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O Panteísmo e a Gnose, fundadores da Modernidade, contra a Igreja


Prof. Orlando Fedeli

"Com a morte de Cristo no Calvário, o homem foi redimido e o Reino de Deus começou de novo a existir, por meio da Igreja. Com a morte de Jesus na Cruz, o demônio foi vencido e começava a ser construída solidamente a Civitas Dei. 

Ela teve como fundamento a verdade revelada por Cristo e o sangue vertido por Cristo no Calvário. A Cidade de Deus foi combatida incessantemente na História, ora pela violência - pelo leão panteísta -, ora pela astúcia da heresia suscitada pela serpente. Violência e heresia se sucedem na História, atacando a Igreja Católica. 

Logo depois do Calvário, supremo ato de violência deicida cometida pelo fermento fariseu, começaram as perseguições na arena romana. O sangue dos mártires foi semente de cristãos. Em 313, o edito de Constantino livrou a Igreja da violência romana. Imediatamente nasceram as grandes heresias cristológicas: o arianismo (317), o nestorianismo, o eutiquismo, a iconoclastia, para citar algumas heresias orientais.

Vencida estas pelos grandes Padres da Igreja e pelos grandes Concílios, recomeçou a perseguição violenta à Igreja Católica, através do maometismo, nascido da pregação de um rabino, em Meca. As cruzadas puseram um dique à expansão islâmica. Surgiu então a gnose cátara que quase destruiu a Cristandade. Simão de Montfort e a Santa Inquisição salvaram a Igreja, a civilização, e a própria humanidade, como reconheceu o historiador protestante Lea.

A Gnose se refugiou no Trovadorismo e no Humanismo.

A Cidade de Deus alcança seu apogeu na Idade Média, no século XIII. Foi nessa época histórica que o homem alcançou o equilíbrio tetraédrico, alcançou a mais alta sabedoria com base na Metafísica escolástica de São Tomás de Aquino.

Desgraçadamente, num mesmo ano, em 1274, a Igreja perdeu São Tomás e São Boaventura.

Com Duns Scoto - declarou-o Bento XVI em sua aula magistral de Regensburg - com Duns Scoto a Catedral do Saber medieval, a Escolástica, começou a ser destruída. Esse filósofo franciscano defendeu a univocidade do ser, e destruiu a analogia escolástica. Ele fez triunfar o voluntarismo independente do intelecto.

De Duns Scoto nasceram a Gnose do dominicano Mestre Eckhart, e o Panteísmo do franciscano Frei Guilherme de Ockham, dos quais vai nascer a Modernidade.

Esses dois naturalistas perverteram a Verdade católica.

Perverteram... Isto é, colocaram a verdade em seu versum, em seu avesso.

Desde então, como confessou Hegel, nasceu a Filosofia como a "ciência que coloca o mundo às avessas".

Colocar o Mundo às avessas. Fazer da Verdade, mentira. Do bem, mal. Fazer a criatura ser Deus. Identificar Deus, o Eu e o Mundo. Inverter o tetraedro. Negar o intelecto e o conhecimento racional. Instaurar a dialética gnóstica, que afirma a identidade dos contrários. A mentira como verdade. O diabo como Deus.

Repetiu-se o pecado de Adão.

Repetiu-se o pecado antimetafísico.

E foi desse pecado antimetafísico que nasceu a Modernidade.

O Pecado de Adão.

Dom de Línguas - Eu Pergunto e os Caríssimos Pe. Marcelo Tenório e Prof. Eder Silva Respondem



Antes de pôr a resposta abaixo, gostaria de agradecer profundamente a boa vontade dos caríssimos Pe. Marcelo Tenório e do Prof. Eder Silva em responderem prontamente a questão que eu havia levantado sobre o Dom de Línguas descrito por S. Paulo no primeiro livro de Coríntios. Agradeço a ambos e, ao reverendo Pe. Marcelo, sigo rogando a sua bênção. Que Deus os abençoe.

Recomendo a todos a leitura. Salve Maria!

**
Caríssimo Sr. Fábio

Salve Maria!

Li atento seu comentário da matéria "RCC - Origem e Catolicidade". Não tenho o hábito de responder comentários das postagens, por questão de tempo e de proposta mesmo do nosso blog. Todavia suas considerações foram importantes e uma reflexão sobre as mesmas a partir da doutrina da Igreja, segundo Santo Tomás de Aquino, seria de grande valor, visto que Sua Doutrina é a Doutrina Perfeita, canonizada pela Santa Religião.

O Prof. Eder Silva quis discorrer sobre o assunto e julgo sua colocação perfeita e cabível para a questão em foco. Abaixo está o seu comentário e depois a doutrina da Igreja comentada pelo Prof. Eder, assim, os leitores terão uma visão melhor e geral do assunto.

Concluíndo, deixo aqui as belas palavras de Pio XI:

" A TODOS QUANTOS AGORA SENTEM SEDE DE VERDADE, DIZEMO-LHES:   IDE A TOMÁS DE AQUINO."

Com minha bênção,

Pe. Marcélo Tenorio

_________________________

Caríssimo Pe. Marcelo, sua bênção.

De fato, a RCC tem origem protestante e a mantém naquilo que a caracteriza. Tenho, por vezes, conversado com alguns carismáticos, a fim de esclarecer-lhes sobre isto.

Porém, hoje estive lendo um texto do saudoso Prof. Orlando Fedeli

(http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=rcc&artigo=20040812202727&lang=bra), em que ele responde a uma dúvida sobre a dita oração em línguas. E, depois de terminá-lo, vi que algumas questões levantadas pelo rapaz que o indagou não foram respondidas.

Primeiro, o texto enviado pelo rapaz faz uma aproximação da oração em línguas com a tradição apofática da Igreja, que é uma tradição autêntica. Claro que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas objetar-lhe a validade afirmando que em referir-se a algo supra-conceitual está-se a renegar a Fé é faltar com a sinceridade, pelo menos no caso do Professor Orlando que, creio eu, conhecia bem essa tradição da Teologia Negativa.

Mas as questões mesmo que me ficaram foram outras.

Sempre que eu li a respeito, vi que a Igreja considerava o verdadeiro carisma das línguas como um dom dado aos primeiros de falar verdadeiramente outras línguas, mantendo portanto a inteligibilidade, e que a finalidade deste dom era facilitar a difusão do Evangelho em diversos povos.

Quando Paulo diz, porém, que aquele que fala em línguas fala misteriosamente a Deus sem que ninguém o entenda, vi argumentos que diziam que este tipo de linguagem é semelhante, por exemplo, à dos Cânticos dos Cânticos em que se entendem os símbolos mas não se apreende o simbolizado, precisando, para tal, do dom de interpretação, que Paulo cita.

Pois bem. No entanto, na assertiva do rapaz me ficaram umas dúvidas e que ponho logo a seguir:

1- Os carismas autênticos foram sempre dons extraordinários, isto é, não comuns. No entanto, Paulo parece desejar, com relação ao "dom de línguas", que todos o tenham:

"desejo que todos faleis em línguas" (1Cor 14,4-5)

2- Dizíamos que a oração em línguas nada mais era que falar outra língua realmente existente, como quando um italiano fala japonês. Se assim é, a linguagem mantém seu caráter inteligível. No entanto, Paulo parece fazer uma distinção entre a linguagem e o entendimento: ""Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento (1Cor 14,15)" e "Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1Cor 14,14)

Por fim, padre, se o senhor tiver tempo de me esclarecer estes pontos, eu gostaria ainda de saber o que se quer dizer precisamente na expressão "gemidos inefáveis". Li há algum tempo que isso poderia se referir, de novo, à tradição apofática caracterizando talvez o silêncio, uma vez que o inefável é o que não pode ser dito.

Desde já, fico grato.

A sua bênção.

Fábio.

__________________________

Caríssimo Padre Marcelo Tenório,

Salve Maria!

Diante das colocações do sr. Fábio, resolvi fazer um comentário não a critério de solução, mas apenas de complemento, visto que o senhor discorreu impecavelmente sobre a questão dos misteriosos “gemidos” carismáticos.

Permita-me iniciar minha exposição.

Quando se trata das sublimes verdades da Revelação Divina, é preciso recorrer, por prudência, aos magistrais ensinamentos dos doutores da Igreja, especialmente à sabedoria angélica de Santo Tomás.

A explicação do Aquinate sobre o dom de línguas dissolve as dúvidas e estabelece as bases para distinguir o verdadeiro fenômeno sobrenatural da glossolalia dos pseudo-carismas, vulgarizados nos círculos delirantes da Renovação Carismática.

Comentando o Capítulo XIV da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Santo Tomás escreveu:

“Quanto ao dom de línguas, devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para pregar ao mundo a Fé em Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos se anunciasse a palavra de Deus, o Senhor lhes deu o dom de línguas” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178).

Esse ensino é comum a todos os doutores que comentaram o referido trecho da carta de São Paulo.

O dom de línguas, largamente concedido aos cristãos do primeiro século da

Igreja, destinava-se a facilitar o anúncio do Evangelho que precisava ser difundido a todos os povos de todas as línguas existentes. Entretanto, como observa o Aquinate, os Coríntios desvirtuaram o verdadeiro sentido desse dom:

“Porém, os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, prefeririam esse dom ao dom da profecia. E aqui, por ‘falar em línguas o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la; esse tal fala em línguas. E também é falar em línguas o falar de visões tão somente, sem explicá-las, de modo que toda locução não entendida, não explicada, qualquer que seja, é propriamente falar em língua” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 178-179).

Segundo a exposição do ilustre doutor angélico, o falar em línguas pode ser entendido de dois modos:

1) falar em língua desconhecida, porém existente, como sucedeu em Pentecostes, quando São Pedro falou em sua língua e cada um dos presentes entendeu na sua língua pátria.

2) pregação ou oração sobre visões ou símbolos.

Essa doutrina é confirmada pelo Aquinate:

“Suponhamos que eu vá até vós falando em línguas (I Cor 14,6). O qual pode entender-se de duas maneiras, isto é, ou em línguas desconhecidas, ou a letra com qualquer símbolos desconhecidos” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 173).

Por sua clareza inconfundível, a primeira forma de falar em línguas dispensa comentários, visto que consiste em falar, miraculosamente, uma língua existente sem nunca tê-la estudado.

Consideremos, portanto, o segundo modo, que consiste numa simples predicação com linguagem pouco clara, como acontece quando se fala sobre símbolos ou visões em forma de parábolas.

Esclarece São Tomás:

“[...] se se fala em línguas, ou seja, sobre visões, sonhos [...] (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

Continua:

[lhes falarei] “‘Em línguas estranhas’, isto é, lhes falarei obscura e em forma de parábolas [...] por figuras e com lábios [...]” (S. Tomas de Aquino, comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 200).

Segundo a doutrina puríssima de Santo Tomás, quem usa de símbolos nos exercícios espirituais, lucra o mérito da prática de um ato de piedade. Mas, se compreende racionalmente os símbolos que profere durante a ação, lucra, além do mérito da boa obra, o fruto da compreensão intelectual de uma verdade espiritual.

Quando alguém reza a oração do Pai Nosso sem compreender o profundo significado das petições que pronuncia, ganha o mérito da boa ação de rezar. Mas, aquele que reza compreendendo o sentido do que diz, lucra duplamente, isto é, o mérito da ação e o mérito da compreensão de uma verdade espiritual. Por esta razão São Paulo exorta aos que “falam em línguas” (no sentido de usar símbolos em seus atos de piedade) para que peçam o dom de interpretá-las, isto é, de compreender aquilo que diz de modo simbólico, a fim de lucrarem juntamente com a boa ação, o entendimento daquilo que piedosamente executam.

Quanto ao uso público dessas línguas estranhas, o Apóstolo estabelece que não se as use quando não houver intérprete para explicar os símbolos para os que não conseguem atingir sua clara compreensão.

Em seus comentários sobre o versículo em que São Paulo adverte para que, durante o culto público, não se fale em línguas mais que dois ou três, São Tomás ensina que a leitura da Epístola e do Evangelho na Missa, são formas de falar em línguas que a Igreja manteve do período apostólico, fato diametralmente oposto ao que ocorre nas histerias pentecostais.

Eis as palavras do Aquinate:

“É de notar-se que este costume até agora [...] se conserva na Igreja. Por que as leituras, epístola e evangelho temos em lugar das línguas, e por isso na missa falam dois [...] as coisas que pertencem aos dom de línguas, isto é, a Epístola e o Evangelho” (comentário à primeira Epístola aos Coríntios, Tomo II, p. 208).

A interpretação dessas línguas – estranhas ao povo simples – ocorre na Missa após a leitura da Epístola e do Evangelho, quando o padre faz o sermão explicando os símbolos contidos nos textos sagrados que foram lidos.

Nisto consiste o “falar em línguas”, segundo a autoridade indiscutível de Santo Tomás. E, partindo desta teologia absolutamente segura, porque reconhecida pela Igreja, não há como admitir a confusão desordenada de sons, freqüentes nos cultos pentecostais da Renovação Carismática. Ao contrário, quem examina os escritos dos pais da Igreja sobre o assunto, é levado a concluir que os fenômenos de línguas que ocorrem na RCC são de origem diabólica, e não divina, como se pensa e defende.

E para respaldar essa afirmação, confirmamo-la com os próprios dizeres dos padres da Igreja.

No século II da era cristã, Santo Irineu condenou um herege chamado Marcos que profetizava sob influência demoníaca, seduzindo mulheres que, de modo semelhante ao que ocorre nas reuniões pentecostais, passavam a emitir sons confusos:

“Então, ela, de maneira vã, imobilizada e exaltada por estas palavras e grandemente excitadas [...] seu coração começa a bater violentamente, alcança o requisito, cai em audácia futilidade, tanto quanto pronuncia algo sem sentido, assim como lhe ocorre” (Contra Heresias I, XIII, 3).

Fenômeno semelhante aconteceu com o herético Montano, conforme relata Eusébio:

“Ficou fora de si e [começou] a estar repentinamente em uma sorte de frenesi e êxtase, ele delirava e começava a balbuciar e pronunciar coisas estranhas, profetizando de um modo contrário ao costume constante da Igreja [...] E ele, excitado ao falar de duas mulheres, encheu-as com o falso espírito, tanto que elas falaram “extensa, irracional e estranhamente, como a pessoa já mencionada” (História da Igreja V, XVI: 8,9).

No século III, Orígenes denunciou um tal Celso, que pronunciava sons incompreensíveis:

“A estas promessas, são acrescentadas palavras estranhas, fanáticas e completamente ininteligíveis, das quais nenhuma pessoa racional poderia encontrar o significado, porque elas são tão obscuras, que não têm um significado em seu todo” (Contra Celso, VII:9).

Nota-se, portanto, que a confusão sonora nos ambientes carismáticos se identifica com esses fenômenos denunciados como falsos ou diabólicos pelos pais da Igreja.

Na afirmação constante dos doutores, o dom de línguas consiste em falar línguas estranhas existentes, e não sons desconhecidos por todos os homens. Encontramos essa posição em todos os comentadores dos textos de São Paulo, como por exemplo, em Santo Agostinho, Cirilo de Alexandria, Gregório Nanzianzeno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, Didaquê Siríaca, etc.

Esse sempre foi o ensino da Igreja iluminada pela luz infalível do Espírito Santo.

Para encerrar essa questão, sem desprezar as objeções correlatas, respondemos a indagação do consulente Fábio que recorda as palavras de São Paulo, cujo teor parece contrariar a idéia de que o dom das línguas é um carisma extraordinário, isto é, concedido apenas a alguns.

Orientando os Coríntios, o Apóstolo expressa seu desejo: “Desejo que todos faleis em línguas”. (I Cor, XIV, 5).

Santo Ambrósio, Doutor da Igreja, ensina que o falar em línguas não se manifesta em todos os cristãos:

“Todos os dons divinos não podem existir em todos os homens, cada um recebe de acordo com a sua capacidade” (Do Espírito Santo II, XVIII, 149).

É compreensível que, em vista da necessidade da propagação da fé a todos os povos, São Paulo manifeste o desejo de que todos tenham o dom de línguas. Mas o Apóstolo sabe que a cada um é dado um dom particular.

Sobre seu estado celibatário, São Paulo diz: “Quisera que todos os homens fossem como eu” (I Cor, VII, 7). Entretanto, imediatamente pondera: “[...] mas cada um recebe de Deus o seu dom particular, um, deste modo; outro, daquele modo".

E esse mesmo princípio pode ser aplicado ao dom das línguas, que se tornava cada vez mais incomum, conforme se difundia a fé entre os povos.

Para não estender demasiadamente esta carta que já vai longe, indico uma resposta dada pelo professor Orlando Fedeli sobre o significado da expresão “gemidos inefáveis”, objeto da dúvida do sr. Fábio.

Noutra oportunidade poderia transcrever as explicações dos doutores sobre esses “gemidos” que, por serem inefaveis e provenientes da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, são inaudiveis e inatingiveis pela razão humana

Ademais, ousar dizer que os “grunhidos” carismáticos são gemigos inefáveis do Espírito Santo é, além de absurdo, uma blasfêmia contra a Sabedoria de Deus. Claro, supondo que um carismático já tenha “ouvido” os gemidos do Espírito Santo para identificá-lo com o gemido confuso dos carismáticos.

Espero que o assunto tenha sido exposto com a devida clareza.

Rogando vossa benção, Padre, despeço-me,

in Corde Jesu, semper

Eder Silva.

Grandeza - Prof. Orlando Fedeli


Ter o olhar voltado para as claras estrelas
Não temer as duras batalhas, mas querê-las.

Águia fitando o sol, viver para as alturas,
desprezando as coisas baixas, vis e obscuras.

Amar só os horizontes vastos e azuis.
Odiar os negros charcos e os mortos pauis.

Ter a alma sem medo, covardias, tremores,
valente e forte como o rufar dos tambores.

Ter na alma claras notas de clarins de prata,
e nos lábios um canto ardente que arrebata.

Ser impelido pelos ventos da epopéia,
longe das calmarias podres de vida atéia.

Entre nuvens de fumo, de ódio e de poeira,
ousada e desafiante, desfraldar bandeira.

Qual falcão atacar, desprezando o perigo,
tendo olhos só para Deus e para o inimigo.

Não temer jamais nem as armas, nem as vaias,
nem o combate franco, nem as vis tocaias.

E, não fugindo nem da arena, nem do sorriso.
ver, na morte e cruz, as portas do Paraíso.

Jamais calcular o número do inimigo.
Mas contar só com Deus, com Santiago e consigo

Por justo combater, mesmo que solitário,
sem ver o número, enfrentar o adversário.

Viver abrasado de amor pela verdade,
Encantado pela beleza e poesia,
mantendo no coração a fidelidade
aos ecos longínquos de uma canção bravia.

Escutar, escutar sempre os clarins de glória,
chamando ao combate, proclamando a vitória.

Amar a solidão do deserto ou do mar
ser fiel até a morte e jamais capitular.

Não temer ser desprezado e tido por nada,
não querer senão o triunfo da cruzada.

Ter uma alma agressiva que não retroceda.
Não ter no coração nem baixeza, nem lama,
mas de heroísmo, ser ardente labareda,
ser da verdade arauto, da pureza, chama.

Viver sempre enamorado pela proeza,
a alma sempre firme ancorada na certeza
sedenta de Deus, de infinito e de grandeza.
Orlando Fedeli
São Paulo, 1975


***
Que saudades do professor...

Parabéns a todos os estudantes!


Hoje é dia dos estudantes e gostaria de felicitar a este grupo que, na verdade, nos inclui a todos, pois todos estamos constantemente aprendendo. Esta abertura ao aprendizado, convicção socrática de que sabemos que não sabemos muito, é uma atitude que nos impele ao crescimento intelectual, pois nos vacina contra a soberba, e nos injeta humildade.

Lembremos, meus caros, que, como dizia Sto Tomás, estudamos para conhecer a verdade, e não somente o que pensaram os outros homens. Não estudamos para aderir a teorias rebuscadas e falsas, mas para aprender o que é correto. E este aprendizado deve contribuir para o fim último de nossas vidas, que é a nossa beatitude em Deus.

E por falar de humildade, hoje também é dia de Santa Clara que, como diz uma bela canção, foi clara de nome e de coração. E isto me faz lembrar uma expressão comumente usada pelo saudoso professor Orlando Fedeli, retirada da Divina Comédia de Dante: "com olhos claros e afeto puro". Nós, estudantes, precisamos ter os olhos claros para enxergar a verdade e o afeto puro para abraçá-la. Sta Clara destacou-se, sobretudo, pela sua adesão àquela que Francisco chamava "Senhora Pobreza". Se a soberba nos afasta radicalmente de Deus, a pobreza nos atrai irresistivelmente a Ele, que é a Suma Verdade. Daí que a pobreza dispõe a alma humana à união com a Verdade, pois os pobres são aqueles que contemplam a Deus, e são os que têm os olhos claros e o afeto puro.

Que Deus nos conceda sempre um amor apaixonado pela verdade, e uma profunda humildade para bem servi-Lo e para bem estudar.

A todos estes que labutam em busca da verdade, feliz dia dos estudantes. Que a Virgem Santíssima, que guardou a própria Verdade em Seu seio, nos ensine também a fazê-lo.

Pax.

Fábio.

“l’amore è quella cosa che ci fa fedeli” - Excertos do depoimento da viúva do Prof. Orlando Fedeli, Ivone Fedeli.


Há uma frase de Santa Catarina de Siena, está na carta no. 224, na página 601 da edição que temos, em que ela, falando do amor, diz “o amor é aquela coisa que nos faz fiéis”, “l’amore è quella cosa che ci fa fedeli”.

Como é verdade a respeito do Lando. Ele era feito de amor. Amava intensamente, ardentemente, tudo aquilo que amava: Nosso Senhor, Nossa Senhora, a Fé, a Igreja, a mim, a todos e a cada um dos seus alunos. E até os seus inimigos. 

Um coração enorme e de uma ternura imensa. Mas, como ele ensinava, “quem ama detesta e quem detesta combate”. Não se pode amar profundamente algo sem odiar profundamente o seu contrário. Não se ama imensamente a verdade sem detestar profundamente a mentira. E quem detesta, luta contra, combate!

Isso resume toda a vida do Lando. Foi assim que ele foi, é assim que, nós, seus alunos, queremos continuar a ser. “Zelo zelatus sum pro Domino Deo Exercituum”.

Tenho estado no túmulo do Lando.

Vou lá e rezo pelo Lando e converso com ele. Até lhe recitei, numa espécie de oração, um poesia linda do Pessoa que cabia tão bem nas circunstâncias: 

Pai, foste cavaleiro, Hoje a vigília é nossa. Dá-nos o exemplo inteiro E a tua inteira força. Dá-nos, na hora em que, errada, Novos infiéis vençam, A bênção como espada, A espada como bênção.

A espada como bênção. A luta como herança.

Salve Maria.

Para ler o texto inteiro e assistir o video: Blog Legado Montfort.

Os ataques do Pe. Joãozinho à Montfort.


Como tantos já comentaram, é muito estranho que na polêmica entre o falecido prof. Orlando Fedeli e o Dr. Pe. Joãozinho, este último se tenha calado (também... depois da piza filosófica e doutrinária que recebeu...) e que agora, tão pouco tempo depois da morte do saudoso professor, ele retome suas investidas. Por certo, deve crer que, uma vez livre da sombra ameaçadora do professor Fedeli, não haja mais alguém à sua altura. Na verdade, não sei o que se passa. Ele parece confiar demasiado no seu título de doutor.

A princípio, Pe. Joãozinho comunicou o acontecimento da morte do professor no seu blog e, a par da notícia, tratou de dar uma espetadinha que não passou desapercebida. Lá ele diz que o professor "dedicou boa parte de sua vida a defender aquilo que entendia por ser a verdade." Pe. Joãozinho parece estabelecer uma distância entre o que o prof. Orlando defendia (o que ele entendia por verdade) e o que é a Verdade em si. Porém, ao fazer tal observação, supõe-se que o Dr. Pe. Joãozinho conheça a Verdade. Não parece ser o caso, conforme ficou evidente nas polêmicas com o professor Fedeli e pelo teor de coisas que ele escreve.

Logo após, em virtude de comentários que não tardaram a chegar, ele tenta se explicar, transcrevendo um texto do Papa. O padre defende aí que a compreensão do homem sobre a verdade é relativa, o que abre espaço para mil equívocos e faz questionar a eficácia do seu doutorado de Filosofia. Seja como for, o padre esqueceu de dizer que o que o professor Orlando falava não eram invenções, (aliás como o padre Joãozinho e o padre Fábio de Melo gostam de fazer...), mas tinha seu fundamento na Tradição Católica. Pontos particulares poderiam, de fato, ser questionados no discurso do professor. Mas disto a reputar tudo o que dizia a uma compreensão particular da verdade vai uma grande distância. A grande questão é: o professor Orlando quis simplesmente ser fiel ao ensino católico; os modernistas, ao contrário, flexibilizam o dogma com o objetivo de adaptá-lo às novidadezinhas politicamente corretas.

Bem... Por fim, coisa que me deixou surpreso pois revela uma intenção clara de se opor à Montfort, Pe. Joãozinho publica um texto onde se convida os "integrantes da Associação Montfort a retornarem ao grêmio da Igreja católica", sugerindo que, como estão, são sectários. Isto é claramente um ataque, pouco menos disfarçado que os primeiros. Como disse o Jorge, ele está a mexer num vespeiro.

Vamos ver se, quando vier a resposta aos ataques (ataques que denotam covardia) o reverendo padre, que usa o nome no diminutivo, fugirá de novo nos mostrando, dessa forma e mais uma vez, o diminuto da sua filosofia, da qual, porém, tanto se orgulha por ter o título de doutor. E então se verá quais são os argumentos de palha.

Fábio.

Ainda sobre o Prof. Orlando Fedeli

O Professor Orlando Fedeli, como todos sabem, dividiu opiniões. Alguns o amaram bastante e outros o detestaram. Houve quem o considerou algo como um profeta e valente soldado pela Fé; outros, no entanto, acrescentavam um "vade retro" imediatamente à frente do seu nome.

Eu particularmente nunca escondi a minha simpatia pelo professor. Mantinha, como tantos outros, pontos de divergência com certos aspectos do que ele defendia, mas o considerava, verdadeiramente, um mestre. É fato que ele robusteceu a fé de muitíssimos, recuperou a de tantos outros e converteu inúmeros. Eu tive a graça de sempre ter sido católico, mas conhecer o professor e os seus escritos não me deixou indiferente. Quantas vezes me deliciei lendo as suas respostas às cartas desaforadas; quantas vezes aprendi das suas explicações às dúvidas dos que o tinham como um referencial a quem recorrer. Sem medo, posso dizer que o prof. Orlando Fedeli foi uma das minhas grandes inspirações e eu, assim como tantos outros, fiz-me anonimamente seu aluno. De tão habituado a lê-lo, reconhecia-lhe já o estilo. Com muito gosto, usei suas formações em aulas e lhe proferi o nome como um dos maiores defensores atuais da Fé. Mostrei suas videoaulas a amigos e lhas recomendei vivamente.

A sua ausência será sentida, mas ficar nisso talvez seja uma forma superficial de ver as coisas. Se estamos no exílio e nos ordenamos à Pátria, ainda que sintamos a falta imediata de alguém que para lá rumou, devemos também nos alegrarmos pela ida de mais um irmão aos campos da Eternidade. Obviamente, não estou me precipitando sobre o destino eterno do professor, cujo conhecimento pertence a Deus; mas não escondo a vivíssima esperança de que ele goze, agora, dAquele que tanto defendeu. Se nem sequer um copo de água ficará sem recompensa, o que dizer de alguém que passou a vida ganhando almas para Nosso Senhor? Se o Céu se rejubila por um pecador que se converte, quantas alegrias o professor Orlando Fedeli não deu aos residentes da eternidade?

Sto Antão dizia que um monge, ao se afastar do mundo, põe-se de pé diante de Deus a interceder pelos homens que lá ficaram. Nesta ótica autenticamente cristã, o Prof. Orlando Fedeli, se não poderá mais usar sua alma diretamente para cortar os sofismas dos inimigos da Santa Igreja, poderá ser mais eficaz ainda a inspirar os defensores da Fé e a interceder, se Deus lhe conceder a Glória, pelos cidadãos da cidade de Deus que ainda labutam neste exílio.

Que o Altíssimo acolha a sua valente alma, que lhe seja misericordioso e console os corações dos seus amigos e familiares. Eu, como tantos outros, estou também enlutado, mas também profundamente esperançoso da sua acolhida na Eterna Morada. A este incansável cavaleiro da Fé, Deus conceda o descanso eterno e a alegria da Sua Presença.



Fábio
Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA
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