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Votação do PME de União dos Palmares na Câmara hoje - Sem Ideologia de Gênero!


Hoje, dia 20 de Agosto de 2015, é um dia histórico para União dos Palmares. Tivemos, a partir das 9 horas da manhã, uma Audiência Pública na Câmara dos Vereadores, sob presidência do Ver. Tita, a respeito da inserção da Questão de Gênero no Plano Municipal de Educação de União dos Palmares.

Antes das participações dos representantes das Instituições - entre eles, eu, que tive a imerecida honra de representar a Igreja Católica -, houve uma explanação do tema por dois amigos de Maceió, o Alessandro e o Leonardo, que, com a ajuda de um projetor, exprimiram de maneira magistral o plano ideológico e político que se imiscui no termo "Gênero".

Depois de muita discussão, vencemos, ao menos por ora, a causa por unanimidade. Com exceção de alguns militantes de esquerda, todos fomos contra, inclusive a totalidade dos vereadores presentes. Até mesmo um vereador do PT declarou-se contrário à Ideologia de Gênero.

Dentre os que foram favoráveis, o que geralmente se nota parece ser, não necessariamente uma má vontade ou um caráter maquiavélico, mas o total desconhecimento da própria noção de Gênero neste novo contexto. Por exemplo, o que mais se dizia da parte de quem defendia a teoria de gênero eram duas coisas: que era o mesmo que combate à homofobia - que é na verdade uma coisa totalmente diferente e não tem nada a ver com gênero -; e a idéia de que não existe opção sexual, pois isto não seria questão de escolha: nasce-se assim. Embora isso seja um pouco mais problemático, tudo bem. O que acontece é que este discurso do homoerotismo inato destrói a própria noção de gênero, pois todo teórico dessa idéia afirma categoricamente que a identidade de gênero é mutável, é fluida, é flutuante e pode ser mudada tanto quanto se queira. Ou seja: os próprios defensores do gênero são contra o gênero. Para se certificar disso, basta ir às fontes!

Citemos, só a título de exemplo, a Judith Butler, que é a maior autoridade atual sobre esse assunto - e inclusive estará aqui no Brasil agora em Setembro para um seminário sobre gênero na Bahia:

"A distinção entre sexo e gênero serve ao argumento segundo o qual o gênero é culturalmente construído. Portanto, o gênero não seria nem o resultado causal do sexo nem seria aparentemente fixo como o sexo.
Se o gênero são os significados culturais que o corpo sexuado assume, então não se pode dizer absolutamente que o gênero seja consequência do sexo.
Além disso, mesmo que, em sua morfologia e constituição, os sexos pareçam ser binários (algo que questionaremos mais adiante), não há razão para presumir que os gêneros devam também continuar sendo dois. Quando o status construído do gênero é teorizado como radicalmente independente do sexo, o gênero se torna uma artificialidade livremente flutuante. A consequência é que homem e masculino podem facilmente significar tanto um corpo feminino como um corpo masculino, e mulher e feminino podem significar tanto um corpo masculino como um corpo feminino.
Se o caráter imutável do sexo for contestado, talvez esta construção chamada 'sexo' seja tão culturalmente construída como 'gênero'; na verdade, talvez ela já tivesse sido sempre 'gênero', com a consequência de que a distinção entre sexo e gênero termine por não ser distinção alguma." (O problema de gênero: feminismo e subversão da identidade)

Aqui, contra toda a evidência mais evidente, Butler nega não somente a dualidade dos gêneros, mas a própria dualidade sexual, caracterizando-a como "construção". É evidentemente uma lunática. Eu poderia citar todas as demais defensoras desta teoria, mas não julgamos necessário, visto já termos escrito bastante a respeito. Basta procurar aqui no blog mesmo.

Outra coisa que eles consideram absurdo é que nós façamos referências à destruição da família, quando isso é dito com todas as letras pelas próprias feministas que promovem essa idéia, como a Kate Millet, que lamenta o fracasso da destruição da família na Revolução Russa em 1917, sob Lênin, e parte, a partir daí, ao estudo de um modus operandi mais eficiente para levar a termo o intento, sendo a Teoria de Gênero um fruto direto deste esforço.

Veja o que diz a respeito a maluca (literalmente) da Shulamith Firestone, outra das inspiradoras desse absurdo:

"Estamos falando de uma mudança radical. Libertar as mulheres de sua biologia significa ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da sua reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família.
Em segundo lugar, a segunda exigência será a total autodeterminação, incluindo a independência econômica, tanto das mulheres quanto das crianças. É por isso que precisamos falar de um socialismo feminista. Com isso atacamos a família em uma frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia do poder. Contudo, nós a destruiremos ainda mais.
É necessário, em terceiro lugar, a total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade. E, se as distinções culturais entre homens e mulheres e entre adultos e crianças forem destruídas, nós não precisaremos mais da repressão sexual que mantém estas classes diferenciadas, sendo pela primeira vez possível a liberdade sexual 'natural'. Assim, chegaremos, em quarto lugar, à liberdade sexual para que todas as mulheres e crianças possam usar a sua sexualidade como quiserem. Em nossa nova sociedade e humanidade poderá finalmente voltar à sua sexualidade natural 'polimorficamente diversa'. Serão permitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade.
"É possível que a criança estabeleça suas relações físicas estreitas com gente de sua própria idade por mera conveniência física do mesmo modo que os homens e as mulheres, em igualdade de outros fatores, se preferirão um ou outro sobre os demais indivíduos do próprio sexo por simples conveniência física. Porém, se não for assim, se a criança escolhesse a relação sexual com os adultos, ainda no caso de que escolhesse a sua própria mãe genética, não existiriam razões a priori para que esta rechaçasse suas insinuações sexuais, visto que o tabu do incesto teria perdido a sua função."
(A dialética do sexo)

Aqui se revela o claríssimo intento da destruição da família e, para tal, da liberação do incesto e pedofilia, isto é, das relações sexuais entre crianças e adultos, inclusive da mesma família.

Shulamith, quando escreveu estas atrocidades, estava pensando em Max Horkheimer, que, sobre o assunto, afirmou:

"Entre as relações que influem decididamente no modelamento psíquico dos indivíduos, a família possui uma significação de primeira magnitude. A família é o que dá à vida social a indispensável capacidade para a conduta autoritária de que depende a existência da ordem burguesa.
(...) Não somente a vida sexual dos esposos se cerca de segredo diante dos filhos, como também da ternura que o filho experimenta para com a mãe deve ser proscrito todo impulso sexual; ela e a irmã têm direito apenas a sentimentos puros, a uma veneração e uma estima imaculadas.
(...) A subordinação ao imperativo categórico do dever foi, desde o início, o fim consciente da família burguesa. Os países que passaram a dirigir a economia, principalmente a Holanda e a Inglaterra, dispensaram às crianças uma educação cada vez mais severa e opressora. A família destacou-se sempre com maior importância na educação da submissão à autoridade. A força que o pai exerce sobre o filho é apresentada como relação moral, e quando a criança aprende a amar o seu pai de todo o coração, está na realidade recebendo sua primeira iniciação na relação burguesa de autoridade. Obviamente estas relações não são conhecidas em suas verdadeiras causas sociais, mas encobertas por ideologias religiosas e metafísicas que as tornam incompreensíveis e fazendo parecer a família como algo ideal até mesmo em uma modernidade em que, comparada com as possibilidades pedagógicas da sociedade, a família somente oferece condições miseráveis para a educação humana. Na família, o mundo espiritual em que a criança cresce está dominado pela idéia do poder exercido de alguns homens sobre os outros, pela idéia do mandar e do obedecer." (Autoridade e Família, 1936, in: Teoria Crítica, 1968)

Portanto, os intuitos da Ideologia de Gênero são a negação da identidade fixa da pessoa e a destruição da família, pois esta seria a origem da "psicologia do poder", fonte e raiz de toda exploração na sociedade. A família, tornada local privilegiado de intervenção ideológica, torna-se vítima sobretudo na sua parte mais frágil: a criança. Para o sucesso de tal empresa, busca-se a erotização dos infantes, como proposto por Herbert Marcuse, na Alemanha e mais tarde nos Estados Unidos, - que defende desde pedofilia e incesto até a zoofilia ou sexo com animais - e por Michel Foucault, na França, um dos defensores da pedofilia consentida, eufemisticamente chamada de "relação intergeracional". E para chegar a obter sucesso neste quesito, é indispensável que a educação sexual das crianças ocorra por meio do Estado, o que se daria oficialmente pela Educação.

Porém, apenas os membros de alta hierarquia da ideologia entendem o real significado da linguagem esotérica sob a qual disfarçam os seus desejos nestes documentos oficiais. E é por isso que mesmo defensores do gênero geralmente confundem o conceito, reduzindo-o a uma luta por igualdade e vitória sobre o preconceito. Recomendamos vivamente aos instrumentalizados a leitura das fontes originais.

Enfim, parabenizo aos vereadores que tiveram a coragem de se opor ao que foi criminosamente proposto, à revelia das determinações do Senado Federal, e que se pronunciaram usando, para caracterizar um tal projeto, termos como "abominação" e "coisa diabólica". A quem está acostumado com eufemismo, as coisas chamadas pelo nome podem estranhar, mas tais expressões estão corretíssimas.

Por último, quero parabenizar demais à juventude católica de União dos Palmares que esteve lá e fez bonito! De fato, quando começaram a se pronunciar, eu fiquei comovido. Que Deus os abençoe e retribua. Vencemos essa, e aquilo que conseguimos hoje foi algo grande! No entanto, faltam ainda outras etapas que, Deus queira, serão também conseguidas com sucesso. 

Que a Virgem Maria, mãe no menino Deus, cuide das nossas crianças e de nossos jovens.

Atenção! Prof. José Monir Nasser ainda está na UTI


Via Kathren

Obs: A notícia anterior constatando o falecimento do professor foi divulgada pelo Nivaldo Cordeiro em sua página pessoal no facebook, o mesmo comentou que havia recebido um e-mail de uma pessoa muito próxima. O Estado de saúde do mestre é gravíssimo. Continuemos em orações, e peço desculpa a todos pelo sentimento que causei, fico feliz em poder comunicá-los que ainda não chegou a hora de nos despedimos!

Morre o Prof. José Monir Nasser - Rezemos.


Pessoal, acabei de saber por um amigo do falecimento do Prof. José Monir Nasser, um grande educador e promotor da Educação Clássica, que é a educação que se dá pelo aprendizado das Sete Artes Liberais (O Trivium e o Quadrivium). O Brasil perde um grande intelectual, e justamente numa hora complicada como a nossa, em que a Educação Moderna vai se tornando caótica na proporção em que a ludibriação dos novos métodos vai ganhando espaço e a aplicação crédula dos professores. O Brasil, na verdade, é uma grande zona experimental de testes pedagógicos. Tudo quanto receba o qualificativo de moderno ganha atenção e prestígio, enquanto que tudo quanto venha associado ao termo "tradicional" ou "clássico" é visto com ojeriza. Desse modo, é mantida a situação lamentável da nossa educação, ao mesmo tempo em que se monta nos professores um certo senso de defesa contra qualquer tipo de educação realmente digna desse nome.

Que o exemplo e o empenho do Prof. José Monir Nasser seja para todos nós uma inspiração e nos motive a seguir esta sua luta, que é também nossa.

Rezemos pela alma do caríssimo professor. Que Deus, em Sua infinita misericórdia, se compadeça deste valente guerreiro.



RIP

Uma educação que amputa o cérebro


ESCRITO POR JOSÉ MARIA E SILVA | 07 SETEMBRO 2012

O Brasil das Olimpíadas segue as diretrizes do Ministério da Educação e trata os negros como seres dançantes e gregários, destituídos de razão pelos feitores de almas.

Antes mesmo de pisar em solo inglês para disputar as Olimpíadas de 2012, o Brasil já vinha de uma queda de braço com o Reino Unido. Trata-se de uma disputa econômica para ver quem ocupa o sexto lugar da economia mundial. A princípio, a vitória é do Brasil. Com um PIB (Produto Interno Bruto) de 2,45 trilhões de dólares em 2011, o Brasil havia ultrapassado o Reino Unido, tornando-se a sexta maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França. Todavia, com a desvalorização do real frente ao dólar, ocorrida nos últimos meses, o PIB brasileiro deve cair para o patamar de 2,34 trilhões de dólares, levando o Reino Unido a recuperar a sexta posição, enquanto o Brasil voltará a ser a sétima economia mundial, ainda assim, à frente da Itália, Rússia e Canadá.

Em outras palavras, o Brasil não é mais o longínquo País de 1936, do qual o escritor Stefan Zweig (1881-1942) se despediu, ao cabo de sua primeira visita, pensando: “Percebi que havia lançado um olhar para o futuro do mundo”. Nosso futuro já chegou.

Talvez não saibamos aproveitá-lo. Antes daquele elogio do escritor austríaco, o Conde Afonso Celso (1860-1938), enumerando, em 1900, as grandezas que o levavam a ufanar-se do Brasil, indagava a respeito do País: “É verdade que a grandeza não deriva da simples posse de dons valiosos, mas do seu sábio aproveitamento. Por que, porém, deixaremos de pôr em ação os nossos prodigiosos recursos?”. Essa pergunta reboa até hoje nos ouvidos da nação, que, a despeito de estar entre as maiores economias do mundo, ainda se vê como a pátria da esperança e não das realizações.

O brasileiro nunca percebeu o Brasil como obra sua e, sim, como dádiva de Deus. Por isso, a despeito de ser a sexta ou sétima economia do mundo, o gigante continua deitado em berço esplêndido, comodamente adaptado ao olhar estrangeiro, que sempre viu o País como uma exuberante natureza morta, destituída de pessoas à altura da história. Como confessa Stefan Zweig: “Imaginava que o Brasil fosse uma república qualquer das da América do Sul, que não distinguimos bem umas das outras, com clima quente, insalubre, com condições políticas de intranquilidade e finanças arruinadas, mal administrada e só parcialmente civilizada nas cidades marítimas, mas com bela paisagem e com muitas possibilidades não aproveitadas – país, portanto, para emigrados ou colonos e, de modo nenhum, país do qual se pudesse esperar estímulo para o espírito”.

A fúria machadiana

E esse mal não é novo. Já incomodava o “Escritor Nacional” (como diria o personagem Donga Novais do novelário de Autran Dourado), a propósito de quem a escritora Nélida Piñon cinzelou a máxima: “Se Machado de Assis existiu, então o Brasil é possível”. Escrevendo semanalmente na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, entre 24 de abril de 1892 e 11 de novembro de 1900, o criador do alienista Simão Bacamarte dedicou uma de suas crônicas a repudiar o viciado olhar estrangeiro que só via no Brasil a paisagem natural, desprezando completamente o povo que habitava essas paragens, como se não fora digno de constar nem mesmo no rodapé da história.

Em 20 de agosto de 1893, a propósito de um telegrama de Sarah Bernhardt (1844-1923), em que a atriz parisiense desmentia os conceitos a respeito do Brasil que um jornal argentino lhe atribuíra, Machado de Assis (1839-1908) discorre sobre essa espécie de síndrome do Brasil telúrico, sempre mais próximo da natureza do que da cultura. Para desculpar-se com o Brasil, Sarah Bernhardt havia empregado a expressão “pays féerique” (“país feérico”), razão da crítica de Machado: “Uma das minhas convicções (e tenho poucas) era esta: se algum dia Sarah escrever a nosso respeito, não empregará a velha chapa de todos os viajantes que por aqui passam: ce pays féerique. E tu, amiga minha, tu arrancas-me sem piedade esta ilusão do meu outono”.

Machado de Assis é sarcástico: “O meu sentimento nativista, ou como quer que lhe chamem, – patriotismo é mais vasto, – sempre se doeu desta adoração da natureza. Raro falam de nós mesmos; alguns mal, poucos bem. No que todos estão de acordo, é no pays feérique. Pareceu-me sempre um modo de pisar o homem e as suas obras. Quando me louvam a casaca, louvam-me antes a mim que ao alfaiate. Ao menos, é o sentimento com que fico; a casaca é minha; se não a fiz, mandei fazê-la. Mas eu não fiz, nem mandei fazer o céu e as montanhas, as matas e os rios. Já os achei prontos”.

O escritor lembra, nesta crônica, que há muitos anos havia ciceroneado um estrangeiro no Rio e que este, numa noite em que falaram da cidade e sua história, mostrou desejo de conhecer uma velha construção: “Citei-lhe várias; entre elas a igreja do Castelo e seus altares. Ajustamos que no dia seguinte iria buscá-lo para subir o morro do Castelo. Era uma bela manhã, não sei se de inverno ou primavera. Subimos; eu, para dispor-lhe o espírito, ia-lhe pintando o tempo que por aquela mesma ladeira passavam os padres jesuítas, a cidade pequena, os costumes toscos, a devoção grande e sincera”.

Mas a decepção de sempre aguardava Machado: “Chegamos ao alto, a igreja estava aberta e entramos. Sei que não são ruínas de Atenas; mas cada um mostra o que possui. O viajante entrou, deu uma volta, saiu e foi postar-se junto à muralha, fitando o mar, o céu e as montanhas, e, ao cabo de cinco minutos: ‘Que natureza que vocês têm!’ (...) A admiração do nosso hóspede excluía qualquer ideia da ação humana. Não me perguntou pela fundação das fortalezas, nem pelos nomes dos navios que estavam ancorados. Foi só a natureza”.

Enegrecimento à força

Se Machado de Assis encarnasse uma de suas criaturas, o defunto-autor Brás Cubas, e se fizesse cronista póstumo deste Brasil da Copa e das Olimpíadas, haveria de notar que as coisas pioraram ainda mais e que já não é apenas a geografia do País que se conforma em ser cartão-postal – hoje, é a própria alma da nação que se entrega feito natureza morta. Como no verso do poeta e crítico piauiense Mário Faustino (1930-1962) – “o olhar recebe a forma e esquece a essência” –, o brasileiro é convocado a encarnar em sua própria alma a aparência que o mundo formou dele: um ser feito só de sentidos, em que o instinto é maior do que a razão.

É o que se percebe, por exemplo, no clipe com a canção-tema das Olimpíadas, dirigido por Estevão Ciavatta, da Pindorama Filmes, e lançado em agosto pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O clipe reforça esse Brasil para inglês ver, expresso pela alma carioca no que ela ter de pior – a absorção, em si mesma, do clima tórrido e insalubre, palco da terrível febre amarela, no passado, e da dengue, no presente, como se essas enfermidades do corpo plasmassem o próprio espírito da gente trêfega, que, de modo bisonho e malemolente, desfila por esse vídeo que vai mostrar ao mundo a imagem do palco oficial das Olimpíadas de 2016.

Composta por Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto e produzida por Alexandre Kassin, a música-tema Os Grandes Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro é interpretada por Diogo Nogueira, Mart’nália, Mr. Catra, Thalma de Freitas, Zeca Pagodinho, Ed Motta e pelo próprio Arlindo Cruz. Além dos intérpretes, ela reúne vários músicos, como Buchecha, Fernanda Abreu, Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Pedro Luís, Roberta Sá, Ronaldo Bastos, Sandra de Sá, Toni Garrido, Zélia Duncan e as Velhas Guardas do Império Serrano e da Vila Isabel. No clipe, aparece até mesmo a escritora Nélida Piñon, fazendo o papel da deusa Atena, em meio a outros artistas, como Fernanda Montenegro e Rodrigo Santoro, que também encarnam personagens mitológicas. Mas a música nada tem a ver com o corpo atlético de Apolo. Ela exalta o corpo relaxado de Baco: “Ficaram na roda de samba até clarear / ficaram até de perna bamba de tanto sambar”.

Os deuses do Olimpo são praticamente os únicos brancos do clipe. A inclusão do negro no imaginário visual do país está sendo feita à custa da exclusão do branco – que, no entanto, representa 47,7% do total de brasileiros, segundo dados do IBGE. Os negros propriamente ditos são apenas 7,6%. Mas como o governo petista – cavalo de santo do racismo de laboratório produzido pela academia – está empenhado em fomentar uma guerra racial no país, os negros passaram a ser chamados oficialmente de “pretos” (termo que até outro dia era amaldiçoado pela ditadura do politicamente correto) e, somados aos 43,1% de pardos (que foram enegrecidos à força), formam um contingente de 50,7% de negros estatísticos. Obviamente, essa população negra só existe na mente pueril das autoridades, teleguiada pela insanidade moral dos intelectuais universitários.








Eugenia às avessas

O clipe das Olimpíadas de 2016 reduz os brasileiros ao perfil simiesco de exportação, em que as gentes dos trópicos são sempre apresentadas como não tendo cérebro, feitas exclusivamente para rebolar no samba e jogar bola. E, como sempre, o negro é convocado a fazer esse papel abjeto. Seguindo a política racialista iniciada pelo governo Fernando Henrique e transformada em eugenia às avessas pelo governo Lula, o clipe faz do Brasil um país exclusivamente de negros. E o que é mais grave: uma vez que o País é uma nação de negros, a Prefeitura do Rio entendeu que é também uma nação de bola, pandeiro e cachaça. Só faltou explorar a indefectível imagem das mulatas seminuas esfregando as calipígias formas no rosto louro de algum estrangeiro.


Nos últimos anos, especialmente depois da ascensão de Lula ao poder, o símbolo por excelência do Brasil passou a ser o negrinho de periferia jogando bola nas ruas, utilizado exaustivamente em comerciais de TV. Essa imagem, confesso, me dá asco duplamente: primeiro, por vilipendiar o negro, circunscrito a corpo e sentido, sem cérebro; segundo, por conseguir esconder o verdadeiro e óbvio racismo que está por trás dessa redução do negro a uma espécie de fenômeno bruto da natureza, incapaz de se relacionar com elementos nobres da cultura, como um livro, um violino, uma aquarela.

É claro que jogar bola e dançar capoeira não avilta ninguém, mas fazer dessas atividades a expressão por excelência da cultura negra é, sem dúvida, alijar o negro do universo intelectual que produziu o teatro de Shakespeare, as sinfonias de Beethoven, a física de Einstein.



Mas, no fundo, é justamente isso o que faz o Ministério da Educação no documento Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais, publicado em 2006, na gestão do ex-ministro Fernando Haddad, atual candidato a prefeito de São Paulo. Citando o jornalista e sociólogo Muniz Sodré, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o documento do MEC enfatiza textualmente: “Na cultura negra o corpo é fundamental”. Só na cultura negra? – cabe a pergunta. Um povo que não considerasse o corpo como fundamental estaria condenado ao suicídio coletivo.

Toda cultura zela pelo corpo com sua melhor tecnologia, sejam as raízes cultivadas pela tradição, seja o bisturi adestrado na ciência. Até a cultura judaico-cristã, acusada de vilipendiar o corpo com jejuns e martírios, foi uma precursora da profilaxia, como se vê nas leis de Moisés.

Mas, obviamente, o MEC não está falando da dimensão simplesmente física e médica do corpo. Fala de um corpo que é quase um cosmos em si mesmo. O documento parte de uma concepção demencial do negro, como se ele não fosse um brasileiro como os outros e tivesse acabado de aportar no Brasil do século XXI proveniente da Angola do século XVI. É o que fica claro no restante do texto do MEC: “Na cultura negra o corpo é fundamental. Sobre o corpo se assenta toda uma rede de sentidos e significados. Esse não é apartado do todo, pertence ao cosmos, faz parte do ecossistema: o corpo integra-se ao simbolismo coletivo na forma de gestos, posturas, direções do olhar, mas também de signos e inflexões microcorporais, que apontam para outras formas perceptivas”.

Negro como natureza

Não há limite para a demência do MEC e das universidades nas orientações que fornecem à escola sobre o modo de tratar a cultura negra. Depois de afirmar que “o corpo é a representação concreta do território em movimento” (uma frase digna de hospício), o documento do MEC sustenta: “Ao contrário de uma percepção de mundo na qual a alma é onde reside a força e a possibilidade de continuidade, para uma cultura negra a força está no corpo, não existe essa ideia de uma força interior alavancada pela ação da fé. Toda possibilidade encontra-se no corpo potente que procura suas mediações nas relações que constitui no cosmos, daí o compartilhamento como práxis ser uma questão fundamental para se entender a dinâmica de uma cultura negra no Ocidente”.

Releiam esta absurda frase: “Para uma cultura negra a força está no corpo, não existe essa ideia de uma força interior alavancada pela ação da fé”. Esse documento do MEC fere frontalmente a Constituição ao querer impedir os negros brasileiros – majoritariamente cristãos – de exercer livremente sua crença. E mais do que ofender a fé do negro, o MEC – neste texto vil e moralmente criminoso – vilipendia a própria humanidade do negro ao negar-lhe a alma, o espírito, a razão, deixando-lhe tão-somente o corpo, como faziam os traficantes de escravos. Estarrece saber que esse documento oficial do MEC foi escrito por cinco mulheres – vítimas potenciais de toda cultura centrada na força física. A mulher só tem lugar na civilização, onde impera o cérebro; onde manda o corpo, ela vira repasto do macho, como ocorre entre a maioria dos animais.

Mas o MEC não se contém em suas orientações sobre a cultura negra na escola e chega a reduzir o negro a um mero elemento da natureza. Eis o que diz o documento: “Todos trocam algo entre si, homens, mulheres, árvores, pedras, conchas. Sem a partilha, não há existência possível. Faz-se necessário pensar que a cultura negra não está marcada por uma necessidade de conversão. Existe um sentido de agregação que não gira em torno de uma verdade única”. Após esse ataque nada sutil ao cristianismo, o MEC regurgita outras bobagens sobre as “comunidades de matriz africana” (isso existe no Brasil?) para concluir: “Uma visão de mundo negra implica a possibilidade de abertura para o mundo, para a vida e principalmente para o outro. Por exemplo, em uma ‘roda de capoeira’, todos que compartilham os códigos são aceitos, desde que se coloquem como parceiros(as) e respeitem a hierarquia”.

Pensamento mágico do MEC

Para essa abominável pedagogia do MEC, herdeira da nefasta autoajuda marxista de Paulo Freire, o negro não é um brasileiro como os demais: cristão, falante do português, eivado dos mesmos sonhos da gente comum, que quer estudar, trabalhar, constituir família, criar filhos, vencer na vida. Para os lunáticos do MEC, o negro é um ser à parte, prisioneiro da materialidade do seu próprio corpo, que se agrega à natureza como um elemento indistinto dela. O MEC está tratando o negro como sempre tratou o índio: arranca-lhe a alma humana, legada pela civilização, e o atira na paisagem de uma cultura telúrica – em vez de ser sujeito da natureza, o negro se torna tão objeto dela quanto os bichos, as pedras, as plantas. Se isso não for racismo, não sei o que seja.

Para completar, o documento do MEC chega a flertar com o pensamento mágico, que vê na cultura do negro brasileiro uma circularidade ancestral. Eis o que diz o texto, sentenciosamente: “E aqui vale uma pequena abordagem relativa à circularidade. Para a cultura negra (no singular e no plural), o círculo, a roda, a circularidade é fundamento, a exemplo das rodas de capoeira, de samba e de outras manifestações culturais afro-brasileiras. Em roda, pressupõe-se que os saberes circulam, que a hierarquia transita e que a visibilidade não se cristaliza. O fluxo, o movimento é invocado, e assim saberes compartilhados podem constituir novos sentidos e significados, e pertencem a todos e todas elas”. Alguém consegue imaginar cientistas e matemáticos movimentando-se em rodas de capoeira para formular teoremas, descobrir o antibiótico, inventar o avião? Pensar é concentrar-se. Esse negro gregário, plástico, permanentemente aberto ao outro que o MEC inventa não é capaz de criar civilização – é objeto e não sujeito de sua própria cultura.

E aí voltamos ao clipe das Olimpíadas de 2016, da Prefeitura do Rio, que segue integralmente as diretrizes do MEC e das universidades relativas à cultura negra. O clipe mostra um Dionísio caindo de bêbado nas ruas (numa infeliz referência a Baco, que é o antônimo de Olimpíadas), uma negra sambando num bar e ainda um trabalhador negro, de calção e sem camisa, carregando uma geladeira ao mesmo tempo em que dança. É essa a imagem que o Brasil vende ao mundo: a de um povo tão esculhambado que não leva a sério nem o trabalho. E, como sempre, cabe ao negro encarnar esse papel vergonhoso.

Como se não bastasse tudo isso, entre os negros chamados a representar o Brasil monocromático do samba está um tal Mr. Catra. Fui pesquisar quem é o sujeito. Ele se diz convertido ao judaísmo apenas para poder praticar, sob as leis do país, a poligamia de Fernandinho Beira-Mar, tendo várias mulheres e mais de 20 filhos, dos quais ele nem sabe o nome. Suas letras – facilmente encontradas na Internet – colocam as mulheres muito abaixo das cadelas de rua. Impossível citá-las aqui como exemplo. Seria como abrir o esgoto. Não creio que alguma corrente do judaísmo aprove isso. Mas a Prefeitura do Rio, o MEC e os intelectuais universitários aprovam. Tanto que Mr. Catra é um queridinho da mídia.

Feitores de almas

É lamentável que se dê espaço tão nobre para esse tipo de negro, como se ele fosse representativo da cultura afro-brasileira. Os negros legaram ao Brasil, entre muitas outras coisas, o maior poeta simbolista do país, que é também o maior escritor de um dos Estados mais brancos – Cruz e Sousa (1861-1898), de Santa Catarina. Também legaram um dos maiores músicos eruditos da América Latina, o padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), em cuja obra se inspira o próprio Hino Nacional Brasileiro. E seria preciso escrever um verdadeiro tratado de história e sociologia do conhecimento para enumerar todos os mulatos – começando por Machado de Assis, Lima Barreto (1881-1922) e o engenheiro André Rebouças (1838-1898) – que, em plena escravidão, legaram obras fundamentais ao país em todas as áreas.

Mas tanto no clipe das Olímpiadas, quanto nas diretrizes do MEC e nas teses universitárias, não há lugar para esse tipo de negro altivo, cerebral, não gregário. Para os racialistas do MEC e da academia, os negros foram feitos para dançar e sorrir. Não sentem tristeza, não sabem o que é reflexão, não se permitem ser introspectivos. E andam sempre em bando, como se não fossem indivíduos, mas reses de algum rebanho. Sua música jamais seria um blues. É sempre um samba, falando ao corpo, jamais à alma. Aliás, todas as manifestações culturais tidas como autenticamente negras pelas universidades – como a capoeira, o hip hop, a roda de samba, o funk – costumam ter essas duas características: são gregárias e dançantes, condenando o negro a viver em bando, superficialmente.

Ao tratar o negro dessa forma, a universidade brasileira age da mesma forma que os brutais traficantes de escravos. Foram eles que criaram – na base do açoite – esse negro dançante e sorridente. No livro A Vida dos Escravos do Rio de Janeiro (Editora Companhia das Letras, 2000), a historiadora norte-americana Mary Karasch descreve a venda de escravos no Valongo (o grande mercado de negros da corte) e conta que os comerciantes negreiros, a fim de convencer os compradores de que suas peças não estavam com “preguiça” ou depressão, ministravam-lhes estimulantes como pimenta, gengibre e tabaco. “Um segundo remédio para a nostalgia era ‘estimular’ os africanos a cantar e dançar a música de suas terras natais”, acrescenta a historiadora.

“Assim, o som de tambores e palmas e das canções africanas enquanto os escravos dançavam contribuía para a atmosfera do Valongo. Se alguns escravos se recusassem a tomar parte, um feitor forçava-os a dançar, porque acreditavam que a falta de movimento estimularia a nostalgia e assim diminuiria seus lucros. Além disso, exigia-se com frequência que os africanos dançassem de ‘maneira alegre’ durante seu exame físico, a fim de convencer os compradores de sua saúde excelente. Se expressassem seus verdadeiros sentimentos ou apatia e depressão eram açoitados”, conta a historiadora. Felizmente, o negro se libertou daqueles antigos feitores de corpos; mas precisa se libertar dos atuais feitores de almas – que tentam anular sua mente, reduzindo seu ser a um corpo que samba.

Publicado no Jornal Opção, de Goiânia.

Ilustrações: Jornal Opção

José Maria e Silva é sociólgo e jornalista.

A má formação dos filhos e a má conduta dos pais


"Porque de tal maneira se espalhou por toda parte entre os que se dizem cristãos esse péssimo costume, como se fosse lei, confirmada e preceituada por todos, que procuram educar seus filhos desde o berço com muita moleza e dissolução. Apenas nascidas, antes de começarem a falar e a balbuciar, as criancinhas aprendem, por gestos e palavras, coisas vergonhosas e verdadeiramente abomináveis. Quando se desprendem do peito de suas mães, são obrigadas não só a falar mas também a fazer coisas dissolutas e lascivas. Nenhum deles se atreve a comportar-se honestamente, forçado pelo temor da idade, para não se submeter a uma disciplina severa. Bem disse o velho poeta: "Porque crescemos no meio das depravações de nossos pais, desde a infância acompanham-nos todos os males.

Isso é bem verdade, porque tanto mais perniciosas são para os filhos as condescendências dos pais quanto maior a facilidade que encontram. E quando crescerem um pouco mais e forem por si mesmos, vão cair em coisas cada vez piores. De raiz prejudicada cresce árvore estragada, e o que já foi torcido uma vez dificilmente poderá ser endireitado. Quando chegarem à adolescência, que poderão ser esses jovens? Então, no turbilhão de toda sorte de prazeres, sendo-lhes permitido fazerem tudo que quiserem, entregar-se-ão de uma vez aos vícios. Assim, escravos voluntários do pecado, entregam seu corpo como instrumento do mal. Sem nada conservar da religiosidade cristã em sua vida e em seus costumes, defendem-se apenas com o nome de cristãos. Esses infelizes muitas vezes até fingem ter feito coisas piores do que de fato fizeram, para não passarem por mais vis na medida em que forem mais inocentes."

Tomás de Celano, Primeira Vida de São Francisco

Sem educação formal, irmãos ganham prêmios - Ensino em casa

O casal Cleber de Andrade Nunes, de 48 anos, e Bernardeth Amorim Nunes, de 44 anos, com os filhos Davi (de camiseta preta), 19 anos, Jonatas, 18 anos, e Ana, 5 anos

Ocimara Balmant e Fernanda Bassette

Davi e Jônatas estão com as malas prontas para a primeira viagem ao exterior: vão para a Califórnia em agosto. Ganharam as passagens e a estadia para a Campus Party americana após vencerem um concurso na edição brasileira do evento.

Por aqui, eles concorreram com mais de 7 mil "nerds", egressos dos cursos de Engenharia e Ciência da Computação. O currículo dos campeões, no entanto, é bem mais modesto. Eles abandonaram a escola antes de concluir o ensino fundamental.

Os dois foram educados pelos próprios pais, em casa. "Se eu estivesse no colégio, estaria entrando na universidade. Em casa, foquei apenas no que gosto. Não perdi tempo nas disciplinas que não me interessam", diz Davi, de 19 anos. Jônatas, um ano mais novo, alfineta: "Mesmo porque o melhor é ter uma boa ideia. Depois, se for preciso, coloco um engenheiro para programar".

A cada afirmação, os dois olham de soslaio para o pai, sentado no sofá ao lado e se segurando para ele mesmo não responder a todas as perguntas. A cada prêmio dos filhos - só nos primeiros quatro meses deste ano eles já ganharam cerca de R$ 30 mil em concursos - Cléber Nunes se convence ainda mais da decisão tomada no fim de 2005, quando Jônatas e Davi terminaram a 5.ª e a 6.ª série.

"Mas, mesmo com todos esses prêmios, ainda dizem que neguei educação para os meninos", diz o pai, referindo-se ao crime de abandono intelectual pelo qual ele e a mulher, Bernadeth Nunes, foram condenados em 2010. Também teriam de pagar uma multa, estimada hoje em R$ 9 mil, pela condenação em um processo na área cível por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Não quitamos porque temos certeza de que nossos filhos receberam instrução adequada", afirma a mãe.

Quem a vê tão convicta nem imagina que ela era terminantemente contra a decisão do marido. Tanto que, na primeira tentativa de Cleber, no fim de 2004, Bernadeth vetou a ideia. Para convencer a mulher, ele foi aos Estados Unidos, conheceu famílias que praticavam o ensino domiciliar e trouxe uma mala cheia de material sobre o tema.

Começava aí seu processo de "doutrinação" que só tem ganhado adeptos. A mais nova convertida é a pequena Ana, a caçula da família. Aos 5 anos, ela já sabe ler e escrever, é fluente em inglês e, apesar de nunca ter frequentado uma escola, tem uma opinião formada sobre o que se aprende na instituição: "Nada".

Informal. A sala de aula da menina é um cantinho do escritório coletivo que fica no térreo do sobrado em que a família vive, no município mineiro de Vargem Alegre. No espaço, as bonecas ficam junto dos livrinhos de tecido costurados por Bernadeth.

Enquanto a mãe ensina a menina a ver as horas, Jônatas desenvolve um software para informatizar as mercearias do município, e Davi é capaz de se esquecer de comer só para programar os códigos que darão origem a um programa capaz de ajudar os candidatos a vereador e a prefeito a mapear redutos eleitorais e traçar estratégias de comunicação.

Creditam todo o aprendizado à técnica implementada pelo pai, autodidata que saiu da escola no 1.º ano do ensino médio.

Assim que os tirou da colégio, Cléber os ensinou lógica, argumentação e aritmética, base a partir da qual eles poderiam estudar o que lhes conviessem. Davi e Jônatas decidiram ignorar disciplinas como química, biologia e geografia. "Por que eu deveria saber o que são rochas magmáticas?", questiona Jônatas.

Das disciplinas oficiais, ficou somente o inglês. Para estimular a fluência, Cléber comprava cursos de informática em inglês e pedia que os filhos legendassem documentários.

Atualmente, cada um faz seu currículo e seu horário. Mas nunca são menos de seis horas diárias, seis dias por semana. Jônatas, webdesigner, dispersa fácil, tanto que decidiu sair do Facebook para não perder tempo. Davi, programador, é mais centrado, cumpre à risca a grade horária colada no mural do seu quarto, ao lado de onde se vê um versículo bíblico em hebraico, idioma que ele aprendeu sozinho com o intuito de compreender melhor textos do livro sagrado.

Motivação. A retirada dos filhos da escola coincidiu com a decisão da família por uma vida mais simples e de retorno a padrões morais descritos na Bíblia.

Cléber abriu mão de sua empresa de produtos de aço inoxidável, como troféus e placas de honra, para fabricar as peças no quintal de casa. Bernadeth, que era decoradora e cursava Arquitetura, abandonou o curso e, desde então, dedica-se a cuidar da casa e a alfabetizar a filha.
Por fim, trocaram a cidade de Timóteo, com 80 mil habitantes, pela pequena Vargem Alegre, de apenas 7 mil moradores e quase nenhuma opção de lazer. "O pai nos comunicou sobre a mudança. No começo, estranhamos, mas agora já me acostumei com o passeio na pracinha da igreja", diz Davi.

Vez ou outra, jogam futebol com os vizinhos e viajam a Timóteo para encontrar os primos e os ex-amigos de escola. No dia a dia, e sem TV em casa, os cinco estudam, trabalham, fazem as refeições e divertem-se assistindo a vídeos do Youtube. Mas não cansa ficar tanto tempo juntos? Pelo jeito, não. Como acompanhantes da viagem à Califórnia, os meninos não hesitaram: vão levar o pai e a mãe.

Educadores divergem sobre metodologia de ensino fora da escola

Profissionais da educação divergem sobre a possibilidade de pais educarem seus filhos em casa, fora do ambiente escolar. A pedagoga Maria Celi Chaves Vasconcelos, professora na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na Universidade Católica de Petrópolis, fez uma pesquisa de pós-doutorado analisando a prática no Brasil e em Portugal. Aqui, a legislação não permite. Lá é liberado, dentro de algumas regras - entre elas, avaliação periódica.

"Apesar de ser um tema envolto em preconceito, que ainda recebe muitas críticas, as mudanças estão começando e mostram que existem outras maneiras de educar as crianças que não seja na escola", diz Maria.

Para o pedagogo Fábio Stopa Schebella, diretor pedagógico da Associação Nacional de Ensino Domiciliar, o preconceito contra o método é falta de informação. Ele, que já deu aulas em escolas regulares, hoje presta consultoria pedagógica para algumas famílias que ensinam os filhos em casa.

"Há uma crença equivocada de que as crianças que são educadas em casa não se socializam ou não aprendem direito. E isso é um erro. Elas têm rendimento até melhor, tanto na parte intelectual quanto social", afirma.

Equívoco. Quem tira os filhos da escola lhes rouba a oportunidade de se desenvolver integralmente, diz a professora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP. "Nem a baixa qualidade e a falta de segurança das escolas justificam uma opção radical como essa. Esse tipo de ensino pode preparar a pessoa para o trabalho, mas não para o mundo."

Além disso, segundo Silvia, há um problema curricular. Em casa, muitos pais optam por privilegiar os temas de interesse do filho em detrimento de outras disciplinas. "É interessante que a família esteja atenta para captar os interesses e aptidões, mas cabe aos pais abrir perspectivas para novos interesses. Como é que o adolescente diz que não gosta de física, se ele nunca estudou a disciplina?"

O argumento de que é direito dos pais decidir o modelo mais apropriado de ensino é rebatido pelos educadores contrários à educação domiciliar: o direito da criança de frequentar a escola é que deve prevalecer.

A aceitação dos filhos a esse modelo de ensino, argumenta a pedagoga, tem mais relação com a falta de opção do que com a satisfação. "A maioria das crianças ou nunca foi à escola ou dela foi tirada muito cedo. Não têm parâmetros para comparar porque não conheceram o lado de cá."

Leis brasileiras não permitem ensino em casa

A legislação brasileira em vigor determina que os pais ou responsáveis matriculem as crianças na rede regular de ensino - o que torna ilegal, portanto, a prática do ensino domiciliar.

O artigo 6 da lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases) diz que "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores, a partir dos 6 anos de idade, no ensino fundamental". Já o artigo 55 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que os pais ou o responsável têm a obrigação de matricular os filhos ou pupilos na rede regular de ensino.

O Código Penal, em seu artigo 246, diz que é crime de abandono intelectual "deixar, sem justa causa, de prover a instrução primária de filho em idade escolar".

As famílias que defendem a educação fora da escola se baseiam no artigo 26.3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, um tratado internacional ratificado pelo Brasil, que diz "que os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos".

O Ministério da Educação informou, por meio de sua assessoria, que não se manifesta em relação ao tema, pois se trata de uma questão jurídica/legal.

Permissão. Embora a legislação não permita a prática, há um projeto de lei do deputado Lincoln Portela (PR-MG) em tramitação na Câmara dos Deputados pedindo a regulamentação da educação básica domiciliar. O ensino deve ser realizada pelos pais, mas com supervisão e avaliação periódica.

Fonte: Estadão

Imaturidade - Gustavo Corção


"Numa reunião de pais de família, uma pergunta é lançada à madre superiora:

"- Então a Sra. acha que não devemos obrigar os filhos a ir à missa?

"Houve um silêncio. Um suspense. E então a madre, com voz clara e resoluta, respondeu:

"- Não. A missa não deve ser imposta às crianças como um castigo, do qual não se pode escapar. A criança deve ser despertada para o significado e a beleza desse encontro semanal com o Cristo. Os pais devem dar o exemplo e mostrar à criança que ela é livre de fazer a escolha...

"E aí está. Tudo isto que pareceu muito bonito a vários pais de família é simplesmente monstruoso.

"Em primeiro lugar obrigação não é castigo. Em segundo lugar, a educação consiste essencialmente em preparo e em indicar aos educandos as suas obrigações e os seus deveres para com Deus, consigo mesmos e com o próximo. E educação católica consiste essencialmente em preparar a alma do educando para o cumprimento da vontade de Deus, expressa nos mandamentos.

"Todos nós sabemos há mais de dez mil anos, para o que concerne a lei natural, e há quase dois mil anos, para a lei revelada, que essa tarefa tem de ser feita com amor, dedicação incansável, alternativas de persuasão e severidade, e, sobretudo, sabemos que o desnível da autoridade paterna se atenua com o crescimento dos filhos. Ninguém pensará em obrigar um filho de 48 anos a cumprir o preceito dominical; mas também nenhum pai cristão de bom senso deverá consentir que um filho de 7 anos não vá à missa porque não quer. Diremos até que é bom, vez por outra, algum atrito, para lembrar à criança que há uma obrigação a cumprir em relação a Deus, e que nessa matéria ela tem de obedecer como o pai e a mãe obedecem. Chamo a atenção do leitor para um aspecto muito curioso da resposta daquela madre. Na religião nova ou na nova filosofia de vida que ela prega, os pais devem... os pais devem... mas os filhos não devem nem aprendem a dever. Observem especialmente esta passagem: “Os pais devem dar o exemplo e mostrar à criança que ela é livre de fazer a escolha...”. Do lado dos pais o dever, do lado dos filhos a liberdade, a livre opção. (Devemos aqui fazer uma distinção que certamente não ocorreu à freira: livre escolha, toda alma racional possui, se se trata de liberdade interior de autodeterminação da vontade; mas livre escolha dos atos exteriores, no sentido de liberdade, de independência, ou de não-obrigação, esta só temos em termos muito relativos já que todos nossos atos são polarizados no universo moral!)

"E aí está um exemplo típico do mundo em que vivemos: um colégio católico, de longa tradição, em cinco anos se transforma num “André Maurois”. Não ensinam os deveres e não se entende bem como será que o jovem descobrirá sozinho o dia e a hora em que deixa de ser um imaturo que só age em função do agrado, para ser um responsável."

(Editorial da revista Permanência n° 7, abril de 1969, Ano II)

Fonte: Permanência

O HOMESCHOOLING está liberado no Brasil!



Explico. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais devidamente ratificados pelo Congresso Nacional têm statussupralegal. Isso quer dizer que esses tratados são hierarquicamente inferiores à Constituição (lei positiva máxima), mas superiores às demais leis. Ora, o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que é uma lei ordinária, diz: “Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (art. 55). Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), que são tratados internacionais ratificados pelo Brasil, dizem o contrário e, portanto, prevalecem: “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos” (artigo 26.3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos); "Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções." (Artigo 12.4 da Convenção Americana dos Direitos Humanos).

Ambos os textos são claríssimos. Repito: esses tratados são hierarquicamente superiores ao ECA e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Com efeito, não só o ECA e a LDB, mas qualquer outra lei que impeça o homeschooling perde a eficácia, pois os tratados mencionados têm status supralegal. Portanto, juridicamente, não há nada que proíba os pais de adotar o homeschooling para os filhos. E mais: outro direito que se depreende das aludidas normas é o de rejeitar qualquer conteúdo ministrado nas escolas regulares que seja considerado impróprio pelos pais, como o famigerado kit gay, por exemplo.

Vimos que não há qualquer óbice jurídico ao homeschooling no Brasil. Sendo assim, os pais poderiam adotar o método da educação em casa desde já, sem que para isso fosse necessária qualquer mudança legislativa. Porém, a coisa é um pouco mais complicada. O problema, quase sempre, é fazer valer esse direito dos pais. Os diplomas internacionais citados, plenamente válidos e eficazes no Brasil, são ignorados até pelos juízes, que continuam a usar o ECA para forçar a matrícula das crianças. Os empecilhos são muito mais políticos, culturais e ideológicos do que jurídicos. Mas creio que nem tudo está perdido. Cabe aos pais zelosos recorrer aos tribunais contra a tirania. Quanto mais processos houver, quanto mais o tema for ventilado na imprensa, na internet e nas esquinas, maior a chance de obter resultados favoráveis. Trata-se de uma guerra cultural a ser travada, com boas possibilidades de vitória. Afinal, não deve ser difícil compreender que a educação é assunto da família e da sociedade, não de burocratas do estado.
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Educação Tradicional, com "método do Séc. XIX", fica em primeiro lugar no ENEM

Colégio São Bento

Concordo totalmente com os tradicionais e "arcaicos" e "medievais" e "obscuros" e "patriarcais" e "reacionários" e "segregados" e "homogêneos" métodos do Colégio São Bento, localizado no centro do Rio de Janeiro, e que ficou em primeiro lugar, este ano, no Exame Nacional do Ensino Médio. Leia aqui.

O povo hoje pensa que a Educação é lugar pra ficar testando teoriazinha de meia tigela... Vejam aí, o exemplo. É só observar: de um lado, a modinha de uma educação moderninha, promotora de umas ideologiazinhas de fresco, que só tem feito que os alunos saiam cada vez mais despreparados. De outro lado, a educação tradicional de um São Bento que é expoente em todo o país. Contra fatos, não há argumentos. E quem usar de bom senso, terá de admitir. 

Professores, vós criticais tão facilmente os métodos tradicionais, mas engolis com toda facilidade essas teoriazinhas de esquerda, crentes de que estão salvando a educação. Abram os olhos, cambada!

Notícias sobre Gayice e Burrice

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- Primeiramente, uma ousada convocação dos gays - que se afirmam representantes da "tolerância" - para se reunirem, hoje, 01 de junho de 2011, em frente à Catedral de Brasília. E para quê? Para queimar livros religiosos! Se tais fossem os do Frei Betto sem noção, ou os do seu outro parceiro de dupla sertaneja, o Boff, a coisa não seria de todo ruim. Mas, e se entre os livros escolhidos, como parece evidente, estiverem Bíblias? Vejam o tipo de gente a quem querem conferir intocabilidade! Será que queimariam o Corão? Leiam a notícia aqui.

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- Outra: imaginemos que estivéssemos, agora, num colégio de crianças onde, teoricamente, deve reinar a disciplina e os alunos são educados, não somente nos rudimentos intelectuais, mas também nos costumes morais. No entanto, um dos alunos é flagrado entre "ousadias e indecências" com outro aluno. O que a vice-diretora faz? Dá-lhe uma suspensão de dois dias. Nada mais natural. Isso realmente aconteceu. Porém, estranhamente a mãe da criança foi na Secretaria da Educação reclamar da atitude da professora. Hein?! Ah, tá! Vá lá... há mães sem noção também, né? Mas, o que vocês acham que a Secretaria de Educação falou? "Minha senhora, a educadora agiu com razão, pois atitudes imorais destoam do ambiente escolar, não são apropriadas para crianças, podem servir de mau exemplo para os demais e, se não corrigidas, poderão resultar numa ulterior permissividade moral, uma não clareza da sua própria dignidade moral e da dos demais, e uma fraqueza de caráter." Não, não foi isso que a Secretaria de Educação disse. rsrs... Desculpem-me por lhes dar falsas esperanças. O que aconteceu é que chamaram a vice-diretora de "preconceituosa" e publicaram uma nota onde se lia: "Lamentamos a atitude da vice-diretora. Nossa orientação é sempre no sentido da inclusão e de respeito às diferenças. Atuamos de forma pedagógica, na perspectiva de construção do indivíduo e sua cidadania, com inclusão social, de gênero e de respeito à diversidade". Pois é. Deus queira que nesta escola nunca apareça um professor pedófilo, pois, se tal acontecesse, ele poderia ser liberado com uma nota parecida: "nossa orientação é sempre no sentido da inclusão e de respeito às diferenças". Leia aqui.

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Por fim, aquele que já está sendo, com razão, chamado o "Quiti Inguinoranssa" (será obra do Tiririca?) e que defende o uso ERRADO da Língua Portuguesa, afirmando que falar certo pode caracterizar preconceito. Chegaremos, talvez, ao dia em que um desses analfabetos funcionais, com ar de superioridade, ridicularizará alguém que fale certo na sua frente? Imaginem a cena: chega um senhor num ponto comercial e pergunta: "os senhores, por gentileza, poderiam me informar, se não abuso da vossa bondade, o melhor meio de chegar a este estabelecimento de cujo nome disponho aqui neste cartão?" Aí, os senhores lá se entreolham e começam a sorrir - mangar - freneticamente! "Hahaha! Cuma? Cuma que ocê falasse? hahaha..  ocê num estudô não, homi? Que buro, dá zeru pra êli" Ou isso, ou então isso: "Puliça! Prenda ece homi! Ocê tá prezo pur preconseitu cum nóis." A essa altura, teremos o Seu Crêyson pra presidente. Ou então o Lula de novo... Leiam aqui e aqui.

Não deixem, ainda, de votar na enquete do Sou Conservador e que traz a pergunta: "Nóis semo contra o a favô das mudanssa na lingoa portugueza?", e como respostas: "Nóis semo a favo", "Nós somos contra!" e "Nóis num çabemu".

Que Nossa Senhora proteja o Brasil desses que brincam com o seu povo.

Sobre Dignidade da Família e a Iniciação Sexual - Muito Atual


Pio XII

Repetidas vezes, e a propósito de diversos problemas, insistimos sobre a santidade da família, sobre seus direitos, finalidades, como célula fundamental da sociedade humana. Por isto sua vida, sua saúde, seu vigor, sua atividade, asseguram, na ordem, a vida, a saúde, o vigor, a atividade de toda a sociedade. Da existência, da dignidade, da função social que lhe advém de Deus, a família deve responder ao próprio Deus. Seus direitos, seus privilégios são inalienáveis, intangíveis; ela tem o dever, antes de tudo, diante de Deus, e em segundo lugar diante da sociedade, de defender, reivindicar, promover, efetivamente estes direitos e privilégios, não somente em própria vantagem, mas para a glória de Deus, para o bem da coletividade.

Para o cristão está vigente uma regra que lhe consente fixar com certeza a extensão dos direitos e dos deveres da família na comunidade do Estado. Ela é assim concebida: a família não é para a sociedade; mas a sociedade é que é para a família. A família é a célula fundamental, o elemento que constitui a comunidade estatal, já que, para usar a expressão mesma de Nosso predecessor Pio XI, de feliz memória, “a cidade é tal qual a fazem as famílias e os homens de que é formada, como o corpo é formado pelos membros.” Em virtude, por assim dizer, do instinto de conservação, o Estado deveria portanto cumprir o que, essencialmente e segundo o desígnio de Deus Criador e Salvador, é seu primeiro dever: garantir, de modo absoluto os valores que asseguram à família ordem, dignidade humana, saúde, felicidade. Estes valores que são os elementos mesmo do bem comum, não poderão jamais ser sacrificados àquilo que aparentemente poderia ser o bem comum. Indicamos, a título de exemplo, alguns que ameaçam muito hoje: a indissolubilidade do matrimônio; a proteção da vida antes do nascimento; (...) o direito dos progenitores sobre os filhos, no que diz respeito ao Estado; a plena liberdade para os progenitores de educar os filhos na verdadeira fé, e portanto, o direito dos progenitores católicos à escola católica; condições de vida pública tal que a família e sobretudo a juventude tenham a certeza moral de não provir delas a corrupção.

(...) Mas quanto aos direitos essenciais da família, os verdadeiros fiéis da Igreja empenhar-se-ão até o fim para sustentá-los. Poderá acontecer que, aqui ou ali, sobre algum ponto sejam constrangidos a ceder diante da superioridade de forças políticas, mas neste caso não se capitula, suporta-se. Além do mais, em casos semelhantes, é preciso que a doutrina seja salva, que todos os meios eficazes sejam colocados em prática para chegar gradualmente ao fim a que se não renunciou.

Entre estes meios eficazes, se não também imediatos, um dos mais potentes é a união dos pais de família, firmes nas próprias convicções e unidos na mesma vontade.

Outro meio que não ficará jamais estéril ainda antes de obter o resultado desejado e que, em falta ou na espera do sucesso que se continua a perseguir, traz sempre os frutos, é o cuidado, nesta coalizão de pais e de família, de empenhar-se em iluminar a opinião pública, de persuadi-la a pouco e pouco, de favorecer o triunfo da verdade e da justiça. Nenhum esforço para agir sobre ela deve ser descurado ou negligenciado.

Há um campo no qual esta educação, esta sã orientação da opinião pública se impõe com trágica urgência. Em tal setor ela foi pervertida por uma propaganda que não hesitaria chamar funesta, porque embora visando atingir os católicos, os que a exercitam não percebem que inconscientemente estão sendo enganados pelo espírito do mal.

Queremos referir-nos a escritos, livros e artigos concernentes à iniciação sexual, que hoje obtêm muitas vezes enormes sucessos de venda e inundam todo o mundo, invadindo a infância, submergindo a nova geração, perturbando os noivos e os jovens esposos.

Com toda a gravidade, atenção e dignidade que o argumento comporta, a Igreja tratou o problema de uma instrução em tal matéria, qual aconselham ou exigem seja o desenvolvimento físico e psíquico normal do adolescente, sejam os casos específicos nas diversas condições individuais. A Igreja com justo direito pode declarar que, no mais profundo respeito para a santidade do matrimônio, em teoria e na prática, deixou livres os esposos naquilo que o impulso de uma natureza sã e honesta, sem causar ofensa ao Criador, consente.

Fica-se aterrorizado diante do intolerável descaramento de tal literatura: ao passo que, diante do segredo da intimidade conjugal, até o paganismo parecia parar com respeito, hoje se assiste à violação do mistério e ele é oferecido como espetáculo sensual e vívido ao grande público e até à juventude. É de se perguntar se permanece ainda suficientemente nítido o limite entre esta iniciação e a imprensa ou ilustração erótica e obscena, que deliberadamente se propõe a corromper ou aproveitar vergonhosamente, por vis interesses, os mais baixos instintos da natureza decaída.

Não basta. Tal propaganda ameaça também o povo católico com dúplice flagelo, para não usar uma expressão mais forte. Antes de tudo, exagera além da medida a importância e o significado, na vida, do elemento sexual. 

(...) Em segundo lugar esta, assim chamada, literatura não parece ter em consideração alguma a experiência geral de ontem, de hoje e de sempre, fundamentada sobre a própria natureza, que atesta que na educação moral nem a iniciação, nem a instrução, de per si, trazem alguma vantagem; que ela é gravemente danosa e prejudicial quando não está solidamente sustentada por uma constante disciplina, por um vigoroso domínio de si, pelo recurso sobretudo às forças sobrenaturais da oração e dos sacramentos. Todos os educadores católicos dignos deste nome e da própria missão bem conhecem o concurso preponderante das energias sobrenaturais na santificação do homem, as quais ajudam o adulto, solteiro ou casado.

(...) Pais de família, uni-vos – bem entendido, sob a orientação de vossos bispos -; chamai em vosso auxílio todas as mulheres e mães católicas, para combaterem unidos, sem incertezas e respeito humano, para fazer dique e destruir estes movimentos, qualquer que sejam o nome ou a autoridade de que se cobrem ou da qual tenham sido revestidos.

Pio XII, Discurso aos pais de família franceses

Pio XII sobre a Educação - Muito conveniente para o nosso tempo...

O que estão querendo fazer com as nossas crianças?

Nosso espírito vê as inumeráveis fileiras de adolescentes, que como botões se abrem às primeiras luzes da aurora. Prodigioso e encantador é este pulular de juventude em uma geração que pareceu condenada a desaparecer; juventude nova, fremente em sua pujança e em seu vigor, olhos fixos no futuro, e com incoercível impulso para metas mais elevadas, resolvida a melhorar o passado, a assegurar conquistas mais sólidas e de maior vulto no caminho do homem sobre a terra. Desta irrefreável e perene corrente para a perfeição humana, dirigida e guiada pela Divina Providência, os educadores são os orientadores e os responsáveis mais diretos, à mesma Providência associados, para dela realizar os desígnios. Deles depende em grande parte se a corrente da civilização avança ou vai para trás, se reforça seu ímpeto ou languesce na inércia, se vai direta para a foz, ou, pelo contrário, se deleita, ainda que momentaneamente, em vãos acessórios, ou pior ainda, em meandros malsãos e pantanosos.

(...) Não é talvez esta Nossa Sé principalmente uma Cátedra? Não é nosso primeiro encargo o Magistério? Não deu o divino Mestre e Fundador da Igreja a Pedro e aos Apóstolos o fundamental preceito: ensinai, preparai discípulos? Nós nos sentimos educadores de almas, e de fato o somos; a Igreja é sublime escola, e não em um grau secundário de importância, pois que boa parte do ofício sacerdotal consiste em ensinar e educar. Nem podia ser diversamente em a nova ordem instaurada por Cristo, que se fundamenta totalmente sobre as relações de paternidade de Deus, da qual deriva toda outra paternidade no céu, e sobre a terra, e da qual, em Cristo e por Cristo promana a Nossa paternidade para com todas as almas. Ora quem é pai, é por isto mesmo educador, porque, como luminosamente explica o Doutor Angélico, o primordial direito pedagógico, não se apóia sobre outro título senão o da paternidade.

Imensa é a responsabilidade da qual participam, ao mesmo tempo, embora em grau diverso, mas não em campo totalmente separado; a responsabilidade das almas, da civilização, do aperfeiçoamento e da felicidade do homem sobre a terra e nos céus.

Se, neste momento, trouxemos o discurso sobre um terreno mais vasto, qual o da educação, fizemo-lo pensando que já se pode dizer superada, ao menos em linha de máxima, a errônea doutrina que separava a formação da inteligência da do coração. Devemos antes deplorar que nos últimos anos fossem ultrapassados os limites do justo em interpretar as normas que identificam o que ensina o educador, escola e vida. Reconhecido à escola o potente valor formativo das consciências, alguns estados, regimes e movimentos políticos aí descobriram um dos meios mais eficazes de ganhar para suas causas aquelas multidões de adeptos, de que têm necessidade para fazer triunfar determinadas concepções de vida. Com uma tática tão astuta quanto insincera, e por escopos em contraste com os próprios fins naturais da educação, alguns destes movimentos do passado e do presente século pretenderam subtrair a escola à égide das instituições que tinham, além do estado, um primordial direito - a família e a Igreja - e tentaram ou tentam apossar-se delas exclusivamente, impondo um monopólio, que é gravemente lesivo a uma das fundamentais liberdades humanas.

Mas esta Sé de Pedro, escolta vigil do bem das almas e do verdadeiro progresso, como não abdicou jamais no passado este essencial direito, admiravalmente e em todos os tempos exercitado mediante suas instituições, que foram as únicas a se dedicarem a isto, assim não abdicará no futuro, nem por esperanças de vantagens terrenas, nem por temor de perseguições. Ela não consentirá jamais que sejam destituídas do efetivo exercício de seus nativos direitos nem a Igreja, que o tem por mandamento divino, nem a família que o reivindica por natural justiça. Os fiéis de todo o mundo são testemunhos da firmeza desta Sé Apostólica em propugnar a liberdade da escola em muitos países, em diversas circunstâncias e para muitos homens. Pela escola, bem como pelo culto e pela santidade do matrimônio, Ela não hesitou em enfrentar as dificuldades e perigos, com a tranquila consciência de quem serve uma causa justa, santa, querida por Deus, e com a certeza de prestar um serviço inestimável à própria sociedade civil.

Se é ótima regra entesourar sistemas e métodos corroborados pela experiência, ocorre avaliar com todo cuidado, antes de aceitá-las, as teorias e os usos das modernas escolas pedagógicas.

(...) A escola não pode ser comparada a um laboratório químico, onde o risco de desperdiçar substâncias mais ou menos custosas é compensado pela probabilidade de uma descoberta; na escola para cada alma entra em jogo a salvação ou a ruína. As inovações, portanto, que se julgarão oportunas, dirão respeito à escolha de meios e orientações pedagógicas secundárias, permanecendo inabaláveis o fim e os meios substanciais, que serão sempre os mesmos, como sempre idêntico é o fim último da educação, o seu sujeito, o seu principal autor e inspirador, que é Deus Nosso Senhor.

O educador que se inspira na paternidade, cujo escopo é gerar seres semelhantes a si, o que ensina, não somente com os preceitos, mas também com o exemplo, formará os alunos para a vida. Em caso contrário, sua obra será, para dizer com Sto Agostinho, "bazar de palavras" e não modeladora de almas.

(...) Educadores de hoje, que do passado tiraram normas seguras, que ideais para os homens deveis preparar, visando o futuro? Encontrá-los-eis fundamentalmente delineados no cristão perfeito. E dizendo perfeito cristão, entendemos aludir aos cristãos de hoje, homem de seu tempo, conhecedor e cultor de todos os progressos trazidos pela ciência e pela técnica, cidadão não estranho à vida que se desenvolve hoje, em sua terra. O mundo não se arrependerá, se um número sempre maior de tais cristãos entrar em todos os graus da vida pública e privada. Cabe, em grande escala aos que ensinam predispor a esta benéfica imissão, orientando os espíritos dos discípulos a descobrirem as inexauríveis energias do cristianismo na obra de melhoramento e de renovação dos povos.

O nosso tempo quer que a mente dos alunos seja endereçada para um sentido de justiça mais efetiva, sacudindo suas inatas tendências de se considerarem eles uma casta privilegiada e de temerem o trabalho e dele se esquivarem. Sintam-se e sejam de fato trabalhadores já hoje, no cumprimento perfeito dos deveres escolares, como deverão ser amanhã nos cargos dirigentes da sociedade. (...) Habituem-se portanto estes ao severo de trabalhar o intelecto, e do trabalho aprenderão a suportar a dureza e a necessidade, para que somente assim possam gozar os direitos da vida associada, com o mesmo título que os trabalhadores braçais. (...) Abra-se à nova juventude a respiração da catolicidade, e sinta-se o fascínio daquela caridade universal que abraça todos os povos no único Senhor; a consciência da própria personalidade, e portanto do maior tesouro da liberdade, a sã crítica; e ao mesmo tempo o sentido da humildade cristã, da justa sujeição, à lei e aos deveres de solidariedade. Religiosos, honestos, cultos, abertos e operosos - queríamos que assim os jovens saíssem das escolas.

Pio XII e os Problemas do Mundo Moderno, Discurso de 4 de setembro de 1949, grifos meus.

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O que Pio XII diria se visse a situação calamitosa a que chegou a educação no Brasil? O que se nota, hoje, é uma total e estratégica negação de todos os valores presentes no texto acima. Que Deus tenha piedade de nós.
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