

Primeira Encíclica do Papa Francisco - Lumen Fidei


"Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a « confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.

Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?"

Carta Encíclica Lumen Fidei, Papa Francisco.

Leia a Encíclica inteira clicando aqui.

Os desvios do Amor-Doação


C.S. Lewis

O Amor-Doação também tem seus desvios.

Penso na sra. Resmungo, que morreu há alguns meses. É realmente assombroso o quanto sua família se reanimou. A expressão tensa desapareceu do rosto do marido; ele voltou a ser capaz de sorrir. O menino mais novo, que eu sempre imaginara uma criaturinha nervosa e irritadiça, se revelou bastante humano. O mais velho, que mal parava em casa a não ser para dormir, agora passa quase todo o tempo lá e começou a reorganizar o jardim. A menina, de que sempre se dizia que era "frágil" (embora eu nunca tenha descoberto qual era exatamente o problema), está aprendendo a montar, o que antes estava fora de questão, dança a noite inteira e joga tênis incansavelmente. Até o cachorro, que nunca podia sair de casa, exceto na coleira, hoje é um membro notório do Clube do Poste da rua onde moram.

A sra. Resmungo dizia com muita frequência que vivia para a família. E não era mentira. Todo mundo no bairro sabia disso. "Ela vivia para a família", diziam; "Que grande esposa e mãe!" Lavava todas as roupas; é verdade que lavava mal e que a família tinha como pagar uma lavanderia e lhe pedia com frequência para não lavá-las. Mas ela lavava. Sempre havia almoço quente para quem estivesse em casa e jantar quente à noite (mesmo em pleno verão). Eles lhe imploravam que não fizesse isso. Protestavam, quase com lágrimas nos olhos (e sinceramente), que preferiam refeições frias. Não fazia diferença. Ela vivia para a família. Sempre ficava acordada para "receber" você se você ficasse fora até tarde, mesmo que até as duas ou três da manhã; você sempre ia encontrar aquele rosto enfraquecido, pálido e cansado esperando por você, como uma acusação silenciosa. O que significava, é claro, que você não podia sair com muita frequência sem sacrificar a privacidade. Ela estava sempre fazendo coisas também; ela se considerava (não vou julgar) uma excelente costureira amadora e ótima tricoteira. E é claro que, se você não fosse um monstro sem coração, você era obrigado a usar o que ela fazia. (O pastor me disse que, desde a morte dela, a contribuição da família para os bazares de arrecadação de fundos vem superando a de todos os outros membros da igreja somados.) E havia o cuidado com a saúde dos filhos. Ela suportava sozinha todo o peso da "fragilidade" da filha. O médico - velho amigo da família, e sem intervenção do sistema público de saúde - não tinha permissão de discutir a situação com a paciente. Depois de um brevíssimo exame, era levado pela mãe pra outra sala. A menina não precisava se preocupar nem cuidar da própria saúde. Precisava apenas de amor - carinho, alimentos especiais, tônicos horríveis e café da manhã na cama. Pois a sra. Resmungo, como sempre dizia, era capaz de "dar o próprio sangue" pela família. Era impossível, para eles, detê-la. Também não podiam - por serem pessoas decentes - ficar o tempo todo sentados observando-a. Precisavam ajudar. Na verdade precisavam ajudar sempre. Ou seja, faziam coisas para ela a fim de ajudá-la a fazer para eles coisas que não queriam. Quanto ao querido cachorro, era para ela "como um dos filhos", dizia. Na verdade ele era como um dos filhos na medida em que ela conseguia que fosse. Mas, como não tinha escrúpulos, saía-se razoavelmente melhor que eles, e, embora levado ao veterinário, alimentado e protegido à exaustão, às vezes conseguia ir até a lata de lixo ou até o cachorro do vizinho.

O pastor diz que a sra. Resmungo está repousando. Espero que sim. O certo é que a família dela está.

É fácil constatar quanto a sujeição a esse estado é, por assim dizer, congênita ao instinto materno. Este, como vimos, é um Amor-Doação, mas um Amor-Doação que precisa dar; portanto, precisa ser necessário. Mas a finalidade própria do ato de dar é deixar a pessoa que recebe num estado em que ela não precise mais de nossa doação. Nós alimentamos nossos filhos para que em breve eles sejam capazes de se alimentar sozinhos; ensinamo-los para que em breve não precisem de nossos ensinamentos. A missão desse Amor-Doação, portanto, é difícil. Ele precisa trabalhar para sua própria abdicação. Somos obrigados a nos tornar supérfluos. Nossa recompensa é o momento em que podemos dizer: "Eles não precisam mais de mim". Mas o instinto, quando simplesmente em sua própria natureza, não tem o poder de cumprir essa lei. O instinto deseja o bem de seu objeto, mas não é tão simples - somente o bem que ele próprio pode dar. Um amor muito superior - o amor que deseja o bem do objeto como tal, qualquer que seja a origem do bem - deve intervir e ajudar ou controlar o instinto antes que a abdicação seja possível. E é claro que muitas vezes isso acontece. Mas, quando não acontece, a necessidade voraz de ser necessário gratifica a si mesma mantendo seus objetos em estado de necessidade ou inventando para eles necessidades imaginárias. E o fará com crueldade ainda maior ao se conceber (com razão, num certo sentido) como Amor-Doação e, portanto, como "abnegado".

Não são apenas as mães que agem assim. Todas aquelas outras Afeições que, seja por drivação do instinto materno ou por semelhança entre as funções, precisam ser necessárias podem cair na mesma armadilha. A Afeição do patrono pelo pulilo é uma delas. No romance de Jane Austen, Emma quer que Harriet Smith tenha uma vida feliz - mas somente do tipo de vida feliz que Emma planejou para si mesma. Minha profissão - professor universitário - é perigosa nesse sentido. Se somos bons professores, devemos sempre trabalhar para o momento em que nossos alunos estejam preparados para tornar-se nossos críticos e rivais. Devemos nos alegrar quando chega esse momento, tanto quanto o mestre de esgrima quando o aluno consegue golpeá-lo e desarmá-lo. E muitos se alegram.

Mas nem todos. Tenho idade bastante para me lembrar do triste caso do dr. Quartz. Nenhuma universidade jamais teve um professor mais competente ou dedicado que ele. Entregava-se inteiramente aos alunos. Deixou uma impressão indelével sobre quase todos eles. Era cultuado como herói, merecidamente. Os alunos continuavam naturalmente, e com prazer, a visitá-lo depois de encerradas as relações acadêmicas, reunindo-se em sua casa à noite e travando célebres discussões. Mas o curioso é que isso nunca durava muito. Mais cedo ou mais tarde - podia ser depois de alguns meses, ou mesmo de algumas semanas - vinha a fatídica noite em que os alunos batiam à sua porta e alguém respondia que o doutor estava ocupado. E dali em diante ele estava sempre ocupado. Os alunos eram expulsos de sua convivência para sempre. Isso acontecia porque eles tinham se rebelado na última reunião. Tinham proclamado sua independência - tinham divergido do mestre e defendido suas próprias concepções, talvez com sucesso. Ao se ver diante da independência mesma que trabalhara para produzir, e que era seu dever produzir se pudesse, o dr. Quartz não a suportava. Wotan trabalhou arduamente para criar um Siegfried livre; ao ser apresentado ao Siegfried livre, enfureceu-se. O dr. Quartz foi um homem infeliz.

C.S. Lewis, Os quatro amores. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.p. 68-73.
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