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Sobre a questão da Eucaristia e a Antropofagia


Desde que escrevi algo a respeito neste blog, reservando-me a uma opinião pessoal, e abrindo espaço a uma possível correção (que, de fato, veio), este tema me foi recorrente. Pesquisei sobre isto, embora quase nada tenha encontrado. Dentre os achados, havia textos de pessoas que, desprovidas de formação maior, sustentavam a mesma posição que eu. Interessante que, há pouco tempo, ouvi um padre, inclusive muito devoto, comentar sobre isto numa homilia. Falava por cima, mas dava a entender uma aproximação neste sentido.

A minha posição a respeito da natureza antropofágica da Santa Missa não foi inventada por mim. No ano de 2005, enquanto cursava o primeiro ano de Psicologia, ouvi uma professora de Antropologia, que se dizia católica, fazer esta afirmação: “A Missa é antropofágica, porque nela comemos a carne de um homem”.

Desde então, tal impressão ficou em mim, e lhe aderi facilmente, pois que evidenciava o realismo da transubstanciação. Porém, sempre percebi o caráter polêmico desta afirmativa, pelo que jamais a divulguei como posição da Igreja, mas, antes, como uma suposição que eu cria estar em conformidade com a doutrina dos Apóstolos. Estive realmente aberto a explicações a este respeito, e considero verdadeiramente uma alegria poder aprender, o que tem acontecido, graças a Deus.

Olhando mais recentemente o referido tema, percebi que alguns espaços abordaram esta questão, geralmente refutando-me a afirmativa. Dentre eles (que surpresa!), estava o Site Montfort, que, particularmente, muito me agrada, embora eu ainda guarde certas reservas com algumas posições lá sustentadas.

Todos os argumentos provindos de sítios confiáveis e pessoas bem intencionadas era unânimes numa questão: os rituais antropofágicos incluem a destruição do corpo que se come. Portanto, na Santa Missa, embora comamos literalmente a carne de um Homem, não a destruímos. Além disto, o que comemos não são pedaços ou partes de Jesus, mas Jesus inteiro, em seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Estas precisões eu já conhecia.. Jamais supus que a Eucaristia fosse um pedaço de Jesus, nem que nela destruíssemos (no sentido comum) o Seu Corpo.

O que me faltava, nesta questão, era apenas o requisito de destruição do corpo consumido para que houvesse antropofagia. O que fiz foi somente usar um termo inadequado. Não obstante, creio, meu erro evidencia a minha crença total no milagre da transubstanciação. E isto não é materialismo velado, como supôs erroneamente um sacerdote, mas Fé que vem ao ouvir aquelas santas palavras: “Isto é o meu Corpo. Isto é o meu Sangue; minha carne é verdadeiramente uma comida, e meu sangue, verdadeiramente uma bebida”.

Dito isto, reconheço humildemente o meu erro, e agradeço as correções. Já não chamarei de antropofagia o Santo Sacrifício do Senhor, muito embora permanecerei dizendo que eu como, literalmente, a carne do Filho de Deus feito homem. Agradeço, enfim, a oportunidade de aprender. Que Deus os recompense a caridade.

Fábio Luciano

SER CRISTÃO É SER LIVRE

Plínio Salgado

A participação do homem no governo do mundo efetiva-se pelo conhecimento e pela ação, pela inteligência e pela liberdade.

O homem pode, mas não deve utilizar-se de tais faculdades no sentido contrário ao ato de amor de que elas provieram.

Pode porque é livre; não deve porque seria injusto e indigno.

E toda a vez que o homem pratica o mal, isto é, o pecado, atenta contra a sua própria essência divina, porque o pecado é a negação da inteligência e da liberdade. Negação da inteligência porque a inteligência é criadora e o pecado é destruidor; negação da liberdade, porque o pecado subordina o homem consciente e livre ao imperativo da matéria inconsciente e escrava, escrava de Deus e do homem e incapaz de ser de outra maneira senão aquela que Deus quer, de modo absoluto, e o homem quer, de modo relativo.

Não foi por outra razão que Jesus afirmou aos que nEle confiaram: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, e tendo os fariseus aparteado dizendo: “nunca fomos escravos”, o Mestre retrucou-lhes: “todo aquele que peca é servo do pecado”.

Ser cristão é deixar de ser servo, é usar das prerrogativas principescas do homem. É possuir foros de liberdade em pergaminho eterno.

Enganam-se os que vêem no Cristianismo uma religião de escravos, só porque os oprimidos do mundo correram a abraçar o Evangelho.

Se desde o começo da nossa Era os príncipes e poderosos da terra se fizessem cristãos, isso não provaria nada, porque levando consigo a sua majestade acidental, pretenderiam conceder ao Cristianismo, e não receber dele, as cartas de nobreza. Mas justamente no fato dos humildes, dos pobres, dos ínfimos buscarem o Cristo, está a prova de que o Cristianismo confere beleza e dignidade, procuradas pelos a quem o mundo negou tais vantagens e pelos que tiveram em pouca ou nenhuma conta as vantagens que o mundo lhes deu.

Ninguém, tendo sede, vai servir-se de uma fonte seca. Se os escravos procuraram o Cristo é porque sabiam que n’Ele encontrariam liberdade; se os doentes O procuraram é porque sabiam que nEle teriam saúde; se os pobres O procuraram é porque sabiam que no Cristo seriam ricos e cobrariam honras que lhes minguaram na terra. Os grandes do mundo não compreenderam o sentido dessa liberdade, dessa saúde, dessa riqueza e dessas honras, porque os grandes, quase sempre, não percebem nada. Por isso Jesus louvou o Pai, dizendo: “Graças vos dou ó Pai, porque ocultastes estas coisas aos sábios e as revelastes aos pequeninos”.

Plínio Salgado, Primeiro, Cristo!

Sobre a oração particular - Pio XII


Há ainda alguns que afirmam não terem as nossas orações verdadeira eficácia impetrativa e trabalham por espalhar a opinião de que a oração feita em particular pouco vale e que é a oração pública, feita em nome da Igreja, que tem verdadeiro valor, por partir do corpo místico de Jesus Cristo. Não é exato; o divino Redendor não só uniu estreitamente a si a Igreja como esposa queridíssima, senão também nela as almas de todos e cada um dos fiéis, com quem deseja ardentemente conversar na intimidade, sobretudo depois da comunhão.

E embora a oração pública, feita por toda a Igreja, seja mais excelente que qualquer outra, graças à dignidade da esposa de Cristo, contudo as orações, ainda as mais particulares, têm o seu valor e eficácia, e aproveitam também grandemente a todo o corpo místico; no qual não pode nenhum membro fazer nada de bom e justo, que em razão da comunhão dos santos não contribua também para a salvação de todos. Nem aos indivíduos por serem membros desse corpo se lhes veda que peçam para si graças particulares, mesmo temporais, com a devida sujeição à divina vontade; pois que continuam sendo pessoas independentes com suas indigências próprias. Quanto à meditação das coisas celestes, os documentos eclesiásticos, a prática e exemplos de todos os Santos provam bem em quão grande estima deve ser tida por todos.

Pio XII, Mystici Corporis

Novo Blog...

Divulgo este outro blog que fiz há alguns dias... http://amorepobreza.blogspot.com/
O grande diferencial é que este é mais pessoal e um tanto mais espontâneo, acredito.

Poderia dizer que ele é um pouco "menos responsável".. Entendam-me a expressão... Quero dizer que, nele, postarei de uma forma mais solta... Bem.. é por aí. Visitem...

Pax.

Fábio Luciano

V Aniversário Anjos de Adoração


O evento será no dia 08 de Dezembro, no auditório da Prefeitura Municipal de União dos Palmares - AL

O tema será:
"Se me amais, cumprireis os meus mandamentos" (Jo 14,15)

Pedimos a todos suas orações para o bom andamento deste retiro, para que seja muito frutuoso.

Os que tiverem oportunidade, participem conosco.
Pax.

Sobre o modo de estudar - Estudo introdutório




Jean Lauand

O De modo studendi de Tomás.

O De modo studendi é uma carta de autoria de Tomás de Aquino, aconselhando sobre o modo de estudar. Tomás dava muita importância à correspondência. Victor White observa que não é raro que Tomás deixe de lado seu trabalho em obras maiores para elaborar respostas a cartas, especialmente de seus irmãos dominicanos.

O destinatário da carta De modo studendi, um tal "irmão João", é um dominicano jovem, iniciando seus estudos, e afoito por mergulhar no "oceano da sabedoria", resolveu escrever ao mestre consumado, perguntando sobre atalhos.

Tomás, que - no Comentário à Ética de Aristóteles - afirma ser o tempo o grande colaborador (bonus cooperator), começa por responder ao impaciente Frei João que não há atalhos, mas caminhos: pelos riachos é que se chega ao mar e o "difícil deve ser atingido a partir do fácil" (DMS, intr.).

Já no início da carta, Tomás, referindo-se à tarefa de obter o conhecimento, emprega sugestivamente o gerúndio - acquirendo, adquirindo - como que a indicar que a formação intelectual é mais um contínuo processo do que pacífica posse decorrente de uma ação que se perfaz de uma vez. Significativo, nesse sentido, é o uso do verbo incedere, caminhar, marchar. Com efeito, já na primeira questão da Summa, referindo-se à busca pela razão humana da verdade mais elevada, Tomás diz que "só poucos, depois de muito tempo e com mistura de muitos erros, podem chegar". O tempo é bonus cooperator, o grande aliado de quem almeja o "tesouro do conhecimento" (DMS, intr.).

O De modo studendi é um espelho em que se reflete uma concepção de educação totalmente diferente da que prevalece em nosso tempo. Se um grande educador de hoje fosse consultado sobre "o modo de estudar" ou sobre como "adquirir conhecimentos", certamente sua reposta dirigir-se-ia a questões técnicas, programático-curriculares, motivacionais...: o conhecimento é, para nós, compartimentado, separado da existência. Já Tomás, que pensa no saber como algo integrado à existência, ante as mesmas perguntas, aconselha "sobre como deve ser tua vida" (DMS, intr.).

Se o objetivo da escola, hoje, é formar o bom profissional, ou, quando muito, "educar para a cidadania" ou formar para uma análise crítica do mundo; os conselhos de Tomás, no século XIII, incidem sobre a própria estrutura nuclear íntima do ser humano.

A educação para a sabedoria.

Assim, já na primeira questão da Suma Teológica, ao procurar caracterizar o que é a sabedoria, Tomás explica que a sabedoria não deve ser entendida somente como conhecimento que advém do frio estudo, mas como um saber que se experimenta e saboreia. Tomás, sempre muito atento aos fenômenos da linguagem, à fala do povo, como fonte de profundas descobertas filosóficas, encanta-se com o fato - para ele experiência pessoal vivida - de que em sua língua latina sapere signifique tanto "saber" como "saborear". Esta coincidência de significados na linguagem do povo - Tomás bem o "sabe" - não é casual: se há quem saiba porque estudou, verdadeiramente sábio, porém, é aquele que sabe porque saboreou...

Se a sabedoria não pressupõe só uma dimensão intelectual, mas está integrada ao todo da existência, não é de estranhar, que, dentre os conselhos dados por Tomás sobre o modo de estudar, encontremos a exortação ao silêncio, à vida de oração, à amabilidade, à humildade, à pureza de consciência, à santidade...

Nesse sentido, deve-se observar também que o alcance semântico da própria palavra studium em latim é muito mais abrangente do que a nossa estudo. Studium significa amor, afeição, devotamento, a atitude de quem se aplica a algo porque ama e, não por acaso, esse vocábulo acabou especializando-se em dedicação aos estudos. Assim, o próprio título do opúsculo de Tomás Sobre o modo de estudar, sugere algo assim como: Sobre o modo de aplicar-se amorosamente...

E, na verdade, o que Tomás propõe é nada menos do que uma dedicação integral, uma consagração à vida intelectual. Um estilo de vida muito exigente, que supõe uma ascese de relacionamento do homem com Deus (cfr. p. ex. DMS, 3), com os outros (cfr. p. ex. DMS, 5) e consigo mesmo (cfr. p. ex. DMS, 12).

Na visão compartimentada do conhecimento que temos hoje, esperamos que nosso aluno demonstre teoremas, calcule empuxos, balanceie equações químicas, escreva redações sugestivas e conjugue corretamente os verbos; o que ele é enquanto homem, isto é lá com ele... Já para Tomás, como se vê no De modo studendi, alguém dedicado ao estudo deve, antes de mais nada, cuidar das atitudes da alma.

O silêncio como pressuposto da vida intelectual

Talvez não haja nada mais oposto ao espírito de nosso tempo do que os conselhos de Tomás que recomendam o cultivo do silêncio. E, no entanto, trata-se, como explica um dos principais filósofos da educação contemporâneos, Josef Pieper, de uma das regras fundamentais da vida intelectual e da vida do espírito.

A descoberta da realidade como objetivo da vida intelectual

No que se refere à vida intelectual, Tomás afirma a existência de uma ordo, de uma dinâmica própria do conhecimento, daí que o Aquinate freqüentemente compare o sábio ao arquiteto. Certamente, essa ordo exige uma ordenação do próprio objeto de estudo: do mais fácil para o mais difícil; do riacho para o alto mar. Mas a aquisição do tesouro do saber exigirá também uma ordenação interior do sujeito que estuda. A essa ordo interius referem-se os conselhos do De modo studendi. Afinal, o conhecimento da realidade é, para Tomás, o objetivo da educação, e mais, a própria realização do homem.

Da salvação de nossa alma - Sto Afonso Maria de Ligório


« A salvação eterna não é só o mais importante,
senão o único negócio que nesta vida nos impende »
(Lc 10,42)

O negócio da eterna salvação é, sem dúvida, o mais importante, e, contudo, é aquele de que os cristãos mais se esquecem!

Não há diligência que não se efetue, nem tempo que não se aproveite para obter algum cargo, ganhar uma demanda, ou contratar tal casamento... Quantos conselhos, quantas precauções se tomam! Não se come, não se dorme!...E para alcançar a salvação eterna? O que se faz?

Nada se costuma fazer; ao contrário, tudo o que se faz é para perdê-la, e a maior parte dos cristãos vive como se a morte, o juízo, o inferno, a glória e a eternidade não fossem verdades de fé, mas apenas fábulas inventadas pelos poetas.

Quanta aflição quanto se perde um processo ou uma colheita e quanto cuidado para reparar o prejuízo!... Quando se extravia um cavalo ou um cão, quantas diligências para encontrá-los. Muitos perdem a graça de Deus, e entretanto dormem, riem e gracejam!...

“Mas vós, disse São Paulo, vós, meus irmãos, pensai unicamente no magno assunto de vossa salvação, pois constituiu o negócio da mais alta importância”. É, sem contestação, o negócio mais importante, porque é das mais graves conseqüências, em vista de se tratar da alma, e, perdendo-se esta, tudo está perdido. Devemos estimar a alma – disse São João Crisóstomo, como o mais precioso dos bens. Para compreender esta verdade, basta considerar que Deus sacrificou seu próprio Filho à morte para salvar nossas almas (Jo 3,16). O Verbo Eterno não vacilou em resgatá-las com seu próprio sangue (I Cor 6,20).

Daí esta palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Que dará o homem em troco de sua alma?” (Mt 16,26). Se tem tamanho valor a alma, qual o bem do mundo que poderá dar em troca o homem que a vem a perder?

Se tu te salvas, meu irmão, nada importa que no mundo hajas sido pobre, perseguido e desprezado. Salvando-te, acabar-se-ão os males e serás feliz por toda a eternidade. Mas se te enganares e te perderes, de que te servirá no inferno haveres desfrutado de todos os prazeres do mundo, teres sido rico e cortejado? Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas.

Dirá Deus para ti no dia do Juízo, que coloquei-te neste mundo não para divertir-se, nem enriquecer, nem adquirir honras, senão para salvar sua alma, infelizmente a tudo tu atendeste, menos à salvação de tua alma!

Os mundanos não pensam no presente e nunca no futuro. Este é o único negócio, porque só temos uma alma. “Com receio e com tremor, trabalhai na vossa salvação” (Fl 2,12). Quem não receia nem teme perder-se não se salvará, porque para se salvar é preciso trabalhar e empregar violência (Mt 11,12).

Negócio importante, negócio único, negócio irreparável. Não há falta que se possa comparar, diz Santo Eusébio, ao desprezo da salvação eterna. Todos os demais erros podem ter remédio.

Não se trata de uma casa, de uma cidade, de um emprego; trata-se, diz São João Crisóstomo, de padecer uma eternidade de tormentos e de perder um paraíso de delícias. E esse negócio, que tanto te deve importar, queres arriscá-lo por um “talvez”? Acaso, esperas que Deus aumente para ti suas luzes e suas graças depois que tu hajas aumentado ilimitadamente tuas faltas e pecados?

“De que serve, pois, ganhar o mundo inteiro, se à hora da morte, perdendo a alma, tudo perde?”... Oh! Quantos jovens, penetrados desta grande máxima, resolveram entrar na clausura! Quantos anacoretas conduziu ao deserto! A quantos mártires moveu a dar a vida por Cristo!

É mister pesar os bens na balança de Deus e não na do mundo, que é falsa e enganadora (Os 12,7). Os bens do mundo são desprezíveis, não satisfazem e acabam depressa. “Meus dias passaram mais depressa que um correio; passaram como um navio...” (Jo 9,25)
 
Passam e fogem velozes os breves dias desta vida; e o que resta por fim dos prazeres terrenos? Passaram como navios. O navio não deixa vestígio de sua passagem (Sb 5,10).

“O tempo é breve...os que se servem do mundo, sejam como se dele não se servissem, porque a figura deste mundo passa...” (I Cor 7,31). Procuremos, pois, viver de maneira que à hora de nossa morte não se nos possa dizer o que se disse ao néscio mencionado no Evangelho: “Insensato, nesta noite há de exigir de ti a entrega de tua alma; e as coisas que juntaste, para que serão?” (Lc 12,20). E logo acrescenta São Lucas: “Assim é que sucede a quem enriquece para si, e não é rico aos olhos de Deus” (Lc 12,21).

Mais adiante diz: “Procurai entesourar para o céu, onde não chegam os ladrões nem rói a traça” (Mt 6,20).

Façamos, pois todo o esforço para adquirir o grande tesouro do amor divino. “Que possui o rico, se não tem caridade? E se o pobre tem caridade, o que não possui?”, diz Santo Agostinho. Quem possui todas as riquezas, mas não possui a Deus, é o mais pobre do mundo. Mas o pobre que possui a Deus possui tudo... E quem é que possui a Deus? Aquele que o ama. “Quem, permanece na caridade, em Deus permanece, e Deus nele” (I Jo 4,16)

Santo Afonso Maria de Ligório
 

Dança na Liturgia - Card. Joseph Ratzinger


A dança não é uma forma de expressão cristã. Já no século II, os círculos gnósticos-docéticos tentaram introduzi-la na Liturgia. Eles consideravam a crucificação apenas como uma aparência: segundo eles, Cristo nunca abandonou o corpo, porque nunca chegou a encarnar antes de Sua paixão; consequentemente, a dança podia ocupar o lugar da Liturgia da Cruz, tendo a cruz sido apenas uma aparência.

As danças cultuais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas: invocação, magia analógica, êxtase místico; porém, nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior da Liturgia do "sacrifício da Palavra". É totalmente absurdo, na tentativa de tornar a Liturgia "mais atraente", recorrer a espetáculos de pantominas de dança, possivelmente com grupos profissionais que, muitas vezes, terminam em aplauso.

Sempre que haja aplauso pelos aspectos humanos da Liturgia, é sinal de que a sua natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso.

Joseph Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia

Apelação modernista: Montfortianos são satanistas


Numa reunião de Liturgia, um dos assuntos tratados parece ter sido a existência de uma associação suspeita: A Montfort. Lá, foi dito aos incautos que os que participam de tal movimento ou sociedade são satanistas...

kkk.. Esse realmente foi o cúmulo dos absurdos.. kk
A sinceridade desse povo me comove....

"Bem aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus" (Mt 5,11-12).

28 de Agosto - Dia de Sto Agostinho, Doutor da Igreja


"Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim. Como um animal buscava as coisas belas que tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de ser. Chamaste-me, gritavas-me, rompeste minha surdez. Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsas-te dos meus olhos a cegueira. Exalaste o teu Espírito e aspirei o seu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me e abrasei-me na tua paz"

Santo Agostinho, Confissões.

Papa pede que fiéis se apeguem com obstinação à fé católica

Da Efe, no Vaticano

O Papa Bento 16 pediu neste domingo aos católicos do mundo que sejam obstinados e não se contentem em serem "superficialmente" apegados à fé católica, embora, algumas vezes, os ensinamentos de Jesus possam ser "duros"

"Jesus não se conforma com um apego superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão. É necessário, ao contrário, participar durante toda a vida de seu pensar e de seu querer", afirmou o pontífice na residência de verão de Castelgandolfo, próxima a Roma.

"Seguir Jesus enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta dificuldades e renúncias, porque muito frequentemente é preciso ir contra a corrente", acrescentou Bento 16 durante a celebração do Angelus.

O Papa, que pela primeira vez apareceu sem o gesso que cobria seu punho direito desde 17 de julho e que brincou sobre o fato de sua mão ainda estar um pouco "preguiçosa", pediu aos católicos que permaneçam fiéis à fé, que "é um dócil testemunho da palavra do Senhor, que é a lâmpada para os passos e uma luz no caminho".

"Também hoje, não poucos ficam escandalizados com o paradoxo da fé cristã. O ensino de Jesus parece duro, difícil demais para assumi-lo e colocá-lo em prática. Há, portanto, quem o rejeite e abandone Cristo. Há quem tente adaptar a palavra às modas dos tempos, alterando seu sentido e valor", concluiu.

Fonte

Será ignorância ou falta de sinceridade mesmo?


Temos visto a recente polêmica entre o professor Orlando Fedeli e o Pe. Joãozinho. Há pouco estiveram fazendo desafios um ao outro. Justamente neste ponto, surge uma dúvida... As coisas, aparentemente, não andam lá tão sinceras, ou então uma das partes carece de conhecimento a respeito do que a Igreja ensina.

Reconheço minha pequenez neste meio, pelo que ouso alguns comentários apenas neste humilde espaço, e sem a mínima pretensão de encerrar a questão. Mas, confiante no auxílio da Graça divina, prossigo...

Primeiramente, o prof. Orlando Fedeli evoca um dogma do IV Concílio de Latrão, segundo o qual, "Fora da Igreja não há salvação". Ora, dogma é dogma! Faltaria ao Dr. Pe. João Carlos (por que não Pe. Dr. João Carlos?) este conhecimento tão básico a respeito do caráter absoluto do dogma? Seria tão desastrosa a formação dos padres ecumenistas? Claro, sobre este dogma, há os casos de ignorância invencível, em que o indivíduo faz parte da "alma da Igreja" sem fazer parte do corpo, como bem o lembrou o Gustavo. Mas isto não valida o protestantismo em si.

Pe. Joãozinho, por sua vez, sugere que a última e mais perfeita interpretação do "Extra Ecclesiam nulla salus" foi oferecida pelo Concílio Vatiicano II, com o polêmico "subsistit in". Nisto vejo o seguinte: não é próprio das declarações dogmáticas serem o mais claras e diretas possíveis, evitando toda ambiguidade? A declaração dogmática do IV Concílio de Latrão não contém estes atributos? Será, então, que a Igreja vinha tateando passos, oscilando entre interpretações erradas, até se deparar com a "grande luz" do CVII, que esclareceu todas as suas dúvidas? É estranho declarar um dogma quando se tem dúvidas a respeito do que ele significa.
Não devemos procurar a interpretação do dogma em períodos posteriores, mas, antes, o seu real significado encontra-se no momento mesmo em que foi proferido. A Igreja, compreendendo uma verdade de fé, presente desde os tempos apostólicos, dotada de particular clareza em um determinado momento, proclama que esta verdade é infalível. Não é preciso esperar por tempos futuros para que o real significado deste dogma se revele. Claro que a compreensão a respeito de algo pode vir a crescer. O mistério é, por sua própria natureza, inesgotável, mas isto não abre a possibilidade de uma mudança substancial na compreensão mesma do dogma.

Depois, o Pe. Joãozinho estabelece uma tensão entre o "ensino atual" da Igreja e o anterior ao CVII, quando escreve: "Nossa visão é a da Igreja Católica Apostólica Romana, em seu magistério recente e INFALÍVEL. Falamos de uma Encíclica UT UNUM SINT (que todos sejam um)".

Isso me parece claramente a condenada "hermenêutica da ruptura". Pe. Joãozinho, ao dizer que segue a visão do Magistério recente, demonstra que o entende como essencialmente distinto do anterior. Nesta perspectiva, abandona o ensino tradicional e adota um novo, segundo o entende, o que torna sua atitude explicitamente herética. Depois, rebate uma declaração dogmática, com uma outra encíclica que pretende infalível, mas que não é.

E isto é outra coisa que sinceramente me preocupa em vários padres. Parecem não saber distinguir uma declaração dogmática de outra meramente pastoral, igualando-lhes o valor. O reverendo padre parece lutar contra a Igreja tradicional, usando armas pós-conciliares. Não pretendo fazer uma defesa cega do Prof. Orlando, mas, neste caso, ele é muito mais coerente e, na minha opinião, vence fácil (daí a imagem do post).

Depois, algumas perguntas que o Pe. Joãozinho faz aparentam ser meramente uma evasiva.
Todos sabemos que o Prof. Orlando Fedeli não aceita o CVII. Depois, a Associação Montfort não se impõe pela autoridade eclesial, mas pela clareza dos argumentos. Bem.. é assim que vejo.

E diante disto, só posso lamentar a pobre formação de tantos padres, mesmo daqueles que ostentam, antes do seu ofício sagrado, o título de doutor.
Fábio Luciano.

O vírus da gripe A é anticlerical



Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

A nota pastoral relativa aos cuidados a ter nas celebrações litúrgicas, por causa do vírus da gripe A, deu-me que pensar. Não sendo um documento de natureza científica, nunca supus que pudesse revelar a natureza do terrível vírus H1N1, mas a verdade é que esse texto esclarece definitivamente a sua maléfica estirpe.

É significativo que não se desaconselham determinados comportamentos em geral, mas apenas nas celebrações litúrgicas. Tendo em conta que a moderna concepção da caridade cristã pugna sobretudo pela imunidade pessoal e, só depois, pelo amor ao próximo, era de esperar que os pais católicos fossem impedidos de beijar os seus filhos, mas nenhum zeloso pastor veio ainda proibir que os imprudentes progenitores osculem a sua extremosa prole, a não ser que o façam na Missa.Também seria de supor que os noivos fossem impedidos de se beijarem, mas também não consta que nenhum pároco tenha, até à data, imposto este higiénico impedimento matrimonial, excepto durante a Eucaristia. Mesmo em lugares muito frequentados, como pode ser o caso das estâncias balneares, das discotecas ou dos centros comerciais, os católicos, ao que parece, não correm qualquer perigo de contágio pois, em caso contrário, tais ambientes teriam sido desaconselhados pela sua ASAE confessional.

Estes exemplos bastam para que se possa retirar uma importante conclusão científica: o vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja, é um vírus tipicamente anticlerical: daí o A que o distingue de todas as outras gripes, que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas.
 
Assim sendo, temo que o vírus H1N1 não seja apenas anticlerical, mas demoníaco, talvez até a expressão viral do Anticristo (que, por estranha coincidência, também tem por inicial a primeira letra do alfabeto…). De facto, este vírus não incomoda os cristãos que não se benzem com água benta, nem os que não dão o abraço da paz aos seus irmãos, nem comungam, mas apenas aqueles que, por serem mais piedosos e caridosos, humedecem os dedos com que fazem o sinal da Cruz, expressam com o ósculo a autenticidade da sua caridade e, porque estão na graça de Deus, estão aptos para receberem a sagrada comunhão. Portanto, não só é um vírus que age nas igrejas como preferencialmente atinge os fiéis que mais rezam e frequentam os sacramentos! Se isto não é diabólico, confesso que não sei o que é!Sendo esta a natureza do nefando vírus, há que concluir que o princípio activo susceptível de o debelar não é nenhum Tamiflu farmacêutico, mas um exorcismo, que é a resposta eclesial contra as investidas do maligno. Sendo pastoral a nota que o anatematiza, era de esperar que se recomendassem meios espirituais e não apenas medidas da mais prosaica higiene, em que a Igreja Católica não parece particularmente competente, visto que já o seu Mestre não só foi acusado pelos seus contemporâneos de omitir as abluções rituais que os fariseus, pelo contrário, não dispensavam, como também tocava em leprosos e outros doentes, sem depois proceder à conveniente desinfecção.
 
Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto do Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fiéis que, ajoelhados, a recebam na boca. É caso para lamentar que a Santa Sé não esteja sujeita à pastoral da saúde da nossa terrinha. Mentes mais afoitas na teoria da conspiração, talvez não desdenhem a hipótese de algum acordo secreto entre o Vaticano e as funerárias, pois só assim se explicaria a inconsciência de um tão criminoso procedimento litúrgico que, como é óbvio, atenta contra a vida e a saúde de milhões de fiéis.

Padre Gonçalo Portocarrero de Almada - "O vírus da gripe A é anticlerical"

MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=cronicas&artigo=virus-anticlerical&lang=bra

Negar-se ao eu - Pe. Antônio Vieira


Se alguém quer vir após mim, diz o Senhor, negue-se a si mesmo. Porventura, que é esta a mais notável sentença que Cristo disse. Que quer dizer que nos neguemos a nós mesmos? Quer dizer que nos hajamos conosco como se não fôssems nós. Eu que me haja comigo coo se não fosse eu: vós, que vis hajais convosco, como se não fôsseis vós. Oh, que documento tão divino para o bem e para o mal! Se as nossas prosperidades nos viessem como se fossem de outrem, que pouco nos haviam e desvanecer! E se as nossas adversidades as tomássemos como se não fossem nossas, que pouco nos haviam de molestar!

O verdadeiro amigo dizem que é outro eu: o verdadeiro cristão, diz Cristo que há de ser um não eu (...). O verdadeiro amigo é outro eu; porque se há de haver nas coisas do amigo como se fossem próprias: o verdadeiro cristão é um não eu; porque se há de haer nas coisas próprias como se fossem alheias. Ao próximo diz Cristo que tratemos como a nós mesmos; e a nós, que nos tratemos como se não fôssemos nós. Nestes dois pontos se encerra toda a perfeição evangélica. Aos outros, como se fosse eu; a mim, como se eu fosse outro.

E que vida tão descansada seria a nossa, se assim vivêssemos! Que fácil seria a paciência nas injúrias! Que igual a conformidade nos trabalhos! Que moderado o apetite nas pretensões! Que comedido o desejo nos afetos! Enfim, que senhores seríamos de nós mesmos e da fortuna! Mas porque não nos despegamos de nós, andamos pegados a tudo e por isso tudo nos embaraça. Negar-se a si mesmo, dizem que é a maior fineza; e eu não sei de comodidade maior: dizem que é o maior ato de amor de Deus, e eu o tenho pela maior destreza do amor próprio. Só sabe querer-se bem quem sabe livrar-se de si.

Pe. Antônio Vieira, Páginas Espirituais

O Cristo da escola liberal - Karl Adam

A segunda corrente, que se originou de Strauss, é a chamada escola liberal, na investigação histórica sobre o Cristo. Ao contrário de Hegel, sustenta que são as personalidades, não as idéias, que plasmam a história.

Por isso, a personalidade de Jesus vem em primeiro plano, na sua explicação do cristianismo. A sua ambição, entretanto, é compreender a personalidade de Jesus com os recursos do método histórico, portanto, com uma rigorosa análise das fontes, e com a aplicação das leis da analogia e da correlação.

Tudo que em Jesus ultrapasse as analogias e os paralelos históricos e que se possa demonstrar esteja acima da correlação histórica, acima do nexo causal histórico é anti-histórico e, consequentemente, deve ser cancelado de sua imagem.

Com esse pressuposto, a escola liberal visa, fundamentalmente, a demonstrar que tudo o que há de misterioso e de sobrenatural na vida do Senhor é anti-histórico, mero produto da fé da comunidade.

Assim se acautela, diligentemente, de considerar toda a tradição evangélica como fruto da mitologia.

Encontra muita pedra primitiva sólida que martelo algum de crítico pode estilhaçar; tudo isso, entretanto, não passa de ruínas soltas. O crítico, porém, pode organizá-las num bloco, e o critério dessa sistematização são os ideais culturais de cada época.

Por isso, a escola liberal se vangloria de apresentar um Cristo a gosto do homem moderno. Esse Jesus se caracteriza, essencialmente, por seus traços ético-religiosos; é o mestre da vida interior, que nos leva ao Pai, o primeiro dos gênios religiosos da humanidade.

E uma vez que essa escola tira do Jesus histórico tudo o que há de sobrenatural e seu caráter messiânico, sua doutrina se caracteriza como "jesuanismo", que considera objeto da investigação histórica o Jesus da história, e não, o Cristo da fé.

Por mais que se revolva a história da fé, esse Jesus "histórico" jamais se encontra em parte alguma. Nem mesmo os monarquianos dinâmicos, que viam em Cristo apenas uma força espiritual consubstancial ao Pai, nele operante, conheceram um Jesus histórico como o da escola liberal.

Não! Esse Jesus jamais atuou na história, é um puro devaneio, uma mera criação literária.

Karl Adam, O Cristo da Fé.
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