Jesus pergunta a Sta Teresa: "Sabes o que é amar-me de verdade?"
Certa vez enquanto fazia oração, senti-me invadida por uma felicidade muito íntima. Todavia considerando-me indigna de tal favor, comecei a pensar que merecia, com maior razão, estar naquele lugar que me estava destinado no inferno. O modo pelo qual nele me vi nunca me sai da memória. Com esta consideração, minha alma começou a inflamar-se mais. Sobreveio-me um arrebatamento de espírito que não sei descrever. Parecia-me estar imersa e repleta daquela majestade que já de outras vezes tenho entendido.
Nessa majestade compreendi uma verdade que é a plenitude de todas as verdades. Não sei dizer como, porque nada vi. Disseram-me - não sei quem, mas bem entendi ser a mesma Verdade: "Não é pouco isto que faço por ti: é uma das maiores graças de que me és devedora. Todo dano que vem ao mundo é porque os homens não conhecem com clareza as verdades da Escritura, da qual nem um til se deixará de cumprir."
Veio-me ao pensamento que sempre o havia crido e que todos os fiéis o crêem. O Senhor voltou a dizer-me: "Filha, quão poucos me amam verdadeiramente. Se me amassem, não lhes encobriria meus segredos. Sabes o que é amar-me de verdade? É compreender que tudo quanto não me agrada é mentira. Claramente verás isto, pelo fruto que sentirás em tua alma e que agora não entendes!"
Assim tem acontecido, Deus seja louvado! Desde então tudo que vejo não ir endereçado ao serviço de Deus, de tal modo me parece vaidade e mentira, que não saberia exprimir até que ponto o entendo. Que lástima sinto pelos que vivem em trevas acerca desta verdade!
Sta Teresa D'Avila, Livro da vida, Cap. 40, n.1-2.
Jesus é Rei - Sta Teresa D'Avila
Vendo o Senhor e com ele conversando tão contínua e intimamente, comecei a sentir por ele maior amor e confiança. Compreendi que é Deus, mas é também homem e não se espanta das fraquezas dos homens. Conhece bem nossa miserável natureza, sujeita a muitas quedas em consequência do primeiro pecado que ele veio reparar. Embora seja Senhor, posso tratar com ele como com um amigo. Verifiquei que não é como os potentados da terra, que fazem consistir todo o seu poderio no aparato exterior. Marcam dias e honras para suas audiências e só certas pessoas lhes podem falar em particular. Se um pobrezinho tem algum negócio a tratar, à custa de quantos rodeios, empenhos e trabalhos chega a aproximar-se!
E que será falar com o rei! Aqui é proibida a entrada à gente pobre sem brasões. Não há remédio senão recorrer aos mais privados, que certamente não serão pessoas que tenham o mundo debaixo dos pés. Estes nada temem nem devem temer, e por isso dizem a verdade: não são feitos para os palácios onde não se usa de franqueza. Na corte é forçoso calar o que se desaprova, e nem sequer se ousa ter um pensamento contrário, pelo receio de ser desfavorecido.
Ó Rei da glória e Senhor de todos os reis, vosso império não é uma armação de pauzinhos. É reino que não tem fim! Não há necessidade de intermediários para chegar a vós! Só de contemplar vossa pessoa, logo se vê que sois o único a merecer que vos chamem Senhor. É tal a Majestade que mostrais que não há necessidade de séquito nem de gente de guarda para dar a conhecer que sois rei.
Um rei da terra, estando só, dificilmente se fará reconhecer como tal. Por mais que se queira dar a conhecer, não o acreditarão, pois em si mesmo não tem mais que os outros. É preciso que se veja aparato régio, para crer. É justo usar de certas pompas que conferem autoridade. Se não as tiver, não o respeitarão. É que não lhe vem de si a aparência de poderoso. A autoridade lhe vem de outros.
Ó Senhor meu! ó Rei meu! Quem saberia descrever agora a majestade que tendes! É impossível deixar de ver que sois imperador, por serdes vós quem sois. A vista de vossa Majestade enche de assombro. A par de tanta grandeza, Senhor, mais espanta ver vossa humildade e o amor que mostrais a uma criatura como eu. Em tudo podemos tratar e falar como quisermos convosco. Passado o primeiro espanto e temor de ver a Vossa Majestade, fica-nos um temor ainda maior, para nunca mais vos ofendermos. Não é por medo de castigo, Senhor meu. Este não conta comparado ao mal de vos perder.
Sta Teresa D'Avila, Livro da vida. cap.37, n.5-6.
Consequências do ecumenismo
"As consequências do ecumenismo são a indiferença religiosa e a ruína das missões. É hoje uma opinião geralmente difundida entre os meios católicos de que alguém se pode salvar muito bem em qualquer religião. O apostolado missionário não tem mais nenhum sentido, e acontece com frequência que se recuse receber na Igreja convertidos de outras religiões, que, entretanto, queriam se tornar católicos. A atividade missionária se tornou uma ajuda social. Isso está em flagrante oposição à ordem de Nosso Senhor: 'Ide, ensinai a todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; e ensinai-os a observar tudo o que vos ordenei.' (Mt 28,19)"
Pe. Matthias Gaudron, Catecismo católico da crise na Igreja
Sta Teresa D'Avila sobre a Inquisição
Também começou aqui o demônio, de boca em boca, a espalhar e dar a entender que eu tinha tido alguma visão ou revelação sobre o caso. Várias pessoas vinham a mim, com muito medo, dizer-me que os tempos não andavam bons. Poderiam levantar contra mim algum falso testemunho e denunciar-me aos inquisidores. Achei graça na idéia. Fez-me rir, porque neste ponto nunca temi. Tinha consciência de que, em matéria de fé, eu estava pronta a morrer mil vezes para não ir contra a menor cerimônia da Igreja, ou por qualquer verdade da Sagrada Escritura. Respondia, pois, que a esse respeito nada receassem. Em bem mau estado andaria minha alma se nela houvesse coisa de tal natureza, que me fizesse temer a Inquisição. Se eu imaginasse haver necessidade, seria a primeira a ir buscá-la. Se eram falsas as acusações, o Senhor tomaria minha defesa, fazendo redundar tudo em meu proveito.
Sta Teresa D'Avila, Livro da vida, Cap. 33, n.5.
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Daqui se depreendem algumas coisas:
- A denúncia aos Inquisidores poderia se dar através de falso testemunho, obviamente. Mas a santa não tinha medo disso, pois, como se sabe, a Inquisição agia através de investigações. Não sendo comprovado o tema da preocupação, a punição recairia sobre o denunciador, se porventura este tivesse sido movido por inveja ou algum outro motivo infundado;
- Sta Teresa D'Avila, sabendo disso, se ri;
- Sta Teresa D'Avila revela que a Inquisição investigava as coisas a partir de duas fontes: a doutrina da Igreja e as verdades da Sagrada Escritura, sendo falso, portanto, o que dizem alguns de que os Inquisidores ignoravam a Bíblia. Portanto, não se pense que Lutero fosse melhor formado que os Inquisidores e residisse a razão do interrogatório que lhe fizeram no fato de ele basear-se na Escritura. Pelo contrário, tudo isso se baseava nos erros doutrinais e teológicos de Lutero que não encontravam base nenhuma na Bíblia.
Sta Teresa D'Avila é levada ao inferno, onde sofre a angústia dos condenados
Havia muito tempo que o Senhor me fazia muitas graças já referidas e outras ainda maiores, quando um dia, estando em oração, achei-me subitamente, ao que me parecia, metida corpo e alma no inferno. Entendi que o Senhor queria fazer-me ver o lugar que os demônios aí me haviam preparado, e eu merecera por meus pecados. Durou brevíssimo tempo. Contudo ainda que vivesse muitos anos, acho impossível esquecê-lo. A entrada pareceu-me um túnel longo e estreito, semelhante a um forno muito baixo, escuro e apertado. O chão tinha aparência de uma água, ou antes, de um lodo sujíssimo e de odor pestilencial, cheio de répteis venenosos. No fundo havia uma concavidade aberta numa parede, como um armário, onde me vi, encerrada de maneira muito apertada. Tudo isto era agradável em comparação do que ali senti. O que escrevo está muito longe da verdade.
O tormento interior é tal, que não há palavras para o definir, nem se entende como é realmente. Na alma senti tal fogo, que não tenho capacidade para o descrever. No corpo eram incomparáveis as dores. Tenho passado nesta vida dores gravíssimas. No dizer dos médicos são as maiores que se podem sofrer, como, por exemplo, quando se encolheram todos os meus nervos, e fiquei tolhida. Já não falo de outras muitas dores de diversos gêneros e até algumas causadas pelo demônio. Posso afirmar que tudo foi nada em comparação do que ali experimentei.
O pior era saber que seria sem fim, sem jamais cessar. Sim, repito, tudo mais pode chamar-se nada em relação ao agonizar da alma: é um aperto, um afogamento, uma aflição tão intensa, e acompanhada de uma tristeza tão desesperada e pungente, que não sei como posso explicar semelhante estado! Compará-lo à sensação de que vos estão sempre a arrancar a alma, é pouco. Em tal caso, seria como se alguém nos acabasse com a vida. Aqui é a própria alma que se despedaça. O fato é que não sei como descrever aquele fogo interior e aquele desespero que nos sobrepõem a tão grandes tormentos. Eu não via quem os provocava, mas sentia-me queimar e retalhar. Piores, repito, são aquele fogo e aquele desespero que me consumiam interiormente.
Em lugar tão pestilencial, sem esperar consolo, é impossível sentar-se, ou deitar-se, nem há espaço para tal. Puseram-me numa espécie de fenda cavada na muralha. As próprias paredes, espantosas à vista, oprimem, e tudo ali sufoca. Por toda parte trevas escuríssimas. Não há luz. Não entendo como, sem claridade, se enxerga tudo, causando dor nos olhos. Nesta ocasião, o Senhor não quis que eu visse mais de tudo aquilo que há no inferno.
Em outra visão, vi coisas horripilantes acerca do castigo de alguns vícios. Pareceram muito mais horrorosas à vista. Como não sentia a pena, não me causaram tanto temor como na primeira visão, na qual o Senhor quis que eu verdadeiramente sentisse aquelas torturas e aquela aflição de espírito como se o corpo as estivesse padecendo. Como foi isso, não sei, mas bem entendi ser grande graça do Senhor querer que eu visse, com meus olhos, de onde sua misericórdia me havia livrado.
Verdadeiramente é nada ouvir discorrer, ou ainda meditar, sobre a diversidade dos tormentos, como eu de outras vezes havia feito, embora raramente. A feição de minha alma não é ser levada pelo temor. Lia que os demônios atenazam as almas e lhes infligem outros suplícios. Tudo é nada a respeito da verdadeira pena, que é muito diferente. Numa palavra, é tão diferente quanto o esboço o é da realidade. Queimar-se aqui na terra é sofrimento muito leve em compaixão com aquele fogo de lá.
Fiquei tão aterrorizada, e ainda agora o estou enquanto escrevo, apesar de terem decorrido quase seis anos. De tanto temor, tenho a impressão de ficar gelada. Desde então, ao que me recordo, cada vez que tenho sofrimentos ou dores, tudo o que se pode passar na terra me parece nada. Penso que em parte nos queixamos sem motivo. Foi esta, repito, uma das maiores graças que o Senhor me fez. Valeu-me imensamente, quer para perder o medo quanto às tribulações e contradições desta vida, quer pare me esforçar em padecê-las e a dar graças ao Senhor, por me ter livrado, ao que agora me parece, de males tão perpétuos e terríveis.
Desde então, tudo me parece fácil comparado a sofrer um momento o que lá padeci. Admiro-me de como, havendo lido muitas vezes livros nos quais se dá alguma idéia das penas do inferno, não as temesse, nem as levasse muito em consideração. Onde estava eu? Como podia achar descanso em caminho que conduzia a tão mau lugar? Sede bendito, Deus meu, para sempre! E como deixastes ver que me amáveis muito mais do que eu a mim mesma! Quantas vezes, Senhor, me livrastes de tão tenebroso cárcere e como eu tornava a meter-me nele contra vossa vontade!
Senti imensa compaixão vendo tantas almas que se condenam, especialmente desses luteranos, que já pelo batismo eram filhos da Igreja. Daí também me vieram fortes ímpetos de salvar almas. Padeceria mil mortes de muito boa vontade, para livrar ainda uma só alma de tão grandes tormentos. Vendo aqui na terra uma pessoa a quem amamos metida em grandes sofrimentos ou dores, nossa própria natureza nos move à compaixão. Quanto maior o seu padecimento, mais nos afligimos. Que será ver uma alma, sem esperança de fim, imersa no sofrimento que é o auge dos sofrimentos? Quem poderá suportar? Não há coração que o pondere sem grande lástima. Com efeito, se aqui na terra nos movemos a tanta compaixão, não sei como podemos sossegar à lembrança desse outro mal que não acaba! E vemos tantas almas que o demônio cada dia arrasta consigo.
Isto igualmente me faz desejar que, em matéria que tanto nos importa, não nos contentemos, enquanto não tivermos feito tudo que estiver ao nosso alcance para livrá-las. Praza ao Senhor, seja servido de nos dar graça para isto! Faço ainda esta consideração: embora tão perversa como sou, eu vivia com algum cuidado de servir a Deus. Não fazia certas coisas que se fazem no mundo como quem bebe um copo de água. Afinal de contas, padecia graves enfermidades e com muita paciência concedida pelo Senhor. Não era inclinada a murmurar, nem a falar mal do próximo, nem capaz de querer mal a pessoa alguma. Não tinha cobiça, nem ao que me lembro, jamais tive inveja, de modo a ser ofensa grave ao Senhor. Possuía ainda outras boas qualidades. Embora tão ruim, sentia quase sempre o temor de Deus. Entretanto vi a morada que os demônios já tinham preparado para mim!
Verdade é que, pelas culpas, ainda me parecia merecer maior castigo. Digo, contudo, que era terrível tormento. É perigoso contentarmo-nos com pouco. Sobretudo não sei como a alma que anda caindo a cada passo em pecado mortal pode ter sossego ou satisfação. Por amor de Deus, fujamos das ocasiões. O Senhor virá em nosso auxílio, como fez comigo. Praza a Sua Majestade não me largar de sua mão, de modo que eu torne a cair. Já vi onde irei parar. Não o permita o Senhor, por quem Sua Majestade é. Amém.
Sta Teresa D'Avila, Livro da vida. Cap. 32, n.1-7.
Sta Teresa D'avila fala sobre S. Pedro Alcântara, padroeiro do Brasil
Que bom modelo o Senhor agora nos levou chamando a si o bendito frei Pedro Alcântara! O mundo já não é capaz de suportar tanta perfeição. Dizem que as saúdes estão mais fracas e que os tempos mudaram. Este santo homem viveu em nossos dias. Possuía o espírito robusto, como os santos de outrora; sabia desprezar o mundo. Ainda que não andemos descalços nem façamos tão áspera penitência com ele, muitas coisas há, como tenho dito por várias vezes, em que se pode também menosprezar o mundo. O Senhor o ensina quando encontra ânimo. E que grande coragem Sua Majestade deu ao referido santo para fazer durante quarenta e sete anos tão áspera penitência, como todos sabem. Quero dizer a este respeito alguma coisa, e sei que é a pura verdade.
Ele mesmo contou-me e a outra pessoa para a qual não tinha segredos. Contou-o devido à grande afeição que sentia por mim, inspirada pelo Senhor, a fim de que tomasse minha defesa e me animasse em tempo de tanta necessidade, como já disse e direi ainda. Parece-me que foram quarenta anos os que me disse ter passado dormindo apenas hora e meia entre a noite e o dia. Vencer o sono foi de todas as penitências a que mais lhe custou no princípio, e para isto estava sempre de joelhos ou de pé. Quando dormia era assentado, com a cabeça apoiada a um toco de madeira, que tinha pregado à parede. Deitar-se, ainda que quisesse, não podia, porque sua cela, como é sabido, não tinha mais de quatro pés e meio de comprimento. (Aproximadamente 1,37m.)
Em todos esses anos jamais se cobriu com o capuz, por mais ardente que fosse o sol, ou mais intenso aguaceiro que houvesse. Não trazia calçado nos pés, vestia apenas um hábito de saial, sem outra roupa sobre a pele. Esse hábito era tão estreito quanto podia ser, e por cima usava um manto pequeno do mesmo pano. Contou-me que tirava este nos grandes frios e deixava a porta e o postigo da cela abertos para depois, pondo de novo o manto e fechando a porta, contentar o corpo e fazê-lo sossegar com algum agasalho. Era-lhe muito frequente comer só no fim de três dias. Perguntou-me por que razão me espantava, pois era muito possível a quem o tivesse por costume. Disse-me um seu companheiro que acontecia a este santo passar oito dias sem comer. Devia ser quando estava em oração, pois tinha grandes arroubamentos e ímpetos de amor de Deus, como certa vez presenciei.
Sua pobreza era extrema. Foi tal sua mortificação na mocidade que, segundo me contou, aconteceu-lhe viver três anos numa casa de sua Ordem sem conhecer frade algum a não ser pela fala, porque jamais levantava os olhos. Não sabia ir aos lugares aonde o dever o chamava, a não ser andando atrás dos outros religiosos. O mesmo lhe ocorria pelos caminhos. Jamais olhou mulher alguma durante muitos anos. Dizia-me que tanto lhe era indiferente o ver como o não ver.
Era muito velho quando o conheci, e tão extrema sua magreza, que parecia feito de raízes de árvores. Com toda esta santidade, era muito afável, embora de poucas palavras, exceto quando interrogado. Sua conversa era muito agradável, possuía um espírito encantador. Outras coisas quisera mencionar, mas receio que Vossa Mercê pergunte por que me intrometo em tal assunto, e foi com temor que o escrevi. Assim conclui dizendo que seu fim foi semelhante à sua vida. Morreu pregando e admoestando a seus religiosos. Quando viu que havia chegado sua hora, disse o salmo Laetatus sum in his quae dicta sunt mihi (Sl 121. Alegrei-me com o que foi dito), e, de joelhos, expirou.
Depois, o Senhor tem permitido que me encontre com ele mais do que durante sua vida, e seja aconselhada por ele em muitos pontos. Tenho-o visto várias vezes em imensa glória. Na sua primeira aparição, além de outras coisas, disse-me: feliz penitência que lhe obtivera tal prêmio. Um ano antes de morrer, estando ausente, apareceu-me. Tive uma revelação de que estava próxima sua morte, e mandei-lhe avisar, a algumas léguas daqui. Ao expirar apareceu-me e disse-me que ia entrar em seu descanso. Não acreditei e contei-o a algumas pessoas. Ao fim de oito dias chegou a notícia de que morrera, ou, para melhor dizer, começara a viver para sempre.
Ei-la, pois, acabada esta vida tão penitente, com tão grande glória! Parece-me que agora me consola muito mais do que no tempo em que estava na terra. Disse-me uma vez o Senhor, que concederia tudo o que pedissem em nome deste santo. Muitas coisas lhe tenho encomendado para que as peça ao Senhor e todas tenho visto cumpridas. Seja ele bendito para sempre. Amém.
Sta Teresa D'Avila, Livro da Vida, Cap. 27, n.16-21.
Os grandes fervores dos santos estão esquecidos
"Pensamos talvez que seja maior serviço de Deus sermos tidos por sábios e por discretos. Deve ser, deve ser, a julgar pela discrição que está em voga. Logo imaginamos ser pouco edificante não andar com muita compostura e dignidade, como requer o nosso estado. Até o frade, o sacerdote, a monha, consideram motivo de escândalo para os fracos usar hábitos velhos e remendados. É novidade! O mesmo dizem de andar recolhido e ter oração. O mundo está de tal forma perdido, que já não se usam mais as práticas de perfeição. Os grandes fervores dos santos estão esquecidos.
Isto causa maior prejuízo e contribui mais para as infelicidades dos nossos tempos, que o pretenso escândalo causado por religiosos que manifestam por obras e por palavras seu total menosprezo pelo mundo. Destes escândalos o Senhor tira grandes proveitos. E se uns se escandalizam, outros caem em si e sentem remorsos. Prouvera a Deus que aparecesse ao menos um esboço de como Cristo viveu com seus apóstolos, pois agora, mais do que nunca, seria necessário."
Sta Teresa D'Avila, Livro da Vida, Cap.27, n.15.
Quatro regras orientadoras para se discernir um verdadeiro "carismático" que possua o dom da cura ou libertação
1ª, que o indivíduo (ou a comunidade) viva intensamente conforme o Evangelho;
2ª, que seja completamente desinteressado (e recuse todas as ofertas, mesmo sabendo que com elas pode ficar milionário);
3ª, que utilize os meios habitualmente admitidos na Igreja, sem excentricidades ou superstições (que utilize orações e não fórmulas mágicas; sinal da cruz, imposição das mãos sem nada que ofenda o pudor; que utilize água benta, incenso, relíquias sem nada que seja estranho ao normal uso eclesiástico); que reze em nome de Jesus;
4ª, que os frutos sejam bons. A regra evangélica "é pelo fruto que se conhece a árvore" (Mt 12,33) constitui sempre o critério fundamental.
Acrescentamos outras características que são típicas das curas obtidas pela via carismática. Estas agem sobre todas as doenças, mesmo maléficas, isto é, provocadas pelo demônio, e não se fundamentam na capacidade ou na força humanas, mas na oração feita com fé, na força do nome de Jesus e na intercessão da Virgem e dos santos. O carismático não perde a energia e não tem, portanto, necessidade de descansar para retomar forças (como fazem os curandeiros, os vedores e similares), não se verificam reações físicas, pois é apenas um intermediário ativo da graça. As curas carismáticas não tendem a elevar o carismático a um pedestal, mas a louvar a Deus e fortalecer a fé e a oração.
Ps.: o termo "carismático" não designa necessariamente um membro da RCC.
Quando o demônio se serve de uma pessoa para atingir grupos - exemplos de Hitler, Marx e Stalin, entre outros
Perguntaram-me, também, se era possível atingir comunidades de pessoas através da magia. Respondo afirmativamente. Este assunto, porém, merece só por si um estudo separado. Também aqui, como em todo o meu livro, contento-me em chamar a atenção para as coisas. É possível que o demônio se sirva de uma pessoa para atingir grupos, mesmo muito numerosos, suscetíveis de dominar até uma nação inteira ou de estender a sua influência sobre várias nações. Penso que, na nossa época, Karl Marx, Hitler e Estaline fizeram parte dessas pessoas. As atrocidades dos nazis, os horrores do comunismo e os massacres de Estaline atingiram um nível de perfídia verdadeiramente diabólico.
Fora do domínio político, não hesito em dizer que certas músicas e certos cantores, cujos concertos provocam um frenesi que pode engendrar manifestações de extrema violência ou de vontade destruidora, são veículos de Satanás.
Mas há outros casos, mais fáceis de controlar e de curar (embora as possessões coletivas sejam sempre muito difíceis de curar), em que foram atingidos grupos de alunos ou comunidades como, por exemplo, comunidades religiosas. É incrível a habilidade para conseguir enganar e fazer penetrar os piores erros em grupos inteiros. Há quem pense que é mais fácil enganar uma multidão do que um indivíduo, e a verdade é que o demônio pode atingir grupos, mesmo muito numerosos. Assinalemos, contudo, que existe quase sempre, nestes casos, um consenso humano de livre adesão à obra satânica: por interesse, por vício, por ambição, por tantos motivos possíveis.
A influência do demônio sobre a coletividade é uma das mais perigosas e mais poderosas armas. Daí a insistência dos últimos pontífices a este respeito. Refiro-me aqui ao discurso de Paulo VI, em 15 de novembro de 1972, e ao de João Paulo II, em 20 de agosto de 1986.
Satanás é o nosso pior inimigo e sê-lo-á até o fim dos tempos. É por isso que ele usa a sua inteligência e os seus poderes para entravar os planos de Deus que, ao contrário, deseja a salvação de todos nós. A nossa força é a Cruz de Cristo, o seu sangue, as suas chagas, a obediência às suas Palavras e à sua instituição que é a Igreja.
Pe Gabriele Amorth sobre o espiritismo - É possível invocar os mortos? Uma única exceção.
O espiritismo está presente em todas as culturas e povos. O médium tem o papel de intermediário, entre os espíritos e o homem, emprestando a sua energia (voz, gestos, escrita...) ao espírito que se deseja manifestar. Pode acontecer que os espíritos invocados, que são sempre e só demônios, tomem posse sobre algum dos presentes. A Igreja sempre condenou as sessões de espiritismo e a participação nelas. Não é consultando Satanás que se aprenderá alguma coisa de útil.
Mas será verdadeiramente impossível evocar os mortos? São sempre e unicamente os demônios que se manifestam durante as sessões dos médiuns? Sabemos bem que a existência desta dúvida junto dos crentes resulta de uma única exceção. A Bíblia menciona um só e único caso, quando Saul se dirige a uma pitonisa e lhe impõe: "Prediz-me o futuro, invocando um morto, e faz-me chegar àquele que eu te disser" (1Sm 28,8). Neste caso, Samuel, que tinha morrido havia pouco tempo, apareceu efetivamente. Deus permitiu esta exceção, mas lembremos o grito horroroso que a pitonisa deu ao ver Samuel e, sobretudo, a grave reprovação que este fez: "Por que é que me perturbaste invocando-me?" (1Sm 28,15).
É preciso respeitar os mortos e não os importunar. Sendo o único relato na Bíblia, notemos o seu caráter excepcional. Eu concordo com a opinião de um psiquiatra e exorcista protestante a este respeito: "É puro egoísmo e crueldade querermos ficar agarrados aos nossos defuntos ou querer chamá-los para junto de nós. Eles têm necessidade é da libertação eterna e não de ser envolvidos nas coisas e nas pessoas deste mundo..." (Kenneth McAll, Fino alle Radici, Ancora, p.141).
Demônio diz como é o inferno
O padre Cândido fez, muitas vezes, perguntas ao demônio, presente em pessoas de todas as idades; mas prefere fazê-lo às crianças porque, desta forma, ainda é mais evidente, uma vez que elas não têm capacidade para dar resposta por si próprias. Nesses casos, a presença do demônio é praticamente confirmada. Perguntou um dia a uma adolescente de 13 anos: "Dois inimigos, que se odiaram de morte durante toda a vida, acabaram ambos no Inferno: como será lá o relacionamento entre eles, uma vez que ficarão juntos por toda a eternidade?"
Eis a resposta: "Como tu és estúpido! No Inferno, cada um vive virado sobre si próprio e atormentado pelos remorsos. Não há relacionamento com ninguém; cada um encontra-se na mais completa solidão a chorar desesperadamente o mal que fez; é como um cemitério."
São inteligentes os que negam Deus? O demônio responde.
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| Pe. Cândido Amantini |
[A presença do demônio em possessos] também se torna evidente perante certas respostas profundas, sobretudo se são dadas por crianças. O padre Cândido quis fazer perguntas complicadas a uma criança de 11 anos, depois de se ter revelado nela a presença do demônio. Perguntou-lhe: "Há sobre a terra grandes cientistas, pessoas altamente inteligentes que negam a existência de Deus e a vossa. O que é que tu dizes?" Ao que a criança respondeu, imediatamente; "Altamente inteligentes? Que altíssimas inteligências! São altíssimas insipiências!" E o padre Cândido acrescentou, fazendo referência expressa aos demônios: "Há alguns que negam Deus conscientemente, com a sua vontade. O que é que achas disso?" A criança possessa deu um salto e disse furiosa: "Toma atenção. Lembra-te que nós quisemos reivindicar a nossa liberdade também diante dele. Dissemos-lhe não para sempre." O exorcista insistiu: "Explica-me e diz-me lá que sentido tem reivindicar a sua própria liberdade diante de Deus, quando sem Ele tu és um zero, tal como me acontece a mim. É como se, no número 10, o zero se quisesse separar do um. O que é que acontecia? O que é que realizarias? Em nome de Deus, ordeno-te que respontas: O que é que fizeste de positivo? Vá, fala." O rapazinho, cheio de rancor e de ódio, contorcia-se, babava-se, chorava de forma terrível, inconcebível para uma criança de 11 anos e dizia: "Não me faças essa acusação! Não me faças essa acusação!"
Pe. Gabriele Amorth, Um exorcista conta-nos. 8ª Ed. Prior Velho: Paulinas, 2012. p. 79-80.
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