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O dogma evolui?


Contra a fixidez do dogma, se levantam os ditos "evolucionistas doutrinários". Mas o fazem sempre motivados por um outro dogma que é justamente a defesa deste evolucionismo ou transformismo otimista aplicado aos princípios da religião.

Acontece que a mutabilidade de algo supõe a sua imperfeição, e a evolução geralmente traz a idéia de aperfeiçoamento. Aquilo, pois, que foi aperfeiçoado não era perfeito antes e, mantendo a perfectibilidade ou potência à perfeição, permanece imperfeito.

Sendo que algo é imperfeito, não pode arvorar-se o posto de absoluto, pois, se o fizesse, cairia numa tola pretensão. Daí que, se o dogma católico evolui, supõe-se que seja imperfeito e, sendo-o, não pode absolutizar-se, devendo permanecer aberto à discussão e à crítica. Chamar-se-ia, portanto, as verdades de fé pelo nome de dogma apenas a título de convenção, e não segundo o real significado do termo que sugere algo definido e, pela sua perfeição, imutável.

Temos então que afirmar a evolução do dogma é negar o absoluto do mesmo e, portanto, pôr em desconfiança a fala da Igreja, o seu Magistério, a sua doutrina. Cai-se daí num relativismo, onde as vertentes distintas, todas fragmentárias, representariam o esforço humano em busca do sagrado. Não há, portanto, revelação, mas apenas, para usar o termo do Santo Padre, "um grito no escuro".

Isto se se conserva ainda que Deus seja imutável. Se tal verdade se resguarda, o discurso do dogma evolucionista diria respeito somente à adequação dos conceitos à imutabilidade divina. Se, porém, se atribui à divindade igual potência evolutiva, termina-se por negar a própria divindade de Deus e, portanto, a sua perfeição e cai-se numa infinidade de contradições.

Podemos observar as consequências práticas deste evolucionismo doutrinário anticatólico, que supõe sempre a desconfiança no ensino dogmático da Igreja, nas tão constantes desobediências às normas litúrgicas, no solene desprezo dos documentos antigos, ainda que dogmáticos, nas conversas ordinárias que põem em livre e vulgar discussão temas tão sérios como o do celibato sacerdotal, a obediência ao Santo Padre, o uso de anticoncepcionais, etc. Tudo isto é como que um olhar desconfiado sobre a Igreja... Mas, se o erro somente é considerado como tal quando comparado à verdade, esta desconfiança da Igreja somente se assenta quando se lhe compara com alguma outra coisa à qual atribui-se a posse da verdade. "Maldito o homem que confia em outro homem", já dizia sabiamente a escritura. Duvidam de Deus para crer em Darwin, em Marx, em Freud, em Leonardo Boff (que talvez se sentiria honrado por ser posto com estes outros sofistas), nos livrinhos de estória do ensino médio, nas estísticas do Super Pop, nas discussões do Big Brother, nos "argumentos" do Dan Brown ou do Dawkins.

Sabiamente recordava o Everth as palavras de S. Paulo: "Se apartarão da verdade e se atirarão às fábulas"... Dirão que o dogma evolui, ou até, que Deus evolui...

Os que aderem a esta mentira já não podem defender firmemente o que quer que seja, pois se é verdade que tudo evolui e, portanto, muda, não há razão pela qual se deva creditar ao evolucionismo doutrinário nenhuma crença durável. Se o evolucionismo existisse, seria uma lei e, portanto, pretenderia-se imutável, caindo em contradição. Então, para serem minimamente coerentes, os defensores disto deveriam supor que tal lei estaria, também, sujeita à evolução, resultando, ou numa involução (e então a involução seria um estágio evoluído da evolução.. rs..) ou chegando à fixidez. Mas, neste estágio, a verdade se tornaria fixa e imutável.

Eis, então, que a única posição coerente é aderir a um absoluto. Se o absoluto é a Verdade revelada, então temos a objetividade e absolutização do dogma. Se o absoluto é a lei da evolução, aplicada também à doutrina, cai-se numa contradição que consiste em defender-se que a única coisa que não estaria sujeita a esta lei seria a própria lei. Não há, porém, como justificá-lo.

Aderem ao evolucionismo doutrinário não apenas os que o defendem filosoficamente, mas todos os que argumentam que a Igreja precisaria adequar sua doutrina e sua moral aos costumes do mundo moderno. Fala-se, na prática, de uma conversão, não do mundo ao catolicismo, mas do catolicismo ao mundo. Tal empresa, obviamente, é ridícula.

Não nos enganemos, meus caros. Não acreditemos que a natureza da Igreja tenha mudado, que a Sua doutrina seja imperfeita, ou que Deus evolua, como me dizia certa vez um professor adepto da filosofia de Chardin. Não caiamos nestas absurdidades. Qua a luz benfazeja do Logos nos ilumine e nos livre da burrice destes evolucionismos doutrinários.

Pela imutabilidade do dogma católico!

Fábio.

Cardeal Pacceli: alteração da Fé seria um suicício...


“Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma”.

Cardeal Pacceli, futuro Pio XII, quando ainda Secretário de Estado de Pio XI em 1936.

***

A alteração da Fé:
- Em sua Liturgia (liturgia afro, modernismo, invencionices sem conta, palmas e reboladas, músicas pop e rock n' roll na Missa, profanações, falta de zelo, comunhão na mão, abandono das fórmulas, entronização de orações socialistas e sincréticas....)

- Em sua Teologia (abandono do tomismo, ascensão da "teologia da libertação" e da teologia liberal, hemenêutica da ruptura, da suspeita e dos infernos, enfraquecimento da catequese, pentecostalismo, "leitura popular" da Bíblia...)

- Em sua alma (substituição do "Santo Sacrifício da Missa" pela concepção de uma mera reunião fraterna; substituição da realidade do Calvário pelo simbolismo de uma festa ou mero encontro de fiéis; abandono das práticas devocionais tradicionais pela militância em sindicatos da terra, da ecologia e pelo hasteamento de bandeiras vermelhas; substituição do "santo orgulho" de se dizer plenamente católico pela vergonha em aderir de todo ao ensino da Igreja. Substituição da obediência ao Papa e ao Magistério pela soberba da revolução e infração metódica das prescrições eclesiásticas, o que chamam de "carisma sobre instituição").

Estas alterações, caríssimos, representam o suicídio de que se fala acima. São, todas elas, diferentes manifestações do "non serviam" da velha serpente.

O contrário, isto é, a fidelidade à Tradição, à retidão do ensino da Igreja, representa a vida, a vida em plenitude. Felizes os que ouvem a voz do Sumo Pastor e ignoram estes outros que não vêm senão para roubar, matar e destruir.

Que a Virgem de Fátima guarde os seus filhos de toda heresia e apostasia. Que santifique o clero e nos acenda na alma o fogo da Caridade, a fim de que, ardendo de zelo pela Igreja, a defendamos e sejamos testemunhos vivos de Nosso Senhor, luzeiros a ostentar, não bandeiras vermelhas com foices e martelos, mas a suma insígnia da Cruz, sempre bela e sempre forte.

Fábio.

Inversão de papéis na Liturgia - estranhos, hoje, são os obedientes...

Hoje, vivemos tempos em que aclamados são os que adulteram de toda forma a Liturgia, que introduzem nela práticas e costumes estranhos à sua natureza, que fazem apelações de todo tipo com vistas à participação ativa ou ao que pensam que isto seja. A todos estes desobedientes chovem elogios porque não se deixaram enquadrar pelas exigências, sempre tão rígidas, de uma Liturgia proveniente de tempos antigos.

De outro lado, aqueles que ainda se importam em obedecer, devem adentrar numa chuva de vaias e reclamações se se propõem a ser fiéis ao que a Igreja, de fato, ensina. Devem enfrentar todo tipo de olhares e caras feias, de desaprovações, como se fossem estranhos e não tivessem o direito de simplesmente obedecer. Ao querer cantar em latim, por exemplo, parece que se precisa como que pedir licença e desculpas, embora o latim seja a língua mãe da Igreja. Porém, encontra a maior liberdade e o sorriso de muitos quem, de relance, arrisque um "Axé" no meio ou improvise um baião aqui e acolá.

Tempos difíceis. É preciso pedir licença para fazer o que é certo; fazer o errado, porém, tornou-se motivo de honrarias. Bem dizia aquela música do Renato Russo: "Ter bondade é ter coragem". Chegamos nestes dias... Mas, como escreveu o grande São João da Cruz, "sofrer pelo Amado é melhor que fazer milagres". Cristo deve ser o centro, não os gostos pessoais nem os gostos comuns. A Liturgia é dada, não inventada. Persistamos no bom combate!

Fábio.

Entrevista com o Pe. Paulo Ricardo: Alerta contra a instrumentalização da Igreja face aos interesses dos comunistas

Padre Paulo Ricardo

Padre Paulo Ricardo de Azevedo, consultor da Congregação do Clero, em assuntos de catequese junto à Santa Sé, professor de Filosofia e Teologia, e reitor do Seminário Cristo Rei de Cuiabá (MT) denuncia as influências materialistas do marxismo cultural no mundo Ocidental com o objetivo de "descristianizar" a sociedade. Alerta para o perigo de uma leitura sociológica da Bíblia em função dos interesses do comunismo.

cancaonova.com: O que é o marxismo cultural?

Padre Paulo Ricardo: Marxismo cultural é um movimento ideológico que pretende implantar a revolução marxista. Não através dos meios armados ou de uma movimentação de violência, mas por meio da transformação da cultura ocidental. Na verdade, o Ocidente é uma cultura que está toda baseada, desde o tempo dos antigos filósofos gregos, principalmente depois do Cristianismo, na espiritualidade.

cancaonova.com: Por que muitos pensam que o comunismo desapareceu totalmente, após a queda da União Soviética?

Padre Paulo Ricardo: O que desapareceu foi o comunismo real, no entanto, os ideais marxistas continuam de pé e muito vivos, basta lermos os programas dos partidos políticos no Brasil e veremos que aquilo que se pretende com o marxismo continua sendo o ideal de toda uma movimentação política. Só que esses adeptos da cultura marxista estão convencidos de que não conseguirão implantá-la aqui se antes não destruírem a cultura, que há no país, toda baseada na espiritualidade, o que é típico do Ocidente como já foi dito. Trocando em miúdos, o marxismo é materialista e para implantá-lo é necessário que as pessoas estejam convencidas do materialismo. Então, eles, aos poucos, vãos desmontando a cultura ocidental, que é espiritual, cristã, filosófica e metafísica, e implantando o materialismo pagão, que é contra a metafísica e que só é a favor daquilo que é experimental, que se pode palpar, aquilo que podemos experimentar no dia-a-dia.

cancaonova.com: Como esta ideologia comunista mais afeta nossa vida de Igreja e influencia nosso pensamento?

Padre Paulo Ricardo: Ela afeta justamente pelo fato de que a teologia da libertação, aqui no Brasil e na América Latina, tem como ideal a implantação de uma sociedade parecida com aquela que os socialistas e comunistas esperavam, ou seja, uma sociedade igualitária, em que as pessoas sejam todas iguais. Por meio dessa teologia, esse tipo de leitura da Bíblia e da realidade bastante socializante e materialista foram entrando aos poucos em nossa maneira de ver o mundo e da visão da Igreja.

cancaonova.com: Como combatê-la e se dar conta de que se trata de uma 'ideologia marxista', mesmo que disfarçada?

Padre Paulo Ricardo: A primeira coisa é compreendermos que, através da ideologia marxista, se tende a ler tudo a partir da sociologia. Então, quando, por exemplo, encontramos uma pessoa que começa ler a Bíblia e em todas as suas passagens tira alguma aplicação social, esse é um indício, um sinal bastante claro de que, talvez, ela esteja seguindo esse tipo de pensamento marxista. Sabemos que a Sagrada Escritura tem uma lição social, mas nós não podemos extrair dela apenas uma mensagem social.

cancaonova.com: Quais os principais meios utilizados pelos militantes do marxismo cultural para difundir suas idéias?

Padre Paulo Ricardo: O primeiro ponto é que eles agem em dois campos muito distintos. O primeiro campo mais importante para eles são as universidades, onde, basicamente, quase todos os professores, de alguma forma, foram influenciados por esse tipo de pensamento materialista e socializante. Já o segundo são os meios de comunicação. Através das novelas e noticiários, eles vão influenciando e montando a mentalidade do povo de uma forma contraria à do Cristianismo e à visão espiritual da realidade.

cancaonova.com: Como padre, na sua história de vida, o senhor percebe que foi alguma vez instrumentalizado pelos pensadores do marxismo cultural?

Padre Paulo Ricardo: Sem dúvida nenhuma. Quando eu era um jovem estudante de Filosofia, eu seguia aquilo que os professores ensinavam em sala de aula, dentro da universidade. E, sem perceber, ia escorregando para esse tipo de leitura sociológica, uma leitura socializante da Bíblia. Mas graças a Deus e pela providência divina, eu fui encontrando livros que, aos poucos, foram me abrindo os olhos e é por isso que, hoje, quero prestar esse serviço para as pessoas, ajudando-as também a encontrar o caminho de saída desse tipo de pensamento que esvazia o Evangelho.

cancaonova.com: Em qual aspecto os católicos devem ficar mais atentos para não serem 'inocentes úteis' nas mãos dos intelectuais do comunismo?

Padre Paulo Ricardo: A primeira coisa que nós temos de notar é que somos a maioria, só que, infelizmente, somos uma maioria inconsciente, ou seja, nós não temos consciência daquilo que deveríamos fazer. Enquanto eles são uma minoria muita bem treinada. Por exemplo: no jornal Folha de São Paulo foi veiculada uma pesquisa afirmando que 47% dos eleitores brasileiros, portanto, a esmagadora maioria de acordo com a pesquisa, são bastante conservadores em termos de moralidade, portanto, os brasileiros são contra o aborto, o casamento homossexual e todo esse tipo de coisa.

Mas os adeptos da cultura marxista procuram passar toda uma programação a favor do aborto e do casamento gay, porque pretendem desmontar a moral cristã para implantar uma mentalidade materialista.

Pois bem, se nós somos a maioria, por que é que eles conseguem nos dominar? Porque eles dominaram os meios de comunicação. Existe, na verdade, uma minoria falante que está dominando uma maioria muda. A primeira coisa que nós devemos fazer é parar de ser mudos e começar a falar, a protestar e a dizer: "Não, eu não estou de acordo com isso! Não é assim!" E se formos chamados de conservadores, não importa.

A primeira coisa que um católico precisa realmente ter consciência – diante do fenômeno do marxismo cultural – é de que nós iremos ser policiados por eles, naquilo que eles chamam de "patrulhamento ideológico", mas não temos de nos importar com isso, porque assim como os primeiros cristãos sofreram perseguições, nós também as sofreremos, mas estas serão de forma ideológica. Devemos lutar para levar a verdade do Evangelho para frente! Não podemos ceder e "barateá-lo" a uma nova agenda cultural que está nos sendo imposta.

cancaonova.com: O que o Papa Bento XVI significa em todo esse contexto?

Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI, quando era professor na Alemanha, sofreu bastante com esse tipo de movimentação do marxismo cultural, porque este movimento não está presente apenas na Igreja do Brasil, mas também na Alemanha. E muitos teólogos tentavam adaptar o Evangelho ao marxismo, de modo que foram eles que mais criaram problemas para ele. Quando ele foi eleito cardeal em Roma, logo começou a combater a teologia da libertação marxista, tentando mostrar justamente que se tratava de um desequilíbrio e de uma traição ao Evangelho. Agora que é papa, nós vemos claramente que Deus se manifestou ao escolher este homem para ajudar a Igreja do Brasil e do mundo inteiro a sair desta situação de querer ler o Evangelho através de uma visão sociológica e de uma agenda política que não tem nada a ver com o Cristianismo. Então, podemos dizer que a eleição de Bento XVI é a virada. Ele é, de alguma forma, o homem da providência e nós agradecemos a Deus por ter nos dado esse homem providencial.

cancaonova.com: Teremos uma sociedade ideal, harmônica, igualitária, neste mundo um dia, ou nossa meta de vida perfeita é para a 'pátria celeste'?

Padre Paulo Ricardo: Sem dúvida nenhuma, nós temos de ser realistas. Somos imperfeitos, por isso não somos capazes de gerar, nesse mundo, uma sociedade perfeita. Todos aqueles que quiseram implantar um paraíso, aqui, na terra, a única coisa que conseguiram produzir foi o inferno. Todas as ideologias do século XX, que propunham fazer um paraíso na terra, foram as que causaram mais mortes. Nós não podemos agir assim, temos de tentar melhorar a sociedade sim, lutar para a justiça, mas o próprio Papa Bento XVI nos recorda na encíclica "Deus Caritas Est": "Não é possível implantar o paraíso aqui na terra, o que nós devemos esperar é que tenhamos forças morais aqui na terra, suficientes para lutar contra o mal", mas essa luta irá durar enquanto o mundo for mundo. Somente no final dos tempos é que nós veremos o reino dos céus vir como um dom de Deus e não como a realização de uma obra humana. Entraremos na Jerusalém celeste, sim, mas como diz o livro do Apocalipse: "Ela é a esposa que desce do alto e não aquela que sobe da terra, porque quem sobe da terra, é a prostituta".

Super CEBs ganha selo do INMETRO... 100% aprovado!

O documento emitido pelos senhores bispos por ocasião da 48ª Assembléia Geral que ocorreu estes dias em Brasília e que teve nas CEBs o seu tema central com vista a ressaltar o "seu já admirável espírito missionário", veio recheado de declarações no mínimo interessantes. Ao que parece, foi fruto de profundíssimas reflexões...

Dentre estas expressões curiosas que exaltam sem fim as CEBs, destaco algumas e ponho, em seguida, breves comentários.

- "Queremos reafirmar que elas continuam sendo um "sinal da vitalidade da Igreja"" (De que tipo de vitalidade será que se trata? Que vida os senhores bispos estão supondo ter a Igreja? Para os cristãos a vida é Jesus Cristo, e Ele nos transmite esta vida quando nossas almas estão em graça, isto é, isentas de pecado mortal. Dessa forma, munidos do dom da caridade somos agradáveis a Deus, belos aos Seus olhos. Do contrário, isentos da graça, nada do que façamos é bom, pois não participa da bondade de Deus e não O tem por fonte. Uma alma em pecado mortal, por exemplo, que ouse comungar, além de cometer sacrilégio, come e bebe a própria condenação, conforme escreveu S. Paulo. Consideremos, então, que a vida da alma é assunto central. Para que a tivéssemos, morreu Nosso Senhor no madeiro da Cruz. O próprio Cristo é a vida da alma e transmite esta vida pelos seus Sacramentos que a Igreja, fiel depositária dos Seus tesouros, bondosamente dispensa. Pois bem, qualquer movimento que queira ser "sinal de vitalidade da Igreja" deveria ter por prioridade a reta catequização das almas e o objetivo de sua entronização no Corpo Místico de Cristo. É isto o que caracteriza as CEBs?

De outro lado, tratando da vida física ou das condições dignas de subsistência, legítima preocupação da Santa Igreja, tais cuidados devem ser acompanhados por uma correta compreensão do ser humano na sua totalidade e a eficácia de todo e qualquer esforço humano depende intinamente da sua subordinação à contemplação e do cultivo da vida da Graça. As linhas de ação legítimas, que retamente provocam o bem aos irmãos necessitados levando em conta a integridade de sua natureza, estão descritas na Doutrina Social da Igreja. Qualquer um que queira verdadeiramente pôr em prática tais intentos será, de fato, sinal da vitalidade da Igreja. Tal não se pode ser, porém, se se recusa deliberadamente obedecer a mesma Igreja.)

- "Só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma Fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea." (É muito fácil vermos hoje afirmações deste tipo, cujo traço mais característico é a ambiguidade. Podem ser bem ou mal interpretadas, ao gosto do leitor. Isto é muito confortável pois, à medida que abre margem para interpretações as mais disparatadas, também funciona como uma espécie de redoma a proteger quem as proferiu, visto que nada está inequivocamente claro. A diversidade de jeitos de ver aí pode ser estendida ao infinito, incluindo também aqueles modos que não se coadunam com a compreensão da Igreja. Nem preciso ser mais claro... Parece que a grande intenção em frizar a necessidade desta diversidade é tão somente legitimar aquelas posições destoantes...)

-"Na verdade, os tempos se tornaram maduros para uma nova consciência histórica e eclesial: primeiro, pela emergência de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava à participação; segundo, pela emergência de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consciência na Igreja. Ele ansiava participar ativa e corresponsavelmente da vida e da missão da Igreja. Esse sujeito provoca novas descobertas e conversões pastorais" (Isto parece-se muito com a realização do ideal gramsciano de hegemonia cultural, onde surge, dotado de um novo senso comum revolucionário, o novo sujeito, com estas novas consciências e a fazer estas novas descobertas. Nova consciência histórica, a identificar, pelo que se chama "hermenêutica da suspeita", as relações opressoras, sejam políticas ou econômicas, e que são vistas como as determinantes de todo o devir histórico. De outro lado, a nova consciência da Igreja que cede lugar a estas interpretações estranhas à sua natureza e, para tal, abre mão daquilo que lhe foi tão característico durante todo o tempo e que causava inveja no próprio Antônio Gramsci: a firmeza de sua doutrina. Tudo se torna questionável e, daí, surge esta nova espécime, com novas consciências das coisas (muito embora tais consciências sejam já tão antigas...)).

- "Os Encontros Intereclesiais das CEBs são patrimônio teológico e pastoral da Igreja no Brasil." (Não sei do que se orgulhar... rs...)

- "A realidade das CEBs se expressa na liturgia e também na diaconia e na profecia." (Concordo com a primeira parte... Vê-se claramente a grande [des]graça que as CEBs representam para a Liturgia, profundamente obedientes que são. Deve ser a "nova consciência" litúrgica. Fizeram da Missa qualquer coisa diferente do Calvário. É verdade: "a realidade das CEBs se expressa na liturgia".)

- "O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo" (Protagonismo dos leigos, isso mesmo. Leigos auto-gestionários, que se formam a si mesmos. Não vejo aí nenhum motivo de elogio, senão tão somente uma sombra da velha auto-suficiência. E isto talvez esclareça a razão da fraqueza doutrinária de muitos. Sugere-se no texto que isto se dá, também, pela dificuldade de acesso aos sacerdotes, mas não se pode generalizar. Mesmo à distância, contatos são possíveis, visitas são agendadas. Ainda que, hoje em dia, ouvir um padre infelizmente não seja garantia de se aprender algo interessante, o protagonismo leigo apenas se me apresenta como uma inversão da hierarquia. Parece que a velha relação dialética projetada nos sujeitos de classes distintas, forçando-lhes a oposição, se manifesta também aqui, onde parece transparecer qualquer sombra desta revolta contra os superiores. Mas isto é apenas suposição minha. Seja como for, o texto exalta as CEBs, além de mil outras razões, por ser sinal de comunhão eclesiástica. Mas fato é que não vejo este povo ser fiel ao Papa, aos concílios anteriores ao Vaticano II e nem sequer a este último, a não ser com as já tão conhecidas acrobacias hermenêuticas... Recentemente, ouvi que um Cebiano afirmava algo engraçado. Dizia ele que o Vaticano providencia para que lá estejam os padres mais bonitos esteticamente. Dizia isto para fazer supor intenções duvidosas por parte do Santo Padre e dos demais que lá convivem. Claro que é um caso isolado, pelo qual não se pode julgar todo o movimento; mas pelo menos mostra um pouco que sequer o respeito pelo Sumo Pontífice é ponto tocado lá dentro. Some-se a isto, a gravidade da afirmação, a imprudência de dizer isto num meio qualquer, e o nenhum comprometimento com a verdade das coisas.)

-""O ministério da Palavra exige o ministério da catequese a todos porque ‘fortalece a conversão inicial e permite que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia.""(DGAE 64; DAp 278c). A vida em comunidade já é uma forma de catequese. Ela predispõe para o aprofundamento da fé e da vida cristã por meio do ministério da catequese e também pelo testemunho fraterno de seus membros". (Quero frizar, primeiro o início desta citação: "O ministério da Palavra exige o ministério da catequese". De fato... Por que, então, se prega quando não se foi retamente catequizado? Será esta, de fato, uma preocupação real? Ou está aí meramente para enfeitar? Depois se diz: "A vida em comunidade já é uma forma de catequese". Interessante. A primeira afirmação estabelece uma tensão, enquanto que esta segunda parece poder servir para arrefecê-la, para satisfazê-la, senão de todo, ao menos em parte.)

-"o surgimento das CEBs, junto com o compromisso com os mais necessitados, ajudou a Igreja a “descobrir o potencial evangelizador dos pobres”. (Já seria estranho afirmar que as CEBs ajudaram a Igreja a descobrir o que quer que fosse. Isto soa imensamente pretensioso.. Agora, afirmar que foram as CEBs que ajudaram a Igreja a descobrir o potencial evangelizador dos pobres, é realmente o cúmulo. Ora, a Igreja sempre estabeleceu que, embora fosse mais próprio do clero o ensino, os leigos não estavam isentos, no entanto, de fazê-lo, devendo contribuir, à medida de suas forças e possibilidades, para o alastramento do Reino de Deus pela adesão das almas à Igreja. No texto, parece-se querer fazer referência ao aspecto itinerante da evangelização, onde os pobres se mobilizam a visitar outros pobres. Primeiramente, obviamente que a Igreja jamais se opôs a coisas dessa natureza; ao contrário. Mas convém notar também que a faculdade de evangelizar supõe que o evangelizador seja preparado. Nem sempre se encontram estas condições e, em especial, nos dias de hoje em que vivemos o espetáculo de ver até mesmo sacerdotes minimamente formados a soltar toda espécie de pérolas. Portanto, se as CEBs representam uma novidade, é com certeza com relação à sua imprudência neste sentido e em tantos outros.)

-"As vocações religiosas e sacerdotais despertadas pelas CEBs sinalizam vitalidade espiritual, comunhão eclesial e um novo estímulo de consagração a Deus." (vitalidade espiritual? Como a última assembléia geral dos bispos onde os fiéis, por conta própria, molhavam o Adorável Corpo de Nosso Senhor no Seu Santíssimo Sangue e, por si mesmos, comungavam? Isto é o que se chama vitalidade espiritual? Comunhão eclesial? Como a obediência ao Papa no que diz respeito a não aderir à ideologia da libertação? Novo estímulo de consagração a Deus? Seria tal estímulo qualquer coisa semelhante à garantia de ser marxista sem precisar ser importunado?.. Não sei...)

-"a Igreja no Brasil exorta as CEBs e demais comunidades eclesiais a se manterem fiéis à própria fé, no conteúdo e nos métodos, na busca da libertação plena, superando a tentação “de reduzir a missão da Igreja às dimensões de um projeto puramente temporal.”  (Se manterem fiéis à própria fé.. hum... como dizia o Kiko, "Que será que ele quis dizer?". "No conteúdo", isto é, na TL (será???!!!) e nos métodos (não!!!!!). Por fim, se diz que se busca a libertação plena (uau! É o céu!!!), superando a tentação de reduzir a missão a um projeto puramente temporal. É curioso que isto possa ser uma tentação pra um católico... Seja como for, a exortação faz transparecer: 1) que a tendência é essa, pois "tentação" é geralmente uma "tendência" contra a qual deve-se lutar, ou, como dizia Nosso Senhor, fugir. O ideal, portanto, seria fugir pra bem longe das CEBs.. rs... 2) que parece haver uma busca de conciliação disforme entre o ideal materialista e a concepção espiritual do homem, o que leva a uma série de contradições.

Mais uma vez eu repito: não se trata de condenar todo e qualquer projeto social que tenha por objetivo tornar mais justas as relações entre os homens. Mas tal projeto deve obedecer necessariamente à chamada Doutrina Social da Igreja, e não à ideologia marxista que, infelizmente, ainda enche os olhos de muitos ditos católicos, inclusos aí, muitíssimo infelizmente, padres e bispos.)

-"Em relação à aproximação das CEBs com os movimentos populares na luta pela justiça, o documento 25 da CNBB afirmava que elas “não podem arrogar-se o monopólio do Reino de Deus”. Na verdade, a CEB deve tomar consciência de que, “como Igreja, é sinal e instrumento do Reino, é aquela pequena porção do povo de Deus onde a Palavra de Deus é acolhida e celebrada nos sacramentos ... sobretudo na Eucaristia” (70ss). As CEBs buscam, sim, a “colaboração fraterna com pessoas e grupos que lutam pelos mesmos valores.” (Primeiramente, convinha definir o que se entende por justiça. Este termo pode ser usado pra defender mil ideais. Entre eles, parece-nos o texto querer referir-se ao tão malfadado igualitarismo que, misteriosamente, continua a soar atrativo pra muita gente. Dentre os defensores disso, estão os comunistas de todo tipo... Daí que se poderia usar o argumento exposto acima para justificar a união de movimentos católicos com sindicatos comunistas, desde que buscassem o mesmo fim, apontado sob o nome de "justiça". "Mesmos valores" é igualmente ambíguo.

Alguém poderia objetar de que, como grupo realmente católico, as CEBs têm na Eucaristia o seu centro, tal como expresso acima. E aqui está outra grande ambiguidade. Não se costuma, nesse meio, defender a Santa Missa como Sacrifício de Nosso Senhor. Ao contrário, a Eucaristia parece se tornar instrumento de evidenciação ou materialização dos ideais pregados. A Santa Missa se torna refeição comum e fraterna, isto é, ocasião em que todos são iguais, em que o "pão" é dado a todos e tem-se aí encerrado o significado da "festa". Parece que toda uma simbologia nova (da nova consciência) é projetada sobre o Sacrifício Eucarístico que perde, assim, todo o seu rigor. Coisa terrível!)

-"Uma das dimensões da espiritualidade cultivadas pelas CEBs é a do diálogo ecumênico e interreligioso, que se dá pela abertura ao mundo do outro, promovendo a unidade na diversidade e buscando as semelhanças na diferença. Esta espiritualidade dialogal tem sido assumida pelas CEBs como uma missão de fraternidade cristã, numa atitude de profundo respeito às demais manifestações religiosas, em busca da comunhão universal. Essa espiritualidade nasce do desejo expresso por Jesus: "Que todos sejam um!" (Jo 17,21)" ("Unidade na diversidade", não importa se esta diversidade seja ao infinito a ponto de ir contra a própria natureza da Igreja. A flexibilidade é absoluta. Alguém poderia usar este termo "unidade na diversidade" assim, ambiguamente, pra defender o seu direito de morar com as galinhas, os tatus e com os peixes, tudo ao mesmo tempo. Tal como está, a expressão se aplica aos casos mais absurdos. O "profundo respeito às demais manifestações religiosas" é outro carácter profundamente anti-católico, pois isto implica relativizar os distintos, enquanto que a exclusividade é traço inerente à verdade. O respeito deve existir para com os adeptos destas tais manifestações religiosas, mas nunca com as manifestações religiosas em si, pois a Verdade não respeita o erro, mas somente quem erra, assim como Deus ama o pecador, mas detesta o pecado. Se a escrita acima, porém, expressa ingenuidade ou intenção de ludibriar, eu não sei, e me isento de afirmar qualquer coisa. Mas, seja um ou outro o caso, vindo de senhores bispos, é lamentável. Por fim, fazem Nosso Senhor de instrumento (coisa terrível) para defender algo totalmente non sense ao afirmar que tal desejo nasce em Jesus. Esta manipulação do sentido do Evangelho, bem à semelhança protestante, pode ser fruto deste dito "respeito" às outras "manifestações religiosas", a ponto de imitar-lhes o método.)

-"(...) reafirmamos aqui o que está escrito no Documento 25 da CNBB: “Ao concluir estas reflexões, desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs são para a vida da Igreja no Brasil, pela união existente entre os nossos irmãos e seus pastores, e pela esperança de que este novo modo de ser Igreja vá se tornando sempre mais fermento de renovação em nossa sociedade”. (94). (Dom? Nani? Fermento de renovação em nossa sociedade? Libera nos Domine...)

Enfim, a coisa é muito preocupante. Fico me perguntando o que o Santo Padre diria disto. Ele sabe? Se não, virá a saber? Se alguém aí souber, me responda... Se me equivoquei em algo que escrevi, mostrem-me em que. Tudo isto é muito triste.

Fábio.

5 anos de Sacerdócio do Pe. Iranjunio


Ontem, dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, recordávamos a sua aparição em Portugal no ano de 1917, e o seu pedido tão característico aos homens para que se convertam e rezem. Foi, pois, um dia eminentemente mariano.

Além disto, celebrávamos também, aqui na Paróquia de Santa Maria Madalena em União dos Palmares, a festa de 5 anos de sacerdócio do nosso pároco, Pe. Iranjunio, que, assim como a Virgem, deu o seu sim a Deus. Foi, então, para nós, um dia profundamente sacerdotal.

Nesta ocasião, nós do Grupo de Resgate Anjos de Adoração, reforçamos a nossa submissão e filial afeto ao Pe. Iranjunio e nos regozijamos pelo dom da sua vida e do seu sacerdócio. Pedimos, pois, que Deus lhe dê sabedoria e força para que sua vida seja um espelho de virtudes, para que saiba conduzir o rebanho que lhe foi confiado e defender a fé e a moral católicas.

Pedimos que a Virgem, a Quem consagrou o seu sacerdócio, o conduza sempre a fim de que totalmente se configure a Cristo, vindo a ser verdadeiramente um alter Christus.

Nós do Grupo de Resgate Anjos de Adoração somos felizes e honrados por tê-lo como nosso pastor.

Feliz Aniversário Sacerdotal.

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

Catecismo Anticomunista


"Que paixões desordenadas são a mola da Revolução?
O orgulho, que rejeita a fé; a sensualidade que rejeita a castidade; a soberba, que rejeita a humildade, são as molas principais da Revolução.

Quais são as conseqüências destas paixões?
Do orgulho, que rejeita a fé, nasce a negação da vida eterna como fim da existência terrena, bem como a negação de Deus, e de Cristo como Senhor do homem.

Da sensualidade, que rejeita a castidade, nas­ce o desejo de gozar esta vida de todas as formas, e em conseqüência ela conduz ao desprezo e a dissolução da família.

E da soberba, que rejeita a humildade, nasce a revolta contra a autoridade divina e humana, e contra todas as limitações que o homem pode sofrer. De modo especial ela conduz ao igualitarismo, isto é, ao ideal comunista de uma sociedade sem classes."

D. Geraldo de Proença Sigaud

Leia todo o "Catecismo Anticomunista" aqui

Bento XVI e a aclamação das CEBs pela CNBB


Eu escrevia no post precisamente anterior a este que as CEBs sairiam da 48ª Assembléia Geral dos Bipos com uma renovada disposição, em virtude dos elogios que lá recebeu. Manifestava eu o meu descontentamento, que não se reduz a apenas um desapreço pessoal, a respeito da aclamação geral deste movimento, a ponto de ser o tema mais importante da referida Assembléia.

Sabemos que as CEBs, representante do modernismo na Igreja, traz consigo, além de uma compreensão equivocada do homem, também uma consideração errada sobre a natureza da Liturgia. Aprovar assim tão genericamente um movimento que se caracteriza, sobretudo, pelo liberalismo que ostenta, precisamente numa época em que o Sumo Pontífice da Igreja luta destemidamente para restaurar o inestimável tesouro litúrgico da Santa Igreja, soa mais como desafio. Não quero dizer que o seja, mas a coisa se polariza. De um lado, Bento XVI na defesa da Tradição que implica, necessariamente, a derrubada do erro; de outro lado, a CNBB com seus elogios emocionados às CEBs, movimento modernista e que se inspira na teologia liberal.

Por que não esteve em pauta todos os abusos litúrgicos? Por que não quiseram corrigir os inúmeros destratos de que Nosso Senhor é vítima porque os fiéis sequer sabem comungar? Por que não reforçar a reta catequese? Por que não estimular, se o queria, uma linha de ação segundo os moldes da Doutrina Social da Igreja? Por que essa resistência deliberada?

Realmente, os tempos são de trevas...

Enquanto isso, Bento XVI, grande guarda da verdade, segue sua luta contra os lobos.
Que Deus o fortifique sempre.

Fábio.

CNBB e CEBs


Parece que as Comunidades Eclesiais de Base sairão da 48ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil mais fortes que antes. Sendo o tema principal do evento, foi objeto de vários elogios que ressaltaram a grande necessidade da sua existência em terreno eclesial. Houve quem chegou a dizer que as CEBs “garantem a unidade na Igreja entre fé e vida, oração e compromisso político”. Não sei o que pensar disto. Não compreendo se estas afirmações são provenientes de uma inacreditável ingenuidade por parte dos senhores bispos, ou se a coisa anda mesmo pelo lado da má intenção. Prefiro ficar com a primeira hipótese, ainda que seja tão difícil de acreditar. 

Há como que uma sugestão de que as CEBs, de forma muito particular, desempenham ou representam o papel social da Igreja, o que é falso. A "libertação integral" do ser humano, como diz alguém, é traço inerente à própria Igreja. O que acontece, porém, é que o discurso ideológico esquerdista reduz esta libertação ao âmbito puramente material. Isto somente se faz a partir de um reducionismo radical do próprio ser humano, como se só de pão vivesse o homem e, ao identificar a atuação política e social com o próprio significado intrínseco da evangelização, deduz-se daí a superioridade deste movimento com relação aos outros, mais orantes e mais inúteis e que, não raro, "mutilam" o evangelho.

O problema está mesmo na forma como se compreende esta "libertação integral". Seria a libertação das opressões sociais, políticas, econômicas? Que isto seja importante, vá lá... mas e o caráter espiritual? Ainda que se objete que tal senhor bispo está a seguir a linha pós-conciliar, já afirmo que o concílio, bem no seu início, afirma claramente que a ação deve submeter-se à contemplação, demonstrando, dessa forma, a ordem clara na hierarquia dos valores.

Quem conheça as CEBs, quem tenha tido experiência ou contato, haverá de concordar que, em se tratando de espiritualidade, sejamos sinceros, a coisa fica infinitamente aquém do que deveria ser típico de qualquer grupo que pretendesse dizer-se católico.

Não raro, a própria catequese é a mínima. Ora, para crer bem é preciso conhecer bem, como bem o disse Sto Agostinho. Se, porém, tal conhecimento não é cuidado, tem-se que os seus vários militantes (termo bem apropriado), ou não conhecem bem a fé católica, ou, conhecendo-a, a rejeitam deliberadamente. Caberia aqui a pergunta a respeito das diretrizes da Doutrina Social da Igreja. Ora, se pretendem ter um enfoque sobretudo social, porque não acatar aquilo que tão bem foi expresso pelo Magistério e que constitui tesouro de grande valor e de luz incomparável? Por que agarrar-se, ao invés, a conceitos ideológicos que de maneira nenhuma se coadunam com o ensinamento católico e que, como ainda recentemente escrevia o Santo Padre, representam antes perda significativa de forças?

Uma compreensão minimamente cristã dada à expressão “libertação integral” não deveria incluir a desobediência aos ditames da Igreja nem o abandono deliberado dos seus ensinamentos, tanto no âmbito espiritual como no social. Inúmeros exemplos poderiam ser citados a respeito deste afastamento generalizado do ensino tradicional. Basta, por exemplo, dar uma olhada com o que fazem com a liturgia e, de outro, observar nos termos com que se referem ao ideal da justiça. Salta aos olhos o reducionismo radical a que submetem o ser humano, praticamente retirando de seu campo de ação toda verdadeira catequese, toda evangelização propriamente dita. E quer-se chamar a isso de “libertação integral”? Tem-se, aí, uma naturalização da religião que somente pode se firmar sobre um pressuposto de ceticismo a respeito das realidades supra-naturais.

Tal conclusão não deve causar espanto, uma vez que a linha de atuação das CEBS é inspirada na Teologia da Libertação (TL), ideologia de cunho marxista. Ora, o marxismo tem o ateísmo como cerne de sua estrutura. Daí que a TL, ainda que queira se transmutar de certo devocionismo, traz, na sua ação e na sua compreensão do mundo e dos homens, esta mesma característica essencial da ideologia marxista que é a descrença em toda realidade sobrenatural. Neste contexto, portanto, ajudar um homem materialmente significaria ajudá-lo integralmente. Ora, se isto procede, então os que rezam perdem tempo. Cai-se numa auto-suficiência disfarçada, onde o homem supõe poder prescindir de Deus. No fim, há um fenomenalismo grosseiro, um naturalismo da religião, uma inversão dos valores, um reducionismo do homem, tudo isto tendo o ceticismo por base.

Outras falas de participantes da Assembléia podem enfatizar ainda mais essa grande superficialidade com que se convencionou tratar o sagrado. Depois de um comentário emocionado de um bispo a respeito do 12º Intereclesial das CEBs, onde afirma ter sido esta a maior bênção da sua vida, o texto traz ainda outros comentários curiosos. Dentre eles:

“Na minha diocese essa opção pelas CEBs foi feita e é irrenunciável, pois tem dado frutos extraordinários, não apenas em manter viva a fé e a esperança do povo, mas onde existem as CEBs os evangélicos não entram e os católicos não saem da nossa Igreja”.

Fé e Esperança são virtudes Teologais. Será neste sentido que terá se referido o senhor bispo? Ora, a Fé é ferida quando se adere a algum ponto que vai contra a Doutrina da Igreja (Heresia) ou quando se lhe renuncia por completo (Apostasia). Se alguém, portanto, opta pela Teologia da Libertação, já várias vezes condenada, está naturalmente indo contra o que a Igreja ensina. Se parte a defender ideais socialistas e comunistas, mantendo uma visão anti-cristã do mundo e dos homens, obviamente que tal indivíduo, além de estar incluído na bula papal que excomunga socialistas e comunistas, também não possui a virtude teologal da Fé. É por estas e outras que muitos criticam, com razão, a linguagem por demais ambígua de vários representantes da Igreja nos tempos hodiernos, realidade que contrasta imensamente com o firme e claro discurso dos líderes católicos de outros dias.

Somente uma olhadela na assembléia de fiéis não é suficiente para supor-lhes genericamente a fé, sobretudo quando, em tal comunidade, os elementos verdadeiramente católicos estão misturados com outros provenientes da criatividade e dos achismos humanos. Não sei como algumas pessoas não se espantam dante desta grandíssima pretensão de inovar o sagrado. Realmente, isto não se faz senão por alguma negação anterior do realismo do mesmo, ou, no mínimo, pela negação do valor do ensino tradicional.

Há, portanto, uma séria contradição: afirma-se que os católicos não abandonam a fé, precisamente enquanto optam por atitudes que não tomariam, senão a partir deste pressuposto da negação do caráter absoluto da Verdade e, portanto, da própria substância da Fé. Pra ficar mais claro: o bispo diz que se mantém a fé (seja lá o que for) na mesma altura em que se abandona a fé (Verdade imutável).

Alguém poderia encantar-se, talvez, pela afirmação de que, na descrição do senhor bispo, os protestantes se mantêm longe. A coisa, porém, deve-se mais à facilidade de ver a enorme distância entre o ideal realmente evangélico (do Evangelho) e o discurso socialista. Tenham certeza de que eles também não se aproximariam de um grupo de ateus radicais.

Já a afirmação de que os católicos não saem da Igreja, é também de fácil compreensão. O erro só aparece como tal na sua relação com a verdade. Uma vez, portanto, que esta não seja bem conhecida, o erro é engolido com maior facilidade. Além disto, as CEBs ou a TL como um todo têm, no seu discurso, um forte elemento atrativo que é, essencialmente, cristão. Sob aparências de cuidado caritativo, estas ideologias movem as forças e motivam os espíritos desavisados que, inocentemente, se unem às fileiras dos militantes supostamente devotos. Creio que isto explica, ao menos em parte, algo do fenômeno, à primeira vista misterioso, de certa assiduidade dos católicos em tais movimentos.

O texto a que me remeto tem ainda uma série de outros comentários interessantes tecidos pelos senhores bispos que participaram desta 48ª Assembléia. Há um só, dos lá citados, que destaca a “dimensão orante”, e de forma bem breve. Poupou-nos os olhos não descendo em pormenores, como as violências e mutilações litúrgicas, o pouco ou nenhum zelo que parece esconder a descrença; os subjetivismos e invenções.

Enfim, muito me preocupa esta aprovação geral das CEBs. A tensão que isto naturalmente provoca com relação ao ensino tradicional parece voluntariamente ignorada. Dir-se-ia, talvez, que a coisa aparenta quase um desafio e uma afirmação clara de que o rigor doutrinário e teológico é fato ultrapassado e, portanto, desnecessário. Flexibilizadas as bases, já não há absoluto.

É muito impressionante como isso tudo ganha forma à luz das aparições de Nossa Senhora, particularmente a de La Salette. Que a Virgem, Mãe da Igreja, nos defenda da secularização, da heresia disfarçada, da apostasia camuflada, do liberalismo, do modernismo; em suma, do abandono do sagrado.

Que o Verbo divino nos ilumine, ilumine a Sua Igreja e a purifique de todo erro.
Abençoe os senhores bispos, vença os inimigos da Santa Igreja.
Dê-nos padres santos e preserve os cristãos na verdadeira Fé, sem mesclas de erro.

***

Ah.... E quem acha que a relação CEBs e TL é arbitrária, dê uma olhada em quem estava no 12º Intereclesial das Cebs:

Sim, sim.. Leonardo Boff, o Papa infalível dos TLs. Pois é...

Fábio.

A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


S. Luís Maria Grignion de Montfort

Depois de descobrir e condenar as falsas devoções à Santíssima Virgem, cumpre estabelecer em poucas palavras a devoção verdadeira, que é: 1. interior, 2. terna, 3. santa, 4. constante, 5. desinteressada.

A Verdadeira Devoção é Interior

Antes de tudo, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é interior, isto é, parte do espírito e do coração. Vem da estima em que se tem a Santíssima Virgem, da alta idéia que se formou de suas grandezas, e do amor que se lhe consagra.

A verdadeira devoção é terna

Em segundo lugar é terna, que dizer, cheia de confiança na Santíssima Virgem, da confiança de um filho em sua mãe. Impele uma alma a recorrer a ela em todas as necessidades do corpo e do espírito, com extremos de simplicidade, de confiança e de ternura; ela implora o auxílio de sua boa Mãe em todo tempo, em todo lugar, em todas as coisas: em suas duvidas, para ser esclarecida; em seus erros, para se corrigir; nas tentações, para ser fortificada; em suas quedas, para ser levantada; em seus abatimentos, para ser encorajada; em seus escrúpulos, para ficar livre deles; em suas cruzes, trabalhos e reveses da vida, para ser consolada. Em todos os males do corpo e do espírito, enfim, Maria é seu refúgio, e não há receio de importunar esta boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo.

A verdadeira devoção é santa

Terceiro, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é santa: leva uma alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem, principalmente sua humildade profunda, sua contínua oração, sua obediência cega, sua fé viva, sua mortificação universal, sua pureza divina, sua caridade ardente, sua paciência heróica, sua doçura angélica e sua sabedoria divina. Aí estão as dez virtudes principais da Santíssima Virgem.

A verdadeira devoção é constante

Quarto, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é constante, fiam uma alma no bem, e ajuda-a a perseverar em suas práticas de devoção. Torna-a corajosa para se opor ao mundo em suas modas e máximas, à carne, em seus aborrecimentos e paixões, e ao demônio, em suas tentações. Assim, uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, nem se deixa dominar pela melancolia, pelos escrúpulos ou pelos receios. Não quer isto dizer que não caia ou mude, às vezes, na sensibilidade de sua devoção; mas, se cai, levanta-se logo, estende a mão à sua boa Mãe, e, se perde o gosto ou a devoção sensível, não se aflige irremediavelmente, pois o justo e devoto fiel de Maria vive da fé de Jesus e de Maria, e não nos sentimentos naturais.

A verdadeira devoção é desinteressada

A verdadeira devoção à Virgem Santíssima é, finalmente, desinteressada, leva a alma a buscar não a si mesma, mas somente a Deus em sua Mãe Santíssima. O verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro e de interesse, nem para seu bem temporal ou eterno, corporal ou espiritual, mas unicamente porque ela merece ser servida, e Deus exclusivamente nela; o verdadeiro devoto não ama a Maria precisamente porque ela lhe faz ou ele espera dela algum bem, mas porque ela é amável. Só por isto ele a ama e serve nos desgostos e na aridez, como nas doçuras e no fervor sensível, sempre com a mesma fidelidade; ama-a nas amarguras do Calvário como nas alegrias de Caná. Oh! como é agradável e precioso aos olhos de Deus e de sua Mãe Santíssima, esse devoto, que em nada se busca nos serviços que presta à sua Rainha. Mas, também, quão raro é encontrá-lo agora. E é com o fito de que cresça o número desses fiéis devotos, que empunhei a pena par a escrever o que tenho, com fruto, ensinado em público e em particular nas minhas missões, durante anos e anos.

São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Falsas devoções à Santíssima Virgem


São Luís Maria Grignion de Montfort

O demônio, como um moedeiro falso e enganador fino e experimentado, tem já enganado e perdido inúmeras almas, inculcando uma falsa devoção à Santíssima Virgem, e todos os vale-se de sua experiência diabólica para lançar outras mais à eterna condenação, divertindo-se e acalentando-as no pecado, sob o pretexto de algumas orações mal recitadas e de algumas práticas exteriores que lhes inspira. Como um moedeiro falso só falsifica ordinariamente moedas de ouro e prata, raras vezes imitando outros metais, que não compensam o trabalho, do mesmo modo o espírito maligno não se detém em falsificar outras devoções que não sejam as de Jesus e de Maria, à santa comunhão, e à Virgem Santíssima, porque são estas como o ouro e a prata entre os metais.

É, portanto, de grande importância conhecer primeiramente as falsas devoções à Santíssima Virgem, para evitá-las, e a verdadeira, para abraçá-la; segundo, entre tantas práticas diferentes da verdadeira devoção à Virgem Santíssima, distinguir a mais perfeita, a mais agradável a Maria Santíssima, a que mais glória dá a Deus, a mais santificante para nós, para a esta nos apegarmos.

Os sinais da falsa e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Conheço sete espécies de falsos devotos e falsas devoções à Santíssima Virgem: 1. os devotos críticos, 2. os devotos escrupulosos, 3. os devotos exteriores, 4. os devotos presunçosos, 5. os devotos inconstantes, 6. os devotos hipócritas, 7. os devotos interesseiros.

Os devotos críticos

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa-fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônicas de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivessem adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem. Quando alguém lhes repete os louvores admiráveis que os Santos Padres dão à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras.

Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer, e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando eficazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhe os abusos.

Os devotos escrupulosos

Os devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-lo a se exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhe teceram os Santos Padres; não suportam sem desgosto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagônicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus Cristo por meio dela. Não querem que se fale tão frequentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela.

Algumas frases eles as repetem a cada momento: Para que tantos terços, tantas confrarias e devoções exteriores à Santíssim Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falai-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo (e les o nomeiam, muitas vezes, dem se descobrir, digo-o entre parêntesis): cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é ele o nosso único medianeiro; é preciso pregar Jesus Cristo, isto sim que é sólido!

Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhe dão, é bem perigoso e constitui uma cilada sutil do maligno, sob o pretexto de um bem muito maior, pois nunca se há de honrar mais a Jesus Cristo, do que honrando a Santíssima Virgem, desde que a honra que se presta a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como ao caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo.

A Santa Igreja, como o Espírito Santo, bendiz primeiro a Santíssima Virgem e depois Jesus Cristo: “benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesus”. Não porque a Santíssima Virgem seja mais ou igual a Jesus Cristo: seria uma heresia intolerável, mas porque, para mais perfeitamente bendizer Jesus Cristo, cumpre bendizer antes a Maria. Digamos, portanto, com todos os verdadeiros devotos de Maria, contra seus falsos e escrupulosos devotos: Ó Maria, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!

Os devotos exteriores

Devotos exteriores são as pessoas que fazem consistir toda a devoção à Santíssima Virgem em práticas exteriores; que só tomam interesse pela exterioridade da devoção à Santíssima Virgem, por não terem espírito interior; que recitarão às pressas uma enfiada de terços, ouvirão, sem atenção, uma infinidade de missas, acompanharão as procissões sem devoção, farão parte de todas as confrarias sem emendar de vida, sem violentar suas paixões, sem imitar as virtudes desta Virgem Santíssima. Amam apenas o que há de sensível na devoção, sem interesse pela parte sólida. Se suas práticas não lhes afetam a sensibilidade, acham que não há nada mais a fazer, ficam desorientados, ou fazem tudo desordenadamente. O mundo está cheio dessa espécie de devotos exteriores e não há gente que mais critique as pessoas de oração que se dedicam à devoção interior sem desprezar o exterior de modéstia, que acompanha sempre a verdadeira devoção.

Os devotos presunçosos

Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blasfêmia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem violentar-se muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não hão de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário o do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc.

Quando alguém lhes diz que sua devoção não é mais que ilusão e uma presunção perniciosa capaz de perdê-los, recusam-se a crer; dizem que Deus é bom e misericordioso e que não nos criou para nos condenar; que não há homem que não peque; que eles não hão de morrer sem confissão; que o bom peccavi à hora da morte basta; de mais a mais que eles são devotos da Santíssima Virgem, cujo escapulário usam; e em cuja honra dizem, todos os dias, irrepreensivelmente e sem vaidade (isto é, com fidelidade e humildade) sete Pai-nossos e sete Ave-Marias; que recitam mesmo, uma vez ou outra, o terço e o ofício da Santíssima Virgem; que jejuam, etc. Para confirmar o Os devotos exterioresque dizem e mais aumentar a própria cegueira, relembram umas histórias que leram ou ouviram, verdadeiras ou falsas não importa, em que se afirma que pessoas mortas em pecado mortal, sem confissão, só pelo fato de que em vida tinham feito algumas orações ou práticas de devoção à Santíssima Virgem, ressuscitaram para se confessar, ou sua alma permaneceu milagrosamente no corpo até se confessarem, ou, ainda , que, pela misericórdia da Santíssima Virgem, obtiveram de Deus, na hora da morte, a contrição e o perdão de seus pecados, e se salvaram. Eles esperam, portanto, a mesma coisa.

Não há, no cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, de traspassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?

Digo que abusar assim da devoção à Santíssima Virgem, a mais santa e mais sólida depois da devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio duma comunhão indigna.

Confesso que, para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos (note-se bem o que vou dizer):

Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho.

Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado.

Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar aos sábados, etc.

Isto é maravilhosamente útil à conversão de um pecador, mesmo emperdernido; e se meu leitor estiver nestas condições, eu lho aconselho, contanto, porém, que só pratique estas boas obras na intenção de, pela intercessão da Santíssima Virgem, obter de Deus a greaça da contrição e do perdão dos pecados, e de vencer seus maus hábitos, e não para continuar calmamente no estado de pecado, a despeito dos remorsos de consciência, do exemplo de Jesus Cristo e dos santos, e das máximas do santo Evangelho.

Os devotos inconstantes

Devotos inconstantes são aqueles que são devotos da Santíssima Virgem periodicamente, por intervaloe e por capricho: hoje são fervorosos, amanhã, tíbios; agora mostram-se prontos a tudo empreender em serviço de Maria e logo após já não parecem os mesmos. Abraçam logo todas as devoções à Santíssima Virgem, ingressam em todas as suas confrarias, e em pouco tempo já nem observam as regras com fidelidade; mudam como a lua, e Maria os esmaga sob seus pés como faz ao crescente, pois eles são volúveis e indignos de ser contados entre os servidores desta Virgem fiel, que têm a fidelidade e a constância por herança. Vale mais não se sobrecarregar de tantas orações e práticas de devoção, e fazer poucas com amor e fidelidade, a despeito do mundo, do demônio e da carne.

Os devotos hipócritas

Há também falsos devotos da Santíssima Virgem, os devotos hipócritas, que cobrem seus pecados e maus hábitos com o manto desta Virgem fiel, a fim de passarem aos olhos do mundo por aquilo que não são.

Os devotos interesseiros

Há ainda os devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para ganhar algum processo, para evitar algum perigo, para se curar de alguma doença, ou em qualquer necessidade desse gênero, sem o que a esqueceriam; uns e outros são falsos devotos que não têm aceitação diante de Deus e de sua Mãe Santíssima.
***

Cuidemos, portanto, de não pertencer ao número dos devotos críticos que em coisa alguma crêem e de tudo criticam; dos devotos escrupulosos que receiam ser demasiadamente devotos da Santíssima Virgem, por respeito a Jesus Cristo; dos devotos exteriores que fazem consistir toda a sua devoção em práticas exteriores; dos devotos presunçosos, que, sob o pretexto de sua falsa devoção continuam marasmados em seus pecados; dos devotos inconstantes que, por leviandade, variam suas práticas de devoção, ou as abandonam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas que se metem em confrarias e ostentam as insígnias da Santíssima Virgem a fim de passar por bons; e, enfim, dos devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para se livrarem dos males do corpo ou obter bens temporais.

São Luis Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

Explicações...

Pessoal, como podem ver, o blog passou mais uma vez por umas modificações. A coisa ainda está em processo. Além disto, (comentei noutra postagem, mas falo aqui também), estou em via de conclusão de um trabalho, pelo que tenho postado com menos frequência.

Por ora, ando me divertindo ao ler as refutações das filosofias modernas feitas pelo grande Pe. Leonel Franca. Aproveito o ensejo para recomendar a sua leitura.

Pax.

Testes de Template.

Fazendo umas modificações de template no blog. Se alguém entrar aí e vir algo diferente, não estranhe...rs.. Não há nenhum hacker fuçando aqui.. Sou eu mesmo... Pax.

Bento XVI e o pedido para que os padres voltem aos confessionários.


Lendo agora o apelo do Papa para que os padres retornem aos confessionários, e a ênfase que faz com relação à importância dos Sacramentos, lembrei-me de dois episódios que presenciei. Primeiramente, lá estava eu num grupo de catequistas; na época eu pretendia pegar uma turma de crisma, pelo que, segundo me disseram, era preciso participar dessas reuniões. Depois de uma dinâmica própria de crianças na escola, de ouvir uma série de interpretações sociais demais, chegou o momento da partilha de opiniões. Uma das presentes fez um apelo tremendo: "Pelo amor de Deus, não forme para que as crianças se tornem sacramentalistas, mas forme para a vida". Aquilo foi o cúmulo. Saí naquele dia decidido a nunca mais voltar.

Este episódio somente elucida que:

1- nossos catequistas são mui bem formados!
2- que os formandos também serão, se dependerem dessas aulas, o supra-sumo da santidade.

Dizia a Edith Stein que, quando a uma criança é dada a devida formação, tem-se aí já os alicerces para um grande santo. Aquela catequese, naqueles dias (porque hoje eu não sei...) poderia ser chamada, em verdade, de anti-catequese. Pra isto, basta mencionar que a grande maioria era simpatizante da ideologia esquerdista, da TL, de Dom Helder Câmara e Cia (pra variar........). Pra essa turma, frequentar os Sacramentos e ter vida devota é o de menos. O mais importante deve ser hastear bandeiras vermelhas, condenar a propriedade privada e pregar a sociedade sem classes. A substituição aqui é grotesca. Trocam Nosso Senhor e os Sacramentos pelos sofismas vermelhos de sangue e negros como o inferno.

Outra situação a que me remonto é um de uma Assembléia Arquidiocesana da qual participei a algum tempo. Nela estavam presentes vários padres de toda a Arquidiocese, o senhor bispo, vários religiosos e grande quantidade de leigos. Além de brincarem com a liturgia, e de novo aclamarem Dom Helder, presenciei a indignação de um diácono permanente, acompanhado da aprovação geral dos padres que o escutavam, de que havia fiéis que estavam brincando com o Sacramento da Confissão: ousavam querer confessar-se semanalmente! Mas, ora, que coisa imperdoável! Que ignorância, não?

Houvesse quem citasse o exemplo de santos, como Santa Catarina de Sena, por exemplo, que confessava-se todos os dias, ou tantos outros que confessavam-se também semanalmente, e o santo e bem formado diácono os teria por ingênuos, se não por hereges.

E agora vem esse Papa, firme como o aço, quase ignorante teologicamente, pedir aos sacerdotes que voltem aos confessionários. Mas que abuso!

É, aliás, determinação para a Igreja de que, nelas, os confessionários sejam bem visíveis. Por que, então, a resistência? Porque virou moda desobedecer! A coisa anda tão invertida que uma nova "teologia" parece sugerir que os que se rebelam contra a tradição são os esclarecidos, aqueles que transcenderam o nível das prescrições rígidas, tão próprias do obscurantismo de Trento. Mas esta resistência não é nada nova; é apenas uma das múltiplas facetas do non serviam.

Grande Bento XVI! Lembro-me do elogio que Aristóteles faz a Anaxágoras: "é sóbrio entre bêbados". 
Vida longa a este papa! Nós, católicos apostólicos romanos, vos amamos, Sua Santidade! É uma honra tê-lo como nosso Sumo Pontífice. Que Deus lhe dê forças para combater e vencer os lobos!

Com Bento XVI à frente, quem tem medo do lobo mau? Rs...

Fábio.

O subjetivismo inerente ao pragmatismo

"A base geral do pragmatismo encontra-se como nas teorias da evolução transcendente e da evolução empírica no devir, no contínuo movimento e instabilidade do existente, que só mediante o espelhismo da representação subjetiva aparece como algo consistente e estável. O real em nós não é mais que o obrar e a ação; o real fora de nós é o fluxo contínuo e amorfo, é a simples duração sem sujeito que dure, e o movimento incessante e eterno sem objeto móvel. O sujeito da duração, como o objeto movível, são formas representativas do eu humano donde se cristaliza e solidifica, para dizê-lo assim, aos fins da ação individual, o fluir caótico que as idéias mesmas e os sentidos objetivam.

Desde o momento em que o real é puro devir, a estabilidade que expressam os conceitos responde a uma posição falsa ou acomodatícia, que só tem razão de ser enquanto é uma criação de utilidade subjetiva e pessoal. Pretender reduzir o conjunto móvel, ou melhor, o movimento que constitui a única realidade, à representação imaginativa e ideal, é semelhante, em frase W. James, a querer encerrar a água nas malhas de uma rede; comparação que responde ao pensamento de Bergson e expressa bem as deficiências da idéia, segundo o pragmatismo, a respeito do universo em si."

Angel Amor Ruibal, Los Problemas Fundamentales de la Filosofia e del Dogma
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