Para quem ainda duvida da natureza deste evento e teima em dizer que as oposições que certos católicos fazemos a estas iniciativas são cisma nossa, veja o post do Jorge Ferraz que presenciou o evento apoiado pela CNBB e registrou várias imagens que falam por si.
Depois de ter presenciado algo do “Grito dos Excluídos”, evento que sempre nos prova a infinita paciência divina, creio ser conveniente transcrever algo a respeito do pano de fundo que motiva estas manifestações sociais supostamente católicas. Abaixo, um texto muito esclarecedor do grande Pe. Leonel Franca, uma verdadeira sumidade na Filosofia do nosso país e grande defensor da Fé Católica.
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Da sistematização marxista não há só uma peça que tenha resistido vitoriosamente à análise científica. As suas principais doutrinas – postulados filosóficos e teorias econômico-sociais – estão hoje cientificamente superadas. Não suportaram o exame da crítica e o confronto dos fatos. Sobrevivem, porém, popularmente, com uma força de expansão formidanda. O partido comunista que se encarna, por uma conjunção acidental de circunstâncias favoráveis, empolgou o poder na grande e misteriosa e enigmática Rússia. Mobilizou os seus inesgotáveis recursos econômicos, galvanizou o messianismo secular do seu povo e pôs este imenso poder a serviço da mais hábil, mais tenaz e mais tecnicamente organizada das propagandas imperialistas. Destarte, o que há 30 anos, como doutrina era um sistema historicamente classificado, como força política era uma inexistência ou uma insignificância, assumiu, em nossos dias, o vulto da maior ameaça à civilização humana.
O comunismo, de fato, não é apenas um sistema econômico, é uma filosofia integral da vida. Não aspira apenas a reformas da estrutura social, baseadas numa redistribuição mais eqüitativa dos bens materiais, reclama o monopólio incontrastável das almas. Pretende implantar a ditadura do proletariado e a ditadura das consciências. Uma religião às avessas. Seu dogma: o materialismo histórico. Sua ética: nova hierarquia de valores aferidos pelo imperativo condicional da vitória do partido. Seu ideal messiânico que eletriza as massas numa grande esperança escatológica: conquista emancipadora da humanidade. Nunca um totalitarismo estadeou pretensões tão radicais.
Na propaganda deste programa, os postulados metafísicos, que já não se discutem, ficam em planos mais afastados da perspectiva. Concentrando as atenções imediatas, figuram a exploração hábil de ressentimentos históricos das classes sofredoras, as críticas contundentes das injustiças e desumanidades do capitalismo, a pintura risonha da sociedade futura, colorida com um otimismo ingênuo e sereno em contraste com o pessimismo azedo que projeta as suas negruras sobre todo o passado histórico do homem alienado e decaído. Assim se hipnotizam as massas. Assim se cria a mística do comunismo, e se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia atéia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo este patrimônio de riquezas humanas, que só têm valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção da vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas.
Eis a grande tragédia do comunismo: a mobilização das melhores energias humanas para a construção de um porvir que será o maior desastre e a decepção total da humanidade.
Este mundo que a revolução marxista prepara para a felicidade do homem será um mundo sem Deus. Um mundo em que se verificará o que Chesterton chamou “anomalia suprema dos tempos anormais, a derradeira negação que, para além de todos os dogmas, fulmina a crença mais necessária à alma: a de que existe uma razão das coisas”. A inteligência já não poderá encontrar respostas às interrogações supremas sem as quais não lhe é possível viver. À vontade, com a negação do Infinito Bem, faltará a mola insubstituível do seu dinamismo metafísico. A consciência, reduzida a reflexo de condições sociais, perderá a sua dignidade de norma racional de ação. Os supremos valores da ordem ideal – a Verdade, o Amor e a Beleza – sem o único fundamento ontológico que lhes assegura realidade e vida, eclipsam-se numa noite sem esperanças. A morte impossível de Deus precipitaria a existência universal na negação eterna do nada. Não podemos prever o caos em que se desconjuntaria uma estrutura social em que fosse possível a extinção de Deus nas consciências humanas.
Ateísmo e materialismo são solidários no sistema de Marx. Este mundo que se pretende elevar sobre tantas ruínas será ainda o mais inumano dos mundos. O problema central em qualquer estruturação da sociedade, o problema da pessoa foi, pelo marxismo, não só preterido, nos aspectos que lhe são próprios, mas de todo em todo falseado na natureza dos seus dados fundamentais.
No homem não se viu senão a atividade econômica, característica de sua essência e plasma de sua sociabilidade. Os domínios mais nobres de sua vida individual e social – a cultura, o direito, a moral, a religião – foram anexados ao primado da economia. Onde convinha libertar o homem da hegemonia crescente e humilhante das forças de produção, consumou-se, como definitiva e ideal, a sua ditadura incontrastável. O homem já não deve dominar e disciplinar as relações econômicas para dirigi-las aos fins superiores da realização plena de sua personalidade, curva resignado o colo à tirania do seu jugo. A escravização ao econômico em vez de emancipação do econômico consuma a alienação irreparável e desumanizante.
Com esta inversão de valores desnatura-se e avilta-se a dignidade do trabalho. O esforço humano já não tem outra razão de ser senão aperfeiçoar a matéria e criar utilidades. O trabalho é isto, mas não é só isto. O que o constitui uma atividade especificamente humana, é, antes de tudo, ser uma obra viva interior das almas [que] sobrelevam em qualidade as riquezas materiais que multiplica. Trabalhando, o homem desenvolve harmoniosamente as suas mais nobres faculdades, colabora com a realização dos planos divinos da criação e procura transfigurar este mundo, de que foi constituído senhor, numa habitação em que possa desenvolver as suas energias e realizar a nobreza de seus destinos.
No horizonte das esperanças humanas o comunismo acena com felicidades sonhadas de um paraíso perdido. Mas são estreitos estes horizontes e falazes estas promessas. No indefinido em que se perde o olhar perscrutador do futuro, não se distingue senão riqueza e mais riqueza, conforto e mais conforto. Uma cúpula de chumbo, imensa e pesada, cinzenta e fria, não permite que se elevem as vistas acima dos bens materiais. O surto para o infinito, que constitui a essência mesma da personalidade, estará para sempre condenado a cair sobre si mesmo, no tantalismo de um desespero mortal. O homem transformar-se-á num animal de vista baixa: a terra estreitará para sempre o horizonte de suas perspectivas: o vôo de suas aspirações como o termo de suas atividades. Quando o trabalho se degrada à simples força criadora de valores econômicos, o homem, preso à matéria, verá alienado o melhor e mais nobre de sua natureza.
E esta alienação vai ainda mais longe. Quando se desconhece a dignidade do espírito, o homem já não tem um destino próprio, essência da personalidade. Decai à categoria de coisa ou do instrumento a serviço da sociedade. Na fórmula de Marx, o ser humano “na realidade, é o conjunto das relações sociais”. Os vínculos que, num dado momento histórico, o ligam ao meio, definem-lhe a natureza e esgotam-lhe a razão de ser. Já não há em cada homem uma vocação original que importa respeitar, uma fonte de direitos que não podem ser postergados, uma autonomia de atividades realizadoras de uma finalidade moral, indeclinável. Cerceiam-se assim, pela raiz, todas as liberdades humanas. O indivíduo é sacrificado à comunidade, o cidadão ao Estado, que lhe impõe o mais absoluto conformismo de idéias, de vontades e de sentimentos. Compreende-se que Marx ridiculariza: “o inevitável estado-maior das liberdades de 1848: liberdade pessoal, liberdade de imprensa, de palavra, de associação, de reunião, de ensino, de cultos, etc.” Compreende-se que seja imolada a geração presente à felicidade quimérica do futuro. O homem, totalmente alienado de sua excelência natural, não passa de joguete sem dignidade nas mãos dos que encarnam a falsidade de uma ideologia na tirania de uma ditadura.
A grande tarefa da hora presente é dissociar do marxismo a obra imensa da elevação das classes operárias à participação mais eqüitativa em todas as riquezas da cultura. Ele não é nem pode ser o agente das transformações sociais por que suspiramos.
A tentativa comunista, se realizada, comprometeria a civilização e mergulharia o homem, para sempre transviado dos seus destinos, na desgraça de uma catástrofe irreparável.
Não é possível combater a Deus sem ferir o homem de morte.
É com grande felicidade que comunico a entrada de mais um membro no Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA. Trata-se da senhorita Priscila Morais a quem, com grande alegria, recebemos neste bom combate da Fé, nesta busca pela aventura da Santidade e defesa da Santa Igreja.
Priscila, seja muito bem vinda...
Que Jesus Eucarístico, a partir de então, seja a tua alegria.
Não tive tempo ainda de olhar direito este vídeo. Mas posto assim antecipadamente porque ainda estamos correndo com o tempo. Por favor, ajudem a salvar o rapaz. As assinaturas praticamente pararam... Quem não assinou, assine; quem já assinou, contribua divulgando. Lembrem do valor infinito de uma alma humana. Assinem aqui. Pax.
Ps.: Quem não lê em inglês, pode assinar do mesmo jeito.
“Entre as coisas necessárias para a celebração da missa, honram-se especialmente os vasos sagrados e, entre eles, o cálice e a patena, onde se oferecem, consagram e consomem o vinho e o pão” (IGMR, 327)
“Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre, de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina Dos Sacramentos – Instrução Redemptionis Sacramentum, 117)
"Morrer com Cristo na cruz para com ele ressurgir é uma verdade que se verifica - para cada fiel e, principalmente, para cada sacerdote - na realidade do santo sacrifício da Missa. De acordo com a Fé, o sacrifício da Missa é a renovação do sacrifício da cruz. Quem o celebra ou dele participa com fé viva alcançará os mesmos efeitos que se produziram no Calvário."
Quero repetir-vos uma postagem já presente neste blog. Faço-o em virtude de considerar que, nestes dias que seguem, ela é particularmente adequada. Trata sobre a seriedade dos destratos com a Sagrada Eucaristia e com as profanações na Santa Missa. Diz como Jesus sofre com tudo isso... Mostra, enfim, em que se fundamenta a seriedade da Santa Igreja com a retidão e com o zelo na Liturgia...
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Lamentos de Jesus revelados a S. Pio de Pietrelcina escritos por este último ao seu diretor.
Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!
O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?
Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.
Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!
E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.
Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”
Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!
Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário
Relendo, ontem, um texto do prof. Drago Romano, entitulado "A Gnose e a morte de Deus", disponibilizado pelo site Permanência, encontrei a transcrição da fala de um pastor protestante, de nome Harvey Cox que, adotando uma leitura hegeliana da religião, escreveu certas coisas que representam bem o pano de fundo ideológico de muito do que vemos, hoje, entre os "católicos de esquerda". Reproduzo abaixo as linhas do Ph.D em História e Filosofia da Religião, de Harvard, com breves complementações do prof. Drago entre colchetes.
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"A noção de outro mundo (otherworldiness) conta a existência de um outro mundo mais elevado, mais santo ou mais sagrado do que o mundo secular em que vivemos. Esta suposição tem muito pouco em comum com a fé hebraica, excetuando algumas passagens apocalípticas. As escrituras dos judeus ensinam que este mundo é o único criado por Deus, que o ama e o conduz ao aperfeiçoamento. A idéia de dois mundos, sendo um secular com inferior "status", tem raízes não em fontes bíblicas, mas principalmente na Pérsia e nas filosofias helênicas que formaram a atmosfera cultural da bacia do Mediterrâneo nos primeiros séculos de vida da Igreja. (...) Nosso emergente consenso ecumênico da fé é que este mundo é o mundo que Deus está renovando e redimindo, que nossa história é a história na qual Deus age, e que o triunfo final de Deus previsto pela Bíblia será a realização daplenitude deste mundo e não do outro".
(...) O triunfalismo foi posto de lado. Agora os cristãos vêem-se mais e mais como "Povo de Deus", chamados para servir este mundo e não como uma privilegiada colônia destinada à salvação no outro mundo. (...) Secularizaçaõ (...) pretendo que signifique: perda de interesse por outros mundos, com a resultante intensificação de interesse por este mundo, e a nova emergente função da Igreja, mais como minoria e serva [deste mundo, é claro] do que maioria e senhora. (...) Uma nova teologia para uma sociedade secularizada só se produzirá quando a Igreja aceitar a eliminação de seu "status" temporal e livrar-se de todo o saudosismo de um róseo passado.
Secularização significa que o mundo onde se processa a história humana agora fornece o horizonte no qual o homem compreende sua vida.
Nossa tarefa não é nem de perpetuar essa síntese [quer ele dizer a aliança entre a revelação e a filosofia grega] nem de dispensá-la. Preferível é forjar uma nova expressão de fé bíblica dentro das categorias culturais de hoje.
Se Deus ainda é vivo e ativo, o lógico é procurar discernir sua atividade na nossa história atual (...) Uma Igreja que não se identifica com o mundo, com a mesma intensa solidariedade que Deus tem por ele, trai sua missão (...) nossas várias doutrinas herdadas surgiram do esforço da Igreja para falar em diferentes idades do mundo (...) Podemos ver que o significado de qualquer trecho de doutrina não é fixado nem fechado. (...) Se Deus age no mundo dos eventos seculares e se a responsabilidade do seu povo é discernir sua ação, isto requer uma teologia secular.
Os cristãos podem reunir-se para se consultarem uns aos outros acerca do que agora está fazendo Deus no mundo secular, participando, assim, alegremente na missão secular de Deus.
Nossa tarefa de teólogos não é podar ou preservar a fé, mas interpretá-la e reinterpretá-la para sucessivas épocas do homem.
Uma interpretação secular do Evangelho deve ser ética (...) e em nosso mundo isto significa que deva ser política."
E está chegando o famoso Dia dos Excluídos, dia em que a Liturgia Católica é excluída de várias igrejas.
E parece que as coisas já estão animadas. Já andaram esperneando por aí e falando de uma tal "pedagogia de Jesus"..rs.. Mas, pelo que eu sei, a pedagogia de Jesus era bem outra... rs (cf Jo 2,15).
Uma dúvida: é comum que o pessoal das seitas africanas transite livremente pelos templos católicos neste dia. Por que, então, não chamam um bom padre exorcista para também dar a sua colaboração num ritual do candomblé?
Mais: quem é o incoerente nesta história?A nossa transigência é mesmo uma coisa pra se orgulhar?
Houve tempo em que os católicos eram respeitados por serem mais inteligentes.
Católicos tradicionais, animem-se! Afinal, é o nosso dia...
Desde o Renascimento até ao século XIX, os modernos tiveram um amor quase monstruoso aos antigos. Ao considerarem a vida medieval, não podiam considerar os cristãos senão como discípulos dos pagãos: de Platão, nas idéias; de Aristóteles, na razão e na ciência. Não era assim. Em certos aspectos, até do ângulo mais monotonamente moderno, o catolicismo estava muitos séculos adiantado tanto ao platonismo como ao aristotelismo.
Podemos observá-lo ainda, por exemplo, na impertinente tenacidade da Astrologia. Neste assunto, os filósofos estavam todos do lado da superstição, enquanto oso santos e todas as pessoas semelhantemente supersticiosas eram contra a superstição. Mas até os grandes santos tiveram dificuldade em se desvencilhar dela. Sempre fizeram duas objeções os que suspeitavam do aristotelismo de Tomás de Aquino; consideradas em conjunto, parecem-nos hoje muitíssimo estranhas e cômicas. Uma era a opinião de que as estrelas são seres pessoais que nos governam a vida; a outra, a grande teoria genérica de que os homens têm uma inteligência coletiva, opinião evidentemente oposta à individualidade do espírito humano imortal. Ora, ambas essas teorias têm curso entre os modernos, tão forte é ainda a tirania dos antigos. A astrologia espalha-se pelos jornais de domingo, e a outra doutrina revestiu a sua centésima forma naquilo a que se chama comunismo, ou espírito da colmeia.
Nos dias 26,27 e 28 de Novembro, o Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA comemorará o seu VI Aniversário. Para celebrar esta data especial, nós estamos organizando um retiro de dois dias e uma noite com o tema "Provai e vede como o Senhor é bom!" (Sl 33,9)
Os pormenores ainda estão a ser organizados. Mas a data já está definida. Aproveitamos para fazer o convite aos amigos mais próximos.
Lembramos ainda que, sendo um retiro interno, a quantidade de vagas é limitada.
"Senti e experimentei não ser para admirar que o pão, tão saboroso ao paladar saudável, seja enjoativo ao paladar enfermo, e que a luz, amável aos olhos límpidos, seja odiosa aos olhos doentes." (Confissões, Livro IV, cap. XVI)
"Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora a procurar-Vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo, e eu não estava convosco!
Retinham-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós. Porém chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez! Brilhastes, cintilastes e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes perfume: respirei-o, suspirando por Vós. Saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e ardi no desejo da vossa paz."
"O jovem Samuel servia ao Senhor sob os olhos de Heli. [...] Samuel repousava no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. O Senhor chamou Samuel, que respondeu: "Eis-me aqui". Samuel correu para junto de Heli e disse: "Eis-me aqui. Chamaste-me". "Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te". [...] Pela terceira vez, o Senhor chamou Samuel, que se levantou e foi ter com Heli: "Eis-me aqui; tu me chamaste". Compreendeu então Heli que era o Senhor quem chamava o menino. "Vai e torna a deitar-te", disse-lhe ele, "e se ouvires que te chamam de novo, responde: "'Falai, Senhor, o vosso servo escuta!'" Voltou Samuel e deitou-se. Veio o Senhor, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: "Samuel! Samuel!" - "Falai, respondeu o menino; o vosso servo escuta!" (1 Sam 3,1-10).
"Hora de levantar-se!" Ao ouvir pela primeira vez este lema, lembrei-me imediatamente do homem que, no momento crucial da sua existência, o ouviu a partir das páginas da Sagrada Escritura: "Tens de levantar-te!" Estas palavras marcaram o rumo de toda a sua existência, e para mim foi decisivo poder conhecê-lo muito de perto nos anos em que eu mesmo encetava a jornada da vida e tomava as primeiras decisões.
Foi professor de Ciências Literárias na Tunísia, depois em Roma e por fim em Milão. Na sua juventude, unira-se a uma amante com quem vivia numa espécie de casamento em papel passado. Tinham um filho, que mimavam um pouco. Em Milão, quando por fim estava entre as personalidades mais conhecidas da alta sociedade, a sua mãe teimou em que aquela união não era conveniente; por outro lado, não podia casar-se com ela, porque a moça era de origem muito modesta e não combinava com ele por ser pouco culta. Assim, por insistência da mãe, separou-se dela. Mas, enquanto a mãe ainda procurava para ele uma esposa conveniente, o professor uniu-se a outra amiga, embora ao mesmo tempo sofresse terrivelmente pela mesquinhez do seu comportamento, pelo papel vergonhoso que estava desempenhando.
Também sofria cada vez mais por viver numa sociedade vazia e oca; considerava as suas conferências, que o tinham tornado tão famoso, nada mais que "palavrório insubstancial"; e percebia cada vez mais que essa vida de sociedade, com os seus convencionalismo e o valor que dava às origens de um e de outro, era tão hipócrita como o comportamento de que ele usara para com as suas amigas. Tudo isso o atormentava, e ele mesmo narrou como certa tarde, antes de uma grande conferência que tinha de pronunciar, encontrou pelas ruas de Milão um mendigo levemente embriagado que gracejava e brincava com os companheiros. Esse episódio penetrou-lhe no coração, e disse aos que o acompanhavam: "Esse homem leva uma vida alternativa. Com a meia dúzia de moedas que acaba de mendigar, é livre e feliz. E eu, com toda a minha erudição e toda a alta sociedade... Como é miserável esta vida!"
Também ouviu falar de outras opções. Ouviu dizer que havia homens e mulheres jovens que se erguiam, davam ouvidos a Cristo e punham sua vida inteiramente à disposição do Senhor, fundavam ordens religiosas e criavam alternativas reais para a vida. Depois contou que tina a impressão de que Deus o tinha tirado de trás de si e posto frente a frente consigo mesmo, obrigando-o a olhar para o seu próprio rosto e ver quem realmente era e que aspecto tinha. E acrescentava: "Eu era como um homem que tenta levantar-se em sonhos, que se esforça por erguer o corpo ainda adormecido,mas está oprimido pelo poder do sono e por um cansaço pesado como chumbo".
Soube, além disso, de um colega que também tinha sido professor de Literatura, mas num Estado ateu, onde se negava por princípio aos cristãos o acesso às cátedras universitárias. Esse homem, em circunstâncias dramáticas, professara publicamente a sua condição de cristão, porque preferia perder a sua cátedra a perder a sua honra, a sua alma e o seu Deus. E tudo isso agia sobre o nosso personagem. Sentia-se dilacerado, cheio de desprezo pela vida que levava, mas ao mesmo tempo incapaz de deixá-la e de passar a ser outra pessoa.
Mergulhado nessa imensa angústia, andava um dia pelo jardim da sua casa em Milão, dilacerado por dentro, lutando a meias com a decisão de levantar-se, mas o ao mesmo tempo ainda incapaz de fazê-lo. Contou-nos como via em espírito aproximarem-se dele as suas antigas amigas para dizer-lhe: "Mas se você não pode viver sem nós!..." E como via desfilar diante de si a sua vida, com todos os atrativos da sociedade e todos os prazeres que lhe diziam: "Mas se você não pode viver sem tudo isto!..."
Tomado de uma ira desesperada contra si mesmo, decidiu apostar toda a sua vida numa só cartada e abriu ao acaso uma Bíblia. E encontrou estas palavras: Já é hora de despertardes do sono. A salvaçao está mais perto do que quando abraçamos a fé. A noite vai adiantada e o dia vem chegando. Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia, sem orgias nem bebedeiras, sem desonestidades nem dissoluções, sem contendas nem ciúmes. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais os apetites (Rom 13, 11-14).
E ele acrescenta: "Não li mais. Não precisava ler mais, pois agora sabia o que devia fazer: devia levantar-me para ir ao encontro de Jesus Cristo". E fez-se batizar e começou a vida nova, a vida alternativa com Cristo, tal como a vira descrita nessa passagem.
Como todos já sabem, esse homem chamava-se Agostinho. A sua vida transcorreu há mil e quinhentos anos, mas mesmo assim podemos encontrá-lo de maneira tão pessoal e tão próxima nos seus escritos como se estivesse ao nosso lado, porque viveu a nossa vida.
Isto marejou-me os olhos quando li pela primeira vez:
"As crianças olhavam para a face do Leão enquanto ele pronunciava essas palavras. De repente (nunca souberam como aconteceu), foi como se a face de Aslam se tornasse um mar de ouro no qual flutuavam; inexprimível força e ternura passavam por eles e por dentro deles; e sentiram que jamais na vida haviam sido realmente felizes, bons ou sábios, nem mesmo vivos e despertos, até aquele momento."
C.S.Lewis, As Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mago, Cap. XV.