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Meu Niver - Gratidão


E chegou isto que eu chamo de “meu dia”, o dia em que eu nasci. É interessante como os dias anteriores já me deixam um tanto comovido. Eu fico com um senso de gratidão. Os budistas dizem que o mundo é sempre tal qual o nosso espírito. Embora isto não possa ser entendido na sua literalidade, como alguns o pretendem, ele expressa uma verdade: o nosso modo de olhar para o mundo nos permite ver certas cores. Isso o dizia o próprio Paulo ao escrever que tudo é puro para os que são puros. Eis, pois, que, nesta época, o meu coração cheio de gratidão julga ver no mundo um colorido muito peculiar.

Este ano foi particularmente pródigo na demonstração dos afetos dos meus amigos. Talvez eu pareça insensível a tudo isso; não sei a cara que faço quando sou o alvo desses carinhos. Todos veem que eu sorrio, mas não sei se o julgam tratar-se somente de educação. Na verdade, a repercussão que tudo isto tem dentro de mim é bem maior, como seria de se esperar de um  sujeito com temperamento melancólico sanguíneo. Porém, se foi um tempo de particulares atenções e delicadezas dos amigos, também foi um ano bastante difícil. A idade de vinte e sete anos, da qual saio hoje, é conhecidamente uma idade de tensões e dificuldades. Se estas são importantes para preparar o caráter do homem que está, aí, em formação, eu também fico feliz de avançar para uma nova idade, rs.. Houve e há muita dor, muita saudade, muita falta. Um senso muito agudo de que o curso da vida não segue todas as nossas determinações. A vida nos ensina duramente. Há dores afogadas aqui dentro e que permanecem muito vivas. Mas nada disso impede o senso de gratidão.

Quero, portanto, agradecer primeiramente a Deus que, além de me dar a vida – e de um modo bastante imprevisível -, ainda me concedeu, de ontem pra hoje, a graça da confissão e de tê-lo recebido na Comunhão. Esse foi, de longe, o melhor presente que eu recebi. Que Ele me dê a graça de permanecer fiel mesmo quando as demonstrações exteriores de afeto não forem tão pródigas. Mas quero agradecer também à minha família, à minha tia, ao meu irmão, que me expressaram seu carinho, e também aos demais que, talvez por timidez – o que eu compreendo muito bem – se reservaram a desejar anonimamente o meu bem. É suficiente.

Agradeço também, de forma muito carinhosa – e nem o sei expressar devidamente –, aos meus amigos; a estes que me cercaram, desde a manhã, com suas atenções e seus sorrisos. Tudo isso me surge como um prelúdio do céu. Eu sinceramente os amo. Que bom é poder viver tudo isso. Obrigado, meu Deus, por eles também.

Enfim, em todos os aniversários, gosto de relembrar que, enquanto ele significa mais um ano em que estou por aqui, também representa um ano a menos em que estou por aqui. Em outros termos: se ele marca a distância temporal da minha estadia neste mundo, ele também se refere àquele outro nascimento, mais real, para uma outra vida, também mais real, comparada à qual isto aqui é só um sonho. Então, se o aniversário é a celebração da presença neste mundo, também é ênfase de que tal presença é, ainda, espera. Esta alegria de agora é só um pardo aviso da outra. Se o aniversário, hoje, tende a passar, aquela outra vida será continuamente celebrada e não cederá lugar às tristezas. Será a contínua festa de aniversário; a festa que nunca acaba e que, de algum modo, nunca se torna rotina. Se os presentes recebidos agora são quase imprevisíveis e deles só temos certeza uma vez que os abrimos, o presente recebido lá – o nome que ninguém conhece a não ser quem o recebe – está seguro contra qualquer previsão. O olho não viu, o ouvido não ouviu, a mente não imaginou o que Deus tem preparado para os que O amam. Por isso, mais que tudo, peço a graça de poder amá-Lo, aqui, acima de todas as coisas. E não o peço apenas por interesse. Quero amá-Lo por Ele mesmo. A grande alegria do céu é a posse de Deus.

Enfim, termino com uma frase de Sta Clara de Assis, dita exatamente antes de ela morrer, e que sempre uso por estas datas: "Mil graças, meu Senhor, por me teres criado..."

E como o niver é meu, vamo de música


Feliz Aniversário, Santidade! Viva o Papa!


Neste dia em que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, Sumo Pontífice da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, completa mais um ano de vida, queremos também nós render-lhe a nossa modesta homenagem e rogar a Deus que lhe conceda ainda muitos anos de vida, desta vida que tem sido um presente para todos. Na verdade, muitos são os que o difamam e atacam; porém, é fato que ele é um grande homem, um sujeito de fibra, um magistral filósofo e teólogo. Além disso, como dizia Sta Catarina de Sena, o Papa é a doce sombra de Cristo na terra; ele é ainda a pedra escolhida por Nosso Senhor para sustentar a Santa Igreja e para conduzi-la nestes tempos difíceis. Há muitos, no entanto, que cometem a temeridade de fazer uma espécie de livre exame de cada ato do Santo Padre. Se ele não corresponde às expectativas ou aos acentos místicos ou teológicos que um ou outro dão, já veem nisso um motivo para lhe lançar pedradas. E tudo isto em nome do catolicismo quando, na verdade, é o respeito pelo Santo Padre a verdadeira herança dos santos e doutores da Igreja. 

Enfim, neste dia feliz, em plena Páscoa, o nosso coração se alegra por tê-lo conosco. Rogamos a Deus que lhe dê forças e coragem ainda por muito tempo. Reforçamos, aqui, nossa submissão ao sucessor de Pedro, gloriosamente reinante, e proclamamos juntamente com S. Josemaria Escrivá: Os três amores da nossa vida são Nosso Senhor, a Virgem Santíssima e o Papa. 

Viva Bento XVI! 



Deixo-vos com Sua Santidade: 

***

“Conhecendo um pouco da história dos santos, sabendo que nos processos de canonização se procura a virtude “heroica”, podemos, quase inevitavelmente, formar um conceito equivocado da santidade porque tendemos a pensar: “Isso não é para mim”, “eu não me sinto capaz de praticar virtudes heroicas”, “é um ideal alto demais para mim”... Nesse caso, a santidade estaria reservada a alguns “grandes” cujas imagens vemos nos altares e que são muito diferentes de nós, pecadores comuns. No entanto, seria uma ideia totalmente errada da santidade [...]. 

Virtude heroica não quer dizer que o santo seja uma espécie de “atleta” da santidade, que consegue fazer uns exercícios inexequíveis para as pessoas normais. Quer dizer, pelo contrário, que na vida de um homem se revela a presença de Deus, e se torna mais patente tudo aquilo que o homem não é capaz de fazer por si mesmo. No fundo, talvez se trate de uma questão terminológica, porque o adjetivo “heroico” foi com frequência mal interpretado. Virtude heroica não significa propriamente que alguém faz coisas grandes por suas forças pessoais, mas que na sua vida aparecem realidades que não foi ele quem fez, porque ele só esteve disponível para deixar que Deus atuasse. Noutras palavras, ser santo não é senão falar com Deus como um amigo fala com o amigo. Isto é a santidade.” 

Bento XVI, Santidade e Alegria

Um Ano de Consagrados! Parabéns! Deus seja louvado!


Hoje, dia 25 de março, faz um ano desde que três dos nossos fizeram a Consagração à Virgem Santíssima pelo Método de S. Luís Maria Grignion de Montfort.

Depois deste tempo já considerável, o que posso dizer é que me sinto de posse de uma graça que, absolutamente, não mereço. Só Deus sabe como esta minha natureza é difícil e como há uma certa rebeldia na minha alma que reluta em submeter-se inteiramente. Talvez, justamente por isto, Deus tenha me permitido assumir as correntes desta santa escravidão. 

Neste dia da anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Santíssima, só o que eu peço a esta bondosa mãe, é a graça de ter disposições de alma semelhantes às dela, quando, totalmente esvaziada de si mesma, abriu-se inteiramente ao  apelo celeste e acolheu em seu seio dócil "Aquele que nem os céus podem conter".

Felizes seríamos - feliz eu seria - se, esvaziados, nossa alma fosse toda docilidade e abandono. Jesus encontraria ocasião de encarnar em nós a Sua Santa Lei, de escrever em nosso coração os Seus Preceitos, de nos assemelhar a Ele. Abraçados à Cruz do Senhor, sustentados pela Virgem Puríssima, seríamos transformados n'Ele, esvaziados de nós mesmos, nascidos para a vida em plenitude, cidadãos verdadeiros destes largos horizontes que, de cá, tão somente vislumbramos.

Neste dia grandemente feliz, eu somente quero reafirmar a minha total submissão a Esta que encantou o olhar divino, à mais perfeita dentre todas as criaturas, e dizer-Lhe que, não obstante os meus muitos pecados e o denso egoísmo que ainda me sufoca a alma, a grande honra da minha vida é ser escravo desta bela Rainha, minha Mãe e Senhora.

Aproveito a ocasião, também, para recomendar esta consagração. Os que andam curiosos sobre o que seja isto, peço que leiam o livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima" de S. Luís Maria Grignion de Montfort. Quanto a alguns outros que, ao percorrerem linhas como estas, se precipitam em afirmar terem encontrado supostas evidências de idolatria, igualmente recomendo a leitura da obra. Há ainda outros espaços virtuais que tratam do assunto, dentro os quais o Consagra-Te.

Enfim, é como um segundo aniversário. Parabéns ao Breno e à Rafaely, também consagrados. Parabéns à Sirlaine, que fará a consagração amanhã. Bendito seja Deus que, numa manifestação inequívoca de Sua misericórdia, nos permitiu conhecer tão grande e digno meio de graças.

Obrigado, Virgem Mãe de Deus, porque, embora tenhais tido O mais perfeito dos filhos, não recusastes a nós,  pequenos pontos de nada e rebeldia aos quais, no entanto, acolhestes e amastes em vosso terníssimo e puríssimo coração.

60 anos de Ordenação Sacerdotal de Bento XVI - Deo Gratias!


HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana 29 de Junho de 2011


Amados irmãos e irmãs!


«Non iam servos, sed amicos» - «Já não vos chamo servos, mas amigos» (cf. Jo 15, 15). Passados sessenta anos da minha Ordenação Sacerdotal, sinto ainda ressoar no meu íntimo estas palavras de Jesus, que o nosso grande Arcebispo, o Cardeal Faulhaber, com voz um pouco débil já mas firme, nos dirigiu, a nós novos sacerdotes, no final da cerimónia da Ordenação. Segundo o ordenamento litúrgico daquele tempo, esta proclamação significava então a explícita concessão aos novos sacerdotes do mandato de perdoar os pecados. «Já não sois servos, mas amigos»: eu sabia e sentia que esta não era, naquele momento, apenas uma frase «de cerimónia»; e que era mais do que uma mera citação da Sagrada Escritura. Estava certo disto: neste momento, Ele mesmo, o Senhor, di-la a mim de modo muito pessoal. No Baptismo e na Confirmação, Ele já nos atraíra a Si, acolhera-nos na família de Deus. Mas o que estava a acontecer naquele momento, ainda era algo mais. Ele chama-me amigo. Acolhe-me no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; no círculo daqueles que Ele conhece de um modo muito particular e que chegam assim a conhecê-Lo de modo particular. Concede-me a faculdade, que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdoo os teus pecados. Ele quer que eu – por seu mandato – possa pronunciar com o seu «Eu» uma palavra que não é meramente palavra mas acção que produz uma mudança no mais íntimo do ser. Sei que, por detrás de tais palavras, está a sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sei que o perdão tem o seu preço: na sua Paixão, Ele desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Desceu até à noite da nossa culpa, e só assim esta pode ser transformada. E, através do mandato de perdoar, Ele permite-me lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do seu padecer por nós, homens, que me deixa intuir a grandeza do seu amor. Diz-me Ele em confidência: «Já não és servo, mas amigo». Ele confia-me as palavras da Consagração na Eucaristia. Ele considera-me capaz de anunciar a sua Palavra, de explicá-la rectamente e de a levar aos homens de hoje. Ele entrega-Se a mim. «Já não sois servos, mas amigos»: trata-se de uma afirmação que gera uma grande alegria interior mas ao mesmo tempo, na sua grandeza, pode fazer-nos sentir ao longo dos decénios calafrios com todas as experiências da própria fraqueza e da sua bondade inexaurível.

«Já não sois servos, mas amigos»: nesta frase está encerrado o programa inteiro duma vida sacerdotal. O que é verdadeiramente a amizade? Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas: diziam os antigos. A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: «Conheço os meus e os meus conhecem-Me» (cf.Jo 10, 14). O Pastor chama os seus pelo nome (cf. Jo 10, 3). Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anónimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio. A amizade não é apenas conhecimento; é sobretudo comunhão do querer. Significa que a minha vontade cresce rumo ao «sim» da adesão à d’Ele. De facto, a sua vontade não é uma vontade externa e alheia a mim mesmo, à qual mais ou menos voluntariamente me submeto ou então nem sequer me submeto. Não! Na amizade, a minha vontade, crescendo, une-se à d’Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo. Além da comunhão de pensamento e de vontade, o Senhor menciona um terceiro e novo elemento: Ele dá a sua vida por nós (cf. Jo 15, 13; 10, 15). Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai-me a tornar-me sempre mais vosso amigo!

Esta palavra de Jesus sobre a amizade situa-se no contexto do discurso sobre a videira. O Senhor relaciona a imagem da videira com uma tarefa dada aos discípulos: «Eu vos destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). A primeira tarefa dada aos discípulos, aos amigos, é pôr-se a caminho – destinei, para que vades –, sair de si mesmos e ir ao encontro dos outros. A par desta, podemos ouvir também a frase que o Ressuscitado dirige aos seus e que aparece na conclusão do Evangelho de Mateus: «Ide fazer discípulos de todas as nações…» (cf. Mt 28, 19). O Senhor exorta-nos a superar as fronteiras do ambiente onde vivemos e levar ao mundo dos outros o Evangelho, para que permeie tudo e, assim, o mundo se abra ao Reino de Deus. Isto pode trazer-nos à memória que o próprio Deus saiu de Si, abandonou a sua glória, para vir à nossa procura e trazer-nos a sua luz e o seu amor. Queremos seguir Deus que Se põe a caminho, vencendo a preguiça de permanecer cómodos em nós mesmos, para que Ele mesmo possa entrar no mundo.

Depois da palavra sobre o pôr-se a caminho, Jesus continua: dai fruto, um fruto que permaneça! Que fruto espera Ele de nós? Qual é o fruto que permanece? Sabemos que o fruto da videira são as uvas, com as quais depois se prepara o vinho. Por agora detenhamo-nos sobre esta imagem. Para que as uvas possam amadurecer e tornar-se boas, é preciso o sol mas também a chuva, o dia e a noite. Para que dêem um vinho de qualidade, precisam de ser pisadas, há que aguardar com paciência a fermentação, tem-se de seguir com cuidadosa atenção os processos de maturação. Características do vinho de qualidade são não só a suavidade, mas também a riqueza das tonalidades, o variegado aroma que se desenvolveu nos processos da maturação e da fermentação. E por acaso não constitui já tudo isto uma imagem da vida humana e, de modo muito particular, da nossa vida de sacerdotes? Precisamos do sol e da chuva, da serenidade e da dificuldade, das fases de purificação e de prova mas também dos tempos de caminho radioso com o Evangelho. Num olhar de retrospectiva, podemos agradecer a Deus por ambas as coisas: pelas dificuldades e pelas alegrias, pela horas escuras e pelas horas felizes. Em ambas reconhecemos a presença contínua do seu amor, que incessantemente nos conduz e sustenta.

Agora, porém, devemos interrogar-nos: de que género é o fruto que o Senhor espera de nós? O vinho é imagem do amor: este é o verdadeiro fruto que permanece, aquele que Deus quer de nós. Mas não esqueçamos que, no Antigo Testamento, o vinho que se espera das uvas boas é sobretudo imagem da justiça, que se desenvolve numa vida segundo a lei de Deus. E não digamos que esta é uma visão veterotestamentária, já superada. Não! Isto permanece sempre verdadeiro. O autêntico conteúdo da Lei, a sua summa, é o amor a Deus e ao próximo. Este duplo amor, porém, não é qualquer coisa simplesmente doce; traz consigo o peso da paciência, da humildade, da maturação na educação e assimilação da nossa vontade à vontade de Deus, à vontade de Jesus Cristo, o Amigo. Só deste modo, tornando verdadeiro e recto todo o nosso ser, é que o amor se torna também verdadeiro, só assim é um fruto maduro. A sua exigência intrínseca, ou seja, a fidelidade a Cristo e à sua Igreja, requer sempre que se realize também no sofrimento. É precisamente assim que cresce a verdadeira alegria. No fundo, a essência do amor, do verdadeiro fruto, corresponde à palavra relativa ao pôr-se a caminho, ao ir: amor significa abandonar-se, dar-se; leva consigo o sinal da cruz. Neste contexto, disse uma vez Gregório Magno: Se tendeis para Deus, tende cuidado que não O alcanceis sozinhos (cf. H Ev 1, 6, 6: PL 76, 1097s). Trata-se de uma advertência que nós, sacerdotes, devemos ter intimamente presente cada dia.

Queridos amigos, talvez me tenha demorado demasiado com a recordação interior dos sessenta anos do meu ministério sacerdotal. Agora é tempo de pensar àquilo que é próprio deste momento.

Na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, antes de mais nada dirijo a minha mais cordial saudação ao Patriarca Ecuménico Bartolomeu I e à Delegação por ele enviada, cuja aprazível visita na ocasião feliz da festa dos Santos Apóstolos Padroeiros de Roma, vivamente agradeço. Saúdo também os Senhores Cardeais, os Irmãos no Episcopado, os Senhores Embaixadores e as autoridades civis, como também os sacerdotes, os colegas da minha Missa Nova, os religiosos e os fiéis leigos. A todos agradeço a presença e a oração.

Aos Arcebispos Metropolitanos nomeados depois da última festa dos grandes Apóstolos, será agora imposto o pálio. Este, que significa? Pode recordar-nos em primeiro lugar o jugo suave de Cristo que nos é colocado aos ombros (cf. Mt 11, 29-30). O jugo de Cristo coincide com a sua amizade. É um jugo de amizade e, consequentemente, um «jugo suave», mas por isso mesmo também um jugo que exige e plasma. É o jugo da sua vontade, que é uma vontade de verdade e de amor. Assim, para nós, é sobretudo o jugo de introduzir outros na amizade com Cristo e de estar à disposição dos outros, de cuidarmos deles como Pastores. E assim chegamos a um novo significado do pálio: este é tecido com a lã de cordeiros, que são benzidos na festa de Santa Inês. Deste modo recorda-nos o Pastor que Se tornou, Ele mesmo, Cordeiro por nosso amor. Recorda-nos Cristo que Se pôs a caminho pelos montes e descampados, aonde o seu cordeiro – a humanidade – se extraviara. Recorda-nos como Ele pôs o cordeiro, ou seja, a humanidade – a mim – aos seus ombros, para me trazer de regresso a casa. E assim nos recorda que, como Pastores ao seu serviço, devemos também nós carregar os outros, pô-los por assim dizer aos nossos ombros e levá-los a Cristo. Recorda-nos que podemos ser Pastores do seu rebanho, que continua sempre a ser d’Ele e não se torna nosso. Por fim, o pálio significa também, de modo muito concreto, a comunhão dos Pastores da Igreja com Pedro e com os seus sucessores: significa que devemos ser Pastores para a unidade e na unidade, e que só na unidade, de que Pedro é símbolo, guiamos verdadeiramente para Cristo.

Sessenta anos de ministério sacerdotal! Queridos amigos, talvez me tenha demorado demais nos pormenores. Mas, nesta hora, senti-me impelido a olhar para aquilo que caracterizou estes decénios. Senti-me impelido a dizer-vos – a todos os presbíteros e Bispos, mas também aos fiéis da Igreja – uma palavra de esperança e encorajamento; uma palavra, amadurecida na experiência, sobre o facto que o Senhor é bom. Mas esta é sobretudo uma hora de gratidão: gratidão ao Senhor pela amizade que me concedeu e que deseja conceder a todos nós. Gratidão às pessoas que me formaram e acompanharam. E, subjacente a tudo isto, a oração para que um dia o Senhor na sua bondade nos acolha e faça contemplar a sua glória. Amen.

Algumas fotos do Retiro

Bem, pessoal, as fotos abaixo foram tiradas por amigos. Estávamos tão ocupados que nem nos preocupamos com isto na hora. Em geral, vê-se abaixo os momentos dos intervalos e já o finalzinho do retiro, quando nos reunimos em círculo. Mas, infelizmente, não fotografamos nem os momentos de palestra, nem a Santa Missa. De outra vez, deixaremos um responsável só pra isso... Para visualizar melhor as fotos, basta clicar em cima.

Visitantes Ilustres

Finalzinho - Comemoração do Niver

Finalzinho - Comemoração do Niver II

Eu e as irmãs (Ir. Ingrid, Ir. Sorela e Ir. Ecclesia) - Priscila ao fundo

Visitante Ilustre II

Cozinheira Rafinha

Cachoeirita

Povo da Comida

Priscila, Leninha, as irmãs e o violão

Comida dos Vegetarianos, rs...

Breno e as irmãs

As irmãs, Priscila, Eu, Liliane, Mônica (vulgo Mõinca) e Breno KLB

Visitantes Ilustres III

Eu já disse o nome de tudinho...

Leninha, as irmãs e Juliana, a maloqueira!

Agradecimentos pelo VI Niver GRAA. Deo Gratias!


Gostaria de agradecer de todo coração aos amigos-irmãos que ajudaram na realização do primeiro retiro fechado do Grupo de Resgate Anjos de Adoração. Valeu pessoal.. Agradeço muitíssimo o esforço de cada um. Tivemos contratempos, mas, ao fim, pudemos experimentar a bondade de Deus.

Agradeço imensamente às senhoras Neide e sua filha Luciana, proprietárias da Chácara, pelo carinho que nos proporcionaram e pela ajuda substancial que nos deram. Que Deus as recompense a caridade!

Quero também, de modo particularíssimo, agradecer às irmãs da Fraternidade O Caminho, pela disponibilidade em vir ter conosco, pela pregação constante que faziam através da sua simples presença em nosso meio, pelas pregações e orações, pelas conversas divertidas e, enfim, pela amizade. Que Nosso Senhor cuide bem das suas esposas.

Agradeço ainda ao Pe. Érico que, mui caridosamente, aceitou celebrar para nós, quando já estava tão carregado pelas tarefas da sua paróquia. E foi muito bom! O seu amor pela Eucaristia, a sua forma de celebrar tocaram profundamente algumas pessoas... Reconhecemos o bom Deus ao partir o pão.

Enfim, agradecemos ao nosso pároco que nos apoiou e celebrou para nós no Domingo. Que Deus o abençoe e fortaleça. Que lhe faça ser um padre santo.

A todos que nos ajudaram com suas bondosas orações e aos amigos que, ainda que não tenham participado, torceram pelo bom andamento das coisas, nosso sincero obrigado. Que a Virgem Puríssima os conduza todos à santidade. Para tal, sejamos generosos com a graça de Deus.

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

VI Aniversário do Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA


Nos dias 26,27 e 28 de Novembro, o Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA comemorará o seu VI Aniversário. Para celebrar esta data especial, nós estamos organizando um retiro de dois dias e uma noite com o tema "Provai e vede como o Senhor é bom!" (Sl 33,9)

Os pormenores ainda estão a ser organizados. Mas a data já está definida. Aproveitamos para fazer o convite aos amigos mais próximos. 

Lembramos ainda que, sendo um retiro interno, a quantidade de vagas é limitada.

Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA

Amigos me são muito importantes...


Hoje, dia 16 de junho, além de meu aniversário, é ainda a data em que um amigo irmão meu, o Everton (centro da foto),  vai viajar sem previsão de volta. Primeiramente, irá a Minas Gerais; depois de um mês lá, mais ou menos, rumará para São Paulo. Seja como for, haverá uma despedida e sentirei saudades...

Na verdade, tenho outros amigos que moram longe. Há o Claudemir, pra ficar num exemplo (e é um exemplo especialíssimo) que vive em São Paulo. Não obstante a distância, conversamos sempre e somos bons amigos; amigos-irmãos, eu diria... Eu sempre tive o desapego como uma grande virtude; ele é efeito da virtude da pobreza, que é das que mais estimo, embora também haja um desapego que é fruto da indiferença.

Bem, esta virtude sempre me ensinou a lidar com estas despedidas. Hoje, porém, em que o Everton vai embora, meu coração está mais enternecido... Na primeira vez que ele foi a São Paulo, já éramos amigos, mas não tanto. Depois que ele voltou (e já fazem quatro anos), mantivemos contato durante todo este tempo e conversávamos demoradamente..rs... É um rapaz muito nobre, que ama Nosso Senhor e quer servi-Lo da forma correta. Aprendeu a ser um bom católico e não tem respeito humano quando se trata de debater com hereges e fazer convites a conhecidos para que vão à Igreja.

Ficou encantado ao ler o livro "Confissões" de Sto Agostinho e confidenciou a um amigo: "eu queria, um dia, dar aulas disso..."

Ah Everton.... que saudades, meu caro, deixarás neste meu coração... Isso não se faz: que raios de presente de aniversário é esse que me dás? Sentirei falta das tuas visitas, das tuas conversas, dos teus sorrisos, das tuas expressões que tão bem já conheço...rs, das tuas danças a imitar o Renato Russo, rs..., dos relatos dos teus debates e conversas com professores que falam abobrinhas nas aulas de história..., dos teus abraços amigos.

Só peço a Deus, caro irmão, que não te deixe escapar das Suas mãos. Peço que a Virgem Santíssima te segure firme e que, onde quer que fores, sejas sempre este Éverton que ama cada mais a Jesus Cristo, que O leva aos outros, que O vive.

Em cada Santa Missa, estaremos juntos, aos pés da Cruz do Senhor.

E que Deus o guarde. Até...

Abaixo, uma música japonesa, uma das tantas que gosto, e que tenho escutado muito de ontem pra hoje... Ontem tivemos uma como que despedida. Estávamos lá o Éverton, o Breno (direita da foto) e eu. Foram eles os primeiros a me dar os parabéns quando o relógio marcou as doze horas da noite.  Esta música, então, fica como um tema...



"E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz; teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás... apenas começamos...
O mundo começa agora.. apenas começamos." (Renato Russo)

"Força Sempre!"

Amigos, quando em Deus, são pra eternidade...

Fábio.

Meus 25 anos... Obrigado, meu Senhor...


Hoje eu faço meus vinte e cinco anos e estou a escutar músicas japonesas.  Minha alma se eleva a Deus em gratidão por tantas graças que Ele me dá. Com o salmista, repito: “Que é o homem, Senhor, para dele te lembrares”? Obrigado, meu Deus. 
Perdoe-me tantos destratos e traições pequenas e grandes. Em resposta, me constranges com o Vosso amor e a Vossa fidelidade. A mim que nada sei do amor és sempre amoroso e terno. Feliz me fazes, meu Senhor, pela bendita esperança a que me chamas. Obrigado pela graça de me deixar ser católico.

Estou, mesmo, constrangido e com os olhos marejados. Cristo é sumamente bom; muito além do que proposições e conceitos o podem dizer. Que maldade a nossa, bom Jesus, em Vos resistir. Nada há que se Vos compare. 

Vos peço de presente, amabilíssimo Senhor, a graça de corresponder melhor às tuas vontades, e os amigos que me lêem não poderão me dar nada melhor do que pedir a este bom Deus que me conceda este mesmo bem. 

Eu quisera amar-Vos muito mais, Jesus. Se quiseres, dá-me isto. E então meu coração será só Vosso, e então serás, Tu somente, o meu tesouro. 

Seja para sempre bendito, meu Amado. 
Virgem Maria, sede para sempre minha Mãe e Senhora; eis aqui o vosso servo.

“Quando tu me fitavas,
Teus olhos sua graça me infundiam
E assim me sobreamavas,
E nisso mereciam
Meus olhos adorar o que em ti viam.
Não queiras desprezar-me,
Porque, se cor trigueira em mim achaste,
Já podes ver-me agora,
Pois, desde que me olhaste,
A graça e a formosura em mim deixaste”

(S. João da Cruz, Canções Entre a Alma e o Esposo)
***
“Aquela eterna fonte está escondida
Mas bem sei onde tem sua guarida,
Mesmo de noite.
(...)
Sei que não pode haver coisa tão bela,
E que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo de noite.
(...)
Aquela viva fonte que desejo,
Neste pão de vida há a vejo,
Mesmo de noite."

(João da Cruz, Cantar da alma que se alegra em conhecer a Deus pela Fé)
 
***
“Sabor de bem que é finito,
Ao mais que pode chegar
É cansar o apetite
E estragar o paladar;
E assim por toda a doçura
Nunca eu me perderei,
Mas sim por um não sei quê
Que se acha porventura”.

(S. João da Cruz, Glosa ao Divino)

***
“Uma esposa que te ame,
Meu Filho, dar-te queria,
Que por teu valor mereça
Estar em nossa companhia
E comer pão numa mesa
Do mesmo que eu comia,
Para que conheça os bens
Que em tal Filho eu possuía.
(...)
- Muito te agradeço, Pai,
- O Filho lhe respondia –
À esposa que me deres,
Minha claridade eu daria.
(...)
A encostarei ao meu braço
E em teu amor se abrasaria,
E com eterno deleite
Tua bondade exaltaria."

(S. João da Cruz, Romances Trinitários e Cristológicos)

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