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Desigualdade Natural ou Igualitarismo?

Este é um tema importantíssimo que os católicos não se podem esquivar de bem compreender. A ideologia marxista persiste e, sorrateiramente, tenta inculcar os seus princípios, seja nas universidades, seja nas mídias, seja em certas igrejas. E a coisa é de tal modo que se acostumou a fazer uma estranha associação entre o igualitarismo e a idéia de justiça, sendo que são justamente opostas. Quem quer que ataque a ideologia igualitária terá uma desaprovação em massa, justamente pelo nível de ludibriação a que submeteram os incautos.

O igualitarismo pretende o absoluto nivelamento dos sujeitos, o que não se faz sem diversas mutilações e, uma vez feito, impede qualquer tipo de crescimento, pois quem cresce, naturalmente, se destaca, isto é, acentua a sua desigualdade em relação a outros.

O termo justiça, por sua vez, implica uma reta distribuição ou ordenamento, apontando, por isto, para uma hierarquia harmônica. Ora, tal distribuição não é meramente arbitrária, pelo que supõe certa desigualdade, segundo a qual os elementos serão retamente distribuídos. É a justiça que permite a ordem; é a ordem que gera harmonia e beleza.

Feita esta pequena introdução, recomendo este extenso texto do excelente blog "A Grande Guerra". Fica, pois, a recomendação de ambos (texto e blog). Embora o blog seja específico para as mulheres, traz, todavia, textos espirituais e doutrinais de uma riqueza enorme que podem ser aproveitados por todos. Aproveitem.

Fábio.

Pornografia em troca de textos religiosos


Vejam só. Agora esse bando de néscio está dando material pornográfico em troca de obras religiosas. Se continuarem assim, futuramente estarão dando qualquer coisa em troca de um dedo molhado. (Lc 16,24).

De Deus não se zomba! (Gl 6,7)

Ótima frase do Reinaldo Azevedo e péssima comparação da senhora Dilma Rousseff...

"A esquerda da Igreja é aquela sentada também à esquerda de Deus Pai, se é que me entendem…" 
(Reinaldo Azevedo) rs...

No mesmo artigo, que ponho já a fonte, Reinaldo fala de uma pergunta que fizeram à Dilma após uma Missa que ela teria assistido. Perguntaram, na ocasião, se ela era favorável ao aborto, ao que teria respondido:

"“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.

E comenta o Reinaldo: "Resta evidente que ela estabeleceu um paralelo entre o dente, que certamente não é do siso, e o feto. Assim, um aborto pode ser uma contrariedade comparável à extração de … um dente."


Fonte: Dilma, a católica, compara aborto a arrancar um dente.

Ontem, no dia de Corpus Christi...

Caríssimos, anteontem a internet ficou fora o dia inteiro.rs...
E ontem, o glorioso dia de Corpus Christi, estávamos ocupados com o tapete sobre o qual passaria, horas depois, o Santíssimo Sacramento. Realmente não tive tempo de postar nada.

Em se tratando de textos relacionados à Eucaristia, tenho como um ótimo referencial o Pe. Ronald Knox. Claro que há outros vários. S. Pedro Julião Eymard, o baluarte dos Anjos de Adoração, é, com certeza, um dos maiores, e recomendo muitíssimo os textos dele. 

Sobre os tapetes de Corpus Christi, vou ver se depois disponibilizo alguma foto aqui no blog, pois vi que tiraram. Sobre isto dos tapetes, foi uma aventura. Estávamos sem material; ainda assim, começamos a fazer o esboço na rua. Desenhamos um pelicano. Para quem não sabe, o pelicano é um pássaro que alimenta os filhotes com a própria carne. Por este motivo, costuma simbolizar Nosso Senhor que nos dá Sua Carne e Seu Sangue a comer. Bem... continuando...

É tradicional que neste dia sempre chova por aqui. O esboço estava muito bonito e apenas saí um momento... Quando voltei, a chuva havia apagado quase tudo...kkk.. Somente uma linha ou outra é que se via... Mas ainda deu pra fazer algo..rs... Havia também outro desenho, mas que a chuva tratou de apagar todo, juntamente com alguns nomes. No fim, porém, o pelicano ficou bonito. Se eu encontrar alguma foto do desenho, porei por aqui. Por ora, ponho o original:

Sobre os textos do Pe. Ronald Knox, ficarão pra depois. Mas, assim que der, os postarei.

Fábio.

"Se és o Filho de Deus..." - O inspirador da TL


Papa Bento XVI

"Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pão" (Mt 4,3) - assim diz a primeira tentação (de Jesus). As palavras "Se és o Filho de Deus..." serão ditas novamente, pouco depois, pelos escarnecedores junto da cruz: "Se és o Filho de Deus, então desce da cruz..." (Mt 27,40). O livro da Sabedoria já havia previsto esta situação: "Se o justo é realmente o filho de Deus, então Deus o amparará..." (Sab 2,18). Escárnio e tentação andam aqui perfeitamente juntos: para se tornar digno de fé, Jesus deve apresentar a prova para a sua pretensão. Esta exigência de prova percorre toda a história da vida de Jesus, visto que constantemente o acusam de não ter provado suficientemente pois não realizou o grande milagre que retirasse toda a ambigüidade e toda a contradição e que a todos clara e indiscutivelmente mostrasse quem ele era ou não.

E esta exigência a respeito de Deus, de Cristo e da Igreja tem sido constantemente mantida ao longo de toda a história: Se tu existes, ó Deus, então tu mesmo te deves mostrar. Então deves retirar as nuvens do teu escondimento e dar-nos a clareza que pretendemos. Se Tu, Cristo, és realmente o Filho de Deus e não um dos iluminados, como sempre apareceram na história, então Tu deves mostrar isso de um modo muito mais claro do que o fazes. E então Tu deves dar à Tua Igreja, se ela verdadeiramente deve ser a Tua, uma outra medida de clareza, diferente daquela que na realidade tem.

(...) A prova da existência de Deus que o tentador propõe na primeira tentação consiste em transformar em pão as pedras do deserto. Trata-se, em primeiro lugar, da fome de Jesus no sentido literal como viu S. Lucas: "Diz a esta pedra que se transforme em pão" (Lc 4,3) Mas S. Mateus compreende a tentação de um modo mais abrangente, como já durante a vida do Jesus terreno e como durante toda a história Lhe fora e Lhe será apresentada.

O que há de mais trágico, o que mais contradiz a fé num Deus bom e a fé num redentor do homem do que a fome na humanidade? A primeira prova de identidade do redentor perante o mundo e para o mundo não deverá ser que Ele lhe dê pão e que acabe com toda a espécie de fome? Durante o tempo da peregrinação pelo deserto, Deus tinha alimentado o povo de Israel com o pão descido do céu, com o maná. Pensava-se então poder reconhecer nisto uma imagem do tempo messiânico: não devia, e não deve, o redentor do mundo provar a sua identidade dando a todos de comer? Não é o problema da alimentação do mundo, e em geral, o problema social, o primeiro e autêntico critério pelo qual a redenção deve ser medida? Pode alguém com direito dizer-se redentor se não satisfizer este critério? Do modo conceitual mais elevado, o marxismo fez disto o cerne da sua promessa de salvação: ele cuidaria para que acabasse toda a fome e que "o deserto se tornasse pão..."

"Se és o Filho de Deus..." - que desafio. E não se deve dizer o mesmo à Igreja: se queres ser a Igreja de Deus, então te preocupa em primeiro lugar com o pão para o mundo, o resto virá a seguir? É difícil desponder a este desafio, precisamente porque insistentemente nos chega e nos deve chegar aos ouvidos e à alma o grito dos famintos. O tema do pão está presente em todo o Evangelho e deve ser considerado em toda a sua amplitude.

Há ainda outras duas grandes histórias na vida de jesus envolvendo pão. A primeira história é a multiplicação dos pães para os milhares de pessoas que seguiram Jesus até o deserto. Mas por que agora é feito o que antes tinha sido repelido como tentação? Os homens tinham vindo para escutar a palavra de Deus e tinham por isso abandonado todo o resto. E assim, como homens que tinham aberto o seu coração para Deus e para os outros, aqueles podem receber o pão com merecimento. Este milagre do pão envolve três coisas: a primeira é a procura de Deus, da sua palavra, da reta instrução para toda a vida; depois o pão é pedido a Deus; e finalmente a disposição recíproca para a partilha é um elemento essencial do miliagre. Escutar Deus torna-se vida com Deus e isso conduz da fé ao amor, à descoberta do outro. Jesus nã é indiferente à fome dos homens, às suas necessidades corporais, mas situa tudo isso no contexto correto e confere-lhe a devida ordem.

A segunda história do pão aponta já para a terceira e é preparação para ela: a Última Ceia, que se torna Eucaristia da Igreja e o permanente milagre do pão de Jesus. Jesus mesmo se tornou o grão e trigo que deve morrer, para que dê muito fruto (Jo 12,24). Ele mesmo se tornou pão para nós, e esta multiplicação dos pães dura inesgotavelmente até o fim dos tempos. Assim compreenderemos agora a palavra de jesus, que Ele retira do Antigo Testamento (Dt 8,3), para com ela repelir o tentador: "O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,4). A este respeito há uma expressão do jesuíta alemão Alfed Delp, que foi condenado à morte pelos nazistas: "O pão é importante, a liberdade é mais importante, mas o mais importante de tudo é a adoração".

Onde esta ordem dos bens não for respeitada, mas invertida, não haverá nenhuma justiça, não haverá mais cuidado com os homens que sofrem; mas precisamente aí o domínio dos bens materiais será desorganizado e destruído. Onde Deus é considerado uma grandeza secundária, onde pode ser deixado de lado por algum tempo ou por todo o tempo por causa de coisas mais importantes, aí precisamente fracassam essas coisas pretensamente mais importantes. Não é só o desfecho negativo da experiência marxista que o demonstra.

A ajuda do Ocidente para o desenvolvimento com base em princípios puramente técnicos e materiais - que não só deixa Deus de fora, mas também força o homem a d'Ele se afastar com o orgulho do seu saber fazer melhor - foi precisamente o tipo de ajuda que criou o Terceiro Mundo no sentido que hoje se entende. Esta "ajuda" empurrou para o lado as estruturas religiosas, morais e sociais e instaurou no vazio a sua mentalidade tecnológica. Ela julgava poder transformar pedras em pão, mas gerou pedras em fez de pão. Trata-se do primado de Deus. Trata-se de O reconhecer como realidade, como a realidade sem a qual nada mais pode ser bom. A história não pode ser regulada longe de Deus por estruturas simplesmente materiais. Se o coração do homem não for bom, então nada pode tornar-se bom. E a bondade do coração só pode, em última instância, vir daquele que é bom, que é o bem em si mesmo.

Pode naturalmente perguntar-se por que Deus não fez um mundo no qual a sua presença fosse mais evidente; por que Cristo não deixou atrás de si um outro esplendor da sua presença, mais adequado e irresistível. Este é o mistério de Deus e do homem no qual não podemos penetrar. Vivemos num mundo no qual tudo deve ser palpável, e Deus não apresenta nenhuma evidência do que é palpável; Deus só pode ser procurado e encontrado se abrirmos o coração, se nos remetermos ao "êxodo" do "Egito". Neste mundo temos de nos opor aos enganos das falsas filosofias e reconhecer que não podemos viver só de pão, mas, antes de mais nada, da obediência à palavra de Deus. E somente onde esta obediência for vivida é que cresce a atitude que permite criar pão para todos.

Bento XVI, Jesus de Nazaré, p.43-46. (Grifos meus)

Entrevista com um dos discursantes do 12º Intereclesial das CEBs

Conforme divulgado no Fratres in Unum, Leonardo Boff, um dos discursantes do 12º Interclesial das CEBs, concedeu uma entrevista à renomada e mui interessante revista Isto É. Os que quiserem comprovar o nível de catolicidade do famoso teólogo, bem como sua fidelidade à doutrina católica e o seu cálido amor ao Papa Bento XVI, não deixe de ler esta entrevista.

Com certeza, as Comunidades Eclesiais de Base, apreciando a fala de um tão fidelíssimo católico dá mostras de sua igual disposição em manter-se obediente ao ensino da Igreja e ao Sumo Pontífice Bento XVI. A entrevista comove de tanta sabedoria. Apreciem.

Sons para o Eterno - Sobre a música sacra


Excertos de uma entrevista a Joseph Ratzinger feita por Vittorio Messori em 1984.

"(...) muitos liturgistas puseram de lado esse tesouro (a música sacra), declarando-o 'esotérico', 'acessível a poucos', abandonaram-no em nome da 'compreensão por todos e em todos os momentos' da liturgia pós-conciliar. Portanto, não mais 'música sacra', relegada quando muito a ocasiões especiais, às catedrais, mas somente 'música utilitária', canções, melodias fáceis, coisas corriqueiras".

"(...) além do mais, a música sacra é, ela mesma, liturgia, e não um simples embelezamento acessório".

"O abandono da beleza se mostrou uma causa de derrota pastoral".

"Torna-se cada vez mais perceptível o pavoroso empobrecimento que se manifesta onde se expulsou a beleza, sujeitando-se apenas ao útil. A experiência tem demonstrado que a limitação apenas à categoria do 'compreensível para todos' não tornou as liturgias realmente mais compreensíveis, mais abertas, somente as fez mais pobres. Liturgia 'simples' não significa mísera ou reles: existe a simplicidade que vem do banal e outra que deriva da riqueza espiritual, cultural e histórica". "Também nisso, deixou-se de lado a grande música da Igreja em nome da 'participação activa', mas essa 'participação' não pode, talvez, significar também o perceber com o espírito, com os sentidos? Não existe nada de 'activo' no intuir, no perceber, no comover-se? Não há, aqui, um diminuir o homem, reduzindo-o apenas à expressão oral (...)?"

"Uma Igreja que se limite apenas a fazer música 'corrente' cai na incapacidade e torna-se, ela mesma, incapaz. A Igreja tem o dever de ser também 'cidade da glória', lugar em que se reúnem e se elevam aos ouvidos de Deus as vozes mais profundas da humanidade. A Igreja não pode satisfazer-se apenas com o ordinário, com o usual, deve reavivar a voz do cosmos, glorificando o Criador e revelando ao próprio cosmos a sua magnificência, tornando-o belo, habitável e humano."

"Se a Igreja, portanto, deve continuar a converter, a humanizar o mundo, como pode, na sua liturgia, renunciar à beleza, que é unida de modo inseparável ao amor e, ao mesmo tempo, ao esplendor da Ressurreição? Não, os cristãos não se devem contentar facilmente, devem continuar fazendo da sua Igreja o lar do belo, portanto do verdadeiro, sem o que o mundo se torna o primeiro círculo do inferno".

Fonte: Meloteca.

Download do Cd do Papa

Pra quem não teve ainda a honra de escutar,
Clique na imagem para baixar.
(até rimou...rs...)

Tradição Católica... tão maltratada nestes dias

Ponho aqui o belíssimo video disponibilizado pela Teresa e que mostra algo da belíssima Tradição Católica, tão desprezada e maltratada nestes dias. Assisti-lo parece ser como uma mirada nos olhos marejados da Santa Igreja que parece perguntar atônita a muitos dos seus filhos: "que estais a fazer? Não vedes que belíssima tradição a de vossa Igreja? Por que, pois, deliberadamente, a desprezas? Que estais a fazer?"

Assistam, caríssimos. O video me traz a nostalgia de algo que nunca vi presencialmente, mas que sei que corresponde aos anseios da minha alma de católico. Até quando Nosso Senhor terá de suportar-nos em nossos destratos e em nossa indiferença que clama aos céus? Muitos parecem ter esquecido a advertência de S. Paulo: "de Deus não se zomba"... Que Maria Puríssima nos reconduza à obediência e ao zelo...

Não se pode cantar músicas protestantes na Santa Missa


Este é um ponto que gera polêmica, pois a maior parte dos católicos românticos de hoje em dia, não apenas querem cantar músicas do Régis Danese ou do Diante do Trono nas Santas Missas, mas ainda se servem destes cantores e grupos como fonte de inspiração. A estes, inculcar que não se pode cantar música protestante na Santa Missa se torna difícil.

Transcrevo abaixo um texto do saudoso Dom Estêvão Bettencourt sobre o assunto.

***
"Não é conveniente adotar cânticos protestantes em celebrações católicas pelas razões seguintes:

1) Lex Orandi Lex Credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos. No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religiosos, ao que S. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.

Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em consequência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.

Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica.

2) Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: a Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestra... esses temas não podem faltar numa autência espiritualidade cristã.

3) Deve estimular a produção de cânticos católicos com base na doutrina da fé."

Dom Estêvão Bettencourt, O.S.B., Revista Pergunte e Responderemos. (Grifos meus).

Vidas dos Santos em Quadrinhos

Conhecer a vida dos santos é importante, pois eles nos ensinam como viver o Evangelho de Nosso Senhor, como amá-Lo sobre todas as coisas, como ser dóceis a Ele. São exemplos de como Deus ama o homem e O quer junto a Si, participante da Sua alegria. As suas vidas e os seus exemplos nos motivam e ensinam. Por isto, dizia Sto Antônio de Pádua, conhecer um santo deve levar o cristão a querer imitá-lo no amor e na entrega, salvos, óbvio, os traços específicos da vocação particular.

Mais uma vez, pesquisando, encontrei uma coleção da vida dos santos, entitulada "Vidas Ejemplares" (espanhol), disponível para Download. Há uma leve biografia de vários deles e, além de ajudar-nos a conhecer os nossos irmãos que já gozam da Alegria Celeste, ainda nos treinam a leitura no espanhol.. =D

Os livros são escritos no formato de HQ (Histórias em Quadrinhos). 
Os que se interessarem, podem baixá-los por aqui.

Só um detalhe. Os arquivos geralmente estão na extensão cbr. Para visualizá-los basta salvar com a extensão rar ou, depois de salvos em cbr mesmo, abrí-los pelo rar.

Pentecostes e Carismatismo.

Passamos pelo Pentecostes, no último domingo, e adentramos, novamente, no Tempo Comum. Porém, um dia é suficiente para levantar de novo o ânimo dos carismáticos que, baseados numa leitura estranha e extra-católica do livro dos Atos, atribuem ao Espírito Santo uma série de coisas que Ele não faz.

Obviamente, há muitas pessoas sinceras no carismatismo, de modo que, quando escrevemos algo sobre isto, não queremos tratar dos adeptos, mas do movimento em si, e somente o fazemos em vista da Verdade. A caridade nos exige.

Longe de mim querer esgotar num texto assim o número de erros e doutrinas avessas à Fé Católica presentes no carismatismo ou na dita RCC. De fato, são de naturezas muito diferentes, e se há, hoje, qualquer confusão entre o catolicismo e o pentecostalismo, é somente em virtude do desconhecimento do primeiro. De fato, a inequívoca doutrina da Igreja não se coaduna com movimentos nascidos do mais irresponsável e ingênuo protestantismo.Vejamos, somente, alguns pontos.

O sincretismo, isto é, a mistura relativista de movimentos diferentes, como se mil pássaros amarrados, pelo fato de conterem duas mil asas, pudessem fazer algum tipo estrambólico de vôo, sempre foi condenado pela Igreja. Representa, na verdade, um desrespeito contra a Verdade revelada. Pio XII chamava esta atitude de "falso irenismo" que consiste no cultivo de uma falsa paz (caricato da caridade) pelo sacrifício da Verdade. Desde que a Verdade, para os cristãos, é uma Pessoa e esta Pessoa é Deus, amar a Verdade sobre todas as coisas é um dever estrito de todo e qualquer católico. Por isto, Nosso Senhor nos dava a Sua Paz, a Paz que o mundo não pode dar, pois não é fruto da transigência dos retos valores nem da covardia, mas é proveniente da mesma Verdade que se amou e pela qual se entregou a vida.

Se observarmos o carismatismo, ele mantém inúmeros traços de sua origem. Geralmente, os seus adeptos são pessoas muito dadas a esta falsa compreensão do ecumenismo, que defende o ideal maçom da fraternidade universal. Por isto, negam na prática o dogma proclamado no IV Conc. de Latrão, e que afirma firmemente que "Fora da Igreja não há Salvação". Na verdade, negar tal dogma é a única forma de defender a legitimidade do movimento carismático, já que a sua origem protestante não é nenhum mistério. Se a Salvação só se dá pelo Espírito Santo e, se não há Salvação fora da Igreja, o que faria o Espírito Santo no protestantismo? Se realmente a Igreja necessitasse de tal "renovação", porque ela não teria origem na própria Igreja? O Sumo Pontífice Pio XII diz ainda que "nem Salvação nem Santidade" podem ser encontradas fora da Igreja. Eis, portanto, a contradição do Mons. Jonas ao dizer, algum tempo atrás, que os protestantes eram "lindos e santos". As grandes forças do carismatismo somente podem ser duas: ou a ignorância ou a má intenção. Tomemos o cuidado de não atribuir esta última a alguém em particular, pois então cairíamos no pecado do julgamento proibido por Nosso Senhor. Portanto, trabalhemos para que a ignorância dos carismáticos, seja, então, vencida. Repito, a caridade nos exige.

Continuemos. Se se nega a veracidade da proposição "Fora da Igreja não há Salvação", está-se indo contra a infalibilidade da Igreja, o que causa automática excomunhão. Se, porém, um carismático aceita a validade do dogma, então coloca-se em contradição, por ser, ele mesmo, adepto de um movimento de origem protestante.

E não está claro que, se de fato a Igreja precisasse receber o Espírito Santo de uma outra, ela se poria, então, abaixo desta outra, como se dela necessitasse? Eis que, com a defesa desta alternativa, acaba-se por inutilizar toda a hierarquia católica, pela qual Nosso Senhor assiste a Igreja. Se o Espírito Santo nos vem a partir da imposição das mãos de um "pastor" protestante, que necessidade teríamos dos Sacramentos, ou dos ministros ordenados?

Sendo um movimento originalmente protestante, a RCC mantém-se inclinada a isto, vendo com bons olhos todas as seitas que partilham das mesmas "experiências". O quesito fundamental, portanto, torna-se o dito "batismo no Espírito Santo", espécie de ritual de iniciação, reputando ao escanteio os verdadeiros componentes da Fé, como a reta doutrina da Igreja e a centralidade dos sacramentos. Recentemente, tive a infelicidade de ouvir mais uma "pregação" carismática. Nela, se falava do evento de Pentecostes. Dizia a "pregadora" que, naquela ocasião, no cenáculo, o Espírito Santo havia vindo sobre todo mundo, de todas as raças, o que significava que o Espírito Santo não pertencia a um povo, ou a uma raça, ou sequer a uma Igreja, mas que vinha sobre todos que se abrissem.

Ora, esta pregação é muito problemática; típica dos protestantes que "pregam a briba" (sic) sem o mínimo preparo. A pregadora não precisou o que significa este "se abrir". Esqueceu-se de dizer também que, em Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre "Maria e os Apóstolos" e, portanto, sobre a Igreja, e que, com esta graça, Pedro converteu 3.000 pessoas que, então, se tornaram católicas. Não notou a pregadora sincrética (alguns diriam ecumênica) que o Espírito Santo confirmou a hierarquia da Igreja. Pobres dos desavisados que, se levarem a sério o que ali foi dito, em plena solenidade de Pentecostes, vão crer que não há mal algum em entrar em um boteco de esquina e escutar um qualquer só porque ostente o título de "pastor".

O problema da RCC não se reduz, porém, à sua origem ou à sua abertura sincrética, isto é, à negação prática do dogma referido acima. (Lembremos que negar um dogma é causa de excomunhão automática). Ele se estende ao ensinamento carismático, mesmo quando, por vezes, alguns dos seus membros, um pouco mais informados sobre o que a Igreja ensina, tenta acidentalmente conciliar o carismatismo com a doutrina tradicional.

Primeiramente, convinha saber de onde surgiu esta identificação entre os fenômenos "carismáticos" que se observam hoje e aqueles que ocorreram com os primeiros cristãos. Por que se deduziu que o carisma das línguas dos tempos apostólicos era ininteligível? E, ainda que fosse, qual a garantia de que seria um som repetitivo como o que se costuma fazer? Interessantes os modismos: há pessoas que "aprendem" a fazer de um jeito. Depois, escutam um pregador famoso rezar de outro e, logo em seguida, passam a imitá-lo, seja na repetição contínua das mesmas sílabas, seja na entonação com que se "fala" ou se "canta".

Depois, quem disse que estes fenômenos, os carismas autênticos, eram ordinários, isto é, deviam ser para qualquer um?

Está claro que o fenômeno de Pentecostes, onde os Apóstolos se faziam entender em todas as línguas, é uma contraposição àquele da Torre de Babel onde, tomados de soberba, os homens intentavam chegar aos céus por sua própria força e, tendo Deus dividido as suas línguas, já não se entendiam. O Espírito Santo substituiu, portanto, o caos pela ordem. Os carismáticos, porém, parecem preferir a anarquia de Lutero, onde cada um define as suas próprias verdades e acessa o Espírito Santo por si mesmo, num igualitarismo absurdo em que cada um se revela uma autoridade.

Há ainda a ênfase carismática do caráter emotivo, interpretando as sensações e os sentimentos que se experimentam (geralmente induzidos) como se fossem toque de Deus, caindo num fenomenalismo e subjetivismo grosseiros. E tudo isto quando a mística católica adverte a não desejar tais coisas, nem dar-lhes demasiado valor. Cai-se aí num sensacionalismo, enquanto que a espiritualidade católica tende a ver com bons olhos, ao contrário, a simplicidade do cotidiano, a ordinariedade dos pequenos eventos.

Além disto, a RCC, pregando que os ditos carismas são fator essencial, negam o dogma da indefectibilidade que afirma que os elementos essenciais da Igreja jamais desaparecerão. A RCC afirma um grande hiato carismático entre os tempos apostólicos e o surgimento do pentecostalismo, identificando, neste espaço, apenas umas poucas manifestações do Espírito Santo, nos fatos extraordinários da vida dos santos. Dessa forma, eles põem as suas "experiências" em pé de igualdade com aquelas vivenciadas pelos grandes místicos. Já vi, inclusive, um livro que buscava mostrar que Sta Teresa D'avila, nos seus êxtases e arroubos, vivia, na verdade, algo semelhante às experiências que os carismáticos viveriam séculos mais tarde. Pura ingenuidade...

Além disto, a busca irrefletida das primeiras experiências ou dos tempos apostólicos supõe um desprezo pela Tradição, e leva-os a cair na heresia já condenada chamada "antiquarianismo". O costume, também carismático, de dividir a história em três grandes partes, cada qual atribuída a uma das Pessoas da SS. Trindade, culminando no tempo do Espírito Santo ou o que alguns chamam de "Igreja do Apóstolo João" já foi condenado pela Igreja, desde o seu funfador, o herege Joaquim de Fiori. Há um bom tempo atrás, eu ouvia o cantor Laércio Oliveira repetir esta mesmíssima teoria.

Estas e outras questões são extensivamente tratadas em vários artigos. Quem se interessar por elas, se ainda não as tiver estudado mais profundamente, poderá encontrá-las com relativa facilidade. São questões irrenunciáveis a qualquer um que tenha o mínimo de sinceridade.

Portanto, este movimento romântico e aparentemente católico representa um risco para a Fé. Coisa que sempre digo: qualquer um que se dedicar a um mínimo estudo da tradição espiritual da Igreja verá que este meio que misticismo protestante, com fortes características gnósticas, em nada se coaduna com a Igreja. A sua aparência devota se deve ao fato de utilizar elementos católicos, como a devoção a Nossa Senhora, ao Espírito Santo, ou à Santíssima Eucaristia, esta última característica de alguns grupos em particular. O erro, porém, é tanto mais nocivo quanto mais aparenta ser verdade.

Novamente, esclareço: escrevo pelos carismáticos, contra o carismatismo. O verdadeiro católico não precisa se vincular a estas coisas. A mística tradicional é mui rica e madura. Basta conhecê-la para rejeitar estas caricaturas devocionais. Como dizia Nosso Senhor: "A verdade vos libertará".

Obs.: Já fui carismático. Sei do que falo.

Quaisquer dúvidas, comentem aí...
Que a Virgem nos conduza.

Fábio.

Download de Músicas Litúrgicas

Como se sabe, é raro encontrar um cd interessante de músicas litúrgicas que possam ser usados na Santa Missa. Mais comuns são os gregorianos, particularmente usados nas celebrações do rito extraordinário, isto é, nas Santas Missas Tridentinas, muito embora o gregoriano também possa e deva ser usado no rito ordinário.

Aqui no Brasil, os hinários litúrgicos da CNBB não são nada interessantes. Das músicas aí disponibilizadas, um ou outra é que se salva. A grande maioria peca, seja pela letra, seja pelo ritmo ou outros elementos. Esta é outra característica moderna: a superficialidade com que se julga a música. Geralmente, atenta-se somente para a letra, e ignora-se que a música é, na verdade, todo um composto de letra, melodia, harmonia e ritmo.

A Igreja afirma que os compositores de tais músicas devem estar mergulhados no Sensus Ecclesiae, coisa que parece ser ignorada. Seja como for, em pesquisas recentes encontrei um Cd de cantores italianos que traz belas músicas litúrgicas. Muito diferente dos baiões da CNBB, o Cd representa uma alternativa ao gregoriano e as músicas, em sua grande maioria, são em latim.

Considerando a grande dificuldade que é encontrar algo dessa natureza (sobretudo no Brasil) e que, uma vez conhecidas, as músicas poderão e deverão contribuir para trazer uma maior dignidade e solenidade ao Santo Sacrifício do Senhor, é com muito gosto que disponibilizo o link para serem baixadas. Mesmo se ainda não puderem ser consideradas como "o ideal", uma vez que sejam aprendidas e utilizadas nas celebrações, representarão um grandíssimo avanço com relação aos sambas e forrós que nos são propostos no Brasil como referenciais da música sacra.


Pax et Bonum.

Fábio.

A Virgindade do Coração - S. Pedro Julião Eymard

Sicut lilium inter spinas,
sic amica mea inter filias.

"Que a alma, que me é cara entre todas,
seja qual lírio no meio de espinhos" (Ct 2,2).

O reinado do amor está na virgindade do coração. É nos figurado pelo lírio que domina regiamente as outras flores do vale.

O amor é um. Dividido, repartido será infiel. A verdadeira união realiza-se pela troca dos corações. É pelo coração que as criaturas humanas se unem uma à outra enquanto a pureza dessa união é simbolizada pela veste branca da esposa.

Jesus Cristo também pede-nos a posse radical do nosso coração, sobre o qual quer reinar de modo absoluto, não tolerando que o repartamos com criatura alguma. Ele é o Deus de toda pureza. Ama as virgens acima de tudo; às virgens concede Seus favores e lhes dedica o Cântico do Cordeiro. Elas lhe formam a corte privilegiada e O acompanham por toda a parte.

Jesus só Se une ao coração puro. É próprio de Sua união gerar, conservar e aperfeiçoar a pureza.

Não produz o amor, pela sua natureza, identidade de vida e simpatia de afeições entre dois amantes?

O amor evita desagradar, esforçando-se por agradar. Ora, se o que desagrada a Jesus Cristo é o pecado, o amor lhe terá horror, evitá-lo-á por todos os meios e o combaterá energicamente, preferindo antes morrer alegremente a cometê-lo. É a mesma história que se repete com os Santos, os Mártires e as Virgens. É sentimento próprio a todo cristão, pois todos nós devemos estar dispostos a morrer antes de ofender a Deus.

Nada é delicado como a alvura do lírio. O menor grão de poeira, o mais ligeiro sopro diminui-lhes o lustre. Podemos dizer o mesmo da pureza do amor, cioso por natureza.

O título que mais apraz a Deus é também aquele que mais gostamos de repetir: "Deus cordis mei". Deus do meu coração. Ah! o coração é nosso soberano, dirige-nos a vida; é a chave de posição. Eis por que todas as tentações do mundo visam conquistá-lo, porquanto uma vez ganho, tudo o mais cai. É a razão pelo qual a Sabedoria divina nos diz: "Meu filho, guarda teu coração com todo o cuidado, já que dele depende toda a tua vida". - Fili, omnis custódia custodi cor tuum, ab ipso enim vita procedit.

Jesus só reinará na alma como Senhor absoluto, pela pureza do amor.

Há, porém, duas espécies de amor em Jesus Cristo.

A primeira, é a pureza virginal, que brota, qual fruto natural, do amor de Jesus. A alma, seduzida por esse amor, prevenida por esse atrativo, quer consagrar seu coração ao Esposo e dedicar-Lhe tudo. "Ut sit sancta corpore et spiritu." É um lírio, e Jesus, que se compraz no meio dos lírios, reina no seu espírito, calmo e puro, onde luz só a verdade. Reina no seu coração, como soberano Senhor. Reina no seu corpo, cujos membros Lhe estão consagrados e ofertados como hóstia viva, santa e de agradável odor. "Ut exhibeatis corpora vestra hostiam viventem, sanctam, Deo placentem."

E a alma encontra nessa pureza toda a sua força. Ante a virgem, treme o demônio. Não foi o mundo vencido por uma Virgem? Serão muitos os corações virgens que nunca amaram senão a Nosso Senhor? Deviam ser, se refletíssemos no que é Jesus Cristo. Que homem ou rei Lhe pode ser comparado? Quem será maior, mais santo, mais amoroso? Ah! a realeza desse mundo não vale a realeza virginal de Jesus Cristo!

Havia muitos corações virgens nos séculos de perseguições, no século de Fé. Avaliava-se bem então a honra que estava em dar seu coração unicamente ao Rei dos Céus, em Lhe pertencer tão-somente. Hoje em dia, ainda há muitos, apesar dos laços que lhes tecem o mundo e o sangue. São anjos no meio do mundo, mártires de sua felicidade, pois terríveis e pérfidos são os combates que lhes dão o século e a família, lançando mão de todos os meios para arrancar-lhes essa coro régia, recebida das mãos de Jesus, o Esposo Divino.

Nosso Senhor recompensa a fidelidade dessas almas, unindo-Se-lhes numa intimidade crescente. Pureza, por essência, purifica-as sem cessar, tornando-as um ouro puríssimo, dando-lhes mais tarde no Céu uma recompesa sem par. "Vi o Cordeiro, disse São João, o Apóstolo virgem, na montanha de Sião e com Ele os cento e quarenta e quatro mil virgens que lhe traziam o nome, bem, como o do Pai, escrito na fronte. E eles cantavam em presença do Cordeiro, um cântico novo, cântico este que ninguém mais podia cantar. São virgens, e porque estão sem mácula ante o trono de Deus, seguem ao Cordeiro por toda parte onde for".

A quem não couber essa coroa de pureza virginal, resta ainda a da pureza de penitência nobre, bela e forte (segunda). É a pureza recuperada conservada pelos mais violentos combates e pelos sacrifícios que mais custam à natureza, penitência que torna a alma forte, senhora de si. É fruto do amor de Jesus.

O primeiro efeito do Amor divino, ao se apoderar de um coração arrependido, é reabilitá-lo, purificá-lo, enobrecê-lo e restituir-lhe a dignidade para depois sustentá-lo nos combates inevitáveis contra seus antigos donos, isto é, seus hábitos viciados.

O amor penitente é um magnífico exemplo. É uma virtude pública pelos combates que sustenta, pelas ligações que rompe. Suas vitórias são sublimes. E todo o seu triunfo consiste em tornar o homem modesto.

Saibamos adquirir, embora à custa dos maiores sacrifícios, esse ouro da pureza provado pelo fogo, a fim de nos enriquecer e de nos revestir da túnica branca, sem a qual não poderemos penetrar no Céu. É a advertência que dá São João ao Bispo de Laodicéia: "Suadeo tibi emere a me aurum ignitum probatum, ut loclupes fias et vestimentis albis induaris".

Quem galgará a montanha do Senhor?
Aquele que for inocente nas suas obras e cujo coração for puro.

Em purificar-nos está, portanto, a grande tarefa da vida presente. Nada de maculado entrará no Reino de Santidade Divina. Para ver a Deus, contemplar o esplendor de Sua glória, é preciso que os olhos do coração estejam inteiramente puros. Um único átomo de poeira na nossa túnica basta para barrar-nos a entrada celeste, enquanto não nos purificarmos no Sangue do Cordeiro.

A palavra dita pelo Senhor não há de passar:

"Em verdade vos digo, todo homem terá de prestar contas no dia do juízo de qualquer palavra ociosa que tiver pronunciado".

É preciso purificar-nos sem cessar. Mais vale fugir para o deserto, condenar-se à uma vida de sacrifícios, deixar de lado muitas obras por belas e boas, a perder o tesouro da pureza. Todas as almas a salvar não valem a salvação da nossa própria alma. O que Deus quer de mim, acima de tudo - e sem o que nada mais tem valor - , sou eu!

Ah! se não nos for dado ter as virtudes heróicas e sublimes dos Santos, sejamos pelo menos puros; e se perdemos, desgraçadamente, nossa inocência batismal, revistamo-nos agora da inocência laboriosa da penitência!

Sem pureza, não haverá vida de amor.

(A Divina Eucaristia - volume II - São Pedro Julião Edymard)

Fonte: A Grande Guerra

A fé cristã não é produto do homem; vem de fora.

"O cristianismo somente pode acontecer como um novo nascimento. O ser cristão começa com o batismo, que é morte e ressurreição (Rom 6), e não com o nascimento biológico.

Romano Guardini, especialmente, apontou para um aspecto importante dessa figura fundamental da fé cristã, e até mesmo da fé bíblica, que não emerge do próprio interior, mas chega a nós de fora: o cristianismo, a fé cristã, diz ele, não é produto de nossas experiências internas, mas um acontecimento que nos penetra de fora. A fé depende de que algo (ou alguém) nos encontre, algo a que não alcance por si mesma nossa capacidade de experiência. A experiência não se alarga ou se faz mais profunda - esse é o caso dos modelos estritamente "místicos" -, mas sim que algo acontece. As categorias "encontro", "alteridade", "acontecimento" descrevem a origem interior da fé cristã e apontam para os limites da noção de experiência. Sem dúvida, o que aí nos toca provoca em nós experiência, porém experiência como resultado de um acontecimento e não do aprofundamento no que nos é próprio. É isso que significa exatamente o conceito de revelação: o não-próprio, o que não acontece no próprio chega até mim, arrebata-me para fora de mim, eleva-me sobre mim, cria o novo."

Joseph Ratzinger, Fé, Verdade e Tolerância
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