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Diante de ti pende o Salvador na cruz...


Diante de ti pende o Salvador na cruz, porque se tornou obediente e assim foi até a morte de cruz. Ele veio a esse mundo não para fazer a sua vontade, mas a vontade do Pai... Teu salvador pende frente a ti na cruz, nu e entregue porque escolheu a pobreza. Quem quiser segui-lo tem que abandonar todos os bens terrenos... Teu salvador pende diante de ti com coração aberto. Derramou o sangue de seu coração para conquistar teu coração. Queres segui-lo na pureza santa, então teu coração deve estar purificado de todo desejo terreno: Jesus crucificado, o único objeto de teu anelo, de teu desejo, de teus pensamentos...

É o coração amoroso de teu redentor que te convida para segui-lo, exigindo tua obediência, porque a vontade humana é cega e fraca. Ela não consegue encontrar o caminho enquanto não entregar-se totalmente à vontade de Deus. Exige a pobreza, porque as mãos devem estar vazias dos bens terrenos, para receber os bens celestes. Exige a castidade, porque é só pela desvinculação do coração de todo amor terreno que ele se torna livre para o amor de Deus. Os braços do crucificado estão estendidos para atrair-te ao seu coração. Ele quer tua vida, para doar-te a sua. Ave crux, spes unica

O mundo está em chamas, o incêndio pode atingir também nossa casa. Mais alto, acima das chamas, alcança a cruz e elas não a podem consumir. É o caminho que vai da Terra ao céu. Quem a abraça crendo, amando, esperando, a esse a cruz carrega para o seio da Trindade. O mundo está em chamas. Impinge-te apagá-las? Olhe para a cruz. Do coração aberto jorra o sangue do redentor, isso extingue as chamas do inferno, torna teu coração livre, capaz de cumprir fielmente teus votos, então a inundação do amor divino se derrama em teu coração até inundá-lo e torná-lo fecundo até os confins da Terra... 

Em todos os lugares de miséria podes estar na força da cruz; onde quer que seja o amor misericordioso te sustenta, o amor que vem do coração de Deus; onde quer que seja, ele lança seu sangue precioso - amainando, curando, redimindo.

Edith Stein, Teu coração deseja mais.

Participar dos Sofrimentos de Cristo - Caminho de união com Deus


O peso da cruz, que o Cristo carregou sobre si, é a degeneração da natureza humana com todas as consequências do pecado e do sofrimento, com o que se abateu a humanidade decaída. Retirar esse peso do mundo é o sentido da via crucis. O retorno da humanidade liberta para o coração do Pai Celeste, a adoção como filhos é um livre presente da graça, do amor misericordioso, mas não pode acontecer a custo da santidade e justiça divina.

Toda a soma de falhas humanas, desde a queda originária até o dia do juízo final, deve ser extirpada pela proporção correspondente de atos de expiação.

A via crucis é essa expiação. As três quedas sob o peso da cruz correspondem à tripla queda da humanidade: o primeiro pecado original, a rejeição do redentor por seu povo eleito, a decadência daqueles que trazem o nome de cristãos. O Salvador não está sozinho na via crucis e ao seu redor não há apenas inimigos, que o oprimem, mas também pessoas que lhe dão apoio: como protótipo originário dos seguidores da cruz, em todos os tempos, a Mãe de Deus; como tipologia daqueles que aceitam em si o sofrimento que lhes é imposto e experimentam sua bênção na medida em que o carregam, temos Simão Cirineu; como representante dos que amam, que são impingidos a servir o Senhor, temos Verônica. Cada um que, no decorrer dos tempos, carrega com paciência um destino pesado, pensando no Salvador sofredor, ou que assume sobre si voluntariamente ações de expiação, extinguiu com isso algo do violento peso da culpa que pesa sobre a humanidade e ajudou o Senhor a carregar seu peso; mais que isso: Cristo, o cabeça, faz expiações nos membros de seu corpo místico que se colocam à disposição dele de corpo e alma para sua obra da redenção. Podemos admitir que a visão dos fiéis que o seguiriam em seu caminho de sofrimento confortou o Salvador na noite em que passou no Monte das Oliveiras, e a força desses que carregam a cruz veio em seu auxílio em todas as quedas.

Os justos da Velha Aliança são os que o acompanham no trecho de caminho entre a primeira e a segunda queda. Os discípulos e as discípulas que se juntaram a Ele durante sua vida terrena são os que auxiliaram no segundo trecho do caminho. Os que amam a cruz que Ele convocou e convoca novamente na história turbulenta da Igreja militante são os companheiros da aliança no fim dos tempos.

Também nós somos convocados para isso. Não se trata, portanto, de uma recordação piedosa das dores do Senhor, quando alguém deseja sofrer, mas voluntariamente a expiação é aquilo que liga verdadeira e realmente, de maneira profunda, com o Senhor. Surge por um lado da ligação já existente com Cristo, isso porque o homem natural foge do sofrimento.

Desejar sofrimentos é algo que só pode alguém a quem se lhe abriu o olhar do espírito para os nexos sobrenaturais do acontecer no mundo; mas isso só é possível acontecer em pessoas onde vive o Espírito de Cristo, que, como membros, recebem do cabeça sua vida - sua força, seu Espírito e sua orientação.

Por outro lado, as ações de expiação ligam ao Cristo de maneira mais íntima, assim como toda e qualquer comunidade vai tornando-se sempre mais íntima com o trabalho conjunto em uma obra, e como os membros de um corpo em sua confluência orgânica vão tornando-se cada vez mais fortemente uma unidade. E uma vez que o ser um com o Cristo representa nossa bem-aventurança e o avanço do tornar-se um com Ele, vai constituindo nossa ventura sobre a terra, por isso a via crucis de modo algum está em contraposição com a feliz filiação divina. Ajudar a carregar a cruz de Cristo traz uma pura e intensa alegria, e aqueles que têm o direito e o podem fazer, os edificadores do Reino de Deus, são os mais autênticos filhos de Deus. E assim, a predileção pela via crucis de modo algum significa esquecer que a Sexta-feira da Paixão já se passou e que a obra da redenção está completa. Só os redimidos, só os filhos da graça que podem carregar a cruz de Cristo. É só a partir da unificação com a cabeça divina que o sofrimento humano recebe força expiatória. Sofrer e ser feliz no sofrimento, estar de pé sobre a terra, caminhar por entre os caminhos sujos e tortuosos desse mundo, no entanto reinar juntos com Cristo à direita do Pai, rir e chorar junto com os filhos desse mundo e cantar louvores a Deus sem parar, junto com os coros dos anjos, isso é a vida do cristão até que irrompa a manhã da eternidade.

Edith Stein, Teu coração deseja mais.

A absoluta gratuidade do amor divino


Aquilo que para nós, sem dúvida, é mais incompreensível em Deus é que, bastando-se perfeitamente a si mesmo, não precisando de nada, não podendo ganhar nada de nada, tenha criado o Mundo e o Homem, que ele ame, que haja nele alguma coisa que corresponde ao que chamamos uma "conduta", pela qual parece ter necessidade do Homem, de se entregar a uma espécie de luta com o Homem para o conquistar e arrancar às consequências das faltas que o Homem comete graças a um livre arbítrio que o próprio Deus lhe deu, e que Deus respeita, apesar de ser de tudo o senhor absoluto.

Ao considerar a criação e a redenção, dir-se-ia de verdade que Deus tem necessidade do Homem, que ele não pode resistir ao amor que o impele a expandir-se, a querer que a sua felicidade não seja a única, que haja uma felicidade que, de certa maneira, se junte à sua. E, por outro lado, quando raciocinamos sobre Deus, compreendemos que Ele não pode ter necessidade de nada, que nenhuma felicidade pode acrescentar alguma coisa à sua, que nada pode aumentar o que quer que seja ao que Ele possui. E chega-se então a uma tal gratuidade no amor divino que o espírito desfalece, porque somos incapazes de nos elevarmos tão alto.

Um amor que dá sem necessidade de dar, sem nada que corresponda ao que chamamos um motivo, um desejo, sem nada esperar, nem mesmo a satisfação de ter dado, que não retribui absolutamente nada, rigorosamente nada ao que ama, em que a vantagem é unicamente para o que recebe, um amor que estritamente só tem efeito sobre o que recebe, não experimentando o que dá qualquer mudança de algum modo concebível - um unilateralismo tão absoluto ultrapassa-nos totalmente e dá vertigens quando se tenta representá-lo. 

Por isso toda a literatura sobre Deus faz uso de antropomorfismos. Apresenta-se o amor de Deus como um amor que lhe faz desejar o Homem, sofrer os pecados dos homens, lutar para conquistar o Homem, rejubilar com a virtude do Homem. Na realidade, tudo isso significa simplesmente que atos análogos ao que Deus realiza corresponderiam em nós a tais sentimentos.

Em Deus, nada há disso: o amor de Deus é pura gratuidade.

Jacques Leclerco, Diálogos do homem e de Deus.

Não me move, Senhor, para amar-Te...


Não me move, Senhor, para amar-Te
O Céu que me prometeste
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar, por isso, de ofender-Te

Tu me moves, Senhor,
Move-me ver-Te
Pregado em uma Cruz e escarnecido
Move-me ver Teu corpo e Tua morte

Move-me, enfim, o Teu amor
e de tal maneira, 
Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria,
E ainda que não houvesse inferno Te temeria.

Nada tens que dar-me para que eu Te queira,
Pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero, te quereria

Poesia Anônima, Frequentemente atribuída a Sta Teresa D'Avila

Leitor pergunta: Católicos adoram santos?


Um leitor surpreendentemente nos pergunta se nós, católicos, adoramos santos. Para que não me suponham aumentador da conversa, transcrevo:

"Ainda no assunto de santos, queria saber, a igreja católica adora imagens? Sendo que na bíblia, êxodo no capitulo 20, onde esta escrito os dez mandamentos, fala para n adorar imagem e nem escultura, e a igreja faz culto ligados a santos a padroeiros, e vs falam que os santos intercede por nós, como interceder? Se quando a pessoa a morre n sabe de nada, sua memoria está no esquecimento, então ele n tem como fazer nada, Então é um absurdo confiarmos que uma pessoa que morreu esteja intercedendo por nós, uma pessoa pode interceder por nos que Jesus.
Leia efésios 1:1, 2 
Êxodo 20:4,6
Eclesiastes 9:5,6
I Timóteo 2:5

Obrigado, e me explique por vcs defende isso?"

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Caro, quanto à pergunta geral, é óbvio que a Igreja não adora santos nem imagens. Ela adora somente a Deus. Quanto aos santos, a Igreja os venera. Este sempre foi um foco de confusão: protestantes não conseguem ver muita diferença entre adoração e veneração, mas isto é obviamente uma limitação da mente protestante, e não nossa. Com certeza, eles saberiam diferenciar o respeito que nutrem por um familiar de idade e a adoração a Deus. E, no entanto, não fazem esta distinção quando é hora de criticar a Igreja. A origem deste equívoco parece falar algo sobre as intenções dos que o perpetraram.

Vejamos como a Igreja define o que seja adoração:

"Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Dono de tudo o que existe, o Amor infinito e misercordioso. 'Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto' (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6,13). Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer o 'nada da criatura', que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que seu nome é santo.' A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo." (CIC, 2096-2097)

Quanto às imagens e venerações dos santos, a Igreja se refere a "veneração respeitosa", e esclarece:

"O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspeto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem." (2132)

A veneração é basicamente um ato de respeito, enquanto que a adoração é um ato pelo qual se reconhece que Deus é Deus e é o criador e salvador de tudo quanto existe, inclusive de todos os santos. Aliás, estes só são santos porque estão como que mergulhados em Deus. 

Quanto à passagem de Ex 20, em que se proíbe a confecção de ídolos, vê-se logo que isto não inclui todas as imagens, pois o próprio Deus manda, em várias ocasiões, que seus servos façam imagens: é o caso da serpente de bronze, dos querubins de ouro, dos bois no altar, das palmas em alto relevo que ilustram as paredes do templo de Salomão, etc.

As imagens que foram proibidas tinham a intenção de serem ídolos, isto é, de serem adoradas. Era sempre uma tentação para Israel, que vivia circundado por povos politeístas. Assim, como meio de preservar o povo na obediência ao Deus único, Ele o proibiu de fazer ídolos.

Além disso, o próprio livro de Deuteronômio dá uma outra razão para que não fossem feitas imagens, sequer de Deus: "Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que o Senhor vos falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida, em forma de ídolo..." (Dt 4,15-16)

Não se podia fazer imagens porque não havia qualquer referência de como fosse Deus. Contudo, a partir da Encarnação do Verbo, que é "a imagem do Deus invisível" (Cl 1,15) e que falou de Si mesmo que "Quem Me vê vê o Pai" (Jo 14,9), inaugura-se, diz o Catecismo, e o afirmou o Sétimo Concílio de Nicéia, em 787, uma nova economia das imagens.

Portanto, fazer imagens não é adorá-las. A imagem é um símbolo que aponta para outras realidades. É como uma foto. Ninguém pensa que a própria mãe virou papel depois de morta quando dela só se conservam fotos. E, no entanto, quando esta mesma foto é beijada, tampouco pensa o filho estar a beijar o papel, mas a sua mente liga-se espiritualmente à presença da sua mãe. É mais ou menos assim que acontece com os santos, com a diferença de que eles não são seres inertes com os quais nos ligamos apenas pela memória e imaginação, mas entre nós e eles ocorre um intercurso efetivo. E aqui entramos na segunda pergunta. Antes, porém, de respondê-la, transcrevamos as citações que o rapaz nos faz, e expliquemos uma a uma, conforme nos for conveniente.

Efe 1,1-2: "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos cristãos de Éfeso e aos que crêem em Jesus Cristo. A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!" - Só não entendi a relação dessa passagem com o ponto da discussão.

Ex 20,4-6: "Não farás para ti escultura nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus ensinamentos." - Já explicado. O próprio Deus mandou em outras diversas vezes que Israel fizesse imagens. A proibição de ídolos, e não de quaisquer imagens, se deve também às circunstâncias da época, como já dito.

Ecle 9,5-6: "Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida. Amor, ódio, ciúme, tudo já pereceu; não terão mais parte alguma, para o futuro, no que se faz debaixo do sol." - E aqui entramos no problema da imortalidade da alma que resolveremos já já; mas, antes, citemos o último texto.

1Tim 2,5: "Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem." - A resolução deste problema, não obstante ser bem mais fácil do que o outro, o pressupõe, pelo que responderemos primeiramente o anterior e, em seguida, este.

O livro do Eclesiastes, escrito por Salomão, trata da vaidade da vida e da efemeridade do mundo. Sua função é nos recordar que tudo aqui embaixo passa e que apegar-se a alguma das coisas transitórias é sem sentido. No trecho citado, vemos que o foco de Salomão não está em pronunciar-se sobre o além, mas sobre a terra mesmo: "não terão mais parte alguma, para o futuro, no que se faz debaixo do sol." "Embaixo do sol" significa nesta vida. E é óbvio que, nesta vida, já não há mais nada, uma vez que o corpo pereceu. Não há recompensa nem punição, e sua lembrança (a memória que os outros têm dele) está esquecida.

E uma prova de que ele se pronuncia sobre esta vida e não sobre a outra se encontra no capítulo 3, versículo 21: "Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra?" Aqui Salomão afirma categoricamente que não sabe. E, se não sabe, não pode pronunciar-se a respeito. É óbvio que a intenção dele, uma vez que confessa a própria ignorância, não é tratar desses assuntos, mas do mundo cá de baixo.

Além do mais, estamos no Antigo Testamento, e até então a revelação era apenas fragmentária. Somente a partir do Cristo é que saberemos as coisas com certos detalhes. E, ainda assim, é fato que as correntes judaicas mais ortodoxas não apenas criam na imortalidade da alma, como também na reencarnação, conceito que assumia o nome de Guilgul Neshamot. Ora, os judeus liam o livro do Eclesiastes e não encontravam dificuldade nenhuma em harmonizá-lo às suas crenças. Disto concluímos que a interpretação que fazem certas correntes protestantes a respeito desses versos é equivocada.

Por outro lado, provamos que há imortalidade da alma através da Sagrada Escritura por grande quantidade de textos, dentre os quais destacamos:

Samuel é invocado pouco depois de morrer e repreende Saul. Logo, não era demônio: 1Sm 28,8.

Moisés e Elias aparecem conversando com Jesus na Transfiguração: Mt 17, 3.

Jesus, na Parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro, afirma a realidade pós morte: Lc 16,19-31.

Jesus promete ao bom ladrão que ele irá ao Paraíso ainda naquele dia: Lc 23,43.

Jesus, depois da morte, vai pregar aos espíritos na prisão: 1Pe 3,19.

Os Apóstolos vêem Jesus caminhando sobre a água e pensam que é um fantasma: Mt 6,49.

Depois que Jesus ressuscita, os Apóstolos ficam achando que é um espírito, e Jesus diz: "tocai e vede: um fantasma não tem corpo nem ossos, como vede que tenho." Lc 24,39.

Paulo diz que prefere morrer para estar com Cristo: Fl 1,21ss

Paulo diz que enquanto vivemos no corpo estamos exilados, isto é, longe do Senhor: 2Cor 5,8

Etc.


Quanto ao segundo texto, o de Jesus como único mediador, explica-se muito facilmente.

O Pecado Original rompeu a comunhão entre o homem e Deus, e não havia nada que pudesse reatar esse convívio. Apenas Jesus Cristo, unindo-nos a Deus primeiramente em Si mesmo, na união hipostática, e, depois, esposando a todo o gênero humano a partir da Redenção, foi capaz de dar-nos, de novo, a vida. Então, fora d'Ele ninguém se salva. Ele é o único mediador absoluto.

Contudo, esta única mediação tornou possível, a partir de si mesma, outras mediações secundárias, que dependem dela e só existem por meio dela. Os santos não são poderes alternativos, fora de Deus. Pelo contrário, estão revestidos de Deus, participam da Sua natureza, e, deste modo, compondo o Seu corpo, podem interceder por nós do mesmo modo que cada um de nós pode interceder pelos demais. Vemos na Bíblia como Paulo sempre se recomenda às orações dos cristãos aos quais chama "santos". Ora, rezar por alguém é interceder, isto é, fazer a mediação entre alguém e Deus. Os protestantes vivem pedindo orações aos pastores, que, então, tornam-se intercessores. Esta intercessão, dando-se por dentro da mediação única do Cristo, é perfeitamente válida. Logo, isto não é um problema.

A Eucaristia - símbolo ou realidade?


Desde a época de Jesus, aquilo que Ele chama de "Minha carne e Meu sangue" tem sido causa de divisão. Naquela ocasião, no discurso sobre o Pão da vida, no qual Jesus se contrapõe ao maná do Antigo Testamento e anuncia que o verdadeiro pão é a Sua carne para a salvação do mundo, a maior parte dos ouvintes considerou muito duras e esquisitas aquelas expressões, pelo que se afastaram. Naquele desertar de pessoas, Jesus olhou para os apóstolos e perguntou se também eles queriam ir embora, ao que Pedro respondeu: "a quem iremos, Senhor, se só Tu tens palavras de vida eterna?"

Daqui se depreende que seguir a Jesus implica necessariamente comer a Sua carne e beber o Seu sangue, seja lá o que isso for. De fato, o significado de tais expressões tem dividido alguns dentre os cristãos no decorrer dos séculos. Docetas, albigenses, e, futuramente, os protestantes negaram que aí houvesse um sentido literal; seria, antes, uma expressão simbólica de outra coisa. Geralmente, crê-se que Jesus está se referindo à Sua palavra, ao Seu seguimento, etc.

Resolver este ponto seria fundamental para que se realizasse aquele desejo manifestado por Nosso Senhor na Sua oração sacerdotal: "Que todos sejam um" (Jo 17,21). Se é a compreensão do que seja a carne e o sangue de Jesus o que tem distanciado os cristãos, é preciso, então, tentar sanar esta dúvida. Contudo, pouco se aproveita que se entenda com a razão se o coração não manifesta um desejo de aderir à verdade, seja qual for.

Tentaremos neste texto lançar um olhar, com toda a sinceridade, sobre este problema. Queira Deus que possamos lançar alguma luz na mente dos leitores.

A principal objeção que se coloca é: "não seria isto uma expressão simbólica, similar àquela em que Jesus se diz 'a porta'?"

A isto responderíamos o seguinte:

O trecho bíblico em que Jesus fala mais claramente sobre o Seu corpo e o Seu sangue se encontra no Evangelho de São João, no famoso capítulo 6. Numa discussão com os judeus, Jesus diz que o verdadeiro Maná não é o do Antigo Testamento (que era alimento literal), mas "aquele que desceu do céu" (v.32-33), que é Ele mesmo. Jesus Se coloca como o pão (v.35), o que sugere que Ele será um alimento. O próprio fato de Ele ter nascido em Belém já diz muito, pois o nome Belém (Bethlehem) significa exatamente "casa do pão". Contudo, falta esclarecer a natureza deste alimento: era o alimento da verdade? Era o alimento do amor? Era o alimento da vivência cristã? Jesus mesmo dizia que o Seu alimento era fazer a vontade do Pai: esta vontade era o Seu "pão". Então notemos o seguinte: a palavra pão aparece aqui como um "símbolo" de outra coisa. Com efeito, é o símbolo comum usado para representar qualquer tipo de alimento. Na oração que nos ensinou, Jesus nos diz para pedir ao Pai pelo "pão nosso de cada dia", o que se refere aos alimentos necessários para a nossa subsistência. Contudo, se Ele é o "pão" que se substitui ao maná da travessia do Egito - que era comida mesmo -, então convém que a coisa simbolizada, ainda que não seja pão literal, seja um alimento literal. A discussão segue e os judeus estranham o fato de Ele se dizer ter vindo do céu - já que conheciam os Seus pais. Jesus então esclarece o que seria esse pão: "o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo." (v.51)

Notemos o seguinte: esta assertiva final pretende explicar qual seria, na realidade, aquele alimento. Jesus não poderia esclarecer a natureza do pão usando outro símbolo. O que ocorre aqui é antes o desvelamento do símbolo: o pão é a carne d'Ele.

Ao ouvirem isso, os judeus ficam escandalizados: "como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?" (v.52), e Jesus, ao invés de tirar-lhes a má impressão, ou de chamá-los de "lentos para crer", ou de "homens sem inteligência", como costumava fazer quando os seus ouvintes não O compreendiam, somente reforça a idéia: "Em verdade em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (v.53-54)

Segundo Jesus, o meio pelo qual teremos a vida em nós mesmos é comendo a "carne do Filho do homem e bebendo o seu sangue". Esta vida é a vida d'Ele, que nos é comunicada através deste alimento. Não há símbolos aí.

E a coisa fica ainda mais complicada para a objeção levantada quando, no versículo 55, Jesus declara: "a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida." Ora, o termo "verdadeiramente" (ἀληθής - alethes - verdadeiro, real) tem o significado de "literal".

Além deste trecho, os outros no Novo Testamento que trazem o mesmo termo "verdadeiramente" são os seguintes: 

- "Então, aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: és verdadeiramente o filho de Deus." (Mt 14,33)
- "O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!" (Mt 27,54)
- "Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão." (Lc 24,34)
- "E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo." (Jo 4,42)
- "À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo." (Jo 6,14)
-"Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." (Jo 8,36)
- Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. (Jo 17,8)
- "Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus." (At 12,11)
- "Por este motivo, julguei necessário rogar aos irmãos que nos precedessem junto de vós e preparassem em tempo a generosidade prometida. Assim, será verdadeiramente uma liberalidade, e não uma mesquinhez." (2Cor 9,5)
- "Ora, se sois de Cristo, então sois verdadeiramente a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa." (Gal 3,29)
- É o que acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes anunciar a graça de Deus e verdadeiramente a conhecestes" (Col 1,6)
- "Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas. (...) Mas a que verdadeiramente é viúva e desamparada põe a sua esperança em Deus e persevera noite e dia em orações e súplicas." (1Tim 5,3-5)
- "Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele." (1Jo 2,5)
- "Todavia, eu vos escrevo agora um mandamento novo - verdadeiramente novo, nele como em vós, porque as trevas passam e já resplandece a verdadeira luz." (1Jo 2,8)

Como se nota, o termo "verdadeiramente" é usado para enfatizar a realidade factual do que é dito. Seria muito estranho se somente com relação à eucaristia ele adquirisse uma conotação simbólica.

E Jesus conclui:

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente." (v.56-58)

Três coisas dignas de nota aqui: 

1- Jesus está sempre se contrapondo contra um alimento literal (o maná). Seria esquisito enfatizar esta comparação enquanto o primeiro pão fosse literal e o segundo só simbólico.

2- Depois, mais uma vez Jesus demonstra que o que ele quer sugerir pelo símbolo "pão" é, de fato, a sua carne. Podemos resumir a passagem acima no seguinte: "A minha carne: este é o pão que desceu do céu. Quem a come viverá para sempre."

3- Jesus vincula estreitamente a vida eterna ou salvação ao fato de se comer a sua carne e se beber o seu sangue. Um símbolo não teria tanta força.

Quanto às outras referências à Eucaristia, encontramo-las nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e nas descrições de Paulo, que soube dessas coisas por revelação. Vemos sempre uma ênfase estranha na centralidade do Pão Eucarístico. Mas analisemos o fenômeno da Santa Ceia:

A Páscoa dos Judeus (Pessach) era como uma revivência (zikarón) dos fatos ocorridos na libertação de Israel. Era parte inerente da celebração da páscoa que os judeus comessem um cordeiro juntamente com pães ázimos, isto é, sem fermento, tal como o fizeram no Egito. Este cordeiro, como se sabe, prefigurava o Cristo - bem como os pães. Por que não era apenas suficiente fazer o sacrifício do cordeiro - simbolizando a morte na Cruz -, mas era preciso, também, comê-lo? É algo a se considerar. A razão disso era o seguinte: ao ser oferecido a Deus, o cordeiro ficava como que "preenchido" da presença divina, que o recebia. Então, quando os judeus comiam este cordeiro cheio da presença divina, isto era já um modo primitivo de comunhão eucarística ou de comida ritual.

Jesus já tinha celebrado outras páscoas com os seus apóstolos, e provavelmente em todas as outras havia um cordeiro para ser comido. Contudo, agora, na véspera da Sua Paixão, ei-lo celebrar a páscoa sem um cordeiro visível - pois o símbolo tinha cumprido o seu papel apontando para Ele, o vero Cordeiro de Deus que ia imolar-se logo em seguida - e, ao mesmo tempo, oferecendo as misteriosas ofertas de Melquisedec, a figura paradigmática do sacerdócio: pão e vinho. (Gn 14,18) Aqui, estas duas realidades estão como que fundidas: o pão ázimo e o vinho são, ao mesmo tempo, o Cordeiro pascal, que é Jesus mesmo. Os apóstolos, muito mais afeitos do que nós à sensibilidade judaica e ao imaginário próprio daquele povo, compreenderam, ainda que obscuramente, na ausência do cordeiro e na presença do pão e do vinho, o significado daquele momento. E, se alguma coisa havia ainda de misteriosa, ela foi devidamente iluminada com as palavras do Cristo: "Isto é o meu corpo, que será entregue por vós. Isto é o meu sangue, que será derramado por vós."

Aqui notamos duas coisas:

Primeiro, o verbo de ligação que indica identidade: "isto é". Toda a pretensão de simbologia, portanto, só pode se manter enquanto algo acrescido ou somado ao texto, pois o que o relato em si diz é que o pão é a carne, e o vinho é o sangue.

Segundo, como dito acima, costuma-se sugerir que o significado do suposto símbolo da carne e do sangue do Cristo seriam a sua doutrina, a sua verdade, etc. Contudo, aqui Jesus refuta estas idéias ao dizer que o pão, que é carne, é justamente aquilo que vai ser entregue, ou seja, o seu corpo literal, e o vinho é precisamente aquilo que vai ser derramado, isto é, o seu sangue literal.

Há ainda um trecho, no Evangelho de João, no qual, mesmo que não se esteja tratando deste tema especificamente, se nos esclarece como era o clima de comunicação entre Jesus e os Apóstolos naquela véspera. No versículo 29 do capítulo 16, João escreve que os discípulos falaram a Jesus o seguinte: "Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura." Quando um homem está para morrer, ele tem de ser claro, mesmo. E, não obstante, Jesus não revelou qualquer outro significado oculto e simbólico da Eucaristia. Pelo contrário, Ele manteve as mesmas afirmações, do que se conclui que elas, de fato, não são figuras.

O Apóstolo Paulo, já bem depois de todos estes fatos, afirma ter recebido de Deus, por revelação, a notícia destes acontecimentos. Conta ele: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim." Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: "Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim." (1Cor 11,23-25)

Primeiramente, notemos que, se Paulo conheceu estes fatos por revelação direta de Deus, isto significa que estes fatos são centrais para a salvação. Depois, Paulo mantém a afirmação simples e clara de que "isto é" o corpo e o sangue de Jesus, e não que os simboliza. Ao mesmo tempo, ele relaciona o cálice - com o sangue - à Nova Aliança, donde ser falso, de novo, que o sangue representa a verdade ou a doutrina. Com efeito, todos sabemos que a Nova Aliança foi estabelecida no Sacrifício de Cristo. Este cálice é, portanto, o sangue derramado em pagamento pela nossa redenção.

E a prova de que Paulo o entendia literalmente se encontra logo em seguida:

"Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." (v.27-30)

Mais uma vez, Paulo identifica o pão e o cálice ao corpo do Senhor de tal modo que pecar contra um é pecar contra o outro. Se o comungante, no ato de receber este pão, não "distinguir" (διακρίνων - diakrinó - distinguir, reconhecer, julgar) o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. A gravidade da punição só tem sentido em função da dignidade da natureza deste pão e deste cálice. Assim como, conforme vimos acima, a comunhão da carne e do sangue de Jesus estão indissociavelmente vinculados à salvação, o seu recebimento negligente está vinculado à condenação. Desse modo, a celebração eucarística, longe de ser um símbolo, ao qual não faria sentido tanto rigor, é, de fato, verdadeiramente o corpo e o sangue de Nosso Senhor. Tanto é assim que Paulo identifica as doenças e mortes na comunidade de Corinto como um efeito direito do descuido para com o Corpo do Senhor.

A mesma idéia se encontra no capítulo 10, onde Paulo diz: "o cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão." (v. 16-17)

Aqui mais uma vez Paulo afirma que comer este pão é comunhão (comungar) do corpo de Cristo, e beber este vinho é comunhão (comungar) do sangue de Cristo. O termo "comunhão", que Paulo usa, o grego κοινωνία (koinonia), indica participação. Por meio deste alimento, nós participamos de Cristo, participamos da Sua natureza divina, como dizia S. Pedro (cf. 2Pe 1,4). Participar é ter parte. Por este pão, nós temos parte com o Cristo, como Ele mesmo nos disse. (Jo 6,56-57) Além disto, a Eucaristia surge aqui como garantidora da unidade dos cristãos: nós formamos um só corpo porque todos comungamos do mesmo pão. Aquele desejo de Jesus de que falávamos no início - que todos sejam um - somente pode ser realizado através da carne e do sangue do Senhor.

Haveria muito ainda que dizer. Na verdade, isto não é senão um começo no trato deste assunto, que é tão profundo e tão vasto. Mas para que o texto não fique muito grande - o que tende a assustar leitores menos dispostos -, ficamos na análise destes trechos. Uma outra conveniência seria a de observar os comentários dos primeiros cristãos que se seguiram aos apóstolos a respeito deste assunto. Se os visitarmos - muitos deles herdeiros diretos dos apóstolos - veremos que o consenso a respeito do Santíssimo Corpo do Senhor foi um traço cristão - com as exceções de algumas heresias, como acima referido - até o século XVI, quando surgiu a reforma protestante. Queremos, então, terminar com a citação de apenas um deles, São Cirilo de Jerusalém, do séc. IV:

"Se ele em pessoa declarou e disse do pão: Isto é o meu corpo, quem se atreveria a duvidar doravante? E quando ele afirma categoricamente e diz: Isto é o meu sangue, quem duvidaria dizendo não ser seu sangue? Outrora, em Caná da Galiléia, por própria autoridade, transformou a água em vinho. Não será digno de fé quando transforma o vinho em sangue? Convidado às bodas corporais, realizou este milagre maravilhoso. Aos companheiros do esposo não se concederá, com muito mais razão, a alegria de desfrutar do seu corpo e sangue?

Portanto, com toda certeza recebemo-los como corpo e sangue de Cristo. Em forma de pão te é dado o corpo, e em forma de vinho o sangue, para que te tornes, tomando o corpo e o sangue de Cristo, concorpóreo e consangüíneo com Cristo. Assim nos tornamos portadores de Cristo (cristóforos), sendo nossos membros penetrados por seu corpo e sangue. Desse modo, como diz o bem-aventurado Pedro, «tornamo-nos participes da natureza divina».

Não consideres, portanto, o pão e o vinho como simples elementos. São, conforme a afirmação do Mestre, corpo e sangue. Se os sentidos isto te sugerem, a fé te confirma. Não julgues o que se propõe segundo o gosto, mas pela fé tem firme certeza de que foste julgado digno do corpo e sangue de Cristo.

Tendo aprendido e estando seguro de que o que parece pão não é pão, ainda que pareça pelo gosto, mas o corpo de Cristo, e o que parece vinho não é vinho, mesmo que o gosto o queira, mas o sangue de Cristo e porque sobre isto dizia vibrando Davi: O pão fortalece o coração do homem, para que no óleo se regozije o semblante (Sl 104,15) fortalece o teu coração, tomando este pão como espiritual e regozije-se o semblante de tua alma. Oxalá, tendo a face descoberta, em consciência pura, contempleis a glória do Senhor, para ir de glória em glória, em Cristo Jesus Senhor Nosso, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém."

Catequeses Mistagógicas sobre a Presença Real de Cristo na Eucaristia.

Fábio.

Novo Doutor da Igreja - São Gregório de Narek



Francisco confirmou o título ao santo durante audiência com o prefeito da Congregação das Causas dos Santos
Da Redação, com Agência Ecclesia
O Papa Francisco vai proclamar como Doutor da Igreja São Gregório de Narek, místico armênio do fim do primeiro milênio conhecido por sua escrita e doutrina. A informação foi dada nesta, segunda-feira, 23, pelo Vaticano, após o encontro entre o Papa e o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, no sábado, 21.
Nascido em uma família de escritores, São Gregório de Narek (950-1005) é considerado o primeiro grande poeta armênio e um grande marco na literatura e reflexão cristã. Ele é autor, entre outras obras, do “Livro das Lamentações”, hoje traduzido em diversas línguas.
Por meio deste livro, o monge quis deixar às pessoas uma autêntica enciclopédia de oração, composta por 95 trechos, que deixam transparecer todo o potencial do autor em transformar emoções como o sofrimento ou a humildade em ofertas a Deus.
Para São Gregório de Narek, o principal objetivo da vida era a proximidade com Deus, pois só assim a humanidade poderia viver uma vida verdadeiramente plena. Uma aproximação que era possível não pelo conhecimento, mas sim através das emoções, defendia o místico.
Doutor da Igreja é um título concedido a um cristão – homem ou mulher – que se distinguiu por notório saber teológico em qualquer época da história. Os doutores da Igreja recebem tal título tendo em vista sua santidade, ortodoxia à fé e saber teológico, atestado por vários escritos.
Fonte: CN

Pe. Pio e a Confissão





Autor: Dom Dimond, OSB
Tradução: Carlos Wolkartt

“Tens cantado um hino a Satanás, enquanto
Jesus, em Seu amor ardente, deslocou a cabeça por ti”

João XX, 21-23: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

No Evangelho de João, vemos o poder de perdoar os pecados sendo conferido por Jesus Cristo sobre os Apóstolos. O poder de perdoar os pecados conferido sobre os sacerdotes validamente ordenados por um bispo seria um papel proeminente na vida e nos milagres de Padre Pio. De 1918 a 1923, Padre Pio ouvia confissões de quinze a dezenove horas, todos os dias. Nos anos 1940 e 1950, geralmente ouvia confissões por menos tempo diário, entre cinco a oito horas.

Cada confissão que Padre Pio ouvia durava, em média, somente três minutos – exceto em casos extraordinários. Segundo um cálculo, Padre Pio ouviu um total de aproximadamente cinco milhões de confissões (ou seja, mais de quinze milhões de minutos, ou mais de duzentas e cinquenta mil horas de confissão).

Tantas pessoas queriam que Padre Pio ouvisse suas confissões que geralmente tinham que esperar duas ou três semanas até terem oportunidade. O número de pessoas chegou a ser tão grande que foi necessário abrir um gabinete para distribuir bilhetes. Os bilhetes eram numerados; indicavam o lugar na fila do confessionário de Padre Pio. Este sistema de numeração foi implementado em janeiro de 1950, quando Padre Pio tinha 62 anos. Também foi instituída uma regra que limitava o tempo (em dias) entre uma confissão e outra, para cada penitente. Não era permitido confessar-se com Padre Pio mais de uma vez a cada oito dias.

Um homem de Pádua, que tinha ido se confessar ao Padre Pio, tentou fazer outra confissão entre os oito dias de espera. Para burlar o período de espera, mentiu acerca do número de dias que havia passado desde sua última confissão. Quando entrou no confessionário, Padre Pio lhe expulsou e lhe acusou brutalmente de mentiroso. Depois de ser expulso, o homem disse, em lágrimas: “Tenho dito muitas mentiras ao longo de minha vida, e pensava que poderia enganar a Padre Pio também”. Porém, Padre Pio tinha um conhecimento sobrenatural de seu ato.

Padre Pio exigia que toda a confissão fosse uma verdadeira conversão. Não tolerava a falta de franqueza na explicação dos pecados. Era muito duro com os que se desculpavam, falavam sem sinceridade, ou não tinham uma firme determinação em mudar. Exigia integral franqueza e honestidade do penitente. Também exigia uma verdadeira e sincera dor no coração, e uma firmeza absoluta nas decisões para o futuro.

Muitos dos penitentes de Padre Pio fizeram a declaração assombrosa de que, quando estiveram em seu confessionário, experimentaram a imponente impressão de estarem ante a cátedra do juízo de Deus.

Se o penitente não fosse verdadeiro, ou simplesmente lesse a lista de seus pecados sem o firme propósito de mudança, Padre Pio quase sempre gritava “fora!”. Muitas pessoas diziam que Padre Pio era bruto e severo, e que às vezes batia o painel do confessionário no rosto do penitente. Frequentemente, Padre Pio denunciava um penitente com uma frase dolorosa.

Um homem que
foi expulso do confessionário por Padre Pio disse: “Que tipo de monge canalha é este? Não me deu tempo para dizer uma só palavra, e imediatamente me chamou de porco velho e me ordenou sair!”. Outra pessoa disse a este homem que Padre Pio provavelmente teve boas razões para chamar-lhe de porco velho e tratar-lhe desta maneira. “Não me ocorre por que”, disse o homem que havia sido expulso do confessionário; e então, depois de uma pausa, o homem disse: “talvez seja porque tenho uma relação íntima com uma mulher que não é minha esposa”.

Padre Pio também expulsava certos sacerdotes e bispos de seu confessionário. Certa vez Padre Pio disse a um sacerdote: “Se você soubesse que coisa tremenda é sentar-se no tribunal do confessionário! Estamos administrando o Sangue de Cristo. Devemos ter cuidado para não lançarmos este tesouro por todas as partes por sermos demasiados indulgentes ou negligentes”.

Outro homem foi confessar-se ao Padre Pio para lhe provar. Queria ver se Padre Pio podia dar-se conta de que estava mentindo. O homem disse ao frade que não estava ali para confessar os pecados, mas para pedir orações por um familiar. Isto não era verdade, e Padre Pio soube imediatamente. Padre Pio lhe golpeou no rosto e lhe mandou para fora do confessionário.

Uma mulher que chegava de uma longa viagem para ver Padre Pio lhe disse em confissão: “Padre Pio, faz quatro anos que perdi meu esposo, e não tenho ido à igreja desde então”. Padre Pio respondeu: “Porque perdeste teu esposo, também perdeste Deus? Fora! Fora!”, enquanto fechava rapidamente a janela do confessionário.

Pouco depois deste acontecimento, a mesma mulher recuperou sua fé, atribuindo isto à maneira em que Padre Pio lhe tratou – provavelmente reconhecendo como ela havia posto seu apego a seu esposo acima de Deus.

Andre Mandato falou sobre o momento em que foi se confessar ao Padre Pio: “Eu ia à igreja todos os domingos, porém não tinha nenhuma crença forte na confissão. Confessava-me pouquíssimas vezes, e nunca era totalmente sincero. Comecei a crer na confissão somente depois que fui a Padre Pio. A primeira vez que me confessei a ele, ouvi de sua boca os pecados que eu havia cometido”.

Katharina Tangari descreveu como era se confessar ao Padre Pio:

“… Padre Pio primeiramente questiona quanto tempo se passou desde nossa última confissão. Esta primeira pergunta estabelece um contato entre Padre Pio e o penitente; de repente parece que Padre Pio sabe tudo sobre nós. Se nossas forem pouco claras e inexatas, ele as corrige; temos a sensação de que… seu olho pode ver nossa alma como verdadeiramente ela é ante Deus”.

Padre Pio comentou sobre a quantidade de confissões que ouvia, e como era capaz de fazê-lo: “Houve períodos que ouvi confissões sem interrupção por dezoito horas seguidas. Não tenho nenhum momento para mim mesmo. Mas Deus me oferece suporte com eficácia em meu ministério. Sinto a força para renunciar a tudo, contanto que as almas regressem a Jesus e amem a Jesus”.

Juan McCaffery foi se confessar ao Padre Pio, e escreveu sua experiência extraordinária. McCaffery queria que Padre Pio rezasse por alguns de seus amigos. Ele recorda: “Bem, durante uma pausa, comecei a dizer ‘E então, Padre…’; mas ele me interrompeu com um sorriso e disse: ‘Sim, recorda-te de teus amigos também!’”.

Uma mulher chamada Nerina Noe foi a Padre Pio confessar-se. Ela lhe disse que estava pensando em deixar de fumar; não previa a brusca repreensão que Padre Pio lhe daria: “Mulheres que fumam cigarros são repugnantes”.

Frederick Abresch foi um desses penitentes que haviam sido convertidos depois de irem a Padre Pio para se confessarem. Aqui estão algumas coisas que ele descreveu sobre a incrível história de sua conversão:

“Em novembro de 1928, quando fui ver Padre Pio pela primeira vez, havia passado poucos anos desde minha mudança de protestante a católico, que se deu por conveniência social. Eu não tinha fé, ou ao menos entendo agora que simplesmente me iludia de tê-la. Tendo sido criado em uma família muito anticatólica e imbuída de preconceitos contra dogmas a tal grau que uma instrução rápida não poderia eliminar, eu estava sempre ávido de coisas secretas e misteriosas.

“Encontrei um amigo que me apresentou os mistérios do espiritismo. Logo, porém, cansei dessas mensagens inconclusivas de ultratumba; eu estava com fervor no campo do ocultismo, da magia de todos os tipos, etc. Então me encontrei com um homem que declarou, com um ar de mistério, que estava em posse da única verdade: ‘teosofia’. Em seguida me tornei seu discípulo, e comecei a acumular livros com títulos tentadores e atraentes na minha mesa de cabeceira. Com segurança em mim mesmo e cheio de vaidade, usava palavras como Reencarnação, Logos, Brahma, Maia, ansiosamente esperando alguma realidade grande e nova que aconteceria.

“Não sei por que (creio que era antes de tudo para agradar minha esposa), mas de vez em quando continuava recebendo os santos Sacramentos. Este era o estado de minha alma quando, pela primeira vez, ouvi falar de um Padre Capuchino, do qual me descreveram como um crucifixo vivo, realizando milagres contínuos.

“Crescendo em curiosidade, decidi ir e ver com meus próprios olhos. Pus-me de joelhos no confessionário da sacristia [e disse a Padre Pio que] considerava a confissão uma boa instituição social e instrutiva, mas que não cria na divindade do Sacramento em absoluto. O Padre, contudo, disse com expressão de grande dor: ‘Heresia! Então todas as tuas Comunhões foram sacrílegas… tens que fazer uma confissão geral. Examina tua consciência e recorda a última vez que fizeste uma boa confissão. Jesus tem sido mais misericordioso contigo que com Judas’.

“Então, olhando por cima de minha cabeça com olhos severos, ele disse: ‘Louvados sejam Jesus e Maria!’, e se foi à igreja para ouvir as confissões das mulheres, enquanto eu fiquei na sacristia, comovido e afetado profundamente. Minha cabeça estava girando e não conseguia me concentrar. Todavia, ouvia em minhas orelhas: ‘Recorda a última vez que fizeste uma boa confissão!’. Com dificuldade, tomei a seguinte decisão: Diria a Padre Pio que havia sido um protestante, e que mesmo após a abjuração, fui rebatizado (condicionalmente), e todos os pecados da minha vida passada foram apagados em virtude do santo Batismo, no entanto, para minha tranquilidade queria começar a confissão desde a minha infância.

“Quando o Padre voltou ao confessionário da sacristia, repetiu a pergunta: ‘Pois, quando foi a última vez que fizeste uma boa confissão?’. Respondi: ‘Padre, quando estava…’. Porém, nesse ponto o Padre me interrompeu, dizendo: ‘Fizeste uma boa confissão pela última vez quando estavas regressando de tua lua de mel; deixemos todos os demais, e comecemos a partir daí!’.

“Permaneci boquiaberto, abalado com uma letargia, e entendi que havia tocado o sobrenatural. O Padre, entretanto, não me deu tempo para refletir. Demonstrando seu conhecimento do meu passado inteiro, e na forma de perguntas, enumerou todas as minhas faltas com precisão e claridade… Depois que o Padre havia trazido à luz todos os meus pecados mortais, com palavras impressionantes me fez compreender a gravidade destas faltas, acrescentando em um tom de voz inesquecível: ‘Tens cantado um hino a Satanás, enquanto Jesus em Seu amor ardente deslocou a cabeça por ti’. Então ele deu minha penitência e me absolveu… Creio não somente nos dogmas da Igreja Católica, mas também na menor de suas cerimônias… para quitar esta fé, deve-se quitar também minha vida”.

José Greco, agora um grande devoto de Padre Pio, teve um sonho no qual se encontrou com o frade em uma estrada e lhe pediu para salvar seu pai enfermo. O pai de José de repente se recuperou depois do sonho. Para agradecer a Padre Pio, José decidiu viajar e vê-lo cara a cara. Depois de esperar quatro dias, José conseguiu ir a Padre Pio para a confissão. Ele descreveu o encontro:

“Em verdade, quando Padre Pio me viu, disse: ‘Pois então, teu pai está bem’. Fiquei atormentado, em razão de nunca haver visitado São Giovanni Rotondo antes. Nunca havia ido a essa parte do mundo, nem conhecia nada ali. E, no entanto, suscitou em minha mente uma pergunta, e questionei-lhe: ‘Foi você, foi você?’. E ele respondeu: ‘No sonho, no sonho…’. Daí comecei a tremer, porque em verdade estava morrendo de medo. Disse: ‘Sim Padre, no sonho, Padre’. Disse-lhe meus pecados, e antes de me dar a absolvição, ele me disse: ‘No entanto, sabes de algo a mais [que não mencionaste na confissão]?’. Disse: ‘Bem Padre, não consigo recordar nada mais’. Padre Pio então começou a descrever um evento com uma moça, quando eu estava no exército. Então me lembrei de tudo. Queria que a terra se abrisse e me engolisse, de tanta vergonha que me consumia. Então disse a Padre Pio: ‘Sim Padre, estou recordando tudo e tenho medo de ter esquecido de dizer em confissão, estou muito envergonhado’. ‘Pois, disse ele, tens carregado este pecado contigo desde 1941, e o lugar foi Blackburn, para dizer a verdade’. Então me levantei para sair, ao que Padre Pio disse: ‘Há algo mais que esqueceste?’, sorrindo levemente. Disse-lhe: ‘Não Padre, de verdade não há mais nada que posso recordar’. Pensei que era sobre algum outro pecado. E ele disse: ‘Veja em teu bolso’. Então saquei minhas contas do rosário [do meu bolso], as dei a ele, que as abençoou e as me deu de volta. E isso foi tudo”.

Um homem disse a Padre Pio em confissão: “Tenho muito apego aos meus pecados; eles são como que necessários para minha vida. Ajude-me a encontrar um remédio”. Padre Pio lhe deu uma oração a São Miguel Arcanjo, e lhe ordenou dizê-la todos os dias por quatro meses.

Padre Nello Castello, um sacerdote de Pádua, Itália, que havia ido confessar-se a Padre Pio centenas de vezes, recordou suas incríveis experiências:

“Fui confessar-me com Padre Pio pelo menos cem vezes. Recordo-me da primeira vez, em que suas palavras, ao mesmo tempo, me assustaram e me iluminaram. Os conselhos que ele me deu refletiam um conhecimento exato de toda a minha vida passada e futura. Às vezes, ele me surpreendia com sugestões não relacionadas com os pecados confessados, e os acontecimentos que se sucederam deixaram claro que seus conselhos haviam sido proféticos. Em uma confissão, em 1957, Padre Pio falou cinco vezes com insistência sobre o mesmo assunto, usando palavras diferentes, e me recordando de um defeito horrível de impaciência. Além disso, me esclareceu sobre as causas fundamentais que provocavam a impaciência. Descreveu-me o comportamento que deveria seguir para evitar a impaciência no futuro. Isto ocorreu sem que eu houvesse dito uma só palavra sobre o problema. No entanto, ele conhecia meus problemas melhor que eu e me aconselhava em como concertá-los”.

Entre os que iam ver Padre Pio, existiam incrédulos declarados. Alguns foram vê-lo por curiosidade, outros para insultarem a Padre Pio e a Deus.

Dois franco-mações, que eram implacavelmente opostos a Deus e à Igreja Católica, decidiram fazer confissões fingidas a Padre Pio de pecados que simplesmente inventaram. O propósito era profanar o Sacramento da Penitência. Estes homens foram a Padre Pio em dias diferentes. Quando eles começaram a confessar seus pecados inventados, Padre Pio lhes interrompeu, dizendo que sabia o que estavam fazendo, e começou a contar cada um de seus pecados reais, informando-lhes o dia, o lugar e como os cometeram. Os dois homens eram tão abrumados que poucos dias depois, se arrependeram de suas vidas pecaminosas e se converteram.

Um comunista incrédulo também foi a Padre Pio para se confessar. Naquele tempo, não havia abandonado suas crenças malvadas. Padre Pio lhe perseguiu fora do confessionário, dizendo: “Que fazes ante o tribunal de Deus se não credes? Fora! Vai-te! És comunista!”.

No confessionário, Padre Pio dizia coisas como:

“Por que vendeste tua alma ao Diabo?… Que irresponsável!… Estás no caminho do Inferno!… Homem negligente, ide primeiro arrepender-se, e então voltes aqui”.

Uma pessoa durante a confissão pôs em dúvida a existência do Inferno. Padre Pio respondeu: “Você acreditará quando chegar lá”.

Padre Pio considerava a ida frequente à confissão algo necessário para o crescimento na vida espiritual. Ele se confessava ao menos uma vez por semana, e não deixava que seus filhos espirituais ficassem sem confissão por mais de dez dias.

Uma vez foi perguntado a Padre Pio: “Confessamos tudo que pudemos recordar ou conhecer, porém é possível que Deus veja outras coisas que não pudemos lembrar?”. Ele respondeu: “Se pusemos [em nossa confissão] toda a nossa boa vontade e se tivemos a intenção de confessar [todos os pecados mortais]… tudo que pudemos recordar ou conhecer – a misericórdia de Deus é tão grande que Ele incluirá e apagará também o que não pudemos recordar ou conhecer”.

Por esta razão, deve ser dito ao final de uma confissão: “… e confesso todos os pecados que tenho esquecidos e não mencionei nesta confissão”.
Artigo Original: Christi Fidei
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