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"Sócrates" mostra a "Marx" a contradição lógica do evolucionismo ateu


MARX: Darwin e eu, juntos, eliminamos Deus: ele da natureza, eu da história. Sabes que até enviei uma cópia de meu livro a Darwin?

SÓCRATES: Sim. Sei também que ele nunca te respondeu.

MARX: Sabes de muitas coisas.

SÓCRATES: Sei também por que ele nunca te respondeu.

MARX: Como sabes isso?

SÓCRATES: Eu dialoguei com ele.

MARX: Oh.

SÓCRATES: Gostarias de saber o que ele pensava a respeito do teu livro?

MARX: Isso não tem importância.

SÓCRATES: E o que tu pensas de seu livro? Aceitas sua teoria da evolução?

MARX: Sim, aceito.

SÓCRATES: Assim, dizes que, anteriormente, não existia vida, mas, então, muitos séculos mais tarde, havia; dizes também que, antes, existia apenas vida subumana e, então, séculos mais tarde, havia vida humana.

MARX: Sim. A vida evoluiu por seleção natural. Pode-se até ver analogias entre a seleção natural e a dialética histórica...

SÓCRATES: Eu percebo isso. Mas, penso, também vejo uma outra coisa. Por favor, pondera acerca destas três coisas nas quais dizes acreditar. Primeiro, acreditas na evolução. Segundo, não crês que haja um Deus - um Criador, uma Causa Primeira ou uma Mente Arquiteta - por trás da evolução. Terceiro, acreditas no princípio científico da causalidade, ou seja, crês que os efeitos não podem exceder suas causas, que nada vem à existência sem uma causa adequada - em verdade, tu mesmo dirias, sem uma causa necessária ou determinista. Acreditas nessas três coisas?

MARX: Sim.

SÓCRATES: Pois vês algum problema nisso tudo?

MARX: Estou um passo à tua frente, Sócrates. Dirás que há uma contradição lógica em se aceitar todas essas três idéias, pois se os efeitos não podem exceder suas causas, então o vivente não pode ser causado pelo não-vivente, as formas superiores de vida não podem ser causadas apenas pelas inferiores e tampouco a inteligência pode ser causada por algo ininteligente ou os planos, os projetos e a ordem pelo puro acaso, a menos que essas causas inferiores sejam só instrumentos de uma causa divina superior. Dirás, então, que devo desistir ou da teoria da evolução, ou de meu ateísmo, admitindo assim um Deus que a explique.

SÓCRATES: Mas que maneira formidavelmente clara de se equacionar o problema! Tens uma solução igualmente clara?

MARX: Sim, tenho. A existência de um Deus sabotaria por completo todo o meu materialismo científico, portanto meu ateísmo não é discutível, e a mesma razão justifica minha crença na evolução: essa é a única alternativa ao desígnio divino que explica a existência de ordem na natureza. A teoria da evolução é o trunfo da ciência em sua batalha contínua contra a religião e a superstição. Logo, se há de fato uma tensão lógica entre essas três idéias, temos de modificar o princípio mais geral e abstrato dos três, o princípio da causalidade, ou então teremos de alterar um princípio ainda mais geral e abstrato, o qual acolheremos caso haja o mais mínimo problema na aceitação simultânea dessas três idéias: isto é, o princípio lógico da não-contradição. Talvez as contradições lógicas sejam o veículo pelo qual a história se move; talvez tenhamos de aprender a aceitar as tensões lógicas, em vez de evitá-las.

SÓCRATES: Que interessante! Em nome da ciência, modificarias um ou mesmo dois de seus princípios mais fundamentais, o princípio da causalidade e a lei da não contradição lógica. Podes me dizer o nome de um só cientista bem sucedido e reconhecido, em toda a história, que tenha feito isso?

MARX: Penso ser o primeiro.

SÓCRATES: No entanto, há muitos cientistas que rejeitam o teu ateísmo.

MARX: Sim...

SÓCRATES: E há também alguns que rejeitam a seleção natural.

MARX: Talvez. Mas ambos os tipos são assaz tolos.

SÓCRATES: Quiçá. Porém, eles são cientistas. Não diria a maioria deles que negas dois dos princípios mais inquestionáveis da ciência em favor de duas das mais questionáveis teorias científicas?

MARX: Não, a menos que fossem loucos. Mas eu não ligo para o que dizem; eu vi algo na história que eles não viram.

KREEFT, Petter. Sócrates encontra Marx. São Paulo: Vide Editorial. 2012. p.73-75

Chesterton sobre o Tomismo e o Evolucionismo


"Ora, ninguém começará a compreender a filosofia tomista, que em verdade é a filosofia católica, sem que advirta logo que a sua base primária e fundamental é o louvor da vida, o louvor do ser, o louvor de Deus como Criador do mundo."

"Se alguém pensar profundamente, verá que o movimento supõe algo essencialmente incompleto, que se aproxima de algo mais completo. O verdadeiro argumento é muito técnico, e diz respeito ao fato de a potencialidade não se explicar só por si; além disso, em qualquer caso, só pode desdobrar-se o que estiver dobrado.

Basta dizer que os evolucionistas modernos queremo ignorar o argumento não por terem descoberto nele alguma falha, porque nunca chegaram a descobrir o próprio argumento, mas porque são demasiado superficiais para notar a falha do argumento deles; porque a fraqueza da sua tese está protegida por uma fraseologia da moda, como a força da velha tese está protegida por uma fraseologia fora de moda. Para aqueles porém que pensam verdadeiramente, há sempre algo realmente inconcebível a respeito de todo o cosmo evolutivo, tal qual o concebem, porque é algo que surge do nada, uma onda d'água sempre crescente a sair de um jarro vazio. Os que aceitam isto simplesmente, sem ver sequer a dificuldade, não têm probabilidade de se aprofundar tanto como Santo Tomás de Aquino e de ver a solução da dificuldade. Em uma palavra, o mundo não se explica a si mesmo e não pode fazê-lo só com o fato do seu desenvolvimento constante.

Mas, como quer que seja, é absurdo que o evolucionista se queixe dizendo que não se compreende que um Deus, reconhecidamente inconcebível, fizesse tudo do nadao - e depois pretenda que é mais concebível que o nada se tenha mudado em todas as coisas."

G.K. Chesterton, Santo Tomás de Aquino, Biografia.

Evolucionismo historicista - Spengler

Por Emílio Silva de Castro

Após a Primeira Guerra Mundial esteve na moda a filosofia do relativismo filosófico-cultural e histórico, de Oswaldo Spengler, parcialmente seguida também por Th. Lessing e Toynbee. Sua obra principal, A Decadência do Ocidente (1918-1922), muito discutida ao tempo de sua aparição é hoje quase esquecida; a crítica científica tem demonstrado o alto grau de artificialidade que Spengler pôs a serviço em sua construção.

 Segundo Spengler, a história universal não se desenvolve como um processo unitário contínuo senão a modo de sucessão biologista das culturas que, como expressões específicas do espírito, diferem entre si essencialmente. Assim se sucederam na Europa a cultura grega (apolínea), a arábica (mágica) e a ocidental (fáustica).

As diversas culturas não mantêm entre si relações estreitas. Antes, cada uma (...) pode ser considerada como um organismo autônomo, que segue rigorosamente as leis do crescimento e ocaso. Cada cultura tem sua primavera, eleva-se até a maioridade cultural e entra logo em declínio, até o país ser invadido por outro povo jovem que, por sua vez, começa novo ciclo cultural. Esta cultura nascente não se prende à alta cultura das épocas passadas, senão que se inicia com uma nova primavera de fisionomia própria e percorre logo as mesmas fases das culturas anteriores.

Segundo Spengler, a humanidade não pode esperar nenhum fruto duradouro de todas essas culturas, isoladas e transitórias, porque não há entre elas íntima continuidade. Em tais condições fica excluído da totalidade o sentido unitário; a história universal converte-se numa multiplicidade de culturas descontínuas, cada uma das quais termina, em si, seu ciclo. “Por causa de seu relativismo, diz Sawicki, a concepção histórica de Spengler exclui um sentido unitário da História."

A duração de cada cultura, a modo de um organismo vivente que vai passando pelas três fases, ascensão, apogeu e decadência, é de, aproximadamente, um milênio. Também nos domínios da arte se verificam os mesmos movimentos rítmicos vitais; cada ciclo cultural experimenta a sucessão de períodos arcaico, gótico e barroco. Para Spengler o clímax da história cultural do Ocidente é constituído pela alta Idade Média, na qual desabrocharam as que ele chama flores da humanidade: os dois primitivos estamentos, nobreza e sacerdócio. Com a ascensão do 'terceiro estado', começa a morte do ocidente.

Por último, a “cultura” converte-se em “civilização”. Esta se caracteriza pelo predomínio das grandes urbes. As massas das metrópoles erguem sua cabeça, elas são como uma plebe ignara que só quer panem et ciercenses.

O pensamento de Spengler está todo embebido de relativismo. Para ele cada nova 'verdade' é só um juízo crítico de outra verdade, ultrapassada, pois não há verdades 'eternas'. “As verdades só existem em relação a uma determinada humanidade”. Por isso “resulta vão o intento da alta especulação de descobrir verdades eternas”. E do mesmo modo se pode afirmar que cada filosofia é válida apenas nos limites do círculo cultural onde surgiu.

O pensamento histórico de Spengler, apesar de ser o realismo a sua recomendação permanente, é em alto grau romântico, e pronunciadamente unilateral, em favor dos valores estético-culturais. A crítica tem censurado a Spengler sua tendência a estabelecer analogias superficiais e sua parcialidade na eleição dos grandes materiais em que intenta apoiar suas teorias. Vicente Risco condena sua manifesta hostilidade e por vezes incompreensão e má fé, com respeito ao catolicismo, que o leva em ocasiões a tergiversar a interpretação dos fatos.

A obra toda de Spengler – como a de Burckardt – está sombreada por uma nuvem de pessimismo.

CASTRO, Emílio Silva de. Filosofias da Hora e Filosofia Perene. São Paulo: Edições G R D., 1990. p. 79-80.

Evolucionismo como sistema de pensamento: Spencer e Fouillée


Pe. Leonel Franca

A idéia de evolução, entendida como passagem das formas mais simples para as mais complexas, como marcha contínua e fatal para um estado melhor, com ser das mais antigas em filosofia, só no século XIX foi largamente aplicada a todos os domínios do conhecimento. Evolucionistas são: em astronomia Laphace, em embriologia Von Baer, em geologia, Lyell, em biologia Lamarck e Darwin. Não é, pois, de admirar que um pensador tentasse fazer da evolução o eixo dum novo sistema de idéias, a base de uma nova explicação do universo. Este pensador foi Herbert Spencer – o filósofo do evolucionismo. Seguiram-no no mesmo tentame Fouillée e muitos outros.

Spencer (1820-1903)

Spencer divide toda a realidade em cognoscível e incognoscível. O incognoscível é o absoluto, o “substratum único e permanente do movimento das mudanças, da matéria, da força e da consciência, a energia do cosmos que se revela através dos fenômenos”.

Fora da esfera do cognoscível, e, portanto da ciência, o absoluto constitui o objeto das religiões. Destarte crê ingenuamente o filósofo inglês pôr um termo definitivo aos conflitos entre a ciência e a religião.

O domínio do cognoscível abrange todos os fenômenos, compreende a “totalidade do processo cósmico desde a condensação, das nebulosas até os produtos da vida social das nações civilizadas”. Uma lei única e geral preside a todas estas manifestações da realidade – a lei da evolução. Assim a fórmula Spencer: “a evolução é a integração da matéria com dissipação concomitante de movimento. Ao mesmo tempo que a matéria passa da homogeneidade indefinida e incoerente à heterogeneidade definida e coerente, o movimento sofre uma transformação correspondente”. Mais brevemente: a evolução é a passagem da instabilidade do homogêneo para a estabilidade do heterogêneo. A aplicação deste princípio, sugerido por uma fórmula de Von Baer (1), estende-a Spencer ao processus universal.

a) A transformação da nebulosa primitiva, homogênea e confusa, em mundos heterogêneos, distintos e solidários (teoria Kant-La Place) é o primeiro passo na evolução cósmica.

b) Resfriada a nossa terra e diferenciada a sua primitiva massa incandescente em mares e continentes (passagem do homogêneo para o heterogêneo), por uma combinação química mais complexa, da matéria inorgânica surgiu a vida. Rudimentar e homogêneo, o primeiro plasma vital foi-se progressivamente diferenciando, dando origem às células múltiplas e aos tecidos diversamente modificados. Dos primeiros seres vivos assim formados provieram por diferenciações ascendentes todas as espécies botânicas e zoológicas (2).

c) Neste desdobramento progressivo das formas orgânicas o aparecimento do sistema nervoso assinala uma das fases mais importantes. Com ele despontam os fenômenos psíquicos, que paralelamente aos fenômenos físicos, seguem sua evolução, determinada pela necessidade de adaptação do animal ao meio. O ato reflexo é a forma primitiva da atividade psíquica. Sucedem-lhe, por ordem, o instinto – reflexo mais complicado, a memória, a razão, – forma mais complexa do instinto, o sentimento e a vontade.

d) Por um desenvolvimento extraordinário do sistema nervoso saiu o homem, em épocas pré-históricas, das formas superiores da animalidade. Na sua atividade artística, científica e social está do mesmo modo que os seres inferiores sujeito à lei fatal da evolução. As ciências e as artes, a princípio enciclopédicas e confusas, progrediram por diferenciação, distinguindo-se em grandes grupos que se foram desenvolvendo pelo mesmo processo. As sociedades nos seus primórdios, simples agregados humanos, homogêneos e informes, evolveram e aperfeiçoaram-se como os organismos vivos – pela divisão do trabalho e especialização das funções.

e) À grande lei que tudo rege não escapa a moral. Primitivamente foi o prazer a norma única da atividade humana. Mais tarde as exigências da vida social fizeram brotar o altruísmo do egoísmo primitivo. Entenderam os homens que servir aos seus semelhantes era o meio mais eficaz de serem por eles servidos. Daí o sentido na marcha evolutiva da moral: fazer predominar o altruísmo sobre o egoísmo. Assim “dia virá, diz Spencer, em que, os atos sociais altruístas se farão sem sacrifício sob a influência da mais alta satisfação egoísta”. Como se vê, sua ética é utilitarista. Nem, por isso, condena ela os outros sistemas. A moral como tudo o mais, é relativa e todos os sistemas a seu tempo foram bons como adaptados ao período de evolução em que surgiram.

Tal, bosquejado a traços rápidos, o processo evolucionista exposto pelo filósofo inglês.

Em epistemologia, admite Spencer a possibilidade da certeza e a objetividade do conhecimento. O critério da verdade de uma proposição é a incapacidade de lhe concebermos a contraditória, incapacidade proveniente das disposições do sistema nervoso transmitidas por hereditariedade.

Ao nosso conhecimento corresponde uma realidade extramental que nos permanecerá sempre inacessível porque as nossas imagens não são representações mas símbolos dos objetos conhecidos. A esta teoria chama ele “realismo transfigurado”.

Quanto à origem das idéias, Spencer repudia as formas subjetivas e a priori de kant. Em absoluto, todas as idéias são adquiridas. Mas as formas mais elementares da consciência são transmitidas com a estrutura do sistema nervoso e representam a experiência da espécie. Podem por isso dizer-se inatas relativamente aos indivíduos.

Juízo sobre o evolucionismo de Spencer

Como a miragem dos desertos que, ao longe ilude e atrai, mas de perto dissipa-se e esvanece, a síntese spenceriana seduz, à primeira vista, pela vastidão e unidade aparente de sua estrutura, mas examinada com vagar, à luz de uma crítica serena, revela aqui deficiências, além de contradições, quase sempre superficialidade.

1 – O incognoscível é a primeira de suas contradições. Chamar absolutamente incognoscível uma realidade cuja existência se conhece, uma realidade que “se revela” e se manifesta em todos os fenômenos, que se sabe única, absoluta, permanente, que se afirma energia eterna e infinita da qual tudo procede, que se identifica panteisticamente com Deus, com a matéria e com o “eu”, não é afirmar a mais palpável das contradições? E todos estes atributos não fazem desta realidade proteiforme uma verdadeira monstruosidade?

2 – Na explicação da existência universal por meio da evolução, Spencer é quase sempre superficial (3). Antes de tudo, donde provém o ser que evolve? Qual a sua origem? Como apareceu esta nebulosa primitiva em cujo seio profundo incubavam os germes de tanta multiplicidade de seres? Recuando no tempo a formação dos mundos pode deslumbrar-se a imaginação mas não se ilude a necessidade lógica de procurar fora de um ser contingente a razão de sua existência (4). – Mais. A evolução é uma lei. Qual a sua razão última? A evolução é um movimento para um fim determinado. Qual o primeiro motor deste movimento? Que inteligência lhe preconcebeu o fim adaptando os meios à sua consecução? Spencer viu a grande máquina do universo em ação e esqueceu o mecânico que lhe ideou o plano e deu o impulso primeiro.

3 – Na derivação progressiva dos seres de um fundo comum, amontoam-se as analogias e as hipóteses, falsas umas, outras absurdas, aquelas em desarmonia com os fatos, estas, em contradição com os primeiros princípios racionais.

a) A vida não pôde brotar por geração espontânea do seio da matéria mineral. Ciência e filosofia estão nisso de pleno acordo. Os fenômenos vitais, além das energias físico-químicas da matéria bruta, exigem um princípio mais elevado, que as dirija na sua atividade e conserve a unidade específica do organismo.

b) O psíquico não pôde emergir por gradação ascendente dos elementos físicos anteriores. O próprio Spencer confessa a irredutibilidade absoluta entre as duas categorias de fenômenos. Porque então disfarça a dificuldade afirmando que a consciência é outro aspecto do físico?

c) Subindo na escala dos seres, como derivar as formas superiores da vida consciente do homem – inteligência e vontade – das energias vitais inferiores? Revolta-se a consciência contra esta identificação forçada de fenômenos materiais com fenômenos que se mostram independentes do tempo e do espaço e das condições da matéria. Não há evolução possível que possa preencher tamanho abismo e justificar tão prodigioso salto. A vida intelectual e moral não pode de nenhum modo ser a última fase de um processo evolutivo de seres corpóreos.

d- Numa palavra, Spencer fundando-se numa hipótese à espera ainda de provas no mundo biológico, estendeu-a contra todos os princípios fundamentais da razão à ordem universal dos seres. Neste vasto trabalho ele prodigaliza as riquezas de sua erudição científica verdadeiramente prodigiosa mas não logra elevar uma construção duradoura. Sua obra é mais de poeta imaginoso que de pensador profundo. A evolução é, para ele, como para muitos de seus contemporâneos a palavra fascinadora que, sem as resolver, disfarça todas as dificuldades, “é a vareta mágica com que faz brotar a luz das arestas escuras do incognoscível” (5).

Só o entusiasmo suscitado no mundo científico pelas idéias darwinistas e a deficiência de pensadores de mais larga envergadura explicam o êxito efêmero da filosofia de Spencer.

Outra tentativa de síntese filosófica de menos vastas proporções que a de Spencer, mas tendo ainda por base o evolucionismo foi a de Fouillée.


Alfredo Fouillée (1838-1912)

Mestre das Conferências na Escola Normal e sucessor de Franck no Instituto de França.

Doutrinas

1. Idéias-Força - O monismo é o postulado inicial do sistema de Fouilée. Todos os seres devem reduzir-se a uma identidade fundamental. O evolucionismo de Spencer é, por isso, incompleto e defeituoso, não satisfaz às exigências de unidade da inteligência. A divisão da realidade em cognoscível e incognoscível introduz o primeiro dualismo na sua concepção filosófica. O segundo, e este mais condenável porque já no domínio do cognoscível e na ordem fenomenal, é o do físico e do psíquico. Spencer começa com elementos mecânicos, depois, a certa altura do processo evolutivo introduz inesperadamente a consciência, por um salto que a lógica não justifica.

Desta crítica aos trabalhos do filósofo britânico conclui Fouillée que a síntese evolucionista está ainda por fazer; depois do sistema de Spencer ainda tem cabida o seu para corrigir-lhe os defeitos. Ele será o arquiteto da nova construção filosófica, “do evolucionismo verdadeiramente monista, mas imanente, experimental”.

Neste intuito, começa por eliminar com uma penada o primeiro dualismo spenceriano, riscando sem mais escrúpulos da realidade o incognoscível. Só existe o que pode ser diretamente observado. É ainda o velho positivismo.

Mais difícil é a unificação do físico e do psíquico. Mas à sua habilidade não escasseam recursos. A origem deste dualismo tão funesto à síntese científica é, segundo Fouilée, o grande erro comum aos psicólogos modernos da escola inglesa (Spencer, Maudsley, Bain, Huxley) de só considerarem a realidade psíquica no seu aspecto estático, como representação e miragem do mundo objetivo, como simples epifenômeno ou produto colateral da evolução, que se acrescenta superficialmente aos fenômenos físicos sem lhes modificar o curso. Cumpre reagir contra esta herança da psicologia cartesiana que cavava um abismo intransponível entre o pensamento e o movimento e fazia da consciência uma simples testemunha, espectadora passiva das transformações físicas. Não. A idéia – e por idéia entende Fouillée todos os fatos internos que são ou podem ser conscientes – é antes de tudo uma força, o princípio mesmo da realidade, melhor, é a única força, de que os fenômenos mecânicos são simples expressão. Nesta teoria das idéias-forças, que deve substituir a das idéias reflexos está o segredo da verdadeira síntese monista.

Destarte, não temos o psíquico, o mental a irromper bruscamente no curso dos tempos. Já o encontramos nos primórdios da evolução. A realidade é fundamentalmente psíquica. A consciência é o princípio dinâmico, a fonte das energias do mundo físico. Pensamento e matéria têm uma origem comum. O processus mecânico e o processus consciente não são duas realidades, constituem uma só unidade que só se diversifica pelo modo por que a aprendemos (experiência externa e consciência).

A princípio, reduzido à sua maior simplicidade o elemento psíquico é uma apetição surda, irrefletida, um desejo subconsciente de ação. Com o progredir da marcha evolutiva que vai do simples ao complexo, do homogêneo, indistinto e indefinido, ao heterogêneo, distinto e definido, o apetite transforma-se em emoção, torna-se mais nitidamente consciente até atingir no animal e no homem a plenitude da consciência refletida qual se revela na vontade e na inteligência, últimas e mais perfeitas manifestações da vida consciente universal.

A tendência interna indistintamente consciente constitui, pois, a fonte original de toda a realidade. O mundo físico está íntima e essencialmente impregnado deste elemento psíquico, ponto de partida e mola primeira de todo o processo evolutivo.

2 - Determinismo e liberdade - O sistema do livre arbítrio e o do determinismo, defendidos paralelamente em todas as épocas da filosofia não podem ser nem radicalmente falsos nem exclusivamente verdadeiros; devem convergir para a síntese suprema.

Fouillée lisonjeia-se de haver realizado esta prodigiosa conciliação em que se harmonizam duas tendências diametralmente opostas. Parece mesmo que toda a teoria das idéias-forças foi concebida para solver o grande problema da liberdade.

Há incontestavelmente no homem a idéia de independência, de uma independência relativa a este ou àquele motivo de agir. Daí à noção de uma independência absoluta e completa, de um poder incondicional e livre a transição é espontânea e explica-se sem dificuldade. Ora, toda a idéia é uma força que tende a realizar-se. O progresso da evolução, pois, acentuando em nós essa representação da liberdade e do poder pessoal acabará por triunfar da fatalidade. O livre arbítrio será a grande conquista das idéias-forças.

Apesar disto, porém, – e aqui o determinismo retoma suas vantagens – nós não agimos de fato senão sob o impulso fatal, irresistível de tendências e inclinações múltiplias que emergem da atividade inconsciente e se identificam com a nossa personalidade. A consciência da nossa independência não passa da inconsciência da nossa dependência. Mais claramente, o sentimento da liberdade é uma ilusão.

3 - Moral - Na crítica aos sistemas da moral da filosofia contemporânea, Fouillée mostra-se penetrante, sagaz , e por vezes, profundo. Na construção, porém, da própria teoria não é mais feliz do que os seus colegas. A moral confunde-se com a noção de liberdade. Como pela realização da idéia de independência nos é dado desprender-nos, pouco a pouco, dos motivos estranhos de ação, assim podemos também emancipar-nos do nosso “eu” e agir só em vista da universalidade dos homens. Destarte, o progresso da liberdade coincide com o do desinteresse e identifica-se, na sua parte positiva, com o amor que é “a própria moralidade”. O dever não tem outra origem senão esta necessidade que o homem a si mesmo se impõe de só proceder em harmonia com a idéia e não com a sensação, fazendo assim prevalecer progressivamente o universal sobre o particular, o altruísmo sobre o egoísmo. É, pois, incorreto afirmar que “somos obrigados”; mais acertado será dizer que “nós nos obrigamos”.

Tal é a que Fouillée, com expressão promissora de grandes conquistas no porvir, denominou “moral da esperança”.

Crítica

Por mais de um aspecto lembra Fouillée os antigos sofistas gregos. É a mesma sutileza em criticar sistemas inconsistentes, a mesma verbosidade elegante, a mesma ironia fina impregnada de ceticismo, a mesma impotência em construir o que quer que seja de firme e duradouro.

Sua teoria da liberdade é engenhosa, mas não resiste à crítica. A idéia que formamos do nosso modo de agir não nos pode desembaraçar das condições essenciais da nossa própria natureza. Se esta, realmente, é subordinada a causas fatais que atuam no organismo sem que delas tenhamos consciência, a idéia da nossa independência relativa ou absoluta será sempre uma ilusão. Teremos assim a idéia, a noção de liberdade, não a liberdade real, como a idéia de que somos ricos não nos dá, por isso, a verdadeira riqueza. O determinismo, apesar das promessas do autor, ficará sendo a única realidade da vida. A idéia poderá conseguir que ele morda a cauda, não que se devore.

Levantada sobre tão frágeis fundamentos, a sua moral não pode oferecer consistência nem eficácia prática. Onde o dever? Onde a sanção? Onde a base universal de uma lei que a todos obrigue? – A “moral da esperança” não nos deixa nem mesmo a esperança de uma moral.

O evolucionismo das idéias-força é um esforço de fantasia construtora e nada mais. Para evitar o salto brusco do físico ao psíquico, Fouillée, que o confessa inconcebível, coloca arbitrariamente o psíquico na origem da evolução. Nada mais fácil, depois disso, do que, com certa habilidade de escamoteação, tirar daí todo o universo. Evolução assim, porém, não deixa de ter sua semelhança com o artifício do prestidigitador que do chapéu encantado tira um mundo prodigioso de coisas. Admiram-se os espectadores ingênuos sem se lembrarem de que tudo lá estava em papel finamente dobrado.

Por que o psíquico há de construir a essência da realidade? Quem nos diz? A razão? A experiência? Não; as necessidades do sistema. E qual a origem deste psíquico, destes átomos dotados de apetição e sensação? Mais. Dado e não concedido que um apetite surdo, uma como vontade cega, constitua o fundo dos seres, como explicar ainda os graus superiores do processo evolutivo? Não há começo absoluto, proclama Fouillée e é princípio fundamental de todo evolucionismo. Como então de um apetite cego surgirá a vontade clarividente? Por que força misteriosa a reflexão há de nascer da irreflexão? Em virtude de que princípio secreto, esses átomos, a força de agir às cegas e sem consciência nítida de um fim, chegam um belo dia a proceder racionalmente e com finalidade consciente? Querendo simplificar em demasia o ponto de partida da marcha universal, o filósofo deu-nos um primum psíquico muito pobre e rudimentar para dar razão da complexidade dos fenômenos que se haviam de manifestar nos estadios superiores da evolução.

Na raiz, porém, de todos os erros do filósofo francês está o preconceito monista: toda a realidade se há de necessariamente reduzir a uma unidade fundamental que explica as variadíssimas formas das coisas como simples modalidades de uma mesma essência. A teoria das idéias-força não tem outra razão de ser. A ciência é uma, (unidade suposta e não provada), logo a realidade deve ser também una. Mas quem não vê que se estão invertendo os papéis? É a realidade que se deve amoldar a uma ciência construída a priori, ou, a ciência que, para ser verdadeira, deve ajustar-se à realidade? E se esta se nos revela em fenômenos irredutíveis de movimento e de consciência, se a observação só nos mostra os fenômenos psíquicos num domínio limitado do real, numa categoria limitada de seres, com que título a ciência se arroga o direito de revoltar-se contra a objetividade das coisas e reduzir à unidade o que à inteligência se manifesta como irredutível?

Sair do terreno firme dos fatos e da realidade observada é escrever poema, não filosofia, é arquitetar obra de fantasia, não de ciência. E obra de fantasia, construção artística destituída de valor científico é toda a obra original de Alfredo Fouillée.
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(1) “A evolução do organismo passando do estado de homogeneidade ao de não homogeneidade”. Von Baer.

(2) Antes de Darwin, já em 1857 propusera Spencer a luta pela vida com a conseqüente sobrevivência do mais apto como principal agente da evolução biológica.

(3) “Nas suas fórmulas vagas tudo é incerto, tudo é indeciso, indefinível e oco”. FARIAS BRITO. A Base Physica do Espírito, p. 216.

(4) Bem o percebeu La Faye, o ilustre astrônomo que refundiu a hipótese de La Place harmonizando-a com as novas exigências da ciência. Ao chegar à nebulosa primitiva confessou lealmente: “Aqui é preciso começar pedindo a Deus, como Descartes, a matéria disseminada e as forças que a regem. Origine du monde, p. 254.

(5) FARIAS BRITO. Obr. Cit., p. 216. Pouco antes, encontra-se esta outra apreciação muito justa: “Se bem que (Spencer) tenha a princípio iludido por uma certa fulguração aparente e por uma aparente conciliação de todas as antinomias já não se pode agora ocultar a sua profunda esterilidade, não sendo de estranhar que sobre Spencer se tenha manifestado Benedetto Croce, já em 1896, nestes termos: “deve ser considerado mais tarde como símbolo da mediocridade filosófica em nossa época”. p. 213-4.
Registramos este testemunho por folgarmos de ver nele a independência e isenção com que o nosso saudoso pensador julgava a obra de um homem que foi o ídolo de uma geração.

FRANCA, Pe. Leonel. Noções de História da Philosophia. Livraria Pimenta de Mello & C. Rio de Janeiro: 1928. p. 209-219.

Materialismo, transformismo, Darwin e Haeckel


Materialismo

Os sistemas precedentes haviam no meado do século XIX predisposto os ânimos ao aparecimento do materialismo. De um lado, a incontinência do idealismo hegeliano com todas as suas extravagências lançara o descrédito sobre as especulações metafísicas. Do outro, o positivismo de Comte, de mãos dadas com o empirismo inglês, identificando-se habilmente com as ciências experimentais em plena voga, afastava as inteligências das meditações filosóficas para aplicá-las exclusivamente ao estudo da realidade sensível. Assim, quando Hegel, despiedosamente fustigado por Schopenhauer, tombou (1840) de seu pedestal de glória, não foi difícil substituir ao culto da “idéia” o culto da matéria. O movimento partiu da extrema esquerda hegeliana. (1) Feuerbach foi um dos seus iniciadores.

A explosão materialista, que então se seguiu, alastrou-se rapidamente por toda a Europa. A ela referem-se os nomes de Büchner, (1824-1898) autor da “Força e matéria”, (1855) de Carlos Vogt, (1817-1895) Moleschott, (1822-1893) Huxley, (1825-1895) Haeckel, (1834-1999) e outros. Le Dantec, na França, e Mantegazza, na Itália, fizeram-se até nossos dias ecos tardios das mesmas idéias. Nas obras de todos estes autores não se encontra uma concepção nova, um argumento inédito a favor do sistema. O materialismo está de sua natureza condenado a uma irremediável esterilidade. “O pensamento é um movimento da matéria” (Moleschott). “O cérebro segrega o pensamento como os rins segregam a urina (Vogt), etc. São sempre as mesmas afirmações dogmáticas, inteiramente destituídas de provas, mil vezes confutadas e repetidas ainda em nossos tempos com a cegueira do imitador que esquece de ponderar as palavras repetidas. Vogt e Haeckel falam como Cabanis e De La Mettrie, como Demócrito e Epicuro.

Na segunda metade, porém, do século XIX estes conceitos foram revestidos de novas roupagens científicas. Uma hipótese dos naturalistas permitiu-lhes apresentarem-se mais disfarçados. Referimo-nos ao Transformismo.

Transformismo

Pode afirmar-se que cientificamente o transformismo foi pela primeira vez proposto por Lamarck (1744-1829) na sua Philosophie zooligique (1809). A dificuldade de classificar certos animais inferiores levou-o a considerar a espécie não como um grupo natural, fixo, mas como o resultado de lentas transformações acumuladas durante largos períodos de tempo. Para Lamarck, a formação das novas espécies explica-se principalmente pela adaptação ativa do organismo ao meio. As mudanças do ambiente despertam novas necessidades, as necessidades criam novos órgãos, os órgãos desenvolvem-se pelo uso e atrofiam-se pelo desuso. As transformações individuais provenientes da ação destes fatores são depois fixadas pela herança, que as transmite aos descendentes. Os tipos primitivos ou elementares são, em número reduzido, uns seis ao menos. A origem do homem é diferente. Lamarck recorre à existência de Deus para explicar a ordem inegável existente na escala dos seres vivos. As leis naturais “são a expressão da vontade d'Aquele que as estabeleceu”. (2)

A nova hipótese não despertou logo grande entusiasmo. A própria polêmica entre Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844) que patrocinava as novas idéias e Cuvier que terçava pela concepção tradicional da zoologia, terminando pela vitória deste último, foi uma remora ao seu progresso.

Quem, senão com mais profundeza, ao menos com mais popularidade estava destinado a dar voga ao transformismo era o naturalista inglês Carlos Darwin.

Carlos Darwin (1812-1882)

Depois de longas viagens e pacientes observações publicou ele em 1859 a Origem das Espécies, livro que deu imenso brado pelo mundo científico. Nele desenvolve o autor a idéia fundamental de Lamarck, recorrendo, porém, a outros fatores para explicar a transformação das espécies. Segundo Darwin, a luta pela vida, struggle for life, corolário espontâneo da lei de Malthus sobre o aumento da população (3), traz de consequência a eliminação dos mais fracos e a sobrevivência dos mais aptos.

Os caracteres e as modificações que a estes asseguram o triunfo na concorrência vital transmitem-se por hereditariedade e acentuam-se com o tempo. Assim se opera no mundo biológico uma seleção natural, que dá origem às diferentes espécies, como a seleção artificial dos criadores multiplica as raças. As imigrações e os cataclismas, isolando os novos tipos em via de formação impedem a sua fusão ou a volta ao tronco primitivo(4). Em apoio de suas idéias Darwin cita inúmeros fatos tirados da distribuição geográfica dos seres vivos, da paleontologia, da existência de orgãos rudimentares, etc.

Mais tarde, cedendo às instâncias de outros naturalistas, sobretudo de Huxley, estendeu Darwin suas idéias transformistas até a origem do homem, publicando em 1871 a Descendência do Homem que, cientificamente, é a menos importante de suas obras (5).

As idéias Darwinistas encontraram, entre os cultores das ciências naturais, adversários ilustres como De Quatrefages, Agassiz, Blanchard, De Nadaillac, Faivre, Jousset, Barrande, Fleishsmann e outros.

Uma pleiade, porém, de jovens naturalistas alistou-se pressurosamente nas novas fileiras do transformismo: Romanes, Wallace que se opôs decididamente à origem simiana do homem, Gogt, Büchner, Haeckel, etc. A alguns seduzia-os o amor de novidade, a outros arrastaram-nos idéias sectárias.

Dentre estes, que do sistema de Darwin, proposto por seu autor como simpĺes hipótese científica explicativa da origem das espécies, fizeram uma arma contra a religião e moral salienta-se o alemão Ernesto Haeckel.

Ernesto Haeckel (1834-1919)

Outrora professor de zoologia em Iena, a quem Quatrefages chamou “l'enfant terrible du darwinisme”. Materialista fanático, Haeckel acolheu com aplauso as idéias de Darwin e incorporou-as no seu sistema filosófico – ingente mas abortado esforço para excluir a Deus do universo. A eternidade do movimento e da matéria, a identidade de todos os fenômenos físicos e psíquicos, a geração espontânea, a evolução das espécies até o homem são os principais dogmas do “monismo realista” de que o seu patriarca pretendeu fazer um sistema de filosofia não só, mas ainda a religião do futuro. Haeckel, porém, é antes de tudo um sectário. O “espectro do papismo” e a Internacional negra” (a Igreja Católica) perseguem-no em todos os seus estudos de naturalista. A esta paixão que o obsedia, sacrifica tudo: evidência dos princípios racionais, interpretação imparcial dos fatos e, até, probidade científica (6). Semelhante proceder atraiu-lhe o desprezo dos sábios e os mais severos juízos de seus contemporâneos.

Paulsen, falando dos “Enigmas do Universo”: “Saíram-me, diz, as faces da vergonha ao ler este livro e corei pensando a que ponto descera o nível filosófico do nosso povo. É uma vergonha que semelhante livro se tenha escrito, impresso, vendido e chegue a ser lido por um povo que conta um Kant, Um Goethe, um Schopenhauer (7). Wundt: “Com Haeckel parece que voltamos aos tempos em que se não havia ainda inventado a lógica e a ciência positiva não tinha saído das faixas da infância” (8).

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(1) Aliás, maior do que à primeira vista parece, é a afinidade entre o hegelianismo e o materialismo. Para Hegel, a realidade única é a idéia que na sua evolução é antes matéria, depois, espírito e pensamento. Ora aí temos o postulado fundamental do materialismo: a identificação da matéria e do espírito da mesma realidade.

(2) Hist. Nat. des animaux sans vertèbres, Introduction. Cfr. Philosophie zoologique, t, I, p. 113. Longe de ver no transformismo uma dificuldade contra a existência do Criador, Lamarck tira das suas idéias novo argumento para admirar-lhe a grandeza e sabedoria.

(3) Malthus (1766-1834) no seu Essay on the principles of population, London, 1798, pretendera provar que [a população] tende a crescer em proporção geométrica, enquanto os meios de subsistência aumentam numa progressão aritmética. Esta lei sugeriu a Darwin a idéia da luta pela vida.

(4) Hoje, os próprios transformistas, (cfr. entre outros, Yves Delage, Structure Du protoplasme, p. 241), reconhecem a impotência da seleção natural para a formação de uma outra espécie. O exame frio e imparcial que sucedeu aos entusiasmos do primeiro momento revelou a fragilidade do edifício darwinista. “A Darwin, escreveu Moleschott, foram mais favoráveis os homens que os fatos”. “O darwinismo tal qual o formulou Darwin já fez seu tempo” (St. Georges Mivarti). Para sustentar-lhe a estrutura vacilante surgiram outras hipóteses, que vão tendo igual fortuna, mostrando assim quanta parte tiveram as paixões neste grande debate que encheu a segunda metade do século XIX. Ainda hoje, o transformismo radical não passa de uma hipótese querida com ardor e afagada com carinho por certos sábios, mas sem bases sólidas nas ciências naturais. Confessa-o abertamente o insuspeito YVES DELAGE, num trecho que merece ser arquivado: “Estou absolutamente convencido que um é ou não transformista, não por motivos tirados da história natural, mas em razão de seus princípios filosóficos”. (Obr. cit., p. 184).

(5) Apesar de haver transigido com as insistências do materialismo na questão da origem do homem, Darwin nunca se declarou ateu. Recusou sempre admitir a geração espontânea e apelou para a existência de Deus como para a única explicação da ordem universal. “Nunca fui ateu, nunca neguei a existência de Deus... Creio que a teoria da evolução é inteiramente compatível com a crença em Deus. A impossibilidade de conceber que este grande e admirável universo, com o nosso eu consciente tenha podido originar-se do acaso, parece-me o maior argumento em favor da existência de Deus”. DE VARIGNY, Vie de Ch. Darwin.

(6) São bem conhecidas as suas falsificações. Para prover a semelhança dos embriões do homem, do macaco e do cão, reproduziu o mesmo clichê, atribuindo-o sucessivamente ao homem, ao macaco e ao cão! Cortar vértebras, acrescentar caudas, esquematizar figuras foram processos de que foi useiro e vezeiro o obcecado naturalista para provar suas teorias e verificar suas leis. Rütimeyer (1868), O. Namann (1872), W. His (1874), desde muitos anos, o haviam acusado de falsificador. Como, porém, o réu impenitente continuasse recidivo, em 1908, A. Brass voltou à carga, denunciando-lhe novas falsificações. O velho professor de Iena tentou defender-se, mas houve por fim de confessar-se culpado. Os próprios monistas em número de 40, no interesse do sistema seriamente comprometido com tal gênero de argumentação, lavraram um protesto público contra os processos de esquematização de seu ilustre patriarca. Na história da ciência ficará o nome de Haeckel como triste personificação do sábio que à obstinação de um preconceito e ao sectarismo dum ódio anti-religioso não hesita imolar os mais sagrados direitos da verdade e da justiça.

(7) PAULSEN, Philosophia militans, p. 186-7, Berlim, 1901.

(8) Citado, como o precedente, por MERCIER, Psychologie, t. II, p. 285-6.
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FRANCA, Pe. Leonel S. L.; Noções de História da Filosofia; Livraria Pimenta de Mello & C; Rio de Janeiro; 5 edição; 1928; p. 205-209.

Darwin era ateu?!


O Sr. Richard Dawkins, como pseudo-cientista dogmático que é, cegamente crédulo do darwinismo, deveria ser fiel ao seu mestre também neste sentido, não?

200 anos de Charles Darwin - "Grandis Coisa"



Estamos assistindo a comemoração do aniversário de 200 anos de Charles Darwin, o homem que fez questão de mostrar que somos simples animais, sem outra qualquer distinção das demais criaturas, a não ser pelo nosso estágio mais avançado de evolução; ele que virou sinônimo de autoridade científica utilizando-se de um dogma, totalmente indemonstrável; neste tempo onde a comunidade "intelectual" moderna se exacerba na celebração de um de seus gurus, acho oportuno levar aos leitores deste humilde blog o texto (muitos talvez já o conheçam) do argentino de Córdoba, Raul Leguizamon sobre esta temática.

Como o texto é um tanto extenso (embora muito cômico), disponibilizo o link que lhe dá acesso. A todos, boa leitura. A Teoria da Evolução contra a ciência e a Fé (O conto do macaco)

Fábio Luciano
Fonte da imagem: www.lepanto.com.br
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