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Feliz Natal e Feliz Ano Novo - Que 2012 seja um ano santo!

É Ele quem faz a terra girar e quem a sustenta...

E chegamos ao último dia do ano. Só mais um pouco e estaremos em 2012, o ano do fim do mundo (hahaha)... Alguns já lerão esta postagem depois da transição.

Muitas pessoas na blogosfera têm feito os seus tradicionais votos de um ano feliz e próspero e tal. Eu, particularmente, não me comovo muito com estes festejos de fim de ano. Reconheço, no entanto, a sua legitimidade. Mas, a princípio, parece-me estranho que, embora estejamos ainda na oitava de Natal, ninguém mais pareça lembrar. Mas isto é muito ilustrativo.

Como se sabe, nós, católicos, costumamos lutar contra o pecado, contra os erros, contra as falsas filosofias, etc. Todos estes inimigos têm em comum o fato de serem produzidos a partir da nossa soberba, do nosso egoísmo, da satisfação de nós mesmos. O que é o pecado senão isso? O que são as falsas filosofias imanentistas senão a renúncia à transcendência para que o indivíduo assuma o centro da existência e se explique a partir de si mesmo?

Nós só chegamos a um nível tão profundo de decadência quando excluímos do nosso horizonte o campo da metafísica ou das realidades transcendentes. Cortamos da nossa vida a dimensão do mistério e do absoluto. Tendo-o feito, não nos resta mais senão absolutizar o efêmero, o curso da história, o processo do devir. Trocamos Deus pelo tempo. Eis Marx, eis Freud, eis Darwin.

E eis o ano novo... Esquecemos o menino de Belém e celebramos a mera transição cronológica impessoal. Na nossa superstição de divinizarmos o que não é divino, até chegamos a vestir branco como se isto fosse resultar em qualquer efeito mágico no futuro curso dos eventos. Deus, se não é absolutamente posto de lado, torna-se algo acidental, secundário, ritual, de tradição, reduzido ao costume, isto é, submetido ao tempo. A Missa de ano novo é assistida por costume, porque todo ano tem...

"Não terás outros deuses diante de Mim", disse uma vez o Deus ciumento. E na substituição do Absoluto pelo tempo, terminamos por aviltar a nossa própria condição, que é a de sermos indivíduos eternos, altas imortais.

Feitas estas precauções, desejo, eu também, um feliz Ano Novo a todos, desde que fique entendido que esta felicidade não provém da novidade do ano, mas somente pode ser dada por Nosso Senhor, o Deus Verdadeiro, Aquele que transcende o Tempo, sendo este apenas uma criatura Sua. 

Que neste novo ano, Deus possa nos dar forças para renovar também a nossa vida, pondo-a sob a sombra da eternidade. Consideremos que um novo ano, ou um novo tempo, é sempre uma nova oportunidade para que nos emendemos e nos tornemos melhores, mais puros, mais bondosos, mais santos.

Sobre isto, meditava o Gustavo Corção: 

"A vida é longa de mais. Ou será o tempo uma frase e a repetição dos dias e dos anos um sinal de divina paciência, duma paciência que espera resposta e não cansa de chamar? Mas ninguém ouve e cá estamos..."

Escutemos o apelo que Deus nos faz neste passar dos anos, nesta Santa Missa de hoje, e no decorrer dos dias. Busquemos, caríssimos, primeiramente e até unicamente o agrado divino; conformar a nossa vida com Ele é o mais importante. Se o fizermos, como Ele mesmo disse, tudo o mais virá por acréscimo.

Deixemos, enfim, as superstições, quaisquer que sejam. Que a Virgem Santíssima nos ensine a ter um coração que adore somente ao Verbo divino. Eis a vida nova que devemos ter. Que Nosso Senhor, pela intercessão de Maria Santíssima, no-la conceda.

"Quem perseverar até o fim será salvo", isto é, quem não se curvar ao tempo.

Feliz Natal. Feliz Ano Novo.

Que Deus nos abençoe e guarde a todos. 

Ad Iesum Per Mariam

Fábio

Fim de ano e o costume de Indispor-se com os outros


No Natal e Fim de Ano, mesmo para quem não é cristão, parece haver qualquer coisa de terno a invadir o mundo. Quem ficar sóbrio há de perceber.

E um dos temas mais frequentes que nessa época surgem nas conversações é o da reconciliação, do perdão e da paz que muitos tentam evocar e até supersticiosamente produzir pelo simples fato de vestir branco.

Pois bem. Acontece que nós vivemos numa sociedade que é profundamente egocêntrica. Não é de nenhum modo difícil encontrarmos livros e teorias que, não obstante sejam as mais variadas, trazem o traço comum de estarem fundamentadas sobre o umbigo dos seus autores. Basta acompanhar minimamente as intensas manifestações nas redes sociais para toparmos com todo tipo de filosofia pessoal onde o sujeito se coloca como o centro do universo, o ser mais importante de todos, como se todos os demais indivíduos estivessem contra ele e fosse seu dever defender-se e auto-promover-se. Temos, então, uma sociedade formada por pessoas preocupadas antes de tudo consigo mesmas.

Num ambiente assim, surge um costume a meu ver profundamente infantil e que consiste em facilmente se indispor com outras pessoas. Qualquer discordância ou qualquer atrito resulta em intriga e aquela amizade, talvez já de longa data, desfaz-se por capricho, por vaidade, por um ego ferido que, para restabelecer-se, recorre ao término da relação. Isto é muito revelador... A amizade, em todos os tempos, sempre foi muito exaltada e tida como algo de grande valor. "Encontrar um amigo é encontrar um tesouro", dizemos. No entanto, ela costuma ser abandonada por motivos fúteis. Tal fenômeno é sintomático da mediocridade que invadiu as almas e que termina por banalizar tudo. Os amigos são mantidos somente enquanto nos proporcionam prazer e bem-estar. Tão logo nos espetem, acabarão por ser abandonados. Uma sociedade assim, obviamente, não terá da amizade qualquer dimensão.

É mais ou menos o que aconteceu com a alegria. Hoje ela se encontra profundamente escassa. É difícil vê-la por aí, pois, em seu lugar, os homens puseram o prazer e este manipulado de todas as formas para que possa ser prolongado e intensificado. Deste modo, as pessoas perderam o senso da alegria gratuita. E, para disfarçar a angústia e a tristeza, recorrem novamente a altas doses de prazer. Os vícios não são outra coisa. Thomas Merton escreve a este respeito: "se não sabes a diferença entre prazer e alegria, sequer começaste a viver".

Pois bem. E falamos em reconciliação no fim do ano. Difícil, não? Talvez o que precisemos seja mudar a nossa compreensão sobre a natureza da amizade. Para isto, temos de abandonar esta imatura e torpe "filosofia do ego". Nós precisamos descobrir urgentemente que não somos o que de mais importante há no universo. Uma ofensa contra nós não é um sacrilégio. Por diversas vezes estaremos errados e um amigo que se preze será sincero em nos mostrar o nosso erro, se necessário.  Nós não devemos abandonar esses tesouros. Não importa o quanto nosso ego reclame; mandemos ele - o ego - plantar batatas. O que importa é a verdade e o bem.

Se amarmos a verdade e o bem, poderemos construir relações sólidas e duradouras, pois a verdade e o bem são universais, isto é, existem em todo lugar e a todo o tempo; são absolutamente estáveis. Poderemos intervir na vida de nosso amigo ou permitir-lhe intervir na nossa sem que isto resulte em briga. Digo e repito: esse costume de ficar intrigado é um negócio infantil. Nós, humanos, somos sujeitos difíceis e muitos de nós somos cheios de frescuras. Mas as frescuras não somos nós; nós não somos o nosso capricho. A amizade tem de ter um fundamento mais profundo do que a epiderme das vaidades e da imagem. Se cultivarmos uma amizade tendo isto em vista, é óbvio que não abriremos mão dela na primeira incompreensão.

Se nos dizemos cristãos, então, esta obrigação se avoluma. Cristo morreu por nós quando ainda éramos seus inimigos e perdoou a enormidade dos nossos crimes. Se não perdoamos a outra pessoa e dela guardamos mágoa, ainda quando nos dá mostras de arrependimento embora não tenha tido a coragem de desculpar-se claramente, é sinal de que pouco conhecemos a nossa própria miséria. Nós somos muito tolerantes conosco mesmos. E, no entanto, nos dizemos cristãos e seguidores do Cristo. Rezamos diariamente o "perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos ofende", e escutamos com relativa frequência o que disse Nosso Senhor: "antes de levar as tuas oferendas, reconcilia-te com teu irmão".

Nem é preciso repetir esses conselhos de Jesus. Todos nós provavelmente já os conhecemos. O que, no entanto, nos impede de ver é o nosso orgulho. Eis aí o nosso inimigo, a trave no nosso olho. Detectado o alvo que precisamos combater, mãos à obra. Não é o outro que eu devo pisar, mas o meu próprio egoísmo, a minha própria soberba. Ser cristão é assumir a disposição de colocar-se em último lugar e de oferecer a outra face, de abrir mão das próprias vontades e caprichos, de crucificar-se, como dizia S. Paulo, com as próprias paixões e concupiscências.

Para terminar, eu quero contar um breve acontecido que se deu num dos primeiros conventos do Carmelo Descalço, onde residiam S. João da Cruz e um outro irmão já de idade. Indo visitar o mosteiro, Sta Teresa D'Avila avistou ao longe este outro irmão a varrer a frente do convento com uma vassourinha bem humilde. Aproximando-se do tal monge idoso, a santa perguntou: "Oh irmão, onde está a vossa honra?", ao que ele respondeu: "Maldito o dia em que a tive".

Pensemos nisto. Este tipo de "honra", referente à preocupação que temos com a nossa imagem, em não passar por baixo, é o que nos tem afastado por vezes de um bem mais profundo; é o que nos tem tirado talvez pessoas amadas do nosso convívio.

Bem, isto tudo se aplica quando somos nós os ofendidos. Diferente é o caso quando o ofendido é Deus. Nestas situações e em caso de obstinação, por vezes o afastamento será legítimo.

O orgulho tem me tirado
O que o amor me tinha deixado
Vou aprender ao meu ego abaixar
Pra que a alma se possa elevar
Só saberei o que é ter Jesus Cristo
Se compreender o que é ser um amigo.

Fábio

Feliz Natal - Algumas Meditações


E estamos, novamente, às portas do Natal. O menino Deus, o Rei de Israel, o desejado das nações, virá. A estrela já lhe anuncia a chegada. Os reis já rumam ao seu encontro e os pastores daqui a pouco ouvirão o canto dos anjos.

Aquele de quem se falou que iria reger com cetro de ferro e que iria restaurar o reino de Israel vem ao mundo como uma criança indefesa, inofensiva, pobre. Buscarão um lugar para que ele nasça com algum conforto e dignidade, mas não encontrarão sequer o mais modesto quartinho. Quem imaginaria que o aparente caos do improviso seria, antes, uma escolha d'Ele?

"Não há lugar aqui para vós", foi o que escutou dos homens ocupados com suas coisas. Encontrará abrigo sob a vigília dos animais, do boi e do burro que, diferentemente dos homens, conhecem o presépio do seu Senhor. (Isa 1,3)

Ei-Lo exposto ao frio, na nudez de Sua pobreza, sem um berço ou uma cama Aquele que não terá onde reclinar a cabeça e cujo trono será uma cruz. Eis Aquele de Quem Francisco chorava: "o Amor não é amado".

Nós somos, nesta festa misteriosa, chamados a acercar-nos da sua manjedoura. Mas para fazê-lo, espera-se que encaremos com profundidade o que aqui acontece. Costumamos dizer que o Natal é um tempo de festa - e o é - mas isto parece legitimar o nosso riso fácil, a nossa dispersão, o nosso superficialismo.

Porém, a alegria de que aqui se fala surge dentro da alma, da contemplação detida da presença dAquele que veio para nos salvar. Deveria ser uma alegria extasiante, mas a maioria de nós compreende muito pouco a sublimidade deste evento.

Devemos nos ater a algumas coisas:

Quando Ele vier, nós não O reconheceremos se, antes, não nos tivermos esvaziado das nossas suposições a Seu respeito. Tampouco lhe daremos abrigo se não aprendermos a parar o fluxo frenético das nossas preocupações e da satisfação dos nossos interesses. "Cessai e vede que eu sou Deus"  (Sl 45,11)

Assim como os reis magos, é preciso que saiamos de nossa própria terra, isto é, dos nossos interesses pessoais, do nosso "mundinho", e viajemos e trabalhemos e tenhamos algum cansaço em procurá-Lo. "Sofrer pelo Amado é melhor que fazer milagres", escrevia S. João da Cruz. Neste percurso, o que nos guiará é a luz obscura da Fé e a sede da fonte que o deserto desperta. Ao encontrá-Lo, deveremos também Lhe entregar os três presentes: o incenso, reconhecendo que aquele menininho frágil é Deus Soberano; o ouro, testemunhando que o pequeno ser é Rei verdadeiro e absoluto ao qual nos submetemos inteiramente; e a mirra, compreendendo o mistério da Sua vida à luz da Cruz e oferecendo a Ele os nossos trabalhos e fadigas para sermos menos indignos de Sua Majestade.

Assim como os pastores, devemos acorrer a Ele na nossa pobreza, na nossa humilde condição e compreender que Ele é, na verdade, o verdadeiro Pastor, Aquele que veio para nos atrair a Si, nós que andávamos desgarrados e perdidos, cada um em seu próprio caminho. (Isa 53,6)

E há aqui uma questão fundamental: muitos de nós nos aproximamos d'Ele como se fosse um ser inerte, uma imagem de gesso ou somente um infante que nada sabe. E, no entanto, estaremos diante de Deus. Isto é algo aterrador! Jacó, ao acordar do seu sonho, afirmou abismado: "que terrível é este lugar; é nada menos que a casa de Deus!". Com muito maior razão deveríamos repetir exclamação semelhante: "Que terrível é este menino; é nada menos que Deus Onipotente!" Triste é saber que muitas das nossas visitas ao Presépio são marcadas pela banalidade.

Jesus menino, ainda que não saiba falar, é Aquele que tudo sabe. S. Josemaría Escrivá, sobre isto, dizia: 

"Diante do Presépio, sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos, sobre a palha de uma manjedoura; e, enquanto ainda é Menino e não diz nada, vê-lo já como Doutor, como Mestre. Preciso considerá-lo assim, porque tenho que aprender dEle."

Vê-Lo é deixar-se ver. Contemplar a nudez do pequeno Deus é expor a nossa própria nudez. O olhar de Cristo nos transpassa e penetra até o fundo. Aqui está um dos pontos que mais me tocam: não sei como não ficar constrangido diante d'Ele. Vê-Lo significa contrastar com Ele, a Humildade Encarnada, a minha vida marcada pela soberba e os meus caprichos egoístas. É contemplar o mistério da sua Kenose, do seu rebaixamento, a partir do falso alto da minha presunção. E Ele me vê a fundo. Como não ficar constrangido? "O amor de Cristo me constrange" (II Cor 5,14)

Este mesmo olhar, anos depois, incidirá sobre Pedro quando da sua negação. Jesus o olhará nos olhos e Pedro, sem poder recorrer a subtefúrgios, sem quaisquer outras máscaras sob as quais pudesse defender-se, absolutamente nu diante dEle, só pôde romper em choro por ter abandonado o seu Mestre. Quisera que o olhar do divino Infante produzisse efeito semelhante em nós que O contemplaremos. Quisera antes as lágrimas de amor do que o sorriso forçado de uma convenção.

Muito comovente, porém, é ver que, mesmo diante dos meus crimes, Ele não hesitou. Veio a mim e expôs-se. Conhecendo-me até a medula dos ossos, parecia antecipar-se ao meu constrangimento e dizer-me nos seus vagidos: "não temas". Foi o amor que O trouxe a uma terra estranha, onde experimentará a dor e a morte. Foi o amor que O levou à total entrega de Si mesmo para que, por fim, Ele pudesse garantir-me um lugar ao Seu lado. "Onde eu estou, quero que eles também estejam", dirá Ele em súplica ardente ao Seu Pai. 

Por fim, temos de amar o infinito amor humilhado. O amor implica imitação do amante com relação ao amado. Se amamos ao menino Jesus que é, nos termos de Sto Afonso, "excessivamente amável" no presépio, teremos de imitá-Lo. Se Ele se esvaziou, devemos nos esvaziar de nós mesmos. Se Ele se fez pequeno, devemos nos rebaixar para adorá-Lo. Se Ele, que repousava no Seio do Pai, humilhou-se até o ponto de chorar numa noite ao relento, não devemos ficar presos aos limites do nosso conforto. É preciso sair, enfrentar o frio da vigília ao relento e estar com Ele.

Imitá-Lo é abraçar a Sua pobreza, é querer unir-Se a Ele em amor perfeito. Se compreendêssemos bem estas coisas, a alegria do Natal brotaria naturalmente no íntimo da nossa alma e os nossos sorrisos denunciariam aquilo que S. Francisco definiu tão bem: "o cristão é alguém que não consegue esconder a sua alegria por ter descoberto tão precioso tesouro".

É esta alegria que eu desejo a todos os amigos do GRAA, a todos os leitores deste blog e a todos os seus familiares. Que a Virgem Santíssima nos conduza à contemplação deste adorável mistério e que, por suas mãos, o Cristo infante infunda nas nossas almas o fogo do amor cujo ateamento foi sempre o Seu único desejo.

Feliz Natal.

Fábio Graa.

O Verbo eterno de grande se fez pequeno - queria ser amado, não temido - Sto Afonso



Parvulus natus est nobis et Filius datos est nobis.
Nasceu-nos um Menino e foi-nos dado um filho (Is 9,6)

Platão dizia que o amor atrai amor: Magnes amoris, amor. Daí o provérbio citado por S. João Crisóstomo: Se queres ser amado, ama. De fato, o mais seguro de cativar-se o afeto duma pessoa, é amá-la e dar-lhe a entender que é amada.

Mas, Jesus meu, essa regra, esse provérbio é para os outros, para todos os outros e não para vós. Os homens são gratos para com todos, menos para convosco. Não sabeis o que mais fazer para testemunhar aos homens o amor que lhes tendes; nada mais vos resta a fazer para conquistardes o coração dos homens. E quantos são os que vos amam? Ah! a maior parte, digamos melhor, quase todos não só não vos amam, mas nem sequer vos querem amar. Ainda mais: vos ofendem e desprezam.

Queremos também nós ser do número desses ingratos? Oh! não, que não o merece esse Deus tão bom, tão amante que, sendo grande, e duma grandeza infinita, quis fazer-se pequeno para ser amado por nós. - Peçamos a Jesus e Maria nos esclareçam.

Para se compreender qual foi o amor que determinou a um deus fazer-se homem e criancinha em favor dos homens, seria preciso ter uma idéia da grandeza de Deus. Mas que homem ou que anjo poderia compreender a grandeza divina que é infinita?

Segundo S. Ambrósio, dizer de Deus que ele é maior que os céus, que todos os reis da terra, que todos os santos é fazer-lhe injúria, como seria injuriar a um príncipe o dizer que ele é maior do que um calamo de erva ou uma mosca. Deus é a grandeza mesma, e toda a grandeza é apenas uma mínima parcela da grandeza de Deus.

Considerando essa divina grandeza, convencido de sua absoluta incapacidade para compreendê-la, Davi exclamou: "Senhor, onde encontrar uma grandeza comparável à vossa?" De fato, como poderia uma criatura, cuja inteligência é finita, compreender a grandeza de Deus, a qual não tem limites?: Grande é o Senhor, cantava o mesmo profeta; ele é digno de todo o louvor, e sua grandeza é infinita. - Não sabeis, disse Deus aos judeus, que eu encho o céu e a terra? De sorte que para falarmos segundo o nosso modo de entender, não passamos de atomozinhos imperceptíveis nesse imenso oceano da essência divina. Dizia o apóstolo: "Nele temos a vida, o movimento e o ser".

Que somos nós em relação a Deus? Que são todos os homens, todos os monarcas da terra, e mesmo todos os santos e todos os anjos do céu diante da infinita grandeza de Deus? Somos menos que um átomo relativamente ao mundo inteiro; e para falarmos como Isaías, todas as nações são na presença de Deus como a gota d'água suspensa no bordo do vaso, como o peso que faz pender apenas a balança; e todas as ilhas não são senão um pouco de pó; numa palavra, todo o universo é diante dele como se não existisse.


Ora esse Deus tão grande se fez criança, e para quem? Por nós: Nasceu-nos um Menino, disse ainda Isaías. Mas para que fim? S. Ambrósio responde: "Fez-se pequeno para nos tornar grandes: quis ser envolvido em paninhos para nos livrar das cadeias da morte; desceu à terra a fim de que pudéssemos subir ao céu".

Eis pois o Ser imenso feito criança; Aquele que os céus não podem conter, ei-lo enfeixado em pobres paninhos, e deitado num presépio estreito e grosseiro, sobre um pouco de palhas que lhe servem de leito e de travesseiro! S. Bernardo exclama: vinde ver um Deus que pode tudo, preso em paninhos de sorte a não poder mover-se; um Deus que sabe tudo, privado da palavra; um Deus que governa o céu e a terra, necessitando ser carregado nos braços: um Deus que nutre todos os homens e todos os animais, precisando dum pouco de leite para viver; um Deus que consola os aflitos, que é a alegria do paraíso, e que chora, que geme e que procura quem o console!

Em suma, diz S.Paulo que o Filho de Deus vindo à terra se aniquilou a si próprio. E por que? Para salvar o homem e para ser por ele amado. "Meu divino Redentor, exclama S. Bernardo, na medida que vos abaixastes fazendo-vos homem e criança brilharam a misericórdia e o amor que nos mostrastes a fim de ganhar os nossos corações."

Embora os Hebreus tivessem claro conhecimento do verdadeiro Deus que se lhes manifestara por tantos milagres, não estavam satisfeitos. Queriam vê-lo face a face. Deus achou o meio de contentar também esse desejo dos homens. Tomou a natureza humana e tornou-se visível a seus olhos, diz S. Pedro Crisólogo. E para melhor se insinuar aos nossos corações, continua o mesmo Santo, quis mostrar-se primeiro como uma criancinha, porque nesse estado ele devia parecer-nos mais grato aos nossos afetos. Sim, acrescenta S. Cirilo de Alexandria, ele se abaixou à humilde condição duma criancinha a fim de se tornar mais agradável aos nossos corações. Era esse, com efeito, o meio mais próprio para se fazer amar.

O profeta Ezequiel tinha pois razão de dizer, ó Verbo encarnado, que a época da vossa vinda à terra devia ser o tempo do amor, o tempo dos que amam. E com efeito por que outro motivo Deus nos amou tanto e nos deu tantas provas de seu amor, se não para ser amado por nós? Deus só ama para ser amado, diz S. Bernardo. Aliás o Senhor mesmo o declarou desde o início: E agora, ó Israel, que é o que o Senhor teu Deus pede de ti se não que o temas... e o ames? (Dt 10,12).

Para obrigar-nos a amá-lo, Deus não quis confiar a outrem o negócio de nossa salvação, mas quis fazer-se homem e vir resgatar-nos em pessoa. S. João Crisóstomo faz uma bela observação sobre a expressão de que se serve S. Paulo ao falar desse mistério; Ele nunca tomou a natureza dos anjos, mas tomou a carne dos filhos de Abraão. Por que, pergunta ele, não diz o apóstolo simplesmente que Deus se revestiu da carne humana, mas que a tomou como que à força, segundo a significação própria do vocábulo Apprehendit? E responde: disse assim por metáfora, para explicar que Deus desejava ser amado pelo homem, mas o homem lhe voltara as cotas e não queria reconhecer o amor que Deus lhe tinha.

Eis porque desceu do céu e tomou um corpo humano para se fazer conhecer e amar, como que à força, pelo homem ingrato que dele fugia.

É por isso que o Verbo Eterno se fez homem, e é também por isso que Ele se fez criança. Ele poderia apresentar-se sobre a terra como homem feito à semelhança do nosso primeiro pai Adão, mas o Filho de Deus preferiu mostrar-se ao homem sob a forma duma graciosa criança, a fim de ganhar mais depressa e com mais força o seu coração. As crianças são amáveis por si mesmas e atraem o amor de quem as vê. o Verbo divino fez-se menino, diz S. Francisco de Sales, a fim de conciliar o amor de todos os homens.


Ouçamos S. Pedro Crisólogo: "Não é por ventura desse modo que deveria vir a nós Aquele que queria banir o temor e fazer reinar o amor? Que alma haverá tão feroz que se não deixe vencer pelos encantos dessa criança? Que coração tão duro que não se enterneça à sua vista? E que amor não exige Ele de nós? Assim pois quis nascer Aquele que queria ser amado e não temido". O Santo Doutor nos faz compreender que, se o divino Salvador quisesse, vindo ao mundo, fazer-se temer e respeitar pelos homens, ter-se-ia apresentado sob a forma dum homem perfeito e cercado da dignidade régia. Mas, como procurava apenas ganhar os nossos corações, quis aparecer no meio de nós como uma criança e como a criança mais pobre e humilde, nascida numa fria gruta entre dois animais, colocado sobre a palha num presépio, sem lume e envolta em paninhos insuficientes para defendê-la do frio: Assim quis nascer Aquele que queria ser amado e não temido! Ah! Meu Senhor e meu Deus, quem pois vos obrigou a descer do trono dos céus, para nascerdes num estábulo? Foi o amor que tendes aos homens! Quem vos arrancou da destra do Pai Eterno, onde estais assentado, e vos deixou numa vil manjedoura? Vós que reinais sobre a abóbada estrelada, quem vos estendeu sobre a palha? Quem do meio dos anjos vos fez residir entre dois animais? Foi o amor. Vós abrasais os serafins, e tremeis de frio! Vós sustendes o céu, e é preciso que vos levem nos braços! Vós nutris homens e animais, e tendes necessidade dum pouco de leite para vos sustentar! Vós sois a felicidade dos Santos, e eu vos ouço chorar e gemer! Quem pois vos reduziu a tão grande miséria? Foi o amor: Assim quis nascer Aquele que queria ser amado, e não temido!

Amai, pois, almas cristãs, exclama S. Bernardo, amai essa criança que é tão amável! "Grande é o Senhor, merece louvores infinitos; pequeno é o Senhor, merece infinitamente nosso amor." Sim, diz-nos ele, esse Deus era desde toda a eternidade, como o é ainda agora e sempre, digno de todo o louvor e respeito por sua grandeza, como já cantou Davi: grande é o Senhor, e muito digno de louvor. Hoje porém que o vemos feito menino, necessitado de leite, sem se poder mover, tremendo de frio, vagindo, chorando, procurando quem o pegue, aqueça e console; ah! como é amável e caro aos nossos corações. O Senhor é pequeno e excessivamente amável!

Devemos adorá-lo como Deus, mas o nosso amor deve igualar à nossa veneração para com um Deus tão amável e tão amante.

"Uma criança, observa S. Boaventura, gosta de achar-se entre crianças, no meio de flores e nos braços dos que a amam". Se quisermos comprazer ao divino Infante, quer dizer o Santo, devemos tornar-nos crianças com ele, isto é, simples e humildes; levar-lhes flores das virtudes, mormente as da mansidão, da mortificação, da caridade; tomá-lo em nossos braços com amor.

"Que queres mais, ó homem, acrescenta S. Bernardino de Sena, que esperas ainda para te dares sem reserva a teu Deus? Considera as penas que Jesus sofre por ti; vê com que amor esse terno Salvador desceu do céu para te procurar. Não ouves os seus gritos, os seus vagidos infantis? Apenas nascido, dirige-se a ti; escuta como ele te chama com seus vagidos: Ó alma a quem amo, parece dizer-te, eu te procuro; é por amor de ti, para obter o teu amor que vim do céu à terra."

Ó Deus, os próprios animais, quando lhes fazemos algum benefício, quando lhes damos alguma coisa, mostram tanto reconhecimento! Vêm a nós, obedecem-nos a seu modo como sabem, testemunham-nos alegria ao ver-nos. E nós, como podemos ser tão ingratos para com Deus, que se deu a nós, que desceu do céu à terra, se fez menino para nos salvar e ser de nós amado? Amemos pois o Menino de Belém! exclama o seráfico S. Francisco. Amemos a Jesus Cristo que com tanto empenho procurou ganhar os nossos corações!

Sto Afonso de Ligório, Nascimento e Infância de Jesus Cristo

A Sombra da Cruz sobre o Presépio: Natal, Eucaristia, Abandono em Deus, Paixão e Ressurreição


Edith Stein

"E o Verbo se fez carne". Isto se tornou realidade no estábulo de Belém. Mas cumpriu-se ainda de outra maneira. "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, este terá a vida eterna." O Salvador que sabe que somos e permanecemos humanos, tendo que lutar dia após dia, com fraquezas, vem em auxílio da nossa humanidade de maneira verdadeiramente divina. Assim como o corpo terrestre precisa do pão cotidiano, assim também a vida divina em nós precisa ser alimentada constantemente.

"Este é o pão vivo que desceu do céu". Quem come deste pão todos os dias, neste se realizará, diariamente, o mistério do Natal, a Encarnação do Verbo. E este, certamente, é o caminho mais seguro, para se tornar "um com Deus" e de penetrar dia a dia de maneira mais firme e mais profunda no Corpo Místico de Cristo.

Eu sei que para muitos pode parecer um desejo por demais radical. Para a maioria, isto significa começar de novo, uma reorganização de toda a vida interna e externa. Mas deve ser assim! Na nossa vida deve se criar espaço para o Cristo eucarístico, para que Ele possa transformar a nossa vida na Sua vida: será que exigir demais?

A gente tem tempo para tantas coisas fúteis, tantas coisas inúteis: ler livros, revistas, jornais, frequentar restaurantes, conversar na rua 15 ou 30 minutos, tudo isto são "dispersões", onde esbanjamos tempo e força. Não se poderá reservar uma hora pela manhã para se concentrar e ganhar força para enfrentar o resto do dia?

Mas, na verdade, é necessário mais que uma hora. Devemos viver de tal maneira, que uma hora se suceda à outra e estas preparem as que vierem. Assim, não será mais possível "deixar-se levar" mesmo temporalmente pelo afã do dia. Com quem se vive diariamente, não se pode desconsiderar o seu julgamento. Mesmo sem dizer palavras, percebemos como os outros nos consideram. Tentamos nos adaptar conforme o ambiente e, se não conseguimos, a convivência se torna um tormento. Assim também acontece na comunicação diária com o Senhor. Tornamo-nos cada vez mais sensíveis àquilo que Lhe agrada ou desagrada. Se antes, estávamos mais ou menos contentes com nós mesmos, agora isto se torna diferente. E descobriremos em nós muita coisa que precisa ser melhorada (...). Assim nos tornaremos pequenos, humildes, pacientes e condescendentes com o "cisco no olho de nosso próximo", pois a "trave" no nosso olho nos incomoda. Finalmente, aprenderemos a aceitar-nos tal qual somos à luz da presença divina e a nos entregar à divina misericórdia, que poderá vencer tudo aquilo que está além de nossas forças.

Da auto-suficiência de um "bom católico" que "cumpre com seus deveres", que "lê um bom jornal" e "vota certo", etc. - mas que, no entanto, pratica o que ele bem quer - há um longo caminho até chegar a viver na mão de Deus e da mão de Deus, na simplicidade da criança e na humildade do cobrador de impostos. Mas quem uma vez andou, não voltará atrás. Assim, filiação divina quer dizer: tornar-se pequeno e, ao mesmo tempo, tornar-se grande. Viver da eucaristia quer dizer: sair, espontaneamente, da estreiteza da própria vida e penetrar na amplitude da vida de Cristo. Quem visita o Senhor na sua casa não quer se ocupar sempre e somente com seus problemas. Vai começar a interessar-se pelas coisas do Senhor. A participação no sacrifício diário nos leva livremente à totalidade litúrgica. As orações e os ritos do culto divino nos apresentam, no correr do ano litúrgico, a história da salvação diante da nossa alma, deixando penetrar-nos sempre mais profundamente de sentido.

E a ação sacrificial nos impregna sempre de novo o mistério central da nossa fé, o ponto angular da história universal: o mistério da Encarnação e Redenção. Quem poderia com coração aberto participar do santo sacrifício  sem ser tomado pelo desejo dele mesmo e com sua pequena vida pessoal se integrar na grande obra do Salvador? Os mistérios do cristianismo são um todo indiviso. Quando nos aprofundamos num deles, somos conduzidos para todos os outros. Assim, o caminho de Belém conduz, seguramente, para o Gólgota; do presépio para a Cruz. Quando a bem-aventurada Virgem levou a criança para o templo, foi-lhe profetizado que uma espada atravessaria a sua alma, e que esta criança seria a causa da queda e do reerguimento de muitos; um sinal de contradição. É o anúncio da paixão, da luta entre a luz e treva, que já se manifesta no presépio.

Em alguns anos a apresentação do Senhor coincide com a septuagésima, a celebração da encarnação e a preparação para a paixão. Na noite do pecado brilha a estrela de Belém. No esplendor da luz, que sai do presépio, cai a sombra da cruz. A luz se apaga nas trevas da sexta-feira santa, mas se levanta com mais fulgor, como sol da graça, na manhã da ressurreição. Através da cruz e da paixão para a glória da ressurreição, foi o caminho do Filho de Deus encarnado.

Chegar com o Filho do homem, pela paixão e morte à glória da Ressurreição, é o caminho de cada um de nós, por toda a humanidade.

Sta Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), O Mistério do Natal

Dia de S. João da Cruz, Doutor da Igreja


Hoje é dia de S. João da Cruz, Místico e doutor da Igreja, meu grande santo de devoção, meu pai espiritual. Este dia me é muito significativo. Costumo dizer aos amigos que é como um segundo aniversário, rs...

Esta tarde, estarei ocupado e penso que só poderei fazer outras postagens a respeito à noite. Fica, por ora, a minha recomendação da leitura e do estudo da espiritualidade sanjuanista.

Aqui vocês poderão encontrar as postagens deste blog que tratam da mística do grande Doutor da Noite.

Deixo-vos com uma pequena glosa composta pelo santo e recitada no mosteiro de Granada, no tempo do Natal, quando aí era prior.

Do Verbo divino
A Virgem prenhada,
Segue de caminho:
Pede-vos pousada!

Até...

Jesus Cristo é Rei


"Eu sou Rei
Para isto nasci: para dar testemunho da verdade. 
Todo aquele que pertence à verdade escuta a minha voz" (Jo XVIII, 37)

08 de Setembro - Nascimento da Virgem Santíssima


Hoje, dia 08 de setembro, celebramos o dia mil vezes feliz do nascimento da Virgem Maria, aquela que viria a ser a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, a Mãe de Deus.


Como católicos, é importante que conheçamos algumas verdades fundamentais sobre a Virgem Maria. Primeiramente, que a devoção a ela não é algo facultativo, isto é, não é opcional. Para todo legítimo católico, a devoção à Mãe de Deus é uma necessidade. Neste sentido, diz S. João Damasceno: "Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar."

A Virgem Maria foi naturalmente escolhida por Deus e por Ele revestida de todas as virtudes. Ela não é deusa, mas foi eleita pelo próprio Deus para colaborar intimamente na Sua obra de Salvação. Para tal, Deus a fez sem mancha, isto é, isenta de todo pecado. Imaculada desde a concepção, Maria irradiou pureza e amor a Deus por toda a vida. Na sua alma, sequer se insinuou algum movimento de revolta. Sua Fé, perfeitíssima, superou a de Abraão. Veio Maria ao mundo para desfazer o nó da antiga Eva. Enquanto esta, pela sua desobediência, deu ao mundo o fruto da morte e da corrupção, Maria daria aos homens o fruto da vida, Jesus Cristo, Senhor nosso.

Maria não teve qualquer doença e, uma vez chegado o momento de dar à luz, Ela não sentiu as dores do parto, pois estas coisas eram consequências do pecado original, do qual ela fora preservada desde o início. Toda a Sua vida foi um contínuo "faça-se" a Deus, uma submissão perfeita e amorosa que elevava-se como perfume suavíssimo ao céu, contrastando absolutamente com a rebelião dos infernos.

Neste dia, nasce Aquela que, segundo fora prenunciado, esmagará a cabeça da antiga serpente. A Mãe dos Filhos de Deus, a Rainha do céu e da terra, Aquela que gerou no seu ventre o Verbo incriado, a bendita Mulher que trouxe a vida aos filhos de Adão. Amemos esta bendita Rainha e façamo-la amada. Demos a conhecer os seus encantos e consagremo-nos totalmente aos seus cuidados.

Ad Iesum Per Mariam

Atrevei-vos a ser santos!


Quando me ponho a ver algo desses videos e o que o papa tem dito a nós, jovens, a minha alma reverbera e gostaria de encará-lo nos olhos e jurar-lhe, como Doce Sombra de Cristo que é, fidelidade por toda a vida. Amo o Papa. Que Deus lhe conceda muitos anos de vida ainda! 

Amo a Santa Igreja. Sem Ela, eu não sou nada. Viva à Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Nela quero viver e morrer. Glória a Cristo Rei!

"Queridos jovens, escutai verdadeiramente as palavras do Senhor, para que sejam em vós «espírito e vida» (Jo 6, 63), raízes que alimentam o vosso ser, linhas de conduta que nos assemelham à pessoa de Cristo, sendo pobres de espírito, famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, amantes da paz. Escutai-as frequentemente cada dia, como se faz com o único Amigo que não engana e com o qual queremos partilhar o caminho da vida." (Discurso do Santo Padre na Praça de Cibeles, 11 de Agosto de 2011)

Reconhecimento Canônico da Fraternidade O Caminho


É com imensa alegria que comunicamos que no dia 31 de julho de 2001, às 10h em Franca (Interior de SP), a Fraternidade “O Caminho” será reconhecida como Associação Privada de Fiéis. O reconhecimento será dado por Sua Excelência Reverendíssima Dom Pedro Luiz Stringhinni, Bispo da Diocese de Franca, que presidirá a Santa Missa em ação de graças.

Local: Centro de Evangelização Cenáculo

Av. Dom Pedro I, 1040, Jd. Petrâglia, Franca – SP

A Fraternidade tem se destacado pela correta doutrina litúrgica e pela zelosa prática na celebração da Santa Missa.

São João Batista e a Eucaristia


Passei esses dias sem net, mas aqui ponho um texto que une, muito oportunamente, a pessoa de S. João Batista, que celebramos hoje, e a Eucaristia, cuja instituição celebrávamos ainda ontem. O texto é do excelente e altamente recomendável Pe. Ronald Knox e nele há afirmações e sutilezas que, se meditadas, poderão resultar numa compreensão bem mais profunda deste tesouro escondido que é a vida com Cristo. Boa Leitura.

***
Pe. Ronaldo Knox

Penso que não me engano se digo que a festa do Corpus Christi é comemorada este ano no dia mais distante em que pode recair: 24 de junho. E assim choca, por uma curiosa coincidência, com a única festa de verdadeira importância com que pode coincidir e sobre a qual prevalece: o nascimento de São João Batista. Na verdade, não é que a joguemos para fora do calendário; celebramos essa festa amanhã. Mas, por uma vez, o grande Precursor vem atrás do seu Mestre.

Não penso que haja nenhum santo a quem possamos imaginar aceitando esta situação de mais bom grado que São João Batista. Nasceu, se podemos dizê-lo, para ser o homem que sempre fica de fora. O próprio Senhor no-lo confirmou: "Pobre João! - disse-. É o maior homem nascido de mulher, e, no entanto, é menos que o último dos que estais aqui, porque o Reino dos céus é para vós, não para ele" (Cfr. Mt 11,11). Situa-se ao lado dos heróis do Antigo Testamento, que viveram na esperança, mas nunca a viram realizada; de Profetas e Reis que suspiraram por longo tempo pela vinda do Messias, mas morreram sem vê-lo. Todos se lançam em corrida para entrar no Reino dos céus, os mais violentos arrebatam-no à força, e ele, João, fica de fora. Lembremo-nos de que o Precursor não tinha morrido quando o Senhor disse isso; estava apenas preso. Mas a verdade é que não estava destinado a ver como se cumpriria a salvação do mundo.

São João percebia-o, pressentia-o. As multidões que costumavam ir a ele, desejosas de ser batizadas, tinham quase desaparecido, e os seus discípulos queixavam-se de que Jesus de Nazaré, esse profeta novo, lhe tirara os seus ouvintes, apoderara-se dos seus métodos e o vinha eclipsando. E São João replicava com as palavras que citei acima: Importa que ele cresça e eu diminua. O seu destino - disse - era ser como o padrinho numa cerimônia de casamento: todo o interesse converge para o noivo e a noiva, todas as aclamações são para os dois, e ele há de prestar-lhes a sua companhia... Com inveja?, mal-humorado? Não, mas alegrando-se de ouvir a voz do esposo (cfr. Jo 3,29) Tinha aprendido a pôr-se de lado e abrir caminho para Cristo. Por isso vo-lo proponho hoje como um dos santos do Santíssimo Sacramento.

Não pôde viver para chegar à Última Ceia e receber o corpo de Jesus das mãos do próprio Jesus. Não pôde viver para esperar com a Virgem e os Apóstolos a vinda do Espírito Santo no Cenáculo. Mas deixou-nos essa frase preciosa que nunca devemos esquecer quando esperamos que o Senhor venha a nós na sagrada comunhão: Importa que ele cresça e eu diminua.

Se lermos o último versículo do primeiro capítulo de São Lucas, encontraremos as palavras: O menino foi crescendo, referidas a São João Batista. Se lermos um pouco mais adiante, no versículo 40 do capítulo seguinte, encontraremos de novo as mesmas palavras: O menino crescia, mas desta vez referidas a Cristo. Tomemos esses dois versículos juntos e teremos toda a biografia de São João. Exatamente, São João cresceu; internamente, na sua alma, não cresceu nunca: era o menino-Jesus Cristo, seu primo, que crescia dentro dele. O grão de trigo que cai no sulco e morre, para produzir muito fruto, foi semeado no coração de São João Batista, e o que brotou não foi São João, mas o Verbo de Deus: Jesus Cristo.

A imagem do grão de trigo leva-nos à parábola das sementes que o semeador lança a mãos-cheias e que produzem frutos maiores ou menores consoante o terreno em que caem e as vicissitudes que se seguem. Saiamos ao campo nesta época do ano e observemos algum pedaço de terra que tenha sido semeado em data recente. Que encontraremos? Um mar verde que deleita os olhos como faz o mar com as suas ondas de diversas tonalidades de luz. Mas aproximemo-nos um pouco mais e olhemos de perto. Que vemos? No meio do trigo que cresce..., urtigas, cardos, ervas daninhas, toda uma vegetação silvestre. Eram as antigas donas do terreno, até que um dia chegou o agricultor e espalhou pelo solo o misterioso tesouro do bom grão. Houve uma luta entre as plantas originais, velhas e fortes, e as sementes intrusas, uma luta para decidir qual das duas espécies desfrutaria da riqueza da terra, qual cresceria mais alto e roubaria o sol à outra. E a plantação introduzida pelo homem ganhou a batalha.

É uma imagem das nossas almas, ou melhor, oxalá o seja. É a imagem de uma alma em que a graça divina venceu, da alma de um santo ou de alguém perto de ser santo. O salmista põe na boca de Deus todo-poderoso estas palavras dirigidas ao seu Filho: Dominare im medio inimicorum tuorum, "domina entre os teus inimigos" (Sal 109,2). Esta deve ser a nossa oração, cada vez que o Senhor vem a nós na sagrada comunhão.

Queremos que Ele domine as nossas almas, sempre cheias de inimigos seus: o orgulho, a cobiça, a sensualidade, o ressentimento, que estão empenhados em disputar-lhe cada polegada de terreno. Somos criaturas caídas: os espinhos e abrolhos brotam em nós sem cessar. E a graça chega como um intruso, disposto a lutar pela sua supremacia em paragens hostis. Ora, a mais santificada das almas humanas não é melhor que esse campo de trigo do que falamos: olhemos sob a sua superfície e veremos ali todas as paixões humanas, abatidas, mas não plenamente desarraigadas. Se é assim com as melhores, que será com as nossas?

Profundamente enraizado na nossa natureza, misteriosamente prolífico, estendendo-se numa rede de ramificações sutis, encontra-se o instinto de auto-afirmação. Vemo-lo na sua forma mais crua nas crianças, no seu desejo de brilhar, que às vezes é divertido, mas às vezes irrita. Chegam os dias do colégio e os professores e os colegas esforçam-se por extirpar esse evidente defeito. Depois que crescemos, talvez os convencionalismos sociais nos obriguem a disfarçá-lo; afinal, não fica bem exibirmo-nos. Mas sabemos que está aí. Como são poucas as pessoas que aceitam com equanimidade, mesmo externamente, que não lhes peçam conselho, ou, se lhes pedem, que não se faça caso dele; que sejam preteridas quando se trata de preencher um cargo; que os seus rivais profissionais adquiram fama na mesma especialidade em que elas pensavam conquistá-la! E se olharmos para o interior do nosso coração, o sentimento amargo de termos sido maltratados, quando se fere a nossa importância, jaz às vezes muito mais lá no fundo de nós mesmos do que poderíamos imaginar. Não é caso para desesperar, mas devemos reconhecer que é talvez o sinal mais certo de que estamos muito longe de ser santos.

E uma das razões, sem dúvida, de que o Senhor venha a nós na sagrada comunhão é a de fazer com que afirmemos mais a pessoa de Cristo, e, em consequência, afirmemos menos as nossas próprias pessoas. E se o instinto de auto-afirmação continua a ter força dentro de nós, podemos estar certos de que Cristo ainda não domina entre os seus inimigos. É esse "eu" que infecta até mesmo as nossas orações e as nossas virtudes, que faz com que queiramos ser puros para nos podermos sentir puros, ser humildes para ter a liberdade de criticar o orgulho dos outros, mortificar-nos para nos podermos gloriar da nossa austeridade, em vez de querermos simplesmente que se cumpra a vontade de Deus em nós e em todos os outros. É esse "eu" que leva tão a mal todos os seus fracassos e decepções, que pergunta por que "isto" há de ser poupado aos outros e acontecer-me "só a mim".

Devemos procurar humilhar-nos de vez em quando, tomar consciência do pouco que progredimos, pensando na figura de São João Batista. Quando o sacerdote ergue diante de nós a Sagrada Hóstia antes de nos dar a comunhão, repete as palavras do Precursor: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). E quando São João disse isso, sabia que estava encaminhando  os pensamentos dos seus discípulos para outro Mestre e que ele os perderia, que perderia gradualmente toda a sua popularidade, mas não se importava. Via fechar-se para ele o Reino dos céus - mais exatamente a manifestação terrena desse Reino -, tal como uma criança que amassa o nariz contra a vitrine onde se expõem os brinquedos que deseja; mas não se queixava. Importa que ele cresça e eu diminua. Era preciso que Cristo fosse cada vez mais e mais, e ele cada vez menos e menos; que houvesse cada vez menos dele para que houvesse cada vez mais de Cristo.

Pe. Ronald Knox, Reflexões Sobre a Eucaristia

Pe. Paulo Ricardo: Intercessão dos Santos e Imortalidade da Alma

Uma das temáticas que mais tenho de responder nos comentários são as que tratam de questões referentes ao protestantismo. Dentre elas, a intercessão dos santos, necessariamente ligada com a da imortalidade da alma, prevalece com relação às outras. A aceitação da mediação da Virgem Maria também depende da aceitação destas outras verdades. Neste video abaixo, o Pe. Paulo Ricardo trata justamente destas duas questões e espero que os protestantes que, porventura, o venham a assistir, abram os olhos para estes pontos fundamentais, pelos quais eles poderão se aproximar da Igreja verdadeira. Dúvidas, meus caros, referentes ao assunto do video, podem perguntar e faremos o possível para esclarecê-las. Não temos dificuldade alguma em trabalhar o assunto; apenas pedimos sinceridade da parte dos que se propuserem a comentar. Que a Virgem nos conduza a todos.

Missões Populares em Munguba

Há cerca de duas semanas atrás, o Breno - um dos Graas -, o Wilson - Ex Graa e um dos fundadores do grupo - e o Aluísio - seminarista da Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca - foram em missão para o Povoado de Munguba, nas proximidades de Santana do Mundaú.

Abaixo, vão algumas fotos. Foi belíssimo... Clique para visualizar maior.

À extrema esquerda o WIlson, e à extrema direita o Breno

Breno tocando o sino

Breno na residência do casal mais antigo do povoado (os dois ao fundo)


Capelinha de Munguba

Breno, o Acólito... rs


Procurando sinal pra o celular
Colocando as cruzes para a Via Sacra às 04 da matina


Via sacra de manhãzinha





Preparativos para a procissão

Chegada de povoados vizinhos
 
 



Seminarista Aluísio no meio, de batina. Ele esteve na maior parte do tempo fazendo missão sozinho em outro povoado. Deus o abençoe, Aluísio.

Foi uma experiência comovente. O Breno dizia-me que chorou muito na hora de vir. Numa das últimas reuniões, ao começar a cantar, algumas crianças abaixavam a cabeça e começavam a chorar, já com saudades. Uma delas até lhe perguntou: "mas vocês não vão ficar pra sempre?"

A comunidade nunca tinha participado de uma Via Sacra e somente tem Santa Missa uma vez por mês. Ainda assim, nunca ia tanta gente. Parece que esta experiência foi maior até do que a festa da padroeira. O que se observava, sobretudo, era a intensa sede que este povo tinha de Deus. Não pude colocar todas as fotos aqui, mas em muitas delas se nota a grande disposição das pessoas em ajudar.

Eis, caríssimos, a intensa necessidade do povo de Deus. É quando se faz uma experiência assim que se sente a pungente carência de "trabalhadores para a obra".

Precisamos de bons padres - Sobre a Santa Missa de ontem


Estamos, aqui em União dos Palmares, vivenciando a novena de Santa Maria Madalena, padroeira da cidade. Como já é de conhecimento geral, a cada dia há a celebração da Santa Missa e vários são os padres convidados. É uma festa bastante tradicional; dizem que uma das mais tradicionais do país. O termo "tradicional" aqui não se refere, de modo nenhum, ao modo como correntemente o usamos neste blog. Aqui ele quer apenas significar que se trata de uma festa bastante conhecida e que já acontece há vários anos.

Pois bem. Ontem, 28 de janeiro, dia de Sto Tomás de Aquino, fomos visitados pelo Pe. Nilton, de Santana do Mundaú, um já conhecido nosso. Claro que a Missa é sempre a Missa, mas se torna mais fácil aceder ao Mistério quando um padre respira e transpira devoção e amor. Isto é complicado de se dizer porque, assim como uma pessoa é distinta da outra, os padres são sempre diversos e não podemos cair num critério de julgamento superficial, medindo as coisas pela aparência. Em verdade, para Nosso Senhor, a aparência é o que menos importa, se bem que, em se tratando de Liturgia, a sobriedade e rigor nos gestos, palavras e modo de se comportar no altar são, sim, necessários e demonstram uma vigilância interior.

Com relação ao Pe. Nilton, como eu disse, nós já o conhecemos. E ontem ele nos alegrou ainda mais. Além da sua sempre tão manifesta devoção, ele nos brindou com uma brilhante e profunda homilia. Falou de Sto Tomás, de Sta Maria Madalena e, além disto, despejou uma série de verdades que a nossa comunidade precisava e precisa ouvir. Não contive o riso... Dentre outras coisas, disse-nos ele: "um cristão de verdade e, desculpem-me o termo, um cristão de vergonha não pode viver comodamente!"

Além destas espetadas, falou-nos da perseguição aos católicos, perseguição velada, nas novelas, nos comentários em programas de rádio, nos gracejos com jovens que vão à igreja e instigou-nos à perseverança. Alguém que me esteja lendo pode pensar: tudo bem, e o que tem de mais nisso?

Ah, caríssimos.. Isso é um oásis. Na verdade, o padre agiu como um padre, um orientador, um mestre... e isso é raro. Não que os padres não orientem. Mas falta clareza, falta firmeza... E a coisa foi de tal forma que, terminada a Santa Missa, muitos se mostravam encantados, como se um pouco saciados de uma intensa sede, como se vislumbrassem algumas gotas de uma fonte sem fim. Muitos acorreram a ele parabenizando-o por simplesmente fazer o que foi ordenado para fazer.

E, a par desta alegria, como é triste ver que estas coisas têm se tornado cada vez mais escassas. Amo os padres daqui. Mas é tão bom quando alguém nos descobre, por pouco que seja, algo daquele tesouro escondido; quando alguém nos faz respirar o terno ar daquelas paragens simplesmente por olhar de um modo mais doce para o Santíssimo Corpo do Senhor, por dizer com amor as orações eucarísticas, fazendo-nos intuir algo do mistério que ele, o sacerdote, traz na alma.

Por isto, meus irmãos, rezemos mesmo pelos padres. Nós precisamos deles. Peçamos que Nosso Senhor nos envie sacerdotes santos, corajosos, dispostos aos martírios desta vida. Que eles tenham a ousadia de, sendo cordeiros entre lobos, manterem-se cordeiros.

Salve Maria Santíssima

Fábio

Feliz Natal! O Natal e a Eucaristia - S. Pedro Julião Eymard


S. Pedro Julião Eymard, nosso baluarte

Oh! Quão tocante é a Missa de meia-noite no mundo cristão! É o fato de Jesus renascer de um modo real sobre o altar, embora que num estado diferente, que imprime à nossa festa de Natal os seus encantos, a alegria aos nossos hinos, o transporte aos nossos corações.

A Eucaristia começa em Belém: aí está o Emanuel (Mt 1,23) que vem habitar no meio de seu povo; começa nesse dia a viver entre nós, e a Eucaristia perpetuará sua presença. Lá, o Verbo se fez carne; no Sacramento, faz-se o pão para nos dar Sua Carne sem que sintamos repugnância.

Em Belém, Jesus começa também a praticar as virtudes do estado sacramental. Oculta sua divindade para acostumar o homem a tratar com Deus e esconde sua glória divina a fim de chegar, gradativamente, a esconder mesmo a sua humanidade;  tolhe o seu poder pela fraqueza dos membros infantis: mais tarde há de torná-lo cativo sob as santas espécies.

Faz-se pobre, despoja-se de toda propriedade, ele que é o Criador e Soberano Senhor de todas as coisas. O presépio não Lhe pertence, foi-Lhe dado por esmola; vive, com sua Mãe, das ofertas dos pastores e dos presentes dos Magos. Mais tarde, na Eucaristia, há de pedir ao homem abrigo, matéria para o Sacramento, e vestes para o seu Sacerdote e o seu altar.

S. Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia

Oração de S. Francisco de Assis, já depois de estigmatizado


Tu és santo, Senhor Deus, só tu operas maravilhas.
Tu és o forte.
Tu és o grande.
Tu és o altíssimo.
Tu és o rei onipotente, Pai santo,
Rei do céu e da terra.
Tu és o trino e uno, Senhro Deus, bem universal.
Tu és o bem, todo o bem, o sumo bem, Senhor Deus, vivo e verdadeiro.
Tu és a caridade, o amor.
Tu és a sabedoria.
Tu és a humildade.
Tu és a paciêcia.
Tu és a segurança.
Tu és o descanso.
Tu és a alegria e o júbilo.
Tu és a justiça e a temperança.
Tu és toda a riqueza, a nossa suficiência.
Tu és a beleza.
Tu és a calma.
Tu és a proteção.
Tu és o guarda e o defensor.
Tu és a fortaleza.
Tu és o alívio.
Tu és nossa esperança.
Tu és a nossa fé.
Tu és nossa inefável doçura.
Tu és nossa vida eterna, ó grande e admirável Senhor,
Deus onipotente, misericordioso Salvador.

Laudes Seráficas - Oração da Manhã - S. Francisco de Assis


Santíssimo Pai Nosso, Criador, Redentor, Salvador e Consolador.

Que estás nos Céus, nos Anjos e nos Santos, iluminando-os todos para que te conheçam, porque tu és, Senhor, a luz; inflamando-os para que te amem, porque tu és, Senhor, o amor; habitando neles e repletando-os para a visão beatífica, porque tu és, Senhor, o sumo bem, o bem eterno do qual procede todo bem e sem o qual nõ pode haver bem algum.

Santificado seja o teu Nome: que seja claro em nós o conhecimento de ti, para que saibamos qual é a largura de teus benefícios, o comprimento de tuas promessas, a altura de tua majestade e a profundidade de teus juízos.

Venha a nós o teu reino, para que reines em nós pela graça e nos faças chegar ao teu Reino, onde te veremos e será perfeito o amor a ti, beatífica a comunhão contigo, eterna a fruição de tua essência.

Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu: que te amemos de todo o coração, pensando sempre em ti; de toda a alma, aspirando sempre por ti; de todo o nosso entendimento, ordenando a ti os nossos desejos todos e buscando em tudo a tua honra; de todas as nossas forças, empenhando todas as virtudes e sentidos da alma e do corpo a serviço do teu amor e a nada mais. E para amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, atraindo-os todos, na medida de nossas forças, para o teu amor, alegrando-nos pela felicidade dos outros, como pela nossa, compadecendo-nos deles em suas tribuçaões e jamais os ofendendo.

Dá-nos hoje o pão nosso deste dia, o teu Filho bem-amado, Nosso Senhor Jesus Cristo; para a lembrança, a compreensão e o respeito pelo amor que ele teve por nós, bem como tudo o que por nós disse, fez e sofreu.

Perdoa-nos as nossas ofensas, por tua inefável misericórdia, em virtude da paixão de teu dileto Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos e pela intercessão da Santíssima Virgem e de todos os teus eleitos.

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido: e o que não perdoamos totalmente, faze, Senhor, que o perdoemos de modo pleno, a fim de que possamos amar sinceramente os nossos inimigos, por causa de ti; que por eles intercedamos com devoção junto a ti, não retribuamos a ninguém o mal pelo mal, e nos esforcemos para fazer o bem a todos, em ti.

E não nos deixes cair em tentação, oculta ou manifesta, súbita ou importuna.

Mas livra-nos do mal, passado, presente e futuro.

Amém.

São Francisco de Assis, Orar com S. Francisco de Assis.

Memória do Trânsito de S. Francisco de Assis


"Muito tempo antes, Francisco ficou sabendo a hora de sua morte, e quando ela estava próxima, comunicou aos irmãos que deicaria em breve seu corpo, essa tenda em que sua alma havia feito acampamento, como lhe revelara o Senhor.

Dois anos depois de ter recebido os estigmas, vinte anos após sua conversão, pediu para ser transportado a Santa Maria da Porciúncula a fim de pagar seu tributo à morte e receber em troca e em recompensa a eternidade, no mesmo local em que, pela Mãe de Deus, ele mesmo conhecera o espírito de graça e de perfeição. Chegado a esse local e querendo mostrar eplo exemplo que nada tinha de comum com o mundo, nesta doença que deveria ser a última, mandou que o colocassem nu sobre a terra, a fim de nesta última hora em que o inimigo desfecharia talvez contra ele o último assalto, ele pudesse lugar nu contra o adversário nu.

Lá estava ele deitado, atleta nu, sobre a terra e na poeira, a mão levada à chaga do lado direito para ocultá-la aos olhares dos presentes, fixando o céu, como gostava de fazer, fisionomia tranqüila e aspirando com todas as veras de sua alma à glória eterna. Começou então a louvar ao Altíssimo por tanta glória: a de ir para ele inteiramente livre, desembaraçado de tudo.

Aproximava-se a hora. Mandou vir todos os irmãos presentes então na Porciúncula e com algumas palavras de consolo para amenizar-lhes o pesar, exortou-os de todo o coração de pai a amar a Deus. Em herança legou-lhes como propriedade a pobreza e a paz; recomendou-lhes que orientassem sempre seus desejos para os bens eternos e se preminissem contra os perigos deste mundo. Encorajou-os, com toda a força persuasiva de sua palavra, a seguirem perfeitamente as pegadas de Jesus crucificado.

Todos os seus filhos formavam por assim dizer uma coroa em volta do patriarca dos pobres; o santo, quase cego, não de velhice, mas por causa das lágrimas, e já às portas da morte, estendeu as mãos, entrecruzou os braços, como lhe aprazia muitas vezes, e abençoou todos os irmãos, os ausentes como os presentes, pelo poder e no nome do Crucificado.

Em seguida, pediu que fosse lido o texto de São João que começa assim: "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, havendo amado os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou..." Queria ouvir nessa passagem do Evangelho o chamado do Bem-Amado que bate à porta, esse Bem-Amado de quem estava separado apelas pela simples parede da carne. Por fim, tendo-se realizado nele todos os planos de Deus, o bem-aventurado adormeceu no Senhor, rezando e cantando um salmo. Sua santíssima alma se desprendeu da carne para ser absorvida no abismo da claridade de Deus."

Devocionário da Família Franciscana

VI Niver GRAA - breve explanação


Este ano, o Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA completa o seu 6º aniversário, graças a Deus. Todos os anos, a comemoração se dá a partir de um evento simples; geralmente, passamos o dia num lugar, onde há formações, onde rezamos, cantamos e, em geral, terminamos com a Santa Missa. Isso falando a "grosso modo" do que lá ocorre. Houve um ano que nossa "comemoração" se resumiu a apenas uma noite, onde tivemos a Santa Missa e uma mini-apresentação do GRAA, seguida de uma muito solta confraternização entre os presentes. Digo "solta" no sentido de "espontânea"... não vão me entender mal... rs.

Neste ano de 2010, porém, a proposta é diferente. Estaremos, por dois dias e uma noite, "trancados" num determinado local (ainda estamos vendo da disponibilidade dos locais possíveis), ou, na terminologia carismática, será um retiro "interno". Bem, não sei exatamente que tipo de retiro pode ser uma coisa "externa", visto que o termo "retiro" já sugere a idéia de se retirar...

Estamos, já, numa muito modesta divulgação. O auge da coisa ainda virá... Mas já há alguns interessados, sobretudo de outras cidades. Poucos, mas os há. Porém, chamou-me a atenção o que que disse um destes que virão: primeiro, certificou-se de que o retiro não seria carismático. Recebendo a confirmação de que não será, embora o rapaz seja carismático, isto o motivou ainda mais a querer fazer a experiência. Um outro homem, que ainda não pude conhecer, certificava-se também neste sentido (se realmente não era carismático), mas como condicional para vir.

Isto é muito interessante. De uns tempos para cá, os "retiros" carismáticos se tornaram muito frequentes. Eu mesmo, na minha adolescência, participei de inúmeros e os chamados "retiros de carnaval" realmente deixam uma viva impressão, pelos menos os primeiros. A coisa, porém, atingiu tal popularidade que, por algum tempo, em alguns lugares, gozava quase de total exclusividade. Não que não houvesse outros retiros ou outras pessoas interessadas em outras vertentes; mas a comparação era muito desigual. Isto somente se acentuava se considerarmos que, à alternativa dos carismáticos, apenas víamos os membros da linha da Teologia da Libertação organizando, também, os seus eventos ainda menos retirados.

Estes encontros que costumavam haver (e ainda os há aos montes) são chamados retiros apenas por uma confusa analogia com os retiros propriamente ditos. Os retiros tradicionais, como sabemos, primam realmente pelo silêncio e pela experiência do encontro com Nosso Senhor e dos retirantes consigo mesmos, o que é difícil de se fazer sem um mínimo recolhimento. Estes outros eventos em alta, porém, embora concentrassem um certo número de pessoas num dado local, não os levavam a uma experiência, de fato, silenciosa ou retirada. E isto provoca um certo paradoxo: tudo fica, à primeira vista, muito atrativo, o que garante a presença de uma maior quantidade de pessoas; mas, tende-se, assim, à superficialidade, sem falar que as próprias motivações dos participantes podem não ser das melhores.

Em toda época se reconheceu que, numa conversão verdadeira, sempre há um "quê" de dificuldade, de renúncia. Nesta perspectiva, uma "mudança de vida" decidida em meio a uma "festa" soa meio desafinado. 

Um outro problema, e talvez ainda maior, é que estas concentrações animadas de pessoas pretendem obter conversões em massa. No entanto, aí se dá um acontecimento muito curioso: muita gente pensa ter-se tornado católica porque sentiu certas coisas. A partir de então, o sujeito até irá às Missas numas semanas seguintes; mas, só com o que "experimentou" lá, ele não sustenta a caminhada. Quem falou que é possível tornar-se católico sem aprender racionalmente o que a Igreja ensina?

Depois, outro problema é a expectativa que tais encontros causam. Simplesmente, muita gente espera ouvir coisas que movam a sua sensibilidade. Onde fica o aspecto racional? Neste sentido, um testemunho bem emotivo que arranque lágrimas é muito bem aclamado, enquanto que uma pregação sobre um dogma da Igreja que, porém, não provoque arrepios e coisas semelhantes, é vista como um hiato na "graça" do encontro. Quantas vezes eu mesmo considerei dessa forma a pregação de um bispo não carismático que, num retiro carismático, dava a sua generosa participação.

Lidar com estas coisas requer maturidade. Nós do Anjos de Adoração temos que tratar sempre com jovens provindos, no mais das vezes, de uma espiritualidade carismática e podemos dizer com propriedade que não é fácil de certa forma "frustrar" certas expectativas e, ainda assim, manter o sujeito animado.

Sei que os carismáticos, na maior parte das vezes, têm muito boa intenção. Mas a coisa fica muito a desejar. Há, de fato, mudanças de vida; mas também há a apresentação de pressupostos errados que dificultam uma adesão mais séria.

O post nem era pra tratar disto, mas se escrevo tais coisas é por estar animado de carinho, também pelos meus tantos amigos carismáticos, muitos dos quais me lerão, e que já sabem da minha posição a este respeito, que nunca escondi.

Enfim, o VI Aniversário do Grupo de Resgate Anjos de Adoração vem aí; será nos dias 3, 4 e 5 de dezembro. E não será um evento carismático porque nós não somos carismáticos. Porém, os carismáticos são muito bem vindos, também pra conhecer outra espiritualidade. Não será, também, nenhum retiro monástico..rs... Como lidamos, sobretudo, com jovens, e somos todos jovens também, claro que haverá coisas tipicamente jovens; porém, não se entenda "coisas jovens" como "irresponsáveis" ou "promotoras de sensualidade". Isto não haverá...

Inscrições abertas. Fazer com os próprios membros do GRAA...

Tema: Provai e vede como o Senhor é bom.

Dúvidas, críticas, conselhos, recomendações, escrevam nos comentários. 

Abraço. Pax.

Fábio.
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