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Maquiadores do crime


Lenin dizia que, quando você tirou do adversário a vontade de lutar, já venceu a briga. Mas, nas modernas condições de “guerra assimétrica”, controlar a opinião pública tornou-se mais decisivo do que alcançar vitórias no campo militar. A regra leninista converte-se portanto automaticamente na técnica da “espiral do silêncio”: agora trata-se de extinguir, na alma do inimigo, não só sua disposição guerreira, mas até sua vontade de argumentar em defesa própria, seu mero impulso de dizer umas tímidas palavrinhas contra o agressor.

O modo de alcançar esse objetivo é trabalhoso e caro, mas simples em essência: trata-se de atacar a honra do infeliz desde tantos lados, por tantos meios de comunicação diversos e com tamanha variedade de alegações contraditórias, com freqüência propositadamente absurdas e farsescas, de tal modo que ele, sentindo a inviabilidade de um debate limpo, acabe preferindo recolher-se ao silêncio. Nesse momento ele se torna politicamente defunto. O mal venceu mais uma batalha.

A técnica foi experimentada pela primeira vez no século XVIII. Foi tão pesada a carga de invencionices, chacotas, lendas urbanas e arremedos de pesquisa histórico-filológica que se jogou sobre a Igreja Católica, que os padres e teólogos acabaram achando que não valia a pena defender uma instituição venerável contra alegações tão baixas e maliciosas. Resultado: perderam a briga. O contraste entre a virulência, a baixeza, a ubiqüidade da propaganda anticatólica e a míngua, a timidez dos discursos de defesa ou contra-ataque, marcou a imagem da época, até hoje, com a fisionomia triunfante dos iluministas e revolucionários. Pior ainda: recobriu-os com a aura de uma superioridade intelectual que, no fim das contas, não possuíam de maneira alguma. A Igreja continuou ensinando, curando as almas, amparando os pobres, socorrendo os doentes, produzindo santos e mártires, mas foi como se nada disso tivesse acontecido. Para vocês fazerem uma idéia do poder entorpecente da “espiral do silêncio”, basta notar que, durante aquele período, uma só organização católica, a Companhia de Jesus, fez mais contribuições à ciência do que todos os seus detratores materialistas somados, mas foram estes que entraram para a História – e lá estão até hoje – como paladinos da razão científica em luta contra o obscurantismo. (Se esta minha afirmação lhe parece estranha e – como se diz no Brasil – “polêmica”, é porque você continua acreditando em professores semi-analfabetos e jornalistas semi-alfabetizados. Em vez disso, deveria tirar a dúvida lendo John W. O’Malley, org., The Jesuits: Cultures, Sciences, and The Arts, 1540-1773, 2 vols., University of Toronto Press, 1999, e Mordecai Feingold, org., Jesuit Science and the Republic of Letters, MIT Press, 2003).

Foi só quase um século depois desses acontecimentos que Alexis de Tocqueville descobriu por que a Igreja perdera uma guerra que tinha tudo para vencer. Deve-se a ele a primeira formulação da teoria da “espiral do silêncio”, que, em extensa pesquisa sobre o comportamento da opinião pública na Alemanha, Elizabeth Noëlle-Neumann veio a confirmar integralmente em The Spiral of Silence: Public Opinion, Our Social Skin(2ª. ed., The University of Chicago Press, 1993). Calar-se ante o atacante desonesto é uma atitude tão suicida quanto tentar rebater suas acusações em termos “elevados”, conferindo-lhe uma dignidade que ele não tem. As duas coisas jogam você direto na voragem da “espiral do silêncio”. A Igreja do século XVIII cometeu esses dois erros, como a Igreja de hoje os está cometendo de novo.

A sujidade, a vileza mesma de certos ataques são plenejadas para constranger a vítima, instilando nela a repulsa de se envolver em discussões que lhe soam degradantes e forçando-a assim, seja ao silêncio, seja a uma ostentação de fria polidez superior que não tem como não parecer mera camuflagem improvisada de uma dor insuportável e, portanto, uma confissão de derrota. Você não pode parar um assalto recusando-se a encostar um dedo na pessoa do assaltante ou demonstrando-lhe, educadamente, que o Código Penal proíbe o que ele está fazendo.

As lições de Tocqueville e Noëlle-Newman não são úteis só para a Igreja Católica. Junto com ela, as comunidades mais difamadas do universo são os americanos e os judeus. Os primeiros preferem antes pagar por crimes que não cometeram do que incorrer numa falta de educação contra seus mais perversos detratores. Os segundos sabem se defender um pouco melhor, mas se sentem inibidos quando os atacantes são oriundos das suas próprias fileiras – o que acontece com freqüência alarmante. Nenhuma entidade no mundo tem tantos inimigos internos quanto a Igreja Católica, os EUA e a nação judaica. É que viveram na “espiral do silêncio” por tanto tempo que já não sabem como sair dela – e até a fomentam por iniciativa própria, antecipando-se aos inimigos.

A única reação eficaz à espiral do silêncio é quebrá-la – e não se pode fazer isso sem quebrar, junto com ela, a imagem de respeitabilidade dos que a fabricaram. Mas como desmascarar uma falsa respeitabilidade respeitosamente? Como denunciar a malícia, a trapaça, a mentira, o crime, sem ultrapassar as fronteiras do mero “debate de idéias”? Quem comete crimes não são idéias: são pessoas. Nada favorece mais o império do mal do que o medo de partir para o “ataque pessoal” quando este é absolutamente necessário. Aristóteles ensinava que não se pode debater com quem não reconhece – ou não segue – as regras da busca da verdade. Os que querem manter um “diálogo elevado” com criminosos tornam-se maquiadores do crime. São esses os primeiros que, na impossibilidade de um debate honesto, e temendo cair no pecado do “ataque pessoal”, se recolhem ao que imaginam ser um silêncio honrado, entregando o terreno ao inimigo. A técnica da “espiral do silêncio” consiste em induzi-los a fazer precisamente isso.
Olavo de Carvalho, disponível aqui.

Por que o católico não pode votar no PT? Ou vote e ganhe de brinde duas excomunhões.


Estamos numa época intensa de disputa eleitoral. O país todo veste suas camisas, faz seus apelos; debates vivos surgem aqui e ali. No entanto, dado o atual estado de coisas, o católico só pode ter uma opção: não votar no PT.

Tenho visto amigos em dúvida. Outros declaram abertamente adesão ao Partido dos Trabalhadores. Até padres revelam intenção de votar na senhora Dilma. E, não obstante, há sérios impedimentos que vedam ao católico esta possibilidade. Entendamos quais são eles:

Primeiramente, o PT é um partido abortista. Isso se vê de vários modos. Mas, apenas para ficar em um ou outro, voltemos ao ocorrido em 2009, quando o PT puniu dois dos seus deputados - Luiz Bassuma e Henrique Afonso - pelo crime nefando de se declararem contrários à descriminalização do aborto. Veja aqui.

Isso está de acordo com o Estatuto do PT, onde se esclarece que um integrante do partido deve estar "previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato", e, ainda, que um candidato que desobedecer alguma dessas normas ou resoluções "será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato" (Estatuto do PT, art. 140, §1 e 2Leia o Estatuto na íntegra aqui. O citado está na página 34.

Dentre as resoluções que vinculam obrigatoriamente os candidatos do Partido, há uma, aprovada no 3º Congresso do PT, ocorrido em agosto e setembro de 2007, onde se propugna a "defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à [sic] todos os casos no serviço público" dando às mulheres o direito de "assim optarem", tornando o aborto factível a partir de uma simples deliberação. As resoluções deste Congresso podem ser vistas aqui, sendo que o referido se encontra na página 82.

Além disso, é digno de nota o lamento feito pelo PT pelo fato de, já no corrente ano, terem-se elegido muitos parlamentares conservadores, aos quais o PT chama de "extrema-direita" - tudo o que não concorde com eles é extrema-direita. E o grande motivo disso é que tal estrutura "jurássica" do Congresso dificultará discussões sobre as uniões homoafetivas, a legalização da maconha, e o aborto. Veja aqui.

Se se quiser, ainda, comprovar a sanha abortista e imoral desse partido, com o qual um católico não pode, em situação alguma, coadunar, leia-se o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o PNHD-3, defendido pelo PT, onde, dentre outras coisas, se diz:

- "Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde" e, mais abaixo, "recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto; (Diretriz 9, Objetivo Estratégico III, letra G)

- "Implementar mecanismos de monitoramento dos serviços de atendimento ao aborto legalmente autorizado, garantindo seu cumprimento e facilidade de acesso." (Diretriz 17, Objetivo Estratégico II, letra G)

Leia o PNHD-3 na íntegra aqui.

Veja ainda aqui o Dr. Yves Gandra falando a respeito desse Plano, já antecipando um pouco o segundo motivo pelo qual um católico não pode votar no PT: a tentativa de comunistizar o Brasil.



O aborto é um crime absurdo onde se mata o infante indefeso que está sendo gestado. Essas políticas de descriminalização tentam realizar uma revolução semântica em termos como "direitos reprodutivos", "violência sexual" ou "planejamento familiar", a fim de que tais expressões, ao mesmo tempo em que se isentam de causar reações adversas nas pessoas, incluam realidades como o suposto direito ao aborto. O Pe. Sanahuja explica: "mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma estratégia para que a reengenharia social seja aceita por todos, sem protestar." E ainda: 


"Estamos em meio a uma batalha da qual uma das frentes mais importantes é a semântica. Por exemplo, temos visto que o termo paternidade responsável, na boca de um político, segundo os códigos universalizados pelas Nações Unidas, não terá o mesmo significado contido nos documentos da Igreja. No linguajar de alguns parlamentares poderia significar, segundo as circunstâncias, desde a distribuição maciça de contraceptivos até mesmo a intenção oculta de promover o aborto. O mesmo se poderia dizer da expressão violência contra a mulher ou mesmo do termo tortura, palavras que o comum das pessoas nem imagina que possam esconder uma referência ao suposto direito ao aborto e outras aberrações." (Mons. Claudio Sanahuja, Poder global e religião universal, São Paulo, Ecclesiae, 2012. p.15.)

Bento XVI, por sua vez, se pronunciou numa Audiência Geral, nos seguintes termos:

"Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil. Isto começa a tornar-se evidente ali onde a eliminação organizada de pessoas inocentes - ainda não nascidas - se reveste de uma aparência de direito, por ter a seu favor a proteção do interesse da maioria" (Bento XVI, Audiência Geral, 07-10-09)

Um católico não pode defender isso sob pena de excomunhão. De todos os direitos possíveis ao ser humano, o mais importante deles é o direito à vida, sem o qual todos os demais não têm sentido algum e o qual todos estes outros direitos pressupõem necessariamente. Defender a vida desde a sua concepção até o seu fim natural é um dever inescusável de todo católico.

A CNBB inclusive escreveu um texto aos católicos, fazendo uma busca retroativa dos passos do PT e da ex-candidata Marina Silva em favor da prática deste crime que clama aos céus. O texto conclui citando o bispo de Guarulhos, Dom Edmilson Amador Caetano, que, no final do seu artigo "Fé e Política", escreve: "se um candidato…escolheu um partido que tem posições contrárias à defesa da vida, desde a sua concepção até à morte natural, e vincula e obriga os seus membros a esta posição, seria imoral para o cristão fazer tal opção política.” Recomendamos vivamente a leitura deste texto, que pode ser lido aqui.

Leia ainda o pronunciamento do Papa Bento XVI, em 2010, onde, dentre outras coisas, ele diz:

"Quando (...) os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas. (...) Seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural. Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro (...)? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto (...), o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases. Portanto, caros irmãos (...), ao defender a vida, não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo." (Discurso aos bispos do Regional Nordeste V, em visita Ad Limina.)
Veja o discurso inteiro aqui.

Votar em um partido que defende e promove a prática do aborto significa tornar-se cúmplice moral de tal crime. Portanto, pune-se o católico que o fizer com a excomunhão automática, chamada Latae Sententiae, porque há como uma excomunhão latente no próprio ato de promoção do aborto. Assim, ainda que ninguém o saiba nem o declare, a excomunhão ocorre.

Assista ao Pe. Paulo Ricardo explicando isso:



A outra razão para que o católico não possa votar no PT é que ele integra o Foro de São Paulo. Este Foro, desconhecido pela maioria das pessoas, é uma organização supranacional, fundada em 1990, por Lula e Fidel - Cruz Credo! - e que tem por objetivo a instauração de um governo socialista em toda a América Latina.

Se alguém quiser observar por si mesmo como o PT faz parte do Foro, veja aqui.

Chamo a atenção, ainda, para os seguintes vídeos:





E aí, ganham sentido todos esses namoricos que o governo brasileiro tem com Cuba, Venezuela, Argentina, etc., e o próprio fato de o PNDH-3, que o PT quer implantar no Brasil, ser tão semelhante ao modelo venezuelano. Esses atos nada mais são senão um esforço de integração dos governos socialistas para que se acelere o processo de comunização do Brasil.

Sobre os gastos com o Porto de Mariel, em Cuba, assista:



Veja ainda esses vídeos




No que se refere ao Socialismo, a Igreja também é tão oposta que chega a declarar, também, excomungado quem de algum modo o promove. Leia o Decreto contra o Comunismo, datado de 1949, escrito pelo Papa Pio XII, aqui. Este Decreto não passa a excomungar o católico a partir de então. Pelo contrário, ele apenas positiva o que já era, desde há muito, a posição da Igreja. Já Pio XI, em 1931, na Quadragesimo Anno, uma Encíclica que celebrava os quarenta anos da grande Rerum Novarum, explicitava: "Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios : ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista." Quanto aos católicos que passavam a defender o Socialismo, escreve o Papa: "Nós com paterna solicitude ansiosamente vamos considerando e indagando como foi possível que chegassem a tal aberração", e ainda:
"Porém nem a injúria Nos ofende, nem a magna desalenta o Nosso coração paterno a ponto de repelirmos para longe de Nós estes filhos tristemente enganados e saídos do caminho da verdade e da salvação; ao contrário com toda a possível solicitude os convidamos, a que voltem ao seio da Santa Madre Igreja. Oxalá que dêem ouvidos à Nossa voz! Oxalá que voltem à casa paterna donde saíram e aí permaneçam na seu posto, nas fileiras daqueles que, fieis às directivas promulgadas por Leão XIII e por Nós hoje solenemente renovadas, procuram reformar a sociedade segundo o espírito da Igreja, fazendo reflorescer a justiça e a caridade sociais."

Leia-a inteira aqui.

Portanto, há pelo menos duas excomunhões escondidas no voto ao PT, e isso deveria ser para o católico um motivo mais que suficiente para que ele entendesse que há razões graves para não fazê-lo. Um católico que faz tal escolha declara, através de sua livre atitude, que não se importa e não defende a moral da Igreja em pontos gravíssimos, tais como são a defesa da vida desde a concepção e a discordância intrínseca a quaisquer formas de socialismo, um regime que, no decorrer da história, foi o responsável por não menos que cem milhões de mortos. Desse modo, por sua própria escolha, exclui-se da comunhão católica.

Fábio.

Proibição de crucifixos nas escolas e o excesso de "dialoguismo" da Igreja

O excesso de simpatia da Igreja: um motor do secularismo?

Dom Luigi Negri, bispo de San Marino-Montefeltro, qualificou a sentença [tomada pelo Tribunal de Estrasburgo de proibição dos crucifixos nas salas de aula da Itália] como "objetivamente um gesto de rejeição ao Crucificado", afirmando o que muitos de nós pensamos: que o excesso de irenismo e de aberturismo do mundo católico tem como resultado, por parte do laicismo radical e anti-cristão, o desprezo.

O Bispo Negri, exortando sua diocese ao desagravo, disse:

"A decisão tomada pela corte de Direitos Humanos de Estrasburgo era largamente previsível e, em certos aspectos, esperada. Nestas instituições está se catalisando de forma substancial o pior laicismo, com uma conotação objetivamente anti-católica e que tende a eliminar, até com violência, a presença cristã da vida em sociedade e, além disso, os símbolos desta presença. Outros já apontaram, sobretudo a Conferência Episcopal Italiana, a mesquinhez cultural desta decisão, a miopia, como disse a Santa Sé, mas eu creio que é correto dizer que se trata de uma vontade subversiva em relação à presença cristã, conduzida com uma ferocidade só comparável à aparente objetividade ou neutralidade das instituições do direito. No entanto, é também correto - como faziam nossos antepassados, e nós amiúde esquecemos esta lição - que nos perguntemos se nós, como povo cristão - e, quisera dizer, como eclesiásticos -, não temos alguma responsabilidade para com esta situação. É sempre correto fazer uma leitura em profundidade sobre se não corremos o risco, de algum modo, de ser cúmplices.
A questão de Estrasburgo, em sua brutalidade, é também uma consequência da abordagem demasiado conciliadora que atravessa o mundo católico há décadas, pelo que a principal preocupação não é a nossa identidade, mas o diálogo a todo o custo, a concordar com as posições mais distantes. Este respeito pela diversidade de posições culturais e religiosas, apoiada na idéia de uma equivalência substancial entre as várias posições e religiões, é que faz o catolicismo perder sua especificidade absoluta. Um irenismo, um aberturismo, uma disposição de diálogo a todo custo, que é compensada da única maneira que o poder humano sempre recompensa estas atitudes desordenadas de compromisso: com desprezo e violência.
É necessário renovar a consciência da própria identidade, da própria especificidade como acontecimento humano e cristão diante de qualquer outra posição, e nos prepararmos para viver o diálogo com todas as outras posições, não sobre a base de uma desmobilização da própria identidade, mas como expressão última, crítica, intensa, de nossa identidade.
Em última análise, será prova significativa, uma prova que pode ser formativa, uma prova pela qual - como muitas vezes nos lembra a tradição dos grandes Padres da Igreja - Deus continua educando seu povo. Mas é necessário que o juízo seja claro e não se detenha em reações emocionais, para que se compreenda com profundidade a tarefa que temos diante de nós: recuperar nossa identidade eclesial e comprometer-nos com o testemunho diante do mundo."

Deus espera de nós um testemunho de fé íntegra e não um dialoguismo que, da perda da identidade católica, se transforme facilmente em apostasia.

Pe. Juan Claudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal. Campinas-SP: Ecclesiae, 2012. p.142-144

Servo de Deus Jerôme Lejeune, a defesa da vida e a falácia do "mal menor".


Por último, ainda que sem esgotar a intervenção de João Paulo II de fevereiro de 2000, quero ressaltar que ao referir-se à mentalidade renunciatória diante das leis iníquas o Santo Padre afirma: "A consciência civil e moral não pode aceitar esta falsa inevitabilidade, do mesmo modo que não aceita a idéia da inevitabilidade das guerras ou dos extermínios inter-étnicos."

A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence - a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Esta atitude nos fará cair na opção do mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.

Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jerôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a "trissomia do 21", e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial de Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.

Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o malminorismo que infectou os católicos na França; estes supunham que cedendo no aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isso e, mais ainda, longe de frear males maiores o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total desse crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.

Também em 1970, participou de uma reunião na OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial de Saúde, que disse: "eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte." Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo: "Hoje eu joguei fora o Prêmio Nobel". Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim mais poder influir.

João Paulo II, em uma carta ao Cardeal Jean-Marie Lustinger, então arcebispo de Paris, por ocasião da morte de Lejeune, disse:

"Como cientista e biólogo era um apaixonado pela vida. Ele se tornou o maior defensor da vida, especialmente a vida dos nascituros, tão ameaçada na sociedade contemporânea, de modo que se pode pensar que seja uma ameaça programada. Lejeune assumiu plenamente a particular responsabilidade do cientista, disposto a ser um sinal de contradição, ignorando a pressão da sociedade permissiva e do ostracismo do qual era vítima."

Mons. Sanahuja. Poder Global e Religião Universal. Campinas SP: Ecclesiae, 2012.

"Interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano."


"Para a eficácia do testemunho cristão, especialmente nestes tempos delicados e controversos, é importante fazer um grande esforço para explicar adequadamente os motivos da posição da Igreja, sublinhando, sobretudo, que não se trata de impor aos não crentes uma perspectiva de fé, mas de interpretar e defender valores radicados na própria natureza do ser humano." 

João Paulo II, Carta Apostólica Novo Millenio ineunte, n. 51, 6 de janeiro de 2001.

"Dado que a fé no Criador é uma parte essencial do Credo cristão, a Igreja não pode e não deve limitar-se a transmitir aos seus fiéis apenas a mensagem da salvação. Ela tem uma responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também em público. E, fazendo isto, deve defender não só a terra, a água e o ar como dons da criação que pertencem a todos. Deve proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem, entendida no sentido justo. Quando a Igreja fala da natureza do ser humano como homem e mulher e pede que se respeite esta ordem da criação, não está expondo uma metafísica superada. Trata-se aqui, de fato, da fé no Criador e da escuta da linguagem da criação, cujo desprezo seria uma autodestruição do homem e, portanto, uma destruição da própria obra de Deus.

O que com frequência é expresso e entendido com a palavra 'gender' [gênero] resulta, em definitivo, na auto-emancipação do homem da criação e do Criador. O homem pretende fazer-se sozinho e dispor sempre e exclusivamente sozinho o que lhe diz respeito. Porém, desta forma, vive contra a verdade, vive contra o Espírito criador. As florestas tropicais merecem, sim, a nossa proteção, mas não a merece menos o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não significa contradição da nossa liberdade, mas a sua condição. Grandes teólogos da Escolástica qualificaram o matrimônio, ou seja, o vínculo para toda a vida entre homem e mulher, como sacramnto da criação que o próprio Criador instituiu e que Cristo - sem modificar a mensagem da criação - depois acolheu na história da salvação como sacramento da nova aliança. Pertence ao anúncio que a Igreja deve levar o testemunho a favor do Espírito criador presente na natureza em seu conjunto e, de modo especial, na natureza do homem, criado à imagem de Deus. A partir desta perspectiva deve ser lida a Encíclica Humanae Vitae: a intenção do Papa Paulo VI era defender o amor contra a sexualidade como consumo; o futuro, contra a pretensão exclusiva do presente; e a natureza do homem, contra a sua manipulação."

Bento XVI, Discurso aos membros da Cúria Romana, 22-12-08.

"O caráter típico desta nova antropologia, concebida como fundamento da Nova Ordem Mundial, manifesta-se, sobretudo, na imagem da mulher na ideologia do "Women's Powerment" [empoderamento da Mulher] proposta por Pequim. O objetivo em vista é a autorrealização da mulher, que encontra os seus principais obstáculos na família e na maternidade. Assim, a mulher deve ser libertada, sobretudo do que a caracteriza e lhe dá nada mais que a sua especificidade: esta é chamada a desaparecer diante de uma "Gender equity and equality" [eqüidade e igualdade de gênero], diante de um ser humano indistinto e uniforme, em cuja vida a sexualidade não tem outro sentido senão o de uma droga voluptuosa, a qual se pode usar sem critério algum."

Ratzinger, J. Prefácio ao livro de Schooyans, M., O Evangelho perante a Desordem Mundial, Ed. Fayard, Paris, 1997.

SANAHUJA, Juan Claudio. Poder Global e Religião Universal. São Paulo: Ecclesiae, 2012. p. 41-43.

O paradigma da reinterpretação dos direitos humanos


As Nações Unidas, suas agências, comitês de monitoramento dos tratados de direitos humanos e os comitês de especialistas impuseram a idéia - que está a serviço da reengenharia social da Nova Ordem Mundial - de que os direitos humanos são evolutivos; isto é, a partir de uma hermenêutica ideologizada pode-se dar origem a uma infinidade de pseudodireitos a serviço das políticas do projeto de domínio mundial. Citemos três exemplos:

a) O Comitê de monitoramento da Convenção Internacional para a Eliminação de toda as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW, 1979), em sua Recomendação Geral número 25 (2004)1, define essa Convenção, e por extensão todas as convenções de direitos humanos, como um instrumento dinâmico sujeito a acréscimos progressivos. Por exemplo, a Convenção pede em três de seus artigos que os programas de planejamento familiar tenham subsídios (artigos 10, 12 e 14). Posteriormente, o Comitê interpretou que essa expressão inclui a contracepção, a esterilização e o aborto. Portanto, o que se entendia por planejamento familiar em 1979 mudou de significado. Ao mesmo tempo, nas Recomendações Gerais do Comitê, quando se fala de direitos da mulher, implicitamente se incluem os chamados direitos sexuais e reprodutivos, a saúde reprodutiva, a liberdade ou a autonomia reprodutiva.

Para maior confusão, o termo saúde sexual relaciona-se com a homossexualidade sob os eufemismos de livre orientação sexual, orientação sexual e gênero, identidade de gênero adotada ou autopercebida, exigindo que sejam reconhecidos seus direitos sociais e jurídicos. Nada disso era previsível em dezembro de 1979, quando a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou o texto da Convenção Internacional contra toda forma de Discriminação da Mulher.

b) O Comitê de monitoramento do Tratado Internacional contra a Tortura interpreta as leis ou as atitudes familiares que impeçam o aborto como tortura psicológica contra a mulher: "as mulheres estão em risco de tortura ou maus tratos, que incluem a privação da liberdade, a privação de tratamentos médicos, especialmente daqueles que envolvem suas decisões reprodutivas e a violência exercida privadamente em sua comunidade e em seus lares." Nada mais longe da letra e do espírito do tratado que essa interpretação.

O Comitê contra a Tortura aplicou esta interpretação em maio de 2009, julgando que a proibição do aborto terapêutico na Nicarágua violava o tratado. E declarou em seu relatório sobre a nação centro-americana, que a proibição do aborto para as vítimas de agressões sexuais significa "uma constante exposição às violações cometidas contra elas" e supõe "um grave estresse traumático com o risco de padecimento de prolongados problemas psicológicos, tais como ansiedade e depressão."2

Assim se entende como, na linguagem imposta pelas Nações Unidas, as palavras violência contra a mulher são um novo eufemismo para justificar a despenalização ou liberalização do aborto. Para se ter um quadro completo de até onde chegou a vontade de penalizar qualquer limitação à chamada liberdade reprodutiva, acrescentemos que o sistema de direitos humanos da ONU entende por ingerência de terceiros não apenas as leis que penalizam o aborto mas também qualquer oposição que venha do âmbito religioso ou familiar, incluída a vontade do cônjuge, se esta é contrária ao aborto, ou, tratando-se de uma menor de idade, a vontade dos pais, tida como injusta ingerência.


c) Em julho de 2009, o Comitê de Monitoramento do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais publicou a Observação Geral nº 20.3 Tendo por base que "o crescimento econômico por si mesmo não levou a um desenvolvimento sustentável, e que existem pessoas e grupos de pessoas que continuam enfrentando desigualdades socioeconômicas, frequentemente como consequência de arraigados padrões históricos e de formas contemporâneas de discriminação", inclui entre estas a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero: "Em 'qualquer outra condição social', tal como se recolhe no artigo 2.2 do Pacto, é incluída a orientação sexual. Os Estados-Partes devem garantir que as preferências sexuais de uma pessoa não constituam um obstáculo para o gozo dos direitos que o Pacto reconhece, como, por exemplo, os efeitos de aceder à pensão de viuvez. A identidade de gênero também é proibida como motivo de discriminação. Por exemplo, os transgêneros, os transexuais ou os intersexo são vítimas frequentes de graves violações dos direitos humanos, como o assédio nas escolas ou no ambiente de trabalho.3"

Insistimos que não se trata aqui de evitar a discriminação injusta, mas de forçar a aceitação social e jurídica da homossexualidade dando ensejo a inumeráveis abusos e a uma verdadeira subversão da ordem social natural. Como se isso fosse pouco, a Observação Geral remete, para as definições de orientação sexual e identidade de gênero, aos ilegítimos Principios de Yogyakarta, dos quais falaremos mais adiante.

Estes exemplos bastam para ilustrar a importância de conhecer a linguagem usada pelos organismos da ONU que, por outro lado, está em permanente evolução. Creio não ser vão o trabalho de estudar detidamente cada uma das observações e recomendações dos Comitês do sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas, sobretudo na hora de julgar os textos e analisar os termos dos projetos de lei que são propostos nos parlamentos nacionais.

Estamos em meio a uma batalha da qual uma das frentes mais importantes é a semântica. Por exemplo, temos visto que o termo paternidade responsável, na boca de um político, segundo os códigos universalizados pelas Nações Unidas, não terá o mesmo significado contido nos documentos da Igreja. No linguajar de alguns parlamentes poderia significar, segundo as circunstâncias, desde a distribuição maciça de contraceptivos até mesmo a intenção oculta de promover o aborto. O mesmo se poderia dizer da expressão violência contra a mulher ou mesmo do termo tortura, palavra que o comum das pessoas nem imagina que possam esconder uma referência ao suposto direito ao aborto e outras aberrações.

Mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma artimanha para que a reengenharia social seja aceita por todos sem protestos. Devemos nos perguntar, frente à linguagem usada nos parlamentos, nas campanhas políticas e nos meios de comunicação: O que querem dizer? O que engloba cada um dos termos? O que significam realmente as palavras? Esse foi o motivo pelo qual o Pontifício Conselho para a Família editou o Lexicon de termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, ao qual, a cada edição, outras entradas são acrescentadas, já que o significado da linguagem internacional muda continuamente.

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1- Recomendações, Observações e Comentários gerais dos tratados de direitos humanos são a interpretação autêntica que os Comitês de monitoramento ou vigilância dos tratados internacionais do sistema de direitos humanos da ONU fazem. Estas reinterpretações são as que os Comitês exigem que os estados adotem em sua legislação interna.

2- "O Comitê insta o Estado-Parte a rever sua legislação sobre o aborto, como recomendado pelo Conselho de Direitos Humanos, Comitê sobre a Eliminação de Discriminação contra a Mulher e Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais", diz o relatório, e indica concretamente à Nicarágua estudar "a possibilidade de prever exceções à proibição geral do aborto para os casos de aborto terapêutico e de gravidezes resultantes de estupro ou de incesto (...) a fim de cumprir, desse modo, as diretivas da Organização Mundial da Saúde".

3- O texto remete a Observações Gerais n. 14 e 15 do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, acrescentando, por assim dizer, mais reinterpretações jurisprudenciais a favor da subversão da ordem natural."

Mons. Sanahuja, Poder Global e Religião Mundial

Estratégias para mascarar o chamado "imperalismo demográfico" ou "contraceptivo" americano sobre alguns países


Antes de continuar, acho necessário fazer referência ao Relatório Kissinger (1974), que surge em consequência do fracasso obtido na Conferência de População de Bucareste (1974) de tentar impor ao mundo os projetos de controle de natalidade dos Estados Unidos. Neste documento, além de estar relacionada uma série de medidas demográficas para diminuir a natalidade em diversos países (por exemplo, Brasil, México, Índia, Paquistão, etc.), estão enunciadas três políticas às quais - em minha opinião - deve-se prestar maior atenção que aos objetivos concretos das políticas de população mundial.

Antes ainda da Conferência de População de Bucareste, mas sobretudo depois, a acusação mais grave que os países de Terceiro Mundo fizeram aos Estados Unidos foi a de "imperialismo demográfico" ou "imperialismo contraceptivo". Para neutralizar estas acusações, o Relatório Kissinger estabelece três objetivos estratégicos:

a) Ordena à diplomacia norte-americana disfarçar as políticas de controle de natalidade sob a aparência de direitos humanos. Para evitar as acusações de imperialismo demográfico, as políticas de controle de natalidade devem ser apresentadas como direitos do indivíduo ou do casal. Encontramos aqui uma das raízes do novo paradigma dos direitos humanos.
b) Estabelece como política global que os padrões culturais dos povos, entre os quais se incluem as crenças religiosas, que tornam inviáveis as políticas de controle de natalidade, devem ser alterados. Está aqui a origem dos novos paradigmas éticos ou tentativas de criar uma religião universal.
c) Por outro lado, decide-se que os encarregados de implantar essas políticas devem ser os próprios políticos nascidos nos países menos desenvolvidos, previamente reeducados nos países do Norte, nas Universidades do Estados Unidos e da Grã-Bretanha, sob a aparente boa intenção de capacitá-los para que melhorem e assegurem a qualidade de vida dos povos. Deste modo, a ingerência dos países centrais ficará dissimulada e seus interesses ultramarinos serão preservados, isto é, será assegurada uma grande provisão de recursos naturais; devem ser os próprios políticos locais, portanto, a entregar a soberania jurídica e até territorial de suas nações.

Mons. Sanahuja, Poder Global e Religião Universal.
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