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Que punições há no Inferno?


Existe fogo? Sim, existe o fogo do remorso. Fogo material não, pois demônios nem estão em nenhum lugar, nem nenhum castigo corporal lhes pode causar dano. Esse remorso que nada pode apagar, que arde no interior de cada espírito condenado, que atormenta espiritualmente os espíritos é o fogo que não se apaga (Mc 9,48), o fogo eterno (Mt 25,41), o forno de fogo (Mt 13,42), o fogo ardente (Hb 10,27), o lago de fogo sulfuroso (Ap 19,20), a geena de fogo (Mt 5,22), o lume que atormenta (Lc 16,25). O verme que nunca morre de que se fala em Marcos 9,48 é igualmente o verme do arrependimento, que atravessa a consciência ve ou outra durante a eternidade. As trevas exteriores (Mt 8,12) são as trevas e escuridão do afastamento de Deus. As penas do Inferno não sao outras que o ódio, a tristeza, a ira, a solidão, a melancolia, o arrependimento e o sofrimento que produz a própria deformação do espírito; isto é a deformação de todos os pecados que contêm cada anjo caído. Se analisarmos os termos que usa a Bíblia ao falar da condenação, veremos termos de afastamento, do fogo do arrependimento, mas nunca termos de tortura que seja aplicada por parte do Juiz. Ao falar da condenação, a Bíblia nunca apresenta Deus como o torturador. Usa termos impessoais, como fogo, trevas ou lago sulfuroso. A condenação, portanto, é o afastamento de Deus e é a tortura que cada espírito aplica a si mesmo pela própria deformação do espírito. Deus não criou os sofrimentos infernais; o Inferno é fruto da deformação de cada espírito.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, p.119.

O que é a morte eterna


Um espírito (como uma alma) é indestrutível, não sofre rupturas, não sofre desgastes, não pode ser dividido. O espírito não pode morrer. Continua existindo independentemente dos pecados que cometa, e, por mais que queira morrer, a vida permanecerá com ele. Porém, o que queremos dizer com "pecado mortal", "morte eterna" e outras expressões similares é que a vida sobrenatural de uma alma ou espírito pode, sim, morrer. O pecado mortal acaba com a vida sobrenatural. O espírito segue existindo, mas com uma vida meramente natural. A vontade e a inteligência com todas as suas potências seguem operando. Mas não há mais a vida da graça. O espírito, enquanto estiver sem a graça, estará como um cadáver. Essa expressão pode parecer hiperbólica, mas é exata. O espírito que peca mortalmente é como um cadáver inanimado, inanimado pela graça santificante. Desde esse momento, só vive para a natureza e por sua natureza. Seu espírito está desprovido de sobrenatureza.

Desde o momento em que a graça deixa de vivificar um espírito, como o que sucede com um corpo que já não está vivificado por uma alma, começa a corrupção. Assim como um corpo começa a transformar-se em corrupção, assim o espírito começa a corromper-se, à medida que sua vontade vai cedendo.

São muitos os homens que vivem só para a natureza de seu ser, esquecendo-se completamente a sobrenatureza que Deus lhes daria de bom grado. O nível de corrupção varia muito segundo a pessoa. Mas se pudéssemos nos aproximar de alguns desses espíritos, veríamos que são verdadeiros cadáveres, que expelem um mau cheiro com aqueles em avançado estado de decomposição.

Pe José Fortea, Svmma Daemoniaca, Questão 27, p.48.

Imortalidade da Alma segundo Lucas e Mateus


No Evangelho de Lucas, Jesus diz o seguinte:

"Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei." (Lc 12,3-4)

ανθ ων οσα εν τη σκοτια ειπατε εν τω φωτι ακουσθησεται και ο προς το ους ελαλησατε εν τοις ταμειοις κηρυχθησεται επι των δωματων

λεγω δε υμιν τοις φιλοις μου μη φοβηθητε απο των αποκτεινοντων το σωμα και μετα ταυτα μη εχοντων περισσοτερον τι ποιησαι



Para os mortalistas, corpo e alma seriam a mesma coisa. Logo, não faria sentido matar o corpo e fazer algo depois, pois nada mais restaria. O trecho acima, no entanto, deixa claro que, depois da morte corporal, há ainda algo mais a ser lançado no inferno. O que é este algo? A mesma passagem em Mateus deixa claro:

"Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena". (Mt 10,28)

και μη φοβηθητε απο των αποκτεινοντων το σωμα την δε ψυχην μη δυναμενων αποκτειναι φοβηθητε δε μαλλον τον δυναμενον και ψυχην και σωμα απολεσαι εν γεεννη

Se, como os mortalistas, supormos que o inferno é a destruição total no final dos tempos, seria então possível, forçando um pouco as coisas, entender o "depois" de Lucas. Porém, se fosse o caso, o texto deveria vir contrapondo não corpo e alma, mas, sim, agora e depois. A distinção, porém, refere-se a elementos do homem. Destes, somente o corpo pode ser morto por outro homem, e, como Jesus diz para não temer essa morte, isto indica que o corpo, embora bom, é a parte menos excelente, já que a primazia da importância é dada à alma, que subsiste.

Também se costuma objetar que alma (psychen) significa apenas "sopro". Mas esta objeção tem uma consequência cômica: a de um sopro ser condenado ao inferno.

O texto em Mateus deixa claro ainda que corpo e alma podem ser ambos jogados na "geena", o que reforça a idéia de que são coisas distintas. Enquanto o homem pode agir somente sobre o corpo, Deus pode dispor de ambos.

Se são distintos, a morte do primeiro não implica a morte do segundo. Se a alma morresse junto com o corpo, então os homens teriam poder sobre ambos. Tampouco se pode pensar na alma como uma sugestão da integridade humana, como se se quisesse dizer que os homens, podendo nos ferir fisicamente, não poderiam nos perverter, pois o texto diz que Deus pode fazer mal à alma, isto é, jogá-la no inferno. Se fazer mal à alma fosse pervertê-la, Deus não seria indicado como Alguém que pode agir de modo hostil contra ela. 

Quando um ser humano morre fisicamente por causa de alguém, a sua alma, desvinculada do corpo, fica impossibilitada de ser prejudicada pelo agressor. É essa alma que é referida por Mateus, e é a esse depois que Lucas se refere.

14 pontos sobre o Purgatório


Sobre o Purgatório, costuma-se dizer que os católicos inventaram isso. Reflitamos um pouco.

1- Os homens são livres. Logo, podem fazer coisas boas ou más.

2- Com relação às coisas más, há evidentemente uma gradação na maldade. Uma mentira não é o mesmo que um roubo, que não é um mesmo que um assassinato, etc.

3- Os religiosos crêem que, à moralidade ou imoralidade de uma vida, segue-se-lhe uma sanção, que é fruto da justiça, e que recebe o nome de recompensa ou punição.

4- Haveria, assim, duas realidades póstumas extremas, chamadas "Céu" e "Inferno", referidos como "Salvação" ou "Condenação".

5- É geralmente consenso - e é bíblico - que, sendo Deus alheio a toda imperfeição e pecado, não é possível a uma pessoa que não esteja inteiramente purificada vê-Lo face a face.

6- É fato que quase ninguém morre em estado de perfeição.

7- Deve haver um grau de pecado além do qual a pessoa se condena. Logo, aquém desse grau, uma pessoa deve livrar-se da condenação.

8- Os que estão aquém daquele grau de maldade não são, no entanto, necessariamente perfeitos. Há, assim, um raio tolerável de imperfeição.

9- Tendo, porém, ainda manchas na alma, estas pessoas estão naturalmente impedidas de ver a Deus face a face, pois nada impuro entra no Céu.

10- Isso indica uma terceira possibilidade, que não é exatamente um meio termo, visto que já é impossibilidade de condenação. Este estado, tendo em vista uma ulterior purificação, é preparação para o Céu, sendo, por natureza, provisório.

11- "Purificar" é sinônimo de "Purgar", daí o termo "Purgatório", que é como uma extensão da misericórdia divina àquilo que não se realizou de todo na vida mortal.

12- A negação do purgatório decorre de uma confusão protestante entre a justificação e a santificação. Justificação indica que Jesus assumiu o nosso lugar no suplício da Cruz, de modo que, se estivermos n'Ele, não somos condenados. Porém, a justificação não anula as nossas más tendências, a concupiscência que nos flui na alma, que é evidente a qualquer um de nós, e que não pode entrar no céu. Logo, é preciso estar purificado desses ranços de egoísmo e desequilíbrio antes que se dê a visão beatífica que caracteriza a Salvação.

13- Jesus indica a realidade do purgatório em várias passagens, como quando, referindo-se às últimas coisas, diz do servo que foi chicoteado poucas ou muitas vezes, ou do que não sai da prisão até ter pago o último centavo, que são punições póstumas e que, porém, têm um término. E ainda quando afirma que o pecado contra o Espírito Santo não será perdoado nessa vida nem na outra, o que sugere a possibilidade de um perdão post mortem para outros pecados.

14- A posição católica, portanto, se harmoniza com a lógica e a bíblia.

Fábio

Ainda sobre o Inferno: símbolo do fogo e trevas exteriores


Depois de ter devidamente provado que a própria Bíblia atesta a existência do inferno, vejamos agora mais uma conveniência bíblica de que o inferno seja real.

No texto passado, vimos como o destino eterno dos condenados é referido como "lago de fogo sulfuroso". Outra expressão que sugere uma idéia similar é "Geena" (Mt 5,22,29). Na verdade, este era um lugar físico, fora de Jerusalém, onde eram jogados os lixos, animais mortos, e, depois,  eram incinerados. É obviamente uma comparação que Jesus faz. Os negadores do inferno creem que a analogia se deve ao fato dos corpos físicos - objetos e animais - serem destruídos. Nós, ao contrário, cremos que Jesus utiliza esta figura para simbolizar o estado contínuo do inferno, não no que se refere à destruição, mas à chama.

E aqui fazemos um parêntese: embora haja de fato teólogos e santos que afirmam haver fogo literal no inferno, crer nisto não é essencial à Fé Católica. Não há consenso entre os teólogos a respeito da natureza do inferno, e as revelações dos santos que supostamente visitaram-no se enquadram no campo das revelações particulares que não obrigam a crença individual.

Além disso, quando consideramos o modo como o ser humano conhece, vemos que é complicado que uma pessoa veja sensivelmente realidades espirituais não sensíveis. Expliquemos: o ser humano é um composto substancial de corpo e alma. A alma possui inteligência e vontade, mas opera través da substância material, que são os órgãos físicos e os sentidos. Assim, a fim de inteligirmos algo, é necessário que o processo se inicie nos sentidos que apreendem as "espécies sensíveis" ou "imagens" dos entes corporais; em seguida, estas espécies são encaminhadas à imaginação e retidas pela memória. Até aí elas continuam sendo realidades singulares, isto é, individuais. Isto significa que tudo quanto temos na imaginação são realidades físicas. Mesmo que juntemos espécies sensíveis distintas compondo entes inexistentes, ainda assim estes entes terão uma figura física. Pois bem: desta matéria prima captada pelos sentidos e depositada na imaginação, a inteligência, agora uma faculdade espiritual, retira, num processo chamado "abstração", as "espécies inteligíveis", os dados universais que estavam "vestidos" pelos traços individuantes. É destes traços universais que virá o conceito ou definição das coisas. Isto significa que o ente humano não pode conhecer, por si mesmo, seres que não sejam materiais, a não ser por comparação com os entes físicos. Desse modo, há um claro limite cognoscitivo, o que faz com que Deus, querendo revelar ao homem realidades suprassensíveis, tenha de as adaptar ao conhecimento sensível humano. Assim, mesmo as visões dos santos e místicos deve necessariamente ter um caráter analógico. O que se conclui disso? Que não é possível dizer, a princípio, que no inferno exista fogo literal.

Agora, o fogo visto pode ter - e tem - um caráter simbólico. Mesmo um fogo literal cumpriria uma função: a submissão de um ente inteligente e espiritual a um elemento material e irracional, o que seria um remédio perpétuo para o orgulho humano. Além disso, o fogo pode meramente simbolizar a inquietude e o sofrimento que, no inferno, são contínuos. O escritor Joseph Pieper dizia que no inferno não há nem silêncio nem música, mas só barulho, isto é, não há a quietude da cessação nem a ordem da harmonia, mas apenas a agitação contínua e ruidosa, perpetuação das desordens da paixão que dominaram a pessoa em vida, efeito da animalidade à qual se submeteu durante sua estadia na terra.

O fogo, segundo o simbolismo antigo e medieval, também é composto de duas características: é seco e é quente. A sequidão é o princípio da fixidez, da não fluidez. O quente é o princípio da fragmentação, da não coesão. O fogo, portanto, poderia simbolizar a dureza dos entes fragmentados, isto é, que não alcançaram a sua coesão interior, e que permanecem nesta condição, o que significa que os condenados manifestariam uma espécie de personificação do estado de guerra. Nada mais adequado, portanto, que o fogo para servir-lhes de símbolo.

Contudo, nem sempre o inferno é referido, na Bíblia, como um lugar de fogo. Com efeito, lemos em 2Pe 2,4 o que segue:

"Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento..."

Aqui o inferno aparece como "abismos tenebrosos", isto é, lugar onde habitam as trevas. Inferno, aí, tem o sentido de "lugar inferior" em oposição ao "lugar superior", o Céu. Como, porém, o Céu não é uma realidade material e, portanto, é não-espacial, também o "lugar inferior" ou "inferno" pode ser o símbolo de um estado inferior contrário ao celeste, e não exatamente um lugar. A Escritura diz que o demônio, depois do pecado, foi enviado à terra. Se se quiser tomar "inferno" como lugar literal, então talvez tivéssemos de fazer a identificação entre a terra e o inferno. Estariam corretos os que dizem que "o inferno é aqui", hehe.. A coisa complica ainda mais se considerarmos que Paulo, referindo-se a estes que foram precipitados "nos abismos tenebrosos do inferno", habitam nos ares (Ef 6,12). Além disso, qualquer protestante tende a aceitar que os demônios têm liberdade suficiente para tentar os cristãos, o que indica que os abismos onde estão precipitados não é exatamente um lugar.

O Inferno é, portanto, o contrário da beatitude celestial, isto é, um estado de alma. Do mesmo modo, as trevas do inferno são o oposto da luz divina. O que se nota, porém, é que, embora estejam reservados para um futuro julgamento, os anjos decaídos - que chamamos "demônios - habitam desde já nestes estados, o que significa que estas trevas não são um símbolo da sua destruição.

Porém, o próprio Jesus usa o exemplo das trevas para simbolizar o castigo dos proscritos depois do julgamento. Vamos ver?

"Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes." (Mt 8,11-12)

Quando Jesus conta a parábola da festa das bodas do filho do Rei, inclui um personagem que está sem a veste nupcial. Qual será o destino deste sujeito?

"Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt 22,13)

Falando do servo mau e preguiçoso que enterrou o talento ao invés de tê-lo ao menos colocado no banco para correr juros, Jesus, referindo-se à Sua volta, diz:

"E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt 25,30)

Eu estou pegando de propósito somente trechos de Mateus, pois se citasse autores diferentes alguém poderia objetar a diferença de estilos e de símbolos. Mas se é só um autor, fica evidente a intenção dele.

Notem que os trechos acima sempre relacionam o "choro e ranger de dentes" às "trevas exteriores". Agora, observem a seguinte relação:

"O Filho do homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes." (Mt 13, 41-42)

"Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes." (Mt 13,49-50)

O que é que se nota aí? Mateus faz uma relação evidente entre "trevas exteriores" e "choro e ranger de dentes". Depois, ele faz o mesmo com "fornalha ardente" e "choro e ranger de dentes", o que indica que "trevas exteriores" e "fornalha ardente" sejam a mesma coisa. Obviamente que a idéia de "trevas exteriores" não sugere destruição.

Como vimos na afirmação de Pedro, as "trevas exteriores" ou "lugares tenebrosos", ou, ainda, "profundezas das trevas" (2Pe 2,17), onde estão os demônios desde já, não simbolizam a destruição literal. Logo, a "fornalha ardente" tampouco a simboliza.

Daqui surge naturalmente a questão: se os demônios já esperam no lugar tenebroso pelo julgamento, o que mudará ao serem julgados se se está dizendo que eles permanecerão neste lugar?

Antes, porém, de respondê-la, notemos o seguinte: Jesus, em Jo 16,11, afirma que o juízo, do qual o Espírito Santo nos convencerá, é o de que o "príncipe deste mundo", isto é, o demônio, "já está julgado e condenado".

Se já está julgado e condenado porque haveria um julgamento também dos demônios no fim dos tempos? Será que o texto quer dizer que apenas Lúcifer já está julgado e condenado e que os demais demônios podem ser ainda inocentados? Obviamente que não. Isto indica que o Juízo Final é um juízo de confirmação e de exposição das obras de cada pessoa - humana ou angélica - a fim de, depois, determinar-lhe justa punição. Os demônios, nesta ocasião, perdem todo o poder de causar mal aos outros, sendo, dentre todos, os que mais sofrerão. Do mesmo modo, os ressurretos para a perdição terão acrescido, pelo fato de estarem agora com seus corpos, o sofrimento de que padecerão pela eternidade.

Uma defesa bíblica do Inferno


A grande maioria dos cristãos entende que o Inferno é real e é eterno. A sua natureza é que é objeto de controvérsia: alguns dizem que é lugar, outros que é estado de alma, outros ainda que é um estado de alma num lugar. Discute-se também se o fogo é literal, ou se é apenas um símbolo, ou se é ambos, etc. Mas há também aqueles que negam que ele exista. Dentre estes, estão os Adventistas e os Testemunhas de Jeová, que o entendem como um símbolo da destruição ou segunda morte da pessoa no fim dos tempos. Esta destruição implicaria a cessação da consciência. Assim, a negação do inferno exige a visão mortalista da alma, enquanto que a sua afirmação, sendo ele uma realidade eterna, pressupõe a crença na imortalidade da alma.

Um dos trechos favoritos dos negadores do inferno se encontra em Mac 3,19 (em algumas versões 4,1), que diz:

"Porque eis que vem o dia, ardente como uma fornalha. E todos os soberbos, todos os que cometem o mal serão como a palha; este dia que vai vir os queimará - diz o Senhor dos exércitos - e nada ficará; nem raiz, nem ramos." 

E há ainda outras várias passagens bíblicas que sugerem a um mortalista o fim da existência dos condenados: Isa 47,14, Pr 10,25; Sl 37,22; Sl 37,9-10, 20, 38; Sl 145,20; etc.

Mas também há os vários trechos que falam de uma punição que perdura eternamente. Dentre eles:

"Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrar na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga." (Mc 9,43-44)

Mais alguns: Mat. 18:8, Mat. 3:12, Apo. 14:11, Mt. 25:41, Mc. 9:43, Apo 19:3, Jd. 1:7, Lc. 3:17, etc.

Bem, como se vê, a questão é espinhosa, e tanto os textos pró-inferno quanto os contra são, em geral, convincentes. Para resolver o impasse de vez, teríamos de abordar a questão da imortalidade da alma, o que por ora não dá pra fazer, pois este é um tema gigantesco - mas de que ainda iremos tratar detidamente aqui.

Porém há uma combinação de trechos bíblicos que, na primeira vez em que a vi, considerei suficiente para afastar a tese do mortalismo. Ele está no livro do Apocalipse. Acompanhemos:

No capítulo 19, versículo 19 em diante, lemos:

"Eu vi a Fera e os reis da terra com os seus exércitos reunidos para fazer guerra ao Cavaleiro e ao seu exército. Mas a Fera foi presa, e com ela o falso profeta, que realizara prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da Fera e se tinham prostrado diante de sua imagem. Ambos foram lançados vivos no lago de fogo sulfuroso." 

Este lago sulfuroso seria supostamente a destruição última e total de todos os que são lançados lá. Contudo, acompanhemos. No capítulo 20, um anjo desce do céu com a chave do abismo e aprisiona o Dragão, "a primitiva Serpente". Esta prisão dura mil anos, conforme se lê no versículo 2 e 3. Pois bem: mil anos! Atente nisso.

Depois de passar todo esse tempo, chega a hora de o demônio ser solto "por um pouco de tempo", para seduzir as nações dos quatro cantos da terra. É então que ocorre o que lemos a seguir:

"Mas desceu um fogo dos céus e as devorou. O Demônio, sedutor delas, foi lançado num lago de fogo e de enxofre, onde já estavam a Fera e o falso profeta, e onde serão atormentados, dia e noite, pelos séculos dos séculos." (20, 9-10)

Como, depois de mil anos, a Fera e o falso profeta ainda estavam lá? Mas nem que fosse com uma estrelinha de São João! Imagina sendo um "lago de fogo sulfuroso"?

Será um problema de tradução? Vamos à Bíblia de Jerusalém:

"O Diabo que os seduzira foi então lançado no lago de fogo e de enxofre, onde já se achavam a Besta e o falso profeta."

A versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel complica ainda mais a vida dos mortalistas:

"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre."

Além do problema do trecho grifado, o que fazer com a afirmação exatamente subsequente?

"E de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" ou "pelos séculos dos séculos"

O termo utilizado "de dia e de noite" sugere claramente a continuidade do sofrimento, e este, em consonância com o que Nosso Senhor mesmo falou, não tem fim: é contínuo choro e ranger de dentes, pelos séculos dos séculos.

Finados e Indulgência Plenária para as almas


“A indulgência retira as penas das almas do purgatório”

Prof. Felipe Aquino

No Dia de Finados, “aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Encher. Indulgentiarum, n.13)”.

“Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).” (pg. 462 do Diretório Litúrgico da CNBB).

Mas, afinal, o que é indulgência? Para falar deste assunto tão comentado pelos fiéis da Igreja Católica, durante o Dia de Finados, o cancaonova.com conversou com o professor Felipe Aquino.

cancaonova.com: O que é indulgência?

Felipe Aquino: A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada ‘pena temporal’, que é o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório, se a pessoa morrer com elas.

A indulgência retira essas penas das almas do purgatório; elas fazem aquilo que nós chamamos de sufrágio da alma.

cancaonova.com: A indulgência é do tempo de Jesus ou uma criação do Papa?

Felipe Aquino: A indulgência é uma descoberta da Igreja, mas que, evidentemente, está no coração de Jesus. Ele não ensinou todas as coisas para Igreja, mas deixou que o Espírito Santo fosse as ensinando. Tanto é que, na Santa Ceia, Ele disse para os apóstolos: “Eu ainda tenho muitas coisas para ensinar, mas vocês não estão preparados para ouvir agora. Quando vier o Espírito Santo ensinar-vos-á todas as coisas ” (Jo 16,12). O Espírito de Deus, então, foi ensinando para a Igreja, nesses 2 mil anos, e as indulgências começaram logo nos primeiros séculos. Ela foi aprovada pela Igreja e pelos papas até hoje, mas, evidentemente, está tudo no coração de Jesus.

cancaonova.com: Há diferentes tipos de indulgências?

Felipe Aquino: Há dois tipos de indulgências: a plenária e a parcial. A indulgência parcial é aquela que nós conseguimos para uma alma do purgatório, e ela fica aliviada de parte de suas penas. Na indulgência plenária, a alma fica aliviada de todas as suas penas, ou seja, dali, ela vai para o céu.

‘Cumprindo-se 4 exigências, pode-se ganhar uma indulgência plenária a cada dia’

cancaonova.com: Podemos fazer as indulgências em qualquer época do ano?

Felipe Aquino: Sim. Podemos ganhá-las todos os dias para a nossa alma ou para uma alma do purgatório. Basta fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, rezar pelo o Papa pelo menos um Pai Nosso e uma Ave-Maria. Depois, fazer uma das quatro coisas que eu vou dizer agora: fazer meia hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, meia hora de leitura bíblica meditada, a via-sacra na Igreja, ou rezar um terço em família ou na comunidade diante de um oratório com a imagem de Nossa Senhora. Cumprindo essas 4 exigências, a pessoa pode ganhar uma indulgência plenária a cada dia, uma vez por dia e para cada alma.

cancaonova.com: Podemos oferecê-la para alguém? Qualquer alma pode recebê-las?

Felipe Aquino: Podemos oferecer para qualquer alma do purgatório ou para nossa própria alma. A condição é essa, que a alma esteja no purgatório.

cancaonova.com: Se eu ofereço a indulgência para alguma alma, preciso continuar rezando por ela?

Felipe Aquino: Se você quiser, continua rezando, mas se cumpriu as quatro exigências para a alma conseguir a indulgência, pronto. Agora, se você quiser continuar rezando mais, pode.

cancaonova.com: Se eu rezo por alguma alma, mas ela já está no céu ou no inferno, minhas orações são em vão?

Felipe Aquino: Não são. Todas as orações pertencem à comunhão dos santos, que é a união da Igreja que está na Terra, no Céu e no Purgatório. Qualquer oração, se não beneficia a Igreja padecente no purgatório, pode beneficiar a Igreja militante na Terra.

cancaonova.com: E quanto às crianças que faleceram, também necessitam de nossas orações?

Felipe Aquino: Recentemente, o Papa Bento XVI colocou essa questão bem clara; ele pediu, inclusive, para a Comissão Teológica Internacional do Vaticano estudar a questão. Eles foram bem claros: a criança que morre sem o batismo está salva, vai para o céu. Mas a Igreja recomenda que se reze por essa criança.

Imortalidade da Alma e Experiências de Quase Morte


Sobre a imortalidade da alma:

- É algo constatado pelas Escrituras, sobretudo no Novo Testamento, e de várias formas;
- É demonstrado pela Filosofia;
- É atestado pela Ciência através das EQMs, isto é, das experiências de quase morte.

Falemos um pouco dessas últimas:

O fenômeno é o seguinte: uma pessoa chega a morrer clinicamente por alguns minutos ou até mesmo horas e, depois, consegue ser reanimada pelos médicos. Destas pessoas, cerca de oito por cento relatam ter visto "coisas". Aqui as opiniões se dividem; há quem diga que tais coisas sejam reais; há quem afirme serem apenas alucinações. Analisemos, então, o conteúdo de tais visões.

Primeiro, as visões se dão não somente com relação a realidades superiores, mas são também visões de fenômenos terrenos que ocorrem enquanto a pessoa está morta. 

Sobre as visões celestes: é impressionante a unidade dos elementos fundamentais: túnel, exame de consciência, luz, familiares mortos, limite a partir do qual não se volta mais, anjo da guarda reconhecido de imediato, visão de um sujeito que emana bondade;

Ora, que mecanismo fisiológico seria capaz de gerar um conjunto tão harmônico de ilusões a respeito do céu, não obstante as diferenças culturais e de crenças? E por que, justamente, a respeito do céu? Se a lógica do cérebro fosse somente confortar a pessoa - como o defendem os céticos -, por que isto teria a ver com um exame de consciência onde a pessoa contempla as coisas erradas que fez e, portanto, passa por desconfortos?

Depois, como dito acima, fazem parte do conteúdo das visões "fora do corpo" certas realidades que se passam no ambiente terreno durante o estado de morte. Estas visões, portanto, podem ser confirmadas tão logo a pessoa acorde. É comum que elas descrevam a entrada e saída de pessoas das salas de hospitais, os detalhes das roupas ou de posições corporais dos médicos e visitantes, e tudo isso enquanto elas estavam mortas, isto é, enquanto não havia atividade cerebral. Uma vez que elas acordam, porém, e passam a descrever tais coisas, os presentes passam a confirmá-las porque, de fato, ocorreram.

Disto se deduz que a imortalidade da alma é um fato. E há inúmeros relatos de EQMs.

O Menino que viu o Céu e conversou com Jesus



Podemos dizer, com certeza, que alguém foi para o Inferno?


Participei de uma discussão no facebook sobre a possibilidade de o ditador venezuelano Hugo Chávez não ter se condenado. Um rapaz lá defendia que podemos ter a "certeza moral" sobre a sua condenação. Porém, se a princípio a conversa parecia promissora, foi só o sujeito ser imprensado para que, faltando-lhe os argumentos, passasse de "filósofo tomista" a mero desbocado. Que era pretensioso, no entanto, via-se desde o início. Sobre o assunto tratado, então, quero trazer três textos. Os grifos são meus.

O primeiro, de autoria do Prof. Sidney Silveira, do Contra Impugnantes, diz o seguinte:

Para um católico, a salvação e a perdição são um grande mistério. Todos os que, ao longo dos séculos, tentaram resolvê-lo de forma definitiva acabaram caindo em alguma heresia. Ademais, nada menos caridoso do que desejar que alguém vá arder no inferno, mesmo sendo o pior dos homens. O contrário, sim, é católico: desejar a salvação mesmo dos maus, para que se manifeste gloriosamente a misericórdia divina.
Aos que, portanto, estão imbuídos de tão malignos votos, lembramos: teologicamente, ninguém merece o céu. O mérito do sangue de Cristo na cruz resgatou-nos, e não os nossos méritos. O Bom Ladrão recebeu a graça de morrer em amizade com Deus, não obstante a sua vida de crimes confessados na hora final. 
Desejar que alguém vá para o inferno é desejar o mesmo que o demônio, inimigo da nossa salvação; matéria de confissão, muito mais do que os pecados da carne.


O próximo texto é de autoria do Prof. Carlos Nougué, e traz o que segue:

"Lemos aqui e ali votos de que Hugo Chávez vá arder no fogo do inferno. Isso não é católico. Não podemos perscrutar o segredo da eleição divina, e, como diz Santo Agostinho, Deus salva no último instante verdadeiros poços de lama. Por quê? Não o sabemos; sabemos apenas, como diz ainda o mesmo Santo, que sua Justiça é perfeitíssima, bem como sua Dileção. Ademais, vimos Hugo Chávez falar e falar de Cristo nos últimos meses de vida. Como não sabemos o que ocorreu entre o Espírito e sua alma no leito de morte, se teve ou não a graça eficaz para arrepender-se contritamente de seus pecados, só nos resta guardar silêncio e alegrar-nos muito interiormente com a sempre possível e sobrenatural salvação de qualquer pecador. "

E, por fim, transcrevo uma parte dos Diálogos de Deus Pai com Sta Catarina de Sena, em que Ele fala sobre a possibilidade última de salvação de alguém no leito de morte, embora seja absurdamente temerário esperar tal momento para arrepender-se:

"Os pecadores não podem desculpar-se. Continuamente são por mim convidados ao conhecimento da Verdade. Não se corrigindo enquanto podem fazê-lo, uma segunda repreensão os condenará. Ela acontece no último instante da vida, quando meu Filho chamar: “Surgite mortui, venite ad judicium” (Levantai-vos, ó mortos, vinde para o julgamento)! Tu que morreste para a graça e morto chegas ao fim da vida terrena, levanta-te, aproxima-te do supremo Juiz. Aproxima-te com tua maldade, com teus julgamentos falsos, com a lâmpada da fé apagada. No santo batismo, ela foi-te entregue acesa; tu a apagaste com o sopro do orgulho e da vaidade do coração, usados como velas enfunadas às ventanias contrárias à salvação. O amor da fama soprava teu amor-próprio e tu corrias alegre pelo rio dos prazeres mundanos; seguias a frágil carne, as incitações do demônio, as tentações. Tua vontade era um pano retesado e o diabo te conduziu pela estrada do mal, junto com ele, para a eterna condenação... 
Filha muito querida, esta segunda repreensão se dá no fim da vida, quando não há mais remédio. Ao chegar o instante da morte, o homem sente remorso. Já afirmei que ele é um verme cego por causa do egoísmo. No instante final, quando a pessoa compreende que não pode fugir das minhas mãos, esse verme recupera a visão e atormenta interiormente a pessoa, fazendo ver que por própria culpa chegou a tão triste situação. Se o pecador se deixar iluminar e se arrepender – não por medo dos castigos infernais, mas por ter ofendido a suma e eterna bondade – ainda será perdoado. Mas se ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no sangue [de Cristo] ou, então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha – e não por ter me ofendido – irá para a perdição. Sobrevirá, pois, a repreensão pela injustiça e falso julgamento. 
Em primeiro lugar, a repreensão da injustiça e do julgamento falso em geral, praticados no conjunto de suas ações; depois, em particular, do último instante, quando o pecador considera seu pecado maior que minha misericórdia. Este (Mt 12,32) é o pecado que não será perdoado, nem aqui nem no além. O desprezo voluntário da minha misericórdia constitui pecado mais grave que todos os anteriores. Neste sentido, o desespero de Judas desagradou-me e foi mais grave que a sua traição. Também para meu Filho! É por causa deste (último) julgamento falso que o pecador sofre a repreensão, ou seja, porque acha que sua falta é maior que meu perdão. Este é o motivo da punição, indo sofrer eternamente com os demônios."

As más confissões são o principal motivo de perdição dos católicos


Discípulo — Padre, poderia explicar-me a razão deste livro?

Mestre — Chamei-o assim por causa do fato seguinte:

Conta-se certa moça, tendo caído por desgraça num desses pecados que tanto envergonham na confissão, vivia triste e desconsolada. Passaram-se assim muitos meses, sem que nenhuma das companheiras da coitada descobrisse a causa de tanta aflição. Nesse ínterim, aconteceu que a sua melhor amiga, muito virtuosa e devota, morreu santamente. Uma noite, a chamam pelo nome, quando está no melhor do sono; reconhece perfeitamente a voz da amiguinha morta que vai repetindo:

Confesse-se bem... se você soubesse o quanto Jesus e bom!

A moça tomou aquela voz por uma revelação do céu, criou coragem e, decidida, confessou o pecado que era a causa de tanta vergonha e de tantas lágrimas. Naquela ocasião, tamanha foi a sua comoção, tão grande o seu alívio que depois disso, contava o fato a todo o mundo, e repetia por sua vez: "Experimentem e vejam o quanto Jesus é bom".

D. — Muito bem! — acredito nisso plenamente, porque, já fiz mais de cem vezes a experiência de tal verdade.

M. — Pois então agradeça a Deus de todo o coração e continue a fazer boas confissões. Ai daquele que envereda, pelo caminho do sacrilégio! É essa a maior desgraça que nos pode acontecer, porque dela não teremos mais a força de nos afastar, e assim prosseguiremos, talvez até à morte, precipitando-nos no abismo da perdição eterna.

D. — É assim tão nefanda uma confissão mal feita?

M. — É o principal motivo, a causa capital da perdição!

D. — Deveras?

M. — Assim é, infelizmente! São as confissões mal feitas o motivo pelo qual tantas pessoas perdem suas almas e vão para o inferno.

D. — Mas não há exagero nisso?

M. — Exagero nenhum, e nem sou eu quem o diz: afirmam-nos os Santos que melhor conhecem as almas e viu-o Santa Teresa em uma visão. Estava a Santa rezando, quando, de repente abrem-se diante dos seus olhos uma voragem profunda, cheia de fogo e de chamas; e nesse abismo precipitam-se com abundância, como neve no inverno, as pobres almas perdidas.

Assustada, a Santa levanta os olhos ao céu e:

— Meu Deus, exclama, meu Deus! O que é que eu estou vendo? Quem são elas, quem são todas essas almas que se perdem? Com certeza devem ser as almas dos pobres infiéis.

— Não, Teresa, não! Responde o Senhor. As almas que neste momento vês precipitarem-se no inferno com o meu consentimento, são, todas elas, almas de cristãos como tu.

— Mas então devem ser almas de pessoas que não acreditavam, que não praticavam a Religião, que não freqüentavam os Sacramentos! 

— Não, Teresa, não! Fica sabendo que essas almas pertencem todas a cristãos batizados como tu, e, que, como tu, eram crentes e praticantes...

— Mas se assim é, naturalmente essa gente nunca se confessou, nem mesmo na hora da morte...

— No entanto, são almas que se confessavam, e confessaram-se também antes de morrer...

— Por qual motivo então, ó meu Deus, são elas condenadas?

— São condenadas porque se confessaram mal...

Vai Teresa, conta a todos esta visão e recomenda aos Bispos e Sacerdotes que nunca se cansem de pregar sobre a importância da confissão e contra as confissões mal feitas, afim de que os meus amados cristãos não transformem “o remédio em veneno; afim de que não se sirvam mal desse sacramento, que é o sacramento da misericórdia e do perdão.”

D. — Pobre Jesus!... São assim tão numerosas as confissões mal feitas?

M. — S. Afonso, S. Felipe Néri, S. Leonardo de Porto Maurício, afirmam unanimemente que, infelizmente, o número das confissões mal feitas é incalculável. Eles, que passaram à vida no confessionário e à cabeceira dos moribundos, sabem dizer a pura verdade. E nós que erramos, de terra em terra, pregando exercícios e missões, somos obrigados a afirmar a mesma coisa. O célebre Padre Sarnelli, na sua obra “O mundo santificado” exclama: “Infelizmente são incalculáveis as almas que fazem confissões sacrílegas: sabem disso, em parte, os Missionários de longa experiência, e cada um de nós virá sabê-lo, com grande pasmo, no vale de Josafá. Não só nas grandes capitais, mas nas cidades menores, nas comunidades, no meio daqueles que passam por piedosos e devotos encontram-se em grande número os sacrílegos...”

O Padre Tranquillini, da Companhia de Jesus, tendo sido chamado à cabeceira duma senhora gravemente enferma, acode com solicitude e a confessa: mas, chegada à hora da absolvição, ele sente qualquer coisa que, como se fosse uma mão de ferro, o impede de prosseguir.

— Minha senhora, diz ele, talvez se tenha esquecido de alguma coisa...

— Impossível, Padre, estou me preparando há oito dias...!

Depois de algumas preces, tenta uma segunda vez; mas, a mesma mão o impede de novo.

— Desculpe, minha senhora, replica o Padre, talvez a senhora não ouse confessar algum pecado...

— O quê diz, Padre? Isso me ofende. Como pode supor que eu queira cometer um sacrilégio?

Torna a tentar pela terceira vez a absolvição e ainda uma vez aquela força invisível o impede de agir. Não podendo compreender qual o mistério que se escondia num fato tão extraordinário, cai de joelhos, e, chorando, suplica àquela senhora, que não se traia, que não seja a causa da própria perdição.

— Padre, exclama ela então, Padre, há quinze anos que eu me confesso mal!

Veja, portanto, como é fácil achar-se quem se confessa mal!

D. — Chega, Padre, isto me faz estremecer.


Se quiser baixar o livro, ele foi disponibilizado para download pelo blog Alexandria Católica.
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