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25 de Março - Dia da Encarnação do Verbo - 3 Anos de Consagrado


Hoje a Igreja celebra a Encarnação do Verbo. Vamos entender isso um pouco. Primeiro: que Verbo? O Verbo aqui referido é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: Jesus Cristo. No início do Evangelho de São João, Jesus é chamado de "Verbo": "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo  1,14). A Encarnação de que aqui se fala não tem nada a ver, como às vezes se pensa, com a reencarnação espírita. Quando falamos de "Encarnação", estamos nos referindo precisamente a este movimento de Jesus de se fazer carne, isto é, de assumir a natureza humana. É importante, porém, a gente entender: a natureza humana é composta de corpo material e alma espiritual. Se Jesus assume a natureza humana, é óbvio que Ele não assumiria somente o corpo, como pensam alguns. Ao contrário, Jesus assume corpo e alma humanos.

A Festa da Encarnação do Verbo faz referência, então, a este mistério. Esclareçamos mais algumas coisas. Quando Jesus se torna humano, Ele não deixa de ser Deus. O saudoso professor Orlando Fedeli gostava de dizer que enquanto o fato de nascer, de chorar, de precisar de cuidados, etc., mostram a humanidade de Jesus, o fato de nascer de uma Virgem, de ser anunciado por Anjos e de mover a estrela para que fosse testemunha e sinal do Seu nascimento nos mostram a sua divindade. 

Este é um mistério profundíssimo pois fala do rebaixamento de Deus. São Paulo nos diz: "Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens." (Fl 2,6-7). Este movimento descendente é chamado pela Teologia de Kenose e é um mistério tão grande que todas as vezes que a ele nos referimos, seja na oração do Ângelus, seja no Credo, seja no Ofício de Nossa Senhora, nós fazemos uma reverência profunda ou a genuflexão.

Jesus é Deus e isto significa que Ele é sumamente poderoso e sumamente livre. Porém, no ato da Encarnação, Ele como que se encerra dentro do ventre virginal de Maria de Nazaré que é, por isso, chamada de Primeiro Sacrário. Aí Ele passa os nove meses, totalmente submisso e aguardando completarem-se os dias. Aquele que é o Onipotente assume a nossa baixa condição em tudo, menos no pecado, e, neste ato, Ele, que tudo domina, se torna plenamente obediente à Virgem Santíssima. Eis o belíssimo mistério da suma humildade e da suma obediência. A Virgem Maria possuía na sua alma uma plena disposição e submissão a Deus. Isto se manifesta no seu "Faça-se", atitude mantida durante toda a sua vida, mesmo em face dos maiores sofrimentos. Ela foi sempre vazia de si mesma. E justamente por isso, Nosso Senhor esteve muito à vontade no seu Ventre, pois eram as mesmas disposições d'Ele. Aquela que era, em suas próprias palavras, a "Ancilla Domini", isto é, a Escrava do Senhor, agora tem submisso a si o próprio Deus.

Jesus é, para os cristãos, o sumo modelo. Isto significa que os cristãos, se quiserem realizar a sua vocação, devem imitá-Lo em tudo. Ora, isto inclui necessariamente o amor e a submissão que Ele tinha para com Sua Mãe Santíssima. Do verdadeiro cristão, portanto, espera-se uma disposição de alma similar à da Virgem - como a que tinha Nosso Senhor - e um grande amor e obediência para com Ela. Assim com ela foi a mestra de Jesus, a ponto de ensiná-lo a andar, a ler as escrituras e a fazer as primeiras orações, assim também Ela deve ser a mestra de qualquer seguidor de Jesus Cristo. E mais: assim como ela gerou, pela natureza, ao Verbo divino, ela também deve gerar, pela Graça, a todo filho de Deus. E é precisamente por isto que ela é chamada de "Mãe da Graça" e tornou-se, de fato e por encargo divino, nossa Mãe. Ninguém, como ela, conheceu e amou tanto a Nosso Senhor. Ninguém, como ela, agradou tanto a Deus. Portanto, Ela nos pode ensinar tudo sobre o Seu Filho, inclusive o modo de agradá-Lo, de imitá-Lo e de amá-Lo.

Este é um dia apreciado por todos os católicos. Mas é uma data especialíssima sobretudo para os que são consagrados à Virgem Santíssima pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, dentre os quais eu muito indignamente me incluo. É uma das nossas devoções principais. Neste dia, eu faço três anos de consagrado. É um dia de felicidade, mas também de muita vergonha, já que naturalmente a gente lança um olhar retroativo e vê com quanta rebeldia e pouca generosidade viveu essa devoção até aqui. Eu falo por mim. E talvez esses meus lamentos sejam também os mesmos de outros consagrados. A fidelidade a esta devoção exige uma constância heróica - ainda que aparentemente não -, e não é raro que, a princípio animados por idéias ingênuas, demos com a cara no muro da nossa fraqueza. Pois bem.. A estes quero dirigir-me brevemente agora.

Logo no início do Tratado da Verdadeira Devoção, conta-se como o próprio S. Luís Maria previa que o inferno em peso moveria guerra contra o livro e contra esta espiritualidade. Parece, porém, que esquecemos disso depois, e reputamos toda a dificuldade em fazer as orações e em manter-se fiel apenas à nossa tibieza. Estranho seria que uma devoção tão valiosa e poderosa fosse ao mesmo tempo muito fácil de se manter. Ora, isso é um irrealismo imenso. Nós, comparados aos grandes espirituais, costumamos ser muito rasteiros e temos uma visão naturalista de tudo. Devemos ficar atentos quando começam a nos aparecer certos argumentos em favor de abandonarmos as orações. Parece-nos que andamos muito ocupados, que as orações não surtem o efeito que prometem ou que a nossa espiritualidade pessoal é diferente daquilo. Tudo pretexto... É óbvio que não precisamos ficar obcecados com isso nem ter crises existenciais se não cumprimos as obrigações, mas não sejamos tão ingênuos. Façamos aquilo que está dentro das nossas possibilidades, e, sinceramente - falo também pra mim-, o terço e a oração da coroinha o estão, por certo. Se fracassamos com as orações num dia, procuremos ser fiéis no outro e peçamos que a Virgem mesma nos ensine a bem viver esta consagração.

Aos novos consagrados, tomem muito cuidado para que a ênfase da escravidão de amor à Virgem Mãe de Deus não degenere em preocupação estética com os tipos de correntes que vão ser usadas. A consagração é sobretudo espiritual. As exterioridades, embora importantes, possuem valor simbólico. Usamos cadeias de ferro para nos lembrarmos da nossa submissão a Jesus por meio de Maria.

Neste dia da Encarnação de Jesus, dia em que Ele se reveste da nossa natureza e coloca-se sob os cuidados da Virgem, peçamos à Sua Mãe que nos acolha a nós também e nos gere, em seu ventre, para a vida da Graça e nos faça progredir nas vias da Santidade, a fim de que, por meio dela, cheguemos à plena estatura de Cristo.

Totus tuus, Mariae.
Ad Iesum Per Mariam.

Fábio.

Parabéns aos novos consagrados à Virgem Santíssima


Neste dia da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, quero parabenizar a todas as pessoas que se consagrarão, hoje, à Virgem Santíssima pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Eu sei que há muita gente brasil afora que tá fazendo a consagração. Esta é uma devoção essencial e, se considerarmos os tempos difíceis que se avizinham, estas campanhas de divulgação do Tratado se nos revelarão como inequívoco traço da providência divina.

Parabéns a todos os novos escravos! Bem vindos à família "Totus tuus"!

***

Eu vos saúdo, Maria, Filha bem-amada do eterno Pai, Mãe admirável do Filho, Esposa mui fiel do Espírito Santo, templo augusto da Santíssima Trindade; eu vos saúdo, soberana Princesa, a quem tudo está submisso no céu e na terra; eu vos saúdo, seguro refúgio dos pecadores, nossa Senhora da misericórdia, que jamais repelistes pessoa alguma. Pecador que sou, me prostro a vossos pés, e vos peço de me obter de Jesus, vosso amado Filho, a contrição e o perdão de todos os meus pecados e a divina sabedoria. Eu me consagro todo a vós, com tudo o que possuo. Eu vos tomo, hoje, por minha Mãe e Senhora. Tratai-me, pois, como o último de vossos filhos e o mais obediente de vossos escravos. Atendei, minha Princesa, atendei aos suspiros dum coração que deseja amar-vos e servir-vos fielmente. Que ninguém diga que, entre todos que a vós recorram, seja eu o primeiro desamparado. Ó minha esperança, ó minha vida, ó minha fiel e imaculada Virgem Maria, defendei-me, nutri-me, escutai-me, instrui-me, salvai-me. Assim seja.

I "Consagra-te" com o Pe. Paulo Ricardo


Neste encontro, que acontecerá em Várzea Grande-MT (ao lado de Cuiabá), o Pe. Paulo Ricardo estará pregando sobre a "Consagração Total à Santíssima Virgem" tal como nos propõe S. Luís Maria Grignion de Montfort no seu Tratado da Verdadeira Devoção.

Para maiores informações clique aqui.

Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor, Rainha do meu coração...



Ave, Maria, Filha de Deus Pai. Ave, Maria, Mãe de Deus Filho. Ave Maria, Esposa do Espírito Santo. Ave, Maria, templo da Santíssima Trindade. Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor, Rainha do meu coração. Mãe, vida, doçura e esperança minha mui querida, meu coração e minha alma. Sou todo vosso, e tudo que possuo é vosso, ó Virgem sobre todos bendita. Esteja, pois, em mim vossa alma, para engrandecer o Senhor, esteja em mim vosso espírito, para rejubilar em Deus. Colocai-vos, ó Virgem fiel, como selo sobre meu coração, para que, em vós e por vós, seja eu achado fiel a Deus. Concedei, ó Mãe de misericórdia, que me encontre no número dos que amais, ensinais, guiais, sustentais e protegeis como filhos. Fazei que, por vosso amor, despreze todas as consolações da terra e aspire só às celestes; até que, para a glória do Pai, Jesus Cristo, vosso Filho, seja formado em mim, pelo Espírito Santo, vosso Esposo fidelíssimo, e por vós, sua Esposa mui fiel. Assim seja.

Oração de encerramento da Coroa da SS. Virgem, Tratado da Verdadeira Devoção

Petição de um novo ano mariano em 2012-2013


Caríssimos, em 2012 fará 25 anos desde o último ano mariano, proclamado por João Paulo II. Além disto, o clássico Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de S. Luís Maria Grignion de Montfort, completará seus 300 anos. 

Por estes e outros motivos, deu-se início a uma campanha de petição ao Santo Padre Bento XVI para que institua 2012-2013 como um novo Ano Mariano, tempo propício para dar ênfase ao papel singularíssimo de Nossa Senhora e também para a divulgação do referido Tratado e, consequentemente, da Consagração que ele recomenda.

Por isto, nós pedimos aos leitores e amigos: assinem a petição. Agradecemos.

25 de março - Anunciação do Senhor, Encarnação do Verbo e Consagração à Virgem Santíssima


"Vedes com que simplicidade? - "Ecce ancilla!..." - E o Verbo se fez carne. - Assim agiram os santos: sem espetáculo. Se houve, foi apesar deles. (...) Ó Mãe, Mãe!  Com essa tua palavra - "fiat" - nos tornaste irmãos de Deus e herdeiros da sua glória. - Bendita sejas! (S. Josemaria Escrivá, Caminho)

Hoje, dia 25 de março de 2011, é um grande dia para nós, cristãos, e, de um modo bastante particular, também para mim.

Como se sabe, hoje nós celebramos a Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria e, partir do seu consentimento ao plano divino, a Encarnação do Verbo ao seio bendito desta que se proclamou ser a humilde serva.

Dia feliz, porque é o início da reconciliação de Deus com os homens! Deus veio habitar entre nós, primeiramente no seio daquela que será como o seu "paraíso particular", segundo a expressão de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Neste abismal ato da Encarnação, em que o Filho de Deus assume a nossa pobre condição de homens, com exceção do pecado, reside, já, todo o segredo íntimo da vida de Nosso Senhor, que é, em última instância, uma perfeita submissão à vontade do Pai. Habitando no seio virginal da Virgem Maria, Nosso Senhor em tudo se lhe torna submisso e, mesmo depois de ter nascido, não obstante fosse Deus verdadeiro, Soberano e Onipotente, permaneceu submisso a ela, imitando o seu "faça-se", que repetirá na sua angústia.

Bendito mistério! Deus vem partilhar da dor humana para que o homem participe da alegria divina. Verdadeiro esponsal entre a terra e o céu, consumado na Cruz, a nova árvore da vida, prefigurado no batismo do Senhor pelo abrir dos céus, mas já iniciado efetivamente neste mistério da Encarnação.

Contemplar Jesus residindo em Maria é grandioso. E eis aí o segredo: se o nosso perfeito e adorável modelo é o próprio Cristo, devemos imitar-lhe a submissão a esta bondosa Mãe. É Maria quem forma os filhos de Deus. Foi por ela que nos veio o fruto divino, anunciado por Gabriel, em oposição a Eva que, tentada pelo anjo soberbo, ofereceu à humanidade o fruto da perdição.

A santidade, portanto, consistirá em imitar a Cristo submisso. Deixemos que Nossa Mãe, assim como ensinou Jesus a andar, a falar, a ler as escrituras, etc., ensine-nos, também, para que cheguemos à plenitude da idade perfeita de Nosso Senhor. A Virgem Santíssima, não obstante o seu silêncio e escondimento, foi elevada por Deus a grandes alturas. Deus assim o quis, para nossa felicidade!

E eis, agora, Maria, diante do anjo, totalmente ciosa de sua pureza e plenamente submissa ao projeto divino, que, por ora, não entende perfeitamente. Mas, à semelhança de Abraão, ainda que sem ver, ela aceita e se abandona. Eis, caríssimos, o traço comum de todos os amigos de Deus. Que Maria, verdadeira Mãe de Deus, nos ensine.

E hoje é, ainda, o dia em que eu me consagrarei, juntamente com mais dois amigos, à Virgem Santíssima pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Dia feliz! Mil vezes feliz! Neste dia veio a nós o Novo Adão, Aquele que tudo recriou. Também para nós, hoje é início de uma nova vida.  E isto é particularmente significativo para mim que, a princípio, não era muito devoto de Maria. Mas Deus varreu meus escrúpulos. Ser devoto e íntimo da Mãe de Deus - coisa não apenas recomendável, mas necessária - é como ter acesso a um constante bálsamo de ternura. A Santíssima Virgem, agora o sei um pouco, é mui doce.

Que a Soberana Senhora providencie para que esta nova vida possa ser agradável aos olhos divinos. Que ela nos ensine o segredo da sua humildade e do seu abandono, para que também nós, seus filhos, possamos com ela dizer:

"Olhou para a pequenez de seus escravos... Por isso nossa alma exulta n'Ele, nosso Salvador"

Bendito seja Deus por nos conceder esta honra.
Bendito seja Deus pelo mistério da sua Encarnação.
Bendito seja Deus pela Virgem Santíssima.
Bendito seja Deus por Si mesmo.

Salve Maria Santíssima

Fábio.

**

Sugiro, para o dia de hoje, esta breve, singela e profunda oração.

Feliz Comunicado


O Grupo de Resgate Anjos de Adoração quer comunicar aos amigos, leitores do blog e demais simpatizantes uma grande alegria e uma grande honra. Nesta sexta feira próxima, dia 25 de Março, Encarnação do Senhor, três membros do GRAA se consagrarão a Nossa Senhora pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Segue o nome dos futuros escravos da Soberana:

Breno Kennedy
Fábio Luciano
Rafaely Alencar

A consagração se dará logo após a Santa Missa celebrada pelo Pe. Nilton, às 19h, no convento das Irmãs da Fraternidade O Caminho, em Maceió-AL. Estamos muito felizes por esta grande honra que Deus nos concede, e pedimos aos que nos lêem as suas bondosas orações.


Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

O imenso valor da Ave Maria, a saudação angélica


Almas predestinadas, escravas de Jesus em Maria, aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis.

A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é, como dizem os santos, o inimigo do demônio, pondo-o logo em fuga, e o martelo que o esmaga; a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de santos ilustres.

Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu: "Qui seminat in benedictionibus, de benedicionibus et metet" (2 Cor 9,6).

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

Como serão os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo


Sabemos, enfim, que[m] serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas de sua pobreza e humildade, do desprezo do mundo e caridade, ensinando o caminho estreito de Deus na pura verdade, conforme o santo Evangelho, e não pelas máximas do mundo, sem se preocupar nem fazer acepção de pessoa alguma, sem poupar, escutar ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja. Terão na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus; em seus ombros ostentarão o estandarte ensanguentado da cruz, na direita, o crucifixo, na esquerda o rosário, no coração os nomes sagrados de Jesus e de Maria, e, em toda a sua conduta, a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo.

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

A Virgem Santíssima nos últimos tempos


S. Luís Maria Grignion de Montfort

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e em graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja Católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que lutarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer. (...) Deus deu a Maria tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios que infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos. O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade.

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (Leitura Obrigatória)

A Sabedoria da Cruz está acima de qualquer outra

S. Luís Maria Grignion de Montfort

Amigos da Cruz, que estudais um Deus crucificado, o mistério da cruz é um mistério desconhecido dos Gentíos, repelido pelos Judeus e desprezado pelos hereges e pelos maus católicos; é, porém, o grande mistério que deveis aprender praticamente, na escola de Jesus Cristo, e que somente em sua escola podeis aprender. Procurareis em vão, em todas as academias da antiguidade, um filósofo que vô-lo haja ensinado; consultareis em vão a luz dos sentidos e da razão; não há senão Jesus Cristo que, por sua graça vitoriosa, vos possa ensinar e fazer saborear este mistério.

Tornai-vos hábeis, pois, nesta ciência supereminente, sob a direção de tão grande mestre, e tereis todas as outras ciências, pois ela as contém a todas soberanamente. É ela a nossa filosofia natural e sobrenatural, nossa teologia divina e misteriosa, e nossa pedra filosofal, que muda, pela paciência, os metais mais grosseiros em metais preciosos, as dores mais agudas em delícias, as pobrezas em riquezas, as humilhações mais profundas em glórias. Aquele dentre vós que melhor sabe levar a sua cruz, mesmo que não conheça o A nem o B, é o mais sábio de todos.

Escutai o grande São Paulo, que ao voltar do terceiro céu, onde conheceu mistérios ocultos aos próprios Anjos, exclamava não saber e não querer saber senão Jesus Cristo crucificado. Regozijai-vos, pobre idiota, ou pobre mulher sem espírito e sem ciência: se souberdes sofrer alegremente, sabereis mais que um doutor da Sorbonne que não soube sofrer tão bem quanto vós... 

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Carta aos Amigos da Cruz

A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem


S. Luís Maria Grignion de Montfort

Depois de descobrir e condenar as falsas devoções à Santíssima Virgem, cumpre estabelecer em poucas palavras a devoção verdadeira, que é: 1. interior, 2. terna, 3. santa, 4. constante, 5. desinteressada.

A Verdadeira Devoção é Interior

Antes de tudo, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é interior, isto é, parte do espírito e do coração. Vem da estima em que se tem a Santíssima Virgem, da alta idéia que se formou de suas grandezas, e do amor que se lhe consagra.

A verdadeira devoção é terna

Em segundo lugar é terna, que dizer, cheia de confiança na Santíssima Virgem, da confiança de um filho em sua mãe. Impele uma alma a recorrer a ela em todas as necessidades do corpo e do espírito, com extremos de simplicidade, de confiança e de ternura; ela implora o auxílio de sua boa Mãe em todo tempo, em todo lugar, em todas as coisas: em suas duvidas, para ser esclarecida; em seus erros, para se corrigir; nas tentações, para ser fortificada; em suas quedas, para ser levantada; em seus abatimentos, para ser encorajada; em seus escrúpulos, para ficar livre deles; em suas cruzes, trabalhos e reveses da vida, para ser consolada. Em todos os males do corpo e do espírito, enfim, Maria é seu refúgio, e não há receio de importunar esta boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo.

A verdadeira devoção é santa

Terceiro, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é santa: leva uma alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem, principalmente sua humildade profunda, sua contínua oração, sua obediência cega, sua fé viva, sua mortificação universal, sua pureza divina, sua caridade ardente, sua paciência heróica, sua doçura angélica e sua sabedoria divina. Aí estão as dez virtudes principais da Santíssima Virgem.

A verdadeira devoção é constante

Quarto, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é constante, fiam uma alma no bem, e ajuda-a a perseverar em suas práticas de devoção. Torna-a corajosa para se opor ao mundo em suas modas e máximas, à carne, em seus aborrecimentos e paixões, e ao demônio, em suas tentações. Assim, uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, nem se deixa dominar pela melancolia, pelos escrúpulos ou pelos receios. Não quer isto dizer que não caia ou mude, às vezes, na sensibilidade de sua devoção; mas, se cai, levanta-se logo, estende a mão à sua boa Mãe, e, se perde o gosto ou a devoção sensível, não se aflige irremediavelmente, pois o justo e devoto fiel de Maria vive da fé de Jesus e de Maria, e não nos sentimentos naturais.

A verdadeira devoção é desinteressada

A verdadeira devoção à Virgem Santíssima é, finalmente, desinteressada, leva a alma a buscar não a si mesma, mas somente a Deus em sua Mãe Santíssima. O verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro e de interesse, nem para seu bem temporal ou eterno, corporal ou espiritual, mas unicamente porque ela merece ser servida, e Deus exclusivamente nela; o verdadeiro devoto não ama a Maria precisamente porque ela lhe faz ou ele espera dela algum bem, mas porque ela é amável. Só por isto ele a ama e serve nos desgostos e na aridez, como nas doçuras e no fervor sensível, sempre com a mesma fidelidade; ama-a nas amarguras do Calvário como nas alegrias de Caná. Oh! como é agradável e precioso aos olhos de Deus e de sua Mãe Santíssima, esse devoto, que em nada se busca nos serviços que presta à sua Rainha. Mas, também, quão raro é encontrá-lo agora. E é com o fito de que cresça o número desses fiéis devotos, que empunhei a pena par a escrever o que tenho, com fruto, ensinado em público e em particular nas minhas missões, durante anos e anos.

São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Diferença entre o serviço e escravidão - S. Luís Maria Grignion de Montfort


Há duas maneiras, aqui na terra de alguém pertencer a outrem e de depender de sua autoridade. São a simples servidão e a escravidão, donde a diferença que estabelecemos entre servo e escravo. Pela servidão, comum entre os cristãos, o homem se põe a serviço de outro por um certo tempo, recebendo determinada quantia ou recompensa. Pela escravidão, um homem depende inteiramente de outro durante toda a vida, é dever servir a seu senhor sem esperar salário nem recompensa alguma, como um dos animais sobre que o dono tem direito de vida e morte.

Há três espécies de escravidão: por natureza, por constrangimento e por livre vontade. Por natureza, todas as criaturas são escravas de Deus: "Domini est terra et plenitudo eius" (Sl 23,1). Os demônios e os réprobos são escravos por constrangimento; e os justos e os santos o são por livre e espontânea vontade. A escravidão voluntária é a mais perfeita, a mais gloriosa aos olhos de Deus, que olha o coração (IRs 16, 7) que pede o coração (Pr 23,26) e que é chamado o Deus do coração (Sl 72,26) ou da vontade amorosa, porque, por esta escravidão, escolhe-se, sobre todas as coisas, a Deus e Seu serviço, ainda quando não o obriga a natureza.

A diferença entre um servo e um escravo é total: 1- Um servo não dá a seu patrão tudo o que é, tudo o que possui ou pode adquirir por outrem ou por si mesmo; mas, um escravo se dá integralmente a seu senhor, com tudo o que possui ou possa adquirir, sem nenhuma exceção. 2- O servo exige salário pelos serviços que presta a seu patrão; o escravo, porém, nada pode exigir, seja qual for a assiduidade, a habilidade, a força que empregue no trabalho. 3- O servo pode deixar o patrão quando quiser, ou ao menos quando expirar o tempo de serviço, mas o escravo não tem esse direito. 4- O patrão não tem sobre o servo direito algum de vida e morte, de modo que, se o matasse como mata um de seus animais de carga, cometeria um himicídio; mas, pelas leis, o senhor tem sobre o escravo o poder de vida e morte; de modo que pode vendê-lo a quem o quiser, ou matá-lo, como, sem comparação, o faria a seu cavalo. 5- O servo, enfim, só por algum tempo fica a serviço de um patrão, enquanto o escravo o é para sempre.

Só a escravidão, entre os homens, põe uma pessoa na posse e dependência completa de outra. Nada há, do mesmo modo, que mais absolutamente nos faça pertencer a Jesus Cristo e à Sua Mãe Santíssima do que a escravidão voluntária, conforme o exemplo do próprio Jesus Cristo, que, por nosso amor, tomou a forma de escravo: "formam servi accipiens" (Fl 2,7), e da Santíssima Virgem, que se declarou a escrava do Senhor (Lc 1,38). O Apóstolo honra-se várias vezes em suas epístolas com o título de "servus Christi". A Sagrada Escritura chama muitas vezes os cristãos de "servi Christi", e esta palavra "servus", conforme a observação aceitada de um grande homem, significava, outrora, apenas escravo, pois não existiam servos como os de hoje, e os ricos só eram servidos por escravos ou libertos. E para que não haja a menor dúvida de que somos escravos de Jesus Cristo, o Concílio de Trento usa a expressão unequívoca "mancipia Christi", e no-la aplica: escravos de Jesus Cristo. Isto posto:

Digo que devemos pertencer a Jesus Cristo e servi-lo, não só como servos mercenários, mas como escravos amorosos, que, por efeito de um grande amor, se dedicam a servi-Lo como escravos, pela honra exclusiva de Lhe pertencer. Antes do batismo, éramos escravo do demônio; o batismo nos fez escravos de Jesus Cristo. Importa, pois, que os cristãos sejam escravos ou do demônio ou de Jesus Cristo.

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
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