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Não me move, Senhor, para amar-Te...


Não me move, Senhor, para amar-Te
O Céu que me prometeste
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar, por isso, de ofender-Te

Tu me moves, Senhor,
Move-me ver-Te
Pregado em uma Cruz e escarnecido
Move-me ver Teu corpo e Tua morte

Move-me, enfim, o Teu amor
e de tal maneira, 
Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria,
E ainda que não houvesse inferno Te temeria.

Nada tens que dar-me para que eu Te queira,
Pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero, te quereria

Poesia Anônima, Frequentemente atribuída a Sta Teresa D'Avila

Poema do Pe. José de Anchieta sobre Jesus na Manjedoura


- Que fazeis, menino Deus,
Nestas palhas encostado?
- Jazo aqui por teu pecado.

- Ó menino mui formoso,
Pois que sois suma riqueza,
Como estais em tal pobreza?

- Por fazer-te glorioso
E de graça mui colmado,
Jazo aqui por teu pecado.

- Pois que não cabeis no céu,
Dizei-me, santo Menino,
Que vos fez tão pequenino?

- O amor me deu este véu,
Em que jazo embrulhado,
Por despir-te do pecado.

- Ó menino de Belém,
Pois sois Deus de eternidade,
Quem vos fez de tal idade?

- Por querer-te todo o bem
E te dar eterno estado,
Tal me fez o teu pecado.

Padre José de Anchieta.

Fonte: Montfort

Nossa Senhora das Dores


Faze, ó Mãe, fonte de amor,
que eu sinta em mim tua dor,
para contigo chorar.

Faze arder meu coração,
partilhar tua paixão
e teu Jesus consolar.

E santa Mãe, por favor,
faze que as chagas do amor
em mim se venham gravar.

O que Jesus padeceu
venha a sofrer também eu,
causa de tanto penar.

Ó dá-me, enquanto viver,
com Jesus Cristo Sofrer,
contigo sempre chorar!

Quero ficar junto à cruz,
velar contigo a Jesus,
e o teu pranto enxugar.

Quando eu da terra partir,
para o céu possa subir,
e, então, contigo reinar.

(Hino das Laudes)

Fonte: Santa Igreja

Carol of Joy


CAROL OF JOY
by Dan Forrest

Green leaves all fallen, withered and dry;
Brief sunset fading, dim winter sky.
Lengthening shadows,
Dark closing in...

Then, through the stillness, carols begin!
Oh fallen world, to you is the song--
Death holds you fast and night tarries long.

Jesus is born, your curse to destroy!
Sweet to your ears, a carol of Joy!

Pale moon ascending, solemn and slow;
Cold barren hillside, shrouded in snow;
Deep, empty valley veiled by the night;
Hear angel music--hopeful and bright!

Oh fearful world, to you is the song--
Peace with your God, and pardon for wrong!
Tidings for sinners, burdened and bound--

A carol of joy!
A Saviour is found!

Earth wrapped in sorrow, lift up your eyes!
Thrill to the chorus filling the skies!
Look up sad hearted--witness God's love!
Join in the carol swelling above!

Oh friendless world, to you is the song!
All Heaven's joy to you may belong!
You who are lonely, laden, forlorn
Oh fallen world!
Oh friendless world!

To you,
A Saviour is born!

A saudade do Céu nos santos

Na imagem, morte de S. Jerônimo

Se você acha que já amou algo ou alguém violentamente, leia a poesia abaixo, e veja o que é amor e o que é violência...

"Por sobre aquelas correntes
que em Babilônia encontrava,
ali me sentei chorando,
ali a terra regava,
recordando-me de ti,
ó Sião, a quem amava.

Tua lembrança era doce,
e com ela mais chorava.
Deixei os trajos de festa,
os de trabalho tomava,
pendurei nos salgueirais
a música que levava,
colocando-a na esperança
daquilo que em ti esperava.

Ali me feriu o amor,
e o coração me arrancava.
Disse-lhe que me matasse,
pois de tal sorte chagava.
Metia-me em seu fogo,
sabendo que me abrasava,
desculpando a mariposa
que no fogo se acabava.

Estava-me consumindo,
e só em ti respirava.
Em mim, por ti, eu morria,
e por ti ressuscitava;
porque a lembrança de ti
dava vida e a tirava.

Finava-me por finar-me
e a vida me matava,
porque ela perseverando,
de ver-te, a mim, me privava.
Mofavam os estrangeiros
entre os quais cativo estava.
Pensava como não viam
que o gozo os enganava.

Pediam-me eles cantares
dos que em Sião eu cantava:
- Canta de Sião um hino;
p'ra vermos como soava.
- Dizei, como em terra alheia
onde por Sião chorava
cantarei eu a alegria
que em Sião desfrutava?

No olvido a deixaria
se em terra alheia gozava.
Com meu palato se junte
a língua com que falava,
se de ti eu me olvidar
na terra onde morava.

Sião, pelos verdes ramos
que Babilônia me dava
Olvide-me a minha destra,
coisa que em ti mais amava,
se de ti não me lembrar
no que mais gosto me dava,
e se eu tivesse festa
e sem ti a festejava.

Ó filha de Babilônia,
Mísera e desventurada!
Bem-aventurado era
Aquele em quem confiava,
que te há de dar o castigo
que da tua mão levava;
e juntará os seus filhos
e a mim, que em ti chorava,
à pedra, que era Cristo,
pelo qual eu te deixava."

S. João da Cruz, Toledo, Cárcere, 1578.

A Escuridão me Basta - Thomas Merton



"Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na escuridão e no grande silêncio.
Lamento todos os meus pecados.
Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, 
sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos
 para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.
Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, 
a fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.
Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre. 
Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à Tua claridade.
Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo, 
estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em Tua paz e Tua glória.
Tua claridade é minha escuridão. 
Eu não conheço nada de Ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te conhecer.
Se eu te imaginar, estarei errado.Se Te compreender, estarei enganado.
Se ficar consciente e certo que Te conheço, serei louco.
A escuridão me basta".

Thomas Merton, OCSO

Hino à Virgem Santíssima - Dia de Nossa Senhora do Carmo


Ave, reergues o gênero humano!
Ave, ruína total dos demônios!
Ave, esmagaste a potência enganosa!
Ave, que o logro dos ídolos mostras!

Ave, ó mar que afogou o faraó demoníaco!
Ave, rochedo a saciar os sedentos de vida!
Ave, coluna de fogo a guiar os errantes!
Ave, és abrigo do mundo mais amplo que as nuvens!

Ave, o maná verdadeiro nos destes!
Ave, nos serves delícias sagradas!
Ave, ó terra por Deus prometida!
Ave, ó fonte do mel e do leite!

Ave, Virgem e Esposa!
Ave, Virgem e Esposa!

Hino Akatistos

Canto à Cruz - S. Boaventura, Doutor da Igreja


Lembra-te da santa Cruz
No caminho da perfeição
Alegria incessante.
Faz dela meditação
Perseverante.

A maior fervor e ardor,
Dessa Cruz, Cristo, teu Rei,
Sempre te chama.
Sem tibieza nem torpor,
Mas com desejo que sempre cresce
No coração fiel.

Ama a Cruz, luz e paz,
E que por ela, doravante,
Cristo seja teu senhor!
Ela te sustém e tu a sustens
Por todo o teu ser.

O coração na Cruz, a Cruz no coração
Libertado do que não é belo;
Calmo e sereno.
Que bem alto a Cruz muito amada
Seja por teus lábios proclamada,
Sem fim louvada!

Em teu repouso, em teus labores,
Quando ris, quando choras,
Oh, guarda bem
- Quando vais, quando vens,
Em teus prazeres, em teus desgostos -
A Cruz no coração!

Se fazes dela o teu estudo,
Permanente será tua alegria
Nesta terra.
Eterna bem-aventurança
Para quem canta a santa Cruz
E persevera.

Procura a Cruz, carrega a Cruz
E, contemplando Cristo na Cruz,
Morre de amor!
Põe nela a tua confiança
Dia após dia, sem desfalecer,
Enquanto viveres!

Nela se compraza o teu espírito
Nela esteja tua constante ascese
Ó cruciferário!
Não há obra mais salutar
Do que oferecer à santa Cruz
Coração, mãos e voz!

S. Boaventura, o Doutor Seráfico. Orar com S. Francisco de Assis

Grandeza - Prof. Orlando Fedeli


Ter o olhar voltado para as claras estrelas
Não temer as duras batalhas, mas querê-las.

Águia fitando o sol, viver para as alturas,
desprezando as coisas baixas, vis e obscuras.

Amar só os horizontes vastos e azuis.
Odiar os negros charcos e os mortos pauis.

Ter a alma sem medo, covardias, tremores,
valente e forte como o rufar dos tambores.

Ter na alma claras notas de clarins de prata,
e nos lábios um canto ardente que arrebata.

Ser impelido pelos ventos da epopéia,
longe das calmarias podres de vida atéia.

Entre nuvens de fumo, de ódio e de poeira,
ousada e desafiante, desfraldar bandeira.

Qual falcão atacar, desprezando o perigo,
tendo olhos só para Deus e para o inimigo.

Não temer jamais nem as armas, nem as vaias,
nem o combate franco, nem as vis tocaias.

E, não fugindo nem da arena, nem do sorriso.
ver, na morte e cruz, as portas do Paraíso.

Jamais calcular o número do inimigo.
Mas contar só com Deus, com Santiago e consigo

Por justo combater, mesmo que solitário,
sem ver o número, enfrentar o adversário.

Viver abrasado de amor pela verdade,
Encantado pela beleza e poesia,
mantendo no coração a fidelidade
aos ecos longínquos de uma canção bravia.

Escutar, escutar sempre os clarins de glória,
chamando ao combate, proclamando a vitória.

Amar a solidão do deserto ou do mar
ser fiel até a morte e jamais capitular.

Não temer ser desprezado e tido por nada,
não querer senão o triunfo da cruzada.

Ter uma alma agressiva que não retroceda.
Não ter no coração nem baixeza, nem lama,
mas de heroísmo, ser ardente labareda,
ser da verdade arauto, da pureza, chama.

Viver sempre enamorado pela proeza,
a alma sempre firme ancorada na certeza
sedenta de Deus, de infinito e de grandeza.
Orlando Fedeli
São Paulo, 1975


***
Que saudades do professor...

23 de Setembro - Dia de S. Pio de Pietrelcina

Abaixo, uma pequena homenagem a este grande santo do nosso tempo.
No video, adaptação musical de uma oração de S. Pio de Pietrelcina feita por Celina Borges.

Formosura que excedeis a toda formosura...


Sta Teresa D'Avila

Depois que vi a grande formosura do Senhor, a ninguém via que, em Sua comparação, me parecesse bem ou me ocupasse a memória. Só com o volver um pouco os olhos da consideração à imagem que tenho na minha alma, fiquei, desde então para cá, com tanta liberdade que, tudo o que vejo, parece que me faz aversão em comparação das excelências e graças que via neste Senhor. Nem há saber nem contentamento algum que eu estime mais em comparação do que ouvir uma só palavra que seja, dita por aquela divina boca, quanto mais ouvindo tantas!

Ó Rei da glória e Senhor de todos os reis! O Vosso reino não é feito de palitos, pois não tem fim! Não são necessários terceiros para chegar até Vós! Basta divisar ao longe a Vossa pessoa para logo se conhecer que só Vós mereceis que Vos chamem Senhor, pela Majestade que mostrais. Não há necessidade de gente de acompanhamento, nem de guarda, para que conheçam que sois Rei. Cá na terra, um Rei mal se conhecerá só por si, porque, embora ele queira ser reconhecido por tal, não o acreditarão; não tem mais do que os outros. É mister que se veja por que o hão-de acreditar, e assim é de razão que tenha estas autoridades postiças, porque, se não as tivesse, tê-lo-iam em nada. É que não lhe vem dele o parecer poderoso: de outrem lhe há-de vir a autoridade. 

Ó Senhor meu! Ó meu Rei! Quem soubera representar agora a Majestade que tendes! É impossível deixar de ver que, por Vós mesmo, sois grande Imperador. Espanta ver esta Majestade; mas mais espanta, Senhor meu, o ver com ela a Vossa humildade e o amor que mostrais a uma como eu. Em tudo podemos tratar e falar convosco como quisermos, uma vez perdido o primeiro espanto e temor de ver Vossa Majestade, ficando-nos maior, no entanto, para não Vos ofender; não, porém, por medo do castigo, Senhor meu, porque deste nenhum caso se faz em comparação de não Vos perder a Vós!

Ó formosura, que excedeis
a todas as formosuras!
Sem ferir dor fazeis,
e sem doer desfazeis,
o amor das criaturas.
Ó nó, que assim juntais
duas coisas tão desiguais,
não sei porque vos desatais,
pois atado força dais
a ter por bem os males.
Juntais quem não tem ser
com o Ser que não se acaba;
sem acabar acabais,
sem ter que amar amais,
engrandeceis nosso nada.

Meus 25 anos... Obrigado, meu Senhor...


Hoje eu faço meus vinte e cinco anos e estou a escutar músicas japonesas.  Minha alma se eleva a Deus em gratidão por tantas graças que Ele me dá. Com o salmista, repito: “Que é o homem, Senhor, para dele te lembrares”? Obrigado, meu Deus. 
Perdoe-me tantos destratos e traições pequenas e grandes. Em resposta, me constranges com o Vosso amor e a Vossa fidelidade. A mim que nada sei do amor és sempre amoroso e terno. Feliz me fazes, meu Senhor, pela bendita esperança a que me chamas. Obrigado pela graça de me deixar ser católico.

Estou, mesmo, constrangido e com os olhos marejados. Cristo é sumamente bom; muito além do que proposições e conceitos o podem dizer. Que maldade a nossa, bom Jesus, em Vos resistir. Nada há que se Vos compare. 

Vos peço de presente, amabilíssimo Senhor, a graça de corresponder melhor às tuas vontades, e os amigos que me lêem não poderão me dar nada melhor do que pedir a este bom Deus que me conceda este mesmo bem. 

Eu quisera amar-Vos muito mais, Jesus. Se quiseres, dá-me isto. E então meu coração será só Vosso, e então serás, Tu somente, o meu tesouro. 

Seja para sempre bendito, meu Amado. 
Virgem Maria, sede para sempre minha Mãe e Senhora; eis aqui o vosso servo.

“Quando tu me fitavas,
Teus olhos sua graça me infundiam
E assim me sobreamavas,
E nisso mereciam
Meus olhos adorar o que em ti viam.
Não queiras desprezar-me,
Porque, se cor trigueira em mim achaste,
Já podes ver-me agora,
Pois, desde que me olhaste,
A graça e a formosura em mim deixaste”

(S. João da Cruz, Canções Entre a Alma e o Esposo)
***
“Aquela eterna fonte está escondida
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.
(...)
Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.
(...)
Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida há a vejo,
Mesmo de noite."

(João da Cruz, Cantar da alma que se alegra em conhecer a Deus pela Fé)
 
***
“Sabor de bem que é finito,
Ao mais que pode chegar
É cansar o apetite
E estragar o paladar;
E assim por toda a doçura
Nunca eu me perderei,
Mas sim por um não sei quê
Que se acha porventura”.

(S. João da Cruz, Glosa ao Divino)

***
“Uma esposa que te ame,
Meu Filho, dar-te queria,
Que por teu valor mereça
Estar em nossa companhia
E comer pão numa mesa
Do mesmo que eu comia,
Para que conheça os bens
Que em tal Filho eu possuía.
(...)
- Muito te agradeço, Pai,
- O Filho lhe respondia –
À esposa que me deres,
Minha claridade eu daria.
(...)
A encostarei ao meu braço
E em teu amor se abrasaria,
E com eterno deleite
Tua bondade exaltaria."

(S. João da Cruz, Romances Trinitários e Cristológicos)

Soneto: A Deus com Deus


Se para Deus, com Deus prescrevemos,
homens de Deus, sem Deus, que pensamos?
e se a porta é Deus e a Deus ingressamos,
a Deus, que é luz, sem Deus não veremos.

Se o meio é Deus e a Deus por fim temos,
e Deus é a senda e para Deus andamos,
dizei: por que sem Deus a Deus buscamos?
Pensais que a Deus, sem Deus, achar podemos?

Enchei, pois, Deus de Deus, nossas entranhas;
pois, se as toca Deus, por Deus movidas,
farão por Deus, a Deus coisas tamanhas;

e se por Deus não vão em Deus regidas,
serão, sem Deus, a Deus nossas façanhas,
como fosse de Deus, aborrecidas.

Soneto de Frei Luís de León
Tradução livre de Fr. César Cardoso, ocd

Persistamos, então, no combate!


"Se tenho as armas poderosas do Guerreiro
E se, valentemente, O imitar na luta,
Como a Virgem das Graças encantadoras,
Quero também cantar em meu combate.
Fazes vibrar as cordas de Tua lira,
Que é, meu Jesus, meu próprio coração!
Então posso gozar Tuas misericórdias,
Cantar a força e a doçura.
Sempre sorrindo enfrentarei metralhadoras
E, nos Teus braços, meu Divino Esposo,
Cantando morrerei no campo de batalha,
Com as armas na mão!..."

(Sta Teresinha De Lisieux, Minhas Armas)

28 de janeiro - dia de Sto Tomás de Aquino


"Ó vós que amais tanto, Jesus aqui verdadeiramente Deus escondido, ouvi-me, eu vos imploro.
Seja vossa vontade meu prazer, minha paixão, meu amor. Dai que a busque, ache e realiza.
Mostrai-me vossos caminhos, indicai-me vossas veredas.

Tendes sobre mim vossos desígnios; dizei-m´os bem, e dai que os siga até a definitiva salvação de minha alma. Indiferente a tudo o que passa, e só a vós tendo em vista, possa eu amar tudo quanto é vosso, mas sobretudo a Vós, ó meu Deus! Tornai-me amarga toda alegria que não seja vós, impossível todo desejo fora de vós, delicioso todo trabalho feito para vós, insuportável todo repouso que não fôr em vós. A toda a hora, ó bom Jesus, minha alma tome para vós seu vôo; seja minha vida um constante acto de amor!

Toda obra que não vos agrade, fazei-me sentir que é morta. Seja minha piedade menos um hábito que um contínuo impulso do coração.

Ó Jesus, minha delícia e minha vida, dai-me que minha humildade seja sem afectação, minha alegria sem excessos, minhas tristezas sem desanimo, minha austeridade sem rudeza. Dai que eu fale sem artifício, que tema sem desespero, que espere sem presunção; fazei com que seja pura e sem mancha, que repreenda sem cólera; que ame sem falsidade, edifique sem ostentação, obedeça sem réplica, e sofra sem queixumes.

Bondade suprema, ó Jesus, peço-vos um coração todo vosso, que nenhum espectaculo, nenhum ruído para distrair; um coração fiel e ativo que não hesite, e não desça nunca; um coração indomável, pronto sempre a lutar após cada tormenta; um coração livre, jamais seduzido ou escravo; um coração recto que não se encontre nunca em veredas tortuosas.

E meu espírito, Senhor! Meu espírito! Impotente para desconhecer-vos, possa ele encontrar-vos, a vós Sabedoria divina! Não vos desagradem seus colóquios! Confiante e calmo esperes vossas respostas, e descanse sobre vossa palavra.

Faça-me a penitencia sentir os espinhos de vossa coroa! Possa a graça espargir vossos dons sobre mim, no caminho do exílio! Possa a gloria inebriar-me de vossas alegrias na Pátria eterna! Assim seja."

Por Santo Tomás de Aquino.

(Extraído do Manual das Filhas de Maria de Sion - Editado em 1929. Impresso por J. de Gigord, Éditeur - Imprimatur Rio de Jaaneiro 11 de maio de 1912 Por S. Exma. Sebastio, bispo auxiliar)


AQUINO, São Tomás de. Apostolado Veritatis Splendor: ORAÇÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/714. Desde 20/01/2003.

Músicas Sanjuanistas - Frei Marcos Matsubara, OCD.

Onde é que te escondeste?


Chama de amor viva

Canções entre a alma e o Esposo (Excertos) - S. João da Cruz


Imagem: S. Bernardo de Claraval e Jesus

Quem poderá curar-me?!
Acaba de entregar-te já deveras;
Não queiras enviar-me
Mais mensageiro algum,
Pois não sabem dizer-me o que desejo.

E todos quanto vagam,
De ti me vão mil graças relatando,
E todos mais me chagam;
E deixa-me morrendo
Um "não sei quê", que ficam balbuciando.

Mas como perseveras,
Ó vida, não vivendo onde já vives?
Se fazem com que morras
As flechas que recebes
Daquilo que do Amado em ti concebes?

Por que, pois, hás chagado
Este meu coração, o não saraste?
E, já que mo hás roubado,
Por que assim o deixaste
E não tomas o roubo que roubaste?

Extingue os meus anseios,
Porque ninguém os pode desfazer;
E vejam-te meus olhos,
Pois deles és a luz,
E para ti somente os quero ter.

(...)
Na interior adega
Do Amado meu, bebi; quando saía,
Por toda aquela várzea
Já nada mais sabia,
E o rebanho perdi que antes seguia.

Ali me abriu seu peito
E ciência me ensinou mui deleitosa;
E a ele, em dom perfeito,
Me dei, sem deixar coisa,
E então lhe prometi ser sua esposa.

Minha alma se há votado,
Com meu cabedal todo, a seu serviço;
Já não guardo mais gado,
Nem mais tenho outro ofício,
Que só amar é já meu exercício.

Se agora, em meio à praça,
Já não for mais eu vista, nem achada,
Direis que me hei perdido
E, andando enamorada,
Perdidiça me fiz e fui ganhada.

De flores e esmeraldas,
Pelas frescas manhãs bem escolhidas,
Faremos as grinaldas
Em teu amor floridas,
E num cabelo meu entretecidas.

(...)
Quando tu me fitavas,
Teus olhos sua graça me infundiam;
E assim me sobreamavas,
E nisso mereciam
Meus olhos adorar o que em ti viam.

Não queiras desprezar-me,
Porque, se cor trigueira em mim achaste,
Já podes ver-me agora,
Pois, desde que me olhaste,
A graça e a formosura em mim deixaste.

São João da Cruz,
Poesias, Obras Completas.
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