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A Cabana e o Inferno


Está ainda em cartaz a película "A Cabana", baseada no livro de mesmo nome, obra de William P. Young, que fascinou muita gente logo quando foi lançado. O filme agora traz uma nova onda de encanto e a espalha, pois um livro tem um alcance sempre mais restrito que a sua tradução em vídeo.

Eu li o livro deve fazer uns cinco anos, e me causou vivíssima impressão, na época. Devorei-o, praticamente, durante três dias. Cheguei mesmo a sonhar com "Papai", "Jesus" e "Sarayu". É um livro bonito, poético, muito inteligente - e que não tem nada de espírita, como alguns dizem. Contudo, alguns católicos cismaram com a estória, sendo que eu mesmo fiz críticas a ela, na época. Claro: o autor sequer é católico. Então, não faz muito sentido esperar que a obra reflita integralmente o ensino católico. Há coisas inexatas, de fato. Mas isso não é motivo para rechaçá-la. Desde que se saiba que não é um tratado de dogmática, nem a transcrição de um evento real, mas apenas uma obra de ficção que, embora pretenda transmitir idéias sobre Deus, não pretende ser outra coisa, o trabalho é sim muito apreciável. Essa posição asséptica, que rejeita o que contenha o menor traço de imprecisão, vai muito longe de uma atitude sadiamente católica. E o filme, que já assisti duas vezes, está belíssimo, de modo que fica aqui a minha recomendação.

Depois dos elogios, vem agora uma pequena crítica. O autor desenvolve uma conversa muito interessante entre Mackenzie e a mulher que ele põe como a Sabedoria divina. Mack, que costumava julgar as pessoas e situações, é convidado a assumir o lugar de Deus e, dentre outras coisas, deve escolher um dos seus filhos para ir para o Céu enquanto os demais deveriam ir ao inferno. Tratava-se na verdade de um teste para que ele sentisse o peso e a dificuldade desta função. Diante do dilema de a quem mandar ao inferno, premido pelo amor que devotava aos filhos, Mack só vê uma saída: opta em ele mesmo condenar-se no lugar dos seus filhos. No livro esse diálogo tem mais peso. Recordo-me de a Sabedoria dizer algo assim: "Agora você começou a pensar como Deus". O que ela queria dizer era que, diante da alternativa de condenar qualquer dos homens, Deus decidiu assumir a condenação por nós, o que ocorreu exatamente na Cruz. 

A Sabedoria... Coisa linda é a Sabedoria...

Neste momento, Mack também assiste um pouco do que está por trás do comportamento imoral das pessoas: sofrimentos, carências, etc. Tudo isso tendia a minorar a culpa pessoal e, desse modo, o filme deixa a sugestão de fundo - ao menos eu tive essa impressão - de que ninguém se condenaria. É uma idéia bonita e verdadeira em parte. De fato, os nossos pecados não raro são manifestações distorcidas de carências de fundo, de desejos inconscientes, de impulsos da natureza que, considerados em si mesmos, são bons. Haveria muito a falar disso, mas, para não caminharmos para longe do que propusemos, voltemos a essa idéia básica: de que modo Deus, sendo amor e conhecendo-nos a fundo, pode condenar alguém ao inferno? O inferno existiria de fato? Como conciliar a sua existência com o amor divino? Seria possível que Mack, um personagem criado pela imaginação humana, amasse mais os seus filhos do que Deus ama os d'Ele?

A primeira coisa a considerar é que, conforme a obra enfatiza bastante, nós somos livres de fato. Defender a liberdade humana é afirmar que, por mais complexos que sejam os processos subconscientes que influenciam as nossas ações, eles não são determinantes. O ser humano age livremente, e até o próprio Deus respeita essa liberdade, pois, conforme diz a Mack logo no começo do filme, Ele não está interessado em escravos.

Sarayu também se comove ao lamentar com Mack o fato de que cada pessoa no mundo eleja para si mesma - seja livre para isso - o bem e o mal, o que gera um imenso desacordo. A Sabedoria também afirma que, enquanto houver uma vontade livre capaz de dizer não a "Papai", poderá haver mal no mundo. Então, embora o filme tente dizer que há sempre uma justificativa às más ações, ele mantém que nós somos livres. E o somos, de fato, ainda que a nossa liberdade não seja absoluta, o que é outro fato.

Sarayu, a colecionadora de lágrimas... Ou Espírito Santo, se preferir.

O filme sugere que os seres humanos pecam ou por fraqueza ou por ignorância. Mack estava a ponto de perder a família e de talvez condenar o futuro da própria filha sobrevivente justamente porque não sabia o que fazer, não sabia a verdade sobre Deus, e era ignorante dos próprios complexos de culpa que acometiam Kate, que se sentia responsável pelo que havia acontecido a Missy.

É verdade que duas grandes causas possíveis do pecado são essas: fraqueza e ignorância. A depender da intensidade de ambas, é possível que um pecado até deixe de sê-lo. Contudo, há um terceiro motivo possível para o pecado: a malícia, que é o mero desejo direto de fazer o mal, mesmo. E há malícia no mundo.

Considerem agora o seguinte: o ser humano é livre, e algumas pessoas são maliciosas. Há um chamado de Deus para o homem, que é o da Salvação. Este chamado, crêem os cristãos, se dá até o momento da morte. Depois disso já não há mais possibilidade de redenção. Mas consideremos que, sendo a ignorância a causa de uma vida desregrada, a morte resolva esse problema, já que a pessoa será exposta ao juízo divino. Suponhamos que então ela reconhece que a Fé era verdadeira e que, então, possa converter-se. Ainda assim, resta a possibilidade, em virtude mesmo da liberdade humana, de que a pessoa não queira Deus. E se a pessoa não O quiser? Ele a obrigará mesmo assim? Obviamente que não, pois Deus não força ninguém. Uma pergunta melhor a ser feita é: será possível a alguém não querer Deus depois de ter a certeza de que Ele existe?

Respondemos: é claro que sim. Os próprios demônios nunca duvidaram de que Ele existisse, mas ainda assim não O quiseram e nem O querem. É verdade que quando Deus expõe alguém à visão da Sua Face, que é o que caracteriza o Céu, a pessoa perde a possibilidade de rejeitá-Lo, pois a vontade humana, que é naturalmente inclinada ao que lhe aparece como bem, aderirá ao Bem em si mesmo de modo irretornável. Este é o motivo pelo qual Deus não Se revela desde já: não haveria mérito nenhum em amá-Lo assim. Por isso, precisamos amá-Lo antes de vê-Lo, o que significa que mesmo o juízo que se segue logo após a morte ainda não é visão d'Ele. Logo, a pessoa poderia recusá-lo, ainda, mesmo que a morte já não tivesse engessado a sua vontade na última disposição que possuiu em vida, que é o que acontece.

Fica, assim, resguardada a possibilidade de que algumas pessoas rejeitem a Deus. Vimos que já existem pessoas condenadas de certeza: os demônios. Dentre os humanos, embora não possamos objetivamente apontar nenhum (talvez Judas, mas isso é controverso), é certo que haja já vários condenados, visto que a liberdade humana permite, como vemos todo dia, a rejeição a Deus. 

Considerando, também, que os atos humanos não são totalmente explicados pelo contexto em que a pessoa vive, mas que são atos livres, isto é, soltos, ao menos em algum grau, surge disto a necessidade de que as pessoas sejam responsabilizadas, pois uma liberdade que não pagasse pelo que faz não seria liberdade de fato. Se uma pessoa livremente rejeita a Deus, livremente ela terá de viver longe d'Ele.

Diante de tudo isso, o inferno surge como uma necessidade lógica. Ele não é exatamente uma espécie de tortura à qual Deus submete os que O desagradam, mas o estado de alma dos que O rejeitam, pois, sendo Deus a fonte de todo o bem, uma vida que seja recusa d'Ele não pode ter qualquer espécie de felicidade ou realização. O inferno é um Não perpetuado de uma vontade em relação a Deus. E Deus, sendo amor que respeita Seus filhos profundamente, aceita o que eles decidirem. Logo, a única possibilidade de uma apocatástase, isto é, de uma salvação universal, seria se Deus coagisse os humanos e anjos a conhecerem-No e a amarem-No. Ele poderia fazê-lo, se quisesse, mas, como o filme diz, Ele não está interessado em escravos. E como Ele mais de uma vez diz a Mack, ele é livre para sair quando quiser.

O filme, assim, não é muito exato na sugestão de que não haveria inferno, já que Deus não condenaria nenhum de Seus filhos. Mas ao mesmo tempo aprofunda a visão comum que reduz os atos humanos sempre às intenções conscientes. Há outros problemitas aqui e ali na obra. Mas nada que, ao meu ver, me faça querer retirar a recomendação. Assistam, reflitam e divulguem, porque ficou muito bonito e eu gostei especialmente desse filme aí.

Que punições há no Inferno?


Existe fogo? Sim, existe o fogo do remorso. Fogo material não, pois demônios nem estão em nenhum lugar, nem nenhum castigo corporal lhes pode causar dano. Esse remorso que nada pode apagar, que arde no interior de cada espírito condenado, que atormenta espiritualmente os espíritos é o fogo que não se apaga (Mc 9,48), o fogo eterno (Mt 25,41), o forno de fogo (Mt 13,42), o fogo ardente (Hb 10,27), o lago de fogo sulfuroso (Ap 19,20), a geena de fogo (Mt 5,22), o lume que atormenta (Lc 16,25). O verme que nunca morre de que se fala em Marcos 9,48 é igualmente o verme do arrependimento, que atravessa a consciência ve ou outra durante a eternidade. As trevas exteriores (Mt 8,12) são as trevas e escuridão do afastamento de Deus. As penas do Inferno não sao outras que o ódio, a tristeza, a ira, a solidão, a melancolia, o arrependimento e o sofrimento que produz a própria deformação do espírito; isto é a deformação de todos os pecados que contêm cada anjo caído. Se analisarmos os termos que usa a Bíblia ao falar da condenação, veremos termos de afastamento, do fogo do arrependimento, mas nunca termos de tortura que seja aplicada por parte do Juiz. Ao falar da condenação, a Bíblia nunca apresenta Deus como o torturador. Usa termos impessoais, como fogo, trevas ou lago sulfuroso. A condenação, portanto, é o afastamento de Deus e é a tortura que cada espírito aplica a si mesmo pela própria deformação do espírito. Deus não criou os sofrimentos infernais; o Inferno é fruto da deformação de cada espírito.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, p.119.

O que é a morte eterna


Um espírito (como uma alma) é indestrutível, não sofre rupturas, não sofre desgastes, não pode ser dividido. O espírito não pode morrer. Continua existindo independentemente dos pecados que cometa, e, por mais que queira morrer, a vida permanecerá com ele. Porém, o que queremos dizer com "pecado mortal", "morte eterna" e outras expressões similares é que a vida sobrenatural de uma alma ou espírito pode, sim, morrer. O pecado mortal acaba com a vida sobrenatural. O espírito segue existindo, mas com uma vida meramente natural. A vontade e a inteligência com todas as suas potências seguem operando. Mas não há mais a vida da graça. O espírito, enquanto estiver sem a graça, estará como um cadáver. Essa expressão pode parecer hiperbólica, mas é exata. O espírito que peca mortalmente é como um cadáver inanimado, inanimado pela graça santificante. Desde esse momento, só vive para a natureza e por sua natureza. Seu espírito está desprovido de sobrenatureza.

Desde o momento em que a graça deixa de vivificar um espírito, como o que sucede com um corpo que já não está vivificado por uma alma, começa a corrupção. Assim como um corpo começa a transformar-se em corrupção, assim o espírito começa a corromper-se, à medida que sua vontade vai cedendo.

São muitos os homens que vivem só para a natureza de seu ser, esquecendo-se completamente a sobrenatureza que Deus lhes daria de bom grado. O nível de corrupção varia muito segundo a pessoa. Mas se pudéssemos nos aproximar de alguns desses espíritos, veríamos que são verdadeiros cadáveres, que expelem um mau cheiro com aqueles em avançado estado de decomposição.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, Questão 27, p.48.

Por que os protestantes rejeitam 7 livros da bíblia - uma resposta curta


Gary Michuta é um especialista no cânon da Escritura, especialmente no que se refere aos livros deuterocanônicos, que os protestantes chamam de apócrifos.Você pode ler o seu livro "Por que as bíblias católicas são maiores" (Why catholics bibles ar bigger) para ver o que eu quero dizer.

Recentemente um amigo pediu a Gary uma resposta curta para responder por que os protestantes removeram sete livros da Bíblia. Aqui está a sua muito útil resposta:

Por que protestantes rejeitam os livros deuterocanônicos - resposta curta

Por Gary Michuta

A resposta curta é esta: quando Lutero foi encurralado no debate sobre o Purgatório, seu oponente, Johann Eck citou 2 Macabeus contra a posição de Lutero. Lutero foi forçado a dizer que 2 Macabeus não podia ser aceito no debate porque ele não era canônico. Mais tarde, Lutero apelou para São Jerônimo na rejeição de Macabeus (os concílios de Cartago, Hipona e Florença todos incluíram Macabeus como escritura canônica).

Apelando para São Jerônimo, ele também rejeitou os outros livros que Jerônimo havia rejeitado (Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Tobias, Judite, primeiro e segundo Macabeus, Daniel 13, e seções de Ester).

Daí em diante, Lutero (e todos os protestantes) têm tentado justificar sua remoção. Lutero em 1534 achava que Baruque era pequeno demais e não elevado o suficiente para ser da escrita de Jeremias. Ele também teve problemas com certos elementos históricos em Baruque. Mas, a longo prazo, a rejeição de Jerônimo realmente veio abaixo.

Como uma nota lateral, Jerônimo os rejeitou porque ele pensou que uma tradição manuscrita dos hebreus, conhecida como o "Masoteric Text", era idêntica à origem inspirada e que todas as outras cópias haviam sido feitas deste texto. Como os Deuteros não eram parte do MT, ele os rejeitou como não sendo da Escritura canônica.

O que Jerônimo não poderia ter sabido era que havia muitos manuscritos hebreus em circulação durante o primeiro século e que a Septuaginta Grega, uma tradução feita por judeus cerca de 200 a.C., ao menos em partes, parece ser uma tradução muito literal de uma tradição textual hebraica mais antiga que está agora perdida.

Isto significa que a idéia de Jerônimo da "Verdade Hebraica" (I.e., só aquilo que se encontra no MT hebraico é verdadeiro) foi demonstrado ser um erro. Com a posição de Jerônimo não mais sendo defensável, o Protestantismo realmente não tem uma perna histórica para se apoiar no que se refere ao seu Cânon do Antigo Testamento.

Tradução minha. Original em Catholic-Convert.

Pequeno Compêndio de Problemas Adventistas




- Ellen White plagiadora
Se isto é verdade - e é -, então o coração mesmo do adventismo, que se baseia nas supostas inspirações de White, possui erros. A coisa se agrava quando a igreja adventista, cujos líderes conhecem esse problema, o escondem dos fiéis que, em geral, de nada sabem.

- Sola Scriptura
É um princípio que é autocontraditório já que ele mesmo não se encontra na Escritura. Além disso, o Novo Testamento inteiro foi compendiado pela Igreja Católica, o que por si só prova a autoridade da Igreja como precedente ao próprio Cânon. Depois, esse compêndio ocorreu no século IV, o que significa que por mais de trezentos anos a Fé cristã foi transmitida sem o conceito da Sola Scriptura, o que leva a concluir, por fim, que ela não é o foco exclusivo, embora, claro, seja parte essencial da Revelação. Paulo chega a falar explicitamente que é preciso guardar a Tradição. A Igreja precede a Bíblia.

- Adventismo e Maçonaria
William Guilherme Miller, o iniciador do movimento adventista, era Maçom 33º grau. Há indícios que ele tenha continuado maçom mesmo depois. A Sra White demonstrou, em certa ocasião, conhecer um sinal maçom de alta hierarquia. No momento, ela afirmou ter sido informada por um anjo no intuito de converter um maçom com o qual tratava. Uma vez que suas revelações são falsas, é de se crer que ela conhecia o sinal por outro motivo: o de lidar com a maçonaria pessoalmente, o que é confirmado por uma estranha fotografia onde ela aparece junto com vários homens que fazem o conhecido sinal da mão oculta (foto que encabeça esse post). Além disso, o suposto convertido da maçonaria que teria se redimido através do dito sinal feito pela Sra White continuou sendo maçom depois da ocasião. Por fim, há obeliscos nos túmulos da família White, e também um discurso muito diplomático, hoje, de autoridades adventistas com relação à maçonaria.



- O sábado
Os primeiros cristãos não somente passaram a observar o domingo, como criticaram os judaizantes, que queriam manter costumes judaicos, dentre eles o do sábado. Paulo diz expressamente que o Sábado era uma sombra do Cristo. Assim, não se pode dizer que o adventismo mantém o costume dos Apóstolos e do Cristianismo Primitivo.

- Erros e absurdos
Entre as falsas profecias da Sra White há eventos não realizados e afirmações absurdas, como dizer que o uso de perucas ou a prática da masturbação levaria à loucura, e que o dia e a hora da Segunda Vinda lhe tinham sido revelados para, momentos depois, quando lhe advertiram de que isso contrariava as Escrituras, ela afirmar que isto lhe tinha sido ocultado novamente. Veja isso e isso.

- Contradição
Enquanto professam nominalmente o princípio da Sola Fide, segundo o qual a Fé é suficiente para a Salvação, os adventistas afirmam a possibilidade de se perder a salvação por uma vida desregrada, o que é contraditório, pois o não cumprimento de preceitos não implica na perda da Fé. Além disso, a Sra White falou categoricamente que a observância sabática implica em salvação eterna.

- Batismo e Fé em Ellen White
Embora a Sra White seja tão problemática, a Igreja Adventista a estima ao ponto de identificá-la com o “espírito de profecia”, referido em Apocalipse, e de submeter o batismo de novos adeptos à condição de declararem Fé no ministério dela.

- Mortalismo
O adventismo nega que a alma humana seja imortal, e com isso ela rejeita ensinos bíblicos, sobretudo os explícitos no Novo Testamento, baseando-se principalmente em versículos do Antigo Testamento que têm caráter ambíguo. Eles, por sua vez, rejeitam certos livros conhecidos como Deuterocanônicos, aos quais atribuem a defesa da imortalidade da alma. Considerando que tais livros constavam na Septuaginta, a versão grega das Sagradas Escrituras utilizadas por Jesus e pelos Apóstolos, não é de se crer que estes livros contenham erros. Inclusive, o Cânon judaico que os inclui é mais antigo do que o que os excluiu, e o que os excluiu intentava negar o caráter de revelação do Cristianismo. Um cristão negar o caráter revelado dos Deuterocanônicos é, assim, uma espécie de auto-sabotagem.

- Negação do Purgatório
O Purgatório, ou estado de purificação pós-morte, é referido por Jesus por expressões como “não sairá da prisão até ter pago o último centavo” e “será chicoteado poucas ou muitas vezes”, e ainda quando, tratando do pecado contra o Espírito Santo, Ele sugere um modo de perdão que se concede no outro mundo.

- Negação da Intercessão dos Santos
Negam a intercessão dos santos somente pela crença na mortalidade da alma e com base na única mediação de Cristo, pregada por São Paulo, mas não atentam que esta compreensão literalista implica na impossibilidade inclusive da oração de vivos por vivos, uma vez que isto também é intercessão e mediação, o que contraria o próprio São Paulo, que pede orações aos cristãos. Um adventista, que crê nos anjos da guarda, não saberia dizer, por exemplo, por que um anjo não poderia ou não deveria interceder por nós.

- Negação da Virgem Maria
Os adventistas renegam o Papel da Virgem Maria quando ele é explícito nas Escrituras. A Mulher do Gênesis e do Apocalipse, sendo a Mãe do Senhor, não pode ser a Igreja. Além disso, é fato que tanto Lucas quanto João a indicam como o tipo da Arca da Aliança, e que João a vê no Céu. Todos os primeiros cristãos, por sua vez, a veneraram. Ela é ainda a “Rainha Mãe”, um posto de honra de TODA a descendência de Davi.

- Negação do Batismo Infantil
Negam o batismo infantil, quando é conhecido pela arqueologia que os primeiros cristãos batizavam crianças. Nenhum texto bíblico o impede. O único impedimento é uma compreensão equivocada que equipara o batismo cristão ao de João Batista. Na verdade, o batismo cristão assume o lugar da circuncisão judaica, que era feita em crianças. Há pinturas dos primeiros séculos, nas catacumbas onde os cristãos se escondiam das perseguições romanas, que retratam batismos infantis e por efusão.


- Negação dos Milagres Católicos
Os adventistas fazem vista grossa aos inúmeros milagres acontecidos e que estão acontecendo continuamente na Igreja Católica – milagres evidentes, reconhecidos pela ciência, impossíveis de serem resultados de processos naturais – e, se furtando de olhá-los seriamente, atribuem-nos genericamente ao demônio. Nisto, se assemelham aos fariseus que atribuíam os milagres de Jesus a Belzebu. Este, relembra Jesus, é um pecado contra o Espírito Santo, pois é um fechamento de si à ação evidente de Deus.

- Profecia do Santuário
A Profecia do Santuário adventista, que é a sua espinha dorsal, sustentação de toda a sua crença, é equivocada em muitos pontos, e a correspondência entre o Dia da Expiação e o Fim dos Tempos não se encaixa inteiramente. Alguns dos problemas mais graves: negar a onisciência divina, já que Jesus precisa de livros para conhecer; supor atos sucessivos em Deus, o que nega a sua eternidade e faz o Céu equiparar-se ao tempo; nega diretamente a Escritura, pois diz que Jesus está no Lugar Santíssimo ainda completando o Seu ministério de Sumo Sacerdote quando Paulo diz explicitamente que, já na Sua ascensão, Ele sentou-se de vez no Seu trono (Hb 1,3; 4,14; 6, 19-20; 9, 11-12; 10, 11-12). A doutrina do juízo investigativo é particularmente absurda pois supõe a possibilidade de uma fixação do destino eterno de uma pessoa enquanto ela ainda está vivendo, o que leva à possibilidade de uma ulterior apostasia que não a levaria à perda da salvação, ou a uma futura conversão que não lhe resgataria o céu. Veja isso.

- Confusão entre Jesus e Antíoco
No cálculo das 2.300 tardes e manhãs, os adventistas atribuem a Jesus um trecho que, na verdade, se refere ao inimigo de Deus: Antíoco Epifânio. Basta comparar Dn 9 com Dn 11. Essa confusão faz ruir toda a interpretação histórica adventista.

- Negação do Inferno
Os adventistas negam o Inferno, quando Jesus fala diversas vezes dele, inclusive mostrando como alguém lá trava conversação com alguém de fora, o que significa que o inferno não é destruição. E o próprio livro do Apocalipse deixa claro, de modo explícito, que no inferno, as pessoas não são destruídas, mas ficam, pelos séculos dos séculos, chorando e rangendo os dentes.

- Prostituta do Apocalipse
Os adventistas interpretam o Apocalipse a la Ellen White. Mesmo fazendo abstração dos plágios, é fácil de ver que o papel atribuído à Igreja Católica como Meretriz do Apocalipse não procede. Vários são os pontos frágeis, mas aqui, neste breve resumo, destacamos um em particular. João diz claramente que a Meretriz é ali onde o Senhor foi crucificado. Logo, Jerusalém, cujos líderes se prostituíram com o Império Romano, permitindo a Herodes ocupar o lugar de Rei – uma paródia grosseira de Salomão, seja pela reconstrução do Templo, seja pelas muitas mulheres -, e proclamaram expressamente, diante do próprio Rei verdadeiro, estar sob o jugo de César.

- Negam a Eucaristia
Embora façam a Santa Ceia, esta não tem um papel claro na crença adventista. Fazem-no por mera obediência mecânica e sem compreensão da ordem dada por Jesus aos Apóstolos. É fato, porém, que desde o começo, os cristãos celebravam a Eucaristia como sendo o próprio Corpo e Sangue de Cristo, e que ela, sendo celebrada semanalmente, ocupava um lugar central. Havia toda uma preocupação de que os mártires recebessem o Corpo do Senhor antes da morte, o que então recebia o nome de viático. São Paulo chega a dizer que alguns adoecem e morrem porque não distinguem na Eucaristia o Corpo e o Sangue do Senhor e a recebem indignamente.

Aborto
Recentemente, soubemos de uma notícia estarrecedora: a Igreja Adventista tem hospitais nos Estados Unidos que fazem abortos a pedido. Inclusive o Pastor Nic Samojluk tem se empenhado em combater isso que ele considera uma traição aos princípios evangélicos. Aqui o site dele. Há ainda uma petição, feita por alguns adventistas que se escandalizaram com isso, para que a Igreja Adventista pare de praticar abortos em seus hospitais americanos. Veja aqui.

***



Estes erros são somente um pequeno compêndio. Esta lista pode ser acrescida depois, e cada ponto destes vai aqui somente referido, sendo possível desenvolvê-los indefinidamente. Todos eles podem, igualmente, ser facilmente comprovados. A pergunta é: como continuar adventista?

Fábio
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