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O zelo pelo sagrado


Dia a dia, estamos observando como se alastram a indiferença e o desprezo pelo sagrado. O agnosticismo prático tem se instalado e muitas vezes, vemos seus efeitos em pleno sólo católico. Na Santa Míssa, Sacrifício de Cristo, onde deveríamos tremer de respeito, o que testemunhamos? Todo tipo de tolerância no sentido de distorcer o caráter da Santíssima Celebração e pouca ou nenhuma disciplina por parte dos participantes. Fico intrigado em ver como podem alguns demonstrar, em outras ocasiões, serem tão devotos e, em plena Santa Missa, mostrarem um tal tipo de desprezo pelo que acontece sobre o Altar.

Esta falta de zelo que, infelizmente, torna-se cada vez mais freqüente, tem vários motivos, dentre os quais, gostaríamos de citar alguns. Primeiramente, a formação doutrinária de nossas catequeses, turmas de crismas e até a que é própria da família tem sido “água com açúcar”. A famigerada Heresia da Libertação tem tomado todo o espaço nestes ambientes onde, por vezes, só se ensina o erro. O desprezo se revela na própria terminologia com que se referem àquilo que é realmente católico, como no uso pejorativo da expressão “sacramentalista” ou da palavra “encapados” pra designar os que supostamente se escondem por trás de uma capa de devoção. Observamos que o respeito pelo sagrado não só não faz parte destes ambientes, mas também que eles atacam toda sombra de reta devoção. Portanto, poderíamos apontar como um dos grandes motivos deste agnosticismo prático, a ignorância, por parte da maioria dos católicos de hoje, do que seja a Santa Missa, do que nela acontece, enfim, do real sentido do catolicismo.

Um outro aspecto fundamental para compreendermos este triste fato é a falta de disciplina característica da contemporaneidade. Basta ligar a TV ou passar 15 minutos conversando com um adolescente apontado na multidão (é claro que existem exceções) pra se perceber a mediocridade das ideologias do mundo de hoje que voam por aí nas ondas do rádio, da televisão, da internet. O ensinamento de S. Paulo aplica-se a nossos dias: “nossos inimigos estão espalhados nos ares”. Não se cultiva mais no mundo secular o costume do sacrifício, da disciplina, do domínio de si, da maturidade. E isto, com certeza, reflete-se na forma como as pessoas tratam o sagrado. Mesmo por parte de muitos católicos, quase não há aquele espírito de guerra contra o mundo, seguindo as palavras de Cristo: “se fordes amigos do mundo, sereis inimigos de Deus”. Ao contrário, o que existe é uma tosca tentativa de reconciliar realidades totalmente opostas, uma sede por servir a dois senhores. Tanto é que, hoje em dia, as nossas celebrações dominicais viraram desfiles de moda, ou depósito de lanches infantis, ou pontos de encontro, ou rotinas supersticiosas... Querem levar o profano para dentro do Sagrado, mas “de Deus não se zomba”.

Jovens e adultos alheios a qualquer prática de disciplina interior, que não conhecem  sequer os rudimentos da Fé, que não sabem silenciar, mas antes, creem que a oração consiste em falar sem parar ou em fazer qualquer barulho diante do Santíssimo Sacramento; que fazem tudo no “automático”, sem pôr o coração no Altar, sem prostrar a alma, sem devorar-se de amor como Elias, sem retirar as sandálias dos pés como Moisés. E depois estes mesmos vêm criticar os “carolas” e vêm falar de um Evangelho puramente social... Não que nos incomodemos com as críticas – elas nos honram – mas é triste ver que estas pessoas, adeptos da TL e de outras porcarias que vendem por aí, do Evangelho não viram sequer a sombra.

Qualquer um que seja católico deve ter a vida centrada no Sagrado, o dia centrado na Santa Missa, comunhão diária se possível, tendo em vista que faltar ao Santíssimo Sacrifício de Cristo por motivo injusto, um dia que seja, é uma atitude de profundo desprezo pelo Senhor.

Deve ter vida sacramental, vida de oração, deve lutar contra as próprias inclinações à vaidade, ao orgulho, à sensualidade... Deve “crucificar o corpo com suas paixões e concupiscências” e aprender a estar morto para o mundo, e ter o mundo morto para si. O Evangelho é a via mais estreita de todas e a única que conduz a Cristo, e deve ser vivido com rigor. Ou é assim, ou não é. Todo o bem social será reflexo deste algo interior, e não de doutrinas marxistas transmutadas de católicas. “Amar a Deus sobre todas as coisas” é o primeiro mandamento; se este não for cumprido, o segundo também não existe. Enfim, amar ao próximo não é algo puramente exterior, tanto que alguém pode demonstrar amar, sem que isto não passe de teatro. A coisa ou vem de dentro, da vida cultivada em intimidade como Nosso Senhor ou vem do inferno. Que Cristo nos ensine a tratar com respeito tudo quanto Lhe diz respeito. Que o amor a Cristo possa modelar toda a nossa vida, afim de que toda ela possa ser um grande suspiro de amor pelo belo Esposo de nossas almas.

Fábio Luciano
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4 comentários:

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