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A promessa dos bebês - Fantástico testemunho!


Eu lembro disso claramente. Eu lembro do dia em que a minha futura esposa e eu tínhamos conversado sobre os filhos. Ela me perguntou: Quantos filhos você quer ter?" Eu, sendo eu, respondi: "Quem se importa? Quem se importa com quantos filhos eu quero ter?"

Minha esposa, já a caminho da santidade por escolher essa cruz que sou eu, disse: "Eu quero dizer, quanto você acha que é um bom tamanho pra uma família?

"Um bom tamanho? Dezesseis. Esse é um bom tamanho."

"Por que você está se doendo assim? Você sabe o que eu quero dizer."

"Sim, eu sei o que você quer dizer. Eu estou apenas tentando chamar atenção. Eu não sei qual o tamanho ideal para a nossa família, mas eu tenho certeza que Deus sabe. Deixe-me dizer assim. Quando os filhos vierem, eu farei a você a seguinte promessa. Eu nunca direi não a você e eu nunca direi não a Deus."

Minha esposa me fez a mesma promessa. Nós não fomos católicos ingênuos desesperados a mostrar a nossa resolução. Minha esposa tinha todas as preocupações que a maioria das mulheres têm. Quantos eu posso suportar? Quantos meu corpo pode suportar? E com relação ao dinheiro? Eu terei que sair do emprego? E assim por adiante. E nós discutimos todas essas coisas nos dias em que eu não estava sendo um imbecil. Nós discutimos isso. Nós pensamos sobre isso. E nós rezamos a respeito. No fim, nós simplesmente apenas pusemos o número nas mãos de Deus.

Nós não casamos até que estivemos nos nossos trinta, e depois do nosso primeiro, algumas vezes nós estivemos um pouco sobrecarregados. Mas nós mantivemos nossa promessa um ao outro e pusemos nossa confiança em Deus.

Depois do nosso segundo, é verdade, algumas vezes nós estivemos um pouco sobrecarregados. Mas nós mantivemos nossa promessa um ao outro e pusemos a nossa confiança em Deus.

Depois do nosso terceiro, nós estivemos quase sempre sobrecarregados. Minha esposa abandonou o trabalho. Ter três crianças ainda pequenas foi difícil para minha esposa. O dinheiro estava apertado. Nós não estávamos seguros de como podíamos lidar com um outro filho. Mas nós mantivemos a nossa promessa um ao outro e pusemos a nossa confiança em Deus.

Ora, nós estávamos em desvantagens e quebramos de algum modo. Então nós mantivemos nossa promessa um ao outro e pusemos a nossa confiança em Deus. As pessoas, a sociedade, todos nos disseram para parar. Com certeza, nós ouvimos todas as piadas. Mas nós prometemos e nós confiamos.

Mas nós também enfrentamos escolhas difíceis. Nós encaramos questões de saúde que nos fizeram avaliar tudo. Mas nós mantivemos a nossa promessa um ao outro e pusemos a nossa confiança em Deus.

Ao todo nós tivemos 5 filhos em 7 anos. Minha esposa brinca que se eu tivesse dito 5 filhos em 7 anos durante a conversa inicial, ela teria tido um ataque do coração. Mas o que nós sabíamos sobre com o quanto nós conseguíamos lidar? Por isso nós decidimos não calcular.

Então agora que os anos dos bebês se passaram sabe qual é o lamento da minha esposa? Eu desejaria que nós tivéssemos nos conhecido mais cedo, assim nós poderíamos ter mais bebês.

Eu tenho muitos arrependimentos na minha vida como todos nós temos. Mas a melhor decisão que eu tomei na vida foi fazer e manter aquela promessa para minha esposa.

Tradução minha do original inglês em: National Catholic Register

Por que o católico não pode votar no PT? Ou vote e ganhe de brinde duas excomunhões.


Estamos numa época intensa de disputa eleitoral. O país todo veste suas camisas, faz seus apelos; debates vivos surgem aqui e ali. No entanto, dado o atual estado de coisas, o católico só pode ter uma opção: não votar no PT.

Tenho visto amigos em dúvida. Outros declaram abertamente adesão ao Partido dos Trabalhadores. Até padres revelam intenção de votar na senhora Dilma. E, não obstante, há sérios impedimentos que vedam ao católico esta possibilidade. Entendamos quais são eles:

Primeiramente, o PT é um partido abortista. Isso se vê de vários modos. Mas, apenas para ficar em um ou outro, voltemos ao ocorrido em 2009, quando o PT puniu dois dos seus deputados - Luiz Bassuma e Henrique Afonso - pelo crime nefando de se declararem contrários à descriminalização do aborto. Veja aqui.

Isso está de acordo com o Estatuto do PT, onde se esclarece que um integrante do partido deve estar "previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato", e, ainda, que um candidato que desobedecer alguma dessas normas ou resoluções "será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato" (Estatuto do PT, art. 140, §1 e 2Leia o Estatuto na íntegra aqui. O citado está na página 34.

Dentre as resoluções que vinculam obrigatoriamente os candidatos do Partido, há uma, aprovada no 3º Congresso do PT, ocorrido em agosto e setembro de 2007, onde se propugna a "defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à [sic] todos os casos no serviço público" dando às mulheres o direito de "assim optarem", tornando o aborto factível a partir de uma simples deliberação. As resoluções deste Congresso podem ser vistas aqui, sendo que o referido se encontra na página 82.

Além disso, é digno de nota o lamento feito pelo PT pelo fato de, já no corrente ano, terem-se elegido muitos parlamentares conservadores, aos quais o PT chama de "extrema-direita" - tudo o que não concorde com eles é extrema-direita. E o grande motivo disso é que tal estrutura "jurássica" do Congresso dificultará discussões sobre as uniões homoafetivas, a legalização da maconha, e o aborto. Veja aqui.

Se se quiser, ainda, comprovar a sanha abortista e imoral desse partido, com o qual um católico não pode, em situação alguma, coadunar, leia-se o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o PNHD-3, defendido pelo PT, onde, dentre outras coisas, se diz:

- "Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde" e, mais abaixo, "recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto; (Diretriz 9, Objetivo Estratégico III, letra G)

- "Implementar mecanismos de monitoramento dos serviços de atendimento ao aborto legalmente autorizado, garantindo seu cumprimento e facilidade de acesso." (Diretriz 17, Objetivo Estratégico II, letra G)

Leia o PNHD-3 na íntegra aqui.

Veja ainda aqui o Dr. Yves Gandra falando a respeito desse Plano, já antecipando um pouco o segundo motivo pelo qual um católico não pode votar no PT: a tentativa de comunistizar o Brasil.



O aborto é um crime absurdo onde se mata o infante indefeso que está sendo gestado. Essas políticas de descriminalização tentam realizar uma revolução semântica em termos como "direitos reprodutivos", "violência sexual" ou "planejamento familiar", a fim de que tais expressões, ao mesmo tempo em que se isentam de causar reações adversas nas pessoas, incluam realidades como o suposto direito ao aborto. O Pe. Sanahuja explica: "mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma estratégia para que a reengenharia social seja aceita por todos, sem protestar." E ainda: 


"Estamos em meio a uma batalha da qual uma das frentes mais importantes é a semântica. Por exemplo, temos visto que o termo paternidade responsável, na boca de um político, segundo os códigos universalizados pelas Nações Unidas, não terá o mesmo significado contido nos documentos da Igreja. No linguajar de alguns parlamentares poderia significar, segundo as circunstâncias, desde a distribuição maciça de contraceptivos até mesmo a intenção oculta de promover o aborto. O mesmo se poderia dizer da expressão violência contra a mulher ou mesmo do termo tortura, palavras que o comum das pessoas nem imagina que possam esconder uma referência ao suposto direito ao aborto e outras aberrações." (Mons. Claudio Sanahuja, Poder global e religião universal, São Paulo, Ecclesiae, 2012. p.15.)

Bento XVI, por sua vez, se pronunciou numa Audiência Geral, nos seguintes termos:

"Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI, Audiência Geral, 07-10-09)

Um católico não pode defender isso sob pena de excomunhão. De todos os direitos possíveis ao ser humano, o mais importante deles é o direito à vida, sem o qual todos os demais não têm sentido algum e o qual todos estes outros direitos pressupõem necessariamente. Defender a vida desde a sua concepção até o seu fim natural é um dever inescusável de todo católico.

A CNBB inclusive escreveu um texto aos católicos, fazendo uma busca retroativa dos passos do PT e da ex-candidata Marina Silva em favor da prática deste crime que clama aos céus. O texto conclui citando o bispo de Guarulhos, Dom Edmilson Amador Caetano, que, no final do seu artigo "Fé e Política", escreve: "se um candidato…escolheu um partido que tem posições contrárias à defesa da vida, desde a sua concepção até à morte natural, e vincula e obriga os seus membros a esta posição, seria imoral para o cristão fazer tal opção política.” Recomendamos vivamente a leitura deste texto, que pode ser lido aqui.

Leia ainda o pronunciamento do Papa Bento XVI, em 2010, onde, dentre outras coisas, ele diz:

"Quando (...) os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas. (...) Seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural. Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro (...)? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto (...), o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases. Portanto, caros irmãos (...), ao defender a vida, não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo." (Discurso aos bispos do Regional Nordeste V, em visita Ad Limina.)
Veja o discurso inteiro aqui.

Votar em um partido que defende e promove a prática do aborto significa tornar-se cúmplice moral de tal crime. Portanto, pune-se o católico que o fizer com a excomunhão automática, chamada Latae Sententiae, porque há como uma excomunhão latente no próprio ato de promoção do aborto. Assim, ainda que ninguém o saiba nem o declare, a excomunhão ocorre.

Assista ao Pe. Paulo Ricardo explicando isso:



A outra razão para que o católico não possa votar no PT é que ele integra o Foro de São Paulo. Este Foro, desconhecido pela maioria das pessoas, é uma organização supranacional, fundada em 1990, por Lula e Fidel - Cruz Credo! - e que tem por objetivo a instauração de um governo socialista em toda a América Latina.

Se alguém quiser observar por si mesmo como o PT faz parte do Foro, veja aqui.

Chamo a atenção, ainda, para os seguintes vídeos:





E aí, ganham sentido todos esses namoricos que o governo brasileiro tem com Cuba, Venezuela, Argentina, etc., e o próprio fato de o PNDH-3, que o PT quer implantar no Brasil, ser tão semelhante ao modelo venezuelano. Esses atos nada mais são senão um esforço de integração dos governos socialistas para que se acelere o processo de comunização do Brasil.

Sobre os gastos com o Porto de Mariel, em Cuba, assista:



Veja ainda esses vídeos




No que se refere ao Socialismo, a Igreja também é tão oposta que chega a declarar, também, excomungado quem de algum modo o promove. Leia o Decreto contra o Comunismo, datado de 1949, escrito pelo Papa Pio XII, aqui. Este Decreto não passa a excomungar o católico a partir de então. Pelo contrário, ele apenas positiva o que já era, desde há muito, a posição da Igreja. Já Pio XI, em 1931, na Quadragesimo Anno, uma Encíclica que celebrava os quarenta anos da grande Rerum Novarum, explicitava: "Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios : ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista." Quanto aos católicos que passavam a defender o Socialismo, escreve o Papa: "Nós com paterna solicitude ansiosamente vamos considerando e indagando como foi possível que chegassem a tal aberração", e ainda:
"Porém nem a injúria Nos ofende, nem a magna desalenta o Nosso coração paterno a ponto de repelirmos para longe de Nós estes filhos tristemente enganados e saídos do caminho da verdade e da salvação; ao contrário com toda a possível solicitude os convidamos, a que voltem ao seio da Santa Madre Igreja. Oxalá que dêem ouvidos à Nossa voz! Oxalá que voltem à casa paterna donde saíram e aí permaneçam na seu posto, nas fileiras daqueles que, fieis às directivas promulgadas por Leão XIII e por Nós hoje solenemente renovadas, procuram reformar a sociedade segundo o espírito da Igreja, fazendo reflorescer a justiça e a caridade sociais."

Leia-a inteira aqui.

Portanto, há pelo menos duas excomunhões escondidas no voto ao PT, e isso deveria ser para o católico um motivo mais que suficiente para que ele entendesse que há razões graves para não fazê-lo. Um católico que faz tal escolha declara, através de sua livre atitude, que não se importa e não defende a moral da Igreja em pontos gravíssimos, tais como são a defesa da vida desde a concepção e a discordância intrínseca a quaisquer formas de socialismo, um regime que, no decorrer da história, foi o responsável por não menos que cem milhões de mortos. Desse modo, por sua própria escolha, exclui-se da comunhão católica.

Fábio.

"Sócrates" e "Marx" discutem sobre a tese comunista de abolição da família


SÓCRATES: Chegamos agora ao teu próximo ponto, o clamor comunista pela abolição da família. Aqui, mais do que nunca, creio que a compreensão - mais que a discussão - é suficiente, que a simples percepção de que falas com seriedade e que queres dizer aquilo que dizes será suficiente para a grande maioria das pessoas, especialmente para aquelas a quem apelas: o proletariado, os pobres.

Talvez eu devesse começar elogiando-te por tua consistência lógica, pois percebes que a família, a religião e um "eu", ou uma alma, e também aquilo que chamas de senso burguês de individualidade vigoram ou fenecem juntos.

Tua resposta à objeção de que o comunismo abole a família começa pela asserção de que "a família atual, a família burguesa [...] baseia-se no capital, no ganho individual". Portanto, crês que ela desaparecerá uma vez que sua causa houver desaparecido. Estou certo?

MARX: Sim.

SÓCRATES: E sua causa é - o capital!

MARX: Sim, é.

SÓCRATES: Acreditas realmente no que escreveste, que, para o marido burguês, "sua mulher nada mais é que um instrumento de produção"?

MARX: Eu teria escrito isso se não acreditasse no que digo?

SÓCRATES: Não sei; terias?

MARX: Digamos apenas que aquilo que eu escrevi, eu escrevi.

SÓCRATES: Dize-me, formulaste os princípios do comunismo antes ou depois que conheceste a mulher com quem te casaste?

MARX: Depois.

SÓCRATES: Então, antes disso, não eras um comunista.

MARX: Verdade.

SÓCRATES: E em que tipo de sociedade cresceste? Uma sociedade feudal?

MARX: Em uma sociedade burguesa.

SÓCRATES: Logo, eras um dos membros da burguesia, então?

MARX: Sim.

SÓCRATES: Assim, como burguês, quando pediste tua mulher em casamento, disseste algo como isto? - "Ó Jenny, consentes em seu meu instrumento de produção?"

MARX: Sarcasmo não é lógica, Sócrates.

SÓCRATES: Respondes à minha questão?

MARX: Meu argumento é simplesmente que a família burguesa se baseia na opressão.

SÓCRATES: De mulheres ou crianças?

MARX:  De ambos.

SÓCRATES: E a tua própria experiência confirma esse juízo?

MARX: Sim, eu cresci em uma família opressiva.

SÓCRATES: E tu, por tua vez, oprimiste a tua mulher e teus filhos? Como fazem todos os pais burgueses, de acordo com  tua própria teoria?

MARX: Injusto, injusto!

SÓCRATES: Mas, se Jenny estivesse aqui, tenho certeza de que confirmaria tua teoria, assim como o fariam o "Mosquinha" (Apelido do filho de Marx, Edgar) e Franziska. No entanto, eles também já seguiram adiante, e Freddy não virá antes de muitos anos.

MARX: Como sabes acerca de Henry Frederick?

SÓCRATES: Engels, antes de sua morte em 1895, contou a Tussy (apelido da filha de Marx, Eleanor) que Freddy era teu filho bastardo.

MARX: Então Eleanor sabe? Engels contou à minha Eleanor? Traidor! Mas como podes saber do futuro?

SÓCRATES: Aqui, todo tempo é presente.

MARX: Isso é simplesmente intolerável. Não hei de suportá-lo! Quem quer que esteja por trás de ti, tua imitação de Sócrates, hei de aniquilar-te e a eles também!

SÓCRATES: Agora pareces exatamente com o homem descrito pelo irmão de Bruno Bauer: "Estourando de fúria, cerra-se o punho maligno, e o homem urra interminavelmente, como se dez mil demônios estivessem a puxá-lo pelos cabelos." Ou, melhor ainda, tu te pareces com a descrição que Karl Heinzen fez de ti: "um cruzamento entre um gato e um símio [...] a cuspir jatos de fogo cruel". Ou Lassalle...

MARX: Lassalle era um tolo completo. Deves primeiro ouvir minha descrição dele e, sob essa luz, avaliar a descrição que ele fez de mim.

SÓCRATES: Se insistes. Em uma carta a Engels (30 de julho de 1862), descreveste teu amigo, o primeiro grande líder trabalhista alemão, como "o Preto Judeu" e "um judeu ensebado que se disfarça sob brilhantina e jóias baratas. Como o formato de sua cabeça [...] indica, ele descende dos pretos que se juntaram à fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou sua avó paterna tenham cruzado com um negro)".

MARX: Onde queres chegar?

SÓCRATES: Quero dizer apenas que teus leitores poderão decidir por si mesmos se és aquele homem em quem podem confiar pra substituir a instituição da família por um suplente radicalmente novo, de tua própria criação.

MARX: Eu hei de abolir a exploração das crianças por seus pais!

SÓCRATES: Farias isso, de fato - e o farias pela abolição das crianças e dos pais! É como abolir uma doença pela abolição de todos aqueles que sofrem dela. Devo admitir que isso realmente parece ser cem por cento efetivo. Mas a um custo de cem por cento. De acordo com a tua economia, pois, essa é uma boa relação custo-benefício?

MARX: Sim, é! Pois que o Estado será a família universal, o pai universal e a criança universal, já que o Estado será as pessoas e as pessoas serão o Estado.

SÓCRATES: Entendo: com a abolição da propriedade privada, vem a abolição da família privada, já que mulheres e filhos nada mais são que propriedades.

MARX: No capitalismo, sim.

SÓCRATES: E a própria privacidade desaparecerá quando sua causa econômica, a propriedade privada, for abolida.

MARX: Sua forma burguesa, sim. A forma comunista será totalmente diferente.

SÓCRATES: Teus contemporâneos já sabem, em função de seu presente e de sua experiência, qual é a forma burguesa da privacidade. Porém, nada podem saber da forma comunista ainda, não até que ela se torne presente e deixe de ser futuro. Até que isso ocorra, essa forma não é um dado de experiência, mas uma mera "idéia" - categoria da qual pareces escarnecer, embora dependas aqui da idéia para mudar a realidade. E certamente o futuro, em si mesmo, é apenas uma idéia no tempo presente, enquanto o presente e o passado são, ambos, dados e fatos reais, das formas mais concretas, materiais e científicas possíveis. Entretanto, destruiriras o presente e o passado em prol de teu sonho de futuro. Creio que és precisamente o idealista que criticas!

MARX: Por um momento, pensei que tu me compreendias.

SÓCRATES: Acho que te entendo até bem demais.

KREEFT, Peter. Sócrates encontra Marx. São Paulo: Vide Editorial. 2012. p.135-139

Meu Niver - Gratidão


E chegou isto que eu chamo de “meu dia”, o dia em que eu nasci. É interessante como os dias anteriores já me deixam um tanto comovido. Eu fico com um senso de gratidão. Os budistas dizem que o mundo é sempre tal qual o nosso espírito. Embora isto não possa ser entendido na sua literalidade, como alguns o pretendem, ele expressa uma verdade: o nosso modo de olhar para o mundo nos permite ver certas cores. Isso o dizia o próprio Paulo ao escrever que tudo é puro para os que são puros. Eis, pois, que, nesta época, o meu coração cheio de gratidão julga ver no mundo um colorido muito peculiar.

Este ano foi particularmente pródigo na demonstração dos afetos dos meus amigos. Talvez eu pareça insensível a tudo isso; não sei a cara que faço quando sou o alvo desses carinhos. Todos veem que eu sorrio, mas não sei se o julgam tratar-se somente de educação. Na verdade, a repercussão que tudo isto tem dentro de mim é bem maior, como seria de se esperar de um  sujeito com temperamento melancólico sanguíneo. Porém, se foi um tempo de particulares atenções e delicadezas dos amigos, também foi um ano bastante difícil. A idade de vinte e sete anos, da qual saio hoje, é conhecidamente uma idade de tensões e dificuldades. Se estas são importantes para preparar o caráter do homem que está, aí, em formação, eu também fico feliz de avançar para uma nova idade, rs.. Houve e há muita dor, muita saudade, muita falta. Um senso muito agudo de que o curso da vida não segue todas as nossas determinações. A vida nos ensina duramente. Há dores afogadas aqui dentro e que permanecem muito vivas. Mas nada disso impede o senso de gratidão.

Quero, portanto, agradecer primeiramente a Deus que, além de me dar a vida – e de um modo bastante imprevisível -, ainda me concedeu, de ontem pra hoje, a graça da confissão e de tê-lo recebido na Comunhão. Esse foi, de longe, o melhor presente que eu recebi. Que Ele me dê a graça de permanecer fiel mesmo quando as demonstrações exteriores de afeto não forem tão pródigas. Mas quero agradecer também à minha família, à minha tia, ao meu irmão, que me expressaram seu carinho, e também aos demais que, talvez por timidez – o que eu compreendo muito bem – se reservaram a desejar anonimamente o meu bem. É suficiente.

Agradeço também, de forma muito carinhosa – e nem o sei expressar devidamente –, aos meus amigos; a estes que me cercaram, desde a manhã, com suas atenções e seus sorrisos. Tudo isso me surge como um prelúdio do céu. Eu sinceramente os amo. Que bom é poder viver tudo isso. Obrigado, meu Deus, por eles também.

Enfim, em todos os aniversários, gosto de relembrar que, enquanto ele significa mais um ano em que estou por aqui, também representa um ano a menos em que estou por aqui. Em outros termos: se ele marca a distância temporal da minha estadia neste mundo, ele também se refere àquele outro nascimento, mais real, para uma outra vida, também mais real, comparada à qual isto aqui é só um sonho. Então, se o aniversário é a celebração da presença neste mundo, também é ênfase de que tal presença é, ainda, espera. Esta alegria de agora é só um pardo aviso da outra. Se o aniversário, hoje, tende a passar, aquela outra vida será continuamente celebrada e não cederá lugar às tristezas. Será a contínua festa de aniversário; a festa que nunca acaba e que, de algum modo, nunca se torna rotina. Se os presentes recebidos agora são quase imprevisíveis e deles só temos certeza uma vez que os abrimos, o presente recebido lá – o nome que ninguém conhece a não ser quem o recebe – está seguro contra qualquer previsão. O olho não viu, o ouvido não ouviu, a mente não imaginou o que Deus tem preparado para os que O amam. Por isso, mais que tudo, peço a graça de poder amá-Lo, aqui, acima de todas as coisas. E não o peço apenas por interesse. Quero amá-Lo por Ele mesmo. A grande alegria do céu é a posse de Deus.

Enfim, termino com uma frase de Sta Clara de Assis, dita exatamente antes de ela morrer, e que sempre uso por estas datas: "Mil graças, meu Senhor, por me teres criado..."

E como o niver é meu, vamo de música


Dia dos Namorados


Estou, já, atrasado, mas não queria deixar passar essa data. Ontem comemoramos o dia dos namorados e eu gostaria de tecer alguns comentários a respeito.

O que é namorar? O modo como a palavra é escrita parece sugerir que seu significado é estar “em amor” com. Poderíamos ainda brincar e dizer que a pretensão última do namorar está já expressa na terminação do termo: “morar”. O namoro se ordena ao casamento e, portanto, ao ato de morar junto.

Nessa nossa divertida e descuidada análise do nome, já tocamos em pontos fundamentais para compreendermos a ideia do namoro. Aprofundemo-los.

Namorar é estar em amor com, dissemos. Mas o que é amar? Amar é um ato da vontade que deseja, além da proximidade particular de alguém, também o seu bem em todos os aspectos. Porém, tal ato da vontade pede um outro que lhe seja anterior: um ato de conhecimento. É preciso conhecer a pessoa antes de amá-la.

E como podemos conhecer a pessoa? Precisamos, para isso, submeter à nossa inteligência algumas das suas características. Mas isso tudo só se faz depois de algumas impressões, pré-racionais, que obtemos quando entramos em contato com a pessoa e que despertam em nós simpatia ou antipatia. Se for simpatia, aquilo nos abre uma via pela qual poderemos chegar a conhecê-la e, então, teremos como analisar outras características suas e notar se a tal pessoa merece ser amada por nós. Notemos, contudo, que a simpatia ou antipatia inicial se dá de modo pré-racional e às vezes se mantém de modo irracional. Em muitos casos, o que irá determinar a nossa relação com a pessoa, por mais racionais que sejamos, é o modo como nos sentimos ao lado dela. Algumas mulheres terão a experiência de, racionalmente, saber que um dado homem não vale muito a pena e, não obstante, desejá-lo veementemente. Todavia, isso não deve nos dispensar da análise das características mais profundas da pessoa, pois uma relação sólida não se estabelece em cima de impulsos irracionais. Não podemos agir neste terreno de modo inconsequente.

Estes traços dos quais deveremos ter conhecimento a fim de que a nossa vontade possa amar – a vontade deve ser guiada pela inteligência, não pela sensibilidade – não podem se restringir à mera estética, isto é, aos aspectos físicos. Falando de modo mais claro: o determinante para um namoro não deve ser o quanto uma pessoa é “gostosa”. Obviamente, isto tem sua importância, mas está longe de ser o fator mais essencial. Em alguns casos, até, este é um ponto que pode ser dispensado. Há heróis neste quesito...

Mas é preciso se deter principalmente na interioridade da pessoa, no modo particular da sua personalidade, nos seus valores, nos seus projetos e ideais. Se vemos que nela prevalecem certos traços que a fazem digna de ser amada, e se ela, por sua vez, nos corresponde, então já temos o necessário para que se inicie a fase de maior intimidade – mas, ainda, intermediária - que caracteriza o namoro. Aqui se pensa estarem liberadas quase todas as práticas do casamento. Mas isto é falso em absoluto. O namoro deve ser um tempo de carinho e de conhecimento: o carinho se expressa pelo cuidado e respeito, e o conhecimento aí referido não tem por objeto a textura do corpo da outra, principalmente a de certos vértices, nem se a outra pessoa possui uma capacidade respiratória maior que a sua ou se possui uma língua muito flexível. A rigor, o namoro não é tempo de nada disso. Deve ser, antes, uma fase de sondagem da alma do outro. Portanto, é importante ter toda uma atenção com os modos de expressão dos carinhos que, por mais bem intencionados que sejam, podem ter a faculdade de acender certos fogos que darão muito custo para apagar. E ninguém pense ser santo ou ingênuo o suficiente para não cair nestas situações. Este tipo de má ingenuidade será perdida de um jeito ou de outro. É sempre bom relembrar o verdadeiríssimo adágio: “em termos de castidade, não há fortes; há prudentes!”. Use, portanto, este tempo rico para expressar seu carinho de um modo correto e sóbrio e para conhecer interiormente – espiritualmente, não fisicamente – a outra pessoa.

Namorar visa morar junto. Se o amor é uma fase intermediária, como dizíamos, então ele se ordena a um termo ou fim que é o casamento. Qualquer meio que não visa a um fim não é meio coisíssima nenhuma. Todas as vezes que fazemos de um meio um fim, nós distorcemos o meio, que perde, então, a sua legítima dignidade e se torna num certo tipo de fetiche. Alguém que pensa em namorar apenas por namorar age como alguém que pega uma colher sem nenhuma referência ao ato de alimentar-se. Porém, a razão de ser da colher é servir de meio para que o alimento seja posto na boca. Se queremos a colher pela colher, alguma coisa está errada. 

O namoro se ordena ao casamento, e se isto não precisa ser intensamente discutido no início do envolvimento, para que a coisa não fique pesada e não perca o frescor agradável que é típico dessa fase, o matrimônio, porém, não deve sair do horizonte das partes. Por isso, namorar é o mesmo que dizer: “passemos este tempo para que eu comprove se você será a pessoa com quem me unirei por toda a vida diante de Deus”. Vê-se, desse modo, como é, mesmo, uma fase de se conhecer o outro. Nesta fase, o casal também será chamado a aprender a conviver com as arestas da pessoa, com certos modos que lhe serão desconfortáveis, ao mesmo tempo em que terá de aprender a rebaixar seu orgulho e ceder em algumas coisas. Os dois deverão aprender a entrar num consenso. Também acontecerá de um ou outro chegarem a ter contato com outras pessoas que despertarão um tipo de simpatia muito similar ao que lhe despertou, no início, esta pessoa com quem ele namora. Se tal acontecer, será a ocasião de começarem a aprender o que significa a fidelidade – conceito fundamental no casamento e que exige uma fortaleza interior que só se dá numa pessoa experimentada – e de como é importante saber negar a si mesmo de modo, inclusive, enérgico. Todas estas dificuldades visam preparar a têmpera do jovem casal para, futuramente, unirem-se diante de Deus e assumirem a responsabilidade de formarem uma família incluindo, é lógico, a disposição de ter os filhos que Deus lhes conceder.

Este é um outro tema no qual eu não entrarei agora. Porém, é importante que o namoro seja visto como algo saudável e cuja natureza é totalmente distinta do que se tem apresentado, hoje, no mundo. Um namoro bem vivido amadurece os namorados, os vai libertando gradativamente de seus egoísmos mais arraigados e preparando-os para uma relação de amor que, idealmente, deverá ser o meio de salvação pelo qual Deus os unirá consigo. Não excluamos Deus de nenhum dos estágios disso tudo. Sem ele, todo o edifício desanda. Que não seja necessário que alguém constate isso empiricamente. Leia esse texto e acredite. Resgatemos a beleza do relacionamento correto e que a Virgem Maria, namorada e esposa de São José, nos conduza.

A amizade...


Eu não poderia deixar passar este dia sem escrever algo a respeito dos meus amigos. Embora este assunto seja de caráter mais pessoal - e textos assim eu os escrevo no Amor e Pobreza - quero, contudo, colocá-lo aqui, lugar onde considero ser o trabalho um tanto mais sério, para mostrar que a amizade, para mim, ocupa lugar de honra.

O que são os amigos? Quando nascemos, somos primeiramente entregues aos cuidados dos nossos pais e, cercados por um ambiente de amor, vamos nos adaptando e acostumando com estes que aprenderemos chamar de pai e mãe. Nem sempre isto ocorre do modo como deveria, mas, ainda assim, haverá alguém que assuma a responsabilidade pela criação do pequeno. Às vezes, o infante também se relacionará com um irmãozinho, e é nesta relação que o primeiro germe da amizade surge. Um pouco mais adiante, é comum que a criança inicie um certo convívio com outras crianças da família ou de amigos dos pais e este será o primeiro contato com uma pessoa diferente, que não partilha dos mesmos laços sanguíneos, não divide sempre os mesmos espaços e age de um modo que ela ainda não conhece. Além disto, talvez o pequeno se afeiçoe particularmente por este sujeito de fora, fascinante porque diferente do convívio que tem desde o nascimento.

Mas é na escola que as relações da pessoinha se alastram e ela se verá exposta, agora, numa grande rede de estranhos, e submetida aos cuidados de adultos que nunca viu. É quase como um segundo parto. Um mundo totalmente diferente é apresentado à criança e, mais terrível, ela terá de o enfrentar sozinha. Olha ao lado, e a ninguém vê que lhe seja familiar. O que deve fazer? Não se sabe bem... O que é fato é que as crianças se sentirão mais ou menos ameaçadas. Hoje isto parece ser um tanto menos intenso que antigamente, quando as crianças eram mais tímidas. 

Porém, é neste desconforto, nesta falta da segurança familiar, que a criança terá ocasião de desenvolver-se imensamente. E isto é tão precioso que é comum que o sujeito lembre com imensa doçura destes dias de sua infância. Quantos de nós não gostaria de voltar atrás e visitar, pelo menos mais uma vez, aqueles dias em que levávamos à escola as nossas lancheiras, em que as cores dos brinquedos e o som do ambiente tanto nos impressionavam, em que fizemos os nossos primeiros amigos? É como ir a Nárnia pela primeira vez...

Sim, os primeiros amigos geralmente são feitos nesta Nárnia chamada escola. Amigos que partilham das primeiras aventuras. Até hoje eu lembro de certos sonhos que tive com os amigos daquela época. Que felicidade a de estar juntos: de jogar bola, de brincar de se esconder, de polícia e ladrão, de amarelinha, etc... - brincadeiras tão boas e sadias, mas que hoje foram quase que de todo deixadas de lado. - E quando eu descobri a existência do video game? Uauuu!!!! Desenhinhos que eu podia controlar! Que respondiam aos meus movimentos! Que sonho! Que felicidade! E tudo isto eu conheci por intermédio dos meus amigos. 

Sim, meus amigos me apresentaram, também, algumas vezes, coisas que não eram boas, mas que eu tinha de conhecer, de um modo ou de outro. Isto serviu para despertar as primeiras preocupações morais e fazer florescer o senso de responsabilidade. E quando uns de nós ficávamos intrigados, sempre por besteira, depois de algum tempo tínhamos de fazer um dolorido exercício: o de vencer o orgulho e reatar a amizade... Os dois geralmente queriam, mas um deles tinha de tomar a iniciativa e isto era particularmente nocivo ao ego gigante de crianças. E já que ambos sabiam disso, ninguém comentava quem havia sido o primeiro. Importava que alguém o tinha feito e a amizade seguia. Na minha experiência particular, a gente conseguia isso chamando o outro pra jogar video game. Se o outro aceitasse, tínhamos o nosso amigo de volta.

De lá pra cá, alguns amigos se afastaram... outros se foram embora.. alguns até já não estão mais entre nós. Mas outros tantos tantos vieram.. e conforme a gente vai amadurecendo, os amigos vão ocupando um lugar cada vez mais sério na nossa vida. Quando entrei na Igreja, era mais uma vez um outro mundo completamente diferente e que eu devia desbravar. Agradava-me ver a amizade dos outros e eu desejava intimamente poder ser incluído naquilo. De início, eu não me fazia notar em nada. Nunca fui bonito como outros rapazes, e minha extrema timidez me deixava no grau zero da ousadia. Insegurança era o que me definia e eu ficava lisonjeado por qualquer manifestação de simpatia alheia. Então, a meu ver, amizade não era tanto algo a que eu tinha direito, mas era sobretudo algo que os outros, num exercício pleno de bondade, talvez me concedessem. Desse modo, eu era muito condescendente com o que diziam e falavam, ainda que aquilo me incomodasse de algum modo. Desenvolvi muitos respeitos humanos por ser tão passivo e, até hoje, luto muito por deixá-los. Mas o que importa é que eu realmente fiz amigos.

Observando bem, os amigos estão em toda a nossa vida. Eles são uma espécie de garantia dos sorrisos da alma. Eles nos consolam nos momentos duros, e forçam o nosso amor quando tendemos ao egoísmo. Nos orientam quando não sabemos o que fazer, e nos preludiam docemente o Céu. Sim; somente quem experimentou a graça de uma amizade gratuita, sem interesse, sem intenções dúbias, pode entender do que eu estou falando. Quem, ao contrário, apenas conhece este jogo medíocre de interesses que perpassa a nossa sociedade em grande parte, haverá de considerar isso tudo muito romântico. De minha parte, estou muito convencido de que Deus pôs os amigos no mundo para que, de algum modo, O pudessem representar e ajudar a desenvolver algo de bondade em nós, pois estamos no mundo para aprender a ser bons, e para isso é preciso amar. Os amigos nos forçam a amar.

Porém, ser amigo é algo mais do que falar. É algo da alma. Por ser um mistério bonito, muitos desejam poder possuí-lo pelo mero exercício da palavra. Mas isto não é suficiente. Um amigo de verdade morre, mas não trai. Acontece que grande parte das nossas amizades ainda está atravessada de interesses, e é mantida como um modo de evidenciar o nosso ego e de se obter o que buscamos. São estas coisas que asfixiam a amizade. São como que um punhado de terra somado ao lugar onde, antes, seria preciso cavar para encontrar este tesouro escondido.

Enfim, a amizade, por ser prelúdio e abertura para Deus, somente pode se dar perfeitamente em Deus. A amizade, fazendo que amemos algo fora de nós, é, pela própria natureza, transcendente. Se desenvolve quando esquecemos as nossas seguranças e abandonamos o nosso conforto - como na escola. E tem a aptidão de dilatar e amadurecer a nossa alma à medida em que ela mesma cresce, pois a única coisa que nos apequena nesta vida é o egoísmo. Acabo de ler: "Amigo de verdade é aquele que vira Super Saiajyn quando você morre". É justamente isto! É o amor a algo fora de nós que nos faz crescer. E é Deus quem nos ensina este mistério. São Paulo nos dá uma cartilha de como fazer: "considerai os interesses uns dos outros maiores do que os próprios". E o próprio Deus nos chama de amigos ao esquecer-se de Si mesmo e entregar a própria vida por nós. 

Hoje em dia, eu posso dizer que possuo amigos. Não são muitos, obviamente. Tantos são apenas conhecidos e bons colegas. Outros, sequer são colegas. Mas alguns, embora poucos, são amigos. E são estes amigos que me fazem sentir um gostinho do céu. São estes amigos que atiçam em mim a sede do infinito e me fazem desejar alcançar um dia as eternas paragens a fim de com eles conviver pela eternidade. São estes amigos que me fazem vislumbrar algo do que seja Deus. São estes amigos que me forçam a querer ser melhor, que me exigem fidelidade, que me atravessam a alma quando me deixam, e que me fazem sorrir sem querer quando aparecem.

A transcendência da amizade permite que ela continue ainda quando não há proximidade física, pois a amizade é da alma e esta não está submetida às leis do espaço. A todos os meus amigos, pois... aos de perto e aos de longe, quero agradecer-lhes e dizer que, mesmo das trevas do meu egoísmo, eu consigo ver esses pontinhos de luz que são vocês e que me forçam para fora dessa minha redoma. Agradeço a Deus pela graça de tê-los e somente desejo que a nossa amizade se estenda pela eternidade. Meus amigos, eu os amo.


CHIARA CORBELA PETRILLO: UMA NOVA GIANNA BERETTA MOLLA


Salvatore Cernuzio

ROMA, segunda-feira, 18 de junho de 2012 (ZENIT.org) - 

Neste sábado, na igreja de Santa Francisca Romana, da capital italiana, foi celebrado o funeral da jovem Chiara Petrillo, falecida depois de dois anos de sofrimento provocado por um tumor.

A cerimônia não teve nada de fúnebre: foi uma grande festa em que participaram cerca de mil pessoas, lotando a igreja, cantando e aplaudindo desde a entrada do caixão até a saída.
A extraordinária história de Chiara se difundiu pela internet com um vídeo no YouTube, que registrou mais de 500 visualizações em apenas um dia.

A luminosa jovem romana de 28 anos, com o sorriso sempre nos lábios, morreu porque escolher adiar o tratamento que podia salvá-la. Ela preferiu priorizar a gravidez de Francisco, um menino desejado desde o começo de seu casamento com Enrico.

Não era a primeira gravidez de Chiara. As duas anteriores acabaram com a morte dos bebês logo após cada parto, devido a graves malformações.

Sofrimentos, traumas, desânimo. Chiara e Enrico, porém, nunca se fecharam para a vida. Depois de algum tempo, chegou Francisco.

As ecografias agora confirmavam a boa saúde do menino, mas, no quinto mês, Chiara teve diagnosticada pelos médicos uma lesão na língua. Depois de uma primeira intervenção, confirmou-se a pior das hipóteses: era um carcinoma.

Começou uma nova série de lutas. Chiara e o marido não perderam a fé. Aliando-se a Deus, decidiram mais uma vez dizer sim à vida.

Chiara defendeu Francisco sem pensar duas vezes e, correndo um grave risco, adiou seu tratamento para levar a maternidade adiante. Só depois do parto é que a jovem pôde passar por uma nova intervenção cirúrgica, desta vez mais radical. Vieram os sucessivos ciclos de químio e radioterapia.

Francisco nasceu sadio no dia 30 de maio de 2011. Mas Chiara, consumida até perder a vista do olho direito, não conseguiu resistir por mais do que um ano. Na quarta-feira passada, por volta do meio dia, rodeada de parentes e de amigos, a sua batalha contra o dragão que a perseguia, como ela definia o tumor em referência à leitura do apocalipse, terminou.

Mas na mesma leitura, que não foi escolhida por acaso para a cerimônia fúnebre, ficamos sabendo também que uma mulher derrota o dragão. Chiara perdeu um combate na terra, mas ganhou a vida eterna e deixou para todos um testemunho verdadeiro de santidade.

“Uma nova Gianna Beretta Molla”, definiu-a o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, que prestou homenagem pessoalmente a Chiara, a quem conhecera havia poucos meses, juntamente com Enrico.

“A vida é um bordado que olhamos ao contrário, pela parte cheia de fios soltos”, disse o purpurado. “Mas, de vez em quando, a fé nos faz ver a outra parte”. É o caso de Chiara, segundo o cardeal: “Uma grande lição de vida, uma luz, fruto de um maravilhoso desígnio divino que escapa ao nosso entendimento, mas que existe”.

“Eu não sei o que Deus preparou para nós através desta mulher”, acrescentou, “mas certamente é algo que não podemos perder. Vamos acolher esta herança que nos lembra o justo valor de cada pequeno gesto do cotidiano”.

“Nesta manhã, estamos vendo o que o centurião viveu há dois mil anos, ao ver Jesus morrer na cruz e proclamar: Este era verdadeiramente o filho de Deus”, afirmou em sua homilia o jovem franciscano frei Vito, que assistiu espiritualmente Chiara e a família no último período.

“A morte de Chiara foi o cumprimento de uma prece. Depois do diagnóstico de 4 de abril, que a declarou doente terminal, ela pediu um milagre: não a própria cura, mas o milagre de viver a doença e o sofrimento na paz, junto com as pessoas mais próximas”.

“E nós”, prosseguiu frei Vito, visivelmente emocionado, “vimos morrer uma mulher não apenas serena, mas feliz”. Uma mulher que viveu desgastando a vida por amor aos outros, chegando a confiar a Enrico: “Talvez, no fundo, eu não queira a cura. Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas...”.

A esta fé, Chiara chegou pouco a pouco, “seguindo a regra assumida em Assis pelos franciscanos que ela tanto amava: pequenos passos possíveis”. Um modo, explicou o frade, “de enfrentar o medo do passado e do futuro perante os grandes eventos, e que ensina a começar pelas coisas pequenas. Nós não podemos transformar a água em vinho, mas podemos começar a encher os odres. Chiara acreditava nisto e isto a ajudou a viver uma vida santa e, portanto, uma morte santa, passo a passo”.

Todas as pessoas presentes levaram da igreja uma plantinha, por vontade de Chiara, que não queria flores em seu funeral. Ela preferia que cada um recebesse um presente. E no coração, todos levaram um “pedacinho” desse testemunho, orando e pedindo graças a esta jovem mulher que, um dia, quem sabe, será chamada de beata Chiara Corbela.

(Tradução:ZENIT)

A abertura criadora do amor humano e o egoísmo do nosso século


Thomas Merton

A Igreja compreende o amor humano com uma inteligência melhor e mais profunda do que o homem hoje, que pensa conhecer-lhe todos os segredos. A Igreja bem sabe que frustrar a finalidade criadora da geração humana é confessar um amor que é insincero. E insincero porque é menos que humano, menos até que animal. Amor que só procura gozar, sem nada criar, não é sequer uma sombra de amor. Não tem poder nenhum. A impotência psicológica da nossa exagerada geração deve ser imputada à irresistível acusação de insinceridade que todo homem e toda mulher que amam unicamente pelo prazer sentem no fundo da alma. Um amor que tem medo de filhos por qualquer motivo que seja, é um amor que tem medo do amor. É dividido contra si próprio. É uma mentira e contradição. A própria natureza do amor exige o aproveitamento da sua força criadora, a despeito de qualquer obstáculo. O amor, mesmo humano, é mais forte do que a morte. Por conseguinte, o verdadeiro amor é mais forte do que a pobreza, a fome ou a angústia. E, no entanto, os homens do nosso tempo não põem, em amar, essa coragem de arriscar mesmo o incômodo.

Não é surpreendente que a Igreja despreze completamente os argumentos econômicos dos que pensam ser o dinheiro e o conforto mais importantes do que o amor? A vida da Igreja é em si mesma a forma mais alta do amor, e nesse amor mais elevado todos os amores menores recebem a proteção e a guarda de uma sanção divina. É inevitável que no dia em que os homens esvaziem de toda a sua força e conteúdo o amor humano, continue a Igreja o seu último defensor. Mas, o que é certamente irônico, é que a sábia doutrina da Igreja proteja mais o prazer físico do amor humano, do que os sofismas daqueles cujo fim aparente é só o prazer. Aqui, ainda, sabe a Igreja de que é que está falando, ao lembrar-nos que o homem é feito de corpo e alma, e que o corpo só preenche bem as suas funções quando inteiramente sujeito à alma, e esta à graça, isto é, ao amor divino. Segundo a doutrina da Igreja, a virtude da temperança não é destinada a esmagar ou desviar o instinto humano de prazer, mas a levá-lo a servir a seu fim: conduzir o homem à perfeição e à felicidade em união com Deus.

E, assim, é a Igreja obrigada pela sua inflexível lógica a deixar ao homem toda a ordenada plenitude de prazeres necessários ao bem-estar da pessoa e da comunidade. Ela jamais considera o prazer como um "mal necessário" a tolerar. É um bem, que pode contribuir à santificação do homem, embora seja extremamente difícil ao homem decaído fazer dele um bom emprego. Daí o rigor das suas leis. Mas não devemos esquecer a finalidade das leis, que é a de assegurar tanto os direitos de Deus, como os do homem. Inclusive, os direitos do corpo do homem.

Uma vez ainda, não me acusem de exagero ao buscar o problema da sinceridade em suas raízes no amor humano. O egoísmo de uma época devotada ao mero prazer manchou toda a raça humana com um erro que converte todos os nossos atos mais ou menos em mentiras contra Deus. Um século como o nosso não pode ser sincero.

MERTON, Thomas. Homem Algum é Uma Ilha. Rio de Janeiro: Agir, 1968. p. 167-168.

Ainda sobre as ofensas feitas ao Papa pelo dep. ex-BBB Jean Wyllys - Algumas implicâncias dos pressupostos gayzistas


Todos temos acompanhado, meio que com certo mal estar, a polêmica levantada pelo deputado Jean Wyllys, a respeito de uma interpretação do recente pronunciamento do Papa Bento XVI que nada fez senão repetir o que já é absolutamente conhecido por todos como sendo a posição católica. A notícia da declaração de Sua Santidade surgiu na mídia sob o título sensacionalista de "O Papa diz que casamento gay é uma ameaça à humanidade".

O deputado Jean tratou, então, de tecer comentários maldosos e difamatórios a respeito deste que é, não somente o Líder da Igreja Católica Apostólica Romama, mas também um Chefe de Estado. Referindo-se a ele como genocida em potencial, acobertador de pedófilos e filo-nazista, o ex-BBB ofendeu não somente o Papa com seus quase 85 anos, mas também a toda a comunidade católica mundial, no mínimo insinuando que nós, que o amamos e o defendemos, somos cúmplices morais de crime contra a humanidade. Aliás, foi bem essa a posição de um dos textos favoráveis aos disparates do deputado; dizia que os padres todos deveriam ser presos.

Como muito bem foi lembrado, Jean não agiria da mesma forma diante de uma comunidade muçulmana. A atitude, pois, irracional e infantil do referido parlamentar testemunha pelo menos duas coisas: 1- a natureza pacífica dos cristãos que só em última instância e em casos legítimos recorrem ao uso da força. Se assim não fosse, o deputado não ousaria ventilar tais ofensas gratuitas. 2- A covardia do deputado e a sua profunda ignorância, má-fé e irresponsabilidade por fazer tais comentários sem qualquer preocupação com sua correspondência aos fatos.

Muitos já escreveram sobre isto, desmentindo devidamente este afetado do Dep. Wyllys, de modo que se torna ocioso escrever mais a respeito. Limito-me, então, a fazer algumas recomendações de leitura:


O ponto, porém, que eu gostaria de abordar aqui é outro:

Quando estes assuntos, evidentemente dotados de um potencial polêmico - mas que não são polêmicos em si - estouram na mídia e são contemplados pela sociedade em geral, eles tendem a despertar os tipos mais variados de juízos e mesmo os sujeitos que nunca pensam detidamente a respeito terminam sentindo-se preparados para emitir uma opinião, como se isso fosse qualquer banalidade. Grande parte dos que defendem a união homoafetiva aderem a esta posição utilizando-se somente de critérios românticos; ou são induzidos a isto pelo ambiente ideológico gerado por um contínuo martelar de inverdades e de afirmações gratuitas por parte dos formadores de opinião de cunho esquerdista que ameaçam com o apodo de preconceituoso os discordantes e fazem parecer que a quase totalidade das pessoas, com exceção dos bitolados e fanáticos religiosos, compreende a legitimidade de suas reivindicações.

Pior é quando estes sujeitos, conseguindo juntar duas falsas premissas ditas de qualquer modo num "Super-Pop" da vida, terminam vislumbrando uma conclusão - que se segue naturalmente das premissas falsas - e se convencem de que chegaram ali pelo próprio esforço e capacidade de penetração do problema e, logo, passam a defender tal opinião como se o ato de fazê-lo se convertesse numa espécie de garantia de autonomia intelectual. Não tenham dúvidas de que o tão alardeado senso crítico, no mais das vezes, é só isso.

A questão é que todo raciocínio e argumentação precisa repousar sobre verdades primeiras, e o grande problema dos discursos ideológicos está justamente nessas verdades primeiras, geralmente falsas. Contudo, a grande maioria desses que aderem à causa gay e gostam de fazer chover ofensas sobre o nome de Bento XVI, não tem o hábito de observar as premissas. Se estas fossem legítimas, teríamos uma argumentação coerente.

Porém, numa argumentação qualquer, como as premissas são as verdades primeiras, elas em geral não precisam ser explicadas, pois servem como premissas as verdades que são evidentes. Se elas devessem a toda hora ser explicadas, não seriam jamais verdades primeiras, e estariam a todo instante dependentes de verdades anteriores, estas sim, primeiras.

Pois bem. É muito cansativo ter de explicar os princípios a alguém que não os conhece, razão pela qual Schopenhauer recomendava abster-se de discussões com sujeitos assim. Alguém, por exemplo, que quisesse explicar porque o princípio de identidade é válido, ou porque a contradição implica falsidade, se veria diante de um trabalho complicado.

Temos, então, dois problemas no convencimento de grande parte das pessoas nas quais o bom senso cedeu lugar à anti-lógica revolucionária: 1- o critério mais comum de adesão não é racional, mas sentimental ou consensual. 2- A ignorância das premissas fá-los cegos à fragilidade e irracionalidade da própria posição e à firmeza da moral cristã.

Mas peguemos algumas premissas que fundamentam o discurso gayzista. Uma delas está veementemente exposta na carta que o referido deputado escreveu recentemente e consiste numa concepção muito abrangente e solta do amor. Muita gente irá concordar com ele e fará coro à sua voz. A linha é sempre mais ou menos a seguinte:

"Não é uma coisa tenebrosa que pessoas, em pleno século XXI, somente pelo fato de serem diferentes, estejam impedidas de amar? Ora, não foi Jesus quem pregou o amor? Se o amor é assim tão importante, os gays também têm o direito de amar e de construir uma vida a partir daí. Não aceitar isto é preconceito e é contrariar a ordem de Jesus."

Tenho certeza de que muita gente se identifica com este discurso. Mas se isto acontece, só prova que o grande motivo da adesão à causa gay é puramente emotivo. Este modo de argumentação exposto acima, em itálico, tem muitos erros e os seus pressupostos são totalmente falsos.

Para que fique evidente a fragilidade do discurso, levantemos a seguinte questão:

1- E se o objeto do amor de um homem fosse uma criança e esta, por sua vez, consentisse e afirmasse corresponder ao sentimento do adulto? Se o amor enquanto "sentimento" ou "atração" é mesmo o critério absoluto de uma união, então nós deveríamos legitimar a pedofilia consentida! Ora, esta coisa e outras piores são defendidas pelo Michel Foucault, guru nos cursos de Filosofia e Psicologia (Veja aqui, aqui e aqui) e, obviamente, leitura obrigatória de fundamentação da militância gay. O Luiz Mott também não se oporia à constatação de que a pedofilia decorre naturalmente dos pressupostos assumidos (Sobre isso, veja aqui e aqui) E agora? Devemos aceitar a pedofilia? "Não!", dirá a maioria sem nem perceber que agora estão indo contra o que antes haviam estabelecido como critério. Ué, então só "amor"  não é suficiente? Tem algo mais que convém levar em consideração? Incrível! O sujeito começa a se iluminar!

A maior parte dos ludibriados pelo sofisma gayzista provavelmente fará a seguinte ressalva: deve haver uma idade a partir da qual torna-se legítima a união sexual; antes não." Pois bem. Concordemos, né?; afinal, eles começaram a ficar do nosso lado. Notemos, porém, duas coisas: 1º que a idade é um critério objetivo. Saímos, enfim, da onipotência do subjetivismo gayzista. 2º que os defensores de um limite de idade, na maioria das vezes, não saberão explicar o "porquê" de este ser um critério legítimo. Só sabem que é, tipo o Chicó. Se disserem que é porque a criança não deve envolver-se em relações sexuais, não estarão argumentando, mas apenas repetindo a afirmação do limite da idade.

Algum espertinho, porém, talvez diga: "Ah, isto é porque o corpo infantil não está ainda perfeitamente ordenado às experiências sexuais". Se o sujeito argumenta deste jeito, percebemos que ele recorreu a mais um critério objetivo: o fator fisiológico. Pois bem! Este é justamente um dos critérios que fundamentam a moral católica a este respeito! Fisiologicamente, o corpo infantil não está ordenado à prática sexual. Vamos a mais uma constatação?

Fisiologicamente, o corpo masculino ordena-se ao feminino e vice-versa. Portanto, fisiologicamente, é anti-natural a união homossexual! Digo e repito: o ânus não é um órgão sexual! Estas coisas são de uma verdade absolutamente evidente e, portanto, o aspecto fisiológico, aos quais poderíamos estender também o psicológico, servem como princípio, ora bolas! Quer relativizar o aspecto fisiológico? Então, vai ter de admitir um monte de imoralidades, inclusive a pedofilia!

Poderíamos fazer ainda outras perguntas aos defensores do gayzismo:

Se o que importa é o amor ou a satisfação das próprias inclinações, também seria legítimo o sexo com animais? Não seria intolerância restringir somente à espécie humana o amor que é universal? O Jean friza que houve um tempo em que não se permitia a relação entre brancos e negros, e ele utiliza isto para argumentar que também hoje não se deve impedir a positivação da união entre dois homens ou entre duas mulheres. Pois bem! Utilizemos o mesmo argumento para defender a união inter-espécie. Que mal tem se uma pessoa legitima sua relação com uma cadela? Se o cachorro é o melhor amigo do homem, por que é que não pode progredir na intimidade? O amor é universal! Já que utilizam Jesus para fundamentar a união gay, utilizemos também S. Francisco de Assis para defender as relações com animais! - Que S. Francisco me perdoe por usá-lo em assunto tão tosco... - Posso, também, transar com uma árvore e adotar um filho com ela? Oras, quem foi que definiu que os pais têm de ser humanos? Se a criança tem por mãe uma árvore, isto pode desenvolver nele uma consciência ecológica mais forte, e em nenhum tempo isto seria mais adequado do que nos dias de hoje! E se fosse um casamento com um cadáver? Quem foi que definiu que o cônjuge precisa estar vivo? Ah, a lei só se aplica a indivíduos vivos? Mas, e se pensarmos no direito do sujeito que tem um fetiche por cadáveres? Não é um direito dele? Afinal, o critério último devem ser as pulsões sexuais, né? Quem vai duvidar de que os seus sentimentos pela defunta sejam sinceros? Não posso, só porque isto me escandaliza, restringir a satisfação de outra pessoa; seria intolerância, obscurantismo, medievalismo!

Vamos mais? E se o sujeito resolvesse se envolver com alguém da própria família? Com base em que se afirma a imoralidade do incesto? Isso não é, também, amor? Por que essa intolerância com o diferente? Aliás, isto não seria passível de se tornar um amor ainda mais intenso?

E quem foi que restringiu uma relação amorosa a dois sujeitos, apenas? Em outras culturas, há várias organizações diferentes de convívio múltiplo! Assim como querem retirar o tabu relacionado às profissionais do sexo, tiremos também a marca da imoralidade das orgias! Por que que tem de ser só dois? Não é muito mais legal, e solidário, se forem vários? Corramos rumo à liberdade! Vejamos as infinitas possibilidades disso!

Se alguém disser que eu to forçando a barra, eu respondo que estou tão somente apontando as implicâncias dessas premissas, que são a exclusão de todo limite. Se, porém, alguém defender que deve haver qualquer limite, este limite tem de ter um fundamento. Se há um fundamento, ele tem de ser explicado. Se há um limite que está para além dos consensos, ele faz parte da própria natureza. Há, então, que admitir-se certos traços no homem que devem ser respeitados em qualquer contexto. Logo, o "amor" não pode ser o único critério de validação de uma união.

Estas práticas que estão querendo implantar aqui no Brasil, já aprovadas em outros lugares, são de uma absurdidade tremenda! E vocês que, ainda que bem intencionados, atacam o Papa e a Igreja, prestem atenção! A Igreja e este senhor já idoso têm feito um esforço imenso para manter algo de dignidade no mundo! Deixem de ser abobados e comecem a reconhecer quem, de verdade, está lutando pelo bem e pela verdade.

Fábio.

Família e Facebook

Talvez muitos tenham visto transitar no facebook esta imagem que tenta alargar o conceito de família para incluir as tais uniões homoafetivas. Além disto, ela traz o exemplo da profunda retórica dos defensores da laxidão moral ao referir-se ao Silas Malafaia com o apodo de "Babaca".


Vejam só, que profundo! Esse pessoal pensa que o mero fato de afirmar é o mesmo que argumentar. O que mais me estranha, porém, não é que existam pessoas que defendem esse tipo de coisa, mas que, dentre as que o fazem, alguns se digam católicos.

Expliquemos. Para um católico sê-lo de fato, é necessário que aceite todos os dogmas ou verdades de Fé. Ora, é dogma ser a Igreja infalível em termos de Fé e Moral. A família é, naturalmente, do âmbito da moral. Logo, para um católico, o que a Igreja diz sobre a família, isto é, que deve constituir-se de homem e mulher, é a verdade.

Contudo, como hoje em dia dizer-se católico parece ser qualquer coisa indefinida e que não compromete, há muitos por aí que, embora realmente não tenham a Fé, gostam de afirmá-lo somente porque vão à Missa vez ou outra ou têm alguma devoção a algum santo ou até crêem vagamente em Deus.

Essas pessoas costumam pensar que a defesa da família nos moldes tradicionais é uma atitude preconceituosa. Esquecem-se, porém, que tal é a visão cristã e os cristãos têm o dever da coerência. Mas já que não aceitam o que a Igreja "intolerante" ensina, poderiam pelo menos informar-se do que a este respeito fala a Sagrada Escritura. E esta é veemente ao referir-se às relações homossexuais como "paixões infames" e ensinar que os sodomitas não herdarão o reino dos céus.

Que um ateu não esteja nem aí pra Escritura ou para o que a Igreja ensina, entende-se; mas um católico? Será que não percebem a contradição disto?

O ponto, porém, é que estas pessoas se consideram as esclarecidas! A Igreja mantém a sua estrutura medieval e, no vocabulário desses indivíduos, medieval é o mesmo que obscuro e ignorante. Já o termo "moderno" passa a significar algo luminoso, inteligente, superior... Em pleno século XXI, aferrar-se à posição tradicional é inaceitável, esbravejam. E, de novo, não percebem a contradição disto. Como dizia o Chesterton, os antigos foram realmente muito tolos se conseguiram ser mais tolos que nós.

Convém perguntar: se a Igreja é assim tão ignorante, por que raios esse povo se define católico? Será a verdade mutável? Se a verdade evolui, nada é certo! A Bíblia não é certa, nem tampouco a Igreja. Logo, não sabemos nada sobre Deus hoje; somente sabemos d'Ele o que Ele era há dois mil anos atrás. E, convenhamos, parece que Ele era "preconceituoso" naquela época. Agora, porém, Ele certamente mudou, evoluiu, tornou-se mais "tolerante". Mas, com base em que o afirmam? Respondo: com base nas próprias preferências pessoais e em suposições românticas. Não há nenhuma motivação mais profunda que isso.

Pensam que o que importa é o que se sente. "Se um homem ama outro homem, ótimo! Que vivam juntos!" Ora,  mas se é assim, porque razão condenam um pedófilo, por exemplo? Seguindo a sua lógica, deixemos que o pedófilo seja fiel às suas paixões e alcance a felicidade envolvendo-se com crianças! Além disto, cedamos os cadáveres aos necrófilos, ou elogiemos os zoófilos e todo tipo de peculiaridade sexual, porque as paixões agora são lei. Propiciemos todo o conforto e isenção a estes sujeitos! Não atentemos contra a sua realização! Não sejamos intolerantes! Afinal, estamos no século XXI!

Em geral, essas pessoas não defenderão tais comportamentos, mas, ao diferenciarem uma coisa da outra, estarão usando algum tipo de critério. Perguntemos: qual é este critério? Com base em que essas pessoas reconhecem o que é legítimo e o que não é legítimo? 

Em geral, a tomada de posição em favor da sodomia se deve ou à inclinação pessoal a este ato, ou a qualquer vago sentimento de compaixão para com esta classe supostamente vítima do preconceito de intolerantes e fanáticos religiosos. E a maioria dessas pessoas, partindo do pressuposto de que os defensores da família são preconceituosos ou homofóbicos, se isenta de pensar a respeito do assunto com vagar e de considerar os argumentos da parte oposta. Todo o seu discurso é muito confortável: eles têm a maioria do seu lado, ganham a admiração de outros vários grupos que extasiam diante de tal demonstração de clareza e maturidade e recebem a confirmação midiática contínua de que não fazem parte da tosca classe dos religiosos bitolados. Ainda que sejam religiosos, agora eles são esclarecidos!

A verdade, então, cede ao consenso e ao conforto. É questão de maioria e de interesse pessoal. Ora, mas se é de maioria, pensemos que os 20 séculos anteriores de cristianismo somam, por certo, muito mais pessoas do que a época atual e que nesses tais vinte séculos a sodomia nunca foi bem vista. Somos então a legítima maioria! É a democracia chestertoniana. No entanto, nós não costumamos apelar para isso porque sabemos que a verdade não depende da quantidade de adeptos. Ela existe objetivamente e podemos conhecê-la.

Mesmo se abrirmos mão da religião, a própria estrutura do corpo humano testemunha a nosso favor, pois, fisiologicamente, o pênis ordena-se à vagina e vice-versa. Na relação heterossexual, tudo acontece com harmonia, o que culmina na formação de uma vida. É o corpo humano reconhecendo a sua ordem. O ânus, porém, não é um órgão sexual. A relação sexual homoerótica está para sempre fadada à esterilidade pois opõe-se à natureza.

Quem vive, portanto, no mundo da fantasia, querendo mudar a estrutura da realidade são os defensores da imoralidade que intentam destruir o conceito cristão de família e pôr em seu lugar qualquer coisa, qualquer tipo de união. Se um homem quer copular com outro homem, isto é lá com eles. Porém, que queiram legitimar este tipo de coisa, inclusive utilizando, para tal empresa, o nome de Deus, aí já é demais. Igualar a família a este tipo de união é obviamente uma ofensa.

Portanto, o cartaz acima não tem qualquer verdade. Como os gayzistas não conseguem refutar o que o Silas, com coragem exemplar, tem dito a este respeito, então apelam para as pechas e ofensas já tão típicos desses sujeitos e que antes honram que envergonham as suas vítimas.

Na verdade, o cartaz verdadeiro deve ser esse:


Se você é católico, não se isente de defender a verdade. Não saia partilhando porcarias por aí; não caia nesse romantismo mole e covarde visando o teu conforto pessoal e o aplauso dos outros. Jesus disse: "não vos conformeis com este mundo". Respeitemos todas as pessoas, inclusos os homossexuais. No entanto, daí não decorre que tenhamos de respeitar a prática homossexual. Isto é outra coisa e não nos é permitido.

Congresso dá palmada na democracia brasileira


Dep. Líliam Sá, dep. Teresa Surita e dep. Érika Kokay. Foto: Larissa Ponce 

Edson Carlos de Oliveira 

O projeto de lei conhecido como “Lei da Palmada” (PL 7.672) foi aprovado, nesta quarta-feira (14), na Câmara dos Deputados, em uma Comissão Especial constituída de parlamentares favoráveis ao projeto. Prova? O texto foi aprovado por unanimidade com leves alterações que tornaram ainda mais generalizado e cartilaginoso o objetivo de coibir “castigos fisicos” que resultem “em sofrimento” na educação de “crianças e adolescentes”.

Democracia leva palmada no Congresso

Em atitude contrária aos tais “princípios democráticos” – cada vez mais transformados em entes de razão -, nas audiências públicas promovidas no Congresso, a Comissão Especial teve o cuidado de não convidar nenhum orador contrário ao projeto.

A sociedade pode demonstrar seu desacordo com o objetivo do PL 7.672 em várias enquetes promovidas por diversos sites, inclusive na Agência Câmara (Cf. Agência Câmara, IG, Politika, IPCO, R7 Notícias, Diário do Nordeste, Paraná TV, ).

Mas parece mesmo que vozes contrárias falaram no vazio e a palma da mão que os deputados querem coibir para a educação dos filhos, serviu tapar seus ouvidos. No chat promovido pela Agência Câmara com a relatora do projeto, Teresa Surita (PMDB/RR), perguntei a deputada se a “Lei da Palmada” irá para votação mesmo que as pesquisas demonstrem que a opinião pública não quer a aprovação dele. Vejam a resposta dela (os negritos são meus):

“Sim. O Projeto de Lei será apreciado e votado pela Comissão Especial da Câmara especialmente criada com este objetivo. A sociedade, como sabemos, é complexa. E muda de opinião à medida em que compreende o verdadeiro alcance de iniciativas que visam criar um melhor ambiente de convivência para todos” (Cf. Blog Sou Conservador, 8/11/11)

O problema é que a sociedade viu muito bem o “verdadeiro alcance” dessa iniciativa, não mudou de opinião e mesmo assim o projeto foi votado e aprovado por unanimidade. É de se perguntar que valor tem uma democracia que se diz representativa, mas que na realidade não representa os anseios da nação, mas sim do partido no governo.

Alterações para pior

Antes de ser colocado em votação, Teresa Surita apresentou mudanças no texto da lei. Ao invés de “castigo corporal” o texto proíbe “castigo físico” para evitar, segundo exigência inócua de alguns deputados, que a interpretação vede qualquer tipo de punição ou limites aos filhos (Cf. Agência Câmara, 14/12/2011). Inócua, digo, porque, segundo outra alteração, será proibido qualquer “castigo físico” que resulte não somente em “dor”, mas em qualquer forma de "sofrimento".

A “Lei da Palmada” ainda prevê “multa de 3 (R$ 1.635,00) a 20 salários (R$ 10.900,00) para médicos, professores e agentes públicos que não denunciarem castigos físicos, maus-tratos e tratamento cruel” (Cf. Estadão.com, 15/12/2011).

O que o projeto entende por “tratamento cruel”? Trata-se de “conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou adolescente“. Dar uma bronca em seu filho no meio da rua, por exemplo, pode se tornar tão ilegal quanto vender drogas.

“Na educação de crianças e adolescentes, nem suaves palmadinhas nem beliscões nem xingamentos nem qualquer forma de agressão, tenha ela a natureza e a intensidade que tiver, pode ser admitida“, afirmou a deputada Surita (Cf. Estadão.com, 15/12/2011).

Para Dr. Lino de Macedo, do Departamento de Psicologia Social da Aprendizagem e do Desenvolvimento Humano, da USP, embora contrário ao uso da palmada e dos castigos físicos, o PL 7.672, além de desnecessário e inócuo, gera uma desautorização da família e dos agentes educacionais – que já se sentem muito desautorizados – sobre a educação das crianças. (cf. Notícias UOL, 15/12/2011).

A “Lei da Palmada” segue agora direto para o Senado onde esperamos que rejeitem essa interferência do Estado na família e que a palma da mão dos senadores não seja utilizada, a exemplo da Comissão Especial, para tapar os ouvidos às opiniões contrárias.

Fonte: IPCO
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