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O que eu tenho contra a RCC?


Olá, caros. Há quanto tempo! Faz séculos que não escrevo aqui, mas chegou mais uma ocasião. O caso agora se deve a uma discussão - no bom sentido - recente que tive num dos grupos do whatsapp de que participo. A coisa gravitou em torno da RCC, e eu então me propus a fazer um resumão sobre os problemas essenciais que julgo ver neste movimento. Aqui, na forma de um texto, a coisa fica melhor dita. E uma coisa melhor dita é uma coisa bendita.

Antes de começar, convém explicar umas coisas. Eu fui carismático durante sete anos, como eu já falei noutros textos. Há, de fato, muitos artigos aqui no blog sobre este tema, e basta clicar na tag "rcc" no fim deste post ou do lado direito. Dê um "ctrl f" e procure aí. O fato de eu ter sido da RCC por vários anos me dá algum respaldo para falar do movimento. Eu não tratarei, porém, dos abusos específicos que se deveram à imprudência de certos membros, mas aos problemas essenciais, isto é, que fazem parte da própria essência do movimento. Assim, os problemas que eu descrever aqui referem-se à RCC em qualquer lugar e em qualquer tempo.

Ao contrário do que se pode pensar, porém, eu não tenho nada contra pessoas carismáticas. Alguns amigos são deste movimento, e vez ou outra me encontro com eles, e participo de momentos em comum, às vezes até tocando, inclusive com a famosa oração em línguas e as visualizações tão típicas. Claro que eu não adiro nem a uma nem a outra, mas não cismo, não saio criticando e nem faço cara feia. Não tenho qualquer animosidade pessoal em relação a isso, mas tenho ideias a respeito, já que já me propus estudar o fenômeno do carismatismo.

Antes de passar aos problemas, deixa eu começar fazendo o elogio. A RCC foi, logo após o Concílio Vaticano II, a alternativa que tínhamos à Teologia da Libertação, que nem cristianismo é. Os movimentos mais tradicionais não eram tão difundidos. Então, ao lado de um discurso puramente político, a RCC guardou e manteve a ênfase no caráter espiritual. Ela preservou e desenvolveu em nós o amor à Eucaristia, o zelo pelo estado de graça, o amor ao terço e a prática da adoração ao Santíssimo, pelos cercos de Jericó e as vigílias. Fez-nos, além disso, conhecer muitos amigos, viajar, e pensar continuamente no Céu e na vida dos santos. Desenvolveu em nós os dons de falar em público, de cantar, de tocar, de lidar com pessoas, etc. A RCC, graças a Deus, nos auxiliou bastante em tudo isso, e por isso eu e tantos outros somos gratos a ela. Isso, contudo, não a isenta dos seus problemas, alguns dos quais também nos prejudicaram, e às vezes não pouco.

Sigo, então, descrevendo os supostos equívocos que eu julgo ver neste movimento. Resumão:

1- Origem Protestante

 Os próprios carismáticos admitem sua origem protestante. E qual o problema disso? O problema é que o próprio nome "renovação" sugere a ideia de que algo envelheceu ou se perdeu na Igreja e que, tchan tchan tchan tchan, teria sido devolvido ou renovado no protestantismo! Mas que coisa interessante... Considerando que os carismas seriam algo dado pelo próprio Deus como uma espécie de participação íntima e sensível de Si mesmo, é curioso que a Igreja não os tivesse, o que vai contra o dogma da indefectibilidade da Igreja, e que os tivesse recebido dos protestantes, que negam pontos essenciais da Doutrina Católica. Além deste problema evidente, há outro: o Código de Direito Canônico da época proibia que católicos participassem de cultos em comum com protestantes, e os primeiros fenômenos do carismatismo entre católicos se deram justamente a partir dessas reuniões em que pessoas de toda e qualquer denominação cristã participavam e partilhavam as mesmas experiências. Ora, a se considerar o fenômeno carismático como verdadeiro, conclui-se que a desobediência não somente não é punida, mas é premiada por Deus. Como diz o Kiko, "que coisa, não?"

2- Doutrina em segundo plano

Isso nos leva ao segundo ponto: se Deus dá suas graças a cada um que professe qualquer coisa, então aquilo que se professa não é tão importante. Se o próprio Deus faz vista grossa em relação ao que cada um crê, a Doutrina é apenas um acessório, que pode-se ter ou não, mas com o qual não se pode ser muito exigente. Conclusão: a) tanto faz ser católico ou protestante; b) A Igreja Católica, em ser tão exigente com a Doutrina e inclusive excomungar os que não professam integralmente o "Depósito da Fé", erra. Porém, o próprio Paulo foi quem disse: "Se alguém vos pregar um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema". Diz-se que hoje os carismáticos são mais estudiosos em relação à Doutrina, leem o Catecismo, etc. Ótimo! Porém, segue sendo verdade que ter uma origem protestante tem como implicações o que eu falei: Deus daria suas graças independente do que cada um crê. Logo, o que cada um crê seria algo secundário.

3- Fenomenologia dos carismas

Não somente a origem é protestante, mas o fenômeno, mesmo hoje, segue sendo igual cá e lá. Basta ir numa Assembleia de Deus, numa Batista renovada, numa Quadrangular, para se notar que o mesmo fenômeno acontece entre elas e entre os grupos de oração carismático. A coisa pode variar em grau, pois algumas correntes são mais enfáticas que outras, mas essa variação também ocorre entre grupo e grupo na RCC. Há sempre aquele pregador "ungido", "de fogo", cuja vinda "promete". Mas a fenomenologia dos ditos carismas, o modo de compreendê-los, é sempre igual. Conclusão: se são iguais, então ou são verdadeiros cá e lá, ou são falsos cá e lá. Se são verdadeiros cá e lá, seguem os mesmos problemas do ponto 2. Se são falsos, então...

4- Oração em línguas

Este talvez seja o coração do carismatismo. Diz-se, é verdade, do "batismo no Espírito Santo" como traço mais essencial da RCC, expressão infeliz que a Igreja já pediu para ser evitada, mas que segue sendo usada. Porém, o sinal visível deste "batismo", segundo os carismáticos, é o fenômeno da glossolalia, ou oração em línguas, ou língua dos anjos.

O evento bíblico que dá o fundamento desta prática seria a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Porém, em Pentecostes os Apóstolos e discípulos do Senhor não ficam falando coisas ininteligíveis. Não são línguas estranhas, aí, mas línguas estrangeiras, tanto que os residentes de outros países, que ali estavam, escutam-nos falar em sua própria língua. Trata-se do fenômeno da xenoglossia. Portanto, isso aí não tem nada a ver com o que se vê nos grupos de oração carismáticos. A referência "faiô".

Além disso, sendo um dom, ele deveria ser recebido, e não aprendido. Porém, os carismáticos ensinam a enrolar a língua e cada um termina praticando o "dom" de um modo bem próprio. Às vezes, a variação dos fonemas é de três ou quatro sílabas, quando não de duas. E a própria entonação é repetida. Como se não bastasse, o próprio "dom" é adaptável, e é comum ver seus praticantes imitando o jeito de alguém "ungido". Alguns rezam, outros cantam, sendo que quem reza pode cantar em línguas, e quem canta pode simplesmente rezar. É um "dom", supostamente extraordinário, que está sempre acessível, e a todos, como eles gostam de dizer, e é totalmente administrável. Não se sabe, então, em que sentido se diz que é extraordinário.

"Ah, mas São Paulo diz que quem fala em línguas não fala aos homens, que não entendem, mas a Deus". E tem a questão dos gemidos inefáveis, também. Vejamos: na tradição católica, os santos falam de dois modos de oração "em línguas": a xenoglossia, já referida, a que ocorre em Pentecostes; e uma outra forma que consiste em falar coisas misteriosas, mas não numa linguagem ininteligível. Quando cantamos o Ofício da Imaculada, por exemplo, há muitas expressões lá cujo sentido escapa à maioria de nós, o que não nos impede de cantá-lo, porém. Segundo a Tradição Católica, é disso o que se trata, então. E não de algo que sequer sentido faz. Por isso, a fala em línguas, que Paulo recomenda que seja feito por dois ou três, sempre foi aplicado à Liturgia, onde, depois de duas ou três leituras, o Padre as interpreta na homilia. Os "gemidos inefáveis" não são a repetição ininterrupta de chiados, mas os arroubos interiores, inexprimíveis, de amor do próprio Deus em nós. O gemido é sempre uma expressão da intensidade do que se sente: seja amor, seja dor. A oração em línguas, porém, pode ser praticada - e é, por vezes - mecanicamente. O contexto em que se fala dos gemidos inefáveis do Espírito Santo, porém, trata, nuns versículos antes, dos gemidos humanos pelo sofrimento no mundo. Diz-se, então, que todas as criaturas gemem e que nós também gememos dentro de nós. Assim, o Apóstolo afirma, então, que o próprio Deus também geme misteriosamente, como que participando de nossas dores e dando eficácia e substância à nossa oração.

Por fim, a tal oração em línguas também começou no protestantismo e permanece por lá, igualzinha. Seguem os mesmos problemas já elencados. Poderia ainda ser feita a seguinte questão: uma vez que a pessoa aprende a imitar aquele som característico, todas as vezes em que uma pessoa o fizer, ela está rezando? Há pessoas que sabem reproduzi-lo só que com a intenção de fazer troça. O Espírito Santo permitiria tal coisa? E, se essa troça acontece, neste caso é ainda o dom ou não? Se não é o dom, então não seria possível distinguir, através da prática, quando ele se manifesta realmente e quando é somente uma encenação.

Por fim, se Deus se manifesta dessa forma, porque não é tão frequente que ele permita o sinal que ocorreu em Pentecostes, de um italiano falar japonês sem nunca ter estudado, ou de um brasileiro falar alemão, etc?

5- O Repouso no Espírito

Este fenômeno é um dos mais chamativos do carismatismo. Lembro-me que ir a um retiro fechado e não passar por isso era decepcionante. Todos ficavam na expectativa do famoso "repouso". Em alguns encontros, os organizadores inclusive distribuem colchões e almofadas no ambiente para favorecerem o conforto durante as quedas. Quem já experimentou ou presenciou este fenômeno há de convir que é pelo menos curioso. As pessoas caem de várias formas esquisitas e não se machucam. Isto seria, talvez, a evidência de que se trata de algo sobrenatural... Mas não. O que aí se chama "repouso", e no protestantismo, "queda no Espírito Santo", nada mais é do que o famoso "toque de Charcot", da hipnose. Observe o leitor esse vídeo e reconheça o mesmo fenômeno nos olhos.

  

Quem "repousa" fica com os olhos dessa mesma forma, batendo rapidinho. Eu já vivi isso aí diversas vezes, e já vi acontecer com inúmeras outras pessoas, e eu mesmo já provoquei o fenômeno em outros. É muito fácil reproduzir esses efeitos hipnóticos: basta uma pessoa sugestionável, receptiva, uma voz ou prática que demonstre persuasão, e um ambiente propício: o ambiente carismático possui diversos elementos que criam a atmosfera requerida: música emotiva, balanço, às vezes controle da luz, linguagem sugestiva, expectativa criada nas pessoas de que algo está prestes a acontecer, o que favorece a sua "entrega". Pronto. É só isso.

6- Visualizações

Em todo grupo carismático há sempre um momento de oração pessoal, espontânea, no qual cada pessoa fala individualmente com Deus. Depois da oração espontânea, geralmente vem a oração em línguas. E, depois disso, ou durante isso, as pessoas começam a ter visualizações que, se forem de Deus - como dizem -, vão-se confirmando umas às outras. Este é um dos pontos mais frágeis dos carismáticos e dos pentecostais em geral. Vejam só: toda oração tem um tema: agradecimento, petição, adoração, arrependimento, etc. Além disso, o pregador ou condutor da oração está geralmente com a sua voz exaltada, conduzindo os demais. O significado do que ele diz, e o teor da oração que a própria pessoa está fazendo, vão naturalmente estimular a imaginação de todos que, então, passará a formar um sem fim de imagens. A coisa fica ainda mais intensa porque os orantes ficam procurando sinais e vozes interiores de Deus. Resultado: qualquer coisa que a imaginação formar será, então, entendida como uma mensagem divina. Se considerarmos, com Sta Teresa D'Avila, que a imaginação é a louca da casa, já podemos imaginar o que pode vir disso aí. Eu mesmo já presenciei verdadeiros absurdos, como quando um grupo, sob orientação do coordenador, queimou seus casacos porque Deus teria lhe dito para fazerem isso. A ideia de fundo, pelo que me recordo, era que, depois de um processo de purificação e da famosa renúncia, as sujeiras espirituais teriam migrado de suas almas para suas roupas, donde a conveniência da fogueira santa aplicada aos coitados dos tecidos. Noutras duas vezes, eu mesmo fui o objeto de uma suposta comunicação divina que, pelo menos, a mim não chegou. Uma mulher conduzia um momento exaltado de oração enquanto eu tocava. A mulher, então, declarou firmemente que Deus inspiraria alguém ali a profetizar em línguas. Pouco depois, ela começou a olhar pra mim e dar sinais. O favorecido seria eu. Imaginem a cena, hahaha. Quieto estava, quieto fiquei. Noutra vez, uma mocinha rezava por mim durante um filme e pediu a Deus pra que Ele me falasse. Segundo ela, Deus lhe garantiu que me falaria e que Ele de fato me falou. Porém, meu wifi acho que estava fraco, rs. Esses são pequenos exemplos de como alguém pode ficar totalmente convencido do que diz a sua imaginação, mesmo que a mensagem em questão seja baboseira pura e simples. Como fazer, então, para distinguir quando uma mensagem é criação nossa, quando é de Deus ou, até, quando vem do demônio? As pessoas em geral não têm quaisquer ferramentas para fazer essa distinção. Naturalmente, cada uma vai acreditar em si mesma, mas esse é o pior critério possível. É, aliás, o que distingue os malucos.

7- Subjetivismo

Se você explica todas essas coisas para um carismático, o que ele diz? "Ah, meu irmão, é porque você não experimentou. Mas eu sei que o que eu vivi foi de Deus", etc. Ele nunca possui critérios objetivos, mas sempre baseia-se na própria experiência. Eu sei disso por dois motivos: a) tenho anos de prática de discussão com carismáticos; antigamente, nos idos tempos do Orkut, eu adorava fazer isso; b) eu mesmo usava esses "argumentos". Primeira coisa: estar muito satisfeito consigo mesmo, como se sua vida provasse a veracidade do que crê, já é um mau sinal. A autocomplacência não é boa, e pressupõe uma cegueira fundamental. Essa cegueira jamais vai ser um efeito real de alguma graça provinda de Deus. Ao contrário, o grande efeito que segue qualquer toque divino é a profunda humildade que ele deixa, efeito do autoconhecimento que é, aí, aprofundado, revelando para a própria pessoa a sua própria miséria. Disto resulta uma espécie de angústia, um sofrimento íntimo por ver-se agraciado justamente quando a pessoa se percebe mais indigna e ingrata. Isto a deixa profundamente constrangida. Tanto São João da Cruz quanto Sta Teresa D'Avila sempre dizem que um dos sinais mais característicos de que uma graça vem de Deus é o medo que fica de a pessoa estar errada. Sta Teresa, já depois de ter entrado nas quartas moradas, tinha algumas graças místicas bastante altas, mas sofria profundamente, depois, sem saber se o que havia vivido vinha de Deus ou do demônio. E ela perturbou-se com isso não pouco tempo. Somente São Pedro de Alcântara pôde convencê-la da origem divina de suas graças. Agora, imagine um carismático comum - supondo que a maioria de nós não chegou às quintas moradas - todo seguro de que o arrepiozinho que experimentou, a catarse pela qual passou é, sim, de Deus. Não é fácil distinguir a origem de uma experiência assim, motivo pelo qual os santos sempre recomendam que não se as deseje. Nós não temos os meios adequados para fazer a distinção. O próprio demônio é mestre em imitar, motivo pelo qual é conhecido como o macaco de Deus (simia dei). O próprio Paulo diz que ele pode se disfarçar de anjo de luz. Isso não é difícil pra ele. E quando encontra alguém desejoso dessas experiências, ele pode ir "brincar" com a pessoa. São João da Cruz diz que muitas almas perderam-se dessa forma. O justo deve viver pela fé, isto é, sem desejar nenhum sinal misterioso ou místico. É verdade que Deus às vezes os dá, mas não é comum e isso nunca ocorre no começo, e nunca é dado porque a pessoa os quis. Deus pode permitir consolações sensíveis, que não são graças sobrenaturais, ainda, e mesmo assim Ele não quer que uma pessoa fique apegada a elas, motivo pelo qual Ele mesmo fará questão de as tirar, depois.

Além disso, a essência do carismatismo é a busca por experiências. O próprio nome "renovação carismática" indica a tentativa de reviver aqueles sinais sensíveis que Deus dava no começo da Igreja, para a difusão da fé e para a credibilidade do discurso dos Apóstolos. A este respeito, leia-se a Pascendi Dominici Gregis, de São Pio X, contra o Modernismo. Neste texto, entre outras coisas, o Sumo Pontífice condena a tese de que é possível experimentar Deus. A sensibilidade humana lida com coisas materiais e pode ser estimulada dessa forma. Deus é puro espírito e, como tal, não pode ser alcançado pela sensibilidade humana. É por isso que São João da Cruz a este respeito dizia: "tanto mais uma graça é sensível, tanto menos certa que é de Deus"; e ainda: "Os sentidos humanos são tão experientes das coisas espirituais como um jumento o é das coisas racionais". Dessa forma, São João da Cruz condenava qualquer tipo de espiritualidade que buscasse experimentar Deus sensivelmente.

Daí alguém poderia objetar: mas se a pessoa em questão possui uma vida reta, de oração, jejum, abstinência, mortificação, observância dos mandamentos, etc., é possível que esteja assim enganada?

Uma pessoa pode estar tão autossugestionada que, crendo piamente no que professa, viva como se aquilo fosse verdade quando não é. É por isso que há sempre gente muito devota entre protestantes, budistas, muçulmanos, etc. São pessoas moralmente boas, ainda que aquilo que professam não seja inteiramente correto. São João da Cruz, especialista nesses casos, era frequentemente chamado para dar sua posição sobre a santidade de alguns irmãos consagrados que na sua época ficavam famosos pelas supostas graças espirituais que recebiam e que enlevavam até seus superiores. Em grande parte dos casos, o santo dizia que não havia ali nenhuma comunicação divina, e que a própria pessoa, ainda que com boa intenção, enganava-se a si mesma. Isso demonstra como essas coisas são tão sutis. Não é tão fácil distinguir, como querem alguns, uma comunicação real de Deus de algo criado por si mesmo, ou até mesmo sugerido pelo demônio. É por isso que quando aparece, por exemplo, um vidente, a Igreja não se pronuncia a respeito senão depois de uma profunda e demorada análise. E é ocioso dizer que a grande maioria dos casos é rejeitada. Convenhamos ainda que uma visão é muito mais convincente do que uma visualização, espécie de visão apenas na imaginação. E mesmo com toda a força de uma visão, é possível que aquilo seja falso.

Pode acontecer, no entanto, que, vendo a boa intenção dos carismáticos, e a sua recorrência aos meios legítimos da Graça de Deus, que são os Sacramentos e a oração pessoal, a submissão à Virgem Maria e a imitação dos santos, as mortificações e práticas de piedade, Deus agracie a pessoa, a despeito de seus equívocos. Mas é sempre melhor não ter erros na compreensão do que os ter.

Enfim, o objetivo aqui não é condenar os irmãos carismáticos, a quem tenho por irmãos, de fato, mas apenas esclarecê-los desses pontos, que são os mais gerais e básicos. Haveria, como se nota, muitas outras sutilezas a discutir, mas penso que estas são o suficiente para fazer pensar. Basta a pessoa ter disposição de realmente querer analisar isso aí. São pontos objetivos. Qualquer tentativa de refutação deve percorrer ponto a ponto, com uma linguagem igualmente objetiva, sem rodeios. Agradeço aos que pretenderem responder esses pontos, e termino desejando que a graça de Deus esteja sobre todos nós.

Se o siri canta lá na praia, chama lá Maria, tenha calma, que a raiva não é de Deus, e vamos louvar juntos ao bom Senhor que criou todas as coisas.

Fábio.

A Cabana e o Inferno


Está ainda em cartaz a película "A Cabana", baseada no livro de mesmo nome, obra de William P. Young, que fascinou muita gente logo quando foi lançado. O filme agora traz uma nova onda de encanto e está a espalhá-la, pois um livro tem um alcance sempre mais restrito que a sua tradução em vídeo.

Eu li o livro deve fazer uns cinco anos, e me causou vivíssima impressão, na época. Devorei-o, praticamente, durante três dias. Cheguei mesmo a sonhar com "Papai", "Jesus" e "Sarayu". É um livro bonito, poético, muito inteligente - e que não tem nada de espírita, como alguns dizem. Contudo, alguns católicos cismaram com a estória, sendo que eu mesmo fiz críticas a ela, na época. Claro: o autor sequer é católico. Então, não faz muito sentido esperar que a obra reflita integralmente o ensino católico. Há coisas inexatas, de fato. Mas isso não é motivo para rechaçá-la. Desde que se saiba que não é um tratado de dogmática, nem a transcrição de um evento real, mas apenas uma obra de ficção que, embora pretenda transmitir idéias sobre Deus, não deseja ser outra coisa, o trabalho é sim muito apreciável. Essa posição asséptica, que rejeita o que contenha o menor traço de imprecisão, vai muito longe de uma atitude sadiamente católica. E o filme, que já assisti duas vezes, está belíssimo, de modo que fica aqui a minha recomendação.

Depois dos elogios, vem agora uma pequena crítica. O autor desenvolve uma conversa muito interessante entre Mackenzie e a mulher que ele põe como a Sabedoria divina. Mack, que costumava julgar as pessoas e situações, é convidado a assumir o lugar de Deus e, dentre outras coisas, deve escolher um dos seus filhos para ir para o Céu enquanto os demais deveriam ir ao inferno. Tratava-se na verdade de um teste para que ele sentisse o peso e a dificuldade desta função. Diante do dilema de a quem mandar ao inferno, premido pelo amor que lhes devotava, Mack só vê uma saída: opta em ele mesmo condenar-se no lugar dos seus filhos. No livro, esse diálogo tem mais peso. Recordo-me de a Sabedoria dizer algo assim: "Agora você começou a pensar como Deus". O que ela queria dizer era que, diante da alternativa de condenar qualquer dos homens, Deus decidiu assumir a condenação por nós, o que ocorreu exatamente na Cruz. 

A Sabedoria... Coisa linda é a Sabedoria...

Neste momento, Mack também assiste um pouco do que está por trás do comportamento imoral das pessoas: sofrimentos, carências, etc. Tudo isso tendia a minorar a culpa pessoal e, desse modo, o filme deixa a sugestão de fundo - ao menos eu tive essa impressão - de que ninguém se condenaria. É uma idéia bonita e verdadeira em parte. De fato, os nossos pecados não raro são manifestações distorcidas de carências de fundo, de desejos inconscientes, de impulsos da natureza que, considerados em si mesmos, são bons. Haveria muito a falar disso, mas, para não caminharmos para longe do que propusemos, voltemos a essa idéia básica: de que modo Deus, sendo amor e conhecendo-nos a fundo, pode condenar alguém ao inferno? O inferno existiria de fato? Como conciliar a sua existência com o amor divino? Seria possível que Mack, um personagem criado pela imaginação humana, amasse mais os seus filhos do que Deus ama os d'Ele?

A primeira coisa a considerar é que, conforme a obra enfatiza bastante, nós somos livres de fato. Defender a liberdade humana é afirmar que, por mais complexos que sejam os processos subconscientes que influenciam as nossas ações, eles não são determinantes. O ser humano age livremente, e até o próprio Deus respeita essa liberdade, pois, conforme diz a Mack logo no começo do filme, Ele não está interessado em escravos.

Sarayu se comove ao lamentar com Mack o fato de que cada pessoa no mundo eleja para si mesma - seja livre para isso - o bem e o mal, o que gera um imenso desacordo. A Sabedoria também afirma que, enquanto houver uma vontade livre capaz de dizer não a "Papai", poderá haver mal no mundo. Então, embora o filme tente dizer que há sempre um elemento a ser considerado por trás das más ações, ele mantém que nós somos livres. E o somos, de fato, ainda que a nossa liberdade não seja absoluta, o que é outro fato.

Sarayu, a colecionadora de lágrimas... Ou Espírito Santo, se preferir.

O filme sugere que os seres humanos pecam ou por fraqueza ou por ignorância. Mack estava a ponto de perder a família e de talvez condenar o futuro da própria filha sobrevivente justamente porque não sabia o que fazer, não sabia a verdade sobre Deus, e era ignorante dos próprios complexos de culpa que acometiam Kate, que se sentia responsável pelo que havia acontecido a Missy.

É verdade que duas grandes causas possíveis do pecado são essas: fraqueza e ignorância. A depender da intensidade de ambas, é possível que um pecado até deixe de sê-lo. Contudo, há um terceiro motivo possível para o pecado: a malícia, que é o mero desejo direto de fazer o mal, mesmo. E há malícia no mundo.

Considerem agora o seguinte: o ser humano é livre, e algumas pessoas são maliciosas. Há um chamado de Deus para o homem, que é o da Salvação. Este chamado, crêem os cristãos, se dá até o momento da morte. Depois disso já não há mais possibilidade de redenção. Mas consideremos que, sendo a ignorância a causa de uma vida desregrada, a morte resolva esse problema, já que a pessoa será exposta ao juízo divino. Suponhamos que então ela reconheça que a Fé era verdadeira e que possa, enfim, converter-se. Ainda assim, resta a possibilidade, em virtude mesmo da liberdade humana - e da malícia, que é possível que haja -, de que a pessoa não queira Deus. E se a pessoa não O quiser? Ele a obrigará mesmo assim? Obviamente que não, pois Deus não força ninguém. Uma pergunta melhor a ser feita é: será possível a alguém não querer Deus depois de ter a certeza de que Ele existe?

Respondemos: é claro que sim. Os próprios demônios nunca duvidaram de que Ele existisse, mas ainda assim não O quiseram e nem O querem. É verdade que quando Deus expõe alguém à visão da Sua Face, que é o que caracteriza o Céu, a pessoa perde a possibilidade de rejeitá-Lo, pois a vontade humana, que é naturalmente inclinada ao que lhe aparece como bem, aderirá ao Bem em Si mesmo de modo irretornável. Este é o motivo pelo qual Deus não Se revela desde já: não haveria mérito nenhum em amá-Lo assim. Por isso, precisamos amá-Lo antes de vê-Lo, o que significa que mesmo o juízo que se segue logo após a morte ainda não é visão d'Ele. Logo, a pessoa poderia recusá-lo, ainda, mesmo que a morte já não tivesse engessado a sua vontade na última disposição que possuiu em vida, que é o que acontece.

Fica, assim, resguardada a possibilidade de que algumas pessoas rejeitem a Deus. Vimos que já existem pessoas condenadas de certeza: os demônios. Dentre os humanos, embora não possamos objetivamente apontar nenhum (talvez Judas, mas isso é controverso), é certo que haja já vários condenados, visto que a liberdade humana permite, como vemos todo dia, a rejeição a Deus. 

Considerando, também, que os atos humanos não são totalmente explicados pelo contexto em que a pessoa vive, mas que são atos livres, isto é, soltos, ao menos em algum grau, surge disto a necessidade de que as pessoas sejam responsabilizadas, pois uma liberdade que não pagasse pelo que faz não seria liberdade de fato. Se uma pessoa livremente rejeita a Deus, livremente ela terá de viver longe d'Ele.

Diante de tudo isso, o inferno surge como uma necessidade lógica. Ele não é exatamente uma espécie de tortura à qual Deus submete os que O desagradam, mas o estado de alma dos que O rejeitam, pois, sendo Deus a fonte de todo o bem, uma vida que seja recusa d'Ele não pode ter qualquer espécie de felicidade ou realização. O inferno é um Não perpetuado por uma vontade em relação a Deus. E Deus, sendo amor que respeita Seus filhos profundamente, aceita o que eles decidirem. Logo, a única possibilidade de uma apocatástase, isto é, de uma salvação universal, seria a de que Deus coagisse os humanos e anjos a conhecerem-No e a amarem-No. Ele poderia fazê-lo, se quisesse, mas, como o filme diz, Ele não está interessado em escravos. E como Deus mais de uma vez diz a Mack, este é livre para sair quando quiser.

O filme, assim, não é muito exato na sugestão de que não haveria inferno, já que Deus não condenaria nenhum de Seus filhos. Mas ao mesmo tempo tem o mérito de aprofundar a visão comum que tende a reduzir os atos humanos sempre às intenções conscientes. Há outros problemitas aqui e ali na obra. Mas nada que, ao meu ver, me faça querer retirar a recomendação. Assistam, reflitam e divulguem, porque ficou muito bonito e eu gostei especialmente desse filme aí.

Que punições há no Inferno?


Existe fogo? Sim, existe o fogo do remorso. Fogo material não, pois demônios nem estão em nenhum lugar, nem nenhum castigo corporal lhes pode causar dano. Esse remorso que nada pode apagar, que arde no interior de cada espírito condenado, que atormenta espiritualmente os espíritos é o fogo que não se apaga (Mc 9,48), o fogo eterno (Mt 25,41), o forno de fogo (Mt 13,42), o fogo ardente (Hb 10,27), o lago de fogo sulfuroso (Ap 19,20), a geena de fogo (Mt 5,22), o lume que atormenta (Lc 16,25). O verme que nunca morre de que se fala em Marcos 9,48 é igualmente o verme do arrependimento, que atravessa a consciência ve ou outra durante a eternidade. As trevas exteriores (Mt 8,12) são as trevas e escuridão do afastamento de Deus. As penas do Inferno não sao outras que o ódio, a tristeza, a ira, a solidão, a melancolia, o arrependimento e o sofrimento que produz a própria deformação do espírito; isto é a deformação de todos os pecados que contêm cada anjo caído. Se analisarmos os termos que usa a Bíblia ao falar da condenação, veremos termos de afastamento, do fogo do arrependimento, mas nunca termos de tortura que seja aplicada por parte do Juiz. Ao falar da condenação, a Bíblia nunca apresenta Deus como o torturador. Usa termos impessoais, como fogo, trevas ou lago sulfuroso. A condenação, portanto, é o afastamento de Deus e é a tortura que cada espírito aplica a si mesmo pela própria deformação do espírito. Deus não criou os sofrimentos infernais; o Inferno é fruto da deformação de cada espírito.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, p.119.

O que é a morte eterna


Um espírito (como uma alma) é indestrutível, não sofre rupturas, não sofre desgastes, não pode ser dividido. O espírito não pode morrer. Continua existindo independentemente dos pecados que cometa, e, por mais que queira morrer, a vida permanecerá com ele. Porém, o que queremos dizer com "pecado mortal", "morte eterna" e outras expressões similares é que a vida sobrenatural de uma alma ou espírito pode, sim, morrer. O pecado mortal acaba com a vida sobrenatural. O espírito segue existindo, mas com uma vida meramente natural. A vontade e a inteligência com todas as suas potências seguem operando. Mas não há mais a vida da graça. O espírito, enquanto estiver sem a graça, estará como um cadáver. Essa expressão pode parecer hiperbólica, mas é exata. O espírito que peca mortalmente é como um cadáver inanimado, inanimado pela graça santificante. Desde esse momento, só vive para a natureza e por sua natureza. Seu espírito está desprovido de sobrenatureza.

Desde o momento em que a graça deixa de vivificar um espírito, como o que sucede com um corpo que já não está vivificado por uma alma, começa a corrupção. Assim como um corpo começa a transformar-se em corrupção, assim o espírito começa a corromper-se, à medida que sua vontade vai cedendo.

São muitos os homens que vivem só para a natureza de seu ser, esquecendo-se completamente a sobrenatureza que Deus lhes daria de bom grado. O nível de corrupção varia muito segundo a pessoa. Mas se pudéssemos nos aproximar de alguns desses espíritos, veríamos que são verdadeiros cadáveres, que expelem um mau cheiro com aqueles em avançado estado de decomposição.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, Questão 27, p.48.

Por que os protestantes rejeitam 7 livros da bíblia - uma resposta curta


Gary Michuta é um especialista no cânon da Escritura, especialmente no que se refere aos livros deuterocanônicos, que os protestantes chamam de apócrifos.Você pode ler o seu livro "Por que as bíblias católicas são maiores" (Why catholics bibles ar bigger) para ver o que eu quero dizer.

Recentemente um amigo pediu a Gary uma resposta curta para responder por que os protestantes removeram sete livros da Bíblia. Aqui está a sua muito útil resposta:

Por que protestantes rejeitam os livros deuterocanônicos - resposta curta

Por Gary Michuta

A resposta curta é esta: quando Lutero foi encurralado no debate sobre o Purgatório, seu oponente, Johann Eck citou 2 Macabeus contra a posição de Lutero. Lutero foi forçado a dizer que 2 Macabeus não podia ser aceito no debate porque ele não era canônico. Mais tarde, Lutero apelou para São Jerônimo na rejeição de Macabeus (os concílios de Cartago, Hipona e Florença todos incluíram Macabeus como escritura canônica).

Apelando para São Jerônimo, ele também rejeitou os outros livros que Jerônimo havia rejeitado (Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Tobias, Judite, primeiro e segundo Macabeus, Daniel 13, e seções de Ester).

Daí em diante, Lutero (e todos os protestantes) têm tentado justificar sua remoção. Lutero em 1534 achava que Baruque era pequeno demais e não elevado o suficiente para ser da escrita de Jeremias. Ele também teve problemas com certos elementos históricos em Baruque. Mas, a longo prazo, a rejeição de Jerônimo realmente veio abaixo.

Como uma nota lateral, Jerônimo os rejeitou porque ele pensou que uma tradição manuscrita dos hebreus, conhecida como o "Masoteric Text", era idêntica à origem inspirada e que todas as outras cópias haviam sido feitas deste texto. Como os Deuteros não eram parte do MT, ele os rejeitou como não sendo da Escritura canônica.

O que Jerônimo não poderia ter sabido era que havia muitos manuscritos hebreus em circulação durante o primeiro século e que a Septuaginta Grega, uma tradução feita por judeus cerca de 200 a.C., ao menos em partes, parece ser uma tradução muito literal de uma tradição textual hebraica mais antiga que está agora perdida.

Isto significa que a idéia de Jerônimo da "Verdade Hebraica" (I.e., só aquilo que se encontra no MT hebraico é verdadeiro) foi demonstrado ser um erro. Com a posição de Jerônimo não mais sendo defensável, o Protestantismo realmente não tem uma perna histórica para se apoiar no que se refere ao seu Cânon do Antigo Testamento.

Tradução minha. Original em Catholic-Convert.

Pequeno Compêndio de Problemas Adventistas




- Ellen White plagiadora
Se isto é verdade - e é -, então o coração mesmo do adventismo, que se baseia nas supostas inspirações de White, possui erros. A coisa se agrava quando a igreja adventista, cujos líderes conhecem esse problema, o escondem dos fiéis que, em geral, de nada sabem.

- Sola Scriptura
É um princípio que é autocontraditório já que ele mesmo não se encontra na Escritura. Além disso, o Novo Testamento inteiro foi compendiado pela Igreja Católica, o que por si só prova a autoridade da Igreja como precedente ao próprio Cânon. Depois, esse compêndio ocorreu no século IV, o que significa que por mais de trezentos anos a Fé cristã foi transmitida sem o conceito da Sola Scriptura, o que leva a concluir, por fim, que ela não é o foco exclusivo, embora, claro, seja parte essencial da Revelação. Paulo chega a falar explicitamente que é preciso guardar a Tradição. A Igreja precede a Bíblia.

- Adventismo e Maçonaria
William Guilherme Miller, o iniciador do movimento adventista, era Maçom 33º grau. Há indícios que ele tenha continuado maçom mesmo depois. A Sra White demonstrou, em certa ocasião, conhecer um sinal maçom de alta hierarquia. No momento, ela afirmou ter sido informada por um anjo no intuito de converter um maçom com o qual tratava. Uma vez que suas revelações são falsas, é de se crer que ela conhecia o sinal por outro motivo: o de lidar com a maçonaria pessoalmente, o que é confirmado por uma estranha fotografia onde ela aparece junto com vários homens que fazem o conhecido sinal da mão oculta (foto que encabeça esse post). Além disso, o suposto convertido da maçonaria que teria se redimido através do dito sinal feito pela Sra White continuou sendo maçom depois da ocasião. Por fim, há obeliscos nos túmulos da família White, e também um discurso muito diplomático, hoje, de autoridades adventistas com relação à maçonaria.



- O sábado
Os primeiros cristãos não somente passaram a observar o domingo, como criticaram os judaizantes, que queriam manter costumes judaicos, dentre eles o do sábado. Paulo diz expressamente que o Sábado era uma sombra do Cristo. Assim, não se pode dizer que o adventismo mantém o costume dos Apóstolos e do Cristianismo Primitivo.

- Erros e absurdos
Entre as falsas profecias da Sra White há eventos não realizados e afirmações absurdas, como dizer que o uso de perucas ou a prática da masturbação levaria à loucura, e que o dia e a hora da Segunda Vinda lhe tinham sido revelados para, momentos depois, quando lhe advertiram de que isso contrariava as Escrituras, ela afirmar que isto lhe tinha sido ocultado novamente. Veja isso e isso.

- Contradição
Enquanto professam nominalmente o princípio da Sola Fide, segundo o qual a Fé é suficiente para a Salvação, os adventistas afirmam a possibilidade de se perder a salvação por uma vida desregrada, o que é contraditório, pois o não cumprimento de preceitos não implica na perda da Fé. Além disso, a Sra White falou categoricamente que a observância sabática implica em salvação eterna.

- Batismo e Fé em Ellen White
Embora a Sra White seja tão problemática, a Igreja Adventista a estima ao ponto de identificá-la com o “espírito de profecia”, referido em Apocalipse, e de submeter o batismo de novos adeptos à condição de declararem Fé no ministério dela.

- Mortalismo
O adventismo nega que a alma humana seja imortal, e com isso ela rejeita ensinos bíblicos, sobretudo os explícitos no Novo Testamento, baseando-se principalmente em versículos do Antigo Testamento que têm caráter ambíguo. Eles, por sua vez, rejeitam certos livros conhecidos como Deuterocanônicos, aos quais atribuem a defesa da imortalidade da alma. Considerando que tais livros constavam na Septuaginta, a versão grega das Sagradas Escrituras utilizadas por Jesus e pelos Apóstolos, não é de se crer que estes livros contenham erros. Inclusive, o Cânon judaico que os inclui é mais antigo do que o que os excluiu, e o que os excluiu intentava negar o caráter de revelação do Cristianismo. Um cristão negar o caráter revelado dos Deuterocanônicos é, assim, uma espécie de auto-sabotagem.

- Negação do Purgatório
O Purgatório, ou estado de purificação pós-morte, é referido por Jesus por expressões como “não sairá da prisão até ter pago o último centavo” e “será chicoteado poucas ou muitas vezes”, e ainda quando, tratando do pecado contra o Espírito Santo, Ele sugere um modo de perdão que se concede no outro mundo.

- Negação da Intercessão dos Santos
Negam a intercessão dos santos somente pela crença na mortalidade da alma e com base na única mediação de Cristo, pregada por São Paulo, mas não atentam que esta compreensão literalista implica na impossibilidade inclusive da oração de vivos por vivos, uma vez que isto também é intercessão e mediação, o que contraria o próprio São Paulo, que pede orações aos cristãos. Um adventista, que crê nos anjos da guarda, não saberia dizer, por exemplo, por que um anjo não poderia ou não deveria interceder por nós.

- Negação da Virgem Maria
Os adventistas renegam o Papel da Virgem Maria quando ele é explícito nas Escrituras. A Mulher do Gênesis e do Apocalipse, sendo a Mãe do Senhor, não pode ser a Igreja. Além disso, é fato que tanto Lucas quanto João a indicam como o tipo da Arca da Aliança, e que João a vê no Céu. Todos os primeiros cristãos, por sua vez, a veneraram. Ela é ainda a “Rainha Mãe”, um posto de honra de TODA a descendência de Davi.

- Negação do Batismo Infantil
Negam o batismo infantil, quando é conhecido pela arqueologia que os primeiros cristãos batizavam crianças. Nenhum texto bíblico o impede. O único impedimento é uma compreensão equivocada que equipara o batismo cristão ao de João Batista. Na verdade, o batismo cristão assume o lugar da circuncisão judaica, que era feita em crianças. Há pinturas dos primeiros séculos, nas catacumbas onde os cristãos se escondiam das perseguições romanas, que retratam batismos infantis e por efusão.


- Negação dos Milagres Católicos
Os adventistas fazem vista grossa aos inúmeros milagres acontecidos e que estão acontecendo continuamente na Igreja Católica – milagres evidentes, reconhecidos pela ciência, impossíveis de serem resultados de processos naturais – e, se furtando de olhá-los seriamente, atribuem-nos genericamente ao demônio. Nisto, se assemelham aos fariseus que atribuíam os milagres de Jesus a Belzebu. Este, relembra Jesus, é um pecado contra o Espírito Santo, pois é um fechamento de si à ação evidente de Deus.

- Profecia do Santuário
A Profecia do Santuário adventista, que é a sua espinha dorsal, sustentação de toda a sua crença, é equivocada em muitos pontos, e a correspondência entre o Dia da Expiação e o Fim dos Tempos não se encaixa inteiramente. Alguns dos problemas mais graves: negar a onisciência divina, já que Jesus precisa de livros para conhecer; supor atos sucessivos em Deus, o que nega a sua eternidade e faz o Céu equiparar-se ao tempo; nega diretamente a Escritura, pois diz que Jesus está no Lugar Santíssimo ainda completando o Seu ministério de Sumo Sacerdote quando Paulo diz explicitamente que, já na Sua ascensão, Ele sentou-se de vez no Seu trono (Hb 1,3; 4,14; 6, 19-20; 9, 11-12; 10, 11-12). A doutrina do juízo investigativo é particularmente absurda pois supõe a possibilidade de uma fixação do destino eterno de uma pessoa enquanto ela ainda está vivendo, o que leva à possibilidade de uma ulterior apostasia que não a levaria à perda da salvação, ou a uma futura conversão que não lhe resgataria o céu. Veja isso.

- Confusão entre Jesus e Antíoco
No cálculo das 2.300 tardes e manhãs, os adventistas atribuem a Jesus um trecho que, na verdade, se refere ao inimigo de Deus: Antíoco Epifânio. Basta comparar Dn 9 com Dn 11. Essa confusão faz ruir toda a interpretação histórica adventista.

- Negação do Inferno
Os adventistas negam o Inferno, quando Jesus fala diversas vezes dele, inclusive mostrando como alguém lá trava conversação com alguém de fora, o que significa que o inferno não é destruição. E o próprio livro do Apocalipse deixa claro, de modo explícito, que no inferno, as pessoas não são destruídas, mas ficam, pelos séculos dos séculos, chorando e rangendo os dentes.

- Prostituta do Apocalipse
Os adventistas interpretam o Apocalipse a la Ellen White. Mesmo fazendo abstração dos plágios, é fácil de ver que o papel atribuído à Igreja Católica como Meretriz do Apocalipse não procede. Vários são os pontos frágeis, mas aqui, neste breve resumo, destacamos um em particular. João diz claramente que a Meretriz é ali onde o Senhor foi crucificado. Logo, Jerusalém, cujos líderes se prostituíram com o Império Romano, permitindo a Herodes ocupar o lugar de Rei – uma paródia grosseira de Salomão, seja pela reconstrução do Templo, seja pelas muitas mulheres -, e proclamaram expressamente, diante do próprio Rei verdadeiro, estar sob o jugo de César.

- Negam a Eucaristia
Embora façam a Santa Ceia, esta não tem um papel claro na crença adventista. Fazem-no por mera obediência mecânica e sem compreensão da ordem dada por Jesus aos Apóstolos. É fato, porém, que desde o começo, os cristãos celebravam a Eucaristia como sendo o próprio Corpo e Sangue de Cristo, e que ela, sendo celebrada semanalmente, ocupava um lugar central. Havia toda uma preocupação de que os mártires recebessem o Corpo do Senhor antes da morte, o que então recebia o nome de viático. São Paulo chega a dizer que alguns adoecem e morrem porque não distinguem na Eucaristia o Corpo e o Sangue do Senhor e a recebem indignamente.

Aborto
Recentemente, soubemos de uma notícia estarrecedora: a Igreja Adventista tem hospitais nos Estados Unidos que fazem abortos a pedido. Inclusive o Pastor Nic Samojluk tem se empenhado em combater isso que ele considera uma traição aos princípios evangélicos. Aqui o site dele. Há ainda uma petição, feita por alguns adventistas que se escandalizaram com isso, para que a Igreja Adventista pare de praticar abortos em seus hospitais americanos. Veja aqui.

***



Estes erros são somente um pequeno compêndio. Esta lista pode ser acrescida depois, e cada ponto destes vai aqui somente referido, sendo possível desenvolvê-los indefinidamente. Todos eles podem, igualmente, ser facilmente comprovados. A pergunta é: como continuar adventista?

Fábio
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