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É o Cristianismo apenas um sistema moral?



Para o público em geral, a religião cristã, e em especial a protestante, é essencialmente um meio de moralidade. Seu único objetivo é induzir os homens a praticarem boas ações e a evitarem as más. Dogmas, sacramentos e formas de culto são de utilidade enquanto contribuem para o aumento da moralidade, mas são em geral acréscimos tardios à "religião simples de Jesus", que era em essência a nova lei moral proclamada no Sermão da Montanha. Assim quando o sistema de moralidade atribuído a Jesus pelos membros da Igreja é posto em questão, toda a estrutura do cristianismo institucional cai em descrédito.

É completamente errado dizer-se que o Cristianismo é simples e primordialmente um sistema de moralidade e que Jesus era principalmente um mestre de moral; serão necessárias centenas de anos para desfazer essa impressão. Os homens da Igreja reforçaram esse erro com a pregação e o ensino persistente da moralidade e com a exclusão da doutrina, da adoração e da vida interior. Como, entretanto, o público em geral identifica o cristianismo simplesmente e apenas com um certo tipo de moralidade, a influência da Igreja no mundo depende, em grande parte, das atitudes morais dos cristãos. E como o ideal moral cristão é, em si mesmo, dotado de tremenda força, as deturpações do ideal possuem forte influência negativa. Faz-se, portanto, absolutamente necessário que compreendamos a moral cristã à luz da dádiva da união com Deus e da visão mais profunda da Sua natureza que a realização daquela dádiva proporciona e a maturidade espiritual possibilita.

Uma coisa, entretanto, deve ficar clara desde o início: o próprio Deus e não a moral é o fim e o objetivo da religião cristã. A moralidade é apenas um subproduto da união com Deus, e seu propósito consiste no gozo cada vez mais profundo, ou contemplação, dessa união por nós mesmos e pelos outros.

"Todas as outras atividades humanas parecem ter isso como seu fim, pois a contemplação perfeita exige que o corpo esteja totalmente livre, e para esse fim estão voltados todos os produtos da arte que são necessários à vida. Ela precisa, além disso, de estar livre dos distúrbios provocados pelas paixões, o que é conseguido através das virtudes morais e da prudência; e livre dos distúrbios externos, com os quais toda a vida civil está vinculada. Assim, se considerarmos a matéria corretamente, veremos que todas as ocupações humanas parecem servir àqueles que contemplam a verdade.. A felicidade essencial do homem consiste unicamente na contemplação de Deus (Sto Tomás de Aquino, Contra Ventiles, II, XXXVII).

Os cristãos alimentam os famintos, tratam os doentes, vestem os desnudos e se disciplinam para que todos possam compartilhar e desfrutar do maior de todos os bens - o próprio Deus. E, como Deus é amor, amar uma outra pessoa é dar-lhe Deus.

Alan Watts. A vida contemplativa. Rio de Janeiro: Record, 1971. p.210-212.
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