Missa? Isso aí é o Calvário? Só se forem os carrascos que zombaram de Nosso Senhor...
Católico não vota em comunista nem em abortista
Pessoal, pelo amor de Deus...
Quem vota em comunista e/ou em abortista definitivamente não é católico...
Clique na imagem acima para ir ao site "Salvem o Brasil" e adira à campanha. Divulgue...
VI Niver GRAA - breve explanação
Este ano, o Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA completa o seu 6º aniversário, graças a Deus. Todos os anos, a comemoração se dá a partir de um evento simples; geralmente, passamos o dia num lugar, onde há formações, onde rezamos, cantamos e, em geral, terminamos com a Santa Missa. Isso falando a "grosso modo" do que lá ocorre. Houve um ano que nossa "comemoração" se resumiu a apenas uma noite, onde tivemos a Santa Missa e uma mini-apresentação do GRAA, seguida de uma muito solta confraternização entre os presentes. Digo "solta" no sentido de "espontânea"... não vão me entender mal... rs.
Neste ano de 2010, porém, a proposta é diferente. Estaremos, por dois dias e uma noite, "trancados" num determinado local (ainda estamos vendo da disponibilidade dos locais possíveis), ou, na terminologia carismática, será um retiro "interno". Bem, não sei exatamente que tipo de retiro pode ser uma coisa "externa", visto que o termo "retiro" já sugere a idéia de se retirar...
Estamos, já, numa muito modesta divulgação. O auge da coisa ainda virá... Mas já há alguns interessados, sobretudo de outras cidades. Poucos, mas os há. Porém, chamou-me a atenção o que que disse um destes que virão: primeiro, certificou-se de que o retiro não seria carismático. Recebendo a confirmação de que não será, embora o rapaz seja carismático, isto o motivou ainda mais a querer fazer a experiência. Um outro homem, que ainda não pude conhecer, certificava-se também neste sentido (se realmente não era carismático), mas como condicional para vir.
Isto é muito interessante. De uns tempos para cá, os "retiros" carismáticos se tornaram muito frequentes. Eu mesmo, na minha adolescência, participei de inúmeros e os chamados "retiros de carnaval" realmente deixam uma viva impressão, pelos menos os primeiros. A coisa, porém, atingiu tal popularidade que, por algum tempo, em alguns lugares, gozava quase de total exclusividade. Não que não houvesse outros retiros ou outras pessoas interessadas em outras vertentes; mas a comparação era muito desigual. Isto somente se acentuava se considerarmos que, à alternativa dos carismáticos, apenas víamos os membros da linha da Teologia da Libertação organizando, também, os seus eventos ainda menos retirados.
Estes encontros que costumavam haver (e ainda os há aos montes) são chamados retiros apenas por uma confusa analogia com os retiros propriamente ditos. Os retiros tradicionais, como sabemos, primam realmente pelo silêncio e pela experiência do encontro com Nosso Senhor e dos retirantes consigo mesmos, o que é difícil de se fazer sem um mínimo recolhimento. Estes outros eventos em alta, porém, embora concentrassem um certo número de pessoas num dado local, não os levavam a uma experiência, de fato, silenciosa ou retirada. E isto provoca um certo paradoxo: tudo fica, à primeira vista, muito atrativo, o que garante a presença de uma maior quantidade de pessoas; mas, tende-se, assim, à superficialidade, sem falar que as próprias motivações dos participantes podem não ser das melhores.
Em toda época se reconheceu que, numa conversão verdadeira, sempre há um "quê" de dificuldade, de renúncia. Nesta perspectiva, uma "mudança de vida" decidida em meio a uma "festa" soa meio desafinado.
Um outro problema, e talvez ainda maior, é que estas concentrações animadas de pessoas pretendem obter conversões em massa. No entanto, aí se dá um acontecimento muito curioso: muita gente pensa ter-se tornado católica porque sentiu certas coisas. A partir de então, o sujeito até irá às Missas numas semanas seguintes; mas, só com o que "experimentou" lá, ele não sustenta a caminhada. Quem falou que é possível tornar-se católico sem aprender racionalmente o que a Igreja ensina?
Depois, outro problema é a expectativa que tais encontros causam. Simplesmente, muita gente espera ouvir coisas que movam a sua sensibilidade. Onde fica o aspecto racional? Neste sentido, um testemunho bem emotivo que arranque lágrimas é muito bem aclamado, enquanto que uma pregação sobre um dogma da Igreja que, porém, não provoque arrepios e coisas semelhantes, é vista como um hiato na "graça" do encontro. Quantas vezes eu mesmo considerei dessa forma a pregação de um bispo não carismático que, num retiro carismático, dava a sua generosa participação.
Lidar com estas coisas requer maturidade. Nós do Anjos de Adoração temos que tratar sempre com jovens provindos, no mais das vezes, de uma espiritualidade carismática e podemos dizer com propriedade que não é fácil de certa forma "frustrar" certas expectativas e, ainda assim, manter o sujeito animado.
Sei que os carismáticos, na maior parte das vezes, têm muito boa intenção. Mas a coisa fica muito a desejar. Há, de fato, mudanças de vida; mas também há a apresentação de pressupostos errados que dificultam uma adesão mais séria.
O post nem era pra tratar disto, mas se escrevo tais coisas é por estar animado de carinho, também pelos meus tantos amigos carismáticos, muitos dos quais me lerão, e que já sabem da minha posição a este respeito, que nunca escondi.
Enfim, o VI Aniversário do Grupo de Resgate Anjos de Adoração vem aí; será nos dias 3, 4 e 5 de dezembro. E não será um evento carismático porque nós não somos carismáticos. Porém, os carismáticos são muito bem vindos, também pra conhecer outra espiritualidade. Não será, também, nenhum retiro monástico..rs... Como lidamos, sobretudo, com jovens, e somos todos jovens também, claro que haverá coisas tipicamente jovens; porém, não se entenda "coisas jovens" como "irresponsáveis" ou "promotoras de sensualidade". Isto não haverá...
Inscrições abertas. Fazer com os próprios membros do GRAA...
Tema: Provai e vede como o Senhor é bom.
Dúvidas, críticas, conselhos, recomendações, escrevam nos comentários.
Abraço. Pax.
Fábio.
Dia de Nossa Senhora das Dores - Sequência da Liturgia de Hoje
Ó santa mãe, por favor,
Faze que as chagas do amor
Em mim se venham gravar.
O que Jesus padeceu
Venha a sofrer também eu,
Contigo sempre chorar!
Quero ficar junto à cruz,
Velar contigo a Jesus
E o teu pranto enxugar.
Virgem mãe tão santa e pura,
Vendo eu a tua amargura,
Possa contigo chorar.
Que de Cristo eu traga a morte,
Sua paixão me conforte,
Sua cruz possa abraçar!
Em sangue as chagas me lavem
E no meu peito se gravem,
Para não mais se apagar.
No julgamento consegue
Que às chamas não seja entregue
Quem soube em ti se abrigar.
Que a santa cruz me proteja,
Que eu vença a dura peleja,
Possa do mal triunfar!
Vindo, ó Jesus, minha hora,
Por essas dores de agora,
No céu mereça um lugar.
Da inconveniêcia das palmas na Santa Missa
Dom Roberto Francisco
Primeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.
Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.
Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.
Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da Liturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão .... Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio , em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio".
Finalmente porque sendo a Liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-Ia a banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.
Primeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.
Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.
Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.
Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da Liturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão .... Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio , em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio".
Finalmente porque sendo a Liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-Ia a banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.
+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói
Fonte: Arquidiocese de Niterói
A Sabedoria da Cruz está acima de qualquer outra
S. Luís Maria Grignion de Montfort
Amigos da Cruz, que estudais um Deus crucificado, o mistério da cruz é um mistério desconhecido dos Gentíos, repelido pelos Judeus e desprezado pelos hereges e pelos maus católicos; é, porém, o grande mistério que deveis aprender praticamente, na escola de Jesus Cristo, e que somente em sua escola podeis aprender. Procurareis em vão, em todas as academias da antiguidade, um filósofo que vô-lo haja ensinado; consultareis em vão a luz dos sentidos e da razão; não há senão Jesus Cristo que, por sua graça vitoriosa, vos possa ensinar e fazer saborear este mistério.
Tornai-vos hábeis, pois, nesta ciência supereminente, sob a direção de tão grande mestre, e tereis todas as outras ciências, pois ela as contém a todas soberanamente. É ela a nossa filosofia natural e sobrenatural, nossa teologia divina e misteriosa, e nossa pedra filosofal, que muda, pela paciência, os metais mais grosseiros em metais preciosos, as dores mais agudas em delícias, as pobrezas em riquezas, as humilhações mais profundas em glórias. Aquele dentre vós que melhor sabe levar a sua cruz, mesmo que não conheça o A nem o B, é o mais sábio de todos.
Escutai o grande São Paulo, que ao voltar do terceiro céu, onde conheceu mistérios ocultos aos próprios Anjos, exclamava não saber e não querer saber senão Jesus Cristo crucificado. Regozijai-vos, pobre idiota, ou pobre mulher sem espírito e sem ciência: se souberdes sofrer alegremente, sabereis mais que um doutor da Sorbonne que não soube sofrer tão bem quanto vós...
S. Luís Maria Grignion de Montfort, Carta aos Amigos da Cruz
Espiritualidade da Cruz - Sta Catarina de Sena
Penso que ninguém consegue participar dos benefícios da graça (divina) se o seu coração e o seu afeto não se enxertarem no ardente amor do Filho de Deus. Sem tal enxerto seria insuficiente para nós a união da natureza divina com a humana, e da natureza humana com a divina (em Cristo). De fato, além disso vemos o Homem-Deus correndo em direção à morte na cruz. O Verbo enxertou-se na cruz, lavou-nos no seu sangue e fez germinar como flores e frutos as virtudes. Eis o que fez o enxerto do amor. Um amor cálido, luminoso e atraete, que amadureceu as virtudes tirando-lhes toda acidez. Tudo porque o Verbo divino enxertou-se na natureza humaa e, depois, também na santíssima cruz. Antes (da encarnação) as virtudes eram imperfeitas e nenhuma delas conduzia ao porto da vida. A caminhada de Adão, realizada na desobediência, não fora ainda corrigida pela obediência do Verbo, Filho Unigênito de Deus.
Digo-vos porém que, apesar de toda essa suave união, a humanidade não consegue participar da graça, se não assumir com amor o amor paciente do Filho de Deus, trilhando seus passos. Por sermos árvores estéreis, improdutivas, temos que nos enxertar na árvore da cruz, árvore que é Jesus Cristo. Caríssimo e reverendo pai, quem terá um coração tão endurecido, que resista ao conhecer o inefável amor que lhe devota o Criador, e não se enxerte em Cristo, amando? Não entendo como poderá agir assim! Tantos enxertam-se na árvore do demônio: amam a si mesmos, os prazeres, as honras, as riquezas do mundo, com muito orgulho e vaidade. Ai! Tais pessoas privam-se da vida de Deus, tornam-se árvores estéreis, mortas. Alimentam-se do que vivem, encaminham-se para a condenação eterna. Pois suas ações são vícios e pecados. Camiham fora da estrada e dos ensinamentos do Verbo encarnado. Vão no escuro, espiritualmente mortos e muito infelizes.
Não vivem desse modo aqueles que trilham a senda da verdade, com o entendimento atento. Estes sabem que por si mesmos nada são; gratos, afirmam que tudo receberam gratuitamente de Deus, sem nenhum mérito pessoal. Desse modo crescem seu amor por Deus e seu ódio ao pecado e à concupiscência. Em força de tal amor e ódio, tais pessoas enxertam-se pela humildade no sofrido e consumado amor do Filho de Deus. Aparecem, então, os frutos, isto é, as virtudes que aperfeiçoam a própria alma e as almas do próximo. O cristão torna-se zeloso da glória divina e da salvação dos irmãos. É muito importante e necessário atingir a união com Cristo. Sem isso, eu dizia antes estar desejosa de vos ver enxertado na árvore da cruz. Peço-vos, então, por amor de Cristo crucificado, que vos esforceis, sem negligência. Não continueis dormindo o sono do descuido, pois o tempo é breve e a caminhada é longa.
Sta Catarina de Sena, Cartas Completas, Espiritualidade da Cruz.
A Missa faz a cristandade, sociedade vivendo à sombra da Cruz
Mons. Marcel Lefebvre
É pois em torno do Sacrifício da Missa que se organiza a Igreja, Corpo Místico de Nosso Senhor. Em torno do Sacrifício da Missa viverá o sacerdote para edificar este corpo místico; pela pregação ele atrairá as almas para se purificarem nas águas do batismo e se tornarem dignas de participar do Sacrifício Eucarístico de Jesus, comunhão da divina Vítima e assim sempre se unir mais à Trindade Sata, inaugurando já aqui embaixo a vida celeste e eterna.
É da Cruz também que a graça do casament, recebida no Sacrifício da Missa, construirá a Cristandade ou o reino social de Jesus crucificado, na família e na sociedade. A Cristandade é a sociedade vivendo à sombra da Cruz, da Igreja paroquial em forma de Cruz, com a Cruz na torre, abrigando o altar do Calvário renovado constantemente, onde as almas nascem para a graça e se mantêm pelo ministério dos padres que são outros Cristos.
A Cristandade é o lugarejo, são as vilas, as cidades, o país que à imitação do Cristo na Cruz, cumprem a lei do amor sob a influência da vida cristã da graça. A Cristandade é o Reino de Jesus; as autoridades desta Cristandade se dizem "Tenentes de Jesus Cristo", encarregados de fazer aplicar sua lei, de proteger a fé em Jesus Cristo e de ajudar por todos os meios seu desenvolvimento, sempre de acordo com a Igreja.
Realmente pode-se dizer que todas as coisas boas da Cristandade vêm da Cruz de Jesus e de Jesus crucificado, é uma ressurreição da humanidade decaída, graças à virtude do sangue de Jesus Cristo.
Mons. Marcel Lefebvre, A Vida Espiritual Segundo São Tomás de Aquino, Cap VII, pg 76-77.
Belo Texto: Juan Donoso Cortés sobre o bom espírito de combatividade católica
Fizeram isto com Ele. E você, vai mesmo se recusar a lutar?
Transcrevo este belo texto, disponibilizado pela Teresa, sobre a luta que nenhum de nós deve se abster de travar. Ponho-o aqui também para que não se interprete erroneamente o que, vez ou outra, escrevo...rs.
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"Não me digas que não queres combater; porque no exacto momento em que o dizes, já estás a combater. Nem digas que ignoras a que lado deves inclinar-te; porque no mesmo instante em que o dizes, já escolheste um [o de lá].
Não afirmes que queres ser neutro; porque, quando pensas sê-lo, já não o és. Nem me assegures que permanecerás indiferente; porque escarnecerei de ti, dado que, ao pronunciares tal frase, já tomaste partido.
Não te canses em procurar asilo seguro contra os açoites da guerra, porque cansar-te-ás inutilmente. Esta guerra dilata-se tanto quanto o espaço e prolonga-se tanto como o tempo.
Somente na Eternidade, Pátria dos justos, poderás encontrar descanso; porque só lá não haverá combate. Não presumas, advirto-te, que se abrirão para ti as portas da Eternidade feliz, se não mostrares primeiro as cicatrizes que trazes do combate; porque aquelas portas não se abrem a não ser para aqueles que combateram aqui os combates do Senhor gloriosamente, e para os que vão, tal como Cristo, ser nesta vida já crucificados."
(Juan Donoso Cortés, “Ensaio sobre o Catolicismo, o Liberalismo e o Socialismo”, - edição de 1965, página 344)
Não afirmes que queres ser neutro; porque, quando pensas sê-lo, já não o és. Nem me assegures que permanecerás indiferente; porque escarnecerei de ti, dado que, ao pronunciares tal frase, já tomaste partido.
Não te canses em procurar asilo seguro contra os açoites da guerra, porque cansar-te-ás inutilmente. Esta guerra dilata-se tanto quanto o espaço e prolonga-se tanto como o tempo.
Somente na Eternidade, Pátria dos justos, poderás encontrar descanso; porque só lá não haverá combate. Não presumas, advirto-te, que se abrirão para ti as portas da Eternidade feliz, se não mostrares primeiro as cicatrizes que trazes do combate; porque aquelas portas não se abrem a não ser para aqueles que combateram aqui os combates do Senhor gloriosamente, e para os que vão, tal como Cristo, ser nesta vida já crucificados."
(Juan Donoso Cortés, “Ensaio sobre o Catolicismo, o Liberalismo e o Socialismo”, - edição de 1965, página 344)
Fonte: Tradição Católica
Atitudes erradas na Fé: respeitos humanos e violência a priori
Para quem acompanha com certa assiduidade os blogs e sites católicos, graças a Deus inumeráveis hoje em dia, as coisas por aí começam a aparecer sem a nuvem que antes as encobriam. Quero dizer: uma vez que se distinga o que é, de fato, o catolicismo, a enorme onda de discrepâncias que assolam a Igreja vai se fazendo notar. Naturalmente, a uma visão mais clara se segue uma conduta mais firme, mais decidida, isto é, menos politicamente correta, menos morna.
Quem vive o seu catolicismo com o intuito de não despertar animosidades, faz disto a motivação da sua fé e não pode ficar sem trair a verdade. Não digo que o objetivo seja despertar estas tensões, mas é bom compreender que a firme adesão a qualquer coisa que se ame, naturalmente atrai, seja a admiração, seja o desgosto de outros. Quem, ao contrário, busca somente agradar a todo mundo, apenas prova que não ama verdadeiramente nada, a não ser a si mesmo.
É muito interessante notar que Jesus afirma, categoricamente, que os seus discípulos seriam, também, perseguidos, "pois o servo não é maior que o Senhor". Esta perseguição supõe a tomada de uma posição explícita, o que sempre desgosta a alguém. Não se pode pretender agradar a todo mundo sem que se abra mão da sinceridade. Ou, como diz Nosso Senhor: "Não podeis servir a dois senhores".
Então, o primeiro traço dos capituladores da Fé é o excessivo respeito com tudo. É o que Pio XII chamou de "falso irenismo": tudo torna-se aceitável desde que as relações pacíficas não sejam rompidas. O campo da verdade, neste contexto, pouco importa. É o relativismo doutrinal em função dos respeitos humanos. Terrível!
Há, porém, um outro ponto a se evitar. Os que começam a ver este contexto com uma certa clareza, naturalmente terão qualquer tipo de indignação por esta atitude covarde de uma apostasia prática. Isto pode tender a despertar uma reação maximamente contrária, não digo fidelíssima, mas violentíssima, que tenha como objetivo primário a criação de tensões. Isto também é problemático.
Se os enfrentamentos estão presentes na vida cristã, eles não são senão consequência da coerência de um sujeito com os princípios que adotou. Isto quer dizer que as tensões são posteriores à adesão. Há, porém, quem simplesmente adira a algo já em vista do que isto pode gerar. Há quem se delicie na admiração da própria capacidade de causar estranheza. Isto, além de imaturidade, é tão somente outra forma velada da mesma vaidade anterior.
Porém, estes diversos tipos de erro podem ser todos evitados se começamos a considerar a Fé como algo muito sério. Isso mesmo: pode ser muito comum que alguém milite pela Fé e, no fundo, apenas o faça por diversão. Seria como uma "brincadeira de adultos". Para que se compreenda, de fato, o que é a Fé Cristã, estas criancices devem ser deixadas. Certos tipos de arrogâncias que se tornou comum observar por aí apenas revelam a compreensão pueril que alguns têm da Religião. Parece, nestes casos, ter havido qualquer tipo de mera apropriação dos conceitos, ao invés de um mergulho no abismo da Fé que deve caracterizar a adesão cristã.
A proposta é, então, ver no Cristianismo algo seríssimo; tão sério que valha o investimento da própria vida. A lógica, então, torna-se outra: quando percebo que Ele me ultrapassa infinitamente, não mais tendo a usá-lo como meio de auto-promoção. É aí que o homem velho, escondido sob a capa de uma devoção artificial, é realmente golpeado; começa aí o verdadeiro combate e é neste ambiente que surgem, em todo o seu verdadeiro brilho, para além dos conceitos, as virtudes cristãs: a humildade, o amor, a pureza, a santidade.
Enquanto pensarmos que o bom odor de Cristo pode ser exalado a partir da nossa própria violência, o máximo que conseguiremos é um horrível cheiro de suor. Claro... haverá quem diga que é preciso educar o nariz para perceber a sutileza de tal cheiro... Há discurso pra tudo. Porém, quando realmente O encontramos e deixamos de brincar, então a Fé, a Igreja, os Valores... tudo isto brilha e encanta.
É como dizia Sto. Agostinho:
"Chamaste e rompeste a minha surdez"
"Brilhaste e venceste a minha cegueira"
"Exalaste perfume e respirei".
Todos estes efeitos supõem um contato primeiro com Ele. Do contrário, seriam apenas conceitos repetidos... notícia sem substância.
Sejamos, portanto, bons católicos.
Tratemos Nosso Senhor com seriedade.
Fábio
Ps.: Não me entendam mal, pelo amor de Deus..rs.
Qualquer dúvida, pergunta aí...
Breves recomendações de posts...
Ainda nas proximidades do último 7 de setembro, dia em que uma fumaça estranha que circulou por certas partes do Brasil, fumaça que, embora saibamos de onde vem, insiste em associar-se às coisas católicas, destaco dois posts:
1- A nota de agradecimento de D. Aldo Paggoto aos que apoiaram a sua atitude de manter-se católico e desaprovar o famoso evento do Grito dos Excluídos, bem como ser contra o plebiscito pelo limite da propriedade da terra. Leiam aqui.
2- O hilário Frei Rojão faz também um breve comentário sobre o Grito. Leiam aqui.
Campanha de Oração pela Salvação do Brasil
Disponibilizado pelo blog En Garde:
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A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.
Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Imaculado Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.
1000 Ave-Maria's pelo Brasil!
Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: "Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!"
Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria's, cada um, pelo nosso país!
Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria's, cada um, pelo nosso país!
Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.
Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que "a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La".
Rezemos, pois!
Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV's, rádios, Blogs, jornais, revistas... tudo!
A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!
A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!
Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!
Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: "No fim, meu Imaculado Coração triunfará!"
Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: "No fim, meu Imaculado Coração triunfará!"
Escutei ao acaso...
Uma mulher fala pra uma garota: "... hoje em dia, com os meios de comunicação, vê-se aí a importância de se preservar contra as doenças (sexualmente transmissíveis), principalmente contra a gravidez."
08 de setembro, dia da Natividade de Nossa Senhora
“O amor à nossa Mãe será sopro que atice em fogo vivo as brasas de virtude que estão ocultas sob o rescaldo da tua tibieza.” (S. Josemaría Escrivá, Caminho, 492)
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S. João Damasceno
Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro! Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudada em alegria? Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, oh Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo». Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade. Porque se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação. Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.
Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro! Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudada em alegria? Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, oh Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo». Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade. Porque se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação. Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.
Oh Joaquim e Ana, casal venturoso! Toda a criação está em dívida para convosco, porque através de vós ela pôde oferecer ao Criador o dom – entre todos o mais excelso – de uma Mãe venerável, a única digna d’Aquele que a criou. Ditosos os rins de Joaquim, de onde saiu uma semente totalmente imaculada, e admirável o seio de Ana, graças ao qual se desenvolveu lentamente, onde se formou e de onde nasceu uma tão santa criança! Oh entranhas que levastes um céu vivo, mais vasto que a imensidade dos céus! Oh moinho onde foi amassado o Pão vivificante, segundo as próprias palavras de Cristo: «Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, ficará só». Oh seio que aleitaste aquela que alimentou o Aquele que alimenta o mundo! Maravilha das maravilhas, paradoxo dos paradoxos! Sim, a inexprimível Encarnação de Deus, cheia de condescendência, devia ser precedida por estas maravilhas. Mas como prosseguirei? O meu espírito está fora de si, dividido que estou entre o temor e o amor; o meu coração bate e a minha língua move-se: não posso suportar a alegria, as maravilhas deitam-me por terra, o ardor apaixonado aprisionou-me num arrebatamento divino. Que o amor vença, que o temor desapareça e que cante a cítara do Espírito: «Alegrem-se os céus, exulte a terra»!
Hoje as portas da esterilidade abrem-se, e uma porta virginal e divina avança: a partir dela, por ela, o Deus que está acima de todos os seres deve «vir ao mundo» «corporalmente», segundo a expressão de Paulo, ouvinte dos segredos inefáveis. Hoje, da raiz de Jessé saiu uma vergôntea, de onde surgirá para o mundo uma flor substancialmente unida à divindade.
Hoje, o «Filho do Carpinteiro», O Verbo universalmente ativo d’Aquele que tudo construiu por Ele, o Braço Poderoso do Deus Altíssimo, querendo afiar pelo Espírito - que é como o seu dedo – a lâmina embotada da natureza, construiu para Si uma escada viva, cuja base está firmada na terra, com o cimo a tocar os céus: Deus repousa sobre ela. É dela a figura que Jacob contemplou, e por ela Deus desceu da Sua imobilidade, ou melhor, inclinou-Se com condescendência, tornando-Se assim «visível sobre a terra, e conversando com os homens». Estes símbolos representam a Sua vinda ao meio de nós, o seu abaixamento condescendente, a sua existência terrena, o verdadeiro conhecimento d’Ele próprio, dado a todos aqueles que estão sobre a terra. A escada espiritual, a Virgem, está fixa na terra, pois na terra ela tem a sua origem, mas a sua cabeça eleva-se até ao céu. A cabeça de toda a mulher é o homem, mas para ela, que não conheceu homem, Deus Pai ocupa o lugar de sua cabeça: pelo Espírito Santo, Ele concluiu uma aliança e, como semente divina e espiritual, enviou o Seu Filho e Verbo, força omnipotente. Em virtude do beneplácito do Pai, não é por uma união natural, mas é superando as leis da natureza, pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria, que o Verbo Se fez carne e habitou entre nós. É por aqui que se vê que a união de Deus com os homens se cumpre pelo Espírito Santo.
Hoje é edificada a Porta do Oriente, que dará a Cristo «entrada e saída», e «essa porta estará fechada». Nela está Cristo, «a Porta das Ovelhas», e «o Seu nome é Oriente»: por Ele obtivemos acesso ao Pai das Luzes. Hoje sopraram as brisas anunciadoras duma alegria universal. Alegre-se o céu nas alturas, que debaixo dele «exulte a terra», que os mares do mundo bramam, porque no mundo acaba de ser concebida uma concha, a qual pelo clarão celeste da divindade conceberá em seu seio, gerando a pérola inestimável, Cristo. Dela sairá o «Rei da Glória», revestido da púrpura de sua carne, para «visitar os cativos», e «proclamar a libertação». Que a natureza transborde de alegria: a cordeirinha vem ao mundo, graças à qual o Pastor revestirá a ovelha, tirando-lhe as túnicas da antiga mortalidade. Que a virgindade forme os seus coros de dança, pois nasceu a Virgem que, segundo Isaías, «conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emmanuel, o que quer dizer "Deus conosco"».
«Bendito o que vem em nome do Senhor», «o Senhor é Deus, e iluminou-nos»; «Celebremos uma festa» para o nascimento da Mãe de Deus. Rejubila, Ana, «estéril que não davas à luz; ri de alegria e de júbilo, tu que não tiveste as dores de parto»! Rejubila, Joaquim: de tua filha «um menino nos nasceu, um filho nos foi dado (...) e ser-lhe-á dado este nome: Anjo do grande Conselho (quer dizer, Salvação do Universo) Deus Forte». (...) «Se alguém não reconhece por Mãe de Deus a Santa Virgem, está separado da divindade». A frase não é minha, mas no entanto pertence-me: recebi-a como precioso tesouro e herança teológica do meu pai Gregório, o Teólogo.
Oh Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente sem mancha! Pelo fruto do vosso seio fostes reconhecidos, segundo a palavra do Senhor: «Pelos seus frutos os reconhecereis». A vossa conduta foi agradável a Deus e digna daquela que nasceu de vós. Tendo levado uma vida casta e santa, engendrastes a jóia da virgindade, aquela que deveria permanecer Virgem antes, durante e depois do 20 parto, a única sempre Virgem de espírito, de alma e de corpo. Convinha, de fato, que a virgindade saída da castidade produzisse a Luz única e monógena, corporalmente, pela benevolência d’Aquele que A gerou sem corpo – o Ser que não gera, mas que é eternamente gerado, para Quem ser gerado é a única qualidade própria da Sua Pessoa. Oh que maravilhas, e que alianças estão neste menino! Oh Filha da esterilidade, virgindade que engravida, nela se unirão divindade e humanidade, sofrimento e impassibilidade, vida e morte, para que em todas as coisas o menos perfeito seja vencido pelo melhor! E tudo isto para minha salvação, oh Mestre! Amas-me tanto que não realizaste esta salvação nem pelos anjos, nem por nenhuma outra criatura, mas tal como já a minha criação, também a minha regeneração foi Tua obra pessoal. Assim, eu exulto, faço despertar a minha alegria e o meu júbilo, volto à fonte das maravilhas, e embriagado de uma torrente de alegria, toco de novo a cítara do espírito e canto o hino divino da natividade.
Oh Joaquim e Ana, casal castíssimo, «par de rolas» no sentido místico! Observando a lei da natureza, a castidade, merecestes os dons que ultrapassam a natureza: gerastes no mundo uma Mãe de Deus sem esposo. Depois de uma existência santa e piedosa numa natureza humana, gerastes uma filha superior aos anjos e que agora reina sobre eles. Oh Filha graciosíssima e dulcíssima, oh lírio nascido entre os espinhos, da descendência nobilíssima e real de David! Por ti a realeza encheu-se com o sacerdócio; por ti foi cumprida «a mudança da Lei», e revelado o espírito escondido sob a letra, pois que a dignidade sacerdotal passou da tribo de Levi à de David. Oh Rosa nascida dos espinhos do judaísmo, que enche o universo de um perfume divino! Oh filha de Adão e Mãe de Deus! Ditosos os rins e o seio de onde surgistes! Ditosos os braços que te levaram, os lábios que experimentaram os teus castos beijos, os lábios de teus pais, para que em tudo tu fosses eternamente virgem. Hoje é para o mundo o início da salvação. «Aclamai o Senhor, terra inteira, cantai, exultai, tocai instrumentos». Elevai a vossa voz, «fazei-a escutar sem temor», porque na Santa Probática nos nasceu uma Mãe de Deus, de quem quis nascer o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Tremei de alegria, oh montanhas, naturezas racionais, voltadas para o cume da contemplação espiritual: a montanha do Senhor, refulgente, vem ao mundo, ultrapassando todas as montanhas e todas as colinas, isto é, os anjos e os homens; dela, sem intervenção da mão do homem, Cristo quis desprender-Se, Ele que é a Pedra Angular, Pessoa Una, que aproxima em Si aquilo que está distante: a divindade e a humanidade, os anjos e os homens, os gentios e o Israel carnal num só Israel espiritual. «Montanha de Deus, montanha de abundância, montanha que Deus escolheu para Seu repouso. Os carros de Deus vêm aos milhares, com seres refulgentes» da graça divina, querubins e serafins.
Oh cume mais santo que o Sinai, não coberto nem por fumo, nem por trevas, nem por tempestades, nem sequer por fogo perecível, mas pelo esplendor que ilumina do Santíssimo Espírito. No Sinai, o Verbo de Deus tinha gravado a Lei sobre tábuas de pedra, pelo Espírito, dedo divino; aqui, pela ação do Espírito Santo e pelo sangue de Maria, o próprio Verbo encarnou, dando-se à nossa natureza como um remédio de salvação mais eficaz. Antes, era o maná; aqui, está Aquele que deu o maná e a sua doçura.
Que a morada célebre que Moisés construiu no deserto com matérias preciosas de todo o tipo, e ainda antes dela a morada do nosso pai Abraão, se apaguem diante da morada de Deus, viva e espiritual. Ela foi o repouso, não só da energia divina, mas da Pessoa do Filho, que é Deus, presente substancialmente. Que a arca recoberta de ouro reconheça que não tem nada de comparável com Maria, e da mesma forma a urna de ouro com o maná, o candelabro, a mesa e todos os objetos do culto antigo: eles foram honrados porque todos a prefiguravam, como sombras do verdadeiro protótipo.
Oh filha toda santa de Joaquim e de Ana, que escapaste aos olhares dos Principados e das Potestades e aos «assédios inflamados do maligno», e que viveste no tálamo do Espírito, para seres guardada intacta e te tornares esposa de Deus e Mãe de Deus por natureza! Oh filha toda santa, que apareceste nos braços de tua mãe, tu és o terror das potências de rebelião! Oh filha toda santa, alimentada do leite maternal, e rodeada das legiões angélicas! Oh filha amada de Deus, honra de teus pais, gerações de gerações te proclamam bem aventurada, como tu própria o afirmaste com verdade!
Oh filha sempre Virgem, que pode conceber sem intervenção humana, porque Aquele que concebeste tem um Pai Eterno! Oh filha da raça terrena, que levas em teus braços divinamente maternais o Criador! Os séculos rivalizavam entre si para saber qual deles se honraria de te ver nascer, mas o desígnio fixado antecipadamente de Deus, «que fez os séculos» colocou fim a essa rivalidade, e os últimos tornaram-se os primeiros, eles a quem foi atribuída a felicidade da tua Natividade. Na verdade, tu és mais preciosa que toda a criação, pois só de ti o Criador recebeu em partilha as primícias da nossa matéria humana. A Sua Carne foi feita da tua carne, o Seu Sangue do teu sangue; Deus alimentou-Se do teu leite, e os teus lábios tocaram os lábios de Deus. Oh maravilhas incompreensíveis e inefáveis! Na presciência da tua dignidade, amou-te o Deus do universo; porque te amou, predestinou-te, e nos «últimos tempos», chamou-te à existência, e constituiu-te Mãe para gerar um Deus e alimentar o Seu próprio Filho e Verbo.
(...)É neste seio que o Ser ilimitado veio habitar; do seu leite se alimentou Deus, o Menino Jesus. Oh porta de Deus, sempre virginal! Eis as mãos que suportam Deus, e esses joelhos que são um trono mais elevado que os querubins: por eles «as mãos fracas e os joelhos trêmulos» foram fortalecidos. Os seus pés são guiados pela lei de Deus como por uma lâmpada que brilha, e correm após Ele sem se voltarem, até que tenham feito chegar aquela que ama junto do Bem-Amado. Em todo o seu ser ela é o tálamo do Espírito, a Cidade de Deus Vivo, que «alegra os canais do rio», isto é, as correntes dos carismas do Espírito: «Toda bela, toda próxima de Deus». Dominando os querubins, mais alta que os serafins, próxima de Deus: é a ela que esta palavra se aplica!
Oh maravilha que ultrapassa todas as maravilhas: uma mulher é colocada mais alto que os serafins, porque Deus surgiu abaixado «um pouco inferior aos anjos»! Que o sapientíssimo Salomão se cale, e não torne a dizer: «Nada de novo debaixo do sol». Oh Virgem cheia da graça divina, templo santo de Deus, que o Salomão espiritual, o Príncipe da Paz, construiu e habita, o ouro e as pedrarias não te dão mais beleza, mas mais que o ouro, é o Espírito que te dá o teu esplendor. Por pedrarias, tens a pérola preciosíssima, Cristo, a Brasa da divindade. Suplica-Lhe que toque os nossos lábios, para que, purificados, Lhe cantemos, com o Pai e o Espírito, a natureza única da Divindade em três Pessoas: «Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos».
Eu te saúdo, Maria, filha dulcíssima de Ana. De novo para ti o amor me impele. Como descrever o teu caminhar cheio de seriedade, os teus vestidos, a graça de teu rosto, a maturidade do discernimento num corpo juvenil? A tua forma de estar foi modesta, distante de todo o luxo e de toda a indolência; o teu caminhar era grave, sem precipitação, sem preguiça; o teu caráter era sério, temperado de júbilo, de uma perfeita reserva a propósito dos homens – disto é testemunho a inquietação que te surgiu aquando da proposta inesperada do anjo. A teus pais dócil e obediente, tinhas humildes sentimentos nas mais altas contemplações, palavra amável, provinda de uma alma pacífica. Em resumo: que outra digna morada senão tu para Deus? Com razão todas as gerações te proclamam bem-aventurada, oh glória insigne da humanidade! Tu és a honra do sacerdócio, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade, porque é através de ti que o renome da virgindade se estendeu aos confins do mundo. «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o Fruto do teu ventre». Aqueles que confessam a tua maternidade divina são benditos, e malditos aqueles que a negam.
Oh filha de Joaquim e de Ana, oh Soberana, acolhe a palavra deste teu servo pecador, mas inflamada pelo amor, e para quem tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação. Possa tu aliviar-me do fardo dos meus pecados, dissipar a névoa que obscurece o meu espírito e o peso que me agarra à matéria. Possas tu deter as tentações, governar felizmente a minha vida e conduzir-me pela mão até à felicidade do Alto.
«Salve, oh cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre», Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Ele a Glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.
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