Hoje é aniversário de fundação do Opus Dei. Vai aí uma singela homenagem
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Tudo é nada comparado a Ele
Considera o que há de mais formoso e grande na terra..., o que apraz ao entendimento e às outras potências..., o que é recreio da carne e dos sentidos... E o mundo, e os outros mundos que brilham na noite: o Universo inteiro.
E isso, mais todas as loucuras do coração satisfeitas..., nada vale, é nada e menos que nada, ao lado deste Deus meu! - teu! -, tesouro infinito, pérola preciosíssima, humilhado, feito escravo, aniquilado sob a forma de servo no curral onde quis nascer, na oficina de José, na Paixão e na morte ignominiosa..., e na loucura de Amor da Sagrada Eucaristia.
S. Josemaria Escrivá, Caminho, n. 432
S. Josemaria Escrivá e a necessidade de uma conversão real
Hoje a Santa Igreja celebra a memória de S. Josemaria Escrivá, a quem bem poderíamos chamar de "o santo do cotidiano". Nesta ocasião, eu poderia simplesmente fazer uma transcrição de algum dos seus escritos e, na verdade, nada me impede de levar a termo esta idéia. Porém, neste post em particular, quero falar, por mim mesmo, de um aspecto fundamental da vida cristã e no qual S. Josemaria poderá apoiar-me.
Como se sabe, todos nós somos chamados à santidade, pois é vontade de Deus que todos se salvem. Para que a salvação possa se dar, são necessárias absolutamente duas coisas: uma vida que se disponha ao caminho proposto por Nosso Senhor e, em seguida, o auxílio objetivo da Graça. Uma reta compreensão deste duplo aspecto falta a muita gente, e eu gostaria aqui de tentar elucidar um pouco a questão.
De um lado, há os que lutam contra uma visão que chamam de "sacramentalista" e que sugere um tipo de cristianismo mecânico, sem envolvimento interior e no qual se supõe dever o católico somente cumprir suas obrigações cultuais, quais sejam a frequência aos Sacramentos, o pagamento do Dízimo, etc., sem que, porém, os demais aspectos da sua vida sejam envolvidos pela religião. Deste modo, um sujeito poderia justificar a sua consciência entendendo que, por ter ido à igreja ou ter feito certas orações, já não há o que se lhe deva exigir. De fato, é um erro pois, a despeito da aparência, um tal sujeito torna-se impermeável à ação divina.
Há, porém, um outro problema, talvez mais atrativo, mas também mais sutil porque, embora seja no fundo uma das tantas máscaras do orgulho humano, costuma se transvestir de humildade e de cristianismo verdadeiro. Consiste na equivocada conclusão de que o cristianismo, para se isentar das meras exterioridades, deverá ser tão somente um processo de auto-persuasão, de auto-conversão, de cultivo de bons sentimentos, de disposição para a ação humanista, social; de tentativa de modificação efetiva do mundo por meio do envolvimento político, reduzindo toda a religião a um instrumento ideológico, a um grande sindicato onde deveriam ser expostas e ensinadas as idéias mestras para a libertação dos homens, entendidos aqui na sua materialidade, o que dá certa aparência de realismo a este tipo de discurso.
No entanto, uma religião onde o homem possua, por si mesmo, as idéias e a força para a mudança necessária, não é religião, mas caminho de auto-afirmação, de auto-suficiência. Uma religião, além disto, que reduza o ser humano à sua vida terrestre, amputa-lhe o que de mais essencial ele possui e, sob a máscara de uma solicitude devotada, distrai-o de sua verdadeira felicidade e objetivo. Se Deus não é necessário para a conversão humana, não há por que se aderir a uma religião. Se a importância de Deus na vida humana se restringe ao campo motivacional, poderemos trocá-lo por Buda, Gandhi, e tantos outros personagens que, inclusive, parecem incorporar melhor do que Jesus os ideais modernos.
Não. Nada disso é catolicismo. No primeiro problema, temos uma fé caricaturada em que os sujeitos apenas encenam e anestesiam a consciência, enganando-se até o fim do mundo, onde haverão de contemplar, aturdidos, a fatuidade da própria vida. No segundo erro, temos uma fé reduzida à materialidade, e a auto-suficiência humana se disfarçando de devoção e amor ao próximo. Temos a exclusão prática de Deus e a negação da necessidade da vida da Graça, com a consequente naturalização e relativização dos preceitos religiosos e da doutrina católica. Cai-se no subjetivismo e no relativismo e o homem erige-se como norma última do bem. É o antropoteísmo.
S. Josemaria Escrivá, porém, tem outra proposta: a de uma conversão total e de unidade de vida. Primeiro, é preciso reconhecer a doença do egoísmo da qual todos sofremos enquanto labutamos nesta terra, com exceção de alguns raros santos que, ainda nesta vida, alcançam alturas vertiginosas de santidade. Quanto a nós, é preciso convencer-nos desta ruindade que todos carregamos no íntimo da alma e que tende a fazer das nossas melhores intenções e atitudes apenas uma extensão de si mesma. A consequência do pecado original foi a entronização da soberba em nós, que falseia o nosso julgamento, corrompe as nossas vontades e instrumentaliza as nossas ações. Uma vez que contemplamos tal verdade, deveremos reconhecer que, sozinhos, não temos como dar conta disso. Se fazemos mortificação por nosso próprio esforço, confiados no nosso próprio engenho, daqui a pouco estaremos, ou esmagados pela constatação absoluta da nossa fraqueza, ou perdidos na contemplação da nossa suposta e falsa grandeza. Se queremos fazer boas ações, a soberba tornará tudo quanto fizermos somente uma tentativa de adquirir aplausos e admirações. Se queremos divulgar o Evangelho, o nosso orgulho utilizará a ocasião para se auto-afirmar. E desse modo, tudo quanto fizermos será igual a nada. Já dizia S. Paulo que, sem a caridade, tudo é só barulho. A caridade é o auxílio de Deus na nossa alma para que as nossas intenções possam ser puras e para que as nossas ações sejam sobrenaturalizadas e verdadeiras.
Uma vez que reconhecemos a necessidade absoluta que temos do auxílio divino, devemos, então, entender de que modo ele nos poderá ser dado. Ora, é pelos Sacramentos da Igreja. Daí que a religião não é, de modo nenhum, dispensável. De modo nenhum! É nela que obteremos a vida da Graça e aprenderemos a verdade não somente sobre Deus, mas sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo. Sem saber de tudo isto, não poderemos efetivamente ajudar ninguém, pois partiremos de pressupostos errados.
Uma religião, ao invés, que pretendesse a mera observância exterior dos compromissos religiosos e se restringisse geograficamente ao interior dos templos, também em nada se distinguiria da dos fariseus, e sobre isto Jesus nos diz: "se a vossa justiça não for maior do que a deles, não entrareis no Reino". Em verdade, o cristianismo deve de tal modo envolver a vida humana, que toda ela se transubstancie, isto é, se transforme, desde o seu mais íntimo, em vida cristã, em vida de Cristo, ao ponto de podermos, um dia, dizer como São Paulo que é Ele Quem vive em nós. Já dizia um santo que um verdadeiro cristão é cristão não apenas quando reza, mas quando trabalha, estuda, brinca, come e até quando dorme. A cura a que devemos ser submetidos tem de ser completa, diria C.S. Lewis, pois o que Nosso Senhor espera de nós é, nada menos, que a perfeição. Ora, tal altura está muito acima das nossas capacidades naturais. No entanto, é preciso querê-la e buscá-la, uma vez que temos o auxílio divino.
S. Josemaria propõe justamente isto: tornar a vida inteira um contínuo suspiro de amor a Deus. Mesmo no evento mais corriqueiro, mais cotidiano, mais ordinário, é possível fazer transbordar o amor divino. E isto é tão somente a aplicação prática do que S. Paulo já havia dito: "n'Ele existimos, nos movemos e somos". Se tal é assim, ter momentos totalmente seculares na vida significa distrair-se da realidade. O cristianismo, ao invés, sendo a religião da verdade, quer, não alienar, mas efetivamente despertar os homens para a verdade. Daí a necessidade de se encarnar visceralmente um cristianismo total, contínuo, que englobe a vida em todos os seus aspectos, momentos e minúcias. Esta unidade, porém, somente pode ser dada quando os homens descobrirem que, de fato, sem Ele nada podem fazer, conclusão absolutamente necessária para que se motivem a reservar-Lhe um lugar central em torno do qual gravitarão. A religião, portanto, de nenhum modo será dispensável; antes, deverá ser a garantia da visão objetiva do mundo e a fornecedora da seiva que permitirá aos homens viverem de fato, e não, apenas, encenarem.
Que S. Josemaria Escrivá interceda por nós neste caminho, difícil, pedregoso, mas amoroso e feliz.
Eucaristia e a Novidade Divina
Quando o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia na Última Ceia, era de noite, o que manifestava - comenta São João Crisóstomo - que os tempos se tinham cumprido. Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade se iam realizar plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição.
Também em nossas vidas temos de preparar essa alvorada. Tudo o que é caduco e nocivo, tudo o que não presta - o desânimo, a desconfiança, a tristeza, a covardia -, tudo isso tem de ser lançado fora. A Sagrada Eucaristia introduz a novidade divina nos filhos de Deus, e devemos corresponder in novitate sensus, com uma renovação de todos os nossos sentimentos e de toda a nossa conduta. Foi-nos dado um princípio novo de energia, uma raiz poderosa, enxertada no Senhor. Não podemos voltar ao antigo fermento, nós que temos o Pão de hoje e de sempre"
S. Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa.
Maio, Mês de Maria - Fazer-se Criança no Amor a Deus
Consideremos atentamente este ponto. Pode ajudar-nos a compreender coisas muito importantes, já que o mistério de Maria nos faz ver que, para nos aproximarmos de Deus, temos de tornar-nos pequenos. Em verdade vos digo - exclamou o Senhor, dirigindo-se aos seus discípulos -, se não vos converterdes e vos fizerdes como crianças, não entrareis no reino dos céus". (Mt XVIII, 3).
Fazer-se criança: renunciar à soberba, à auto-suficiência: reconhecer que, sozinhos, nada podemos, porque necessitamos da graça, do poder do nosso Pai-Deus, para aprender a caminhar e para perseverar no caminho. Ser criança exige abandonar-se como se abandonam as crianças, crer como creem as crianças, pedir como pedem as crianças.
São coisas que aprendemos no convívio com Maria. A devoção à virgem não é blandície nem languidez: é consolo e júbilo que se apossam da alma, precisamente porque exige um exercício profundo e íntegro da fé, que nos faz sair de nós mesmos e colocar a nossa esperança no Senhor. O Senhor é meu pastor - canta um dos salmos -, nada me faltará. Em verdes prados me faz repousar, conduz-me junto às águas refrescantes; refaz a minha alma e guia-me por caminhos retos pela virtude do seu nome. Ainda que eu atravesse um vale tenebroso, nada temerei, porque Tu estás comigo" (Sl XXII, 1-4).
Porque Maria é Mãe, a sua devoção nos ensina a ser filhos: a amar deveras, sem medidas; a ser simples, sem essas complicações que nascem do egoísmo de pensarmos só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um amor confiado por Maria Santíssima. Assim o escrevi há muitos anos, no prólogo a uns comentários ao Santo Rosário, e desde então voltei a comprovar muitas vezes a verdade dessas palavras. Não vou tecer aqui muitas considerações para comentar essa idéia: preciso, antes, convidar cada um de vós a fazer a experiência, a descobri-lo por si mesmo, procurando manter um relacionamento amoroso com Maria, abrindo-lhe o coração, confiando-lhe as suas alegrias e penas, pedindo-lhes que o ajude a conhecer e a seguir Jesus.
Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus. E aprenderemos a entender um pouco do que há no coração de um Deus que se aniquila, que renuncia a manifestar o seu poder e a sua majestade para se apresentar sob a forma de escravo. Falando humanamente, poderíamos dizer que Deus se excede, pois não se limita ao que seria essencial ou imprescindível para nos salvar, mas vai mais longe. A única norma ou medida que nos permite compreender de algum modo a maneira como Deus age é reparar que não tem medida, ver que nasce de uma loucura de amor que O leva a tomar a nossa carne e a carregar com o peso dos nossos pecados.
Como é possível perceber tudo isto, reparar que Deus nos ama, e não enlouquecer também de amor? É necessário deixar que essas verdades da nossa fé calem aos poucos na alma, até mudarem toda a nossa vida. Deus ama-nos!: o Onipotente, o Todo-Poderoso, o que fez os céus e a terra!
Deus interessa-se até pelas menores coisas das suas criaturas - pelas vossas e pelas minhas - e chama-nos, um a um, pelo nosso próprio nome. Esta certeza, que procede da fé, faz-nos olhar o que nos cerca sob uma nova luz, e leva-nos a perceber que, permanecendo tudo como antes, tudo se torna diferente, porque tudo é expressão do amor de Deus.
A nossa vida converte-se numa contínua oração, num bom humor e numa paz que nunca se acabam, num ato de ação de graças desfiado ao longo das horas. A minha alma glorifica o Senhor - cantou a Virgem Maria - e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a baixeza da sua serva. Por isso, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque fez em mim grandes coisas o Todo-Poderoso, cujo nome é santo.
A nossa oração pode acompanhar e imitar essa oração de Maria. Tal como Ela, sentiremos o desejo de cantar, de proclamar as maravilhas de Deus, para que a humanidade inteira e todos os seres participem da nossa felicidade.
S. Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa
Não te esquives ao dever
"Não gosto de tanto eufemismo: à covardia chamais prudência. - E a vossa "prudência" é ocasião para que os inimigos de Deus com o cérebro vazio de idéias, tomem ares de sábios e ascendam a postos a que nunca deviam ascender.
Esse abuso não é irremediável. - É falta de caráter permitir que continue, como coisa desesperada e sem possível retificação.
Não te esquives ao dever. - Cumpre-o em toda a linha, ainda que outros deixem de cumpri-lo."
S. Josemaria Escrivá, Caminho, nº 35-36.
O Natal é Mistério; não o reduzamos à nossa medida
É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço, olhar para Ele sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos aceitar o mistério pela fé, aprofundar no seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.
Vemos - diz São João Crisóstomo - que Jesus saiu de nós, da nossa substância humana, e que nasceu de Mãe virgem; mas não entendemos como pôde ter-se realizado esse prodígio. Não nos cansemos tentando descobri-lo: aceitemos antes com humildade o que Deus nos revelou, sem esquadrinhar com curiosidade o que Deus nos escondeu. (In Matthaeum homiliae 4, 3 (PG 57, 43)).
Assim, com este acatamento, saberemos compreender e amar; e o mistério será para nós um esplêndido ensinamento, mais convincente que qualquer raciocínio humano.
S. Josemaría Escrivá, É Cristo que Passa
A conversão da alma - S. João da Cruz
Caindo a alma na conta do que está obrigada a fazer, vê como a vida é breve (Jó 14,5), e quão estreita é a senda da vida eterna (Mt 7,14); considera que mesmo o justo dificilmente se salva (1Pd 4,18), e que as coisas do mundo são vãs e ilusórias, pois tudo se acaba como a água corrente (2Rs 14,14). Sabe que o tempo é incerto, a conta rigorosa, a perdição muito fácil, e a salvação bem difícil. Conhece, por outra parte, a sua enorme dívida para com Deus que lhe deu o ser a fim de que a alma pertencesse totalmente a ele; deve, portanto, só a Deus, o serviço de toda a sua vida. Em ter sido remida por ele, ficou-lhe devedora de tudo, e na necessidade de corresponder ao seu amor, livre e voluntariamente. E em outros mil benefícios se acha obrigada para com Deus, antes mesmo que houvesse nascido.
E, no entanto, compreende agora como grande parte de sua vida transcorreu em vão, não obstante a razão e conta que terá de dar a respeito de tudo, tanto do princípio como do fim, até o último ceitil (Mt 5,26) quando Deus vier esquadrinhar Jerusalém com tochas acesas (Sb 1,12), e que já é tarde, e talvez chegado o último dia (Mt 20,5)! E assim a alma, sobretudo, por sentir Deus muito afastado e escondido, em razão de ter ela querido esquecer-se tanto dele no meio das criaturas, tocada agora de pavor e de íntima dor no coração à vista de tanta perdição e perigo, renuncia a todas as coisas; dá de mão a todo negócio; e sem dilatar mais dia nem hora, com ânsia e gemido a brotar-lhe do coração já ferido pelo amor de Deus, começa a invocar seu Amado.
S. João da Cruz, Cântico Espiritual, Anotação. Obras Completas. Rio de Janeiro: Vozes, 2002. pp. 593-594.
S. Josemaria Escrivá sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus
Quando na Sagrada Escritura se fala do coração, não se alude a um sentimento passageiro, que produz emoção ou lágrimas. Fala-se do coração para indicar a pessoa que, como nos manifestou o próprio Jesus, se orienta toda ela - alma e corpo - para o que considera o seu bem: Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração.
Por isso, quando falamos do Coração de Jesus, pomos de manifesto a certeza do amor de Deus e a verdade da sua entrega por nós. Recomendar a devoção a esse Sagrado Coração equivale a recomendar que nos orientemos integralmente - com tudo o que somos: alma, sentimentos, pensamentos, palavras e ações, trabalhos e alegrias - para Jesus todo.
Nisto se traduz a verdadeira devoção ao Coração de Jesus: em conhecer a Deus e nos conhecermos a nós mesmos, e em olhar para Jesus e recorrer a Jesus, que nos anima, nos ensina, nos guia. A única superficialidade que pode existir nessa devoção é a do homem que, não sendo integralmente humano, não consegue aperceber-se da realidade de um Deus feito carne.
Jesus na Cruz, com o coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloquente - as palavras são desnecessárias - à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas. Os homens, a sua vida e a sua felicidade, valem tanto que o próprio Filho de Deus se entrega para os redimir, para os purificar, para os elevar. Quem não amará o seu Coração tão ferido?, perguntava uma alma contemplativa, ao dar-se conta disso. E continuava a perguntar: Quem não retribuirá amor com amor? Quem não abraçará um Coração tão puro? Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o nosso Ferido, Aquele a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração. Peçamos que se digne prender o nosso coração com o vínculo do seu amor e feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente.
Pe. Fábio do Respeito Humano, CSN (Congregação dos Sem Noção)
Estes dias, alguém me comentava ter lido, neste blog, um comentário que fiz a uma antiga entrevista que o Pe. Fábio de Melo tinha dado no Programa do Jô e na qual ele pouco contribuíra para retirar os equívocos que o corpulento apresentador lançava. Eu dei um risinho - porque sempre me é dolorido criticar um padre - e acrescentei: "mas agora ele está mais quieto".
No entanto, fiquei a saber, já hoje, que o referido sacerdote, talvez com saudades das críticas a lhe ventilar o nome pelos espaços virtuais, fez um infeliz comentário sobre as agitações que têm tomado espaço nesta antiga Terra de Santa Cruz e que tratam de graves questões morais, como a aprovação da união estável entre pessoas do mesmo sexo e, agora, a busca, por parte de militantes gays, da criminalização da crítica - de que tipo for - à prática homossexual.
O Pe. Fábio, com o seu tom meloso de sempre - aparentemente sensato - mais uma vez se absteve de, no exercício do seu trabalho como padre e como apresentador de um programa televisivo supostamente católico, trazer, ainda que de modo mais ameno - vá lá! Ninguém tá pedindo que ele tenha tanta fibra quanto o Pe. Paulo Ricardo - um esclarecimento real sobre o ensino da Igreja nestas questões, como seria, aliás, o seu estrito dever. Ao contrário, Pe. Fábio parece ficar preocupado com o que possam pensar os homossexuais e, por causa disso, fala de questões jurídicas e de mil falaciosas conveniências, fazendo, porém, total abstração daquilo que é o coração da crítica religiosa à prática homossexual: ela constitui pecado grave e ofende o sagrado.
De modo contraditório, Pe. Fábio apela, repetidamente, para o cuidado com a dignidade do outro. Pra este padre, qual seria, então, a motivação que faz a Igreja lutar contra estas leis iníquas? Seria raiva gratuita? Seria capricho? Objetivamente falando, não é a prática homossexual que, neste contexto, mais fere e ofende a dignidade do ser humano? Pe. Fábio sabe mesmo que é padre? E diz que tem conversado com bispos esclarecidos. Ora, o que significará ser esclarecido para ele? Já vimos que a Igreja, com o seu discurso firme e inequívoco, parece se enquadrar, na visão do padre, naquilo que ele chama de "fanáticos". E isto porque a Igreja, para todo católico, é mestra infalível em moral! Para este padre, porém, ela parece ser só uma fanática. Pe. Fábio, portanto, se acha no direito de, enquanto a representa, mudar ou amenizar o seu discurso, substituindo-o pelo seu próprio, supostamente mais "esclarecido".
De fato, pode existir fanatismo, mesmo no meio religioso? É claro que pode! Ninguém aqui está legitimando a agressão a homossexuais ou coisas do tipo. Mas isto não significa que, no exercício da caridade, não se possa e não se deva agir com firmeza! A clareza do discurso é também questão de sinceridade! E estamos aqui, em última instância, a tratar da salvação de milhares de almas. Por isso que, do padre Fábio, como pai de almas que deveria ser, nós esperávamos uma sinceridade e firmeza maiores, menos respeito humano; enfim, menos conversa pra boi dormir.
E aí, o padre termina advertindo aos católicos - que parecem ser o grande foco de ataque dele; os gayzistas ficaram intocados. Diríamos que a atitude do Pe. Fábio prefigura a instauração do funesto PL 122/2006 que instaura a intocabilidade dos gays e lhes eleva quase à qualidade de sacrossantos objetos de culto - que cuidem para que o seu discurso não se torne um lugar de conforto. Conforto? Será confortável ficarmos sendo visados e sendo chamados de fanáticos? Será confortável sermos apontados na rua e sermos chamados de homofóbicos? Será confortável estarmos sendo ameaçados de prisão por manter uma coerência com a Fé que professamos? Ou será que não é mais confortável ir a uma televisão onde o idolatram, onde o padre faz sucesso pelas melosidades que declama, pela bela estética do seu rosto e, por fim, por ficar sempre no meio termo, sem querer se comprometer de modo claro? Quem está mesmo no lugar de conforto?
E apelando para o que o mesmo Pe. Fábio disse: se não sabe o que é a lei, não fala! Vai ler antes de fazer estrago na TV! Sacerdócio não é brincadeira! E se o Padre evoca a figura de Jesus, nós perguntamos: que Jesus será que o padre conheceu? Um Jesus romântico? Será que o padre acha que foi por querer ser amiguinho de todo mundo que Jesus foi à Cruz? Sugerimos ao padre que dê uma lida direito nos Evangelhos.
Por fim, há uns trechos de S. Josemaria Escrivá que parecem ser perfeitamente aplicáveis ao Pe. Fábio. Vão abaixo:
"Nunca queres "esgotar a verdade". - umas vezes, por correção. Outras - a maioria -, para não passares um mau bocado. Algumas, para evitá-lo aos outros. E, sempre, por covardia. Assim, com esse medo de aprofundar, jamais serás homem de critério.
Não tenhas medo à verdade, ainda que a verdade te acarrete a morte.
Não gosto de tanto eufemismo: à covardia, chamais prudência. - E a vossa "prudência" é ocasião para que os inimigos de Deus, com o cérebro vazio de idéias, tomem ares de sábios e ascendam a postos a que nunca deviam ascender.
Esse abuso não é irremediável. - É falta de caráter permitir que continue, como coisa desesperada e sem possível retificação. Não te esquives ao dever. - Cumpre-o em toda a linha, ainda que outros deixem de cumpri-lo.
Tens, como por aí se diz, "muita lábia". - Mas, com todo o teu palavreado, não conseguirás que eu justifique o que não tem justificação."
S. Josemaria Escrivá, Caminho, grifos meus
Que Deus esclareça este padre que, se tivesse um pouco do bom senso que ele recomenda aos outros, poderia fazer tanto bem...
Fábio
Restaurar e Impregnar tudo de Cristo
S. Josemaria Escrivá
Instaurare omnia in Christo, é o lema que São Paulo dá aos cristãos de Éfeso: impregnar do espírito de Jesus o mundo inteiro, colocar Cristo no âmago de todas as coisas. Si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum, quando for levantado ao alto sobre a terra, tudo atrairei a mim. Cristo, com a sua encarnação, com a sua vida de trabalho em Nazaré, com a sua pregação e milagres pelas terras da Judéia e da Galiléia, com a sua morte na Cruz, com a sua Ressurreição, é o centro da Criação, Primogênito e Senhor de toda a criatura.
A nossa missão de cristãos é proclamar essa realeza de Cristo, anunciá-la com a nossa palavra e as nossas obras. O Senhor quer os seus em todas as encruzilhadas da terra. Chama alguns ao deserto, para que se desliguem das vicissitudes da sociedade humana e, com o seu testemunho, recordem aos demais homens que Deus existe. Confia a outros o ministério sacerdotal. Mas quer a grande maioria no meio do mundo, nas ocupações terrenas. Estes cristãos devem, pois, levar Cristo a todos os ambientes em que se desenvolve o trabalho humano: à fábrica, ao laboratório, ao cultivo da terra, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e aos caminhos de montanha.
Gosto de recordar a este propósito o episódio da conversa de Cristo com os discípulos de Emaús. JEsus caminha ao lado daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, a tal ponto que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra em seus corações, comunica-lhes um pouco da vida que nEle habita. Quando, ao chegarem à aldeia, Jesus faz menção de continuar viagem, os dois discípulos retêm-no e quase o forçam a ficar com eles. Reconhecem-no depois, ao partir o pão; o Senhor, exclamam, esteve conosco. Então disseram um para o outro: Não é verdade que sentíamos o coração abrasar-se dentro de nós, enquanto nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os homens; deve viver de tal modo que à sua volta se perceba o bonus odor Christi, o bom odor de Cristo; deve agir de tal modo que através das ações do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre.
S. Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa, Homilia pronunciada em 26 de março de 1967, Domingo da Ressurreição
Quinta Feira Santa - Dia da Instituição da Eucaristia - Ele amou-nos ao extremo
S. Josemaria Escrivá
Na véspera da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Este versículo de São João anuncia ao leitor do seu Evangelho que algo de importante está para acontecer nesse dia. É um prâmbulo ternamente afetuoso, paralelo ao do relato de São Lucas: ardentemente - afirma o Senhor - desejei comer convosco esta páscoa, antes de padecer.
Comecemos desde já por pedir ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada gesto de Jesus Cristo: porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se dar a cada um de nós em alimento da alma, e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna.
A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: nós acreditamos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus. E é essa mesma fé, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a audácia de João, a aproximar-nos de Jesus e a reclinar a cabeça no peito do Mestre, que amava ardentemente os seus e, como acabamos de ouvir, iria amá-los até o fim.
Todas as formas de expressão se revelam pobres quando pretendem explicar, mesmo de longe, o mistério da Quinta-Feira Santa. Mas não é difícil imaginar em parte os sentimentos do Coração de Jesus Cristo naquela tarde, a última que passaria com os seus antes do sacrifício do Calvário.
Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre juntas, mas o dever - seja ele qual for - obriga-as a afastar-se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar que o papel não arda. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não vai tão longe quanto o seu querer.
Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples presente que nos evoque a sua memória, uma imagem que tenda a diluir-se com o tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.
Como compreendemos agora o clamor incessante dos cristãos, em todos os tempos, diante da Hóstia santa! Canta, ó língua, o mistério do Corpo glorioso e do Sangue precioso que o Rei de todos os povos, nascido de Mãe fecunda, derramou para resgate do mundo. É preciso adorar devotamente este Deus escondido. Ele é o mesmo Jesus Cristo que nasceu de Maria Virgem; o mesmo que padeceu e foi imolado na Cruz; o mesmo de cujo peito trespassado jorraram água e sangue.
Este é o sagrado banquete em que se recebe o próprio Cristo, se renova a memória da sua Paixão e, por meio dEle, a alma chega a um convívio íntimo com o seu Deus e possui um penhor da glória futura. Assim resumiu a liturgia da Igreja, em breves estrofes, os capítulos culminantes da história da caridade ardente que o Senhor nos dispensa.
o Deus da nossa fé não é um ser longínquo, que contemple com indiferença a sorte dos homens, os seus anseios, lutas e angústias. É um Pai que ama os seus filhos até o extremo de lhes enviar o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para que, pela sua encarnação, morra por eles e os redima; o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente a si, mediante a ação do Espírito Santo que habita em nossos corações.
A alegria da Quinta-Feira Santa nasce daí: de compreendermos que o Criador se excedeu no carinho pelas suas criaturas. E como se não bastassem todas as outras provas da sua misericórdia, Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu a Eucaristia para que pudéssemos tê-lo sempre junto de nós e porque - tanto quanto nos é possível entender -, movido pelo seu Amor, que de nada necessita, não quis prescindir de nós. A Trindade enamorou-se do homem, elevado à ordem da graça e feito à sua imagem e semelhança, redimiu-o do pecado - do pecado de Adão, que recaiu sobre toda a sua descendência, e dos pecados pessoais de cada um - e deseja vivamente morar em nossa alma: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele, e nele faremos a nossa morada.
S. Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa.
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